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Revista da ESPM - Março/Abril de 2001
* PROF. ROBSON ASSIS PANIAGO
Neste artigo, o autor propõe uma tese no
mínimo polêmica: o advento do
administrador-filósofo. E sugere que a
Filosofia, como mãe de todas as ciências,
pode ajudar o administrador a interpretar
melhor os fatos e a decidir com mais
segurança. Ocorre que a antítese é o
administrador-homem de ação, muito mais
comum e – talvez – mais adequado à
realidade do mundo empresarial. Mas,
deste choque entre a Filosofia e a ênfase
na ação talvez surja um ponto de equilíbrio
que combine o melhor dos dois mundos
(N.R.).
Revista da ESPM - Março/Abril de 2001
Palavras chave:
Filosofia, Administração,
Sabedoria, Cultura, Mulheres
Será que a Filosofia é importante para
o administrador entender sua profissão?
A Administração está muito ligada ao
fazer acontecer e também deve ter suas
preocupações e, sobretudo, suas dúvidas.
"Penso, logo existo" deveria ser transferido para "negocio, logo invisto", que
faz o cotidiano do administrador. Ele
deve negociar os aspectos financeiros, de
pessoal, produtivos e mercadológicos da
organização e saber atuar num ambiente
permeado de mudanças e impermanências.
E, mesmo assim, fazer com que haja a
sobrevivência da empresa e, conseqüentemente, a sua.
Dessa sobrevivência, baseada na busca dos resultados da organização (lucros),
surgem momentos que levam o administrador a uma reflexão sobre de onde
viemos, para onde vamos e qual o significado de nossa existência.
Solitário em tempos de reflexão, o
administrador percebe em certos momentos que ele é o sanduíche do sistema
capitalista, ficando entre as aspirações do
pessoal da base e os acionistas da empresa. Então, pergunta mais uma vez,
qual o sentido da vida?...
E percebe no seu semblante que suas
decisões devem ser tomadas para melhorar
os acontecimentos dentro da organização,
com os olhos voltados para as decisões que
vêm de fora do ambiente empresarial, tais
como mudanças na política, na economia,
na jurisprudência, na sociedade etc.
Saber olhar o rumo dos ventos, sentir
o pulso da empresa e preparar as pessoas
para estes movimentos, que são diferentes e acontecem ao longo de todo o caminhar de uma vida, faz desta profissão algo
de fascinante e também complexo, pois
lida com pessoas, tecnologia e objetivos.
“É um caminhar
sobre as brasas entre
o céu e o inferno
numa linha tênue
que separa uma ação
de um refluxo que
pode dar certo como
pode dar errado”
É um caminhar sobre as brasas entre o céu
e o inferno, numa linha tênue que separa
uma ação de um refluxo que pode dar certo, como pode dar errado.
E o pior é que não existem receitas fáceis, e cada caso é efetivamente um caso,
restando ao administrador perguntar qual
o sentido da vida, tentar responder parcialmente, dizendo que a essência está em
descobrir a justiça nas suas tomadas de
decisão, pois, se estiver agradando alguém,
pode contar que provavelmente estará desagradando outras pessoas.
Mas, premido pelo tempo e cobrado
em sua ação, fica a dificuldade do administrador de conseguir tempo para filosofar, e filosofar é uma arte que deveria ser
muito mais utilizada pelo administrador.
Senão vejamos:
“Cabe ao administrador
do novo milênio ser
pensante questionador
sutil sábio e também
antes de tudo isso ser
filósofoadministrador
ou administrador
filósofo”
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o administrador vive engolfado
pelas lutas de poder que perpassam a
maioria das organizações;
o administrador interage com pessoas e a reação das pessoas é algo subjetivo e altera ao sabor dos ventos;
variáveis controláveis e incontroláveis são ferramentas com que o administrador irá deparar durante todo o
tempo de sua ação.
Essa busca de resultados é baseada
na tomada de decisões. Decisões essas
que irão refletir na saúde da organização, podendo ajudar a mesma na
melhoria ou na piora dos seus resultados. Para o bom funcionamento dessas
organizações, é necessário que o administrador tenha consciência de que, na
maioria dos casos, ele não terá todos os
dados para a tomada de decisão.
Como ele não pode ficar esperando
ter todas as informações, algumas decisões são baseadas no feeling ou na intuição. E surge outro questionamento: podemos acreditar em administradores intuitivos ou nas mulheres inseridas no
mundo dos negócios e na política?
Já dizia o ex-presidente norte-americano Gerald Ford: "No dia em que os
EUA tiverem uma mulher como
presidenta, os homens terão dificuldade
de retomar este cargo". Nas empresas
acho que não será muito diferente!
Resta ao administrador saber interpretar a evolução dos tempos, desenvolver sua intuição, acreditar nos mitos e
nos símbolos, desenvolver novas habilidades e sutilezas de pensar e, quem sabe,
filosofar mais....
Cabe ao administrador do novo milênio ser pensante, questionador, sutil,
sábio e também, antes de tudo isso, ser
filósofo-administrador ou administrador-filósofo; pois para quem não sabe,
a Filosofia é a mãe de todas as ciências. E nós, administradores, somos todos filhos da mãe, da Filosofia...(sem
trocadilhos).
* Prof. Robson Assis Paniago - [email protected] - [email protected]
Graduado em Administração (Universidade São Marcos-SP), Pós-Graduado em Marketing (ESPM-SP), Mestre em Administração (PUC-SP), Doutorando em
Ciências Empresariais (Universidad del Museo Social Argentino), Conselheiro do CRA-PR (Conselho Regional de Administração do Paraná), Presidente da
ONG Xethá de Ecoturismo e Meio ambiente, Diretor do Campus Água Verde das Faculdades SPEI, Diretor da ANGRAD-Sul(Associação Nacional dos Cursos de
Graduação em Administração), Coordenador do Mestrado em Marketing e Gestão Empresarial (ISULPAR/UNIVERSIDADE INTERNACIONAL DE LISBOA) e
Consultor.
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