56 Interbio v.8 n.1 2014 - ISSN 1981-3775 O ENFERMEIRO E A PROMOÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA AOS IDOSOS: UMA REVISÃO THE NURSE AND IMPROVING THE QUALITY OF LIFE FOR THE ELDERLY: A REVIEW CANEPA, Elaine Barros Saraiva1; CARDOSO, Andréia Insabralde de Queiroz2; RICARDINO, Aloma Renata3 Resumo O envelhecimento do corpo ocasiona riscos à saúde, quanto à funcionalidade, proteção e integração social. Assim é necessário que com o aumento na expectativa de vida, tenha-se também uma qualidade de vida apropriada é muito importante que os profissionais de saúde, inclusive o enfermeiro, acolham os idosos de maneira adequada e forneçam apoio emocional e respeito, para uma assistência ajustada a suas necessidades. Portanto este estudo visou elencar as evidências científicas disponíveis na literatura sobre a atuação do enfermeiro para a promoção da qualidade de vida dos idosos. A metodologia utilizada foi à revisão integrativa da produção científica referente à promoção da qualidade de vida aos idosos pelo enfermeiro. As principais ações de enfermagem frente à promoção da qualidade de vida dos idosos são de ajudar o cliente a identificar suas necessidades frente aos problemas reais e potenciais decorrentes de patologias crônicas, implementando ações educativas que promovam melhoria na sua qualidade de vida. A humanização e o acolhimento são imprescindíveis para estabelecer um vínculo entre profissional e o paciente, já que a partir do momento em que este vínculo é instituído e se tem um conhecimento sobre a realidade em que este idoso vive as ações de enfermagem podem ser realizadas de modo efetivo, contribuído para a melhoria da qualidade de vida do idoso. Palavras-chave: saúde do idoso, qualidade de vida, papel do profissional de enfermagem. Abstract The aging body causes health risks for functionality, protection and social integration. Thus it is necessary that with the increase in life expectancy, has also become a proper quality of life is very important that health professionals, including nurses, seniors welcome adequately and provide emotional support and respect for assistance adjusted to your needs. Therefore, this study aimed to list the available scientific evidence in the literature on the nurse's role in promoting the quality of life for seniors. The methodology used was the integrative review of the scientific literature regarding the promotion of quality of life for the elderly by the nurse. The main actions of nursing after promoting the quality of life of older people are to help the client identify their needs against actual and potential problems arising from chronic diseases by implementing educational activities that promote improvement in their quality of life. Humanization and acceptance are essential to establish a link between professionals and patients, as from the moment that this bond is established and has knowledge of the reality in which he lives elderly nursing actions can be performed effectively contributed to improving the quality of life of the elderly. Keywords: health of the elderly, quality of life, nurse’s role. 1 Graduanda do Curso de Enfermagem da Faculdade UNIGRAN Capital. e-mail: [email protected] Mestre em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). email: [email protected] ³Graduanda do Curso de Enfermagem da Faculdade UNIGRAN Capital. e-mail: [email protected] ² CANEPA, Elaine Barros Saraiva; CARDOSO, Andréia Insabralde de Queiroz; RICARDINO, Aloma Renata 57 Interbio v.8 n.1 2014 - ISSN 1981-3775 Introdução São consideradas pessoas idosas quando completam 60 anos e mais e a partir desta idade podem apresentar déficit no estado de saúde e nas suas condições cognitivas ou podem viver saudáveis até idades avançadas (BRASIL, 2006). Nesta perspectiva, a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que até 2025 o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2005). Com o aumento da expectativa de vida da população é necessário que os profissionais de saúde, em especial o enfermeiro, realizem a promoção da qualidade de vida desta clientela. Dessa maneira, o envelhecimento populacional está ocorrendo em vários países em decorrência na baixa das taxas de mortalidade e fecundidade (TAVARES et al., 2011). No Brasil, os idosos correspondem a 10,2% da população geral, conforme pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), durante o ano de 2010 (IBGE, 2012). Ao contrário dos países desenvolvidos, esta transição demográfica ocorre de forma rápida e intensa (FARINASSO, 2005). Totalizando uma média de 8,65% da população, prevendo uma estimativa que em 2050, haverá 56 milhões de idosos, cerca de 24% da população (MELLO, 2008). Entretanto, o nosso país possui um dos graus mais elevados de desigualdade social, fato evidenciado em um estudo realizado com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), comprovou que a capacidade funcional dos idosos é fortemente influenciada pela situação socioeconômica do mesmo (ALVES; LEITE; MACHADO, 2010). Em vista disso, criou-se o Estatuto do Idoso pela Lei nº 10741 de 1º de outubro de 2003, que representa um grande avanço da legislação brasileira, com intensa participação das entidades de defesa dos interesses das pessoas idosas, ampliou em muito a resposta do Estado e da sociedade às suas necessidades diárias de acesso a saúde, segurança, seguridade social entre outros (BRASIL, 2006). Assim sendo, o envelhecimento bem-sucedido é o processo de estar saudável e ativo dos idosos, considerando-se as dimensões física, cognitiva e social de acordo com a vivência de cada um (TEIXEIRA; NERI, 2008). Consequentemente, a atenção primária de saúde pode priorizar dentre as suas ações desenvolvidas a manutenção da independência e da autonomia, com a finalidade de melhorar a qualidade de vida dos idosos (SAMPAIO; BEZERRA; GOMES, 2011). O envelhecimento do corpo ocasiona riscos à saúde, quanto à funcionalidade, proteção e integração social. Esses riscos são derivados de fatores biológicos, relacionados ao estilo de vida, histórico de saúde e doença, pobreza, baixa escolaridade e isolamento social. Também é preciso reconhecer que as maneiras de viver/envelhecer depende da combinação de gênero e classe social (MOURA; DOMINGOS; RASSY, 2010). É necessário então que com o aumento na expectativa de vida, tenha-se também uma qualidade de vida adequada (TAVARES; ARAÚJO; DIAS, 2011). Dessa maneira, a OMS define qualidade de vida, como sendo a maneira como o indivíduo avalia a sua posição na vida, no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais vive, e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2005). Neste sentido, a mensuração da qualidade de vida dos idosos é uma tarefa complexa, para isso devem-se adotar múltiplos critérios de natureza biológica, psicológica e sociocultural, como a longevidade, a saúde biológica, a saúde mental, a satisfação, o controle cognitivo, a competência social, a produtividade, a atividade, a eficácia cognitiva, o status social, a renda, a continuidade de papéis CANEPA, Elaine Barros Saraiva; CARDOSO, Andréia Insabralde de Queiroz; RICARDINO, Aloma Renata 58 Interbio v.8 n.1 2014 - ISSN 1981-3775 familiares, os ocupacionais e continuidade de relações informais com amigos (SERBIM; FIGUEIREDO, 2011). Para tanto, o World Health Organization Quality of Life (WHOQOL) Group (Grupo de estudos em Qualidade de Vida da Organização Mundial da Saúde) desenvolveu uma escala dentro de uma perspectiva transcultural para medir qualidade de vida em adultos idosos. O WHOQOL-OLD (instrumento Qualidade de Vida da Organização Mundial da Saúde para adultos idosos) é um instrumento específico complementar sobre qualidade de vida em idosos que contribui com informações adicionais sobre qualidade de vida nessa população específica (POWER; SCHMIDT, 1998). A qualidade de vida para os idosos está relacionada à satisfação quanto aos seus ideais, como por exemplo, bons relacionamentos interpessoais, ao equilíbrio emocional e à boa saúde, ter hábitos saudáveis, ao lazer e aos bens materiais ou ainda com relação à espiritualidade, ao trabalho, à retidão e à caridade, ao conhecimento e aos ambientes favoráveis (VECCHIA et al., 2005). Percebe-se então o papel fundamental da população sobre a construção de sua qualidade de vida, influenciada e construída a partir dos seus valores culturais e históricos (LASMAR; LONZANI, 2009). Promover o bem-estar da pessoa idosa está relacionado em promoção de políticas públicas inclusivas que assegurem os direitos do idoso, criando condições para a promoção da saúde, autonomia, integração e participação social. O atendimento ao idoso deve ser uma preocupação constante dos profissionais de saúde, desenvolvido de maneira integral, considerando suas expectativas e necessidades físicas, emocionais, espirituais e sociais, integrandoa com outras pessoas, em especial com indivíduos da mesma faixa etária, de forma a possibilitar a melhoria da qualidade e condições de vida e de saúde individual e convívio no ambiente familiar (MOURA; DOMINGOS; RASSY, 2010). Envelhecer bem é uma questão que envolve os valores de cada indivíduo que permeiam o rumo da sua vida. Para isso, a elaboração e execução de programas que elevam o nível de qualidade de vida dos idosos podem proporcionar a promoção de saúde e bem-estar nessa fase da vida, seja referindo-se ao envelhecimento saudável, produtivo, ativo ou bem-sucedido (TEIXEIRA; NERI, 2008). Desta maneira, é muito importante que os profissionais de saúde, principalmente o enfermeiro, acolham os idosos de maneira adequada e forneçam apoio emocional e respeito, para uma assistência ajustada a suas necessidades. Afinal, ainda que o envelhecimento seja uma conquista das nações civilizadas e progressistas, cabe lembrar que não basta apenas maximizar a expectativa de vida, mas também buscar por uma melhor qualidade de vida (LORENZI et al., 2009). Em uma pesquisa realizada sobre os idosos assistidos pela Estratégia de Saúde da Família em Dourados, MS, evidenciou que o enfermeiro é um profissional essencial para a promoção da saúde dos idosos, pois apresenta capacidade técnica e científica de realizar a avaliação e acompanhamento das condições de vida e saúde de indivíduos, famílias e grupos sociais, a identificação de suas necessidades sociossanitárias, a proposição de um projeto de intervenção pactuado com os diferentes sujeitos envolvidos e o provimento de cuidados à saúde, seguido da avaliação dos resultados alcançados (ALVARENGA et al., 2011). Neste sentido este estudo visou elencar as evidências científicas disponíveis na literatura sobre a atuação do enfermeiro para a promoção da qualidade de vida dos idosos, de modo a clarificá-las e detectar as possíveis lacunas existentes nessa área de conhecimento. Materiais e Métodos CANEPA, Elaine Barros Saraiva; CARDOSO, Andréia Insabralde de Queiroz; RICARDINO, Aloma Renata 59 Interbio v.8 n.1 2014 - ISSN 1981-3775 Trata-se de uma revisão integrativa da produção científica a respeito da promoção da qualidade de vida aos idosos pelo enfermeiro. Esse método de pesquisa viabiliza sintetizar e divulgar as evidências disponíveis na literatura (GALVÃO; MENDES; SILVEIRA, 2010). Para sua elaboração, o percurso metodológico foi operacionalizado por meio das seguintes etapas: identificação do tema e estabelecimento da questão norteadora da pesquisa, estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão e busca de estudos nas bases de dados, identificação dos estudos pré-selecionados e selecionados, categorização dos estudos selecionados, análise e interpretação dos resultados e, por fim, apresentação da revisão (BOTELHO; CUNHA; MACEDO, 2011). A questão norteadora da pesquisa foi: “Quais as evidências científicas disponíveis sobre a atuação do enfermeiro para a promoção da qualidade de vida dos idosos”? A coleta de dados foi realizada nas bases de dados da BVS (Biblioteca Virtual em Saúde), com os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): Qualidade de vida; Idoso; Enfermagem. Os critérios de inclusão da amostra foram: artigos científicos publicados na íntegra, em português, no período de 2009 a 2013. Foram excluídos os artigos em resumo, os que não responderam à temática, os repetidos e aqueles classificáveis metodologicamente como documentos institucionais, monografias, teses ou dissertações. Para a coleta de dados dos artigos incluídos na revisão integrativa, utilizou-se um instrumento adaptado abrangendo as seguintes informações: título do artigo, origem da publicação, sujeitos da pesquisa, objetivos, tipos de estudo, principais resultados e conclusões. Os artigos encontrados foram predominantemente relatos de casos, estudos descritivos e avaliações de programas. A busca foi realizada independentemente por duas pesquisadoras, como recomendado para aumentar o rigor metodológico (GALVÃO; MENDES; SILVEIRA, 2010). Resultados e Discussão Na busca inicial realizada em abril de 2013, foram encontrados 3179 estudos, destes 883 estavam disponibilizados na íntegra, 152 foram publicados em português, 100 foram publicados no período estabelecido e 92 eram artigos científicos. A partir da leitura dos títulos e resumos dos 92 artigos pré-selecionados, excluíram-se 64 publicações que não respondiam à temática da atuação do enfermeiro para a promoção da qualidade de vida dos idosos, 16 por serem repetidos e 6 por não se referirem ao idoso. Restando 6 artigos, que foram lidos na íntegra e compuseram a presente revisão, sendo poucas produções referentes ao tema. Predominaram publicações do ano de 2011 (4, ou 67%), seguidas das lançadas em 2010 e 2012 (1, ou 16,5% em cada ano). O autor Tavares, DMS foi o que apresentou o maior número de publicações (2, ou 30%). (Quadro 1). Ainda referente ao Quadro 1, podese observar que as principais conclusões levantadas nos artigos foi a de que o enfermeiro deve prestar um cuidado integral e humanizado para melhorar a qualidade de vida dos idosos (SANTOS, et al. 2011; TAVARES; DIAS; MUNARI, 2012; FURUYA et al., 2011; TAKEMOTO et al., 2011; TAVARES; CÔRTES; DIAS, 2010; SILVA et al., 2011). Constatou-se nesta revisão que a população idosa tem sido alvo de estudos, principalmente devido ao aumento da expectativa de vida por causa do avanço tecnológico e de promoção à saúde (NICOLUSSI et al., 2012). Observou-se nos estudos pesquisados que as principais ações de enfermagem frente à promoção da qualidade de vida dos idosos são de ajudar o cliente a identificar suas necessidades frente aos problemas reais e potenciais decorrentes de patologias crônicas, implementando ações CANEPA, Elaine Barros Saraiva; CARDOSO, Andréia Insabralde de Queiroz; RICARDINO, Aloma Renata 60 Interbio v.8 n.1 2014 - ISSN 1981-3775 educativas que promovam melhoria na sua qualidade de vida (SANTOS et al. 2011). Quadro 1 – Artigos científicos incluídos na pesquisa. Campo Grande, MS, 2013. Autor Principal SANTOS, ACS Ano de Publicação 2011 2. Qualidade de vida e comorbidades entre os idosos diabéticos TAVARES, DMS 2010 3. Qualidade de vida de idosos e participação em atividades educativas grupais TAVARES, DMS 2012 4. Percepções e mudanças na qualidade de vida de pacientes submetidos à hemodiálise SILVA, AS 2011 5. Avaliação da qualidade de vida em idosos submetidos ao tratamento hemodialítico TAKEMOT O, AY 2011 6. A integralidade e suas interfaces no cuidado ao idoso em unidade de terapia intensiva FURUYA, RK 2011 Número e título do artigo 1. Insuficiência cardíaca: estratégias usadas por idosos na busca por qualidade de vida Principais conclusões Cuidar do idoso com insuficiência cardíaca implica em avaliar as repercussões na capacidade funcional e autonomia dos idosos, exigindo habilidades e competências do enfermeiro para identificar suas especificidades na perspectiva de um cuidado integral que contribua para a qualidade de vida dos mesmos. Faz-se necessário buscar alternativas para melhoria da qualidade de vida, principalmente entre as mulheres, os idosos mais velhos e com maior número de morbidades. Impõe-se a reflexão sobre as atividades educativas grupais desenvolvidas nos serviços de saúde como fator que contribui para a melhoria das condições de saúde e qualidade de vida dos idosos. O apoio dos familiares e dos profissionais da saúde, em especial a do enfermeiro, pode contribuir para a superação das limitações e adaptação ao novo estilo de vida. Para manter uma boa saúde, a readequação das ações terapêuticas a partir da compreensão da vida habitual do paciente com doença crônica. A busca pela melhoria da qualidade da assistência nas unidades de terapia intensiva ocorre por meio do cuidado humanístico, atendendo às necessidades físicas e não físicas. Apesar dos aspectos científicos e aparatos tecnológicos serem importantes, o paciente precisa sentir que, muito mais do que a técnica, existe a compaixão, o respeito, o companheirismo e a sabedoria. CANEPA, Elaine Barros Saraiva; CARDOSO, Andréia Insabralde de Queiroz; RICARDINO, Aloma Renata 61 Interbio v.8 n.1 2014 - ISSN 1981-3775 Dessa maneira, o enfermeiro pode contribuir para a melhoria das dificuldades, identificando os fatores que estão associados à menor autonomia e desenvolvendo ações grupais em conjunto com o idoso e seus familiares, buscando incentivar a expressão de desejos e a capacidade de decisão nessa etapa da vida (TAVARES; DIAS; MUNARI, 2012). Dessa forma, um grupo do núcleo de atenção ao idoso da Universidade Aberta da Terceira Idade da Universidade Estadual do Rio Janeiro construiu um espaço de acolhimento, afeto, convivência e solidariedade, reforçando a importância do dispositivo grupal no enfrentamento da solidão, construção de vínculos e ampliação da rede de suporte dos idosos, como um espaço garantido para eles, seu projeto, sua aula, sua atividade de lazer e encontro (BERNARDO et al., 2009). Um estudo realizado com os idosos que compareceram à Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul demonstrou que o fato dos idosos procurarem o serviço de saúde para a vacinação evidencia uma motivação para o autocuidado, propiciando a prevenção de doenças e contribuindo para a manutenção da capacidade funcional e qualidade de vida (SANTOS et a.l, 2009). Esse modo de entendimento leva em conta a necessidade de fortalecer as práticas de autocuidado e a adoção de estilo de vida saudável pela difusão de saberes aos idosos, para assegurar a manutenção da autonomia e a capacidade funcional além de sustentar a valorização como pessoa e a busca de um novo sentido para a vida (MOURA; DOMINGOS; RASSY, 2010). Neste sentido, constatou-se em um estudo realizado com idosos, que a atuação no trabalho voluntário por estes é um mecanismo promotor da qualidade de vida (SOUZA; LAUTERT; HILLESHEIN, 2011), logo incentivar essa prática é uma alternativa para promover melhores condições de saúde a essa clientela (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2005). Tavares; Côrtes; Dias (2010) deixa evidente que existe a necessidade de buscar alternativas para melhoria da qualidade de vida do idoso. Outras pesquisas abordam a existência de instrumentos validados para a avaliação da qualidade de vida do idoso e identificação dos riscos, estes oferecem elementos importantes para auxiliar na prestação de uma assistência de enfermagem mais qualificada e humanizada, de acordo com as necessidades de saúde individualizadas, além de permitir estratégias de ações de saúde e não no enfoque na doença (TAKEMOTO et al., 2011; PASKULIN et al., 2010; GONTIJO et al., 2009). Para postergar as complicações das doenças crônicas é necessária a realização de ações preventivas de doenças. A enfermagem, juntamente com a equipe multidisciplinar, pode promover ações que visem à manutenção da autonomia dessa população, além de atividades direcionadas para o cuidado com a sua saúde (TAVARES; CÔRTES; DIAS, 2010; SILVA et al., 2011). Em nova publicação científica Tavares; Dias; Munari (2012) evidenciam que as atividades educativas grupais realizadas com idosos tem sido fator de melhoria das condições de saúde e qualidade de vida. Nessa perspectiva, as ações educativas em saúde devem envolver e sensibilizar os profissionais a atuarem de maneira integrada e inteirada com os idosos e familiares, sempre envolvendo as pessoas próximas dos idosos no processo de educação, para a compreensão das implicações do processo de envelhecimento, doenças crônicas e melhoria da qualidade de vida dos idosos e da família (MELO et al., 2009). É necessário também redirecionar a atenção das políticas locais à saúde do idoso de acordo com as especificidades em cada localidade considerando as diferenças encontradas nos distintos aspectos da qualidade de vida (TAVARES; ARAÚJO; DIAS, 2011). Visto que, o bem-estar da pessoa idosa não deve estar relacionado CANEPA, Elaine Barros Saraiva; CARDOSO, Andréia Insabralde de Queiroz; RICARDINO, Aloma Renata 62 Interbio v.8 n.1 2014 - ISSN 1981-3775 apenas aos cuidados prestados pelos familiares ou profissionais, mas sim em políticas públicas inclusivas que assegurem os direitos do idoso, criando condições para a promoção da saúde, autonomia, integração e participação social (MOURA; DOMINGOS; RASSY, 2010). Conforme observado por Silva et al. (2011) o apoio ao idoso e familiar realizado pelos profissionais de saúde contribui para a superação de limitações e adequações ao novo estilo de vida decorrente do envelhecimento. A promoção à saúde do idoso envolve um conjunto de atividades de cuidados sociosanitarios, com finalidade de detectar alterações, valorizar a saúde e dar suporte e soluções aos problemas advindos das diversas patologias instaladas, para que o indivíduo e sua família sintam-se orientados e confortados, auxiliando-os no autocuidado e respeitando os aspectos culturais. Existe a necessidade de investir e melhorar a estrutura social e identificar os recursos da comunidade como suporte social para propor medidas alternativas para os cuidados domiciliários, com a possibilidade de criar serviços como centros-dia, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de idosos e de seus cuidadores (MOREIRA et al, 2011). Para Takemoto et al. (2011), é preciso ocorrer à readequação das ações terapêuticas a partir da compreensão do paciente. No tocante a este princípio percebe-se a importância do ESF (Estratégia Saúde da Família), que por meio de buscas ativas junto aos agentes de saúde, faz com que o idoso chegue a este programa que é a porta de entrada para os demais níveis de complexidade, assegurando a este um atendimento integral e de forma holística. Deve-se ressaltar que a maioria dos idosos procura o serviço de saúde quando estão em sofrimento, por desconhecer as políticas de saúde relacionada aos cuidados destinados a eles (ACIOLE; BATISTA, 2013). Os profissionais de saúde e gestores devem reconhecer que os idosos podem e devem receber informações atualizadas relacionadas ao cuidado com sua saúde é essencial para que sejam criados projetos que visem ajudá-los a envelhecer de forma saudável e junto a sua família (ACIOLE; BATISTA, 2013). Na pesquisa de Furuya et al. (2011) o cuidado humanístico vem para melhorar a qualidade da assistência prestada, pois trata das necessidades físicas e não físicas. O enfermeiro tem papel fundamental na assistência ao idoso, pois este deve estar envolvido nos cuidados visando à humanização do tratamento, reestabelecimento e manutenção da saúde. Estimulando a autonomia e a dignidade, prevenindo complicações adicionais (SILVA; OLIVEIRA; MARTA, 2013). Conclusão O grande desafio da enfermagem quando se trata de saúde do idoso, é inserilo no processo de promoção a saúde, fazendo com que ele entenda e tenha acesso a informações sobre as políticas em relação a eles de forma clara e objetiva. Assim o enfermeiro pode trabalhar identificando e se atentando as necessidades individuais dos idosos, expondo-as aos seus cuidadores e familiares de modo a prestar um melhor cuidado prezando pela autonomia, que muitas vezes não são trabalhadas para que estes possam assumir o seu papel diante da sociedade. Deve-se atentar também para as necessidades apresentadas pelos cuidadores, já que estes muitas vezes não se encontram preparados para assumir as responsabilidades perante o cuidado do idoso devido as alterações fisiológicas e de saúde que os acometem. O apoio dos familiares e dos profissionais é imperativo para a superação das limitações decorrentes das alterações fisiológicas e patologias crônicas que podem acometer os idosos, também deve haver a adequação das ações terapêuticas do Programa Saúde do Idoso. A promoção, manutenção e reestabelecimento da saúde do idoso, devem CANEPA, Elaine Barros Saraiva; CARDOSO, Andréia Insabralde de Queiroz; RICARDINO, Aloma Renata 63 Interbio v.8 n.1 2014 - ISSN 1981-3775 ser trabalhadas pelo enfermeiro, buscando em princípio entender o processo cultural, religioso e os valores morais existentes no contexto familiar e comunitário dos idosos. É importante investir mais em estudos que englobem as temáticas das ações de enfermagem para a melhoria da qualidade de vida dos idosos, na perspectiva da promoção da saúde, valorizando os aspectos saudáveis dos indivíduos e grupos, de modo que estes os descubram e os maximizem. Os enfermeiros devem ter uma maior atuação tanto na assistência como educador, quanto na produção de pesquisas direcionadas aos idosos, desenvolvendo estudos de intervenção que possam ser aplicados na prática clínica e que possibilitem melhorar a qualidade de vida dos idosos. A humanização e o acolhimento são imprescindíveis para estabelecer um vínculo entre profissional e o paciente, já que a partir do momento em que este vínculo é instituído e se tem um conhecimento sobre a realidade em que este idoso vive as ações de enfermagem podem ser realizadas de modo efetivo, contribuído para a melhoria da qualidade de vida do idoso. Referências Bibliográficas ACIOLE, G. G.; BATISTA, L. H. Promoção da saúde e prevenção de incapacidades funcionais dos idosos na estratégia saúde da família: a contribuição da fisioterapia. Saúde em Debate, Rio de Janeiro, v. 37, n. 96, p. 10-19, jan/mar, 2013. ALVARENGA, M. R. M.; OLIVEIRA, M. A. C.; FACCENDA, O.; SOUZA, R.A. Perfil social e funcional de idosos assistidos pela estratégia da saúde da família. Cogitare enfermagem, Curitiba, v. 16, n. 3, p. 478-485, jul/set, 2011. ALVES, L. C.; LEITE, I. C.; MACHADO, C. J. Fatores associados à incapacidade funcional dos idosos no Brasil: análise multinível. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 44, n. 3, p. 1-11, maio, 2010. AMENDOLA, F.; OLIVEIRA, M. A. C.; ALVARENGA, M. R. M. Qualidade de vida dos cuidadores de pacientes dependentes no programa de saúde da família. Texto e Contexto – Enfermagem, Florianópolis, v. 17, n. 2, p. 266-272, abr/jun, 2008. BERNARDO, M. H. J.; MENEZES, M. F. G.; ASSIS, M.; PACHECO, L. C.; MECENAS, A. S. A saúde no diálogo com a vida cotidiana: a experiência do trabalho educativo com idosos no grupo roda da saúde. Revista Atenção Primária a Saúde, Juiz de Fora, v. 12, n. 4, p. 504-509, out/dez, 2009. BOTELHO, L. L. R.; CUNHA, C. C. A.; MACEDO, M. O método da revisão integrativa dos estudos organizacionais. Gestão e sociedade, Belo Horizonte, v. 11, n. 5, p. 121-136, mai/ago, 2011. BRASIL. Ministério da Saúde. Estatuto do idoso. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. FARINASSO, A. L. C. Perfil dos idosos em uma área de abrangência da Estratégia de Saúde da Família. 2005. 103 f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem Fundamental) - Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2005. FURUYA, R. K.; BIROLIM, M. M.; BIAZIN, D. T.; ROSSI, L. A. A integralidade e suas interfaces no cuidado ao idoso em unidade de terapia intensiva. Revista Enfermagem UERJ, Rio de Janeiro, v. 19, n. 1, p. 158-162, jan/mar, 2011. GALVÃO, C. M.; MENDES, K. D. S.; SILVEIRA, R. C. C. P.; Revisão integrativa: método de revisão para sintetizar as evidências disponíveis na literatura. In: BREVIDELLI, M. M.; SERTÓRIO, S. C. M. TCC-Trabalho de conclusão de curso: guia prático para docentes e alunos da área da saúde. São Paulo: Iátria, 2010. p.105-125. GONTIJO, E. D.; GUIMARÃES, T. N.; MAGNANI, C.; PAIXÃO, G. M.; DUPIN, S.; PAIXÃO, L. M. Qualidade de vida dos portadores de doença de Chagas. Revista Médica de Minas Gerais, Belo Horizonte, v. 19, n. 4, p. 281-285, out/dez, 2009. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Demográfico 2010: Características da população – Dois Irmãos do Buriti/MS. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/link.php?uf= ms. Acesso em 19 out. 2012. LASMAR, M. M. O.; RONZANI, T. M. Qualidade de vida e resiliência: uma interface com a promoção da saúde. Revista de Atenção Primária a Saúde, Juiz de Fora, v. 12, n. 3, p. 339-350, jul/set, 2009. LORENZI, D. R. S. D. et al. Assistência à mulher climatérica: novos paradigmas. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 62, n. 2, p. 287-293, mar/abr, 2009. CANEPA, Elaine Barros Saraiva; CARDOSO, Andréia Insabralde de Queiroz; RICARDINO, Aloma Renata 64 Interbio v.8 n.1 2014 - ISSN 1981-3775 MELLO, D. B. Influência da obesidade na qualidade de vida dos idosos. 2008. 93 f. Tese (Doutorado em Ciências) – Escola Nacional de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 2008. MELLO, M. C. et al. A educação em saúde como agente promotor de qualidade de vida para o idoso. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 14, supl. 1, p. 1579-1586, set/out, 2009. MOURA, M. A. V.; DOMINGOS, A. M.; RASSY, M. E. C. A qualidade na atenção à saúde da mulher idosa: um relato de experiência. Escola Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 14, n. 4, p. 848-855, out/dez, 2010. NICOLUSSI, A. C. et al. Qualidade de vida em idosos que sofreram quedas: revisão integrativa de literatura. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, n. 3, p. 723-730, março, 2012. PASKULIN, L. M. G. et al. Percepção de pessoas idosas sobre qualidade de vida. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 23, n. 1, p. 101-107, jan/mar, 2010. POWER, M,; SCHIMIDT, S. Manual WHOQOLOLD. Genebra: World Health Organization; 1998. [19 p.]. Disponível em: http://www.ufrgs.br/psiq/ WHOQOLOLD%20Manual%20POrtugues.pdf. Acesso em: 27 Out. 2012. SAMPAIO, P. R. L.; BEZERRA, A. J. C.; GOMES, L. A osteoporose e a mulher envelhecida: fatores de risco. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Rio de Janeiro, v. 14, n. 2, p. 295-302, 2011. SANTOS, B. R. L. et al. Situação vacinal e associação com a qualidade de vida, a funcionalidade e a motivação para o autocuidado em idosos. Revista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo, v. 12, n. 4, p. 533-540, dez., 2009. SANTOS, A.C.S. et al. Insuficiência cardíaca: estratégias usadas por idosos na busca por qualidade de vida. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 64, n. 5, p. 857-863, set/out, 2011. SERBIM, A. K.; FIGUEIREDO, A. E. P. L. Qualidade de vida de idosos em um grupo de convivência. Scientia Medica, Porto Alegre, v. 21, n. 4, p. 166-172, 2011. hemodiálise. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 64, n. 5, p. 839-844, set/out., 2011. SILVA, E.F.S; OLIVEIRA, P.P.; MARTA, C.B. O papel do enfermeiro como educador no programa de atendimento domiciliar terapêutico aos pacientes idosos. Revista Saúde, Corpo, Ambiente e Cuidado, v. 1, n. 1, p. 104-113, Jan/Mar, 2013. SOUZA, L. M.; LAUTERT, L.; HILLESHEIN, E. F. Qualidade de vida e trabalho voluntário em idosos. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 45, n. 3, p. 665-671, jun., 2011. TAKEMOTO, A.Y. et al. Avaliação da qualidade de vida em idosos submetidos ao tratamento hemodialítico. Revista Gaúcha de Enfermagem, Porto Alegre, v. 32, n. 2, p. 256-262, jun., 2011. TAVARES, D. M. S. et al. Qualidade de vida em idosos com hipertensão arterial. Revista Enfermagem UERJ, Rio de Janeiro, v. 19, n. 3, p. 438-444, jul/set, 2011. TAVARES, D. M. S.; ARAÚJO, M. O.; DIAS, F. A. Qualidade de vida dos idosos: comparação entre distritos sanitários de Uberaba-MS. Ciência, Cuidado e Saúde. Maringá, v. 10, n. 1, p. 74-81, jan/mar, 2011. TAVARES, D. M. S.; CÔRTES, R. M.; DIAS, F. A. Qualidade de vida e comorbidades entre os idosos diabéticos. Revista Enfermagem UERJ, Rio de Janeiro, v. 18, n. 1, p. 97-103, jan/mar, 2010. TAVARES, D. M. S.; DIAS, F. A.; MUNARI, D. B. Qualidade de vida de idosos e participação em atividades Educativas grupais. Acta Paulista de Enfermagem, São Paulo, v. 25, n. 4, p. 601-606, jul., 2012. TEIXEIRA, I. N. D. A. O.; NERI, A. L. Envelhecimento bem-sucedido: uma meta no curso da vida. Psicologia USP, São Paulo, v. 19, n. 1, p. 81-94, jan./mar. 2008. VECCHIA, R.D. et al. Qualidade de vida na terceira idade. Revista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo, v. 8, n. 3, p. 246-252, set., 2005. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 200 SILVA, A.S. et al. Percepções e mudanças na qualidade de vida de pacientes submetidos à 5. CANEPA, Elaine Barros Saraiva; CARDOSO, Andréia Insabralde de Queiroz; RICARDINO, Aloma Renata