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Copacabana amanhece, isolada do mundo pelas pedras
e pelo mar. Entre as janelas ainda adormecidas, vemos
o movimento distante e solitário de um homem: André,
que trabalha em frente a uma máquina de escrever.
ANDRÉ - É aqui que você me vê pela primeira vez...
Na sala que André faz de escritório, há uma série
de objetos de mulher espalhados pelo chão: revistas
femininas, roupas íntimas, maquiagem, produtos de
beleza e também livros - de Simone de Beauvoir, Camille
Paglia, a coleção completa de histórias românticas
"Sabrina", quadrinhos da "Mafalda" do Quino, "Valentina"
de Crepax... E, claro, volumes das obras completas de
Freud. André continua batendo as teclas da máquina,
exausto, depois de mais uma noite virada trabalhando.
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ANDRÉ - ... Nessa parte da história estou
escrevendo minha tese de doutorado em
Psicologia sobre a famosa pergunta que Freud
fez e jamais conseguiu responder:
"Afinal, o que querem as mulheres?".
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E E SOL
André abandona o conforto dos tratados
psicanalíticos nas suas estantes e parte para a
pesquisa no mundo real. Num salão de beleza, ao lado
de mulheres de diferentes idades e tamanhos sentadas
nas poltronas - algumas fazem as unhas, outras estão
com a cabeça embaixo de enormes secadores -, André, o
estranho no ninho feminino, lê uma revista feminina.
Como se ouvissem a pergunta de André, duas mulheres
retrucam. Elas também seguram revistas femininas e
leem fragmentos dos seus índices, apontando com os
dedos o que mais lhes interessa.
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MULHER 1 - (para Mulher 2) Seja amada por seu homem e
desejada por todos. Consulte o baralho cigano. Elimine
os pneuzinhos. Seja jovem e linda daqui a 20 anos!
MULHER 2 - (assertindo com a cabeça) Ah...! Coloque a
carreira em primeiro lugar. Livre-se do estresse dos
homens. Seja bem-sucedida: conheça o prazer solitário!
Num spa, um grupo de mulheres nuas está
mergulhado num fumegante ofurô cheio de espuma.
A mais jovem e bonita delas continua uma conversa.
CLING! De volta ao apartamento, André segue
escrevendo sob a luz de uma luminária ainda acesa e o
sol que começa a atravessar a sala. Em ritmo alucinado,
ele acerta as teclas de uma máquina de escrever e faz o
carro da máquina correr - cling!
MULHER JOVEM - (plácida, feliz, "Poliana") Nasci
para ser dona de casa. Adoooooooro a ideia de abrir
mão de cuidar de mim mesma para cuidar do maridão!
Do meio do ofurô surge um intruso
André, de snorkel e máscara de mergulho,
que emerge como um periscópio, sem ar,
assustando as mulheres, que gritam numa
mistura de terror e êxtase.
ANDRÉ - ... Afinal, o que querem as mulheres? Talvez
seja mais fácil colonizar Urano...
Numa sala da Universidade, vemos a Dra. Noemi belíssima, seios fartos, decote sob o jaleco branco,
óculos e coque - caminhar de um lado para o outro sobre
um pequeno palco.
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Em casa, André segue escrevendo. Vemos, ao lado
da mesa, uma enorme pilha de papel rascunho.
Ele se levanta, arrancando o papel da máquina
de escrever. Estende a folha à sua frente e lê
o que escreveu.
DRA. NOEMI - (com ar militar) A ideia de que somos
oprimidas pelos homens é uma fantasia ultrapassada.
A mulher é o sexo dominante! E o homem é um parasita
que se apegou a nós como aqueles peixinhos que ficam
sob as barbatanas dos tubarões...
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ANDRÉ - ... Desde a Antiguidade, o feminino sempre
foi visto com uma mistura de fascínio e medo...
André olha para uma esfinge que tem sobre a mesa.
ANDRÉ - "DECIFRA-ME OU DEVORO-TE"
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Na rua, André se aproxima do balcão do Café La Marquise.
Três mulheres trabalham aqui: uma jovem negra tira o café,
outra loira lava a louça e a terceira, uma senhora ruiva,
está no caixa. André abaixa a cabeça e chama a primeira.
ANDRÉ - Por favor, senhorita, um café e uma água...
GARÇONETE NEGRA - (para garçonete loira) Tira um
café, por favor?
Ela se abaixa graciosamente, pega uma água
e bota no balcão.
ANDRÉ - Senhorita... Eu poderia te fazer uma pergunta?
É coisa muito rápida... Pode ser?
GARÇONETE NEGRA - (hesitante) Tá...
André prepara seu gravador de rolo sobre
o balcão e estende o microfone.
ANDRÉ - O que querem as mulheres?
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GARÇONETE NEGRA - Como assim?
ANDRÉ - O que vocês, as mulheres, querem?
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/// A PERGUNTA?
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GARÇONETE LOIRA
Muito complicado!
- (servindo o café) Ah, meu filho...
ANDRÉ - É pra dizer a primeira coisa que vier à cabeça.
A garçonete ruiva, mais velha de todas, subitamente se
intromete na conversa.
GARÇONETE RUIVA - Ser viúva...! Eu quero um homem com
quem eu me case e que depois morra. Meu sonho é ser viúva.
É tão bonito...
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GARÇONETE LOIRA - Tá gravando? Ó, eu quero
um homem que me banque. Já tô por aqui de sair com
mendigo, só tem maloqueiro por aí. (para a garçonete
negra) E você, bonitinha, tem que se ligar nos
detalhes, hein? No relógio, na marca da camisa, no
chaveiro do carro... O lance são os funcionários
públicos, minha filha, estatais, globais... Tá
gravando mesmo? (aproxima-se do microfone) Ó, é a
Sônia, hein? 9394-7472!
ANDRÉ - (para a garçonete negra) E você?
GARÇONETE NEGRA - Olha... Eu quero um homem que
me entenda e me explique. E que me faça esquecer dos
outros homens. E que daqui a pouco me ajude a esquecer
dele também...
ANDRÉ - (aturdido) O homem biodegradável...?
GARÇONETE NEGRA - Acho que é isso... Você vai
querer mais alguma coisa?
ANDRÉ - (desligando o gravador) É...
GARÇONETE LOIRA - Ih... Olha o cara... Tá perdido ou
tá apaixonado...?
GARÇONETE RUIVA - Dá no mesmo!
André vira o café rapidamente, deixa uma moeda no
balcão e sai correndo, em fuga.
ANDRÉ - Obrigado, senhoritas...
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André chega a seu apartamento depois de um dia de
trabalho. Ele deixa as fitas na mesa e liga o gravador
de rolo para transcrever as entrevistas.
ANDRÉ - Há milênios os homens dedicam-se a
inventar a mulher. Das nossas criações que desejam
o eterno, essa é a mais poderosa - e arriscada...
Soam trovões. André se assusta. Nesse instante, desaba
sobre Copacabana uma chuva de verão. O vento faz com
que uma das folhas de rascunho voe pela janela aberta.
A folha descreve um elíptico caminho até colar-se ao
rosto de uma bela mulher que caminha apressadamente,
fugindo do temporal. É Lívia que, depois do susto,
descola a folha do rosto, como se já soubesse do que se
tratava, e entra na portaria do prédio.
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ANDRÉ
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(OFF) - ... Inventar a mulher... Talvez essa seja
a única forma de conhecê-la por baixo da superfície
dos seus gestos e palavras...
Em casa, André continua de pé, impaciente, caminhando
de um lado para o outro, relendo o que escreveu. Lívia
abre a porta sem que André a ouça, mergulhado em seus
pensamentos. Sem falar nada, ela o olha com ternura e
cola a folha úmida de papel no vidro da janela.
ANDRÉ - ... E essa invenção sempre começa com uma
história de amor.
FLASHBACK 1. Cinco anos antes, Lívia é
a última da fila, que avança pela calçada
do Cinema Roxy, em Copacabana. Um menino
anda pela rua vendendo chicletes e para
na esquina, longe do final da fila. Lívia
estica o pescoço - ela quer comprar um
chiclete. Um distraído André dobra a
esquina e fica atrás de Lívia, no último
lugar da fila. Esse é um balé de movimentos
banais que unirá o destino dos dois.
LÍVIA - Você pode guardar o meu lugar? Vou ali
comprar um chiclete.
ANDRÉ - Qual você quer?
LÍVIA - (surpresa) É... Aquele verde... Lisinho... De
hortelã... Com embalagem prateada... Amarelo por fora...
CORTE DESCONTÍNUO PARA
As mãos de Lívia recebendo um monte de chicletes de
todos os sabores. André repara que as mãos de Lívia
estão sujas de tinta.
ANDRÉ - (apontando os dedos dela) Suas mãos são
lindas... Tutti-frutti?
FLASHBACK 2. André sobe correndo as escadas do
palácio no Parque Lage. Quando chega ao jardim
interno, vê um grupo de estudantes de pintura. Lívia
faz parte do grupo. Ao centro, vemos uma modelo-vivo
que posa para os estudantes - alguns a desenham,
outros a esculpem em argila.
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André encosta numa pilastra e observa Lívia em
silêncio. Quando ele tenta se aproximar pelo corredor,
para ter um ponto de vista melhor, derruba um
cavalete, que derruba outros, causando verdadeiro
desastre. Um professor vem pelo corredor.
PROFESSOR - (histérico) Você deveria fazer balé
para ter maior noção de espaço! O que o senhor está
procurando aqui?
ANDRÉ - As minhas sapatilhas...?
O professor se enfurece. Lívia se adianta, divertida,
segurando a mão de André.
LÍVIA - Você está salvo!
Os dois descem a escada correndo. Riem como duas
crianças.
FLASHBACK 3. André e Lívia caminham pela
cidade vazia de madrugada, iluminados pela luz da
lua, vigiados por umas poucas janelas acesas no
topo dos prédios.
LÍVIA - Você já parou para pensar no que acontece nas
janelas acesas de madrugada? Eu penso nisso
desde criança...
ANDRÉ - Eu prefiro imaginar o que acontece nas
janelas apagadas... Tá vendo? São milhões que dormem
flutuando sobre as nossas cabeças...
LÍVIA - Com o que será que eles sonham?
ANDRÉ - Eles? Eles sonham com nós dois.
(grita, com as mãos na boca, para as janelas)
Nós somos o sonho dos que agora dormem!
LÍVIA - Shhh...!
Lívia abraça André, interrompendo sua fala com um
beijo - o primeiro deles.
FLASHBACK 4. Vemos aqui a versão de solteiro do
apartamento de André. Lívia passeia com os dedos pelos
álbuns em vinil de André. Ela escolhe um disco
e o retira da estante.
LÍVIA - Nossa... Você tem isso aqui?
André liga a vitrola e faz o disco girar. A agulha
chia contra a superfície do vinil e... Música.
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Lívia e André se amam.
ANDRÉ - Adoro essa música.
FIM DO PRIMEIRO BLOCO***
SEGUNDO BLOCO***
Amanhece em Copacabana. São poucos os que veem o dia
surgir, vermelho. Garis e entregadores de jornais
inauguram calçadas, senhoras levam suas cachorrinhas
para passear, idosos atléticos marcham pelo calçadão.
Em casa, André está na sala trabalhando depois de
outra noite insone. Transcreve uma fita do gravador.
Ele aperta play e surge uma voz de mulher.
VENDEDORA (OFF) - Vocês são mesmo uns bobos...
No balcão de uma sex shop, uma vendedora muito jovem
masca chiclete com os cotovelos apoiados no balcão.
Nas prateleiras há uma infinidade de acessórios, além
de fantasias e lingerie.
VENDEDORA (OFF) - O homem perde tempo insistindo
em ver cada uma de nós como a vagabunda, o anjo, a
companheira, o diabo, a popozuda, a santinha... Por
que exige de nós todos os papéis, menos o de mulher?
Por que não descobre, depois de tanto tempo, que
somos simplesmente seres humanos carregados de
eletricidade feminina?
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ADORO EDO PRIMEIRO
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Lívia surge na sala do apartamento, recém-desperta,
e desliga o gravador, interrompendo a fala da
vendedora. Vemos melhor agora o amplo e iluminado
apartamento onde vivem os dois há cinco anos, com
livros e pincéis empilhados por toda a parte e
quase nenhum lugar para sentar.
LÍVIA - Essa tese está te enlouquecendo, meu amor,
você parece...
ANDRÉ - (cortando, agressivo) Lívia, o que é que
você quer?
LÍVIA - O que eu quero, André...?
ANDRÉ - Não sei você, mas eu preciso trabalhar. E
você precisa pintar, não é isso?
LÍVIA - Ontem me ligaram de São Paulo confirmando
a exposição, pensei em te contar... Mas achei melhor
não perder meu tempo.
ANDRÉ - (distraído com suas anotações) Ah, é?
Perder seu tempo?
Lívia, irritada, puxa André pelo braço até um de seus
quadros. Em todos, a imagem de um homem e uma mulher se
desfaz em meio aos borrões de tinta. Lívia mostra uma
tela rasgada ao meio. Um enorme vão separa as figuras.
LÍVIA - Depois de ter trabalhado quase um mês
nesse quadro... Peguei uma faca e rasguei. (mostrando
o rasgo) Comecei a imaginar o que poderia ser visto
por trás deles dois. E não tem nada...
ANDRÉ - Agora não dá, Lívia. (aponta para a mesa)
Eu preciso terminar isso aqui...
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LÍVIA - Eu não vou conseguir...
ANDRÉ - Você não me ama mais?
LÍVIA - Tá vendo? Eu preciso de ar, vou
dar uma volta...!
Lívia se atrapalha para amarrar os sapatos
com pressa. André a olha, parado de pé.
LÍVIA - Você é patético.
Sai batendo a porta. A folha de papel,
antes colada no vidro da janela, agora seca,
descola-se e vai até o chão. André está só.
Correndo pelos corredores da universidade, um
esbaforido André com seu gravador a tiracolo
chega ao consultório do Dr. Klein. A recepção
é minúscula e austera. Há uma pequena mesa e,
por trás dela, uma bela secretária.
SECRETÁRIA - Quem devo anunciar?
ANDRÉ - O Dr. Freud é meu orientador...
SECRETÁRIA - (interrompendo) Quem?!
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ANDRÉ - Dr. Freud! Quer dizer, o Dr. Klein...
Me desculpa, eu me chamo André e estou fazendo
uma tese sobre...
grande estante na parede oposta ao divã guarda
centenas de livros. Na cabeceira do divã há uma
poltrona, onde está sentado o Dr. Klein.
SECRETÁRIA - (continua a frase de André,
sabichona) ... "Afinal, o que querem as mulheres..."
Tô sabendo...
Como a realidade de André está alterada,
o doutor é visto por ele como o próprio
Dr. Freud. E é o Dr. Freud que senta-se numa cadeira
ao lado da cabeceira do divã onde André está deitado.
André liga o gravador e estende o microfone
para a secretária.
DR. FREUD - (acendendo um charuto) Então,
Senhor André, o senhor pode me dizer em que
direção está indo o trem?
ANDRÉ - Sabe?
SECRETÁRIA - (orgástica, pegando o
microfone) Olha, o que eu queria mesmo, no
fundo... (cochicha) Era todos os dias, três
vezes por dia, quatro, cinco... Eu até já busquei
tratamentos com o doutor pra esse meu apetite
insaciável, mas...
O Dr. Klein surge à porta e pigarreia
ruidosamente, interrompendo o depoimento
da secretária.
DR. KLEIN - André, você pode entrar agora.
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André entra na sala do Dr. Klein. Aqui, o clima
é totalmente diferente, como se estivéssemos
numa cápsula do tempo. Há um divã com almofadas
sobre um espesso e bordado tapete oriental.
Na escrivaninha, em prateleiras e em pequenas
mesas, há uma enorme coleção de antiguidades:
deuses egípcios, bustos romanos e gregos,
desenhos de centauros, reproduções da esfinge,
vasos, estatuetas chinesas e indígenas. Uma
ANDRÉ - O trem... Que trem?
DR. FREUD - André, não é possível! Quanto tempo
mais para responder essa pergunta?
ANDRÉ - Mas, doutor, o senhor demorou a vida
inteira e não conseguiu responder...
DR. FREUD - (bufa e dá uma longa baforada)...
ANDRÉ - (falando sozinho) Eu não estou
conseguindo escrever... E a minha pesquisa está me
afastando da minha mulher.
Dr. FREUD - Platão disse que um homem sem amor
é como uma criatura que tem a metade dos membros.
Eu acrescentaria que um homem apaixonado como
você tem os membros duplicados. Veja só: para cada
dupla de pernas e braços, outra imaginária!
ANDRÉ - (olha para para sua sombra na parede
cheia de braços e mãos extras) Como um homempolvo... O amor é uma monstruosidade...!
DR. FREUD - (traga o charuto) É claro que o
homem-polvo acaba por tropeçar nas suas pernas
multiplicadas... Onde eu estava com a cabeça
quando te aceitei como meu aluno? Não pode haver
pior cientista do que um homem apaixonado...
André chega a seu apartamento e percebe que
as coisas de Lívia não estão mais lá. Dos seus
quadros, restam somente as marcas na parede.
Imediatamente, André dá meia-volta e bate a porta
do apartamento. Decidido, caminha até o elevador.
ANDRÉ - Qualquer coisa! Eu faço qualquer coisa
para reconquistar essa mulher....
O elevador chega ao térreo. André abre a porta e
sai em disparada.
ANDRÉ - ... Eu vou até o fim. Até o fim do mundo...
E eu vou pra lá agora!
Em outro corredor, a alguns quarteirões dali,
André faz soar uma campainha. A porta se abre estamos na antessala do palácio de Jocasta. Quem
surge num abraço é Celeste, a mãe do nosso herói.
MÃE - Meu filho!
ANDRÉ - Mamãe...
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Beijam-se. André entra. A mãe terá encarnações
diferentes cada vez que aparecer, ainda que
interpretada pela mesma atriz. Dessa vez, é
típica mãe judia e atenciosa, numa casa cheia de
bibelôs e delicadezas.
MÃE - Você quer um cafezinho? Acabei de passar.
ANDRÉ - Duplo... Triplo. Com chumbinho...
Na sala há uma luneta, e através dela André olha para o céu.
MÃE - Está vendo alguma coisa aí?
ANDRÉ - Eu tô sempre quase vendo alguma coisa, mãe. Mas
não. Hoje, não. Hoje eu estou cego...
MÃE - Quando você era criança, uma vez me perguntou,
olhando o telescópio...
FLASHBACK 5. Vemos aqui o mesmo apartamento, com quase
os mesmos móveis, há cerca de 25 anos.
ANDRÉ CRIANÇA - Por que a noite é tão escura, mãe?
MÃE - O céu não brilha dia e noite porque a luz
das estrelas mais distantes não teve tempo de chegar
até a Terra...
ANDRÉ CRIANÇA - É...? Por quê?
MÃE - Meu filho... (pausa) Só existe o que você pode ver.
ANDRÉ CRIANÇA - E onde está o meu pai agora?
Na piscina do Copacabana Palace, uma Miss Brasil,
paramentada com faixa e coroa, ergue-se de uma
espreguiçadeira. Fala com ar inicialmente radiante,
depois melancólico. À sua frente, um aborrecido André
lhe estende um gravador.
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MISS BRASIL - Marido?
Proposta de casamento... Só esse
ano recebi três! Mas nem sei por
que eles me pedem, já que não me
conhecem. No fundo ninguém me conhece. Podem olhar
tudo, e olham mesmo, mas eu não sou a miss. Eu sou uma
outra... Uma outra que ninguém nunca vai conhecer...
Num boteco barulhento, André entorna chopes com os
amigos Miguel, Zing e Laura. Nas prateleiras há uma
infinidade de garrafas e, abaixo, uma grande estufa com
cabritos, abacaxis, cachos de banana e latas de azeite.
No alto de tudo, em destaque entre galhos de arruda, há
um pequeno altar com um relógio e um santo de porcelana
- que vigia a todos, já bêbados nessa madrugada.
MIGUEL - Não tinha uma pergunta mais fácil não,
André?
LAURA - Por exemplo...
ZING - Se existe vida em outros planetas? Se existe
vida após a morte?
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ANDRÉ - (com o olhar perdido) Se existe vida após a Lívia...
LAURA - Lívia, André?
ANDRÉ - Dr. Freud! Você conhece algum casal feliz?
DR. FREUD - André, lembre-se da sacerdotisa grega:
"O amor não é um deus, mas um grande demônio...".
Todos riem de André.
LAURA - Tá falando sozinho, André?
GARÇOM - Freud explica...!
André entra em casa, amparado pelo Dr. Freud como um
ferido de guerra. Cai vestido na cama vazia e dorme.
André abre os olhos abruptamente - acorda para
dentro do sonho, no qual está numa cabine escura.
Ele coloca uma moeda num buraco e a sala iluminase. Ele pode ver, por trás de vidros espelhados, uma
dançarina se contorcendo seminua na plataforma
giratória sob luzes piscando. Ela se despe da roupa
de estudante colegial. André está numa das cabines,
por trás de um espelho de uma face só. Ele pega um
interfone da cabine.
ANDRÉ - Alô? Alô? Quem é você?
MIGUEL - Esquece um pouco isso, cara... Ô, garçom!
Ao lado, surge o garçom com uma bandeja de chopes,
rapidamente transformado em Dr. Freud com seu
indefectível charuto.
Quando a dançarina mostra os peitos e o rosto,
André percebe que Ela tem o rosto do Dr. Freud.
Ela é o Dr. Freud num corpo feminino jovem e sexy.
Ela se aproxima do vidro e dá uma baforada do
charuto que carrega.
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LÍVIA - Eu te amo, André.
DR. FREUD - O que querem os homens, meu filho?
André acorda em pânico.
FIM DO SEGUNDO BLOCO***
TERCEIRO BLOCO***
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André, recém-desperto de seu tenebroso pesadelo, se
serve de café com gim na cozinha e volta a escrever
febrilmente sua tese.
Na porta do aeroporto, Jonas, marchand amigo de Lívia,
desembarca os quadros dela de um pequeno furgão, com a
ajuda de dois funcionários. Eles entram no aeroporto.
Em casa, André está sendo vencido pela mistura de sono e
álcool. Mesmo assim ele parece emocionado por ter chegado
a um ponto especial do texto. O sol entra rasgando a sala
do apartamento vazio. André olha, sobre a mesa, uma pilha
de folhas escritas. André pega uma delas e lê:
ANDRÉ - O amor... O amor é o fascínio recíproco de duas
pessoas por aquilo que elas têm de mais secreto.
O sol continua arranhando seus olhos. André alcança os
óculos escuros de Lívia e vai até a janela, de onde avista
um avião cruzando o amanhecer amarelado.
As janelas dos prédios do outro lado da rua espelham
fragmentos dourados. André sorri com um dos cantos da
boca, enquanto fica olhando seu mundo despertar.
Flashback 6. 6:15 da manhã. André olha para a janela à
sua frente e se lembra de um outro amanhecer onde ele e
Lívia se amaram apoiados na mesma janela.
Quando o relógio marca 7:59, André, ainda com os
olhos metidos dentro dos óculos escuros, desliga o
despertador.
Na primeira fila do auditório da universidade estão
a mãe, Dr. Klein e os amigos de André: Miguel, Zing,
Laura - que se preocupam em arranjar um pouco de
café forte para estancar a ressaca do amigo. André
está sentado no fundo do palco, exaurido. No palco,
por trás de um púlpito e um microfone prateado, um
senhor toma a palavra. (Durante a cena, ouve-se um
sinal telefônico de espera.)
APRESENTADOR - Senhoras e senhores presentes ao
45o Congresso Nacional de Psicanálise, boa tarde. Nós
temos a honra de anunciar a tese vencedora do prêmio
de melhor contribuição científica... "Afinal, o que
querem as mulheres?", de André Newmann.
Aplausos. André reage incrédulo.
O sinal telefônico continua. Numa galeria de arte, é
Lívia que tenta telefonar para André. Ao fundo, seus
quadros estão sendo desembalados e presos na parede.
André sobe ao púlpito do auditório. Seus olhos estão
vermelhos e seu aspecto é de quem bebeu muito e dormiu
pouco. Tem um calhamaço debaixo do braço. André,
perdido, dá dois tapinhas no microfone, mas, logo
em seguida, para estranhamento da plateia, fecha os
olhos como se adormecesse por alguns segundos. Ainda
com os olhos fechados, uma longa inspiração o traz de
volta ao salão. Depois de uma pausa, diz:
ANDRÉ - ... O glamour sexual da mulher vem
deslumbrando - e destruindo - homens desde Dalila
e Helena de Troia. Porque deslumbrar, no limite, é
impedir de ver... Ainda assim, deslumbrados, cegos pela
sua luz, tentamos alcançá-las - e entendê-las. Tudo o
que fazemos é para ser amados.
De início, a plateia reage com estranhamento, sem
entender exatamente o que se passa, mas André, sem
ligar a mínima, segue falando à sua maneira.
Na galeria de arte, Lívia segue ao telefone,
angustiada. Jonas se aproxima.
JONAS - Lívia, eles estão querendo saber onde colocam
aquele tríptico do casal...
No apartamento de André,
vemos que seu celular
esquecido vibra sobre a mesa
até cair no chão e quebrar.
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Lívia desliga o telefone e olha para o quadro que está
sendo carregado pelos funcionários do museu.
LIVIA - Não acredito... Ele desligou...
De volta ao auditório, André segue com seu discurso.
A câmera passeia pelos rostos, agora interessados,
ávidos, atentos, do público.
ANDRÉ - ... Posso, contudo, expressar a esperança
de que tenha contribuído para o progresso do
conhecimento. Muito obrigado.
Quando André terminar sua leitura, o auditório
estará lotado de mulheres lindíssimas - que o
aplaudirão com euforia.
Com a galeria cheia de jornalistas, fotógrafos e
personalidades do meio artístico, Lívia é o centro dos
flashes. Ao fundo, vemos seu amigo Jonas.
A Livraria da Travessa está lotada para a noite
de autógrafos de André. Ele autografa seu livrotese para uma pequena multidão de curiosos, fãs,
professores e celebridades ao seu redor. Entre a
multidão ávida para receber um autógrafo está
Tatiana, a mulher mais bonita da livraria, do bairro e
da galáxia. Ela, ninfeta de 17 anos, toca os ombros de
André por trás.
TATIANA - (baixo, com sotaque) André... Eu esperei
muito por esse encontro. O livro do senhor... É como
se o senhor tivesse me revelado para mim mesma...
Me desculpe falar assim sem que tenhamos sido
apresentados anteriormente, mas eu não poderia
deixar de vir aqui e conhecê-lo.
ANDRÉ - Como você se chama?
TATIANA - Tatiana.
ANDRÉ - (oferece a mão para ela) Tatiana?
TATIANA - (cumprimentam-se, ele tenta tirar a mão,
mas ela é firme e sorridente) Tatiana Dovichenko.
Tatiana não larga a mão de André.
Mais tarde, no Restaurante Cipriani, Tatiana e André
jantam à luz de velas em clima romântico. De luvas,
os garçons os servem à francesa. Ela, em
deslumbramento eufórico enquanto André
parece estar em outra sintonia.
Na tarde iluminada de um outro dia, André e
Tatiana passeiam no pedalinho da Lagoa em
forma de cisne.
TATIANA - A sua maneira de pensar,
André... Você é o homem mais incrível que
eu já conheci...
TATIANA - Sabe o que quer dizer Tatiana em russo?
ANDRÉ - Isso porque você nunca me viu
tocando repinique...
TATIANA - E o seu humor, André... Eu poderia
passar o resto da vida só te ouvindo falar...
ANDRÉ - Eu já te contei do dia em que
eu tive que renovar a minha carteira de
motorista no Detran?
TATIANA - Eu tô apaixonada, André.
ANDRÉ - ... E a fila estava enorme,
serpenteava por três quarteirões... O quê?!?
TATIANA - É isso. Eu sou apaixonada
por você.
ANDRÉ - É... Mas calma, vamos devagar...
Você é tão bonita e inteligente e tem a vida
toda pra viver. Além do mais, tenho que te
confessar uma coisa... Ainda gosto da minha
ex-mulher... Você não a conhece ainda, mas
você vai adorar ela... Eu até vejo vocês duas
juntas indo ao museu. A Lív...
Tatiana interrompe o discurso de André
com um beijo.
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ANDRÉ - Não. O quê?
TATIANA - Quer dizer "do papai"...
ANDRÉ - (ri, assoviando uma polca) Que
interessante...!
Que maravilha. Que estupendo. Fenomenal! André
pedala aceleradamente rumo ao centro da Lagoa.
Já em casa, André lê um livro deitado na cama.
Tatiana aproxima-se seminua e provocante. Ela
sopra a sua boca e lhe dá um beijo. Depois, pula
da cama e coloca um disco numa pequena vitrola. A
agulha chia contra a superfície do vinil e... Música.
ANDRÉ - Adoro essa música...
Tatiana mergulha sobre André. ELES não se amam mas fazem sexo.
André e Tatiana estão há dias no bagunçado
apartamento de André, jogados na cama como dois
adolescentes. Ao redor da cama, embalagens de comida
chinesa, discos, roupas jogadas ao chão.
TATIANA - (pegando nas costas de André)
Você quer uma massagem? Suas costas estão
tão duras...
Na mesma livraria onde lançou seu livro, vemos
André, de óculos escuros, procurando guias de
viagem sobre a Rússia.
ANDRÉ - Ai, ai... Tá doendo... Eu vou ficar
torto com essa sua massagem soviética.
Não sei por que você não quer entender isso...
Eu sou um senil...!
ANDRÉ - (procurando, falando baixinho)
Krasnekut... Krasneshhkut...
TATIANA - Olha, o sr. Senil tá querendo
elogios! Como é que vocês dizem? Confete...?
André esbarra numa pessoa que, por acaso, tem
seu livro na mão. O livro cai e ele se abaixa
para pegá-lo. Quando vai entregá-lo, vê que a
pessoa é uma mulher: Lívia.
ANDRÉ - (coloca o lençol nas costas e a cobre,
brincando, caindo sobre Tatiana) O velhinho
agora quer se esconder numa caverna na Sibéria!
FIM DO PRIMEIRO CAPÍTULO
TATIANA - A gente bem que podia acampar
aqui e não sair nunca mais!
ANDRÉ - Não, tá demais... Esse quarto
tem muito mosquito, e os animais silvestres
à noite...
TATIANA - (saindo de baixo do lençol) Mas,
sério! Por que não acampamos juntos, de verdade?
Vamos fazer uma viagem... Quem sabe acampar na
aldeia em que Pushkin nasceu... Krasnekut!!!
ANDRÉ - Você está louca? Eu nunca acampei na
vida! Por que você não entra para a associação
dos escoteiros russos...? São tão jovens e
acampam maravilhosamente bem...
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FIM
O
R
I
E
M
I
R
P
O
D
O
L
U
T
Í
CAP
AFINAL,
O QUE QUEREM
AS MULHERES?
DIREÇÃO
Luiz Fernando
Carvalho
ESCRITO POR
João Paulo Cuenca
COAUTORES
Cecília Giannetti
Michel Melamed
TEXTO FINAL
Luiz Fernando
Carvalho
ELENCO:
Michel Melamed
Paola Oliveira
Vera Fischer
Letícia Spiller
Maria Fernanda
Cândido
Dan Stulbach
Osmar Prado
APRESENTANDO
Bruna Linzmeyer
Com
Alessandra Colasanti
Alexandre Schumacher
Ana Kariny Gurgel
Antonio Karnewale
Bruna Spínola
Daniel Gaggini
Elizabeth Perfoll
Fernanda Félix
Giselle Ingrid
Halyne Oliveira
Leticia Isnard
Luciana Pacheco
Millene Ramalho
Rodrigo Pandolfo
Selma Lopes
Shirley Cruz
Suzanna Kruger
Tatiana Monteiro
ATRIZES
CONVIDADAS
Eliane Giardini
Lavinia Vlasak
Tamara Taxman
ATRIZ ESPECIALMENTE
CONVIDADA
Letícia Sabatella
ATOR
ESPECIALMENTE
CONVIDADO
Rodrigo Santoro
EQUIPE:
DIREÇÃO DE
FOTOGRAFIA
Adrian Teijido
PARTICIPAÇÃO
ESPECIAL
Carlos Manga e
Tarcisio Meira
como Romeu
GAFFER
Warley Miqueias
AS CRIANÇAS
Douglas Ivan
Gabriela Carius
Isabely Rougemont
Maria Alice Martins
Maria Clara Tavares
ELENCO
DE APOIO
Pamella Vidal
Ana Claudia Guerra
Fernanda Lessa
Ivy Souza
Karine Camargo
PARTICIPAÇÕES
Affonso Romano
de Sant’Anna
Anna Cristina
Campagnolli
Arnaldo Marques
Cassio Pandolfi
Cecilia Lage
Claudia Paiva
Cleiton Echeveste
David Hermann
Derio Chagas
Edi Raffa
Eduardo Machado
Elaine Albano
Evandro Melo
Flavio Pardal
Graziela Alves
Ignacio Aldunate
Isabel Pinheiro
Jaqueline Sperandio
Johnson Teixeira
José Carlos Sanches
Leandro Castilho
Luis Washington
Maira Jung
Marcelo Trindade
Marcio Fonseca
Marcos Acher
Marina Colasanti
Mario Hermeto
Prazeres Barbosa
Xando Graça
EQUIPE DE
ILUMINAÇÃO
Paulo Roberto
Miranda Costa
Alexandre Vaz
Antônio Augusto Filho
Marcio Ribeiro
Diogo da Silva
Marques
Valdemir Pereira
da Silva
Rafael Lemos Martins
Marcelo Henrique
de Melo
Fabiano Siqueira
MAQUINISTA
Valdemir Cesar
Coelho
COLORISTA
Wagner Costa
FIGURINO
Beth Filipecki
CENOGRAFIA
João Irênio
PRODUÇÃO
DE ARTE
Lara Tausz
MÚSICA
Tim Rescala
Marcelo Camelo
EDIÇÃO
Marcio Hashimoto
EQUIPE
DE EDIÇÃO
Helena Chaves
Paulo Leite
CENÓGRAFOS
Isabela Urman
Claudiney Barino
CENÓGRAFOS
ASSISTENTES
Marcio Fontes
Wilson Neto
Marcia Bezerra
Debora Mesquita
FIGURINISTAS
ASSISTENTES
Patricia Barbeitas
Thanara Schönardie
Debora Badaue
Pitchu Santini
EQUIPE DE APOIO
AO FIGURINO
Eliane Mendes
Lia Marcia de Abreu
Edson Muniz
Luiz Gonzaga
Eni Santos
Elaine Louise
Jaqueline Brandão
Adriana Oliveira
Ana Claudia
Maria Sueli
Reinaldo Bianchini
Deivid Vieira
Marcelo Garcia
Alby Ramos
Maria Ivonice Dutra
Maria Iara Rodrigues
Maria das Graças Alves
Oldaísa Rosa de Souza
Helio Vasconcellos
José Cabral da Silva
William Sodré de Souza
PRODUÇÃO DE
ARTE ASSISTENTE
Bruna Nogueira
Mirella Fontes
Paula Scamparini
Ana Tatit
EQUIPE DE
APOIO À ARTE
Jorge Olímpio
Mauro Medeiros
Thiago Leal
PRODUÇÃO
DE ELENCO
Nelson Fonseca
GRUPO DE DANÇA
Karla Klemente
Nathalia Lima Verde
Livia Costa
Alcione Ramos Porto
Karla Tenorio
PREPARAÇÃO VOCAL
Agnes Moço
DIREÇÃO MUSICAL
Mariozinho Rocha
CARACTERIZAÇÃO
Rubens Libório
EQUIPE DE APOIO
À CARACTERIZAÇÃO
Marli Rodrigues
Ronaldo Fayal
Dell Cascardi
Marluci Silva
Monique Diogo
Jose Luiz Lourenzo
Claudia Nunes
SONOPLASTIA
Nelson Zeitoune
Irla Souza
Marco Salles
EFEITOS VISUAIS
Eduardo Halfen
Rafael Ambrosio
Diego Gabrig
ANIMAÇÃO
Cesar Coelho
Luciano do Amaral
Aída de Queiroz
Julia Cunha
VOZES DA ANIMAÇÃO
Osmar Prado
Othon Bastos
Roberto Bonfim
Evandro Melo
EFEITOS ESPECIAIS
Marcos Soares
ABERTURA
Hans Donner
Alexandre Pit
Alexandre Romano
CÂMERA
Murilo Azevedo
EQUIPE DE APOIO
A OP. DE CÂMERA
Silvio Jerônimo
Sérgio Fialho
EQUIPE DE VÍDEO
Manoel Tiburcio
EQUIPE DE ÁUDIO
Flavio Luiz Fernandes
Bernardo Duque Estrada
SUPERVISOR E
OP. SISTEMAS
Rodrigo Siervi
Dannyo Escobar
Eduardo Aster
Roberto Lucas
Marcelo Mello
Carlos Ferreira
PRODUTOR
DE CENOGRAFIA
Claudio Crespo
GERENTE
DE PROJETOS
Marco Antonio Tavares
SUPERVISOR DE
PRODUÇÃO DE
CENOGRAFIA
Ronaldo Buiu
Luclesio Gomes
EQUIPE DE
CENOTÉCNICA
Lucia Jardel
Josemar Delindo Farias
Daniel Eloy
Antonio Carlos Silva
Guilherme Gouveia
José Eudes
Vagner Gomes
Michelson Ronceti
Jeferson Lopes da Silva
CONTINUIDADE
Lucia Fernanda
ASSISTENTES
DE DIREÇÃO
Antônio Karnewale
Guilherme Maia
PRODUÇÃO
DE ENGENHARIA
Marcos Araujo
EQUIPE DE PRODUÇÃO
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Igor Belleza
Vanessa Marques
Renata França
Luis Jovita
COORDENAÇÃO
DE PRODUÇÃO
Raul Gama
Renato Azevedo
GERÊNCIA
DE PRODUÇÃO
Erika da Matta
MAKING OF
DIREÇÃO
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DIREÇÃO DE
FOTOGRAFIA
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ASSISTENTE
DE DIREÇÃO
Carla Madeira
CÂMERAS
Ricardo Joppert
Daniel Primo
Roberto Macedo
ROTEIRO E MONTAGEM
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MONTADOR ASSISTENTE
Arthur Frazão
ASSISTENTE DE
MONTAGEM
Sheyla Almeida
ENTREVISTAS E
PESQUISA
Camila Azevedo
ENTREVISTAS
ADICIONAIS
Juliana Saba
SONOPLASTIA
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EDIÇÃO DE SOM
Marco Hoffer
COLORISTA
Saulo Silva
FOTOS
Guilherme Maia
Leandro Pagliaro
NÚCLEO
Luiz Fernando
Carvalho
COORDENAÇÃO
EDITORIAL
Barba Negra
PRODUÇÃO EDITORIAL
Barba Negra e Leya
ILUSTRAÇÃO
Olaf Hajek
PREPARAÇÃO DE TEXTOS
Maria Clara Carneiro
Suria Scapin
DIREÇÃO DE ARTE
E DESIGN
Retina78
FOTOS
Leandro Pagliaro
exceto pg 02 e 05
Guilherme Maia
A editora agradece a
colaboração especial de
Edna Palatnik, Camila
Azevedo, Carla Madeira,
Mônica Albuquerque e
Raquel Brandão
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