REDUÇÃO DA DEMANDA DO CURSO DE LICENCIATURA EM MATEMÁTICA Tereza Klimontovics de Jesus1 Orientador: Vilmondes Rocha RESUMO O artigo é resultado de pesquisa que teve como objetivo investigar os motivos pelos quais alunos da terceira série do Ensino Médio não pretendem candidatar-se ao Curso de Licenciatura em Matemática. A pesquisa foi realizada em uma escola da rede pública de ensino da cidade de Ceilândia, no Distrito Federal e a amostra contou com 140 participantes. Utilizou-se um questionário para a coleta de dados e os resultados indicam forte resistência à matrícula em curso de Matemática a despeito da percepção, por parte dos alunos, que há mercado de trabalho e os salários da função são competitivos. Palavras chaves: Licenciatura, Matemática, Vestibular. 1. INTRODUÇÃO Atualmente, de acordo com os dados do INEP2, percebe-se que o ingresso de alunos nas universidades e faculdades para o curso de Licenciatura em Matemática é uma escolha de poucos. Além disso, os poucos que optam por esse curso, logo se vêem desmotivados a continuarem seu curso. O número de alunos que se inscrevem no curso de Licenciatura em Matemática, vem diminuindo a cada ano. A sociedade, por valorizar cursos com maior status social, impulsiona os novos universitários a escolherem cursos que em muitos casos não são de sua preferência. Uma grande conseqüência disto é a formação de profissionais frustrados e sem qualquer perspectiva. Uma das hipóteses pela falta de profissionais relaciona-se ao fato de que a remuneração oferecida pelo mercado é insuficiente para a sustentação dos professores, levando-os a trabalharem mais de um período. Sendo assim, de acordo com Floriani (2002), os licenciados são levados a buscar outras áreas que lhes proporcionem uma renda mensal mais atrativa. Para elaboração deste trabalho, foi realizada uma pesquisa de campo, com a finalidade de encontrar os motivos pelos quais os estudantes que estão se preparando para entrar em uma instituição superior não querem optar pelo curso de Licenciatura em Matemática. A coleta de dados foi feita a partir de um questionário composto de 18 questões de múltipla escolha, nas quais os alunos deveriam marcar a afirmativa que mais se adequasse a sua perspectiva de escolha para um curso superior, e suas expectativas em relação ao curso de Licenciatura em Matemática. 1 Licencianda em Matemática da Universidade Católica de Brasília. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira-INEP: Disponível em http://www.inep.gov.br 2 A presente pesquisa tem por finalidade subsidiar as gestões acadêmicas com informações que possam minimizar o problema da pequena procura pelo curso de Licenciatura em Matemática, bem como o alto índice de desistência dos alunos que ingressam. Ainda assim, por meio dos dados relatados, é possível nortear uma nova pesquisa mais precisa e objetiva, que identifique alternativas que propiciem uma melhor visão do profissional da educação da realidade em geral. 2. ANTECEDENTES HISTÓRICOS No século XIX o ensino de Matemática tinha pouco enfoque, as escolas da época davam maior ênfase ao artesanato, leitura, arte e música. Somente no final do século para o início do século XX houve uma maior motivação para as pesquisas Matemáticas (D’Ambrosio, 1986). Somente em meados dos anos 60 do século passado, foram publicados artigos Matemáticos em boas revistas internacionais. Nestes 40 anos houve uma consolidação dos grupos de pesquisas colocando a Matemática brasileira a ocupar internacionalmente lugar de prestígio na América Latina3. Por volta de 1800, pouco antes da vinda de D. João VI para o Brasil já existia o interesse de brasileiros pela Matemática superior, onde as reflexões sobre a Metaphysica de cálculo infinitesimal de Carnot, a teoria das funções analyttica de Lagrange publicadas em Lisboa, foram traduzidas por Manuel Jacinto Nogueira da Gama. O ensino da Matemática no Brasil inicia-se concretamente logo após a chegada da família real, tendo em vista a preocupação do ensino da realeza. Em 1810 foi criado o curso de Matemática real da Academia Militar no Rio de Janeiro, o primeiro no país (Castro, 1992). Em 1876 foi criado a Escola de Ouro Preto, pelo Visconde do Rio Branco, onde foi incluso o primeiro curso de Matemática superior e criada a escola Politécnica de São Paulo. E em 1934 criados o curso de Matemática da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo-USP. Os primeiros difusores do ensino superior em Matemática no país foram as escolas de Engenharia, as Escolas do Exército e da Marinha em 1934. A época quase todos os professores de Álgebra Superior, Cálculo, Geometria Analítica e Descritiva eram engenheiros, oficiais do Exército, da Marinha, ou alunos dos últimos anos de Engenharia. (Clóvis, 2005). Em 1935 foi criada a Escola de Ciências da Universidade do Distrito Federal no Rio de Janeiro tendo como diretor Roberto Marinho Azevedo, que convida Lélio Gama para ensinar Análise, e foi extinta em 1938. E em 1939 foi criada a Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Em 1946 foi criado o curso de análise moderna na USP. Em 1952 foi criado no Rio de Janeiro o Instituto de Matemática Pura e Aplicada – IMPA; centro de pós-graduação e pesquisa. Em 1962 foi criado o primeiro curso de Lógica Matemática pelo Instituto Tecnológico da 3 Instituto de Matemática Aplicada: http://www.sbm.org.br. Aeronáutica - ITA e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, criado também o primeiro curso de Metodologia Matemática (Castro, op. cit.). Em 1969, foi criado a Sociedade Brasileira de Matemática-SBM e, em 1987, a sociedade Brasileira de Educação Matemática. Dos anos anteriores para os atuais, o crescimento dos cursos de Matemática tem sido grande. O número de cursos de Licenciatura em Matemática aumenta a cada dia nas diversas faculdades e universidades do país, com objetivo de preparar profissionais docentes para atuarem no ensino da Matemática, nos níveis Fundamental e Médio4. A dedicação pela Matemática ganha força a cada dia, mas tem caído a procura pelo curso de Licenciatura em Matemática. A cada ano que passa há uma queda do número de professores nas escolas públicas. Em 2003 o déficit era de 254 mil principalmente docentes em Matemática, Física e Química (Klingl, 2003). Acredita-se que a queda da procura pelo curso de Matemática deve-se ao fato dela ser considerada entre todas as disciplinas a mais complicada e de difícil aprendizado, e tem sido ensinada de maneira tradicional e distanciada da realidade do aluno. A aversão pela Matemática é fruto decorrente de fatores psicológicos e intelectuais, efeitos este causadores da baixa auto-estima e fraco desempenho do aluno (Dal Vesco, 2002). Escolher um curso superior depende da sociedade em que a pessoa está inserida. A herança cultural é uma das grandes influenciadoras, o lar é o primeiro a impulsionar nas escolhas vocacionais, começando pela escola até chegar à aptidão profissional (Floriani, op. cit). Os cursos de Medicina e Engenharia levam os que o escolhem a um maior status social, porém quando o pré-universitário não consegue ingressar nestes cursos, busca os cursos de licenciatura. Os principais parâmetros de escolha do curso de Licenciatura em Matemática e outras licenciaturas é principalmente a vocação para o ensino, ou simplesmente por sobrevivência ou mesmo por influência familiar. Ao optar por um curso superior os alunos pré-universitários colocam os cursos de licenciaturas no último lugar das escolhas, reduzindo assim a procura por esse curso. A desvalorização da licenciatura imposta pelo sistema capitalista e cultural em que os prévestibulandos estão inseridos leva-os a acreditar que o diploma ao qual vão receber no final do curso pouco importa. Porém, o mais importante é ter melhor posição social, levando-os a escolher curso que não querem ou não gostam. 3. DADOS DO INEP Com intuito de verificar a velocidade da expansão e oferta de vagas oferecidas para o curso de Licenciatura em Matemática nos vestibulares do Brasil no período de 2000 a 2004, foram levantados dados junto ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais-INEP. Todas as informações estão disponíveis no sítio do órgão5. 4 5 Brasil, Parâmetros Curriculares Nacionais: Disponível em http://www.mec.gov.br. Dados sítio do INEP: http://www.inep.gov.br. A análise dos dados disponíveis na tabela 1 permite concluir que no período de 2000 a 2004 houve crescimento considerável no número de vagas oferecidas pelo curso, que passaram de 17.318 para 21.041, ou seja, um acréscimo de 21,5%. O mesmo ocorre com o número de candidatos inscritos nos vestibulares de todo país, que cresceu de 37.489 para 44.245, acréscimo de 18%. No entanto, houve diminuição relativa quanto ao número de alunos que ingressaram no curso de Licenciatura em Matemática no mesmo período, ou seja, o aumento foi de 12.633 para 14.110, o que representa 11%. Verifica-se ainda que em 2000, havia 327 cursos presenciais e 36.685 matriculados neste ano e em 2004 tinha 466 do curso e 48.717 matriculados correspondendo a 42,5% e 32,8% respectivamente. Concluíram o curso em 2000, 3.660 dos 10202 que ingressaram em 1997 e em 2004 concluíram 8.740 dos 12.633 que ingressaram em 2000, isto corresponde que apenas 30,8% concluíram o curso de Licenciatura em Matemática em 2004. No Distrito Federal, no curso de Licenciatura em Matemática o número de vagas oferecidas era de 134 e se manteve estável até 2003. Crescendo para149 em 2004, acréscimo de 11,2% . Para os que se inscreveram no vestibular passou de 1050 para 863, decréscimo de 17,8%. Das 134 vagas oferecidas em 2000, 132 pessoas ingressaram no curso, significando praticamente não haver concorrência. De 2000 para 2004 houve aumento de vagas correspondente a 11,2% , mas das 149 vagas ofertadas em 2004 somente 95 foram ocupadas o que corresponde a uma queda de 28% dos ingressantes. No DF existiam dois cursos e 339 matriculados em 2000, aumentando para três cursos e 389 os matriculados em 2004 correspondendo a 50% e 12,68% o aumento respectivamente. Dos alunos que ingressaram em 97, 11 (onze) deles concluíram o curso de Licenciatura em Matemática em 2000. E dos 132 que ingressaram em 2000, 59 concluíram o curso de Licenciatura em Matemática, corresponde dizer que dos que ingressaram a 4 anos atrás apenas 44,7% conseguiram concluir o curso. Tabela-1: Dados do curso de Licenciatura em Matemática Brasil DF Anos 2000 2001 2002 2003 2004 2000 2001 2002 2003 2004 Nº. vagas 17318 16991 17029 18259 21041 134 134 134 134 149 Nº. inscritos 37489 36273 34556 38014 44245 1050 887 899 909 863 Nº.ingressantes 12633 13388 11483 12501 14110 132 134 134 119 95 Fonte: INEP6 6 Dados obtidos no sítio do INEP: http: www.inep.gov.br Nº. cursos 327 337 418 442 466 02 02 02 02 03 Nº. matriculados 36685 40997 45154 48352 48717 339 379 419 389 382 Nº. concluintes 3660 4855 5452 8608 8740 11 24 49 47 59 4. ANÁLISE DE DADOS O questionário foi aplicado a 140 (cento e quarenta) alunos da terceira série do Ensino Médio da rede pública de ensino, da cidade satélite de Ceilândia no Distrito Federal, com o objetivo de entender as razões pelas quais os estudantes que irão ingressar em uma instituição superior, hesitam em escolher o curso de Licenciatura em Matemática. Neste questionário havia 18 (dezoitos) questões de múltipla escolha, em algumas delas os estudantes tinha que enumera-las, sendo 1(um) o mais importante e quanto maior o número menor a importância. A amostra escolhida foram alunos da terceira série do Ensino Médio por serem aqueles que estão mais próximos de ingressarem em uma instituição superior. Após a análise das respostas7, foi possível perceber, de maneira geral, que os estudantes concluintes do Ensino Médio têm objetivo de fazer uma graduação, por se depararem com o mercado de trabalho cada vez mais exigente e concorrido. Em decorrência disto, pensam em ir além da graduação. A tabela 2 mostra predominância do sexo feminino na amostra pesquisada, que a grande maioria deles é de solteiros e que mais de 2/3 destes tem idade entre 16 e 19 anos. Tabela-2: Sexo, idade e estado civil Sexo E.civil Idade masculino feminino Solteiro (a) Casado (a) Mora c/ companheiro (a) Menos de 16 anos 16-17 anos 17-18 anos 18-19 anos 19-20 anos 20-21 anos 21-22 anos Mais de 23 anos Nº. Estudantes 55 85 129 08 03 01 26 49 31 10 10 02 11 % 39,3 60,7 92,1 5,7 2,2 0,7 18,6 35 22,1 7,2 7,2 1,4 7,8 A tabela 3 apresenta os resultados obtidos da questão que investigou o que os entrevistados levavam em conta no momento em que iriam escolher uma universidade ou faculdade. Para isso foram estabelecidos seis quesitos que deveriam ser enumerados de um a seis, sendo um o mais importante e seis o menos importante. 7 Os dados obtidos são apresentados nas tabelas com as freqüências absolutas. Para a análise foi considerada a forma decimal. Tabela-3: Motivos que se deve levar em conta na hora de se escolher uma instituição Boa avaliação do MEC Mensalidade mais baixa Tem o curso de preferência Tradição da faculdade Indicação de amigos Proximidade da residência 1º 64 33 28 11 02 02 2º 22 41 37 16 06 18 3º 23 25 34 19 04 35 4º 14 23 29 34 09 31 5º 07 12 11 42 27 41 6º 10 06 01 18 92 13 Observa-se que 45,7% dos estudantes acham importante avaliação do Ministério da Educação-MEC, 23,6% baixas mensalidades, 20% ter o curso pretendido, 7,9% ter tradição e 1,4% ser próximo à residência e indicação de amigos. São inúmeras as razões que levam os estudantes a optarem por determinada instituição. A maioria deles deu maior importância para a avaliação do MEC, pois esta visa realizar e reconhecer ou até mesmo renovar o reconhecimento dos cursos de graduação, sendo medida necessária para emissão do diploma. Vale informar que os respondentes são alunos de classe média baixa que têm dificuldades em pagar mensalidades altas existentes em algumas instituições, por isso privilegiam as baixas mensalidades. A necessidade de se ter o curso pretendido na instituição escolhida dá credibilidade à própria instituição, pois quando os estudantes fazem o curso que gostam, estudam com maior prazer e recomendam a instituição a outras pessoas. A tradição da faculdade é um item importantíssimo, pois ter tradição é estar no mercado há anos. Isto é buscar inovação e qualificação para os cursos existente em cada faculdade e universidade. “Se a instituição tem nome no mercado, é porque oferece formação de qualidade”. (Alfinito, 2002). Quanto a ser próximo à residência sugere a agilidade em chegar a instituição ou mesmo em casa no percurso de volta, fato que é bastante relevante para os alunos. A indicação de amigo, também foi um dos motivos alegados pelos alunos, mas em menor escala. Essa idéia veio contrariando as hipóteses iniciais, pois se acreditava que ela teria maior escolha pelos alunos, visto que quando alguém indica uma instituição, é porque ele a conhece bem ou já estudou nela. Quando perguntado quanto a escolha da instituição para buscar seu curso superior somente 38,6% já escolheu a instituição para se candidatar. Destes 81,9% afirmam ter nesta instituição o curso pretendido e somente 5,5% não encontrou na instituição escolhida o curso de sua pretensão e o restante não responderam nada. Talvez a maioria dos estudantes não tenha escolhido a instituição por não saber qual o curso que querem fazer, sendo eles de escolas públicas e renda baixa os alunos podem estar com dificuldades para conhecer as instituições ou mesmo não estão preparados suficientemente para se candidatar a alguma delas. No entanto, ter o curso pretendido significa ter real interesse pela área que escolheram e poder assim desenvolver melhor sua vocação. A tabela 4 é resultado obtido dos motivos que se devem levar em conta para obter por um curso superior (graduação). Tabela 4: Os motivos que se deve levar em conta, para se obter um curso superior graduação Crescer profissionalmente Para ter uma melhor posição social Para melhorar as condições financeiras Para ter mais prestígio Porque a sociedade exige Porque a família exige 1º 81 20 19 14 04 02 2º 22 47 44 14 08 05 3º 17 36 29 34 12 12 4º 12 24 22 34 34 14 5º 05 11 13 21 50 40 6º 03 02 13 23 32 67 Cerca de 57,8% dos estudantes estão certos de dar grau elevado para o crescimento profissional, seguido de posição social com 14,3% deles, 13,6% quer melhorar as condições financeiras, 10% quer ter mais prestígio, 2,9% acredita que a sociedade exige e 1,4% a família exige. Obter uma graduação deixou de ser algo que apenas a classe alta pode alcançar. A sociedade que o país encontra-se hoje é muito exigente. Obter um curso superior passou a ser exigência fundamental na hora de concorrer a uma vaga no mercado de trabalho. A maioria dos entrevistados deseja obter crescimento profissional voltado para o mercado de trabalho, mas buscando uma maior ascensão social ou manutenção de sua posição social, convergindo assim para melhorar as condições financeiras seguida de prestígio. Sendo pouco relevante a exigência da sociedade e da família. Quando perguntado ao aluno se a graduação era suficiente para ingressar no mercado de trabalho apenas 7,8 % respondeu que a graduação é suficiente, pois segundo eles terão maior facilidade ao ingressar no mercado de trabalho. Atingindo um nível social que apenas 10% da população possuem, acreditando assim, que o diploma abre portas para a mudança exigida por este mercado. Que não se interessa pela capacidade profissional do cidadão. Quase todos os estudantes, ou seja, 91,4% deles acredita que ter graduação não é suficiente para entrar no mercado de trabalho, pois há pessoas que terminam o curso superior e não consegue integrar-se ao mercado. O conhecimento adquirido e a inovações são coisas que capacitam e facilitam a entrada neste mercado, cada vez mais exigente e competitivo. Ser responsável, profissional, competente, criativo, compromissado, ter força de vontade, ser persistência, ter disciplina e ética são fatores considerados importante pelos entrevistados para se ter bom desempenho profissional. Tendo em vista que as empresas não estão mais em busca de pessoas que possuam apenas o Ensino Médio, a maioria dos estudantes acredita que se especializar e se capacitar é quesito importante ao terminar um curso superior, com isso melhorar a vida social. Os entrevistados são conscientes de seu papel perante a sociedade, preocupados desde o Ensino Médio com as dificuldades que irão enfrentar no futuro. Ao perguntar aos entrevistados quais os motivos que se devem levar em conta na hora de escolher um curso superior, 67% dos entrevistados acredita que é importante ter o curso pretendido na instituição superior, 12% acha que é a boa avaliação do MEC, 11% se a têm aos salários dos profissionais formados, 6% porque os preços das mensalidades são acessíveis e 4% por falta de opção. Ao optar por um curso superior é importante para os estudantes que se tenha o curso pretendido na instituição, pois eles acreditam que ter prazer naquilo que faz é o primeiro passo para ser um profissional de sucesso. No entanto, a avaliação do MEC, ficou em segundo lugar para ele, mas entende-se que há grande importância nesta avaliação, seguidos de ter bons salários e com mensalidades mais baixas terão oportunidades de fazer o curso pretendido. A maioria não se disporia a um curso superior por falta de opção. Ao ser questionado aos entrevistados, qual seria a intenção em cursar Matemática, caso a instituição pretendida não ofereça o curso preferido, 33,6% faria o curso de Licenciatura em Matemática e 66,4% não faria o curso. Mais da metade dos estudantes não faria o curso de Matemática, porém isso não significa haver aversão a ela, apesar da Matemática ser considerada a disciplina que mais gera aversão entre os alunos (Carmo, 2000). O fato aversivo é fruto da complexidade da matéria que se desenvolvem de forma abstrata, fatores este causadores da baixa auto-estima e fraco desempenho do aluno dos primeiros aos últimos anos de estudo, comprometendo a escolha pelo curso de Licenciatura em Matemática. Quanto à opção dos estudantes pelas licenciaturas, 57% faria um curso de licenciatura e 43% não escolheria licenciatura para graduar-se. Os principais parâmetros de escolha para o curso de Licenciatura em Matemática ou qualquer outra licenciatura é “principalmente a vocação” (Campbell, op. cit) para o ensino, ou simplesmente por sobrevivência. A vocação atualmente é o principal fator de escolha dos cursos de licenciatura. Ao decidir-se por outros cursos, os alunos pré-universitários colocam os cursos de licenciaturas em último plano, reduzindo assim a procura por este curso. Dos 57% que declararam sim para curso licenciatura, 23,7% dos estudantes faria Educação Física, 21,25% Letras, 11,25% Biologia, 7,5% fariam Matemática e História, 6,5% fariam Física, Geografia e Filosofia, 3,75% fariam sociologia, 1,4% fariam Inglês e Química e somente 0,7% faria Artes. Quando perguntado qual seria dos cursos acima que não fariam em nenhuma hipótese 57,14% dos entrevistados não faria Matemática, 50% não faria Física e 48,57% não se candidataria a Química. Os cursos de licenciatura que mais foram aceitos pelos estudantes são: Letras e Educação Física. No entanto, os cursos de exatas são os menos preferidos entre os alunos. Dos cursos de exatas, o de Matemática encontra-se em última escolha, isto é, ela não é a mais preferida dos cursos. Mais da metade dos alunos não a optaria de jeito nenhum, por eles considerarem a Matemática como a disciplina a mais complicada e de difícil aprendizado e, além disto, tem sido ensinada de maneira tradicionalista. Pediu-se então que os entrevistados escrevessem uma palavra que representasse seu sentimento em relação à Matemática, percebem-se assim aqueles que gostam ou simpatizam com a Matemática, as palavras mais citadas nas respostas foram alegria, conhecimento, essencial, boa, desafio, fundamental, fácil, habilidade, paixão, divertida, amor, simpatia, ótima, intelectualidade, conquista, persistência, dedicação, esforço, interessante e importante. Alguns alunos não concordam e nem discordam da Matemática dando-lhe palavras como problema, necessária, razoável, complexa, considerável, exatidão, lógica, mundo, atenção, capacidade, concentração, solução, evolução e aprender. E outros estudantes aplicaram palavras que demonstravam sua aversão pela Matemática são elas: complicadas, dificuldade, obrigação, terrível, ódio, raiva, impaciência, horror, ruim, terrorismo, encrenca, embaraçosa, péssima, pavor, detestável e indignação. Quando perguntado aos alunos sobre a pouca concorrência para o vestibular de Matemática, 17,85% se candidatariam, 35% talvez se candidatassem e 47,15% não se candidatariam. Os cursos de Matemática oferecidos pelas diversas faculdades e universidades do país estão cada vez menos concorridos como já foi visto nos dados disponibilizados pelo INEP. Candidatar-se ao curso de Licenciatura em Matemática exige afinidade com a matéria. Os que se candidatariam provavelmente são os que gostam de Matemática e não teriam dificuldade alguma em candidatar-se ao curso. Os que talvez se candidatassem são os que encontram afinidade com a ela, mas não suficiente para fazê-la, pois não encontram nos ensinamentos anteriores conhecimento hábil para estudá-la com profundidade. Os que não se candidatam ao curso são os que não têm nenhuma afinidade com a Matemática. Ao questionar com os estudantes, o que eles achavam do mercado de trabalho para o formado em Matemática, 63,57% acredita que o mercado de trabalho é amplo e 35,7% acha que é este mercado é pequeno. O formado em Matemática tem vasto mercado de trabalho. Julgar-se que há vagas para estes profissionais em escolas públicas e particulares, cursos preparatórios para concursos e vestibulares. E há também empresas que contratam esses profissionais para o departamento financeiro, estatístico dentre outros. Por isso, é preciso desmistificar que a profissão de educador é um sacerdócio, com grande valor social, mas sem valorização. Diante desta situação foi perguntado aos entrevistados como eles viam os salários dos professores de Matemática, logo 43,57% acham que são bons, 42,85% falam que são razoáveis, 5% cotaram como muito bom, 4,3% acreditam que os salários são ruins, 3,5% vêem os salários dos professores excelentes. A maioria dos estudantes acredita que os salários dos professores de Matemática são bons ou razoáveis e poucos deles acreditam que estes salários são ruins, apesar dos próprios professores relatarem seus salários ruins, motivo este que desvaloriza a profissão. Desta forma, os baixos salários deixam de ser a principal hipótese do desinteresse pelo curso de Matemática. No entanto, não é descartada. Para se ter status social maior, os entrevistados preferem outros cursos que oferecem salários equivalentes ao dobro do que ganha um educador. Quando perguntado aos estudantes quais os fatores que influenciava na decisão da futura profissão. A identidade profissional foi o fator que mais influenciou na hora de decidir por uma profissão com 61,42% dos estudantes; facilidade de obter emprego esteve entres eles com 32,14%, estímulo financeiro indicou o percentual de 23,57%, as informações gerais, revistas, jornais ou TV influenciam 21,42%, o trabalho coopera na decisão de cerca de 20% destes, os pais contribuem com 10,71% das escolhas, a escola/professores com 8,56% e os amigos com 3,57%. Os estudantes encontram na identificação profissional o fator que mais influencia no momento de se escolher uma profissão, em seguida facilidade de se encontrar emprego acrescido do estímulo financeiro. As informações gerais predominam para uma pequena maioria, as quais indicam o marketing das instituições. O trabalho, porém, somente influência àqueles que devem seguir carreira na empresa em que trabalham. Os pais, a escola ou professores e amigos inspiram uma pequena maioria, pois hoje os pais não exigem que o filho siga sua profissão. A vivência do aluno e a postura do professor com a Matemática influência no conhecimento daqueles que a utilizam, pois os professores se valem dos mesmos métodos de ensino e técnicas tradicionais, o modo de dar aulas é sempre o mesmo, levando os alunos a criar em si uma aversão pela Matemática, dificultando a apropriação do conhecimento (Dal Vesco, op. Cit.). 5. Tabela de dados Tabela-5: Motivos que se deve levar em conta, na hora de se escolher um curso superior 1º 95 17 16 09 03 Porque é o curso de sua preferência Porque o curso tem boa avaliação do MEC Porque os salários do profissional formado são bons Porque o curso tem preço accessível Falta de opção 2º 24 60 33 21 02 3º 09 39 38 51 03 4º 07 21 44 51 17 5º 05 03 09 08 115 Tabela -6: opção pelas licenciaturas E.física Letras Biologia Matemática Historia Física Geografia Filosofia Sociologia Inglês Química Artes 1º 19 17 09 06 06 05 05 05 03 02 02 01 2º 09 07 10 04 10 11 05 02 02 03 03 14 3º 08 06 07 08 08 05 12 04 05 03 08 06 4º 12 09 09 03 09 06 10 05 08 02 04 03 5º 04 02 12 04 09 05 10 03 07 07 11 06 6º 05 02 07 03 05 08 08 13 09 05 06 09 7º 03 06 09 06 07 00 10 07 12 09 04 07 8º 05 09 05 01 11 03 08 16 06 08 04 04 9º 03 06 05 13 04 10 03 07 08 07 08 09 10º 02 05 03 06 06 07 04 09 09 09 14 03 11º 03 05 02 06 03 16 03 06 06 11 10 09 Tabela -7: Os que não fariam Matemática de jeito nenhum Não faria o curso 80 70 68 58 % 57 50 48,6 41,4 Historia Física Geografia Filosofia 51 36 35 29 36,4 25,7 25 20,7 Sociologia Inglês Química Artes 28 24 23 19 20 17 16,4 13,6 E.física Letras Biologia Matemática Tabela-7: Os salários dos professores de Matemática Nº. de alunos % excelentes 05 3,57 Muitos bons 07 05 bons 61 43,57 razoáveis 60 42,86 Ruins 06 4,28 12º 07 06 02 20 02 04 02 03 05 14 06 09 Tabela-8: Questões sim, não e talvez Questões Você já escolheu a instituição onde vai prestar vestibular Caso a resposta tenha sido sim, a instituição de sua escolha tem o curso de sua preferência? Em sua opinião, para ingressar no mercado de trabalho, apenas a graduação é suficiente. Se a Instituição que você escolheu para estudar não tivesse o curso de sua preferência, e só tivesse o curso de Licenciatura em Matemática você o faria? Se não houvesse muitas opções de curso na instituição que você escolheu você optaria por um curso de licenciatura? Você acha que há um amplo mercado de trabalho para o formado em Matemática Sabendo que há pouca concorrência para o curso de Matemática, você se candidataria ao curso. sim % Não % talvez % 54 38,57 85 60,71 00 00 44 81,48 03 5,5 00 00 11 7,85 128 91,42 00 00 47 33,57 93 66,42 00 00 80 57,14 60 42,85 00 00 89 63,57 50 35,71 00 00 25 17,85 66 47,14 49 35 Tabela-9: Fatores que influenciam na decisão da futura profissão Os pais A escola/professor Os amigos Informações gerais, revista, jornais ou TV. O trabalho Estimulo Financeiro Facilidade de emprego Identificação profissional Nº. de estudantes 15 12 05 30 24 33 45 86 % 10,71 8,57 3,57 21,43 17,14 23,57 32,14 61,42 7. Considerações finais Os dados revelados por esta pesquisa refletem a realidade dos alunos que não se interessam pelo curso de Licenciatura em Matemática. Diante do que foi analisado pôde-se concluir, que há uma grande queda na procura pelo curso de Licenciatura em Matemática, visto que a Matemática é considerada entre todas as disciplinas a mais difícil e complicada. Pôde-se ainda concluir que existem três categorias de sentimentos relacionados à Matemática. O que a Matemática agrada e os que se atraem, mas não se interessam e aqueles que não gostam dela. Os que a Matemática agrada são alunos que despertam bastante afinidade pela matéria e não encontram nenhuma dificuldade em candidatar-se ao curso de Licenciatura em Matemática. Os que se atraem são estudantes que se deparam com as dificuldades ao aprender Matemática, mas não às levam em conta, pois é a falta de conhecimento anterior que os desmotivam a candidatar-se ao curso. Os que não gostam de Matemática são exatamente aqueles que têm aversão por ela e não se disporiam ao curso em hipótese alguma. Para aumentar a procura pelo curso de Licenciatura em Matemática, propõe-se, que as faculdades e universidades tomem para si a responsabilidade de subsidiar meios que possam submeter aqueles alunos que se sentem atraídos por Matemática, mas não se interessam pelo curso haja vista que as instituições podem contribuir realizando marketing do curso, proporcionando aos estudantes conhecer o mercado de trabalho e perspectivas salariais. 8. Referências bibliográficas ALFINITO, Solange. O que pesa na escolha da faculdade. Tese de mestrado-Universidade de Brasília. 2002. disponível em:< fttp: //www.universa.com.br> . Acesso em 12 de out. 2006. 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