COMUNICADO Os rumores de que estavam em desenvolvimento diligências no sentido de tornar eminente a criação de condições legais que viabilizassem a instalação em Penafiel de uma nova Unidade Comercial de Dimensão Relevante – UCDR (vulgo: grande superfície) – levaram a Direcção da Associação Empresarial de Penafiel a decidir promover, de imediato, um estudo técnico que avaliasse e apontasse as consequências seguramente previsíveis. Essa decisão, de que deu pronto conhecimento à Autarquia, consubstanciou-se na versão final do estudo que veio a ser entregue em Junho pp., ficando demonstrado que a instalação de UMA NOVA SUPERFÍCIE COMERCIAL gerará efeitos muito nefastos para a realidade local e para o meio envolvente do comércio tradicional, nomeadamente por um conjunto de razões: 1. O concelho de Penafiel e os concelhos circunvizinhos (Lousada, Paredes e Paços de Ferreira), integram UCDR´s com insígnias Continente, Pingo Doce, Lidl, Intermarché, Leclerc, Minipreço, Aki, representando um número ligeiramente superior a 30 estabelecimentos comerciais, pelo que é perfeitamente defensável a tese de que a região está fortemente pulverizada por esta tipologia de estabelecimentos comerciais; 2. A abertura de novos estabelecimentos de dimensão relevante, a par do estiolamento da economia local, vai agravar a prazo a capacidade de sobrevivência das empresas inseridas no sector do comércio de proximidade; 3. A expectável perda de efeitos decorrentes do conjunto de manifestações levadas a cabo pela revitalização e regeneração urbanas, poderá, entre outros aspectos, provocar a desertificação da malha urbana; 4. A liberalização do mercado não deve elidir os sãos princípios que pugnam pela sustentabilidade das cidades periféricas, pela vivificação dos centros comerciais a céu aberto e dos seus centros históricos, oferecendo a qualidade de vida das pequenas cidades, sem embargo da disponibilidade e abertura – por mais paradoxal que pareça! - para a modernidade e para novas tipologias de comércio e de consumo; 5. De acordo com a produção estatística, é legítimo, pelo menos no plano da análise teórica, formular algumas reservas sobre o saldo líquido de emprego criado, reconhecido que é o efeito repercutido sobre o emprego no comércio tradicional e que bastará o encerramento de pouco mais de meia dúzia (6) de estabelecimentos para anular o emprego criado pela nova unidade comercial; 6. A emergência de uma nova centralidade desencadeará redução significativa na actividade comercial do comércio tradicional, acrescido de custos sociais, potenciará a séria probabilidade de geração de efeitos de reversão (v.g. desertificação, degradação do edificado, inversão dos efeitos inicialmente esperados da Regeneração Urbana, menor fluxo de pessoas e de visitantes, etc...); 7. Por seu turno – e analisando os efeitos sobre as finanças públicas locais –, a promoção de investimentos desta tipologia pode gerar um quadro de contrapartidas para o Município e, nessa medida, beneficiar o todo citadino; todavia, a perda de derramas e outras taxas por virtude de encerramento de estabelecimentos comerciais da zona histórica e a não– alocação dos resultados líquidos da nova unidade à região e à cidade, certamente, no seu conjunto e no futuro, anularão eventuais ganhos de contrapartidas contratualizadas. Lamenta-se que todas estas razões, aqui sinteticamente descritas, não tenham tido relevância suficiente junto da Autarquia Penafidelense, já que nos transmitiu a sua decisão de acolher favoravelmente a iniciativa do promotor. Porque está profundamente convencida das virtudes e do mérito da sua assumida posição, a Direcção da AEP não deixará de a transmitir aos Grupos Parlamentares que nos representam na Assembleia da República, bem como ao Senhor Ministro da Economia, esperando que seja concedida, tão breve quanto possível, a disponibilidade para as audiências já solicitadas. Por último, a AEP entende dever possibilitar a todos os interessados o acesso à consulta do Estudo produzido, de modo a permitir a sua avaliação, pelo que o mesmo está disponível no site respectivo (www.aepenafiel.pt). A Direcção da AEP