Pesquisa Acrefi/TNS: 75% das pessoas
consultadas pretendem economizar mais em 2015
edição
89
nov
Apostas para 2015
Conheça os diferentes cenários que os
economistas apresentaram no 9o SIAC para o
segundo mandato de Dilma Rousseff
conteúdofinanceiro
8
10
5 Editorial
8 SIAC – Abertura
10 Palestra:
Alexandre Schwartsman
12 Palestra:
Luiz Carlos Mendonça de Barros
13 Palestra:
Antonio Delfim Netto
14 Palestra:
20
Barry Naughton
15 Pesquisa Acrefi/TNS
17 9o SIAC na mídia
20 Executivo:
Georges Legrand
23 Classe média é multicanal
24 Road Show Vitória
26 Perícia financeira
34
27 Congestionamento nos tribunais
32 Painel Cetip
34 Salão do Automóvel
novembro 2014 financeiro
3
conteúdofinanceiro
36
38
36 Supermáquinas
Ferrari 458 Speciale
38 Estilo
40 Exposição: Ron Mueck
42 Cinemateca Brasileira
45 Biblioteca de Araçariguama
46
50
4 financeiro novembro 2014
46 Hotel Dona Carolina
50 Fundação Dorina Nowill
55 INEPAD
ARTIGOS
28
29
31
66
Carlos Thadeu de Freitas (CNC)
Laércio de Oliveira Pinto (Data4Credit)
Domingo Montanaro (New Space)
Nicola Tingas (Acrefi)
editorial
Momento de
decisão
Foto: Mário Bock
E
sta época do ano costuma ser um período de
São fatos que se somam aos já conhecidos desafios
expectativa em relação ao novo ano que se avizi- do novo mandato – os dados econômicos são, todos
nha. No caso de 2015, no entanto, essa ansieda- eles, preocupantes, a começar pela inflação e pela
de é ainda maior – o País acompanha de perto os pre- situação das contas públicas. Claro que o quadro não é
núncios do que será o segundo mandato da presidente desanimador, mas também é evidente que a presidente
Dilma Rousseff. Sabe-se que será um outro governo, precisava agir, e com rapidez, para que os problemas
embora a presidente tenha se mantido no cargo.
fossem ao menos encaminhados para solução.
Essa onda de crescente expectativa criou-se antes
E em meio a tantos desafios chama a atenção
mesmo das eleições de outubro, já que a presidente se um dos temas mais lembrados na eleição – o Bolsa
antecipou e anunciou a troca do ministro da Fazenda. Família. Mais do que a visão maniqueísta que prevaA ansiedade cresceu ainda mais quando o Copom leceu na campanha eleitoral, esse assunto precisa ter
anunciou, logo depois do segundo turno da eleição, uma visão abrangente, que vai muito além da discusuma elevação na taxa básica de juros, que pegou de são estéril sobre sua manutenção.
surpresa todo o País.
O fato é que o Bolsa Família precisa ser encaraMais ainda, Marta Suplicy puxou a fila e deixou do como uma etapa do processo de inclusão social.
o Ministério da Cultura antecipadamente, ao lado Ninguém nega sua importância, mas é necessário que
de outros que faziam parte do governo Dilma, e foi ele não seja encarado como um fim em si mesmo. A
explícita ao afirmar que Dilma Rousseff terá grandes ideia central, isso sim, é que o Bolsa Família se torne
desafios no segundo mandato, como resgatar a credi- um instrumento para que a população mais carente
bilidade na economia.
possa de fato melhorar de vida. Para isso, ela precisou
A presidente demonstrou que essa será uma das (e em muitos casos ainda precisa) de recursos, mas é
maiores prioridades de seu novo mandato ao anun- preciso muito mais. A população necessita de educaciar, no final de novembro, a linha de
ção, de formação, de instrumentos
frente de sua nova política econômique a ajudem a progredir, sem ficar
ca. É uma equipe de respeito, formana eterna dependência de programas
da por nomes como os de Joaquim
assistencialistas.
Levy como ministro da Fazenda,
Enfim, como se pode ver por esse
Nelson Barbosa no Planejamento e
exemplo, o caminho é árduo e longo
a manutenção de Alexandre Tombini
para a presidente Dilma Rousseff no
no comando do Banco Central. Foram
seu novo mandato. Todos nós, cidanomes saudados com entusiasdãos e empresas, torcemos para que
mo pelos agentes econômicos, que
ela seja bem sucedida e estamos traenxergaram nessas escolhas uma
balhando para que a economia tenha
mudança de rumo na direção correta
uma efetiva melhora. A hora é agora,
na política econômica.
e os agentes econômicos estão consA nova equipe econômica é a concientes e dispostos a colaborar para
firmação de que podemos esperar
que o País retome o desenvolvimento
muitas novidades em 2015. O governo
sustentado.
parece mesmo disposto a fazer um
De olho nessa tarefa, desejaajuste na área fiscal e a usar a política
mos um Feliz Ano Novo pela frente!
monetária de maneira mais agressiva
Érico Sodré Quirino Ferreira: Novidades certamente não faltarão
na tentativa de conter a inflação.
neste 2015! f
presidente da Acrefi
novembro 2014 financeiro
5
expediente
ISSN 1809-8843
Publicação da acrefi – Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento
Rua Líbero Badaró, 425 – 28°andar – São Paulo – SP
Tel: (11) 3107-7177 fax: (11) 3106-6082 – www.acrefi.org.br
Presidente
Érico Sodré Quirino Ferreira
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Aquiles Leonardo Diniz, Décio Carbonari de Almeida, Felicitas Renner, José Luiz Acar Pedro, Leonardo Marcondes Dadalto, Luís Fernando Staub, Mauro Roberto
Vasconcellos Gouvêa e Rubens Buttion
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Diretor Secretário
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Diretores regionais
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Montadoras
Edson Fróes Castilho, Edson Tadashi Ueda, Eduardo Tavares Nobre Varella, Gunnar Alejo Ramos Murillo, Joelcyr Carmello Filho e Nelson Dias de Aguiar
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Conselho consultivo
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Santos, Miguel José Ribeiro de Oliveira, Ricardo Loureiro e Rogério Pinto Coelho Amato (membros)
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6 financeiro novembro 2014
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novembro 2014 financeiro
7
“Espere o melhor... mas,
prepare-se para o pior”
Fotos: Fábio Moreira Salles
Por Theo Carnier e Gustavo Girotto
Na abertura do 9o SIAC, Érico Ferreira, presidente da Acrefi,
apresentou aos mais de 600 convidados sugestões
da entidade para a reforma política
A
informação de qualidade normalmente gera boa audiência nos eventos
financeiros. Quando se acrescenta
a isso o fato de o mercado estar ansioso por
saber o que acontecerá no próximo mandato
da Presidente Dilma Rousseff, a atenção dos
líderes do setor redobra. Essa atraente receita, sem faltar um ingrediente sequer, mobilizou
mais de 600 convidados credenciados para o 9o
SIAC (Seminário Internacional Acrefi), dia 6 de
novembro, em São Paulo.
8 financeiro novembro 2014
Érico Sodré Quirino Ferreira:
presidente da Acrefi
Além da atmosfera de curiosidade sobre o
que diriam os palestrantes Alexandre Schwartsman, Luiz Carlos Mendonça de Barros, Antonio
Delfim Netto e Barry Naughton, professor da
Universidade de San Diego e um dos maiores
especialistas no mercado chinês, tratava-se do
primeiro evento pós-eleição presidencial. Para
completar o menu, eram aguardados com grande expectativa os resultados de uma pesquisa
da Acrefi, encomendada ao instituto TNS, a respeito das perspectivas para 2015.
Antes de passar a palavra aos palestrantes, Érico Ferreira, presidente da Acrefi, deu
as boas-vindas aos convidados, agradeceu
aos patrocinadores do evento, Cetip e CNseg,
e aproveitou para fazer algumas sugestões
para a reforma política no segundo mandato da Presidente Dilma Rousseff. Suas quatro
propostas foram as seguintes:
A carreira do político deve respeitar a
mesma progressão que existe no mundo corporativo. A pessoa começa como trainee até
chegar a diretor ou presidente. O político deveria, obrigatoriamente, iniciar a sua trajetória como vereador, depois prefeito, deputado
estadual, deputado federal, governador e finalmente Presidente da República.
•
voto deve favorecer apenas o candidato, o
•votoOpara
o artista não deve ser usado para ajudar
a eleger outras pessoas, somente os mais votados seriam eleitos.
O parlamentar que deixa o seu mandato para
tentar uma eleição a cargo executivo deve renunciar à sua cadeira, sem direito a retorno.
Nas campanhas para reeleição, o candidato
deve obrigatoriamente afastar-se do seu cargo
no executivo.
Antes de finalizar sua exposição, Érico Ferreira
fez duas observações. A primeira: “Não tenho a menor pretensão de que as minhas sugestões para a reforma política sejam consideradas pelos parlamentares”. A segunda foi uma recomendação para 2015:
“Espere o melhor... mas, prepare-se para o pior.” f
•
•
novembro 2014 financeiro
9
Fotos: Mário Bock
Reformas não podem esperar
palestra de Alexandre Schwartsman, que recordou: até o Banco
Central está prevendo inflação de 6,3% para este ano, muito próxima do teto de 6,5%, e já estima 5,8% para 2015.
Na análise do economista, esse quadro pode ainda se agravar
e a taxa de juros será insuficiente para trazer a inflação para a
meta. Ele considera que seria necessário utilizar outros mecanismos no combate à inflação, mas não acredita que isso acontecerá. “Basta ver que a expansão fiscal tem sido considerável e nada
leve a crer que o quadro vá mudar.”
A opção do governo, segundo Alexandre
Schwartsman, tem sido combater a inflação com
o controle de preços e também usar o câmbio
rítico mordaz da política econômica do govercomo ferramenta. Mas os resultados, na avaliano, o economista Alexandre Schwartsman,
ção dele, não têm sido positivos, até porque esses
ex-diretor da Área Internacional do Banco
instrumentos têm se mostrado historicamente de
Central, foi enfático em sua palestra durante o 9o
pouca ou nenhuma eficiência.
SIAC. Os problemas que o Brasil está vivendo na
Apesar desse pessimismo, o economista
área econômica são de responsabilidade de meconsidera que a situação do Brasil não é desesdidas adotadas internamente e não do quadro
peradora, mas requer muita atenção. “Veja-se,
internacional, garantiu. “Essa argumentação não
Alexandre Schwartsman:
por exemplo, o setor externo. O déficit em contafecha porque não houve desaceleração econôeconomista e professor
-corrente deve ser acompanhado com cuidado,
mica global. Nos últimos anos o Brasil tomou ‘de
do INSPER
ainda mais em um quadro internacional em mulavada’ até de seus países vizinhos em relação ao
crescimento – de 2010 a 2008 o mundo cresceu 3,5% e a esti- dança. O Federal Reserve, dos Estados Unidos, já acabou com o
mativa para o período 2011-2014 é de 3,5%. Enquanto isso, nos quantitative easing (compra de ativos financeiros para ampliar a
liquidez) e deve, em breve, aumentar os juros, o que terá impacarrastamos com um crescimento médio de 1,6% ao ano.”
Entre as causas dessa situação, ele destacou a queda da to direto na economia global, Brasil incluído.”
Há solução para um cenário tão pessimista? Alexandre
produtividade desde 2008. “O Brasil estava em um processo de
reformas que aconteceu desde os anos 1990 até 2005. Não por Schwartsman acredita que sim, “desde que se inverta tudo o que
coincidência, a produtividade cresceu nesse período. A partir daí foi feito nos últimos quatro anos”. Entre as alternativas que ele
sugere estão a recuperação parcial das contas públicas, o realisas reformas pararam e a produtividade despencou”, relembrou.
Schwartsman afirmou também que a PEA (população econo- mo tarifário e cambial e o controle da inflação.
Não existem alternativas além dessas se o País quer retomar
micamente ativa) – ou seja, os que estão trabalhando ou procuram emprego – vinha crescendo paralelamente ao aumento da o crescimento sustentado, assegura o economista. Ele reconhece,
PIA (população em idade ativa), mas lamentou que esse quadro no entanto, que será difícil adotar essas medidas: “Opções não
tenha mudado nos últimos anos. “Nos últimos trimestres temos há. Não se trata de examinar “se” é preciso fazer tudo isso, mas
assistido à queda persistente e inédita da PEA. Além disso, os sim “quando” tudo isso deve ser feito”. Schwartsman defende
salários têm crescido acima da produtividade, o que aumenta o que essas iniciativas devem ser tomadas logo no primeiro ano
custo do trabalho. Para agravar, pelo lado da produção, a indús- do novo governo de Dilma Rousseff para evitar uma postergação
inaceitável no atual cenário: “Não se pode esperar, por exemplo,
tria brasileira tem se tornado menos competitiva.”
A inflação acima do teto da meta também foi lembrada na até que as condições externas efetivamente piorem”. f
O economista Alexandre
Schwartsman, ex-diretor do
BC, afirmou no 9o SIAC que os
problemas que o Brasil está vivendo
são consequências das medidas
adotadas internamente e não do
quadro internacional
C
10 financeiro novembro 2014
vam e esperam se desenvolver um ciclo para que possam ganhar
com ele no longo prazo”, informou, em tom de galhofa.
Para sintetizar, ele disse que os primeiros agem de uma
forma pró-cíclica, ou seja, impulsionados pelo momento. Já os
segundos, possuem uma visão anticíclica. “Hoje precisamos de
mais ‘urubus técnicos’ porque o Brasil vive claramente um momento de exagero pró-cíclico, que é uma posição mais fácil do
que a anticíclica. Isso nos induz à conclusão de que tudo está perdido e acaba apagando outros fenômenos”, disse.
A comparação do desenvolvimento do Brasil com o do México é
rechaçada por Mendonça de Barros de forma lúdietentor de um senso de humor aguçado, que
ca. “Um país que toca música de corneta daquele
ora alterna com a realidade dos indicadores
jeito... pôro pô-pô-pô (imitou o palestrante, arrancaeconômicos e noutra com otimismo ao
do risos da plateia), além da questão de o prefeito
futuro, o tucano confesso Luiz Carlos Mendonça
e sua mulher envolvidos nos desaparecimento de
de Barros, economista da Quest Investimentos e
jovens que faziam um protesto. É melhor pararmos
ex-ministro das Comunicações, arrancou risos da
o
por aqui na comparação”, declarou.
plateia do 9 SIAC com a frase: “A derrota sofriEm relação ao mercado de trabalho, ele cida por Aécio (Neves) foi o ideal. É melhor deixar
tou
que, com cada vez menos jovens dispostos a
esse abacaxi com a presidente Dilma”, disparou o
trabalhar,
as taxas de desemprego têm mantido
economista, que falou logo após a palestra de Aleníveis
de
baixo
recorde mesmo. “Até pode soar
xandre Schwartsman. E aproveitou o ensejo: “Se
que
esses
jovens
tiveram um surto momentâquiserem que eu fale mal do governo, até sei alLuiz
Carlos
Mendonça
de
neo
de
vagabundagem,
embora estudos mosgumas coisas que o Schwartsman provavelmente
Barros:
economista
da
trem
que
o
tempo
do
jovem
na escola está aunão sabe, é só me falar. Mas acredito que há um
Quest
Investimentos
mentando,
e
que
os
salários
para pessoas com
cenário positivo para os próximos anos na agenda
maior
escolaridade
também,
o que são estímudo País”, frisou Mendonça de Barros.
los
claros
para
que
isso
acabe
acontecendo.”
O economista ressaltou que a queda de produtividade, nos úlPara ele, os problemas que levam hoje a um crescimento econôtimos anos, não pode ser atribuída à atual Presidente. “A verdade
mico
baixo passam por questões estruturais, mas também, na última
é que havia uma capacidade ociosa muito grande, que cresceu de
década,
o governo petista não entendeu a dinâmica. “A produtividade
forma vigorosa no governo Lula ao contar com um ciclo positivo,
cresceu
de 2005 a 2008 porque havia uma ociosidade muito grande
que acontece de tempos em tempos”, afirmou. Para ele, o aumento
na
indústria,
que foi sendo ocupada e aumentou-se a produtividade
real do salário mínimo de 2002 a 2010 ocorreu em um momensem
precisar
fazer nada. Isso ainda esteve ligado à forte expansão
to possível, onde existia um processo retroalimentado, uma vez
do
comércio
internacional
dos últimos anos e também da renda e do
que parte desses salários retornava para as empresas, irrigando
mercado
interno,
que
foram
puxados pela indústria”.
toda essa cadeia. “Esse período de ouro, que naquele momento
No
fim,
ele
acredita
que
com mais gente formalizada haveinebriou o governo, se esgotou e, por incompetência teórica, a Prerá
melhora
da
percepção
daquilo
que se paga de impostos em
sidente Dilma não percebeu”, apontou.
comparação
ao
que
é
oferecido
pelo
Estado. “É isso o que nos
Mendonça de Barros classificou que os agentes econômicos delevará
a
pressões
necessárias
para
mudar
a constituição, reevem olhar menos para o momento e mais para horizontes longos
quilibrar
o
papel
do
Estado
e
ter
outra
agenda
de transformação
para formar suas expectativas, que hoje estão tomadas pelo negatipara
o
País.
Precisamos
acreditar
na
melhora,
mas se me deram
vismo. “Costumo dizer que, no mercado financeiro, temos os ‘urubus
mais
meia
hora
e
combinarmos,
posso
ser
mais
pessimista que
normais’ – aqueles que fazem operações diárias de compra e venda
o
Schwartsman
(risos...)”,
finalizou
Mendonça
de
Barros. f
atrás do que está acontecendo – e os ‘urubus técnicos’, que obser-
Luiz Carlos Mendonça de Barros,
economista da Quest Investimentos,
acredita que há um cenário positivo
para os próximos anos na agenda
do País. Ressaltou que a queda de
produtividade não pode ser atribuída à
gestão da Presidente Dilma
D
12 financeiro novembro 2014
Foto: Fábio Moreira Salles
Reinado do abacaxi
Retomar
as exportações
O ex-ministro Delfim Netto diz que o
principal motivo de o Brasil ter parado de
crescer é porque deixou de comercializar
seus produtos com o resto do mundo
Fotos: Mário Bock
N
ão deixe a bola quicar na frente do ecoporque faltou uma política cambial previsível. Há
nomista Antonio Delfim Netto, que é gol
30 anos o País vem usando o câmbio para conna certa. Depois de ouvir os pontos de
trolar inflação e abandonou a prioridade de uma
vista antagônicos dos palestrantes Alexandre
tarifa de câmbio competitiva para a indústria”,
Schwartsman e Luiz Carlos Mendonça de Barros,
lembrou Delfim Netto.
o ex-ministro da Fazenda disse que um anulou o
Isso provocou uma perda sistemática na paroutro e era chegado o momento de os convidados
ticipação do Brasil no comércio exterior. O exno 9o SIAC conhecerem os reais problemas que
-ministro calcula que, de 1962 até 1986, o País
afetam o Brasil. “Esses economistas, com suas
multiplicou por dez sua fatia de bens e serviços
exposições interessantes, acabaram se anulanque circulam pelo mundo – saiu de 0,05% para
do”, brincou Delfim.
0,95% –, mas, desse ponto em diante, o moviAntes de ingressar diretamente nos problemento foi descendente. Atualmente, essa premas nacionais, o ex-ministro lembrou que o Es- Antonio Delfim Netto:
sença declinou a cerca da metade do pico atintado brasileiro é republicano e democrático. “So- ex-ministro da Fazenda
gido no período dos anos 80. “Os calçados, que
mos mais de 140 milhões de eleitores e temos os
exportávamos de Franca, foram substituídos
nossos votos apurados em oito horas. Nunca tivemos aqui um Te- pelos sapatos importados da China.”
xas ou uma Califórnia”, referindo-se ao peso desses Estados nas
Essa contração foi simultânea ao avanço vertiginoso que a ecoeleições norte-americanas. “Aqui todos têm direitos iguais, não nomia chinesa teve perante o mercado mundial – situação contra a
importa onde nasceram, se foram gerados debaixo de uma ponte qual o Brasil praticamente não se mexeu. Entre 1983 e 1985, segunou um numa luxuosa suíte do Waldorf Astoria, em Nova York.”
do Delfim, a participação do País no comércio mundial foi de 0,9% do
De acordo com Delfim Netto, o principal motivo para Brasil ter total, ao lado de uma fatia de 1% para os produtos chineses. Entre
parado de crescer é que o País deixou de exportar para o resto do 2011 e 2013, a média brasileira caiu para 0,7%, enquanto a China
mundo. Segundo a estimativa do ex-ministro da Fazenda, a indús- conquistou 16,6% do pacote global. “Os calçados que exportávamos
tria nacional teria perdido R$ 370 bilhões, entre 2002 e 2014, com de Franca foram substituídos pelos sapatos importados da China.”
a queda das exportações, além de produzir em vez de importar. “O
Segundo Delfim, a prioridade do governo não era o cresciBrasil não cresce porque a indústria não cresce. E a indústria não mento porque não houve investimento. “Aqui existe excesso de
cresce porque o País jogou
burocracia; o clima dos
fora o comércio exterior,
negócios piorou muito.
que é um de seus motores
Temos tudo para recupemais importantes”, afirrar isso, basta ter coramou o economista. “Nunca
gem. Precisamos, porém,
tivemos redução de deaprovar a reforma do
manda. Com a produção
ICMS e colocar em práestagnada, a demanda foi
tica a proposta da CUT,
suprida pela importação.”
que estabelece a livre
Uma forma de obsernegociação entre trabavarmos isso é o uso que o
lhadores e empregadogoverno tradicionalmente
res. Devemos estimular
fez do câmbio como polía produtividade de cada
tica de controle de preços,
homem e prepará-lo para
em vez de política indusutilizar esse mercado
trial ou comercial. “As exmais sofisticado”, finalio
No fim do 9 SIAC, Delfim Netto é cercado por alunos da PUC/Campinas
portações não cresceram
zou o ex-ministro. f
novembro 2014 financeiro 13
Foto: Fábio Moreira Salles
A China em transição
Barry Naughton, professor da
Universidade de San Diego, diz
que o ritmo do crescimento da
economia chinesa está mais
lento e a política é um dos
obstáculos à aceleração
Xi Jinping e equipe, das quais 118 referem-se à área econômica.
A importância da reforma econômica na China, recordou
Naughton, explica-se pela mudança de modelo, que passa a
dar prioridade ao consumo das famílias e não mais ao investimento em capital fixo. Assim, os chineses deverão mais e mais dar preferência a produtos
manufaturados usados no dia a dia em vez de
insumos industriais.
O setor financeiro está sendo alvo de parte
dessas mudanças. “Serão necessárias medidas
China vive um momento de importante
agressivas para reestruturar o sistema financeitransição econômica e política, um proro”, disse o palestrante. “No entanto, há um cecesso longo e muitas vezes penoso que,
nário positivo que serve como base para que se
no entanto, é irreversível. A análise foi feita por
tenha um novo quadro. O governo teve sucesso
Barry Naughton, professor da Universidade de
com a decisão de recapitalizar o setor bancário
San Diego (Califórnia, Estados Unidos) e um dos
entre 2003 e 2007 e as instituições financeiras
maiores especialistas no mercado chinês, duransão lucrativas atualmente. A dívida do governo
te palestra realizada no 9o SIAC.
central é de apenas 26% do PIB, a poupança é
“O crescimento da economia da China está em
Barry Naughton: economista
elevada e quase todos os devedores são pessoas
ritmo mais lento e a política é um dos obstáculos
especialista em China
domésticas. E não se pode esquecer que o resulà aceleração”, afirmou Naughton, em sua fala no
tado em conta-corrente da China é positivo, equievento. “No entanto, o nível de crescimento de 7%,
com o qual o país convive agora e que deve durar nos próximos valente a 2,2% do PIB, e que o país é credor líquido externo, com
20 anos, é expressivo e mantém a China na linha de frente das quase US$ 4 trilhões em reservas”.
Como obstáculos à reforma, ele lembra que a reestruturação
potências mundiais. O patamar é muito diferente para todos nós,
que nos acostumamos com crescimento anual acima de 10%, está impactando balanços de várias instituições e que deverá
acontecer, em algum momento, maior liberalização do mercado
mas ainda assim trata-se de um nível expressivo”.
Em sua análise, o especialista lembrou que a força de traba- de capitais chinês: “Por isso, a mudança é difícil. Mas está aconlho está envelhecendo na China e que esse fator tem peso im- tecendo, até porque não parece haver outra alternativa”.
Levando em conta esse quadro, Barry Naughton prevê que a
portante nas mudanças políticas e econômicas: “O presidente Xi
Jinping está consciente da relevância de fatores como esse e tem reforma econômica em um quadro de centralização do poder vai
agenda ambiciosa e às vezes contraditória”, afirmou Naughton. resultar, em algum momento, em um choque interno ou externo,
“Apesar do tamanho do desafio, ele tem agido, como no caso da se não em ambos os fronts. No entanto, nem esse choque causará
ofensiva anticorrupção, que, apesar dos riscos, aumentou seu po- grande abalo na economia mundial, afirma o especialista: “A Chider no Partido Comunista. Até agora, Xi tem conquistado o mais na continuará a surpreender, mas não haverá uma crise parecida
com a que abalou o mundo em 2008 a partir dos Estados Unidos.
alto nível de poder no país em 20 anos”.
Entre as prioridades do governo chinês, o especialista des- O fluxo de capitais ao país deve se acelerar. Seja como for, o crestacou a reforma econômica e o nacionalismo assertivo. Ele re- cimento de longo prazo deve continuar pelo menos nos próximos
cordou que, nesse contexto, já foram tomadas 336 iniciativas por 20 anos, embora possam acontecer rupturas”. f
A
14 financeiro novembro 2014
Qual deve ser a prioridade da
Presidente em 2015
`
Brasileiros
ressabiados
Pesquisa Acrefi/TNS revela
que 75% das pessoas
consultadas pretendem
economizar mais em 2015,
segundo o levantamento
apresentado no 9o SIAC
Acha que a Presidente conseguirá resolver
essa prioridade?
P
assadas as eleições, a Acrefi encomendou ao Instituto TNS uma pesquisa para
sentir o pulso do brasileiro diante do novo
mandato presidencial de Dilma Rousseff. O estudo, que abordou mais de mil pessoas em todo o
País, foi apresentado dia 6 de novembro durante
o 9o SIAC (Seminário Internacional Acrefi) e revelou que 75% dos ouvidos pretendem economizar
mais em 2015, enquanto 19% não desejam mudar seu padrão de consumo e 6% planejam gastar
mais no ano que vem.
O levantamento mostrou também que 61% das
pessoas consultadas não esperam fazer financiamento em 2015 e 31% delas disseram ter planos
nesse sentido. Entre os itens com maior propensão estão os financiamentos de imóvel (61%), automóveis (51%), eletrodomésticos (17%), empréstimos pessoais (15%) e consignados (12%).
Em relação à situação individual no ano de
2015, os dados são otimistas. Porcentagem de
pessoas que acreditam que o quadro vai melhorar: a situação financeira pessoal, 47%; o padrão
de vida, 43%; a capacidade de fazer compras para
Acha que a Presidente conseguirá
resolver essa prioridade?
novembro 2014 financeiro 15
Foto: Fábio Moreira Salles
Pensando na situação do Brasil em 2015
como avalia ...
James Conred:
CEO da TNS Brasil
sua casa, 42%; acreditam que serão capazes de
fazer investimentos como carro e casa, 38%.
Os dados auferidos ainda mostram que 37%
dos brasileiros disseram estar otimistas com o
futuro, enquanto 47% disseram estar preocupados. Outros 6% afirmaram enxergar o futuro com
resignação e 10% se declararam pessimistas.
Realizada logo depois do segundo turno das
eleições presidenciais, a pesquisa perguntou qual
deve ser a prioridade da Presidente em 2015 e a
maioria (36%) disse que a inflação deve estar no
topo da lista. Em seguida, a reforma política, com
22%; o crescimento da economia (18%); a reforma tributária (17%); a redução da taxa de juros
(9%); e investimento em infraestrutura (8%).
Quando questionados sobre se ‘a Presidente
será capaz de resolver problemas como inflação, crescimento econômico e reformas política
e tributária’ 45% afirmaram estar confiantes de
que haverá melhora nesses pontos, contra 55%
que se disseram descrentes. Esse último número,
praticamente, está concentrado no grupo dos que
deram seu voto ao candidato do PSDB: nessa divisão, 86% desacreditam nas mudanças, e apenas
14% afirmam que irá melhorar. Já os que votaram
no PT, 83% estão confiantes contra 17%.
Confira outros dados da pesquisa no link:
http://www.acrefi.org.br/eventos/2014/9o-siac/
pesquisa-tns.pdf f
16 financeiro novembro 2014
Sentimento em relação
ao futuro
Nesse contexto que discutimos, você se sente propenso a
fazer um financiamento em 2015?
9 SIAC NA mídia
o
Além dos 600 convidados que acompanharam ao vivo o evento
da Acrefi, cerca de 20 veículos de comunicação participaram e
repercutiram o conteúdo das palestras e da pesquisa TNS
novembro 2014 financeiro 17
9o SIAC NA mídia
18 financeiro novembro 2014
executivo
Um CEO
diferente
Georges Legrand, da Cassiopae Brasil, busca
expansão dos negócios na América Latina
mantendo a serenidade de quem, antes de
tudo, preserva os bons momentos da vida
Por Gilberto de Almeida
O
parisiense Georges Legrand é um CEO que
foge a qualquer padrão. Sua formação foi
construída na universidade da vida. É um
autodidata convicto. Quem consulta seu nome no
Google encontra apenas um currículo de nove linhas no LinkedIn. Nada mais. Ele sempre conseguiu
conciliar no trabalho duas sensações que a maioria dos executivos sonha em conquistar só depois
da aposentadoria: liberdade e prazer. Aos 55 anos,
Legrand, CEO na América Latina da Cassiopae –
empresa líder mundial de softwares de gestão de
ativos financeiros –, é um adepto do carpe diem, expressão em latim, extraída de um poema do filósofo
romano Horácio, que significa aproveite o momento,
sem medo do futuro. “A França é um país muito duro
com quem tem esse tipo de perfil”, diz o executivo.
“Se você não tem um diploma, suas chances são
muito pequenas de chegar a algum lugar.”
Morando há um ano e oito meses em São Paulo,
Legrand se sente completamente à vontade entre
os brasileiros, afinal desde a infância já cultivava
a intenção de viver por aqui. “Aos 12 anos, eu peguei uma bandeira e cravei em cima de Brasil no
mapa-múndi que tinha no meu quarto e disse: um
dia irei morar lá”, conta o executivo. Não deu outra.
20 financeiro novembro 2014
Mas até atingir o seu objetivo foram muitas idas e
vindas. Na sua primeira tentativa, aos 18 anos, foi
para a África, depois para a Ásia, sempre atrás de
um meio de transporte que pudesse trazê-lo para
o Brasil. Só que o dinheiro acabou e retorno para a
França foi inevitável. Em outra experiência, alguns
anos depois, ele foi assaltado uma hora depois de
ter desembarcado no Rio de Janeiro. Ao tentar a
sorte mais uma vez, em 1990, já como executivo da
companhia Telesistema Brasil, viu suas pretensões
profissionais e da empresa ruírem diante do desastre provocado pelo Plano Collor. Nada disso, porém,
o fez esmorecer do sonho de morar no Brasil.
Embora ainda carregue um natural sotaque francês, Legrand fala o português com enorme fluência.
Sem se apertar com as gírias ou com as expressões
indígenas. Facilidade que adquiriu aos poucos, desde
a adolescência, a partir dos livros e das músicas brasileiras, e depois com a convivência de 20 anos com
sua esposa carioca. Essa grande familiaridade com
a cultura nacional foi uma das principais características que levaram a Cassiopae a indicá-lo para o comando da sua primeira base estratégica na América
Latina. “Todo mundo sabia do meu sonho de um dia
morar no Brasil”, lembra Legrand.
Foto: Alex Rosa
Georges Legrand:
CEO da Cassiopae Brasil
ração de crédito no
Vietnã. Foi o escolhido
porque teve a coragem
de discordar dos executivos do banco sobre
a ferramenta de crédito
a ser adotada entre os
vietnamitas, povo que
não tinha a menor intimidade com a prática de
financiamento de bens.
Lá, o banco estava de
olho no atraente mercado de crédito para motocicletas. Antes de ir, a direção do SG retomou uma
velha pergunta que ele acreditava já ter sido superada: quais são os seus diplomas? Com a mesma
sinceridade de sempre, ele disse que era formado
na faculdade da vida. Diante da sua franqueza, o
banco manteve Legrand à frente da operação.
Depois de escolher a ferramenta de crédito
adequada, estabelecer parceria com as principais
fabricantes de motos e com os revendedores, em
seis meses, o SG já tinha 100 pontos de venda em
Saigon, conhecida atualmente como Ho Chi Minh,
a maior cidade do Vietnã, e outras 50 unidades
“Na França, se você não
tem um diploma, suas
chances são muito
pequenas de chegar a
algum lugar”
No início de 2013, antes de arrumar suas malas
e zarpar com a família para mais uma experiência
por aqui, ele já tinha construído uma carreira respeitável na área de softwares para produtos financeiros. Sua trajetória no setor começou ainda aos
23 anos, quando viu no jornal o anúncio de um curso de informática. “Depois desse primeiro contato
com o universo digital, atuei como desenvolvedor
de software até que, em 1991, entrei para a área de
projetos do banco Société Générale (SG)”, conta ele.
Conhecido pelo seu espírito aventureiro e comportamento desprendido, Legrand recebeu, em
2006, a tarefa do SG de implantar a primeira ope-
novembro 2014 financeiro 21
executivo
Foto: Alex Rosa
cracia é outro obstáculo
terrível que se enfrenta por aqui.” Diante do
diagnóstico de Legrand,
Cassiopae optou por
comprar a Disoft Crédito, em julho de 2013,
que já tinha em sua carteira 15 clientes, como
HSBC, Banco do Brasil
e Itaú. “Só que esses
parceiros, por enquanto, ainda não trabalham
com a nossa ferramenta mais avançada, que
permite realizar operações de crédito off-line,
em qualquer lugar, até
mesmo no meio do Rio
Amazonas”, explica ele.
“O nosso maior desafio agora é vender essa
distribuídas pelo país. “Praticamente não tínhamos
problemas com inadimplência dos clientes. Como
eles não têm a cultura bancária, as pessoas todos
os meses voltavam à loja para pagar em dinheiro
as suas parcelas”, conta Legrand. Ao voltar para
Saigon dois anos depois, o executivo descobriu que
a rede implantada no país já estava com 450 funcionários e 150 pontos de venda. “São histórias malucas como essa que me dão prazer. Chegar a um
lugar, trazendo debaixo do braço apenas flip chart,
e conseguir deixar um legado”.
O sucesso desse desafio no Vietnã se transformou em passaporte para que Legrand assumisse,
em 2008, o cargo de CIO (Chief Information Officer) na Société Générale Equipment Finance e estruturasse um departamento de TI (Tecnologia da
Informação) na Alemanha, Noruega, Itália, Índia e
França, capaz de dar suporte a 25 países. Até que
em março de 2012, Legrand juntou-se à Cassiopae
para conduzir o desenvolvimento da empresa na
América do Sul. “Assim que recebi o convite, topei
imediatamente”, revela o executivo. Em duas semanas aqui, logo percebi que a forma mais simples de
entrar no mercado brasileiro é por meio da compra
de outra empresa. “O Brasil é resistente às empresas que vêm de fora”, analisa. “Além disso, a buro-
22 financeiro novembro 2014
“O Brasil é resistente
às empresas que
vêm de fora. “Além
disso, a burocracia
é outro obstáculo
terrível que se
enfrenta por aqui”
mesma tecnologia, que já funciona em 350 clientes, distribuídos em 36 países, para as instituições
de crédito no Brasil.” Mas Legrand fala sobre isso
naturalmente, como se não estivesse sob pressão
da matriz francesa, pois, ao que tudo indica, é um
adepto do ensinamento do ensaísta norte-americano L. Smith (Logan Pearsall Smith): “Existem dois
objetivos na vida: o primeiro, o de obter o que desejamos; o segundo, o de desfrutá-lo. Apenas os homens mais sábios realizam o segundo”. f
consumo
Nova classe média
é multicanal
30% da classe média compra pela internet, principalmente os jovens,
sendo que 48% deles consultam o preço antes de efetuar a compra
novembro 2014 financeiro 23
Fonte: Data Popular
A
nova classe média brasileira, representada senvolve uma série de inovações em suas opepor 54% da população – cerca de 108 mi- rações de relacionamento com o cliente, formado
lhões de pessoas –, está aumentando a sua essencialmente pela classe média, e oferece para
presença nos canais digitais. Por estar mais conecta- seus 630 mil clientes a integração de todos os cado, esse estrato social também alterou sua jornada nais disponíveis de atendimento e relacionamento,
de consumo e isso reflete na forma como se relacio- como aplicativos, SMS, canais sociais, chat, e-mail
na com as empresas, principalmente entre os jovens e o tradicional telefone.
Rodrigo Del
Esses indicadores comprovam a necessidade de
com menos de 30 anos.
Claro:
diretor
Por isso, a forma de dialogar com esse público mudanças nas empresas, principalmente em negóde
marketing
e
mudou. Essas são algumas das conclusões do le- cios cujo foco seja o público emergente. “Há uma lainovação
da
Omni
vantamento “A classe média brasileira”, realizado cuna e as empresas ainda não perceberam a melhor
Financeira
pela Omni Financeira, em parceria com o Instituto forma de dialogar com a classe média. A tendência,
Data Popular. O objetivo do estudo é compreender no curto prazo, é assegurar que o atendimento esteja
melhor o perfil desse novo consumidor. Foram le- disponível na palma da mão de todos os consumidovados em consideração hábitos de consumo de mí- res, em que será possível resolver demandas com
dia e características comportamentais. A TV aber- apenas um toque”, explica Rodrigo Del Claro, diretor
ta, por exemplo, é a mídia mais consumida desse de marketing e inovação da Omni Financeira.
Na Omni, a integração nos canais de atendimenpúblico. O levantamento revela que 88% dos consumidores identificados como classe média aces- to também contribuirá para ganhos de eficiência. “A
sam a programação das principais emissoras pelo produtividade das equipes aumentará em função da
otimização dos processos internos e, a partir da inmenos uma vez por semana.
Na média geral, o celular, por sua vez, representa serção do digital, será possível reduzir em até 30%
82% e o rádio, 66%. O SMS e a propaganda de rua os custos operacionais”, finaliza Rodrigo. f
impactam 43% dos pesEntre as atividades de Mídia e Comunicação,
quisados, panfletos atinTV
aberta,
celular e rádio são as mais comuns na classe média
gem 42%, redes sociais,
41%. A leitura de notícias
% Mídia e Comunicação - Atividades que realizam (Classe média / ao menos uma vez por semana)
na internet é um hábito
frequente para 37% das
pessoas consultadas na
amostra. A presença na
internet também é alta:
46% acessam a rede
mundial
diariamente,
56% utilizam para postar fotos, 55% fazem comentários e 48% pesquisam preço ou produto.
A partir destes resultados, a Omni de-
evento
Momento de
expectativa
O tradicional
Road Show da
Acrefi discute,
em Vitória (ES),
as projeções da
economia nacional
e internacional
para 2015
A
o mostrar mais uma vez sua representatividade nacional, a Acrefi realizou dia 22
de outubro, no Bristol Four Towers Hotel,
em Vitória (ES), mais uma edição do seu tradicional Road Show, que contou com a participação do
economista Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e atual sócio-diretor da Tendência Consultoria; Fabio Mentone, diretor-executivo do FGC
(Fundo Garantidor de Créditos); Carlos Fagundes,
diretor da Integral-Trust; Kleber dos Santos e Marcelo Pereira, gerentes de produtos da CIP (Câmara
Interbancária de Pagamentos); e Paulo César Andrade, gerente comercial da Cetip.
Em sua apresentação, Gustavo Loyola falou
sobre as perspectivas da economia para 2015. No
cenário internacional, o economista disse que o ambiente é positivo, mantendo bom desempenho, com
o desemprego em queda (5,9% em setembro) e a
manutenção de índices elevados de confiança. No
entanto, existem sinais ambíguos no curto prazo,
pois a economia global e o ajuste monetário limitam o ritmo da recuperação. Ele prevê que o Federal Reserve começaria a elevar a taxa de juros em
24 financeiro novembro 2014
meados de 2015. Para Loyola, o crescimento deve
seguir moderado nos próximos anos, com média
esperada de 2,5% ao ano entre 2015 e 2019.
No cenário nacional, o ex-presidente do BC
apontou a perda do ritmo econômico nos últimos
anos, com média de crescimento entre 2011 e 2014
de apenas 1,6% – expectativa 0,3% em 2014. Atualmente, segundo Loyola, há um cenário de baixa
confiança que limita a reação no curto prazo. Dessa forma, o desafio inicial para 2015 é recuperar a
confiança dos agentes monetários, com fundamental ajuste da política macroeconômica e da retomada da agenda estrutural.
Depois de uma rápida explanação sobre a origem
do FGC, Fabio Mentone, disse que a razão da existência da instituição é resguardar a confiança no sistema
financeiro por meio da proteção das partes vulneráveis. Um pequeno poupador, por exemplo, não tem
condições práticas de se informar sobre a real situação do banco em que guarda seus recursos: não consulta economistas, não lê balanços, não acompanha
o noticiário econômico, não tem amigos influentes.
Portanto, esse indivíduo, que a duras penas faz sua
Fotos: Marina Sanz
Da esq. para dir.:
Paulo César Andrade,
Kleber dos Santos,
Gustavo Loyola,
Antonio Augusto
de Almeida Leite
(Pancho) e Marcelo
Pereira
poupança, necessita de uma cobertura de depósito
porque não tem como avaliar a saúde financeira do
banco na hora de decidir onde aportar seus recursos.
Para efeito da determinação do valor garantido
dos créditos de cada pessoa, devem ser observados,
no entanto, alguns critérios. O titular do crédito é
aquele que tem o seu nome registrado na escrituração da instituição associada ou aquele designado em
título por ela emitido ou aceito. Devem ser somados
também os créditos de cada credor identificado pelo
respectivo número de registro no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) / no Cadastro Nacional da Pessoa
Jurídica (CNPJ), contra todas as instituições associadas do mesmo conglomerado financeiro.
Não são cobertos, porém, pela garantia ordinária os depósitos, empréstimos ou quaisquer outros
recursos captados ou levantados no exterior; as
operações relacionadas a programas de interesse governamental instituídos por lei; os depósitos
judiciais, além de instrumento financeiro que contenha cláusula de subordinação, autorizado ou não
pelo Banco Central.
Carlos Fagundes, da Integral-Trust, falou so-
bre as regras do acordo Basileia III, que obriga
os bancos a divulgar, entre outros itens, as reservas de lucro, os instrumentos de dívidas usadas
para reforçar o capital dos bancos e deduções,
como de ágios e créditos tributários. Mais dois
pontos de observação com relação ao Basileia III
são os índices de curto e de longo prazos. Antes
de concluir, Fagundes destacou que a adoção das
normas ocorrerá de forma progressiva pelas instituições dentro dos critérios já estabelecidos. O
Basileia III, dentro do atual cenário econômico –
aumento de investimento (infraestrutura e produção), maior oferta de crédito, elevação de prazos
e queda nos spreads – confirma com aumento de
segurança e o fortalecimento das instituições, em
períodos de crise financeira”, completou o diretor
da Integral-Trust.
Fechando o evento em Vitória, Paulo César
Andrade, gerente comercial da Cetip, revelou que
os financiamentos de veículos no Brasil atingiram a marca de 564.515 unidades em setembro
(275.257 modelos novos e 289.258 usados). O volume representa alta de 9,8% em relação a agosto e 5,4% na comparação com setembro de 2013.
No acumulado de 2014, no entanto, o resultado
de 4,651 milhões de veículos financiados ainda
aponta queda de 6,6%, em comparação ao mesmo
período do ano passado (4,982 milhões). Segundo
levantamento da Cetip, apresentado por Andrade,
o melhor resultado do ano foi puxado pelo financiamento de automóveis leves usados, com crescimento de 14,5% na comparação com setembro do
ano passado e 6,7% frente a agosto. f
novembro 2014 financeiro 25
evento2
Importante aliado na
Ilustração: Rafael Pascoal
resolução de conflitos
A perícia é uma
análise técnica
conclusiva que
auxilia na solução de
pendências jurídicas
amigáveis ou litigiosas
Pedro Afonso
Gomes:
presidente do
Sindicato dos
Economistas do
Estado de São Paulo
A
perícia no mercado financeiro, como instrumento útil e necessário para solucionar
conflitos na esfera judicial, é algo cada vez
mais presente no sistema das organizações. O presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de
São Paulo, Pedro Afonso Gomes, no mês de outubro,
abordou o assunto na sede da Associação Nacional
das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), em São Paulo.
Ele, que é economista pós-graduado em Mercado de Capitais, Direito Empresarial e Estratégias Empresariais, enfatizou que há hoje em
torno de 12 milhões de processo envolvendo
instituições financeiras, nos quais são realizadas
perícias. “Ela tem uma forte função social. De certa forma, ajuda a pacificar questões sociais por
estabelecer critérios de fixação orientando decisões mais assertivas”, destacou Gomes.
Segundo ele, a perícia como definição preliminar trata-se de uma análise técnica conclusiva
sobre fatos controversos para subsidiar a solução amigável ou litigiosa de um conflito. “A perícia
não resolve um conflito, mas traz subsídios importantes que auxiliam em uma conclusão entre
os envolvidos”, declarou o palestrante.
26 financeiro novembro 2014
A prova pericial, na prática, segundo o especialista, dispõe de caráter técnico no ordenamento jurídico e contribui com provas, tanto testemunhal quanto documental, trazendo certeza
jurídica positiva ou negativa sobre determinado
litígio. “Quando o juiz, na esfera judicial, ou as
partes interessadas no campo extrajudicial, precisam de elementos contábeis para esclarecer
determinadas questões, a prova pericial se torna
indispensável”, explicou Gomes.
A perícia arbitral, exercida sob o controle da
lei de arbitragem, funciona há aproximadamente
18 anos no País, e é um meio eficiente de solução de conflitos. “É a realizada por um perito, e,
embora não seja judicialmente determinada, tem
valor de perícia judicial, mas sua natureza é extrajudicial, pois as partes litigantes escolhem as
regras que serão aplicadas. Ela possui uma finalidade importante”, disse o presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo.
Uma instituição financeira, antes de começar
a elaborar um contrato para seus clientes, pode
recorrer a uma perícia para avaliar os possíveis
impactos de uma eventual demanda judicial. “O
Código de Defesa do Consumidor (CDC) é aplicado
nesse contexto, uma vez que cláusulas dúbias favorecem o aderente. Antes de colocar um contrato na rua, é sempre preciso avaliar o teor de fatos
econômicos e financeiros para que não se tornem
controversos ou inconsistentes”, alertou Gomes.
Ele explicou que a atuação desse profissional requer graduação, habilitação legal, conhecimento técnico e experiência. “O perito é aquele que não pode ter
dúvida, ou seja, foi contratado para resolver questões
técnicas e solucionar conflitos. É de extrema importância para o sistema financeiro”, finalizou. f
justiça
Congestionamento
nos tribunais
Embora seja cada vez maior o número de
juízes e de servidores, relatório revela que o
número de ações que ingressam na Justiça
é maior que o de processos concluídos
Artigo enviado em 2/9/2014
S
egundo o “Relatório Justiça em Números”,
de 2012, do Conselho Nacional de Justiça,
no Brasil, hoje tramitam aproximadamente 92 milhões de processos no Poder Judiciário.
E, embora o Judiciário esteja cada vez maior em
número de juízes e de servidores, a velocidade do
ingresso de novos processos supera a de sentenciamentos e de baixas dos processos em trâmite,
o que resulta em altas taxas de congestionamento
nos tribunais.
A partir desse diagnóstico sobre o sistema de justiça, surgiu a
proposta da Secretaria de Reforma do Judiciário do Ministério da
Justiça de uma política de articulação entre o setor público, o setor
privado e o próprio Judiciário com
o objetivo de fomentar mudanças
no tratamento de conflitos no Brasil, com estímulo ao diálogo e à
cooperação. Batizada de Estratégia Nacional de Não Judicialização
(ENAJUD), a política, que pretende
inovar ao aproximar os diferentes
atores do sistema de justiça em
torno de objetivos comuns, foi lançada em julho de 2014.
Entre as ações da ENAJUD,
está a difusão dos métodos autocompositivos de solução de disputas, com a promoção de capacitações em meios alternativos de
resolução de conflitos. Para tanto, conta-se com
a participação da Escola Nacional de Mediação
de Conciliação (ENAM) do Ministério da Justiça,
que promoveu, em 2014, três edições do curso
“Noções Básicas de Conciliação e Resolução de
Conflitos para Representantes de Empresas”, voltado para a formação em mediação e conciliação
de prepostos, advogados, gerentes, gestores das
diversas áreas das empresas e demais organizações prestadoras de serviços ou de comercialização de produtos, com duração de
30 horas. Ao todo, foram ofertadas 4.500 vagas, distribuídas entre profissionais ligados às áreas de trabalho da ENAJUD, com
1.828 inscritos oriundos do setor
financeiro, 500 do setor de telecomunicações e 632 ligados ao
setor varejista.
Por fim, também foram disponibilizadas, em 2014, 1.500 vagas
para as duas edições do curso a
distância “Resolução Consensual
de Conflitos Coletivos Envolvendo Políticas Públicas”, voltado
para servidores da Administração Pública. O objetivo do curso
é capacitar os agentes públicos
em técnicas de construção de
consenso a serem utilizadas
na resolução de conflitos
coletivos. f
novembro 2014 financeiro 27
artigofreitasgomes
Crescimento do comércio
deverá ser o menor
desde 2003
28 financeiro novembro 2014
Artigo enviado em 28/10/2014
O
ano anterior a média do número de
forte crescimento do comércio
famílias que relataram ter dívidas auvarejista a partir de 2004 veio
mentou 3,0% e alcança 63,1% do total.
de uma conjunção de fatores
Contudo, a alta do custo do crédifavoráveis, entre os quais se destaca o
to teve impacto no comprometimento
fortalecimento do mercado de trabalho
da renda mensal com dívidas, entre
e do crédito. Entre 2004 e 2012, a masas famílias endividadas. O comprosa de rendimento dos trabalhadores das
metimento médio relatado por esse
regiões metropolitanas brasileiras avangrupo de famílias passou de 29%
çou 62% em termos reais, e o saldo de
para 30% da renda mensal, e 20,9%
crédito do Sistema Financeiro Nacional
Carlos Thadeu de
delas disseram ter mais da metade
passou de 25% do PIB para 55% do PIB.
Freitas Gomes:
de sua renda comprometida com díNo período pós-crise, as políticas anticíEconomista-chefe da
vidas. Assim sendo, mesmo que com
CNC e ex-diretor do
clicas de incentivos ao crédito e ao conBanco Central
um perfil mais positivo, a manutensumo intensificaram esses efeitos.
ção da tendência de alta do endiviO mercado de crédito também
avança em ritmo mais moderado, sobretudo o cré- damento das famílias, ao mesmo tempo em que
dito com recursos livres, desconsiderando-se o se observa uma moderação do consumo, tem uma
crédito direcionado. Somando-se esses fatores à consequência importante no cenário econômico no
perda de espaço para ampliação de incentivos fis- curto prazo, que corresponde à perda de espaço
cais, ao aperto monetário em vigor desde abril de para expansão do crédito às famílias.
Para este semestre e para o próximo ano, a
2013 e a um patamar mais elevado para a taxa de
câmbio, tudo indica que essa tendência persistirá, expectativa é de que esses fatores continuarão
e a demanda doméstica seguirá em processo de pesando sobre a demanda interna. Com inflação
maior que a esperada, superando o limite superior
ajuste também no próximo ano.
Apesar da moderação do crescimento do crédito, da meta em setembro, não há espaço para uma rea elevação das taxas de juros manteve o endivida- versão na política monetária no curto prazo. Adiciomento das famílias em patamares elevados. Dados nalmente, há a inflação de preços administrados já
da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do contratada para o próximo ano. A expectativa para
Consumidor (PEIC) – da Confederação Nacional do a inflação nos próximos 12 meses, que já estava
Comércio de Bens, Serviços e Turismo – mostram elevada no início do ano, alcançou 6,38%, o maior
que entre setembro de 2014 e o mesmo período do patamar na semana de 19 a 25 de outubro. f
artigooliveirapinto
Big data,
Artigo enviado em 31/10/2014
Fotos: divulgação
uma revolução a favor
dos negócios
P
ting como de crédito.
oucas vezes no mundo dos neTrazendo essa realidade para o
gócios se viu um movimento
universo do crédito ao consumidor,
tão grande acerca de um tema
isso se reflete em:
como o existente hoje em torno do big
data. Big data é o assunto do momento,
• Variedade de informações adestá cada vez mais presente no discurvindas de múltiplas fontes de dados
so dos gurus de negócio e entrou defida web e de interações frequentes
nitivamente nas agendas dos vendors
com clientes ou prospects;
de tecnologia em todo o mundo.
• Grande volume de informaEsse conceito nasceu como decorções coletados em transações, conrência dos grandes desafios que empretatos e comportamento de clientes
sas, como Google e Yahoo, passaram a
e de múltiplas fontes de dados exLaércio de Oliveira
enfrentar para poder processar quantiternas e da internet;
Pinto: sócio e CEO da
dades gigantescas de informações geraData4Credit
• Velocidade cada vez maior de
das pela mudança cultural trazida pela
geração de dados, na medida em
internet. A revolução do big data vem, portanto, que cada comportamento, ação e iteração com
para suprir a lacuna de tratar, processar e arma- clientes passam a ser registrados.
zenar uma imensa quantidade dos mais variados
Mas, indo direto ao ponto, o que de fato toda
dados, com grande velocidade e a baixo custo.
essa revolução do big data significa para a indúsO conceito de big data gira em torno da tría- tria do crédito?
de volume, variedade e velocidade, que o mercaMais do que uma tendência de negócios, o big
do passou a conhecer como os 3Vs do big data. data é um fenômeno que vem impondo mudanças
Essa nova realidade tecnológica, quando combi- estruturais em tecnologia e influenciando a culnada com a inteligência analítica, melhora signi- tura e o comportamento das pessoas. Não se traficativamente a qualidade da tomada de decisão, ta apenas de uma onda, mas algo que vai influir
com muito menos custo operacional. Uma mi- fortemente na maneira como fazemos negócios.
ríade de dados estruturados e não estruturados O impacto mais direto vem da maior disponibilipodem agora ser incorporados em aplicações de dade de informações para a tomada de decisão,
negócios para potencializar o poder preditivo dos seja para abordar um prospect com uma oferta
modelos a um custo muito mais acessível. E isso mais adequada, seja para avaliar o risco de um
pode ser utilizado tanto em aplicações de marke- proponente ou para definir qual a melhor ação de
novembro 2014 financeiro 29
artigooliveirapinto
cobrança. Em outras palavras, é ter a informação
certa, no lugar certo e no tempo certo.
O big data potencializa a performance dos
modelos de score e adiciona maior poder à segmentação, com reflexos positivos na tomada de
decisão em todo o ciclo de negócios. Hoje, o uso
de buscadores que varrem a internet à procura de
dados de prospects e clientes para gerar informações que vão alavancar modelos de prescreening
de crédito e de cobrança já
é uma realidade. Processo
semelhante também já é
usado para definir targets
específicos para campanhas
de marketing e de produtos,
a partir da identificação da
afinidade do consumidor
com um determinado assunto. Assim, uma campanha temática de um produto financeiro em parceria
com um time de futebol, por
exemplo, tem um eco muito
mais forte em consumidores
com grande afinidade por
esse esporte e por um determinado time específico. E essa afinidade pode ser mapeada a partir de
dados obtidos da web.
Também já surgem casos de empresas que utilizam dados do facebook e de outras redes sociais para
incrementar o poder preditivo dos seus modelos.
A revolução do big data traz um novo imperativo para as áreas de negócios das organizações:
aumentar a sua compreensão sobre essas novas
tecnologias que orbitam em torno do big data para
poder tirar proveito de todos os benefícios e oportunidades que essa nova realidade propicia.
No que tange a essas tecnologias, o Hadoop
– um sistema open source que nasceu no Yahoo
– tem puxado todo esse movimento do big data.
Essa tecnologia viabiliza o armazenamento e o
processamento de volumes massivos de informação a um baixo custo. Isso significa que agora
se torna muito mais barato trazer dos diferentes
silos existentes nas organizações todos esses
diferentes dados e armazená-los em um grande
repositório, que, no jargão do big data, é conhecido como data lake. Há até bem pouco tempo,
processar volumes de dados dessa magnitude era
economicamente inviável. Agora, a um custo muito razoável, toda essa riqueza de dados pode ser
colocada à disposição das áreas de negócios para
gerar ainda mais valor para as empresas.
Outro aspecto do big data que está revolucionando as áreas de analytics
são as tecnologias para tratamento de dados não estruturados. Hoje, estima-se
que 95% dos dados produzidos nas empresas são não
estruturados; ou seja, não
se encontram armazenados
em bancos de dados, tabelas ou planilhas de forma
organizada. Tratam-se preponderantemente de textos
livres, voz e vídeo.
O mesmo se observa nas
informações disponíveis na
internet e nas mídias sociais.
Tecnologias que tiveram seu uso alavancado pelo
movimento do big data, como text mining e processamento de linguagem natural, permitem converter
esse imenso conteúdo de dados, antes inacessível,
em atributos de valor que podem ser incorporados
nos modelos de score e em outras aplicações de
analytics. Um bom exemplo é a utilização de registros de voz de ligações de call centers para inferir regras para melhores abordagens de venda ou de cobrança, de acordo com o perfil do cliente ou devedor.
Por tudo isso, podemos afirmar que a revolução do big data veio para ficar e o seu impacto será
sentido em todos os segmentos de negócio. Ela
representa, de fato, maior capacidade analítica e
consequente melhoria nas decisões de negócios,
com muito menos custos. E aquelas organizações
que souberem construir valor rapidamente a partir dos benefícios do big data poderão ampliar
significativamente seus diferenciais competitivos.
Bem-vindos ao mundo do big data. f
“Estima-se que
95% dos dados
produzidos nas
empresas são
não estruturados;
ou seja, não
se encontram
armazenados em
bancos de dados”
30 financeiro novembro 2014
artigomontanaro
Inteligência
cibernética
Artigo enviado em 11/11/2014
P
rovavelmente, você já ouviu falar em “inteligência cibernética“, termo que está em
evidência no mundo digital há alguns anos.
Primeiro, é necessário contextualizar em qual
lugar a “inteligência cibernética” se encaixa nas
organizações. Inteligência dirige operações. Esse
é um mantra conhecido do militarismo, especialmente norte-americano, em que quase todas as
ações (ofensivas e defensivas), quiçá todas, são
precedidas de um planejamento de inteligência
sobre o alvo, o ecossistema e afins.
Da mesma forma, o termo “inteligência” já é
bastante conhecido pelas corporações, inclusive no
Brasil, em que a inteligência competitiva é estudada e praticada. É importante destacar a relevância
de desvencilhar a “inteligência cibernética” da tradicional segurança da informação. A segurança da
informação é a área responsável pela proteção dos
ativos: informações de clientes, propostas comerciais, contratos, bancos de dados, propriedade intelectual, relatórios financeiros, entre outros.
Além disso, é a área que desenha, implementa e suporta estratégias e mecanismos para essa
defesa. Toda a ação é desenvolvida dentro da rede
de dispositivos de processamento de dados das
corporações, seja fixa, apenas dentro do espaço
físico da empresa – pensamento ultrapassado –
ou dinâmica, como o armazenamento na nuvem
e nos dispositivos pessoais dos colaboradores,
uma tendência conhecida como “BYOD” (sigla em
inglês de bring your own device).
Domingo Montanaro:
diretor de Inteligência
do Grupo New Space
“A inteligência
cibernética monitora
e analisa as ameaças
que surgem do
espaço e podem
causar danos à
instituição”
Já a inteligência cibernética monitora e analisa as ameaças que surgem do espaço cibernético e podem causar danos à instituição. Ou seja,
o foco está direcionado para fora do perímetro
da empresa, os esforços estão concentrados em
captar e compreender possíveis ameaças externas ligadas direta ou indiretamente aos negócios.
Em termos gerais, a inteligência cibernética busca a prevenção, antevendo fraudes e vulnerabilidades que fragilizem a instituição. f
novembro 2014 financeiro 31
painelcetip
Vendas a prazo
somam 4,6 milhões de veículos
no acumulado de 2014
Sudeste é a região com maior volume de financiamento no Brasil
O
s financiamentos de veículos no Brasil
apresentaram o melhor resultado do ano
em setembro, com 564.515 unidades. No
acumulado do ano, as vendas financiadas já somam
4.650.270 veículos em todo o País, entre automóveis leves, motocicletas, pesados e outros. O volume ainda representa uma queda de 7% em relação
ao mesmo período de 2013.
O levantamento é da Cetip, que opera o Sistema
Nacional de Gravames (SNG), base integrada de informações que reúne o cadastro das restrições financeiras de veículos dados como garantia em operações de crédito em todo o Brasil. O SNG impede
que o processo de financiamento de veículos seja
suscetível a fraudes sistêmicas.
Entre as regiões, o Sudeste acumula o maior vo-
32 financeiro novembro 2014
lume de financiamentos de veículos, com 2.110.959
unidades em 2014. O resultado representa uma
participação de 45,4% sobre o total de financiamentos no Brasil. A região Sul aparece em segundo
lugar, com 962.393 unidades financiadas, ou seja,
20,7% de participação no mercado. Tanto a região
Sudeste quanto a Sul mostram maior quantidade
de veículos usados financiados, enquanto Norte,
Nordeste e Centro-Oeste possuem um maior volume de unidades novas vendidas a prazo.
No acumulado deste ano, foram financiados, em
média, 515 mil veículos em todo o País. Os financiamentos de automóveis leves somaram 3,618 milhões de operações, sendo 60% do total referente
a unidades usadas e 40% novas. Já as motos totalizaram 788 mil unidades financiadas, sendo 90%
Fonte: Inteligência de Mercado Cetip
motos novas e 10% usadas. Os veículos pesados
atingiram 227 mil vendas a prazo, com 53% unidades novas e 47% usadas.
Em relação às modalidades de financiamento
utilizadas pelos consumidores, o Crédito Direto ao
Consumidor (CDC) apresentou a maior participação
no mercado, com 3,384 milhões de operações realizadas de janeiro a setembro deste ano. O volume
representa uma participação de 82,6% no mercado.
Desempenho dos automóveis leves
O levantamento da Cetip também apontou que,
no acumulado do ano, os financiamentos de automóveis leves de quatro a oito anos de uso apresentaram um crescimento de 5,2%, em relação ao
mesmo período de 2013, e somaram 1,112 milhão
de unidades financiadas.
O tíquete médio de financiamento por tempo de
uso dos autos leves novos e usados apresentou um
aumento de 2,2% no acumulado do ano, na comparação anual, e passou de R$ 24,5 mil para R$ 25
mil. A maior alta do tíquete médio foi verificada nos
autos leves com mais de 13 anos, que passou de
R$ 8,995 mil para R$ 10,225 mil, crescimento de
13,7% de janeiro a setembro de 2014.
Em relação ao prazo médio de financiamento por
tempo de uso, os automóveis leves novos apresentaram um recuo no prazo de 39 para 37 meses no
acumulado de 2014, em relação ao mesmo período
do ano passado, enquanto os autos leves com mais
de 13 anos de uso avançaram 2,8% e passaram de
36 para 37 meses. f
A partir de out/13 a Cetip adotou nova metodologia para calcular os recursos liberados para financiamentos de veículos. São consideradas apenas
inclusões de gravames de automóveis leves, com
financiamento de até R$ 200 mil, e cujos prazos não
sejam superiores a 120 meses; para motocicletas,
o montante limite é de R$ 50 mil, com prazo de 90
meses. A metodologia também limita em R$ 500 mil
e prazo de até 150 meses as inclusões de gravames
de pesados. Dessa forma, a Cetip desconsidera operações com valores e prazos destoantes com as práticas do mercado.
novembro 2014 financeiro 33
supermáquinas
BMW M4
Sucessor do M3 cupê, o esportivo M4
foi um dos destaques do salão. Ele tem motor 3.0
de seis cilindros, que gera 431 cavalos de potência, e
acelera de 0 a 100 km/h em 4,1 segundos. O câmbio
automatizado é de dupla embreagem e sete
velocidades.
Velozes & furiosos
Porsche Boxster GTS
Os motores de seis cilindros e 3.4 litros
ganharam 15 cavalos a mais em cada modelo, em
relação à versão S, o que deixou o Boxster GTS com
330 cavalos. A opção inclui suspensão ativa e pacote
esportivo. Com isso, o Boxster vai a 100 km/h
em 4,7 segundos.
Fotos: Divulgação
Mercedes-Benz
Classe S Cupê
Preparado pela AMG, o modelo tem um motor
V8 biturbo de 5.5 litros e 585 cavalos. Segundo a
montadora, o esportivo acelera de 0 a 100 km/h
em 3,9 segundos.
Para quem gosta de carro,
o Salão Internacional do
Automóvel de São Paulo é um
programa que merece reservar,
pelo menos, seis horas da
sua agenda. O evento deste
ano reuniu 84 expositores de
11 países, com 41 fabricantes e
montadoras de veículos, que
totalizaram 500 carros. A edição
2014 do salão, que aconteceu
mais uma vez no Pavilhão de
Exposições do Anhembi, em
São Paulo, não decepcionou
aqueles que foram atrás de
boas novidades. Conheça
algumas dessas máquinas
que roubaram a atenção dos
apaixonados pelas joias de
quatro rodas.
Camaro
O Camaro ganha versão inédita conversível.
Assim como o cupê, o modelo ainda mais descontraído
traz motor V8 6.2l de 406 cavalos de potência de alta
eficiência energética. Ele tem performance para voar
nas pistas, mas também pode rodar nas vias
urbanas.
Volvo XC60
O XC60 também ganhou uma versão de
entrada, a Comfort. Foram mantidos os bancos de
couro, mas sem regulagem elétrica e ajuste lombar. O
painel digital é substituído por um analógico, e também
caem os sensores de chuva e estacionamento. O
propulsor é o mesmo Drive-E 2.0 litro de 245 cv,
acoplado à transmissão automática de
8 velocidades.
Land Rover
Discovery Sport
Destaque no Salão de Paris, em outubro, Discovery
Sport é um substituto para o Freelander, com opção para
até sete passageiros. A configuração mais potente, S, traz
motor V6 de 340 cavalos. Ele acelera de 0 a 100 km/h
em 4,9 segundos, com máxima de 250 km/h.
Chevrolet Spin Activ
As mudanças da versão esportiva da Spin
para a “tradicional” são basicamente visuais, a
começar pelo estepe preso na parte de fora do porta-malas. Além disso, os para-choques são de plástico
preto, há saias laterais na cor prata, faróis e lanternas
com máscara escurecida. O motor é o 1.8 com 108
cavalos nas versões LT e LTZ.
novembro 2014 financeiro 35
Puro-sangue
Fotos: Divulgação
supermáquinas
Equipada com motor 4.5 V8, de 605 cavalos, a
Ferrari 458 Speciale A vai de 0 a 100 km/h em três
segundos. Apenas 499 unidades desse bólido
serão produzidas pela montadora italiana
U
m brinquedo chamou mais atenção que os
demais na última edição do Salão do Automóvel de Paris: a Ferrari 458 Speciale
A. Equipada com motor de 4.5 V8, de 605 cavalos, a
máquina atinge 200 km/h em apenas nove segundos.
Nada mal, não? Mas, saiba que esse bólido será produzido em edição limitada: 499 unidades.
A inacreditável Speciale A vem equipada com o
sistema Side Slip Angle Control (SSC), que usa algoritmo para distribuir de forma equilibrada o torque
nas rodas, corrigindo eventuais saídas de frente do
carro. Outra inovação é a evolução na transmissão
com a tecnologia trazida das pistas da Fórmula 1.
Em alta performance, o aerofólio traseiro eletrônico
pode ser ajustado para colocar o veículo no chão, ou,
se o aerofólio estiver baixado, serve para diminuir a
resistência do ar.
Os freios apresentam os mesmos componentes
usados na Ferrari 976. As rodas de 20 polegadas,
de alumínio, são 12 kg mais leves que as da sua
36 financeiro novembro 2014
antecessora, a 458 Spider. A capota retrátil,
também de alumínio, acrescenta cerca de 50
kg ao peso total do carro, e pode ser aberta ou
fechada em 14 segundos. De acordo com a
montadora, os passageiros podem conversar normalmente, enquanto “voam” com a
capota aberta, a 200 km/h.
Sem perder as características do design esportivo, Speciale A traz o interior limpo e livre de qualquer peso supérfluo. Isso foi
obtido pela escolha de materiais leves, incluindo
a fibra de carbono trabalhada de acordo com
o padrão artesanal da Ferrari, detalhe que
valoriza os painéis das portas e o console
central. Se você ficou interessado e está
louco para ter ideia do preço, saiba que a
sua irmã velha, a 458 Speciale, foi trazida
para o mercado nacional pela bagatela de R$
2,3 milhões. Razoável, não? f
artigorosivuolo
Uma porta para o futuro
A
tenta às iniciativas sociais que a Acrefi
apoia, a equipe da Financeiro visitou recentemente a Biblioteca Municipal Odette de
Barros Mott, em Araçariguama, interior paulista, que
foi totalmente revitalizada há três anos, com participação da entidade. A primeira impressão foi muito
boa, ainda mais quando se depara com quatro alunos
da rede estadual fazendo trabalho escolar nos três
computadores do espaço. Ao nos encontrar com
a bibliotecária Edineia de Oliveira, tivemos outras
boas novidades: a biblioteca está com 8.200 títulos
cadastrados; tem uma frequência mensal de 2.100
pessoas; e 30 obras são emprestadas diariamente,
em sistema circulante, pelos moradores do município. São números razoáveis para uma cidade que,
segundo o Censo de 2010, possui 17.085 habitantes.
Além de atender ao fluxo diário de leitores,
os cinco funcionários da biblioteca se envolvem
em ações pontuais oferecidas à população. O programa Viagem Literária, iniciativa coordenada pela
Secretaria da Cultura do Governo de São Paulo, leva
autores ilustres para conversar com os leitores.
Os dois últimos escritores que passaram por lá foram Edson Gabriel Garcia, com mais de 60 títulos
publicados de literatura infantil e juvenil, e Ignácio
de Loyola Brandão, que foi bater um papo com os
moradores de Araçariguama, principalmente com
os estudantes, sobre curiosidades de seu livro mais
recente, O Mel de Ocara, em que relata histórias
Fotos: Moacyr Mw
Projeto de revitalização apoiado pela Acrefi há
três anos, a Biblioteca Municipal Odette de Barros
Mott, em Araçariguama, atrai estudantes para
bate-papo com escritores e aulas de música
vividas e vivenciadas em
suas viagens literárias pelo
Brasil. E mais. A biblioteca
Odette de Barros Mott atrai
frequentadores com aulas
regulares de piano, violão e canto, rodas de contação de histórias e sessões do clube de cinema.
Entre os estudantes que estão sempre por lá
para fazer suas tarefas escolares, uma é Jéssica
de Moura, de 15 anos, aluna do 1º ano do Ensino
Médio da Escola Estadual Professor Humberto Vic-
torazzo. “Além de consultar os livros e aproveitar
a conexão da internet oferecida pela biblioteca,
ainda consigo imprimir os meus trabalhos”, conta
Jéssica, que pretende se formar em Educação Física e depois se especializar em dança. São exemplos como esse que incentivam a Acrefi a manter
seus investimento em projetos sociais. f
Biblioteca Municipal
Odette de Barros Mott
Rua Coronel Joaquim
Augusto, 94, Araçariguama. Horário de
funcionamento: das
7h30 às 19h30
Tel.: (11) 4136.2195
novembro 2014 financeiro 37
Fotos: Divulgação
estilo
Inspire-se
Nem sempre é possível acompanhar
a velocidade das tendências da moda
internacional, que mudam de rumo
mais rápido que a volatilidade do câmbio.
Embora você não precise estar em
perfeita sintonia com os modelos que
circulam nas passarelas de Milão, Paris,
Londres ou Nova York, é fundamental
dar uma espiada nas recentes criações
das principais etiquetas internacionais.
Lembre-se, em viagens curtas – de cinco
a sete dias –, leve na valise dois ternos
clássicos, camisas neutras e três ou
quatro gravatas. O restante fica por conta
da sua inspiração. Afinal, vestir-se também
pode ser uma tarefa bem divertida.
Armani
Ralph Lauren
Hugo Boss
Ermenegildo Zegna
Calvin Klein
novembro 2014 financeiro 39
Fotos: Divulgação
cultura
Quase real
Em exposição na Pinacoteca de São Paulo,
as esculturas hiper-realistas do australiano
Ron Mueck impressionam pela riqueza de
detalhes e pela perfeição que retrata os
contornos do corpo humano
40 financeiro novembro 2014
I
mpressionante, espetacular, inacreditável.
Essas são algumas das expressões que normalmente são ditas por aqueles que já tiveram o privilégio de visitar, na Pinacoteca de São
Paulo, a exposição do escultor australiano hiper-realista Ron Mueck. Depois de uma temporada
no Rio de Janeiro, a mostra poderá ser vista pelos
paulistas até fevereiro de 2015.
As criações de Mueck são famosas pela riqueza de detalhes e pela perfeição que retrata os
contornos do corpo e das feições humanas. Detalhe: ele não utiliza qualquer recurso da informática para atingir tal esmero. São trabalhos realizados em fibra de vidro e silicone, que facilmente
seriam confundidos com seres humanos não fossem as diferentes dimensões das esculturas.
Na mostra da Pinacoteca, serão apresentadas
as nove esculturas exibidas no Rio de Janeiro.
São elas “Mulher com as Compras”, “Jovem Casal”, “Casal Debaixo do Guarda-Sol”, “Mulher com
Galhos”, “Máscara 2” (autorretrato do artista),
“Homem em um Barco”, “Juventude”, “Natureza
Morta” e “À Deriva”.
Além das esculturas, a curadoria da mostra
programou a exibição do documentário “Still Life:
Ron Mueck at Work”, do diretor Gautier Deblonde,
que retrata o processo criativo de artista. f
Pinacoteca de São Paulo
Praça da Luz, 2 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3324.1000
Terça a domingo, das 10h às 18h. Às quintas,
das 10h às 22h.
www.pinacoteca.org.br
novembro 2014 financeiro 41
cultura
Escurinho cult
De matadouro municipal a refúgio da
filmografia nacional, a Cinemateca
Brasileira é o ponto de encontro,
em São Paulo, dos
amantes da
sétima arte
Por Débora Dias
texto e fotos
C
om arquitetura tombada, conservada e protegida pelo Condephaat (Conselho de Defesa
do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo), as instalações da Cinemateca Brasileira, em São Paulo, parecem fazer parte do roteiro de Sherlock Jr., filme
de 1924, dirigido por Buster Keaton. O local deixa
poucos indícios de que ali, até 1927, funcionou o
Matadouro Municipal de São Paulo. Projetados por
Alberto Kuhlman, os galpões construídos em 1884
foram restaurados em 1992 pelo arquiteto Nelson
Dupré – o mesmo que idealizou a Sala São Paulo.
Desde então, o espaço, acolhido no discreto Largo
Senador Raul Cardoso, na Vila Mariana, passou a
ser referência de cineastas, pesquisadores, estudantes de cinema, enfim, dos amantes da sétima
arte. Além da exibição de uma programação cult,
suas salas também abrigam cursos, debates, exposições e mostras audiovisuais.
A Cinemateca Brasileira nasceu ainda com a
denominação de Clube de Cinema de São Paulo,
42 financeiro novembro 2014
mas sempre manteve o ideal
de ser o ponto de encontro dos
aficionados pelo cinema. Foi fundada em 1940 por estudantes da Faculdade de
Filosofia da Universidade de São Paulo (USP), liderados por Paulo Emílio Salles Gomes, Décio de
Almeida Prado e Antonio Cândido. O espaço depois
se transformou num polo destinado à preservação
da produção audiovisual nacional, possibilitando
que proprietários de filmes antigos os depositassem no acervo da instituição, sem abrir mão do
direito da posse do material – a organização se
responsabiliza pela preservação do conteúdo.
Em levantamento recente, a Cinemateca divulgou que possui o maior acervo de imagens em movimento da América Latina. São aproximadamente
250 mil rolos de filmes, que correspondem a 35
mil títulos. Seus arquivos reúnem obras de ficção,
documentários, cinejornais, filmes publicitários
e registros familiares, nacionais e estrangeiros,
produzidos desde 1895. Para Verônica Domingues,
assistente editorial e frequentadora assídua da
programação da Cinemateca, o trabalho de preservação ali desenvolvido é fundamental para o
cinema brasileiro. “Acho importantíssimo esse
trabalho de preservação da memória audiovisual
brasileira, porque muito já se perdeu ou foi danificado. Ter um órgão que garanta a sobrevivência
desses materiais é um consolo para os apreciado-
res do cinema”, pondera Verônica.
Já para Henrique Rodrigues Marques, estudante de cinema, os principais atrativos da Cinemateca são as mostras ali realizadas e o baixo
valor cobrado pelos ingressos. “Eles sempre realizam mostra de clássicos, mas também abrem
espaço para filmes desconhecidos, dando um
grande destaque para a produção nacional”, comenta Marques. Os preços são populares e estudantes que cursam o Ensino Médio em escolas
públicas não pagam. Algumas sessões são total-
mente franqueadas ao público.
Toda a infraestrutura do local é favorável à
criação e à manutenção da propriedade artística,
sendo dividida em áreas distintas que corroboram
para a organização do acervo. Lá é feita toda a
documentação, a preservação e a catalogação do
material, além de pesquisas constantes para aprimorar sua conservação. As duas salas de exibição
funcionam de terça a domingo e apresentam sessões permanentes, mostras e festivais de cinema
brasileiro e estrangeiro. Entre os serviços ali ofenovembro 2014 financeiro 43
cultura
Amigos da Cinemateca
Salão de Exposições
recidos estão o empréstimo de filmes para outras
instituições, mostras e festivais do mundo todo e o
atendimento a profissionais que queiram utilizar
imagens de filmes do acervo em suas produções.
A área externa é composta por um gigantesco telão e jardins que escondem diversas obras de arte,
como mais uma alternativa de lazer para os amantes da cultura.
Para Verônica Domingues, o investimento feito
na infraestrutura da Cinemateca Brasileira é um
grande diferencial, que se reflete na qualidade do
serviço prestado. Segundo a frequentadora, as salas de projeção têm padrão profissional e oferecem
qualidade e conforto aos visitantes, o que transforma uma simples visita em uma experiência única.
Em 1962, Dante Ancona Lopez, disseminador
do cinema de arte em São Paulo, criou a SAC (Sociedade Amigos da Cinemateca), entidade que foi
fundamental na reestruturação da Cinemateca, colaborando para que a instituição chegasse ao seu
formato atual. Desde então, a SAC colabora na formação das novas gerações do público cinematográfico. Essa organização também é responsável
pela captação de recursos por meio da Lei Rouanet
e de convênios mantidos com a Prefeitura de São
Paulo e com a União. Foram iniciativas como essa
que permitiram a montagem das salas Cinemateca/Petrobras, em 1998, e da Cinemateca/BNDES,
em 2007, da climatização dos arquivos de preser-
Ziper Concha: escultura de Gilberto Salvador
vação dos filmes, em 2001, e dos espaços do Centro de Documentação e Pesquisa, em 2002. Além
disso, a SAC foi fundamental para a realização de
projetos de grande envergadura na área museológica e arquivística, como o Censo Cinematográfico,
patrocinado pela Petrobras e realizado entre os
anos de 2001 e 2006.
Para continuar com suas portas abertas, a Cinemateca Brasileira conta com os investimentos
realizados por meio de parcerias com empresas
nacionais. Outra fonte de recursos é o aluguel do
espaço para a exibição de mostras independentes.
A organização recebe, ainda, apoio financeiro para
a realização de projetos que valorizem o cinema
nacional e estimulem a sua preservação. f
Cena de Cinema: escultura de José Resende
Cinemateca Brasileira
Largo Senador Raul Cardoso, 207,
São Paulo - SP. Tel.: (11) 3512.6111
Horário de funcionamento: diariamente, das 9h
às 18h. www.cinemateca.gov.br
educação
Uma porta para o futuro
A
tenta às iniciativas sociais que a Acrefi
apoia, a equipe da Financeiro visitou recentemente a Biblioteca Municipal Odette de
Barros Mott, em Araçariguama, interior paulista, que
foi totalmente revitalizada há três anos, com participação da entidade. A primeira impressão foi muito
boa, ainda mais quando se depara com quatro alunos
da rede estadual fazendo trabalho escolar nos três
computadores do espaço. Ao nos encontrar com
a bibliotecária Edineia de Oliveira, tivemos outras
boas novidades: a biblioteca está com 8.200 títulos
cadastrados; tem uma frequência mensal de 2.100
pessoas; e 30 obras são emprestadas diariamente,
em sistema circulante, pelos moradores do município. São números razoáveis para uma cidade que,
segundo o Censo de 2010, possui 17.085 habitantes.
Além de atender ao fluxo diário de leitores,
os cinco funcionários da biblioteca se envolvem
em ações pontuais oferecidas à população. O programa Viagem Literária, iniciativa coordenada pela
Secretaria da Cultura do Governo de São Paulo, leva
autores ilustres para conversar com os leitores.
Os dois últimos escritores que passaram por lá foram Edson Gabriel Garcia, com mais de 60 títulos
publicados de literatura infantil e juvenil, e Ignácio
de Loyola Brandão, que foi bater um papo com os
moradores de Araçariguama, principalmente com
os estudantes, sobre curiosidades de seu livro mais
recente, O Mel de Ocara, em que relata histórias
Fotos: Moacyr Mw
Projeto de revitalização apoiado pela Acrefi há três
anos, a Biblioteca Municipal Odette de Barros Mott,
em Araçariguama, atrai estudantes para bate-papo
com escritores e aulas de música
vividas e vivenciadas em
suas viagens literárias pelo
Brasil. E mais. A biblioteca
Odette de Barros Mott atrai
frequentadores com aulas
regulares de piano, violão e canto, rodas de contação de histórias e sessões do clube de cinema.
Entre os estudantes que estão sempre por lá
para fazer suas tarefas escolares, uma é Jéssica
de Moura, de 15 anos, aluna do 1º ano do Ensino
Médio da Escola Estadual Professor Humberto Vic-
Jéssica de Moura: leitura e trabalhos escolares
torazzo. “Além de consultar os livros e aproveitar
a conexão da internet oferecida pela biblioteca,
ainda consigo imprimir os meus trabalhos”, conta
Jéssica, que pretende se formar em Educação Física e depois se especializar em dança. São exemplos como esse que incentivam a Acrefi a manter
seus investimento em projetos sociais. f
Biblioteca Municipal
Odette de Barros Mott
Rua Coronel Joaquim
Augusto, 94, Araçariguama. Horário de
funcionamento: das
7h30 às 19h30
Tel.: (11) 4136.2195
negócio&lazer
A tradição dos
46 financeiro novembro 2014
barões do café
A
cultura do café está intimamente ligada à história de São
Paulo. Do período colonial ao republicano, as fazendas cafeeiras ficaram famosas não só por sua força econômica, como
também pela arquitetura típica das suas instalações e dos seus equipamentos. Ferrovias foram construídas para permitir o escoamento da
produção, substituindo o transporte animal e impulsionando o comércio inter-regional de outras importantes mercadorias. Essa atmosfera
de prosperidade trouxe notoriedade também aos barões do café, que
deram continuidade às famílias dos quatrocentões, como os Cardoso
de Almeida, os Arruda Botelho, os Pimenta Camargo, entre outros.
Fotos: Divulgação
O Hotel Fazenda
Dona Carolina preserva
a cultura, a arquitetura
e a gastronomia dos
quatrocentões do
interior paulista
setembro 2014 financeiro 47
Fotos: Divulgação
negócio&lazer
É exatamente esse clima de riqueza e tradição
que o Hotel Fazenda Dona Carolina resgata. Localizado em Itatiba, interior paulista, a 86 quilômetros
da capital, o empreendimento reúne, de forma sutil,
o melhor da vida no campo com as facilidades da
vida moderna. O espaço preserva a memória da era
cafeeira, em dispersos ambientes, mas os grandes
destaques são a casa da sede, erguida em 1798, a
capela de Nossa Senhora da Conceição, de 1890, e o
“terreiro” onde o café ficava exposto ao sol para secar. Além de manter viva a tradição, o hotel oferece
ao hóspede o tour do café, acompanhado de seresta
e de degustação de merendas típicas das fazendas.
Segundo Arlindo Vaz, gerente comercial do Dona
Carolina, essa mesma fazenda, que foi das primeiras
a colocar em prática os ideais abolicionistas, hoje recebe seus visitantes dentro dos padrões de exigência
da vida moderna, com heliponto, TVs de LED, wi-fi de
alta velocidade, serviço de quarto 24h, spa, academia
e sauna. Na área de lazer, os hóspedes, que normalmente são casais jovens com filhos, empresários, executivos e profissionais liberais, podem se divertir em
inúmeras atividades esportivas: hipismo, escalada, ar-
48 financeiro novembro 2014
vorismo, tirolesa, caiaque, arco e flecha, entre outras.
Se a sua opção é uma programação corporativa,
o Dona Carolina costuma acolher eventos de pequeno e grande portes. E para o primeiro semestre de
2015, eles devem inaugurar um novo centro de convenções, maior e com equipamentos mais modernos, mas mantendo a linha arquitetônica colonial.
Quem considera o ambiente de fazenda como
sinônimo de boa gastronomia não irá se decepcionar se escolher passar alguns dias por lá. A chef
Angela Stefani, descendente direta de Dona Carolina, prepara quitutes encontrados apenas nos livros
da vovó. Outra atração é a cachaçaria, que conserva
algumas raridades etílicas, envelhecidas em tonéis
de carvalho francês, abrigados em ambiente rústico
e acolhedor. Então, já fez as malas? O cafezinho por
lá está sempre fresco. f
Hotel Dona Carolina
Estrada Manoel Stefani, km 39,5
da Rod. Alkindar Monteiro
Junqueira – Itatiba, SP, Tel. (11) 4534.9100
www.donacarolina.com.br
novembro 2014 financeiro 49
O mundo
na ponta dos dedos
Criada há 68 anos, a Fundação Dorina Nowill
é referência internacional na integração social
de deficientes visuais. Além da transcrição
de livros para os métodos Braille e Dayse, a
entidade oferece treinamentos para cegos,
consultoria para que empresas criem espaços
adaptados às necessidades especiais e curso
profissionalizante de avaliação olfativa
Foto: Gabriel Kosman
V
Ademir Silva Filho:
superintendente da
Fundação Dorina
Nowill
ocê imagina quantos livros completos o brasileiro lê por ano? A
média não vai além de 2,1 títulos.
Esse é o resultado do levantamento Retratos da
Leitura no Brasil, encomendado em 2012 pelo
Instituto Pró-Livro. E quantos títulos consomem
os deficientes visuais? Nada menos do que nove
títulos por ano. Para garantir o apetite literário
dos cegos, a Fundação Dorina Nowill, entidade
criada há 68 anos para a inclusão social de pessoas com deficiência visual, transcreve mil títulos por ano, cada um com uma tiragem de mil
exemplares. “O nosso trabalho é apenas uma
gota em um oceano”, diz Ademir Ramos da Silva Filho, superintendente da fundação. Embora
o executivo trate com certa modéstia o trabalho
essencial que a entidade exerce na vida daqueles que não enxergam, ele é fundamental no universo dos deficientes visuais. Pesquisa do IBGE
(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),
de 2012, mostra que existem no País 6,5 milhões
de pessoas com alguma deficiência visual, das
quais 3,5% têm muita dificuldade de enxergar
e 0,3% são totalmente cegas. “São pessoas que
precisam de produtos adaptados às suas
necessidades e de serviços que garantam
seu potencial profissional e sua autonomia
de vida”, lembra Silva Filho, que assumiu há
50 financeiro novembro 2014
três anos a gestão profissional da Fundação Dorina Nowill.
Como a cegueira pode surgir em diversos momentos da vida, a entidade oferece apoio
educacional para crianças e jovens, clínicas de
reabilitação e cursos profissionalizantes. “Imagine uma exímia cozinheira que perde a visão
por problemas decorrentes do glaucoma. A vida
dela continua e nem por isso precisará deixar de
cozinhar. Uma das nossas missões é exatamente inseri-la novamente na sociedade”, explica o
Fotos: Divulgação
terceirosetor
Foto: Gabriel Kosman
executivo. “Muitas pessoas chegam
à fundação por indicação de médicos,
depois de admitirem que nada mais
podem fazer pelo paciente”, conta Silva
Filho. “A cegueira não é fim da linha, é
recomeço de uma nova etapa da vida”, diz ele.
É o caso de Dinicley de Oliveira Paz. Aos 19
anos de idade, ele deixou Pederneiras, município do interior paulista, com destino a São
Paulo, onde arrumou emprego em uma serralheria. Pouco tempo depois, o jovem perdeu
a visão do olho esquerdo, em decorrência de
toxoplasmose, doença infecciosa, congênita
ou adquirida, causada, em algumas situações,
pela ingestão de alimentos contaminados.
Mesmo com a visão prejudicada, ele continuou
trabalhando. Quando completou 33 anos, Dinicley perdeu a visão do olho direito, tornando-se totalmente cego. “Na Fundação Dorina, eu
aprendi a ler pelo método Braille, a usar a bengala nas minhas locomoções e ainda arrumei
motivação para conseguir me livrar do vício da
bebida e de outras drogas. Aqui, eu aprendi a
ser feliz novamente”, conta o rapaz.
São histórias como essa que levaram Dorina Nowill, que ficou cega aos 17 anos de
causa não diagnosticada, a criar, em
1946, a Fundação para o Livro do Cego
no Brasil – estimulada por um curso que
fez, um pouco antes, de especialização
em educação de deficientes visuais,
no Teachers College Columbia University, em
Nova York (EUA). Desde o começo, a principal
preocupação de Dorina, além da produção de
livros em Braille, era desenvolver atividades
relacionadas à educação e à inclusão dos deficientes visuais na sociedade. Mas, sua batalha pela causa dos deficientes visuais começou
ainda na juventude, quando transpôs inúmeras
dificuldades e conseguiu se tornar a primeira
aluna cega a frequentar um curso regular de
formação de professores, na tradicional Escola
Normal Caetano de Campos, em São Paulo.
Falecida em 2010, aos 91 anos de idade,
Dorina deixou um enorme legado social. Sua
instituição, já faz tempo, é referência internacional pela qualidade dos livros produzidos
em Braille, pelas publicações literárias e editoriais adaptadas ao padrão de áudio MP3 ou
em sistema Dayse, leitor que permite visualizar o conteúdo do texto em vários níveis de
ampliação e ainda ouvir, simultaneamente, a
voz sintetizada. Hoje, pode-se dizer que a fundação é uma fomentadora de ideias que auxiliam o deficiente visual a integrar-se cada vez
mais na sociedade por meio das ferramentas
tecnológicas, como áudios descritivos ou aplicativos, que permitem que pessoas cegas ou
surdas assistam a filmes e visitem museus
com mais autonomia e riqueza de detalhes.
Quanto mais se anda pelos inúmeros corredores do prédio da Fundação Dorina Nowill,
na Vila Clementino, em São Paulo, mais se descobre os benefícios oferecidos aos deficientes
visuais e à sociedade, como consultoria para
que empresas criem espaços mais
Cardápio da rede
America, em Braille:
produto da gráfica
da fundação
novembro
setembro 2014 financeiro 51
terceirosetor
amigáveis aos cegos e
curso gratuito profissionalizante de avaliação
olfativa para deficientes
visuais. Segundo Adermir Ramos da Silva Filho, superintendente da
fundação, a Lei de Cotas,
criada em 1991, teve um
papel fundamental nesse processo, mas ainda
há muito a se fazer por
essa causa. “É por isso
que a instituição investe
e acredita tanto na capacitação das pessoas”,
Fundação Dorina Nowill em números
afirma o executivo. Por
Orçamento anual: R$ 22 milhões onde quer que se ande
Título em formato acessível: 5,6 mil
pela fundação, o clima
Títulos transcritos por ano: 1 mil
de entusiasmo dos seus
Organizações beneficiadas: 7,5 mil
200 colaboradores e
Atendimentos por ano: 18 mil
250 voluntários contagia
Pessoas reabilitadas por ano: 1,4 mil
os visitantes, porque a
Colaboradores: 250
energia de Dorina Nowill
Voluntários: 200
permanece. Seu gabinete, preservado em cada
detalhe, conserva a porta sempre aberta, imagem que simboliza a força agregadora dessa
mulher que esteve adiante do seu tempo.
A cegueira no mundo
Segundo a Organização Mundial da Saúde, 80% dos casos de cegueira poderiam ser
evitados. De acordo com a OMS, cerca
de 45 milhões de pessoas no mundo
são cegas; outras 135 milhões sofrem
limitações severas de visão. A cada cinDorina Nowill
co segundos uma pessoa se torna cega.
retratada pelo
Do total de casos de cegueira, 90%
artista Gustavo Rosa
ocorrem nos países emergentes ou subdesenvolvidos. Até 2020, o número de deficientes
visuais poderá dobrar no mundo. Glaucoma,
retinopatia diabética, atrofia do nervo ótico,
retinose pigmentar e degeneração macular
relacionada à idade (DMRI) são as principais
causas da cegueira na população adulta. Entre
as crianças, as principais causas são glaucoma congênito, retinopatia da prematuridade e
toxoplasmose ocular congênita. f
52 financeiro novembro 2014
Aplicativo integra deficiente visual
ao universo do cinema
Entre as novas tecnologias que podem auxiliar na integração dos deficientes visuais e auditivos está o aplicativo
MovieReading, que chegou recentemente
ao Brasil por meio da parceria das empresas Iguale Comunicação de Acessibilidade e a Universal Multimedia Access.
A nova ferramenta permite baixar nos
smartphones e nos tablets a audiodescrição e as legendas, em português, sincronizadas com o tempo real dos filmes.
Um dos títulos que trazem essa importante novidade para os deficientes visuais e auditivos é o longa-metragem A
Despedida, estrelado por Juliana Paes e
Nelson Xavier, dirigido por Marcelo Galvão, vencedor de quatro Kikitos no Festival de Gramado e destaque na 38ª Mostra
Internacional de Cinema de São Paulo.
Leia a descrição da foto, feita especialmente para cegos, da principal cena do filme
A Despedida: Almirante e Morena estão em
um quarto com iluminação avermelhada. Ela
está deitada na cama, com o corpo coberto
apenas por um lençol. Ele está sentado no
colchão, vestido com paletó e calça social.
Os dois se olham profundamente, enquanto o idoso toca os pés da jovem amante. Ao
fundo a luz do dia brilha na janela, que é recoberta por uma cortina translúcida. No canto do quarto, ao lado da cama, há um
abajur apagado.
bancodedadosinepad
A eterna guerra
contra a inflação
M
uito tem se falado a respeito da inflação nos últimos tempos. Tem-se discutido o patamar atual, as consequências,
as causas e os culpados. Os debates entre presidenciáveis também levantou questões a respeito
deste tema, mas, o que é a inflação? Como ela é
medida e quais são as suas consequências? A taxa
está realmente alta?
A inflação pode ser definida como o aumento
contínuo e generalizado dos preços. É importante
ressaltar que o aumento do preço de alguns produtos ou serviços separados não constitui inflação. Outra maneira de encarar a inflação é enxergá-la como
a redução do poder de compra de uma determinada moeda. O fenômeno contrário à inflação – baixa
contínua e generalizada dos preços – é chamado de
deflação e acontece com menor frequência.
Para medir a inflação são utilizados diversos
índices. No Brasil o índice oficial é o IPCA – Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. O IPCA
mede a variação de preços dos gastos entre os dias
5 e 12 de cada mês.
No ambiente econômico a inflação provoca
distorções de diversas maneiras. Um dos efeitos
negativos é sobre a distribuição de renda, pois os
preços estão subindo, mas não necessariamente
todos no mesmo ritmo. Dessa forma, caso os salários não acompanhem a alta da inflação, existirá
uma tendência de perda. Outro efeito é a diminuição nos investimentos, pois com alta volatilidade
de preços será mais difícil determinar o retorno
dos investimentos. A balança de pagamentos também sofre com a inflação, visto que os produtos
nacionais tornam-se mais caros, incentivando a
importação desses produtos, fazendo que haja saídas altas de capital do país.
Gráfico 1 – Inflação Mensal (1991 - 1994)
novembro 2014 financeiro 55
bancodedadosinepad
Gráfico 2 – Inflação Mensal (1995 - 1999)
Elaborado pelo Centro de
Pesquisas do INEPAD Núcleo CEPEFIN
Foto: Divulgação
Devido seus impactos na economia, a inflação
sempre foi uma das maiores preocupações dos
governos. Na tentativa de controlar a inflação no
Brasil, no decorrer das últimas décadas foram lançados diversos planos econômicos, como o Plano
Cruzado (1986), o Plano Bresser (1987) e o Plano
Real (1994).
No período de 1991 a 1994, conforme o gráfico 1, a inflação existente no Brasil chegou a atingir
um patamar de 47,43% enquanto em países como
México, França e Estados Unidos atingiram inflação
máxima de 2,63%, 0,54% e 0,48% respectivamente.
Em 30 de junho de 1994, foi implantado o Real como
moeda e a consequência imediata dessa ação foi a
redução brusca da taxa de inflação, reduzindo-a em
de 47,43% para 6,84% no mês seguinte.
Nos anos 2000, gráfico 3, a inflação mensal
brasileira manteve uma média de 0,53% e atingiu
pico de 3,02% em novembro de 2002. Quando comparamos esses dados com os de países desenvolvidos, pode-se dizer que a taxa é alta, pois a média na Alemanha foi de 0,13%, nos Estados Unidos
0,20% e na França 0,14%.
Elaboração:
Alberto Borges
Matias –
Fundador do
INEPAD e orientador do CEPEFIN.
Professor titular
do Departamento
de Administração
da Faculdade
de Economia,
Administração
e Contabilidade
da Universidade
de São Paulo no campus de Ribeirão
Preto. Livre docente em Finanças,
atuando nos programas de graduação, pós-graduação e MBAs da
Universidade.
João Paulo Resende de Lima –
Pesquisador do Centro de Pesquisas do
INEPAD – Núcleo CEPEFIN. Graduando
em Ciências Contábeis pela Faculdade
de Economia, Administração e
Contabilidade da Universidade de São
Paulo no campus de Ribeirão Preto.
Quando comparado a outros países em desenvolvimento – os chamados BRICs –o Brasil manteve-se na mesma média dos demais, gráfico 4, com
exceção do ano de 2003, que, devido a fatores conjunturais, o Brasil foi o país emergente com a maior
56 financeiro novembro 2014
taxa. Atualmente, as projeções indicam que o Brasil
está no mesmo patamar inflacionário tanto da Índia
quanto da Rússia.
Com base nos dados apresentados, é possível
afirmar que, apesar de estar em patamar diferente dos países desenvolvidos, o Brasil tende à média dos emergentes. Entre os BRICs, é o país com
maior estabilidade nos últimos anos. Essa estabi-
lidade tem sido conquistada com o esforço contínuo de diversos planos e governantes. Cabe, então, ao próximo governante trabalhar não apenas
para manter esse indicador sempre em patamares
aceitáveis, mas empenhar-se para que este índice
não seja uma das maiores preocupações da população, além de alcançar níveis toleráveis – como os
países desenvolvidos. f
Gráfico 3 – Inflação Mensal (2000 - 2014)
Gráfico 4 – Inflação Anual dos BRICs (2000 - 2014)
Nota: anos de 2013 e 2014 são projeções.
novembro 2014 financeiro 57
bancodedadosinepad
DATA
Aplicações
Var. p.p.
Captações
Var. p.p.
Spread
Var. p.p.
set/13
out/13
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dez/13
jan/14
fev/14
mar/14
abr/14
mai/14
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
19,5
19,8
20,0
19,7
20,7
21,0
21,1
21,1
21,4
21,1
21,4
21,1
21,0
0,2
0,3
0,2
-0,3
1,0
0,3
0,1
0,0
0,3
-0,3
0,3
-0,3
-0,1
8,2
8,2
8,5
8,6
8,9
8,7
8,8
8,6
8,6
8,4
8,3
7,8
8,3
0,2
0,0
0,3
0,1
0,3
-0,2
0,1
-0,2
0,0
-0,2
-0,1
-0,5
0,5
11,3
11,6
11,5
11,1
11,8
12,3
12,3
12,5
12,8
12,7
13,1
12,7
12,7
0,0
0,3
-0,1
-0,4
0,7
0,5
0,0
0,2
0,3
-0,1
0,4
-0,4
0,0
Variação set-set
1,5
0,1
Fonte: BC / INEPAD
Taxas Médias: geral
1,4
DATA
set/13
out/13
nov/13
dez/13
jan/14
fev/14
mar/14
abr/14
mai/14
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
Variação set-set
Aplicações
Var. p.p.
Captações
Var. p.p.
Spread
Var. p.p.
14,7
14,8
15,2
15,1
15,9
16,0
16,0
16,0
16,3
15,7
16,0
15,8
15,8
0,0
0,1
0,4
-0,1
0,8
0,1
0,0
0,0
0,30
-0,60
0,30
-0,20
0,00
7,7
7,8
8,1
8,2
8,3
8,3
8,3
8,2
8,2
8,0
7,9
8,8
7,9
0,2
0,1
0,3
0,1
0,1
0,0
0,0
-0,1
0,00
-0,20
-0,10
0,90
-0,90
7,0
7,0
7,1
6,9
7,6
7,7
7,7
7,8
8,1
7,7
8,1
7,8
7,9
-0,2
0,0
0,1
-0,2
0,7
0,1
0,0
0,1
0,3
-0,4
0,4
-0,3
0,1
1,1
0,2
Fonte: BC / INEPAD
Taxas Médias: Pessoa física
0,9
DATA
set/13
out/13
nov/13
dez/13
jan/14
fev/14
mar/14
abr/14
mai/14
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
Variação set-set
Aplicações
Var. p.p.
Captações
Var. p.p.
Spread
Var. p.p.
25,6
26,2
26,1
25,6
26,8
27,4
27,7
27,7
27,9
27,9
28,2
27,9
27,5
0,4
0,6
-0,1
-0,5
1,2
0,6
0,3
0,0
0,20
0,00
0,30
-0,30
-0,40
8,8
8,8
9,1
9,2
9,5
9,2
9,4
9,1
9,1
8,8
8,8
8,4
8,7
0,2
0,0
0,3
0,1
0,3
-0,3
0,2
-0,3
0,00
-0,30
0,00
-0,40
0,30
16,8
17,4
17,0
16,4
17,3
18,2
18,3
18,6
18,8
19,1
19,4
19,1
18,8
0,2
0,6
-0,4
-0,6
0,9
0,9
0,1
0,3
0,2
0,3
0,3
-0,3
-0,3
58 financeiro novembro 2014
1,9
- 0,1
2,0
Fonte: BC / INEPAD
Taxas Médias: Pessoa jurídica
Consignados: saldo de operações de crédito
Fonte: BC / INEPAD
crédito consignado (R$ milhões)
Crédito pessoal
Mês/Ano
set/13
out/13
nov/13
dez/13
jan/14
fev/14
mar/14
abr/14
mai/14
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
Não
consignado
97.579
98.605
99.423
97.767
98.921
99.503
100.269
101.020
102.162
102.148
101.983
102 894
103 220
Taxa de Juros %a.a.
Consignado
Servidores
públicos
Trabalhadores
do setor privado
Beneficiários
do INSS
133.439
134.936
136.391
137.169
138.420
140.063
141.516
143.218
145.134
147.033
148.840
150 626
151 575
17.860
17.950
18.008
17.953
18.050
18.175
18.280
18.522
18.733
18.752
18.906
19 099
19 228
65.536
65.893
66.356
66.755
67.672
69.344
69.795
70.466
71.249
72.220
73.058
73 408
73 771
Total
Total
216.835
218.779
220.628
221.841
224.142
227.582
229.591
232.206
235.116
238.005
240.804
243 133
244 574
314.414
317.384
320.178
319.644
323.063
327.085
329.860
333.226
337.278
340.153
342.787
346 027
347 794
Consignado
24,3
24,6
24,5
24,4
24,9
25,1
25,3
25,3
25,5
25,6
25,9
25,8
25,9
Crédito
Diferença
Pessoal
40,3
42,2
41,7
41,3
43,0
44,1
43,9
45,2
44,9
45,5
45,8
45,4
44,3
16,0
17,6
17,2
16,9
18,1
19,0
18,6
19,9
19,4
19,9
19,9
19,6
18,4
novembro 2014 financeiro 59
bancodedadosinepad
Saldo da carteira de crédito - pessoa física
4,45
0,15
-3,68
-4,84
7,53
0,85
5,49
1,98
-1,00
2,71
-3,47
-1,15
2,36
131.437
133.682
135.236
144.589
143.914
139.697
141.616
141.324
143.584
144.211
145.044
146.664
148.661
1,09
1,71
1,16
6,92
-0,47
-2,93
1,37
-0,21
1,60
0,44
0,58
1,12
1,36
21.558
21.500
21.416
21.195
21.058
20.887
20.719
20.598
20.629
20.430
20.424
20.431
20.234
-0,83
-0,27
-0,39
-1,03
-0,65
-0,81
-0,80
-0,58
0,15
-0,96
-0,03
0,03
-0,96
97.579
98.605
99.423
97.767
98.921
99.503
100.269
101.020
102.162
102.451
102.250
102.825
103.220
0,82
1,05
0,83
-1,67
1,18
0,59
0,77
0,75
1,13
0,28
-0,20
0,56
0,38
216.835
218.779
220.754
221.878
224.143
227.581
229.591
232.206
235.116
238.057
240.825
243.134
244.575
VARIAÇÃO
EM %
CRÉDITO PESSOAL
VARIAÇÃO Crédito
Variação Crédito pessoTOTAL
EM % pessoal não
al consignado Variação
em %
em
%
total
consignado
0,98
0,90
0,90
0,51
1,02
1,53
0,88
1,14
1,25
1,25
1,16
0,96
0,59
314.414
317.384
320.177
319.645
323.063
327.085
329.859
333.226
337.279
340.508
343.075
345.939
347.795
0,93
0,94
0,88
-0,17
1,07
1,24
0,85
1,02
1,22
0,96
0,75
0,83
0,54
OUTROS
CRÉDITOS
LIVRES
25.700
25.167
25.723
25.930
26.354
25.397
24.909
25.091
24.863
24.552
24.982
25.432
26.203
-2,71
-2,07
2,21
0,80
1,64
-3,63
-1,92
0,73
-0,91
-1,25
1,75
1,80
3,03
Fonte: BC / INEPAD
22.025
22.058
21.247
20.219
21.742
21.926
23.129
23.587
23.350
23.983
23.150
22.884
23.425
CRÉDITO
PESSOAL NÃO
CONSIGNADO
VINCULADO À
DÍVIDA
VARIAÇÃO
EM %
set/13
out/13
nov/13
dez/13
jan/14
fev/14
mar/14
abr/14
mai/14
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
CHEQUE VARIAÇÃO CARTÃO DE VARIAÇÃO
CRÉDITO
EM %
EM %
ESPECIAL
VARIAÇÃO
EM %
MÊS / ANO
recursos livres - (R$ milhões)
Saldo da carteira de crédito - pessoa física
set/13
out/13
nov/13
dez/13
jan/14
fev/14
mar/14
abr/14
mai/14
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
TOTAL
VARIAÇÃO
EM %
ARRENDAMENTO
MERCANTIL
204.029
204.133
204.273
204.170
204.466
203.951
201.957
200.944
200.006
198.486
197.210
196.444
195.945
-0,51
0,05
0,07
-0,05
0,14
-0,25
-0,98
-0,50
-0,47
-0,76
-0,64
-0,39
-0,25
9.724
9.064
8.498
7.906
7.368
6.854
6.315
5.883
5.481
5.088
4.694
4.363
4.031
AQUISIÇÃO
Veículos
193.106
193.026
193.082
192.797
193.006
191.845
189.952
188.987
188.048
186.534
185.273
184.565
183.956
Variação
em %
Outros bens Variação
em %
-0,46
-0,04
0,03
-0,15
0,11
-0,60
-0,99
-0,51
-0,50
-0,81
-0,68
-0,38
-0,33
10.923
11.107
11.191
11.373
11.460
12.106
12.005
11.957
11.958
11.952
11.937
11.879
11.989
-1,33
1,68
0,76
1,63
0,76
5,64
-0,83
-0,40
0,01
-0,05
-0,13
-0,49
0,93
VARIAÇÃO
EM %
-6,59
-6,79
-6,24
-6,97
-6,80
-6,98
-7,86
-6,84
-6,83
-7,17
-7,74
-7,05
-7,61
DESCONTO
DE
CHEQUES
1.538
1.524
1.578
1.564
1.534
1.574
1.528
1.517
1.541
1.596
1.550
1.580
1.552
-0,97
-0,91
3,54
-0,89
-1,92
2,61
-2,92
-0,72
1,58
3,57
-2,88
1,94
-1,77
Fonte: BC / INEPAD
MÊS / ANO
recursos livres - (R$ milhões)
recursos direcionados - (R$ milhões)
VARIAÇÃO - FINANC.
IMOBILIVARIAÇÃO
MÊS /
CRÉDITO RURECURSOS
LIVRES
(R$ Milhões)
ANO
set/13
out/13
nov/13
dez/13
jan/14
fev/14
mar/14
abr/14
mai/14
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
RAL TOTAL
EM %
ÁRIO TOTAL
EM %
FINANC. RECURSOS DO BNDES
VARIAÇÃO
EM %
MICROCRÉDITO TOTAL
VARIAÇÃO
EM %
OUTROS CRÉDITOS
DIRECIONADOS
VARIAÇÃO
EM %
105.950
108.036
110.969
115.287
116.353
117.794
119.943
122.988
126.200
129.165
127.574
130.759
134.276
2,68
1,97
2,71
3,89
0,92
1,24
1,82
2,54
2,61
2,35
-1,23
2,50
2,69
319.441
326.403
333.878
341.465
347.709
354.600
360.784
367.637
376.527
384.518
392.979
401.034
407.021
1,44
2,18
2,29
2,27
1,83
1,98
1,74
1,90
2,42
2,12
2,20
2,05
1,49
34.504
35.026
35.688
37.067
38.608
39.102
39.328
39.564
39.180
39.301
39.674
40.357
41.184
1,23
1,51
1,89
3,86
4,16
1,28
0,58
0,60
-0,97
0,31
0,95
1,72
2,05
4.188
4.423
4.873
5.392
5.450
5.415
5.261
5.172
5.301
5.458
5.513
5.609
5.462
0,72
5,61
10,17
10,65
1,08
-0,64
-2,84
-1,69
2,49
2,96
1,01
1,74
-2,62
6.074
6.169
6.343
6.745
6.865
6.968
6.807
7.030
7.277
7.333
6.465
6.411
4.713
14,30
1,56
2,82
6,34
1,78
1,50
-2,31
3,28
3,51
0,77
-11,84
-0,84
-26,49
Fonte: BC / INEPAD
60 financeiro novembro 2014
Fonte: BC / INEPAD
Saldo da carteira de crédito - pessoa física
Data
jun/07
jul/07
ago/07
set/07
out/07
nov/07
dez/07
jan/08
fev/08
mar/08
abr/08
mai/08
jun/08
jul/08
ago/08
set/08
out/08
nov/08
dez/08
jan/09
fev/09
mar/09
abr/09
mai/09
jun/09
jul/09
ago/09
set/09
out/09
Saldo
96.426
100.256
102.555
104.222
106.498
107.293
108.041
110.428
112.303
115.578
118.248
120.720
121.211
123.198
125.550
127.281
129.704
130.039
129.741
131.707
130.219
133.330
137.539
139.997
142.569
145.446
148.622
151.359
154.386
Taxa de Juros
51,06
50,61
49,89
49,43
48,88
46,75
45,80
53,08
52,59
50,48
50,60
48,39
51,39
53,59
54,49
56,31
57,42
59,88
60,44
56,51
54,49
50,84
48,78
46,62
45,64
44,78
44,29
44,71
45,74
Data
nov/09
dez/09
jan/10
fev/10
mar/10
abr/10
mai/10
jun/10
jul/10
ago/10
set/10
out/10
nov/10
dez/10
jan/11
fev/11
mar/11
abr/11
mai/11
jun/11
jul/11
ago/11
set/11
out/11
nov/11
dez/11
jan/12
fev/12
mar/12
Saldo
156.259
159.692
162.446
165.543
170.393
174.442
178.844
181.458
184.359
188.779
191.969
195.497
198.633
201.611
205.727
209.255
210.445
213.685
216.864
220.666
224.603
229.192
232.172
235.202
238.570
238.854
242.445
246.608
250.527
Taxa de Juros
43,64
44,35
44,83
43,81
42,69
42,87
43,04
41,97
42,21
41,96
41,63
43,55
41,99
44,11
48,32
47,96
43,01
44,34
44,56
44,52
45,01
44,52
44,64
45,34
43,64
42,40
44,80
45,20
43,90
Data
abr/12
mai/12
jun/12
jul/12
ago/12
set/12
out/12
nov/12
dez/12
jan/13
fev/13
mar/13
abr/13
mai/13
jun/13
jul/13
ago/13
set/13
out/13
nov/13
dez/13
jan/14
fev/14
mar/14
abr/14
mai/14
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
Saldo
254.431
259.656
263.702
266.503
270.538
271.628
275.565
278.776
279.104
283.245
287.061
291.741
296.412
301.254
304.967
307.842
311.515
314.414
317.384
320.177
319.645
323.063
327.085
329.859
333.226
337.279
340.153
342.786
345.939
347.795
Taxa de Juros
41,40
39,30
38,20
38,60
38,00
37,70
37,80
37,10
36,90
37,30
37,90
37,17
36,83
36,74
38,02
39,75
39,71
40,34
42,23
41,72
41,32
43,00
44,10
43,90
45,20
44,90
45,50
45,80
45,40
44,30
Fonte: BC / INEPAD
Fonte: BC / INEPAD
Gráfico do crédito pessoal
Saldo da carteira de crédito - pessoa física
MÊS / ANO
Saldo (R$ milhões) e percentual (%) da carteira de crédito com recursos livres PF Total e com atraso entre 15 e 90 dias
set/13
out/13
nov/13
dez/13
jan/14
fev/14
mar/14
abr/14
mai/14
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
CRÉDITO PESSOAL
Saldo total
314.414
317.384
320.177
319.645
323.063
327.085
329.859
333.226
337.279
340.508
343.075
345.939
347.795
AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS
Com atraso de % sobre saldo
da carteira
15 a 90 dias
13.048
12.759
12.199
13.265
14.344
14.032
14.745
15.395
14.739
15.050
13.757
13.111
13.877
4,15%
4,02%
3,81%
4,15%
4,44%
4,29%
4,47%
4,62%
4,37%
4,42%
4,01%
3,79%
3,99%
Saldo total
193.106
193.026
193.082
192.797
193.006
191.845
189.952
188.987
188.048
186.534
185.273
184.565
183.956
AQUISIÇÃO DE OUTROS BENS
Com atraso de % sobre saldo
da carteira
15 a 90 dias
15.796
15.693
15.350
14.922
14.939
14.408
16.051
15.818
15.307
15.184
14.229
13.676
13.208
8,18%
8,13%
7,95%
7,74%
7,74%
7,51%
8,45%
8,37%
8,14%
8,14%
7,68%
7,41%
7,18%
Saldo total
10.923
11.107
11.191
11.373
11.460
12.106
12.005
11.957
11.958
11.952
11.937
11.879
11.989
Com atraso de % sobre saldo
da carteira
15 a 90 dias
765
796
789
753
842
856
970
988
935
932
865
804
778
7,00%
7,17%
7,05%
6,62%
7,35%
7,07%
8,08%
8,26%
7,82%
7,80%
7,25%
6,77%
6,49%
novembro 2014 financeiro 61
Fonte: BC / INEPAD
bancodedadosinepad
Juros
Taxa média de juros das operações de crédito com recursos livres - Pessoa Física
AQUISIÇÃO DE BENS - OUTROS
R$ Milhões
set/13
314.414
2,86
0,04
40,34
0,63
193.106
1,64
0,05
21,60
0,68
10.923
4,43
0,03
68,17
0,62
out/13
317.384
2,98
0,11
42,23
1,89
193.026
1,59
-0,05
20,83
-0,77
11.107
4,58
0,16
71,19
3,02
nov/13
320.177
2,95
-0,03
41,72
-0,51
193.082
1,62
0,03
21,28
0,45
11.191
4,65
0,07
72,57
1,38
dez/13
319.645
2,92
-0,02
41,32
-0,40
192.797
1,62
0,00
21,29
0,01
11.373
4,93
0,28
78,13
5,56
jan/14
323.063
3,03
0,10
43,00
1,68
193.006
1,72
0,10
22,74
1,45
11.460
4,73
-0,20
74,16
-3,97
Saldo
total
Taxa de juros
% am
Varição
p.p
Saldo
total
Taxa de juros
% aa
Varição
p.p
R$ Milhões
% am
Varição
p.p
% aa
Varição
p.p
R$ Milhões
Taxa de juros
% am
Varição
p.p
% aa
Varição
p.p
fev/14
327.085
3,09
0,07
44,10
1,10
191.845
1,80
0,08
23,85
1,11
12.106
4,79
0,06
75,36
1,20
mar/14
329.859
3,08
-0,01
43,90
-0,20
189.952
1,78
-0,02
23,54
-0,31
12.005
4,84
0,05
76,43
1,07
abr/14
333.226
3,16
0,08
45,20
1,30
188.987
1,71
-0,06
22,62
-0,92
11.957
4,89
0,04
77,34
0,91
mai/14
337.279
3,14
-0,02
44,90
-0,30
188.048
1,74
0,03
22,99
0,37
11.958
4,93
0,04
78,19
0,85
jun/14
340.508
3,17
0,04
45,50
0,60
186.534
1,74
0,00
23,02
0,03
11.952
4,91
-0,02
77,75
-0,44
jul/14
343.075
3,19
0,02
45,80
0,30
185.273
1,75
0,01
23,14
0,12
11.937
4,95
0,04
78,55
0,80
ago/14
346.028
3,17
-0,02
45,40
-0,40
184.565
1,76
0,01
23,23
0,09
11.879
4,99
0,04
79,38
0,83
set/14
347.795
3,10
-0,07
44,30
-1,10
183.956
1,72
-0,03
22,78
-0,45
11.989
5,02
0,03
79,99
0,61
Atividade Econômica
DATA
set/13
out/13
nov/13
dez/13
jan/14
fev/14
mar/14
abr/14
mai/14
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
Variação
set-set
"Taxa da
Utilização
da Capacidade
Instalada"
Var. p.p.
DATA
"Índice de
Produção Física
Média Móvel
Trimestral"
41518,0
41548,0
41579,0
41609,0
41640,0
41671,0
41699,0
41730,0
41760,0
41791,0
41821,0
41852,0
41883,0
82,00
82,20
81,90
81,60
82,20
82,00
81,10
81,00
80,80
80,40
81,00
80,50
82,30
set/13
out/13
nov/13
dez/13
jan/14
fev/14
mar/14
abr/14
mai/14
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
102,7
102,7
102,7
101,0
100,6
100,2
100,8
100,5
99,9
98,9
98,4
98,4
98,7
365,0
Variação
set-set
62 financeiro novembro 2014
Var. %
-0,01
0,00
0,00
-0,02
0,00
0,00
0,01
0,00
-0,01
-0,01
-0,01
0,00
0,00
-3,84%
Fonte: BC / INEPAD
AQUISIÇÃO DE BENS - VEÍCULOS
MÊS / ANO
CRÉDITO PESSOAL
Saldo
total
Taxa de Desemprego
Rendimento
Inepad & IBGE
Taxa de Desemprego (%)
DATA
set/13
out/13
nov/13
dez/13
jan/14
fev/14
mar/14
abr/14
mai/14
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
10%
9%
8%
Brasil
Var. p.p.
SP
7%
6%
5,40%
0,1
5,8%
5,20%
-0,2
5,6%
5%
4,60%
-0,6
4,7%
4%
4,30%
-0,3
4,40%
3%
4,8%
0,5
5,00%
5,10%
0,3
5,50%
2%
5,00%
-0,1
5,70%
1%
4,90%
-0,1
5,20%
0%
4,90%
0,0
5,10%
4,0
4,80% jan/13 fev/13
-0,1 mar/13 abr/13
5,10% mai/13
4,90%
0,1
4,90%
5,00%
0,1
5,10%
3,5
4,90%
-0,1
4,50%
1,0
0,8
Var. p.p.
0,6
0,400
-0,200
-0,900
-0,300
0,600
0,500
0,200
-0,500
-0,100
0,000 jul/13 ago/13 set/13 out/13 nov/13 dez/13 jan/14
jun/13
-0,200
0,2
-0,6
0,4
0,2
Brasil
Rendimento Médio Real Habitualmente
Recebido - B
-0,2
SP - (mil R$)
In
-0,4
IBGE
0,0
São Paulo
Var. p.p.
-0,6
-0,8
3,0
2,5
Rendimento Médio Real Habitualmente Recebido (R$)
2,0
DATA
Brasil
1,5
Var. p.p.
SP
Var. p.p.
set/13
out/13
nov/13
dez/13
jan/14
fev/14
mar/14
abr/14
mai/14
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
2035,6
2032,9
2072,7
2057,9
2062,7
2078,3
2071,5
2059,0
2064,9
2034,8
2031,2
2064,8
2067,1
1,0
-0,13%
1,03%
1984,0
2021,4
2057,8
1998,1
2073,8
2046,8
2047,1
2008,7
2022,4
2007,8
1974,2
2024,1
2109,80
-2,00%
1,88%
1,80%
-2,90%
3,79%
-1,31%
0,02%
-1,88%
0,68%
-0,72%
-1,67%
2,52%
4,24%
1,96%
-0,72%
0,5
0,24%
0,75%
-0,33%
0,0
-0,60%
0,29%
-1,46%
-0,18%
1,65%
0,11%
SP
Brasil
Anfavea
Produção - Automóveis de Passageiros, Mistos, Veículos Comerciais, Leves e Pesados
(em unidades)
Data
Produção
Média Trim.
Var. Mensal
set/13
out/13
nov/13
dez/13
jan/14
fev/14
mar/14
abr/14
mai/14
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
Variação
set-set
322.350
322.514
293.189
230.892
237.186
281.452
271.217
277.091
281.355
215.934
252.635
264.608
300.845
327.654
329.207
312.684
282.198
253.756
249.843
263.285
276.587
276.554
258.127
249.975
244.392
272.696
-20.407
164
-29.325
-62.297
6.294
44.266
-10.235
5.874
4.264
-65.421
36.701
11.973
36.237
Var. Mensal
(%)
-6,0%
0,1%
-9,1%
-21,2%
2,7%
18,7%
-3,6%
2,2%
1,5%
-23,3%
17,0%
4,7%
13,7%
-6,67%
novembro 2014 financeiro 63
bancodedadosinepad
Exportação de Autoveículos montados (em unidades)
Data
Exportações
Média Trim.
Var. Mensal
set/13
out/13
nov/13
dez/13
jan/14
fev/14
mar/14
abr/14
mai/14
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
Variação
set-set
45.441
51.819
45.234
43.298
22.797
28.844
23.408
35.637
35.194
24.425
34.235
31.668
26.724
54.536
53.777
47.498
46.784
37.110
31.646
25.016
29.296
31.413
31.752
31.285
30.109
30.876
-18.630
6.378
-6.585
-1.936
-20.501
6.047
-5.436
12.229
-443
-10.769
9.810
-2.567
-4.944
Var. Mensal
(%)
-29,08%
14,04%
-12,71%
-4,28%
-47,35%
26,53%
-18,85%
52,24%
-1,24%
-30,60%
40,16%
-7,50%
-15,61%
-41,19%
Fonte: Anfavea / INEPAD
Licenciamento por Categoria Automóveis
Fonte: Inepad & Anfavea
Licenciamento de Automóveis Nacionais e180.000
Importados - (em unidades)
160.000
Data
Total
1000cc
% no
Total
+1000cc a
2000cc
% no
total
set/13
out/13
nov/13
dez/13
jan/14
fev/14
mar/14
abr/14
mai/14
jun/14
jul/14
ago/14
set/14
222.155
239.590
223.748
259.211
228.670
183.235
171.359
211.225
207.688
188.157
208.642
193.767
210.285
85.937
89.442
88.745
101.512
86.481
67.317
68.926
85.545
80.139
75.444
84.956
75.615
84.646
38,7%
37,3%
39,7%
39,2%
37,8%
36,7%
40,2%
40,5%
38,6%
40,1%
40,7%
39,0%
40,3%
134.794
148.753
133.291
155.889
140.452
114.515
101.211
123.830
126.019
111.407
122.416
116.818
124.363
60,7%
62,1%
59,6%
60,1%
61,4%
62,5%
59,1%
58,6%
60,7%
59,2%
58,7%
60,3%
59,14%
140.000
% no
+2000cc
120.000
total
100.000
1.424
1.395
1.712
1.810
1.737
1.403
1.222
1.850
1.530
1.306
1.270
1.334
1.276
0,64%
80.000
0,58%
60.000
0,77%
0,70%
40.000
0,76%
20.000
0,77%
0,71%
0
0,88%
0,74%
0,69%
0,61%
0,69%
0,61%
1000cc
+1000cc a 2000cc
+2000cc
Fonte: Anfavea / INEPAD
Macro
64 financeiro novembro 2014
Previsões Econômicas
Mediana - Agregado
2014
2015
Há 4 semanas
Há 1 semana
07/11/2014
Há 4 semanas
Há 1 semana
07/11/2014
Balança Comercial (US$ Bilhões)
6,31
3,65
3,66
5,50
2,35
2,29
11,00
10,91
35,00
0,29
-1,95
-81,20
2,40
6,45
3,00
3,09
5,38
2,40
2,32
11,00
10,91
35,10
0,27
-2,24
-81,00
2,29
6,45
3,00
3,09
5,34
2,40
2,33
11,00
10,91
35,25
0,27
-2,24
-81,50
2,10
6,30
5,50
5,50
5,59
2,45
2,42
11,38
11,41
35,50
1,01
1,50
-76,45
9,00
6,30
5,52
5,50
5,59
2,50
2,48
11,88
11,69
35,75
1,00
1,46
-75,00
7,65
6,30
5,52
5,50
5,48
2,50
2,48
11,50
11,69
35,75
1,00
1,42
-75,00
7,21
Invest. Estrangeiro Direto (US$ Bilhões)
60,00
60,00
60,00
57,00
60,00
60,00
Preços Administrados (%)
5,10
5,15
5,15
7,00
7,00
7,00
IPCA (%)
IGP-DI (%)
IGP-M (%)
IPC-Fipe (%)
Taxa de câmbio - fim de período (R$/US$)
Taxa de câmbio - média do período (R$/US$)
Meta Taxa Selic - fim de período (% a.a.)
Meta Taxa Selic - média do período (% a.a.)
Dívida Líquida do Setor Público (% do PIB)
PIB (% do crescimento)
Produção Industrial (% do crescimento)
Conta-Corrente (US$ Bilhões)
Fonte: BACEN - Focus: Relatório de Mercado
novembro 2014 financeiro 65
artigopalavrafinal
Por Nicola Tingas: economista-chefe da Acrefi
[email protected]
A
“Economia é a ciência da escolha. Explica as
escolhas que nós fazemos e como essas
escolhas mudam na medida em que lidamos
com a escassez.” Michael Parkin, 2000
recém-eleita Presidente Dilma Roussef já
tem importantes desafios políticos e econômicos à sua espera. Ela terá de tomar
decisões severas e consistentes para enfrentar as
crescentes vulnerabilidades do atual cenário nacional. Se isso não ocorrer rapidamente, continuaremos a perder consistência macroeconômica; e
assim, haverá maior risco de debilitar as condições
e motivações para estimular um novo ciclo de expansão da economia. Alguns temas são prioridades
de política econômica:
Inflação elevada – Sem moeda estável e forte
fica difícil orientar a economia para o médio e longo
prazos, dificultando mais rápida e mais intensa volta de investimento e consumo;
Crescimento baixo – Crescimento reduzido e retomada imprevisível significa risco importante para
geração de renda, ampliação do emprego e fortalecimento das vendas em toda a cadeia econômica;
PIB potencial reduzido – É mais difícil estimular a
retomada da economia quando esta cresce pouco. Em
situações de baixo crescimento e queda da confiança
empresarial e individual ocorre um efeito paralisante
adicional decorrente da baixa propensão a investir;
Gasto e endividamento em patamar indesejado
– Com perda significativa da geração de superávit
fiscal fica cada vez mais difícil evitar o crescimento
da dívida pública. Ao mesmo tempo em que se enfraquece a capacidade de o Estado fazer frente a seus
gastos comuns e inibe qualquer ação anticíclica;
Setorialmente, na falta de escala, a economia
enfraquece em cadeia – Operar em menor escala
significa menor capacidade de absorver custos fixos
(lembre-se da regra básica de finanças do “ponto de
66 financeiro novembro 2014
equilíbrio” ou “break even point”), culminando em prejuízo (financeiro) e perda patrimonial (econômica);
Setor externo com saldos em queda e aumento
de vulnerabilidade – Com os custos elevados e a
concorrência predatória dos bens importados finais
e inclusive insumos, a economia perde geração de
divisas, “forçando” o Banco Central a “queimar reservas”. Pior, na busca de fontes de financiamento
para estimular um ciclo de expansão haverá necessidade de utilizar empréstimos internacionais a
custo mais elevado;
Indexadores financeiros (inflação, taxa de juros
e taxa de câmbio) em desarmonia – Com reajustes
de tarifas de preços públicos represados, taxa de
juros elevada e incerta para o futuro, e câmbio valorizado, que agora experimenta correção (em função
da aversão ao risco nos mercados internacionais), a
tomada de decisão fica mais difícil e os riscos mais
elevados. Para funcionar com maior determinação
e consistência, os preços-chave aqui indicados não
podem ficar sem uma parametrização mínima, ou
seja, têm de estar mais alinhados ao real contexto
macroeconômico, sob pena de estimular apenas a
tomada de decisão de arbitragem financeira (risco de oportunidade de curto prazo) sem permitir
o alongamento da curva de expectativas e consequente estímulo ao investimento e à produção no
médio e longo prazos.
Qual a opção de economia política será melhor?
Nenhuma e todas. É sempre bom lembrar que não
há escolhas fáceis em economia, pois os recursos
são escassos. Portanto, a forma de fazer e a velocidade de implementação das escolhas é que poderá
fazer e fará toda a diferença. f
Artigo enviado em 12/11/2014
Foto: Mário Bock
Desafios
econômicos
2015 – 2018
SEGURANÇA PARA
O CONSUMIDOR
FINANCIAR
E AGILIDADE PARA O
EDUARDO COLHER
RESULTADOS.
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financiamento de veículos fica mais acessível, beneficiando o
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