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A SAGA DO CINEMA BRASILEIRO
BESSA, Márcia1
Que Bravo guerreiro (1968) é este cinema brasileiro, anda De vento em popa
(1957), Filmando fitas (1926), mesmo depois de ter passado por tantas situações Limite
(1930) nesses 105 anos de história. Nos primórdios era como seguir No rastro do ElDorado(1925), em busca do Tesouro perdido (1927), Ao redor do Brasil (1932)
retratando Coisas nossas (1931). Era a aventura dos pioneiros realizadores itinerantes,
O desafio (1965) do Descobrimento do Brasil (1937) para o próprio povo brasileiro.
Ainda bem que tiveram esta Audácia (1970). Como Aves sem ninho (1939) largaram o
Asfalto selvagem (1964) e ganharam A estrada (1955) Fazendo fitas (1935) no Cenário
da vida (1931). Provando que nosso cinema não era Fogo de palha (1926) surgem os
ciclos regionais disseminando a nova arte por toda Pátria brasileira (1917). Vou te
contá (1958) que era apenas o início de uma Alvorada de glória (1931) nos preparando
para os Verdes anos (1983) que estavam por vir. Estávamos frente ao Canto da raça
(1942) – O cangaceiro (1953), A caipirinha (1950), A caiçara (1950), O João
ninguém (1937), El justiceiro (1967), Os cafajestes (1962), O camelô da rua larga
(1958), o Metido à bacana (1957) e, até mesmo, Os deuses e os mortos (1970) – todos
ganharam voz nas salas de exibição espalhadas por nosso território. Alô, alô, Brasil!
(1935) Agüenta o rojão (1958), que o nosso cinema começava a viver o seu Grande
momento (1958). Luz apagada (1953), projetor ligado e a Maioria absoluta (1964) do
povo brasileiro lotava as sessões da Chanchada e dos filmes da indústria paulista. Acho
que Nunca fomos tão felizes (1983). A Opinião pública (1967) e o cinema nacional
viveram um Duo de amor (1909). Sai da frente (1952), que nas calçadas dos cinemas as
filas dobravam o quarteirão: Aviso aos navegantes (1950) Como Deus castiga (1919)
quem não chega cedo para o Carnaval da Atlântida (1952), Claro (1975), fica de fora
da festa! Nem Sansão, nem Dalila (1954), agora, era chegada a hora da entrada em cena
do “Cinema Novo”. Não adianta chorar (1945), pois nosso cinema perdia a Inocência
(1915) e sacava seus Fuzis (1963) para acordar a Mocidade inconsciente (1931) que
vivia À margem (1967) do Brasil verdade (1968). Sai de baixo (1956), que nossos
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filmes vão mostrar Corações em suplício (1925), O vale dos martírios (1925) dessas
Vidas secas (1963), enquanto uma minoria estava Nadando em dinheiro (1952).
Onde estás, felicidade? (1939) A Terra em transe (1967), feito Brasa dormida
(1928), sofrendo por Culpa dos outros (1922). Nosso Destino em apuros (1953). É
proibido sonhar (1943). Haveria Cabeças cortadas (1970). E nos anos da ditadura
militar o nosso cinema era um Cabra marcado pra morrer (1984). Muitos de nossos
cineastas tiveram que dizer Bye bye Brasil (1979). O Paz e amor (1910), Orgulho da
mocidade (1928), cedeu lugar à Perversidade (1921), à Tormenta (1930), à Fatalidade
(1953), ao Bang bang (1970), ao Filho sem mãe (1925), enfim, a um Jardim de guerra
(1968). Era a época do Matar ou correr (1954). Quem seria A próxima vítima (1983)
daquelas Mãos sangrentas (1955)? Depois eu conto (1956) mais sobre isso, pois são
Memórias do cárcere (1984), que tiraram nossa Alegria de viver (1958). Mas como
Tristezas não pagam dívidas (1944) e A eterna esperança (1940) é a última que morre.
O cinema brasileiro, mesmo não vivendo num Mar de rosas (1977), Absolutamente
certo (1957) de sua Alma gentil (1924), proclama “Hei de vencer” (1924) e segue em
frente resistindo bravamente.
Com a Pátria redimida (1930), através do Amor e patriotismo (1930), a década
de 1990 nos reservava um Estranho encontro (1958). Nosso então Presidente da
República, Um cavalheiro deveras obsequioso (1909), decreta "Braços cruzados,
máquinas paradas"(1979) e Num crime sensacional (1913) extingue a Embrafilme,1
provocando A derrocada (1918) do cinema brasileiro. Era O dragão da maldade contra
o santo guerreiro (1969). O nosso cinema foi parar Na garganta do diabo (1960),
mergulhamos numa Noite vazia (1964), que nos levou alguns preciosos anos. O cinema
nacional foi Enterrado vivo (1920).
E, mais uma vez, O bravo guerreiro (1968) não desistiu. Ele É fogo na roupa
(1952). Novamente estávamos de volta. Como Agulha no palheiro (1953) alguns filmes
começaram a pipocar aqui e ali. No chamado “Cinema da Retomada” (1995-2005), Os
herdeiros (1969) dos pioneiros do nosso cinema, Jurando vingar (1925) os anos
1 Empresa Brasileira de Filmes. Órgão do governo federal brasileiro de fomento à produção, distribuição e exibição
cinematográfica nacional extinta durante o governo de Fernando Collor de Melo (início da década de 1990).
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perdidos ofereceram a diferentes gostos um Painel (1950) da novíssima produção
brasileira a cada ano.
Não estamos mais Perdidos e malditos (1970). Também não está Tudo azul
(1952). Mas, segurando firme meu Amuleto de Ogum (1974), É com este que eu vou
(1948). Cinema brasileiro Eu te amo (1980) e Eu sei que vou te amar (1985) pra
sempre.
É da natureza da Alma corsária (1992) de nossos Conterrâneos velhos de
guerra (1993) do cinema brasileiro nunca se dar por vencido. Estamos sempre à
procura da Terceira margem do rio” (1994). De um pedacinho de sonho a que
possamos nos apegar. Um caminho outro. A nova saída. A hora mágica (1998). Uma
estrada que nos mostre infinitamente Como fazer um filme de amor (1994). Nosso
Pequeno dicionário amoroso (1996) ainda necessita de inúmeras Atualidades
brasileiras (1942-1946). Filmes dos mais variados movimentos, formatos, suportes,
tamanhos, temas, gêneros, estrelas – Imagens do Brasil (1946-1947)... Para assistirmos
Um dia qualquer (1964) de nossas vidas.
Por meio de “Leis de Incentivo à Cultura” – como foco Central do Brasil (1998)
na produção, distribuição e exibição do cinema brasileiro “Pós-Retomada” – nossos
filmes têm resistido a A estrangeira (1914) e desleal concorrência da hollywoodiana
mundialização da cultura. Contra todos (2004), os prêmios internacionais que
recebemos, Preto no branco (2005), desde os idos do “Cinema Novo”, são provas vivas
do quão viva permanece (e permanecerá) a produção cinematográfica brasileira. Custe o
que custar! O que é isso, companheiro? (1997) Sem desânimo. Sem desespero. Afinal
não se trata de nenhum Bicho de sete cabeças (2000). Nosso cinema faz parte da
História do Brasil (1974)... De tantas histórias impregnadas de um genuíno Amarelo
manga (2002) mesclado à Magia verde (1955) da esperança que continuam mostrando
A alma e o corpo de uma raça (1938) brasileira – isso Tudo é Brasil (1998)!
“A saga no cinema brasileiro” pode parecer, enfim, Cronicamente inviável
(2000), mas o mesmo espírito desbravador, guerreiro e incansável de todas as equipes
técnicas, os Astros em revista (1942) e os setores da cinematografia brasileira, As feras
(2001) do nosso cinema – de 1895 ao século XXI – inspira até as crônicas mais
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cronicamente inviáveis. Inspira O desejo (1975) realizado. Inspira belos filmes. Inspira
Histórias do olhar (2002) cinematográfico brasileiro.
O sonho não acabou (1982). Vamos continuar exibindo, “It's all true” (1942),
cada vez mais longe de um Cinema inocente (1980): a Favela dos meus amores
(1935), Nossa escola de samba (1965), Nossa terra (1929), a Memória do cangaço
(1965), Sexo, amor e traição (2003), Esportes na tela (1946-1947), Os falsários
(1925), O grito da mocidade (1937), Todas as mulheres do mundo (1966), a Saudade
(1930), O sertanejo (1953), a Sinfonia amazônica (1957), a Terra violenta (1948), O
torturador (1979), Vício e beleza (1926), Gente honesta (1943), A capital federal
(1923), A voz do Brasil (1934-1936)... Em suma, nossa Patriamada (1985).
Num dizem por aí que Deus é brasileiro (2003)? Bendito fruto (2005): cinema
brasileiro. Brava gente brasileira (2000). Bravo cinema brasileiro, Nós que aqui
estamos, por vós esperamos (1999)!
REFERÊNCIAS
BERNARDET, Jean-Claude. O que é cinema. São Paulo: Brasiliense, 2003.
CAETANO, Daniel (Org.). Cinema Brasileiro 1995-2005: revisão de uma década. Rio
de Janeiro: Azougue Editorial, 2005.
RAMOS, Fernão (Org.). História do cinema brasileiro. São Paulo: Art Editora, 2000.
XAVIER, Ismail. O cinema brasileiro moderno. São Paulo: Paz e Terra, 2001.
1
Márcia Cristina da Silva Sousa utiliza profissionalmente o sobrenome de sua avó paterna – Márcia Bessa.
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Memória Social (PPGMS/UNIRIO) e mestre em Ciência da Arte
(2005) – Universidade Federal Fluminense (UFF). Professora assistente licenciada do curso de Comunicação Social –
habilitação Multimídia – Faculdade CCAA.
Texto Recebido em 16 de maio de 2010.
Aprovado em 30 de junho de 2010.
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