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CONTABILIDADE GERENCIAL COMO SISTEMA DE
INFORMAÇÃO CONTÁBIL
1. DEFINIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO
1.1. Sistema
Segundo Clóvis Luis Padoveze,
“Sistema é um complexo de elementos em interação. É um conjunto de elementos interdependentes, ou um todo
organizado, ou partes que interagem formando um todo unitário e complexo. O funcionamento de um sistema
configura-se a um processamento de recursos (entradas do sistema), obtendo-se, com esse processamento, as
saídas ou produtos do sistema (entradas, processamentos, saídas)”.
Os sistemas classificam-se em:
a) sistemas abertos: caracterizam-se pela interação com o ambiente externo, suas entidades e variáveis;
b) sistemas fechados: não interagem com o ambiente externo.
Os elementos básicos que compõem um sistema são: objetivos, ambiente ou processamento, recursos ou as
entradas, componentes, saídas, administração ou controle e avaliação.
1.2. Sistema de Informação
Segundo Clóvis Luis Padoveze,
“ é um conjunto de recursos humanos, materiais, tecnológicos e financeiros agregados segundo uma
seqüência lógica para processamento dos dados e tradução em informações, para com seu produto, permitir
às organizações o cumprimento de seus objetivos principais” .
Os sistemas de informação classificam-se em:
a)
sistemas de informação de apoio às operações: o objetivo é auxiliar os departamentos e atividades a
executarem suas funções operacionais (compras, estoques, produção, vendas, faturamento, recebimentos,
pagamentos, qualidade, manutenção, planejamento, controle da produção, etc);
b) sistemas de informação de apoio à gestão: preocupam-se basicamente com as informações necessárias para a
gestão econômico-financeira da empresa. Tem como base de apoio informacional as informações de
processos e quantitativas geradas pelos sistemas operacionais. (ex.: contábil, controladoria, finanças).
Relativamente a esse sistema de informação de apoio à gestão, existem sistemas específicos para auxílio
direto às decisões gerenciais, tais como:
-
DSS: Sistemas de Suporte à Decisão (Decision Support Systems);
EIS: Sistemas de Informações executivas (Executive Information Systems)
Tem como foco flexibilizar informações não estruturadas para tomada de decisão.
b.1.
sistema integrado de gestão empresarial: tem como objetivo fundamental consolidar e aglutinar todas as
informações necessárias para a gestão do sistema empresa. Unem e integram todos os subsistemas
componentes dos sistemas operacionais e dos sistemas de apoio à gestão, através de recursos da
tecnologia de informação, que perpassam todos os departamentos e funções (visão horizontal e de
processo, contrária à visão tradicional verticalizada da hierarquia funcional das empresas).
b.2.
sistema de informação contábil: A CVM e o IBRACON definem a contabilidade da seguinte forma:
“A contabilidade é, objetivamente, um sistema de informação e avaliação destinado a prover seus
usuários com demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de produtividade,
com relação à entidade objeto de contabilização. Os objetivos da contabilidade, pois, devem ser
aderentes, de alguma forma explícita ou implícita, àquilo que o usuário considera como elementos
importantes para o seu processo decisório.”
2. ARQUITETURA DE UM SISTEMA DE INFORMAÇÃO CONTÁBIL GERENCIAL
A informação contábil precisa atender primariamente a dois pressupostos básicos, para que tenha validade
integral no processo de gestão administrativa: necessidade da informação e planejamento e controle.
2.1. Necessidade da Informação
A informação deve ser desejada, para ser necessária. Para ser necessária, deve ser útil. É determinada pelos
usuários finais dessa informação, por seus consumidores, para atender aos usuários e consumidores e não para
atender aos contadores.
O contador gerencial deve fazer um estudo básico das necessidades de informações a partir das decisões-chave
que serão tomadas baseadas no sistema de informação contábil gerencial.
O sistema de informação contábil deve ter apoio da alta administração da companhia e por conseguinte, a
necessidade tem que ser sentida pela mesma (retaguarda).
Necessidade da informação, aliada ao respaldo ao contador e a seu sistema, é o elemento vital para o sucesso de
um sistema de informação contábil.
Caso esses conceitos de utilidade e necessidade da informação contábil não estejam imediatamente presentes no
ambiente da cúpula administrativa da entidade, é tarefa do contador fazer nascer e crescer essa mentalidade
gerencial. Para isso, é necessário apenas o conhecimento profundo da Ciência Contábil e de seu papel
informativo-gerencial.
2.2. Planejamento e Controle
O sistema de informação gerencial exige planejamento para produção dos relatórios, para atender plenamente
aos usuários. É necessário saber o conhecimento contábil de todos os usuários, e construir relatórios com
enfoques diferentes para os diferentes níveis de usuários.
Dessa forma, será possível efetuar o controle posterior. Só poderá ser controlado aquilo que é aceito e entendido.
Além disso, se o sistema de informações gerenciais (SIG) não for atualizado periodicamente, poderá ficar numa
situação de descrédito perante seus usuários.
O sistema de Informação Contábil deve produzir informações que possam atender aos seguintes aspectos:
I - Níveis empresariais
a) estratégico;
b) tático;
c) operacional.
II - Ciclo administrativo
a) planejamento;
b) execução;
c) controle.
III - Nível de estruturação da informação
a) estruturada;
b) semi-estruturada;
c) não estruturada.
Há ligação entre esses aspectos no Sistema de Informação Contábil:
Nível Empresarial
Ciclo Administrativo
Nível de Estruturação
da informação
Operacional
Execução
Estruturada
Operacional
Controle
Estruturada
Tático
Controle
Estruturada
Tático
Planejamento
Semi-estruturada
Estratégico
Planejamento
Semi-estruturada
Estratégico
Planejamento
Não Estruturada
O sistema de informação contábil tende a dar primazia ao atendimento de aspectos operacionais e táticos,
primordialmente com informações estruturadas e algumas informações semi-estruturadas.
Análise
de
Balanço
Análise
de Fluxo
de Caixa
Contabilidade
em Outras Moedas
Correção Monetária Integral
Contabilidade
Societária e
Fiscal
Acompanhamento do
Negócio
(Dados Físicos/Concorrentes etc.)
Sistema de Custos
Sistema
Orçamentário
Preços de Venda
Análise de Custos
Gestão de
Tributos
Controle
Patrimonial
Contabilidade por
Responsabilidade
Centros de Lucros
Unidades de Negócios
3. FUNDAMENTOS DE UM SISTEMA DE INFORMAÇÃO CONTÁBIL
Três pontos são fundamentais para que um sistema de informação contábil tenha validade perene dentro de uma
entidade. São os seguintes: operacionalidade, integração e custo da informação.
3.1. Operacionalidade
O fundamento da operacionalidade significa que todos os que trabalham com a informação contábil devem saber
e sentir que estão operando com dados reais, significativos, práticos e objetivos; conseguidos, armazenados e
processados de forma prática e objetiva. Com isso, tem-se uma utilização gerencial, ou seja, uma utilização
prática e objetiva, que significa utilização dentro das operações. São sinais de operacionalidade informativa:
relatórios práticos e objetivos; ou seja, relatórios necessários para quem os utiliza e entendidos por quem os
utiliza.
São características básicas de operacionalidade:
a)
b)
c)
d)
e)
relatórios concisos;
elaborados de acordo com as necessidades do usuário;
coletados de informações objetivas e de imediato entendimento pelo usuário;
que não permitam uma única dúvida sequer, ou possibilitem pergunta indicando falta de alguma informação
do objeto do relatório;
apresentação visual e manipulação adequada.
3.2. Integração e Navegabilidade dos Dados
Consideramos um sistema de informação contábil como integrado quando todas as áreas necessárias para o
gerenciamento da informação contábil estejam abrangidas por um único sistema de informação contábil. Todos
devem utilizar-se de um mesmo e único sistema de informação.
O que caracteriza um sistema de informação contábil integrado é a "navegabilidade" dos dados. A partir do
momento em que um dado é coletado (e ele só será coletado pelo sistema se for um dado operacional), este
deverá ser utilizado em todos os segmentos do sistema de informação contábil.
Exemplificando, quando do pagamento de determinada despesa, a mesma classificação dada pela contabilidade
financeira deverá ser dada pela contabilidade e formação de custos, que será identicamente entendida e
classificada pelo setor de orçamentos, assim como pela tesouraria e fluxo de caixa etc.
Explicitando ainda mais, tomemos como exemplo os gastos com transporte de funcionários e vejamos algumas
classificações possíveis:
Área contábil
Tratamento possível
Contabilidade financeira
Custo do produto
Planejamento financeiro
Despesas de salários (encargos sociais)
Despesas gerais absorvidas
Despesas de transporte
Num sistema de informação contábil integrado só haverá um dado e só uma classificação.
Se a empresa se definir pelo tratamento das despesas com transporte de empregados como um adicional dos
gastos com pessoal - como encargos sociais - então todos os utilizadores dessa informação deverão buscar esse
dado na contabilidade financeira e transferi-lo para seus eventuais subsistemas, assim como todos deverão dar o
mesmo tratamento em termos de classificação por tipo de despesa.
As informações e os relatórios utilizados pelas áreas de custo do produto e planejamento financeiro fazem parte
do sistema de informação contábil, como segmentos desse sistema ou subsistema, como é chamado
normalmente.
Diante disso, o dado “navega” por todos os segmentos do sistema de informação contábil.
Originário de um lançamento contábil no segmento da contabilidade financeira (em sistemas integrados, nada
impede, e é até desejável, que os lançamentos sejam feitos fora do setor de contabilidade pelos setores que mais
trabalham com os fatos contábeis), ele “navegará” para todos os segmentos, da forma como originariamente
registrado. Não haverá necessidade de reclassificação para outros sistemas, assim como de reintrodução do dado
em algum sistema particular de outro setor ou departamento da empresa.
A informação será sempre fornecida pelo mesmo e único sistema contábil de informação.
Sistema de Entradas
Compras
Sistemas de Inventário e
Produção
Sistema de Saídas
Faturamento
Recebimentos
Processo
Escrituração Fiscal
Escrituração Fiscal
Engenharia
Sistema de Execução
Financeira
Sistema de Planejamento
Financeiro
Contas a receber
Contas a pagar
Financiamentos
Sistema de
Recursos
Humanos
Excedentes de Caixa
3.3. Custo de Informação
O fundamento do custo de informação faz parte dos princípios básicos de contabilidade, razão por que não nos
alongaremos sobre esse aspecto. O sistema de informação contábil deve ser analisado na relação custo-benefício
para a empresa. O SIG deve apresentar uma situação de custo abaixo dos benefícios que proporciona à empresa.
Com a incorporação definitiva dos recursos computacionais, de macro e microinformática, na administração das
empresas, entendemos em qualquer entidade, de microempresa a grandes corporações, tem condições de manter
um sistema contábil de informação. Apenas cabe ao contador fazê-lo gerencial.
4. ABRANGÊNCIA DO SISTEMA DE INFORMAÇÃO
Um sistema de informação contábil gerencial tem necessariamente que abranger todas as áreas de contabilidade
de que se vale o conceito de contabilidade gerencial. Além disso, o sistema tem que incorporar todas os dados
quantitativos necessários para mensuração e análise concatenada das informações com o movimento operacional
da empresa.
O sistema deve também prover todos os meios para trabalhar a informação em seus aspectos de informação
passada, informação presente, informação passada atualizada e informação futura, com análises percentuais.
Ainda os números devem apresentar a situação atual, bem como outros aspectos, entre os quais podem ser
citados: o período anterior; o mesmo período no ano (exercício) anterior; e a situação desejada. Os números
devem sempre apresentar uma situação de relatividade, principalmente percentual.
4.1. Áreas Contábeis Abrangidas pelo Sistema
São componentes do sistema contábil de informação:
4.1.1. Contabilidade Financeira
Compreende a escrituração tradicional, os aspectos tributários, os aspectos societários atuais, registrados em
moeda nacional. A importância desse segmento do sistema de informação contábil é vital, pois ele contém a
arquitetura básica dos planos de contas e os lançamentos, elementos vitais para a continuidade e integração do
restante do sistema.
4.1.2. Contabilidade em Outras Moedas
A inflação elevada da economia brasileira obrigava as empresas à manutenção de subsistemas de contabilidade
para fornecerem informações contábeis comparativas ao longo dos meses e anos. Dessa forma, os tratamentos
contábeis mais especializados e completos da inflação e da correção monetária eram também atendidos dentro de
um segmento do sistema de informação. Para isso, recomendam-se, no mínimo, os dois tratamentos básicos, com
um eventual terceiro tratamento.
Apesar de sermos considerados país estável, a partir de 1996, os baixos índices inflacionários devem ser
analisados com muita atenção porque podem trazer reflexos relevantes.
a) Contabilidade pelos procedimentos da Correção Monetária Integral
A CVM obrigava as Companhias Abertas à apresentação dos demonstrativos contábeis segundo esses
procedimentos.
Entende-se que esses procedimentos continuam sendo importantes para o gerenciamento global das informações
contábeis.
b) Contabilidade em moeda estrangeira
Esse subsistema deverá estar presente no sistema de informação contábil de qualquer empresa, independente de
seu tamanho. A internacionalização da economia é um fato inquestionável. Dessa forma, mesmo que empresa
não tenha relacionamento direto com o mercado externo, através de exportações, importações, matriz ou filiais
estrangeiras, o uso de uma moeda internacional já é um fato na economia.
Se a empresa tem vínculos com outra empresa do exterior e necessitar demonstrativos contábeis e informações
gerenciais na moeda desse país, o denominador monetário estrangeiro será a moeda desse país. Não havendo
essa necessidade, recomenda-se o uso, como denominador monetário alternativo, o dólar norte-americano,
presentemente mais em uso no mundo todo e linguagem monetária internacional atual. A diferença é ser o país
de elevada inflação pelo que se aplicam métodos diferenciados em relação aos países com baixa inflação.
c) Contabilidade em denominador monetário específico
Caso a empresa deseje outro denominador monetário específico, tendo em vista suas características gerenciais, o
contador deverá providenciar mais um subsistema.
Assim, poderá existir a criação um dólar específico da empresa cuja variação nominal represente a inflação
interna da companhia. Também nessa linha em vez de um “dólar da empresa”, poder-se-ia criar um índice
específico que represente a inflação interna, e a partir daí fazer o gerenciamento nesse denominador monetário
específico.
4.1.3. Custos
Quando há necessidade de se atender às exigências fiscais de integração e coordenação da contabilidade de
custos com o restante da escrituração (com a contabilidade financeira), o subsistema para gerenciamento de
custos é imprescindível.
Independentemente disso, tal subsistema é vital para a consecução do que denominamos sistema de informação
contábil integrado.
Provavelmente, nesse subsistema é que deverá ser registrada a maior parte dos dados quantitativos.
Na construção desse sistema é que também provavelmente o contador evidenciará todo seu conhecimento da
informação contábil e seu escopo gerencial. O subsistema de custos é que liga a contabilidade a sua maior área
operacional, a produção.
Os aspectos de avaliação de inventários não deverão ser os pontos mais importantes na construção desse
subsistema. O mais importantes são as informações para controle e tomada de decisões.
4.1.4. Administração Financeira e Orçamentos
A informação contábil deve ser útil para o futuro. O passado só é importante se possibilitar ação futura.
Neste particular, considere-se que o modelo decisório do administrador leva em conta cursos de ação futuros;
informes sobre situações passadas ou presentes somente serão insumos de valor para o modelo decisório à
medida que o passado e o presente sejam estimadores válidos daquilo que poderá acontecer no futuro, em
situações comparáveis às já ocorridas.
As técnicas orçamentárias serão integralmente tratadas e constantes do sistema de informação contábil, como um
subsistema específico. O tratamento das informações pode variar desde orçamentos com informações
sintetizadas, até tratamento com informações extremamente detalhadas, a critério da administração da empresa.
A importância desse subsistema está em que ele vai alcançar todos os níveis de responsabilidade dentro da
empresa. É um sistema que, por sua natureza, faz de seu potencial de integração sua força. O contador gerencial
deve saber disso e nunca permitir que o subsistema orçamentário não seja parte integrante do sistema de
informação contábil.
Além dos aspectos integrativos, o subsistema de orçamentos é que dá oportunidade à contabilidade de mostrar o
caráter preditivo da informação contábil.
Esse subsistema deverá incorporar também o planejamento financeiro, através do planejamento,
acompanhamento e controle do fluxo de caixa.
4.1.5. Contabilidade Divisional (Contabilidade por Responsabilidade) e Consolidação de Balanços
No sistema de informação contábil, deve ser considerado um subsistema que segmente a apuração, controle e
gerenciamento das unidades de lucros e de investimentos da empresa.
Sabemos que muitas corporações já definem sua estrutura societária através da constituição de empresas
independentes para suas diversas divisões de fabricação e comercialização de produtos. Nessa hipótese, em vez
de chamar de contabilidade das divisões, ou contabilidade divisional, utiliza-se as técnicas de consolidação de
balanços, para aglutinar os resultados e gerenciar globalmente a corporação.
Caso a companhia tenha sua contabilidade centralizada, deve-se criar o subsistema de contabilidade divisional.
Caso, porém, a companhia tenha suas unidades de negócios juridicamente separadas, deve-se ter o subsistema de
consolidação de balanços.
4.1.6. Análise Financeira, Padrões Setoriais e Concorrências
As técnicas básicas de análise de balanço são facilmente incorporadas ao sistema de informação contábil. O
importante da incorporação dessas técnicas é a possibilidade de avaliarmos continuadamente o comportamento
dos indicadores financeiros da companhia.
Esses procedimentos de análise contínua são elementos fundamentais para o entendimento do comportamento
financeiro e das atividades da companhia, através da análise financeira, assim como possibilitam um aspecto
educacional para o conhecimento de contabilidade pelos usuários do sistema de informação contábil, que, neste
caso, seguramente serão os componentes da cúpula administrativa da companhia.
Em nível estratégico, o sistema de informação contábil deve incluir, um sistema de registro de balanços anuais
de empresas concorrentes. Essa área deve ser apresentada juntamente com a área de análise financeira.
4.2. Áreas “Não Contábeis” Abrangidas pelo Sistema
Não se pode mais conceber a arquitetura de um sistema de informação contábil sem a coleta, armazenamento e
processamento dos dados quantitativos. Juntamente com isso, devem ser incorporados o subsistema de análises
estatísticas e de acompanhamento.
4.2.1. Dados Quantitativos
Devem fazer parte do sistema os dados de quantidade vendida, de quantidade produzida, número de empregados,
número de horas trabalhadas, carteira de pedidos etc.
Esses dados tradicionalmente constam de outros sistemas informativos operacionais da empresa. A importância
de estarem no sistema de informação contábil é que com isso serão possibilitadas condições de análises
comparativas e cruzadas dentro de um único sistema. Além disso, o fator relevante é que a divulgação e o
tratamento dentro do sistema de informação contábil propiciará continuadamente um treinamento gerencial
integrado para os usuários da informação contábil, assim como, é claro, será elemento educador para o próprio
contador gerencial.
4.2.2. Análises Estatísticas
Determinados dados contábeis, combinados com dados quantitativos, ficarão mais evidentes se dispostos em
gráficos, tabelas, análises de tendência etc. Esse subsistema de análises estatísticas vem respaldar o uso de
métodos quantitativos em contabilidade gerencial.
5. CARACTERÍSTICAS DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL
Cada relatório deve ser planejado, em seus mínimos detalhes. Estéticas inadequadas poderão prejudicar
sensivelmente um ótimo conteúdo. O conteúdo deverá estar à altura da compreensão do usuário a que se destina
o relatório. Ele é o cliente da informação contábil. A informação contábil deve ser clara, precisa, rápida e
dirigida. As características da informação contábil são as seguintes: comparabilidade, confiança, geradas em
tempo hábil, nível de detalhamento adequado e relevância.
5.1. Ótica: Contador Versus Usuário
O contador nunca deve impor seu ponto de vista da informação que está fornecendo. Sua obrigação é fornecer o
que pedem, do jeito que pedem. Se consultado, ele pode opinar, nunca impor. Ele tem que respeitar a posição do
usuário e sua forma de enxergar e utilizar a informação contábil.
5.2. Rapidez da Informação e Prazos para Entrega dos Relatórios
A força de um sistema de informação contábil está em que tudo seja feito rigorosamente dentro dos prazos
estipulados pelos usuários e no menor tempo possível. Mais importante do que a exatidão e veracidade é o
cumprimento do prazo das informações. Uma informação aproximada dentro do prazo é muito mais importante
de que uma informação precisa atrasada.
5.3. Exatidão
Os dados contábeis devem ser exatos. No entanto, se necessário, devem ser utilizadas
as técnicas de
provisionamento de despesas ou estimativas de receitas para atendimento aos prazos dos relatórios.
6. PLANOS DE CONTAS CONTÁBEIS NO SISTEMA DE INFORMAÇÃO GERENCIAL
Deverão ser construídos tendo em vista os relatórios futuros que dele se originarão, e a necessidade da integração
de todo o sistema de informação contábil, através da navegabilidade dos dados.
Há dois aspectos fundamentais na elaboração dos planos de contas gerenciais, partindo do plano de contas fiscal:
segmentação dos planos por áreas afins e criação de contas adicionais para integração do sistema.
6.1. Segmentação por Áreas Afins
Todas as contas contábeis do balanço patrimonial deverão ser claramente identificadas com as contas que
recebem a contrapartida na demonstração de resultados. Tudo o que for relevante deverá ser integrado em contas
claramente definidas que façam ligação entre os dois relatórios-chave de todo o processo de informação contábil
financeiro.
Existe a necessidade da perfeita integração a partir da construção dos planos de contas. O sistema deverá
propiciar a movimentação automática das contas e de suas movimentações, possibilitando a criação dos demais
relatórios e informações necessárias, de modo a abranger, de forma automática, todos os temas de contabilidade
gerencial, e instrumentalizando a informação contábil como ferramenta de administração.
6.2. Principais Integrações de Contas:
Balanço Patrimonial
ATIVO
Aplicações financeiras
Clientes
Estoques
Materiais
Produção em Processo e Produtos Acabados
Ativo Não Circulante
Investimentos
Imobilizado
Intangíveis
Baixa de bens
PASSIVO
Fornecedores
Salários e encargos
Impostos a recolher sobre mercadorias
Impostos sobre o lucro
Distribuição de resultados
Financiamentos
Demonstração de Resultados
Receitas financeiras
Receita operacional bruta
Consumo de materiais
Variação dos estoques de produção
Equivalência patrimonial
Depreciações
Amortizações
Outros Resultados
Compras de materiais
Mão-de-obra direta, indireta, comercial e
administrativa
Impostos sobre vendas
Impostos sobre compras
Impostos sobre o lucro
Atualização monetária dos impostos sobre
o lucro
Distribuição de resultados
Despesas financeiras com financiamentos
Patrimônio líquido
Resultados do exercício
6.3. Criação de Contas Adicionais para Integração do Sistema
As contas adicionais são criadas para possibilitar a feitura automática dos demais relatórios e geração das
informações gerenciais.
Exemplos:
a) Ativo Não Circulante
Basicamente, os dados da movimentação do ativo não circulante de aquisições, baixas e depreciações, serão
canalizados para os relatórios gerenciais de:
1.
2.
4.
5.
Fluxo de caixa;
Contabilidade em moeda forte;
Fluxo de caixa em moeda estrangeira;
Orçamento de capital.
Contas Adicionais
MOVIMENTAÇÃO DE IMOBILIZADO,
PROPRIEDADE PARA INVESTIMENTOS E DE
INTANGÍVEIS
Aquisições do mês
Baixas do mês
Depreciações/amortizações
b) Provisões de resultados do ano e obrigações sobre o resultado
As provisões terão que ser refeitas todos os meses e só se constituindo obrigações definitiva no último mês do
exercício social da empresa. Portanto, mensalmente, temos que utilizar as provisões para o resultado acumulado
até o mês dentro do período.
As contas de obrigações sobre o resultado serão utilizadas para os valores já definidos. Imposto de Renda e
Contribuição Social serão os valores já definidos através de registros mensais auxiliares, LALUR e DIPJ.
c) Financiamentos
A movimentação tradicional da contabilidade aglutina os dados de entradas e amortizações de empréstimos, do
principal e dos juros, e também as atualizações monetárias de curto e longo prazo.
A razão disso é a preparação do plano de contas para outros relatórios gerenciais, que exigem evidências de tais
informações. Os principais relatórios são os fluxos de caixa, tanto em moeda corrente como em moeda
estrangeira.
Contas Adicionais
MOVIMENTAÇÃO
Entradas do mês
Pagamentos do mês
Encargos financeiros
Transferências de contas não circulantes para circulantes
d) Patrimônio líquido
Temos a movimentação do patrimônio líquido e a quantidade de ações ou cotas em que se divide o capital social.
Contas Adicionais
MOVIMENTAÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Integralizações de capital
Outros acréscimos do patrimônio líquido
CAPITAL SOCIAL
Ações do capital-quantidade
e) Consumo de materiais
Consumo x Compras de Materiais
Em princípio, as compras de materiais, por não serem despesas imediatas devem ser contabilizadas diretamente
nos estoques de materiais. A conta de estoques de materiais, porém, não é adequada para fornecer dados
cumulativos das compras durante o ano, pois são contas de ativos. Assim, é mister fazer uma Contabilização
adicional das compras no grupo de despesas, para auxiliar os relatórios e índices posteriores.
Além disso, é necessário obter o total das compras brutas, com os impostos pagos aos fornecedores, para
possibilitar o tratamento adequado para o relatório de fluxo de caixa, demonstração do valor adicionado, etc,
além dos indicadores de análise de balanço, enquanto as contas de consumo representam os materiais de
consumos líquidos dos impostos creditados.
Consumo a Preços Médios x Preços Atuais
Fator importante é o tratamento gerencial dos valores atribuídos ao consumo dos materiais. Pela legislação
comercial e fiscal, e pelos princípios contábeis, o consumo de materiais pode ser feito a preços de aquisição,
médios, primeiros ou últimos. Porém, gerencialmente, tendo em vista os relatórios por responsabilidade, é
necessário que a empresa divulgue os gastos com consumo de materiais pelo menos com os preços de última
compra corrigidos até a data do consumo. (Contabilização em nível de centros de custos pelos preços corrigidos,
ou a preços de reposição, e uma conta para acerto, denominada Diferença para Preços Médios, visando atender
aos preceitos legais). Este aspecto informacional do consumo de materiais a preços de última compra, com uma
conta redutora para consumo de materiais a preços médios, é vital para o sistema de informação contábil.
Os aspectos posteriores de gerenciamento contábil setorial e gerenciamento contábil específico se nutrirão a todo
momento das informações das aquisições e consumo de materiais a preços atualizados.
Contas Adicionais
DESPESAS DE CONSUMO DE MATERIAIS
COMPRAS DO MÊS
Compras Brutas
IPI
ICMS
CONSUMO DE MATERIAIS
Matéria-prima A
Componente B
Componente C
f) Vendas
Total faturado no mês, desde o valor bruto cobrado, diminuindo-se os impostos cobrados nas faturas e notas
fiscais, para contabilizarmos a receita líquida de vendas.
Contas Adicionais
VENDAS DO MÊS
Vendas Brutas
IPI
ICMS
PIS/COFINS
Contrapartida
Download

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