PRÁTICAS DE ESCRITA DA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO: O TEMA DA ESCOLA NOVA NOS MANUAIS DE ENSINO PRODUZIDOS POR BRASILEIROS (1914-1969) Carlos Monarcha Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Campus de Araraquara) [email protected] Palavras-chave: Ensino de História da Educação, Manuais de ensino, Escola Nova Introdução Este trabalho dá prosseguimento às minhas preocupações pessoais respeitantes às escritas da história da educação brasileira no âmbito acadêmico de ensino (cf. MONARCHA, 1993, 1996, 2005, 2007a, 2007b). Especificamente, apresenta resultados de pesquisa em andamento centrada na análise comparativa de manuais de ensino de História da Pedagogia e História da Educação para alunos de escolas normais, institutos de educação e seções e cursos de Pedagogia e Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras. Para desenvolver a investigação, elegi um corpus documental constituído de nove títulos publicados entre 1910 e 1970, de autoria de professores de maior ou menor calibre e expressivos de visões de mundo diversas entre si. Sobre o lugar e a importância desse tipo de material impresso, Manuel de Puelles Benítez reservou as seguintes reflexões: El manual escolar, libro de texto o libro escolar ha tenido siempre, por sua propia naturaleza, un carácter instrumental y uma apariencia más bien modesta. Quizás por eso, los historiadores de la educación apenas le han dedicado atención, si exceptuamos las dos últimas décadas do siglo que ahora acaba. Desde entonces, sin embargo, el manual escolar se ha convertido en uno de los campos de conocimiento más prometedores de la historia de la educación, contagiando su interés incluso a los cultivadores de la historia del libro. Más aún, el manual escolar es hoy el lugar de encuentro obligado de diversas ramas de la historia de la educación: convergen en él la historia del currículo, la historia de las disciplinas escolares y la moderna historia interna de la escuela o de la práctica escolar. (p.5, 2000). Como tão bem se sabe, o período delimitado pelas décadas de 1910 e 1970 assinala amplo movimento de mudanças estruturais e conjunturais, na formação social brasileira, entre as quais a organização e a expansão da instrução popular (sobretudo o ensino primário e normal); ascensão e ocaso de ciclos de idéias educacionais; reformas do ensino de local e nacional, com o propósito de 2 instaurar modernidades culturais em diferentes presentes históricos e crescente ordenação estatal e institucional da nação. De par a esse processo estruturante e reestruturante, cuja complexidade e tensão é um dos objetos privilegiados pela historiografia contemporânea, ocorria a institucionalização acadêmicouniversitária das ciências humanas e sociais, a consolidação, seguida de expansão qualitativa e quantitativa do ensino popular, isto é, primário e normal e superior. Donde, crescente interesse pela instrução pública e seus impasses e problemas, interesse modulado pela presença atuante de professores primários e universitários, os quais despontavam como teorizadores de modelos de educação, métodos de ensino e autores de manuais de ensino destinados a um corpo de agentes em processo de profissionalização — professores, diretores, inspetores e técnicos em educação. O termo de selecionado para o estudo dos manuais constantes no Quadro I refere-se ao tema da “Escola Nova” (e correlatos, como “pedagogia nova”, “educação moderna”, “educação progressiva”, “educação nova”, “escola ativa”, “escola moderna”), como se sabe, tema simbolizador do choque antigo/moderno, originado pela percepção aguda (imaginária ou real) de outras e novas temporalidades histórico-culturais. Autores e títulos e posição ocupacional dos autores Quadro I - Autores e títulos Autor O.D.C. Título História da Pedagogia compilada por um professor Afrânio Peixoto Noções de história da educação Editora Livraria Francisco Alves & Comp. 1914 Nacional, 2.ed. 1936 Francisca Peeters Maria Augusta de Cooman Bento de Andrade Filho Theobaldo Miranda Santos Aquiles Archêro Júnior Educação: história da pedagogia Melhoramentos, 1936 História da educação Saraiva & Cia. 1941 Nacional 1945 Edições e Publicações do Brasil Ed. 1957 Raul Briquet História da educação: evolução do pensamento educacional Pequena história da educação Rui de Ayres Bello José Antonio Tobias Noções de história da educação Lições de história da educação História da educação brasileira Coleção Atualidades Pedagógicas 300p. 193p. Coleção de Ensino Normal Curso de Psicologia e Pedagogia Coleção Didática Nacional, Série Brasil – Normal Editora Renascença 2.ed. Editora do Brasil, 1957 Juriscredi, 1972 Páginas 273p. 272p. 431p. 154p. 206p. Coleção Didática do Brasil, Série Normal 236p. 493p. 3 Quadro II - Posição sócio-ocupacional dos autores Autores O.D.C. Instituições Professor na Escola Normal da Capital - SP Afrânio Peixoto Professor da Universidade do Rio de Janeiro Professor na Universidade do Distrito Federal Francisca Peeters Maria Augusta de Cooman Bento de Andrade Filho Professoras no Colégio Santo André - SP Aquiles Archêro Júnior Raul Briquet Rui de Ayres Bello Theobaldo Miranda Santos José Antonio Tobias Professor de Educação na Escola Normal de Itapetininga Ex-diretor e lente das Escolas Normais Livres de Taquaritinga e São Manuel Ex-lente da Escola Normal Livre de Lins - SP Ex-Assistente Geral do Departamento de Educação, Diretor da Escola Universitária de São Paulo Ex-chefe do Ensino Secundário e Normal Professor na Faculdade de Medicina da Universidade de são Paulo Professor de Educação Nacional na Escola Livre de Livre de Sociologia e Política de São Paulo Professor catedrático na Universidade do Recife, Universidade Católica de Pernambuco Instituto de Educação de Pernambuco Catedrático de Filosofia da Educação e História da Educação da Faculdade de Filosofia de Santa Ursula Faculdade Católica de Filosofia Professor de Filosofia da Educação do Instituto de Educação do Rio de Janeiro Ex-Professor de Filosofia e História da Educação da Universidade do Distrito Federal Professor Catedrático e Regente da Cadeira de Filosofia da Educação e História da Educação na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marilia Como se observa nesse corpus heterogêneo e significativo de manuais de ensino, os autores são professores atuantes em escolas normais, institutos de educação, seções e/ou cursos de pedagogia e ensino superior, em instituições no eixo São Paulo-Rio de Janeiro. Um mito de origem É de notar como certos autores de uma literatura de difusão e propaganda alardearam ter encontrado as fontes da modernidade em educação, nos sistemas de idéias e nas experiências isoladas objetivadas por uma linhagem de pensadores humanistas e racionalistas. Lorenzo Luzuriaga, por exemplo, propagou tal mito de maneira enérgica, na sua obra intelectual, designadamente em Las escuelas nuevas (1922), La educación nueva (1943) e Concepto y desarrollo de la nueva educación, mito amplamente corroborado por autores como Paul Foulquié em Les écoles nouvelles, Roger Cousinet em L’Éducation Nouvelle e Manoel Bergström Lourenço Filho, em Introdução ao estudo da escola nova. 4 Assim, engendrou-se um mito de origem situado nas nascentes de um extenso rio luminoso que trazia nas águas uma educação branda centrada no contato com a natureza, no trabalho coletivo, na autonomia individual e no princípio de interesse. Para todos os efeitos, situa-se a fonte límpida no Renascimento italiano: a Casa Giocosa, produto da visão humanista do filósofo Vitorino de Feltre. E, para o rio luminoso da boa doutrina, confluíram a sátira de Rabelais, a visão realista e antiescolástica do mestre-guia Comenius; a clarividência filosófica de Montaigne, Locke, Rousseau; a metodologia de Basedow, as cosmovisões e realizações de Pestalozzi, em Yverdon, de Fröebel, com a invenção do Kindergarten, e mais à frente com o evolucionismo de Spencer, o sociologismo de Durkheim. Rio tornado caudaloso com as experiências de conotação tardo-romântica ou pastoral: a New Schools de Abbotsholme, de Cecil Reddie (este sinceramente inspirado nas experiências de Robert Owen), a École des Roches de Verneuil-sur-Avre, experiência aristocrática e confessional de Edmond Demolins; ou Yasnaia Polyana, escola para camponeses no coração da Rússia Tzarista e perfeito produto do comunismo místico-primitivo do grande Leão Tolstoi. Rio que, após ter-se tornado caudaloso, desaguou no século XX, trazendo consigo os encantatórios apostolados de Hermann Lietz, propositor de uma elite social purificada, a ser educada nas Land-Erziehungsheime [Casas de educação no campo] de Paul Geheeb, com a Odenwaldschule, cujos ardores apostólicos assumiriam conotações nacionalistas nos anos 20, e Gustav Wyneken, idealizador do Jugendbewegung [Movimento Juvenil] e teórico da educação antiburguesa e libertária centrada no culto à natureza. Desaguar oceânico que trouxe, em suas correntes, o politécnico Georg Kerschensteiner, idealizador da Arbeitsschüle, e seu desejo de educar as grandes massas trabalhadoras — “A escola do livro há de se transformar na escola da atividade”, “A salvação da escola primária não está em Kant nem em Goethe, e sim em Pestalozzi”, dizia —,a carismática Maria Montessori, com as Case dei Bambini mergulhadas no “Ambiente Revelador” necessário à “explosão vital” da criança, e, por fim, Decroly, com a escola l’Ermitage, local de investigação da educação de crianças normais e anormais, e assim por diante. Portanto, esse mito de origem remete a um conjunto acotovelado de experiências indicativas de supostas leis naturais do progresso em educação. Em síntese e sobretudo ao anexar-se uma trama teleológica ao conjunto de experiências, a educação nova (ou escola ativa ou escola nova), decantada pelo tempo e no tempo, aparecia como força irreprimível e sobrecarregada de tradição e autenticada pelo passado, ou seja, surgia compreendendo-se conceitualmente no tempo e concluindo-se historicamente no presente contemporâneo. Todavia, em meados da década de 1930, Everardo Backheuser, em Técnica da pedagogia moderna: teoria e prática da Escola Nova, já delatava o enredo equivocado. 5 Já o desfilar dos chamados precursores é um indício. São citados como corifeus da escola nova pedagogos sem dúvida eminentes, mas cujas idéias e concepções “hurlent de se trouver ensemble”. Vemos, de fato, nos serem apresentados uns de mistura com os outros, baralhados em promiscuidade, como se tivessem unidade de propósitos: Rousseau, Dewey, Spencer, Pestalozzi, Kerschensteiner, Lunatcharsky, Herbart, Decroly, Ferrière, Nartorp e tantos outros. (1936, p.19). No tumultuado transcorrer dos Tempos Modernos, essa suposta “origem histórica da Escola Nova” fez seu percurso, sendo acolhida como bússola para a elaboração de manuais de História da Educação. Numa palavra, artefato elaborado com recurso à retrospecção, a história da Pedagogia e Educação é provida de um télos, algo como um estado de caráter atrativo ou concludente, para o qual se movia incessantemente em perspectiva de remate final. Em última análise, o movimento pedagógico que se denomina de “escola nova”, ou “escola renovada”, representa uma síntese das várias tendências verificadas na história das teorias e das práticas educacionais, a partir do Renascimento, ou por assim dizer, o termo da evolução de todas essas tendências. Trata-se, portanto, de um movimento bastante eclético, que tem suas origens nas mais variadas e, por vezes até mesmo antagônicas doutrinas educacionais.[...] Por ser, assim, procedente de origens tão variadas, é que o movimento da “escola nova” se reveste de modalidades bastante diversas, conforme a preponderância das influências recebidas e os pontos de vista pessoais de seus numerosos protagonistas. Por esse modo é que existem, como modalidades da “escola nova”, a “escola ativa”, “escola de trabalho, a “escola de comunidade”, etc, apresentando as instituições integradas nesse movimento características diferentes, embora na sua essência estejam todas ligadas por uma ideologia comum. (BELLO, 1968, p.207-208). Para um sem-número de autores de manuais, literatura didática e intérpretes do passado, as invenções do individualismo-liberalista, do racionalismo filosófico, da interpretação materialista da história e da natureza, invenções iniciadas no Renascimento e amadurecidas nos tempos fortes, contínuos e irreversíveis da Era Moderna, isto é, nas conjunturas de aceleração da história — Humanismo, Racionalismo, Iluminismo, Revolução Francesa, formação dos Estados nacionais — ao alcançarem a plenitude deram lugar ao nascimento da escola obrigatória, o triunfo das pedagogias psicológicas com a conseqüente extinção da férula educacional e, por conseguinte, o advento do ensino conforme a subjetividade do sujeito, tudo isso e muitos mais com o propósito de formar seres capazes de ver, observar, pensar, discernir e racionar. Numa palavra; espécie de “providência natural” a operar na história dos homens e da cultura, a ciência racionalista aparece como o grande instrumento de perfectibilidade humana. A configuração dos manuais e da disciplina de História da Educação No Brasil, entre as décadas de 1910 e 1970, ou seja, entre a consolidação/expansão das escolas normais, institutos de educação, cursos de Pedagogia e a antevéspera da criação dos programas de pósgraduação em Educação, o magistério da disciplina História da Educação e a produção de 6 conhecimento histórico em Educação tendiam a estar separados, fato que permite supor o motivo pelo qual os manuais de ensino da disciplina mantiveram uma configuração sinóptica e enredo estabilizado tendo como única fonte de autoridade os manuais estrangeiros do século XIX e início do XX. Essa produção multiplicada ao longo das décadas legitimaria a “história narrativo-descritiva” dos fatos irredutíveis dignos de memória, daí a abstração e esquecimentos dos “tempos fracos”, isto é, de não-mudança. Partidários de uma filosofia de história racionalista e otimista, os autores os mais variados acreditavam que pela da história da educação seria o modo sensato de explicar e ilustrar os progressos da razão e do processo civilizador. . Uma breve recensão da bibliografia de referência constante no corpus ora em estudo identifica o seguinte rol de autores e títulos: La Pédagogie, de Issaurat, Histoire de la Pédagogie, de Compayré, Histoire de l’Éducation, de Letouneau, Histoire de l’Instruction et de l’Éducation, de Guex, Filosofía de la educación, de Arias, História da educação, de Monroe, Historia de la educación, de Zuretti, História da educação na Antigüidade, de Marrou, Una historia de la educación, de Davidson, Historia de la pedagogía, de Dilthey, Historia de la pedagogía, de Messer, Historia de la pedagogía, de Weimer, Paidéia, de Jaeger, Histoire de la Pédagogie, de Riboulet, Historia de la educación e la pedagogía, de Ruys, History of education, de Painter, An interpretative history of education, de Messenguer, Histoire universelle de la Pédagogie, de Paroz, Historia general de la Pedagogía, de Behn, L’Évolution pédagogique en France, de Durkheim. Rol completado com obras de referência: Grandes maestros de la Pedagogía contemporánea, de Houvre, Dicionário de Pedagogia, de Rein, Nouveau dictionnaire de Pédagogie, de Buisson, Cyclopedie of education, de Monroe. Desse estado de coisas sobrevém (i) a prática de emular os manuais clássicos; (ii) a tendência de subsumir a disciplina História da Educação Geral na filosofia da educação, ou melhor, na exposição de valores éticos e morais em educação, no tempo e espaço; (iii) a redução da disciplina à história das idéias sobre educação produzidas por figuras-síntese do espírito da(s) época(s); (iv) o indiscernimento dos discursos sobre educação das concretizações efetivas. Por seu lado, o nunca-acabar de figuras-síntese ilustram a longa e secular construção de modelos de educação conforme a subjetividade do sujeito: Vitorino de Feltre, Luiz Vives, Erasmo, Calvino, Melanchton, Lutero, as congregações de jesuítas e jansenistas, Rabelais, Montaigne, Bacon, Descartes, Comenius, Locke, Fénelon, La Salle, Rousseau, Kant, Basedow; La Chalotais, Condillac, Diderot, Helvétius, Condorcet, Lakanal, Mirabeau, Talleyrand, Pestalozzi, Fröebel, Herbart, Stuart Mill, Spencer, Alexandre Bain, Horace Mann, Dewey, Claparède, Montessori, Decroly, e assim por diante. À guisa de demonstração acerca do caráter formal da disciplina História da Educação, no período citado, confrontar o programa de ensino para a cadeira de História e Filosofia da Educação do Curso de Formação de Professores Primários do Instituto de Educação da Universidade de São Paulo, para o ano de 1936. 7 O catedrático Roldão Lopes de Barros professava os seguintes conteúdos: A educação entre os primitivos; A Grécia - doutrinas educacionais; A educação em Roma; A educação na Idade Média, educação monástica, a Cavalaria, as Universidades; Renascimento; A Reforma e a Contra-Reforma; Período de transição: Rabelais, Montaigne, Erasmo; O realismo de Bacon e Comenius; Locke e a disciplina formal; Rousseau e a criança; Pestalozzi, Herbart e Fröebel: a psicologia na educação; Spencer e a educação científica; Dewey; e Manifesto dos Educadores Brasileiros. O programa fazia-se acompanhar da seguinte bibliografia: Historia de la Pedagogía; de Wickert; Disegno storico delle doutrine pedagogiche, de Marchesini; Noções de História da educação, de Afrânio Peixoto; Historia de la Pedagogía, de Messer; Historia de la Pedagogía, de Paul Monroe; Histoire de la Pédagogie, de Riboulet; Histoire de la Pédagogie, de Compayré; La pedagogía del Rinascimento, de Woodward (cf. SÃO PAULO (Estado) (1936). O recurso à periodização Os manuais constantes no Quadro I exibem uma visão evolucionária da educação nos moldes daquilo que Jean Chesnaux (1995) denominou “história quadripartide”, ou seja, a periodização da história universal em quatro idades — antiga, medieval, moderna e contemporânea — e com a sobrevalorização do Ocidente europeu e a redução do lugar dos não-europeus e das culturas anteriores à Modernidade. Para Bento de Andrade Filho, em História da educação (1941), por exemplo: A civilização rudimentar que acorrenta há milênios os habitantes das inóspitas regiões africanas, corresponde fraquíssima coesão social que não lhes permite organizar-se além das tribos; os esquimaus, ainda mais miseráveis em sua vida quase animal sob o mais hostil dos climas, não puderam passar da família. Ao contrário, os povos cultos são perfeitamente cônscios de sua unidade nacional. (p.8, grifos meus). Sobre a “história quadripartide” descansam as tipologias utilizadas nos manuais, a saber: educação na Antigüidade Oriental pagã, na Antigüidade Clássica humanista, na Idade Média cristã, na Idade Moderna racionalista e na Idade Contemporânea laica, científica e industrial. Grosso modo, os autores didáticos entregam-se à tentação de modelar a imagem do passado pela imagem do presente, nesse caso, os fatos idos são representativos de um celeiro de idéias antecipadoras. Indubitavelmente, é essa a racionalidade cognitiva do mesmo Andrade Filho: Um fato, entretanto, deve ser evidenciado: dado o principal objetivo do curso de História — o esclarecimento das práticas atuais — é incomparavelmente mais proveitoso ter-se uma visão em síntese do amplo panorama histórico, abrangendo seus limites extremos e ressaltando clara a linha mestra da evolução, que um estudo minucioso, mas desconexo, ou abandonado em meio por força de circunstâncias. (p.xii, grifos meus). 8 Noutras palavras, para o autor: “A evolução é a condição necessária do progresso”. (p.3), donde a máxima de natureza genética: “O conhecimento da evolução pedagógica, pela história da educação — eis o único critério que se nos afigura justo” (p.11, grifos do autor). Conforme Aquiles Archêro Júnior, essa periodização sancionada sofreu uma alteração nos anos de 1950, lembremo-nos, vigiam ainda as Leis Orgânicas do Ensino Normal baixada pelo controverso Gustavo Capanema. No seu Lições de História da Educação, elaborado “Rigorosamente de acordo com o programa social das escolas normais”, o Archêro Júnior fez constar a seguinte observação e tese explicativa: O programa de História da Educação, das nossas escolas normais, não trata da educação na antigüidade oriental, isto é, não exige estudo da educação entre os povos orientais (egípcios, hebreus, chineses, hindus, medos e persas, etc.) Já, na 2ª lição, apresenta o estudo da educação grega. E, no nosso entender, achamos que nenhuma vantagem há em saber como os povos orientais educavam as novas gerações. Podemos dizer, sem medo de errar, que foi com os gregos, entre todos os povos do passado, que o problema da educação apareceu mais aproximado da forma como surgiu entre nós nos séculos XIX e XX. (p.20). (grifos meus) A periodização revisada De firmes convicções espiritualistas, Theobaldo Miranda Santos foi um dos poucos autores a inovar na periodização empregada na fatura dos manuais de História da Educação Geral, talvez movido não por questões epistemológicas, mas pela necessidade de diferenciar seu produto, no comércio livreiro saturado de manuais Em Noções de história da educação (1945) — livro “Para uso das Escolas Normais, Institutos de Educação e Faculdades de Filosofia” —, o autor expedia as seguintes idéias (a citação é extensa, porém necessária, pois ilustra à perfeição os propósitos autorais): A maioria dos historiadores da pedagogia admite, para a caracterização das etapas históricas da educação, as divisões clássicas da história da civilização. Estas divisões podem ser adotadas, apesar das críticas que certos historiadores modernos, como Spengler e Toynbee, fazem do seu artificialismo e do seu desajustamento ao âmbito universal da história. Mas, na realidade, essas divisões tradicionais não podem exprimir, com exatidão e fidelidade, as fases evolutivas da pedagogia. E o motivo é que a educação não constitui, como geralmente se pensa, mero reflexo da civilização em cada momento histórico. Ela representa, antes, conseqüência da concepção de vida dominante em cada época, pois o que define os sistemas educativos não são os seus meios e sim os seus ideais. Eis porque só podemos caracterizar, precisamente, as etapas históricas da educação quando as relacionamos com as Weltanschauugen que têm norteado a vida dos povos, ao longo dos séculos. E concluía, com decisão e consciência tranqüila: A idéia que se faz de Deus é sempre o postulado fundamental de toda concepção de vida. E, sob esse aspecto, podemos distinguir três concepções básicas de vida, correspondendo a cada uma delas uma atitude do homem em face do problema divino. a) a concepção, pagã de vida, em que o homem confunde Deus com o mundo e consigo mesmo; 9 b) a concepção transcendentalista de vida, em que o homem considera Deus como realidade suprema e distinta de si mesmo e do mundo. c) a concepção naturalista da vida, em que o homem nega Deus, imanente ou transcendente, e considera ele próprio e o mundo como as únicas realidades existentes. (p.19-20) Com tais argumentos teocêntricos, elaborava um quadro histórico-evolutivo implausível, configurado em três eixos temáticos: - Paganismo pedagógico (tradicionalismo pedagógico - civilizações orientais; humanismo pedagógico - Grécia e Roma); - Transcendentalismo pedagógico (cristianismo pedagógico - educação apostólica, patrística, monástica e escolástica; medievalismo pedagógico - educação feudal e árabe); e - Naturalismo pedagógico (neo-humanismo pedagógico - educação renascentista, reforma e contra-reforma, educação jansenista; naturalismo pedagógico propriamente dito - educação realista, disciplinar, pietista, racionalista, naturalista, filantropista, revolucionária, psicológica e científica; neonaturalismo pedagógico - educação individualista, socialista, nacionalista, pragmatista, e educação técnica ou renovada; antinaturalismo pedagógico - educação espiritualista acristã e espiritualista cristã). Do apêndice à exposição compendiada Como regra didática, e isso é bem conhecido, os autores colocavam nos manuais de História da Educação Geral um apêndice, contendo os anais do percurso educacional brasileiro, nos períodos colonial, imperial e republicano; por vezes, esse apêndice era ampliado com dados sobre os fatos educacionais de alguns países vizinhos: Chile, Uruguai, Argentina. O recurso do apêndice ilustrativo apareceu inicialmente no manual História da Pedagogia compilada por um professor (1914). Resguardado sob uma espécie de acrônimo — O.D.C. — o autor dedicava seu manual “Às alunas e aos alunos do 3º ano da Escola Normal Secundária de S. Paulo, em 1913”, afirmando que o conteúdo estava “De acordo com o programa das Escolas Normais Secundarias do Estado de São Paulo”. História da Pedagogia compilada por um professor é, com certeza, um dos primeiros manuais do gênero produzidos por brasileiros; redigido nos moldes de cronicão, o texto inicia-se com a seguinte definição. A História da Pedagogia é a história do desenvolvimento da arte da ciência da educação. Ela tem por objeto mostrar como, pela evolução moral, social e científica, pela influência mútua desses fatores, a educação — a princípio empirismo, depois arte e finalmente ciência — se foi modificando no tempo e no espaço, até aos nossos dias, em que ela se está constituindo sobre as bases largas e fecundas da psicologia experimental. (p.3, grifos meus). 10 Após dissertar sobre as figuras-síntese do Humanismo, Renascimento, Iluminismo, Revolução Francesa, figuras, diga-se de passagem, harmonizadas por aspirações e propósitos comuns — escola popular, emancipação da humanidade, teorias e conceitos científicos, ação do Estado, educação nacional, propósitos e aspirações constitutivos da concepção de educação científica — O.D.C. registrava, em apêndice, os fatos educacionais ocorridos no Uruguai, Argentina, Chile e Brasil. Na tela, entre tantos, as figuras-síntese de Varela, Sarmiento, Balmaceda, Manoel Montt, Companhia de Jesus, Azeredo Coutinho; depois, um afunilamento da crônica: os fatos e feitos republicanos no Estado de São Paulo, protagonizados por Rangel Pestana, Caetano de Campos, Gabriel Prestes, Artur Breves, Oscar Thompson, João Crisóstomo Bueno dos Reis. Para concluir em tom de censura: Infelizmente, e malgrado a dor que isto causa a nossos sentimentos patrióticos, nosso país se acha em plano muito inferior, em inferior, em questões de instrução e de educação, aos em que se encontram as nações americanas a que atrás nos referimos. Raros homens de Estado têm ligado importância a esse problema a que se prendem tão intimamente o progresso e a civilização das nacionalidades. Desde os tempos coloniais, desde a monarquia, e mesmo na República, na grande maioria dos Estados, a causa da instrução pública é talvez, a menor das preocupações das classes dirigentes e dos políticos. (p.227). O recurso de justapor um apêndice nos manuais de História da Educação Geral será retomado por Afrânio Peixoto e, dada a repercussão do manual, daí em diante tornar-se-ia norma. De fato, no erudito Noções de história da educação (1933), ele declina estatísticas impressionantes sobre o analfabetismo no Brasil e expõe os momentos capitais da trajetória da educação na colônia, império e república, para culminar com o elogio da gestão de Anísio Teixeira à frente da Secretaria de Educação do Distrito Federal, gestão na qual fora partícipe indireto. Se os apêndices tendem a registrar e apreciar nos moldes de anais o já-sabido, visto e presenciado, não significa dizer que não houvesse iniciativas localizadas atinentes à produção de “uma história da educação brasileira”, por vezes construída como apologética, tal como: “Escola Normal: monografia histórica”, “Retrospecto histórico” e Um retrospecto: alguns subsídios para a história pragmática do ensino público em São Paulo (1930), todos de João Lourenço Rodrigues; O ensino em S. Paulo: algumas reminiscências (1930), de José Feliciano de Oliveira; e “Cinqüentenário da Escola Normal da Capital” (1930), de Etulian Autran; ou, por vezes, como elaborações objetivas, como: “História da instrução no Brasil”, Carlos da Silveira; “A instrução popular em São Paulo” (1923), de Ernesto Goulart Penteado; “Histórico da instrução pública” (1933), de José Ribeiro Escobar; “Instrução Pública na Colônia e no Império (1500-1889)” (1949), de Raul Briquet; “Educação: 1889/1941, Brasil República” (1949), de Lourenço Filho; “Retrospecto do ensino em São Paulo” (1954), de Rosalvo Florentino; “O ensino em S. Paulo” (1956), de Laerte Ramos de Carvalho ou, ainda, a “obra ciclópica” de Primitivo Moacyr ou a monumental A cultura brasileira, de Fernando de Azevedo, cuja parte terceira — “A transmissão da cultura” — foi autonomizada e publicada no formato 11 de livro. Tanto A transmissão da cultura (1943), quanto Sociologia educacional: introdução ao estudo dos fenômenos educacionais e de suas relações com outros fenômenos sociais, também do autor, rivalizaram com os manuais de história da educação. A prática de justapor apêndice foi mantida até os anos de 1960. Nessa década, segundo José Antonio Tobias, autor de um dos primeiros manuais de história da educação brasileira, a disciplina História da Educação Brasileira ganhou identidade própria e foros de Cidade, nos currículos acadêmicos. Até 1968, todos os currículos, tanto do ensino superior quanto do curso médio brasileiros, falavam, como ainda o faz a quase totalidade, exclusivamente de História da Educação dos outros povos; jamais de História da Educação Brasileira. Única exceção é a do Estado de São Paulo que, pela Resolução n.36/68, de 30 de dezembro de 1968, tornou obrigatório História da Educação Brasileira e Educação Brasileira, no currículo do Curso Normal e, posteriormente, pela Resolução n. 9/69, de 24 de março de 1969, também inseriu Pensamento Pedagógico Brasileiro no currículo do Curso de Técnico em Orientação Pedagógica para o ensino primário, que tanto pode ser ministrado em Instituto de Educação quanto em Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. (p.13). História da educação brasileira, do professor José Antonio Tobias (que foi bolsista da Fundação Calouste Gulbenkian), inaugura, por assim dizer, a produção sistemática de manuais para a disciplina em questão. De feitio e conteúdo polêmico, porque nele o autor se manifesta a favor do fato histórico “Revolução de 1964”, o manual é elaborado com recurso a caudalosa pesquisa documental e bibliográfica. Com efeito, ao abdicar da costumeira periodização da história da formação nacional em três fases ou períodos — colônia, império, república — ele formula uma abordagem de sorte a conferir sentido educativo ao fato “Revolução de 1964”, conforme suas convicções pessoais, e à conseqüente desalienação da nação conforme cria. Por conseguinte, é justo dizer, o manual e seu conteúdo fomentam mais o fogo ideológico, e menos a produção científica stricto sensu. Vejamos: O critério para a periodização da História da Educação brasileira, para ser objetivo e científico, deverá basear-se em fatores e fatos educacionais marcantes; não poderá, sob pena de se tornar deficiente e de transviar toda a exposição da História da Educação Brasileira pretender fundamentar-se em critérios políticos, ou sociais, ou econômicos, ou outros quaisquer, que naturalmente existem, mas somente depois dos critérios educacionais. Assim, não é objetivo e nem científico dividir-se a História da Educação Brasileira em: educação colonial, educação do Brasil-Império, educação do BrasilRepública e do Brasil-Contemporâneo. (p.19). Desse posicionamento sobrevém exposição da trajetória educacional em quatro eixos temáticos: Educação cristã, Aristocratização do ensino brasileiro, A transição, Socialização do ensino brasileiro, À procura de autenticidade. Não isenta de controvérsias, essa abordagem visa à mobilização das consciências em torno de teses explicativas, a saber, (i) a nação extraviada de si pela imitação das idéias estrangeiras: “imitação colonialista da Europa, imitação servil do norte-americano, ora a farisaica e nojenta repetição do mundo marxista” (p.11); (ii) a chegada da redenção: “É a vez do Brasil; é a vez 12 dele, se souber ter voz, se tiver coragem de ser a sua voz, de ser a si mesmo” (p.19, grifos no original). Esse manual com mudança de editoras alcançou quatro edições, a última em 1991. No cerne da exposição do autor, duas questões de natureza teórico-metodológica e em última instância de obvio teor político-ideológico — o conhecimento histórico em educação brasileira como usina de conhecimentos ao tão necessário progresso da nação — “Como planejar o desenvolvimento do Brasil, se se desconhece a educação brasileira? Como corrigir ou minorar as multisseculares deficiências do ensino brasileiro, como apresentar-lhe reformas sem ter-lhe estudado o passado e conhecido o presente?” (p.15) —; e a distinção e complementaridade entre “história da educação” e “história das idéias”. Para José Antonio Tobias, a primeira lida diretamente com as fontes e documentos dos fatos educacionais, a segunda com as idéias e as filosofias vivificadoras dos fatos, escrevia: “História da Educação Brasileira é história, enquanto História das Idéias Educacionais no Brasil é história das idéias, com todos os compromissos específicos da História das Idéias. (p.23, grifos no original). Verdadeira máquina de guerra, o manual encerra um manifesto político: Atualmente, sobretudo de 1960 em diante, a característica central da educação brasileira é a busca de autenticidade, quer dizer, a procura de solução dos problemas nacionais dentro do contexto da realidade brasileira. Apesar disso, prosseguem, sempre em maior confusão as socializações, sobressaindo, cada vez mais, a socialização marxista. Em 1961, depois de treze anos de lutas e de estudos (19481961), aparece a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Continua a ascensão da socialização marxista, marcando a Revolução de 1964 o ano do encontro da educação cristã e brasileira com o avermelhado e marxizado ensino brasileiro. (p.421). Enfim e sobretudo, a prática de escrita de manuais de história da educação brasileira não se iniciava de modo alvissareiro. Balanço provisório, a dupla recepção nos manuais do tema da Escola Nova Certamente não é preciso ir às alturas para se concluir pelo óbvio. A Escola Nova e seus sujeitos foram recepcionados de duas maneiras — a recepção exaltante e a recepção sombria. A exaltante: Afrânio Peixoto e Raul Briquet — a escola nova e correlatos, como desfecho da modernidade surpreendente. Com efeito, já no prefácio de Noções de história da educação, Afrânio Peixoto declarava simpatia pela Escola Nova e suas teorias modernas de matiz utilitarista, teorias a respeito de uma educação realista orientada na direção para a qual costumes, hábitos e mentalidades deveriam evoluir. A educação é mesmo a civilização dinâmica, changing civilization, civilização em marcha, do passado, só o que existe para a história, só o que o homem sabe — porque o futuro é o que espera ou tema, e o presente, segundo Bérgson, é apenas a ponta 13 extrema desse passado. A educação olha esse futuro, nossa preocupação, tentando o aperfeiçoamento dos órgãos desse imenso e imortal organismo, que é a sociedade. Se é um problema a resolver na escola ativa da vida o futuro humano, ele só pode ser resolvido com a experiência anterior do passado humano. É a justificação, educativa, pedagógica, do estudo dessa história da educação. (p.9). Como se lê, para o autor, a formulação changing civilization soava como imagem dinâmica da vida à volta da qual tudo gira, e sobre ela fez recair a imagem condensada da modernidade, da atividade e do progresso infinito. A escola nova, principalmente, a escola de Dewey, cujo pragmatismo é social, porque a sociedade é a vida que nos cumpre a todos viver — e não agarrada a uma religião, que seja qual for, não é deste mundo... ou a uma política, que, não importa qual, será a de um partido, ou de uma classe, ou de uma nação contra outras — a escola nova de Dewey atinge o puro ideal educativo: desenvolver bem a criança para viver, desde a escola, na paz e no trabalho, com os outros homens. Entretanto, a finalidade da educação é apenas esta: mais educação. O nosso programa, de cultura e civilização será , pois, bater ao dia seguinte os records anteriores. Sempre mais. (p.214). Assertivo, concluía: “Dewey é hoje o pedagogo ou o educador universal” (p.214). Convêm os entendidos que a escola nova só foi, é, ou será possível pelos progressos da ciências biológicas, que deram ao homem uma compreensao do universo e da natureza, sem ilusoes, ou prejuízos; pela filosofia científica que explica a vida não mais apenas pelos fenomenos fisioquímicos, mas por uma dinâmica funcional, donde um fisiologia, uma psicologia e portanto uma ética, a ela condicionados; pela civilização que se transforma, changing civilization, com o maquinismo industrial, com a economia do trabalho, com o advento da democracia, técnica e real. Noutras palavras, a Escola Nova é celebração da vida ativa. E Raul Briquet? O que escrevia, no seu História da Educação: evolução do pensamento educacional (1946). De acordo com esse autor, cujo manual é produto do programa de ensino de uma insólita disciplina denominada “Educação Nacional” ministrada na prestigiosa Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo. Dewey fundamentou a teoria da educação nova, já antecipada na obra de Reousseua, Pestalozzi, Fröebel, Montessori etc. Pode-se repetir, com ele, que foi coperniciana a revolução introduzida pela psicologia educacional ou genética, na prática pedagógica, pois centralizou a atividade e as cogitações em torno da criança. (p.151). Conforme o autor, Dewey representava o supremo empenho de colocar o aprendiz em contato direto com as exterioridades imediatas da vida, de modo a relevar o conhecimento edificado à luz da experiência e demonstração, ou melhor, representava a superioridade da teoria pragmática da inteligência e, portanto, da educação pela atividade em estreita proximidade com a potência criadora da vida. Aspiração, segundo Raul Briquet, compartilhada por outros sujeitos e seus respectivos métodos de ensino adequado à evolução dos costumes e instituições. 14 Escola nova. O órgão de remodelação educacional é a escola nova, que desenvolve ao máximo a pernsonalidade e as aptidões de cada aluno. Obedece a dois metodos fundamentais, conforme dê preponderância aos mecanismos individuais do pensamento ou à vida social da criança. Pertencem ao primeiro as escolas de Montessori, Dalton, Kerschensteiner, Decroly, Winetka e de Projetos; ao segundo, as de Cousinet, em França, e de Peterson, na Alemanha. Ambos os grupos se fundam nos princípios do interesse e da atividade, na fusão harmonica do trabalho mental e manual, na coeducação e na escola única. (p.152). A reação sombria: os partidários da representação teológica do mundo — Francisca Peeters, Maria Augusta de Cooman, Rui de Ayres Bello, Theobaldo Miranda Santos e José Antonio Tobias. O manual de Francisca Peeters e Maria Augusta de Cooman, Educação: história da pedagogia (1936), prefaciado por Lúcio José dos Santos, focaliza a problemática da interpretação da história de educação, ainda que em nome da atualidade e correção da doutrina católica: “Jesus Cristo é o cume da história universal. Seu advento separa-a em duas partes nitidamente distintas, e desde o seu aparecimento, o mundo civilizado está dividido, segundo a sua predição, em dois campos opostos: os que seguem a sua bandeira, e os que a combatem” (p.21). O manual é, em si mesmo, desejo de intervir nas lutas ideológicas da década de 1930. Com efeito, tal publicação é, certamente, uma resposta à necessidade de compensação de uma situação de conflito ou mesmo de isolamento no seu presente histórico. Na revisão dos fatos da educação, as “Religiosas de Santo André” reivindicam mudança de ponto de vista interpretativo e a inclusão de novos atores no teatro da pedagogia universal, como: São João Bosco, Otto Willmann, Friedrich Paulsen, Benjamin Kidd, monsenhores Spalding e Dupanloup. Muitos nomes, com efeito, aparecem nos compêndios congêneres sem direito nenhum a foros de educadores. Nem sequer influiram de modo sensível na evolução das ideias educativas. É necessário, no entanto, ceder a tendência a “polimática” do dia, sob pena de ser acoimado de refratário ou de desconhecedor de valores. Por outro lado, nomes que merecem ser gravados com letras de outro no frontíspicio de todos os edifícios de instrução não obtem nos mesmos compêdios não obtém senão uma menção apagada, senão deturpada. (p.11). Donde a revalorização da Idade Média, da Igreja, da cultura cristã e da “pedagogia perene” destratada, segundo elas, por Compayré, Damseux, Guex e Souquet, Aguayo, e da preeminência da educação moral sobre a instrução. Estamos longe agora do quadro tétrico que traçam os autores acima mencionados. Escreveram depois de 1880, data em que se editaram as primeiras leis para laicizar o ensino na França. Era preciso justificar as medidas draconianas tomadas contra as congregações religiosas. Ninguém mais da crédito a essas caricaturas, menos alguns primários que querem incutir idéias laicas aos futuro professores. (p.52). Por paradoxo, os argumentos das autoras são tocados pelo credo novo em educação — as teses da Escola Nova e seus métodos brandos. 15 Se os métodos de Sto. Agostinho não diferem essencialmente dos apregoados pelos partidários da Escola ativa, o fim é profundamente diferente. Sto. Tomás prossegue a verdade, Dewey, a utilidade, a ação. Para o pedagogo americano, a verdade é inidiferente em si. A atividade do Anjo da escola é espiritual, a da Escola Ativa é em grande parte braçal; enfim o movimento da lição é dirigido pelo Mestre que provoca a reflexão, sim, mas não deixa a iniciativa ao aluno. (p.45). Na sequência refutavam os argumentos do “historiador protestante”, Paul Monroe, constantes em A brief course int the History of Education (1912) e em A reforma e a civilização (1934), afirmando a negatividade da Renascença e do Humanismo e a inconseqüente “deificação do homem”, a qual fez por ressurgir a antiga “educação liberal grega”, responsável pela substituição do teocentrismo pelo “egocentrismo” do indivíduo. O século XIV viu o declínio do espírito medieval. A possante unidade de fé e de disciplina ia sendo solapada cada vez mais pelo individualismo, e os tristes acontecimentos que foram diminuindo o prestígio temporal do Papado não pouco contriuiram para fomentar as revoltas, dividir os interesses e libertar a atividade humana de toda disciplina dogmática. Foi este movimento que no seu conjunto recebeu na história o nome de Renascença. Quanto ao Século das Luzes, século que culminou o naturalismo em educação, dirão: O combate a superstição, isto é, os dogmas cristãos, Os costumes acompanharam a evolução das idéias: irreligiao, corrupção sem freio, ceticismo, enfim todas as idéias subversivas apoderaram-se da classe culta, antes de levar o povo inteiro à Revolução. A todo esse movimento deu-se o nome de filosofia .(p.82). No concernente à tendência psicológica em educação, Francisca Peeters e Maria Augusta de Cooman assinalavam o pioneirismo de Luís de Vives, La Salle, Abade de l’Épée, Pestalozzi, Herbart, Frebel no respeitante ao uso de metódos de observação, experimentação e realização de inquéritos. E, claro, desaprovavam a psicologia do comportamento de Watson, Loebe, Dilthey: O erro da psicologia aplicada à educação, não consiste em ser ela aproveitada no terreno pedagógico, mas em ser tendenciosa e em eliminar o espírito como valor na educação. Deste modo, espalhou-se no terreno pedagógico a tendência francamente materialista que reduz todo o aprendizado aos reflexos, não fazendo diferença prática entre o cão de Pavlov e os ratos de Betcherew e a criança a educar. A educação é outra coisa que uma dressage por meio da formação de hábitos automáticos. Conservada nos seus justos limites pode se esperar da Psicologia experimental, — não mundos e fundos, — mas algumas luzes melhor expostas sobre as relações do composto humano. (p.104105). E, curiosamente, se demonstram reservas com relação à psicologia, o mesmo não ocorria com a teoria psicanalista de Freud: “Por sinal, a psicanálise mostrou o lado eminentemente humano da confissão” (p.104), escreviam elas. E no quadro de negatividades, as autoras reservavam lugar especial para a “reação radical sociologista na educação”. 16 A reação havia de vir, e veio, mas a maior parte dos seus adeptos caiu no excesso oposto: a sociedade, para os radicais da doutrina torna-se a única realidade. Impõe as suas normas a todas as disciplinas que devem ser socializadas: a psicologia não será mais individual, e sim coletiva; a história não deve mais registrar os nomes dos grandes homens, e somente a evolução social; a educação será intensamente socializada por meios exteriores: cooperação no trabalho escolar, democratização do meio e das matérias de estudo que serão mormente industriais; organização escolar com colaboração dos alunos; atividade febril e exterior, como na vida moderna. A escola tradicional era aristocrática, passiva, autoritária... é preciso acabar com os métodos até hoje em vigor, enfim especialização excessiva, para servir melhor os interesses da coletividade. (p.110). A partir da segunda edição, o título do manual foi modificado para Pequena história da educação (1956) e alocado na coleção “Biblioteca da Educação” da Melhoramentos, coleção que, como se sabe, foi dirigida por um dos expoentes do “movimento da Escola Nova brasileira” — o professor Lourenço Filho. Em poucas palavras, o comércio livreiro aproximou os espíritos outrora rivais. Para Rui de Ayres Bello, em Pequena História da educação, manual “Para as cadeiras de Curso Pedagógico dos Institutos de Educação do Brasil”, o primeiro ponto de inflexão na trajetória da educação ocidental é o Emílio, de Rousseau, o segundo a “pedagogia de sentido psicológico” de Pestalozzi, Herbart e Fröebel. No seu ponto de vista espiritualista a origem histórica da Escola Nova é um fato datado desde os tempos antigos. Em última análise, o movimento pedagógico que se denomina de escola nova, ou escola renovada representa uma síntese das várias tendências verificadas na história das teorias e das práticas educacionais, a partir do Renascimento, ou, por assim dizer, o termo da evolução de todas essas tendências. Trata-se, portanto, de um movimento bastante eclético, que suas origens nas mais variadas e, por vezes, até mesmo antagônicas doutrinas educacionais. (p.212). Mas, para ele, Escola Nova era também uma teoria incerta, por ser incapaz de mover os homens para um centro comum e necessário, para ele, tarefa a ser desempenhada pelo espiritualismo católico apostólico. Em referência à filosofia que inspira, a escola nova é essencialmente naturalista, muito embora falem os seus representantes de coisas espirituais e se inclua, algumas vezes, a religião nas atividades escolares. Mas trata-se de uma espiritualidade imprecisa e indefinida e de uma religião meramente subjetiva e sentimental. De acordo com essa filosofia, a escola nova visa a fins meramente terrenos, e acentuadamente práticos e utilitários, e em que os interesses sociais quase sempre prevalecem sobre os pessoais. Isso quando não se faz abstração completa do problema dos fins da educação, para se cuidar apenas dos aspectos técnicos e metodológicos da Pedagogia, pois uma outra característica da escola nova é a preocupação absorvente e até mesmo exclusiva com a questão do método e dos processos pedagógicos. (p.215). Theobaldo Miranda Santos, em Noções de história da educação, abordava o tema da Escola Nova em dois momentos. Seu partido é o da “pedagogia cristã”, por reunir em uma “síntese harmoniosa as parcelas da verdade que se encontram dispersas nos sistemas pedagógicos. Não porque 17 seja uma concepção eclética e superficial das coisas, mas porque considera a realidade em toda a sua inteireza e plenitude”. (p.388) Após expor objetivamente o sistema filosófico de Dewey, no tópico “A educação pragmatista”, ponderava: O experimentalismo defendido por Dewey é vazio e inconsistente. Nada oferece ao homem para que ele possa resolver seus grandes problemas espirituais. A experimentação científica não vai além da verificação e da legislação dos fenômenos, sendo-lhe de todo impossível traçar normas de ação e regras de conduta. Sua influência sobre o progresso moral do indivíduo e da sociedade é, portanto, nula. Não menos criticável é o socialismo de Dewey. O homem não é um simples produto da sociedade. Embora a influência do meio social sobre a natureza humana seja ampla e profunda, há, em cada indivíduo, alguma coisa de característico e irredutível. Em toda personalidade existe um núcleo espiritual que não é plasmado pela ação do ambiente. Esse núcleo constitui o elemento original e livre da alma humana. (p.343). No tópico intitulado “A educação técnica”, objetava os métodos ativos, para ele sinônimo de educação técnica, portanto, desprovida de espiritualismo. Como recurso retórico indicativo de distanciamento e discernimento, fechava o tópico citando uma passagem de um livro seu — A Escola Primária (1944): O movimento das escolas novas não constitui, como parece à primeira vista, o coroamento de uma tendência recente para reconstruir, sob bases científicas, as instituições escolares. Representa, ao contrário, o reflexo atual de um movimento pedagógico, revolucionário e romântico, que se vem processando, em ondas sucessivas, desde o Renascimento até nossos dias. Esse movimento não é, porém autônomo e independente, não se restringe ao campo puramente educacional, exprimindo antes a repercussão, no âmbito pedagógico, das revoluções filosóficas e culturais que se vêm realizando ao longo dos últimos séculos e que tão bem traduzem a inquietação espiritual do homem moderno. Eis porque o homem o movimento das escolas novas, apesar de sua aparente serenidade, se revestiu, pelo menos em sua fase inicial, dos aspectos de radicalismo, de exaltação e de irracionalidade todas as revoluções. Mas nem por isso o referido movimento deixou de ser útil e fecundo, não só pelo cabedal de idéias pedagógicas novas e originais que ofereceu, senão também pela justa reação contra as formas anacrônicas e estereotipadas de educação. De qualquer modo, entretanto, necessário se torna uma crítica realista e construtiva desse poderoso movimento de renovação educacional, no sentido por à margem os elementos de exagero, de afetividade e de romantismo que o mesmo apresenta e aproveitar os princípios e as realizações que a experiência e o bom senso consagraram como dignos de serem incorporados, definitivamente, ao patrimônio da pedagogia universal. (p.374-375). Dentre os autores de inclinação religiosa, José Antônio Tobias ocupa, certamente, um lugar muito singular. Em História da educação brasileira (1972), critica a Escola Nova mediante uso de um arsenal de slogans ideológicos, dentre os quais o da “socialização do ensino brasileiro”, fenômeno desenvolvido entre 1920-30 a 1960. Negativo, tal fenômeno desviante foi originado pela supremacia da sociologia como ciência-mestra da educação, que exilou a boa filosofia. Por conseqüência, a “sociolatria”, segundo termo do discurso argumentativo, reduzia a educação a eco da sociedade. Para ele, a “educação social-radical” produziu essa inversão irreparável: elevou a sociedade e não Deus à condição de fonte de verdade, justiça e bondade: “A vontade de desaristocratizar e de democratizar a educação brasileira, levou o Brasil a aceitar a socialização da educação, sem nada distinguir entre 18 socialização e socialização. Mais: identifica com a educação social-radical, a Educação Nova acabou ajudando a empurrar a educação nacional para o marxista”. (p.339). No seu imaginário político-acadêmico, “educação social-radical” ganhou vários sentidos no tempo brasileiro, a saber: a socialização positivista de Comte-Benjamin Constant-Raimundo Teixeira Mendes; a socialização pragmatista de Dewey-Anísio Teixeira-Darci Ribeiro; a socialização de Karl Marx-Álvaro Vieira Pinto-UNE; a socialização de Fernando de Azevedo; e a socialização do cristão (Cristo e Marx). Desta maneira, o brasileiro, com seu tradicional e multissecular complexo de inferioridade e doentia imitação do estrangeiro, especialmente do estrangeiro tido pelo mais adiantado, não podia ficar alheiro, como realmente não o ficou, ao movimento da Educação Nova que, rápido, lavrava Europa afora, atingindo já os Estados Unidos. Recebendo, contudo, estas novidades educacionais, recebeu-as o Brasil com suas confusões e perigosas identificações: aqui, aportou a Educação Nova identificada, radicalmente identificada, com a filosofia da educação de Rousseau e com a filosofia da educação social-radical; quer dizer, no Brasil, Educação Nova, logo, pela lei psicológica da associação de idéias, veio a significar a mesma coisa que filosofia da educação positivista, filosofia da educação de Dewey e de Marx, ao mesmo tempo em que, no reverso da medalha, foi tomada, apresentada e aceita como inimiga irreconciliável da filosofia da educação perene, da filosofia da educação de Comenius, de Tomás de Aquino, de Aristóteles e de Sócrates. (p.369). *** Por agora, é possível concluir que: as práticas de escrita da história da educação atribuíram sentido e função diversificados ao tema da Escola Nova e correlatos, apresentando, portanto, variação interpretativa/explicativa, em decorrência, claro, das afinidades ideológicas dos autores. Contudo, algo chama a atenção, apesar das diferenças autorais, a prática de escrita da história da educação é sempre axiológica e teleológica. Referências ARCHÊRO JÚNIOR, Aquiles. Lições de história da educação. São Paulo: Edições e Publicações do Brasil, 1957. (Coleção didática nacional, Série Brasil – Normal). AUTRAN, Etulain. Cinqüentenário da Escola Normal da Capital. Revista Educação, São Paulo, n. 3, 313-323, set. 1930. BACKHEUSER, Everardo. Técnica da pedagogia moderna: teoria e prática da Escola Nova. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1936. BELLO, Rui de Ayres. Pequena História da Educação. 9ed. São Paulo: Ed. do Brasil, 1969. BENÍTES, Manuel de Puelles. 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