Revista Brasileira de Arqueometria, Restauração e Conservação - ARC - Vol. 3 - Edição Especial Curso de Introdução a Conservação e Restauro de Acervos Documentais - CICRAD - Trabalhos de fim de Curso Copyright © 2011 AERPA Editora Convênio AERPA - CFDD do Ministério da Justiça - no 748319/2010 SE OS MUSEUS E AS ARTES FORAM CRIADOS PELA COMUNIDADE E PARA AS COMUNIDADES, POR QUE TAMANHA RESISTÊNCIA EM CONHECÊ-LOS OU VISITÁ-LOS? Laura Teixeira de Oliveira Formada em Artes Visuais pela Universidade de Uberlândia e Fundação de Arte de Ouro Preto Introdução Este tema se formou partindo de uma experiência pessoal e de relatos informais realizados por pessoas tanto da arte como fora dela. Relatos estes que falam sobre a importância que a arte possui e mesmo assim as dificuldades que se encontram ao se tentar viver dela. O texto foi realizado através de pesquisas sobre os temas: museu e arte além de entrevistas com pessoas da área museológica na cidade de Uberlândia. Algumas das informações coletadas podem ser aplicadas a qualquer instituição independente do lugar que se encontre, pois são acontecimentos que podem ocorrer tanto numa cidade do interior como em uma capital. Métodos e Materiais: Como este artigo trata sobre a importância dos museus e das artes plásticas/visuais especificamente, começaremos pela definição do que sejam os museus. Já a arte é mais difícil de ser definida; ela possui um significado mais subjetivo e mesmo sabendo que ela exista não chegamos até hoje a um consenso no qual podemos identificá-la. A palavra ressurgiu na Europa dos séculos XIV e XV, com as coleções em que os príncipes faziam para demonstrar a um determinado grupo o seu poder e também com as descobertas advindas dos novos continentes, ricos em objetos e animais exóticos para os europeus. Este mundo desconhecido foi “recriado” nos chamados gabinetes de curiosidades, alguns já chamavam de museus, gerando grandes coleções privadas usadas para pesquisas. Passado o entusiasmo inicial, foi sentida a necessidade de se selecionar o conteúdo destas coleções e seguir critérios mais específicos de exibições e cuidados. Somente a partir do final do século XVIII, que os museus se tornaram verdadeiramente públicos e desde então passam a ser e ter o significado atual. O museu hoje é definido como uma entidade jurídica, aberta ao público e a serviço da sociedade e seu desenvolvimento que deve apresentar qualquer uma das ou as características abaixo: 1. 2. Significado dos museus: Museu: A palavra em seu sentido original tem origem na Grécia e significa templo das musas. Segundo Leticia Julião, em seu texto “Apontamentos sobre a História do Museu”(1) no qual foi usado como referência, o local não nos dava de imediato a idéia de coleções tal qual a conhecemos hoje Este sentido é mais contemporâneo embora traga em sua essência a memória, a arte e a ciência. 3. 4. Trabalhar o patrimônio e suas formas de expressões. Possuir acervo e exposições que propiciem algum benefício cultural e/ou intelectual a sociedade e oportunidade de lazer. Educação patrimonial, turística e integração social. Promoção da dignidade social e com acesso democrático. O site do Instituto Brasileiro de Museus o IBRAM (2) resume o que foi falado acima de uma maneira poética e agradável: Museus são casas que guardam e apresentam sonhos, sentimentos, pensamentos e intuições que ganham corpo através de imagens, cores, sons e formas. Os museus são pontes, portas e janelas que ligam e desligam mundos, tempos, culturas e pessoas diferentes. Os museus são conceitos e práticas em metamorfose. Fig.1 Museu Universitário de Arte (MUna) pertencente à Universidade Federal de Uberlândia Tipo de Obra: Contemporânea Quando pensamos nestas casas que guardam “sonhos” temos a impressão de que elas apenas possuem o papel de guardar objetos. Não imaginamos que ao mesmo tempo existe o apagamento de parte de uma memória. Isso acontece porque os museus precisam de um critério para escolher os objetos que se enquadram ao seu acervo e o motivo é simples: a inviabilidade de guardar tudo e com isso nem todos os objetos que existem, vão ser ou são adquiridos pelos museus. “Por isso qualquer acervo terá sempre um caráter problemático e incomodo.” (Renato Palumbo Dória) (3) Revista Brasileira de Arqueometria, Restauração e Conservação - ARC - Vol. 3 - Edição Especial Curso de Introdução a Conservação e Restauro de Acervos Documentais - CICRAD - Trabalhos de fim de Curso Copyright © 2011 AERPA Editora Convênio AERPA - CFDD do Ministério da Justiça - no 748319/2010 chamada para trabalhar em museus e que alguns deles não faziam o seu gosto artístico por isso passou a pesquisar melhor sobre aquele determinado estilo, pois tinha que lutar por eles e isso fez com que ela aceitasse e conhecesse melhor o universo pelo qual ela defendia. Ela foi a criadora da virada cultural que no inicio havia apresentações artísticas e que foram retiradas porque a musica atraia mais público que as artes. Fig.2 Museu Municipal de Uberlândia Tipo de Obra: Acervo histórico sobre a cidade Observação: Este museu está localizado bem no centro histórico da cidade. É um prédio tombado e não possui nenhuma identificação permanente falando sobre a instituição no local. A construção é conhecida por ter sido a antiga prefeitura da cidade. Sobre as Artes em Geral Quanto às artes, elas são classificadas em sete tipos: pintura, música, dança, escultura, literatura, teatro e cinema. Destas sete, se escolhermos a área musical e área cinematográfica como exemplo, todos nós, desde cedo, temos acesso a elas de alguma forma e com isso acabamos sentindo que estas artes fazem parte de nós. Este costume nos torna mais abertos e convidados a assistir tanto a uma apresentação musical ou ir a cinema. No entanto, se nos voltarmos para o campo das artes plásticas e dos museus a situação é outra. A visão geralmente passada, é de que a arte se resume em fazer desenhos e pinturas ou que nos museus encontramos apenas velharias (o que já gera e é uma visão preconceituosa). Isso acontece porque não fomos educados para aprendermos a ler imagens, observar verdadeiramente as formas dos objetos e a importância que eles possuem. Sendo assim, não sabemos que por traz da arte existe toda uma pesquisa de materiais, análise de imagens ou então não é percebido que as artes e os museus são a retratação e a manifestação do nosso próprio tempo ou de um tempo que já foi atual. Preservá-los nos ajuda a conhecer tanto outras culturas como a nós mesmos evitando o seu desaparecimento físico e ou em nossa memória destes objetos. As artes visuais possuem tantas formas e meios de expressão que até o próprio pessoal da área tais como: estudantes, professores e indivíduos que trabalham em instituições museais/artística (secretários, seguranças) se questionam sobre determinados universos que lhes causam estranhamento sejam eles um objeto histórico ou da arte contemporânea, artesanal, decorativa, etc., sem falar na antiga discussão sobre o que é arte e artesanato; divisão esta que começou no Império Romano e perdura até hoje. Esta resistência foi comprovada quando a palestrante Inês Raphaelian que é formada em artes e trabalha na área de cultura em São Paulo disse que por ser do ramo sempre foi Fig.3 Douglas de Paula, Panópticos Tipo de arte: Eletrônica Sobre este estranhamento existente no âmbito da arte contemporânea Cacilda Costa que é doutora em artes pela Universidade de São Paulo e especialista em arte moderna e contemporânea consegue explicar bem em seu texto para a Folha de São Paulo: “Caminho das Pedras: A arte da proximidade” (4) (...) o que faz a arte contemporânea tão "difícil"? Justamente o que ela tem de mais simples: a proximidade com nosso tempo. (...) Por outro lado, se a apreciação é prejudicada, é nas obras contemporâneas que a relação entre vida e arte é mais forte. Fig.4 João H. L. Agreli, Exposição Tônicos Milagrosos Técnica: Vinil sobre a parede Já quanto às outras artes, este estranhamento pode possuir vários motivos, possivelmente pode acontecer pela falta de alguma forma de conhecimento, falta de afetação entre o objeto – visitante ou a não relação criada entre museu x arte x expectador, ou seja, a pessoa não se sente Revista Brasileira de Arqueometria, Restauração e Conservação - ARC - Vol. 3 - Edição Especial Curso de Introdução a Conservação e Restauro de Acervos Documentais - CICRAD - Trabalhos de fim de Curso Copyright © 2011 AERPA Editora Convênio AERPA - CFDD do Ministério da Justiça - no 748319/2010 integrada aquele ambiente por este não ser um habito tão comum a ela ou da cultura daquele lugar e que pode ser agravado quando um professor pede para os alunos entrevistarem instituições sem que eles próprios conheçam o local. Com isso, acabam transformando uma atividade escolar educativa em um martírio e em uma forma errônea de despertar possíveis interesses artísticos. Outra possibilidade é que quando os alunos de arte vão para a faculdade eles acabam sendo influenciados pelo modo de pensar da instituição e por não terem conhecimento sobre as varias outras linguagens, quando vêem algo diferente do que estão habituados acabam se perguntando: _ Mas isso é arte? Fig.6 Escultura de metal de um anjo ou santo. Arte Publica localizada atrás da Igreja do Rosário; centro da cidade. Fig.5 Claudio Tozzi, Geometria do Tempo. Tinta acrílica sobre tela colocada em MDF – 80x80 cm E ainda porque o objeto muda de significado se ele esta numa loja, em uma casa ou em uma galeria/museu. Nos dois primeiros lugares, o objeto tem utilidade e pode ser tocado, já no ambiente museal e no ambiente artístico ele acaba perdendo seu valor utilitário e se torna o centro das atrações, ganhando até um certo status fazendo com que as pessoas se perguntem o porquê de um utensílio estar lá ou ser considerado arte. Quanto às duvidas sobre o porquê desta resistência das pessoas em visitarem museus, algumas pistas foram dadas ao pesquisar sobre o assunto em uma famosa empresa da internet; elas foram encontradas em uma enquete realizada no Yahoo responde. Lá, um dos usuários colocou a seguinte pergunta para ser respondida pelos próprios usuários: Arte e sociedade: Por que as pessoas se afastam dos teatros, museus e salas de concertos? (5) Com isso, varias respostas se formaram e as melhores escolhidas pelos usuários e foram respondidas pelos participantes Davidson, M@ycon, João Borges e Fethxa que estão no texto logo abaixo da figura 6. Observação: Como são usuários e eles podem criar o nome que quiserem fica difícil de descobrir seus nomes verdadeiros então foi usado aqui os apelidos dados por ele próprios. Na opinião de Davidson “querer o povão dentro do teatro ou museu já não é concebível”, pois é como foi falado no inicio do texto, a televisão é muito mais acessível as pessoas e ainda completa que nossa cultura tornou-se estereotipada pois é muito mais cômodo sair para ver a beleza das pessoas ou assistir uma novela do que do que ir ao museu ou a uma peça teatral. Que é necessário investir em determinadas formas de lazer e divulgá-las para que as pessoas se proponham a visitá-las; Já para M@ycon sua visão é de que o problema é econômico. “O brasileiro prefere assistir TV a ver uma peça de teatro pelo simples fato de que um ingresso de uma boa peça não sai por menos de R$ 30,00 ou R$ 40,00” sem contar nos gastos extras que ocorrem paralelos aos eventos; os museus que geralmente são pagos dificultando aos professores de levarem seus alunos e nós brasileiros temos que pagar muitos impostos e tentar sobreviver com o pouco de salário que se ganha e que para a maioria é menos que o mínimo. Como Davidson, M@ycon também fala sobre a questão de investimento e incentivo aos eventos culturais. O usuário João Borges diz que a arte não é acessível a todos, mas pode ser agravada por causa que nós brasileiros não temos essa cultura artística e de certa forma somos acomodados. Seu comentário final é que “a associação do brasileiro a arte é a de perda de tempo “pra que ir ao teatro se posso ver TV?"”. Já Fethxa critica o alto custo dos eventos culturais no Brasil fazendo ao mesmo tempo um comentário e a seguinte pergunta: “entre pagar aluguel ou comprar alimentos e gastar com teatro, museu, livros, concertos, o que você acha que a população vai escolher?” Revista Brasileira de Arqueometria, Restauração e Conservação - ARC - Vol. 3 - Edição Especial Curso de Introdução a Conservação e Restauro de Acervos Documentais - CICRAD - Trabalhos de fim de Curso Questões bem provocativas foram colocadas na discussão a cima e problemas delicados foram mencionados. Fig.7 Claudio Tozzi, Modulo Lunar Serigrafia sobre papel 65 x 110 cm, 1970 Ainda sobre o museu o texto “Museu e Comunidade”(6) escrito pela Profª. Dra. Maria Célia T. Moura Santos ilustra bem essa relação conflituosa entre as instituições e seus visitante tanto que ela inicia seu texto dizendo que tratar sobre isso é complicado pois o assunto acabou se desgastando ao mesmo tempo que é preciso discuti-lo. Ela ainda fala que a pratica não chegou próxima a teoria a que o museu se propõe, e ainda é agravado pelos problemas enfrentados pelas gestões e organizações museológicas não havendo um objetivo concreto demonstrando falhas por parte do museu que não consegue acompanhar o desenvolvimento social, as dificuldades para trabalhar com determinados grupos da sociedade (exclusão de uma frase). Pensar sobre o papel no qual o museu deve ter junto a sociedade vai se tornando cada vez mais complicado pois a todo momento esta sociedade vai se diferenciando de acordo com o seu contexto e com os segmentos. Em 1971 viu que era necessário reavaliar e renovar as idéias, as propostas e as metas dos museus. Neste momento foi decidido que estes locais deviam ter uma maior participação diante da sociedade fazendo com que as pessoas se identificassem com sua própria identidade cultural. Ele devia ser atuante nos questionamentos e dificuldades da sociedade e no local em que estava inserido: (...) É importante compreender que esta comunidade, em sua estrutura, em suas relações, estabelece uma abertura com o mundo, modificando desejos, sonhos, expectativas e as formas de exercer a sua cidadania. Pesquisa, preservação e comunicação, em interação, questionadas e problematizadas, deverão ser, pois, os vetores no sentido de se produzir conhecimento (...) (7) Ao realizar uma entrevista no dia 02/06/2011 com as profissionais que trabalham no Museu Municipal de Uberlândia foi constatado vários pontos discutidos durante o texto. A conversa aconteceu tanto no anexo do museu; a reserva técnica como na própria instituição resultando no texto abaixo: Copyright © 2011 AERPA Editora Convênio AERPA - CFDD do Ministério da Justiça - no 748319/2010 Pessoas entrevistadas: Olímpia Isabel Magnino Marquez (Técnica em restauro do museu com formação em Artes Plásticas) Marília de Paula Freire Borges (Técnica em restauro do museu com formação em Artes Plásticas). Vânia Rende Candelot (Pesquisadora do museu com formação em História) Regina Ribeiro (técnica em assuntos culturais com formação em História) Trabalhar em um museu pode ser um trabalho solitário, quando se trata do único museu do gênero na cidade e seu tamanho impossibilita a exposição de todo o acervo que ele possui e no qual existe a expectativa de quem doou, de quer ver seus objetos expostos. Por ser um museu do cotidiano ele pode receber doações de qualquer pessoa. Os objetos doados passam por uma avaliação para ver qual foi a importância e o pertencimento que este objeto teve para sua época. Todo o conteúdo de um museu fornece uma informação, pois conta uma historia ate mais rica que um documento, pois eles são a prova viva de sua existência e a expressão de um povo. Sobre os museus, mesmo sendo abertos ao publico, as pessoas acham que estas instituições continuam fechadas ou selecionam seus visitantes e associam o lugar como um local de objetos raros que pertenceram ou pertence a pessoas de renome e que ambos devem possuir um alto valor. Este pensamento é comprovado no livro Cultura Popular e Educação (8) elaborado pelo MEC e a TV Escola dizendo que no Brasil muitas pessoas têm em mente que a cultura ou “alta cultura” pertence e é feita apenas para a minoria ou para quem possui muito dinheiro, daí a resistência em visitar estes locais. Já se pessoas ditas importantes visitam o museu e não se vêem representadas no local se sentem ofendidas e consequentemente menosprezam a instituição por acharem no direito. Quando as exposições demoram a ser renovadas, seus organizadores sofrem pressão tanto de quem trabalha no local quanto dos visitantes que não entendem que para realizar uma exposição é necessário toda uma pesquisa sobre a montagem e objetos, catalogação dos mesmos, ou seja, exige uma mobilização e gastos durante o processo. Outro problema enfrentado é que nos órgãos públicos, geralmente a administração museal não é composta por pessoas da área então se torna necessário uma sensibilização da equipe quanto a rotina da instituição quando acontece a renovação do pessoal. Em relação a visitação destas instituições, existe uma comodidade ou uma falta de tempo por quem vive nas cidades que possuem museus. Quem geralmente os visita é porque possui algum interesse na área, ou esta a fazer um trabalho, ou ainda porque estava passando e teve curiosidade de conhecer. Quando a visita acontece, ocorre uma descoberta que pode deixar as pessoas impressionadas ou indiferentes ao que é visto. Percebe-se que são as pessoas mais humildes que geralmente visitam o museu, pois eles identificam com a cozinha rústica, de fogão a lenha e taipa como as cozinhas de antigamente que ainda estão presentes na região. Muitos museus estão localizados nos centros ou em locais de alta circulação, porém a Revista Brasileira de Arqueometria, Restauração e Conservação - ARC - Vol. 3 - Edição Especial Curso de Introdução a Conservação e Restauro de Acervos Documentais - CICRAD - Trabalhos de fim de Curso quantidade de pessoas que os visitam é mínima mesmo se este fica aberto aos fins de semana. Na cidade, a instituição pesquisada é uma das mais visitadas segundo os entrevistados. Ela recebe aproximadamente entre 100 a 120 visitas dia. Em sua entrada possui um caderno de visitas no qual ele é usado para monitorar e realizar pesquisas sobre o publico que freqüenta e qual deles precisa ser atingido (mesmo assim o registro é aproximado, pois algumas pessoas preferem não assinar ou colocar os dados que se pede). Todo mês, as visitas são contabilizadas e divididas pelas seguintes categorias: Faixa etária, escolaridade, sexo. Partindo destes dados é que programas são organizados. No museu pesquisado, há um exemplo interessante e necessário para sua divulgação. O museu possui banners que trazem fotos e informações dos objetos nele representados (sejam estes pertencentes ao acervo ou a própria exposição) para serem mostrados em escolas e em universidades. Outro projeto também interessante e com mesmo intuito é chamado De mala e cuia e sua descrição é apresentada abaixo: De Mala e Cuia Copyright © 2011 AERPA Editora Convênio AERPA - CFDD do Ministério da Justiça - no 748319/2010 professor para levá-los. E mesmo com todo este aparato ainda o museu assim como sua grande maioria tenta sobreviver com os recursos que possui e recebe para poder levar cultura a toda a sociedade. A mala contém jogos sobre cultura, jogo da memória, quebra cabeça e dominó relacionados a peças do acervo, cartilhas, DVDs de animação, CD com imagem e textos de apoio, inventario cultural. Sem falar das 16 peças originais do acervo, dentre elas a cuia, forma de fazer sapato, ferro de passar roupa a carvão, espora, recipiente para carregar liquido feito com chifre de vaca, fechadura com chave de ferro, entre outros. Resultados O resultado obtido pela pesquisa foi bastante interessante, pois foram conseguidas informações valiosas sobre o assunto e que podem ser usadas como forma aprimorar e mais pessoas ao museu. Foi percebido também que da mesma maneira que existem pessoas receosas em relação a arte muitas outras fazem questão de visitá-los ou de acompanhar alguém e é super importante que quem trabalha em instituições artísticas devem estar atentas aos comentários e impressões dos visitantes, como foi observado durante uma das visitas no museu para realizar a pesquisa deste trabalho. No caso foram duas situações (uma seguida da outra) a primeira vinda de uma criança e a segunda de uma senhora que levava seu pai para visitar o museu. Na primeira situação: a menina de aproximadamente 8 a 10 anos, no momento em que estava indo embora, espontaneamente comentou: “_ Este lugar é muito legal.” Na segunda situação uma senhora levou seu pai para conhecer o museu e ao entrar no local exclamou com muito orgulho: “_Vim trazer o meu pai para conhecer o Nosso museu, ele não mora aqui...” Fig.8 Mala do projeto “Mala e Cuia” O projeto Mala e Cuia (9) foi criado pelo museu para que os professores possam ensinar e mostrar aos seus alunos o nosso patrimônio regional de uma maneira diferente e divertida. Basta ele solicitar que a mala “viaja” as escolas e através de jogos e peças do museu, os alunos aprendem brincando. Este projeto propicia que o museu eduque não somente no seu local físico expandindo suas atividades também para as escolas e outros ambientes e assim cumprindo seu papel na educação e na divulgação do patrimônio respondendo aos seus usuários sobre suas próprias raízes, valorizando seu passado e seu presente proporcionando novos olhares para o futuro. Mais uma mala pretende ser montada, pois geralmente ela fica em torno de 15 dias na escola. A prefeitura também possui um ônibus próprio para levar as crianças aos museus porem tem que haver todo um cuidado com estes pequenos e a disponibilidade de um e apresentou-lhe com muito prazer cada pedacinho do local. O exemplo de que as pessoas se interessam pela arte foi comprovado com a vinda das obras “Guerra e Paz” para o Brasil e as filas formadas durante o horário de visitação. O publico percebeu que eram trabalhos de um brasileiro, era acessível a elas e que estes trabalhos retornariam para o exterior sendo assim aquela uma oportunidade única de serem vistas e de se ter um contato mais próximo com trabalhos tão importantes Revista Brasileira de Arqueometria, Restauração e Conservação - ARC - Vol. 3 - Edição Especial Curso de Introdução a Conservação e Restauro de Acervos Documentais - CICRAD - Trabalhos de fim de Curso Copyright © 2011 AERPA Editora Convênio AERPA - CFDD do Ministério da Justiça - no 748319/2010 pessoas que uma visita a um museu pode ser tão divertida quanto sair com os amigos ou ver TV. Isso se consegue evitando realizar comentários depreciativos ou impor algum ponto de vista, pois dessa maneira conseguiremos apenas transformar a arte em algo não tão agradável quanto se deseja. A apreciação artística deve ser feita naturalmente a fim de que quando a apercebemos, ela já se tornou parte do nosso dia-a-dia. Palavras chaves Museu, arte, público, visitação, estranhamento. Fig.9 Exibição dos painéis “Guerra e Paz” de Portinari no museu Municipal do Rio de Janeiro Outro bom exemplo é o de turistas que quando vão conhecer outras cidades, eles querem registrar e visitar tudo que seja novo, pois eles estão abertos e dispostos a aproveitar a viagem. Por outro lado, deve haver uma maneira de algumas instituições quebrarem seu isolamento e adquirir meios de cativar o público para que ele se sinta motivado a fazer parte do ambiente artístico e museal. Conclusão O que se conclui é que a arte não deve ser idealizada e/ou ser vista como algo distante do cotidiano digna apenas da elite ou de uma pessoa culta. Ela precisa fazer parte de todos nós no seu sentido mais amplo. Sendo assim é percebida a importância da divulgação visual dos museus e dos seus conteúdos para que eles sirvam de atrativos aos visitantes. A visão de que artesanato não é arte ou que exista uma arte melhor que a outra também deve ser desmistificada; ou seja; todas são de igual importância para todos, o que vai variar é o modo de ser produzida e a função na qual ira ocupar. Este olhar em relação a arte e as instituições museais precisa ser visto de maneira lúdica, mostrando as Referências (1) JULIAO, Letícia. Apontamentos sobre a História do Museu. Fonte: IBRAM www.museus.gov.br/sbm/downloads/cadernodediretrizes_s egundaparte.pdf (2) Os museus. Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM): http://www.museus.gov.br/museu/ (3) MUnA:Um acervo em exposição/organizadores: Luciene Lehmkuhl e Renato Palumbo Doria – Uberlândia: EDUFU, 210 (4) COSTA, Cacilda Teixeira da. Caminho das Pedras: A arte da proximidade. Texto cedido a Folha on-line. Fonte: www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u9333.shtml (5) Arte e Sociedade. Fonte: Yahoo Responde link http://br.answers.yahoo.com/ question/index?qid=20100726182845AAt88Op (6) SANTOS, Maria Célia T. Moura. MUSEU E COMUNIDADE: uma relação necessária. Fonte: REM (Rede de educadores de Museu) www.rem.org.br/download/MUSEU_E_COMUNIDADE_ 2.pdf (7) idem (8) 1 Cultura popular. 2 Cultura e Educação. I Silva, René Marc da Costa. Brasilia: Ministerio da Educação, Secretaria de Educação a Distancia, 2008. (9) Folder sobre o Museu Municipal de Uberlândia e o Projeto “De Mala e Cuia” realizado pelo museu. Email da Autora [email protected] [email protected]