Revista Brasileira de Arqueometria, Restauração e Conservação - ARC - Vol. 3 - Edição Especial
Curso de Introdução a Conservação e Restauro de Acervos Documentais - CICRAD - Trabalhos de fim de Curso
Copyright © 2011 AERPA Editora
Convênio AERPA - CFDD do Ministério da Justiça - no 748319/2010
SE OS MUSEUS E AS ARTES FORAM CRIADOS PELA COMUNIDADE E PARA AS
COMUNIDADES, POR QUE TAMANHA RESISTÊNCIA EM CONHECÊ-LOS OU VISITÁ-LOS?
Laura Teixeira de Oliveira
Formada em Artes Visuais pela Universidade de Uberlândia e Fundação de Arte de Ouro Preto
Introdução
Este tema se formou partindo de uma experiência
pessoal e de relatos informais realizados por pessoas tanto
da arte como fora dela. Relatos estes que falam sobre a
importância que a arte possui e mesmo assim as
dificuldades que se encontram ao se tentar viver dela. O
texto foi realizado através de pesquisas sobre os temas:
museu e arte além de entrevistas com pessoas da área
museológica na cidade de Uberlândia. Algumas das
informações coletadas podem ser aplicadas a qualquer
instituição independente do lugar que se encontre, pois são
acontecimentos que podem ocorrer tanto numa cidade do
interior como em uma capital.
Métodos e Materiais:
Como este artigo trata sobre a importância dos museus e
das artes plásticas/visuais especificamente, começaremos
pela definição do que sejam os museus. Já a arte é mais
difícil de ser definida; ela possui um significado mais
subjetivo e mesmo sabendo que ela exista não chegamos
até hoje a um consenso no qual podemos identificá-la.
A palavra ressurgiu na Europa dos séculos XIV e XV,
com as coleções em que os príncipes faziam para
demonstrar a um determinado grupo o seu poder e também
com as descobertas advindas dos novos continentes, ricos
em objetos e animais exóticos para os europeus. Este
mundo desconhecido foi “recriado” nos chamados
gabinetes de curiosidades, alguns já chamavam de museus,
gerando grandes coleções privadas usadas para pesquisas.
Passado o entusiasmo inicial, foi sentida a necessidade de
se selecionar o conteúdo destas coleções e seguir critérios
mais específicos de exibições e cuidados.
Somente a partir do final do século XVIII, que os
museus se tornaram verdadeiramente públicos e desde
então passam a ser e ter o significado atual. O museu hoje é
definido como uma entidade jurídica, aberta ao público e a
serviço da sociedade e seu desenvolvimento que deve
apresentar qualquer uma das ou as características abaixo:
1.
2.
Significado dos museus:
Museu: A palavra em seu sentido original tem origem
na Grécia e significa templo das musas. Segundo Leticia
Julião, em seu texto “Apontamentos sobre a História do
Museu”(1) no qual foi usado como referência, o local não
nos dava de imediato a idéia de coleções tal qual a
conhecemos hoje Este sentido é mais contemporâneo
embora traga em sua essência a memória, a arte e a ciência.
3.
4.
Trabalhar o patrimônio e suas formas de
expressões.
Possuir acervo e exposições que propiciem
algum benefício cultural e/ou intelectual a
sociedade e oportunidade de lazer.
Educação patrimonial, turística e integração
social.
Promoção da dignidade social e com acesso
democrático.
O site do Instituto Brasileiro de Museus o IBRAM (2)
resume o que foi falado acima de uma maneira poética e
agradável:
Museus são casas que guardam e apresentam
sonhos, sentimentos, pensamentos e intuições que
ganham corpo através de imagens, cores, sons e
formas. Os museus são pontes, portas e janelas que
ligam e desligam mundos, tempos, culturas e pessoas
diferentes. Os museus são conceitos e práticas em
metamorfose.
Fig.1 Museu Universitário de Arte (MUna) pertencente à
Universidade Federal de Uberlândia
Tipo de Obra: Contemporânea
Quando pensamos nestas casas que guardam “sonhos”
temos a impressão de que elas apenas possuem o papel de
guardar objetos. Não imaginamos que ao mesmo tempo
existe o apagamento de parte de uma memória. Isso
acontece porque os museus precisam de um critério para
escolher os objetos que se enquadram ao seu acervo e o
motivo é simples: a inviabilidade de guardar tudo e com
isso nem todos os objetos que existem, vão ser ou são
adquiridos pelos museus. “Por isso qualquer acervo terá
sempre um caráter problemático e incomodo.” (Renato
Palumbo Dória) (3)
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chamada para trabalhar em museus e que alguns deles não
faziam o seu gosto artístico por isso passou a pesquisar
melhor sobre aquele determinado estilo, pois tinha que lutar
por eles e isso fez com que ela aceitasse e conhecesse
melhor o universo pelo qual ela defendia. Ela foi a criadora
da virada cultural que no inicio havia apresentações
artísticas e que foram retiradas porque a musica atraia mais
público que as artes.
Fig.2 Museu Municipal de Uberlândia
Tipo de Obra: Acervo histórico sobre a cidade
Observação: Este museu está localizado bem no centro
histórico da cidade. É um prédio tombado e não possui
nenhuma identificação permanente falando sobre a
instituição no local. A construção é conhecida por ter sido a
antiga prefeitura da cidade.
Sobre as Artes em Geral
Quanto às artes, elas são classificadas em sete tipos:
pintura, música, dança, escultura, literatura, teatro e
cinema. Destas sete, se escolhermos a área musical e área
cinematográfica como exemplo, todos nós, desde cedo,
temos acesso a elas de alguma forma e com isso acabamos
sentindo que estas artes fazem parte de nós. Este costume
nos torna mais abertos e convidados a assistir tanto a uma
apresentação musical ou ir a cinema. No entanto, se nos
voltarmos para o campo das artes plásticas e dos museus a
situação é outra. A visão geralmente passada, é de que a
arte se resume em fazer desenhos e pinturas ou que nos
museus encontramos apenas velharias (o que já gera e é
uma visão preconceituosa). Isso acontece porque não fomos
educados para aprendermos a ler imagens, observar
verdadeiramente as formas dos objetos e a importância que
eles possuem. Sendo assim, não sabemos que por traz da
arte existe toda uma pesquisa de materiais, análise de
imagens ou então não é percebido que as artes e os museus
são a retratação e a manifestação do nosso próprio tempo
ou de um tempo que já foi atual. Preservá-los nos ajuda a
conhecer tanto outras culturas como a nós mesmos evitando
o seu desaparecimento físico e ou em nossa memória destes
objetos.
As artes visuais possuem tantas formas e meios de
expressão que até o próprio pessoal da área tais como:
estudantes, professores e indivíduos que trabalham em
instituições museais/artística (secretários, seguranças) se
questionam sobre determinados universos que lhes causam
estranhamento sejam eles um objeto histórico ou da arte
contemporânea, artesanal, decorativa, etc., sem falar na
antiga discussão sobre o que é arte e artesanato; divisão esta
que começou no Império Romano e perdura até hoje. Esta
resistência foi comprovada quando a palestrante Inês
Raphaelian que é formada em artes e trabalha na área de
cultura em São Paulo disse que por ser do ramo sempre foi
Fig.3 Douglas de Paula, Panópticos
Tipo de arte: Eletrônica
Sobre este estranhamento existente no âmbito da arte
contemporânea Cacilda Costa que é doutora em artes pela
Universidade de São Paulo e especialista em arte moderna e
contemporânea consegue explicar bem em seu texto para a
Folha de São Paulo: “Caminho das Pedras: A arte da
proximidade” (4) (...) o que faz a arte contemporânea tão
"difícil"? Justamente o que ela tem de mais simples: a
proximidade com nosso tempo. (...) Por outro lado, se a
apreciação é prejudicada, é nas obras contemporâneas que
a relação entre vida e arte é mais forte.
Fig.4 João H. L. Agreli, Exposição Tônicos Milagrosos
Técnica: Vinil sobre a parede
Já quanto às outras artes, este estranhamento pode
possuir vários motivos, possivelmente pode acontecer pela
falta de alguma forma de conhecimento, falta de afetação
entre o objeto – visitante ou a não relação criada entre
museu x arte x expectador, ou seja, a pessoa não se sente
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integrada aquele ambiente por este não ser um habito tão
comum a ela ou da cultura daquele lugar e que pode ser
agravado quando um professor pede para os alunos
entrevistarem instituições sem que eles próprios conheçam
o local. Com isso, acabam transformando uma atividade
escolar educativa em um martírio e em uma forma errônea
de despertar possíveis interesses artísticos.
Outra possibilidade é que quando os alunos de arte vão
para a faculdade eles acabam sendo influenciados pelo
modo de pensar da instituição e por não terem
conhecimento sobre as varias outras linguagens, quando
vêem algo diferente do que estão habituados acabam se
perguntando: _ Mas isso é arte?
Fig.6 Escultura de metal de um anjo ou santo.
Arte Publica localizada atrás da Igreja do Rosário;
centro da cidade.
Fig.5 Claudio Tozzi, Geometria do Tempo.
Tinta acrílica sobre tela colocada em MDF – 80x80 cm
E ainda porque o objeto muda de significado se ele esta
numa loja, em uma casa ou em uma galeria/museu. Nos
dois primeiros lugares, o objeto tem utilidade e pode ser
tocado, já no ambiente museal e no ambiente artístico ele
acaba perdendo seu valor utilitário e se torna o centro das
atrações, ganhando até um certo status fazendo com que as
pessoas se perguntem o porquê de um utensílio estar lá ou
ser considerado arte.
Quanto às duvidas sobre o porquê desta resistência das
pessoas em visitarem museus, algumas pistas foram dadas
ao pesquisar sobre o assunto em uma famosa empresa da
internet; elas foram encontradas em uma enquete realizada
no Yahoo responde. Lá, um dos usuários colocou a seguinte
pergunta para ser respondida pelos próprios usuários:
Arte e sociedade: Por que as pessoas se afastam dos
teatros, museus e salas de concertos?
(5) Com isso, varias respostas se formaram e as
melhores escolhidas pelos usuários e foram respondidas
pelos participantes Davidson, M@ycon, João Borges e
Fethxa que estão no texto logo abaixo da figura 6.
Observação: Como são usuários e eles podem criar o
nome que quiserem fica difícil de descobrir seus nomes
verdadeiros então foi usado aqui os apelidos dados por ele
próprios.
Na opinião de Davidson “querer o povão dentro do
teatro ou museu já não é concebível”, pois é como foi
falado no inicio do texto, a televisão é muito mais acessível
as pessoas e ainda completa que nossa cultura tornou-se
estereotipada pois é muito mais cômodo sair para ver a
beleza das pessoas ou assistir uma novela do que do que ir
ao museu ou a uma peça teatral. Que é necessário investir
em determinadas formas de lazer e divulgá-las para que as
pessoas se proponham a visitá-las;
Já para M@ycon sua visão é de que o problema é
econômico. “O brasileiro prefere assistir TV a ver uma
peça de teatro pelo simples fato de que um ingresso de uma
boa peça não sai por menos de R$ 30,00 ou R$ 40,00” sem
contar nos gastos extras que ocorrem paralelos aos eventos;
os museus que geralmente são pagos dificultando aos
professores de levarem seus alunos e nós brasileiros temos
que pagar muitos impostos e tentar sobreviver com o pouco
de salário que se ganha e que para a maioria é menos que o
mínimo. Como Davidson, M@ycon também fala sobre a
questão de investimento e incentivo aos eventos culturais.
O usuário João Borges diz que a arte não é acessível a
todos, mas pode ser agravada por causa que nós brasileiros
não temos essa cultura artística e de certa forma somos
acomodados. Seu comentário final é que “a associação do
brasileiro a arte é a de perda de tempo “pra que ir ao teatro
se posso ver TV?"”.
Já Fethxa critica o alto custo dos eventos culturais no
Brasil fazendo ao mesmo tempo um comentário e a
seguinte pergunta: “entre pagar aluguel ou comprar
alimentos e gastar com teatro, museu, livros, concertos, o
que você acha que a população vai escolher?”
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Questões bem provocativas foram colocadas na
discussão a cima e problemas delicados foram
mencionados.
Fig.7 Claudio Tozzi, Modulo Lunar
Serigrafia sobre papel 65 x 110 cm, 1970
Ainda sobre o museu o texto “Museu e Comunidade”(6)
escrito pela Profª. Dra. Maria Célia T. Moura Santos ilustra
bem essa relação conflituosa entre as instituições e seus
visitante tanto que ela inicia seu texto dizendo que tratar
sobre isso é complicado pois o assunto acabou se
desgastando ao mesmo tempo que é preciso discuti-lo. Ela
ainda fala que a pratica não chegou próxima a teoria a que o
museu se propõe, e ainda é agravado pelos problemas
enfrentados pelas gestões e organizações museológicas não
havendo um objetivo concreto demonstrando falhas por
parte do museu que não consegue acompanhar o
desenvolvimento social, as dificuldades para trabalhar com
determinados grupos da sociedade (exclusão de uma frase).
Pensar sobre o papel no qual o museu deve ter junto a
sociedade vai se tornando cada vez mais complicado pois a
todo momento esta sociedade vai se diferenciando de
acordo com o seu contexto e com os segmentos.
Em 1971 viu que era necessário reavaliar e renovar as
idéias, as propostas e as metas dos museus. Neste momento
foi decidido que estes locais deviam ter uma maior
participação diante da sociedade fazendo com que as
pessoas se identificassem com sua própria identidade
cultural. Ele devia ser atuante nos questionamentos e
dificuldades da sociedade e no local em que estava
inserido:
(...) É importante compreender que esta comunidade,
em sua estrutura, em suas relações, estabelece uma
abertura com o mundo, modificando desejos, sonhos,
expectativas e as formas de exercer a sua cidadania.
Pesquisa, preservação e comunicação, em interação,
questionadas e problematizadas, deverão ser, pois, os
vetores no sentido de se produzir conhecimento (...) (7)
Ao realizar uma entrevista no dia 02/06/2011 com as
profissionais que trabalham no Museu Municipal de
Uberlândia foi constatado vários pontos discutidos durante
o texto. A conversa aconteceu tanto no anexo do museu; a
reserva técnica como na própria instituição resultando no
texto abaixo:
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Pessoas entrevistadas: Olímpia Isabel Magnino
Marquez (Técnica em restauro do museu com formação
em Artes Plásticas)
Marília de Paula Freire Borges (Técnica em restauro
do museu com formação em Artes Plásticas).
Vânia Rende Candelot (Pesquisadora do museu com
formação em História)
Regina Ribeiro (técnica em assuntos culturais com
formação em História)
Trabalhar em um museu pode ser um trabalho solitário,
quando se trata do único museu do gênero na cidade e seu
tamanho impossibilita a exposição de todo o acervo que ele
possui e no qual existe a expectativa de quem doou, de quer
ver seus objetos expostos.
Por ser um museu do cotidiano ele pode receber
doações de qualquer pessoa. Os objetos doados passam por
uma avaliação para ver qual foi a importância e o
pertencimento que este objeto teve para sua época. Todo o
conteúdo de um museu fornece uma informação, pois conta
uma historia ate mais rica que um documento, pois eles são
a prova viva de sua existência e a expressão de um povo.
Sobre os museus, mesmo sendo abertos ao publico, as
pessoas acham que estas instituições continuam fechadas
ou selecionam seus visitantes e associam o lugar como um
local de objetos raros que pertenceram ou pertence a
pessoas de renome e que ambos devem possuir um alto
valor. Este pensamento é comprovado no livro Cultura
Popular e Educação (8) elaborado pelo MEC e a TV
Escola dizendo que no Brasil muitas pessoas têm em mente
que a cultura ou “alta cultura” pertence e é feita apenas para
a minoria ou para quem possui muito dinheiro, daí a
resistência em visitar estes locais.
Já se pessoas ditas importantes visitam o museu e não se
vêem representadas no local se sentem ofendidas e
consequentemente menosprezam a instituição por acharem
no direito.
Quando as exposições demoram a ser renovadas, seus
organizadores sofrem pressão tanto de quem trabalha no
local quanto dos visitantes que não entendem que para
realizar uma exposição é necessário toda uma pesquisa
sobre a montagem e objetos, catalogação dos mesmos, ou
seja, exige uma mobilização e gastos durante o processo.
Outro problema enfrentado é que nos órgãos públicos,
geralmente a administração museal não é composta por
pessoas da área então se torna necessário uma
sensibilização da equipe quanto a rotina da instituição
quando acontece a renovação do pessoal.
Em relação a visitação destas instituições, existe uma
comodidade ou uma falta de tempo por quem vive nas
cidades que possuem museus. Quem geralmente os visita é
porque possui algum interesse na área, ou esta a fazer um
trabalho, ou ainda porque estava passando e teve
curiosidade de conhecer. Quando a visita acontece, ocorre
uma descoberta que pode deixar as pessoas impressionadas
ou indiferentes ao que é visto. Percebe-se que são as
pessoas mais humildes que geralmente visitam o museu,
pois eles identificam com a cozinha rústica, de fogão a
lenha e taipa como as cozinhas de antigamente que ainda
estão presentes na região. Muitos museus estão localizados
nos centros ou em locais de alta circulação, porém a
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quantidade de pessoas que os visitam é mínima mesmo se
este fica aberto aos fins de semana.
Na cidade, a instituição pesquisada é uma das mais
visitadas segundo os entrevistados. Ela recebe
aproximadamente entre 100 a 120 visitas dia. Em sua
entrada possui um caderno de visitas no qual ele é usado
para monitorar e realizar pesquisas sobre o publico que
freqüenta e qual deles precisa ser atingido (mesmo assim o
registro é aproximado, pois algumas pessoas preferem não
assinar ou colocar os dados que se pede).
Todo mês, as visitas são contabilizadas e divididas pelas
seguintes categorias: Faixa etária, escolaridade, sexo.
Partindo destes dados é que programas são organizados.
No museu pesquisado, há um exemplo interessante e
necessário para sua divulgação. O museu possui banners
que trazem fotos e informações dos objetos nele
representados (sejam estes pertencentes ao acervo ou a
própria exposição) para serem mostrados em escolas e em
universidades. Outro projeto também interessante e com
mesmo intuito é chamado De mala e cuia e sua descrição é
apresentada abaixo:
De Mala e Cuia
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professor para levá-los. E mesmo com todo este aparato
ainda o museu assim como sua grande maioria tenta
sobreviver com os recursos que possui e recebe para poder
levar cultura a toda a sociedade.
A mala contém jogos sobre cultura, jogo da memória,
quebra cabeça e dominó relacionados a peças do acervo,
cartilhas, DVDs de animação, CD com imagem e textos de
apoio, inventario cultural. Sem falar das 16 peças originais
do acervo, dentre elas a cuia, forma de fazer sapato, ferro
de passar roupa a carvão, espora, recipiente para carregar
liquido feito com chifre de vaca, fechadura com chave de
ferro, entre outros.
Resultados
O resultado obtido pela pesquisa foi bastante
interessante, pois foram conseguidas informações valiosas
sobre o assunto e que podem ser usadas como forma
aprimorar e mais pessoas ao museu. Foi percebido também
que da mesma maneira que existem pessoas receosas em
relação a arte muitas outras fazem questão de visitá-los ou
de acompanhar alguém e é super importante que quem
trabalha em instituições artísticas devem estar atentas aos
comentários e impressões dos visitantes, como foi
observado durante uma das visitas no museu para realizar a
pesquisa deste trabalho. No caso foram duas situações (uma
seguida da outra) a primeira vinda de uma criança e a
segunda de uma senhora que levava seu pai para visitar o
museu. Na primeira situação:
a menina de
aproximadamente 8 a 10 anos, no momento em que estava
indo embora, espontaneamente comentou:
“_ Este lugar é muito legal.”
Na segunda situação uma senhora levou seu pai para
conhecer o museu e ao entrar no local exclamou com muito
orgulho:
“_Vim trazer o meu pai para conhecer o Nosso museu,
ele não mora aqui...”
Fig.8 Mala do projeto “Mala e Cuia”
O projeto Mala e Cuia (9) foi criado pelo museu para
que os professores possam ensinar e mostrar aos seus
alunos o nosso patrimônio regional de uma maneira
diferente e divertida.
Basta ele solicitar que a mala “viaja” as escolas e
através de jogos e peças do museu, os alunos aprendem
brincando.
Este projeto propicia que o museu eduque não somente
no seu local físico expandindo suas atividades também para
as escolas e outros ambientes e assim cumprindo seu papel
na educação e na divulgação do patrimônio respondendo
aos seus usuários sobre suas próprias raízes, valorizando
seu passado e seu presente proporcionando novos olhares
para o futuro.
Mais uma mala pretende ser montada, pois geralmente
ela fica em torno de 15 dias na escola.
A prefeitura também possui um ônibus próprio para
levar as crianças aos museus porem tem que haver todo um
cuidado com estes pequenos e a disponibilidade de um
e apresentou-lhe com muito prazer cada pedacinho do
local.
O exemplo de que as pessoas se interessam pela arte foi
comprovado com a vinda das obras “Guerra e Paz” para o
Brasil e as filas formadas durante o horário de visitação. O
publico percebeu que eram trabalhos de um brasileiro, era
acessível a elas e que estes trabalhos retornariam para o
exterior sendo assim aquela uma oportunidade única de
serem vistas e de se ter um contato mais próximo com
trabalhos tão importantes
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pessoas que uma visita a um museu pode ser tão divertida
quanto sair com os amigos ou ver TV. Isso se consegue
evitando realizar comentários depreciativos ou impor algum
ponto de vista, pois dessa maneira conseguiremos apenas
transformar a arte em algo não tão agradável quanto se
deseja. A apreciação artística deve ser feita naturalmente a
fim de que quando a apercebemos, ela já se tornou parte do
nosso dia-a-dia.
Palavras chaves
Museu, arte, público, visitação, estranhamento.
Fig.9 Exibição dos painéis “Guerra e Paz” de Portinari no
museu Municipal do Rio de Janeiro
Outro bom exemplo é o de turistas que quando vão
conhecer outras cidades, eles querem registrar e visitar tudo
que seja novo, pois eles estão abertos e dispostos a
aproveitar a viagem.
Por outro lado, deve haver uma maneira de algumas
instituições quebrarem seu isolamento e adquirir meios de
cativar o público para que ele se sinta motivado a fazer
parte do ambiente artístico e museal.
Conclusão
O que se conclui é que a arte não deve ser idealizada
e/ou ser vista como algo distante do cotidiano digna apenas
da elite ou de uma pessoa culta. Ela precisa fazer parte de
todos nós no seu sentido mais amplo. Sendo assim é
percebida a importância da divulgação visual dos museus e
dos seus conteúdos para que eles sirvam de atrativos aos
visitantes.
A visão de que artesanato não é arte ou que exista uma
arte melhor que a outra também deve ser desmistificada; ou
seja; todas são de igual importância para todos, o que vai
variar é o modo de ser produzida e a função na qual ira
ocupar. Este olhar em relação a arte e as instituições
museais precisa ser visto de maneira lúdica, mostrando as
Referências
(1) JULIAO, Letícia. Apontamentos sobre a História do
Museu. Fonte: IBRAM
www.museus.gov.br/sbm/downloads/cadernodediretrizes_s
egundaparte.pdf
(2) Os museus. Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM):
http://www.museus.gov.br/museu/
(3) MUnA:Um acervo em exposição/organizadores:
Luciene Lehmkuhl e Renato Palumbo Doria – Uberlândia:
EDUFU, 210
(4) COSTA, Cacilda Teixeira da. Caminho das Pedras: A
arte da proximidade. Texto cedido a Folha on-line. Fonte:
www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u9333.shtml
(5) Arte e Sociedade. Fonte: Yahoo Responde link
http://br.answers.yahoo.com/
question/index?qid=20100726182845AAt88Op
(6) SANTOS, Maria Célia T. Moura. MUSEU E
COMUNIDADE: uma relação necessária. Fonte: REM
(Rede de educadores de Museu)
www.rem.org.br/download/MUSEU_E_COMUNIDADE_
2.pdf
(7) idem
(8) 1 Cultura popular. 2 Cultura e Educação. I Silva, René
Marc da Costa. Brasilia: Ministerio da Educação, Secretaria
de Educação a Distancia, 2008.
(9) Folder sobre o Museu Municipal de Uberlândia e o
Projeto “De Mala e Cuia” realizado pelo museu.
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