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Gonçalo Alves é proprietário do recém-inaugurado Areias do Seixo Charm Hotel, uma unidade hoteleira
com características singulares na região e no país não apenas pelo seu requinte, mas também por aliar à
qualidade um conceito que está cada vez mais em voga: o da sustentabilidade. À [Um Concelho] abordou
as especificidades desse projecto, para além de outras temáticas às quais está associado como o Ocean
Spirit, a futura Biblioteca Municipal e o papel da Câmara Municipal no apoio ao tecido empresarial do
concelho…
“(…) a sensação transmitida pelas pessoas
que têm passado pelo hotel [Areias do Seixo Charm Hotel]
é precisamente aquela que nós queríamos criar:
a de um espaço mágico (…)”
Gonçalo Alves
[Um] Concelho - O que o levou a concretizar o recém-inaugurado empreendimento Areias do Seixo Charm
Hotel, que é uma referência na região na área da hotelaria?
Gonçalo Alves - O projecto Areias do Seixo Charm Hotel tem cerca de sete anos na minha mente e na da minha esposa
e possui a ambição desde o seu início de criar um conceito de hotelaria completamente diferenciado daquilo que são os
standards da hotelaria tradicional. Este projecto é o resultado das experiências que fomos tendo, das viagens que fomos
fazendo, que nos levou a querer criar um espaço onde se sentisse o bom acolhimento que encontrámos nos sítios por
onde passámos, envolvendo obviamente o nosso gosto pessoal. Pretendemos assim criar um espaço completamente
diferente onde as pessoas tivessem uma experiência única.
O que tem o Areias do Seixo de tão diferente do que existe na região? ….
Eu diria que é bastante diferente em tudo o que existe no nosso país.
Por um lado este hotel situa-se numa localização improvável e não está propriamente numa zona turística por excelência.
Por outro lado houve uma forma muito própria de abordamos a sua arquitectura de interiores, o seu design - existindo a
particularidade das próprias peças do hotel puderem ser compradas pelos hóspedes ou pelas pessoas que nos visitam a
preços completamente convencionais.
E a sensação transmitida pelas pessoas que têm passado pelo hotel é precisamente aquela que nós queríamos criar: a de
um espaço mágico. É um espaço que transmite uma “alma” que não resulta só de um processo construtivo.
Realço que o Areias do Seixo destina-se preferencialmente a pessoas que procuram um espaço para relaxar, um novo
mundo, um corte com a sua vida agitada e urbana, que estão em busca de algo completamente diferente. Neste
empreendimento tudo respira em prol de um bem-estar.
A componente ambiental e de sustentabilidade também é muito forte neste hotel…
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Gonçalo Alves Gonçal
E em que consiste essa vertente?
Tem a ver com vários aspectos: o de utilizarmos sistemas de climatização completamente diferentes dos habituais com o
objectivo de uma clara redução do consumo energético; o facto de utilizarmos um redutor de caudal; a existência de um
sistema que permite fazer aproveitamento das águas pluviais; a monitorização de todos os recursos que utilizamos no
hotel, o que passa pela sua racionalização, pela identificação dos pontos críticos de consumo e até pela sensibilização
do cliente para estas questões; o processo de compostagem que aplicamos aos resíduos orgânicos, com base no qual
fertilizamos as terras onde fazemos a nossa agricultura biológica; o facto de confeccionarmos grande parte das nossas
refeições a partir da agricultura biológica que fazemos e da nossa ementa depender precisamente daquilo que a terra nos
dá; a particularidade das refeições que confeccionamos no hotel dependerem de marcação e serem produzidas à vista
dos clientes; e até o facto dos produtos resultantes da nossa agricultura biológica puderem ser adquiridos numa mercearia
tradicional que criámos no hotel.
Mudando de temática, o Gonçalo está também agora envolvido na organização do festival de desportos de
ondas Santa Cruz Ocean Spirit. Qual é a sua opinião em relação ao futuro deste evento?
O Ocean Spirit é um evento com um potencial realmente enorme e que deve ser abraçado com força pelo concelho porque
está relacionado com um dos nossos melhores recursos que é o mar - um mar com ondulação, propício às actividades
desportivas e náuticas. O Ocean Spirit tem a característica de ser um evento diferente daquilo que existe no nosso país e
por essa razão tem um protagonismo que ainda pode ser mais potenciado.
Qual é a sua opinião em relação ao trabalho que a Câmara Municipal tem desenvolvido junto do tecido
empresarial do concelho?
A Câmara Municipal tem feito um esforço para acompanhar os empresários do concelho e também os que pretendem
investir no concelho. A autarquia tem tentado estimular e apoiar os mesmos, por exemplo com a criação do Gabinete de
Apoio às Empresas de quem eu recebo regularmente informações no sentido de perceber quais são as novas oportunidades
que existem no concelho, o novo enquadramento legal que existe no país, quais são os potenciais apoios que existem ao
nível comunitário, as novas formas de simplificar o relacionamento com a Câmara Municipal… O Gabinete de Apoio às
Empresas tem por isso sido muito útil.
Também sinto um apoio muito directo dos responsáveis da Câmara Municipal em relação aos projectos que têm impacto
no concelho, que são motores de criação de emprego e têm uma importância estratégica. Sinto que a Câmara tem
acompanhado com carinho esses projectos.
Por outro lado a autarquia tem melhorado alguns eventos que já existiam e criado outros como a Feira Rural, sendo
também de realçar a dinâmica cultural que tem imprimido.
E projectos turísticos como o Areias do Seixo Charm Hotel podem também ser mote para o desenvolvimento do concelho.
Torres Vedras está seguramente no bom caminho…
A Biblioteca Municipal localizar-se-á futuramente no espaço do Parque de Estacionamento de Santiago,
um imóvel que ainda é propriedade de uma empresa à qual pertence. Qual é a sua opinião em relação a
esse projecto?
A futura aquisição desse imóvel é um bom negócio para a autarquia, o terreno encontra-se no “coração” de Torres Vedras, e
tendo em conta que um dos desafios deste mandato é precisamente revitalizar o centro da cidade, acho que é uma óptima
opção. Temos uma zona histórica fantástica, com imenso potencial, tem faltado energia e vontade aos empreendedores
privados para investirem nela, mas penso que com um empurrão do Município novos projectos aparecerão nessa zona que
está desabitada e a precisar de reconversão.
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