Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus | Ano Lectivo 2006/7 1. QUEM SOMOS E O QUE TEMOS 1.1. O MEIO QUE SERVIMOS As escolas deste Agrupamento estão localizadas em zonas limítrofes da cidade de Leiria e servem alunos provenientes de um meio rural e urbano. O tecido social, cultural, económico e familiar que aqui encontramos é, por isso, bastante heterogéneo e, na sua maioria, distante da cultura veiculada pela escola. Esta situação é ainda potenciada pelo facto de os pais/encarregados de educação, terem longos períodos laborais que os impedem de apoiar, como seria desejável, os educandos na sua vida escolar. Contudo, uma maioria de pais manifesta expectativas elevadas no sentido de os seus filhos obterem uma formação académica superior à escolaridade básica, acreditando que estão reunidas as condições para que este desejo se torne realidade. Mas essas condições não se reflectem nas taxas de sucesso absoluto (alunos que transitam de ano sem apresentarem dificuldades em nenhuma área) que se encontram muito abaixo do desejável. É muito elevado o número de alunos que termina o ano lectivo com lacunas numa ou em mais disciplinas. Este é um problema grave que tem sido alvo de grande reflexão por parte de todos os professores. Há, ainda, um outro problema que não pode ser escamoteado: existe no nosso Agrupamento um número significativo de alunos provenientes de famílias disfuncionais e/ ou economicamente desfavorecidas, como é normal num tecido tão 1 Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus | Ano Lectivo 2006/7 heterogéneo como o que acima foi descrito. A este problema não poderá o Agrupamento dar uma resposta adequada se se mantiver a não existência de um suporte de técnicos sociais vocacionados para este tipo de problemática. Apesar destes condicionalismos, o Agrupamento não tem deixado, nem deixará de procurar respostas diferentes para necessidades diferentes, no sentido de caminhar para uma verdadeira Escola Inclusiva. 1.2. CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO ESCOLAR Fazer a caracterização da população escolar do Agrupamento implica reportarmo-nos a números encontrados num determinado ano lectivo. Assim sendo, a caracterização que se segue assenta nos dados recolhidos nas diferentes escolas no ano em que teve início a elaboração do primeiro Projecto Educativo do Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus. São números necessariamente variáveis mas que, de uma forma global, poderão dar uma ideia aproximada da nossa população escolar. (ver Quadro I) O facto de estarem apresentados através de uma grelha permitirá, futuramente, a introdução de alterações, caso se venha a verificar mudanças significativas como tem vindo a acontecer com o ingresso de alunos estrangeiros, imigrantes sobretudo de países do leste europeu e do Brasil. 2 Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus | Ano Lectivo 2006/7 Quadro I CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO ESCOLAR DO Pré-escolar AGRUPAMENTO 1º Ciclo Sede Jardim Nº de alunos Escola Nº de alunos Ano de escolaridade Andrinos 20 Andrinos 37 5º 95 Campo Amarelo 20 Arrabal 55 6º 79 Pousos 20 Campo Amarelo 18 7º 103 Soutocico 36 Courelas 86 8º 115 Vidigal 25 Martinela 26 9º 80 Paulo VI 47 CEF’s 40 Pousos 39 Touria 24 Várzea 51 Vidigal 23 3 Nº de alunos Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus | Ano Lectivo 2006/7 1.1. INSTALAÇÕES / EQUIPAMENTOS Das quinze escolas que constituem o Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus, apenas a EB1 Paulo VI se pode deslocar, sem transporte, à escola sede para usufruir de todos os seus recursos. 1.2.1. Edifício sede A tipologia do edifício sede é de bloco único a que foram acrescentados dois anexos: 1 sala de alunos e 2 salas préfabricadas. A área envolvente do edifício escolar é constituída por pátios de grandes dimensões onde se inserem os campos de jogos, na parte de trás, e zonas ajardinadas na parte da frente. São os pátios que servem de local de recreio aos nossos alunos. Contudo, estes pátios não possuem qualquer tipo de organização transformando-se em locais áridos, pouco atractivos e geradores de comportamentos perturbadores. É imperioso, por questões de segurança e pela necessidade de os modificar, que se faça uma intervenção física e organizacional nestes espaços. Todavia, os alunos também possuem espaços de lazer interiores e aqui destacamos: o bar e a sala de alunos. Ambos estão apetrechados com equipamento adequado, mas esses espaços tornam-se pequenos quando as condições climatéricas obrigam os alunos a concentrarem-se dentro do edifício. A resolução deste problema continuará a ser também uma preocupação nos próximos anos. Para além dos espaços específicos mais tradicionais (como sejam as salas de Educação Visual e Tecnológica e os laboratórios de Ciências e Físico-Químicas), que têm vindo a ser melhorados, a Escola criou ainda outros espaços 4 Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus | Ano Lectivo 2006/7 pedagógicos “especializados”. Referimo-nos ao centro de recursos, que oferece diferentes serviços que vão desde a biblioteca, à videoteca, audioteca, espaço internet, sala de TIC e que inclui ainda uma zona de trabalho. Referimo-nos, igualmente, às salas de inglês, francês e de matemática. Existe, ainda, uma outra sala, situada atrás do bar, que se destina a cursos de formação, exteriores à escola, cujo aluguer entra no orçamento privativo com o objectivo de melhorar as condições de trabalho/ equipamentos pedagógicos de todas as escolas do Agrupamento. Todos estes espaços estão, neste momento, apetrechados, dentro do possível, com os equipamentos adequados às funções que neles se realizam. 1.2.2. Escolas do 1º ciclo – Quadro II As escolas do 1º ciclo mantêm, de uma maneira geral, um razoável estado de conservação com excepção de 3 edifícios onde haverá necessidade de intervenção urgente (ver Quadro II). Quanto ao material disponível é considerado adequado e diversificado. Actualmente, todas as escolas foram já apetrechadas com fotocopiadora e retroprojectores ou scanners. Neste momento, prepara-se a organização de mini centros de recursos em cada escola. 5 Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus | Ano Lectivo 2006/7 Quadro II CARACTERIZAÇÃO DAS INSTALAÇÕES - ESCOLAS DO 1º CICLO INSTALAÇÕES REFEITÓRIO ESTADO DE CONSERVAÇÃO SALAS ESCOLAS HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO COM TURMA SEM TURMA TOTAL Arrabal 3 0 3 NÃO MAU 9H ÀS 12H 13H30 ÀS 15H30 C.S. Paulo VI 3 1 4 NÃO RAZOÁVEL 9H ÀS 12H 13H30 ÀS 15H30 Campo Amarelo 1 0 1 NÃO RAZOÁVEL 9H ÀS 12H 13H30 ÀS 15H30 Martinela 2 0 2 NÃO BOM 9H ÀS 12H 13H30 ÀS 15H30 Estrada Nacional 2 0 2 NÃO RAZOÁVEL 9H ÀS 12H 13H30 ÀS 15H30 Courelas 4 0 4 SIM BOM 9H ÀS 12H 13H30 ÀS 15H30 Touria 1 0 1 NÃO MAU* 9H ÀS 12H 13H15 ÀS 18H15 Várzea 3 0 3 NÃO RAZOÁVEL 9H ÀS 12H 13H30 ÀS 15H30 * Instalações provisórias 6 Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus | Ano Lectivo 2006/7 1.2.3 Jardins de Infância – Quadro III Os vários jardins de infância encontram-se instalados em edifícios com boas condições, apresentando espaços cobertos e descobertos que podem garantir uma boa qualidade de atendimento e actividade pedagógica. O material disponível é adequado e diversificado. Quadro III CARACTERIZAÇÃO DAS INSTALAÇÕES – JARDINS DE INFÂNCIA INSTALAÇÕES JARDINS DE INFÂNCIA Horários ANTIGUIDAD E DOS EDIFÍCIOS RAIZ CAMPO AMARELO 14 ANOS SIM BOM 1 2 1 a) 1 8H30 ÀS 18H45 9H30 ÀS 12H30 13H30 ÀS 15H30 POUSOS 17 ANOS SIM RAZOÁVEL 1 1 1 a) 1 8H30 ÀS 18H30 9H ÀS 12H 13H30 ÀS 15H30 SOUTOCICO 13 ANOS SIM BOM 2 b) 1 7H45 ÀS 18H30 9H ÀS 12H 13H ÀS 15H ESTADO DE N.º CONSERVA SALAS -ÇÃO SALAS POLIV. REFEITÓRI COZINH RECREI FUNCIONAMENTO O A O 1 a) Para confecção diária de refeições b) Para confecção de refeições em situações pontuais 7 COMPONENTE EDUCATIVA Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus | Ano Lectivo 2006/7 1.2.4 Escolas integradas – Quadro IV Neste Agrupamento funcionam ainda duas escolas integradas, com turmas a frequentar o pré-escolar e o 1º ciclo. Quadro IV CARACTERIZAÇÃO DAS INSTALAÇÕES – ESCOLAS INTEGRADAS (1.º CEB e Jardim de Infância) Escolas ANTIGUIDADE DOS EDIFÍCIOS Instalações Raiz N.º salas N.º salas 1.º CEB J.I. * Salas Poliv. Refeit. Coz. Recreios Estado de Conservação Horário Componente Educativa (1.º CEB e J.I.) Funcionamento d) Andrinos Centenário X 2 1 2 a) 1 1 c) 2 Bom 9 h – 12 h 13.30 h – 15.30 h 8.45 h – 18.30 h Vidigal Centenário X 2 1 2 b) 1 1 c) 2 Razoável 9 h – 12 h 13.30 h – 15.30 h J.I. 8.30 h – 18.45 h 1.º Ceb 9 h --18.30 h * - Contemplam as salas sobrantes (1 sala por edifício) e os telheiros fechados. a) As salas polivalentes servem de apoio à componente educativa do 1.º CEB e do Jardim de Infância, bem como à componente social de apoio à família do Jardim de Infância. b) As salas polivalentes são uma para o funcionamento da componente social de apoio à família do Jardim de Infância, e a outra para os tempos livros do 1.º CEB. c) Só para servir os almoços. d) O funcionamento corresponde à componente educativa e à componente social de apoio à família dos Jardins de Infância, e à componente educativa e tempos livres do 1.º CEB. 8 Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus | Ano Lectivo 2006/7 1.3 CONCLUSÃO Após a caracterização do meio que servimos e dos recursos humanos e materiais do Agrupamento, atrevemo-nos a concluir que, pese embora todos os esforços que se têm vindo a desenvolver, seja num trabalho mais orientado e diversificado dentro da sala de aula, seja através de projectos que visam desenvolver potencialidades e colmatar dificuldades específicas dos alunos, a situação de insucesso escolar e educativo tem persistido, continuando, por isso, a constituir-se como grande prioridade na orientação do nosso Projecto Educativo. Não pode ser escamoteado o facto de que temos um grupo muito significativo de alunos que atingem o final dos ciclos com claras dificuldades em algumas áreas disciplinares, assim como é também digno de grande reflexão e preocupação o crescente número de alunos com atitudes de indisciplina, de falta de respeito e de agressividade física e verbal. É imperioso persistir na busca de apoio de técnicos especializados: psicólogos, técnicos sociais. O grande número de alunos com necessidades educativas especiais, bem como o de imigrantes chegados ao Agrupamento, tem tornado mais complexa a implementação de práticas de ensino diferenciadas, situação que não tem sido devidamente compreendida pelo Ministério da Educação que, contra esta corrente, inibe, por diploma, a criação de turmas com um menor número de alunos. Esta situação tem sido considerada como um dos factores de insucesso da escola. Ao nível da segurança há ainda que fazer algumas melhorias que passam pela intervenção nos espaços exteriores e pela continuação/implementação do Plano de Emergência das escolas que constituem o Agrupamento. 1 Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus | Ano Lectivo 2006/7 Relativamente aos recursos materiais, poderemos dizer que não serão eles a razão de ser dos nossos problemas. Neste momento, quer a escola sede, quer os jardins de infância quer, ainda, as escolas do 1º ciclo encontram-se razoavelmente bem equipadas. No entanto, uma vez que a dispersão das escolas do Agrupamento é um factor imutável, há a preocupação de dotar as escolas do 1º ciclo de mini centros de recursos que possam funcionar como forte apoio às actividades desenvolvidas dentro das salas de aula. Também por este motivo, surgem dificuldades acrescidas de gestão organizacional quer administrativa, quer pedagógica. Daí o esforço que se está a efectuar no sentido de promover condições facilitadoras de uma efectiva e eficaz articulação inter-ciclos. A partir do quadro traçado, seguem-se as linhas orientadoras / estratégias que entendemos serem as adequadas e possíveis para o modificarmos. 2 Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus | Ano Lectivo 2006/7 2. LINHAS ORIENTADORAS / ESTRATÉGIAS APETRECHAR OS ALUNOS COM AS COMPETÊNCIAS E OS SABERES NECESSÁRIOS AO CIDADÃO DO SEC. XXI ORGANIZAR O AGRUPAMENTO COMO UM TODO FUNCIONAL MELHORAR AS APRENDIZAGENS DOS ALUNOS NA SALA DE AULA DOTAR OS ALUNOS COM OS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA UMA CIDADANIA RESPONSÁVEL COMO?: COMO?: • • • • • • • Diagnosticando com precisão capacidades e dificuldades Promovendo o domínio do Português como travemestra das aprendizagens Diferenciando Melhorando os recursos materiais Optimizando capacidades de liderança Minimizando comportamentos desviantes Implementando o ensino experimental • Promovendo práticas de - civilidade - civismo e - cidadania • Promovendo a educação - rodoviária - ambiental - para a saúde - para a sexualidade RECONHECER A DIFERENÇA E APOIAR OS ALUNOS PORTADORES DE NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECÍFICAS (estrangeiros; portadores de patologias sociais; portadores de patologias do desenvolvimento) COMO?: • • • • • Constituindo as turmas de forma a rentabilizar as actividades de apoio Fomentando a partilha de experiências (processos, métodos e materiais) entre os professores Fomentando a celebração de protocolos com instituições/ serviços de apoio à criança Gerindo horas disponíveis nos horários dos professores de modo a satisfazer as necessidades de apoio Promovendo cursos de Educação/Formação 3 PROMOVER A FORMAÇÃO DOS AGENTES EDUCATIVOS COMO? • Diversificando a oferta de formação de acordo com as necessidades sentidas por: - alunos docentes pessoal não docente pais e encarregados de educação CRIAR AS CONDIÇÕES GERADORAS DE UM BOM CLIMA DE ESCOLA COMO?: na segurança: • - cumprindo o previsto no Plano de Emergência - implementando Planos de Emergência em todas as escolas do 1º ciclo e jardins de infância - melhorando os espaços /acessos circundantes • na integração: - eliminando todas as barreiras físicas • no gosto: - reorganizando e embelezando os espaços - criando um espaço com as condições necessárias à dignificação de eventos / cerimónias escolares na convivência • - desenvolvendo projectos de interacção entre ciclos - dinamizando e ocupando tempos livres • no apoio à família - melhorando e uniformizando procedimentos e regras de funcionamento - melhorando as condições de atendimento com pessoal especializado Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus | Ano Lectivo 2006/7 3. AVALIAÇÃO SISTÉMICA DO PROJECTO EDUCATIVO A avaliação do Projecto Educativo deverá ser contínua, no sentido de possibilitar novas análises da situação, através de mecanismos de auto-regulação. As avaliações parcelares dos desempenhos afectos às linhas orientadoras fornecerão o feed-back necessário às reformulações. Serão avaliados quer o processo, quer o Produto final do Projecto Educativo. Indicador Andamento e faseamento das actividades Coordenação e execução das actividades Qualidade das respostas/intervenções dos intervenientes Nível de satisfação dos alvos Processo Instrumento Entrevistas Análise de documentos e registos produzidos (relatórios, actas de reuniões etc.) Registo de opiniões, impressões, descrições Momentos de Indicador avaliação No final de cada - Credibilidade das acções ano lectivo inerentes ao projecto - Qualidade dos produtos das acções inerentes ao projecto - Significância dos resultados das acções Generalização dos resultados obtidos Produto Instrumento Registos Notas escolares dos alunos Questionário sobre a satisfação final dos intervenientes Lista de comportamentos modificados Momentos de avaliação Anual (no final de cada ano lectivo) Nota: Tudo o que se refere ao plano orçamental, com mapas de gastos e de investimentos não foi considerado nesta fase da elaboração do P.E. . 4 Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus | Ano Lectivo 2006/7 4.DIVULGAÇÃO A divulgação do Projecto Educativo será obrigatoriamente efectuada em reunião da Assembleia do Agrupamento, em reunião do Conselho Pedagógico e nas reuniões dos grupos disciplinares e de conselhos de docentes e educadores. Os representantes dos vários agentes educativos responsabilizar-se-ão pela apresentação e divulgação do Projecto Educativo junto dos seus pares. O Projecto Educativo será apresentado aos alunos pelo respectivo Director de Turma/Professor titular de turma nos aspectos que considerar fundamentais tendo em conta o seu nível etário. 5