Anais do XVI Encontro de Iniciação Científica e I Encontro de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da PUC-Campinas 27 e 28 de setembro de 2011 ISSN 1982-0178 AVALIAÇÃO DA INFLUÊNCIA DO ÂNGULO DE INCIDÊNCIA SOLAR NA GERAÇÃO FOTOVOLTAICA Matheus Gouveia Villas Bôas Alexandre de Assis Mota Faculdade de Engenharia Elétrica CEATEC [email protected] Eficiência Energética CEATEC [email protected] Resumo: este Plano de Trabalho de Iniciação Científica, inserido no Grupo de Pesquisa de Eficiência Energética da PUC-Campinas, que consiste fundamentalmente em avaliar a influência do ângulo de incidência dos raios solares na geração de eletricidade. Para tal investigação, foi utilizado um protótipo composto basicamente de um painel solar apoiado sobre uma base giratória e uma ferramenta de leitura de tensão elétrica gerada pelo painel para confrontar estes valores com seu respectivo ângulo de inclinação em relação aos raios solares. Após o desenvolvimento do protótipo e coleta dos dados de tensão elétrica versus ângulo de incidência solar em diferentes dias e condições climáticas, chegou-se a uma conclusão sobre a influência do ângulo de incidência dos raios solares na geração de eletricidade e discutiu-se a viabilidade financeira de um protótipo seguidor solar automatizado. Palavras-chave: energia solar, energia elétrica, conversão de energia, eficiência energética, fontes alternativas de energia, energia renovável, painel solar, célula fotovoltaica, tensão elétrica, ângulo de incidência, raios solares, arduino. Área de Conhecimento: Engenharia Elétrica - Instalações Elétricas Prediais e Industriais. 1. INTRODUÇÃO De acordo com o CRESESB (Centro de Referência para as Energias Solar e Eólica Sérgio de Salvo Brito), dá-se o nome de efeito fotovoltaico ao processo de conversão da energia luminosa proveniente da radiação solar em energia elétrica. E o aparelho que realiza este processo é o painel solar fotovoltaico (daí o nome fotovoltaico, composição dos termos foto, do grego “luz”, e volt, unidade de medida de tensão elétrica). Admitindo-se o caráter corpuscular da radiação (teoria da Dualidade Onda-Partícula da luz), temos que os raios solares são a composição de partículas infinitesimais de luz denominadas fótons, carregadas de energia. A energia solar nada mais é do que a energia luminosa irradiada pelos fótons que, ao entrarem em contato com o material semicondutor das células do painel, excitam os elétrons deste material e cria uma diferença de potencial (ddp) nos terminais do painel, uma grandeza que informa basicamente a energia associada aos elétrons em cada ponto do material. Ao ligá-lo a uma carga qualquer, a tensão elétrica nos terminais do painel (a qual foi aferida durante as medições) faz com que os elétrons do semicondutor circulem de um ponto a outro em função da ddp, isto é, surge corrente elétrica nos terminais do painel solar, ou em outras palavras, energia elétrica. Este trabalho objetiva avaliar a influência do ângulo de incidência solar na geração fotovoltaica, e parte da hipótese de que o ângulo de incidência dos raios solares (θi) na face de um painel fotovoltaico tem um grau de influência elevado na geração de energia elétrica, com o pico de geração ocorrendo quando os raios solares incidem ortogonalmente a face do painel, isto é, com um ângulo de incidência de 0°, como ilustra a figura 1. Figura 1 – Incidência no Painel Solar Anais do XVI Encontro de Iniciação Científica e I Encontro de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da PUC-Campinas 27 e 28 de setembro de 2011 ISSN 1982-0178 2. DESENVOLVIMENTO O delineamento de um método para mapear a geração de energia elétrica versus o ângulo de incidência dos raios solares visando otimizar o aproveitamento energético dessa fonte renovável de energia requer o desenvolvimento de um protótipo robusto para realizar as medições em campo. O principal componente do protótipo é um painel solar fotovoltaico da fabricante Microsol, com as seguintes especificações: • Potência máxima: 5 W • Tensão de operação: 16,40 V • Corrente de operação: 0,30 A • Tensão de circuito aberto: 20 V • Corrente de curto-circuito: 0,43 A • Faixa de temperatura de operação: -40 ºC a 85 ºC • Comprimento: 405 mm • Largura: 220 mm • Espessura: 16 mm • Peso: 0,95Kg • Nº de células: 36 Como o propósito do trabalho é avaliar a influência do ângulo de incidência solar na geração de energia elétrica, seria necessária uma estrutura reclinável para que a face do painel assumisse diferentes angulações em relação aos raios solares. A solução encontrada foi acoplar ao painel solar um eixo de madeira preso a uma tábua, apoiando as extremidades do eixo a dois cavaletes de exatas dimensões, de forma a poder rotacionar o painel. A cada um dos cavaletes, foi fixado um par de blocos de madeira que serviram de limitadores para o movimento de rotação do painel. Na lateral do painel foi fixado um iPod touch que serviu de ferramenta aferição do ângulo de inclinação do painel θs em relação ao solo. O software utilizado foi o 4x4 Gyro Clinometer para plataforma iOS. A precisão dos valores de ângulo fornecidos pelo software é de 1 grau. Para aquisição dos valores de tensão elétrica do painel, foi utilizado a plataforma de hardware livre Arduino, que consiste na placa eletrônica Arduino Uno SMD Edition dotado de um microcontrolador ATmega 328 para leitura dos valores, e o software Arduino alpha versão 0022 para aquisição dos mesmos, o qual foi instalado em ambiente Windows. Em função da faixa de operação do hardware Arduino ser restrita a 5 V e o painel sempre exceder esse valor de tensão nas medições em campo, foi necessário o uso de um circuito divisor de tensão intermediário entre os terminais do painel e a placa controladora, limitando a tensão de entrada nesta a 5 V. Para o dimensionamento dos resistores do circuito divisor de tensão, optou-se por resistências superiores a 1 kW pois notou-se superaquecimento para valores inferiores a este. Os valores dos dois resistores em série calculados foram 1 k e 6,2 k.O Arduino Uno, por sua vez, foi conectado a um notebook por um cabo USB. Optou-se por esta ferramenta para a aquisição dos dados de tensão elétrica pelo fato de ser uma plataforma de hardware livre muito difundida atualmente nos meios acadêmicos e por apresentar uma linguagem de programação muito semelhante ao C. A precisão dos valores de tensão elétrica coletados pelo Arduino foi de 0,01 V. A Figura 2 ilustra o protótipo final para início das medições em campo Figura 2 - Protótipo para coleta dos dados 3. RESULTADOS O local definido para as medições foi o bairro Jardim das Palmeiras, na cidade de Campinas. Foi adotada uma estratégia de medições em curtos períodos de tempo e inclinação do painel de forma manual. Definiu-se que elas ocorreriam em diferentes dias do mês de julho, em diferentes horários e condições do tempo (céu totalmente ensolarado, parcialmente nublado e totalmente nublado). Partindo da hipótese de que o pico de geração de energia elétrica ocorre quando os raios solares incidem ortogonalmente a face do painel solar fotovoltaico, iniciaram-se as medições posicionando-o na Anais do XVI Encontro de Iniciação Científica e I Encontro de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da PUC-Campinas 27 e 28 de setembro de 2011 ISSN 1982-0178 exata inclinação em que se verificou o maior valor de tensão elétrica, sendo este o ângulo de incidência solar de 0°. Recorrendo ao software 4x4 Gyro Clinometer, resetou-se o ângulo de inclinação e, em seguida, anotou-se a tensão elétrica em volts correspondente ao ângulo de incidência solar igual a 0°. Passou-se então a variar a inclinação do painel até o ângulo de 90° (raios solares paralelos a face do painel), em incrementos de 5°, e anotando os valores de tensão correspondentes. O experimento foi repetido nos dias 21 (16h30 e céu totalmente ensolarado), 22 (09h00, totalmente nublado) e 25 de julho (14h00, parcialmente nublado). Os resultados estão ilustrados na Tabela 1. Tabela 1 - Ângulo de incidência solar (θi) versus tensão elétrica (V) gerada no painel solar fotovoltaico nos dias 21, 22 e 25 de julho de 2011; a coluna % indica o percentual da queda de rendimento do painel em relação ao pico de geração para cada angulação θi (°) V (V) 21/jul 0 20,43 % 22/jul % 19,00 25/jul % 20,35 ponto de vista que houve uma variação de 90° na angulação do painel. A queda mais significante ocorreu durante as medições do dia 25 de julho, quando o ângulo de incidência solar no painel era variado entre 25 e 30º, em função da passagem de uma nuvem em frente ao sol neste instante. 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS Analisando-se os resultados, pode-se afirmar que a metodologia aplicada foi coerente com a proposta do trabalho, embora não tenha sido possível realizar as medições em diferentes locais e estações do ano por falta de tempo. A conclusão que se chega é que o ângulo de incidência solar tem um baixo grau de influência na geração fotovoltaica, ainda mais se levarmos em consideração que, na prática, ângulos de incidência elevados (superiores a 70°) quase não acontecem, e se acontecem, apenas por curtos períodos de tempo (nascer e pôr-do-sol). A partir desta análise, e dos resultados obtidos até o momento, admite-se que um protótipo seguidor solar automatizado para microgeração solar não é viável financeiramente, pois se avalia que o ganho de tensão elétrica (cerca de 11% a pleno sol e em comparação a um ângulo de 70º) não é suficiente para alimentar um motor que fique rotacionando o painel ao longo do dia. 5 20,41 0,10 18,99 0,05 20,32 0,15 10 20,35 0,39 18,97 0,16 20,28 0,35 15 20,32 0,54 18,91 0,48 20,28 0,35 20 20,28 0,74 18,84 0,85 20,18 0,84 25 20,21 1,09 18,77 1,23 20,14 1,04 30 20,11 1,59 18,67 1,77 18,42 10,48 35 19,96 2,35 18,56 2,37 18,31 11,14 40 19,82 3,08 18,24 4,17 18,10 12,43 45 19,65 3,97 18,08 5,09 18,10 12,43 http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/atlas/pdf/03- 50 19,51 4,72 17,93 5,97 18,30 11,20 Energia_Solar(3).pdf. 55 19,30 5,85 17,73 7,16 18,31 11,14 60 19,01 7,47 17,50 8,57 18,03 12,87 65 18,73 9,08 17,26 10,08 17,78 14,45 70 18,27 11,82 17,08 11,24 17,64 15,36 75 17,71 15,36 16,98 11,90 17,50 16,29 80 16,90 20,89 16,70 13,77 17,36 17,22 85 15,81 29,22 16,39 15,92 17,22 18,18 90 15,07 35,57 16,11 17,94 17,04 19,42 A queda na geração fotovoltaica ocorre de forma gradativa e é relativamente baixa se analisada do REFERÊNCIAS [1] ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica (2007). “Energia Solar”. 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