0 UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE – UNESC CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS PATRÍCIA MINATTO VALORES REPASSADOS PELO SUS VERSUS CUSTOS DE PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS PRATICADOS EM HOSPITAIS FILANTRÓPICOS: UM ESTUDO DE CASO EM UMA INSTITUIÇÃO DA REGIÃO DO VALE DO ARARANGUÁ CRICIÚMA, JULHO DE 2010 1 PATRÍCIA MINATTO VALORES REPASSADOS PELO SUS VERSUS CUSTOS DE PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS PRATICADOS EM HOSPITAIS FILANTRÓPICOS: UM ESTUDO DE CASO EM UMA INSTITUIÇÃO DA REGIÃO DO VALE DO ARARANGUÁ Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção de grau de Bacharel no Curso de Ciências Contábeis da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC. Orientador: Prof. Esp. Everton Perin CRICIÚMA, JULHO DE 2010 2 PATRÍCIA MINATTO VALORES REPASSADOS PELO SUS VERSUS CUSTOS DE PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS PRATICADOS EM HOSPITAIS FILANTRÓPICOS: UM ESTUDO DE CASO EM UMA INSTITUIÇÃO DA REGIÃO DO VALE DO ARARANGUÁ Trabalho de Conclusão de Curso aprovado pela Banca Examinadora para obtenção do grau de Bacharel no Curso de Ciências Contábeis da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC, com linha de pesquisa em Contabilidade de Custos. Criciúma, 05 de julho de 2010. BANCA EXAMINADORA ________________________________________ Profº. Everton Perin, Esp., Orientador ___________________________________________ Profª. Andréia Cittadin, Esp., Examinadora ____________________________________________ Profº. Manoel Vilsonei Menegali, Esp., Examinador 3 Dedico este trabalho a toda a minha família e ao meu namorado Joel De Luca, por estarem sempre comigo nesta caminhada de estudos. Apoiando e incentivando-me momentos. em todos os 4 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, por estar sempre iluminado, protegendo e dando-me forças em todos os momentos de minha vida. Ao meu pai Osmar Minatto, por tudo o que me ensinou e continua ensinando a cada dia, por ser exemplo em minha vida, por me apoiar e sempre acreditar em mim. Agradeço também a minha amada mãe, Miriam Biz Sasso Minatto, por tudo que faz por mim, pelo consolo, amor e ternura que me transmite. As minhas incríveis irmãs, Marina e Flávia Minatto, que com seus gênios tão diferentes fazem minha alegria, me motivam e me divertem, agradeço por poder tê-las sempre ao meu lado me estimulando e dando forças para todo e qualquer tipo de desafio que vier pela frente. Não posso deixar de agradecer ao meu namorado Joel De Luca, pessoa pela qual tenho muito amor, com quem divido minhas alegrias e tristezas. E que esteve comigo durante toda essa trajetória de estudos, sem se queixar dos momentos de ausência, sempre me ajudando e dando total apoio nesses nove semestres de graduação. A minha colega, amiga, cumadre, parceira de toda a faculdade Flávia Daniel Pazini Ostetto, pessoa amada que compartilhou bons e maus momentos durante esses quase cinco anos, amiga que me conquistou e que estará pra sempre em meu coração. As minhas amigas eternas Bruna Buzanello Pissetti e Flávia Venson Búrigo, por todos os anos sempre juntas, pela amizade verdadeira, pela certeza de sempre poder compartilhar alegrias e tristezas, e principalmente por saber que quando precisar, posso sempre contar com vocês. As minhas amigas Fernanda Medeiros, Linara Carvalho, Fernanda Cechinel, Kellen Carradore, Ana Cláudia D. Warmlling, Raquel Laesker, Carol Pottmeier e Juliane Locatelli pela parceria durante toda faculdade, por todos os momentos juntas e por tudo o que aprendemos uma com as outras. Aos meus queridos amigos Jonas Visentin, Dantson Goulart Junior, Daniel Savaris e Luiz Artur Marcon, pelas festas, risadas, pela amizade de todos. Ao meu orientador Everton Perin, por dedicar seu tempo ouvindo-me e esclarecendo-me todas as dúvidas. Por transmitir sabedoria, ensinando-me muito 5 sobre assuntos que desconhecia. Agradeço principalmente pelas inúmeras correções que contribuíram muito para o enriquecimento desde estudo e pelos conselhos em relação à elaboração do mesmo. Aos colegas de sala de aula em geral e a todos os professores com quem tive o prazer de conviver e aprender, que durante esse tempo contribuíram de alguma maneira para o meu crescimento profissional. A todos os meus amigos, presentes ou não, pelos quais tenho profunda admiração e a todos os amigos e colegas do Hospital São Judas Tadeu. Recebam todos, minha eterna gratidão! 6 “O degrau de uma escada não serve simplesmente para que alguém permaneça em cima dele, destina-se a sustentar o pé de um homem pelo tempo suficiente para que ele coloque o outro pé um pouco mais alto.” (Thomas Huxley) 7 RESUMO MINATTO, Patrícia. Valores repassados pelo SUS versus custos de procedimentos cirúrgicos praticados em hospitais filantrópicos: Um estudo de caso em uma instituição da região do Vale do Araranguá. 2010. 75 p. Orientador: Everton Perin.Trabalho de Conclusão do Curso de Ciências Contábeis. Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC. Criciúma – SC. A dificuldade dos hospitais filantrópicos em oferecer serviços dignos à sua comunidade apresenta-se constantemente mais árdua, quer seja pelos recursos financeiros insuficientes ou pelas exigências legais a que estão submetidas essas instituições. Diante desta realidade, buscou-se verificar se os valores pagos pelo Sistema Único de Saúde, quanto aos procedimentos de hérniorrafia inguinal e varizes unilateral são suficientes para suprir os respectivos custos diretos hospitalares. Para satisfazer os objetivos propostos, realizou-se pesquisa descritiva, bibliográfica e estudo de caso no centro cirúrgico do Hospital São Judas Tadeu, localizado no município de Meleiro, sul de Santa Catarina. Os instrumentos utilizados foram entrevistas e análise documental, cuja análise ocorreu de forma qualitativa. Inicialmente caracterizou-se os hospitais filantrópicos, o centro cirúrgico e as normas e procedimentos que regulamentam o Sistema Único de Saúde no Brasil, bem como a definição contábil dos custos envolvidos. Quanto ao estudo de caso, buscou-se identificar os custos diretos em ambas as cirurgias. Em relação às análises realizadas observou-se que os recursos repassados aos nosocômios pelo Sistema Único Saúde são suficientes apenas para custear os gastos elencados no presente estudo, ficando as demais gastos suportadas pela entidade hospitalar. Palavras-chave: Hospitais Filantrópicos, Custos Diretos, Sistema Único de Saúde. 8 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 01: Classificação dos Hospitais......................................................................21 Figura 02: Conceitos Básicos Utilizados na Contabilidade de Custos. .....................39 Figura 03: Comportamento Custos Fixos e Variáveis. ..............................................42 Figura 04: Comportamento dos Custos Semifixos e Semivariáveis. .........................43 Figura 05: Fluxo global dos custos e despesas no custeio por absorção. ................45 Figura 06: Concepção Teórica do ABC.....................................................................50 Figura 07: Hospital São Judas Tadeu. ......................................................................54 Figura 08: Sala 1 - Centro Cirúrgico do Hospital São Judas Tadeu. .........................56 Figura 09: Processo Cirúrgico ...................................................................................58 Gráfico 01: Produção Cirúrgica do SUS no Brasil. ....................................................28 Quadro 01: Porte Hospitalar......................................................................................21 Quadro 02: Classificação Hospitalar pelo Sistema Único de Saúde. ........................22 Quadro 03: Tabela de Pontuação do Porte Hospitalar..............................................22 Quadro 04: Dependências do Centro Cirúrgico.........................................................29 Quadro 05: Equipamentos Básicos do Centro Cirúrgico. ..........................................30 Quadro 06: Composição da Equipe do Centro Cirúrgico. .........................................31 Quadro 07: Processo Básico de uma Cirurgia. .........................................................32 Quadro 08: Custo da Mercadoria Vendida. ...............................................................35 Quadro 09: Principais Classificações de Custos. ......................................................40 Quadro 10: Custeio por Absorção x Custeio Variável. ..............................................47 Quadro 11: Custeio por Absorção x Custeio Variável (DRE). ...................................47 Quadro 12: Margem de Contribuição. .......................................................................51 Quadro 13: Equipamentos Básicos do Centro Cirúrgico. ..........................................56 Quadro 14: Materiais e Medicamentos Utilizados no Processo Cirúrgico. ................59 Quadro 15: Cálculo de Oxigênio Utilizados no Procedimento Cirúrgico....................59 Quadro 16: Mão-de-obra Equipe Médica. .................................................................60 Quadro 17: Mão-de-obra Equipe de Enfermagem. ...................................................60 Quadro 18: Horas Mão-de-obra Equipe de Enfermagem – Hérniorrafia Inguinal......61 Quadro 19: Horas Mão-de-obra Equipe de Enfermagem – Varizes Unilateral. .........61 Quadro 20: Valor Mão-de-Obra Equipe de Enfermagem. .........................................62 Quadro 21: Valor Gastos com Alimentação. .............................................................62 9 Quadro 22: Custos Apurados nos Procedimentos Cirúrgicos. ..................................64 Quadro 23: Valor SUS – Hérniorrafia Inguinal...........................................................65 Quadro 24: Valor SUS – Varizes Unilateral...............................................................65 Quadro 25: Gastos Abordados e Não Abordados no Estudo ....................................67 10 LISTA DE TABELAS Tabela 01: Rateio da Energia Elétrica – Hospital São Judas Tadeu. ........................63 Tabela 02: Custos Diretos Hospital X SUS – Serviços Hospitalares.........................66 Tabela 03: Serviços Médicos Particulares X SUS e SMS .........................................68 Tabela 04: Serviços Médicos Particulares X SUS.....................................................69 11 LISTA DE SIGLAS AIH – Autorização de Internação Hospitalar AMESC – Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária CC – Centro Cirúrgico CERSUL – Cooperativa de Eletrificação Rural Sul Catarinense CF – Constituição Federal CIB – Comissão Ingestora Bipartite CNAS – Conselho Nacional de Assistência Social CNES – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde CV – Custos Variáveis DOU – Diário Oficial da União DV – Despesas Variáveis ECG – Eletrocardiograma FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FUCRI – Fundação Educacional de Criciúma GM – Gabinete do Ministério HRA – Hospital Regional de Araranguá HSJT – Hospital São Judas Tadeu IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social MC – Margem de Contribuição PE – Ponto de Equilíbrio PGE – Procuradoria Geral do Estado PV – Preço de Venda RDC – Resolução de Diretoria Colegiada RS – Rio Grande do Sul SIH – Sistema de Informações Hospitalares SindiSaúde – Sindicato dos Estabelecimentos de Saúde de Criciúma e Região SMS – Secretarias Municipais de Saúde SUS – Sistema Único de Saúde STF – Supremo Tribunal Federal UTI – Unidade de Terapia Intensiva 12 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................14 1.1 Tema e Problema...............................................................................................14 1.2 Objetivos da Pesquisa ......................................................................................16 1.3 Justificativa........................................................................................................16 1.4 Metodologia .......................................................................................................18 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .............................................................................20 2.1 Entidade Hospitalar...........................................................................................20 2.2 Certificado Beneficente de Assistência Social...............................................24 2.3 Sistema Único de Saúde...................................................................................26 2.4 Caracterização do Centro Cirúrgico ................................................................29 2.5 Gestão de Custos Hospitalares .......................................................................33 2.6 Contabilidade de Custos ..................................................................................34 2.7 Terminologias da Contabilidade de Custos....................................................35 2.7.1 Gastos .............................................................................................................36 2.7.2 Custo ...............................................................................................................36 2.7.3 Despesa...........................................................................................................37 2.7.4 Desembolso ....................................................................................................37 2.7.5 Perda ...............................................................................................................38 2.7.6 Investimento ...................................................................................................38 2.7.7 Desperdício.....................................................................................................39 2.8 Classificação de Custos ...................................................................................40 2.8.1 Quanto a Identificação aos Produtos ...........................................................40 2.8.2 Quanto ao Volume Produzido .......................................................................41 2.9 Métodos de Custeio ..........................................................................................44 2.9.1 Custeio por Absorção ....................................................................................44 2.9.2 Custeio Variável ou Direto.............................................................................46 2.9.3 Custeio Baseado em Atividades ...................................................................48 2.10 Margem de Contribuição ................................................................................50 2.11 Ponto de Equilíbrio..........................................................................................51 3 ESTUDO DE CASO ...............................................................................................53 3.1 Aspectos e Caracterização do Hospital Objeto de Estudo............................53 3.1.1 Caracterização do Centro Cirúrgico Analisado ...........................................55 13 3.1.2 Descrição dos Procedimentos Cirúrgicos ...................................................57 3.2 Custos Envolvidos nas Cirurgias ....................................................................59 3.3 Valores Praticados Pelo Sistema Único de Saúde .........................................64 3.4 Análise Comparativa dos Dados Levantados.................................................66 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................70 REFERÊNCIAS.........................................................................................................72 APÊNDICES .............................................................................................................76 14 1 INTRODUÇÃO Neste capítulo será apresento inicialmente o tema, juntamente com o problema para realização deste trabalho, que consiste na apuração dos custos diretos em dois procedimentos cirúrgicos. Na sequência, serão relatados o objetivo geral e os específicos, que nortearam a pesquisa. Apresentar-se-á em seguida a justificativa, apontando sua contribuição teórica, prática e social da realização deste estudo. Por fim, expõe-se a metodologia do trabalho, que ampliará os conhecimentos sobre os métodos de pesquisa para elaboração do mesmo. 1.1 Tema e Problema É constante a busca das empresas em se manter ativas no mercado, a competitividade e as avançadas tecnologias são fatores que influenciam a procura de novas alternativas. As instituições necessitam de informações gerenciais, que forneçam subsídios no processo decisional. Neste contexto as informações de custos tornam-se importante para que a entidade possa elaborar o preço de venda de cada produto ou serviço prestado. Nas instituições hospitalares públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos, a situação torna-se ainda mais complexa. Onde são constantes as mudanças na prestação de serviços médico-hospitalares, as exigências da vigilância sanitária, a evolução e as novas tecnologias, o avanço e surgimento de novas doenças, tornando o controle de custos cada vez mais importante. Trazendo assim a necessidade de um melhor gerenciamento por parte dos hospitais, objetivando um retorno eficaz de informações, para o processo de decisão. O aumento dos gastos em saúde ameaça a lucratividade e até mesmo a sobrevivência dessas instituições. Fatores como esses fazem com que os gestores busquem a racionalização dos custos. Entretanto existe uma preocupação ainda maior do que em outros segmentos da economia, onde nem sempre o menor preço 15 pode ser adotado, pois a vida de pessoas está em questão. Torna-se necessário a redução dos gastos, porém, sem comprometer a qualidade do serviço prestado. Em prestadores de serviços de saúde a complexidade torna-se maior, pois a responsabilidade dessas instituições vai além do prescrito em prontuários médicos. Além do tratamento é preciso proporcionar aos pacientes, conforto, amparo na dor e nos momentos mais difíceis, não podendo deixar que a emoção ultrapasse a racionalidade financeira, gastando recursos que não dispõe. Porém, são procedimentos necessários, que envolvem um maior tempo na realização do tratamento ou procedimento, elevando assim os custos envolvidos. Nos hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em casos de cirurgias eletivas, o pagamento é realizado por meio de pacotes para cada procedimento realizado. Compreendendo neste todos os gastos que julgam necessários para suprir as despesas incorridas no procedimento cirúrgico, tais como: materiais, medicamentos, gastos com os profissionais de enfermagem e médicos, taxas de utilização de sala e internação. Entretanto, na manutenção dos hospitais deve-se analisar não apenas os custos na prestação direta dos procedimentos realizados, mas todos os gastos como: folha de pagamento, fornecedores, alimentação, lavanderia, manutenção de equipamentos, água, energia elétrica, telefone, encargos, entre outros gastos da organização. Para que as entidades hospitalares consigam manter-se financeiramente, precisam das receitas dos procedimentos e internações realizadas por meio de convênios e particulares. Porém, necessitam também do valor repassado pelo Sistema Único de Saúde, não apenas no que tange as internações, como também em procedimentos cirúrgicos, que representam uma soma importante para a instituição. Conseguindo dessa maneira, obter superávits financeiros para investir em sua melhoria, buscando novas tecnologias e melhores condições no atendimento ao paciente. Diante dos fatos apresentados propõe-se um estudo de caso em um hospital de pequeno porte da região do Vale do Araranguá, em procedimentos cirúrgicos específicos. Com o propósito de responder a seguinte questão-problema: Qual a diferenciação entre os valores praticados pelo Sistema Único de Saúde e os gastos efetivamente suportados por um hospital filantrópico da região do vale do 16 Araranguá quanto aos procedimentos cirúrgicos de hérniorrafia inguinal e varizes unilateral? 1.2 Objetivos da Pesquisa O objetivo geral deste trabalho consiste em apurar a diferenciação entre os valores praticados pelo Sistema Único de Saúde e os gastos efetivamente suportados por um hospital filantrópico da região do vale do Araranguá quanto aos procedimentos cirúrgicos de hérniorrafia inguinal e varizes unilateral. Em termos específicos, pretende-se: • caracterizar os procedimentos cirúrgicos no hospital objeto de estudo, identificando as atividades envolvidas na prestação dos serviços; • apresentar os custos diretos envolvidos nos procedimentos cirúrgicos de hérniorrafia inguinal e varizes unilateral; e • comparar os custos diretos e os gastos suportados pelo hospital em relação aos valores praticados pela tabela do Sistema Único de Saúde. 1.3 Justificativa O grande avanço na contabilidade de custos ocorreu devido à revolução industrial, para que os custos de fabricação dos produtos pudessem ser mensurados. Deste modo, neste tipo de instituições a contabilidade de custos está suficientemente avançada atendendo às necessidades dos gestores. Contudo, nas empresas prestadoras de serviços, a apuração do custo médio do serviço prestado torna-se mais difícil, haja vista que a cada paciente atendido, o custo apresenta-se diferenciado, seja pela patologia, organismo, alergias, genética entre outros. E por 17 essas diferenças a entidade precisa aplicar um equilíbrio para a formação de preço de cada serviço. Nos hospitais que atentem pelo SUS, o gerenciamento dos custos é ferramenta de fundamental importância, sendo que o recebido por meio do convênio é realizado de acordo com o procedimento, e não pelo que foi gasto no mesmo, conforme tabela unificada. E por esse motivo, deve-se analisar os gastos envolvidos nos procedimentos objeto deste estudo, a fim de verificar se os recursos financeiros recebido pelo SUS são suficientes para realização da prestação desses serviços hospitalares. A contribuição teórica dá-se no aprofundamento dos conhecimentos na gestão de custos na área de prestação de serviços hospitalares em relação ao Sistema Único de Saúde. Pois, os referenciais existentes apuram em sua maioria custos do processo industrial, sendo raros as ferramentas bibliográficas de gastos com os procedimentos na prestação de serviços médico-hospitalares. No que tange a contribuição prática, com a conclusão deste estudo os gestores das instituições hospitalares terão subsídios para tomada de decisões quanto à viabilidade, em relação à realização de procedimentos cirúrgicos por meio do SUS. Ressaltando que a lucratividade financeira, não é o único aspecto a ser observado, pois têm-se também, questões de contrato e convênios firmados. Para as instituições que são portadoras do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social existem exigências ao atendimento por meio do SUS. Desta maneira, encontram-se fatores importantes antes da decisão em relação à realização de cirurgias através deste convênio. Este trabalho visa também o interesse social, visto que, as cirurgias realizadas por meio do SUS beneficiam a população, que não possuem condição para realização desses procedimentos por meio de outros convênios. Um adequado controle gerencial de custos diminuiria os desperdícios e gastos desnecessários. Com isso, mais pessoas poderiam ser atendidas gratuitamente pelos hospitais. Pois, ao contrário das instituições lucrativas, os hospitais filantrópicos têm o principal objetivo à prestação de serviços à população. 18 1.4 Metodologia Para que os objetivos do trabalho possam ser alcançados, torna-se necessário traçar os procedimentos metodológicos a serem utilizados. De acordo com Viana (2001, p. 95), “a metodologia é como a ciência que estuda os métodos, as sistemáticas e os procedimentos para se atingir um fim proposto ou resolver problemas.” A pesquisa é fundamental para o sucesso deste estudo, sendo que, dela serão extraídos os conceitos e definições para o desenvolvimento do estudo apresentado. Segundo Oliveira (1999, p. 117), “a pesquisa tem por objetivo esclarecer uma série de compreensões no sentido de descobrir respostas para indagações e questões que existem em todos os ramos de conhecimento.” Para a realização desse trabalho foi realizada pesquisa descritiva. Almeida (1996, p.104) coloca que “a pesquisa descritiva tem como objetivo observar, registrar, analisar e coordenar dados, sem manipulá-los, sem a interferência do pesquisador.” Neste estudo essa tipologia de pesquisa foi utilizada, com o intuito de descrever as variáveis envolvidas em cada procedimento, bem como os custos incorridos. Em relação aos procedimentos de pesquisa, foram aplicados estudos bibliográficos, disponibilizados por meio de livros, internet e os publicados em artigos e dissertações da área estudada. A pesquisa bibliográfica de acordo com Almeida (1996, p.107), “é o levantamento, seleção e fichamento de documentos de interesse para estudo de determinado assunto.” Estudar e verificar o que vários autores dizem a respeito do tema pesquisado, contribuiu para o enriquecimento do estudo e para que a compreensão do mesmo possa ser comparada por meio dos diferentes pontos de vista. Na sequência dos procedimentos metodológicos, foi realizado um estudo de caso que de acordo com Almeida (1996), tem o objetivo de coletar e analisar informações de determinado fato ou procedimento, com o intuito de registrar variados dados, de acordo com a pesquisa. Esse estudo realizou-se em um Hospital de pequeno porte da região do Vale do Araranguá, nos procedimentos cirúrgicos de herniorráfia inguinal e varizes unilateral, com o propósito de levantar os custos 19 diretos de cada cirurgia. A fim de realizar análise comparativa com os valores praticados pela tabela vigente do Sistema Único de Saúde. Os instrumentos de coleta de dados utilizados foram entrevistas com os profissionais que atuam na área estudada. Viana (2001, p.165) afirma que: a entrevista consiste em uma série de questões feitas oralmente ao pesquisado e podem ser: abertas, quando possibilitam respostas livres a respeito do tema definido; e semi-estruturadas, quando as perguntas são feitas a partir de um roteiro flexível preparado pelo entrevistador, possibilitando as ampliações e enriquecimentos que se fizerem necessários [...] A pesquisa documental foi outro método utilizado neste estudo, visando a análise e a investigação dos documentos com o propósito de fazer um levantamentos dos dados desejados. Para Marconi e Lakatos (2002, p. 62), a característica da pesquisa documental é que a fonte de coleta de dados está restrita a documentos, escritos ou não, constituindo o que se denomina de fontes primárias. Estas podem ser recolhidas no momento em que o fato ou fenômeno acorre, ou depois. Desta maneira, analisou-se a documentação, como por exemplo: prontuários e documentos afins. O propósito é levantar os materiais envolvidos no processo cirúrgico. Utilizou-se também a pesquisa observacional, com o objetivo de ter contato direto com os fatos, Marconi e Lakatos (2002, p. 88) esclarecem que, a observação é uma técnica de coleta de dados para conseguir informações e utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Não consiste apenas em ver e ouvir, mas também em examinar fatos ou fenômenos que se deseja estudar. A análise dos dados coletados realizou-se de forma qualitativa, de acordo com Oliveira (1999, p. 117), as pesquisas que se utilizam a abordagem qualitativa possuem a facilidade de poder descrever a complexidade de uma determinada hipótese ou problema, analisar a interação de certas variáveis, compreender e classificar processos dinâmicos experimentados por grupos sociais, apresentar contribuição no processo de mudança, criação ou formação de opiniões de determinado grupo e permitir, em maior grau de profundidade, a interpretação das particularidades dos comportamentos ou atitudes dos indivíduos. Esse tipo de pesquisa tem por finalidade demonstrar e analisar os fatos relacionados ao procedimento, de forma descritiva, a fim de concluir o estudo com os dados levantados. Apresentado os procedimentos metodológicos a serem utilizados neste estudo, busca-se a seguir alcançar neste trabalho o problema e os objetivos pretendidos. 20 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo apresenta-se a contribuição bibliográfica, estruturada em referencial teórico da pesquisa. Em primeiro módulo, caracteriza-se da entidade hospitalar, o certificado beneficente de assistência social e o Sistema Único de Saúde. Posteriormente aborda-se a gestão de custos hospitalares, apresentando também a contabilidade de custos, descrevendo sua importância na gestão de qualquer tipo de empresa, e as terminologias utilizadas. Ainda serão descritos os métodos de custeio por absorção, variável e o baseado em atividades. E por fim, aborda-se a margem de contribuição e o ponto de equilíbrio. 2.1 Entidade Hospitalar As instituições hospitalares são organizações fundadas com o objetivo de prestar serviço de atenção a saúde e ao bem estar da população. Diferenciam-se das demais prestadoras de serviços por atuar em áreas específicas. Para Almeida (1983 apud ABBAS, 2001, p. 9) entidade hospitalar é uma instituição destinada ao diagnóstico e tratamento de doentes internos e externos; planejada e construída ou modernizada com orientação técnica; bem organizada e convenientemente administrada consoantes padrões e normas estabelecidas, oficial ou particular, com finalidades diversas; grande ou pequena, custosa ou modesta para atender os ricos, ou menos afortunados, os indigentes e necessitados, recebendo doentes gratuitos ou contribuintes; servindo ao mesmo tempo para prevenir contra a doença e promover a saúde, a prática, a pesquisa e o ensino da medicina e da cirurgia, da enfermagem e da dietética, e das demais especialidades afins. A definição de um hospital também é apresentada por Mirshawka (1994), como sendo parte integrante de uma organização médica e social, objetivamente criada para proporcionar a população assistência médica curativa e preventiva. As instituições hospitalares trabalham com a particularidade de atendimento, ou seja, o paciente à procura na maioria dos casos, contra a própria vontade ou quando há extrema necessidade, buscando o tratamento e a cura da doença que se manifestou. 21 Médici e Marques (1996 apud ABBAS, 2001 p. 10) completam o raciocínio afirmando que, o indivíduo, ao procurar a assistência médica, não o faz por livre vontade, mas sim por necessidade, isto é, por circunstâncias alheias ao seu desejo. Ao ingressar num serviço de saúde, o indivíduo não sabe que tipo de intervenção irá sofrer ou que tipo de exames ou medicamentos irá consumir. Segundo Martins (2002), os hospitais atuam na prestação de serviços por meio de pessoas (médicos, enfermeiros, técnicos, administradores), equipamentos e instalações. Atendem aos mais diversos tipos de diagnósticos, tratamentos e reações. O que torna diferenciado o atendimento a cada paciente, seja em relação ao organismo, hereditariedade, alergias, entre outros fatores envolvidos no tratamento da doença do indivíduo. As organizações hospitalares podem ser caracterizadas de acordo com as especialidades que atendem, conforme exposto na Figura 01: Geral – Especialidades Básicas Hospital Específico – Especialidades Figura 01: Classificação dos Hospitais. Fonte: Adaptado por Mozachi (2009, p. 2). O hospital geral é caracterizado por atender a população nas quatro especialidades médicas básicas: clínica médica, pediátrica, ginéco-obstétrica e cirúrgica. Já um hospital especializado é aquele que presta assistência em especialidades específicas, tais como, maternidade, psiquiatria, neurocirurgia, entre outros (MOZACHI, 2009). Os hospitais além de serem caracterizados de acordo com as especialidades que atendem, podem também ser definidos pelo número de leitos existentes em sua estrutura física. Sua classificação dá-se por hospitais de pequeno, médio, grande porte, ou de porte especial, conforme demonstrado a seguir. PORTE Pequeno Médio Grande Porte Especial Quadro 01: Porte Hospitalar. Fonte: Adaptado por Mozachi (2009, p. 2). NÚMERO DE LEITOS até 50 leitos de 51 a 150 leitos de 151 a 500 leitos acima de 500 leitos 22 Considerando a diversidade de instituições vinculadas ao SUS, o Ministério da Saúde classifica a entidade hospitalar de forma diferenciada em relação a esse sistema público de saúde. Conforme Portaria nº 2.224/GM/MS, de 05 de dezembro de 2002, os hospitais são classificados em Porte I, II, III e IV, ordenados conforme as características das instituições, como podem ser observadas no Quadro 02 a seguir. ITENS DE AVALIAÇÃO A B C Leitos Leitos de Total de Cadastrados UTI Internações 1 ponto 20 a 49 1a4 960 a 2.352 CI Bás Inc 1a2 Pontos 2 pontos 50 a 149 5a9 2.353 a 7.152 Geral 3a4 Totais 3 pontos 150 a 299 10 a 29 7.153 a 14.352 Geral/Ref 5a6 30 ou Acima de mais 14.353 Especializado 7 ou mais Pontos Por Item 4 pontos 300 ou mais D Classificação E Serviços de Alta Complexidade Quadro 02: Classificação Hospitalar pelo Sistema Único de Saúde. Fonte: Adaptado pela Portaria nº 2.224/GM/MS/2002. De acordo com o quadro de avaliação acima, faz-se um somatório de pontos conforme indica os itens A, B, C, D e E, com o resultado final dessa soma é possível classificar o hospital. O art. 4º da Portaria nº 2.224/GM/2002 apresenta o enquadramento dos hospitais no Sistema de Classificação Hospitalar do Sistema Único de Saúde, demonstrados no próximo Quadro. PORTE Nº DE PONTOS Porte I de 01 a 05 pontos Porte II de 06 a 12 pontos Porte III de 13 a 19 pontos Porte IV de 20 a 27 pontos Quadro 03: Tabela de Pontuação do Porte Hospitalar. Fonte: Adaptado pela Portaria nº 2.224/GM/2002. Como exemplo da região da AMESC, cita-se a FUCRI - Hospital Regional de Araranguá (HRA), onde conforme informações disponíveis no site da instituição. Possui 110 leitos cadastrados destinados ao SUS, 10 leitos de Unidade de Terapia Intensiva, e atende em média 6.690 internações ao ano, e por atender as quatro clínicas básicas, classifica-se como hospital geral. Aplicando essas informações na tabela acima, têm-se nove pontos, classificando como hospital de porte II, de acordo com o sistema de classificação hospitalar do SUS. 23 Além da classificação conforme as especialidades e o porte hospitalar, os hospitais ainda são classificados de acordo com a sua propriedade, ou seja, a quem pertence à manutenção destas instituições. Os hospitais podem ser públicos ou privados. Para Mozachi (2009), os hospitais públicos são aqueles no qual o patrimônio pertence à União, Estados, Distrito Federal e municípios, e os de caráter privados são pertencentes à pessoa Jurídica de direito privado, não instituída pelo poder público. As instituições privadas podem ser com fins lucrativos ou não. Ainda conforme Mozachi (2009, p. 2), os hospitais privados podem ser ou não beneficente – estes, mantidos com contribuições e doações particulares, para prestação de serviços a seus associados (revertidos na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais); podem prestar serviços a terceiros (SUS, convênios, etc.). O hospital filantrópico presta serviço para a população carente, por intermédio do SUS, respeitando a legislação em vigor. Nos hospitais privados com fins lucrativos, os lucros obtidos são destinados a elevar o patrimônio de seus proprietários. Ao contrário do que acontece nas instituições sem fins lucrativos, onde o lucro é destinado ao beneficiamento e manutenção da estrutura da instituição, objetivando o melhor atendimento aos seus usuários. Almeida (1987 apud ABBAS, 2001, p.12) afirma que a diferença entre empresas hospitalares com fins lucrativos e sem esta finalidade reside no fato de que a performance da administração das primeiras é avaliada pela capacidade de remunerar a uma taxa ótima o capital investido, embora imbuídas do objetivo social inerente a todos os hospitais. Quanto as segundas, procuram manter o serviço dentro de padrões razoáveis na comunidade, sem a preocupação de remunerar o capital investido, mas desejando um crescimento satisfatório para melhoria dos serviços e atender a demanda crescente da comunidade. Apesar da atribuição sem fins lucrativos, essas instituições objetivam o lucro, neste caso denominado superávit. Esse valor se destina a melhoria da entidade, tornando-se necessário para realizar obras e benfeitorias, buscando novas tecnologias e capacitações para melhor atendimento, entre outros fatores que contribuem para o crescimento da instituição. Para que o as instituições de saúde sejam intituladas como filantrópicas ou sem fins lucrativos e usufruam dos benefícios de isenção1 fiscal, é necessário 1 inexigibilidade do tributo, devido previsão em lei, mesmo com a ocorrência do fato gerador, em tese, da obrigação tributária. A isenção é temporária, ou seja, já na sua concessão pode-se delimitar o prazo de vigência, pois decorre de Lei. A imunidade tem caráter permanente, somente podendo ser mudada com a alteração da CF. Na imunidade não ocorre fato gerador da obrigação tributária, já na isenção, ocorre o fato gerador, mas a lei torna o crédito inexigível. (CFC, 2003, p. 40). 24 que esta obtenha o Certificado Beneficente de Assistência Social. Entretanto, tornase necessário o cumprimento de requisitos exigidos pela legislação, que serão abordados a seguir. 2.2 Certificado Beneficente de Assistência Social A concessão do Certificado Beneficente de Assistência Social, que anteriormente era concedido pelo CNAS2, conforme determinava a Lei nº 8.742, de 07 de dezembro de 1993, atualmente passou a ser de competência dos Ministérios responsáveis de cada área, alterado pela Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009. Torna-se necessário observar as disposições preliminares da Lei nº 12.101, no qual expõe em seus primeiros artigos a quem serão concedidos os certificados e as exigências estabelecidas na presente Lei. Conforme estabelecido no art. 1º A certificação das entidades beneficentes de assistência e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam aos dispostos nesta lei. art. 2º As entidades de que trata o art. 1º deverão obedecer ao princípio da 3 universalidade do atendimento, sendo vedado dirigir a suas atividades exclusivamente a seus associados ou a categoria profissional. Desta maneira, as entidades deverão atender a todos, seguindo o princípio da universalidade, sem deixar de atender ao indivíduo que não possui convênio ou condições de pagar pelo atendimento, independente de raça, cor ou classe social. Ainda conforme a lei citada será realizada a concessão ou renovação do certificado, às entidades que preverem em seus atos constitutivos, a destinação 2 CNAS: Conselho Nacional de Assistência Social é um órgão com competência de normalizar e coordenar as ações e a política nacional no setor e de conceder atestado de registro e certifico de entidades de fins filantrópicos ás entidades prestadoras de serviços e assessoramento de assistência social. (PAES, 1999, p. 351). 3 a universalidade do atendimento diz respeito à proteção de todos os residentes do território nacional, isto é, todas as pessoas indistintamente deverão ser atendidas e acolhidas. (LFG, 2010). 25 do patrimônio a entidades sem fins lucrativos congêneres ou a entidades públicas, em caso de dissolução ou extinção da mesma. As solicitações da certificação deverão ser encaminhadas aos ministérios competentes. Sendo estes: Ministério da Saúde, Ministério da Educação e ao Desenvolvimento Social e Combate à Fome. De acordo com a atividade da empresa, e ao que consta em seus atos constitutivos. Em se tratando de Saúde, as exigências em relação à Certificação estão instituídas na seção I, da Lei nº 12.101/2009, no qual exige no art. 4º Para ser considerada beneficente e fazer jus à certificação, a entidade de saúde deverá, nos termos do regulamento: I – comprovar o cumprimento das metas estabelecidas em convênio ou instrumento congênere celebrado com o gestor local do SUS; II – ofertar a prestação de seus serviços ao SUS no percentual mínimo de 60% (sessenta por cento); III – comprovar, anualmente, a prestação de seus serviços de que trata o inciso II, com base no somatório das internações realizadas e dos atendimentos ambulatoriais prestados. Sendo assim, a entidade deverá atender obrigatoriamente os percentuais estabelecidos, oferecendo a população 60% (sessenta por cento) de seus atendimentos por meio do SUS. Não atingindo esse número a Lei nº 12.101, ainda prevê em seu art. 8º, que na impossibilidade do cumprimento do art. 4º a entidade deverá comprovar a aplicação de sua receita bruta em atendimentos gratuitos nos seguintes percentuais: I – 20% (vinte por cento), se o percentual de atendimento SUS for inferior a 30% (trinta por cento); II – 10% (dez por cento), se o percentual de atendimento ao SUS for igual ou superior a 30% (trinta por cento); III – 5% (cinco por cento), se o percentual de atendimento ao SUS for igual ou superior a 50% (cinqüenta por cento) ou se completar o quantitativo das informações hospitalares e atendimentos ambulatoriais, com atendimentos gratuitos devidamente informados de acordo com o disposto no art. 5º, não financiados pelo SUS ou qualquer outra fonte. Sendo assim, percebe-se que para que a entidade hospitalar conquiste o título de entidade filantrópica ou sem fins lucrativos, o atendimento por meio do SUS se torna obrigatório. Haja vista que, a gratuidade só é aceita como complemento à porcentagem de atendimento ao SUS. Deste modo, torna-se necessário o entendimento de como funciona o Sistema Único de Saúde e com que finalidade foi instituído, tratado a seguir. 26 2.3 Sistema Único de Saúde Sistema Único de Saúde surgiu a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988, onde em seu capítulo II, art. 196, destaca que a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantindo políticas sociais e econômicas que visem à redução dos riscos de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação. Este direito foi contemplado através da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, no qual destaca em seu art. 4º que o conjunto de ações e serviços de saúde, prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais, da administração pública direta e indireta e das fundações mantidas pelo poder público, constitui o Sistema Único de Saúde (SUS). Todos os habitantes de uma população têm direito ao atendimento gratuito por meio do SUS. Sendo proibida qualquer forma de remuneração ou bonificação para a realização da assistência, prevenção e tratamento deste sistema. Porém, o Supremo Tribunal Federal, em 19 de maio de 2010, aprovou para o estado do Rio Grande do Sul, o recurso denominado Diferença de Classe, extinto no Brasil na década de 90 (PGE-RS, 2010). De acordo com a Procuradoria Geral do Estado do RS (2010), esse recurso permite ao paciente, pagar a diferença entre as acomodações oferecidas pelo SUS, para um atendimento mais privativo e confortável, podendo ainda optar pela escolha do profissional médico com quem deseja realizar o tratamento. A princípio essa medida de ação civil movida pelo Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul, é válida apenas para o município de Giruá. No entanto, já existe em trâmite no STF, a cidade de Porto Alegre e mais 10 municípios. Ainda conforme a Procuradoria Geral do Estado do Rio Grande do Sul (2010), o principal impacto da medida seria sentido em instituições privadas credenciadas ao SUS, como hospitais filantrópicos, que mantêm tanto quartos que seguem o padrão SUS, com três ou mais pessoas, quanto instalações mais exclusivas e sofisticadas. Quanto ao atendimento médico, a decisão judicial permite que o profissional receba pelo SUS e, ao mesmo tempo, cobre uma diferença do paciente que optar por ser atendido pelo regime de atendimento diferenciado. Observa-se que de acordo com a decisão do Supremo Tribunal Federal, o profissional médico e a entidade hospitalar em caráter privado conveniada ao SUS, 27 poderão cobrar adicional, por eventual opção de melhores instalações por vontade do paciente. Não configurando dupla cobrança pelo atendimento e serviço prestado. A Lei nº 8.080/1990 ainda determina em seu art. 5º que são objetivos do SUS: I – a identificação e divulgação dos fatores condicionantes e determinantes da saúde; II – a formulação de política de saúde destinada a promover nos campos 4 econômicos e sociais, a observância do disposto no § 1º do art. 2º desta Lei; III – a assistência às pessoas por intermédio de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde, coma realização integrada das ações assistenciais e das atividades preventivas. De acordo com a Secretaria de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (2009), o SUS é financiado por meio de arrecadação de impostos e contribuições da população, sendo direito de todos beneficiarem-se de suas atividades. Portanto, as verbas para esse financiamento são oriundas das arrecadações dos municípios, dos estados e da União, garantindo assim a assistência médica a todo cidadão. Porém, na sua grande maioria os tratamentos, como: cirurgias, consultas, tratamentos, exames, entre outros são destinados à população mais carente e que possui dificuldades no pagamento desses procedimentos, por meio de outros convênios. Quanto às cirurgias eletivas, o SUS instituiu a Política Nacional de Procedimentos Cirúrgicos de Média Complexidade, inicialmente através da Portaria GM/MS nº 1.372/2004. Aprovada posteriormente pela Portaria GM/MS nº 467, de 30 de março de 2005, e redefinida pela Portaria GM/MS nº 252, de 06 de fevereiro de 2006. Essa política objetiva identificar a demanda reprimida e a redução de filas de espera procedimentos cirúrgicos eletivos. Estão inseridas nesta campanha do Sistema Único de Saúde, as especialidades de traumato-ortopedia, otorrinolaringologia, oftalmologia, urologia, ginecologia, angiologia, proctologia, mastologia, gastroentologia e cirurgia geral. No art. 3º, inciso I, da Portaria nº 252/2006, destaca que são alvos de reestruturação dessa política, todos os municípios de referência de Microrregião/Macrorregião, exceto aqueles que não possuem estrutura hospitalar para atender aos critérios da Política Nacional de procedimentos Cirúrgicos Eletivos de Média Complexidade, conforme pactuação na Comissão Ingestores Bipartite –CIB. 4 § 1º do art. 2º - O dever do Estado de garantir a saúde consiste na formulação e execução de políticas econômicas e sociais que visem à redução de riscos de doenças e de outros agravos e no estabelecimento de condições que assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para a sua promoção, proteção e recuperação. (Lei n° 8.080/1990). 28 Deste modo, os municípios através de seus gestores de saúde, realizarão o encaminhamento do paciente aos hospitais cadastrados para a realização da cirurgia, através de AIH. As Secretarias Municipais de Saúde devem comprometerse em contratar um médico responsável pela autorização das cirurgias e também realizar prestação de contas dos procedimentos cirúrgicos realizados. Apresenta-se a seguir o crescimento de cirurgias eletivas realizadas por meio do SUS. Gráfico 01: Produção Cirúrgica do SUS no Brasil. Fonte: Ministério da saúde (2010). Observa-se pelo exposto que a partir do ano de 2004, a frequência de cirurgias de média complexidade vem crescendo, principalmente do ano de 2006 ao de 2009. Esse crescimento também é encontrado nos valores investidos pelo SUS, para o financiamento desses procedimentos. Em se tratando dos procedimentos cirúrgicos de média complexidade, torna-se necessário o conhecimento das atividades envolvidas no centro cirúrgico, bem como a função das equipes de profissionais médicos e de enfermagem, abordado a seguir. 29 2.4 Caracterização do Centro Cirúrgico As dependências físicas do Centro Cirúrgico devem obedecer à legislação do Ministério da Saúde e da ANVISA, inseridas na RDC 50, que contempla informações de estrutura física dos estabelecimentos de saúde. Devem possuir ambientes que atendem as necessidades para a realização do procedimento. Contendo as características demonstras no quadro 04. Dependência Relação ambiente onde serão guardados os objetos pessoais do paciente, e feita a troca de roupa para a cirurgia. O Vestiários acesso aos vestiários deverá ser feito fora da área limpa do CC sala junto ao corredor do CC, a qual se recebe o Área de recepção do Paciente paciente, para posteriormente ser encaminhado para a sala de pré-anestesia ambiente onde o paciente aguarda até ser encaminhado Sala pré-anestesia a cirurgia local onde a equipe que realizará o procedimento, faz a Lavabos lavagem cirúrgica das mãos sala onde é realizada a intervenção cirúrgica, onde Salas de cirúrgica acontece o procedimento. é o local dedicado ao pessoal auxiliar, deve se comunicar com a sala de cirurgia por meio de uma janela. Onde a Ante-salas enfermeira circulante se comunicará com a técnica de enfermagem quando esta necessitar de algum material local onde ficam armazenados aparelhos, rouparia, Área de armazenamento materiais, medicamentos e materiais esterilizados Sala de descanso do pessoal local de descanso para os intervalos de cirurgias contendo baldes para o descarte de dejetos de cada intervenção cirúrgica e sacos próprios onde será colocada Área de expurgo a roupa suja compreende o espaço onde se faz a limpeza do material Área séptica ou suja e do instrumental, deixando-os em condições de serem esterilizados. Deve ser isolada da área limpa do CC onde se realiza o empacotamento do material e do 5 instrumental para a sua esterilização. Possui o autoclave Área de esterilização e outros sistemas de esterilização, devendo o material sair direto para a área limpa onde se recebe o paciente pós-operado para a sua recuperação da anestesia. Permanecendo nela o tempo Sala de recuperação pós-anestesia necessário para que o paciente possa ser transportado para a unidade de internação. Quadro 04: Dependências do Centro Cirúrgico. Fonte: Adaptado por López e La Cruz (2000). 5 Esterilizador de materiais por calor úmido. (Barros, 1996, p. 79). 30 Observa-se que o processo cirúrgico necessita de uma estrutura física que permita realizar todos os processos interligados ao trans-operatório, com exceção da área séptica, no qual deve ser isolada da área limpa ou não contaminada. O centro cirúrgico compreende uma área que possui uma grande variedade de equipamentos e instrumentos que devem ser apropriados ao custo dos procedimentos, dificultando a mensuração desse valor. No próximo quadro serão demonstrados os equipamentos básicos utilizados num procedimento cirúrgico, dos quais podem ser classificados em equipamentos fixos e móveis. Os fixos são aqueles adaptados a estrutura da sala de cirurgia. Enquanto os móveis são os que permitem o deslocamento para outra sala de procedimentos cirúrgicos. (SILVA; RODRIGUES; CESARETTI, 2001). Equipamentos Fixos Equipamentos Móveis 6 Mesa Cirúrgica 1 Foco Cirúrgico central 7 Mesa Auxiliar 8 Suporte para Soro 9 Carro de Anestesia 2 Ar Condicionado 10 Carro de Hamper 11 Carro de Medicação 12 Baldes Para Lixo 3 Oxigênio 13 Aspirador Cirúrgico 14 Estrado 15 Tala de Suporte para Braço 4 Óxido Nitroso 16 Estetoscópio 17 Tensiômetro 18 Negatóscópio 5 Eletrocautério ou Bisturi Elétrico 19 Monitor Multiparamétrico Quadro 05: Equipamentos Básicos do Centro Cirúrgico. Fonte: Adaptado por Barros (1996). Existem outros equipamentos que podem pertencer à sala de cirurgia, porém, deve-se atentar ao acúmulo dos mesmos, pois, dificulta a limpeza, favorecendo a contaminação da sala. Além dos equipamentos citados acima o centro cirúrgico deve conter todo o instrumental devidamente esterilizado para a cirurgia ser realizada. Basicamente utilizam-se pinças de pressão, bisturis, tesouras, pinças hemostáticas, pinças de dissecção, pinças de campo, afastadores, agulhas e porta-agulha, esse instrumental fica armazenado no CC. (BARROS, 1996). Para a realização do procedimento cirúrgico necessita-se de uma equipe de profissionais devidamente especializados. Essa equipe é formada por médicos com especialização em cirurgia e profissionais de enfermagem, cada um deles 31 exerce função diferenciada em relação ao procedimento cirúrgico, conforme demonstrado no Quadro 06. Composição da Equipe Competência planeja e excuta o ato cirúrgico e comanda e mantém a ordem no campo operatório auxilia o cirurgião no desenvolvimento do processo Cirurgião assistente cirúrgico e substitui-o caso se faça necessário avalia o paciente no pré-operatório, prescreve a medicação pré-anestésica, planeja e executa a anestesia. Controla as condições do paciente Anestesista durante o ato anestésico, e é de sua responsabilidade acompanhar o paciente durante sua recuperação organiza, controla, planeja e supervisiona a administração do CC no momento da cirurgia. Recebe o paciente avaliando suas condições físicas Enfermeiro Chefe e emocionais, e demais procedimentos necessários para o ato cirúrgico. Além de circular na sala durante a cirurgia auxiliar o enfermeiro, verificar os aparelhos, controlar o estoque de materiais e medicamentos, Técnico e Auxiliar de Enfermagem exerce as funções de instrumentador cirúrgico e circulante quando necessário. Em alguns casos executa a limpeza do CC. Quadro 06: Composição da Equipe do Centro Cirúrgico. Fonte: Adaptado por Silva, Rodrigues e Cesaretti (2001, p. 36). Cirurgião Em relação ao procedimento cirúrgico, apresenta-se a seguir as etapas para a realização do mesmo, demonstrada de forma detalhada no próximo quadro. Passos 01 02 Etapas Preparo da sala Encaminhamento do paciente ao CC Características para cada tipo de cirurgia existe um preparo específico da sala, onde compreendem: desinfecção de todos os móveis, equipamentos e da sala de cirurgia propriamente dita. Todos os materiais de farmácia, instrumentais cirúrgicos necessários são separados e colocados na sala para a realização de determinada cirurgia, bem como os campos cirúrgicos e aventais esterilizados encaminha-se o paciente ao CC pela unidade de internação quando este permanecerá um período maior no hospital, ou então pelo CC ambulatorial, onde o paciente é preparado para o procedimentos cirúrgico, realizando a troca de roupa, a medicação pré-anestésica e o preparo do atendimento pré-operatório através da equipe de enfermagem por maca. Continua 32 03 Procedimento cirúrgico 04 Recuperação pós anestésica 05 Encaminhar paciente à Unidade 06 Desmontar a sala Conclusão com a sala preparada, o paciente é acomodado à mesa cirúrgica e submetido à anestesia. O anestesista utiliza-se de equipamento (próprios da anestesia), medicamentos e anestésicos. Este é auxiliado por um profissional técnico denominado “auxiliar de anestesia” que disponibiliza recursos necessários para o perfeito andamento da anestesia. As cirurgias têm uma duração variável que depende da especialidade e do tipo de cirurgia. Durante todo o período estará disponível um profissional de enfermagem, técnico de enfermagem, denominado “circulante de sala” que auxiliará o médico cirurgião, disponibilizando os materiais e instrumentais, e uma instrumentadora, que auxilia o cirurgião na realização do procedimento. após o ato cirúrgico ou transoperatório, os pacientes são encaminhados para a recuperação anestésica, onde recebem os cuidados imediatos e específicos da equipe de enfermagem, onde são monitorados os sinais vitais até que esteja estabilizado e recuperado da anestesia realizada, para assim ser encaminhado ao leito. após a recuperação anestésica, o paciente é encaminhado ao leito, pela própria equipe de enfermagem, onde terá todos os cuidados na unidade de internação cirúrgica com o paciente encaminhado a unidade de internação, a sala é desmontada pelo instrumentador e pelo circulante de sala. Realizase a conferência dos materiais esterilizados e encaminha-se para a limpeza dos instrumentais (central de esterilização). Os equipamentos e móveis da sala são também esterilizados e realiza-se a separação do lixo (roupa suja – lavanderia, lixo – expurgo). Após, a sala sofrerá uma limpeza terminal. Quadro 07: Processo Básico de uma Cirurgia. Fonte: Adaptado de Freitas e Fukumoto (2000). Percebe-se pelo quadro acima, que o procedimento cirúrgico inicia antes da entrada do paciente no CC. Onde torna-se necessário a montagem da sala e a preparação dos materiais e medicamentos necessários no pré-operatório e transoperatório. Realizado o ato cirúrgico, faz-se a desmontagem da sala e a desinfecção de todo o centro. Apresentadas as definições de um ambiente hospitalar e suas características em relação à filantropia, ao SUS e aos procedimentos cirúrgicos. Abordar-se-á a seguir a contabilidade de custos, inicialmente em gestão de custos hospitalares. 33 2.5 Gestão de Custos Hospitalares A dificuldade das instituições hospitalares em manter sua estrutura física, seus compromissos financeiros com terceiros e também com seus colaboradores, faz com que essas entidades procurem novas formas de gerenciamento em relação à redução de custos. Uma vez que, a mensuração6 desses possui um grau de dificuldade mais elevado, por apresentar uma maior complexidade em identificá-los. Martins (2000, p. 23) conceitua custos hospitalares como sendo “os gastos relativos a materiais e serviços utilizados na produção médica do hospital”. No que tange aos custos relacionados ao atendimento do paciente, além dos materiais, medicamentos e mão-de-obra (médicos, enfermeiras e técnicas de enfermagem), envolvem ainda todo o serviço de apoio, no qual pode-se citar nutrição e dietética, lavanderia, higienização, manutenção, entre outros. Segundo Ching (2001 p. 34), a utilidade da mensuração dos custos hospitalares são importantes para: a) atendimento de seu comportamento quanto aos diversos níveis de volume, seja de paciente/dia, exames de laboratório, número de cirurgias no centro cirúrgico etc.; b) identificar e elaborar estratégias eficazes da contenção de custos; c) conhecer a rentabilidade dos diversos procedimentos e serviços; d) identificar a rentabilidade dos diversos grupos de fontes pagadoras, seja particulares, seja seguradoras, empresas de auto gestão, convênios etc.; e) ajudar no estabelecimento de tabelas de preços diferenciadas para cada grupo de fonte pagadora; f) comparar e determinar a correta alocação dos recursos entre os diversos serviços de um mesmo hospital. Como na contabilidade de custos, os gastos hospitalares são classificados de forma que se reconheça sua relação com o serviço prestado. Martins (2000, p. 23) relata que o processo de classificar os custos hospitalares começa com o agrupamento dos gastos de acordo com os elementos: salários, materiais, serviços, depreciação, impostos etc. Em um hospital, o custo total corresponde a soma de todos os gastos, incluindo os custos de produção médica e as despesas administrativas, financeiras, tributárias, comerciais e de pessoal. 6 Mensuração/Mensurar: determinar a medida (Ferreira, 1993, p. 359). 34 A mensuração dos custos envolvidos no procedimento médico-hospitalar torna-se tarefa bastante difícil de realizar. Devido à complexidade de classificação e alocação da prestação de serviços. Com o propósito de facilitar o entendimento dos custos, e sua participação no gerenciamento hospitalar, abordar-se-á na seção seguinte a contabilidade de custos e suas particularidades, tais como: classificação, nomenclatura, métodos de custeio, margem de contribuição e ponto de equilíbrio. 2.6 Contabilidade de Custos A contabilidade de custos é uma área da ciência contábil utilizada na gestão empresarial, por produzir informações importantes para tomada de decisões, que muitas vezes definem o futuro da organização. Segundo Leone (2000, p.19), a contabilidade de custos é o ramo da contabilidade que se destina a produzir informações para os diversos níveis gerenciais de uma entidade, como auxílio às funções de determinação e desempenho, de planejamento e controle das operações e de tomada de decisões. Com a revolução industrial7 e o advento das primeiras fábricas a contabilidade de custos ganhou grande impulso. Sendo que, a contratação de mãode-obra e a aquisição de maquinário para a produção exigiram das empresas maior controle e gerenciamento das atividades econômicas e financeiras. Fato que não se realizava em virtude destas serem em sua maioria artesanais e comerciais. Neste período segundo Martins (2003), a contabilidade utilizada era basicamente financeira, a apuração do custo era realizado por meio do levantamento dos estoques iniciais, adicionando as compras e comparando com o que restava em estoque, conforme demonstra o Quadro 08. 7 a substituição das ferramentas pelas máquinas, da energia humana pela energia motriz e do modo de produção doméstico pelo sistema fabril constituiu a Revolução Industrial; revolução, em função do enorme impacto sobre a estrutura da sociedade, num processo de transformação acompanhado por notável evolução tecnológica. A Revolução Industrial aconteceu na Inglaterra na segunda metade do século XVIII e encerrou a transição entre feudalismo e capitalismo, a fase de acumulação primitiva de capitais e de preponderância do capital mercantil sobre a produção. (Cultura Brasil, 2010). 35 Estoques Iniciais (+) Compras (-) Estoques Finais (=) Custo da mercadoria vendida Quadro 08: Custo da Mercadoria Vendida. Fonte: Martins (2003, p. 19). O advento das indústrias trouxe a necessidade de mudança das técnicas de apuração do preço de venda, sendo que os fatores de utilização de máquinas e a produção influenciavam o resultado final. Surgindo novos procedimentos contábeis para suprir os métodos de avaliação de estoque e do resultado do exercício das empresas, originando assim a contabilidade de custos. Martins (2003, p. 23) afirma que, a contabilidade de custos nasceu da contabilidade financeira, quando da necessidade de avaliar estoques nas indústrias, tarefa essa que era difícil na empresa típica da era do mercantilismo. Seus princípios derivam dessa finalidade primeira e, por isso, nem sempre conseguem atender completamente a suas outras duas mais recentes e provavelmente mais importantes tarefas: controle e decisão. Esses novos campos deram novas vidas a essa área que, por sua vez, apesar de já ter criado técnicas e métodos específicos para tal missão, não conseguiu ainda explorar todo seu potencial; não conseguiu, talvez, sequer mostrar a seus profissionais e usuários que possui três facetas distintas que precisam ser trabalhadas diferentemente, apesar de não serem incompatíveis entre si. A diversificação dos negócios, as novas tecnologias e sofisticações, criaram a necessidade de implantação de sistemas de informações e gerenciamento. Exaltando que a contabilidade de custos não surgiu apenas com o intuito de avaliar os estoques e apurar o resultado do período, mas se tornando instrumento de gestão e ferramenta importante no processo decisional. 2.7 Terminologias da Contabilidade de Custos Conhecer as nomenclaturas utilizadas na contabilidade de custos é necessário para que os conhecimentos possam ser compreendidos de maneira a contribuir com o desempenho das atividades realizadas, tais como: gastos, custo, despesa, desembolso, perda, investimento e desperdício. 36 2.7.1 Gastos Os gastos estão relacionados com outros termos da contabilidade de custos, segundo Oliveira e Peres Jr. (2005) esses são os bens e serviços obtidos por meio de desembolso, podendo ainda ser classificado em investimentos, custos, despesas, perdas e desperdícios. Martins (2003, p. 24) completa o entendimento de gasto como sendo “a compra de um produto ou serviço qualquer, que gera sacrifício financeiro para entidade (desembolso), sacrifício este representado por entrega ou promessa de entrega de ativos (normalmente em dinheiro).” Como exemplos de gastos podem-se citar: aquisição de matéria-prima, material de expediente, energia elétrica, aquisição de um bem, quando existe o sacrifício financeiro que futuramente representará um desembolso à empresa, este é considerado gasto. 2.7.2 Custo O custo relaciona-se exclusivamente ao processo de fabricação de uma empresa. Martins (2005, p. 25) relata que é um “gasto relativo a um bem ou serviço utilizado na fabricação de outros bens ou serviços.” Para Ferreira (2007, p. 15) o custo só existe durante o processo de produção do bem ou serviço. Assim, enquanto o produto está em fase de fabricação, os valores agregados na sua produção são tratados como custos. Os gastos posteriores à produção, necessários a administração e comercialização do produto, não são custos, e sim despesas. Oliveira e Peres Jr. (2005) acrescentam que os custos são todos os gastos do processo produtivo, são classificados pela contabilidade como custos. Portanto, a matéria-prima anteriormente classificada como gasto, no momento de sua fabricação passa a ser denominada custo, em razão de estar ligada ao processo produtivo da empresa. 37 2.7.3 Despesa As despesas também são consideradas gastos, Wernke (2005, p. 4) conceitua essa terminologia da seguinte maneira, despesa abrange o valor despendido voluntariamente com bens e serviços utilizados para obter receitas, seja de forma direta ou indireta. Este conceito é empregado para identificar, no caso de uma fábrica, os gastos não relacionados com a produção, mas que são necessários ao funcionamento da organização, ou seja, gastos ligados às atividades gerenciais da empresa. Dessa forma é possível definir a despesa como um gasto utilizado no processo de obtenção de receitas. Porém, não está ligado ao processo produtivo de fabricação de um bem ou serviço. Martins (2003, p. 26) colabora salientando que “as despesas são itens que reduzem o Patrimônio Líquido e que têm essa característica de representar sacrifícios no processo de obtenção de receitas.” As despesas são os gastos realizados nas áreas administrativas, financeiras e comercias que não estão ligadas ao processo de fabricação, com o objetivo de gerar receitas a empresa, e/ou manter a atividade geradora de receitas (OLIVEIRA; PERES JR., 2003). A diferenciação das nomenclaturas custos e despesas encontram-se na utilização em relação às atividades da empresa. Quando este gasto está relacionado com o processo produtivo de um bem ou serviço considera-se custo. Já os gastos, que não estão relacionados ao processo produtivo, mas está atribuído a obtenção de outras receitas são considerados como despesas. 2.7.4 Desembolso Desembolso relaciona-se com o pagamento, Oliveira e Peres Jr. (2005, p. 29) conceituam como sendo: saídas de dinheiro do caixa ou das contas bancárias da empresa, ou seja, entrega a terceiros de parte dos numerários da empresa. Os desembolsos ocorrem em virtude do pagamento de compras efetuadas à vista ou de uma obrigação assumida anteriormente. Para Ferreira (2007) o desembolso é o pagamento referente à aquisição de um bem ou serviço, podendo ser realizado, no ato do recebimento ou a prazo. Desta forma, essa terminologia é atribuída a todo o pagamento efetuado. Sendo que 38 este não ocorre necessariamente no ato, podendo ser realizado antecipadamente, como também em momento futuro. 2.7.5 Perda Esta nomenclatura classifica-se por fatos ocorridos com a interferência de fatores climáticos ou involuntários a vontade da empresa, ou de seu gestor. Segundo Wernke (2005, p. 3) essa nomenclatura abrange as ocorrências fortuitas, ocasionais, indesejadas ou involuntárias no ambiente das operações de uma empresa. Assim, o valor relacionado com a deterioração anormal de ativos causados por incêndios ou inundações, os furtos de mercadorias ou matérias-primas, o corte equivocado em uma peça (tornando-a imprestável para o uso ou reaproveitamento), entre outras possibilidades, são classificáveis como perdas, pois não fazem parte da normalidade das operações da entidade. Para Oliveira e Peres Jr. (2005, p. 36) essa terminologia consiste em: gastos anormais e involuntários que não geram um novo bem ou serviço e tampouco geram receitas e são apropriados diretamente no resultado do período em que ocorrem. Esses gastos não mantêm nenhuma relação com a operação da empresa e geralmente ocorrem de fatos não previstos. Os valores referentes às perdas ocorridas no período, não são apropriados aos custos dos produtos, são contabilizados diretamente no resultado da empresa. Enchentes, greves e incêndios são alguns exemplos dessa nomenclatura. 2.7.6 Investimento Os investimentos são classificados como gastos que futuramente trarão algum tipo de lucro ou benefício à empresa. Martins (2003, p. 25) define com sendo “gasto ativo em função de sua vida útil ou de benefício ou não no momento do gasto.” Consistem em gastos realizados para a obtenção de ativos, gerando um benefício a longo prazo. Ferreira (2007) completa afirmando que investimento é o gasto com ativos que se incorporam ao Patrimônio Líquido. São exemplos de investimentos a 39 aquisição de máquinas e equipamentos, treinamentos aos profissionais, e implantação de sistemas de gestão. 2.7.7 Desperdício Como outras nomenclaturas, o desperdício também é reconhecido como gasto. Para Oliveira e Peres Jr. (2005, p. 37), este termo significa que são os “gastos incorridos no processo produtivo ou de geração de receitas e que possam ser eliminados sem prejuízo da qualidade e quantidade de bens, serviços ou receitas geradas.” Como exemplo de desperdício, pode-se citar a produção de itens defeituosos, a movimentação dispensável de mão-de-obra e matérias-primas, entre outros. Objetivando o entendimento das terminologias utilizadas na contabilidade de custos. Apresenta-se a seguir a Figura 02 com o propósito de facilitar conhecimento adquirido nesta seção. GASTO (pode abranger os demais conceitos) INVESTIMENTO (gasto ativado com expectativa de benefício Futuro) PERDA (gasto involuntário, indesejado) CUSTO DESPESA (gasto administrativo para obter receita, direta ou indiretamente) DESPERDÍCIO (gasto no processo de fabricação) (gasto que não agrega valor do ponto de vista do cliente) Figura 02: Conceitos Básicos Utilizados na Contabilidade de Custos. Fonte: Wernke (2005, p. 5). Percebe-se que um mesmo bem pode passar por vários estágios de classificação de terminologia ao longo do processo fabril, ou até mesmo estar caracterizado em mais de uma categoria. Com os conhecimentos das nomenclaturas, torna-se necessário o entendimento da classificação dos custos, que será tratada na seção seguinte. 40 2.8 Classificação de Custos Compreendido a terminologia da contabilidade de custos e conhecendo seus componentes, passa-se ao estudo de sua classificação, dividido em duas categorias: quanto à forma de identificação dos produtos e em relação ao volume de produção, conforme expõe o quadro 09, a seguir. Classificação Categorias Quanto à facilidade de identificação dos produtos Diretos Quanto ao volume produzido no período Variáveis Indiretos Fixos Quadro 09: Principais Classificações de Custos. Fonte: Wernke (2005, p. 7). 2.8.1 Quanto a Identificação aos Produtos Os custos identificados em relação aos produtos são aqueles em que é possível perceber seu uso na prestação de serviço ou na fabricação do mesmo. Florentino (2003, p. 36) destaca o custo direto como sendo “aqueles que podem ser imediatamente apropriados a um só produto ou a um só serviço.” Wernke (2005, p. 7) segue a mesma linha referindo aos custos diretos como sendo aqueles custos que podem ser identificados com facilidade como apropriáveis a este ou aquele item produzido. Por suas características próprias e objetividade de identificação no produto pronto, esses gastos são atribuídos aos artigos produzidos por medições ou por controles individuais (como ficha técnica), sem a necessidade de se recorrer a algum tipo de divisão ou rateio mais complexo. Portanto, os custos diretos são os que estão diretamente vinculados aos produtos, onde sem esse custo não existiria o produto em si. São exemplos de custos diretos: matéria-prima utilizada na fabricação do produto, mão-de-obra utilizada na sua confecção, entre outros. No que diz respeito aos custos indiretos, o tratamento de alocação do custo ao produto torna-se mais complexo. Neste sentido Oliveira e Perez Jr. (2005, p. 75) relatam como sendo 41 aqueles custos que, por não serem perfeitamente identificados nos produtos ou serviços, não podem ser apropriados de forma direta para as unidades específicas, ordens de serviço ou produto, serviços executados etc. Necessitam, portanto de algum critério de rateio para a sua alocação. Os custos indiretos são todos os custos que não estão diretamente vinculados ao produto, seu valor é alocado por critérios de rateio. Martins (2003, p. 49) destaca que os custos indiretos “não oferecem condições de uma medida objetiva e qualquer tentativa de alocação tem de ser feita de maneira estimada e muitas vezes arbitrada.” Wernke (2005, p. 8) completa afirmando que, os custos indiretos englobam os itens de custos em que há dificuldades de identificá-los às unidades de produtos fabricados no período. Nesses casos, a atribuição dos custos indiretos aos objetos acontece por intermédio de rateios, que consistem a divisão do montante de determinado tipo de custo entre produtos ou serviços utilizando um critério qualquer, como o volume fabricado por produto ou o tempo de fabricação consumido. Depreciação, salários de supervisores, energia elétrica são alguns exemplos de custos indiretos de fabricação, pois não oferecem condições de uma medida objetiva e a sua alocação precisa ser realizada de maneira estimada, ou seja, através do rateio. 2.8.2 Quanto ao Volume Produzido Em relação ao volume de produção os custos classificam em fixos e variáveis, como exposto anteriormente no Quadro 09. Os custos fixos são os que dentro de certos limites de produção mantêm-se inalterados. Florentino (2003) destaca que os custos fixos são os gastos realizados independentemente de a empresa estar produzindo ou não, e, se está produzindo maior ou menor quantidade de produtos. Wernke (2005, p. 8) completa relatando que os custos fixos, são os custos quem têm seu montante fixado independentemente de oscilações na atividade fabril, não possuindo qualquer vinculação com o aumento ou redução do número de unidades produzidas no mês. Mesmo que a quantidade de peças, quilos, metros, unidades ou litros produzidos seja maior ou menor, tais custos terão o mesmo valor no final do período. 42 Oliveira e Perez Jr. (2005) contribuem, afirmando que os custos fixos são os que permanecem constantes dentro de determinada capacidade instalada, e estes não são identificados como custos da produção do período, mas sim, como custos de um período de produção. Os custos fixos são classificados como tais, pois, independente do volume de produção eles se mantêm inalterados, como por exemplo, o aluguel da fábrica, que terá o mesmo valor, sendo maior ou menor o volume produzido. Já, os custos variáveis apresentam um comportamento diferente, Oliveira e Perez Jr. (2005, p. 71) destacam que, são aqueles custos que mantêm uma relação direta com o volume de produção ou serviço e, consequentemente, podem ser identificados com os produtos. Dessa maneira, o total de custos variáveis cresce à medida que o volume de atividades da empresa aumenta. Na maioria das vezes, esse crescimento no total evolui na mesma proporção do acréscimo no volume produzido. São denominados custos variáveis, os custos que variam em proporção direta com os níveis de atividades da produção. Florentino (2003, p. 37) coloca os custos variáveis como sendo “os valores consumidos ou aplicados que têm seu crescimento dependente da quantidade produzida pela empresa.” Para Wernke (2005, p. 8), os custos variáveis são os gastos cujo o total do período está proporcionalmente relacionado com o volume de produção: quanto maior for o volume de produção, maiores serão os custos variáveis totais do período, isto é, o valor total dos valores consumidos ou aplicados na produção tem seu crescimento vinculado à quantidade produzida pela empresa. Verifica-se a diferenciação do comportamento entre os custos fixos e variáveis na figura 03 a seguir. CUSTO FIXO ($) Valor total do período Unidades Produzidas CUSTO VARIÁVEL ($) Valor total do período Unidades Produzidas Figura 03: Comportamento Custos Fixos e Variáveis. Fonte: Wernke (2005, p. 9). 43 Analisando o exposto, é possível perceber o que foi citado anteriormente. Os custos fixos permanecem constantes no período em relação à quantidade produzida, ao contrário dos custos variáveis que, conforme o aumento da produção, maior será os custos envolvidos no processo. Alguns custos podem possuir duas características, fixos e variáveis, sendo denominados como custos semifixos e semivariáveis. Oliveira e Perez Jr (2005, p. 71) destacam como exemplo as contas mensais chamadas “tarifas públicas”, como água, luz, telefone etc. Nestas contas mensais, é cobrada uma parcela fixa, que é a taxa mínima, e outra parcela variável, que evidentemente aumenta com a maior utilização do serviço público. Wernke (2005, p. 9) conceitua com sendo, custos semivariáveis são aqueles que têm variação no valor pelo total do volume de unidades produzidas, mas não exatamente na mesma proporção. Esses custos têm uma parcela fixa em relação ao valor ($) e, a partir de determinado ponto passam a ter comportamento igual ao dos custos variáveis. custos semifixos são aqueles que têm valor total constante até certo volume de produção. Superado tal nível de atividade há uma modificação do valor total naquele período, que se mantém até que novo patamar de atividades seja atingido. A figura 04 a seguir, colabora com o entendimento, permitindo a visualização do comportamento dos custos semifixos e semivariáveis. Custos Custos Custos Semifixos Custos Semivariáveis Figura 04: Comportamento dos Custos Semifixos e Semivariáveis. Fonte: Adaptado por Megliorini (2002, p. 15,16). Como exemplo de custos semivariáveis, cita-se a energia elétrica, que como já relatado anteriormente, possui uma taxa mínima (fixa), e outra cobrada de acordo com o consumo (variável). Em relação aos custos semifixos, com o aumento da produção, pode existir a necessidade de realizar o aluguel de outro galpão ou a contratação de mais funcionários, onde os custos anteriormente considerados fixos 44 tornam-se agora semifixos, caso ocorra outro aumento ou então uma diminuição da produção o processo se repete (MEGLIORINI, 2002). Ferreira (2007) contribui afirmando que na prática empresarial, os custos não costumam ser divididos em semifixos e semivariáves, em razão de ser uma classificação mais trabalhosa e menos objetiva. Compreendidas as classificações dos custos, é possível o aprofundamento sobre os aspectos para a implantação dos sistemas de custeio, que será abordado a seguir. 2.9 Métodos de Custeio Métodos de custeios são procedimentos ou técnicas utilizadas para a apropriação dos custos. Wernke (2005) coloca método como sendo um caminho para chegar aos resultados pretendidos, e o custeio como forma de atribuir valor de custo a um produto, mercadoria ou serviço. Portando define-se métodos de custeio como técnicas para a apropriação dos custos ao produto final. Neste tópico serão abordados métodos de custeio por absorção, variável e ABC – Custeio Baseado em Atividades. 2.9.1 Custeio por Absorção No custeio por absorção todos os custos de produção do período são incorporados aos produtos, Oliveira e Perez Jr. (2005, p. 123) ensinam que, no custeio por absorção, todos os custos de produção são alocados aos bens ou serviços produzidos, o que compreende todos os custos variáveis, fixos, diretos ou indiretos. Os custos diretos, por meio da apropriação direta, enquanto os custos indiretos, por meio de sua atribuição com base em 8 critérios de rateio . Wernke (2005, p. 19) designa o custeio por absorção como sendo “um conjunto de procedimentos realizados para atribuir todos os custos fabris, quer fixos 8 Rateio/Ratear: dividir proporcionalmente. (Ferreira,1993,p.462) 45 ou variáveis, diretos ou indiretos, aos produtos fabricados em um período.” Nesse método de custeio todos os gastos, classificados como custos são absorvidos ao bem e/ou serviço produzido. Para melhor entendimento, o esquema ilustrado a seguir na figura 05 demonstra o fluxo global de custos e despesas para apuração de resultado por meio do método de custeio por absorção. Receitas Gastos Custos Diretos Indiretos Despesa s Rateio Produção A B Produtos Acabado s CPV Resultado Figura 05: Fluxo global dos custos e despesas no custeio por absorção. Fonte: Oliveira e Perez Jr. (2005, p. 123). Observa-se pelo esquema apresentado que as despesas incorridas no período são atribuídas diretamente ao resultado, enquanto os custos têm um tratamento diferenciado. Onde os custos diretos são alocados diretamente ao produto, e os indiretos passam por um processo de rateio para ser integrado ao valor do produto ou serviço. Este método é um dos métodos mais utilizados, pois, está adequado para as finalidades contábeis. Martins (2003, p. 37) destaca que “o custeio por absorção é o método derivado das aplicações contábeis geralmente aceitos.” 46 Oliveira e Perez Jr. (2005, p. 123) contribuem completando que esse sistema, “não é um princípio contábil em si, mas uma metodologia decorrente da aplicação desses princípios. Dessa forma, o método é válido para a apresentação de demonstrações contábeis e para o pagamento do imposto de renda.” Wernke (2005, p.19) completa salientando que: Sua utilização tem sido exigida pela legislação brasileira e por determinação legal devem compor os custos dos bens ou serviços vendidos: a) os valores gastos com matérias-primas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção; b) os valores despendidos com a mão-de-obra utilizada na produção, até mesmo de supervisão direta, manutenção e proteção das instalações fabris; c) o montante relativo aos custos de locação, manutenção e reparo, bem como os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção, como prédios, maquinas, ferramentas etc.; d) o valor dos encargos de amortização diretamente relacionados com a produção,além dos encargos de exaustão dos recursos naturais empregados para produzir bens ou serviços. Seguindo essa metodologia de custeio é possível observar que todos os custos são atribuídos para a formação dos valores de bens ou serviços produzidos. Wernke (2005) ainda destaca algumas vantagens da utilização desse método, como por exemplo: o atendimento a legislação fiscal, permite que os custos estejam alocados em centros de custos, e permite a absorção de todos os custos de produção, sejam eles diretos ou indiretos, fixos ou variáveis. 2.9.2 Custeio Variável ou Direto O custeio variável apresenta um tratamento diferenciado em relação aos custos fixos, levando em consideração apenas os gastos variáveis, Martins (2003, p. 198) destaca que: no custeio variável, só são alocados aos produtos os custos variáveis, ficando os fixos separados e considerados como despesa do período, indo diretamente para o resultado; para os estoques só vão, como consequência, os custos variáveis, Os gastos fixos são, neste método, considerados como despesas do período, dessa forma os valores correspondentes a estes, são integrados 47 diretamente à demonstração do resultado do exercício. Conforme Wernke (2005, p. 89), esse método assume que somente os gastos variáveis de produção e de comercialização do produto ou serviço (como matérias-primas utilizadas, serviços de terceiros aplicados ao produto, tributos sobre vendas, comissões de vendas etc.) devem ser considerados no custeamento da produção. Todos os demais gastos, que não são facilmente associáveis a determinado produto ou serviço, devem ser transferidos à demonstração do resultado (DRE) como despesas do período, sem serem apropriadas aos produtos fabricados (ou serviços prestados). Devido ao fato dos custos fixos serem atribuídos diretamente ao resultado final do período, o valor corresponde aos produtos e serviços apresentam uma diferenciação em relação ao custeio por absorção. Como pode-se perceber no Quadro 10, demonstrado a seguir. Componentes Absorção Matéria-prima ($) 2.500 Outros custos diretos/variáveis ($) 1.700 Custos fixos/indiretos ($) 330 Custo Total ($) 4.530 Produção do mês 10 unidades Custo unitário ($) 453/un. Quadro 10: Custeio por Absorção x Custeio Variável. Fonte: adaptado por Wernke (2005, p. 91). Direto/Variável 2.500 1.700 4.200 10 unidades 420/un. O exposto demonstra que a diferença encontrada no valor do custo final unitário entre os métodos de custeio apresentados, é referente à parcela de custos fixos/indiretos no valor de $ 330,00. No qual foi ignorado pelo método de custeio variável. Porém esse valor passa a refletir no resultado do exercício como expõe o quadro 11 a seguir. Demonstração do Resultado do Exercício Fatores Absorção Receitas (5 un.x $600) 3.000 CPV (5 un. x custo unitário) (2.265) Lucro Bruto 735 Custos Fixos/Indiretos Resultado 735 Quadro 11: Custeio por Absorção x Custeio Variável (DRE). Fonte: Adaptado por Wernke (2005, p. 92). Direto/Variável 3.000 (2.100) 900 (330) 570 Verifica-se com o Quadro 10, que o valor do custo unitário, pelo método de custeio variável foi menor, pelo fato do custeio por absorção considerar os custos 48 fixos como parte dos produtos, onde a parcela de produto não vendida permanece em estoque como produtos acabados. Já no custeio variável os custos fixos/indiretos são atribuídos diretamente no resultado período, implicando na diminuição do imposto de renda a pagar. (WERNKE, 2005). O método de custeio variável/direto entrou em vigor a partir Lei nº 6.404/2006. Porém, o Imposto de Renda faz restrições quanto a sua utilização em virtude de entender que com a implantação deste método existe a redução da carga tributária. Diminuindo o valor do estoque de produtos acabados no resultado final do período. (NASCIMENTO, 2001). Em relação às vantagens do custeio variável/direto Nascimento (2001) cita como sendo: a facilidade da operacionalização, dispensando rateios, e a identificação dos produtos com maior ou menor margem de contribuição a oferecer. Onde para o cálculo dessa margem utiliza-se o método extracontábil, partindo da identificação dos custos variáveis diretos e fixo diretos e indiretos. Considerando que os métodos de custeios tradicionais apresentam algumas deficiências em relação ao processo de informação. Apresentar-se a seguir método de custeio baseado em atividades, que surgiu para suprir a ausência de informações anteriormente não contempladas por outros métodos. 2.9.3 Custeio Baseado em Atividades O custeio baseado em atividades, conhecido como método ABC, levanta valores utilizados na produção, tendo como base o consumo utilizado para a realização de determinado produto ou atividade. Cogan (1999, p. 43) define como sendo, um método que reconhece o relacionamento causal dos direcionadores de custos para custear as atividades através da mensuração do custo e do desempenho do processo relativos às atividades aos objetos dos custos. Os custos são atribuídos às atividades baseado no uso dos recursos, depois atribuídos aos objetos dos custos, tais como produtos ou serviços, baseado no uso das atividades. Desta maneira, percebe-se que o esse método de custeio, consiste em direcionar os custos aos bens e/ou serviços, por meio do consumo utilizado para sua 49 produção. Oliveira e Perez Jr. (2005) afirmam que é um sistema de custeio que analisa as atividades desenvolvidas pela empresa, atentando-se aos gastos indiretos, visto que, os custos primários não apresentam falhas de custeio em relação ao produto. A caracterização do método ABC é dada por Wernke (2005, p. 29) como sendo: uma tentativa de identificação dos gastos das diversas atividades desempenhadas por uma empresa, independente de que sejam executadas dentro ou fora dos limites físicos de um departamento ou até mesmo da própria organização. Esse método de custeio procura identificar o consumo dos recursos em relação às atividades exercidas na fabricação de um bem ou serviço. Sua principal característica ocorre pela preocupação em relação às atividades e atribuição dos custos em relação aos seus direcionadores. Conforme Iudícibus et al (2007 apud BARRETO, 2009, p. 43) o custeio por atividades funciona da seguinte maneira: para cada atividade relevante, identifica-se o fator pelo qual se passa a mensurar, da forma mais lógica possível, quanto de seu custo (da atividade) deve ser atribuído a cada produto. Esse fator, denominado direcionador de custos, por refletir a verdadeira relação entre os produtos e a concorrência dos custos, reduz sensivelmente as distorções causadas por rateios arbitrários dos sistemas tradicionais de custeio. O custeio por atividades busca fornecer informações de custos, de acordo com as atividades envolvidas no processo. A alocação dos custos indiretos é realizada especificamente de acordo com a atividade desenvolvida, diferente dos métodos de custeio tradicionais, que realiza esse processo por meio de rateio. Wernke (2005, p. 29) elucida que, o ABC é uma metodologia de apuração de custos cuja características de maior destaque é a capacidade de distribuir despesas e custos indiretos aos produtos de forma mais justa (em comparação com o Custeio por Absorção), já que tenta mensurar o efetivo consumo desses gastos pelos itens fabricados. Para concretizar essa melhor alocação das despesas e dos custos indiretos, o ABC utiliza diversos critérios de rateio (ou de direcionamento) que tenham alguma relação lógica com o tipo de gastos que está sendo distribuído aos produtos. A figura a seguir, demonstra o processo de alocação dos custos e despesas indiretos em uma empresa têxtil. Evidenciando que as atividades consumidas para que seja elaborado um produto, são as atividades que geram os custos às empresas. 50 PRODUTOS (camisas e calças) Consomem ATIVIDADES (corte, costura, inspeção e expedição) que geram CUSTOS (de fabricação) pelo consumo de RECURSOS (como salários, energia elétrica e depreciação) Figura 06: Concepção Teórica do ABC. Fonte: Adaptado por Wernke (2005, p. 29). Deste modo, se um produto ou serviços, não consumir determinada atividade no seu processo de fabricação, este não receberá os custos relacionados a essa atividade. (WERNKE, 2005). Megliorini (2007, p. 154) destaca que depois de identificar as atividades, os gestores podem focar aquelas que geram valor para o cliente e eliminar as que apenas aumentam os custos dos produtos, serviços e outros objetos de custeio sem lhes agregar valor, possibilitando dessa forma, reduzir os custos. Nesse ponto reside uma das principais vantagens do custeio ABC. Por outro lado, pelo fato de não segregar os custos fixos e apropriá-los aos objetos de custeio, o custeio ABC acaba assemelhando ao custeio por absorção em termos de desvantagens. Em se tratando dos benefícios do ABC, Cogan (1999) cita, como sendo: a) melhoria das decisões gerenciais; b) a facilitação de determinação dos custos relevantes; c) permissão para a tomada de ações que busquem o melhoramento contínuo das tarefas de redução dos custos. E ao que diz respeito às desvantagens segundo Borget (2008, apud BARRETO, 2009) da utilização desse sistema, destaca-se a dificuldade de implantação desse método, e também a complexidade de identificação dos direcionadores quanto as atividades envolvidas no processo. 2.10 Margem de Contribuição A diferença encontrada entre o valor bruto faturado, e os custos e despesas variáveis referente às unidades vendidas, denomina-se margem de 51 contribuição. Conforme Megliorini (2002, p. 138) “a margem de contribuição é o quanto resta do preço, ou seja, do valor de venda do produto são deduzidos os custos e despesas por ele gerados.” Para Martins (2003, p. 185), a margem de contribuição, conceituada como a diferença entre a receita e a soma de custos e despesas variáveis, tem a faculdade de tornar o bem mais facilmente visível a potencialidade de cada produto, mostrando como cada um contribui para, primeiramente, amortizar os gastos fixos, e, depois, formar o lucro propriamente dito. Desta maneira a empresa poderá considerar seu lucro no momento em que, a margem de contribuição do valor faturado for superior aos gastos fixos. De acordo com o que foi exposto, a margem de contribuição é calculada da seguinte forma: MC = PV – (CV +DV) Quadro 12: Margem de Contribuição. Fonte: Adptado por Megliorini (2002, p. 138). A partir do cálculo apresentado acima, observa-se que, quando a parcela do preço de venda ultrapassa os custos e despesas variáveis, têm-se o valor que cobrirá os custos fixos, podendo assim determinar o preço de venda de cada produto. Wernke (2005, p. 101) coloca que, “o conhecimento e a análise da margem de contribuição é o elemento fundamental para que sejam tomadas decisões corretas de curto prazo.” Neste sentido, considera-se essa ferramenta que auxilia no controle dos produtos, e ao retorno que estes devem trazer ao negócio da empresa. Porém, além da análise da margem de contribuição, o gestor deve analisar outras ferramentas para auxílio no momento de decisão. Aponta-se como outro instrumento utilizado para a tomada de decisões o ponto de equilíbrio, no qual será tratado a seguir. 2.11 Ponto de Equilíbrio Uma empresa obtém o ponto de equilíbrio, quando esta não gera lucro nem prejuízo, ou seja, quando os gastos do período são compensados pelas vendas. Megliorini (2002, p. 151) afirma que o ponto de equilíbrio “é aquele 52 momento em que foi atingido um nível de vendas no qual as receitas geradas são suficientes apenas para cobrir os custos e as despesas.” O ponto de equilíbrio caracteriza-se por determinar qual deverá ser o faturamento mínimo da empresa para que esta não opere em prejuízo. Megliorini (2002, p. 154) ainda afirma que, podem existir pelo menos três situações de cálculo de ponto de equilíbrio: Ponto de Equilíbrio Contábil – é aquele em que a margem de contribuição se torna capaz de cobrir todos os custos e despesas fixos de um período Ponto de Equilíbrio Econômico – diferencia-se do Ponto de Equilíbrio Contábil ao considerar que, além de suportar os custos e despesas fixos, a 9 margem de contribuição deve, também, cobrir o custo de oportunidade . Ponto de Equilíbrio Financeiro – para obter este Ponto de Equilíbrio, consideram-se como custos e despesas somente os gastos que geraram desembolso no período, desconsiderando, portanto, a depreciação contida nos custos e despesas fixos. Para tanto, mesmo havendo mais de uma forma de cálculo do ponto de equilíbrio, observa-se que o objetivo desta ferramenta é demonstrar o volume mínimo de vendas, para não existir prejuízo de fabricação do bem ou serviço. 9 Custo de Oportunidade – rendimento alternativo máximo que se obteria, caso o produto, serviço ou capacidade produtiva tivessem sido aplicados, em algum uso alternativo. Horngren (1989 apud MEGLIORINI, 2002 P.155) 53 3 ESTUDO DE CASO Neste capítulo, faz-se a descrição e análise do estudo de caso. Inicialmente, apresenta-se a entidade objeto de estudo e as particularidades do centro cirúrgico deste nosocômio. Em seguida o processo operacional do ato cirúrgico e a apuração dos custos diretos envolvidos nos procedimentos. Por fim, realizar-se-á análise comparativa entre os custos diretos apurados nos dois procedimentos e os valores repassados pelo SUS. 3.1 Aspectos e Caracterização do Hospital Objeto de Estudo Em 1º de outubro de 1997, foi fundada a Associação Comunitária São Judas Tadeu de Meleiro, com o objetivo de solucionar problemas da comunidade em relação ao atendimento emergencial 24 horas do Hospital São Judas Tadeu. A partir de sua fundação, com total apoio da diretoria administrativa do hospital, das comunidades de Meleiro e Morro Grande e a contribuição da Cooperativa de Eletrificação Rural Sul Catarinense – CERSUL, seu trabalho foi direcionado à contratação de médicos para atuarem no Pronto Atendimento 24 horas. A parceria da associação com o hospital, por meio do auxilio financeiro para a manutenção do pronto socorro, prosperou e viabilizou a vinda de novos médicos para atuarem no município. Com essa parceria consolidada, no ano de 2005, a associação já contava com mais de três mil associados colaborando de forma espontânea para a realização dos objetivos pretendidos. Após três anos decorridos de reuniões e análises de documentações, a Associação conseguiu junto ao Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, em 25 de outubro de 2005, o título de Entidade beneficente de Assistência Social, anteriormente chamado de Certificado de Filantropia. Usufruindo desta maneira do benefício fiscal de isenção de impostos. Em abril de 2006, o Hospital São Judas Tadeu, deixa de ser mantido pela Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria e passa a ser mantido pela Associação Comunitária São Judas Tadeu de Meleiro. 54 O Hospital São Judas Tadeu é o único hospital do município de Meleiro, atende também os municípios de Morro Grande, Forquilhinha, Turvo, Araranguá, Maracajá e Balneário Arroio do Silva. Possui 44 leitos, dos quais 30 são destinados aos SUS. Atua nas quatro especialidades básicas: clínica médica, obstétrica, pediátrica e cirúrgica. Caracteriza-se como hospital de pequeno porte por possuir 44 leitos. Em relação ao SUS é considerado de Porte I, pois possui 30 leitos cadastrados a esse convênio, não possui leitos de UTI, classifica-se como hospital geral, e possui uma média de 1.622 internações ao ano, somando cinco pontos no quadro 02 de classificação hospitalar pelo Sistema Único de Saúde, mencionado anteriormente em referencial teórico. É uma instituição de direito privado sem fins lucrativos, presta serviços de atendimento emergencial, consultas eletivas, internação médica, cirurgias eletivas, exames de raios-x e ECG, atualmente está oferecendo serviços de endoscopia e colonoscopia. Conta com 45 funcionários distribuídos nos departamentos de enfermagem, radiologia, farmácia, compras, lavanderia, manutenção, higienização, nutrição e na área administrativa. Os atendimentos são realizados por meio de convênios, particulares e por meio do SUS nos procedimentos de internação médica e cirurgias eletivas. Apresenta-se a seguir ilustração do Hospital São Judas Tadeu. Figura 07: Hospital São Judas Tadeu. Fonte: adaptado pela autora. O serviço de Pronto Atendimento do hospital é o único estabelecimento de saúde 24 horas disponível para a população de Meleiro, Morro Grande e outros 55 municípios vizinhos. Atende em média 1.800 pacientes por mês, sendo mantido pela comunidade mediante de contribuição espontânea no valor de R$ 20,00 (vinte reais) mensais por família. A Associação Comunitária São Judas Tadeu de Meleiro está situada a Rua São Judas Tadeu, 120, Centro, Meleiro – SC. A instituição busca constantemente seu crescimento, nos últimos anos o hospital passou a investir no seu crescimento por meio da cirurgia, buscando novos médicos cirurgiões para atuarem no CC. Seu objetivo é tornar-se hospital referência nesses procedimentos, atualmente estuda propostas junto às equipes de profissionais médicos, sobre a realização de cirurgia laparoscópica, ou seja, realizada por vídeo. A seguir aborda-se o centro cirúrgico da entidade elucidando suas características. 3.1.1 Caracterização do Centro Cirúrgico Analisado O estudo desenvolveu-se no Centro Cirúrgico do Hospital São Judas Tadeu, composto por duas salas cirúrgicas equipadas e ativas e uma central de material de esterilização. A equipe médica é formada por profissionais médicos autônomos. Já a equipe de enfermagem pertence ao quadro funcional da instituição, composta por uma enfermeira chefe e quatro técnicas de enfermagem. No CC são realizados vários procedimentos cirúrgicos de baixa e média complexidade como: hérnia, varizes, vasectomia, e outras. Também trabalham com os procedimentos de partos cesáreos e normais e cirurgias plásticas. Não são realizados procedimentos cirúrgicos de alta complexidade, pois requerem UTI, como é o caso de cirurgias cardíacas. São realizados em média doze procedimentos cirúrgicos por semana, do qual 50% desse número são cirurgias realizadas por meio do SUS. As cirurgias por este convênio começaram a ser realizadas no hospital em 2007, por intermédio das secretarias municipais de saúde de Meleiro e região10. O Centro Cirúrgico obedece todos os padrões estabelecidos pela vigilância sanitária. Sua estrutura foi construída e equipada com recursos próprios e com apoio do Fundo Nacional de Saúde, por meio de convênios realizados para a aquisição de equipamentos e materiais permanentes. Passa por reformas e 10 Morro Grande, Forquilhinha, Balneário Arroio do Silva, Araranguá, Ermo, Turvo. 56 melhorias em um período médio de 3 anos, objetivando obedecer as exigências estabelecidas pela vigilância Sanitária e também proporcionar melhor atendimento aos pacientes. Elenca-se a seguir os equipamentos fixos e móveis existentes no HSJT. Equipamentos Fixos Equipamentos Móveis 6 Mesa Cirúrgica 1 Foco Cirúrgico central 7 Mesa Auxiliar 8 Suporte para Soro 9 Carro de Anestesia 2 Ar Condicionado 10 Carro de Hamper 11 Carro de Medicação 12 Baldes Para Lixo 3 Oxigênio 13 Aspirador Cirúrgico 14 Estrado 15 Tala de Suporte para Braço 4 Óxido Nitroso 16 Estetoscópio 17 Tensiômetro 18 Negatóscópio 5 Eletrocautério ou Bisturi Elétrico 19 Monitor Multiparamétrico Quadro 13: Equipamentos Básicos do Centro Cirúrgico. Fonte: Adaptado por Barros (1996). Objetivando o entendimento do exposto, apresenta-se a seguir umas das salas de cirurgia do Hospital São Judas Tadeu, ilustrando os equipamentos fixos e móveis utilizados para a realização dos procedimentos, demonstrados de acordo com a numeração do quadro 13. Figura 08: Sala 1 - Centro Cirúrgico do Hospital São Judas Tadeu. Fonte: Adaptado pela Autora. 57 Alguns equipamentos não estão ilustrados nas figuras acima, como por exemplo: o carro de hamper, que no HSJT fica localizado fora da sala cirurgia, e também o carro de medicação, pois esta fica armazenada no balcão indicado pelo número 11. Os outros equipamentos não visualizados na Figura 08 são utilizados no CC do hospital. Porém, algum desses são de posse dos profissionais médicos, que se responsabilizam em trazê-los quando necessário. Na medida em que estão agendadas as cirurgias e conforme sua especialidade, existem também os que estão armazenados na sala cirúrgica 2 do HSJT. Em relação à realização de um procedimento cirúrgico, estão envolvidos os custos diretos como materiais e medicamentos, gases medicinais e mão-de-obra. Porém, têm-se ainda os gastos com energia elétrica, manutenção dos materiais e equipamentos entre outros gastos, o que torna maior a complexidade de mensuração do custo. De acordo com essas características serão apurados os custos diretos envolvidos nos procedimentos de hérniorrafia inguinal e varizes unilateral. A seguir demonstra-se o custo desses procedimentos e os valores repassados pelo SUS para a realização dos mesmos. 3.1.2 Descrição dos Procedimentos Cirúrgicos No hospital estudado, o processo da cirurgia inicia-se na parte externa do CC, onde um profissional de enfermagem prepara o paciente para ser encaminhado para cirurgia, enquanto a equipe do CC monta a sala com os materiais, instrumentos e equipamentos necessários para a realização do procedimento. Inicialmente faz-se a tricotomia no paciente, ou seja, a depilação das partes do corpo onde serão realizados os cortes e demais procedimentos. Em seguida o paciente é encaminhado a um banho, realizado com o objetivo de eliminar qualquer tipo de contaminação, seja através creme corporal, desodorantes ou perfume. Após a preparação do paciente, o mesmo é encaminhado para o CC, onde são realizados todos os procedimentos pré-anestésicos e pré-operatórios, como por exemplo, o uso da vestimenta apropriada, a verificação da pressão arterial e sinais vitais, aplicação de soro e medicação necessária. Efetuado esses procedimentos e verificando as condições físicas e psicológicas do paciente, a 58 enfermeira encaminha o paciente para a realização do procedimento cirúrgico, realiza-se então o trans-operatório. Terminado a cirurgia o paciente fica na unidade de recuperação pós-anestésica até que recupere sua completa lucidez. Posteriormente a recuperação anestésica o paciente vai para a unidade de internação hospitalar, para a recuperação cirúrgica e a equipe do CC prepara para desmontar a sala e fazer a desinfecção dos móveis, equipamentos e instrumentais, bem como a separação do lixo, onde a roupa suja vai para lavanderia e os resíduos ou dejetos são encaminhados ao expurgo. Na figura a seguir apresenta-se a sistemática resumida do atendimento ao paciente cirúrgico. Preparo da sala Cirúrgica Encaminhamento do paciente Recuperação Pós Anestésica Unidade de Internação Desmontar Sala Cirurgia Figura 09: Processo Cirúrgico Fonte: Adaptado pela autora A partir do exposto é possível observar as etapas do processo cirúrgico, destacando que além do procedimento, tem-se ainda a prestação de serviços ao paciente no pós-cirúrgico na unidade de internação hospitalar, envolvendo ainda outros gastos do processo. E também a equipe do CC, além da cirurgia existe os gastos relacionados com a preparação e a desmontagem da sala, com os serviços de desinfecção. No próximo tópico serão abordados os materiais, medicamentos, e demais gastos envolvidos no atendimento ao paciente cirúrgico no hospital analisado. 59 3.2 Custos Envolvidos nas Cirurgias Para a realização deste estudo, foram efetuados levantamentos dos custos diretos envolvidos através de prontuários médicos de cinco diferentes pacientes para cada tipo de cirurgia, encontrando-se a média de valores e tempos utilizados para a execução de cada um dos procedimentos. Basicamente, classificam-se como custos diretos, os materiais, medicamentos e gases medicinais, e também a mão-de-obra dos profissionais médicos e da equipe de enfermagem. Primeiramente, apresenta-se quadro resumo dos materiais e medicamentos utilizados para cada cirurgia, nos anexos I, II, III e IV encontram-se os valores detalhados. Hérniorrafia Inguinal Varizes Unilateral Valor (R$) Valor (R$) Materiais Utilizados 40,52 34,28 Medicamentos Utilizados 32,69 25,03 Total 73,21 59,31 Quadro 14: Materiais e Medicamentos Utilizados no Processo Cirúrgico. Fonte: Adaptado pela autora. Espécie de Recursos Encontrado os valores correspondentes aos materiais e medicamentos utilizados em cada cirurgia, passa-se estão aos valores do oxigênio consumido em cada cirurgia. Observou-se por meio dos prontuários médicos que a média de consumo de oxigênio para ambas as cirurgias é de aproximadamente, 1 hora por procedimento. A compra do oxigênio é realizada através de cilindros contendo 7m³, que custam ao hospital R$ 178,29. Considerando que 1 m³ representa 1.000 litros, têm-se o valor unitário de R$ 0,03. Para as cirurgias realizadas, de acordo com a prescrição médica, utiliza-se em geral 2 litros de oxigênio por minuto, ou seja, são consumidos 120 litros por hora. Apresenta-se a seguir o valor encontrado referente ao consumo nas cirurgias. Litros Consumidos na Cirurgia Herniorrafia Inguinal 0,03 120 Varizes Unilateral 0,03 120 Quadro 15: Cálculo de Oxigênio Utilizados no Procedimento Cirúrgico. Fonte: Adaptado pela autora. Cirurgia Valor Litro O² (R$) Total (R$) 3,60 3,60 60 Efetuado os levantamentos dos custos de materiais, medicamentos e oxigênio, realiza-se então o custo da mão-de-obra necessária para a realização da cirurgia. De acordo com entrevistas abertas, realizadas oralmente, sem formalidades no que diz respeito a roteiro, com os profissionais médicos que atuam na realização dos procedimentos cirúrgicos pesquisados no HSJT. Têm-se os valores praticados na prestação de serviços de forma particular, ou seja, quando o paciente efetua o pagamento em dinheiro pelo procedimento cirúrgico diretamente ao profissional médico. Conforme demonstrado a seguir. Herniorrafia Inguinal Valor (R$) Honorários Médico Cirurgião 900,00 Honorários Médico Anestesista 400,00 Total 1.300,00 Quadro 16: Mão-de-obra Equipe Médica. Fonte: adaptado pela autora. Espécie de Recursos Varizes Unilateral Valor (R$) 900,00 400,00 1.300,00 Em relação ao valor de mão-de-obra da equipe de enfermagem, é necessário considerar o número de dias de permanência do paciente no hospital. Pois, além dos custos no processo cirúrgico, têm-se ainda os custos das horas aplicadas na assistência do paciente internado. O quadro a seguir demonstra os valores de salários, determinados por piso salarial pelo Sindisaúde, sindicato da categoria, considerando os valores de salário, insalubridade, prêmio assiduidade e os encargos referente ao FGTS já apropriados os gastos com eventual rescisão, 13º salário e férias, não foram considerados os gastos com adicional noturno e horas extras, no anexo 5 encontram-se os valores detalhados. Cabe destacar que a entidade não contribui ao INSS devido seu caráter filantrópico. Total de Horas Mensais Enfermeira 180 Técnica de Enfermagem 180 Quadro 17: Mão-de-obra Equipe de Enfermagem. Fonte: Adaptado pela autora. Profissional Salário Mensal Valor (R$) 3.088,02 1.521,08 Salário Hora Valor (R$) 17,16 8,45 De acordo com a enfermeira chefe do Hospital São Judas Tadeu, em entrevista aberta, esta destaca que em um período de 6 horas uma técnica de enfermagem, tem a capacidade de atender a 6 pacientes em estado bom ou melhorado e 2 pacientes em estado crítico. Deste modo, nesse período uma técnica 61 de enfermagem destina 45 minutos para cada paciente em um turno de trabalho, sendo que no HSJT cada técnica de enfermagem trabalha 6 horas ao dia. Em geral as cirurgias são realizadas no início da manhã, em razão do jejum em que o paciente está submetido. Considerando primeiramente a cirurgia de hérniorrafia inguinal, que possui o tempo de internação hospitalar de 48 horas, e o procedimento cirúrgico a duração de 1 hora. Analisa-se deste modo a quantidade de mão-de-obra envolvida da equipe de enfermagem, para a permanência do paciente cirúrgico. Turno Turno Turno Matutino Vespertino Noturno (horas) (horas) (horas) Enfermeira 01:00 00:30 00:30 01:00 Técnica de Enfermagem 04:00 01:30 01:30 03:00 Quadro 18: Horas Mão-de-obra Equipe de Enfermagem – Hérniorrafia Inguinal. Fonte: adaptado pela autora. Profissional Cirurgia (horas) Total de Horas 03:00 10:00 A enfermeira participa de todo o processo cirúrgico, e a ela compete, a supervisão sobre a equipe de enfermagem, envolvendo ainda a revisão de prontuários e documentação de pacientes, por esse motivo seu tempo de cuidado e atenção para cada paciente em um turno de trabalho é de 15 minutos. Já as técnicas de enfermagem, distribuídas em cada turno, com 45 minutos destinados ao acompanhamento e atendimento do paciente. Com exceção da equipe do CC, que além do tempo da cirurgia, devem desmontar a sala e preparar os materiais para esterilização e a desinfecção da sala cirúrgica, perfazendo além da cirurgia, o tempo estimado de 1 hora, ressalta-se que para a realização da cirurgia são necessárias duas técnicas de enfermagem. Considerou-se no quadro acima um período de internação de 48 horas. Em relação à cirurgia de varizes unilateral, o período de internação é menor, apenas 24 horas de internação e a cirurgia tem o mesmo período de duração da cirurgia de hérniorrafia inguinal. As horas estão demonstradas como anteriormente, no quadro a seguir. Turno Turno Turno Matutino Vespertino Noturno (horas) (horas) (horas) Enfermeira 01:00 00:15 00:15 00:30 Técnica de Enfermagem 04:00 00:45 00:45 01:30 Quadro 19: Horas Mão-de-obra Equipe de Enfermagem – Varizes Unilateral. Fonte: adaptado pela autora. Profissional Cirurgia (horas) Total de Horas 02:00 07:00 62 Como no paciente cirúrgico de hérniorrafia inguinal, o tempo da enfermeira foi computado o da cirurgia e o restante distribuído de acordo com todos os pacientes internados no hospital. E os tempos de atendimento referente às técnicas de enfermagem estão distribuídos em relação a 24 horas de internação. Deste modo é possível identificar os valores da mão-de-obra da equipe de enfermagem, referente a cada uma das cirurgias, expostos nos quadros a seguir. Valor Hora Profissional (R$) Enfermeira 17,16 Tec. de Enfermagem 8,45 Total Herniorrafia Inguinal Varizes Unilateral Enfermeiro 17,16 Varizes Unilateral Tec. de Enfermagem 8,45 Total Varizes Unilateral Quadro 20: Valor Mão-de-Obra Equipe de Enfermagem. Fonte: adaptado pela autora. Cirurgia Hérniorrafia Inguinal Hérniorrafia Inguinal Quantidade de Horas 3 10 2 7 Valor Total (R$) 51,48 84,50 135,98 34,32 59,15 93,47 Ainda envolvem o custo da estadia do paciente cirúrgico na unidade de internação, os gastos relativos à alimentação. Sendo que em geral os pacientes recebem 4 refeições ao dia, sendo essas: café da manhã, almoço, lanche ou café da tarde e janta. Neste caso não foram considerados os gastos com acompanhantes. Em entrevista com o setor de internação e administração do HSJT, obteve-se informações em relação aos custos das refeições, apresentadas no próximo quadro, nesse valor já estão incluídos os gastos com os funcionários que atuam no setor de nutrição e dietética. Cabe destacar, que os valores desses gastos apresentados a seguir não foram apurados neste estudo. Cirurgia Permanência Hérniorrafia Inguinal 2 dias Varizes Unilateral 1 dia Quadro 21: Valor Gastos com Alimentação. Fonte: adaptado pela autora. Café (R$) 4,20 2,10 Almoço (R$) 11,20 5,60 Lanche (R$) 4,20 2,10 Janta (R$) 9,80 4,90 Total (R$) 29,40 14,70 Em geral os custos diretos envolvidos na prestação de serviços hospitalares, são considerados os materiais, medicamentos, gases medicinais, mãode-obra e também os gastos com alimentação. Porém, a energia elétrica que é considerada como custo indireto, por necessitar de rateio para ser apropriada ao 63 produto. Neste estudo considerou-se como custo direto, pois torna-se necessário que todos os equipamentos do centro cirúrgico estejam ligados a fonte de energia elétrica para a realização da cirurgia e segurança do paciente. A administração do hospital considera que 10% do consumo mensal do hospital geral, são atribuídos ao CC, e o rateio é realizado de acordo com o total de cirurgias realizadas a cada mês. Como já exposto realiza-se em média doze cirurgias por semana, considerando 4 semanas ao mês têm-se 48 cirurgias, e a média do consumo de energia dos últimos três meses foi de R$ 2.260,53. Aplica-se esse valor em tabela específica do HSJT, conforme a seguir. Tabela 01: Rateio da Energia Elétrica – Hospital São Judas Tadeu. Período MM/AA Percentual (%) Centro de Custo 5 Administração 2 Farmácia 4 Higienização 2 Manutenção 7 Nutrição 8 Lavanderia 4 Faturamento/Internação 10 Centro Cirúrgico 4 Centro Obstétrico 22 Clinica Médica SUS 5 Clínica Médica Convênios 1 Clinica Cirúrgica SUS 5 Clinica Cirúrgica Convênios 2 Clínica Pediátrica SUS 2 Clinica Pediátrica Convênios 1 Clinica Obstétrica SUS 3 Clinica Obstétrica Convênios 3 Setor Associação 10 Pronto Socorro 100 Energia Elétrica a pagar Fonte: adaptado pela autora. CERSUL NF: XXXXXX Cod. Contábil D – xxxx D – xxxx D – xxxx D – xxxx D – xxxx D – xxxx D – xxxx D – xxxx D – xxxx D – xxxx D – xxxx D – xxxx D – xxxx D – xxxx D – xxxx D – xxxx D – xxxx D – xxxx D – xxxx C – xxxx Valor (R$) 113.03 45,21 90,42 45,21 158,24 180,84 90,42 226,05 90,42 497,32 113,03 22,61 113,03 45,21 45,21 22,61 67,82 67,82 226,05 2.260,53 De acordo com o método de rateio utilizado pela entidade estudada, o valor referente a 10% do consumo mensal é divido pela quantidade de cirurgia realizada no mesmo período. Sendo assim, divide-se o valor de R$ 226,05, por 48, que é a média de cirurgias mensais. Efetuado essa divisão encontra-se o valor médio de R$ 4,71 de consumo de energia elétrica para cada cirurgia realizada. Em relação ao critério de rateio utilizado pela empresa, ressalta-se que o mesmo deveria 64 considerar a quantidade de horas consumidas em cada cirurgia, pois, o procedimento utilizado pelo hospital estudado, dividindo o valor pela quantidade de procedimentos mensais, torna-se um critério arbitrário, pois poderá haver uma diferença considerável em relação ao tipo e ao tempo de cada cirurgia realizada. Com os valores apresentados anteriormente, é possível apresentar os custos diretos envolvidos nas cirurgias de hérniorrafia inguinal e varizes unilateral, exposto na tabela a seguir. Custo Direto Hérniorrafia Inguinal (R$) Materiais e Medicamentos 73,21 Oxigênio 3,60 Mão-de-obra Enfermagem 135,98 Alimentação Paciente 29,40 Energia Elétrica – Cirurgia 4,71 Custo Serviços Hospitalares 246,90 Mão-de-obra Cirurgião 900,00 Mão-de-obra Anestesista 400,00 Custos Serviços Médicos 1.300,00 Custo Total 1.546,90 Quadro 22: Custos Apurados nos Procedimentos Cirúrgicos. Fonte: adaptado pela autora. Varizes Unilateral (R$) 59,31 3,60 93,47 14,70 4,71 175,79 900,00 400,00 1.300,00 1.475,79 De acordo com o exposto no quadro acima, têm-se os custos diretos envolvidos no atendimento ao paciente cirúrgico. Apurados de acordo com entrevistas realizadas com a equipe médica e de enfermagem responsável e administração do hospital, todas em caráter aberto e informalmente, sem a utilização de roteiros estruturados. Foram realizadas também análises de prontuários de pacientes que passaram pelos procedimentos pesquisados. A seguir demonstram-se os valores praticados pelo Sistema Único de Saúde em relação aos mesmos procedimentos, com o propósito de analisar os custos diretos envolvidos com os valores pagos pelo SUS. 3.3 Valores Praticados Pelo Sistema Único de Saúde O SUS realiza o pagamento dos procedimentos cirúrgicos estudados por meio de pacotes. Onde nesses estão inclusos os valores de serviços hospitalares 65 (SH) e serviços profissionais (SP). Os procedimentos são caracterizados de acordo com o código da tabela unificada do SUS. Demonstra-se a seguir os valores praticados pelo SUS referente às cirurgias de Hérniorrafia Inguinal e Varizes Unilateral respectivamente. Serviços Hospitalares Serviços Profissionais R$ 109,99 Anestesista 30% SP R$ 378,69 R$ 268,70 Permanência Dias 02 Quadro 23: Valor SUS – Hérniorrafia Inguinal. Fonte: adaptado por SIH/AIH (2010). Serviços Hospitalares Serviços Profissionais R$ 301,73 Permanência Dias 01 Quadro 24: Valor SUS – Varizes Unilateral. Fonte: adaptado por SIH/AIH (2010). R$ 181,64 Total Anestesista Total 30% SP R$ 483,37 Os quadros apresentados representam os valores repassados pelo SUS, diferenciando os valores referentes aos serviços hospitalares e aos serviços médicos. Do valor total exposto como serviços profissionais, 30% é destinado ao anestesista e o restante para o cirurgião. Ou seja, na cirurgia de hérniorrafia inguinal, R$ 33,00 são valores repassados ao anestesista e R$ 76,99 são destinados ao médico cirurgião, e para a cirurgia de varizes unilateral esse valor é de R$ 90,52 para anestesista e R$ 211,21 para o médico cirurgião. Enquanto o valor de serviços hospitalares destina-se a todos os gastos que o paciente cirúrgico efetue durante sua permanência no hospital. Obtendo as informações dos custos diretos das cirurgias pesquisadas e os valores praticados pelo SUS para a realização das mesmas cirurgias. É possível analisar os custos envolvidos e os valores que os correspondem, tratados a seguir. 66 3.4 Análise Comparativa dos Dados Levantados De acordo com os valores apurados no estudo de caso é possível realizar as análises pretendidas neste estudo. Primeiramente abordam-se os valores correspondentes aos serviços hospitalares, comparando os custos diretos suportados pelo hospital e os repassados pelo SUS. Tabela 02: Custos Diretos Hospital X SUS – Serviços Hospitalares HÉRNIORRAFIA INGUINAL Custo Direto SUS SMS (R$) (R$) (R$) DIFERENÇA (R$) % Serviços Hospitalares 246,90 268,70 - 21,80 8,11 TOTAL 246,90 268,70 - 21,80 8,11 VARIZES UNILATERAL Custo Direto SUS SMS (R$) (R$) (R$) DIFERENÇA (R$) % Serviços Hospitalares 175,79 181,64 - 5,85 3,22 TOTAL Fonte: Adaptado pela autora. 175,79 181,64 - 5,85 3,22 Observa-se pelo exposto que em relação aos custos diretamente alocados ao processo cirúrgico, incluindo o período de internação hospitalar, os valores repassados pelo SUS são superiores em R$ 21,80 no caso do procedimento de hérniorrafia inguinal e R$ 5,85 referente a varizes unilateral. Diante disto, percebe-se que os recursos provenientes do SUS suprem apenas os custos diretos das cirurgias avaliadas. As diferenças positivas apuradas contribuem para o pagamento dos custos indiretos e das despesas administrativas e financeiras da instituição. No entanto, esses valores não são insuficientes para garantirem todos os gastos envolvidos. O quadro abaixo demonstra quais foram os gastos abordados neste estudo e os não abordados. 67 Gastos Abordados no Estudo Gastos Não Abordados no Estudo Cirurgia Cirurgia - Mão-de-obra; - Depreciação; - Materiais e Medicamentos Utilizados; - Gastos com água; - Energia Elétrica; - Manutenção de equipamentos; - Oxigênio; - Serviços de Lavanderia; - Serviço de Coleta de Resíduos; - Salários Setor de: internação faturamento, farmácia, banco de sangue e recepção; Internação Hospitalar Internação Hospitalar - Mão-de-Obra; - Energia Elétrica; - Materiais e Medicamentos Utilizados; - Gastos com água; - Alimentação (nutrição). - Serviços de Higienização; - Serviços de Lavanderia; - Salário setores de internação, faturamento, farmácia, recepção e outros; - Manutenção e conservação da unidade. Despesas administrativas Despesas Administrativas - Nenhum Gasto Abordado - Salários do setor administrativo; - Sistema de Gestão Hospitalar; - Sistema Contábil; - Material de expediente (prontuários); - Telefone; - internet; - Laudos técnicos de equipamentos, tais como: autoclave, gerador de energia, elevador; - entre outros. Quadro 25: Gastos Abordados e Não Abordados no Estudo Fonte: Adaptado pela Autora. Alguns dos gastos não abordados têm um significativo impacto nas condições financeira da entidade. Neste sentido, destacam-se os recursos investidos em modernos equipamentos do Centro Cirúrgico do Hospital São Judas Tadeu, na ordem de R$ 350.000,00. A vida útil destes é de 10 anos, em média, considerando uma necessidade de reserva de R$ 3.000,00, aproximadamente, para sua substituição, pois, em algum momento futuro ocorrerá o desembolso financeiro para repor os equipamentos cirúrgicos. 68 Com relação aos honorários médicos, vale ressaltar que além dos valores pagos pelo SUS, estes ainda recebem uma complementação financeira das Secretarias Municipais de Saúde (SMS). Nestes convênios o governo municipal, repassa, por procedimento, em média, R$ 350,00 para o cirurgião e R$ 180,00 ao anestesista. Cabe destacar que os valores da coluna “Honorários Particulares” referem-se ao custo cobrado para os respectivos procedimentos, sem a intermediação de planos de saúde, SUS ou convênios. A tabela a seguir demonstra os valores repassados pelo SUS e o montante repassado pelas SMS aos profissionais médicos. Tabela 03: Serviços Médicos Particulares X SUS e SMS HÉRNIORRAFIA INGUINAL Honorários SUS SMS Particulares (R$) (R$) (R$) Serviços Profissionais DIFERENÇA (R$) % 1.300,00 109,99 530,00 (639,99) (50,77) Cirurgião 900,00 76,99 350,00 (473,01) (52,56) Anestesista 400,00 33,00 180,00 (187,00) (46,75) VARIZES UNILATERAL Honorários SUS SMS Particulares (R$) (R$) (R$) Serviços Profissionais DIFERENÇA (R$) % 1.300,00 301,73 530,00 (468,27) (36,02) Cirurgião 900,00 211,21 350,00 (338,79) (37,64) Anestesista Fonte: Adaptado pela autora. 400,00 90,52 180,00 (129,48) (32,37) Nos serviços médicos, cirurgião e anestesista, ainda com o incentivo financeiro da SMS para a realização da cirurgia, encontra-se diferenciação dos valores. O médico cirurgião obriga-se a renunciar mais de 50% de seus honorários no procedimento de hérniorrafia inguinal, representando um valor de R$ 473,01 e no caso da cirurgia de varizes unilateral esse valor representa perda de quase 40% dos valores praticados de forma particular. A mesma renúncia acontece com os honorários do anestesista. Onde este, recebe pelo procedimento cirúrgico de hérniorrafia inguinal o valor total de R$ 213,00 e para cirurgia de varizes unilateral R$ 270,52, diferença em relação ao 69 praticado em casos particulares de R$ 187,00 e R$ 129,48, respectivamente. As Secretarias Municipais de Saúde realizam convênios e repassam os valores aos profissionais médicos, face à recusa em realizar tais procedimentos, conforme os valores constantes na tabela SUS. Diante desta situação, apresenta-se a seguir os honorários repassados pelo SUS em relação ao praticado pelos profissionais médicos. Tabela 04: Serviços Médicos Particulares X SUS HÉRNIORRAFIA INGUINAL CUSTO DIRETO SUS DIFERENÇA (R$) % Serviços Profissionais 1.300,00 109,99 (1.190,01) (91,54) Cirurgião 900,00 76,99 (823,01) (91,45) Anestesista 400,00 33,00 (367,00) (91,75) VARIZES UNILATERAL CUSTO DIRETO SUS DIFERENÇA (R$) % Serviços Profissionais 1.300,00 301,73 (998,27) (76,79) Cirurgião 900,00 211,21 (688,79) (76,53) Anestesista 400,00 90,52 (309,48) (77,27) Fonte: Adaptado pela autora. Percebe-se que referente à primeira cirurgia os profissionais médicos recebem do SUS o equivalente a 8,46% dos valores praticados aos clientes particulares. Na segunda cirurgia os valores recebidos representam 25%, aproximadamente. Os valores expostos refletem a defasagem dos valores repassados aos profissionais médicos, considerando que não satisfazem 50% dos que são cobrados em procedimentos particulares. No hospital estudado, os recursos utilizados para manter a prestação de serviços de saúde na entidade, são oriundos de contribuições espontâneas mensais de seus associados e também de doações recebidas, quer em valores monetários como em materiais, medicamentos e gêneros alimentícios, de pessoas físicas e jurídicas. Com esses recursos torna-se possível, realizar o pagamento dos demais custos e despesas incorridas no processo cirúrgico, sendo que sem estes a instituição trabalharia com déficit, não conseguindo manter a prestação de serviços médico-hospitalares nos atuais níveis de qualidade e profissionalismo. 70 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os hospitais privados sem fins lucrativos são recorridos pelo poder público para satisfazer a demanda de pacientes que esperam pela prestação dos serviços financiados pelo SUS. Porém, estes hospitais enfrentam muitas dificuldades no que diz respeito a sua manutenção, seja em relação à estrutura física, ou em honrar os compromissos financeiros com terceiros e colaboradores. Os gastos envolvidos para que se tenham condições adequadas de funcionamento, são elevados e os montantes repassados pelo Sistema Único são insuficientes para garantir esses gastos. Também é verdadeiro que manter convênio com o Sistema Único de Saúde é crucial para que a continuidade da instituição hospitalar sem fins lucrativos, pois é condição que sem a qual não haverá a concessão do caráter filantrópico. Sem o Certificado Beneficente de Assistência Social, os custos tributários da atividade médicas seriam majorados, e os valores dos serviços cobrados sofreriam aumento. Portanto, hospitais necessitam do SUS para filantropia, isentando-se de impostos e contribuições, e o SUS necessita dos hospitais para o atendimento de pacientes, haja vista as dificuldades em receber a demanda de pacientes apenas em instituições públicas. O trabalho que envolve a saúde e a vida das pessoas é bastante crítico, pois um erro pode significar a perda de um indivíduo. Precisam sempre buscar os melhores profissionais e melhores condições de atendimento. Mas, nem sempre é possível, visto que os investimentos na área da saúde são insuficientes. Por meio do exposto no estudo de caso, percebe-se que os valores repassados não suprem as necessidades dos hospitais e dos profissionais da área da saúde. Causando insatisfação dos profissionais que atendem pelo sistema público de saúde. Em razão dos recursos recebidos serem insuficientes, o controle e o gerenciamento de custos tornam-se ainda mais fundamentais para os hospitais filantrópicos, pois, não há mais tolerância para desperdícios e gastos desnecessários. No estudo realizado apresentou que os recursos pagos pelo SUS, satisfazem apenas os custos diretos em relação aos gastos dos procedimentos cirúrgicos analisados. Desta forma, o nosocômio deve buscar alternativas que 71 reduzem os gastos e possibilitem que a entidade consiga manter a prestação de serviços médico-hospitalares para a comunidade. A dificuldade de encontrar profissionais médicos que realizem procedimentos cirúrgicos por meio do SUS, dá-se em razão dos valores praticados pela tabela unificada desse sistema público de saúde. Conforme exposto no estudo, sem que exista a contribuição financeira das secretarias de saúde municipais, a realização dos procedimentos não aconteceria. A grande defasagem em relação aos honorários faz com que os profissionais fiquem desmotivados e, em alguns casos, não prestem seus serviços por meio do SUS, tanto em hospitais sem fins lucrativos, como em instituições públicas, causando uma grande insatisfação por parte dos pacientes em relação aos serviços ofertados por esse convênio. Ajustes na tabela unificada dos procedimentos SUS tornam-se necessários, pois muitos estabelecimentos de saúde não atendem por este convênio devido aos baixos valores repassados pelos serviços realizados. Historicamente, os valores investidos pelo governo vêm crescendo em patamares superiores ao número de atendimentos realizados, mais ainda encontram-se defasados. Porém, alguns procedimentos ainda precisam reajustes para que os hospitais privados vejam como atraente a possibilidade de ofertar serviços financiados pelo SUS, para que além dos custos diretos sejam suportados os custos indiretos e demais gastos relativos ao procedimento. 72 REFERÊNCIAS ABBAS, Kátia. Gestão de custos em organizações hospitalares. Dissertação (mestrado). Programa de pós Graduação em engenharia de Produção, 171 f. Universidade Federal de Santa Catarina, 2001. ALMEIDA, Maria Lúcia Pacheco de. Como elaborar monografias. 4. ed. Belém: Cejup,1996. APM – Associação Paulista de Medicina. SUS: o que você precisa saber sobre o Sistema Único de Saúde. 1.ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2008. BARRETO, Sabrina Manique. Proposta de um método de custeio baseado por atividades para uma entidade hospitalar: Um estudo no centro cirúrgico. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Curso de Graduação em Ciências Contábeis, 119 f. Universidade do Extremo Sul Catarinense, 2009. BARROS, Maria Celeste D. Enfermagem cirúrgica. Rio de Janeiro: Editora Senac Nacional, 1996. Brasil Cultura, informações sobre a revolução industrial. Disponível em: http://www.culturabrasil.org/revolucaoindustrial.htm. Acesso em 14 de março de 2010. CHING, Hong You. Manual de custos de instituições de saúde. São Paulo: Atlas, 2001. COGAN, Samuel. Custos e preços: formação e análises. São Paulo: Pioneira, 1999. Conselho Federal de Contabilidade. Manual dos procedimentos contábeis para fundações e entidades de interesse social. Brasília: CFC, 2003. Disponível em: http://www.cfc.org.br/uparq/Livro_manual_fund.pdf. Acesso em 21 de abril de 2010. ______. Constituição Federativa do Brasil. Brasília DF, 5 de outubro de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm. Acesso em 20 de out. 2009. ______. Lei nº 8.080 de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providencias. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8080.htm. Acesso em 20 de out. 2009. ______. Lei nº 12.101 de 27 de novembro de 2009. Dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social; regula os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social; altera a Lei no 8.742, de 7 de dezembro de 73 1993; revoga dispositivos das Leis nos 8.212, de 24 de julho de 1991, 9.429, de 26 de dezembro de 1996, 9.732, de 11 de dezembro de 1998, 10.684, de 30 de maio de 2003, e da Medida Provisória no 2.187-13, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20072010/2009/Lei/L12101.htm. Acesso em 18 de março de 2010. ______. Portaria 252/GM de 06 de fevereiro de 2006. Redefine a política nacional de procedimentos cirúrgicos de média complexidade. Disponível em: http://dtr2001.saude.gov.br/sas/PORTARIAS/Port2006/GM/GM-252re.htm. Acesso em 02 de abril de 2010. ______. Portaria 2.224/GM de 05 de dezembro de 2002. Dispõe sobre o porte hospitalar em relação ao SUS. Disponível em: http://dtr2001.saude.gov.br/sas/PORTARIAS/Port2002/Gm/GM-2224.htm. Acesso em 29 de março de 2010. FALK, James Anthony. Gestão de custos para hospitais: conceitos, metodologias e aplicações. São Paulo: Atlas, 2001. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Minidicionário da língua portuguesa. 8. ed. Rio de janeiro: Editora Nova Fronteira S/A, 1993. FERREIRA, Ricardo J. Contabilidade de custos: teoria e questões comentadas. 4. ed. Rio de Janeiro. Editora Ferreira, 2007. FLORENTINO, Américo Matheus. Os custos podem acabar com sua empresa. Rio de Janeiro: Funager, 2003. FREITAS, Rute de; FUKUMOTO, Helena Lumi. IMPLANTAÇÃO DO CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADES ABC / ABM NO SETOR HOSPITALAR: CENTRO CIRÚRGICO, UM CASO PRÁTICO. VII Congresso Brasileiro de Custos. Anais... Recife – PE, Brasil, 2 a 4 de agosto de 2000. HRA – Hospital Regional de Araranguá, informações sobre a classificação hospitalar da entidade. Disponível em: http://www.horegional.com.br/paginas/hospital. Acesso em 21 de abril de 2010. IBGE, informações sobre estabelecimentos que atendem por meio do SUS. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=72 2&id_pagina=1. Acesso em: 31 de out. 2009. LEONE, George Sebastião Gerra. Curso de contabilidade de custos. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000. LFG, informações sobre o princípio da universalidade. Disponível em: http://www.lfg.com.br/public_html/article.php?story=20090824120643601. Acesso em 14 de março de 2010. 74 LÓPES, Mercedes Aires; LA CRUZ, Maria Jesús Redondo de. Centro Cirúrgico: guias práticos de enfermagem. Rio de Janeiro: Editora McGraw-Hill, 2000. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisa, amostragens e técnicas de pesquisa, aleboração,análise e interpretação de dados. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2002. MARTINS, Domingos. Gestão financeira de hospitais. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2001. MARTINS, Domingos. Custos e orçamentos hospitalares. São Paulo: Atlas, 2000. MARTINS, Domingos. Custeio hospitalar por atividades. São Paulo: Atlas, 2002. MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2003. MEGLIORINI, Evandir. Custos. São Paulo: Pearson Makron Books, 2001. MEGLIORINI, Evandir. Custos. São Paulo: Pearson Makron Books, 2002. MEGLIORINI, Evandir. Custos. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. Ministério da Saúde, informação sobre a Política Nacional de Procedimentos Eletivos de Média Complexidade. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/eletivas_190310.pdf. Acesso em 20 de maio de 2010. MIRSHAWAKA, Victor. Hospital fui bem atendido, a vez do Brasil. São Paulo: Makron Books, 1994. MOZACHI, Nelson. O Hospital: manual do ambiente hospitalar. 3.ed. Curitiba: Manual Real, 2009. NASCIMENTO, Jonilton Mendes do. Custos: Planejamento, Controle de Gestão na Economia Globalizada. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2001. OLIVEIRA, Luís Martins de; PERES JUNIOR, José Fernandes. Contabilidade de custos para não contadores, 2. ed. São Paulo: Atlas, 2005. OLIVEIRA, Silvio Luiz de. Tratado de metodologia científica, 2. ed. São Paulo: Pioneira, 1999. PAES, José Eduardo Sabo. Fundações e entidades de interesse social: aspectos jurídicos, administrativos, contábeis e tributários. Brasília: Brasília Jurídica, 1999. Procuradoria Geral do Rio Grande do Sul, informações sobre a decisão do Supremo Tribunal federal, em relação ao atendimento por meio do SUS. Disponível em: http://www.pge.rs.gov.br/clipping.asp?ta=5&cod_noticia=833. Acesso em: 20 de maio de 2010. 75 SANTOS, José Luiz dos; SCHMIDT Paulo; PINHEIRO, Paulo Roberto et al. Fundamentos da contabilidade de custos. São Paulo: Atlas, 2006. Secretaria de Saúde e da Defesa Civil do Rio de Janeiro, informações sobre o Sistema Único de Saúde. Disponível em: http://www.saude.rj.gov.br/guia_sus_cidadao/pg_14.shtml. Acesso em: 20 de out. 2009. SILVA, D’Apparecida Andrade; RODRIGUES, Aparecida Laureci; CESARETTI, Isabel Umbelina Ribeiro. Enfermagem na unidade de centro cirúrgico. 2.ed. São Paulo: EPU, 1997. SILVA, D’Apparecida Andrade; RODRIGUES, Aparecida Laureci; CESARETTI, Isabel Umbelina Ribeiro. Enfermagem na unidade de centro cirúrgico. 2.ed. São Paulo: EPU, 2001. Sistema de Informações Hospitalares. Informações sobre repasses do SUS, conforme sistema de faturamento específico. Disponível em: http://portalses.saude.sc.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=335 &Itemid=326. Acesso em 08 de maio de 2010. VIANNA,Ilca Oliveira de A. Metodologia do trabalho científico: um enfoque didático da produção científica. São Paulo: E.P.U, 2001. WERNKE, Rodney. Análise de custo e preço de venda: ênfase em aplicações de casos nacionais. São Paulo: Saraiva, 2005. YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamentos e métodos, 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005. 76 APÊNDICES 77 ANEXO I – Tabela de Medicamentos utilizados na Cirurgia de Hérniorrafia Inguinal TABELA DE MEDICAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO CIRURGICO DE Descrição HÉRNIORRAFIA INGUINAL Cirurgia Cirurgia Cirurgia 1 2 3 Cirurgia 4 Cirurgia 5 Média Água p/ injetável 10 ml 0,32 0,08 - 0,24 0,96 0,32 Diclofenaco de Sódio 50 mg 0,27 0,27 0,27 0,27 0,27 0,27 Dipirona 1 mg 2ml 1,02 1,02 1,02 0,51 1,02 0,92 Metoclopramida 5mg/ml 2ml 0,79 0,79 0,79 0,40 0,79 0,71 Omeprazol 29 mg 0,31 - - - - 0,06 Cefalotina 1 gr 1,52 1,52 1,52 1,52 1,52 1,52 Cloridrato de Buvocaína + Glicose 5,20 5,20 5,20 10,40 5,20 6,24 Escova com PVPI 1,69 1,69 1,69 1,69 - 1,35 Cloridrato de Etinefrina 10mg/ml - 1,64 - - 0,82 0,49 Ondasemetrona 4mg - 3,92 11,76 7,84 - 4,70 Sulfato de atropina 0,50 mg/ml - - 0,26 - - 0,05 Cloridrato de pentidina - - - - 1,04 0,21 Sol. Cloreto de sódio 0,9% 1000ml 7,21 5,16 - - 7,21 3,92 Sol. Cloreto de sódio 0,9% 250ml - - - - 2,28 0,46 6,76 6,76 3,38 6,76 10,14 6,76 - 3,92 11,76 7,84 - 4,70 25,09 31,97 37,65 37,47 31,25 32,69 Sol. Cloreto de Sódio 0,9% + Glicose Sol. Ringer c/ Lactato de Sódio 1000 ml TOTAL *Valores Expressos em Reais 78 ANEXO II – Tabela de Materiais utilizados na Cirurgia de Hérniorrafia Inguinal TABELA DE MATERIAIS UTILIZADOS NO PROCESSO CIRURGICO DE HÉRNIORRAFIA INGUINAL Descrição Cirurgia 1 Cirurgia 2 Cirurgia 3 Cirurgia 4 Cirurgia 5 Média Lamina de Bisturi Carbono nº 22 1,49 1,49 1,49 1,49 1,49 1,49 Luvas Cirurgicas estéril nº 7,5 3,20 4,00 1,59 3,15 2,38 2,86 Luvas Cirurgicas Estéril nº 8,0 - - 0,70 0,70 - 0,28 Seringa Descartável 10 ml 0,78 1,82 2,36 0,26 3,02 1,65 Seringa Descartável 05 ml 0,15 - - - - 0,03 Sonda Uretral 0,35 - 0,35 0,35 0,35 0,28 Compressa de Gaze 10x10 13 fios 1,20 1,13 - 0,63 0,63 0,72 Compressa de Gaze 7,5x7,5 9 fios 0,14 0,14 - - 0,34 0,12 Esparadrapo cm 1,12 0,98 - - 1,26 0,67 Iodofor aquoso 1% 1000ml 3,40 5,10 3,40 - 5,10 3,40 Micropore cm 0,40 0,40 - 0,10 0,40 0,26 Agulha descartável 25x7 - - - 0,24 0,39 0,13 Agulha descartável 40x12 0,04 0,04 0,17 0,04 0,04 0,07 Agulha para anestesia raqui 7,60 7,60 7,60 15,20 7,60 9,12 Equipo Macro-Gotas 0,60 0,60 - 0,60 0,60 0,48 Polipropileno 0 c/ ag 1/2 - 4cm 4,04 4,04 4,00 4,00 4,04 4,02 Lamina tipo Gilette - - - 0,47 - 0,09 PVPI degermante 1000 ml - - 2,20 2,20 - 0,88 Vicryl 1 c/ ag. 1/2 3.7cm violeta 9,36 - - - - 1,87 Vicryl 3-0 c/ ag. 3/8-2.4cm incolor 10,74 10,74 10,74 10,74 10,74 10,74 - - 0,63 0,63 0,63 0,38 Cateter Intravenoso nº 20 1,94 0,97 ,0,49 0,97 0,97 0,97 TOTAL 46,55 39,05 35,23 41,77 39,98 40,52 Cateter p/ o² tipo óculos * Valores Expressos em Reais 79 ANEXO III – Tabela de Medicamentos Utilizados na Cirurgia de Varizes Unilateral TABELA DE MEDICAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO CIRURGICO DE Descrição VARIZES UNILATERAL Cirurgia Cirurgia Cirurgia 1 2 3 Cirurgia 4 Cirurgia 5 Média Água p/ injetável 10 ml 0,4 0,08 0,32 0,08 0,34 0,24 Diclofenaco de Sódio 50 mg 0,27 0,18 0,27 0,27 0,15 0,23 Dipirona 1 mg 2ml 1,02 0,26 1,03 1,02 1,09 0,88 - - 0,6 - - 0,12 Metoclopramida 5mg/ml 2ml 0,79 0,2 0,59 0,79 0,95 0,66 Cefalotina 1 gr 1,25 1,25 1,25 1,52 1,52 1,36 Dipirona 500 mg/ml 5ml Cloridrato de Buvocaína + Glicose 4.97 4.97 - 5,20 4,97 2,03 Escova com PVPI 1,69 1,69 1,69 - 4,68 1,95 Cloridrato de Etinefrina 10mg/ml 0,82 - - 1,64 - 0,49 Ondasemetrona 4mg - - - - 0,4 0,08 Glicose - 0,14 - - - 0,03 Tenoxican - - - - 6,36 1,27 Sol. Cloreto de sódio 0,9% 1000ml - - 7,21 - - 1,44 Sol. Cloreto de sódio 0,9% 500ml 7,74 5,16 - - 3,39 3,26 Sol. Cloreto de Sódio 0,9% + Glicose 6,76 - 3,38 13,52 4,76 5,68 - 3,92 3,92 7,21 11,41 5,29 20,74 12,88 20,26 31,25 40,02 25,03 Sol. Ringer c/ Lactato de Sódio 1000 ml TOTAL * Valores Expressos em Reais 80 ANEXO IV – Tabela de Materiais utilizados na Cirurgia de Varizes Unilateral TABELA DE MATERIAIS UTILIZADOS NO PROCESSO CIRURGICO DE VARIZES UNILATERAL Descrição Cirurgia 1 Cirurgia 2 Cirurgia 3 Cirurgia 4 Cirurgia 5 Média Lamina de Bisturi Carbono nº 22 1,51 - 1,51 1,51 3,06 1,52 Luvas Cirurgicas estéril nº 7,5 2,32 1,59 2,38 3,38 2,26 2,39 Luvas Cirurgicas Estéril nº 8,0 - 0,7 - - 0,7 0,28 Seringa Descartável 10 ml 1,58 1,31 1,58 1,58 1,58 1,53 Seringa Descartável 20 ml 0,43 - 0,26 0,26 - 0,19 Seringa Descartável 03 ml 0,18 - - - - 0,04 Seringa Descartável 05 ml 0,31 0,15 0,31 - 0,62 0,28 Sonda Uretral 0,35 0,35 - - - 0,14 Compressa de Gaze 10x10 13 fios 1,26 1.26 1,26 - - 0,76 Compressa de Gaze 7,5x7,5 9 fios - 0,14 0,14 1,73 - 0,40 Atadura de Crepon 15 cm 3,49 3,49 2,6 - 3,49 2,61 Esparadrapo cm 1,12 0,98 0,84 - - 0,59 Iodofor aquoso 1% 1000ml 6,8 5,1 4,76 5,1 - 4,35 Micropore cm 0,4 0,4 0,15 - - 0,19 Agulha descartável 40x12 0,16 0,04 0,27 0,27 0,21 0,19 Agulha para anestesia raqui 7,6 7,6 7,6 15,2 7,6 9,12 Equipo Macro-Gotas 0,6 0,6 0,6 1,2 0,6 0,72 Nylon Preto 5-0 c/ag. 3/8-2.0 cm 7,96 1,99 3,98 5,97 5,97 5,17 Lamina tipo Gilette - - - - 0,47 0,09 Adaptador p/ frasco de soro 1,1 - - - - 0,22 Catgut Cromado 2,4 2,77 3,28 3,28 - 2,35 - - - - 0,93 0,19 Cateter p/ o² tipo óculos - 0,63 - - 0,63 0,25 cateter Intravenoso nº 20 1,94 0,97 ,0,49 0,97 0,97 0,97 TOTAL 41,51 28,81 31,52 40,45 29,09 34,28 Sonda Folley 2 vias * Valores Expressos em Reais 81 ANEXO V – Tabela de Cálculo Honorário Mão-de-obra Equipe de Enfermagem TABELA CÁLCULO MÃO-DE-OBRA ENFERMAGEM ENFERMEIRA SALÁRIO MENSAL Salário Base Prêmio Assiduidade Insalubridade FGTS TOTAL TÉCNICA DE ENFERMAGEM Valor (R$) 2.084,00 13º SALÁRIO Salário Base 138,93 Prêmio Assiduidade 102,00 Insalubridade 260,39 2.585,32 Salário Base SALÁRIO MENSAL FGTS TOTAL 2.084,00 978,00 65,20 102,00 128,26 1.273,46 13º SALÁRIO Valor (R$) Valor (R$) Salário Base Prêmio Assiduidade 138,93 Prêmio Assiduidade Insalubridade 102,00 Insalubridade Valor (R$) 978,00 65,20 102,00 FGTS TOTAL 260,39 2.585,32 FGTS TOTAL 128,26 1.273,46 Mensal 215,44 Mensal 106,12 FÉRIAS Valor (R$) FÉRIAS Valor (R$) Horas Férias 2.084,00 Horas Férias 978,00 Média Férias 240,93 Média Férias 167,20 1/3 de férias 774,98 1/3 de férias 381,73 FGTS TOTAL 347,19 3.447,10 FGTS TOTAL 171,02 1.697,95 Mensal 287,26 Mensal 141,50 Valor Média Salário (R$) Valor Média Hora (R$) 3.088,02 17,16 Valor Média Salário (R$) Valor Média Hora (R$) 1.521,08 8,45