A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL A PARTIR DO PONTO DE VISTA DOS USUÁRIOS DE TRÊS CRECHES NÃO-GOVERNAMENTAIS NO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL A PARTIR DO PONTO DE VISTA DOS USUÁRIOS DE TRÊS CRECHES NÃO-GOVERNAMENTAIS NO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA Natalia Batista Vasconcelos* RESUMO Este artigo analisa a importância da Educação Infantil a partir das concepções dos usuários de três creches não-governamentais localizadas nos bairros Custódio Pereira, Dom Almir e Morumbi, no município de Uberlândia. O presente trabalho tem por objetivo principal, analisar a qualidade e a importância dos serviços oferecidos, tendo como parâmetro a opinião dos usuários, ou seja, dos pais e/ou responsáveis pelas crianças que são atendidas nessas instituições de Educação Infantil que foram pesquisadas. Para obter os resultados que serão expostos foram entrevistados 70 (setenta) usuários das 225 (duzentos e vinte e cinco) famílias que são atendidas pelas três (03) entidades nãogovernamentais. Utilizou-se a metodologia de amostragem probabilística estratificada proporcional, cujo fator de estratificação foi o número de famílias atendidas pelas três instituições. PALAVRAS-CHAVES: Educação Infantil. Creches. Uberlândia. 1 INTRODUÇÃO A valorização e o sentimento atribuídos à infância nem sempre existiram da forma como hoje são concebidos e difundidos, tendo sido modificados a partir de mudanças econômicas e políticas da estrutura social. Ao longo dos séculos, e até bem poucos anos, as crianças eram consideradas seres de menor importância, sendo de aceitação comum na sociedade o abandono, a negligência, o sacrifício e a violência contra crianças, chegando ao filicídio declarado ou velado. A análise da Educação Infantil no Brasil tem início no período do Brasil escravista, quando a criança escrava (entre seis e doze anos) já começa a executar pequenas tarefas como auxiliares. A partir dos doze anos passa precocemente a ser tratada como adultas, tanto para o trabalho, como para a vida sexual. Já a criança branca, aos seis anos de idade, era iniciada nos primeiros estudos de língua, gramática, matemática e boas maneiras. As primeiras iniciativas voltadas à criança tiveram um caráter higienista, pois foram trabalhos realizados por médicos e damas beneficentes, e foram motivados pelo alto índice de * Assistente Social, Especializanda em Gestão e Políticas Públicas na Faculdade Católica de Uberlândia. Atualmente é Técnico Administrativo – Assistente Social, na Universidade Federal de Uberlândia/UFU, atuando na Divisão de Apoio ao Estudante, com as Políticas de Assistência Estudantil. Email: [email protected] Revista da Católica, Uberlândia, v. 1, n. 2, p. 240-249, 2009 – catolicaonline.com.br/revistadacatolica 240 A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL A PARTIR DO PONTO DE VISTA DOS USUÁRIOS DE TRÊS CRECHES NÃO-GOVERNAMENTAIS NO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA mortalidade infantil, que era atribuída aos nascimentos ilegítimos da união entre escravas e senhores e a falta de educação física, moral e intelectual das mães. Com o fim da escravidão e a Proclamação da República, a sociedade incorpora uma nova mentalidade, baseada em idéias capitalistas e urbano-industrial. Nesse período, o país era dominado pela intenção de determinados grupos em diminuir a apatia que dominava as esferas governamentais com relação aos problemas das crianças. No Brasil, o surgimento das creches foi um pouco diferente do restante do mundo. Enquanto nos outros Países a creche servia para as mulheres terem condições de trabalhar nas indústrias, no Brasil as creches populares destinavam-se a atender aos filhos das mães que trabalhavam na indústria, bem como aos filhos das empregadas domésticas. As creches populares existentes naquela época foram direcionadas ao atendimento de alimentação, higiene e segurança física, sendo chamadas de Casa dos Expostos ou Roda. A partir do século XIX (anos 30), com o surgimento do estado de bem-estar social e a aceleração dos processos de industrialização e urbanização, manifesta-se o elevado grau de nacionalização das políticas social, assim como a centralização do poder. A criança passa, então, a ser valorizada como um adulto em potencial, porém, ainda, sem vida social ativa. A partir dessa concepção surgiram vários órgãos de amparo assistencial e jurídico para a infância, como o Departamento Nacional da Criança, a FUNABEM, a Legião Brasileira de Assistência, o UNICEF, o Comitê Brasil da Organização Mundial de Educação Pré-Escolar, entre outros. Segundo afirmação de Kramer (1992, P.23): As aspirações educacionais aumentam à proporção em que ele acredita que a escolaridade poderá representar maiores ganhos [...] a educação tem um valor de investimento a médio ou longo prazo e o desenvolvimento da criança contribuirá futuramente para aumentar o capital familiar. Da década de 60 a meados de 70, do século XIX, tem-se um período de inovações de políticas sociais na área da Educação, Saúde, Assistência Social, Previdência, etc. Na Educação, o nível básico passa a ser obrigatório e gratuito. Ocorre a extensão obrigatória para oito anos desse nível, em 1971, sendo no mesmo ano, instaurada a lei 5692/71 que traz o princípio da municipalização do Ensino Fundamental. Contudo, na prática, muitos municípios carentes começaram esse processo sem ajuda do Estado e da União. Revista da Católica, Uberlândia, v. 1, n. 2, p. 240-249, 2009 – catolicaonline.com.br/revistadacatolica 241 241 A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL A PARTIR DO PONTO DE VISTA DOS USUÁRIOS DE TRÊS CRECHES NÃO-GOVERNAMENTAIS NO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA Em 1970, a crise mantida represada começa a extrapolar seus limites, como, por exemplo, é constatada uma crescente evasão escolar e repetência por parte de crianças das classes pobres no Primeiro Grau. Para fazer frente ao problema é instituída a Educação PréEscolar, denominada de Educação compensatória, para crianças de quatro a seis anos de idade com a finalidade de suprir as carências culturais que, segundo acreditavam, existia na educação familiar da classe operária. A própria coordenação de Educação Pré-Escolar do MEC sugeria, naquela ocasião, a opção por programas pré-escolares do tipo compensatório, que partem da idéia de que a família não conseguiria dotar as crianças das necessárias condições para o seu bom desempenho na escola. As crianças eram denominadas de “carentes” culturalmente, por não possuírem os requisitos necessários ao seu sucesso escolar, e que não eram transmitidos por seu meio social. Logo, a pré-escola, dentro dessa visão, serviria para antecipar estes problemas (carências culturais, nutricionais, afetivas), proporcionando a partir daí a igualdade de chances a todas as crianças, garantindo, assim, o seu bom desempenho escolar. Contudo, essas préescolas não possuíam um caráter formal, não havia contratação de Professores qualificados e remuneração digna para a construção de um trabalho pedagógico sério. A mão-de-obra, que constituía as pré-escolas, era formada por voluntários, que rapidamente desistiam desse trabalho. Nos anos 80, através de congressos, da ANPED (Associação Nacional de Pedagogia) e da Constituição Federal de 1988, que faz referências a direitos específicos das crianças, a Educação Pré-Escolar passou a ser vista como necessária e de direito de todos, além de ser dever do Estado, devendo ser integrada ao sistema de Ensino (tanto as creches como escolas). A partir daí, tanto a creche quanto a pré-escola foram incluídas na Política Educacional, seguindo uma concepção pedagógica, complementando a ação familiar, e não mais apenas uma ação assistencialista, passando então a criança a ser vista como um ser social, histórico, pertencente a uma determinada classe social e cultural, desmascarando a educação compensatória, que delegava às escolas a responsabilidade de resolver os problemas da miséria. Na década de 90 é que a Educação Brasileira vivencia o seu período de transformação com a promulgação da Lei n.º 9.394, de 20 de Dezembro de 1996, denominada Lei de Revista da Católica, Uberlândia, v. 1, n. 2, p. 240-249, 2009 – catolicaonline.com.br/revistadacatolica 242 242 A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL A PARTIR DO PONTO DE VISTA DOS USUÁRIOS DE TRÊS CRECHES NÃO-GOVERNAMENTAIS NO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Com a implantação da Década da Educação (art.87), o modelo educacional brasileiro foi modificado e estruturado para atender as novas exigências. Em Agosto de 1988 o Conselho Nacional de Educação (CNE), partindo da análise de que se fazia necessária à modificação da estrutura educacional, elaborou as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil, que orientam a organização das instituições que se dedicam ao atendimento de crianças dessa faixa etária. Essas diretrizes, de caráter mandatário, estabelecem novas exigências para as instituições de educação infantil, particularmente quanto às orientações curriculares e processos de elaboração de seus projetos pedagógicos. Estabelecem, entre outros, os princípios éticos, políticos e estéticos que devem fundamentar as propostas pedagógicas em Educação Infantil. Percebe-se que a Educação Brasileira, e principalmente a Educação Infantil é nova no Brasil, necessitando modificações. No entanto, se constata uma completa deficiência no sistema de Educação Infantil, e a predominância ainda, de instituições com caráter assistencialistas e compensatórios para a população de baixa renda. Para aumentar o seu aspecto negativo, as instituições são precárias e com uma demanda excedente devido à conjuntura socioeconômica vivenciada no país. Rara são as instituições governamentais ou não-governamentais que oferecem um serviço de qualidade à população menos favorecida. 2 CONHECENDO AS TRÊS CRECHES NÃO-GOVERNAMENTAIS Este projeto de pesquisa baseou suas análises em três creches não-governamentais do município de Uberlândia: Creche Educativa II Dom Almir, Creche Casa Maria de Nazaré e Creche Jardim da Criança. A Creche Educativa II, no Bairro Dom Almir, fundada no dia 02 de Setembro de 1996, situado na Rua da Consolação, n° 135, no Bairro Dom Almir, em prédio onde funcionava anteriormente uma escola foi cedido pela Prefeitura de Uberlândia à direção do LAR de Amparo e Promoção Humana para atender as solicitações das mães residentes no bairro. Revista da Católica, Uberlândia, v. 1, n. 2, p. 240-249, 2009 – catolicaonline.com.br/revistadacatolica 243 243 A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL A PARTIR DO PONTO DE VISTA DOS USUÁRIOS DE TRÊS CRECHES NÃO-GOVERNAMENTAIS NO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA Atende 951 crianças com idade de zero a seis anos no horário de 6h45min às 17h15min, de segunda a sexta-feira, prestando-lhes serviços que atendem as suas necessidades básicas, proporcionando-lhes um crescimento equilibrado, saudável e o seu desenvolvimento integral nos aspectos físico, psicológico, intelectual e social, estimulando a formação de hábitos e valores éticos e morais, complementando a ação da família e da comunidade, como parceiros ativos, visando estabelecer vínculos afetivos entre si. A instituição conta com 12 (doze) funcionários, sendo: a Coordenadora, as Auxiliares de creche, Auxiliar de Serviços Gerais e Cozinheira. Oferecem atividades dirigidas através de recreação livre, modelagem, atividades lúdicas que estimulam o desenvolvimento integral, além de atividades de higiene e independência. A seleção para ingressar na instituição é realizada de acordo com a disponibilidade de vagas, sendo prioridade para as famílias de baixa renda, e que tiverem os responsáveis trabalhando. Entretanto, se a família estiver em situação de extrema miséria tem prioridade na conquista da vaga, indiferente à existência ou não da mesma. A avaliação do desenvolvimento das crianças é realizada diariamente, de acordo com a análise das Auxiliares de creche, que registram suas observações em uma folha de avaliação. A creche Dom Almir faz parte do LAR de Amparo e Promoção Humana, que é uma instituição filantrópica, educativa e cultural sem fins lucrativos, fundada por João Bittar em 15 de Agosto de 1983, com sede na Rua do Cinegrafista, n.º 99 no Bairro Planalto, que oferece todos os seus serviços gratuitamente à população de baixa renda de Uberlândia e região, atendendo uma clientela diversificada de gestantes, crianças, adolescentes, jovens, adultos, portadores de deficiência e idosos, cuja missão é: Educar, apoiar e promover o desenvolvimento integral do ser humano, do útero materno à terceira idade, com vistas à superação de todo tipo de desigualdade social. A Creche Casa Maria de Nazaré no Bairro Custódio Pereira fundada em agosto de 1988, em terreno doado pela Prefeitura Municipal de Uberlândia, através da Lei municipal n.º 5.183/902. Situada na Rua Ângelo Zocoli, n.º 583, no Bairro Custódio Pereira, atende 120 crianças de um ano a seis anos, no horário de 07h30min às 17h30min, de segunda a sexta1 O número de crianças atendidas nas instituições foram obtidos em 2004, podendo ter sofrido alterações. A Lei municipal nº. 5183/90, de 27 de Novembro de 1990, estabelece os pré-requisitos para doação de imóveis e a liberação de subvenção a entidades do município de Uberlândia. 2 Revista da Católica, Uberlândia, v. 1, n. 2, p. 240-249, 2009 – catolicaonline.com.br/revistadacatolica 244 244 A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL A PARTIR DO PONTO DE VISTA DOS USUÁRIOS DE TRÊS CRECHES NÃO-GOVERNAMENTAIS NO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA feira, através de um trabalho pedagogicamente planejado e desenvolvido pela equipe de profissionais da creche, com o compromisso de promover o desenvolvimento e promoção da criança como um todo, criando oportunidade e as estimulando para o seu crescimento como cidadãos. A equipe é formada por 17 (dezessete) profissionais, constituída por Coordenadora, Pedagoga, Psicóloga, Educadoras, Auxiliares de Serviços Gerais e Cozinheiras, oferecendo atividades dirigidas de recreação livre, modelagem, atividades lúdicas e atividades de higiene e independência. A seleção para ingressar na instituição é realizada de acordo com a disponibilidade de vagas, sendo prioridade para as famílias de baixa renda, e que tiverem os responsáveis trabalhando, entretanto, se a família estiver em situação de extrema miséria, tem prioridade na conquista da vaga, indiferente à existência ou não de vagas. E a avaliação do desenvolvimento das crianças é realizada diariamente, de acordo com a análise das auxiliares de creche, que registram suas observações em uma folha de avaliação. A creche Casa Maria de Nazaré faz parte das obras sociais desenvolvida pela Casa Assistencial Espírita Eurípedes Barsanulfo que desenvolve suas atividades sociais em Uberlândia desde 1988, executando diversos projetos com as famílias carentes dos bairros Joana D’arc, Dom Almir e São Francisco, distribuindo sopas, enxoval para recém-nascidos e ministrando cursos de pintura, bordado, artesanato para adolescentes. A Creche Comunitária Jardim da Criança no Bairro Jardim Finotti foi fundada no dia 11 de Junho de 1988, em uma área urbana doada pela Prefeitura Municipal de Uberlândia, através da Lei municipal n.º 5.183/90. Situada na Avenida João Naves de Ávila, n.º 4155, no Bairro Jardim Finotti, atende 80 crianças de zero a seis anos, no horário de 07h às 17h30min, de segunda a sexta-feira. Tem como missão atender crianças na faixa etária de três meses a seis anos, em período integral, que ainda não freqüentam a escola ou os pais trabalham em período integral. A creche oferece atividades desenvolvidas em locais adequados em termos de higiene, bem como alimentação, cuidados/educação, recreação e segurança, buscando, assim, assegurar aos pais a tranqüilidade necessária para que os mesmos possam exercer suas atividades profissionais enquanto seus filhos estão sendo atendidos. Revista da Católica, Uberlândia, v. 1, n. 2, p. 240-249, 2009 – catolicaonline.com.br/revistadacatolica 245 245 A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL A PARTIR DO PONTO DE VISTA DOS USUÁRIOS DE TRÊS CRECHES NÃO-GOVERNAMENTAIS NO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA Conta com uma equipe formada por 14 (quatorze) profissionais sendo eles: Coordenadora, Educadoras, Auxiliares de Serviços Gerais e Cozinheiras e Vigias, que desenvolvem ações voltadas a famílias das crianças atendidas, através de reuniões formativas e informativas promovendo discussões e troca de experiências a respeito do desenvolvimento cognitivo, sensório-perceptivo, motor e social de seus filhos, além de palestras, distribuição de materiais de divulgação e atividades em grupo sobre noções de higiene ambiental, educação sexual, educação alimentar, violência doméstica, drogas e saúde. Dentre as principais atividades realizadas pela creche, destaca-se a implantação do projeto pedagógico e da pedagogia de projetos, que norteiam e instrumentalizam a creche com relação à sua importância enquanto espaço de educação infantil e facilitadora do desenvolvimento da primeira infância, compreendendo sua relevância no que se refere à qualidade do atendimento prestado às crianças dessa faixa etária e suas famílias. A seleção para ingressar na instituição, também, é realizada de acordo com a disponibilidade de vagas, sendo prioridade para as famílias de baixa renda, e que tiverem os responsáveis trabalhando, entretanto, se a família estiver em situação de extrema miséria, tem prioridade na conquista da vaga, indiferente à existência ou não de vagas. E a avaliação do desenvolvimento das crianças é realizada diariamente, de acordo com a análise das auxiliares de creche, que registram suas observações em uma folha de avaliação. A creche Jardim da Criança faz parte das obras sociais da Igreja Presbiteriana Unida, que é uma instituição religiosa, fundada oficialmente em Uberlândia no dia 31 de Outubro de 1984. Possui, atualmente, como órgãos internos, o Centro Comunitário da Igreja Presbiteriana Unida de Uberlândia (CCIPU) que administra a Creche Comunitária Jardim da Criança, que também é propriedade da Igreja, e reconhecida como de Utilidade Pública Municipal, Estadual e Federal. 3 AVALIAÇÃO DA POPULAÇÃO USUÁRIA DOS EQUIPAMENTOS SOCIAIS De acordo com o resultado obtido com a coleta de dados nas três instituições pesquisadas, ficou constatado que, os entrevistados ao serem questionados sobre os benefícios obtidos com a inserção do filho na creche, foram unânimes a afirmação de que ganharam mais Revista da Católica, Uberlândia, v. 1, n. 2, p. 240-249, 2009 – catolicaonline.com.br/revistadacatolica 246 246 A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL A PARTIR DO PONTO DE VISTA DOS USUÁRIOS DE TRÊS CRECHES NÃO-GOVERNAMENTAIS NO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA tranqüilidade para exercerem suas ocupações profissionais, pois confiam nas instituições, que lhes transmitem credibilidade, segurança e confiança. (Ver tabela 1 em anexo). Segundo a opinião sobre o atendimento das instituições, ficou constatado que quase a totalidade dos entrevistados afirmou que têm os seus interesses atendidos com os serviços prestados pelas instituições, o que confirma a importância da creche para as comunidades pesquisadas. (Ver tabela 2 em anexo). Infelizmente, esse resultado só vem a confirmar que, devido à situação econômica cada vez mais difícil, todos os membros da família têm que trabalhar inclusive a mãe, que já não mais pode exercer a maternidade, como suas avós puderam dedicar, revelando com isso uma mudança na sociedade capitalista. Por isso, a busca pela instituição vem atender os interesses da família, pois atualmente, as pessoas têm que se submeter às jornadas de trabalhos que se estendem por toda a semana, e não possuem disponibilidade de tempo para estarem dando a atenção de que a criança necessita. Com relação à opinião dos entrevistados sobre as atividades educativas desenvolvidas nas instituições, ficou evidenciado que a maioria considera que as atividades que as creches desenvolvem com as crianças contribuem para a educação das mesmas. Essa percepção da importância das atividades educativas para a educação da criança por parte dos pais é um fator que contribui significativamente para que os coordenadores continuem a adotar as medidas e determinações modernizadoras estipuladas pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura), através da Lei de Diretrizes e Bases – LDB, e das Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil, que foi definida pelo CNE (Conselho Nacional de Educação Infantil). Segundo o MEC, essas medidas têm como finalidade orientar a organização das instituições de Educação Infantil, estabelecendo novas exigências quanto às orientações curriculares e processos de elaboração de seus projetos pedagógicos. Apesar das muitas críticas a respeito dos serviços públicos, a opinião dos entrevistados foi favorável as atividades desenvolvidas pelas instituições pesquisadas. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Revista da Católica, Uberlândia, v. 1, n. 2, p. 240-249, 2009 – catolicaonline.com.br/revistadacatolica 247 247 A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL A PARTIR DO PONTO DE VISTA DOS USUÁRIOS DE TRÊS CRECHES NÃO-GOVERNAMENTAIS NO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA A Educação Infantil, atualmente, ainda carrega em si a dicotomia entre creche e préescola, pois a concepção vigente relaciona a pré-escola como instrumento de apoio ao ensino fundamental, enquanto a creche vincula-se à assistência, portanto, de ordem também familiar, induzindo à permanência do atendimento diferenciado. Hoje, as escolas infantis são vistas como uma complementação da ação da família, sendo as mesmas consideradas as realizadoras dos direitos das famílias, das mulheres e das próprias crianças, consideradas, portanto, como uma exigência da vida social. No decorrer desse estudo evidenciou-se que a situação econômica do país tem obrigado todos os membros da família a trabalhar, inclusive a mãe, que já não pode mais exercer a maternidade como suas avós. A situação é agravada pela diminuição da permanência do tempo livre dos pais junto aos filhos devido a diversos fatores, dentro os quais se destacam a distância entre os bairros periféricos e os prováveis postos de trabalhos. Apesar da pesquisa ter sido realizada em entidades de bairros periféricos da cidade de Uberlândia, o contexto econômico dos usuários das entidades de Educação Infantil não se diferencia dos demais, pois, devido à nova configuração econômica imposta à sociedade com a globalização e o sistema capitalista, em geral as famílias agregam às creches uma importância crucial para o desenvolvimento de suas atividades profissionais, pois com a confiança depositada nos profissionais que atuam na área, podem deixar seus filhos com tranqüilidade e segurança. REFERÊNCIAS BRASIL. CNE/CEB. Parecer 22/98 discute as diretrizes curriculares nacionais para educação infantil. Brasília, 17/12/98. _______. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado, 1988. Revista da Católica, Uberlândia, v. 1, n. 2, p. 240-249, 2009 – catolicaonline.com.br/revistadacatolica 248 248 A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL A PARTIR DO PONTO DE VISTA DOS USUÁRIOS DE TRÊS CRECHES NÃO-GOVERNAMENTAIS NO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA _______. Lei n.º 8.069, de 13 de Julho de 1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília. SEDH – DCA, 2002. _______. Lei n.º 9.394, de 20 de Dezembro de 1996 - Lei de Diretrizes e Bases. Brasília. MEC, 1996. KRAMER, Sonia. A política do pré-escolar no Brasil: a arte do disfarce. Rio de Janeiro, Achiamé, 1992. ANEXOS TAB. 1 Distribuição dos dados segundo os benefícios obtidos após o ingresso na instituição Benefício obtido fi % Tranqüilidade para trabalhar, pois sabe que seu filho é bem cuidado. 42 60 14 20 Tranqüilidade para trabalhar e qualidade na educação do seu filho 14 20 Total 70 100 Tranqüilidade para trabalhar, pois confiam na instituição, e mais tempo para outras atividades. TAB. 2. Distribuição dos dados segundo a opinião sobre o atendimento da instituição Atendimento da instituição fi % Atende meus interesses e da minha família 40 57,14 Atende meus interesses e dos meus filhos 29 41,43 Atende meus interesses 01 1,43 Revista da Católica, Uberlândia, v. 1, n. 2, p. 240-249, 2009 – catolicaonline.com.br/revistadacatolica 249 249 A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL A PARTIR DO PONTO DE VISTA DOS USUÁRIOS DE TRÊS CRECHES NÃO-GOVERNAMENTAIS NO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA Total 70 100 TAB 3. Distribuição dos dados segundo a opinião sobre as atividades educativas Opinião sobre as atividades educativas fi % Contribui para a educação 67 95,72 Contribui parcialmente para a educação 03 4,28 Total 70 100 Revista da Católica, Uberlândia, v. 1, n. 2, p. 240-249, 2009 – catolicaonline.com.br/revistadacatolica 250 250