A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL A PARTIR DO PONTO DE VISTA DOS USUÁRIOS DE TRÊS
CRECHES NÃO-GOVERNAMENTAIS NO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA
A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL A PARTIR
DO PONTO DE VISTA DOS USUÁRIOS DE TRÊS CRECHES
NÃO-GOVERNAMENTAIS NO MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA
Natalia Batista Vasconcelos*
RESUMO
Este artigo analisa a importância da Educação Infantil a partir das concepções dos usuários de três
creches não-governamentais localizadas nos bairros Custódio Pereira, Dom Almir e Morumbi, no
município de Uberlândia. O presente trabalho tem por objetivo principal, analisar a qualidade e a
importância dos serviços oferecidos, tendo como parâmetro a opinião dos usuários, ou seja, dos pais
e/ou responsáveis pelas crianças que são atendidas nessas instituições de Educação Infantil que foram
pesquisadas. Para obter os resultados que serão expostos foram entrevistados 70 (setenta) usuários das
225 (duzentos e vinte e cinco) famílias que são atendidas pelas três (03) entidades nãogovernamentais. Utilizou-se a metodologia de amostragem probabilística estratificada proporcional,
cujo fator de estratificação foi o número de famílias atendidas pelas três instituições.
PALAVRAS-CHAVES: Educação Infantil. Creches. Uberlândia.
1 INTRODUÇÃO
A valorização e o sentimento atribuídos à infância nem sempre existiram da forma
como hoje são concebidos e difundidos, tendo sido modificados a partir de mudanças
econômicas e políticas da estrutura social.
Ao longo dos séculos, e até bem poucos anos, as crianças eram consideradas seres de
menor importância, sendo de aceitação comum na sociedade o abandono, a negligência, o
sacrifício e a violência contra crianças, chegando ao filicídio declarado ou velado.
A análise da Educação Infantil no Brasil tem início no período do Brasil escravista,
quando a criança escrava (entre seis e doze anos) já começa a executar pequenas tarefas como
auxiliares. A partir dos doze anos passa precocemente a ser tratada como adultas, tanto para o
trabalho, como para a vida sexual. Já a criança branca, aos seis anos de idade, era iniciada
nos primeiros estudos de língua, gramática, matemática e boas maneiras.
As primeiras iniciativas voltadas à criança tiveram um caráter higienista, pois foram
trabalhos realizados por médicos e damas beneficentes, e foram motivados pelo alto índice de
*
Assistente Social, Especializanda em Gestão e Políticas Públicas na Faculdade Católica de Uberlândia.
Atualmente é Técnico Administrativo – Assistente Social, na Universidade Federal de Uberlândia/UFU, atuando
na Divisão de Apoio ao Estudante, com as Políticas de Assistência Estudantil.
Email:
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mortalidade infantil, que era atribuída aos nascimentos ilegítimos da união entre escravas e
senhores e a falta de educação física, moral e intelectual das mães.
Com o fim da escravidão e a Proclamação da República, a sociedade incorpora uma
nova mentalidade, baseada em idéias capitalistas e urbano-industrial. Nesse período, o país
era dominado pela intenção de determinados grupos em diminuir a apatia que dominava as
esferas governamentais com relação aos problemas das crianças.
No Brasil, o surgimento das creches foi um pouco diferente do restante do mundo.
Enquanto nos outros Países a creche servia para as mulheres terem condições de trabalhar nas
indústrias, no Brasil as creches populares destinavam-se a atender aos filhos das mães que
trabalhavam na indústria, bem como aos filhos das empregadas domésticas. As creches
populares existentes naquela época foram direcionadas ao atendimento de alimentação,
higiene e segurança física, sendo chamadas de Casa dos Expostos ou Roda.
A partir do século XIX (anos 30), com o surgimento do estado de bem-estar social e a
aceleração dos processos de industrialização e urbanização, manifesta-se o elevado grau de
nacionalização das políticas social, assim como a centralização do poder. A criança passa,
então, a ser valorizada como um adulto em potencial, porém, ainda, sem vida social ativa.
A partir dessa concepção surgiram vários órgãos de amparo assistencial e jurídico para
a infância, como o Departamento Nacional da Criança, a FUNABEM, a Legião Brasileira de
Assistência, o UNICEF, o Comitê Brasil da Organização Mundial de Educação Pré-Escolar,
entre outros. Segundo afirmação de Kramer (1992, P.23):
As aspirações educacionais aumentam à proporção em que ele acredita que
a escolaridade poderá representar maiores ganhos [...] a educação tem um
valor de investimento a médio ou longo prazo e o desenvolvimento da
criança contribuirá futuramente para aumentar o capital familiar.
Da década de 60 a meados de 70, do século XIX, tem-se um período de inovações de
políticas sociais na área da Educação, Saúde, Assistência Social, Previdência, etc. Na
Educação, o nível básico passa a ser obrigatório e gratuito. Ocorre a extensão obrigatória para
oito anos desse nível, em 1971, sendo no mesmo ano, instaurada a lei 5692/71 que traz o
princípio da municipalização do Ensino Fundamental. Contudo, na prática, muitos municípios
carentes começaram esse processo sem ajuda do Estado e da União.
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Em 1970, a crise mantida represada começa a extrapolar seus limites, como, por
exemplo, é constatada uma crescente evasão escolar e repetência por parte de crianças das
classes pobres no Primeiro Grau. Para fazer frente ao problema é instituída a Educação PréEscolar, denominada de Educação compensatória, para crianças de quatro a seis anos de idade
com a finalidade de suprir as carências culturais que, segundo acreditavam, existia na
educação familiar da classe operária.
A própria coordenação de Educação Pré-Escolar do MEC sugeria, naquela ocasião, a
opção por programas pré-escolares do tipo compensatório, que partem da idéia de que a
família não conseguiria dotar as crianças das necessárias condições para o seu bom
desempenho na escola.
As crianças eram denominadas de “carentes” culturalmente, por não possuírem os
requisitos necessários ao seu sucesso escolar, e que não eram transmitidos por seu meio
social. Logo, a pré-escola, dentro dessa visão, serviria para antecipar estes problemas
(carências culturais, nutricionais, afetivas), proporcionando a partir daí a igualdade de chances
a todas as crianças, garantindo, assim, o seu bom desempenho escolar. Contudo, essas préescolas não possuíam um caráter formal, não havia contratação de Professores qualificados e
remuneração digna para a construção de um trabalho pedagógico sério. A mão-de-obra, que
constituía as pré-escolas, era formada por voluntários, que rapidamente desistiam desse
trabalho.
Nos anos 80, através de congressos, da ANPED (Associação Nacional de Pedagogia) e
da Constituição Federal de 1988, que faz referências a direitos específicos das crianças, a
Educação Pré-Escolar passou a ser vista como necessária e de direito de todos, além de ser
dever do Estado, devendo ser integrada ao sistema de Ensino (tanto as creches como escolas).
A partir daí, tanto a creche quanto a pré-escola foram incluídas na Política
Educacional, seguindo uma concepção pedagógica, complementando a ação familiar, e não
mais apenas uma ação assistencialista, passando então a criança a ser vista como um ser
social, histórico, pertencente a uma determinada classe social e cultural, desmascarando a
educação compensatória, que delegava às escolas a responsabilidade de resolver os problemas
da miséria.
Na década de 90 é que a Educação Brasileira vivencia o seu período de transformação
com a promulgação da Lei n.º 9.394, de 20 de Dezembro de 1996, denominada Lei de
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Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Com a implantação da Década da Educação
(art.87), o modelo educacional brasileiro foi modificado e estruturado para atender as novas
exigências.
Em Agosto de 1988 o Conselho Nacional de Educação (CNE), partindo da análise de
que se fazia necessária à modificação da estrutura educacional, elaborou as Diretrizes
Curriculares Nacionais para Educação Infantil, que orientam a organização das instituições
que se dedicam ao atendimento de crianças dessa faixa etária. Essas diretrizes, de caráter
mandatário, estabelecem novas exigências para as instituições de educação infantil,
particularmente quanto às orientações curriculares e processos de elaboração de seus projetos
pedagógicos. Estabelecem, entre outros, os princípios éticos, políticos e estéticos que devem
fundamentar as propostas pedagógicas em Educação Infantil.
Percebe-se que a Educação Brasileira, e principalmente a Educação Infantil é nova no
Brasil, necessitando modificações. No entanto, se constata uma completa deficiência no
sistema de Educação Infantil, e a predominância ainda, de instituições com caráter
assistencialistas e compensatórios para a população de baixa renda.
Para aumentar o seu aspecto negativo, as instituições são precárias e com uma
demanda excedente devido à conjuntura socioeconômica vivenciada no país. Rara são as
instituições governamentais ou não-governamentais que oferecem um serviço de qualidade à
população menos favorecida.
2 CONHECENDO AS TRÊS CRECHES NÃO-GOVERNAMENTAIS
Este projeto de pesquisa baseou suas análises em três creches não-governamentais do
município de Uberlândia: Creche Educativa II Dom Almir, Creche Casa Maria de Nazaré e
Creche Jardim da Criança.
A Creche Educativa II, no Bairro Dom Almir, fundada no dia 02 de Setembro de 1996,
situado na Rua da Consolação, n° 135, no Bairro Dom Almir, em prédio onde funcionava
anteriormente uma escola foi cedido pela Prefeitura de Uberlândia à direção do LAR de
Amparo e Promoção Humana para atender as solicitações das mães residentes no bairro.
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Atende 951 crianças com idade de zero a seis anos no horário de 6h45min às
17h15min, de segunda a sexta-feira, prestando-lhes serviços que atendem as suas
necessidades básicas, proporcionando-lhes um crescimento equilibrado, saudável e o seu
desenvolvimento integral nos aspectos físico, psicológico, intelectual e social, estimulando a
formação de hábitos e valores éticos e morais, complementando a ação da família e da
comunidade, como parceiros ativos, visando estabelecer vínculos afetivos entre si.
A instituição conta com 12 (doze) funcionários, sendo: a Coordenadora, as Auxiliares
de creche, Auxiliar de Serviços Gerais e Cozinheira. Oferecem atividades dirigidas através de
recreação livre, modelagem, atividades lúdicas que estimulam o desenvolvimento integral,
além de atividades de higiene e independência.
A seleção para ingressar na instituição é realizada de acordo com a disponibilidade de
vagas, sendo prioridade para as famílias de baixa renda, e que tiverem os responsáveis
trabalhando. Entretanto, se a família estiver em situação de extrema miséria tem prioridade na
conquista da vaga, indiferente à existência ou não da mesma. A avaliação do desenvolvimento
das crianças é realizada diariamente, de acordo com a análise das Auxiliares de creche, que
registram suas observações em uma folha de avaliação.
A creche Dom Almir faz parte do LAR de Amparo e Promoção Humana, que é uma
instituição filantrópica, educativa e cultural sem fins lucrativos, fundada por João Bittar em 15
de Agosto de 1983, com sede na Rua do Cinegrafista, n.º 99 no Bairro Planalto, que oferece
todos os seus serviços gratuitamente à população de baixa renda de Uberlândia e região,
atendendo uma clientela diversificada de gestantes, crianças, adolescentes, jovens, adultos,
portadores de deficiência e idosos, cuja missão é: Educar, apoiar e promover o
desenvolvimento integral do ser humano, do útero materno à terceira idade, com vistas à
superação de todo tipo de desigualdade social.
A Creche Casa Maria de Nazaré no Bairro Custódio Pereira fundada em agosto de
1988, em terreno doado pela Prefeitura Municipal de Uberlândia, através da Lei municipal n.º
5.183/902.
Situada na Rua Ângelo Zocoli, n.º 583, no Bairro Custódio Pereira, atende 120
crianças de um ano a seis anos, no horário de 07h30min às 17h30min, de segunda a sexta1
O número de crianças atendidas nas instituições foram obtidos em 2004, podendo ter sofrido alterações.
A Lei municipal nº. 5183/90, de 27 de Novembro de 1990, estabelece os pré-requisitos para doação de imóveis
e a liberação de subvenção a entidades do município de Uberlândia.
2
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feira, através de um trabalho pedagogicamente planejado e desenvolvido pela equipe de
profissionais da creche, com o compromisso de promover o desenvolvimento e promoção da
criança como um todo, criando oportunidade e as estimulando para o seu crescimento como
cidadãos.
A equipe é formada por 17 (dezessete) profissionais, constituída por Coordenadora,
Pedagoga, Psicóloga, Educadoras, Auxiliares de Serviços Gerais e Cozinheiras, oferecendo
atividades dirigidas de recreação livre, modelagem, atividades lúdicas e atividades de higiene
e independência.
A seleção para ingressar na instituição é realizada de acordo com a disponibilidade de
vagas, sendo prioridade para as famílias de baixa renda, e que tiverem os responsáveis
trabalhando, entretanto, se a família estiver em situação de extrema miséria, tem prioridade na
conquista da vaga, indiferente à existência ou não de vagas. E a avaliação do desenvolvimento
das crianças é realizada diariamente, de acordo com a análise das auxiliares de creche, que
registram suas observações em uma folha de avaliação.
A creche Casa Maria de Nazaré faz parte das obras sociais desenvolvida pela Casa
Assistencial Espírita Eurípedes Barsanulfo que desenvolve suas atividades sociais em
Uberlândia desde 1988, executando diversos projetos com as famílias carentes dos bairros
Joana D’arc, Dom Almir e São Francisco, distribuindo sopas, enxoval para recém-nascidos e
ministrando cursos de pintura, bordado, artesanato para adolescentes.
A Creche Comunitária Jardim da Criança no Bairro Jardim Finotti foi fundada no dia
11 de Junho de 1988, em uma área urbana doada pela Prefeitura Municipal de Uberlândia,
através da Lei municipal n.º 5.183/90.
Situada na Avenida João Naves de Ávila, n.º 4155, no Bairro Jardim Finotti, atende 80
crianças de zero a seis anos, no horário de 07h às 17h30min, de segunda a sexta-feira. Tem
como missão atender crianças na faixa etária de três meses a seis anos, em período integral,
que ainda não freqüentam a escola ou os pais trabalham em período integral.
A creche oferece atividades desenvolvidas em locais adequados em termos de higiene,
bem como alimentação, cuidados/educação, recreação e segurança, buscando, assim,
assegurar aos pais a tranqüilidade necessária para que os mesmos possam exercer suas
atividades profissionais enquanto seus filhos estão sendo atendidos.
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Conta com uma equipe formada por 14 (quatorze) profissionais sendo eles:
Coordenadora, Educadoras, Auxiliares de Serviços Gerais e Cozinheiras e Vigias, que
desenvolvem ações voltadas a famílias das crianças atendidas, através de reuniões formativas
e informativas promovendo discussões e troca de experiências a respeito do desenvolvimento
cognitivo, sensório-perceptivo, motor e social de seus filhos, além de palestras, distribuição
de materiais de divulgação e atividades em grupo sobre noções de higiene ambiental,
educação sexual, educação alimentar, violência doméstica, drogas e saúde.
Dentre as principais atividades realizadas pela creche, destaca-se a implantação do
projeto pedagógico e da pedagogia de projetos, que norteiam e instrumentalizam a creche com
relação à sua importância enquanto espaço de educação infantil e facilitadora do
desenvolvimento da primeira infância, compreendendo sua relevância no que se refere à
qualidade do atendimento prestado às crianças dessa faixa etária e suas famílias.
A seleção para ingressar na instituição, também, é realizada de acordo com a
disponibilidade de vagas, sendo prioridade para as famílias de baixa renda, e que tiverem os
responsáveis trabalhando, entretanto, se a família estiver em situação de extrema miséria, tem
prioridade na conquista da vaga, indiferente à existência ou não de vagas. E a avaliação do
desenvolvimento das crianças é realizada diariamente, de acordo com a análise das auxiliares
de creche, que registram suas observações em uma folha de avaliação.
A creche Jardim da Criança faz parte das obras sociais da Igreja Presbiteriana Unida,
que é uma instituição religiosa, fundada oficialmente em Uberlândia no dia 31 de Outubro de
1984. Possui, atualmente, como órgãos internos, o Centro Comunitário da Igreja Presbiteriana
Unida de Uberlândia (CCIPU) que administra a Creche Comunitária Jardim da Criança, que
também é propriedade da Igreja, e reconhecida como de Utilidade Pública Municipal,
Estadual e Federal.
3 AVALIAÇÃO DA POPULAÇÃO USUÁRIA DOS EQUIPAMENTOS SOCIAIS
De acordo com o resultado obtido com a coleta de dados nas três instituições
pesquisadas, ficou constatado que, os entrevistados ao serem questionados sobre os benefícios
obtidos com a inserção do filho na creche, foram unânimes a afirmação de que ganharam mais
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tranqüilidade para exercerem suas ocupações profissionais, pois confiam nas instituições, que
lhes transmitem credibilidade, segurança e confiança. (Ver tabela 1 em anexo).
Segundo a opinião sobre o atendimento das instituições, ficou constatado que quase a
totalidade dos entrevistados afirmou que têm os seus interesses atendidos com os serviços
prestados pelas instituições, o que confirma a importância da creche para as comunidades
pesquisadas. (Ver tabela 2 em anexo).
Infelizmente, esse resultado só vem a confirmar que, devido à situação econômica
cada vez mais difícil, todos os membros da família têm que trabalhar inclusive a mãe, que já
não mais pode exercer a maternidade, como suas avós puderam dedicar, revelando com isso
uma mudança na sociedade capitalista. Por isso, a busca pela instituição vem atender os
interesses da família, pois atualmente, as pessoas têm que se submeter às jornadas de
trabalhos que se estendem por toda a semana, e não possuem disponibilidade de tempo para
estarem dando a atenção de que a criança necessita.
Com relação à opinião dos entrevistados sobre as atividades educativas desenvolvidas
nas instituições, ficou evidenciado que a maioria considera que as atividades que as creches
desenvolvem com as crianças contribuem para a educação das mesmas.
Essa percepção da importância das atividades educativas para a educação da criança
por parte dos pais é um fator que contribui significativamente para que os coordenadores
continuem a adotar as medidas e determinações modernizadoras estipuladas pelo MEC
(Ministério da Educação e Cultura), através da Lei de Diretrizes e Bases – LDB, e das
Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil, que foi definida pelo CNE
(Conselho Nacional de Educação Infantil).
Segundo o MEC, essas medidas têm como finalidade orientar a organização das
instituições de Educação Infantil, estabelecendo novas exigências quanto às orientações
curriculares e processos de elaboração de seus projetos pedagógicos.
Apesar das muitas críticas a respeito dos serviços públicos, a opinião dos entrevistados
foi favorável as atividades desenvolvidas pelas instituições pesquisadas.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
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A Educação Infantil, atualmente, ainda carrega em si a dicotomia entre creche e préescola, pois a concepção vigente relaciona a pré-escola como instrumento de apoio ao ensino
fundamental, enquanto a creche vincula-se à assistência, portanto, de ordem também familiar,
induzindo à permanência do atendimento diferenciado.
Hoje, as escolas infantis são vistas como uma complementação da ação da família,
sendo as mesmas consideradas as realizadoras dos direitos das famílias, das mulheres e das
próprias crianças, consideradas, portanto, como uma exigência da vida social.
No decorrer desse estudo evidenciou-se que a situação econômica do país tem
obrigado todos os membros da família a trabalhar, inclusive a mãe, que já não pode mais
exercer a maternidade como suas avós. A situação é agravada pela diminuição da
permanência do tempo livre dos pais junto aos filhos devido a diversos fatores, dentro os
quais se destacam a distância entre os bairros periféricos e os prováveis postos de trabalhos.
Apesar da pesquisa ter sido realizada em entidades de bairros periféricos da cidade de
Uberlândia, o contexto econômico dos usuários das entidades de Educação Infantil não se
diferencia dos demais, pois, devido à nova configuração econômica imposta à sociedade com
a globalização e o sistema capitalista, em geral as famílias agregam às creches uma
importância crucial para o desenvolvimento de suas atividades profissionais, pois com a
confiança depositada nos profissionais que atuam na área, podem deixar seus filhos com
tranqüilidade e segurança.
REFERÊNCIAS
BRASIL. CNE/CEB. Parecer 22/98 discute as diretrizes curriculares nacionais para educação
infantil. Brasília, 17/12/98.
_______. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF:
Senado, 1988.
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_______. Lei n.º 8.069, de 13 de Julho de 1990 – Estatuto da Criança e do Adolescente.
Brasília. SEDH – DCA, 2002.
_______. Lei n.º 9.394, de 20 de Dezembro de 1996 - Lei de Diretrizes e Bases. Brasília.
MEC, 1996.
KRAMER, Sonia. A política do pré-escolar no Brasil: a arte do disfarce. Rio de Janeiro,
Achiamé, 1992.
ANEXOS
TAB. 1 Distribuição dos dados segundo os benefícios obtidos após o ingresso na instituição
Benefício obtido
fi
%
Tranqüilidade para trabalhar, pois sabe que seu filho é bem cuidado.
42
60
14
20
Tranqüilidade para trabalhar e qualidade na educação do seu filho
14
20
Total
70
100
Tranqüilidade para trabalhar, pois confiam na instituição, e mais tempo para
outras atividades.
TAB. 2. Distribuição dos dados segundo a opinião sobre o atendimento da instituição
Atendimento da instituição
fi
%
Atende meus interesses e da minha família
40
57,14
Atende meus interesses e dos meus filhos
29
41,43
Atende meus interesses
01
1,43
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Total
70
100
TAB 3. Distribuição dos dados segundo a opinião sobre as atividades educativas
Opinião sobre as atividades educativas
fi
%
Contribui para a educação
67
95,72
Contribui parcialmente para a educação
03
4,28
Total
70
100
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