ESTADO DE SANTA CATARINA SECRETARIA DE ESTADO DE TURISMO, CULTURA E ESPORTE CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA ATA (07/2015) DA SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DO CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA, REALIZADA NO DIA TREZE DE JULHO DE DOIS MIL E QUINZE, NA SALA DE REUNIÕES DO CEC, NO CENTRO INTEGRADO DE CULTURA, EM FLORIANÓPOLIS. 1 – Por convocação da Presidente, Roselaine Barboza Vinhas, a partir das treze horas e trinta minutos do dia treze de julho de dois mil e quinze, realizou-se a primeira sessão extraordinária do mandato 2015-17 do Conselho Estadual de Cultura, na sala de reuniões do CEC, no CIC, com a presença dos(as) senhores(as) conselheiros(as), cujas assinaturas constam no livro de presenças. 2 – A ordem do dia previa: (a) Reunião das câmaras temáticas; (b) Discussão e validação dos pareceres das câmaras; (c) Edital Elisabete Anderle 2015; (d) Alteração do duodécimo e seu impacto na criação do curso de Dança na UDESC; (e) Situação do Colégio Aristiliano Ramos (Lages). 3 - Às treze horas e trinta e cinco minutos, a presidente, Roselaine Vinhas, abriu a Plenária. 4 - A Presidente submeteu à votação a ata da sessão do dia 7 de julho, que foi aprovada. 5 – Expedientes: as ausências da conselheira Susana Bianchini Simon, Camila P. Miotto, Valéria de Oliveira e Maria T. Debatin foram justificadas. 6 - Comunicações da presidência: A presidente informou que a reunião (marcada para antes da reunião do CEC) com o secretário, Filipe Mello, e a diretora do PDIL, Simone Vieira, foi cancelada e pré-agendada para esta terça. Em relação ao Fórum de Gestores Municipais de Cultura / 2016 (a ser realizado em Chapecó), sugeriu que a reunião itinerante do CEC naquela cidade seja realizada no âmbito do Fórum. Argumentou que isso minimiza custos, otimiza a visibilidade do Conselho, facilita a articulação e permite maior permeabilidade junto aos setores artístico-culturais. Com o aval do CEC, disse que discutirá o assunto na reunião do Congesc (Conselho Gestores Municipais de Cultura) desta terça. Todos concordaram com a sugestão. 7 Reunião das câmaras temáticas: às 14h as câmaras reuniram-se para análise de projetos cadastrados no Funcultural/Sigef. Em razão de a câmara de artes cênicas ser a única com número par de membros, a conselheira Roselaine Vinhas passou a integrá-la, visando ao aumento da possibilidade de quorum. 8 - Discussão e validação dos pareceres das câmaras: a presidente solicitou aos conselheiros que sugeriram mudanças no Seitec, que o fizessem na próxima sessão, quando a matéria estará em pauta. Os detalhes dos projetos analisados seguem no anexo I. O conselheiro Luiz Carlos Laus de Souza declarou seu impedimento em analisar e votar o processo Turnê Associação Coral de Florianópolis 55 anos. Após a votação dos pareceres, o conselheiro Laus teve de deixar a reunião. 9 - Edital Elisabete Anderle 2015: a presidente lembrou que a diretora do PDIL sinalizou que o CEC pode começar a tratar do edital, mas sem uma COA (Comissão de Organização e Acompanhamento) instituída. Disse que se faz necessária a remuneração da COA, para que ela não se esvazie e o trabalho seja prejudicado. 10 - O conselheiro Deivison M. Garcia lembrou que a elaboração de editais pelo CEC é prevista no art. 27 do decreto 1309/12; disse que, depois de elaborado, é preciso convencer a esfera governamental de sua aprovação pelo Comitê Gestor do Funcultural. 11 - A conselheira Cristiane P. Ugolini observou que se deve deixar claro se é a COA a responsável pela elaboração do edital, pois alguns culparam o CEC pela demora do lançamento do edital. Acha que deve haver uma posição oficial do governo autorizando o CEC a fazê-lo. 12 - O conselheiro Carlos A. Franzoi disse que o problema relatado pela conselheira Cristiane derivou do fato de o decreto proposto pelo Conselho não ter sido aprovado, pois o regulamento elaborado pelo colegiado baseava-se nele. Afirmou que o CEC deve estabelecer as diretrizes do edital. 13 - A conselheira Suzane A. Araújo propôs que o colegiado comece a trabalhar a partir do relatório final do edital 2014, caso contrário, ocorrerá a mesma situação do ano passado. Disse que a presidente deve sensibilizar o governo a editar um novo decreto. 14 - O conselheiro Franzoi observou que o envio de minutas é ineficaz; é necessário articular-se com o secretário, entregar o documento em mãos e justificar as alterações pretendidas. 15 - A conselheira Cristiane sugeriu uma conversa com técnicos do TCE sobre editais. 16 - A presidente questionou o colegiado sobre como proceder com a evidência de que o governo não pagará dois editais no mesmo ano. Sugeriu, por fim, que após sua reunião na SOL, tracem-se estratégias para o Elisabete Anderle 2015. 17 - Alteração do duodécimo e seu impacto na criação do curso de Dança na UDESC: a matéria não foi discutida em razão de a presidência da ALESC ter retirado a proposta de votação. O conselheiro Deivison (quem solicitou a inclusão do assunto na pauta) disse que elaborará uma minuta sobre o tema e o apresentará na próxima reunião. 18 - Situação do Colégio Aristiliano Ramos: a conselheira Suzane observou que o CEC já havia se manifestado em favor da preservação do colégio; em seguida, leu texto sobre sua situação (anexo II). 19 - O conselheiro Eduardo Paredes exortou o Conselho a se posicionar novamente em relação à matéria. Disse que se deve dar nome e rosto às pessoas que querem o fim do imóvel. 20 - Integrante do Instituto Histórico e Geográfico de Lages, a conselheira Lélia Pereira da S. Nunes relatou que defendeu o imóvel em reunião da entidade. Disse que o IHG/Lages e o Conselho Municipal de Política Cultura de Lages (CMPC) são contrários ao tombamento do colégio. Sugeriu que, para se fazer presente, o CEC faça visitas ao patrimônio tombado do Estado. 21 - A conselheira Maria T. Piccoli disse que a presença do CEC deve ser mais forte. Sugeriu que uma comissão do Conselho vá ao Conselho de Cultura de Lages, à Fundação de Cultura, para uma conversa. 22 - A conselheira Suzane observou que a FCC criou uma Comissão (Comissão de Emissão de Pareceres Técnicos da Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural) para desqualificar o bem edificado. 23 - A conselheira Cristiane propôs o seguinte encaminhamento: o rastreamento dos documentos que pedem e justificam o tombamento do colégio; e a solicitação do parecer da Comissão da FCC sobre o assunto. Aprovado. 24 - O conselheiro Paredes propôs o seguinte encaminhamento: posicionamento do CEC, com base no texto lido pela conselheira Suzane, em defesa do colégio a ser enviado ao governador, SOL, FCC, IHG/Lages, CMPC/Lages e Fundação Cultural de Lages. Aprovado. 25 - Assuntos Gerais: o conselheiro Paredes foi eleito suplente do conselheiro Deivison no Comitê Gestor do Funcultural. 26 - O conselheiro Jaime Telles disse que o Conselho pode, no caso do colégio de Lages, dar um exemplo ao Brasil; e informou que protocolou, na ALESC, solicitação de providência visando a alterações no Hino do Estado de SC. Devido ao adiantado da hora, a presidente solicitou sua compreensão para abordar o assunto na próxima sessão. 27 - A conselheira Maria T. Piccoli solicitou fosse enviado ofício cumprimentando o município de Rio do Sul pela atuação na área da cultura. Introduziu a situação complicada da cultura em Criciúma, mas a presidente solicitou sua compreensão para abordar o assunto na próxima sessão. 28 - O conselheiro Franzoi convidou todos para a exposição O céu é o limite? (no Solar do Barão, em Curitiba, a partir do dia 16/07). 29 - A conselheira Lélia lamentou o desrespeito ao maior poeta catarinense, devido ao estado em que se encontra o Memorial Cruz e Sousa, que será pauta na próxima sessão; informou que o presidente da ACL acha importante que o CEC esteja junto nas comemorações aos 150 anos do nascimento de José Boiteux; e cumprimentou o acadêmico e conselheiro Amilcar Neves pela excelente palestra As dificuldades da ficção: censura pela via judicial. 30 - O conselheiro Acyr O. de Oliveira registrou: que Mauricio Fernandes Pereira assumiu a IOESC com a promessa de investir em livros infantis de autores catarinenses; o número recorde de coreografias recebidas pelo Prêmio Desterro; a 3ª semana do rock catarinense, na Escadaria do Rosário, em Florianópolis; a apresentação do Boi de Mamão, no Campeche, pela Ass. Folclórica Boi de Mamão; o lançamento do novo livro do escritor Mário Prata, Os mortos não mentem; convidou para a Feira da Freguesia no centro histórico de São José, neste fim de semana; e lembrou que hoje é dia mundial do rock. 31 - O conselheiro Deivison solicitou fosse enviado ofício parabenizando a criação da Associação das Ligas das Escolas de Samba de Santa Catarina; pediu fosse enviado pedido de informações ao SATED/SC sobre quantos e quais artistas e técnicos em espetáculos de diversões do Estado de Santa Catarina estão devidamente sindicalizados e possuem número de registro na Delegacia Regional do Trabalho (DRT); e solicitou envio de recomendação à SOL que informe a este Conselho a relação dos projetos que considera prioritários e especiais, para que sejam analisados e apoiados pelo colegiado quanto sua inserção na Lei Orçamentária Anual (LOA), conforme estabelece o inciso XXI do art. 2º do Decreto 1.309/2012. 32 - A presidente sugeriu convidar o prefeito de Chapecó, José Caramori, para falar ao colegiado sobre a importância político-administrativa de uma secretaria exclusiva de cultura, o que foi aceito por todos. 33 - Encerrou-se a reunião às dezenove horas e vinte minutos. A lavratura da ata, depois de lida e aprovada, será assinada pela Presidente, Roselaine Vinhas, e por mim, Secretário convocado, Marcondes Marchetti. Roselaine Barboza Vinhas Presidente Marcondes Marchetti Secretário Convocado ANEXO I Câmara de Artes Cênicas Projeto Proponente II Festival itinerante de teatro Ass. Teatro Sim Município Nova Veneza, Brusque, São Bento do Sul, Joaçaba, Maravilha Valor Solicitado Situação R$ 150.000,00 Aprovado com restrições SC em dança Ass. De pais e prof. Da cia. De dança Fabíula Morgana Salete R$ 262.382,81 Aprovado com restrições 33 Festival de Dança de Joinville Instituto Festival de Dança de Joinville Joinville R$ 1.499.985,81 Aprovado Proponente Município Valor Solicitado Situação Município de Salto Veloso Salto Veloso Câmara de Artes Plásticas Projeto Grafite também é arte R$ 6.580,00 Reprovado Câmara de Patrimônio Cultural Projeto 17 Evento culturas de religiosidades afrobrasileiras Proponente Município Sociedade beneficente cultural africana Ilê de Xangô Fpolis Valor Solicitado R$ 47.454,61 Situação Reprovado Câmara de Folclore e Artesanato Projeto XIII FestItália e I Feira de Artesanato da Agricultura Familiar Proponente Ass. Trevisani nel mondo Município Valor Solicitado Situação Aprovado com Palma Sola R$ 50.000,00 restrições Câmara de Música Projeto Festival Música na Serra 2015 Proponente Instituto José Paschoal Baggio Orquestra de cordas da ilha Município Valor Solicitado Lages R$ 471.714,96 Paulo Roberto de Oliveira Matos Fpolis R$ 79.948,00 Turnê ACF 55 anos Ass. Coral de Florianópolis Fpolis R$ 212.972,49 Orquestra de Blumenau em SC Academia de cordas Blumenau R$ 249.853,65 Situação Reprovado Aprovado com restrições Aprovado com restrições Aprovado com restrições Câmara de Letras Projeto Os bemóis movem os sóis Proponente Maria Helena Bazzo FLINEVE 2015 Município de Urubici Município Valor Solicitado Situação Capinzal R$ 121.228,00 Urubici R$ 213.000,00 Reprovado Aprovado com restrições Câmara Especial Projeto Programa de formação e qualificação cultural Cante, dance e toque com a gente Proponente Município de Presidente Nereu Município de Presidente Castelo Branco Município Presidente Nereu Presidente Castelo Branco Valor Solicitado Situação Aprovado com R$ 23.000,00 restrições Aprovado com R$ 26.036,30 restrições ANEXO II - COLÉGIO ARISTILIANO RAMOS 1 – Breve justificativa: O Colégio Aristiliano Ramos foi construído em 1936 para abrigar a primeira Escola Normal pública e laica do interior do Estado de SC e que a época rivalizou com a Escola Normal que já existia na capital do estado. Estas escolas eram responsáveis pela formação dos professores para o ensino público. A configuração do edifício é o resultado do movimento Escola Nova que se iniciou nos anos 1930 e que propunha a construção de prédios escolares mais baratos e funcionais. Assim, o valor patrimonial do Colégio Aristiliano Ramos está na sua arquitetura simples e funcional, já que o ideal era, ao invés de destinar recursos vultosos na decoração e embelezamento do edifício, aplicar recursos no melhoramento e na disseminação da educação no Estado de SC. Caracteriza-se como contraponto a arquitetura suntuosa dos edifícios das primeiras escolas públicas da República, como o edifício do Colégio Vidal Ramos, cuja monumentalidade terminou por simbolizar a elitização da educação. O Colégio Aristiliano Ramos representa o marco histórico da importância da cidade de Lages na modernização do ensino no Estado de Santa Catarina. 2 – Deliberações do CEC acerca do Colégio: O CEC na gestão anterior se manifestou duas vezes pela proteção do Colégio Aristiliano Ramos (2013 e 2014), baseado na inequívoca importância histórica e cultural deste bem patrimonial, justificada por parecer técnico da DPPC. Segundo a Lei Estadual nº 14.367 de 25 de janeiro de 2008, compete ao CEC, entre outros, “emitir pareceres sobre a proteção do patrimônio cultural do Estado” (art. 6º, inciso VII). Lembrando ainda, o caráter consultivo e deliberativo deste Conselho. É grave o fato de uma Comissão da FCC, modificar reiterados pareceres técnicos, elaborados por técnicos especializados, que embasam e justificam a importância histórica e cultural do Colégio Aristiliano Ramos. Sobretudo porque neste caso, salvo melhor juízo, o parecer resultante e que desqualifica o Colégio, é assinado apenas por pessoas que detém cargos de confiança, sem a inclusão de servidores de carreira especializados, ou seja, concursados e efetivos. Lembrar que o parecer técnico anterior foi objeto de endosso deste Conselho, que deliberou pelo tombamento estadual do Colégio. Enfatizar que a FCC não deu seguimento ao rito processual de tombamento e mais sério ainda, alterou a decisão anterior, ignorando as deliberações deste Conselho. Ressaltar que a Constituição Federal no seu art. 216 § 1º estabelece que “o Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.” Portanto, é dever do Estado proteger os bens patrimoniais com relevância e expressividade, como é o caso do Colégio. É dever constitucional. Lembrar que o Colégio é de propriedade do Estado de Santa Catarina, portanto dos seus cidadãos. Que preservá-lo significa garantir a memória da modernização da educação em Santa Catarina, materializada no seu edifício, o primeiro do gênero no interior do estado. Que o Estado, através das suas ações precisa dar o exemplo: de proteger e tombar os imóveis de sua propriedade, quando revestidos de significado. Trata-se de uma política pública de Estado e não de governo.