II Seminário Iniciação Científica – IFTM, Campus Uberaba, MG. 20 de outubro de 2009. PRODUÇÃO DE LEITE POR HECTARE EM PASTAGEM DE TIFTON 85 SOB MANEJO DE IRRIGAÇÃO E SEQUEIRO ENTRE FEVEREIRO E AGOSTO DE 2009* SENE, G.A.1; JAYME, D.G.²; BARRETO, A.C.3; FERNANDES, L.O.4, OLIVEIRA, A.I.5; FERNANDEZ, A.T.6; SILVA, C.F.6; JUNIOR. D.J.R. 1, JUNIOR. A.J.S.7; COUTINHO, A.C.8 1 Estudante do 5º período de Zootecnia – IF Triângulo Mineiro – Uberaba; bolsista FAPEMIG 2 Prof. IF Triângulo Mineiro – Uberaba – orientador; e-mail: [email protected] 3 Prof. IF Triângulo Mineiro – Uberaba 4 Pesquisador EPAMIG Uberaba/MG 5 Estudante do 5º período de Zootecnia – IF Triângulo Mineiro – Uberaba; bolsista CNPQ 6 Estudante do 5º período de Zootecnia – IF Triângulo Mineiro - Uberaba 7 Estudante do 3º período de Agronomia – IF Triângulo Mineiro – Uberaba 8 Eng. Agrônomo Fazenda Energética, CEMIG S/A, e-mail: [email protected] *Apoio: FAPEMIG, IFTM, CEMIG, Epamig. RESUMO Objetivou-se com este trabalho avaliar a produção de leite/ha em pastagem de Tifton 85 sob manejo de irrigação e sequeiro no período de fevereiro a agosto de 2009. O delineamento utilizado para a avaliação foi blocos ao acaso com 11 repetições (vacas em lactação). Em cada tratamento os animais foram manejados em pastejo rotacionado com 3 dias de ocupação, 21 de descanso e oferta de forragem de 5% do peso vivo no período chuvoso e 5 dias de ocupação, 35 de descanso, oferta de forragem de 7% do peso vivo no período seco. Foi observado que a irrigação de pastagem de Tifton 85 proporcionou maior produção de leite/ha, quando comparado ao sequeiro, apresentando diferença média entre de 29,2 kg de leite/ha/dia entre os tratamentos no período avaliado. Pode-se concluir que a pastagem de Tifton 85 irrigada proporciona maior produção de leite por hectare que a pastagem em regime de sequeiro. Palavras-chave: produção de leite, sistema de irrigação e sequeiro, sistema rotacionado, Tifton 85, vacas. INTRODUÇÃO Os sistemas de produção de leite a pasto têm se mostrado como o de maior viabilidade econômica para os produtores de leite devido ao baixo investimento com instalações, mecanização e mão-de-obra. Entretanto a maior dificuldade dos sistemas de produção a pasto é a estacionalidade na produção de forragem observado no período da seca que proporciona queda na produção animal neste período. Porém além dos efeitos da II Seminário Iniciação Científica – IFTM, Campus Uberaba, MG. 20 de outubro de 2009. estacionalidade da produção de forragem outro fator que afeta a produção de forragem são os veranicos durante a estação das chuvas. Os veranicos são fenômenos que consistem em um período de estiagem acompanhado por calor intenso e baixa umidade relativa do ar, sua característica de secura é prejudicial para a produção das forrageiras e conseqüentemente afeta a produção animal. Segundo Rolim (1994), dentre os fatores climáticos que influenciam o crescimento das plantas, os de maior relevância são a precipitação pluvial, a temperatura e a radiação solar, sendo que a ordem de importância varia de um local para outro e entre as estações do ano. A irrigação de pastagem apesar de ser uma técnica relativamente recente no país se caracteriza como uma importante ferramenta para suprir o déficit hídrico das forrageiras tanto na estação seca do ano como em eventuais veranicos que possam afetar a produtividade da pastagem. A irrigação suplementar durante os “veranicos” tem como objetivo “estabilizar e intensificar a produção de forragem no período das águas, desde que a temperatura e a luminosidade não sejam fatores limitantes” (XAVIER et al., 2001). Diante do exposto este trabalho teve por finalidade analisar a produção de leite/ha de vacas da raça Girolando mantidas em pastagem de Tifton 85 com sistema de pastejo rotacionado com e sem irrigação na região de Uberaba MG no período de fevereiro a agosto de 2009. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi desenvolvido no Instituto Federal do Triângulo Mineiro no município de Uberaba/MG. Os tratamentos foram constituídos de pastagem de tifton 85 em condições de sequeiro e irrigação. Para cada tratamento foi utilizada uma área de 5,28 ha que recebeu adubação para permitir uma taxa de lotação de 7 UA/ha no período das águas. O sistema foi manejado em condições de lotação rotacionada com 3 dias de ocupação e 21 de descanso com oferta de forragem de 5% do peso vivo no período chuvoso e 5 dias de ocupação e 35 de descanso com oferta de forragem de 7% do peso vivo no período seco do ano. Foi realizada avaliação da disponibilidade de forragem sempre que os animais mudaram de piquete, através de amostragem de massa de forragem da pastagem, por meio do corte ao nível do solo de quatro áreas delimitadas por quadrados de metal com 1x1 m escolhidas ao acaso dentro do piquete procedendo em função da disponibilidade de forragem os ajustes na carga animal. Foram utilizadas para o experimento um lote de 22 vacas em lactação da raça Girolando de diferentes idades e grau de sangue mas com produção semelhante. O restante dos animais para II Seminário Iniciação Científica – IFTM, Campus Uberaba, MG. 20 de outubro de 2009. completar a taxa de lotação avaliada entrou no sistema de acordo com a disponibilidade de forragem. Durante o período os dois tratamentos receberam suplementação de concentrado para todas as vacas que produziram acima de 10 kg de leite/dia, na quantidade de 1 kg de concentrado para cada 2,5kg de leite produzido acima de 10 kg de leite/dia. Foram realizados controles leiteiros quinzenais para determinação de produção de leite diária e produção de leite/ha. O delineamento utilizado para a avaliação foi blocos ao acaso com onze repetições (vacas em lactação), sendo as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. RESULTADOS E DISCUSSÃO De acordo com a tabela 1 podemos observar que em todos os ciclos avaliados as produções de leite/ha/dia apresentaram diferença (p<0,05) entre os tratamentos irrigado e sequeiro. As produções máximas e mínimas apresentadas no tratamento irrigado e sequeiro foram de 40,6 a 75,7 e de 12,5 a 41,6kg de leite/ha/dia, respectivamente com uma diferença média de produção de 29,2 Kg de leite/ha/dia. Vilela (2006) observou produções de 77,85 kg de leite/ha/dia para animais da raça holandesa alimentados com 3,0 kg de concentrado e mantidos em pastagem de coastcross irrigado. Tabela 1. Produção de Kg de leite/ha de fevereiro a agosto de 2009 Irrigado Sequeiro Média 75,7a 41,6b 58,7 fev/mar09 40,6a 27,5b 33,9 mar/abr09 47,6a 17,0b 32,3 mai/jun09 50,4a 14,2b 32,3 jun/jul09 44,7a 12,5b 28,6 jul/ago09 CV 34,8 34,0 40,4 28,6 17,2 Médias seguidas por letras minúsculas distintas na mesma linha diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. A partir do mês de abril as precipitações pluviométricas apresentam queda na região de Uberaba MG atingindo nos meses de junho e julho os índices mais baixos (Figura 1). Nesse mesmo período lâmina de água necessária apresentou um grande aumento passando de -9,6 mm em abril para 81,9 mm em agosto (Figura 2). II Seminário Iniciação Científica – IFTM, Campus Uberaba, MG. 20 de outubro de 2009. 25,0 450,0 400,0 20,0 350,0 15,0 250,0 200,0 10,0 Temperatura (ºC) Precipitação (mm) 300,0 150,0 100,0 5,0 50,0 0,0 0,0 jan fev mar abr 2005 mai 2006 jun 2007 jul ago 2005 set 2006 out nov dez 2007 Figura 1. Valores médios de temperatura e precipitação pluviométrica mensal nos últimos três (2005/07). Fonte: Uberaba em dados (2007). 100,0 80,0 60,0 LN 40,0 LA 20,0 0,0 Abril Maio Junho Julho Agosto -20,0 Figura 2. Valores da lamina de água necessária e aplicada no projeto de abril a agosto de 2009 As produções dos sistemas irrigado e sequeiro apresentaram inicialmente uma queda entre os ciclos de fevereiro/março e março/abril possivelmente devido a aplicação de herbicida para controle de plantas invasoras que ocorreu neste período já que os dois tratamentos dispunham de água provenientes das chuvas neste período (Figura 3). A partir deste momento podemos observar que a produção do sequeiro acompanhou inversamente a lamina necessária apresentando queda em todos os ciclos avaliados devido a diminuição da precipitação pluviométrica e conseqüente queda na produção de forragem. Já a produção do sistema irrigado apresentou aumento até o ciclo de junho/julho e posteriormente uma queda acompanhando a queda ocorrida na lamina de água aplicada do mês de julho. De acordo com Vilela (2006) a fertilização e a irrigação II Seminário Iniciação Científica – IFTM, Campus Uberaba, MG. 20 de outubro de 2009. viabilizam maior produção de forragem de melhor qualidade, assegurando elevadas produções de leite por área e por animal, que pode ser otimizada com a suplementação com concentrados. Figura 3. Produção de Kg de leite/ha/dia nos tratamentos de sequeiro e irrigado em diferentes ciclos de pastejo. CONCLUSÕES A pastagem de Tifton 85 irrigada proporciona maior produção de leite por hectare quando comparada com a pastagem em regime de sequeiro. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ROLIM, F.A. Estacionalidade de produção de forrageiras. In: PEIXOTO A. M. et al. (Eds.). Pastagens: fundamentos da exploração racional. 2. ed. Piracicaba: FEALQ, 1994. p. 533-565. Vilela, D.; Lima, J. A.; Resende, J. C.; Verneque, R. S. Desempenho de vacas da raça Holandesa em pastagem de coastcross Revista Brasileira de Zootecnia, v.35, n.2, p.555-561, 2006 XAVIER, A.C.; LOURENÇO, L.F.; COELHO, R.D. Modelo matemático para manejo da irrigação por tensiometria em pastagem Panicum maximum Jacq. rotacionada sob pivô central. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 38., Piracicaba, 2001. Anais... Piracicaba: SBZ, 2001. p. 249-250.