Universidade Federal de São Carlos Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia Departamento de Matemática Equações Diferenciais Ordinárias em Alguns Contextos Históricos e Reais Autor: Elias Campos da Silva Orientador: Selma H. de Jesus Nicola Disciplina: Trabalho de Conclusão do Curso A Curso: Licenciatura em Matemática Professores Responsáveis: Karina Schiabel Silva Tomas Edson Barros Vera Lúcia Carbone São Carlos, 13 de julho de 2011. Equações Diferenciais Ordinárias em Alguns Contextos Históricos e Reais Autor: Elias Campos da Silva Orientador: Selma H. de Jesus Nicola Disciplina: Trabalho de Conclusão do Curso A Curso: Licenciatura em Matemática Professores Responsáveis: Karina Schiabel Silva Tomas Edson Barros Vera Lúcia Carbone Instituição: Universidade Federal de São Carlos Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia Departamento de Matemática São Carlos, 13 de julho de 2011. Elias Campos da Silva Selma H. de Jesus Nicola Agradecimentos Primeiramente agradeço a Deus pela força e saúde que ele tem dado a mim para concluir este TCC. Agradeço especialmente a Professora Orientadora Selma de Jesus pela sua atenção e paciência nos nossos encontros semanais. Agradeço também, aos Professores do DM, que tanto me ajudaram ao longo desses anos na construção do meu conhecimento matemático. A minha família pela paciência, e também, por minha ausência em nossas reuniões familiares. Agradeço a minha noiva Gabriela por suportar a minha ausência durante a semana e meu mau humor, quando eu enfrentava problemas na construção deste trabalho. E nalizando agradeço a meu amigo e irmão Bruno Mendes por toda sua ajuda, ao me ensinar a manipular o TEX. Resumo Neste trabalho de conclusão de curso A estudaremos algumas equações diferenciais e suas aplicações, envolvendo fatos históricos e reais. Será dado ênfase às equações dife- renciais ordinárias de primeira ordem, e deixaremos as equações diferenciais de segunda ordem para o Trabalho de Conclusão de Curso B. Apresentaremos as equações diferenciais lineares de primeira ordem e mostraremos como elas ajudaram na descoberta das falsicações das obras de arte por Van Meegeren, na sequência abordaremos o tema de equações separáveis, e suas aplicações em modelos populacionais, disseminação de inovações tecnológicas, também abordaremos as aplicações no armazenamento de resíduos atômicos, dinâmica de desenvolvimento de tumores e problemas de mistura, na sequência veremos as trajetórias ortogonais. Outros pontos importantes a serem discutidos aqui são as equações exatas, e as equações que não podem ser resolvidas e o Teorema da existência e unicidade, juntamente com as iterações de Picard. vii Sumário 1 Introdução 1 2 Equações Diferenciais Lineares Homogêneas e não Homogêneas 3 2.1 Equações diferenciais lineares homogêneas e não homogêneas de primeira ordem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 Fator Integrante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 As Falsicações das Obras de Arte por Van Meegeren . . . . . . . . . . . . 8 2.1.1 2.2 3 Equações Separáveis e Algumas Aplicações 15 3.1 Equações Separáveis 3.2 Modelos Populacionais 3.3 Disseminação de Inovações Tecnológicas 3.4 Um Problema de Armazenamento de Resíduos Atômicos 3.5 Dinâmica de Desenvolvimento de Tumores, Problemas de Mistura e Trajetórias Ortogonais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.5.1 Dinâmica de Desenvolvimento de Tumores 3.5.2 3.5.3 15 17 21 23 27 . . . . . . . . . . . . . . 27 Problemas de Mistura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 Trajetórias Ortogonais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 4 Equações Exatas e Teorema da Existência e Unicidade 33 4.1 Equações exatas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 4.2 Equação não exata e fator integrante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 4.3 Teorema da existência e unicidade e iterações de Picard . . . . . . . . . . . 40 ix Lista de Figuras 2.1 Cristo e a Adúltera . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 2.2 Peregrinos de Emmáus . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 2.3 A Dama de Brincos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 2.4 Meegeren Pintando para os especialistas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 2.5 Julgamento de Meegeren . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 3.1 Curva logística 20 3.2 Total acumulado de agricultores que adotaram o herbicida 2, D-4 em Iowa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.3 Trajetórias ortogonais a família das curvas 4.1 (a)α = a; (b)α = b/M λx 2 23 . . . . . . . . . . . . . . . 32 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44 x Lista de Figuras xi Lista de Tabelas 2.1 3.1 Pinturas de procedência duvidosa: A desintegração dada em minutos por grama de chumbo branco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 O crescimento do Microtus Arvallis Pall. 19 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 Capítulo 1 Introdução Uma equação diferencial é uma relação que existe entre a variável t e suas derivadas. Segue abaixo alguns exemplos de equações diferenciais. dy = 3y 2 + sen(t + y) dt d3 z d2 z z = e + t + dt3 dt2 (1.1) (1.2) A ordem da equação diferencial é a maior das ordens das derivadas da função, que aparecem na equação. Podemos observar que a equação (1.1) é de primeira ordem, enquanto que (1.2) é uma equação diferencial de terceira ordem. Para encontrar a solução da equação diferencial devemos obter uma função y e suas derivadas que satisfazem a relação. Por exemplo, a equação y(t) = 2 sen(t) − 1 cos(2t) 3 é solução da equação diferencial d2 y + y = cos(2t) dt2 pois, d2 1 1 [2 sen(t) − cos(2t)] + [2 sen(t) − cos(2t)] = cos(2t) 2 dt 3 3 Este trabalho de conclusão de curso contempla algumas aplicações que envolvem as equações diferenciais. A partir de uma modelagem matemática usamos as equações diferenciais para resolver alguns problemas, de contextos históricos e do mundo real. Partirmos das equações homogêneas e em seguida passamos para as não homogêneas e assim por diante. A cada passo deste trabalho procuramos mostrar algumas aplicações interessantes e mostramos a grande quantidade de aplicações na vida real, e sua importância nas ciências humanas e exatas. 2 1. Introdução 3 Capítulo 2 Equações Diferenciais Lineares Homogêneas e não Homogêneas 2.1 Equações diferenciais lineares homogêneas e não homogêneas de primeira ordem Uma equação diferencial de primeira ordem tem a forma dy = f (t, y) dt O problema consiste em achar todas as soluções (2.1) y(t) que satisfazem a equação diferencial. Como todo problema em matemática, para resolvê-lo devemos reduzi-lo a um problema conhecido, de modo que seja mais fácil resolvê-lo. Consequentemente é aconselhável ter uma lista de equações diferenciais, que podem ser resolvidas. Para que o estudo das equações diferenciais seja melhor entendido será tomada uma equação diferencial elementar e de fácil solução, do tipo dy = h(t) dt (2.2) t. Para resolver a equação (2.2), basta onde h é uma função integrável em relação a integrar ambos os lados, em relação a t e obter Z y= h(t) dt + c onde c é uma constante arbitrária. Observamos que para resolver uma equação diferencial, basta reduzi-la a forma da equação (2.2). Entretanto, veremos que na maioria dos casos isso não será possível, pois com equações simples não haverá solução exata, como por exemplo 4 2. Equações Diferenciais Lineares Homogêneas e não Homogêneas 2t cos(y) + 3t2 y dy = 2 dt t sen(y) − t3 + y Denição 2.1. A equação diferencial linear geral de primeira ordem é dada por dy + a(t)y = b(t) dt com, a(t) e b(t) contínuas em relação à variável (2.3) t. y aparece sozinha. Diferentemente das equações dy/dt = y +sen(t), ou dy/dt = 3t+cos(y), que são equações Dizemos que (2.3) é uma equação diferencial linear, pois, a variável 3 não lineares. Fazendo b(t) = 0 temos a seguinte equação: dy + a(t)y = 0 dt chamada equação diferencial linear homogênea de primeira ordem, entretanto se diferente de zero, dizemos que ela é uma equação não homogênea. Com b(t) = 0, dy = −a(t)y dt Multiplicando ambos os lados de (2.4) por 1 y b(t) for temos: (2.4) obtemos 1 dy = a(t) y dt que também pode ser escrita como d ln |y(t)| = −a(t) dt (2.5) podemos resolver esta equação diferencial aplicando a integral, em relação a t, em ambos os lados de (2.5) e obtemos assim a seguinte expressão Z ln |y(t)| = − onde c1 é uma constante arbitrária. a(t) dt + c1 Aplicando a exponencial em ambos os lados da equação acima obtemos |y(t)| = e− R a(t) dt |y(t)e + c1 = ce− R a(t) dt |=c R a(t) dt =⇒ (2.6) 2.1. Equações diferenciais lineares homogêneas e não homogêneas de primeira ordem 5 Observamos que o valor absoluto do lado esquerdo da equação (2.6) é constante, logo temos: y(t) = ce− R a(t) dt (2.7) que é chamada de solução geral da equação homogênea. valor de c haverá uma solução para a equação (2.7), Observamos que, para cada logo, vericamos que haverá innitas soluções. Exemplo 2.2. Para encontrarmos a solução geral da equação diferencial dy + y cos(t) = 0 dt e a(t) = cos(t) . Assim,obtemos e− R a(t) dt = e− R cos(t) dt = e− sen(t) =⇒ Logo y(t) = ce− sen(t) Em aplicações não estamos interessados em todas as soluções, e sim numa solução especíca. Então, dado um valor inicial y0 para um t0 , ou seja, um valor inicial para um tempo inicial podemos determinar uma solução para a equação diferencial dy + a(t)y = 0 dt y(t0 ) = y0 (2.8) Tal problema referente a (2.8) é comumente chamado de problema de valor inicial. Para encontrarmos a solução do problema de valor inicial, integramos ambos os lados de (2.5) Z t t0 d ln |y(s)|ds = − ds e assim obtemos Z t Z t a(s) ds =⇒ ln |y(t)| − ln |y(t0 )| = − t0 a(s) ds t0 y(t) R − t = e t0 y(t0 ) a(s) ds y(t) R t =⇒ e t0 y(t0 ) =1 a(s) ds A função dentro do módulo é uma função contínua do tempo. Para avaliar se tal valor é igual a 1 ou -1, analisamos tal função no ponto y(t0 ) Rtt0 e 0 y(t0 ) t = t0 a(s) ds =1 6 2. Equações Diferenciais Lineares Homogêneas e não Homogêneas donde segue que y(t) = y(t0 )e Exemplo 2.3. − Rt a(s) ds t0 − = y0 e Rt t0 a(s) ds . Para encontrarmos a solução do problema de valor inicial dy + yt sen(t) = 0 dt y(0) = 2 observamos que Z t Z t a(s) ds = a(t) = t sen(t) =⇒ t0 s sen(s) ds . 0 Integrando por partes temos que Z t s sen(s) ds = t cos(t) − sen(t) 0 então, temos que a solução do problema de valor inicial é y(t) = 2esen(t)−t cos(t) 2.1.1 Fator Integrante Para resolver uma equação diferencial de primeira ordem não homogênea dy + a(t)y = b(t) dt b(t) 6= 0 O caminho a percorrer para resolvê-la é expressá-la como: d (algo ) = b(t) dt Na verdade, a pergunta que devemos fazer é se há possibilidade de fazer com que o lado esquerdo da equação acima seja a derivada, em relação a t, deste algo, para que depois ela possa ser integrada em ambos os lados. O procedimento consiste em encontrar uma função µ(t) e multiplicá-la em ambos os lados de (2.3) obtendo a equação equivalente µ(t) dy + µ(t)a(t)y = µ(t)b(t) dt (2.9) Pela regra da cadeia observamos que d dy dµ µ(t)y = µ(t) + y. dt dt dt e assim devemos ter µ(t) dy dy dµ dµ 1 dµ(t) + µ(t)a(t)y = µ(t) + y ⇐⇒ µ(t)a(t) = =⇒ = a(t) =⇒ dt dt dt dt µ(t) dt 2.1. Equações diferenciais lineares homogêneas e não homogêneas de primeira ordem R =⇒ µ(t) = e Tal µ(t) a(t) dt 7 . reescreve-se em (2.9) como: d µ(t)y = µ(t)b(t). dt (2.10) Para encontrar a solução geral de (2.3) integramos (2.10) Z µ(t)y = µ(t)b(t) dt + c =⇒ y(t) = e − R (a(t)dt) Z µ(t)b(t) dt + c. Agora, se for requerida a solução especíca de (2.3), ou seja, Z t µ(t)y − µ(t0 )y0 = t0 Esta função µ(t) y(t0 ) = y0 , 1 µ(s)b(s) ds =⇒ y(t) = µ(t0 )y0 + µ(t) Z µ(s)b(s) ds t0 é chamada de fator integrante e transforma uma equação diferencial em Para a solução geral da equação diferencial dy + t2 y = t2 dt vericamos que R a(t) = t2 =⇒ µ(t) = e t2 dt t3 =e3 ou seja a equação equivalente é t3 d t3 (e 3 )y = t2 e 3 dt integrando obtemos t3 t3 e 3 .y = e 3 + c =⇒ y(t) = 1 + ce Exemplo 2.5. teremos ! t outra equivalente mais fácil de ser integrada. Exemplo 2.4. (2.11) −t3 3 Para encontrarmos a solução do problema de valor inicial dy 1 +y = 2 dt t +1 y(1) = 2 observamos que R a(t) = 1 =⇒ µ(t) = e 1dt =⇒ µ(t) = et =⇒ d t et (e y) = 2 dt t +1 8 2. Equações Diferenciais Lineares Homogêneas e não Homogêneas Integrando ambos os lados no intervalo Z t e y(t) − ey(1) = 1 t [1, t] obtemos es ds =⇒ et y − 2e = 1 + s2 Z t 1 es ds 1 + s2 Logo y(t) = e−t 2e + Z 1 t es ds 1 + s2 ! 2.2 As Falsicações das Obras de Arte por Van Meegeren O pintor holandês Henricus Antonius (Han) Van Meegeren pode ser considerado um dos maiores falsicadores de obras de arte de todos os tempos. Sua história é fantástica, Meegeren se especializou em imitar o também holandês Jan Vermeer, um mestre da pintura (1632-1675) que pintou, entre outros, A Dama com brinco de pérolas, a Mona Lisa da Holanda. Vermeer produziu pouco em vida; eram conhecidas apenas cerca de trinta telas suas, até surgir Meegerem na década de 1930. Meegeren não copiava quadros de Vermeer, anal, seria difícil enganar alguém assim, pois o paradeiro das obras de Vermeer é conhecido, ele simplesmente pintava seus próprios quadros, copiando com perfeição o estilo do mestre, e assinava-os como se fossem de Vermeer. Então, Meegeren dizia ter encontrado tais quadros perdidos do mestre e os vendia, sendo assim Meegeren produziu cerca de uma dezena de Vermmers falsos e a cada quadro novo que surgia era comemorado pelos críticos e vendido por um preço exorbitante. Antes de enveredar por esta prática, Meergeren já era pintor, até teve um começo de carreira promissor. Nasceu em 1889 e seu pai queria que fosse arquiteto, mas ele queria ser pintor, adolescente já ganhava concursos de desenho e logo passou a assinar seus próprios quadros. Aos dezoito anos realizou sua primeira exposição, aos vinte e um foi passar uma temporada de três meses na Itália, estudando os mestres do Renascimento. Ao regressar fez nova exposição e vendeu todos os seus quadros. Porém, em certa época, sua carreira estacionou e os críticos o achavam muito conservador, retrógrado, e além disso, o uso de tóxicos e seu envolvimento frequente em brigas, construíram uma má reputação. Para tentar sair desta situação, Meegeren começou a pintar obras falsas, de outros pintores, inclusive Franz Hals, mas acabou se especializando em Vermmer. Um dos motivos claros foi o próprio desconhecimento que se tinha sobre a vida de Vermmer. Assim, caria mais fácil encontrar uma obra do mestre. Em 1937,Van Meegeren terminou o seu Vermeer mais famoso, Os peregrinos de Emaúss". Meegeren teve o cuidado de produzir uma obra que não era muito parecida com o estilo habitual de Vermeer, só se conhecia uma tela religiosa de Vermeer, Cristo na casa de Marta e Maria. Esta tela havia sido descoberta apenas em 1901, por um crítico 2.2. As Falsicações das Obras de Arte por Van Meegeren 9 holandês, Abraham Bredius, em uma galeria de arte em Londres. Bredius supôs que a tela deveria ter sido pintada por Vermeer no início de sua carreira e concluiu que outros quadros desta época deveriam existir por aí, e apareceriam a qualquer momento. Meegeren, vendo o sucesso da sua ideia, não parou, pintou então o A Última Ceia", assinando novamente como Vermeer. Um mecenas de Roterdã o adquiriu pelo equivalente hoje a sete milhões de dólares. Figura 2.1: Adúltera Cristo e a Figura 2.2: Peregrinos de Emmáus Figura 2.3: A Dama de Brincos Começa a Segunda Guerra Mundial, a Holanda foi tomada pelos nazistas, mas, Meegeren não parou de produzir seus Vermeers. Entretanto, quando a Guerra acabou, os aliados encontraram um destes falsos Vermeers (Cristo e a Adúltera) em uma mina de sal na Áustria. Descobriu-se que o quadro pertencia a Hermann Göring, o número dois do governo nazista, abaixo apenas de Adolf Hitler. Descobriu-se também que havia sido Meegeren que havia vendido o quadro a Göring, por cerca de quinze milhões de dólares atuais. Diz-se que Göring, após adquirir o quadro, um entre os 1200 que acumulou, teria dito: Enm, conquistei a Holanda! . Meegeren foi preso, acusado de traição à pátria. Neste ponto da história, só restava a Meegeren duas opções: aceitar a acusação, passível até de pena de morte, na época, ou confessar que havia falsicados os Vermeers. Ele optou pela segunda e o espanto foi geral. Meegeren teve de pintar um novo quadro a la Vermeer, e ironicamente foi escolhido a pintura Jesus entre os doutores, para provar ser capaz de pintar como o mestre. Experts foram chamados para analisar os quadros, o que não deixa de ser irônico, já que Meegeren estava dizendo justamente que de experts eles nada tinham. A técnica de Meegeren era apurada, pintava sobre telas envelhecidas de pintores do século XVII, das quais ele raspava a tinta original. Com o Vermeer quase pronto, aplicava uma mistura que preparou, para provocar rachaduras na pintura, além de jogar poeira de tinta, para simular envelhecimento, entre vários outros detalhes cuidadosamente pensados. Meegeren ainda tentou posar de herói nacional, invertendo a situação, não era um traidor, e sim alguém que tinha enganado os nazistas, esta desculpa obviamente não foi 10 2. Equações Diferenciais Lineares Homogêneas e não Homogêneas aceita. No fundo, Meegeren se regozijava com a confusão que criara, pois, se não havia sido reconhecido por seu talento anteriormente, agora não apenas entrava para a história da arte como ainda zombava dos críticos que haviam lhe renegado e aclamado seus falsos Vermeers. Disse Meegeren, Ou bem os críticos admitem que costumam falhar, ou reconhecem que sou tão grande quanto Vermeer. O pensamento de Meegeren incorre em um erro, é fácil pintar como os quadros cubistas de Picasso, hoje, mas isto não tornaria ninguém importante. Picasso é o que é pela inovação, pela criatividade etc. Meegeren parecia não aceitar isto, Ontem, estas pinturas valiam milhões de orins, e especialistas e amantes da arte chegavam do mundo todo e pagavam para ver essas pinturas. Hoje, elas não valem nada, e ninguém atravessaria a rua para vê-las de graça. Mas, a pintura não mudou. O que foi então?. O falsicador chegou alegar que a verdadeira motivação para seus atos era vingar-se dos críticos, que apoiavam as nascentes vanguardas. Disse que iria revelar sua identidade após o sucesso do primeiro Vermeer, mas o dinheiro que ganhou o fez mudar de ideia. O julgamento durou dois anos, Meegeren foi inocentado da acusação de traição, embora provavelmente fosse mesmo colaborador do Nazismo, e pegou apenas um ano de prisão, por falsicação. Figura 2.4: Meegeren Pin- Figura 2.5: Julgamento de Meege- tando para os especialistas ren Conclusivamente, ele já tinha conquistado a admiração de boa parte do público. Mas, um mês após o m do julgamento Meegeren morreu, em 1947, sem ter cumprido nem um dia da pena. A conclusão a que se chega é que, se a falsicação do Cristo e a Adúltera não tivesse sido descoberta, até hoje talvez admiraríamos um Meegeren como se fosse um Vermeer. Aliás, quantos quadros, de outros pintores, não estarão nesta situação atualmente ?!. A recorrente questão da autoria também é levantada com esta história. Por que o Vermeer falso perde o valor quando se descobre que é falso?!. Os quadros de Meegeren não foram destruídos e, passados tantos anos, hoje valem pequenas fortunas e são, ocasionalmente, expostas em coletâneas e até leiloadas. Não satisfeitos, um grupo de cientistas, em 1967, da Carnegie University Mellon deram ênfase ao trabalho de determinar a idade dos quadros pintados por Meegeren. O físico Rutherford juntamente com sua equipe descobriu que, os átomos de certos 2.2. As Falsicações das Obras de Arte por Van Meegeren 11 elementos radioativos são instáveis, e com o passar do tempo tais substâncias se desintegram formando um novo elemento. Entendendo que a radioatividade é uma propriedade do átomo, Rutherford mostrou que a radioatividade de uma substância é diretamente proporcional ao número de átomos presentes na mesma. Assim, se de átomos existentes no tempo de tempo é proporcional a N, t, N (t) denota o número dN , o número de átomos que se desintegra por unidade dt assim tem-se dN = −λN dt A constante positiva λ (2.12) é conhecida como constante de decaimento radioativo da substân- cia, ou seja, quanto maior o valor de λ mais rápido a substância decairá. A medida da taxa de desintegração de uma substância é chamada de meia vida, ou seja, o tempo que uma substância se desintegra pela metade da quantidade original. Para calcular a meia vida de uma substância, em função de λ, supõe-se que num tempo t0 , N (t0 ) = N0 , assim o problema de valor inicial se resolve da forma N (t) = N (t0 ).e −λ Rt t0 ds = N0 .e−λ(t−t0 ) ou N N = e−λ(t−t0 ) =⇒ −λ(t − t0 ) = ln N0 N0 ! (2.13) Desta forma se, N/N0 = 1/2 então (t − t0 ) = ln(2)/λ = 0.6931/λ (2.14) ln(2) dividido pela constante de decaimento da mesma. Em todos os casos s constante λ é medida no recíproco da medida do tempo, ou seja, se o tempo for medido em dias λ tem Em consequência observamos que a meia vida de uma substância é calculada por a medida do recíproco de dias, e assim por diante. Para o caso das pinturas de Megeeren, observamos primeiramente que, todos os pintores por mais de dois mil anos usaram tintas com pequenas quantidades da substância (P b210 ), e ainda menores de Radio 226 (Ra226 ). Vale ressaltar, antes 210 226 de partirmos para a análise matemática, que P b é extraído do chumbo branco e o Ra química chumbo 210 é formado por outras substâncias, que ao serem misturadas para obter a tinta, buscam um equilíbrio radioativo, aliás, o decaimento da mistura seria o equilíbrio das meias vidas. Assim sabemos que o tempo de meia vida do P b210 é de 22 anos. Usamos tal informação para calcular a quantidade de chumbo 210 presente numa amostra, em função de uma quantidade original presente na formação. Seja, y(t) quantidade de a quantidade de Pb 210 de desintegração do P b210 por grama de chumbo branco no tempo por grama de chumbo branco no tempo de formação t0 , Ra 226 por minuto e por grama de chumbo branco no t, y0 a r(t) o número tempo t. Se λ 12 2. Equações Diferenciais Lineares Homogêneas e não Homogêneas Descrição Desintegração de Os Peregrinos de Emmáus P o210 Desintegração do 8.5 0.8 Lavagem dos Pés 12.6 0.26 Mulher Lendo música 10.3 0.3 Mulher tocando bandolim 8.2 0.17 A rendeira 1.5 1.4 Mulher sorridente 5.2 6.0 Ra226 Tabela 2.1: Pinturas de procedência duvidosa: A desintegração dada em minutos por grama de chumbo branco é a constante de decaimento do P b210 então dy = −λy + r(t), y(t0 ) = y0 dt Tendo em vista, neste caso, que interessa apenas o período de 300 anos, supomos que a semi-vida do radio 226 presente na amostra seja constante, pois, seu tempo de meia vida é de 1600 anos. Assim temos que r(t) é uma constante r. Portanto, usando o fator integrante obtemos r d λt e .y = reλt =⇒ eλt y(t) − eλt0 y0 = (eλt − eλt0 ) =⇒ dt λ r (1 − e−λ(t−t0 ) ) + y0 e−λ(t−t0 ) λ y(t) = Agora, y(t) e r (2.15) podem ser facilmente medidos assim, se conhecemos equação (2.15) para calcular t − t0 y0 , podemos usar a e determinar a idade da pintura. Consequentemente podemos determinar se a pintura é de Meegeren ou uma pintura originária do século XVII. Isso pode ser vericado da seguinte forma, se a pintura for datada do século XVII, então a radioatividade do então a radioatividade do P b210 será quase igual a do Ra226 , já P b210 será bem maior que a do Ra226 . se a obra for moderna, vamos assumir que uma pintura é ou muito nova ou tem mais de 300 anos, assim se a pintura Os Peregrinos de Emaúss é realmente uma falsicação, basta observarmos que se λy0 é muito grande; então supomos t − t0 = 300 em (2.15); assim temos λy0 = λy(t)e300λ − r(e300λ − 1) Para avaliar λy0 , (2.16) temos que calcular a taxa de desintegração do chumbo 210, taxa de desintegração r do radio 226 e, o valor de desintegração do polônio 210 210 (P o ), e300λ . λy(t), a Haja visto que, a taxa de após alguns anos, é igual a do P b210 e é mais fácil de ser medido, podemos assim substituir os respectivos valores, como proposto na Tabela 2.2. As Falsicações das Obras de Arte por Van Meegeren 2.1. Para calcular e300λ , observamos que ln(2) e obtemos 22 λ= e300λ = e300. 13 ln(2) 22 Recorrendo a Tabela 2.1, agora avaliamos 150 = 2 11 λy0 a partir da equação (2.16), no quadro Os Peregrinos de Emmáus. 150 150 λy0 = (8.5)2 11 − 0.8(2 11 − 1) = 98050 O mesmo pode ser feito para outros quadros da Tabela 2.1: Lavagem de pés: 150 150 λy0 = (12.6)2 11 − 0.26(2 11 − 1) = 157134.1 Mulher lendo música: 150 150 λy0 = (10.3)2 11 − 0.3(2 11 − 1) = 127337.2 Mulher tocando bandolim: 150 150 λy0 = (8.2)2 11 − 0.17(2 11 − 1) = 102251.7 A Rendeira: 150 150 λy0 = (1.5)2 11 − 1.4(2 11 − 1) = 1274.7 Mulher sorridente: 150 150 λy0 = (5.2)2 11 − 6(2 11 − 1) = −10181 Por conseguinte, observamos que as obras, Peregrinos de Emmáus, Lavagem de pés, Mulher lendo música e Mulher tocando bandolim são falsicações modernas de Veermer, entretanto, as obras, A Rendeira e Mulher sorridente não são falsicações de Veermer, como armavam alguns especialistas. 14 2. Equações Diferenciais Lineares Homogêneas e não Homogêneas 15 Capítulo 3 Equações Separáveis e Algumas Aplicações 3.1 Equações Separáveis Resolvemos a equação diferencial linear homogênea de primeira ordem dy + a(t)y = 0 dt dividindo ambos os lados de (3.1) por y(t), (3.1) obtendo a equação equivalente 1 dy(t) = −a(t) y(t) dt (3.2) d ln |y(t)| = −a(t), dt (3.3) que pode ser escrita como que integrando ambos os lados de (3.3) encontramos y(t) = ce− R a(t) dt Analogamente podemos resolver uma equação diferencial mais geral da forma dy g(t) = dt f (y) onde f e g (3.4) são funções contínuas. Todas as equações que podem ser escritas da forma de (3.4) são chamadas equações separáveis. Resolvendo a equação diferencial mais geral: f (y) dy = g(t) dt 16 3. Equações Separáveis e Algumas Aplicações obtemos d F (y(t)) = g(t) dt onde F é uma primitiva de f. (3.5) Integrando ambos os lados de (3.5) obtemos Z F (y(t)) = onde c é uma constante arbitrária. apenas determinar Exemplo 3.1. y(t) de (3.6). Para obter a solução geral da equação diferencial dy = 1 + y2 dt 1 dy 1 d 1 = =⇒ arctg(y(t)) = 2 2 1 + y dt 1+t dt 1 + t2 A solução geral será y(t) = tg(arctg(t) + c) =⇒ y(t) = chamando tg(c) = k , tg(arctg(t)) + tg(c) 1 − tg(arctg(t)) tg(c) obtemos: y(t) = Exemplo 3.2. t+k 1 − tk Para encontrar a solução de problema de valor inicial ey dy − (t + t3 ) = 0, dt escrevemos ey y(1) = 1 dy = t + t3 dt de (3.6) temos ey − e = t2 t4 1 1 + − − 2 4 2 4 e ! 3 t2 t4 y(t) = ln e − + + . 4 2 4 Exemplo 3.3. (3.6) Para encontrar a solução geral da equação, basta (1 + t2 ) escrevemos g(t) dt + c Provaremos que a equação diferencial dy at + by + m = , dt ct + dy + n 3.2. Modelos Populacionais onde 17 a, b, c, d, m, e n são constantes, sempre podem ser reduzidas para at + by , se ad−bc 6= ct + dy 0. Chame t=T +h e y = Y + k, com h e k, constantes arbitrárias. Assim obtemos dy dY a(T + h) + b(Y + k) + m aT + bY + ah + bk + m = = = dt dt c(T + h) + d(Y + k) + n cT + dY + ch + dk + n Observamos que: ah + bk + m = 0 ch + dk + n = 0 Obtemos então o sistema ( ah + bk = −m ch + dk = −n Multiplicando a equação (1) por (1) (2) c e a equação (2) por a obtemos as seguintes equações equivalentes: ( cah + bck = −mc cah + adk = −na (3) (4) Subtraindo (4) de (3) obtemos adk − bck = mc − na =⇒ k = mc − na ad − bc e h= bn − md ⇐⇒ ad − bc 6= 0 ad − bc Logo, vemos que dy at + by = dt ct + dy se, ad − bc 6= 0 3.2 Modelos Populacionais O que muitos não sabem é que as equações diferenciais de primeira ordem regem o crescimento de várias espécies. A priori parece estranho denir uma população por meio de uma equação diferencial, já que usamos números inteiros para tal mensuração, e assim a população não poderia ser dada por uma função diferenciável do tempo. A questão se reduz a tomar a aproximação de que grandes populações aumentam continuamente, de forma diferenciável, em relação ao tempo. p(t) r(p, t) a Chamamos tamos por uma população de uma determinada espécie, num tempo t, e deno- diferença entre as taxas de natalidade e mortalidade de tal espécie. Se esta população se encontra isolada, ou seja, está livre de emigração e imigração, então dp , dt a taxa de variação da população, é igual a simples consideramos r rp(t). Em modelos populacionais mais constante e assim podemos dizer que tal variação não depende da 18 3. Equações Separáveis e Algumas Aplicações população e nem do tempo. Então podemos escrever a seguinte equação diferencial dp(t) = ap(t), dt a = constante Tal equação linear é conhecida como a lei de Malthus para crescimento de uma população. Observamos que se uma população inicial p0 é dada no tempo inicial t0 , temos aqui um problema de valor inicial dp(t) = ap(t), dt p(t0 ) = p0 cuja solução é p(t) = p0 .ea(t−t0 ) Assim, constatamos que, pela lei de Malthus, a população cresce exponencialmente com o tempo. Podemos aplicar esta teoria de Malthus a população da Terra entre os anos de 1960 e o 1970. Segundo dados estatísticos, no dia 1 de Janeiro de 1965, a população mundial era de aproximadamente 3.34 bilhões de pessoas e nessa época, como atualmente, o crescimento era de aproximadamente 2% ao ano. Assim temos p(t) = (3.34).109 e0.02(t−1965) Para analisarmos quanto tempo a população da Terra irá levar para dobrar fazemos p(t) = (6.68)109 e assim 2 = e0.02(t−1965) , como 1 e0.02(1965) ≈0 , temos que 2 ≈ e0.02t =⇒ t ≈ ln(2) =⇒ t ≈ 34, 6 0.02 anos , que é uma excelente aproximação para o tempo que levou para a população da terra duplicar. Entretanto, constatamos que se computarmos a população da Terra, segundo a lei de Malthus, haverá no futuro uma discrepância pois, para a variação de tempo muito grande, a população mundial irá supostamente aumentar, de forma que a vida na Terra será inviável. Isso é facilmente vericado, pois no ano de 2011 a população mundial é de aproximadamente 7 bilhões de habitantes, e segundo a lei de Malthus, tal população deveria ser de aproximadamente 8,4 bilhões de habitantes. Como podemos observar, a diferença entre a lei de Malthus e a realidade com o passar dos anos, só tende aumentar. Contudo o modelo de Malthus apresenta algumas concordâncias, observadas na Tabela(3.1), em relação ao cálculo do aumento populacional de algumas espécies, como por exemplo, Microtus Arvallis Pall, um tipo de roedor, que se reproduz rapidamente, 3.2. Modelos Populacionais 19 Meses 0 2 6 10 p observada 2 5 20 109 p calculada 2 4.5 22 109.1 Tabela 3.1: O crescimento do Microtus Arvallis Pall. com uma taxa de 40% ao mês. Assim temos o problema de valor inicial dp(t) = 0.4p, dt p(0) = 2 cuja solução é p(t) = 2e0.4t Claramente constatamos que os modelos lineares para crescimento populacional deixa de ser satisfatório para grandes populações, pois há competição entre os indivíduos por espaço vital, alimentos e recursos naturais. Portanto devemos incluir um termo de competição à equação diferencial linear e a escolha apropriada para tal termo é −bp2 , onde b é uma constante, já que a estatística média do número de encontros por unidade de tempo é proporcional a p2 . A equação diferencial torna-se dp = ap − bp2 dt (3.7) que é conhecida como a lei logística para crescimentos populacionais, onde chamados de coecientes vitais da população. Comparando a e b, grande, o termo −bp 2 −bp é desprezível comparado a ap. Quando p e b são vemos que a segunda constante geralmente é muito pequena comparada à primeira, e assim se 2 a p não for muito é muito grande o termo não pode ser negligenciado. Consideremos agora, uma população isolada satisfazendo o problema de valor inicial dp = ap − bp2 , dt p(t0 ) = p0 Estamos diante de uma equação separável e realizando as devidas manipulações algébricas obtemos Z p p0 dr = ar − br2 Z t ds (3.8) t0 Para resolvermos a integral do lado esquerdo da expressão acima, recorremos às frações parciais e obtemos que Z p p0 dr 1 = ar − br2 a Z p p0 ! 1 b + dr r a − br 20 3. Equações Separáveis e Algumas Aplicações Resolvendo as integrais em (3.8) temos # " 1 p a − bp0 ap0 ea(t−t0 ) ap0 ln = = t − t0 =⇒ p(t) = a(t−t ) 0 a p0 a − bp a − p0 b + p0 be (a − p0 b)e−a(t−t0 ) + p0 b (3.9) a t → ∞, obtemos p(t) = . Assim podemos dizer b inicial p0 , a população tende ao valor limite a/b e se Tomando a equação (3.9) e fazendo que independentemente do valor 0 < p0 < a/b notamos que p(t) é uma função monótoma e crescente em relação ao tempo. Além disso, vemos que gráco de d2 p dp dp − 2bp = (a − 2bp)p(a − bp), = a dt2 dt dt crescente se p(t) < a/2b e dp/dt é decrescente se p(t) > a/2b. dp/dt é p(t), como Assim o observado na gura 3.1, é chamado de curva logística. Figura 3.1: Curva logística Voltamos à questão da população humana em a = 0.029. 2011. Alguns especialistas estimam que Sabemos que a taxa de crescimento populacional é de aproximadamente ao ano e que a população mundial em b = (2.695)10−12 1965 era de 9 (3.34)10 2% . Usando (3.7) obtemos que e temos que a população humana é p(t) = 0.029.(3.34)109 ≈ 7.109 [0.029 − 9.10−3 ]e−1.334 − 9.10−3 habitantes que é uma ótima concordância com os valores vericados por alguns estudiosos. Exemplo 3.4. Uma família de salmões que habita a costa do Alasca é regida pela lei 3.3. Disseminação de Inovações Tecnológicas malthusiana de crescimento populacional 21 dp(t) = 0.003p(t), dt onde No tempo t = 0 os peixes. A taxa ao qual os tubarões matam os peixes é de t se mede em minutos. um grupo de tubarões se estabelece nestas águas e começa à atacar população de salmões no tempo t. 0.001p2 (t), onde p(t) é a Além disso, um elemento indesejável se incorpora ao seu habitat e 0.002 salmões por minuto abandonam seu habitat no Alasca. A partir destas informações obtemos que a lei de Malthus se modica para dp(t) = 0.003p(t) − 0.001p2 (t) − 0.002 dt e supondo que no tempo t=0 a população é de 1 milhão de salmões, temos a equação diferencial p2 (t) dp(t) 1 = −0.001 − 3p(t) + 2 dt Agora, aplicando a integral em ambos os lados da igualdade e fazendo uma substituição obtemos Z p(t) 1 dr = −0.001 r2 − 3r + 2 p(0) Z Logo p(t) = Fazendo t → ∞, temos 0 t p(t) − 2 p(0) − 2 ds =⇒ ln − ln = −0.001t p(t) − 1 p(0) − 1 1999998 − 999998e−0.001t 999999 − 999998e−0.001t lim p(t) = 2, t→∞ ou seja, quando t → ∞ a população limite de salmões é 2. 3.3 Disseminação de Inovações Tecnológicas Há tempos os economistas e sociólogos têm avaliado como um capital tecnológico se dissemina em uma indústria. Na verdade queremos saber quanto tempo leva para uma tecnologia, adotada por uma certa companhia, seja adotada por outras empresas. Para exemplicar determinamos um modelo matemático que mostra como uma inovação se propaga entre os agricultores. Supomos que certa tecnologia seja introduzida no tempo de N t=0 numa comunidade xa agricultores e que um agricultor adota a inovação quando conversou com outro que à adotou. Considere p(t) uma certa quantidade de agricultores que adotaram tal inovação t e ∆p a variação da quantidade de agricultores que adotaram a nova tecnologia num intervalo ∆t pequeno, é diretamente proporcional ao número de agricultores que já a adotaram (p) e dos que ainda não a adotaram (N − p), ou seja, no tempo ∆p = cp(N − p)∆t =⇒ ∆p = cp(N − p) ∆t 22 3. Equações Separáveis e Algumas Aplicações para alguma constante positiva c. Fazendo ∆t −→ 0, obtemos a equação diferencial dp = cp(N − p) dt (3.10) Constatamos que a equação (3.10) é uma equação logística; é só substituir b = c. Se um agricultor adotou a inovação num tempo t = 0, vemos que p(t) a = cN e satisfaz o problema de valor inicial dp = cp(N − p), dt p(0) = 1 (3.11) Fazendo as devidas manipulações constatamos que 1 dp =1 p(cN − cp) dt e aplicando a anti derivada em ambos os lados obtemos Z 1 p(t) 1 dr = t r(cN − cr) Agora utilizando a integração de funções racionais por frações parciais obtemos 1 cN "Z p(t) 1 # 1 1 N ecN t + dr = t =⇒ p(t) = r N −r N − 1 + ecN t (3.12) Constatamos que o modelo adotado se acelera até o ponto no qual a metade da comunidade está informada da inovação. Depois deste ponto o processo sofre uma desaceleração até alcançar o valor zero. Tomemos como exemplo o caso de Iowa nos Estados Unidos, onde os agricultores, entre os anos de 1944 e 1955, propagaram o uso do herbicida 2, D-4 para a contenção de pragas, como segue a Figura 3.2, que representa o número acumulado de agricultores que adotaram o herbicida pelo tempo. Como foi dito anteriormente nestes casos há uma certa discrepância, principalmente quando a comunidade de agricultores que adotaram a inovação ultrapassa os 50%. Muitos estudiosos avaliaram que os meios de comunicação como, rádio, televisão, jornais e revistas inuenciam na propagação das inovações. Por isso, vemos que é necessário agregar um termo à equação (3.11). Para agregar tal termo devemos assumir que o número de agricultores ríodo ∆t, ∆p que caram sabendo da inovação, pelos meios de comunicação em um pe- é proporcional ao número de agricultores que desconhecem tal inovação. Então temos que ∆p = k(N − p)∆t onde k é uma constante positiva. Observamos que quando ∆t −→ 0, k(N −p) agricultores 3.4. Um Problema de Armazenamento de Resíduos Atômicos 23 Figura 3.2: Total acumulado de agricultores que adotaram o herbicida 2, D-4 em Iowa por unidade de tempo se inteiram da existência das inovações pelos meios de comunicação. Portanto, se p(0) = 0, temos que p(t) satisfaz o problema de valor inicial dp = cp(N − p) + k(N − p), dt p(0) = 0 cuja solução é p(t) = N k[e(k+cN )t − 1] cN + ke(k+cN )t (3.13) 3.4 Um Problema de Armazenamento de Resíduos Atômicos Por muitos anos a Comissão Controladora de Energia Nuclear dos Estados Unidos assumiu o controle dos resíduos de materiais radioativos depositando-os em recipientes hermeticamente lacrados e lançados ao mar a uma profundidade de 90 metros (300 pés). Entretanto, esta prática foi muito questionada por ecologistas e cientistas do mundo todo. Assim a comissão americana foi forçada a mostrar que tais recipientes de armazenamento eram seguros, ou seja, não apresentariam ssuras, e consequentemente não causariam incidentes ambientais. Não satisfeitos alguns engenheiros questionaram a comissão sobre se o impacto dos recipientes no fundo do mar causariam ssuras nestes, ocasionando assim um acidente ambiental. Após vários estudos foi constatado que, se a velocidade do recipiente alcançasse uma velocidade de 12 metros por segundo, na hora do impacto, tais recipientes iriam se romper 24 3. Equações Separáveis e Algumas Aplicações e causar um desastre ecológico. Portanto, nos preocupamos em calcular a velocidade dos recipientes para que possamos avaliar se haverá rompimento nestes. Para tal estudo usaremos a mecânica newtoniana como alicerce e concluiremos nossas análises sobre o fato abordado. d2 y , ou seja, a segunda derivada da distância dt2 d2 y F em relação ao tempo t, assim obtendo a segunda lei de Newton , = m dt2 Representaremos a aceleração como percorrida m a massa do objeto em questão, W é o peso de um objeto determinado como W = mg , g a força da gravidade, que é igual a 9.8 metros por segundo onde F y é a força resultante, ao quadrado ou 32.2 pés por segundo ao quadrado. Observação 3.5. Embora, o sistema internacional de pesos e medidas seja o mais utili- zado atualmente, nesta seção usaremos o sistema inglês de pesos e medidas. Observamos que as forças que atuam sobre um recipiente ao ser lançado são; o peso (W ), com magnitude de 527.436 lb, a força hidrostática de empuxo B, que é o peso da água mudada pelo volume do recipiente , que pode ser calculada se tomarmos os 55 galões lançados pela Comissão Controladora de Energia Nuclear, que tem um volume de 7.35 f t3 , e multiplicarmos por 63.99 lb, que é o peso de 1 f t3 de água salgada, obtendo assim B = 470.327 lb. A força D é a força de resistência hidrodinâmica que atua sobre o recipiente e se opõe sobre ele, e geralmente D é diretamente proporcional à velocidade V do corpo. Então temos D = cV , onde c é uma constante positiva. Após alguns testes envolvendo reboques, alguns engenheiros concluíram que a trajetória do recipiente tem pouco efeito sobre a força de resistência e que D = 0.08 V lb · s/f t. Agora, tomemos y = 0, ao nível do mar e consideremos positivo o sentido para baixo, assim W positiva e B e D forças negativas e é uma força 1 g d2 y = (W − B − cV ) = (W − B − cV ) 2 dt m W Fazendo V = dy/dt obtemos dV cg g + V = (W − B) dt W W Quando o recipiente solto no mar temos V (0) = 0. Logo, temos que é uma equação diferencial de primeira ordem com problema de valor inicial dV cg g + V = (W − B), dt W W Calculando o fator integrante temos cgt µ(t) = e W V (0) = 0 3.4. Um Problema de Armazenamento de Resíduos Atômicos Assim 25 " # cgt d cgt g [e W V ] = (W − B) e W dt W Agora, basta integrarmos em ambos os lados da igualdade acima e obtermos V (t) = −cgt W −B [1 − e W ] c (3.14) Constatamos que a equação (3.14) é usada para calcular a velocidade do recipiente no tempo y. t, mas infelizmente é impossível avaliar t explicitamente como uma função de Assim, não podemos usar (3.14) para calcular a velocidade do recipiente no momento do impacto. Mesmo assim a comissão controladora insistiu em mostrar que os recipientes não se romperiam com o impacto. Podemos observar que V (t) é uma função monótona e crescente, pois V 0 (t) = (W − B)g −cgt [e W ] W e o lim V (t) = t→∞ W −B c V (t) ≤ Vt e podemos dizer que (W − B)/c, e se esta velocidade é menor é a velocidade limite do recipiente. Logo, concluímos que a velocidade terminal do recipiente é menor que que 40f t/s(12m/s), então o recipiente não sofre ssuras, com o impacto. Entretanto, temos 527.436 − 470.327 W −B = = 713.86f t = 217.58 m/s c 0.08 que é um valor extremamente grande. Para amenizar a diferença entre a comissão americana e os engenheiros resta calcular a velocidade do recipiente em função da posição, ou seja, v(y), que é diferente da função V (t) . Podemos relacionar ambas as funções na equação V (t) = v(y(t)) e aplicando a regra da cadeia obtemos dV dv dy = dt dy dt substituindo F = mg temos W dv dy = W − B − cV, g dy dt Como dy dt = V (t) = v(y(t)) concluímos que v satisfaz a equação diferencial v dv g = W − B − cv dy W 26 3. Equações Separáveis e Algumas Aplicações Fazendo v(y(0)) = V (0) = 0, obtemos um problema de valor inicial, e aplicando a anti- derivada em ambos os lados da igualdade obtemos v Z r g dr = W − B − cr W 0 y Z ds 0 Assim temos " cgy (W − B) |W − B − cv| v=− + .ln W c W −B Como vemos !# v não poder ser expressa como uma função explicita de y , mas esta diculdade pode resolvida com o auxílio de uma máquina (calculadora ou computador). É só darmos inicialmente uma boa aproximação para v(300), onde 300 ft é a profundidade . Vamos considerar a uma velocidade v(y) satisfazendo o problema de valor inicial W v dv = W − B − cv, g dy Inicialmente façamos por u c = 0, v(0) = 0 ou seja, estamos desconsiderando o atrito e substituindo v temos um novo problema de valor inicial W u du = W − B, g dy u(0) = 0 que resolvendo obtemos u(y) = 2g (W − B)y W ! 21 Em particular, no caso do conito entre os engenheiros e a Comissão Controladora de Resíduos Atômicos temos u(300) = ! 21 2g (W − B)300 = W Podemos observar que u(300) é uma boa aproximação de fato. Sabemos que a velocidade se y 6 300. 2(32.2)(57.109).(300) 527.436 v cresce conforme y ! 21 v(300), 0.08 u(300) ≈ 3.7 lb. isto se deve ao seguinte cresce. Então temos Consequentemente, a força de resistência da água sempre menor que ≈ 45.7 f t/s ≈ 13, 9 m/s D v(y) 6 v(300) que atua no recipiente é Agora a força de resistência W −B que arrasta o recipiente para baixo é de aproximadamente 57.1 lb, D. deveria ser uma boa aproximação de v(t). De fato, neste caso se calcularmos numericamente encontraremos que v(300) = 45.1 f t/s. Isto é razoável, consequentemente que u(y) que é muito grande comparado a Então, vemos que o recipiente ao chocar com o fundo do mar ele fatalmente se romperá, e assim os engenheiros estavam certos. Exemplo 3.6. Demostraremos que os recipientes com resíduos atômicos não sofrerão 3.5. Dinâmica de Desenvolvimento de Tumores, Problemas de Mistura e Trajetórias Ortogonais 27 rachaduras se são arremessados a uma profundidade 2g(W − B)L W (L)f t no mar com ! 12 < 40 De fato, 2g(W − B)L W ! 12 < 40 =⇒ 2g(W − B) =⇒ L < L 800W = 1600 =⇒ L < W g(W − B) 800(527.436) ≈ 229.456f t = 69.938m 32.2(57.1090) Após alguns cálculos é facilmente constatado que a partir de uma distância superior a 229.5f t o recipiente fatalmente sofreria rachaduras, mas como L < 229.456 f t, temos que a essa distância o objeto não romperá ao chocar-se com o fundo do mar. 3.5 Dinâmica de Desenvolvimento de Tumores, Problemas de Mistura e Trajetórias Ortogonais Nesta seção vemos aplicações das equações diferenciais de primeira ordem, que envolvem o crescimento de tumores, os problemas de mistura, também conhecido como análise de compartimento e mostramos como encontrar uma família de curvas ortogonais a uma outra família de curvas dadas. 3.5.1 Dinâmica de Desenvolvimento de Tumores Foi observado por alguns cientistas, que algumas células livres, como as bactérias, se desenvolvem a uma taxa proporcional ao volume das células, quando estas estão em processo de divisão. Podemos escrever o volume da célula em função do tempo, V (t) e dV = λV dt onde λ é uma constante positiva. Se tomamos V (t0 ) = V0 , temos que a solução do problema de valor inicial é V (t) = V0 eλ(t−t0 ) (3.15) Podemos facilmente vericar que as células livres se desenvolvem exponencialmente. Exemplo 3.7. Observamos em (3.15) que as células livres se duplicam numa variação de 28 3. Equações Separáveis e Algumas Aplicações tempo igual a ln(2)/λ. É só tomarmos V (t) = 2V0 e assim 2V0 = V0 eλ∆t =⇒ eλ∆t = 2 =⇒ ∆t = ln2 λ Um caso importante a ser mencionado é o crescimento de tumores enrijecidos. Muitos pesquisadores mostraram que tais tumores não crescem exponencialmente, mas se desenvolvem continuamente incrementando o tempo de duplicação do volume total. Alguns especialistas avaliaram que durante o aumento de quase mil vezes o volume inicial de um tumor enrijecido os dados observados levam à expressão λ −αt ) V (t) = V0 e α (1−e onde λ é a taxa de crescimento e α é a constante de retardo. (3.16) A equação (3.16) é chamada de relação gompertiziana. Outra importante observação é que λ lim V (t) = V0 e α t→∞ Isso signica que, embora o crescimento do tumor seja contínuo, ele ocorre de forma cada vez mais lenta. O fato que intrigava os médicos era entender como ocorria o desvio de (3.15) para (3.16). A melhor perspectiva sobre tal indagação foi de encontrar uma equação diferencial que tinha V (t) como solução. diferencial como Derivando (3.16) em relação a t obtemos a equação λ dV −αt = V0 λe−αt e α (1−e ) dt λ V (t) = V0 e α (1−e −αt ) , temos que dV = V λe−αt dt (3.17) Duas teorias antagônicas têm sido propostas para explicar a dinâmica do crescimento dos tumores e correspondem a cada uma das seguintes regras. dV = λe−αt V dt (3.18) dV = λ e−αt V dt (3.19) De acordo com a primeira teoria, o efeito de retardo no crescimento do tumor se deve ao aumento do tempo médio de geração de células, que se reproduzem sem uma compensação na propagação de reprodução de células. Com o decorrer do tempo as células reprodutivas 3.5. Dinâmica de Desenvolvimento de Tumores, Problemas de Mistura e Trajetórias Ortogonais 29 sofrem o processo de maturação ou envelhecem, pois se dividem mais lentamente. Esta teoria é referente a equação (3.18). A equação (3.19) sugere que o tempo médio de geração de células em processo de divisão é constante, e que o envelhecimento no crescimento se deve a perda de células reprodutoras no tumor.Uma possível explicação sobre isto é que se desenvolve uma região necrótica no centro do tumor. Segundo esta teoria, o núcleo necrótico se desenvolve devido à que em muitos tumores o fornecimento de sangue, portanto de oxigênio e nutrientes, se restringe quase por completo até a superfície tumoral e as regiões em torno dela. Conforme o tumor aumenta, o fornecimento de oxigênio, por difusão em direção ao núcleo ca dicultado, o que traz consigo a formação de um núcleo necrótico. Exemplo 3.8. Aplicando em um caso particular um tumor cancerígena se desenvolve segundo a relação gompertziana. Suponha um tumor que tenha uma taxa de 20% 104 células e crescia a por unidade de tempo e o valor da constante de retardo é de 0.02. Vamos determinar o valor limite das células no tumor. Neste caso V0 = 104 , λ = 0.2 e α = 0.002. Tomando a relação gompertziana, obtemos −0.02t ) −0.02t ) 0.2 V (t) = 104 e 0.02 (1−e Calculando o limite de V (t) com =⇒ V (t) = 104 e10(1−e t→∞ obtemos, lim V (t) = 104 e10 , t→∞ que é o valor limite de células no tumor. 3.5.2 Problemas de Mistura Muitos problemas que envolvem mistura de substâncias podem ser encontrados na Biologia, Engenharia e Química e podem ser resolvidos dentro do contexto das equações diferenciais. Supomos que uma substância ρ ui com certa vazão para um tanque, que contém tal substância e outras. A mistura rapidamente se torna homogênea e depois sai do recipiente a uma vazão determinada. Desejamos encontrar a concentração da substância ρ no tanque para todo tempo t. Esse problema é denominado problema de mistura ou análise de compartimento. Exemplo 3.9. de Q0 Uma substância decai exponencialmente, e depois de dois anos ela decai para a metade da sua quantidade inicial, leva para uma substância decair de inicial 5lb para dQ = λQ, dt 1lb. Q0 /2. Vamos determinar quanto tempo Para isso, tomamos o problema de valor Q(t0 ) = Q0 30 3. Equações Separáveis e Algumas Aplicações Assim temos a solução do problema de valor inicial Q(t) = Q0 eλ(t−t0 ) como (t − t0 ) = 2 e Q(t) = Q0 /2 temos então que Q0 ln 2 = Q0 e2λ =⇒ λ = − 2 2 Podemos assim reescrever Q(t) como Q(t) = Q0 e−t ln 2 2 √ =⇒ Q(t) = Q0 2−t Supomos a densidade da substância constante. Assim, dizemos que a densidade nal é igual a densidade inicial, então 5 ln 5 1 1 5 √ =⇒ =⇒ t = 2 = = Q0 Q(t) Q0 ln 2 Q0 2−t Exemplo 3.10. 150 gal de água. contendo 1/2 lb de sal solvidos em tanque Considere um tanque que no tempo anos t = 0, Supomos que a uma vazão de ≈ 4.644 anos Q0 lb de sal dis3 gal/min entra água no contém por galão e com a mesma rapidez sai água com a mistura bem homogeneizada do tanque. Dentro destas condições encontramos uma expressão que represente a concentração de sal no tanque, no tempo t. Podemos avaliar que a quantidade de sal por minuto que entra no tanque é de Qe = (1/2 lb/gal).(3 gal/min) = 3 lb/min 2 A quantidade de sal por minuto que sai do tanque é de Qs = (Q lb/150 gal)(3 gal/min) = 0.02Q lb/min, onde Qé a quantidade de sal no tanque no momento da mistura. Temos então a equação diferencial dQ dQ = 1.5 − 0.02Q =⇒ + 0.02Q = 1.5 dt dt que é uma equação diferencial linear de primeira ordem equivalente a 1.5e0.02t . Aplicando a antiderivada em ambos os lados obtemos d 0.02t [e ]Q = dt 1 Q0 e−0.02t Q(t)e0.02t − Q0 = 75(e0.02t − 1) =⇒ Q(t) = (1 − e−0.02t ) + 2 150 que é a expressão que representa a concentração de sal no tempo t. 3.5. Dinâmica de Desenvolvimento de Tumores, Problemas de Mistura e Trajetórias Ortogonais 31 3.5.3 Trajetórias Ortogonais Frequentemente na física é necessário determinar trajetórias ortogonais a uma família de curvas, ou seja, encontrar uma curva que intercepta, em ângulo reto, cada um dos membros de uma família de curvas. Um dos problemas físicos que podemos resolver com as trajetórias ortogonais é a de uma partícula que se move sob a inuência de um campo magnético. Ela descreve sempre uma curva que é perpendicular a cada uma das linhas do campo magnético. Podemos encontrar trajetórias ortogonais da seguinte forma. Considere uma família de curvas descrita segundo a equação F (x, y, c) = 0. Derivando (3.20) parcialmente em relação a Fx + Fy com x (3.20) obtemos dy Fx dy = 0 =⇒ =− dx dx Fy Fy 6= 0, que representa a declividade das curvas descritas por (3.20) e cuja família de trajetórias ortogonais terá declividade Fy dy = dx Fx Exemplo 3.11. Para a família de parábolas y = λx2 , temos F (x, y, λ) = y − λx2 Substituindo λ = y/x2 obtemos Z x dx + 2y dy = 0 =⇒ Exemplo 3.12. cx. x dx + x2 + y2 = c 2y dy = 0 =⇒ 2 Vamos determinar às trajetórias ortogonais à família de curvas dy Fy 2xy = = 2 , dx Fx x − y2 y = vx temos Sabemos que Fazendo Z onde substituímos x2 + y 2 = c = (x2 + y 2 )/x. dy dv dv 2v 1 v2 − 1 =v+x =⇒ v + x = =⇒ dx + dv = 0 dx dx dx 1 − v2 x v.(v 2 + 1) Aplicando a antiderivada em ambos os lados da equação acima obtemos Z 1 dx + x Z v2 − 1 dv = c =⇒ v.(v 2 + 1) Z 1 dx − x Z 1 dv + v Z 2v dv = c =⇒ +1 v2 32 3. Equações Separáveis e Algumas Aplicações Figura 3.3: Trajetórias ortogonais a família das curvas ln(x) − ln(v) + ln(v 2 + 1) = c =⇒ x(v 2 + 1) = kv onde k = ec . Voltando v = y/x chegamos à solução x2 + y 2 = yk que são as trajetórias ortogonais a x2 + y 2 = cx λ x2 33 Capítulo 4 Equações Exatas e Teorema da Existência e Unicidade 4.1 Equações exatas Até agora observamos que a princípio poderíamos resolver apenas as equações diferenciais do tipo dy/dt = h(t); em seguida vimos que poderíamos resolver as equações diferenciais lineares de primeira ordem e as separáveis mais geralmente podemos resolver toda equação diferencial escrita como d ψ(t, y) = 0 dt (4.1) que pode ser integrada gerando a função ψ(t, y) = c onde c é uma constante arbitrária e y uma função de t. Exemplo 4.1. A equação y sec2 (t)+sec(t) tg(t)+(2y +tg(t))dy/dt = 0 pode ser expressa da forma d [y tg(t) + sec(t) + y 2 ] = 0. dt Portanto, ψ(t, y) = y tg(t) + sec(t) + y 2 = c Exemplo 4.2. como, A equação d 2 [t sen y + y 3 et ]. dt e y= − tg(t) ± p tg2 (t) − 4 sec(t) + 4c 2 2tsen y + y 3 et + (t2 cos y + 3y 2 et )dy/dt = 0 pode ser expressa Assim, ψ(t, y) = t2 sen y + y 3 et = c Neste caso não podemos explicitamente determinar 4.1 y como uma função de t. A equação é uma equação diferencial de primeira ordem mais geral que pode ser resolvida. É 34 4. Equações Exatas e Teorema da Existência e Unicidade importante reconhecermos quando uma equação diferencial pode ser colocada nessa forma. Observe que nos dois exemplos anteriores não é tão evidente a solução para ambas as equações diferenciais.Analisando o exemplo 4.1 podemos vericar que a sua solução pode ser obtida pela regra da cadeia para derivadas parciais. Assim temos d ∂ψ ∂ψ dy ψ(t, y(t)) = + dt ∂t ∂y dt e a equação diferencial M (t, y) + N (t, y) dy dt pode ser escrita na forma d ∂ψ [ψ(t, y)] = 0 ⇐⇒ M (t, y) = dt ∂t Agora perguntamos se, dada as funções que M (t, y) = ∂ψ/∂t e N (t, y) = ∂ψ/∂y e N (t, y) = ∂ψ ∂y M (t, y) e N (t, y) existe uma função ψ(t, y), tal ?. Infelizmente, como diz no teorema a seguir, a resposta quase sempre é não. Teorema 4.3. Sejam M (t, y) e N (t, y) funções contínuas e que admitem derivadas parciais contínuas em relação a t e y no retângulo R formado pelos pontos (t, y), onde a < t < b e c < y < d. Então existe uma função ψ(t, y) tal que ∂ψ ∂t M (t, y) = e N (t, y) = ∂ψ ∂M ∂N ⇐⇒ = ∂y ∂y ∂t em R Demonstração. Integrando Supomos que M (t, y) M (t, y) = ∂ψ ∂t e N (t, y) = em ambos os lados, em relação a t, ∂ψ , ∂y para uma função ψ(t, y). temos Z ψ(t, y) = onde g(y) é uma função de obtemos y. M (t, y) dt + g(y) (4.2) Aplicando a derivada parcial em relação a ∂ψ = ∂y Z y em (4.2) ∂M (t, y) dg dt + ∂y dy que será Z N (t, y) ⇐⇒ N (t, y) = ∂M (t, y) dg dt + ∂y dy Observamos que o lado direito de (4.3) nos parece ser uma função tanto de t, mas o lado esquerdo de (4.3) é uma função apenas de y. (4.3) y quanto de Então, para que haja sentido 4.1. Equações exatas 35 temos que o lado direito da equação deve ser uma função apenas de ter " Z ∂ N (t, y) − ∂t Portanto, devemos # ∂M (t, y) ∂N ∂M dt = − = 0 =⇒ ∂y ∂t ∂y =⇒ Assim, podemos obter y. ∂N ∂M = ∂t ∂y g(y), integrando, em relação a y ambos os lados de (4.3) obtendo Z " # ∂M (t, y) dt dy δy Z N (t, y) − g(y) = Consequentemente temos Z " Z ψ(t, y) = com, M (t, y) = Denição 4.4. ∂ψ ∂t e N (t, y) − M (t, y) dt + N (t, y) = A equação diferencial é chamada de exata se Observação 4.5. Observação 4.6. dy =0 dt (4.5) ∂M ∂N = ∂y ∂t Esta denição se justica pelo fato do lado esquerdo de (4.5) ser uma ∂N ∂M = ∂y ∂t É comum dizermos que ψ(t, y) = constante é a solução de uma equação derivada exata de uma função conhecida de t e y se Na maioria das vezes as equações diferenciais exatas não podem ser resolvidas explicitamente, para avaliar y como uma função de t. Entretanto, com uma máquina (Calculadora ou Computador) podemos calcular o valor de Contudo, representaremos y(t), determinar a ψ(t, y) y(t) com certo grau de precisão. quando necessário, como uma função implícita. Para determinarmos o valor de 1o (4.4) ∂ψ . ∂y M (t, y) + N (t, y) exata. # ∂M (t, y) dt dy ∂y Z ψ(t, y) não é necessário decorar a equação (4.4). Para indicamos o uso de um dos três métodos propostos abaixo: Método: A equação M (t, y) = ∂ψ/∂t determina ψ(t, y) como uma função arbitrá- ria apenas de y. Então temos que Z 0 Z M (t, y) dt + g(y) =⇒ g (y) = N (t, y) − ψ(t, y) = ∂M (t, y) dt ∂y 2o Método: A equação N (t, y) = ∂ψ/∂y determina ψ(t, y) Z ψ(t, y) = 0 N (t, y) dy + h(t) =⇒ h (t) = M (t, y) − Z ∂N (t, y) dy ∂t 36 4. Equações Exatas e Teorema da Existência e Unicidade 3o Método: A equações ∂ψ/∂t = M (t, y) e ∂ψ/∂y = N (t, y) implicam que Z ψ(t, y) = e M (t, y) dt + g(y) Z ψ(t, y) = N (t, y) dy + h(t) e por simples comparação podemos determinar Exemplo 4.7. g(y) e h(t). Do exemplo 4.1 temos que, pelo primeiro método δψ = ysec2 (t) + sec(t)tg(t) =⇒ ψ(t, y) = y tg(t) + sec(t) + g(y) δt Agora derivando em relação a y obtemos tg(t) + g 0 (y) = tg(t) + 2y =⇒ g 0 (y) = 2y =⇒ g(y) = y 2 Portanto, ψ(t, y) = y tg(t) + sec(t) + y 2 = c ⇒ onde c é uma constante arbitrária e y= Exemplo 4.8. 2t2 ) −tg(t) ± p tg 2 (t) − 4sec(t) + 4c 2 Vamos obter a solução geral da equação diferencial 3t2 + 4ty + (2y + dy =0 dt Pelo segundo método temos ∂ψ = 2y + 2t2 =⇒ ψ(t, y) = y 2 + 2yt2 + h(t) ∂y Derivando em relação a t obtemos δψ = 4ty + h0 (t) =⇒ 4ty + h0 (t) = 4ty + 3t2 =⇒ h(t) = t3 δt Assim temos ψ(t, y) = y 2 + 2yt2 + t3 = c =⇒ y(t) = −t2 ± onde c √ t4 − t3 + c é uma constante arbitrária Exemplo 4.9. Do exemplo 4.2 temos que, pelo terceiro método ∂ψ ∂ψ = t2 cos(y) + 3y 2 et , = 2t sen(y) + y 3 et ∂y ∂t 4.1. Equações exatas Integrando ∂ψ ∂y 37 em relação a y; e ∂ψ , ∂t em relação a t e igualando temos t2 sen(y) + y 3 et + h(t) = t2 sen(y) + y 3 et + g(y) Por simples comparação temos que h(t) = g(y) = 0. Logo, temos ψ(t, y) = t2 sen(y) + y 3 et = c onde c é uma constante arbitrária Exemplo 4.10. Vamos obter a solução do problema de valor inicial 3t2 y + 8ty 2 + (t3 + 8t2 y + 12y 2 ) dy = 0, dt y(2) = 1 Temos que M (t, y) = 3t2 y + 8ty 2 e N (t, y) = t3 + 8t2 y + 12y 2 Derivando parcialmente M em relação a y ∂M = 3t2 + 8ty 2 ∂y existe uma função e ψ(t, y) e N e em relação a respectivamente temos ∂N = 3t2 + 16t2 y ∂t tal que ∂ψ = 3t2 + 8ty 2 ∂t (i) ∂ψ = t3 + 8t2 y + 12y 2 ∂y (ii) Pelo terceiro método, integrando (i) e (ii) em relação a t e y ψ(t, y) = t3 y + 4t2 y 2 + g(y) ψ(t, y) = t3 y + 4t2 y 2 + 4y 3 + h(t) Igualando as expressões vemos que g(y) = 4y 3 e h(t) = 0 Assim temos t, respectivamente obtemos 38 4. Equações Exatas e Teorema da Existência e Unicidade ψ(t, y) = t3 y + 4t2 y 2 + 4y 3 Portanto, a solução do problema de valor inicial é ψ(2, 1) = c = 28 4.2 Equação não exata e fator integrante Supomos agora, que haja uma equação diferencial não exata M (t, y) + N (t, y) dy =0 dt (4.6) A pergunta é será que conseguimos transformar esta equação não exata em exata, ou seja, será que conseguimos encontrar um fator integrante µ(t, y) M (t, y) + µ(t, y) N (t, y) µ(t, y) tal que dy =0 dt (4.7) que é equivalente a (4.6) e que seja exata ? Se isso for possível temos que ∂ ∂ [µ(t, y)M (t, y)] = [µ(t, y)N (t, y)] =⇒ ∂y ∂t =⇒ µ Denição 4.11. (4.8) µ(t, y) que satisfaz (4.8) se chama fator integrante de (4.6). (4.7) na forma (d/dt) ψ(t, y) = 0 e integrarmos diretamente Uma função Assim é possível escrever para obter ∂µ ∂N ∂µ ∂M +M =µ +N ∂y ∂y ∂t ∂t ψ(t, y) = c. Infelizmente há apenas dois casos em que a equação (4.8) tem uma solução explícita, quando (4.6) tem um fator integrante que é uma função que depende apenas de a equação (4.8) se reduz à dµ µ = dt N ∂M ∂N − ∂y ∂t ! Esta equação não terá sentido a menos que a expressão ∂M ∂N − ∂y ∂t N t. Então 4.2. Equação não exata e fator integrante seja uma função apenas de t, 39 ou seja, se ∂M ∂N − ∂y ∂t = R(t) N Logo, nesse caso R R(t)dt µ(t, y) = e é um fator integrante para (4.6) Para o segundo caso que µ depende apenas de µ M +µ N temos M y temos dy =0 dt ∂µ ∂M ∂µ ∂N +µ =N +µ dy dy dt dt Como o primeiro termo do lado direito da expressão acima tende a zero temos M ∂N ∂M ∂µ =µ − dy dt dy ! ∂µ =µ dy =⇒ Tomando ∂N ∂M − dt dy ! M ! ∂M ∂N − dt dy = R(y) M e integrando ambos os lados da igualdade temos R µ(t, y) = e R(y) dy que também é um fator integrante para (4.6) Observação 4.12. t função tanto de M (t, y) e N (t, y) Notamos que a expressão quanto de y. (∂M/∂y − ∂N/∂t)/N é quase sempre uma Apenas em alguns casos especiais de pares de funções conseguimos expressar uma função unicamente por t. E esta é a causa de não podermos resolver muitas equações diferenciais. Exemplo 4.13. (∂N/∂t − ∂M ∂y)/M = Q(y) então a equação diferencial R M (t, y) + N (t, y)dy/dt = 0 tem um fator integrante µ(y) = e Q(y)dy . Se µ = µ(y) Se temos µ ∂µ = ∂y M ∂N ∂M − ∂t ∂y ! = µQ(y) =⇒ 1 dµ = Q(y)dy µ não exata 40 4. Equações Exatas e Teorema da Existência e Unicidade Portanto, temos que µ(y) = e R Q(y)dy Exemplo 4.14. Vamos achar a solução da equação diferencial y2 /2+2yet +(y+et )dy/dt = 0. Neste caso M (t, y) = (y 2 /2) + 2yet ∂M/∂y = y + 2et e ∂N/∂t = et , mas 1 N ∂M ∂N − ∂y ∂t e N (t, y) = y + et . ! = Esta equação não é exata, pois y + et = 1 =⇒ µ(t) = et y + et Agora que encontramos o fator integrante temos a equação diferencial equivalente y2 t dy e + 2ye2t + (yet + e2t ) = 0 2 dt que é exata. Assim, podemos usar o terceiro método para resolver equações exatas y2 ∂ψ = et + 2ye2t ∂y 2 ∂ψ = yet + e2t ∂t Integrando (4.9) em relação a t e (4.10) em relação a y (4.9) (4.10) e igualando as funções obtemos y2 y2 t e + ye2t + g(y) = et + ye2t + h(t) =⇒ g(y) = h(t) = 0 2 2 Assim temos y2 t e + ye2t = c 2 função de t temos ψ(t, y) = Se resolvermos esta equação por y em y(t) = −et ± onde c √ e2t + 2ce−t é uma constante arbitrária. 4.3 Teorema da existência e unicidade e iterações de Picard Consideremos o seguinte problema de valor inicial dy = f (t, y) dt onde f é uma função de t e y. y(0) = y0 (4.11) Como visto anteriormente é possível que (4.11) não possa ser resolvida explicitamente . Então, isso nos leva a fazer as seguintes perguntas. 4.3. Teorema da existência e unicidade e iterações de Picard 41 Será que o problema de valor inicial (4.11) tem realmente solução. Se não podemos exibi-la ? Como é possível saber se (4.11) tem uma única solução ? Para resolver a primeira pergunta é necessário estabelecer a existência de uma função y(t) cujo valor em t = t0 é y0 , em qualquer t é igual a f t, y(t) . Para que isto ocorra é necessário de um teorema que garanta a existência de uma função, com certas propriedades sem a necessidade de expressa-la explicitamente. Através do cálculo sabemos que o limite de uma sucessão de funções expressar y(t). yn (t) é y(t), sem Podemos dar o seguinte exemplo da série de funções yn (t) = sen(nπt) sen(πt) sen(2πt) sen(3πt) + + + ... + 1 22 32 n2 y(t), ainda que não se possa expressar explicitamente. Isto, nos induz a algoritmo que prove a existência de uma solução y(t) para (4.11). Tal algoritmo que tem um limite criar um deve atender as seguintes especicações: a) Construir uma sucessão de funções yn (t) que sejam cada vez menores para resolver o problema de valor inicial (4.11). b) Mostrar que o limite de yn (t) é um y(t) e se encontra num intervalo t0 6 t 6 t0 + α adequado. c) Mostrar que y(t) é solução de (4.11) no intervalo indicado. A seguir segue a construção do algoritmo para possamos provar a existência de Obtenção das sucessões y(t). yn (t) Sabemos que é muito mais fácil resolver um problema se a equação esta escrita na forma especial y(t) = L t, y(t) onde L pode depender explicitamente de y (4.12) e de integrais de y. Temos como exemplo as equações y(t) = 1 + sen t + y(t) e 2 Z y(t) = 1 + y (t) + t y 3 (s)ds 0 L tem de especial é que devemos enxerga-la como uma função y e devolve outra. Tomemos como exemplo a função O que L t, y(t) = 1 + y 2 (t) + Z 0 t y 3 (s)ds máquina que recebe uma 42 se 4. Equações Exatas e Teorema da Existência e Unicidade y(t) = sen(t) ela entra na máquina e obtemos L t, y(t) = 1 + sen2 (t) + Z t sen3 (s)ds 0 Depois ela sai da máquina como 1 1 2 1 cos3 (t) L t, y(t) = + sen2 (t) − sen2 (t) cos(t) − cos(t) = + sen2 (t) + − cos(t) 3 3 3 3 3 y(t) de (4.12) como aquelas funções que L função y(t) na máquina e ela devolver a mesma Assim, podemos caracterizar todas as soluções muda. Agora, se ao introduzirmos uma função, então y(t) é uma solução. Ao escrevermos o problema de valor inicial (4.11) na forma especial (4.12) e integrando ambos os lados em relação a Z t t0 dy(s) ds = ds Temos também que se y(t0 ) = y0 y(t) t, Z se y(t) satisfaz o problema de valor inicial (4.11) temos t f s, y(s) ds =⇒ y(t) = y0 + t0 Z t f s, y(s) ds (4.13) t0 é contínua e satisfaz (4.13), então , então podemos dizer que y(t) dy dt = f t, y(t) . Assim, se é uma solução de (4.11) se e somente se é uma solução contínua de (4.13) Agora, tomamos a equação diferencial Z L t, y(t) = y0 + t f s, y(s) ds t0 Isto sugere o seguinte método para obtermos uma sucessão de soluções aproximadas de (4.13). Iniciaremos propondo uma solução teste é y0 (t) = y0 . Para comprovar se y0 (t) y0 (t) de (4.13). yn (t) A escolha mais simples é uma solução se (4.13) calculamos. t Z f s, y0 (s) ds y1 (t) = y0 + 0 se y1 (t) = y0 , então y(t) = y0 é de fato uma solução de (4.13). procedimento, mas agora utilizando y1 (t) Senão repetimos o para comprovar se ele é solução de (4.13) da seguinte forma Z t f s, y1 (s) ds, y2 (t) = y0 + t0 e assim sucessivamente. Desta maneira denimos uma sequência de funções y1 (t), y2 (t),..., onde Z t yn+1 (t) = y0 + f s, yn (s) ds (4.14) t0 Essas yn (t) são chamadas de aproximações sucessivas ou iterações de Picard. Surpreen- 4.3. Teorema da existência e unicidade e iterações de Picard 43 dentemente tais iterações sempre convergem, num intervalo adequado, para uma solução de (4.13). Exemplo 4.15. Calcularemos as iterações de Picard para o problema de valor inicial y 0 = 2t(y + 1), y(0) = 0 e mostraremos que a solução converge para 2 y(t) = et − 1. Solução Calculando y1 (t) temos t Z 2s ds = t2 y1 (t) = 0 Calculando y2 (t) obtemos Z y2 (t) = t 2s[1 + s2 ] ds = t2 + 0 Calculando y3 (t) t4 2 temos Z y3 (t) = t 2s[1 + s2 + 0 s4 t4 t6 ] ds = t2 + + 2 2! 3! Por recorrência temos que yn (t) = t2 + t2n t4 t6 + + ... + 2! 3! n! Temos que por Taylor 2 y(t) = lim yn (t) = et − 1 n→∞ Convergência das iterações de Picard Como visto anteriormente, as soluções das equações diferenciais não lineares podem não existir para todo valor de rações de Picard yn (t) t. Por isso, não é possível esperar a convergência das ite- de (4.13) para todo t. Para termos uma ideia de onde convergem as iterações de Picard devemos encontrar um intervalo no qual as iterações yn (t) estão |yn (t)| 6 K para uma constante K . De maneira equiretângulo R que contenha os grácos de todas as iterações uniformemente delimitadas, é dizer valente podemos encontrar o yn (t). O Lema 4.16 nos mostrará como encontrar um retângulo assim. Lema 4.16. Escolha dois números positivos quaisquer a e b e considere o retângulo R tal que t0 6 t 6 t0 + a, |y − y0 | 6 b. Calculamos b M = max|f (t, y)|, e faça α = min a, M ! 44 4. Equações Exatas e Teorema da Existência e Unicidade Então, |yn (t) − y0 | 6 M (t − t0 ) (4.15) para t0 6 t 6 t0 + α yn (t) está contido entre as retas y = y0 +M (t−t0 ) e y = y0 − M (t − t0 ) para t0 6 t 6 t0 + α. Estas retas saem do retângulo R para t = t0 + a b b b se a 6 e para t = t0 + se < a. Nestes casos o gráco de yn (t) esta contido em R M M M para t0 6 t 6 t0 + α O Lema 4.16 arma que o gráco de Figura 4.1: (a)α = a; (b)α = b/M Demonstração do Lema 4.16 A demonstração da relação (4.15) será feita por indução. Observamos que (4.15) será verdadeira para n = 0, já que y0 (t) = y0 . Agora é necessário que (4.15) seja verdadeira para n = j + 1, desde que seja verdade para n = j . Podemos deduzir isso de imediato, já que |yj (t) − y0 | 6 M (t − t0 ), então temos Z Z t t |yj+1 − y0 | = f s, yj (s) ds 6 |f s, yj (s) |ds 6 M (t − t0 ) t0 t0 para todo t0 6 t 6 t0 + α. Assim, por indução vericamos que todo n. (4.15) é verdadeira para Agora é possível mostrar que as iterações de Picard de (4.13) convergem para todo t 6 t 6 t0 + α se δf existe e é contínua. O primeiro passo consiste em indicar δy que a sucessão de funções yn (t), que converge para um problema mais fácil, converge para uma certa série innita. Isto é obtido escrevendo yn (t) da seguinte maneira no intervalo t0 4.3. Teorema da existência e unicidade e iterações de Picard 45 yn (t) = y0 (t) + [y1 (t) − y0 (t)] + ... + [yn (t) − yn−1 (t)]. A sucessão yn (t) converge se e somente se y0 (t) + [y1 (t) − y0 (t)] + ... + [yn (t) − yn−1 (t)] converge. Para provar que tal série innita converge basta mostrar que ∞ X |yn (t) − yn−1 (t)| < ∞ n=1 Isso é obtido da seguinte maneira. Utilizando o Teorema do valor médio temos Z Z t t |yn (t) − yn−1 (t)| = [f s, yn−1 (s) −f s, yn−2 (s) ]ds 6 |f s, yn−1 (s) −f s, yn−2 (s) |ds t0 t0 Z t ∂f s, ξ(s) 6 |yn−1 (s) − yn−2 (s)|ds ∂y t0 ξ(s) se encontra entre yn−1 (s) − yn−2 (s). Do Lema 4.16 deduzimos que pontos s, ξ(s) se encontram no retângulo R para s < t0 + α. Assim, temos onde Z todos os t |yn (t) − yn−1 (t)| 6 L |yn−1 (s) − yn−2 (s)|ds, t0 6 t 6 t0 + α (4.16) t0 onde L = max (t,y) em δf s, ξ(s) R δy A equação (4.17) dene a constante L. Tomando Z n=2 t |y2 (t) − y1 (t)| 6 L Z M (s − t0 )ds = t0 Tomando n=3 obtemos t |y1 (s) − y0 (s)|ds 6 L (4.17) t0 L M (t − t0 )2 2! por sua vez obtemos Z t |y3 (t) − y2 (t)| 6 L 2 Z t |y2 (s) − y1 (s)|ds 6 M L t0 t0 (s − t0 )2 M L2 (t − t0 )3 ds = 2 3! Indutivamente obtemos |yn (t) − yn−1 (t)| 6 M Ln−1 (t − t0 )n , t0 6 t 6 t 0 + α n! (4.18) Portanto, para |y1 (t)−y0 (t)|+|y2 (t)−y1 (t)|+|y3 (t)−y2 (t)|... 6 M (t−t0 )+ L M (t − t0 )2 M L2 (t − t0 )3 + +... 2 3! 46 4. Equações Exatas e Teorema da Existência e Unicidade " # L M α2 M L2 α3 M αL2 αL3 M αL 6 Mα + + + ... = αL + + + ... = (e − 1). 2! 3! L 2! 3! L (4.19) Obviamente que esta quantidade é menor que innito. Portanto as iterações de Picard yn (t) convergem para t no intervalo limite de t0 6 t 6 t0 + α. Assim, será denotado por y(t) o yn (t) Demonstração que y(t) satisfaz o problema de valor inicial y(t) Colocaremos em evidência o fato de que Z satisfaz a equação integral t f s, y(s) ds y(t) = y0 + (4.20) t0 Por recorrência obtemos Z t f s, yn (s) ds yn+1 (t) = y0 + (4.21) t0 Calculando o limite em ambos os lados de (4.21) obtemos Z t y(t) = y0 + lim f s, yn (s) ds = y0 + t0 Z t f s, y(s) ds t0 Para que a igualdade acima seja verdadeira temos que demonstrar que Z Z t t f s, y(s) ds − f s, yn (s) ds −→ 0 t0 t0 n → ∞. Para isso observamos que o gráco de y(t) t0 6 t 6 t0 + α, já que y(t) = lim yn (t). Portanto quando para se encontra no retângulo R Z Z Z t t t f s, y(s) ds − f s, yn (s) ds 6 |f s, y(s) −f s, yn (s) |ds t0 t0 t0 Z t |y(s) − yn (s)|ds 6L t0 onde L é uma constante denida em (4.17). Podemos observar que y(s) − yn (s) = ∞ X [yj (s) − yj−1 (s)] j=n+1 4.3. Teorema da existência e unicidade e iterações de Picard 47 Portanto de (4.18) temos ∞ X Lj−1 (s − t0 )j |y(s) − yn (s)| 6 M j! j=n+1 Isso implica que Z Z t Z ∞ ∞ t X X (αL)j t (αL)j f s, y(s) ds − f s, yn (s) ds 6 M ds 6 M α t0 j! j! t0 t0 j=n+1 j=n+1 (4.22) Observe que este somatório tende a zero, quando n tende ao innito, já que o resto do eαL . desenvolvimento da série de Taylor converge para Z t lim n→∞ Para constatarmos se encontrar um δ>0 y(t) f s, yn (s) ds = t Z f s, y(s) ds t0 t0 é contínua temos que mostrar que para todo ε>0 podemos tal que |y(t + h) − y(t)| < ε Obviamente não conseguiremos comparar nhecemos Portanto. temos que y(t) de forma explícita. se y(t + h) |h| < δ com y(t) diretamente, já que não co- Assim, para superar tal diculdade elegemos um inteiro N bem grande e observamos que y(t + h) − y(t) = [y(t + h) − yN (t + h)] + [yN (t + h) − yN (t)] + [yN (t) − y(t)] Com mais detalhes elegemos N sucientemente grande de tal forma que ∞ M X (αL)j ε < L j=N +1 j ! 3 Então de (4.18) segue que [y(t + h) − yN (t + h)] < ε 3 e [yN (t) − y(t)] < ε 3 t < t0 + α e h sucientemente pequeno, tal que t + h < t0 + α. que yN (t) é contínua, pois ela é obtida após N interações sucessivas de Portanto podemos eleger δ > 0 bem pequeno de modo que para ε yN (t + h) − yN (t) < , 3 para |h| < δ Logo, observamos funções contínuas. 48 4. Equações Exatas e Teorema da Existência e Unicidade Por conseguinte, temos y(t + h) − y(t) 6 |y(t + h) − yN (t + h)| + |yN (t + h) − yN (t)| + |yN (t) − y(t)| 6 para |h| < δ . Portanto, y(t) ε ε ε + + =ε 3 3 3 é uma solução contínua da equação integral (4.20). Assim, nalizamos a demonstração de que y(t) satisfaz (4.11). Na verdade foi provado o seguinte teorema Teorema 4.17. Sejam f e δf contínuas no retângulo R com δy t0 6 t 6 t0 + α, |y − y0 | 6 b Calculamos então; b M = max |f (t, y)| e fazemos α = min a, M ! y(t) Então, o problema de valor inicial tem ao menos uma solução no intervalo t0 6 t 6 t0 + α Também é possível voltar ao problema da unicidade das soluções de (4.11). Consideremos o seguinte problema de valor inicial 1 dy = (sen 2t)y 3 , y(0) = 0 dt Uma solução de y(0) = 0. y(t) = 0. (4.23) Podemos obter soluções adicionais se omitirmos do fato de que Então, escrevemos a equação diferencial na forma r 2 3y 3 8 1 dy = sin(2t) =⇒ = sen2 (t) =⇒ y(t) = ± sen3 (t) 1 dt 2 27 3 y que são as duas soluções adicionais de (4.23). Os problemas de valor inicial que possuem mais de uma solução se tornam desagradáveis nas aplicações. Assim é importante encontrar a razão pelo qual o problema de valor inicial (4.23) tem mais de uma solução. Se observarmos o segundo membro da equação diferencial (4.23), vemos que não há derivada parcial em relação a y, em y = 0. Isso é o real problema como mostra o seguinte teorema δf Teorema 4.18. Sejam f e contínuas no retângulo R com t0 6 t 6 t0 +α, |y −y0 | 6 b. δy Calculamos então; b M = max |f (t, y)| e fazemos α = min a, M ! 4.3. Teorema da existência e unicidade e iterações de Picard 49 Então o problema de valor inicial y 0 = f (t, y), y(t0 ) = y0 (4.24) tem uma única solução em t0 6 t 6 t0 + α, ou seja, se y(t) e z(t) são soluções de então y(t) = z(t) para t0 6 t 6 t0 + α Demonstração. O Teorema 4.17 garante a existência de ao menos uma solução de (4.24). Supomos que z(t) (4.24) , y(t) de é uma segunda solução de (4.24). Então temos Z t y(t) = y0 + f s, y(s) ds Z t z(t) = y0 + e f s, z(s) ds t0 t0 Calculando o seguinte módulo da diferença temos Z Z Z t t t |y(t)b−z(t)| = |f s, y(s) −f s, z(s) |ds 6 L |y(s)−z(s)|ds f s, y(s) −f s, z(s) ds 6 t0 t0 t0 onde L é o máximo dos valores δf para todo δy (t, y) em R. A seguir recorremos ao eminente Lema 4.19 para a continuação da prova deste teorema Lema 4.19. Seja w(t) uma função não negativa, com Z t w(t) 6 L w(s)ds (4.25) t0 Então, w(t) é identicamente igual a zero Demonstração equivocada Derivando ambos os lados de (4.25) obtemos dw dw 6 L w(t) =⇒ − L w(t) 6 0 dt dt Ao multiplicar ambos os lados da desigualdade pelo fator integrante d −L(t−t0 ) e w(t) 6 0, dt de forma que obtemos e−L(t−t0 ) w(t) 6 w(t0 ) t > t0 . Portanto, w(t0 ) deve ser nula se w(t) é −L(t−t0 ) Portanto, e w(t) 6 0 e w(t) é identicamente igual para e−L(t−t0 ) não negativa e satisfaz (4.25). a zero. O erro aqui esta em achar que ao derivarmos ambos os lados a desigualdade é mantida, pois sabemos que y = 2t − 2 < z = t, no intervalo [0, 1] , entretanto y 0 = 2 > z 0 = 1, neste 50 4. Equações Exatas e Teorema da Existência e Unicidade intervalo. Este erro pode ser corrigido com o auxilio do seguinte artifício Z t V (t) = t0 Portanto, w(t) = 0, dV w(s)ds =⇒ =w6L dt e−L(t−t0 ) V (t) 6 V (t0 ) = 0 para t > t0 , Z t w(s)ds = L V (t) t0 por isso V (t) = 0 e isso implica que pois Z t 0 6 w(t) 6 L w(s)ds 6 L V (t) = 0 t0 Exemplo 4.20. Determinaremos qual o intervalo máximo que o para que o Teorema 4.17 garanta a existência da solução do problema de valor inicial y0 = 1 + y2, y(0) = 0 Solução: Seja R o retângulo 0 6 t 6 a, |y| 6 b. Calculando M = max(t,y)emR (1 + y 2 ) = 1 + b2 Vemos que y(t) existe para b 0 6 t 6 α = min a, 1 + b2 b α é quando 1+b 2 encontra seu y(t) existe para 0 6 t 6 1/2 Exemplo 4.21. ! . Vemos que o máximo valor de máximo que é 1/2. Portanto, o Teorema 4.17 assegura que Mostraremos que a solução y(t) do problema de valor inicial dy = 1 + y + y 2 cos t2 , y(0) = 0 dt existe para 0 6 t 6 1/3 Solução: e |y| 6 1 Seja R um retângulo com, 0 6 t 6 1/3 e |y| 6 1. Calculamos M = max(1 + y + y 2 cos t2 ) = 3 ! 1 1 1 Assim, temos 0 6 t 6 min , = . Logo, vemos que y(t) 3 3 3 neste intervalo temos |y| 6 1 existe para 0 6 t 6 1/3 e 51 Considerações Finais Finalizo este Trabalho de Conclusão de Curso A avaliando que meus objetivos foram alcançados. Que foram os de ampliar meus conhecimentos em cálculo. Durante este árduo estudo pude conhecer as equações diferenciais lineares de primeira ordem bem como algumas de suas aplicações. Além disso, tive o privilégio de ser assistido pela Professora Selma de Jesus, que me ajudou muito na compreensão das modelagens. Neste Trabalho de conclusão de curso A tive a oportunidade de conhecer melhor alguns fenômenos naturais que são regidos por tais equações, e também tive a oportunidade de conhecer algumas das aplicações das equações diferenciais e como elas ajudaram a resolver alguns problemas históricos. Finalizo este trabalho, com a expectativa de ampliar ainda mais meus conhecimento sobre as equações diferenciais no trabalho de conclusão de curso B. 52 4. Equações Exatas e Teorema da Existência e Unicidade 53 Referências Bibliográcas [1] M. Braun, Dierential Equations and their Applications, 4a edição, New York, Sprin- ger, 1993. Equações Diferenciais Elementares e Problemas de a Valores de Contorno, 7 edição, Rio de Janeiro, 2002. [2] W. E. Boyce e R. C. Diprima, [3] J. Sotomayor, Lições de Equações Diferenciais Ordinárias, Rio de Janeiro, Instituto de Matemática Pura e Aplicada, 1979. [4] L. S. Pontryagin, Ordinary Dierential Equations, Addison-Wesley, 1962.