Análise Financeira
2º Semestre
ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA E
GESTÃO DE VISEU
DEPARTAMENTO DE GESTÃO
Análise Financeira
2º semestre
Caderno de exercícios
Luís Fernandes Rodrigues
Antón
2013 - 2014
2013-2014
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Análise Financeira
2º Semestre
CAPITULO I
2013-2014
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Análise Financeira
2º Semestre
Caso 1.01
O Dr Fausto, único sócio gerente da Drama, Lda., foi informado pelo gestor financeiro da
sua empresa que a mesma tinha um Fundo de Maneio positivo de 130.000 euros, o que se
poderia reputar de muito bom face aos valores apresentados por outras empresas da região
e do mesmo ramo de actividade.
Contudo, o Dr. Fausto conhecia, com demasiada frequência, situações de dificuldades
financeiras, passando boa parte do ano a tentar adiar o pagamento aos seus fornecedores e
restantes credores e, simultaneamente, tentando conseguir financiamento de várias
instituições financeiras.
Suponha que foi contratado pelo Dr. Fausto para estudar com maior detalhe a situação,
tendo-lhe sido fornecidas as seguintes informações adicionais:
1. Para fazer face a pagamentos de muito curto prazo a empresa deve dispor de meios
líquidos no montante de 3.000 euros;
2. Considerando o actual volume de vendas e as práticas normais no ramo de
actividade da empresa, o volume de crédito concedido aos clientes deve situar-se em
150.000 euros (incluindo IVA). As compras e respectivos consumos são efectuados
de forma regular e constante ao longo dos 12 meses do ano. O consumo anual de
matérias-primas da empresa é de 400.000 euros e os inventários iniciais e finais de
matérias-primas são, respectivamente, 10.000 euros e 28.000 euros;
3. A empresa deve efectuar adiantamentos aos seus fornecedores no valor
correspondente a 25% das aquisições mensais de matérias-primas;
4. Os fornecedores concedem, geralmente, 1 mês de crédito contado a partir da data
do respectivo fornecimento;
5. Os Inventários normais de matérias-primas e de produtos acabados são,
respectivamente, 40.000 euros e 20.000 euros e a totalidade dos Fornecimentos e
Serviços Externos do ano possui um valor de 85.000 euros;
6. A rubrica Estado e Outros Entes Públicos atinge um montante de 27.000 euros
(saldo credor), que pode ser considerado como um valor normal de exploração;
7. A empresa dispõe de "plafonds" de crédito, para suprir dificuldades de tesouraria,
obtidos junto do Banco A no valor de 3.000 euros e do Banco B no valor de 6.000
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Análise Financeira
2º Semestre
euros;
8. A empresa liquida e deduz IVA à taxa média de 23%.
Questões:
1. Determine-se o valor do Fundo de Maneio Necessário de Exploração.
2. Calcule-se a Tesouraria à data (suposta) a que se reportam os elementos acima
referidos.
3. Existe equilíbrio financeiro de curto prazo? E, caso tal não se verifique, que medidas
se deverão sugerir para superar essa situação?
4. Quais as principais conclusões a tirar deste caso?
Caso 1.02
A empresa Inova, Lda. pretende dar início a um pequeno negócio que prevê a fabricação de
um novo produto que poderá dar resposta a um conjunto de necessidades que configuram
um "nicho de mercado". Neste contexto, os sócios estão disponíveis para investir 150.000
euros de fundos próprios.
Da análise do mercado conclui-se que as matérias-primas e os fornecimentos e serviços
externos
necessários
para
a
fabricação
de
um
novo
produto
representavam,
respectivamente, 50% e 10% do seu preço de venda. Por outro lado, foi possível negociar
com os respectivos fornecedores a concessão de um mês de crédito.
O processo produtivo e o funcionamento do mercado de aquisição de matérias-primas,
aconselha a manter em armazém as matérias-primas necessárias para assegurar as
necessidades de funcionamento do mês seguinte.
Os investimentos indispensáveis às obras de instalação, aquisição de equipamento e
veículos poderão atingir o valor de 147.000 euros.
De acordo com a análise do mercado, estima-se que durante os 12 meses de actividade a
empresa venha a vender 96.000 euros do novo produto, sendo de admitir a concessão de
um mês de crédito aos clientes.
Neste negócio a empresa irá liquidar e deduzir IVA à taxa média de 21%, a regularizar ao
Estado no mês seguinte.
De acordo com a estratégia comercial delineada, todas as despesas com pessoal serão
regularizadas numa base de prestação de serviços, não existindo, por esta via, quaisquer
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Análise Financeira
2º Semestre
obrigações adicionais da empresa nesta área. As retenções mensais de IRS ascendem a
2.500 euros, sendo a regularização ao Estado efectuada no mês seguinte a que respeitam.
Questões
1. Face às informações anteriormente apresentadas, confirme-se se a empresa tem
condições para vir a desenvolver o negócio, tendo em conta os fundos próprios
disponíveis e as condições de funcionamento que foi possível conseguir. Existirão
boas perspectivas financeiras de vir a desenvolver-se este negócio?
2. Com o objectivo de aumentar de imediato a penetração no mercado, os gerentes da
empresa admitem a possibilidade de vir a conceder 2 meses de crédito aos seus
clientes, dado que dispõem de poder negocial para, igualmente, vir a obter 2 meses
de crédito por parte dos respectivos fornecedores. Será esta alteração benéfica para
a empresa? Quais as justificações?
Caso 1.03
Em sociedade Agrimor, Lda., dedica-se à importação e distribuição de ferramentas e
equipamentos agrícolas no mercado português.
Nos últimos anos, a vendas registaram um crescimento importante. Todavia os sócios da
empresa não estão totalmente satisfeitos, porque o passivo e os resultados não evoluíram
tão favoravelmente, não obstante terem participado num aumento do capital social da
empresa, realizado no exercício 2010. Além disso, acreditam que o desempenho comercial
poderia ter sido melhor, caso não se tivessem registado, esporadicamente, faltas em
armazém de alguns dos artigos comercializados pela empresa.
Junto dos responsáveis da empresa foi possível obter as seguintes informações:
1. As existências iniciais de Mercadorias do ano 2009 eram de 85.000 euros.
2. Os indicadores de funcionamento do sector, pelos quais a empresa se pauta para
aferir as suas “performances” são os seguintes:
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Prazo médio de recebimentos:
75 dias das vendas do ano
Prazo médio de pagamentos:
90 dias das compras totais do ano
Rotação de existências.
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2º Semestre
3. O IVA é liquidado à taxa de 23%. A periodicidade das declarações é mensal, sendo o
pagamento efectuado no prazo de 45 dias após o último dia do mês a que a
declaração se refere;
4. Para além do IVA, a restante dívida ao Estado reporta-se às seguintes situações:
a. Dívida à Segurança Social relativa aos dois últimos processamentos do ano
(situação normal), que ascende a 8.000 euros e 10.000 euros para 2009 e
2010, respectivamente;
b. Divida à Direcção Geral de Contribuição e Impostos referente ao IRS retido
pela empresa pelo pagamento dos salários, sendo de 6.000 euros em 2009
e 8.000 euros em 2010;
5. As rubricas de Outros Devedores e Credores estão relacionadas com transacções
extra-exploração e não assumem carácter de regularidade.
6. A empresa tem negociado com bancos, crédito renovável montante de 10.000 Euros
Unidade: euros
Demonstração de Resultados
2009
2010
Vendas
801.980
1.081.930
Custo das Mercadorias Vendidas
462.890
667.640
Fornecimento e Serviços Externos
89.970
138.780
249.120
275.510
2.650
3.460
111.850
141.900
Depreciações
5.570
10.330
Imparidades
8.680
4.780
120.370
115.040
Outros Proveitos
3.980
300
Outros Custos
1.990
9.920
122.360
105.420
Ganhos Financeiros
15.060
2.000
Gastos Financeiros
59.450
62.490
77.970
44.930
31.190
17.970
46.780
26.960
Margem Bruta
Impostos
Gastos com o Pessoal
Resultados de Exploração
Resultados Antes de Juros e Impostos
Resultados Antes de Impostos
Imposto Sobre o Rendimento
Resultado líquido do Exercício
2012-2013
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Pretende-se que:
Tendo por base as demonstrações financeiras anexas e as informações recorridas construa
o Balanço Esquemático apara o exercício de 2010 e pronuncie-se sobre o equilíbrio
financeiro da empresa.
Unidade: euros
Balanços
Activo Fixo Bruto
2009
2010
63.090
152.560
Depreciação Acumulada
(37.620)
(56.650)
Activo Fixo Liquido
25.470
95.910
Mercadorias
130.000
127.000
Ajustamento de Existências
(13.000)
(12.700)
117.000
114.300
Clientes c/c
215.560
310.910
Ajustamento de dívidas a Receber
(10.780)
(15.550)
11.280
4.750
216.060
300.110
15.540
19.620
374.070
529.940
6.500
50.000
Reservas
37.970
17.970
Resultados Transitados
40.140
86.920
Resultados líquidos do Exercício
46.780
26.960
131.390
181.850
30.000
60.000
30.000
60.000
169.170
219.500
Dividas a Instituições de Crédito
10.000
20.000
Estado e Outros Entes Públicos
24.260
25.200
9.250
23.390
Passivo corrente
212.680
288.090
Total das Origens
374.070
529.940
Inventários
Outros Devedores
Créditos de Curto Prazo
Disponibilidades
Total das Aplicações
Capital
Capital Próprio
Dívidas a Instituições de Crédito de MLP
Passivo não corrente
Fornecedores c/c
Outros Credores
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Caso 1.05
A empresa AUTOROUTE, Lda., fabrica e comercializa componentes automoveis. Em anexo
são apresentados os respectivos Balanços e Demonstração de Resultados referentes aos anos
N+1 e N+2.Considere que:
-
Para fazer face a pagamentos de muito curto prazo a empresa deve dispor de meios
líquidos no montante de 2.000 u.m.;
-
Considerando o volume de vendas do último ano e práticas normais no ramo de
actividade da empresa, o volume de crédito concedido aos clientes deve situar-se
nos 2,5 meses de vendas;
-
As compras e respectivos consumos são efectuados de forma regular e constante ao
longo dos 12 meses do ano;
-
Os inventários normais de matérias-primas e de produtos acabados são 2 meses e a
empresa utiliza o sistema de custeio variável;
-
O IVA é liquidado e deduzido à taxa de 23%.
-
Os fornecedores concedem, regra geral, 2 meses de crédito contado a partir da data
do respectivo fornecimento;
-
A empresa dispõe de “plafonds” de crédito para suprir dificuldades de tesouraria
obtidos junto da Banca no valor de 30.000 u.m.
N
N+1
N+2
184.000
173.400
161.000
CMVMC
95.800
90.000
70.000
FSE Variáveis
13.600
13.200
16.200
Margem Bruta
74.600
70.200
74.800
9.600
9.600
12.200
36.200
36.200
37.800
Outros gastos de exploração
2.200
1.600
1.200
Depreciações do exercicio
8.200
7.400
10.200
Resultado Operacional (RO= EBIT)
18.400
15.400
13.400
Gastos Financeiros
16.000
11.200
8.400
2.400
4.200
5.000
800
1.400
1.000
1.600
2.800
4.000
Vendas
FSE Fixos
Gastos com o pessoal
Resultados antes impostos
Imposto
RL
2013-2014
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2º Semestre
Activo
N
N+1
N+2
71.000
100.000
113.800
1.400
2.000
2.000
117.800
158.400
181.400
2.000
2.200
3.200
-50.200
-62.600
-72.800
53.800
51.400
61.600
Matérias primas
24.400
23.800
33.200
Produtos acabados
22.000
22.000
22.000
Outros inventários
7.400
5.600
6.400
43.600
51.400
64.600
47.600
55.200
63.200
800
1.200
600
-5.200
-5.400
-5.400
400
400
6.200
3.400
1.000
1.200
Total do Activo
171.800
203.800
241.200
Capital Próprio
51.800
77.800
81.800
Capital social
45.000
45.000
60.000
Reservas de revalorização
Outras reservas e resultados
transitados
2.400
25.600
10.600
2.800
4.400
7.200
Resultados liquidos
1.600
2.800
4.200
120.000
126.000
159.400
Dividas a pagar não correntes
20.600
30.800
33.200
Dividas a pagar correntes
99.400
95.200
126.200
Emprestimos bancários
46.600
52.000
47.400
Fornecedores
49.400
39.600
75.400
3.400
3.600
3.400
171.800
203.800
241.200
Activo Fixo
Invesstimentos financeiros
Activo Fixo Tangivel
Activo Intangivel
Depreciações Acumuladas
Inventários
Dividas a receber correntes
Clientes
Estado
Perdas por imparidade
Outras dividas a receber
Meios Financeiros
Passivo
Estado
Total CP e Passivo
Pretende-se que:
1. Determine o Fundo de Maneio, Fundo de Maneio Necessário, Excedentes Activos e
Passivos de Tesouraria, para os N+1 e N+2.
2. Elabore o balanço funcional da empresa e partindo da situação de tesouraria da
empresas discuta o seu Equilíbrio Financeira
2013-2014
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Análise Financeira
2º Semestre
Caso 1.06
Considere um volume de negócios de 500.000 e os seguintes prazos médios:
Prazos médios (dias)
Inventários matérias primas
30
Inventários produtos em curso
20
Inventários produtos acabados
15
Inventários mercadorias
25
Recebimento clientes
30
Pagamento fornecedores
50
E as seguintes relações:
Consumo MP
= 40%
Volume negócios
Custo produção (acabamento de 60%)
= 65%
Volume negócios
Custo produtos vendidos
= 80%
Volume negócios
Custo mercadorias vendidas
= 70%
Volume negócios
Compras
= 50%
Volume negócios
Pretende-se que determine:
1. Fundo Maneio Necessário
2. Considere que os pressupostos anteriormente definidos se alteram:
Prazos médios (dias)
Aumento do volume de negócios
15% (produtos acabados)
Diminuição da margem bruta
3% (produtos acabados)
Recebimento de clientes
Pagamento a fornecedores
Gasto / ganho de oportunidade dos fundos a obter /
conceder
Volume de negócios
35 (produtos acabados e mercadorias)
52 (Matérias e mercadorias)
10%
80% produtos acabados
20% mercadorias
Restantes relações mantêm-se
2. Atendendo, agora, e que em alternativa a diminuição da margem seria apenas de 1%
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Análise Financeira
2º Semestre
Caso 1.07
Considere um volume de negócios de 750.000 e os seguintes prazos médios:
Prazos médios (dias)
Inventários matérias primas
25
Inventários produtos em curso
30
Inventários produtos acabados
25
Inventários mercadorias
30
Recebimento clientes
30
Pagamento fornecedores
45
E as seguintes relações:
Consumo MP
= 50%
Volume negócios
Custo produção (acabamento de 60%)
= 70%
Volume negócios
Custo produtos vendidos
= 85%
Volume negócios
Custo mercadorias vendidas
= 75%
Volume negócios
Compras
= 55%
Volume negócios
Pretende-se que determine:
1. Fundo Maneio Necessário
2. Considere que os pressupostos anteriormente definidos se alteram:
Prazos médios (dias)
Aumento do volume de negócios
15% (produtos acabados)
Diminuição da margem bruta
2% (produtos acabados)
Recebimento de clientes
Pagamento a fornecedores
Gasto / ganho de oportunidade dos fundos a obter /
conceder
Volume de negócios
35 (produtos acabados e mercadorias)
55 (Matérias e mercadorias)
10%
75% produtos acabados
25% mercadorias
Restantes relações mantêm-se
3. Atendendo, agora, e que em alternativa a diminuição da margem seria apenas de 1%
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