389 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS * SURGICAL SOLUTIONS FOR THE TREATMENT OF ATROPHIC MAXILLAE BONE GRAFTS AND ZYGOMATIC IMPLANTS LITERATURE REVIEW AND CLINICAL CASE PRESENTATION Gustavo Lopes TOLEDO ** Marcia Andrea ASTUDILLO SILVA *** Marcos Mauricio CAPELARI **** Clóvis MARZOLA ***** João Lopes TOLEDO-FILHO ****** Claudio Maldonado PASTORI ******* _____________________________ * Monografia apresentada como requisito parcial da Disciplina de Metodologia de Ensino e Pesquisa pra obtenção do Título de Especialista em Cirurgia e Traumatologia BMF promovido pela Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas – Regional de Bauru em 2010. ** Professor do Curso de Especialização e Residência da APCD Regional de Bauru e do Hospital de Base da Associação Hospitalar de Bauru e orientador da monografia. *** Especializando, Concluinte do Curso em Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial e autor da Monografia. **** Professor do Curso de Especialização e Residência da APCD Regional de Bauru e do Hospital de Base da Associação Hospitalar de Bauru e orientador adjunto da monografia. ***** Professor Titular de Cirurgia aposentado da FOB-USP de Bauru e Professor do Curso de Especialização e Residência da APCD Regional de Bauru e do Hospital de Base da Associação Hospitalar de Bauru. ****** Professor Titular de Anatomia da FOB-USP de Bauru e Professor do Curso de Especialização e Residência da APCD Regional de Bauru e do Hospital de Base da Associação Hospitalar de Bauru. ******* Professor do Curso de Especialização e Residência da APCD Regional de Bauru e do Hospital de Base da Associação Hospitalar de Bauru. 390 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS RESUMO Desde a época de Hipócrates, na Grécia antiga, o osso foi reconhecido por ter considerável potencial para regeneração e reparo. Enxertos ósseos já eram usados nas mais diversas formas de reparo, tais como fraturas, artroses, preenchimento de defeitos causados por lesões císticas ou por tumor. No início do século XX, o uso da implantodontia é observado com finalidade restauradora da função do sistema estomatognático. Para reabilitar a maxila atrófica com prótese implanto-suportadas são necessários procedimentos mais complexos para criar o volume ósseo necessário para instalação dos implantes. Para tanto se têm desenvolvido diferentes técnicas, dentre essas, a elevação do seio maxilar, utilização de enxertos ósseos autógenos e instalação de implantes no osso zigomático. ABSTRACT From the time of Hippocrates, in old Greece, the bone was recognized by having considerable potential for regeneration and repair. Bone grafts were already used in the most several repair forms, such as fractures, artroses, filling defects caused by cystic lesions or ablation by tumor. To the Begin of the century XX, the use of the implants is observed with restorating purpose of the function of the estomatognatic system. To rehabilitate the atrophic jawbone with implant supported prostheses are necessary more complete procedures to create the necessary bone volume for installation of the implants. For so much have been developing different techniques, among these, the elevation of the maxillary sinus, use of autogenous bone grafts and installation of implants in the zygomatic bone. Unitermos: Maxila atrófica, enxerto de osso autógeno, levantamento de seio, implante zigomático. Uniterms: Atrophic maxilla, Autogenous bone graft, sinus lift, zygomatic implant. INTRODUÇÃO Para as reabilitações da maxila o implantodontista tem ao seu dispor inúmeras alternativas, bem como variadas técnicas cirúrgicas, que vão desde uma simples reabilitação com prótese fixa, até seu restabelecimento com enxertos ósseos e, posteriormente, instalação de implantes osteointegrados (NARY- FILHO; PADOVAN, 2008). 391 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Na odontologia moderna, a falta de osso nos rebordos alveolares tem sido um grande problema na recuperação estético-funcional dos pacientes que tenham sofrido traumatismos dentoalveolares, extrações dentárias traumáticas, ausência dentária congênita, patologias que envolvam maxila e mandíbula, além de infecções, sendo esta falta de osso uma das limitações para a reabilitação com implantes, por apresentar um volume ósseo inadequado para a estabilidade inicial (MARZOLA, 2008). Para solucionar esses problemas, os enxertos ósseos podem ser utilizados no preenchimento de lacunas (inlay), na recuperação de rebordos (onlay) ou até mesmo como material de preenchimento complementar dos implantes dentários (MASTER, 1988 e GARBIN; GARBIN, 1994). A falta de volume ósseo pode acarretar ainda um mau posicionamento dos implantes devido à instalação na angulação inadequada. Esta, por sua vez, comprometerá a estética, originará problemas para higienização e poderá levar a perda dos implantes (MARZOLA, 2008). A instalação de implantes zigomáticos pode ser um procedimento seguro, eficaz e menos invasivo que as cirurgias reconstrutivas com enxertos ósseos, representando, assim, mais uma alternativa para o restabelecimento da condição mastigatória funcional e estética dos pacientes com atrofias maxilares (NARY-FILHO; PADOVAN, 2008 e BLOCK; HAGGERTY; FISBER, 2009). Portanto, o presente trabalho propôs-se uma revista da literatura, as indicações, contra-indicações, vantagens e desvantagens de duas técnicas cirúrgicas para reabilitações de maxilas atróficas, a reconstrução com enxertos ósseos autógenos e a utilização de fixação zigomática, ou mesmo a interação das técnicas. Além de apresentação de casos clínicos de ambas as técnicas. REVISTA DA LITERATURA CONSIDERAÇÕES MICROSCÓPICAS A estrutura óssea pode ser classificada em relação a sua densidade em osso cortical (compacto) e medular (trabecular), uma vez que as características histológicas são as mesmas. O osso cortical, ou lamelar, é constituído por uma estrutura contínua densa, compacta, caracterizada por pouca atividade metabólica. Já o osso medular, reticular ou esponjoso, tem a função de receber cargas e responder rapidamente as necessidades fisiológicas (SALIM, 2006). Os fenômenos histológicos que ocorrem na reconstrução das maxilas atróficas são vários, tais como a osteogênese, que é a formação e desenvolvimento de tecido ósseo a partir de células viáveis, e a osteoindução, que é o processo que inicia a osteogênese através de células originariamente não envolvidas na formação óssea (MARZOLA, 2002). A osteoindução é um processo dinâmico de formação óssea que envolve diferenciação e alterações celulares (exemplo é a estimulação de células mesenquimais indiferenciadas para tornarem-se condroblastos e osteoblastos). Alguns fatores, como as proteínas ósseas morfogenéticas (BMPs), estão envolvidos nesse mecanismo (GARBIN; 392 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS GARBIN, 1994). Já a osteocondução ocorre quando uma matriz física serve de arcabouço para formação de um novo osso, sendo representada pela habilidade do enxerto em permitir a invasão vascular e celular proveniente da área receptora (MARZOLA, 2002). Um material é considerado osteocondutor quando sua estrutura e composição química facilitam nova formação óssea a partir de osso preexistente (MAGINI, 2006). Diversos tipos de enxertos têm sido utilizados em cirurgias reconstrutivas, e são classificados de acordo com sua origem em: 1. Enxerto autógeno ou autólogo, quando são do mesmo individuo normalmente de alguma parte do próprio corpo. Os ossos mais utilizados em cirurgia bucomaxilofacial para reconstruções totais de maxila atrófica são: da calota craniana, da costela e do ilíaco (ADELL, 1990; SALIM, 2006 e MARZOLA, 2008). 2. Enxerto homólogo ou aloenxerto, obtidos de indivíduos da mesma espécie. É uma fonte potencial de antígenos, apesar de serem geneticamente semelhantes ao receptor. Sua antigenicidade è geralmente reduzida pelo processo de liofilização (desidratação e congelamento). Não fornecem células viáveis, no entanto acredita-se que contenham elementos osteoindutores que irão estimular o pluripotencial de diferenciação do receptor em células osteoprogenitoras (MARZOLA, 2008). 3. Enxerto xenógeno ou heterógeno, obtidos de espécies diferentes. A fonte mais comum é o osso bovino, tratado com algum solvente orgânico. Durante esse processo, muito da imunogenicidade é removida (MARZOLA, 2008 e DALAPICULA; CONZ, 2008). 4. Enxerto aloplásticos ou xeloplástico (sintéticos), quando os materiais são confeccionados com substâncias inorgânicas ou materiais diferentes dos tecidos orgânicos do corpo, mas que são biocompatíveis (DALAPICULA; CONZ, 2008). CONSIDERAÕES ANATÓMICAS A Maxila A maxila é um osso par, curto, com forma irregular (quadrilátera) e encontra-se no centro da face. Este osso articula-se com os ossos frontal, lacrimais, nasais, conchas nasais inferiores, vômer, esfenóide, etmóide, palatinos e zigomáticos. Ela está constituída por um corpo, pelos processos frontal, zigomático, palatino e alveolar (SICHER; DUBRUL, 1991 e ROSENBAUER; ENGELHARDT; KOCH et al., 2001). O corpo da maxila apresenta as faces orbital, nasal, infratemporal e anterior. No interior dela encontra-se uma cavidade pneumática, revestida de epitélio respiratório ciliado, denominada seio maxilar (ROSENBAUER; ENGELHARDT; KOCH et al., 2001). Suas dimensões médias são 35 x 35 mm na base, altura de 25 mm e volume de 15 cm3 (NAVARRO, 1997; MAGINI, 2006 e MARZOLA, 2008). Normalmente, os seios maxilares se estendem dos segundos molares aos primeiros pré-molares superiores. Apesar de estar confinado no osso da maxila, em pacientes idosos desdentados o seio maxilar pode se estender para o osso palatino e zigomático (MAGINI, 2006). 393 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Com a perda dos elementos dentais, os estímulos que mantêm o osso alveolar desaparecem dando início a um processo degenerativo. Primeiramente, ocorre o estreitamento da largura da crista óssea e, conseqüentemente, a diminuição do trabeculado e, em seguida, a diminuição da altura da crista (MARZOLA, 2005 e ZOSKY, 2006). A densidade óssea da região posterior da maxila diminui rapidamente com a idade e, em média, é a menos densa dentre todas as regiões dos maxilares (Fig.1) (MISCH, 2000). Fig. 1 - Classificação dos maxilares em relação à qualidade óssea. Fonte - Imagem gentilmente cedida por Dr. Gustavo Lopes Toledo. A reabsorção vertical da maxila é, em média, quatro vezes maior que a da mandíbula. Na maxila estima-se uma média anual de reabsorção óssea vertical de 0,1 mm após perdas dentárias. A atrofia é mais pronunciada no primeiro ano após a exodontia e torna-se menos intensa nos anos subseqüentes. A reabsorção horizontal, em ambos os arcos, inicia-se na superfície vestibular e progride em direção lingual e palatina (MAGINI, 2006). Durante o processo de reabsorção do processo alveolar é comum verificar-se quantidade óssea insuficiente (espessura e/ou altura) para a instalação de implantes osseointegrados na região anterior da maxila, ao passo que na região posterior frequentemente encontra-se espessura óssea adequada e altura insuficiente (MAGINI, 2006). Os rebordos alveolares maxilares foram classificados, baseados em cortes realizados aleatoriamente numa amostra de 300 crânios secos, servindo para simplificação da descrição dos rebordos alveolares edêntulos, além de selecionar o melhor método cirúrgico-protético (CAWOOD; HOWELL, 1988 e MARZOLA, 2002): 1. Classe I: rebordo dentado, manutenção das dimensões do seio maxilar pela presença do elemento dental. 2. Classe II: imediatamente após exodontia, alvéolo preenchido por tecido de granulação reparativo após extração dental recente. 3. Classe III: rebordo arredondado, com altura e espessura adequada e suficiente para reabilitação por implante osseointegrado. 4. Classe IV: altura suficiente embora com extensa reabsorção óssea horizontal (rebordo em forma de lamina de faca). Necessidade de aumento da espessura óssea. 5. Classe V: rebordo plano inadequado, reabsorção óssea em altura e espessura. Necessidade de reconstrução em ambas as dimensões. 6. Classe VI: rebordo deprimido, extensa reabsorção óssea e avançada pneumatização do seio maxilar. 394 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS O Osso Zigomático O osso zigomático é um osso facial de ossificação endocondral e, portanto, com uma grande proporção de osso cortical e densidade óssea maior que 98%. Localiza-se entre a órbita e a fossa temporal, e pode ser comparado a uma pirâmide formada por um corpo e quatro processos. O processo frontal forma a parede lateral da órbita, o processo temporal se une posteriormente ao processo zigomático do osso temporal para formar o arco zigomático, processo maxilar forma o pilar zigomático-maxilar e o processo orbital forma a rima infra-orbital e sutura zigomático-esfenoidal (FONSECA; WALKER, 1991; FEHRENBACH; HERRING, 1998 e MALEVEZ; DAELEMANS; ADRIAENSSENS et al., 2003). ENXERTOS ÓSSEOS Enxerto Òsseo Autógeno O enxerto autógeno é citado como o padrão ouro para reconstruções ósseas maxilofaciais por ser o único biomaterial que demonstre atividade osteocondutora, osteoindutora e osteogênica (MISCH; DIETSH, 1993; PHILIPPART; DAUBIE; POCHET, 2005; MAIORANA; SIGURTÁ; MIRANDOLA et al., 2006; FIGUEIREDO; BASTOS; SPIN-NETO et al., 2008 e NEDIR; BISCHOF; VASQUEZ et al., 2009). O osso autógeno contém em sua matriz orgânica alguns osteócitos vivos pós-osteogênicos, osteoclastos, osteoblastos e uma infinidade de proteínas osteogênicas. Ele apresenta potencial para osteogênese quando usado como enxerto na correção dos defeitos ósseos. Entretanto, o osso autógeno parece primeiro agir como preenchimento do espaço vazio enquanto prossegue o ciclo osteoclástico. Segue-se a essa fase a ação dos osteoblastos que iniciam o processo de formação de novo osso (osteogênese) (MASTER, 1988 e LIRA, 1998). É importante ter em mente que a regeneração é obtida com um variável grau de reabsorção e uma capacidade imprevisível de formação óssea. Porém, mesmo com esta variável reabsorção, nos casos de enxertos em edêntulos podemos utilizar osso autógeno associado às membranas de colágeno bovino com bastante previsibilidade de sucesso (GARBIN; GARBIN, 1994 e ARAD; LEVIN, 2007). Estes enxertos podem ser instalados na forma de blocos (corticais ou córtico-esponjosos) ou particulados. Os enxertos em blocos devem ser fixados a área receptora com parafusos e são posicionados na crista alveolar ou na região vestibular do rebordo alveolar atrófico (enxerto onlay); também podem ser interpostos por baixo do assoalho do seio maxilar ou das fossas nasais (enxerto inlay), para tratar simultaneamente as deficiências de altura e largura. Os enxertos esponjosos particulados podem ser colocados embaixo de membranas de regeneração óssea guiada, de malhas de titânio ou no interior de cavidades ósseas. Na fase inicial da integração destes enxertos é produzida uma remodelação com perda de volume ósseo. A quantidade e velocidade desta reabsorção dependem de vários fatores, tais como o tamanho do enxerto, o tipo do osso enxertado, a zona receptora e a fixação do enxerto na zona receptora (NARY-FILHO; PADOVAN, 2008). 395 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS A escolha das possíveis áreas doadoras para a reconstrução óssea depende do volume de osso necessário, do tipo de defeito ósseo, do tipo de enxerto ósseo (cortical, esponjoso ou córtico-esponjoso), da origem embriológica e da morbidade da cirurgia. Para os pequenos e médios defeitos ósseos as áreas intra-bucais doadoras são o mento, a área retromolar e o túber. Para reconstruções maiores as áreas doadoras externas são o osso ilíaco, a calota craniana (parietal), a tíbia, a fíbula e as costelas (SALIM, 2006 e MARZOLA, 2008). A crista ilíaca fornece enxerto ósseo medular e córtico-medular em grande quantidade, o suficiente para grandes reconstruções maxilares em espessura, altura e elevação bilateral do assoalho do seio maxilar. Porém possui grande morbidade pós-operatória que deixa o paciente com dificuldade temporária de deambular. O que pode ser evitado pelo descolamento mínimo dos músculos glúteo máximo e médio. Suas complicações mais importantes são dor crônica, infecção, injúria arterial, danos uretrais e hematoma. Este tipo de enxerto, devido a sua origem endocondral, é reabsorvido com maior velocidade do que os enxertos intramembranosos. Nestes casos o equipe de bucomaxilofacial trabalha em conjunto com a equipe de ortopedia, que se encarrega da remoção do enxerto da crista ilíaca (LEKHOLM; WANNFORS; ISAKSSON et al., 1999; RAGHOEBAR; TIMMENGA; REINTSEMA, 2001; JENSEN; LEOPARDI; GALLEGOS, 2004; MARZOLA, 2005; MAGINI, 2006; ARAD; LEVIN, 2007; SJÕSTRÕM; SENNERBY; NILSON et al., 2007 e SBORDONE; TOTI; FABRIS et al., 2009). O enxerto ósseo retirado da calota craniana fornece grande quantidade de osso cortical e pequena quantidade de osso medular. Por ter origem intramembranosa tem menores índices de reabsorção devido à semelhança embriológica com a maxila. A cirurgia para remoção deste tipo de enxerto requer bom treinamento do cirurgião e apresenta baixo índice de complicações. A morbidade do ato cirúrgico é bem menor comparada com a cirurgia da crista ilíaca. O osso é removido pela equipe de neurocirurgia, da cortical externa da díploe na eminência parietal entre sutura lambdóide e a sutura sagital, onde o osso é um pouco mais espesso (MARZOLA, 2005; SALVATO; ANGILARDI, 2007 e SBORDONE; TOTI; FABRIS et al., 2009). LEVANTAMENTO DO ASSOALHO DO SEIO MAXILAR As perdas dentárias promovem a ausência de estímulos ósseos advindos da mastigação. O resultado é a reabsorção óssea e a pneumatização do seio maxilar. Esse processo conduz, primeiramente, ao estreitamento de suas paredes e, depois à formação de reentrâncias para além do corpo maxilar, podendo chegar a casos críticos de total fusão entre o assoalho do seio maxilar e a crista do rebordo alveolar remanescente (TATUM, 1986 e MAGINI, 2006). Um estudo de 385 levantamentos do assoalho do seio maxilar com osso autógeno foi realizado com uma sobrevida de 98% num período de 10 anos. O rebordo alveolar residual foi classificado de acordo com o espaço disponível no sentido vestíbulo-palatino como tipo A com 5 mm ou mais de espessura, e tipo B com espessura entre 2,5 e 5 mm (MISCH, 1984). No sentido vertical foi notado (MAGINI, 2006): 396 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS 1. Grau I - Distância do assoalho sinusal à cortical do rebordo igual ou maior a 10 mm. 2. Grau II - Distância do assoalho sinusal à cortical do rebordo, entre 8 e 10 mm. 3. Grau III - Distância do assoalho sinusal à cortical do rebordo, entre 5 e 6 mm. 4. Grau IV - Distância do assoalho sinusal à cortical do rebordo, menor que 4 mm. A pneumatização extensiva do seio maxilar, devido ao edentulismo e ao avanço da idade, leva a uma íntima relação entre o assoalho do seio maxilar e a crista do rebordo alveolar residual. Assim, não existe osso suficiente para estabilizar os implantes osseointegrados na região posterior da maxila. Nestes casos é necessário o levantamento do assoalho do seio maxilar para aumentar a altura óssea disponível (MAGINI, 2006). Um estudo tanto clínico como radiográfico deve ser efetuado no pré-operatório. O uso de ortopantomografia ou de tomografia computadorizada para avaliar o volume do osso maxilar, além da quantidade necessária de osso doador será de vital importância na reabilitação do paciente (JOHANSSON; GREPE; HIRSCH et al., 2001 e SALVATO; ANGILARDI; 2007). A seleção adequada do individuo a ser submetido à cirurgia de enxerto ósseo para levantamento do seio maxilar é fundamental ao sucesso da mesma. Algumas diretrizes foram propostas para a indicação do enxerto ósseo no seio maxilar (MAGINI, 2006): 1. Osso residual com altura menor que 5 mm. 2. Seio maxilar sem histórico de patologias. 3. Ausência de limitações anatômicas ou cicatrizes de cirurgias prévias na membrana sinusal. Deve-se, também, identificar precocemente os indivíduos contraindicados às intervenções no seio maxilar, para realizar o controle da sua condição atual ou até mesmo eliminar a possibilidade desta opção de tratamento. Técnica Cirúrgica Em 1975 foi introduziu a técnica que aumentava a altura do seio maxilar ao ser utilizado osso autógeno como material de enxerto no assoalho sinusal via acesso lateral (TATUM, 1975). Esta primeira publicação não foi divulgada até 1986 (BOYNE; JAMES, 1980; TATUM, 1986 e MARZOLA, 2008). Novos instrumentos foram idealizados para serem efetuados procedimentos menos invasivos para elevação do seio maxilar (SUMMERS, 1994; MAGINI, 2006 e MARZOLA, 2008). Um candidato à cirurgia que requeira manipulação da membrana sinusal deverá se submeter à antibioticoterapia profilática. A incidência de infecção em cirurgia limpa-não-contaminada com emprego de excelente técnica e antibioticoterapia profilática é de aproximadamente 1% (MISCH, 1996 e GONÇALVES; SENDYK; AAERESTRUP et al., 2008). O enxerto ósseo no seio maxilar viabiliza a reabilitação com implantes em maxilas edêntulas atróficas que, devido à reabsorção alveolar e à pneumatização sinusal, muitas vezes tornavam-se um problema protético de 397 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS resolução limitada por meio das próteses convencionais (MAGINI, 2006 e SCHAFF; STRECKBEIN; LENDECKEL et al., 2008). Ao ser constatada a impossibilidade da instalação de implantes pela técnica convencional a reabilitação pode ser possibilitada pelo levantamento do assoalho do seio maxilar (SUMMERS, 1994; MAGINI, 2006 e LOPES; CHAVES; CHESSA et al., 2008). Dentre as alternativas terapêuticas, o levantamento atraumático do assoalho do seio maxilar com o uso de osteótomos tem mostrado resultados promissores. O objetivo desta técnica é manter, se possível, todo o osso maxilar existente, ocasionando o menor trauma possível durante a osteotomia (SUMMERS, 1994 e MAGINI, 2006). Este procedimento é indicado quando a altura óssea disponível é maior que 5 mm e o osso é de baixa densidade. Com esta técnica é possível um ganho em altura de até 2 mm dentro da cavidade sinusal sem a necessidade de enxerto, ou de até 5 mm em casos de enxertia óssea via alveolar (DAVARPANAH; MARTINEZ; TECUCIANU et al., 2001 e LOPES; CHAVES; CHESSA et al., 2008). O acesso atraumático ao seio maxilar è, didaticamente, dividido em dois tipos de abordagem (MAGINI, 2006): 1. Sem material de preenchimento: O emprego dos osteótomos sem associação com material de preenchimento possibilita um acesso mais limitado ao seio maxilar e, com essa técnica conseguem-se elevações de 1 a 2 mm. Por tanto, indica-se em região do seio maxilar com rebordo remanescente, com uma distancia da crista óssea ao assoalho do seio maxilar entre 8 mm e 9 mm (MAGINI, 2006). 2. Com material de preenchimento: Com essas técnicas as elevações são mais expressivas, chegando a 5 mm de ganho vertical. Entretanto, o empirismo clínico recomenda utilizar a técnica combinada para acessos de ate 3 mm. É indicada na região do seio maxilar com rebordo remanescente de aproximadamente 7 mm com a possibilidade para colocar implantes com 10 mm de comprimento. Após o material de preenchimento ter sido colocado no sítio preparado, poderá exercer pressão pela inserção do osteótomo que elevará mais a membrana do seio maxilar (MAGINI, 2006). Na técnica traumática de levantamento do assoalho do seio maxilar o material de enxerto é inserido entre o seio maxilar e a membrana de Schneideriam, o revestimento do assoalho do seio maxilar (FREITAS, 2006). Conhecida como técnica do acesso lateral ou de Cadwell-Luc, é um procedimento onde se faz uma abertura quadrangular na parede lateral do seio maxilar entre os pilares canino e zigomático. Após a elevação da mucosa sinusal, realiza-se a enxertia óssea no assoalho, preferencialmente com osso autógeno particulado (SUMMERS, 1998; FREITAS, 2006 e LOPES; CHAVES; CHESSA et al., 2008). IMPLANTE ZIGOMÁTICO CONTEMPORÂNEO Dentre as novas técnicas da implantodontia está à fixação zigomática que, na atualidade, possibilita ainda mais a reabilitação de pacientes 398 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS para os quais a alternativa de tratamento era a utilização de próteses totais (MUSTAIN, 1993). Em 1989 Bränemark introduziu uma técnica de reabilitação oral para os pacientes mutilados por cirurgias ressectivas dos tumores da face. O estudo baseou-se no tratamento de 81 pacientes que receberam 164 fixações zigomáticas com índice de sucesso de 97%. Este índice aproxima-se dos obtidos pelos implantes convencionais nas mais diferentes regiões alveolares. Por tais resultados, a técnica chamada fixação zigomática começou a ser indicada desde 1990 também para os pacientes com atrofias ósseas severas da maxila com o objetivo de instalação de próteses fixas (BOYES-VARLEY; HOWES; LOWNIE et al., 2003; NARY-FILHO; PADOVAN, 2008; SAAD; CARVALHO; BERRO et al., 2008 e BLOCK; HAGGERTY; FISBER, 2009). Em 1993 Aparicio mencionou a possibilidade de inserir implantes dentais no osso zigomático (APARICIO; BRANEMARK; KELLER et al., 1993), em 1997 foi citado o emprego do zigoma como uma estrutura de apoio na reabilitação de pacientes submetidos à maxilectomias (WEISCHER; SCHETTLER; MOHR, 1997). Seguindo o protocolo de Branemark, Uchida em 2001, mediu o maxilar e o zigoma em 12 cadáveres e observou que o ápice de um implante de 3.75 mm de diâmetro requer um zigoma de pelo menos 5.75 mm de espessura (UCHIDA; GOTO; KATSUKI et al., 2001). Em 2003 usaram a tomografia computadorizada e histomorfometria para examinar 30 zigomas humanos. Este estudo revelou que o osso zigomático consiste de osso trabecular, um parâmetro desfavorável para a instalação de implantes. Porém o êxito dos implantes no osso zigomático é alcançado devido ao implante atravessar quatro partes de osso cortical (NKENKE; HAHN; LELL et al., 2003). Em 2005 investigaram a estrutura interna do zigoma desdentado em cadáveres usando tomografia computadorizada e descobriram que a presença de trabeculado mais amplo e espesso no terço apical do implante promove a sua fixação inicial (KATO; KIZU; TONOGI et al., 2005; APARICIO; QUAZZANI; GARCÍA et al., 2006 e Gil; Diago; Martinez et al., 2007). Características do Implante Zigomático O implante zigomático se constitui em um longo parafuso rosqueável de titânio de 30 a 52,5 mm de comprimento. Apresenta na sua cabeça uma angulação de 45º para compensar a angulação entre o zigoma e a maxila. O diâmetro começa em sua porção mais apical até a porção média com 4 mm e aumenta para 4,5 mm do meio até a cabeça (Fig. 2) (APARICIO; QUAZZANI; HATANO, 2008; FERRARA; STELLA, 2004 e NARY-FILHO; PADOVAN, 2008). Fig. 2 - Esquema do implante zigomático Fonte - NARY, H. F.; PADOVAN, L. E. M. Fixação zigomática – uma alternativa para reabilitação em maxilas atróficas. 1 ed., São Paulo: Ed. Santos, 2008. 399 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Na instalação do implante zigomático uma angulação de 43.8º ou menos aumenta o risco de perfuração da fossa infra-temporal ou da área lateral da maxila. Se a angulação é mais vertical (50.6º ou mais) aumenta-se o risco de perfuração do assoalho orbital. O implante deve ser realizado com uma angulação de 45º para obter-se a posição ideal e possibilitar a dupla ancoragem (FERRARA; STELLA, 2004 e GIL; DIAGO; MARTINEZ et al., 2007). Indicações e contra-indicações do Implante Zigomático A fixação zigomática está indicada nos casos em que exista osso suficiente na pré-maxila para a instalação de implantes convencionais e a crista alveolar posterior esteja reabsorvida de tal forma que para agregar mais implantes seja preciso realizar enxertia óssea. Este tipo de fixação também é indicado quando enxerto ósseo onlay seja requerido para a instalação de implantes no setor maxilar anterior e a necessidade de estender o enxerto ao setor posterior possa ser eliminada pela instalação de implantes zigomáticos. Na maxila desdentada posterior, uni ou bilateral, e com reabsorção óssea severa, um implante zigomático em combinação com dois implantes convencionais em cada hemi-maxila oferecem ancoragem adequada para uma reconstrução com prótese fixa (FERNANDEZ-AZTECA; COLORADO-BONNIN; GAY-ESCODA, 2004 e ABARNO; MIGLIORISI; AGUERRONDO et al., 2007). As contra-indicações para a fixação zigomática são as mesmas aplicadas para a instalação de implantes convencionais. É contra-indicado o uso desta técnica em pacientes com histórico de sinusite, aguda ou crônica, com mucosa hipertrofiada. Estes pacientes podem ser tratados com implantes zigomáticos uma vez eliminado a doença (BOYES-VARLEY; HOWES; LOWNIE et al., 2003 e GIL; DIAGO; MARTINEZ et al., 2007). As vantagens da fixação zigomática são: é um procedimento cirúrgico mais curto, requer menor tempo de recuperação da parte do paciente, tem menor risco de morbidade e dor pós-operatório, e o paciente é reabilitado em menor tempo. E as desvantagens da técnica são: é um procedimento que às vezes pode precisar da anestesia geral, e a emergência dos implantes é por palatino (ABARNO; MIGLIORISI. AGUERRONDO et al., 2007). TÉCNICAS DE FIXAÇÃO ZIGOMÁTICA Protocolo Original de Bränemark Em 1990 Bränemark preconizou a utilização de dois implantes zigomáticos em conjunto com dois ou quatro implantes convencionais na prémaxila (Fig. 3). Após realizar uma janela óssea na região mais superior e lateral da parede anterior do seio maxilar e levantamento ou remoção da membrana sinusal, o implante zigomático é instalado na crista do rebordo alveolar passando rente ao pilar zigomático, sendo guiado pela cavidade sinusal. A posição do implante fica palatinizada na região do segundo pré-molar (DAVO; MALEVEZ; ROJAS, 2007; NARY-FILHO; PADOVAN, 2008 e BLOCK; HAGGERTY; FISBER, 2009). 400 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Limite Estabilidade Precisão Fig. 3 - Dois implantes zigomáticos e quatro convencionais. Fonte - NARY, H. F.; PADOVAN, L. E. M. Fixação zigomática – uma alternativa para reabilitação em maxilares atróficos. 1 ed., São Paulo: Ed. Santos, 2008, cap. 6. Modificação de Stella e Warner Em 2000, Stella; Warner apresentaram uma técnica simplificada (Fig. 4) do protocolo original de Branemark baseada na utilização de uma “fenda sinusal”, que são marcações na parede anterior do seio maxilar que guiam pelo contorno do osso zigomático, a instalação do implante zigomático. Isto elimina a necessidade da janela óssea e do levantamento da membrana sinusal, proporciona uma maior interface osso-implante, uma angulação mais vertical e faz com que o implante fique próximo da crista do rebordo alveolar ao nível do primeiro molar. Esta técnica é indicada na maxila e rebordos alveolares com concavidade média (STELLA; WARNER, 2000; SORNI; GUARINOS; GARCIA et al., 2005; PENARROCHA; GARCIA; MARTI, et al., 2007 e NARY-FILHO; PADOVAN; 2008). Fig. 4. Técnica simplificada, parte do implante exposto na maxila e rebordo alveolar com concavidade média. FONTE: MENDES-CAMPOS, L. R.; ZORZETTO, D. L.G.; ILG, J. P. et al., Fixação zigomática – Revista da literatura e apresentação de caso clínico-cirúrgico. Rev. de Odontología. (Eletronica-Academia Tiradentes de Odontología–ATO)., v. 8, n. 4, p. 620-43, agos., 2007. 401 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Técnica Exteriorizada de Miglioranza A fixação zigomática pela técnica exteriorizada em relação ao seio maxilar possibilita posicionar a plataforma do implante próximo do rebordo alveolar, o que permite melhor resolução protética. Isto não acontece na técnica original, pois o implante fica palatinizado na região do primeiro e segundo prémolar. A porção média do implante fica externa e não interna ao seio maxilar, como seria no protocolo original, devido à concavidade típica da anatomia das maxilas atróficas. A perfuração se inicia no rebordo por palatino, em função do remanescente ósseo, sem realizar antrotomia prévia, emergindo por vestibular externamente ao seio maxilar. Em seguida, direciona-se a perfuração na porção inferior do corpo do osso zigomático, transpassando-o (Fig. 5). Esta técnica é indicada quando a maxila e os rebordes alveolares apresentam uma concavidade acentuada (MIGLIORANÇA; ILG; SERRANO et al., 2006 e NARY-FILHO; PADOVAN, 2008). Fig.5. Técnica exteriorizada, com implante externo ao seio maxilar e rebordo alveolar com concavidade acentuada. FONTE: MENDES-CAMPOS, L. R.; ZORZETTO, D. L.G.; ILG, J. P. et al., Fixação zigomática – Revista da literatura e apresentação de caso clínico-cirúrgico. Rev. de Odontología. (Eletronica-Academia Tiradentes de Odontología–ATO)., v. 8, n. 4, p. 620-43, agos., 2007. RELATO DE CASO CASO CLÍNICO 1 Paciente E.P., do gênero feminino, 68 anos de idade, leucoderma, compareceu ao Ambulatório de Cirurgia e Traumatologia Buco-maxilo-facial da Associação Hospitalar de Bauru – Hospital de Base com queixa de perda de todos os dentes maxilares, com uso de prótese total superior mal adaptava e insatisfação estética. A mesma relatou intenção de se submeter à reabilitação oral com próteses fixas sobre implantes. Ao exame físico (Figs. 6, 7 e 8) e radiográfico observou-se severa reabsorção do rebordo alveolar maxilar, impossibilitando a instalação de implantes osseointegráveis pela técnica convencional na maxila (Figs. 9 e 10). 402 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS O tratamento cirúrgico proposto foi à instalação de dois implantes zigomáticos na região posterior da maxila bilateral e reconstrução do rebordo alveolar na pré-maxila com enxerto autógeno de osso removido da cortical externa da calota craniana, sob anestesia geral, e posterior reabilitação com implantes convencionais na região anterior da maxila (Fig. 11). A equipe de neurocirurgia iniciou a cirurgia pela incisão no couro cabeludo da região parietal do lado direito (Fig. 12), divulsão dos planos e exposição óssea. A seguir foram realizadas osteotomias na cortical externa da calota craniana com serra oscilatória em alta rotação, sob irrigação abundante. Foram então removidos, com martelo e cinzel, 10 pequenos blocos da cortical externa de aproximadamente 2,0 cm x 1,5 cm que foram mantidos em solução salina até o momento da instalação na maxila (Fig. 13). A seguir o acesso ao couro cabeludo foi suturado com fio mononylon 3.0 (Fig. 14). A segunda fase da cirurgia, realizada pela equipe de bucomaxilofacial, iniciou-se com infiltração de lidocaína 2% com vasoconstritor no fundo de sulco gengivolabial. Fez-se então uma incisão ampla desde a região do elemento 16 ao elemento 26 sobre a crista do rebordo alveolar, o que favorece o descolamento e o afastamento da fibromucosa palatina e favorece a vascularização da mucosa na vertente vestibular. A seguir foi realizado o descolamento subperiosteal, a exposição de toda a parede anterior da maxila e corpo do zigoma (até mesmo a porção posterior) e a localização do forame infraorbitário (Fig. 15). Deu-se início a abertura de uma janela na região da parede anterior da maxila bilateral. A osteotomia foi realizada com brocas esféricas diamantadas, de modo a não ferir a mucosa sinusal, delimitando uma abertura que se estende desde o aspecto súpero-lateral até a região alveolar, acompanhando o pilar zigomático-maxilar. Seguido pelo afastamento da membrana sinusal, realizado com curetas apropriadas para mucosa sinusal, na área do trajeto do implante no interior do seio maxilar. A visualização da parte interna do corpo do zigoma, onde a fixação fará sua ancoragem, é fundamental durante a realização das perfurações e instalação do implante. Preparada a janela, iniciou-se a confecção do alvéolo cirúrgico. Com broca esférica de 2,9 mm, perfurou-se a porção alveolar iniciando-se pelo lado palatino e adentrando o seio maxilar (Fig. 16). Nesse momento é fundamental já se estabelecer o direcionamento do implante, uma vez que a perfuração palatina vai determinar sua posição e limitar sua inclinação. Busca-se colocar a cabeça do implante o mais próximo possível da crista do rebordo, porém a concavidade da parede maxilar pode restringir este posicionamento devido ao risco de ocorrência de uma fenestração. Com as brocas seguintes, espirais de 2,9 mm, fez-se a perfuração completa transfixando o zigoma até sua emergência externa. Neste momento, com a sonda de 2 mm, fez-se a conferência da perfuração e inclinação para verificar sua emergência e possíveis fenestrações posteriores. Conferido este trajeto, utilizou-se a broca-piloto que serviu de guia para o alargamento progressivo do alvéolo até a broca 3,5 mm. Após a instrumentação com a broca espiral de 3,5 mm conferiu-se novamente as paredes deste trajeto. Assim, inseriu-se o implante zigomático, de cada lado (Fig. 17), inicialmente por meio do motor em baixa rotação e terminou-se a instalação com a chave manual. O término do rosqueamento da fixação determina a emergência da cabeça do implante e, para tanto, utilizou-se como referência o parafuso de 403 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS fixação do montador para indicar esta posição. Instalada a fixação, removeu-se o montador através da chave manual e colocou-se o parafuso de cobertura. O mesmo procedimento foi realizado lado contralateral, culminando com a colocação de mais uma fixação zigomática (Fig. 18). Os blocos ósseos corticais foram então adaptados por toda a região vestibular do rebordo alveolar anterior da maxila e fixados com parafusos de titânio do sistema 2.0 mm (Fig. 19). Os espaços entre os blocos foram preenchidos com osso autógeno particulado. O retalho foi aproximado toda a maxila e fechado com pontos interrompidos com fio vycril 4-0 (Fig. 20). A antibioticoterapia profilática, no trans-operatório, foi cefalosporina de primeira geração, um grama de cefalotina. A medicação pósoperatória foi cefalexina 500 mg de 6/6h por 7 dias, diclofenaco potássico 50 mg de 8/8h por 3 dias e dipirona sódica 500 mg de 6/6h por 3 dias, todos por via oral. A paciente foi acompanhada no pós-operatório de 7, 15, 30, 90 dias, 6 meses, 1 ano apresentando bom aspecto cicatricial das abordagens cirúrgicas, com parafusos em posição e implantes zigomáticos em posição (Fig. 21 e 22). Os blocos ósseos corticais foram então adaptados por toda a região vestibular do rebordo alveolar anterior da maxila e fixados com parafusos de titânio do sistema 2.0 mm (Fig. 23). Os espaços entre os blocos foram preenchidos com osso autógeno particulado. O retalho foi aproximado toda a maxila e fechado com pontos interrompidos com fio vycril 4-0 (Fig. 24). A antibioticoterapia profilática, no trans-operatório, foi cefalosporina de primeira geração, um grama de cefalotina. A medicação pósoperatória foi cefalexina 500 mg de 6/6h por 7 dias, diclofenaco potássico 50 mg de 8/8h por 3 dias e dipirona sódica 500 mg de 6/6h por 3 dias, todos por via oral. A paciente foi acompanhada no pós-operatório de 7, 15, 30, 90 dias, 6 meses e, 1 ano apresentando bom aspecto cicatricial das abordagens cirúrgicas, com parafusos em posição e implantes zigomáticos em posição (Figs. 25, 26 e 27). Fig. 6 - Exame físico: vista frontal. Fonte – Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. 404 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig - 7. Exame radiográfico. Ortopantomografia. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. Fig - 8. Exame radiográfico. Ortopantomografia. Telerradiografía lateral. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. 405 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 9 - Exame físico intraoral, notando-se a extensa reabsorção. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. B Fig. 10 – Incisão do couro cabeludo. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. 406 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 11 – Exposição do osso parietal. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. B Fig. 12 – Osteotomias na cortical externa. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. 407 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 13 – Remoção da tábua externa da calota craniana. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. B Fig. 14 – Blocos ósseos mantidos em solução salina. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. 408 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 15 – Sutura do couro cabeludo. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. B Fig. 16 – Exposição da maxila e das janelas ósseas nos seios maxilares. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. 409 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 17 – Sequência das brocas pra a instalação do implante zigomático. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. B Fig. 18 – Preparação com broca 2,9 mm no zigoma esquerdo. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. 410 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 19 – Implante zigomático e parafuso de cobertura. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. B Fig. 20 – Instalação do implante zigomático do lado esquerdo. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. 411 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 21 – Instalação do implante zigomático do lado direito. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. B Fig. 22 – Implantes zigomáticos instalados. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. 412 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 23 – Fixação dos blocos ósseos na maxila na região anterior. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. B Fig. 24 – Sutura oclusiva com vicryl 4-0. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. 413 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 25 – Pós-operatório de 7 dias, com bom aspecto cicatricial e pontos de sutura ainda em posição. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. B Fig. 26 – Ortopantomografia de pós-operatório com 30 dias. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. 414 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 27 – Ortopantomografia de 6 meses com os implantes convencionais já instalados. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Claudio Maldonado Pastori. CASO CLÍNICO 2 Paciente M. H. R. M, do gênero feminino, 62 anos de idade, leucoderma, compareceu ao Ambulatório de Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial da Associação Hospitalar de Bauru – Hospital de Base, com queixa de perda de todos os dentes maxilares há 20 anos, uso de prótese total superior desadaptada, insatisfação estética e dificuldade na mastigação. Ao exame físico (Figs. 28, 29 e 30) e radiográfico (Figs. 31 e 32), observou-se severa reabsorção do rebordo alveolar maxilar, impossibilitando a instalação de implantes osseointegráveis pela técnica convencional na maxila. O tratamento cirúrgico proposto foi reconstrução do rebordo alveolar maxilar com enxerto autógeno de osso removido da crista ilíaca, sob anestesia geral, para uma posterior reabilitação com implantes. Iniciou-se a cirurgia com a remoção de osso da crista ilíaca, pela equipe de cirurgia ortopédica (Figs. 33 e 34). Foi então removido, com martelo e cinzel, um bloco ósseo córtico-esponjoso que posteriormente foi fragmentado em vários blocos menores para possibilitar a instalação na maxila (Figs. 35 e 36). Foi realizada sutura em região da crista ilíaca com mononylon 3.0 (Fig. 37). A segunda fase da cirurgia, realizada pela equipe de cirurgia buco maxilo facial, iniciou-se com infiltração de mepivacaína com vasoconstrictor a 2%, no fundo de sulco gengivolabial maxilar bilateral, incisão no rebordo alveolar maxilar desde a região do elemento 16 até região do elemento 26 (Fig. 38), em seguida o descolamento do retalho, tanto vestibular, como palatino, para exposição do leito receptor (Fig. 39). O enxerto ósseo foi osteotomizado e, modelado em blocos ósseos menores para adaptação na região anterior da maxila (Figs. 40 e 41), assim como parte do osso foi particulado com o triturador. Com uma broca esférica número 6 415 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS ou 8 em baixa rotação, para evitar bordas afiadas e perfurações na membrana sinusal, foi realizada a osteotomia quadrangular na parede lateral da maxila bilateralmente (Figs. 42 e 43). A base da osteotomia inferior ficou cerca de 1 a 2 mm acima do assoalho do seio maxilar para permitir uma angulação adequada da cureta e facilitar a levantamento da membrana sinusal e retenção do material de preenchimento (Fig. 44). Uma vez enxertado o osso autógeno particulado no assoalho do seio maxilar de cada lado (Figs. 45 e 46), a abertura na parede vestibular foi vedada com blocos ósseos fixados com parafusos de titânio do sistema 2.0 mm (Fig. 47). Os espaços entre os blocos foram preenchidos com osso autógeno particulado. O retalho foi aproximado sobre o enxerto ósseo e fechado com pontos interrompidos com fio vycril 4-0 (Fig. 48). No transoperatório e após a internação, foi utilizado a clindamicina de 600 mg de 6/6h e amicacina de 500 mg de 8/8h, prescrição em comum que atende as necessidades da bucomaxilofacial e ortopedia. A medicação pós-operatória foi cefalexina 500 mg de 6/6h por 7 dias, diclofenaco potássico 50 mg de 8/8h por 3 dias e dipirona sódica 500 mg de 6/6h por 3 dias, todos por via oral. A paciente foi acompanhada no pós-operatório de 1, 17, 30, 99, 140, 210 dias, apresentando bom aspecto cicatricial das abordagens cirúrgicas (Figs. 49 e 50). Fig. 28 – Exame físico com vista frontal. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. 416 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 29 – Exame físico com vista lateral direita. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. B Fig. 30 – Exame físico com vista lateral esquerda. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. 417 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 31 – Radiografia ortopantomográfica. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. Fig. 32 – Tomografia computadorizada. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. 418 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 33 – Incisão em região da crista ilíaca do lado direito. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. Fig. 34 – Descolamento por planos e, exposição da crista ilíaca. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. 419 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 35 – Remoção do bloco ósseo cortiço esponjoso da crista ilíaca. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. Fig. 36 – Bloco ósseo cortiço esponjoso da crista ilíaca. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. 420 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 37 – Sutura com mononylon 3.0. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. Fig. 38 – Incisão do rebordo alveolar. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. 421 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 39 – Descolamento mucoperiostal por vestibular e palatino. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. Fig. 40 – Descolamento mucoperiostal por vestibular e palatino. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. 422 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 41 – Adaptação e fixação dos blocos ósseos na região anterior da maxila. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. Fig. 42 – Acesso lateral ao seio maxilar direito. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. 423 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 43 – Acesso lateral ao seio maxilar esquerdo. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. Fig. 44 – Levantamento do seio maxilar. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. 424 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 45 – Preenchimento do seio maxilar direito com osso particulado. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. Fig. 46 – Preenchimento do seio maxilar esquerdo com osso particulado. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. 425 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 47 – Fixação do osso em bloco para dar contorno à maxila. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. Fig. 48 – Sutura com vicryl 4.0. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. 426 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS Fig. 49 – Pós-operatório intraoral de 1 dia, com bom aspecto cicatricial das abordagens cirúrgicas e pontos de sutura em posição. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. Fig. 50 – Ortopantomografia de pós-operatório de 90 dias, com parafusos em posição. Fonte: Do acervo do Curso de Cirurgia e Traumatologia BMF e, gentilmente cedido pelo Dr. Marcos Maurício Capelari. 427 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS DISCUSSÃO Para a reconstrução dos maxilares atróficos na atualidade existem diversos tipos de materiais que podem ser utilizados, como enxertos homólogos de banco de ossos e, materiais autoplásticos como a hidroxiapatita, além dos enxertos autógenos (FIGUEIREDO; BASTOS; SPIN-NETO, 2008). Ainda assim, a literatura sustenta que a reconstrução com enxertos ósseos autógenos associados aos implantes endoósseos é considerada um tratamento estável com bom prognóstico (PHILIPPART; DAUBIE; POCHET, 2005; MAIORANA; SIGURTA; MIRANDOLA et al., 2006; SJÕSTRÕM; SENNERBY; NILSON et al., 2007 e NEDIR; BISCHOF; VASQUEZ et al., 2009). De acordo com a literatura o presente trabalho apresenta somente casos de pacientes com atrofias severas da maxila que se submeteram a reconstrução com enxertos autógenos. No caso 1 o paciente é reabilitado anteriormente com enxerto ósseo e, na região posterior da maxila são instalados implantes zigomáticos no mesmo tempo cirúrgico. Dentro das vantagens no uso dos enxertos ósseos autógenos, o único biomaterial que demonstra atividade osteocondutora, osteoindutora e osteogênica, denominado como padrão ouro para as reconstruções ósseas maxilofaciais (SENNERBY; NILSON et al., 2007). No presente trabalho foi utilizado o enxerto ósseo autógeno nos dois casos corroborando com o pesquisado na literatura. Os autores pesquisados são unânimes em afirmar que a maioria dos pacientes com maxilas atróficas que buscam o tratamento cirúrgico para o restabelecimento tanto da função como da estética estão na faixa etária entre 48 a 71 anos de idade, prevalecendo o gênero feminino (ROGHOEBAR; TIMMENGA; REINTSEMA, 2001; JENSEN; LEOPARDI; GALLEGOS, 2004 e ZOSKY, 2006). Nos casos clínicos apresentados confirma-se a prevalência de pacientes do gênero feminino entre 48 e 71 anos de idade. Deve-se realizar um estudo pré-operatório, tanto clínico como radiográfico, para determinar o tamanho do defeito ósseo na maxila e a quantidade de osso necessária para sua reconstrução. Na literatura encontra-se, também, o uso da tomografia computadorizada para o melhor estudo em 3D e planejamento mais apurado (JOHANSSON; GREPE; WANNFORS et al., 2001 e SALVATO; ANGILARDI, 2007). Nos dois casos clínicos apresentados foram utilizados exames radiográficos convencionais e, no caso 2, além das radiografias convencionais utilizou-se tomografia computadorizada para a avaliação e planejamento dos casos, estando de acordo com a literatura pesquisada. Deve-se elaborar uma anamnese completa dos pacientes para identificar precocemente os indivíduos contra-indicados aos enxertos nos seios maxilares, tendo em vista sua condição atual, podendo ter sua saúde mais debilitada, problemas psicológicos, presença de sinusites, tumores ou cistos, e assim, continuar com o tratamento ou eliminar a possibilidade desta opção de tratamento (MAGINI, 2006). Isso tudo vem corroborar com o presente trabalho já que nos dois casos foi realizada uma anamnese completa e, um estudo tanto clínico e radiográfico para eliminar possíveis patologias sistêmicas ou tumorais. Dois tempos cirúrgicos são propostos pela literatura para a reabilitação dos maxilares atróficos, o primeiro é a reconstrução com enxertos ósseos e, o segundo é a instalação dos implantes convencionais (RAGHOEBAR; 428 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS TIMMENGA; REINTSEMA, 2001; MARZOLA, 2005 e FIGUEREIDO; BASTOS; SPIN-NETO et al., 2008). Isso vem corroborar com o presente trabalho, pois todos os pacientes foram submetidos à reconstrução maxilar com enxerto autógeno e, após 6 meses, sofreram mais um procedimento cirúrgico para a instalação dos implantes osseointegráveis. No caso 1 a paciente recebeu os implantes zigomáticos na região posterior da maxila no mesmo tempo cirúrgico da reconstrução com enxerto autógeno da região anterior. Mas os implantes convencionais só foram instalados na região anterior da maxila após 6 meses. As áreas doadoras mais utilizadas em casos de defeitos ósseos amplos são a crista ilíaca e a calota craniana, pois ambos promovem uma quantidade adequada de osso tanto cortical como esponjoso. Sendo menos recomendada a crista ilíaca como área doadora devido ao maior índice de morbidade associado, a alterações de motricidade e a necessidade do paciente permanecer hospitalizado (ARAD; LEVIN, 2007 e SJÕSTRÕM; SENNERBY; NILSON et al., 2007). Concordando com o que mostra a literatura, este trabalho apresenta no caso 1 uma paciente onde se utilizou a calota craniana como área doadora. No caso 2 o paciente não permitiu a remoção de osso da calota craniana e, portanto, optou-se pela crista ilíaca como área doadora. Paciente ficou hospitalizada por uma semana e, com dificuldade para deambular. O tratamento cirúrgico para a remoção de enxertos extra-orais tradicionalmente é realizado sob anestesia geral, sendo encontrado na literatura também, o uso de sedação consciente, associada à anestesia local, nos casos de enxertos de calota craniana (SALVATO; ANGILARDI, 2007). Em todos os casos apresentados as cirurgias foram realizadas sob anestesia geral. Neste trabalho discorda-se da utilização da anestesia local com sedação consciente para a remoção de enxertos ósseos da calota craniana, devido ao risco de lesões durais e cerebrais neste procedimento. O candidato à cirurgia de enxertia óssea, com ou sem manipulação da membrana sinusal deverá se submeter à antibioticoterapia profilática. A incidência de infecção em cirurgia limpa-não-contaminada com emprego de excelente técnica e antibioticoterapia é de aproximadamente 1% (MISCH, 1996 e GONÇALVES; SENDYK; AAERESTRUP et al., 2008). Em todos os casos apresentados a paciente foi medicada com antibióticos de maneira profilática e continuo por 7 dias após a intervenção cirúrgica, concordando com a literatura pesquisada. Uma vez obtida a quantidade necessária de osso da área doadora, a crista alveolar residual da maxila é incisada desde a região do elemento 16 até a região do elemento 26, seguida do descolamento mucoperiosteal para a total exposição do leito receptor (SJOSTROM; SENNERBY; NILSON et al., 2007). Embasado pela literatura, em todos os casos apresentados este foi o acesso utilizado para a exposição da maxila. Os blocos ósseos são modelados e adaptados na face vestibular da maxila e fixados com parafusos de titânio de 1.6 ou 2.0 mm. A literatura também recomenda que os espaços entre os blocos ósseos sejam preenchidos com osso autógeno particulado (JOHANSSON; GREPE; WANNFORS et al., 2001 e ARAD; LEVIN, 2007). Este trabalho concorda com os autores pesquisados, portanto em todos os casos apresentados os fragmentos ósseos obtidos, depois de modelados e adaptados, foram fixados na área receptora com parafusos de titânio 429 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS do sistema 2.0 mm. Os espaços entre os blocos ósseos foram preenchidos com osso autógeno particulado. Quando existe uma atrofia maxilar severa com espessura e altura deficientes na região posterior da maxila é recomendado o levantamento do soalho do seio maxilar pelo seu preenchimento com osso particulado (inlay), além dos enxertos onlay na maxila (LEKHOLM; WANNFORS; ISAKSSON et al., 1999; MARZOLA, 2005 e PHILIPPART; DAUBIE; POCHET, 2005). No caso 2 também foi realizada essa metodologia. Este trabalho concorda com a literatura pesquisada no que tange ao procedimento de elevação do assoalho do seio maxilar realizado no caso 2. Deve ser realizado por meio de uma incisão na crista alveolar, preparando um retalho mucoperiosteal para a exposição da parede lateral da maxila. Em seguida o seio maxilar é fenestrado com broca esférica diamantada, sob alta rotação e irrigação abundante, formando uma janela. Esta é deslocada medialmente com curetas próprias para o uso na membrana sinusal. Esta membrana é preservada e elevada do assoalho do seio e, o material de enxerto particulado é inserido e compactado no seio (TATUM, 1986; MARZOLA, 2005 e SCHAAF; STRECKBEIN; LENDECKEL et al., 2008). Os implantes zigomáticos podem ser utilizados na maxila em situações onde a quantidade de osso seja mínima na região posterior, mas que possuam osso suficiente na região anterior para instalação de implantes convencionais. Ou quando a necessidade de estender o enxerto ósseo ao setor posterior possa ser eliminada pela instalação do implante zigomático, existindo uma enxertia só na região anterior da maxila (ABARNO; MIGLIORISI; AGUERRONDO et al., 2007; NARY-FILHO; PADOVAN, 2008 e BLOCK; HAGGERTY; FISBER, 2009). Concordando com a literatura, no caso 1 foram instalados implantes zigomáticos na região posterior da maxila em ambos os lados e, realizado enxerto de calota craniana na região anterior. Numa segunda cirurgia, procede-se à instalação de quatro implantes convencionais necessários para cumprir com as indicações da fixação zigomática, como relatado pelos autores pesquisados. Na porção anterior da maxila neste caso havia uma deficiência de volume ósseo que impedia a instalação dos quatro implantes convencionais no mesmo momento cirúrgico da fixação zigomática. O uso da fixação zigomática tem como vantagens contra os enxertos ósseos autógenos, em requerer menor tempo cirúrgico e de recuperação por parte do paciente, tem menor risco de morbidade e dor pós-operatório, não precisa de um segundo sítio cirúrgico e o paciente é reabilitado em menor tempo (ABARNO; MIGLIORISI; AGUERRONDO et al., 2007). Nos casos apresentados neste trabalho a paciente do caso 1 foi reabilitada com implante zigomático na região posterior e, um enxerto pequeno anterior, sendo seu tempo de recuperação em comparação com o paciente do caso 2 menor e, sem morbidade, concordando com a literatura. CONCLUSÕES A partir da análise da revista da literatura, dos casos apresentados e, das hipóteses levantadas na discussão deste trabalho, pode-se concluir que: 1. A morfologia do defeito ósseo é uma consideração importante na seleção de um método para o aumento do rebordo alveolar residual na maxila. 430 SOLUÇÕES CIRÚRGICAS PARA O TRATAMENTO DE MAXILAS ATRÓFICAS ENXERTOS ÓSSEOS E IMPLANTE ZIGOMÁTICO REVISTA DA LITERATURA E APRESENTAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS 2. Os enxertos de osso autógeno continuam na maioria dos casos representando o melhor método na reparação das atrofias alveolares e dos defeitos ósseos e, apresentam propriedades osteogênicas que permitem a neoformação óssea mais rápida em condições onde o aumento significativo de osso para o reparo é necessário. 3. A principal indicação do enxerto ósseo é a ausência de osso suficiente para reabilitar as maxilas atróficas com implantes convencionais. 4. Os enxertos ósseos autógenos têm como desvantagem a necessidade de um segundo sitio cirúrgico, aumentando o tempo de recuperação de parte do paciente e sua morbidade. 5. Os enxertos ósseos são contra-indicados em pacientes com quantidade e qualidade de tecido mole deficiente, estado de saúde geral comprometida e, pouca cooperação do paciente, podendo-se utilizar a instalação de implantes zigomáticos nesses casos. 6. O levantamento do seio maxilar com enxerto ósseo autógeno particulado é uma das melhores opções para a obtenção de altura óssea posterior suficiente para a instalação de implantes osseointegráveis nos pacientes cuja altura óssea seja de 5 mm ou inferior. 7. Alternativas ao levantamento de seio maxilar com enxertos ósseos como o uso do implante zigomático devem-se considerar e, comparar o índice de sucesso, e o potencial de morbidade. 8. As fixações zigomáticas têm apresentado altas taxas de sucesso e têm representado uma excelente alternativa aos enxertos ósseos para pacientes com severa atrofia posterior da maxila (com disponibilidade óssea anterior) ou mutilados por ressecções tumorais, tendo como vantagem a diminuição da morbidade, o tempo e o custo do tratamento. 9. As contra-indicações, tanto para enxertos ósseos autógenos, como para fixação zigomática, serão, patologias nos seios maxilares, sinusites, pacientes com saúde debilitada. 10. Todo paciente a ser submetido à reconstrução de maxilar seja com enxertos ósseos autógenos ou com fixação zigomática deveram se submeter à antibioticoterapia profilática para diminuir risco de infecção. REFERÊNCIAS * ABARNO, J. C.; MIGLIORISI, J. A.; AGUERRONDO, J. et al., Implantes zigomaticos: um procedimento alternativo em La rehabilitación del maxilar superior atrofiado. Rev. Facul. Odontol. Univer. Catol. Urug., v. 4, n. 2, 2007. ADELL, R. 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