O (DES)COMPASSO ENTRE OS MEIOS ACADÊMICO E CORPORATIVO: Uma linguagem intermediária Juliana Vlastuin (PPGEP/PG)1 [email protected] Orientador: Dr. Luiz Alberto Pilatti (PPGEP/PG) [email protected] Resumo O objetivo do presente estudo é realizar um trabalho bibliográfico acerca do cenário envolvendo os meios acadêmico e empresarial no que diz respeito à produção de conhecimento particular de cada um. Para isso, foram consultadas duas obras características de cada setor, no sentido de detectar como a linguagem é vendida dentro de cada segmento: Equipes de Alta Performance e Equipes Ricas e Vencedoras. Parte-se do pressuposto de que, apesar do avanço do setor produtivo, o setor empresarial não detém o conhecimento teórico-científico, assim como o meio acadêmico não conhece a indústria. Da assertiva, se incute uma linguagem de aproximação entre os setores, exemplificada através do esporte. Palavras-Chave: Equipes, Meios Empresarial/Acadêmico, Liderança. Prólogo Existe um hiato entre os meios acadêmico e corporativo. O meio acadêmico detém uma espécie particular de conhecimento, o científico, e o ferramental de pesquisa, sem, contudo, conhecer de forma satisfatória os meandros do mundo corporativo. A pesquisa básica acontece predominantemente nesse meio. O mundo corporativo, por sua vez, além de estar quase sempre na frente do mundo acadêmico do ponto de vista tecnológico, é detentor do conhecimento que a academia não tem e necessita. A pesquisa aplicada faz parte do seu cenário. Não obstante, no Brasil, a relação Universidade-Empresa é incipiente. Existe também uma linguagem diferenciada em função da interlocução. O meio acadêmico, via de regra, escreve para o meio acadêmico. Quando o interlocutor está fora desse pólo, a linguagem é outra. Em muitos casos, torna-se próxima do que o meio acadêmico qualifica como auto-ajuda. A grande questão é que esse tipo de linguagem, na maioria dos casos, está encontrando um eco que o meio acadêmico não consegue. O resultado deste descompasso entre os meios acadêmico e empresarial é a “equação” indesejada onde todos perdem. Partindo dessa premissa, o objetivo deste estudo é compor duas obras referências no cenário: Equipes de Alta Performance, um trabalho acadêmico que se apresenta como fonte obrigatória nos trabalhos feitos no Brasil (o guia 1 Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção – CEFET/PR (Unidade de Ponta Grossa). Disponível em: <http://www.pg.cefetpr.br/depog/> original é da década de 1960) e Equipes Ricas e Vencedoras, integrante da série O guia do Pai Rico, com mais de 20 milhões de cópias vendidas no mundo . De acordo com os procedimentos técnicos, o estudo classifica-se como bibliográfico e exploratório em função dos objetivos. Parte-se da hipótese de que a área da Administração, que em seu interior discute a montagem de equipes, padece de referências teóricas em gestão de pessoas (trabalhos que medem a maturidade de uma equipe, tipos de liderança, etc.), indicando um setor externo caracterizado por uma linguagem intermediária, aonde a discussão é levada em diferentes segmentos, construídos em cima de experiências, isto é, evidências empíricas, como é o caso do esporte. Acadêmico X Corporativo O meio acadêmico Não é por acaso que o livro dos autores mundialmente famosos Katzenbach & Smith se intitula Equipes de Alta Performance, uma continuação ou complemento do trabalho anterior, o best-seller The Wisdom of Teams (A Sabedoria dos Times). Passada quase uma década desde a elaboração deste primeiro trabalho, em 1993, o livro foi traduzido para mais de 15 idiomas, com mais de 400 mil exemplares vendidos, tornando-se um texto-padrão no currículo de várias universidades renomadas, demonstrando que a obra passou pelo teste do tempo. 2 Desde sua publicação inicial em 1993, The Wisdom of Teams mostrou como trabalhar e a aprender sobre grupos pequenos (de todos os setores da economia e de todas as partes do mundo), cujo desempenho distingue cada vez mais as organizações bem e mal-sucedidas. Dessa maneira, eles retomam o tema da performance das equipes nesta obra, pretendendo auxiliar pequenas e grandes empresas a implementar as disciplinas, estruturas, ferramentas e técnicas, no sentido de fazer com que equipes verdadeiras atuem nos lugares corretos, nos momentos oportunos pelas razões adequadas. Segundo os autores, na verdade, hoje as equipes são pequenas unidades de desempenho com foco específico3. Naturalmente, a responsabilidade individual é importante, pois não há como obter rendimento das equipes sem que se esteja associado à responsabilidade mútua e a níveis comuns de comprometimento para atingir resultados coletivos visando velocidade e alto desempenho. Neste sentido, os autores remetem sobre a importância de se diferenciar o reconhecimento dessas unidades de desempenho disciplinadas para os grupos eficientes mais comuns tão frequentemente rotulados de equipes, mas que produzem pouco mais do que uma interação e uma dinâmica de grupo eficaz, bem como os princípios e os padrões 2 Jon R. Katzenbach preside sua própria firma de consultoria, a Katzenbach Partners, em Nova Yorque, EUA. Trabalhou na McKinsey & Company por 35 anos, especializou-se em estratégia organizacional, liderança e mudança empresarial. Katzenbach escreveu vários livros sobre equipes e líderes, entre os quais se destacam Os Verdadeiros Líderes da Mudança (ed. Campus), The Wisdom of Teams (ed. Harper-Collins), The Work of Teams e Teams at the Top (estes dois, ed. Harvard Business School Press). Douglas K. Smith é uma autoridade internacionalmente reconhecida em desempenho, inovação e mudança organizacional. Ele é autor dos livros Make Success Maesurable e Taking Charge of Change. Para maiores informações sobre os autores, disponível em: <http://www.katzenbach.com/> Acesso em 14 out. 2005. 3 REINCKE, M. (1999) – A disciplina das equipes. HSM Management. n. 17, p. 56, nov-dez. Disponível em: <http://www.hsmmanagement.com.br> Acesso em 14 out. 2005. de comportamento para cada uma das disciplinas de desempenho e a formação de equipes virtuais. O fato de, na maioria das empresas (com exceção de metas financeiras), as pessoas buscarem o que os autores chamam de metas baseadas em atividades, ou seja, descrever atividades a serem realizadas, em vez de se produzir metas baseadas em desempenho, isto é, quais os resultados que essas atividades “supostamente” devem produzir? devem ser pensados na criação e gerenciamento de um programa de desempenho. Dessa maneira, ao fornecer orientação detalhada, além de dezenas de exercícios para pequenos grupos, o livro torna-se uma resposta direta a inúmeros pedidos para que se fizesse uma obra de exercícios que fosse uma continuação ou um complemento de The Wisdom of Teams. Para atender este fim, o livro oferece contexto, estruturas, ferramentas e exercícios novos para converter objetivos amplos em metas de desempenho específicas e baseadas em resultados. Ao fazer isso, os autores retomam um ponto essencial que passou despercebido em The Wisdom of Teams que é a compreensão da diferença entre grupos eficientes e unidades de desempenho disciplinadas. Esta é a intenção da continuação do livro, visto que hoje, a situação é totalmente diversa. Equipes e sua formação são um acessório para a prática da boa administração tanto quanto para o planejamento, a elaboração de orçamentos, as avaliações de desempenho, as estratégias, a tecnologia da informação e outros elementos do planejamento organizacional4. O meio corporativo Equipes Ricas constitui um trabalho onde o interlocutor está no mundo corporativo e trata de um assunto: Equipes ricas e vencedoras. O título integra a série Rich Dad’s Advisors, com mais de 20 milhões de cópias vendidas no mundo, que pôs à disposição do público leigo um grupo de especialistas a fim de ajudar as pessoas a não perder dinheiro. O autor, Blair Singer5, é considerado, hoje, um dos melhores facilitadores de mudança comportamental, organizacional e pessoal no mundo dos negócios. Desde 1987, Blair trabalha com dezenas de milhares de pessoas e organizações – de empresas da Fortune 500 a grupos de agentes de vendas autônomos, vendedores diretos e pequenos empresários – para ajudá-los a alcançar níveis de vendas, produtividade e fluxo de caixa extraordinários. Blair conquistou reconhecimento mundial pelo desenvolvimento de uma abordagem singular de alto impacto para ensinar, aprender e facilitar, que praticamente garante a mudança comportamental positiva e o desempenho. Utilizando-se de uma linguagem óbvia, mas que “encanta”, o cashflow do autor é pautado na idéia de um conjunto de regras simples e poderosas que governam o comportamento de qualquer equipe, organização, família, indivíduos e mesmo países. 4 KATZENBACH. J. R.; SMITH, D. K. Equipes de alta performance: conceitos, princípios e técnicas para potencializar o desempenho das equipes. Tradução de: Edite Siegert Sciulli. Rio de Janeiro: Campus, 2001. p. 11. 5 Blair Singer é autor de Vendedor Rico: Você não precisa ser um pit bull para ganhar muito dinheiro em vendas, da série O Guia do Pai Rico. Nos últimos 15 anos, realizou milhares de seminários públicos e privados para grupos de 300 a 10 mil pessoas ou mais. Seus clientes normalmente têm um crescimento de 34% a 260% nas vendas e nas receitas em questão de meses, dependendo do setor. Seu trabalho abrange mais de 20 países nos cinco continentes. Blair trabalha extensivamente em Cingapura, Hong Kong, sudeste da Ásia, Austrália e na orla do Pacífico. Para maiores informações sobre o autor, disponível em: <http://www.blairsinger.com/blair.stm> Acesso em 14 out. 2005. Essas regras, as quais devem ser respeitadas e praticadas por todos os membros da equipe, determinam como as pessoas se comportam umas em relação às outras dentro das equipes e definem seus padrões de conduta e ideais. Essa “arma secreta” é chamada pelo autor de “Código de Honra”. Ao utilizar a narrativa de sua própria experiência, o autor “coloca a bola na quadra” a partir de algumas analogias relacionadas ao esporte. Assim, na equipe do Pai Rico, “o principal objetivo é o de ‘elevar a saúde financeira da humanidade’ em primeiro lugar ou, do contrário, não fará parte do grupo” 6. O livro discute o Código de Honra, o qual representa, no juízo do autor, a pedra fundamental na cultura de qualquer organização, ao abordar regras de como pontualidade, prática, apresentação, presença nas sessões de treinamento, compromisso com o crescimento pessoal ou nunca abandonar um companheiro em momentos de necessidade não só garantem o sucesso, como tornam o jogo muito mais gratificante. Posteriormente, é caracterizada a importância de saber como se comportar efetivamente para refletir esses valores na prática, evitando que as pessoas criem suas próprias regras, na falta delas. Dessa maneira, evidencia-se o conjunto de prioridades muito claras na hora de escolher uma unidade coesa com excelentes integrantes, formado por pessoas dispostas a seguir o que for pelo bem da equipe e que respeitem as regras que podem submetê-las ao crivo, à correção e à análise em prol do grupo. Os conselhos do Pai Rico avançam com a amostra das etapas para a criação de um Código de Honra, com um checklist indispensável para que as pessoas se sintam responsáveis umas pelas outras e pela missão da equipe. Questões como Você tem um Código de Honra só seu? Quais são suas regras? Pelo que você se sente responsável neste mundo? Quem você realmente é? são discutidas a fim de instaurar um tipo de comprometimento no qual você estará disposto a assumir, igualando na equação de que você é o seu código. A idéia de como colocar o código em vigor para garantir uma atuação vencedora prossegue, ensinando que a melhor solução para quem viola o código ou infringe uma regra é simples: evocá-los, ou seja, é preciso resolvê-los de maneira rápida, direta e muito silenciosamente, a fim de evitar o que o autor chama de “coleção mental de selos”, que é o acúmulo, inconsciente, de tarefas mal-resolvidas, acabando por gerar um acúmulo desses selos, ou seja, ações ocultas e vingativas, futuramente. Por fim, a figura do líder aparece sendo delimitada por seus ensinamentos e habilidades, os quais são: identificar os pontos fortes das pessoas e fazer com que elas os explorem ao máximo; usar os erros para fortalecer a equipe; criar meios de interação freqüente; a habilidade de ver e comunicar o brilho e as possibilidades do futuro e por último, a habilidade de vender, que é a principal habilidade nos negócios. Alerta-se o leitor para a importância de se levar as regras a sério, encarando-as com comprometimento e responsabilidade. Afinal, serão as mensagens emitidas para as pessoas que estarão ao seu redor. 6 SINGER, Blair. Equipes ricas e vencedoras: a atitude que transforma equipes comuns em um time campeão. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. p 34. A liderança A globalização e o desenvolvimento dos meios de comunicação trouxeram a informação imediata e passaram uma nova visão de mundo. Se há 10 anos atrás se trabalhava com autoritarismo, hoje a liderança se transformou em um misto de psicologia e administração, onde o líder precisa ter uma filosofia de vida e valores claros. É unânime que “os liderados estão com os olhares voltados para o seu exemplo, a fim de se estabelecer um alvo como a causa da equipe” 7. Querer que uma empresa dobre a produtividade, alcance os melhores índices de venda, tenha uma boa equipe e que seja reconhecida como a melhor organização para se trabalhar não são tarefas para serem realizadas do dia para a noite. Ganhar ou perder é conseqüência de uma série de situações. “Todo mundo que joga, perde. Faz parte do jogo”. O exemplo das linhas de frente do esporte O economista Bernardo Rocha de Rezende alia teorias organizacionais às lições esportivas que o técnico Bernardinho domina com excelência. Como o tema remete de forma quase que imediata a uma figura de um técnico que conduz seu time com maestria à vitória, um personagem em especial não poderia ficar de fora dessa análise. O nome que está em destaque é Bernardo Rocha de Rezende, o Bernardinho, técnico da seleção masculina de Voleibol, que já esquentou muitos bancos de reservas, mas nunca desistiu de seus objetivos. Muitas das lições que hoje passa nas quadras Bernardinho aprendeu com o treinador Benedito da Silva, o Bené, que o dirigiu no Fluminense, primeira equipe na qual o atleta jogou. Bené foi o primeiro a ver em Bernardinho sua capacidade de liderança e a lhe dar o “número um” na camisa e a função de capitão. Enquanto esteve à frente do grupo feminino, entre 1993 e 2000, Bernardinho levou a equipe ao pódio olímpico duas vezes, com o bronze nos Jogos de Atlanta (1996) e de Sydney (2000). No ano seguinte, assumiu o time masculino, no qual já foi tricampeão da Liga Mundial (2001, 2003 e 2004) e ouro nas Olimpíadas de Atenas (2004)8. Não foi à toa que Bernardinho recebeu três vezes consecutivas o prêmio Brasil Olímpico como melhor técnico do ano. Poucos sabem, mas além de técnico da seleção brasileira masculina de vôlei, Bernardinho também é economista. E, por isso, ele credita parte do seu sucesso justamente a essa combinação entre lições esportivas com teorias organizacionais e casos de empresas bem sucedidas. Para Bernardinho, “existem características comuns entre pessoas que fazem sucesso em qualquer atividade. E a sua busca é justamente detectar esses fatores e aplicá-los nos grupos que lidera.” 9. Para não perder a liderança, o treinador acredita que deve sempre ser o mais verdadeiro possível com seus jogadores. Para o técnico, 7 8 9 GAZETA DO POVO. Liderança. Curitiba: Abril, v. 01, 2005. p. 08, Suplemento. GAZETA DO POVO. Liderança. Curitiba: Abril, v. 01, 2005. p. 04, Suplemento. GAZETA DO POVO. Liderança. Curitiba: Abril, v. 04, 2005. p. 04, Suplemento. Você tem de demonstrar satisfação e insatisfação, porque você é um ser humano. Tem que mostrar confiança e ser transparente. As pessoas não podem duvidar nunca da minha intenção. Se elas duvidarem que minha intenção seja correta, aí eu perco a capacidade de liderança. (GAZETA DO POVO. Liderança. Curitiba: Abril, v. 04, 2005. p 04, Suplemento) Esta filosofia é aplicada também nos outros negócios do qual Bernardinho é sócio: a Academia Body Tech, que tem cinco unidades, e o Restaurante Delírio Tropical, que já conta com a matriz e cinco filiais. Os dois investimentos defendem a valorização e a superação do ser humano, pelo visto, uma busca incessante de Bernardinho, dentro e fora de quadra. Quando não está treinando a seleção masculina ou o time carioca Rexona/Ades que atualmente dirige na disputa feminina da Superliga, Bernardinho dá palestras sobre como administrar equipes, para pessoas de dentro e de fora do esporte. Nelas, o técnico ensina como se tornar um líder, algo que, segundo ele, pode ser conquistado por meio do aprendizado e da determinação. No início de abril, Bernardinho foi o único palestrante brasileiro a participar do Fórum Mundial de Alta Performance – Como desenvolver estratégias poderosas e obter resultados através de pessoas. O evento foi realizado em São Paulo pela HSM, companhia internacional especializada em formação executiva, e reuniu mais de mil empresários. Outro exemplo que vem do esporte é o preparador físico e consultor de empresas José Rubens D'Elia. Após duas décadas de trabalho na área de Preparação Física aliada à Terapia, José Rubens D'Elia, professor de Educação Física e consultor de empresas, resolveu reunir todo seu conhecimento e experiência em um livro para incentivar a prática esportiva. “Fábrica de Campeões” (Editora Gente). O livro mostra, em 176 páginas o trabalho que José Rubens aplicou ao lado de mais de 500 atletas nacionais e internacionais, entre eles nomes como os velejadores Robert Scheidt e Lars Grael, os pilotos Chico Serra, Christian Fittipaldi e Mário Haberfeld. A publicação serve de referência para a preparação física junto da terapia e conta com assuntos como o trabalho do corpo e da mente em harmonia, o desenvolvimento do espírito de equipe e a integração e conscientização das pessoas para os benefícios da atividade física na obtenção de vitórias na vida pessoal e profissional. O caso Real Madrid Um dos sonhos mais acalentados pelo ser humano é, sem dúvida alguma, construir uma carreira profissional bem-sucedida e duradoura. Para os mais ousados é chegar no topo do organograma da empresa ou ser o “número um” do ranking de uma profissão liberal. Por analogia, pode-se citar o desafio da escalada do Monte Everest – o ponto mais alto do planeta – com seus 8.848 metros de altitude, na fronteira do Nepal com o Tibet10. O seu pico somente foi atingido pelo homem em 1953 pelo alpinista neozelandês Edmundo Hillary e seu guia, o nepalês Tenzing Norgay. Chegar no topo do “Everest profissional” é um desafio extremamente difícil, mas permanecer lá é um privilégio de poucos. 10 VICENTE, F. A escalada dos “galácticos”. REVISTA IDÉIAS & PESSOAS. Disponível em: <http://www.mfn.com.br/ip/conteudo/galacticos.htm> Acesso em 14 out. 2005. Um caso, de visibilidade pública, sobre as dificuldades para manter-se na liderança pode ser encontrado, atualmente, no campo esportivo. Dentre as melhores equipes mundiais uma delas é, sem dúvida alguma, o Real Madrid da Espanha. A sua diretoria formou, a peso de euros, um autêntico Dream Team – o Time dos Sonhos – com um elenco de craques da mais alta qualidade técnica objetivando, é lógico, a conquista das mais importantes competições futebolísticas. Acontece que, apesar das indiscutíveis habilidades técnicas dessas “estrelas” – carinhosamente chamadas de “galácticos” – a falta de brilho das mesmas tem frustrado as expectativas da sua fiel torcida. Mesmo com uma estrutura física, técnica e administrativa, de excelente padrão e um apreciável faturamento anual, os resultados de campo têm sido incompatíveis com as metas do planejamento estratégico. Salários de causar inveja à executivos de grandes empresas, excelentes condições de trabalho, qualidade de vida de alto padrão, aplausos da torcida e constante exposição na mídia, têm sido insuficientes para evitar os momentos de incertezas, que vivem os “galácticos”. Segundo o noticiário esportivo, entre as possíveis causas do baixo rendimento desses diferenciados atletas podem estar a queda das condições físicas de alguns jogadores, uma gorda conta bancária capaz de impedir que a motivação seja a mesma do início da carreira, o excesso de confiança no próprio potencial, a melhor performance de outras equipes, o empenho extra dos adversários em ter o prazer especial de derrotar a consagrada equipe madrileña, o desvio de foco face a vida privada e as atividades empresariais fora do futebol. Certamente, os dirigentes e jogadores do Real Madrid têm competência gerencial e habilidades individuais para reverter a incômoda situação, desde que superem o seu maior adversário – eles próprios. Considerações Inserir o esporte como um mediador entre os ambientes corporativo e acadêmico parece ser pertinente, já que o campo demandante do esporte exige respostas rápidas a partir da tomada constante de decisões para a resolução de problemas. Dessa maneira, pode-se observar que existem pontos convergentes e divergentes entre as obras destacadas neste estudo, a partir de um ponto-chave que é a gestão de equipes. Nota-se que, o ambiente corporativo tem dificuldades para gerenciar pessoas e que o mesmo traz os ensinamentos do meio esportivo a fim de amenizar esse distanciamento, mediante um mapeamento de competências, transformando em unidades de negócios os objetivos da equipe. Como diria o Pai Rico, “negócios e investimentos são esportes de equipe”, o esporte com ares de auto-ajuda fala o que o mundo quer escutar. THE DISPROPORTION BETWEEN ACADEMIC AND CORPORATE WAYS: An intermediate language Abstract The objective of the present study is to accomplish a bibliographical work concerning the scenery involving the business and academic ways in what says respect to the knowledge production peculiar of each one. For that, two characteristic works of each section were consulted, in the sense of detecting as the language is sold inside of each segment: Teams of High Performance and Rich and Winner Teams. It breaks of the presupposition that, in spite of the progress of the productive section, the business section doesn't stop the theoretical-scientific knowledge, as well as the academic middle it doesn't know the industry. Of the assertive, an approach language is infused among the sections, exemplified through the sport. Key words: Teams, Business/Academic Ways, Leadership. Referências bibliográficas BLAIR SINGER ACCELERATED TRAINING. Disponível em: <http://www.blairsinger.com/blair.stm> Acesso em 14 out. 2005. GAZETA DO POVO. Liderança. Curitiba: Abril, v. 01, 2005. 15p. Suplemento. GAZETA DO POVO. Liderança. Curitiba: Abril, v. 04, 2005. 16p. Suplemento. KATZENBACH. J. R.; SMITH, D. K. Equipes de alta performance: conceitos, princípios e técnicas para potencializar o desempenho das equipes. Tradução de: Edite Siegert Sciulli. Rio de Janeiro: Campus, 2001. 216p. KATZENBACH PARTNERS LLC. Disponível em: <http://www.katzenbach.com/> Acesso em 14 out. 2005. REINCKE, M. (1999) – A disciplina das equipes. HSM Management. n. 17, nov-dez. Disponível em: >http://www.hsmmanagement.com.br> Acesso em 14 out. 2005. SINGER, Blair. Equipes ricas e vencedoras: a atitude que transforma equipes comuns em um time campeão. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. 160 p. VICENTE, F. A escalada dos “galácticos”. REVISTA IDÉIAS & PESSOAS. Disponível em: <http://www.mfn.com.br/ip/conteudo/galacticos.htm> Acesso em 14 out. 2005.