Volume 3, Edição 1
FEV/MAR 2011
CONCURSO DE FOTOGRAFIA
Anunciados os vencedores
MEDAL PARADE
Militares do CN recebem NATO Medal
INAUGURAÇÃO NA ESCOLA DE PeC
CN ajuda a recuperar Escola de Pol-e-Charki
E X P R E S S O D O O R I E NT E
PÁGINA 2
V O LU M E 3 , E D I Ç Ã O 1
Medal Parade do Contingente
Em 17MAR11 decorreu, em CAMP
WAREHOUSE, a cerimónia de
imposição de Medalhas NATO
(Não Artigo V), aos militares do
Contingente Nacional/Força Nacional Destacada na International
Nesta edição:
Medal Parade do Contingente
2
Editorial
3
Curiosidades da História
3
Os Tradutores e a Confiança
4
Militar do CN vence prova internacional
4
Exercício de bombeiro
5
Militares portugueses apoiam formação
6
Inauguração da escola de PeC
7
Meia Maratona COWTOWN
7
A História dos Homens
8
Campeonato de Matrecos
8
CN auxilia populações carenciadas
9
Concurso de Fotografia
10
Técnicas de Combate Urbano
11
“Race of Strategy in Orienteering
12
O Inicio da Despedida
13
Última página
14
Security Assistance Force (ISAF)
no Afeganistão.
A medalha Não Artigo V para serviços prestados sob a égide da
NATO na Operação no Afeganistão
e países vizinhos é atribuída a
todos os militares e civis
que estão ou estiveram
empenhados no apoio da
Operação.
O Contingente Nacional
actualmente no Teatro de
Operações (TO) iniciou formalmente a sua missão em
17OUT10 e irá realizar a
cerimónia de Transferência
de
Autoridade
em
17ABR11.
Na Parada Portuguesa formou a Força constituída pelas
seguintes capacidades: Operational Mentor and Liaison TeamDivision; Operational Mentor and
Liaison Team-Garrison; Equipas
de Formadores/Instrutores ( CSS
Log School, KACTC, ANA Log
Cmd e KMTC) e o Módulo de Apoio
( Force Protection e PelApSvc).
Presidiu à cerimónia o COM KAIA
Brigadeiro General (BG) Nandor
Kilian, acompanhado por diversos
Senior Representatives e
Comandantes de Contingente que cumprem missão
no TO. Estiveram ainda
presentes como convidados,
diversos oficiais e sargentos
que desempenham tarefas
conjuntas com as várias
Capacidades do Contingente Nacional.
Do programa da cerimónia,
e para além do momento da
imposição de condecorações
relevam-se a intensidade e o sentimento colocados nos actos do
entoar o Hino Nacional e da Homenagem aos Militares caídos ao longo dos novecentos anos de história
nacional e, em especial, a todos os
que tombaram ao serviço da paz no
Teatro de Operações do Afeganistão.
No uso da palavra, o Comandante
do Contingente Nacional (CN)
COR ART António Emídio da Silva
Salgueiro, relembrou que a confiança, o incentivo e o entusiasmo
colocados no início da missão vertido no lema “ONE TEAM” se revelou profícuo, e agora, que se aproxima o fim da missão revela os
seus frutos. Relevou também que o
brio e o empenho colocado no exercício das funções que cada um
desempenhou, contribuíram para
trazer esperança ao povo do Afeganistão. Proferiu ainda palavras de
apreço para com as famílias de
todos os militares, que observaram
a missão à distância, esperaram
pacientemente e aguardam expectantes o desejado regresso.
O BG Nandor Kilian que usou da
palavra de improviso deixou testemunho do trabalho muito positivo
realizado pelos militares portugueses em serviço no Afeganistão e
felicitou todo o Contingente Nacional pela obtenção da medalha
NATO ISAF no culminar da sua
missão neste TO.
O Dia Festivo encerrou com um
lanche de confraternização que
decorreu no refeitório português e
em que participaram todos os convidados e os militares do Contingente Nacional.
V O LU M E 3 , E D I Ç Ã O 1
E X P R E S S O D O O R I E NT E
PÁGINA 3
EDITORIAL
Aproximamo-nos do final da nossa Missão no Teatro de Operações do Afeganistão!
Este é, pois, o nosso derradeiro boletim. Nele se inserem diversos registos
deste último terço da nossa presença em território afegão. A diversidade
das nossas actividades está bem ilustrada nos artigos aqui apresentados
que se constituem, de per si, como um testemunho da extraordinária prestação do nosso “One Team”. A todos quero, uma vez mais, expressar o meu
grato reconhecimento pela forma dedicada, eficaz e exemplar como executaram as respectivas tarefas / atribuições individuais, contribuindo esclarecida e empenhadamente para o cumprimento da missão do Contingente
Nacional / FND ISAF. Que orgulho sinto em ser o vosso Comandante, um
vosso camarada mais antigo que convosco tem partilhado dias inesquecíveis!
Connosco desde há uns dias, já estão presentes e comungam deste dia-adia muitos dos nossos “replacements”. A todos os militares do próximo
Contingente Nacional reitero os votos de boas vindas e de muito sucesso
na futura missão. Este é, sem dúvida, um período muito especial. Na nossa perspectiva, o culminar de uma experiência ao serviço do Povo Afegão,
recheada de extraordinários momentos de cariz profissional, humano e
social, em nome das Forças Armadas Portuguesas e de Portugal. Para os
que chegam, o início de um novo ciclo, de mais uma missão, na senda do
espírito de bem servir e de bem cumprir, timbre dos Soldados portugueses. Boa sorte!
Coronel António Salgueiro
Comandante do CN
Curiosidades da História
Soldados, nascemos com a própria
siasmar ao falar do meu Portugal,
saram que escreveram sob o solo
Pátria fortes, bravos e galantes,
não sabendo mentir ao rezar as
sagrado da minha Pátria a profecia
desde a fundação de Portugal, dan-
suas glórias.
– Portugal é eterno. Foi o que em 9
do as conquistas e quebrando
É que, meus senhores e Soldados,
de Abril sentiram os soldados da
encantos dos navegadores. Misto
quando dentro deste canto aben-
Alemanha ao lançarem oito esco-
guerreiro de fé e de sonho, somos a
çoado se levanta a figura viril do
lhidas divisões de manobra contra
pura essência portuguesa, cimentada aos golpes de espadas, aben-
Soldado, ela traz dentro de si todas
as virtudes atávicas da Raça, a
a 2ª divisão portuguesa.
Soldados! Firmes, olhos na bandei-
çoada nos braços da cruz, domi-
valentia de Viriato, o desembaraço
ra e enquanto as quinas e castelos
nando o Mundo, saudando em
de Sertório, a inteligência arábica,
forem o farol de uma Raça que crê,
corajosas aventuras o solo queima-
a aventura finica, o engenho visi-
que combate e que vence, Portugal
do da África, o panganismo hin-
gótico, a arte grega, a fé romana e
será sempre avante!
dustão, as riquezas do Brasil, cas-
a fidelidade de um cruzado! São
tigando os crimes na costa chinesa.
estas virtudes herdadas pelos lusi-
Excerto do discurso de Juramento de
Como soldado como vós, sei entu-
tanos dos povos que por aqui pas-
Bandeira no RC 4, em 1923.
E X P R E S S O D O O R I E NT E
PÁGINA 4
V O LU M E 3 , E D I Ç Ã O 1
Os Tradutores e a Confiança
Na cadeia Mentores/Formadores –
Tradutores – Militares Afegãos,
existe um elo, o central, que é uma
das peças fundamentais em todo o
trabalho desenvolvido. Fundamental porquanto, sem este elo, não
haverá mensagem passada, nem
tão- pouco existirá retorno.
Sendo ele fundamental, urge
criar, logo desde o início,
regras concretas e objectivas
de trabalho em equipa, de
definição de objectivos a atingir, de disciplina, mas criar
também, paralelamente,
relações de confiança e se
possível, de alguma amizade.
A confiança e a amizade
andam de mãos dadas e num
trabalho rodeado de desconfianças, de incerteza em relação à mensagem que se pretende seja passada e de desconhecimento quase total em relação à
pessoa com quem estamos a trabalhar, assume ainda maior importância. No que respeita à informa-
ção, o tradutor apenas deverá ter
conhecimento do estritamente
necessário. É também fundamental que ele seja isento. Esta poderá
ser a maior dificuldade, uma vez
que ele tem sentimentos e uma
ligação natural em relação ao seu
país de origem, o que poderá de
alguma forma influenciar o seu
trabalho.
Poderá parecer um pormenor
menos importante ou até supér-
fluo, mas um sorriso no cumprimento pela manhã e no começo da
tarefa questioná-lo sobre o seu
estado e o da família, são pormenores que o envolverão e trarão com
certeza frutos no futuro.
Sem dúvida que existe um contrato e um salário pelo trabalho efectuado, mas são duas
razões muito cruas e o ideal
será que exista aquilo que
jamais algum valor monetário pode pagar; a confiança
mútua.
Há que respeitar a pessoa
com quem estamos a trabalhar e o respeito pelos usos
e costumes do país onde nos
encontramos. Se isto acontecer, paralelamente a um
desempenho com qualidade
no trabalho que desenvolvemos, ele sentir-se-á muito mais
envolvido na tarefa e todos ganharemos no final.
SAJ. FZ Silva
Militar do CN vence prova internacional
Decorreu em 11FEV11, no Kabul
Lt. Dennis W. Zilinski, morto em
Vicente, CAP/PA Paulo Vieira,
Air
Center
combate no Iraque em 2005. Esta
1SAR/OPMET
(KACTC) uma prova de 5 km deno-
Corps
Training
prova é realizada em vários países
1SAR/OPSAS Ricardo Monteiro.
Paulo
Viana
e
minada de “OKAB 5K Fun Run"
do mundo, entre os quais, Afega-
Com uma temperatura a rondar os
organizada pela 438th Air Expedi-
nistão, Iraque, China e Estados
zero graus e sob aguaceiros de
tionary Wing em memória ao 1st
Unidos da América.
neve, a prova foi ganha pelo
Participaram neste evento
desportivo, reservada a
CAP/PA Paulo Vieira sendo de
destacar também os excelentes
militares pertencentes ao
resultados dos restantes militares
KACTC, mais de 30 milita-
portugueses conseguindo lugares
res oriundos de 5 nações da
bastante honrosos.
ISAF (afegãos, canadianos,
É de realçar que esta foi a segunda
mongóis, americanos e por-
vitória do CAP Vieira em provas
tugueses) entre os quais 4
no KACTC, sendo que já tinha
militares da Equipa da For-
ganho a Stockade-athon 15Km em
ça Aérea portuguesa da
Novembro passado.
NTM-A:
MAJ/PA
José
V O LU M E 3 , E D I Ç Ã O 1
E X P R E S S O D O O R I E NT E
PÁGINA 5
Exercício de bombeiro
Camp Warehouse, 09.00 horas de
segunda-feira, dia 24 de Janeiro de
2011.
Do local em que o pôr-do-sol é
impressionante por ser o ponto
mais elevado do campo, vai dar-se
início ao treino que os bombeiros
franceses efectuam semanalmente.
Desta vez, porém, os bombeiros são
diferentes; trata-se de um grupo de
militares do Contingente Português que, convidados por estes
militares da Força Aérea que
desempenham para além de outras
tarefas, a da salvaguarda da vida
humana em todo o campo, vão iniciar a subida ao depósito que serve
de referência para quem chega a
Warehouse.
Após uma breve explicação, começamos por envergar o pesado casaco de couro para protecção, seguido
das luvas. Sempre com o apoio e a
verificação cuidada dos camaradas
franceses, o material vai sendo
colocado. È chegada a hora de
envergar o dispositivo com as duas
garrafas de ar comprimido. Apesar
de ser um pouco menos
pesado que o colete balístico, toda aquela estrutura começa já a fazer sentir o seu peso. A última
ouve a respiração mais acelerada.
Continuamos e surge finalmente o
último patamar. Ali largamos o
material e iniciamos mais um
exercício que consiste em içar,
através de uma retenida, material
que se encontra na base do depósito. Chegado ao cimo voltamos a descer o material na
“percebermos melhor a
retenida, após o que iniciadificuldade daqueles homens
mos a descida até ao ponto
em actuar em caso de sinistro,,
de partida. A descida é
efectuada de marchapeça a colocar é a mascaatrás, o que dificulta ainda mais a
ra que, para quem não está famitarefa.
liarizado, cria alguma ansiedade
Aquilo que nos parecia no início
na respiração.
uma brincadeira, tornou-se numa
A máscara é estanque e só poderá
tarefa algo complicada até chegarser retirada por alguém que se
mos ao local da partida.
encontre ao lado, uma vez que posQuando por fim, todo o grupo porsui encaixes que dificilmente o próprio
conseguiria remover.
Da subida fazem parte
oito lanços em ziguezague com catorze
degraus em cada lanço. Como se trata de
treino para uma emergência, o binómio terá
que transportar material para combater o
sinistro, tal como três
mangueiras e uma
agulheta. A subida é
efectuada por binómios, sempre na
tuguês terminou, fomos convidados
companhia de dois franceses, um
pelos bombeiros franceses a tomar
na frente e um outro à retaum café no seu bar de apoio onde
guarda.
nos foi entregue, um diploma de
Iniciamos a subida. Como
participação.
nos parece fácil, a tendênPara além de percebermos melhor
cia é andar rápido para
a dificuldade daqueles homens em
chegar depressa ao fim. É
actuar em caso de sinistro, cimenum erro que se paga ao chetámos também as relações de amigar ao cimo pois o ritmo
zade que são de extrema importâncardíaco aumenta rapidacia e devem existir entre o pessoal
mente e a dificuldade em
de todos os contingentes.
respirar também.
A meio do trajecto já se
Saj. FZ Silva
PÁGINA 6
E X P R E S S O D O O R I E NT E
V O LU M E 3 , E D I Ç Ã O 1
Militares portugueses apoiam formação
No dia 30 de Janeiro de 2011 o
do TLC, acompanhado de um ofi-
presa, a admiração e o efeito da
sorriso dos militares do Kabul
cial da Companhia.
pequena oferta fez com que os ins-
Military Training Center, que con-
Após efectuar o carregamento e
trutores
presentes
ficassem
depois de uma troca
radiantes de alegria e se desfizes-
de palavras de agrade-
sem
cimento
Wadood
pelo Major
ao Coman-
além dos estrados em madeira,
foram também oferecidos dois
dante do Contingente
retroprojectores que vão permitir
Português,
um melhor apoio às aulas.
os
dois
em
agradecimentos.
Para
oficiais foram convida-
Podemos afirmar, sem orgulho des-
dos a almoçar no refei-
medido, mas com a consciência do
tório português, acom-
dever cumprido, que a primeira
panhados do SAJ. FZ
batalha, a da confiança entre Por-
Silva e do 2SAR. ART.
tugueses e Afegãos, está ganha.
Santos, que fizeram as
Pode parecer uma tarefa fácil, mas
honras da casa.
quem está no terreno sabe a dificuldade que isso representa. Sem
nosco partilham a formação do
Para além da utilidade deste mate-
“Team Leader Course”, tornou-se
rial e do prazer de poder
mais intenso. Após efectuar o
contribuir para uma melho-
levantamento de algumas dificul-
ria significativa na qualida-
dades na sala de formação 221 e
de da formação, este peque-
posteriormente colocarmos a pro-
no gesto cimenta também a
posta ao Comando do Contingente
confiança, pilar importante
Português, foi decidido produzir
e passaporte único na conti-
dois estrados para que o instrutor
nuidade
fique ligeiramente elevado e visível
equipa Portuguesa.
por todos os alunos no interior da
No KMTC, junto ao Buil-
sala de aula. Depois de recebermos
ding
informação do Módulo de Apoio,
Cap. INF. Campos, chefe da
que o material se encontrava pron-
equipa de Formação e Men-
to, planeámos a vinda de uma via-
toria Portuguesa, no KMTC, em
estes laços de confiança, o cumpri-
tura do ANA a Camp Warehouse
conjunto com a equipa que durante
mento diário não existirá sequer.
para efectuar o seu transporte.
a manhã supervisionou a sessão de
No entanto, comprometemo-nos a
tiro real: Ten.
INF Martins,
ir ainda mais longe e os resultados
conseguidos nas mudanças intro-
SCH.
FZ
duzidas na formação estão à vista.
Freitas, SAJ.
Cada mudança é uma batalha tre-
INF Sanches,
menda e a lentidão com que elas
SAJ.
Como planeado,
a viatura entrou
no campo, sendo
acompanhada de
imediato
por
elementos
da
do
221,
trabalho
da
esperava-os
Podemos afirmar, sem orgulho
desmedido, mas com a consciência
do dever cumprido, que a primeira
batalha, a da confiança entre
Portugueses e Afegãos, está ganha
o
FZ
acontecem fazem-nos vacilar mui-
Force Protection que a conduziram
Espada, 1SAR. CAV Albuquerque
tas vezes. Mas um dia mais produ-
ao edifício do Comando Português.
e 1SAR. INF Reis. Após proceder à
tivo incentiva-nos a continuar e a
Na viatura encontrava-se o Major
colocação do estrado no solo, este
levar a tarefa tão longe quanto
Wadood, coordenador da formação
foi transportado para o interior da
possível.
sala e colocado no seu lugar. A sur-
SAJ. FZ Silva
V O LU M E 3 , E D I Ç Ã O 1
E X P R E S S O D O O R I E NT E
PÁGINA 7
Inauguração da escola de PeC
No dia 28 de Fevereiro realizou-se
a cerimónia de inauguração do
Edifício da Escola de Pol-e-Charki
(PeC), recuperado com verbas disponibilizadas por Portugal e sob a
égide do Contingente Português.
Este projecto, desenvolvido por
iniciativa do CN, tem por objectivo
a recuperação de alguns edifícios
da escola localizada na povoação
de Pol-e-Charki. Nesta escola estão
matriculados cerca de 6300 alunos
e alunas, servindo uma área com
grande densidade populacional
extremamente carente.
Apesar da importância desta escola, a mesma encontrava-se a funcionar em condições muito deficientes a todos os níveis, destacando-se a falta de mobiliário nas
salas de aula, a falta de janelas e
respectivos vidros, a não existência
de electricidade, a acentuada deterioração da pintura dos edifícios
(interior e exterior) e a escassez de
material escolar, quer à disposição
do corpo docente quer, sobretudo,
dos milhares de alunos provenientes de famílias muito carenciadas.
Na cerimónia estiveram presentes
a Direcção da Escola e grande parte dos quase 130 professores, o
Comandante do Contingente
Nacional, COR António Salgueiro,
e do ANA o COR Fahim, Cmdt da
GSU de PeC.
Como é tradição neste país a
Comunidade foi representada
pelos Elders (anciãos) e ainda os
Mullahs (líderes religiosos).
No uso da palavra o director da
escola, agradeceu o apoio prestado e lembrou que com um passo
começa uma grande caminhada.
Que este era o primeiro passo
daquilo que seria o sonho de
muitos alunos, ter condições
para estudar e vir a viver num
próspero Afeganistão.
Por seu lado, o representante dos
Elders, afirmou que a comunidade
se iria empenhar na garantia da
preservação do imóvel para que
este pudesse continuar a ser ao
longo dos anos um local capaz para
o ensino.
Nesta data concluiu-se a primeira
fase do projecto, encontrando-se o
Comando do CN a realizar contactos tendo em vista a recuperação
de todo o parque escolar, num
esforço concertado de diversas
entidades. Este objectivo, de grande impacto sócio-cultural é a
“marca” que este Contingente
como “ONE TEAM”, pretende deixar no TO, conscientes que iremos
deixar o nome de Portugal bem
alto nos corações de milhares de
crianças que, nas próximas gerações frequentarem aquele estabelecimento de ensino. Porque também
é assim que se defende Portugal…
Meia Maratona COWTOWN
Decorreu em 25FEV11, no Kabul
da nos EUA, e este ano também foi
do esforço de 9 militares das
Afghanistan International Airport
realizada em KAIA.
seguintes capacidades: OMLT-D,
(KAIA)
uma
meia-
Du ra nt e
uma
KACTC e FP/MódAp.
maratona denominada
manhã fria e enso-
Embora o espírito que primou na
de "COWTOWN" orga-
larada, a corrida
inscrição voluntária fosse a partici-
nizada pela 438th Air
atraiu
de
pação no evento desportivo, não
Expeditionary
da USAF.
200 atletas representando 18 dife-
pode deixar de ser feita uma referência especial para o CAP/PA
Esta corrida anual de
rentes países.
Paulo Vieira que terminou em 4º
Fort Worth Cowtown, é
Desta feita, a par-
lugar ex-aequo com o Sold CMD
Wing,
uma das maiores corridas de estra-
cerca
ticipação do CN realizou-se através
Nelson Graça.
E X P R E S S O D O O R I E NT E
PÁGINA 8
V O LU M E 3 , E D I Ç Ã O 1
A História dos Homens
Quis Deus que a Terra fosse
toda uma…
Este é um poema nosso, cantado
pela Dulce Pontes. Nada poderia
aproximar-se mais do que é
comum aos portugueses. Na era
dos Descobrimentos começámos a
traçar a nossa epopeia, levando
novos Mundos ao Mundo e deixando marcas indeléveis que são hoje
marcos centenários e atestam não
só a nossa passagem, mas a primazia na chegada aos lugares mais
longínquos. Confirmando que as
obras enaltecem os homens em
qualquer ponto da Terra, estou
confiante que aqui, neste teatro
tão cheio de complexidade, o Con-
tingente Português no Afeganistão
marcas que aqui deixamos, sejam
executa a tarefa que
elas visíveis no
lhe foi incumbida, de
solo, ou nos Afeporque a palavra de ordem
forma exemplar.
gãos com quem
é, “cumprir a tarefa”,
São tantas as obras
partilhámos
a
que nos propusemos
nossa vida ao
realizar, durante a missão que está
longo dos mais de 200 dias aqui
a decorrer, que teria dificuldade
vividos, que ajudará a manter bem
em enumerá-las todas aqui. No
vivas as cores da Bandeira de Porentanto, aquelas que merecem
tugal. Este é sem dúvida o nosso
especial destaque, são concerteza
destino, o de marcar da forma mais
as alterações provocadas no refeitório e no bar Português. São
simultaneamente marcas de bemestar e cuidado, na imagem que
passamos diariamente a quem
visita este nosso espaço, onde figura em primeiro plano a Bandeira
Nacional, porta de entrada para a
amizade e confraternização entre
todos os povos, sem distinção.
Não a procurando, porque a palapositiva aqueles que nos rodeiam.
vra de ordem é, “cumprir a tarefa”,
“Se eu tiver feito aqui, um amigo
este Contingente Português já fez
que seja, então a minha viagem
história. É a história da tarefa
não terá sido em vão”. Até sempre
cumprida, da simplicidade, da coeAfeganistão!
são, da camaradagem com os contingentes que nos rodeiam e das
SAJ. FZ Silva
Campeonato de Matrecos
No inicio do mês de Março decorreu no Bar
Português mais um evento que recebeu grande
adesão por parte dos nossos militares, o Campeonato de Matraquilhos.
Este torneio que fez vibrar durante vários dias
a nossa comunidade, teve confrontos extremamente renhidos e trouxe ao de cima as rivalidades clubistas dos nossos militares. Para
memória futura, regista-se aqui a classificação
final deste torneio:
1ª equipa classificada:
Sold CMD Covinha e Sold CMD Martins
2ª equipa classificada:
SCH FZ Freitas e 1SAR CAV Albuquerque
V O LU M E 3 , E D I Ç Ã O 1
E X P R E S S O D O O R I E NT E
PÁGINA 9
CN auxilia populações carenciadas
Militares portugueses auxiliam
populações mais carenciadas no
Afeganistão
No passado dia 3 de Março, uma
equipa de 15 militares do Contingente Nacional em Missão no Afeganistão acompanharam e
assessoraram congéneres
do Exército do Afeganistão, numa Acção Humanitária que levou mais de
três toneladas de roupas,
cobertores, material escolar e brinquedos à população de Khalé Dashtak,
uma das aldeias mais
remotas e carenciadas do
Vale de Musahi, situado a
cerca de 30 quilómetros a
Sul da capital afegã,
Kabul. À espera da coluna
militar que transportou
todo este material, estavam representantes de quase duzentas famílias afegãs, que, desta forma,
viram minoradas as suas enormes
carências neste tipo de haveres,
melhorando, assim, a sua qualidade de vida, sobretudo nesta época
do ano em que os rigores do Inverno se fazem sentir com grande
agressividade naquelas paragens.
A operação decorreu numa região
muito problemática do sopé da
coroa circular montanhosa Shalkhay Gharib, que atinge mais de
três mil metros de altitude, situa-
da no Distrito de Lowgar e absolutamente coberta de neve nesta
altura do ano. Esta região remota,
de acessos pedregosos e muito
difíceis, é conhecida como um
dos baluartes da implantação
territorial e popular dos
“Taliban”, pelo que a concepção
e planeamento desta acção
humanitária demorou algumas
semanas, pois teria que dispor
de um forte sistema de segurança, tanto para a população
civil, como para os militares e
polícia que asseguraram o cumprimento da acção. Felizmente
para os organizadores e para os
militares portugueses envolvidos,
a operação atingiu todos os objectivos e decorreu sem quaisquer incidentes.
O material agora distribuído fora enviado de Portugal
e havia sido oferecido pela
população de Riachos, através da equipa Caritas
daquela Paróquia da Diocese de Santarém, pelos alunos e professores da Escola
Prof. Galopim de Carvalho,
de Pendão, Queluz e ainda
pelos militares do Contingente Nacional aqui desta-
cado, que sensibilizaram familiares e amigos em Portugal para a
angariação deste material.
O sucesso da operação foi total e
era bem visível a satisfação dos
populares afegãos, nomeadamente
dezenas de crianças, que receberam os haveres, os quais deverão
chegar agora às mais de mil pessoas que constituem os agregados
das 189 famílias a quem foram
distribuídas as dotações individualizadas destes haveres. De registar
que os militares portugueses estão
já a assessorar o Exército afegão
na preparação de mais duas acções
deste âmbito, que poderão decorrer
até ao final do mês de Março ou
início de Abril, prevendo-se
que, desta vez, a maioria
dos haveres a receber de
Portugal, seja constituída
por cobertores, peças de
agasalho de que estas
populações são extraordinariamente
carenciadas.
Já há muito material recolhido, especialmente pela
mesma equipa da Caritas
atrás referida, mas também por outras instituições
e gente anónima que
entendeu associar-se aos
militares das Forças Armadas Portuguesas que tentam contribuir para um Afeganistão
melhor.
PÁGINA 10
E X P R E S S O D O O R I E NT E
Concurso de Fotografia
Decorreu entre 01 de Fevereiro e 04 de Março, o concurso de
fotografia do Contingente Nacional no Afeganistão.
O evento teve a participação de 17 concorrentes, com um
total de 39 fotos apresentadas a concurso.
Da decisão do júri, reunido no dia 24 de Fevereiro de 2011,
foram atribuídos os seguintes prémios;

Foto mais original
Este prémio foi atribuído ao 2SAR. ART. Santos

Melhor foto no contexto operacional
Este prémio foi atribuído ao, MAJ. Marques

Melhor fotografia geral
Este prémio foi atribuído ao, CTEN. FZ Palma
O júri decidiu ainda atribuir duas Menções Honrosas em
cada uma das áreas premiadas;

1ª Menção honrosa foto mais original
Esta Menção foi atribuída ao, 1SAR. Silva

2ª Menção honrosa foto mais original
Esta Menção foi atribuída ao, SAJ. Dinis

1ª Menção honrosa melhor foto no contexto operacional
Esta Menção foi atribuída ao, SAJ. INF. Sanches

2ª Menção honrosa melhor foto no contexto operacional
Esta Menção foi atribuída ao, MAJ. Apolinário

1ª Menção honrosa melhor fotografia
Esta Menção foi atribuída ao, SAJ. HE. Westermann

2ª Menção honrosa melhor fotografia geral
Esta Menção foi atribuída ao, 2SAR Farias.
V O LU M E 3 , E D I Ç Ã O 1
V O LU M E 3 , E D I Ç Ã O 1
E X P R E S S O D O O R I E NT E
PÁGINA 11
Técnicas de Combate Urbano para o TLC
Decorreu entre os dias 21 e 23 de
Fevereiro mais uma sessão “Train
the Trainers”, levada a cabo pela
equipa de formadores que trabalha
no KMTC.
Desta vez o objectivo era apresentar conceitos e técnicas no âmbito
do Combate em Áreas Edificadas
ou em linguagem internacional
“MOUT” a um universo de oito
instrutores, alguns já com muitos
anos de exército e com experiência
de combate.
Esta área nunca figurou no programa do curso, programa que é aprovado pelo MoD Afegão, num curso
que já leva 9 meses de existência.
Erro fulcral, pois grande parte das
operações de contra insurgência
desenvolvidas pelo ANA em conjunto com as Forças de Coligação
são em área urbanizada e populacional, como acontece em Bagram,
Shkin, Jalalabad, Mazar-e-Sharif e
em Kandahar, onde os focos de
insurgência se procuram instalar
em zonas populacionais, mais
fáceis de camuflar e onde a presença de não combatentes dificulta ao
máximo a tarefa de quem persegue
os insurgentes.
No primeiro dia de sessão foram
abordadas questões teóricas do
MOUT, o surgimento do combate
nas áreas urbanas, caracterização
do espectro urbano, a multidimensionalidade da ameaça os elementos que influenciam o processo de
tomada de decisão no combate
urbano e ainda a constituição e
organização para combate urbano
do escalão Pelotão, Secção e
Esquadra e as valências e equipamentos de cada combatente no seu
elemento de combate.
Conceitos como Cabo Estratégico,
Kit´s de abertura e brecha, explosivos de efeito dirigido, técnica de
uso do aríete entre outros, foram
encarados com surpresa mas com
aceitação.
O segundo dia foi essencialmente
prático e todo ele passado numa
área edificada construída para o
efeito. É uma construção recente
mas de grande qualidade. Capaz
de albergar forças numerosas.
Numa primeira fase abordámos as
posições de transporte da arma, e
técnicas individuais a utilizar na
transposição de obstáculos urbanos.
A seguir partimos para as progressões em área urbana exterior, com
e sem anel de segurança ou perímetro de protecção, onde as distâncias entre homens
e equipas variam.
Depois de os conhecimentos estarem
assimilados
usámos para o efeito
uma equipa de 4
elementos constituída por formadores portugueses e
uma equipa formada por instrutores afegãos, liderados por um
comandante de secção afegão.
Trabalhar em conjunto com os instrutores afegãos e ao mesmo nível
revela um sentimento de proximidade e admiração. O treino pelo
exemplo também é muito valorizado pelos militares afegãos.
A sessão de treino acabou com
algumas técnicas de progressão no
interior de edifícios, onde dedicámos mais tempo nas progressões
em corredores. Técnicas como a
Serpentine, Rolling-T e Thunder
foram mais uma vez olhadas com
admiração mas sobretudo assimiladas pela vertente útil e pela fácil
execução das mesmas.
Este último dia visou essencialmente as técnicas de abertura e
brecha, com recurso a métodos
mecânicos, explosivos e balísticos,
técnicas de entrada em compartimentos, Cross Entry e Hook e
como ocupar o compartimento para
melhor esclarecer e neutralizar as
ameaças, através da conceito de
Strong Wall, Center Door e Corner
Door bem como os processos de
marcação e sinalização no exterior
e interior de edifícios.
Todos tiveram oportunidade de
revelar algumas experiências nesta área e o seu ponto de vista de
como abordariam algumas ameaças presentes neste tipo de cenário
urbano. O contentamento era visível em todos.
Todo este processo terminou no dia
23 de Fevereiro
com a entrega
de
diplomas
que certificam
os instrutores
que estiveram
presentes
na
sessão de formação.
E para grande
satisfação de todos os formadores
da 1st Portuguese Training Team,
que trabalha com o Team Leader
Course, soubemos no dia 23 que
pela 1ª vez foi aceite e aprovada
pelo MoD Afegão a disciplina de
“MOUT” em horário, que agora
consta de forma curricular na formação dos futuros sargentos afegãos.
Pelo 1Sarg Cav Hugo Albuquerque
PÁGINA 12
E X P R E S S O D O O R I E NT E
V O LU M E 3 , E D I Ç Ã O 1
“Race of Strategy in Orienteering Relay”
Na manhã de 18 de Março de 2011,
o Contingente Português no Afeganistão levou a efeito mais uma das
suas singulares iniciativas lúdicas,
com o propósito de fortalecer o
moral e bem-estar do seu pessoal,
actividade dinamizada pela equipa
de formadores da CSS School
(Logistics School), com a magnífica
cooperação do Módulo de Apoio e
da equipa de formadores do
KMTC. O Evento para além da
componente técnica, tinha como
principal intenção associada,
fomentar entre os participantes
um ambiente de agradável confraternização, interacção e diversão,
desígnios manifestamente alcançados, tendo em conta, a satisfação
revelada no feedback dado pelos
participantes e espectadores.
A “Race of Strategy in Orienteering Relay”, foi concebida com
influências dos jogos de estratégia
e tendo por base a disciplina de
“Orientação”, cujas características
técnicas são reconhecidamente
militares, com um modelo de prova
na forma de “Estafeta em Orientação Urbana”, combinando com uma
componente de planeamento estratégico ou táctico, atenção e decisão.
A estratégia da prova começava
desde logo, com a formação da
equipa e a leitura do Regulamento
da actividade, que foi pensada
num sistema de escalão único e por
um processo de bonificação a aplicar sobre o Tempo de Prova, que
valorizava a participação de elementos do sexo feminino e de forma gradativa a idade média dos
elementos que compunham as
equipas. Para a realização da actividade foi utilizado um mapa de
Camp Warehouse, na escala aproximada de 1:4000, actualizado
pelos elementos da organização do
Contingente Nacional (CN), e um
conjunto de “balizas e pinças perfuradoras”, símbolos internacionais tradicionalmente utilizados
na modalidade desportiva da
“Orientação”.
As equipas constituídas por 2 elementos, concentravam-se num
ponto simultaneamente de partida
e chegada, em torno do qual
tinham 19 pontos de controlo dispersamente marcados e identificados por 5 percursos. Depois da partida, dada em simultâneo para
todas as equipas, passavam a ter
contacto com o mapa e com a
arquitectura da prova em que,
após observação cuidadosa teriam
que agrupar os pontos por percursos e, de seguida, escolher uma
ordem estratégica pela qual iriam
executar a prova, podendo redefinir o seu plano no início de cada
novo percurso. A ordenação da
classificação considerava o Tempo
de Prova, período que a equipa
demorou a realizar os 5 percursos
correctamente, ao qual eram deduzidas as bonificações pela composição da equipa.
Apesar da iniciativa se ter realizado em dia de descanso do CN, teve
uma agradável adesão de 44 participantes num total de 22 equipas
em representação das suas forças,
nomeadamente, Elemento de
Segurança (“Force Protection”)
com 3 equipas e OMLT-D uma
equipa, salientando-se no entanto,
as participações em elevado núme-
ro proporcional ao seu efectivo, do
Módulo de Apoio com 6 equipas, da
OMLT-G com 3 e formadores do
KMTC e KACTC, com 3 e 2 equipas respectivamente. Participaram
ainda no evento, 2 equipas de
nacionalidade Francesa e 1 mista
entre Portugal e Grécia.
A competição foi muito “renhida”
atendendo à diferença de Tempos
de Prova Geral entre as equipas, e
as 6 que melhor souberam tirar
partido do esquema da actividade e
das características dos seus elementos, foram as seguintes: 1ª
classificada, equipa de formadores
do KMTC, constituída por SAJ
INF João Sanches e SAJ FZ João
Espada; 2ª classificada, equipa da
OMLT-D, com TCOR INF João
Roque e CAP Luís Garcia; 3ª classificada, equipa de formadores do
KACTC, com MAJ PA José Vicente
e CAP PA Paulo Vieira; 4ª classificada, equipa da “Force Protection”,
com 1TEN FZ Philippe Dias e
2SAR FZ César Francisco; 5ª classificada OMLT-G, com TCOR INF
João Godinho e 1TEN FZ Nuno
Gonçalves; 6ª classificada equipa
Francesa, com OR-6 Gorden Rodolphe e OR-5 Morerod Jeremy.
V O LU M E 3 , E D I Ç Ã O 1
E X P R E S S O D O O R I E NT E
PÁGINA 13
O Início da Despedida
Nos ciclos, tal como na vida, tudo
tem um princípio e um fim.
Começámos o nosso contacto com
os militares do KMTC, não com
medo, porque imbuídos do espírito
de Bartolomeu Dias, mas também
com o nosso Cabo das Tormentas,
a que podemos hoje, sem medo,
chamar Cabo da Boa Esperança.
Fomos descobrindo minuciosamente a sua forma de trabalhar, sem
ter sequer a coragem de os interpelar. Mas o nosso objectivo estava
traçado e apesar dos olhares, muitas vezes desconfiados e indiferentes, nunca desistimos e os frutos
estavam, sem dúvida, à nossa
espera no final da tarefa.
Com a calma do felino que sabe
esperar e a paciência aprendida na
lição da vida,
fomos amparando, aconselhando e
modificando sempre que era possível.
Percebemos a forma de os conquistar e a velocidade que teria que ser
impressa. Tudo tem que estar conjugado, caso contrário a engrenagem deixa de estar em sintonia e
não funciona. O levantamento de
algumas necessidades na sala de
aula e a oferta de alguns materiais
foram também importantes. Identificámos algumas lacunas na área
da formação e aconselhámos o
”Train the trainers” para os instrutores que se mostrassem disponíveis para aprender.
Recordo as primeiras sessões de
formação: tivemos de enfrentar
olhos inquisidores que esperavam
de nós, falhas e incapacidade.
Revestimo-nos de simplicidade e
referimos que não éramos professores, mas tão-só militares como
eles e que
gostaríamos de tirar algumas dúvidas que tivessem e sobretudo ajudar a melhorar
a formação.
O tempo trouxe a vitória e hoje,
volvidos quase três meses, na última formação
de instrutores, numa matéria que
passará a vigorar a partir de agora
no planeamento do TLC, o
“Combate em Áreas Edificadas”,
temos praticamente todos os alunos presentes.
Terminada a formação, ficou agendada para as 14.00horas do dia 23
de Fevereiro, a entrega de diplomas. Chegada a hora determinada,
começou a surgir um nó na garganta, pois esta singela, mas importante cerimónia, sabe-nos já a despedida. Esta foi a última formação
que os instrutores irão receber deste grupo de Mentores/Formadores,
até à sua partida de regresso a
Portugal. Foi agradável ver nos
seus rostos aquela felicidade de
vencedores. Estão, a partir de agora, mais bem preparados para
melhor formar!
Um a um foram sendo chamados.
Foi-lhes dito que, a partir de ago-
ra, a sua responsabilidade é maior
porque detêm conhecimento que só
servirá se for passado a outras
gerações de alunos, que por sua
vez a passarão aos seus subordinados.
Ao grito da palavra “Jwand”, que
significa “vida longa”, mostram aos
camaradas o Diploma que receberam das nossas mãos.
Mas a maior surpresa estava para
vir, quando, pela boca do TCor
Abdul Yahya,
Comandante do TLC, ouvimos pronunciar o nosso nome para recebermos um diploma assinado pelo
BGen. Aminullah, Comandante do
KMTC. Ficámos também sensibilizados e o nó, que se tinha desvanecido, voltou agora mais forte. É
apenas um papel, escrito em Inglês
e Dari, mas é sem dúvida a confirmação que conseguimos, acima de
tudo, a sua amizade, o respeito e
reconhecimento.
Esperamos que o trabalho desenvolvido durante estes seis meses,
sirva duas causas: a primeira, para
enriquecer o conhecimento e a
capacidade dos militares do ANA
para servirem as Forças Armadas
Afegãs e o Afeganistão. A segunda,
para servir de plataforma à equipa
que abraçar de seguida, a tarefa de
Mentorar os próximos cursos de
Sargentos do ANA.
SAJ. FZ Silva
EXPRESSO DO ORIENTE
O chapéu Pakol do Afeganistão
BOLETIM DE CULTURA E INFORMAÇÃO DO
CN/FND ISAF
Camp Warehouse
Cabul
Afeganistão
Correio electrónico:
[email protected]
Apoiar o Afeganistão
com a Pátria no Coração
A cobertura mais caracteristica no Afeganistão é o Pakol.
Este nome surgiu no norte do País onde este tipo de protecção da cabeça é originário.
Este chapéu Pakol é feito
de um material resistente
e quente com um interior
forrado. É 100% lã, podendo a sua forma ser
alterada, enrolando as
suas extremidas com pequenos pedaços de restos
de material, para lhe
acrescentar volume.
O Pakol afegão ficou
celebrizado no ocidente graças a Ahmad Shah Masood, lider e
herói do povo afegão, que se destacou na luta contra os soviéticos e, posteriormente, asseguraria a resistência contra os
Talibãs, tendo sido assassinado.
Feriados do Afeganistão: Eid-Milad Nnabi
O Nascimento do Profeta Muhammad deu-se no ano 570 da era
cristã, no dia 12 de rabiul awwal.
Dada o contexto histórico e o significado espiritual da vinda do
Profeta Muhammad , como Misericórdia para a humanidade,
vários teólogos e islamólogos
consideram que Allah distinguiu este dia como um dia
EID. Os dias de EID, são dias
de felicidade, de carinho entre
os muçulmanos e uma festa
religiosa onde se celebram
eventos de grande importância.
Este dia foi recheado de situações únicas que nunca antes
tinham ocorrido:
1. Os ídolos que se encontravam na Ka’aba, simbolizando o
politeísmo da época, caíram;
2. As chamas do poderio persa da
época se extinguiram;
3. Nos céus se viu uma luz que
nunca antes se vira;
4. O paraíso foi decorado;
5. Allah removeu os problemas de
agricultura que os habitantes
de Meca tinham nos seus solos,
fazendo-os férteis e tornando
as árvores ricas em frutos dando à tribo Quraish vários tipos
de bençãos;
6. Allah enviou donzelas do
paraíso para acompanharem o
abençoado parto de Syeda Ami-
na (que a paz lhe acompanhe) ,
A Abençoada e Querida Mãe do
Santo profeta Muhammad .
7. Allah também enviou 3 personalidades do círculo divino
feminino para congratularem
Syeda Amina (que a paz lhe
acompanhe) , do filho abençoado que dera à luz. Essas Personalidades foram Hazrat Maryam (que a paz lhe acompa-
nhe), a abençoada mãe de Issa
(paz esteja com ele), Hazrat
Aasiya (que a paz lhe acompanhe) , a esposa do faraó distinguida pelo seu papel no acolhimento e na educação de Hazrat
Musa (paz esteja com ele) e
Hajra (que a paz lhe acompanhe), a esposa de Hazrat
Ibrahim (paz esteja com
ele).
Sendo o dia 12 de rabiul
awwal um dia de EID, é
recomendado aos fiéis que o
momin (crente) esteja preparado para receber este
dia repleto de bençãos.
Na véspera da noite abençoada, o momin deverá efectuar o banho, vestir-se utilizando roupas novas pois trata-se
de uma ocasião especial e deverá
usar perfume (antar).
Após a oração de ixa, o momin
deverá recitar o Sagrado Alcorão e
juntar-se aos programas religiosos
organizados pelas mesquitas.
Esta noite é para recordar a vida
piedosa, abençoada e sagrada do
Profeta de Allah, Hazrat Muhammad Mustafa.
Download

Medal Parade do Contingente