80 Revista da ESPM - Março/Abril de 2001 * PROF. ROBSON ASSIS PANIAGO Neste artigo, o autor propõe uma tese no mínimo polêmica: o advento do administrador-filósofo. E sugere que a Filosofia, como mãe de todas as ciências, pode ajudar o administrador a interpretar melhor os fatos e a decidir com mais segurança. Ocorre que a antítese é o administrador-homem de ação, muito mais comum e – talvez – mais adequado à realidade do mundo empresarial. Mas, deste choque entre a Filosofia e a ênfase na ação talvez surja um ponto de equilíbrio que combine o melhor dos dois mundos (N.R.). Revista da ESPM - Março/Abril de 2001 Palavras chave: Filosofia, Administração, Sabedoria, Cultura, Mulheres Será que a Filosofia é importante para o administrador entender sua profissão? A Administração está muito ligada ao fazer acontecer e também deve ter suas preocupações e, sobretudo, suas dúvidas. "Penso, logo existo" deveria ser transferido para "negocio, logo invisto", que faz o cotidiano do administrador. Ele deve negociar os aspectos financeiros, de pessoal, produtivos e mercadológicos da organização e saber atuar num ambiente permeado de mudanças e impermanências. E, mesmo assim, fazer com que haja a sobrevivência da empresa e, conseqüentemente, a sua. Dessa sobrevivência, baseada na busca dos resultados da organização (lucros), surgem momentos que levam o administrador a uma reflexão sobre de onde viemos, para onde vamos e qual o significado de nossa existência. Solitário em tempos de reflexão, o administrador percebe em certos momentos que ele é o sanduíche do sistema capitalista, ficando entre as aspirações do pessoal da base e os acionistas da empresa. Então, pergunta mais uma vez, qual o sentido da vida?... E percebe no seu semblante que suas decisões devem ser tomadas para melhorar os acontecimentos dentro da organização, com os olhos voltados para as decisões que vêm de fora do ambiente empresarial, tais como mudanças na política, na economia, na jurisprudência, na sociedade etc. Saber olhar o rumo dos ventos, sentir o pulso da empresa e preparar as pessoas para estes movimentos, que são diferentes e acontecem ao longo de todo o caminhar de uma vida, faz desta profissão algo de fascinante e também complexo, pois lida com pessoas, tecnologia e objetivos. “É um caminhar sobre as brasas entre o céu e o inferno numa linha tênue que separa uma ação de um refluxo que pode dar certo como pode dar errado” É um caminhar sobre as brasas entre o céu e o inferno, numa linha tênue que separa uma ação de um refluxo que pode dar certo, como pode dar errado. E o pior é que não existem receitas fáceis, e cada caso é efetivamente um caso, restando ao administrador perguntar qual o sentido da vida, tentar responder parcialmente, dizendo que a essência está em descobrir a justiça nas suas tomadas de decisão, pois, se estiver agradando alguém, pode contar que provavelmente estará desagradando outras pessoas. Mas, premido pelo tempo e cobrado em sua ação, fica a dificuldade do administrador de conseguir tempo para filosofar, e filosofar é uma arte que deveria ser muito mais utilizada pelo administrador. Senão vejamos: “Cabe ao administrador do novo milênio ser pensante questionador sutil sábio e também antes de tudo isso ser filósofoadministrador ou administrador filósofo” 81 o administrador vive engolfado pelas lutas de poder que perpassam a maioria das organizações; o administrador interage com pessoas e a reação das pessoas é algo subjetivo e altera ao sabor dos ventos; variáveis controláveis e incontroláveis são ferramentas com que o administrador irá deparar durante todo o tempo de sua ação. Essa busca de resultados é baseada na tomada de decisões. Decisões essas que irão refletir na saúde da organização, podendo ajudar a mesma na melhoria ou na piora dos seus resultados. Para o bom funcionamento dessas organizações, é necessário que o administrador tenha consciência de que, na maioria dos casos, ele não terá todos os dados para a tomada de decisão. Como ele não pode ficar esperando ter todas as informações, algumas decisões são baseadas no feeling ou na intuição. E surge outro questionamento: podemos acreditar em administradores intuitivos ou nas mulheres inseridas no mundo dos negócios e na política? Já dizia o ex-presidente norte-americano Gerald Ford: "No dia em que os EUA tiverem uma mulher como presidenta, os homens terão dificuldade de retomar este cargo". Nas empresas acho que não será muito diferente! Resta ao administrador saber interpretar a evolução dos tempos, desenvolver sua intuição, acreditar nos mitos e nos símbolos, desenvolver novas habilidades e sutilezas de pensar e, quem sabe, filosofar mais.... Cabe ao administrador do novo milênio ser pensante, questionador, sutil, sábio e também, antes de tudo isso, ser filósofo-administrador ou administrador-filósofo; pois para quem não sabe, a Filosofia é a mãe de todas as ciências. E nós, administradores, somos todos filhos da mãe, da Filosofia...(sem trocadilhos). * Prof. Robson Assis Paniago - [email protected] - [email protected] Graduado em Administração (Universidade São Marcos-SP), Pós-Graduado em Marketing (ESPM-SP), Mestre em Administração (PUC-SP), Doutorando em Ciências Empresariais (Universidad del Museo Social Argentino), Conselheiro do CRA-PR (Conselho Regional de Administração do Paraná), Presidente da ONG Xethá de Ecoturismo e Meio ambiente, Diretor do Campus Água Verde das Faculdades SPEI, Diretor da ANGRAD-Sul(Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração), Coordenador do Mestrado em Marketing e Gestão Empresarial (ISULPAR/UNIVERSIDADE INTERNACIONAL DE LISBOA) e Consultor.