II Encontro Nacional de Produtores e Usuários de Informações Sociais, Econômicas e
Territoriais
Relatoria da Atividade 334
Tipo: Palestra
Título: Qualidade em Institutos de Estatística: a experiência internacional e iniciativas no IBGE.
Relatora: Sonia Albieri, DPE/Coordenação de Métodos e Qualidade - COMEQ
e-mail: [email protected]
telefone: 21 2142 4551
Data: 25/08/2006
Início: 16 h
Término: 17 h
Existência de tradução simultânea: sim/inglês
Público presente estimado: 80
1. Sonia Albieri, IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenadora
Título da apresentação : não houve
Recurso usado: explanação oral sem texto
Duração: 5 minutos
Documento de referência da apresentação : não há
Descrição dos assuntos tratados
A coordenadora fez a apresentação das palestrantes, com um mini currículo sobre cada uma e
a correspondência das atividades desenvolvidas no trabalho de cada uma, na unidade de lotação, com
o tema da palestra. Destacou a participação da Zélia como representante do IBGE em diversos
eventos internacionais (encontros, congressos, simpósios e convênios) sobre as questões da qualidade
em instituições produtoras de estatísticas oficiais, a saber:
• dezembro de 2000, em Cheju, na Coréia do Sul: Statistical Quality Seminar
• maio de 2001, Estocolmo, Suécia: International Conference on Quality in Official Statistics
• dezembro de 2003, Paris, França: OECD - IMF Workshop on Assessing and Improving Statistical
Quality
• maio de 2004, em Mainz, Alemanha: European Conference on Quality and Methodology in
Official Statistics
• abril de 2006, em Cardiff, Reino Unido: European Conference on Quality in Survey Statistics
Outros eventos sobre o tema, que também tiveram a participação de técnicos do IBGE:
• ano de 2003, convênio CE-Mercosul, firmado entre a Comunidade Européia e os países do
Mercosul, que teve um Grupo de Trabalho formado para tratar das questões de Qualidade nos
Institutos de Estatísticas. Zélia participou como representante do IBGE nesse GT, que produziu,
em maio de 2003, um documento metodológico como resultado dos trabalhos. Esse documento
foi a base para a definição do Sistema de Indicadores de Qualidade em fase de implementação no
IBGE e que seria apresentado na palestra, pela Helena Piccinini, representante da Diretoria de
Informática.
• março de 2003, no IBGE: curso Introdução à Gestão da Qualidade em Institutos de Estatística,
ministrado a duas turmas de gerentes do IBGE, por duas consultoras do INE de Portugal, curso
que é ministrado no EUROSTAT.
• maio de 2003, no IBGE: curso do programa CESD Madri intitulado Seminário sobre
Modernização das Oficinas Nacionais de Estatística.
Destacou a participação da Helena na equipe de informática que planejou e implementou o
sistema de indicadores de qualidade, como parte do Banco de Metadados do IBGE.
Terminada esta introdução, passou a palavra para a Zélia dar início à apresentação, e em seguida,
para a Helena fazer sua parte na apresentação com a demonstração do sistema de indicadores de
qualidade, no IBGE.
2. Zélia Magalhães Bianchini, IBGE/Diretoria de Pesquisas, 1ª Palestrante
Título da apresentação: Qualidade em Institutos de Estatística: a experiência internacional e
iniciativas no IBGE
Recurso usado: apresentação com uso de slides em power point
Duração: 20 minutos
Documento de referência da apresentação : arquivo com os slides, disponível no GED
Descrição dos assuntos tratados
Zélia iniciou sua apresentação comentando que durante o evento, em todos os momentos
estivemos falando sobre Qualidade. É possível falar sobre Qualidade em 15 minutos, 1 hora, 1 dia,
etc., ou seja, é possível falar tanto quanto se queira sobre o assunto. Assim, a escolha para essa
palestra foi o de apresentar, de forma resumida, as questões que vêm sendo tratadas em âmbito
internacional, relacionadas com a produção oficial de estatísticas, e as iniciativas no IBGE.
Iniciou falando brevemente sobre Gestão da Qualidade Total, que teve uma revolução
conceitual nas últimas décadas. Passou da questão geral, para a específica, relacionada com a
Qualidade em Institutos de Estatística, que têm a informação como o produto. Estabeleceu um
paralelo entre os produtos e os usuários dos produtos de uma empresa industrial com a instituição
produtora de informações, destacando que a realidade de cada um desses tipos é diversa, mas que têm
enfoque baseado nos mesmos princípios, a saber: a existência dos usuários e de processo para cada
produto, processo que deve ser padronizado para aumentar a qualidade do produto. Destacou que os
princípios e as boas práticas são o que distingue o Instituto de Estatística de outros produtores e que a
boas práticas afetam a imagem da instituição e portanto, sua credibilidade junto á sociedade. Citou
como exemplo, dois fatores que afetam direta (e negativamente) a credibilidade da instituição: a
adoção de metodologia imprópria e a suspeita de interferência política na produção de informações.
Abordando a Gestão da Qualidade Total nos INEs, apontou para a existência de discussão
internacional e muitos avanços sobre o gerenciamento e a avaliação da qualidade nos INEs, citando
os eventos internacionais (aqueles que já haviam sido citados pela Sonia), e a rica bibliografia sobre
“boas práticas” de produção de estatísticas. Abordou os pontos que estão sendo considerados pelos
INEs, a saber: a busca pela credibilidade para a instituição e todos os produtos; a relevância dos
produtos; o relacionamento efetivo com os informantes; a adoção de processos que geram produtos
de alta qualidade; a realização de avaliação e revisão regular das atividades; e o cuidado com o
quadro de pessoal, que deve estar habilitado e motivado para assegurar qualidade.
A qualidade em estatísticas oficiais está sendo definida e avaliada em temos de: integridade
do ambiente organizacional, qualidade do produto e qualidade de processo.
No que se refere à Integridade do ambiente organizacional, citou e comentou as seguintes
dimensões da Qualidade: Independência, Marco institucional e legal, Confidencialidade, Adequação
de recursos, Imparcialidade e objetividade, Profissionalismo, Transparência, Padrões éticos,
Comprometimento com qualidade.
No que se refere à qualidade do produto, citou e comentou os seguintes componentes:
Relevância, Acurácia. Oportunidade, Pontualidade, Acessibilidade, Transparência do produto,
Comparabilidade, Coerência, e Exaustividade.
E, no que se refere à qualidade dos processos, citou como importantes: o processo estatístico,
o processo de gerenciamento de dados, o processo administrativo, o processo de monitoramento e
decisão, e o processo analítico, sendo que cada um deve ser estruturado, monitorado, gerenciado,
auditado e melhorado.
Ao falar sobre ferramentas de avaliação da qualidade, destacou a importância de identificar
os pontos fracos e fortes e as oportunidades de melhoria, através de: auto-avaliação, pesquisa de
satisfação dos usuários, pesquisa para medir motivação e profissionalismo dos funcionários,
indicadores de performance, “checklists” e auditoria internas.
Sobre as experiências internacionais de gerenciamento da qualidade nas estatísticas oficiais,
citou os casos do US Bureau of the Census e do Statistics Canada.
No caso de ações no IBGE, citou aquelas relacionadas com a documentação da qualidade, a
saber: a criação e divulgação da Série Relatórios Metodológicos da pesquisas; o fato de que desde
março de 2001 o IBGE ter aderido ao Padrão Especial de Disseminação de Dados (Special Data
Dissemination Standard – SDDS) do FMI; o fato de que está sendo aguardada a divulgação, pelo
FMI, do Relatório sobre a Observância de Normas e Códigos (ROSC), para as Contas Nacionais e
Índices de Preços, relatório baseado no Data Quality Assessment Framework - DQAF; o Convênio
de cooperação União Européia e Mercosul, que em 2002 gerou um Estudo Metodológico “Sistema de
indicadores de Qualidade”, que teve como objetivo de propor um sistema de indicadores como
instrumentos de medição da qualidade do produto e de processo, e que em 2006 estabeleceu um
Grupo de Trabalho sobre Qualidade, para fazer diagnóstico, assistência técnica e aplicação de um
conjunto de indicadores comuns na região.
Passou a palavra para a Helena apresentar a situação atual no IBGE, em relação à
implementação de um sistema de indicadores de qualidade, com base do documento citado.
3. Helena Piccinini, IBGE/Diretoria de Informática, 2ª Palestrante
Título da apresentação: Qualidade em Institutos de Estatística: a experiência internacional e
iniciativas no IBGE
Recurso usado: apresentação com uso de slides em power point
Duração: 10 minutos
Documento de referência da apresentação: arquivo com os slides, disponível no GED
Descrição dos assuntos tratados
Helena iniciou sua apresentação informando que o Sistema de Indicadores de Qualidade que
está em fase de implementação no IBGE, está inserido no Sistema de Metadados do IBGE. Destacou
algumas características do sistema, a saber: foi desenvolvido em ambiente de microcomputador e está
disponível até o momento para usuários internos; o Banco de Metadados está residente em um
servidor usando SGBD Oracle e o sistema operacional é o MS Windows NT 2000 Server. As
atualizações da base de metadados são suportadas por uma aplicação cliente-servidor em Visual
Basic 6 e as consultas aos Indicadores de Qualidade podem ser feitas através de aplicação web onde
estão disponíveis também opções para geração de relatórios, sendo que há um Relatório Padrão para
Pesquisas, que foi definido pela Diretoria de Pesquisas.
Demonstrou o sistema através de telas impressas, porque a rede para acesso online estava
muito lenta no momento da palestra. Apresentou as possibilidades do sistema de indicadores de
qualidade, tendo usado, como exemplo, as informações da Pesquisa Mensal de Emprego, com dados
referentes a um mês de 2002, que permanecem armazenados para fins de estudo histórico e
comparativo com dados mais recentes.
4. Zélia Magalhães Bianchini, IBGE/Diretoria de Pesquisas, continuação
Duração: 5 minutos
Descrição dos assuntos tratados
Após a apresentação e demonstração do sistema, Zélia retomou a palavra para a conclusão da
palestra. Destacou as grandes transformações na produção de estatísticas nos últimos anos, com a
definição, em 1994, pela Comissão de Estatística das Nações Unidas, dos Princípios Fundamentais
das Estatísticas Oficiais, que refletem as boas práticas. Destacou, também, as novas tecnologias e
métodos de produção de informações (na coleta dos dados, no tratamento de não-resposta, na
estimação, nas questões da confidencialidade, etc.). No que se refere aos princípios de disseminação,
destacou a adoção do procedimento de divulgação de calendários, dos metadados, e novas formas de
comunicação. Concluindo, afirmou que o IBGE teve avanços significativos na produção de
informações no IBGE nos últimos anos e um conjunto de exemplos de boas práticas estatísticas ou
iniciativas de melhoramento. Destacou a busca por melhores métodos e práticas de produção de
pesquisas e de análises de seus resultados e o fato de o IBGE estar sempre atento às recomendações
internacionais. Concluiu, ainda, que, no IBGE, há a perspectiva em responder às crescentes
demandas com transparência, maior qualidade e rapidez.
Encerrou, apontando inquietações que merecem reflexão:
Como os produtores e usuários colaboram para “a adequação da informação para o uso”?
Como deveria a qualidade da informação ser comunicada?
O usuário tem sido plenamente consultado?
Debate - as intervenções registradas foram:
Luigino Palermo - da Diretoria de Informática e um dos integrantes da equipe que desenvolveu o
sistema de indicadores de qualidade - acredita que uma resposta à segunda pergunta feita pela Zélia,
é o próprio Banco de Metadados, o que teve a concordância da Zélia.
Pedro Silva - da ENCE - disse que há um desafio adicional aos que foram apresentados, que é a
educação voltada para o usuário, sobre a qualidade do produto que o IBGE produz, uma vez que a
qualidade de uma estatística é intangível.
Geoff Lee - do ABS - Australian Bureau of Statistics. Não tenho anotações. Falou em inglês e eu não
tinha o fone de tradução. Preciso das fitas para buscar o material e registrar o depoimento dele.
Moncada - da FAO - felicitou as conferencistas pelo desenvolvimento das questões de qualidade no
IBGE. Destacou que estatística é responsabilidade de toda a sociedade e que informação é fator de
desenvolvimento de um país. A sociedade é fornecedora, produtora e usuária de informação. pode-se
ver o trabalho da estatística por meio de 2 óticas: o técnico, que tem a ver com a qualidade do
trabalho, e o institucional, mas relacionado com a questão política. Avaliou que a América Latina
tem avançado nos aspectos técnicos, mas que a Estatística não e valorada, e isso pode ser visto pela
distribuição de recursos pelos governos federais.
Zélia Magalhães Bianchini - agradeceu a participação de todos e a oportunidade de colocar essas
questões tão importantes para a produção de estatísticas oficiais.
Sonia Albieri - informou que Helena disse que estava satisfeita com as questões colocadas e que não
tinha nada a acrescentar, agradeceu a participação de todos, encerrou as atividades da palestra e
convidou para a sessão de encerramento do evento a ser realizado no mesmo auditório.
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