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O ENFERMEIRO E A PROMOÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA AOS IDOSOS:
UMA REVISÃO
THE NURSE AND IMPROVING THE QUALITY OF LIFE FOR THE ELDERLY: A
REVIEW
CANEPA, Elaine Barros Saraiva1; CARDOSO, Andréia Insabralde de Queiroz2;
RICARDINO, Aloma Renata3
Resumo
O envelhecimento do corpo ocasiona riscos à saúde, quanto à funcionalidade, proteção e integração social.
Assim é necessário que com o aumento na expectativa de vida, tenha-se também uma qualidade de vida
apropriada é muito importante que os profissionais de saúde, inclusive o enfermeiro, acolham os idosos de
maneira adequada e forneçam apoio emocional e respeito, para uma assistência ajustada a suas necessidades.
Portanto este estudo visou elencar as evidências científicas disponíveis na literatura sobre a atuação do
enfermeiro para a promoção da qualidade de vida dos idosos. A metodologia utilizada foi à revisão integrativa da
produção científica referente à promoção da qualidade de vida aos idosos pelo enfermeiro. As principais ações
de enfermagem frente à promoção da qualidade de vida dos idosos são de ajudar o cliente a identificar suas
necessidades frente aos problemas reais e potenciais decorrentes de patologias crônicas, implementando ações
educativas que promovam melhoria na sua qualidade de vida. A humanização e o acolhimento são
imprescindíveis para estabelecer um vínculo entre profissional e o paciente, já que a partir do momento em que
este vínculo é instituído e se tem um conhecimento sobre a realidade em que este idoso vive as ações de
enfermagem podem ser realizadas de modo efetivo, contribuído para a melhoria da qualidade de vida do idoso.
Palavras-chave: saúde do idoso, qualidade de vida, papel do profissional de enfermagem.
Abstract
The aging body causes health risks for functionality, protection and social integration. Thus it is necessary that
with the increase in life expectancy, has also become a proper quality of life is very important that health
professionals, including nurses, seniors welcome adequately and provide emotional support and respect for
assistance adjusted to your needs. Therefore, this study aimed to list the available scientific evidence in the
literature on the nurse's role in promoting the quality of life for seniors. The methodology used was the
integrative review of the scientific literature regarding the promotion of quality of life for the elderly by the
nurse. The main actions of nursing after promoting the quality of life of older people are to help the client
identify their needs against actual and potential problems arising from chronic diseases by implementing
educational activities that promote improvement in their quality of life. Humanization and acceptance are
essential to establish a link between professionals and patients, as from the moment that this bond is established
and has knowledge of the reality in which he lives elderly nursing actions can be performed effectively
contributed to improving the quality of life of the elderly.
Keywords: health of the elderly, quality of life, nurse’s role.
1
Graduanda do Curso de Enfermagem da Faculdade UNIGRAN Capital. e-mail: [email protected]
Mestre em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). email: [email protected]
³Graduanda do Curso de Enfermagem da Faculdade UNIGRAN Capital. e-mail: [email protected]
²
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Introdução
São consideradas pessoas idosas
quando completam 60 anos e mais e a partir
desta idade podem apresentar déficit no
estado de saúde e nas suas condições
cognitivas ou podem viver saudáveis até
idades avançadas (BRASIL, 2006).
Nesta perspectiva, a Organização
Mundial de Saúde (OMS) afirma que até
2025 o Brasil será o sexto país do mundo
em número de idosos (WORLD HEALTH
ORGANIZATION, 2005). Com o aumento
da expectativa de vida da população é
necessário que os profissionais de saúde, em
especial o enfermeiro, realizem a promoção
da qualidade de vida desta clientela.
Dessa maneira, o envelhecimento
populacional está ocorrendo em vários
países em decorrência na baixa das taxas de
mortalidade e fecundidade (TAVARES et
al., 2011). No Brasil, os idosos
correspondem a 10,2% da população geral,
conforme pesquisa realizada pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
durante o ano de 2010 (IBGE, 2012).
Ao
contrário
dos
países
desenvolvidos, esta transição demográfica
ocorre de forma rápida e intensa
(FARINASSO, 2005). Totalizando uma
média de 8,65% da população, prevendo
uma estimativa que em 2050, haverá 56
milhões de idosos, cerca de 24% da
população (MELLO, 2008).
Entretanto, o nosso país possui um
dos graus mais elevados de desigualdade
social, fato evidenciado em um estudo
realizado com os dados da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios
(PNAD), comprovou que a capacidade
funcional dos idosos é fortemente
influenciada pela situação socioeconômica
do mesmo (ALVES; LEITE; MACHADO,
2010).
Em vista disso, criou-se o Estatuto
do Idoso pela Lei nº 10741 de 1º de outubro
de 2003, que representa um grande avanço
da legislação brasileira, com intensa
participação das entidades de defesa dos
interesses das pessoas idosas, ampliou em
muito a resposta do Estado e da sociedade às
suas necessidades diárias de acesso a saúde,
segurança, seguridade social entre outros
(BRASIL, 2006).
Assim sendo, o envelhecimento
bem-sucedido é o processo de estar saudável
e ativo dos idosos, considerando-se as
dimensões física, cognitiva e social de
acordo com a vivência de cada um
(TEIXEIRA;
NERI,
2008).
Consequentemente, a atenção primária de
saúde pode priorizar dentre as suas ações
desenvolvidas
a
manutenção
da
independência e da autonomia, com a
finalidade de melhorar a qualidade de vida
dos idosos (SAMPAIO; BEZERRA;
GOMES, 2011).
O envelhecimento do corpo ocasiona
riscos à saúde, quanto à funcionalidade,
proteção e integração social. Esses riscos
são derivados de fatores biológicos,
relacionados ao estilo de vida, histórico de
saúde e doença, pobreza, baixa escolaridade
e isolamento social. Também é preciso
reconhecer
que
as
maneiras
de
viver/envelhecer depende da combinação de
gênero e classe social (MOURA;
DOMINGOS; RASSY, 2010).
É necessário então que com o
aumento na expectativa de vida, tenha-se
também uma qualidade de vida adequada
(TAVARES; ARAÚJO; DIAS, 2011).
Dessa maneira, a OMS define qualidade de
vida, como sendo a maneira como o
indivíduo avalia a sua posição na vida, no
contexto da cultura e sistemas de valores
nos quais vive, e em relação aos seus
objetivos,
expectativas,
padrões
e
preocupações
(WORLD
HEALTH
ORGANIZATION, 2005).
Neste sentido, a mensuração da
qualidade de vida dos idosos é uma tarefa
complexa, para isso devem-se adotar
múltiplos critérios de natureza biológica,
psicológica e sociocultural, como a
longevidade, a saúde biológica, a saúde
mental, a satisfação, o controle cognitivo, a
competência social, a produtividade, a
atividade, a eficácia cognitiva, o status
social, a renda, a continuidade de papéis
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familiares, os ocupacionais e continuidade
de relações informais com amigos
(SERBIM; FIGUEIREDO, 2011).
Para tanto, o World Health
Organization Quality of Life (WHOQOL)
Group (Grupo de estudos em Qualidade de
Vida da Organização Mundial da Saúde)
desenvolveu uma escala dentro de uma
perspectiva transcultural para medir
qualidade de vida em adultos idosos. O
WHOQOL-OLD (instrumento Qualidade de
Vida da Organização Mundial da Saúde para
adultos idosos) é um instrumento específico
complementar sobre qualidade de vida em
idosos que contribui com informações
adicionais sobre qualidade de vida nessa
população específica (POWER; SCHMIDT,
1998).
A qualidade de vida para os idosos
está relacionada à satisfação quanto aos seus
ideais,
como
por
exemplo,
bons
relacionamentos interpessoais, ao equilíbrio
emocional e à boa saúde, ter hábitos
saudáveis, ao lazer e aos bens materiais ou
ainda com relação à espiritualidade, ao
trabalho, à retidão e à caridade, ao
conhecimento e aos ambientes favoráveis
(VECCHIA et al., 2005).
Percebe-se
então
o
papel
fundamental da população sobre a
construção de sua qualidade de vida,
influenciada e construída a partir dos seus
valores culturais e históricos (LASMAR;
LONZANI, 2009).
Promover o bem-estar da pessoa
idosa está relacionado em promoção de
políticas públicas inclusivas que assegurem
os direitos do idoso, criando condições para
a promoção da saúde, autonomia, integração
e participação social. O atendimento ao
idoso deve ser uma preocupação constante
dos profissionais de saúde, desenvolvido de
maneira integral, considerando suas
expectativas
e
necessidades
físicas,
emocionais, espirituais e sociais, integrandoa com outras pessoas, em especial com
indivíduos da mesma faixa etária, de forma
a possibilitar a melhoria da qualidade e
condições de vida e de saúde individual e
convívio no ambiente familiar (MOURA;
DOMINGOS; RASSY, 2010).
Envelhecer bem é uma questão que
envolve os valores de cada indivíduo que
permeiam o rumo da sua vida. Para isso, a
elaboração e execução de programas que
elevam o nível de qualidade de vida dos
idosos podem proporcionar a promoção de
saúde e bem-estar nessa fase da vida, seja
referindo-se ao envelhecimento saudável,
produtivo,
ativo
ou
bem-sucedido
(TEIXEIRA; NERI, 2008).
Desta maneira, é muito importante
que
os
profissionais
de
saúde,
principalmente o enfermeiro, acolham os
idosos de maneira adequada e forneçam
apoio emocional e respeito, para uma
assistência ajustada a suas necessidades.
Afinal, ainda que o envelhecimento seja
uma conquista das nações civilizadas e
progressistas, cabe lembrar que não basta
apenas maximizar a expectativa de vida,
mas também buscar por uma melhor
qualidade de vida (LORENZI et al., 2009).
Em uma pesquisa realizada sobre os
idosos assistidos pela Estratégia de Saúde da
Família em Dourados, MS, evidenciou que o
enfermeiro é um profissional essencial para
a promoção da saúde dos idosos, pois
apresenta capacidade técnica e científica de
realizar a avaliação e acompanhamento das
condições de vida e saúde de indivíduos,
famílias e grupos sociais, a identificação de
suas necessidades sociossanitárias, a
proposição de um projeto de intervenção
pactuado com os diferentes sujeitos
envolvidos e o provimento de cuidados à
saúde, seguido da avaliação dos resultados
alcançados (ALVARENGA et al., 2011).
Neste sentido este estudo visou
elencar as evidências científicas disponíveis
na literatura sobre a atuação do enfermeiro
para a promoção da qualidade de vida dos
idosos, de modo a clarificá-las e detectar as
possíveis lacunas existentes nessa área de
conhecimento.
Materiais e Métodos
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Trata-se de uma revisão integrativa
da produção científica a respeito da
promoção da qualidade de vida aos idosos
pelo enfermeiro. Esse método de pesquisa
viabiliza sintetizar e divulgar as evidências
disponíveis na literatura (GALVÃO;
MENDES; SILVEIRA, 2010).
Para sua elaboração, o percurso
metodológico foi operacionalizado por meio
das seguintes etapas: identificação do tema e
estabelecimento da questão norteadora da
pesquisa, estabelecimento dos critérios de
inclusão e exclusão e busca de estudos nas
bases de dados, identificação dos estudos
pré-selecionados
e
selecionados,
categorização dos estudos selecionados,
análise e interpretação dos resultados e, por
fim, apresentação da revisão (BOTELHO;
CUNHA; MACEDO, 2011).
A questão norteadora da pesquisa
foi: “Quais as evidências científicas
disponíveis sobre a atuação do enfermeiro
para a promoção da qualidade de vida dos
idosos”?
A coleta de dados foi realizada nas
bases de dados da BVS (Biblioteca Virtual
em Saúde), com os Descritores em Ciências
da Saúde (DeCS): Qualidade de vida; Idoso;
Enfermagem.
Os critérios de inclusão da amostra
foram: artigos científicos publicados na
íntegra, em português, no período de 2009 a
2013. Foram excluídos os artigos em
resumo, os que não responderam à temática,
os repetidos e aqueles classificáveis
metodologicamente
como
documentos
institucionais, monografias, teses ou
dissertações.
Para a coleta de dados dos artigos
incluídos na revisão integrativa, utilizou-se
um instrumento adaptado abrangendo as
seguintes informações: título do artigo,
origem da publicação, sujeitos da pesquisa,
objetivos, tipos de estudo, principais
resultados e conclusões. Os artigos
encontrados foram predominantemente
relatos de casos, estudos descritivos e
avaliações de programas. A busca foi
realizada independentemente por duas
pesquisadoras, como recomendado para
aumentar o rigor metodológico (GALVÃO;
MENDES; SILVEIRA, 2010).
Resultados e Discussão
Na busca inicial realizada em abril
de 2013, foram encontrados 3179 estudos,
destes 883 estavam disponibilizados na
íntegra, 152 foram publicados em português,
100 foram publicados no período
estabelecido e 92 eram artigos científicos.
A partir da leitura dos títulos e
resumos dos 92 artigos pré-selecionados,
excluíram-se 64 publicações que não
respondiam à temática da atuação do
enfermeiro para a promoção da qualidade de
vida dos idosos, 16 por serem repetidos e 6
por não se referirem ao idoso. Restando 6
artigos, que foram lidos na íntegra e
compuseram a presente revisão, sendo
poucas produções referentes ao tema.
Predominaram publicações do ano de
2011 (4, ou 67%), seguidas das lançadas em
2010 e 2012 (1, ou 16,5% em cada ano). O
autor Tavares, DMS foi o que apresentou o
maior número de publicações (2, ou 30%).
(Quadro 1).
Ainda referente ao Quadro 1, podese observar que as principais conclusões
levantadas nos artigos foi a de que o
enfermeiro deve prestar um cuidado integral
e humanizado para melhorar a qualidade de
vida dos idosos (SANTOS, et al. 2011;
TAVARES; DIAS; MUNARI, 2012;
FURUYA et al., 2011; TAKEMOTO et al.,
2011; TAVARES; CÔRTES; DIAS, 2010;
SILVA et al., 2011).
Constatou-se nesta revisão que a
população idosa tem sido alvo de estudos,
principalmente devido ao aumento da
expectativa de vida por causa do avanço
tecnológico e de promoção à saúde
(NICOLUSSI et al., 2012).
Observou-se
nos
estudos
pesquisados que as principais ações de
enfermagem frente à promoção da qualidade
de vida dos idosos são de ajudar o cliente a
identificar suas necessidades frente aos
problemas reais e potenciais decorrentes de
patologias crônicas, implementando ações
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educativas que promovam melhoria na sua
qualidade de vida (SANTOS et al. 2011).
Quadro 1 – Artigos científicos incluídos na pesquisa. Campo Grande, MS, 2013.
Autor
Principal
SANTOS,
ACS
Ano de
Publicação
2011
2. Qualidade
de
vida
e
comorbidades entre os idosos
diabéticos
TAVARES,
DMS
2010
3. Qualidade de vida de idosos
e participação em atividades
educativas grupais
TAVARES,
DMS
2012
4. Percepções e mudanças na
qualidade de vida de pacientes
submetidos à hemodiálise
SILVA, AS
2011
5. Avaliação da qualidade de
vida em idosos submetidos ao
tratamento hemodialítico
TAKEMOT
O, AY
2011
6. A integralidade e suas
interfaces no cuidado ao idoso
em unidade de terapia intensiva
FURUYA,
RK
2011
Número e título do artigo
1. Insuficiência
cardíaca:
estratégias usadas por idosos na
busca por qualidade de vida
Principais conclusões
Cuidar do idoso com insuficiência
cardíaca implica em avaliar as
repercussões
na
capacidade
funcional e autonomia dos idosos,
exigindo
habilidades
e
competências do enfermeiro para
identificar suas especificidades na
perspectiva de um cuidado integral
que contribua para a qualidade de
vida dos mesmos.
Faz-se
necessário
buscar
alternativas para melhoria da
qualidade de vida, principalmente
entre as mulheres, os idosos mais
velhos e com maior número de
morbidades.
Impõe-se a reflexão sobre as
atividades
educativas
grupais
desenvolvidas nos serviços de
saúde como fator que contribui
para a melhoria das condições de
saúde e qualidade de vida dos
idosos.
O apoio dos familiares e dos
profissionais da saúde, em especial
a do enfermeiro, pode contribuir
para a superação das limitações e
adaptação ao novo estilo de vida.
Para manter uma boa saúde, a
readequação das ações terapêuticas
a partir da compreensão da vida
habitual do paciente com doença
crônica.
A busca pela melhoria da qualidade
da assistência nas unidades de
terapia intensiva ocorre por meio
do cuidado humanístico, atendendo
às necessidades físicas e não
físicas. Apesar dos aspectos
científicos e aparatos tecnológicos
serem importantes, o paciente
precisa sentir que, muito mais do
que a técnica, existe a compaixão,
o respeito, o companheirismo e a
sabedoria.
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Dessa maneira, o enfermeiro pode
contribuir para a melhoria das dificuldades,
identificando os fatores que estão associados
à menor autonomia e desenvolvendo ações
grupais em conjunto com o idoso e seus
familiares, buscando incentivar a expressão
de desejos e a capacidade de decisão nessa
etapa da vida (TAVARES; DIAS;
MUNARI, 2012).
Dessa forma, um grupo do núcleo
de atenção ao idoso da Universidade Aberta
da Terceira Idade da Universidade Estadual
do Rio Janeiro construiu um espaço de
acolhimento,
afeto,
convivência
e
solidariedade, reforçando a importância do
dispositivo grupal no enfrentamento da
solidão, construção de vínculos e ampliação
da rede de suporte dos idosos, como um
espaço garantido para eles, seu projeto, sua
aula, sua atividade de lazer e encontro
(BERNARDO et al., 2009).
Um estudo realizado com os idosos
que
compareceram
à
Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul
demonstrou que o fato dos idosos
procurarem o serviço de saúde para a
vacinação evidencia uma motivação para o
autocuidado, propiciando a prevenção de
doenças e contribuindo para a manutenção
da capacidade funcional e qualidade de vida
(SANTOS et a.l, 2009).
Esse modo de entendimento leva
em conta a necessidade de fortalecer as
práticas de autocuidado e a adoção de estilo
de vida saudável pela difusão de saberes aos
idosos, para assegurar a manutenção da
autonomia e a capacidade funcional além de
sustentar a valorização como pessoa e a
busca de um novo sentido para a vida
(MOURA; DOMINGOS; RASSY, 2010).
Neste sentido, constatou-se em um
estudo realizado com idosos, que a atuação
no trabalho voluntário por estes é um
mecanismo promotor da qualidade de vida
(SOUZA;
LAUTERT;
HILLESHEIN,
2011), logo incentivar essa prática é uma
alternativa para promover melhores
condições de saúde a essa clientela
(WORLD HEALTH ORGANIZATION,
2005).
Tavares; Côrtes; Dias (2010) deixa
evidente que existe a necessidade de buscar
alternativas para melhoria da qualidade de
vida do idoso. Outras pesquisas abordam a
existência de instrumentos validados para a
avaliação da qualidade de vida do idoso e
identificação dos riscos, estes oferecem
elementos importantes para auxiliar na
prestação de uma assistência de enfermagem
mais qualificada e humanizada, de acordo
com
as
necessidades
de
saúde
individualizadas,
além
de
permitir
estratégias de ações de saúde e não no
enfoque na doença (TAKEMOTO et al.,
2011; PASKULIN et al., 2010; GONTIJO et
al., 2009).
Para postergar as complicações das
doenças crônicas é necessária a realização
de ações preventivas de doenças. A
enfermagem, juntamente com a equipe
multidisciplinar, pode promover ações que
visem à manutenção da autonomia dessa
população, além de atividades direcionadas
para o cuidado com a sua saúde
(TAVARES; CÔRTES; DIAS, 2010;
SILVA et al., 2011).
Em nova publicação científica
Tavares; Dias; Munari (2012) evidenciam
que as atividades educativas grupais
realizadas com idosos tem sido fator de
melhoria das condições de saúde e qualidade
de vida. Nessa perspectiva, as ações
educativas em saúde devem envolver e
sensibilizar os profissionais a atuarem de
maneira integrada e inteirada com os idosos
e familiares, sempre envolvendo as pessoas
próximas dos idosos no processo de
educação, para a compreensão das
implicações do processo de envelhecimento,
doenças crônicas e melhoria da qualidade de
vida dos idosos e da família (MELO et al.,
2009).
É necessário também redirecionar a
atenção das políticas locais à saúde do idoso
de acordo com as especificidades em cada
localidade considerando as diferenças
encontradas nos distintos aspectos da
qualidade de vida (TAVARES; ARAÚJO;
DIAS, 2011). Visto que, o bem-estar da
pessoa idosa não deve estar relacionado
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apenas aos cuidados prestados pelos
familiares ou profissionais, mas sim em
políticas públicas inclusivas que assegurem
os direitos do idoso, criando condições para
a promoção da saúde, autonomia, integração
e
participação
social
(MOURA;
DOMINGOS; RASSY, 2010).
Conforme observado por Silva et
al. (2011) o apoio ao idoso e familiar
realizado pelos profissionais de saúde
contribui para a superação de limitações e
adequações ao novo estilo de vida
decorrente do envelhecimento. A promoção
à saúde do idoso envolve um conjunto de
atividades de cuidados sociosanitarios, com
finalidade de detectar alterações, valorizar a
saúde e dar suporte e soluções aos
problemas advindos das diversas patologias
instaladas, para que o indivíduo e sua
família sintam-se orientados e confortados,
auxiliando-os no autocuidado e respeitando
os aspectos culturais.
Existe a necessidade de investir e
melhorar a estrutura social e identificar os
recursos da comunidade como suporte social
para propor medidas alternativas para os
cuidados domiciliários, com a possibilidade
de criar serviços como centros-dia, com o
objetivo de melhorar a qualidade de vida de
idosos e de seus cuidadores (MOREIRA et
al, 2011).
Para Takemoto et al. (2011), é
preciso ocorrer à readequação das ações
terapêuticas a partir da compreensão do
paciente. No tocante a este princípio
percebe-se a importância do ESF (Estratégia
Saúde da Família), que por meio de buscas
ativas junto aos agentes de saúde, faz com
que o idoso chegue a este programa que é a
porta de entrada para os demais níveis de
complexidade, assegurando a este um
atendimento integral e de forma holística.
Deve-se ressaltar que a maioria dos idosos
procura o serviço de saúde quando estão em
sofrimento, por desconhecer as políticas de
saúde relacionada aos cuidados destinados a
eles (ACIOLE; BATISTA, 2013).
Os profissionais de saúde e
gestores devem reconhecer que os idosos
podem e devem receber informações
atualizadas relacionadas ao cuidado com sua
saúde é essencial para que sejam criados
projetos que visem ajudá-los a envelhecer de
forma saudável e junto a sua família
(ACIOLE; BATISTA, 2013).
Na pesquisa de Furuya et al. (2011)
o cuidado humanístico vem para melhorar a
qualidade da assistência prestada, pois trata
das necessidades físicas e não físicas. O
enfermeiro tem papel fundamental na
assistência ao idoso, pois este deve estar
envolvido nos cuidados visando à
humanização
do
tratamento,
reestabelecimento e manutenção da saúde.
Estimulando a autonomia e a dignidade,
prevenindo
complicações
adicionais
(SILVA; OLIVEIRA; MARTA, 2013).
Conclusão
O grande desafio da enfermagem
quando se trata de saúde do idoso, é inserilo no processo de promoção a saúde,
fazendo com que ele entenda e tenha acesso
a informações sobre as políticas em relação
a eles de forma clara e objetiva.
Assim o enfermeiro pode trabalhar
identificando e se atentando as necessidades
individuais dos idosos, expondo-as aos seus
cuidadores e familiares de modo a prestar
um melhor cuidado prezando pela
autonomia, que muitas vezes não são
trabalhadas para que estes possam assumir o
seu papel diante da sociedade.
Deve-se atentar também para as
necessidades apresentadas pelos cuidadores,
já que estes muitas vezes não se encontram
preparados
para
assumir
as
responsabilidades perante o cuidado do
idoso devido as alterações fisiológicas e de
saúde que os acometem.
O apoio dos familiares e dos
profissionais é imperativo para a superação
das limitações decorrentes das alterações
fisiológicas e patologias crônicas que podem
acometer os idosos, também deve haver a
adequação das ações terapêuticas do
Programa Saúde do Idoso.
A promoção, manutenção e
reestabelecimento da saúde do idoso, devem
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ser trabalhadas pelo enfermeiro, buscando
em princípio entender o processo cultural,
religioso e os valores morais existentes no
contexto familiar e comunitário dos idosos.
É importante investir mais em
estudos que englobem as temáticas das
ações de enfermagem para a melhoria da
qualidade de vida dos idosos, na perspectiva
da promoção da saúde, valorizando os
aspectos saudáveis dos indivíduos e grupos,
de modo que estes os descubram e os
maximizem.
Os enfermeiros devem ter uma
maior atuação tanto na assistência como
educador, quanto na produção de pesquisas
direcionadas aos idosos, desenvolvendo
estudos de intervenção que possam ser
aplicados na prática clínica e que
possibilitem melhorar a qualidade de vida
dos idosos.
A humanização e o acolhimento
são imprescindíveis para estabelecer um
vínculo entre profissional e o paciente, já
que a partir do momento em que este
vínculo é instituído e se tem um
conhecimento sobre a realidade em que este
idoso vive as ações de enfermagem podem
ser realizadas de modo efetivo, contribuído
para a melhoria da qualidade de vida do
idoso.
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O ENFERMEIRO E A PROMOÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA AOS