LINHA EKOS: O CASO DE UM EMPREENDIMENTO SOCIALMENTE RESPONSÁVEL Antonio Carlos de Lemos Oliveira Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas Instituto COPPEAD de Administração Mestrado em Administração Orientadora: Letícia Moreira Casotti D. Sc. em Engenharia da Produção, COPPE, UFRJ, 2000 Rio de Janeiro, RJ - Brasil 2003 ii LINHA EKOS: O CASO DE UM EMPREENDIMENTO SOCIALMENTE RESPONSÁVEL Antonio Carlos de Lemos Oliveira Dissertação submetida ao corpo docente do Instituto COPPEAD de Administração – Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de mestre. Aprovada por: ___________________________________ Profa Letícia Moreira Casotti – Orientadora COPPEAD / UFRJ – Presidente da Banca ___________________________________ Profa Angela da Rocha COPPEAD / UFRJ ___________________________________ Profa Marie Agnes Chauvel IBMEC Rio de Janeiro, RJ - Brasil 2003 iii AGRADECIMENTOS Agradeço, em primeiro lugar, a Deus por tudo. Agradeço à minha orientadora, professora Letícia, por sua generosidade e ao professor Armando, pela paciência, perseverança, incentivo e atenção. Agradeço a todos os funcionários e professores do Coppead que tanto me ajudaram no dia a dia do Mestrado, em especial a professora Heloísa, professora Ursula, professor Marcos Ávila e ao professor Kleber. Agradeço a Natura, em especial a Sra. Elisabeth Pereira, Gerente da Unidade de Negócios Natura Ekos, Srta . Juliana Gomiero, Gerente de Marketing da linha Natura Ekos e Sra. Nanci Santos, Promotora de Vendas. Por fim, agradeço aos meus pais, Francisco Assis e Beatriz, à minha irmã Barbara Cristina e à minha esposa Karina. Com o amor, apoio e incentivo que sempre me deram é que foi possível cumprir mais esta etapa na minha vida. iv Oliveira, Antonio Carlos de Lemos. Linha Ekos: O Caso de um Empreendimento Socialmente Responsável / Antonio Carlos de Lemos Oliveira. - Rio de Janeiro: COPPEAD, 2003. xii, 223. Dissertação (Mestrado em Administração) – Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Orientadora: Letícia Moreira Casotti 1. Responsabilidade Social. 2. Desenvolvimento Sustentável. 3. Marketing. 4. Administração - Teses (Mestr. – UFRJ/COPPEAD). I. Casotti, Letícia Moreira (Orient.). II. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Instituto de Pós-Graduação em Administração. III. Título. v RESUMO OLIVEIRA, Antonio Carlos de Lemos. Linha Ekos: O Caso de um Empreendimento Socialmente Responsável. Orientadora: Letícia Moreira Casotti. Rio de Janeiro: UFRJ/COPPEAD, 2003. Dissertação (Mestrado em Administração). O objetivo principal do presente estudo é o de investigar a criação e o desenvolvimento de produtos, com base no conceito de desenvolvimento sustentável, ou seja, que equilibram os pontos de vista econômico, social e ambiental. São descritas e analisadas as ações da Natura, empresa da iniciativa privada brasileira, atuante no setor de Perfumaria, Higiene Pessoal e Cosméticos, que optou por desenvolver e implementar um projeto que apresenta características suficientes para a classificação do mesmo no conceito de desenvolvimento sustentável. Esse projeto, e foco desse estudo, é o lançamento da linha Natura Ekos. Esta pesquisa possui caráter exploratório e foi desenvolvida utilizando-se a metodologia do estudo de caso, cuja análise foi feita à luz da revisão de literatura, com dois objetivos básicos: responder às perguntas do estudo e traçar um paralelo, na medida do possível, entre a estratégia adotada no lançamento da linha Natura Ekos com a base teórica apresentada na revisão de literatura. As perguntas objetivaram entender a motivação, as práticas gerenciais adotadas, o processo de desenvolvimento, os principais obstáculos enfrentados, o aprendizado e os benefícios obtidos (tanto para o negócio como para a sociedade) com a criação e lançamento da linha Natura Ekos. O estudo do caso permite concluir que há uma grande oportunidade, ainda pouco explorada, de diferenciação através do desenvolvimento de produtos baseados no conceito de desenvolvimento sustentável. vi ABSTRACT OLIVEIRA, Antonio Carlos de Lemos. Linha Ekos: O Caso de um Empreendimento Socialmente Responsável. Orientadora: Letícia Moreira Casotti. Rio de Janeiro: UFRJ/COPPEAD, 2003. Dissertação (Mestrado em Administração). The current study aims to investigate the creation and launching of a product line based on sustainable development concept, balancing economic, social and environmental points of view. It is described and analysed the actions taken by Natura, a Brazilian Fragrances, Personal Hygiene and Cosmetics private company, when decided to develop and implement a project with characteristics that allows to be classified under the sustainable development concept. This project, the launching of Natura Ekos line, is the focus of this study. This is an exploratory research and was developed by utilising the case study methodology, which analysis was performed in the light of literature revision, with two main objectives: answer the study's questions and compare, if possible, the strategy adopted when launching the Natura Ekos line with the theoretical basis presented in the literature revision. The questions aimed to understand the motivation, the managerial practices adopted, the development process, the main obstacles faced, the learning and benefits obtained (either for the business or the society) with the creation and launching of Natura Ekos line. The case study allows concluding that there is a great opportunity, yet little explored, for differentiation through the development of products based on the sustainable development concept. vii LISTA DE QUADROS Quadro 1: Consumerismo.................................................................................18 Quadro 2: Classificação das oportunidades de novos produtos.......................19 Quadro 3: No último ano, você pensou em punir uma empresa que você achasse não sendo socialmente responsável, deixando de comprar seus produtos ou criticando a empresa para outras pessoas?..................................19 Quadro 4: Relacionamento da Empresa com seus Parceiros...........................28 Quadro 5: Resumo das Décadas......................................................................38 Quadro 6 : Certificação do FSC - Possíveis Benefícios....................................55 Quadro 7: Características dos Ecossistemas Brasileiros - Número de espécies vegetais catalogadas, área das unidades de conservação e comunidades indígenas.........................................................................................................102 Quadro 8: Características dos Ecossistemas Brasileiros - % de destruição, número de espécies por área e de espécies em extinção...............................103 Quadro 9: Origem das plantas e extratos utilizados pela Natura/Flora Medicinal..........................................................................................................103 Quadro 10: Ecossistemas brasileiros e o potencial de exploração sustentável da sua biodiversidade......................................................................................104 Quadro 11: Posicionamento de Preços no Lançamento (R$).........................107 Quadro 12: Eventos Regionais para Consultoras Natura................................108 Quadro 13: Sazonalidade dos Insumos...........................................................111 Quadro 14: Status do Programa de Certificação de Ativos.............................116 viii LISTA DE FIGURAS Figura 1: A Pirâmide da Responsabilidade Social Corporativa.......................24 Figura 2: Bem-estar bem ................................................................................82 Figura 3: Natura 2010 – Plataformas de Crescimento...................................100 Figura 4: Biodiversidade Brasileira.................................................................101 Figura 5: Três estratégias Genéricas (Custo, Diferenciação e Enfoque).......137 Figura 6: Ecossistemas Brasileiros................................................................173 ix LISTA DE ANEXOS Anexo 1: Roteiro de Entrevista ......................................................................166 Anexo 2: Venda Direta .................................................................................171 Anexo 3: Ecossistemas Brasileiros...............................................................173 Anexo 4: Ativos Utilizados pela Linha Natura Ekos......................................174 Anexo 5: Produtos da Linha Natura Ekos.....................................................192 Anexo 6: Trecho do Relatório Anual de Responsabilidade Corporativa – 2001...............................................................................................................199 x SUMÁRIO CAP. I - O PROBLEMA Introdução .......................................................................................................................1 1 Objetivos ....................................................................................................................3 2 Questões a serem respondidas .............................................................................4 3 Relevância do estudo ..............................................................................................5 4 Organização do estudo ...........................................................................................7 CAP. II - REVISÃO DE LITERATURA Introdução .......................................................................................................................8 1 A influência mútua entre a empresa e a sociedade............................................9 2 A Ética do Desenvolvimento Sustentável...........................................................13 2.1 O Consumidor Ético.............................................................................................17 3 Responsabilidade social nas empresas .............................................................21 3.1 A Necessidade de Responsabilidade Social...................................................21 3.2 O Conceito de Responsabilidade Social..........................................................22 3.3 Os Benefícios da Responsabilidade Social.....................................................29 3.4 O Panorama Brasileiro ........................................................................................32 4 Desenvolvimento Sustentável ..............................................................................34 4.1 As empresas e o Desenvolvimento Sustentável.............................................39 5 Biodiversidade.........................................................................................................44 6 Reservas Extrativistas ...........................................................................................49 6.1 Certificação do Manejo Florestal.......................................................................51 6.2 Certificação da Produção Agrícola ....................................................................55 CAP. III - METODOLOGIA Introdução .....................................................................................................................57 1 Perguntas a serem respondidas ..........................................................................58 2 Tipo de pesquisa ....................................................................................................59 3 Coleta dos dados....................................................................................................61 4 Análise dos dados ..................................................................................................65 5 Limitações do método............................................................................................66 xi CAP. IV - ESTUDO DE CASO Introdução .....................................................................................................................68 1 Histórico ...................................................................................................................69 1.1 Final dos Anos 60.................................................................................................69 1.2 Anos 70 ..................................................................................................................70 1.3 Anos 80 ..................................................................................................................71 1.4 Anos 90 ..................................................................................................................72 1.5 2000 – Dias Atuais ...............................................................................................75 2 Canal de Distribuição - Venda Direta ..................................................................77 2.1 A Consultora Natura ............................................................................................77 3 A Marca Natura e as crenças da empresa.........................................................80 4 Produtos e conceitos .............................................................................................84 4.1 Inovação ................................................................................................................84 4.2 Produtos.................................................................................................................85 5 Ação e Missão Social.............................................................................................88 5.1 Projetos de Ação Social da Natura ...................................................................89 5.2 Patrocínios, Participações e Balanço Social ...................................................93 6 Internacionalização da Natura..............................................................................96 7 Natura Ekos.............................................................................................................98 7.1 A oportunidade da biodiversidade brasileira....................................................99 7.2 Conceito da Linha Natura Ekos .......................................................................104 7.2.1 Objetivo de Vendas e Posicionamento de Preços................................106 7.2.2 Comunicação ..............................................................................................108 7.2.3 O Consumidor da Linha Natura Ekos .....................................................109 7.3 Matérias-Primas .................................................................................................110 7.3.1 Programa de Certificação de Ativos da Natura...........................................112 CAP. V – ANÁLISE E CONCLUSÃO DO CASO Introdução ...................................................................................................................117 1 Respostas às Perguntas da Pesquisa ..............................................................120 1.1 Qual a motivação para a criação e o lançamento da linha Natura Ekos? 120 1.2 Quais práticas gerenciais distintas das anteriormente existentes foram adotadas e como elas foram implementadas a fim de respaldar a preocupação com a responsabilidade social?...............................................................................122 1.3 Quais foram os aspectos socioeconômicos, financeiros e ambientais que foram considerados? .................................................................................................125 1.4 Quais foram as principais dificuldades enfrentadas para o desenvolvimento da linha Natura Ekos? ...............................................................................................127 1.5 Como o aprendizado do lançamento da linha Natura Ekos poderá afetar a estratégia da empresa? ............................................................................................129 1.6 Qual a percepção da empresa em relação ao valor agregado a sua imagem?......................................................................................................................131 xii 2 Respostas às Questões do Estudo ...................................................................132 2.1 Qual a motivação para a criação e o lançamento de produtos com base no conceito de desenvolvimento sustentável? ...........................................................132 2.2 Quais são as principais dificuldades enfrentadas para a criação e o lançamento de produtos com base no conceito de desenvolvimento sustentável? ................................................................................................................135 2.3 Quais os principais benefícios auferidos com o lançamento de uma linha de produtos fiel ao conceito de desenvolvimento sustentável? ..............................139 3 Conclusões Finais ................................................................................................142 4 Sugestões para Futuras Pesquisas...................................................................144 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................146 REFERÊNCIAS DOCUMENTAIS...........................................................................157 LISTA DE ANEXOS ..................................................................................................165 Anexo 1: Anexo 2: Anexo 3: Anexo 4: Anexo 5: Anexo 6: Roteiro de Entrevista ...............................................................................166 Venda Direta .............................................................................................171 Ecossistemas Brasileiros ........................................................................173 Ativos Utilizados pela Linha Natura Ekos ............................................174 Produtos da Linha Natura Ekos.............................................................192 Trecho do relatório anual de responsabilidade corporativa – 2001.199 CAP. I - O PROBLEMA Introdução Segundo Toffler (1973), o ritmo de mudanças na sociedade se acelerou com a Revolução Industrial: o homem começou a produzir em maior escala e, conseqüentemente, a prejudicar ainda mais o meio ambiente. Com o decréscimo dos custos de fabricação, os bens se tornaram cada vez mais descartáveis, pois, enquanto os preços dos produtos industrializados se reduzem, devido ao avanço tecnológico e do processo produtivo, o custo do conserto permanece alto, já que este ainda depende basicamente de uma grande parcela de esforços manuais. Isso leva a sociedade a optar por adquirir um novo bem, descartando o antigo em vez de consertá-lo. A conseqüência de todas essas mudanças, segundo o mesmo autor, é que a economia da permanência, onde se buscava a maximização da durabilidade dos produtos, dá lugar à economia da transitoriedade, surgindo então a chamada “Sociedade do Descartável”, na qual o relacionamento do homem com as coisas está cada vez mais curto, influindo diretamente no aumento do volume de lixo despejado diariamente no meio ambiente. Durante as décadas de 1970 e 1980, tornou-se cada vez mais claro que os recursos naturais estavam sendo dilapidados em nome do desenvolvimento, produzindo mudanças imprevistas na atmosfera, nos solos, nas águas, entre as plantas e os animais e nas relações entre todos eles. Com isso, os movimentos que tinham por finalidade despertar a consciência ecológica ganham força. A sociedade se organiza e cobra soluções para as suas necessidades de consumo que sejam não agressivas à natureza, surge o conceito de “consumo sustentável”, que segundo Holliday, Schmidheiny e Watts (2002, p.193), não significa consumir menos, mas sim “consumir de maneira diferente, inovadora e eficiente, com mais qualidade, conhecimento e menor desperdício”. 2 Foi então necessário, reconhecer que a velocidade da transformação era tal, que começava a superar a capacidade científica e institucional para minimizar ou inverter o sentido de suas causas e efeitos, despertando no homem a incerteza em relação ao futuro da sociedade. O despertar dessa consciência ecológica, associado à referida incerteza, deu origem a iniciativas empresariais que passaram a buscar o ideal de atender às necessidades do consumidor sem agredir o meio ambiente. 3 1 Objetivos O objetivo principal do presente estudo é o de investigar a criação e o desenvolvimento de produtos, com base no conceito de desenvolvimento sustentá vel, ou seja, que equilibram os pontos de vista econômico, social e ambiental. São descritas e analisadas as ações da Natura, empresa da iniciativa privada brasileira, atuante no setor de Perfumaria, Higiene Pessoal e Cosméticos, que optou por desenvolver e implementar um projeto que apresenta características suficientes para a classificação do mesmo no conceito de desenvolvimento sustentável. Esse projeto, e foco desse estudo, é o lançamento da linha Natura Ekos. 4 2 Questões a serem respondidas Um número crescente de empresas tem destinado recursos próprios para projetos sociais, visando reforçar a sua imagem. Mas faz-se necessário questionar o que motiva empresários a desenvolver programas sociais e, também, o porquê da não inserção da responsabilidade social na estratégia da empresa, já que esta atitude possibilita a obtenção de retornos tangíveis tanto para o acionista quanto para a sociedade. O estudo tem como objetivo responder às seguintes questões: § Qual a motivação para a criação e o lançamento de produtos com base no conceito de desenvolvimento sustentável? § Quais são as principais dificuldades enfrentadas para a criação e o lançamento de produtos com base no conceito de desenvolvimento sustentável? § Quais os principais benefícios auferidos com o lançamento de uma linha de produtos fiel ao conceito de desenvolvimento sustentável? 5 3 Relevância do estudo Segundo Castro (1977, p.56), “um tema é importante quando está de alguma forma ligado a uma questão crucial que polariza ou afeta um segmento substancial da sociedade”. Este estudo é relevante porque os consumidores estão cada vez mais informados e mobilizados. As empresas encontram-se em um caminho sem volta, já que a busca da sobrevivência aponta para o comportamento socialmente responsável, com padrões éticos elevados, respeito aos funcionários, considerando o impacto de suas operações na comunidade e, principalmente, na biodiversidade. Segundo Srour (2000, p. 126), “a adesão a um posicionamento socialmente responsável obriga a conceber e implementar novas práticas de gestão”. “As empresas detêm marcas que representam preciosos ativos e que consomem tempo e dinheiro para serem construídas. Em decorrência, muitas delas percebem que perder a credibilidade, deixando de ser transparentes e de agir rapidamente, é um passo fatal para o negócio que operam”. (Ibid., p.47) Ferreira (1990, p.5) afirma que “imagens corporativas não existem no vácuo, elas são afetadas pela atividade da empresa, pela imagem da indústria e pela imagem dos concorrentes”. E uma das mais eficientes formas de agregar valor ao negócio é através da imagem que a empresa passa aos seus consumidores, principalmente nos últimos anos, quando se fala tanto em direitos humanos, voluntariado e ecologia. Carroll e Meeks (1999, p.108), também reforçam que “nos últimos 20 anos, especialmente na última década, diversos países têm colocado em discussão questões éticas nos negócios”. Portanto, as organizações necessitam manter uma boa imagem institucional no mercado, buscando atrair essa geração de clientes que quer interagir com organizações que sejam éticas. 6 Lima (2002) afirma que “a empresa que investe no social gera impacto positivo, e agrega valor à sua marca”. “Uma corporate image forte deve influenciar a predisposição para efetivar negócios com a instituição. A imagem é importante componente em qualquer ramo de atividade. Uma empresa que tem uma boa reputação é geralmente encarada como capaz de produzir bons produtos/serviços”. (FERREIRA, 1990, p.5) Segundo uma pesquisa realizada nos EUA, pela The Conference Board (2000), considerando-se produtos semelhantes, 54,6% dos consumidores optaram por determinada marca depois de ponderar aspectos como a imagem e a reputação da empresa. Dentre os elementos formadores da imagem da empresa, as práticas trabalhistas e a ética adotada nos negócios representam 35%, a responsabilidade social e o impacto ambiental, 21,4%, a saúde financeira, 11,3% e a qualidade de gestão e estratégia, 8,6% dentre outros aspectos. Cerca de 46,4% dos consumidores consultados, compraram pelo menos um produto, durante o ano de 1998, motivados pela preocupação social do fabricante. Já 48% dos consumidores, deixaram de adquirir algum artigo, devido à imagem negativa da empresa. 7 4 Organização do estudo O presente estudo foi elaborado da seguinte forma: § Capítulo I: apresenta o estudo e sua relevância dentro do contexto atual, relata seus objetivos, sua abrangência e a forma como foi organizado. § Capítulo II: aborda a revisão de literatura realizada. Visa, com isso, introduzir o pensamento de diversos autores sobre o relacionamento empresa e sociedade, ética e responsabilidade social, como também, sobre o desenvolvimento sustentável, contribuindo para o entendimento do caso em estudo. § Capítulo III: dedicado à metodologia de pesquisa. Nele estão descritos os motivos que levaram à escolha do método do caso como instrumento de pesquisa, bem como a metodologia que foi aplicada para descrição e análise dos resultados. § Capítulo IV: apresenta a descrição do caso. § Capítulo V: apresenta a análise do estudo do caso sob a forma de conclusões e sugestões para estudos futuros. Em anexo, é apresentada a lista completa dos produtos da linha Natura Ekos, bem como uma cópia do instrumento de coleta de dados utilizado. 8 CAP. II - REVISÃO DE LITERATURA Introdução Neste capítulo faz-se uma revisão da literatura, abordando os seguintes temas: § A influência mútua entre a empresa e a sociedade demonstra o fato de que a empresa não existe isoladamente, estando inserida no interior da matriz social de uma comunidade e de uma sociedade, influenciando e sendo influenciada de muitas formas. § A Ética do Desenvolvimento Sustentável, pois as organizações precisam estar atentas não só a suas responsabilidades econômicas e legais, como também a suas responsabilidades éticas, morais e sociais. § A Responsabilidade social nas empresas, onde é apresentado o conceito de responsabilidade social, não mais simplesmente como uma forma de diferenciação, mas sim de sobrevivência da empresa, em resposta a uma maior conscientização do consumidor. § O Desenvolvimento Sustentável apresenta o conceito de que as necessidades do presente devem ser atendidas sem que se comprometa o suprimento das necessidades das gerações futuras. § A Biodiversidade, cujo manejo e exploração de forma sustentável, preservando sua integridade básica e garantindo a renovação de seus recursos, pode ser uma importante vantagem competitiva a serviço do desenvolvimento do país. § O conceito de Reservas Extrativistas é apresentado para o melhor entendimento do caso estudado. Em tais áreas, é possível materializar o desenvolvimento sustentável, equilibrando interesses ecológicos de conservação ambiental, com interesses sociais de melhoria de vida das populações tradicionais que ali habitam. 9 1 A influência mútua entre a empresa e a sociedade “... O crescimento da exclusão [social] e o avanço das tecnologias tem provocado mutações sociais que geram "novas realidades" para as quais a sociedade e o Estado se encontram despreparados a enfrentar... A busca de uma economia de mercado com coesão social exige compreensão das novas realidades para poder-se atuar sobre elas”. (MARCOVITCH, 1997, p.122-123) Segundo Parker et al. (1976), as relações sociais são sistematicamente estudadas pela Sociologia, buscando o entendimento da interação entre estrutura social e comportamento de indivíduos e grupos. De acordo com Parker et al. (1976) há muitos autores escrevendo sobre a Sociologia na indústria, referindo-se esse tema não só à definição do que se processa nas fábricas, mas também a todo o universo de abrangência do trabalho como a fazenda, o escritório, a escola, o hospital etc., já que, nesses ambientes, também se trabalha, produzem-se bens e prestam-se serviços. Um dos campos de estudo da Sociologia Industrial é o da análise das conseqüências do industrialismo para o indivíduo, incluindo a interação entre as áreas de vida no trabalho e fora dele. (PARKER et al., 1976) A empresa não existe isoladamente. Ela está inserida no interior da matriz social de uma comunidade e de uma sociedade e, tanto a empresa por um lado, quanto a comunidade e a sociedade por outro, se influenciam mutuamente, de muitas formas. A empresa é influenciada por trabalhadores com personalidades já formadas, com preconceitos e atitudes arraigados, e devolve à comunidade indivíduos cujas personalidades passam a refletir as suas experiências no trabalho. (SCHNEIDER, 1980) Segundo o mesmo autor, através da sua influência sobre o caráter de homens e mulheres, a empresa, conseqüentemente, influencia, de maneira fundamental, instituições, organizações e grupos da comunidade. Sirkis (1999, 10 p.17) concorda com essa influência e afirma que “a criação do homem interage incessantemente, para o bem ou para o mal, com o ambiente natural que o rodeia e envolve”. Grayson e Hodges (2002, p.121) acrescentam que “a qualidade do relacionamento entre uma empresa e as comunidades com as quais ela interage deve ser fator preponderante no sucesso nos negócios”. As forças globais de mudança estão criando um ambiente em que as empresas e outros setores da sociedade estão cada vez mais inter-relacionados. As comunidades estão sendo redefinidas, tornando-se mais organizadas, com mais voz ativa e poder, desfrutando do poder de influenciar as atividades das empresas positiva ou negativamente, modificando a essência da dinâmica com as mesmas. (GRAYSON e HODGES, 2002, p.121) A empresa deve, até certo ponto, refletir o caráter da comunidade em que está inserida e, por outro lado, a comunidade e muitas, ou quase todas as instituições, sentem diretamente o efeito do que está acontecendo na empresa, podendo ter as suas classes sociais reestruturadas ou a natureza básica da sua população transformada. "Há também tentativas conscientes da indústria de influenciar a sociedade, ou da sociedade de influenciar a indústria. Tanto a gerência como a mão-de-obra podem tentar decidir uma disputa na comunidade, influenciando a opinião pública, por exemplo, ou os políticos. Analogamente, o Estado tem tentado mais e mais controlar a indústria - regular a sua organização interna, a relação entre a gerência e a mão-de-obra, e até mesmo os termos em que os produtos podem ser vendidos e os preços a que podem ser vendidos. Como veremos, a indústria é imperfeitamente integrada na sociedade, e em alguns casos a falta de integração resultou num conflito em que cada lado tenta controlar o outro para obter mais vantagens". (SCHNEIDER, 1980, p.290) O resultado dessa integração imperfeita, citada pelo autor, estendida para as empresas em geral, não é apenas uma situação de desigualdades sociais e 11 econômicas, mas um senso de desigualdade que é, freqüentemente, acompanhado por um senso de injustiça. Na introdução do seu livro, Kotler e Roberto (1992) concordam com esse desequilíbrio e afirmam que todas as nações do mundo estão passando por problemas sociais, que seus cidadãos e seus governos estão procurando resolver. Segundo os autores, a solução desses problemas sociais envolve mudança social, alterando a forma de viver das pessoas e dos grupos, através da transformação de práticas negativas ou prejudiciais em práticas produtivas, pela mudança de valores e atitudes nas comunidades e em sociedades inteiras, e pela criação de novas tecnologias sociais que suscitem as mudanças desejadas e elevem a qualidade de vida das pessoas. Incorporando mudanças para adaptar-se à nova realidade, as empresas têm assumido um papel mais amplo dentro da sociedade, que transcende o papel de geradora de riquezas. (MARTINELLI, 1997, p. 81) Ainda segundo Martinelli (1997, p.82-84), convivem no setor empresarial diferentes concepções de empresa. Entre elas, encontra-se a empresa compreendida somente como negócio, onde o lema é "o lucro a qualquer custo" e também a empresa-cidadã, que opera sob uma concepção estratégica e um compromisso ético, que resultam na satisfação das expectativas e no respeito aos direitos de seus parceiros, contribuindo de maneira pró-ativa nas soluções sociais, através da disponibilização de talentos, tempo, recursos humanos e materiais para o desenvolvimento do bem comum. Ainda segundo o mesmo autor (1997, p.86), a prática da cidadania empresarial promove ganhos substanciais como, por exemplo, valor agregado à imagem da empresa, nova fonte de motivação e crescimento para os funcionários, consciência coletiva interna e mobilização de recursos disponíveis, sem necessariamente implicar em custos adicionais. 12 Lima (2002) também cita o termo “empresas-cidadãs” e concorda que é cada vez maior o número de empresas que financiam e executam projetos sociais, resultando na conquista de credibilidade e respeito dos consumidores, clientes e dos próprios funcionários. A autora cita ainda, que um dos sustentáculos da empresa-cidadã é justamente esta relação ética com os funcionários, que se sentem mais motivados e orgulhosos por trabalhar em uma empresa-cidadã, que procura expandir a sua atuação junto à sociedade. 13 2 A Ética do Desenvolvimento Sustentável “Deixadas em seu movimento próprio, as empresas tendem a buscar lucros cada vez maiores e agir de modo cada vez mais controlador em relação a seus empregados e de modo crescentemente mais agressivo em relação a seus consumidores e ao meio ambiente”. (ZAJDSZNAJDER, 1994, p. 92) Singhapakdi e Karande (2001, p.133) afirmam que, com a expansão da globalização, “o estudo da ética tem se tornado cada vez mais importante”. Epstein (1998) afirma que “a relação entre ética e a vida econômica não é um fenômeno novo”. Carneiro (1991, p.36) e Lantos (2001, p.595) também afirmam que, atualmente, a preocupação com o respeito a certos padrões éticos de comportamento aplicáveis ao mundo dos negócios não chega a se constituir numa novidade. Lantos (2001, p. 597) porém ressalta que antes dos anos 60 a ética nos negócios não era a maior preocupação das empresas, e que desde lá, questões éticas nos negócios cresceram numa escala sem precedentes, embora Zajdsznajder (1994, p. 102) afirme que, no Brasil, “a temática da ética nos negócios encontra-se em estágio absolutamente preliminar”. Ainda segundo Zajdsznajder (1994, p. 95), “a preocupação com a ética impede os efeitos destrutivos do comportamento que não se importa com o bem-estar do consumidor, do funcionário ou com a situação da sociedade ou do meio ambiente natural”. Mas o que é ética? A ética não se confunde com a moral. A moral é a regulação dos valores e comportamentos considerados legítimos por uma determinada sociedade, um povo, uma religião, uma certa tradição cultural etc., ou seja, um fenômeno social particular, que não tem compromisso com a universalidade, isto é, com o que é válido e de direito para todos os homens. Já a ética é uma reflexão crítica sobre a moralidade, existindo como uma referência para os seres humanos em sociedade, de modo tal que a sociedade possa se tornar cada vez mais humana. (CÓDIGO DE ÉTICA, 2001) 14 Ou seja, a moral diz respeito aos valores concernentes ao bem e ao mal, ao permitido e ao proibido e à conduta correta, válidos para todos os seus membros, enquanto que a ética diz respeito a uma filosofia da moral, isto é, uma reflexão que discuta, problematize e interprete o significado dos valores morais. (CHAUÍ, 1994) Segundo Spiller (1999, p. 52), “está se tornando cada vez mais aparente que há uma forte correlação positiva entre ética e performance financeira sustentável”. Robert Haas, presidente da Levi Strauss, a maior fabricante de jeans do mundo afirma que "uma atitude ética é boa no longo prazo". (NETZ, 1997) Singhapakdi (1999, p.89) concorda ao afirmar que no longo prazo, ética e responsabilidade social devem impactar positivamente no sucesso de uma organização. Segundo o autor, isso acontece porque os consumidores também fazem julgamentos éticos e esses julgamentos provavelmente influenciarão os consumidores quanto à aceitação ou rejeição dos produtos de uma empresa. No Brasil, o tipo de desenvolvimento econômico vigente tem gerado estruturalmente e sistematicamente situações práticas contrárias aos princípios éticos: desigualdades crescentes, injustiças, rompimento dos laços de solidariedade, redução ou extinção de direitos, lançando populações inteiras a condições de vida cada vez mais indignas. (CÓDIGO DE ÉTICA, 2001) “São muitas as razões para a recente promoção da ética no pensamento empresarial. Os administradores percebem os altos custos impostos pelos escândalos nas empresas: multas pesadas, quebra da rotina normal, baixo moral dos empregados, aumento da rotatividade, dificuldades de recrutamento, fraude interna e perda de confiança pública na reputação da empresa”. (NASH, 1993, p. 4) A ética prática ou aplicada consiste em uma forma de reflexão sobre a prática (ética) dos indivíduos e das instituições sociais e políticas. (GARRAFA, 1995) Fazem parte da ética aplicada a ética ambiental e a ética dos negócios. Esta, questiona a lógica dos lucros abusivos e aquela, as conseqüências das agressões e da exploração indiscriminada ao meio ambiente 15 A Segunda Guerra Mundial, o uso da bomba atômica, a Guerra Fria, a Guerra do Vietnã, o uso indiscriminado dos recursos ambientais e a ênfase no mercado são alguns exemplos de situações que fizeram com que, a partir da década de 1960, aumentasse o interesse sobre questões de ética aplicada. Segundo Zajdsznajder (1994, p. 100), pode-se dizer “que o movimento em prol da intensificação da ética nos negócios seja uma resultante parcial do movimento de defesa dos direitos dos consumidores e do movimento ecológico”. “A ecologia é uma forma potente de despertar ético, na medida em que chama a atenção para responsabilidades variadas. Trata-se de nossas obrigações frente às gerações futuras, cujo acesso a certos recursos poderá ser reduzido ou anulado (recursos inorgânicos ou recursos genéticos) ou então em relação à nossa vida na Terra, em termos presentes, ameaçada por alterações nos ambientes naturais, por padrões de consumo dos países mais desenvolvidos e por processos industriais”. (ZAJDSZNAJDER, 1994, p. 117) Ashley et al. (2002, p.50) alertam que “as organizações precisam estar atentas não só a suas responsabilidades econômicas e legais, mas também a suas responsabilidades éticas, morais e sociais”. O IBAMA (2001a) também alerta que a ética da proteção ao meio ambiente poderia ser considerada independente das considerações econômicas, mas que, devido às altas taxas atuais de destruição e de extinção dos recursos naturais, faz-se necessário que a sociedade como um todo, seja persuadida de que a conservação da biodiversidade redunda em benefício para a humanidade. “Externamente, a consciência social e a própria ordem jurídica impõem determinadas obrigações sociais à empresa. Em decorrência, muitas empresas desenvolveram, nos últimos anos, a consciência ambientalista, menos por adesão ao movimento ecológico e mais por percepção de que não poderiam agir de outra forma, sob pena de serem punidas, se não pela lei, pela execração 16 da opinião pública, com o risco de prejudicar seus negócios”. (CARNEIRO, 1991, p.36) Ashley et al. (2002, p.53) caracterizam as atividades e atitudes de uma organização, cujos negócios devem ser feitos de uma forma ética, obedecendo a rigorosos valores morais, de acordo com comportamentos cada vez mais universalmente aceitos como apropriados, da seguinte forma: “ - Preocupação com atitudes éticas e moralmente corretas que afetam todos os públicos/stakeholders envolvidos (entendidos da maneira mais ampla possível); - Promoção de valores e comportamentos morais que respeitem os padrões universais de direitos humanos e de cidadania e participação na sociedade; - Respeito ao meio ambiente e contribuição para sua sustentabilidade em todo o mundo; - Maior envolvimento nas comunidades em que se insere a organização, contribuindo para o desenvolvimento econômico e humano dos indivíduos ou até atuando diretamente na área social, em parceria com governos ou isoladamente”. Kotler e Armstrong (1993, p. 438) ressaltam que “códigos escritos e programas de ética não garantem um comportamento ético. A ética e a responsabilidade social requerem um compromisso total da empresa”. Complementando, Ashley et al. (2002, p.53) afirmam que as empresas passam a responder a um novo e mais abrangente papel dentro da sociedade e Srour (2000, p. 180) concorda com esse novo e mais abrangente papel das empresas ao afirmar que: “os clientes passaram a dispor de trunfos econômicos, políticos e simbólicos capazes de dissuadir, tanto coletiva como individualmente, qualquer empresa que ouse aventurar-se pelos descaminhos das práticas socialmente irresponsáveis”. Humberg (1991, p. 5), conclui que “as empresas vão descobrindo que serem éticas faz parte do seu sucesso, porque facilita a aceitação de seus produtos e serviços”. Singhapakdi e Karande (2001, p. 134) concordam ao afirmar que “intuitivamente, ética e responsabilidade social têm um impacto positivo no sucesso de uma organização porque os consumidores fazem julgamentos éticos que provavelmente influenciam as suas compras”. 17 2.1 O Consumidor Ético Segundo Singhapakdi et al. (1999, p. 257), a cultura de um indivíduo afeta a sua tomada de decisão ética, que também é específica para cada situação. Quanto às dimensões culturais, Singhapakdi e Karande (2001, p.136) afirmam que elas “contribuem para diferenças na importância percebida da ética”. Johnson e Scholes (1997, p. 184) também citam o forte direcionamento da ética por aspectos culturais. “Diferenças culturais influenciam a maneira como consumidores percebem as práticas de negócio, incluindo aquelas de conteúdo ético. Tais efeitos se tornam cada vez mais relevantes à medida que as empresas buscam expandir para outros locais. A empresa deve entender a necessidade de familiarizar-se com as normas éticas culturais que são dominantes nos países em que almejou entrar”. (SINGHAPAKDI et al., 1999, p. 259) McDonald (1994 apud SINGHAPAKDI et al., 1999) afirma que “desconsiderar os efeitos das diferenças culturais nos valores éticos retardará os esforços de uma expansão internacional”. O consumo é uma questão muito importante, diretamente relacionada com a cultura, os valores e costumes de uma sociedade. Segundo Gutberlet e Guimarães (2002, p. 9), “consumir, em tese, é contrário a preservar, porém consumir é uma necessidade biológica dos seres vivos”. Kotler (1972, p. 54) afirma que “ao servir eficientemente os desejos dos consumidores, é possível prejudicar seus interesses de longo prazo”. Falando sobre o consumo ético, também chamado de consumo responsável, que visa à educação do consumidor quanto às conseqüências e aos antecedentes para o seu ato de consumo, Ashley et al. (2002, p.32) afirmam que “a educação do consumidor para o consumo responsável deve considerar dimensões ambientais, econômicas e sociais”. A autora apresenta quatro conceitos fundamentais e inter-relacionados apresentados de forma resumida no quadro 1: 18 Quadro 1: Consumerismo Conceito Definição Consumerismo Pode ser visto como um credo econômico e social que encoraja as pessoas a aspirarem ao consumo, independentemente das conseqüências. Consumerismo É uma tentativa de fazer os consumidores comprarem verde bens ou serviços que não agridam o meio ambiente. Consumerismo É um desenvolvimento do consumerismo verde. ético Considera questões mais amplas, objetivando o comércio ético dentro do atual sistema econômico através do monitoramento do comportamento dos negócios das empresas. Anticonsumerismo Partindo da visão de que os países ricos do mundo estão fundamentalmente destruindo o planeta e a eles mesmos, o anticonsumerismo desafia o conjunto de premissas sobre o que é necessário para a sociedade, questionando o “Por que comprar?”, propondo formas diferentes de se viver, comercializar e trabalhar. Fonte: adaptado a partir de Ashley et al. (2002, p.32 e 33) Segundo Kotler desenvolvimento (1972, de p. novos 55), “há produtos muitas que oportunidades atendam aos para desejos o dos consumidores tanto na geração de satisfação no curto prazo como na provisão de benefícios no longo prazo”. O crescimento mundial da consciência ambiental está aumentando na sociedade o desejo de consumir produtos ambientalmente saudáveis. Há uma conscientização maior sobre desenvolvimento sustentável e de que as empresas podem dar uma contribuição positiva em muitas áreas além de, obviamente, reduzir os efeitos negativos que causam. (GRAYSON e HODGES, 2002). Lantos (2001, p. 622) sugere que os ambientalistas, assim como os profissionais de marketing, deveriam dividir parte do desafio de educar o consumidor sobre a importância da adoção de tais produtos. “A idéia por trás da diferenciação de produtos ambientalmente corretos é fácil de compreender: empresas criam produtos ou empregam processos que oferecem maiores benefícios ambientais ou impõem menores custos ambientais do que os dos competidores. Tais esforços podem elevar os custos da empresa, mas também 19 possibilitam a cobrança de preços maiores, a captação de parcela adicional de mercado, ou ambos”. (REINHARDT, 1999, p.150) Kotler (1972, p. 55 e 56) apresenta no quadro 2 uma tipologia das oportunidades de novos produtos: Quadro 2: Classificação das oportunidades de novos produtos Satisfação Imediata Alto Bem-estar do consumidor no longo prazo Baixo Baixa Produtos salutares Baixo apelo, mas que beneficiam bastante o consumidor no longo prazo. Produtos deficientes Sem apelo imediato nem qualidades salutares. Alta Produtos desejáveis Combinam alta satisfação imediata com alto benefício de longo prazo. Produtos agradáveis Dão satisfação imediata, mas podem prejudicar os interesses do consumidor no longo prazo. Fonte: Kotler (1972, p. 55 e 56) O autor sugere que as empresas devem esquecer os produtos deficientes, investir os seus esforços no desenvolvimento de produtos desejáveis e encarar os produtos salutares e agradáveis como um desafio e uma oportunidade consideráveis para a empresa. Quanto ao comportamento do consumidor, é possível verificar no quadro 3 o resultado de uma pesquisa do Instituto Ethos sobre a atitude do consumidor ante uma empresa que não é considerada socialmente responsável: Quadro 3: No último ano, você pensou em punir uma empresa que você achasse não sendo socialmente responsável, deixando de comprar seus produtos ou criticando a empresa para outras pessoas? País Brasil Estados Unidos Argentina Grã-Bretanha México Itália Espanha e Alemanha Índia Efetivamente fizeram isso (%) 13 43 36 31 29 27 21 7 Fonte: Instituto Ethos (2001) 20 Cowe e Williams (2000 apud HOLLIDAY, SCHMIDHEINY e WATTS, 2002, p. 175) apresentam um estudo sobre o consumidor ético, conduzido pelo The Cooperative Bank no Reino Unido, onde 60% dos consumidores procuraram produtos com qualidades éticas, mas que somente 5% o fazem de forma consistente. Já uma pesquisa feita pelo Environics International Ltd (FLISI, 2001 apud HOLLIDAY, SCHMIDHEINY e WATTS, 2002, p. 176) mostra que 25% dos consumidores no mundo são “verdes” em ações e atitudes. Ao confrontar números diferentes, o autor afirma que embora a maioria dos consumidores queira, pelo menos teoricamente, deixar-se guiar por princípios sustentáveis, na vida real eles ainda não estão preparados para deixar de comprar os produtos que eles já conhecem, com preço e performance já conhecidos. Só um pequeno segmento, realmente pagaria um pouco mais por esse tipo de produto, o que leva a ind ústria a ter que inovar e desenvolver soluções economicamente viáveis para que o consumidor atue de forma diferente na prática e não só na teoria. Apesar de nenhum estudo poder provar que a busca de metas sustentáveis faz uma companhia ser mais lucrativa (SUSTAINABILITY/UNEP, 2001 apud HOLLIDAY, SCHMIDHEINY e WATTS, 2002, p.29), o impacto no valor, para o acionista, de uma performance baseada no desenvolvimento sustentável é, na pior das hipóteses, neutro e em alguns casos já demonstrou ter adicionado considerável valor. O CEBDS (2002, p.19) acrescenta que “a concepção ultrapassada de que gastos com meio ambiente se transformam em custos parte da premissa equivocada de que não gastar é um custo zero. Existem custos tangíveis e intangíveis”. 21 3 Responsabilidade social nas empresas “O verdadeiro objetivo de uma indústria não é ganhar dinheiro, e sim bem servir ao público, produzindo artigos de fabricação conscienciosa e vendendo-os pelos preços mais moderados possíveis. A indústria que se norteia por esses princípios nunca pára de crescer nem de desdobrar-se em benefícios para todos quantos nela se cooperam“ (Monteiro Lobato citado por Ashley et al., 2002, p.14) 3.1 A Necessidade de Responsabilidade Social Todos são intimamente cúmplices do sistema social e ambiental em que vivemos, geralmente despertando para a sua importância somente quando atingidos diretamente. Grayson e Hodges (2002) afirmam que, em função da iniciativa privada ser o motor do crescimento e do desenvolvimento, a sociedade espera que ela assuma uma posição de liderança mais participativa para ajudar a abordar um espectro mais responsabilidade amplo das de questões. empresas se Essas preocupações manifestam com paralelamente a ao questionamento do seu papel e objetivos na sociedade. Prahalad e Hammond (2002, p. 4) alertam que as grandes companhias não vão resolver sozinhas os problemas econômicos dos países em desenvolvimento, mas, somente através do envolvimento direto e sustentado das empresas multinacionais é que a prosperidade pode chegar às regiões mais pobres. Em junho de 1999, foi realizada, em São Paulo, a 2a Conferência de Responsabilidade Social Empresarial nas Américas. Na abertura do evento, o presidente da Business Social Responsability, Robert Dunn, provocou o público com uma interessante reflexão: “Se a população mundial fosse reduzida a uma vila de cem pessoas, essa seria a composição: § 8 seriam da América Latina e 5 da América do Norte; § 80 viveriam em subcondições de moradia; 22 § 66 não teriam água potável; § 50 sofreriam de desnutrição; § 6 deteriam metade da riqueza; § 1 teria curso superior; § ninguém teria computador“. Ao analisar esses números, o palestrante sugere que, se o conceito de desenvolvimento não for alterado, o aumento de tecnologia não será a solução. Ou seja, o conceito de desenvolvimento não reside apenas no aspecto econômico e deve abranger também o social. “A pobreza não é exclusividade do mundo em desenvolvimento. Embora a pobreza abjeta seja rara nos países industrializados, as questões da exclusão social e da desigualdade de oportunidades representam um custo real para as empresas em todo o mundo.” (GRAYSON e HODGES, 2002, p.43) 3.2 O Conceito de Responsabilidade Social Segundo Carroll (1979, 497 e 498) o conceito de responsabilidade social corporativa tem evoluído há décadas sendo definido de diversas maneiras. Responsabilidade social é a soma das ações internas e externas de uma companhia, não se restringindo somente à doação de dinheiro, mas promovendo também o compartilhamento de recursos, oportunidades e inteligência. As empresas socialmente responsáveis conseguem, ao mesmo tempo, agradar seus públicos interno e externo. (TOLOVI JUNIOR, 1999, p.38) Mcguire (1963 apud DUARTE, 1985, p. 86), afirma que “a idéia de responsabilidade social supõe que a corporação tenha, não apenas obrigações legais e econômicas, mas também certas responsabilidades para com a sociedade, as quais se estendem além daquelas obrigações”. Quase o mesmo é o que diz Carrol (1978 apud DUARTE, 1985, p. 86), para quem “a responsabilidade da empresa abrange expectativas econômicas, legais, éticas e discricionárias posta às organizações pela sociedade, num dado momento do tempo”. 23 “A questão não é se as empresas devem ser responsáveis de alguma maneira para com a sociedade, mas sim como devem ser responsáveis: há um novo significado para responsabilidade social corporativa, consistente tanto com a maior necessidade de resposta da empresa para os empregados e comunidade como com a crescente demanda dos investidores por desempenho”. (REICH, 1998, p. 9) Segundo o World Business Council for Sustainable Development - WBCSD, situado na Suíça e traduzido livremente por Ashley (2000), "Responsabilidade social corporativa é o compromisso contínuo nos negócios pelo comportamento ético, pela contribuição ao desenvolvimento econômico e melhoria da qualidade de vida dos empregados, de suas famílias e da comunidade". “O conceito de responsabilidade social confere, desde logo, um caráter essencialmente ‘associativista’ ao capitalismo e reveste -o de uma segunda natureza: 1. Conjuga desenvolvimento profissional dos funcionários e coparticipação deles em decisões técnicas, inversões, tanto em segurança como em melhores condições de trabalho, benefícios sociais e participação nos lucros e nos resultados – o que traz maior produtividade, mais assiduidade do pessoal e menor rotatividade. 2. Prescreve a não-discriminação e o tratamento equânime para as muitas categorias sociais que habitam as organizações. 3. Implica parceria efetiva entre clientes e fornecedores para gerar produtos e serviços de qualidade e para assegurar durabilidade, preços competitivos e confiabilidade. 4. Supõe contribuições para o desenvolvimento da comunidade local e até da sociedade inclusa, através da implementação de projetos que aumentem o bem-estar coletivo. 5. Inclui investimentos em pesquisa tecnológica para inovar processos e produtos, além de melhor satisfazer aos clientes ou usuários. 6. Exige a conservação do meio ambiente através de intervenções não predatórias (consciência da vulnerabilidade do planeta) e através de medidas que evitem externalidades negativas. Tudo isso mostra a amplitude e a complexidade do conceito”. (SROUR, 2000, p. 195 e 196) Votaw (1973 apud DUARTE e DIAS, 1986, p. 55), expressa com propriedade a falta de precisão que existe em torno do conceito de responsabilidade social: 24 “O termo é um termo brilhante. Ele significa algo, mas nem sempre a mesma coisa, para todos. Para alguns, ele representa a idéia de responsabilidade ou obrigação legal; para outros, significa um comportamento responsável no sentido ético; para outros, ainda, o significado transmitido é o de responsável por, num modo causal. Muitos simplesmente equiparam-no a uma contribuição caridosa; outros tomam-no pelo sentido de socialmente consciente; muitos daqueles que o defendem mais fervorosamente vêem-no como simples sinônimo de legitimidade... ; uns poucos vêem-no como uma espécie de dever fiduciário, impondo aos administradores de empresa padrões mais altos de comportamento que aqueles impostos aos cidadãos em geral. Até mesmo seus antônimos, socialmente irresponsável ou não responsável, estão sujeitos a múltiplas interpretações.” Segundo Carroll (1991, p. 40), quatro tipos de responsabilidades sociais constituem a responsabilidade social corporativa total: econômica, legal, ética e filantrópica, representadas na figura 1. Todos esses tipos de responsabilidades, até certo ponto, sempre existiram, mas somente nos últimos anos é que as funções éticas e filantrópicas ganharam um destaque significativo. Figura 1: A Pirâmide da Responsabilidade Social Corporativa Responsabilidades filantrópicas Ser uma boa “empresa-cidadã”: contribuir com recursos para a comunidade, melhorar a qualidade de vida Responsabilidades Éticas Ser ético: obrigação de fazer o que é certo e justo. Evitar ou minimizar danos aos stakeholders. Responsabilidades Legais Obedecer à lei: a lei é uma codificação da sociedade sobre o que é certo e errado. Jogar pelas regras do jogo. Responsabilidades Econômicas Ser lucrativo: a fundação sobre a qual todas estão baseadas. Fonte: CARROLL, 1991, p. 42 25 Carroll (1991, p. 43) completa que “colocado de uma forma mais prática e gerencial, a empresa socialmente responsável deve se esforçar para fazer lucro, obedecer à lei, ser ética e ser uma boa empresa-cidadã”. Lantos (2002, p. 206 e 209) conceitua a responsabilidade social corporativa de três formas: “- Responsabilidade social corporativa ética: cumprimento moralmente mandatório das responsabilidades econômicas, legais e éticas da empresa, impondo que as empresas sejam responsáveis por ajudar a resolver problemas sociais que elas criaram ou prevenir danos sociais que elas poderiam potencialmente causar. Responsabilidade social corporativa altruística: cumprimento das responsabilidades filantrópicas de uma organização, indo além da prevenção de possíveis danos (responsabilidade social corporativa ética) até ajudar na mitigação das deficiências sociais públicas, sem levar em consideração se isso vai ou não beneficiar a empresa. Responsabilidade social corporativa estratégica: cumprimento das responsabilidades filantrópicas que vão beneficiar a empresa através de publicidade positiva e ganhos de reputação”. Já Johnson e Scholes (1997, p. 207) restringem a responsabilidade social corporativa às questões éticas com as quais as entidades corporativas se deparam (setor público e privado) quando da formulação e implementação de suas estratégias. Tem a ver com até que ponto a organização deve se mover além das suas obrigações mínimas exigidas pela governança corporativa e como as demandas conflitantes de diferentes stakeholders podem ser reconciliadas. Porém, as primeiras manifestações sobre a idéia de responsabilidade social das empresas surgiram no inicio do século e soavam como heresias socialistas. Por isso não obtiveram maior aceitação nos meios acadêmicos e empresariais. Somente mais tarde, em 1953, surgiu o primeiro livro abordando a responsabilidade social, escrito por Howard Bowen, sob o título “Responsibilities of the Businessman”, o qual tornou-se um clássico e foi traduzido para vários idiomas. A partir deste marco inicial, a idéia se difundiu para a Europa Ocidental e demais países. (DUARTE e DIAS, 1986, p. 42) 26 Davis (1960 apud CARROLL, 1991, p.39) sugere que responsabilidade social refere-se a decisões e ações tomadas por razões ao menos parcialmente além dos interesses econômicos e tecnológicos diretos da empresa. Já em 1962, em seu livro “Capitalismo e Liberdade”, Friedman (1985, p. 122) contrapõe que há uma e somente uma responsabilidade social da empresa: usar os seus recursos e dedicar-se a atividades destinadas a aumentar os seus lucros ao máximo dentro das regras do jogo, o que significa participar de uma competição livre e aberta, sem enganos ou fraude. Segundo Carroll (1991, p. 43), a maior parte das pessoas foca somente na primeira parte da frase de Friedman e não na segunda parte. Para o autor parece claro, a partir da frase de Friedman, que lucros, conformidade com a lei e costume ético abarcam três componentes da pirâmide da responsabilidade social corporativa - econômica, legal e ética, rejeitando somente o componente filantrópico. Já segundo Lantos, (2001, p. 604), o que Friedman ignorou foi que as decisões do homem de negócios no domínio da ética e responsabilidade social podem afetar diversas pessoas, grupos e instituições que, por sua vez podem influenciar o bem estar da empresa. Em 1970, Friedman (2003) reafirmou que a responsabilidade da empresa é obter o máximo de dinheiro possível, de acordo com as regras básicas da sociedade, tanto aquelas incorporadas na lei como nos costumes éticos e que, os acionistas ou clientes ou funcionários poderiam separadamente gastar seu próprio dinheiro em ações particulares que eles decidissem fazer. A partir dos anos 80, nota-se que as empresas têm se preocupado com problemas que envolvem a sociedade e o meio ambiente no qual estão inseridas. Elas passam a compreender a importância de se responsabilizarem por áreas como educação, saúde e moradia, nas quais o Estado não tem conseguido suprir eficientemente as necessidades da população. Rompendo o velho paradigma de que as empresas só se preocupam com a geração de 27 lucros, tornou-se estritamente necessário para elas sobreviverem no mercado oferecerem preços baixos, produtos de qualidade e marketing inteligente, ressaltando, também, que o consumidor está cada vez mais seletivo preferindo empresas que realmente se integram à comunidade. (COPPUS e BRUM, 1998) O termo responsabilidade, de uso tão comum, encerra sempre a idéia de prestação de contas: alguém deve justificar a própria atuação perante outrem. (DUARTE, 1985) Correa (1997, p.7) questiona quem são esses outros e ressalta que “antes de identificar qualquer conceito, é oportuno destacar quais elementos compõem a realidade da empresa e mantêm com ela alguma forma de intercâmbio”. “Embora o conceito de responsabilidade social corporativa possa, de tempos em tempos, ser suplantado por vários outros focos, um desafio subjacente é definir a forma de gerenciar as responsabilidades para com os grupos constituintes com os quais a empresa transaciona e interage com mais freqüência”. (CARROLL, 1991, p. 47) A empresa tem responsabilidades não somente com os acionistas, mas também com os chamados stakeholders (conhecidos como constituintes ou públicos de interesse), notadamente funcionários, clientes, competidores, fornecedores, distribuidores, a comunidade local na qual a empresa opera, o público em geral e o meio ambiente. Pois quando as empresa tomam decisões elas causam tanto efeitos de curto e longo prazo em muitos setores da sociedade. (LANTOS, 2001) É importante ressaltar aqui, o quanto é necessário uma empresa velar pela sua continuidade, pela sua vitalidade, pela sua sobrevivência. Contudo, não se deve deixar de enfocar o qua nto o meio em que está inserida, depende dela. A empresa deve ir para além de seus interesses particulares, ou seja, não deve atender somente a seus usuários internos, mas também aos externos. 28 Esses elementos são chamados parceiros da empresa e, a eles, ela oferece algo ao mesmo tempo em que demanda algo, conforme demonstrado no quadro 4. (DUARTE, 1985) Quadro 4: Relacionamento da Empresa com seus Parceiros Parceiros Contribuições Demandas Básicas Acionistas § Capital § Lucros e dividendos § Preservação do patrimônio Empregados § Mão-de-obra § Salários justos § Criatividade § Segurança no emprego § Idéias § Realização pessoal § Condições de trabalho Fornecedores § Mercadorias § Respeito aos contratos § Negociação leal Clientes § Dinheiro § Segurança e boa qualidade dos produtos § Preço acessível § Propaganda honesta Concorrentes § Competição; referencial § Lealdade na concorrência de mercado Governo § Suporte institucional, § Obediência às leis jurídico e político § Pagamentos de tributos Grupos e § Aportes sócio-culturais § Proteção ambiental movimentos diversos § Respeito aos direitos de minorias § Respeito aos acordos salariais Comunidade § Infra-estrutura § Respeito ao interesse comunitário § Contribuição à melhoria da qualidade de vida na comunidade § Conservação dos recursos naturais Fonte: (Ibid., p. 84) Segundo Jorge (2002), palavras como responsabilidade social, princípios éticos ou cidadania corporativa eram consideradas e entendidas como utopia, coisa de poetas ou apenas conceitos abstratos, totalmente desligados das razões para o sucesso de um negócio. Paternalismo, em lugar de relações corretas e honestas com os trabalhadores; de assistencialismo, em vez de participação em ações junto à comunidade; filantropia, e não envolvimento em causas sociais. Essas eram as ações das antigas corporações, e que, para elas, sempre representavam custos e não investimentos. 29 Duarte e Dias (1986, p. 56) apresentam um consenso em torno do assunto, enumerando três pontos para que a organização seja socialmente responsável e, que parecem ser comuns e essenciais entre os conceitos supracitados. São eles: § A ampliação do alcance da responsabilidade da empresa, que não mais se limita ao círculo dos acionistas; § A mudança na natureza das responsabilidades, que ultrapassam o âmbito da prescrição legal, envolvendo também obrigações morais ditadas pela ética; § A adequação às demandas sociais, num dado contexto socioeconômico. Em resumo, responsabilidade social traduz-se como coerência ética nas ações e relações com os diferentes públicos e com a sociedade de um modo geral, passando a fazer parte das razões para o sucesso nos negócios ou de uma marca. Não praticá-la pode significar perdas financeiras e grandes prejuízos para a imagem das empresas. 3.3 Os Benefícios da Responsabilidade Social “O mundo empresarial vê, na responsabilidade social, uma nova estratégia para aumentar seu lucro e potencializar seu desenvolvimento. Essa tendência decorre da maior conscientização do consumidor e conseqüente procura por produtos e práticas que gerem melhoria para o meio ambiente ou comunidade, valorizando aspectos éticos ligados à cidadania... Deve haver um desenvolvimento de estratégias empresariais competitivas por meio de soluções socialmente corretas, ambientalmente sustentáveis e economicamente viáveis. (ASHLEY et al., 2002, p.3) Segundo Martin (2002, p. 6), as empresas em geral aderem ao comportamento socialmente responsável porque isso aumenta o seu valor para o acionista através da melhoria de sua reputação, a ponto de ter a preferência dos consumidores independentemente do preço praticado, além de manter o negócio do lado da lei. Claramente, segundo o autor, valor para o acionista e responsabilidade social não são necessariamente incompatíveis. 30 Além da melhoria da imagem da empresa, a responsabilidade social pode proporcionar outros benefícios. Os funcionários envolvidos com projetos sociais sentem-se imensamente recompensados e demonstram uma grande satisfação pessoal, o que contribui para a melhoria de seus desempenhos. Fazer o bem e conscientizar-se de sua responsabilidade social vem se tornando um componente vital para o sucesso dos negócios e, mais do que isso, uma extraordinária vantagem competitiva, atraindo o mercado, gratificando os funcionários, fortalecendo a empresa e sua boa imagem, fazendo com que todos ganhem. (COPPUS e BRUM, 1998) “A maior parte das companhias está preocupada com a sua imagem pública porque vendem produtos direta ou indiretamente ao público; de fato, empresas gastam bilhões anualmente para lustrar a sua imagem pública. Qualquer coisa que manche essa imagem pode resultar em perda de vendas e também pode fazer com que seja mais difícil que a empresa receba permissões de operação, subsídios e outros benefícios discricionários do governo”. (REICH, 1998, p. 10) Segundo Crane e Desmond (2002, p. 553), “há considerável evidência sugerindo que muitas empresas tiveram sucesso, até certo ponto, ao combinar metas sociais e econômicas através de suas atividades de marketing”. Porter e Kramer (2002, p. 7 e 16) concordam ao afirmar que “no longo prazo, metas econômicas e sociais não são inerentemente conflitantes, mas integralmente conectadas...Não havendo nenhuma contradição inerente entre o contexto de melhoria competitiva e um compromisso sincero de melhorar a sociedade”. Os funcionários de empresas ligadas à comunidade sentem, entre outras coisas, orgulho, segurança, satisfação e entusiasmo perante suas empresas. Da mesma maneira, as companhias preferem aqueles que se importam com a comunidade. (SOMOGGI, 1999, 35-38) Corrêa (1997, p.185) complementa que "o envolvimento voluntário dos funcionários nos projetos de responsabilidade social promovidos por seus empregadores parece aumentar a sua motivação para com o trabalho". 31 “A empresa que falha no tratamento dos seus funcionários incorre em custos extras devido a uma maior rotatividade, absenteísmo, perda de eficiência e rivalidades. De maneira similar, vai ser substancialmente penalizado financeiramente se tratar mal seus consumidores e fornecedores. Se esquecer da comunidade em geral vai gerar hostilidade que poderá trazer problemas legais, além de afetar ações de recrutamento e vendas. Em outras palavras e de maneira geral, na tomada de decisões gerenciais, boa ética significa bom negócio”. (KENYON, 1998, p. 224) Nos Estados Unidos, segundo Dunn (2001), presidente do Business for Social Responsibility, uma organização global sem fins lucrativos que ajuda empresas a alcançarem o sucesso, respeitando valores éticos, pessoas, comunidades e o meio ambiente, as empresas-cidadãs têm como vantagens competitivas o acesso ao capital, o desempenho e a motivação. Quanto ao acesso a capital, cerca de dez por cento dos investimentos são realizados por fundos que se preocupam com ética, ambiente e responsabilidade social. Quanto ao desempenho, o retorno financeiro das empresas éticas acompanhadas nos últimos oito anos bate a média das 500 maiores empresas do índice da Standard & Poor’s . Quanto à motivação, os funcionários das empresas socialmente responsáveis trabalham mais motivados, são mais produtivos e mais leais. Segundo Jorge (2002), 1,5 mil companhias, que faturam juntas mais de US$ 1,2 trilhão são filiadas ao Business for Social Responsability, entidade criada na Califórnia para difundir os conceitos de responsabilidade social das empresas. No Brasil, o Instituto Ethos, criado com os mesmos objetivos, apresenta um impressionante crescimento no número de associados. § Pesquisa da Universidade de Harvard revela que empresas socialmente responsáveis têm alcançado uma taxa de crescimento quatro vezes maior que as empresas preocupadas apenas com seus resultados financeiros. § Levantamento do Business for Social Responsability, com 2,1 mil estudantes americanos de MBA, constatou que as empresas-cidadãs 32 atraem melhores profissionais, principalmente entre os mais jovens e com alto potencial, mesmo oferecendo salários menores. Segundo Carroll (1999, p.294), é esperado que a atenção para a medição dos benefícios assim como o desenvolvimento teórico da responsabilidade social corporativa aumente cada vez mais”. 3.4 O Panorama Brasile iro Segundo Tolovi Junior (1999, p. 38), “A responsabilidade social é uma preocupação crescente nas empresas brasileiras”. Segundo Ashley (2000), as justificativas para o crescimento do interesse sobre o tema, no meio empresarial internacional e no Brasil, são a destruição dos ecossistemas, a elevação da concentração de renda, as desigualdades sociais, o consumerismo, questões de qualidade de vida, entre outras. Segundo a Pesquisa Ação Social das Empresas, coordenada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA, 2000), dois terços das empresas com um ou mais empregados da região Sudeste realizaram ações sociais em benefício da comunidade em 1998. Este grau de envolvimento da iniciativa privada leva a crer que os empresários percebem a necessidade de contribuir para aliviar os problemas sociais. Verificou-se que a riqueza do estado (esta pesquisa, conforme citado anteriormente, refere-se a região Sudeste) não é o fator decisivo para influenciar a atuação de empresas no campo social. Fatores sociais, culturais e religiosos, entre outros, também podem influenciar a atuação das empresas no campo social. Verificou-se que as empresas preocupam-se igualmente com os seus empregados (concentrando-se na área de alimentação e saúde) e com a comunidade (beneficiada predominantemente com doações de recursos para instituições filantrópicas ou religiosas). O percentual daquelas que atendem à comunidade é ainda um pouco mais elevado. Os dados demonstram que, para 33 os empresários, o atendimento de cunho social à comunidade passa, também pela concessão de benefícios não obrigatórios aos seus próprios empregados. Mas, grande parte dos benefícios não obrigatórios concedidos pelas empresas aos seus empregados e familiares é conquista de negociações entre os trabalhadores e seus empregadores. Segundo o Centro de Estudos em Administração do Terceiro Setor da Universidade de São Paulo, 56% das empresas brasileiras investem em programas ou atividades de caráter social ou comunitário. Em 48% dessas empresas, os funcionários fazem algum tipo de trabalho voluntário. Enquanto nos Estados Unidos, as empresas doam anualmente 11 bilhões de dólares para instituições sem fins lucrativos, as empresas ligadas ao Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas - primeira associação da América do Sul constituída por organizações privadas doadoras de recursos para projetos sociais) doaram, em 1998, 400 milhões de reais. (SOMOGGI, 1999, p.34-35) Alguns benefícios oriundos da adoção de práticas socialmente responsáveis também foram confirmados: 40% das 273 empresas brasileiras pesquisadas acreditam que as ações sociais promovem um maior envolvimento do funcionário com o trabalho. Para 34%, há um aumento da produtividade e da motivação de seus funcionários. (SOMOGGI, 1999, p.36) 34 4 Desenvolvimento Sustentável “Desenvolvimento sustentável significa atender às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras suprirem suas próprias necessidades”. Ex-primeira ministra da Noruega - Harlem Gro Brundland A Revolução Industrial, iniciada no século XIX no mundo, foi por um bom tempo regida pelo conceito de "desenvolvimento a qualquer custo". O mundo era ainda pouco habitado e os homens e suas máquinas não pouparam as terras, os rios, o ar e as florestas. Segundo Grayson e Hodges (2002, p.97), “o alto consumo estimula o uso de modos de produção insustentáveis para satisfazer a grande procura”. Sirkis (1999, p.126) afirma que, no Brasil, “foram assimilados nas últimas duas décadas os piores hábitos em matéria de desperdício, com a consagração da cultura do descartável”. E, segundo especialistas, o mundo caminha para a insustentabilidade no que se refere à manutenção da vida: § terras viraram desertos e a falta de água é um problema real para um terço da população mundial. § o excesso de dióxido de carbono e outros gases que provocam o efeito estufa na atmosfera estão provocando um aquecimento mundial, o derretimento das calotas polares e a elevação dos mares, o que, a médio prazo, prejudicará a agricultura e inúmeras cidades e países-ilhas. § a atmosfera, cheia de gases nocivos, é vítima de distúrbios como a chuva ácida e o buraco na camada de ozônio. § com a derrubada sistemática das florestas, diversas espécies são extintas a uma velocidade assustadora, podendo estar levando consigo o segredo de remédios importantes para a humanidade. § a destruição colocou a perder o modo de vida de populações que, tradicionalmente, viviam em harmonia com a natureza, reduzindo a diversidade cultural e humana, além de todo conhecimento que estas populações possuíam. 35 Elkins e Callaghan afirmam que o principal sustentáculo do movimento de responsabilidade social é o problema ecológico, cuja solução não é simples, constituindo um dos maiores desafios a uma administração socialmente responsável. (ELKINS e CALLAGHAN apud DUARTE, 1985) Já Porter e Kramer (2002, p. 7) percebem o problema ecológico como uma oportunidade, pois preservar o meio ambiente, beneficia não somente a sociedade, mas as empresas também. Segundo os autores, a redução da poluição e do desperdício pode levar ao uso mais produtivo dos recursos, ajudando a produzir bens que os consumidores valorizam. “A revolução ambiental mudou para sempre a forma como as empresas fazem negócios. O enorme desafio constitui-se, ao mesmo tempo, em enorme oportunidade, que é desenvolver uma economia global sustentável: uma economia que o planeta é capaz de suportar indefinidamente... O simples fato é que: ao atender as nossas necessidades, estamos destruindo a possibilidade das futuras gerações de atender as suas”. (HART, 1997, p. 67) A expressão desenvolvimento sustentável começou a correr o mundo em 1972, durante a 1ª Conferência Mundial do Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, na Suécia. Diante da ameaça real de devastação das reservas naturais do planeta, surgia ali uma nova visão – a de que era fundamental conciliar o desenvolvimento com a preservação ambiental e com questões sociais. Na prática, quinze anos se passaram para que a idéia revolucionária começasse a se tornar realidade. Em 1987, o termo desenvolvimento sustentável foi formalmente definido quando a Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento - também conhecida como a Comissão Bruntland - publicou o "Nosso Futuro Comum". De acordo com a comissão, o desenvolvimento sustentável significa atender às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras de atenderem as suas necessidades. Já Oliveira (2000), vai além ao afirmar que um dos aspectos do modelo de desenvolvimento sustentável é a necessidade de que, em termos gerais, o estoque de capital natural - florestas, 36 solo, água - seja mantido constante. Antes de Brundtland, não havia uma agenda comum para a abordagem de questões ambientais e sociais em nível global. Grupos de pressão ambientalistas manifestavam sua preocupação com questões isoladas, como desmatamento ou caça às baleias, enquanto outros focalizavam em questões de desenvolvimento, como pobreza infantil, saúde e socorro a catástrofes. A conceituação do desenvolvimento sustentável foi formulada de várias maneiras, mas a sua idéia central foi definida na Comissão de Brundtland que, de uma maneira geral, foi largamente aceita e aprovada por milhares de governos, corporações e outras organizações no mundo. (GLADWIN, KENNELLY e KRAUSE, 1995) O autor também cita outras definições de desenvolvimento sustentável propostas por diversos autores: “Maximizar simultaneamente as metas do sistema biológico (diversidade genética, capacidade rápida de recuperação, produtividade biológica), metas do sistema econômico (satisfação das necessidades básicas, aumento da igualdade, aumento da utilidade de bens e serviços), metas do sistema social (diversidade cultural, sustentabilidade institucional, justiça social, inclusão)”. (BARBIER, 1987, p. 103 apud GLADWIN, KENNELLY e KRAUSE, 1995, p. 877) ”Sustentabilidade é o relacionamento entre sistemas econômicos humanos dinâmicos e sistemas ecológicos dinâmicos maiores, cuja mutação normalmente é mais lenta, na qual: a vida humana pode continuar indefinidamente, os seres humanos podem prosperar e as culturas humanas podem se desenvolver, mas cujos efeitos das atividades humanas permanecem dentro de limites de modo que não destrua a diversidade, a complexidade e a função do sistema de suporte a vida ecológica”. (COSTANZA, DALY E BARTHOLOMEW, 1991, p. 8 apud GLADWIN, KENNELLY e KRAUSE, 1995, p. 877) “Uma sociedade sustentável é aquela que subsiste através das gerações, enxerga o longo prazo, é suficientemente flexível e sábia para não minar os seus sistemas físicos ou sociais de suporte”. (MEADOWS, MEADOWS E RANDERS, 1992, p. 209 apud GLADWIN, KENNELLY e KRAUSE, 1995, p. 877) 37 “Sustentabilidade é um estado econômico onde as demandas das pessoas e dos negócios sobre o meio ambiente podem ser supridas sem reduzir a capacidade de provisão para as gerações futuras. Também pode ser expressa como... deixar o mundo melhor do que você o achou, utilizar não mais do que o necessário, tentar não prejudicar a vida ou o meio ambiente e fazer correções quando ocorrer algum dano”. (HAWKEN, 1993, p. 139 apud GLADWIN, KENNELLY e KRAUSE, 1995, p. 877) Mas a adoção e mudanças de atitude ainda são muito lentas. Segundo Holliday, Schmidheiny e Watts (2002, p.14), em uma tradução livre feita por Almeida (2003), as razões dessa lentidão estão na sociedade como um todo e têm várias origens: “... grupos ambientalistas não gostam da expressão ‘desenvolvimento sustentável’, pois consideram o termo ‘desenvolvimento’ incompatível com a noção de preservação ambiental; alguns organismos da própria ONU também não aceitam o conceito, pois não foi desenvolvido nas suas instâncias burocráticas; os grupos desenvolvimentistas clássicos o repelem, como repelem tudo que identificam com uma postura ‘verde’; os governos não sabem como lidar com um conceito cuja aplicação prática demanda tal grau de integração e multidisciplinaridade, que não pode ser enquadrado em um único ministério ou secretaria; os meios acadêmicos, em geral também não oferecem disciplinas integradoras; a população em geral não se interessa pelo tema, porque o conceito, complexo, resiste a simplificações reducionistas, o que dificulta sua divulgação pela mídia para a grande massa. Além disso, no cerne da mensagem da sustentabilidade está a idéia de que é preciso descobrir como viver dos juros sem dilapidar o capital”. No quadro 5, é possível verificar um pequeno resumo, não exaustivo, sobre o desenvolvimento sustentável, ao longo das últimas décadas: 38 Quadro 5: Resumo das Décadas 1972: Encontro dos países em Estocolmo. Publicação da Declaração dos Direitos do Homem. 1982/83: Reuniões para estabelecer uma comissão que redigiria um estudo e propostas sobre e para o planeta. Em 1987, a Comissão Brundtland publica o documento Nosso Futuro Comum que focaliza a relação entre desenvolvimento e meio ambiente. Com o surgimento da expressão “desenvolvimento sustentável”, surge também a chamada “primeira onda” do desenvolvimento sustentável, que corresponde a formulação de sua base filosófica, com a elaboração do paradigma da sustentabilidade, sinônimo de sobrevivência num sentido amplo. 1992: Com a realização da Eco 92, no Rio de Janeiro, nasce a segunda onda, marcando a difusão e aperfeiçoamento do conceito do desenvolvimento sustentável. Um encontro oficial das Nações Unidas acontece e, em paralelo um encontro de ONGs e sociedade, chamado Fórum Global. Foram gerados nestes encontros dois documentos: a Agenda 21, nossos compromissos com o planeta neste século e a Carta da Terra - uma carta de intenções para com o planeta ainda não finalizada completamente. 2002: Johannesburgo ou Rio+10. Expectativa de que os acordos selados em 1992 sejam colocados em prática, marcando o início da terceira onda. Trata-se de planejar, ordenar, executar, monitorar e corrigir – num movimento contínuo – projetos e processos de desenvolvimento, considerado ética e três dimensões fundamentais: a econômica, a social e a ambiental. Fonte: Adaptado de Entrevistas Rio+10 (2002) e Almeida (2003) Hart (1997, p. 70 e 71), em seu artigo, cita que na década de 1970, ambientalistas como Paul Ehrlich e Barry Commoner fizeram uma simples, porém convincente observação sobre o desenvolvimento sustentável: o ônus ambiental total gerado pela atividade humana é uma função de três fatores: população, abundância (que representa o consumo) e tecnologia (que é como a riqueza é criada). O produto desses três fatores determina o ônus ambiental total que, deve ser estabilizado ou reduzido, para que a sustentabilidade seja atingida. O autor analisa como se poderia reduzir o ônus ambiental total, através das seguintes ações: § Diminuição da população - que não parece viável sem medidas políticas draconianas ou com a ocorrência de uma grande crise de saúde pública que cause mortalidade em massa, § Redução do nível de abundância (consumo), que só faria com que o problema piorasse, pois pobreza e crescimento da população andam lado a 39 lado e o autor defende que a questão da pobreza (educação e padrão de vida) só pode ser resolvida através da criação de riqueza em larga escala. § Mudança fundamental da tecnologia usada para gerar bens e serviços que constituem a riqueza do mundo. Enquanto população e consumo são questões sociais, tecnologia é o “negócio dos negócios”, uma tarefa das empresas. Se a atividade econômica tem que aumentar em dez vezes para prover o básico essencial para uma população que dobre de tamanho, então a tecnologia tem que melhorar vinte vezes mais para meramente manter o planeta com o seu nível atual de ônus ambiental. Segundo o autor, evitar aquilo que muitos acreditam ser um iminente desastre ecológico vai, de alguma maneira, ter implicações comerciais na próxima década: o desenvolvimento sustentável deverá constituir uma das maiores oportunidades da história do comércio. Apesar disso, poucas empresas incorporaram a sustentabilidade ao seu pensamento estratégico. Ao invés disso, as estratégias ambientais consistem em sua maioria em projetos fragmentados, objetivando apenas o controle ou prevenção da poluição. Focar na sustentabilidade significa expor as estratégias das empresas a um novo teste. Tomando o planeta inteiro como o contexto em que atuam, as empresas devem perguntar se são parte da solução dos problemas ambientais e sociais ou parte do problema. Somente quando a empresa pensa nesses termos, pode começar a desenvolver uma visão de sustentabilidade – uma mudança da lógica que vai além do foco atual ambiental interno e operacional para um foco mais externo e estratégico em desenvolvimento sustentável. 4.1 As empresas e o Desenvolvimento Sustentável “A UNCTAD (United Nations Conference on Trade and Development) realizou, em 1994, uma pesquisa entre multinacionais de 14 países para conhecer sua visão sobre desenvolvimento sustentável. Das 73 companhias que responderam ao questionário, 82% afirmaram que, formalmente, conheciam sustentabilidade, mas não sabiam definí-la. Destas, 59% não projetavam o conceito para as futuras gerações, 45% o confundiam com sistema de gerenciamento ambiental e 37% ‘intuíam’ que suas empresas já 40 haviam alcançado a sustentabilidade”. ZOORAQUÍN apud VINHA, 1999) (SCHMIDHEINY e Segundo Vinha (1999, p. 24), “ficou patente que desenvolvimento sustentável era um conceito etéreo e sua viabilização meta ainda muito remota para a grande maioria das empresas”. Para se enquadrar no conceito, as empresas deveriam respeitar alguns princípios básicos e adotar metas como: § se comprometer a buscar produtividade e crescimento a longo prazo, com responsabilidade na gestão; § utilizar tecnologias inovadoras e eficientes no uso dos recursos; § realizar investimentos sociais; § reduzir o consumo de energia e materiais; § controlar a dispersão de substâncias tóxicas; § prolongar a durabilidade dos produtos; § agregar valor aos bens e serviços; § estimular a utilização de recursos renováveis e a reciclar materiais. Essa confusão conceitual também é confirmada por Rondinelli e Berry (2000, p.75) que ao pesquisar políticas e práticas gerenciais de empresas multinacionais verificaram como maior indicador de progresso a utilização explícita e freqüente de termos como “desenvolvimento sustentável”, “cidadania corporativa” e “responsabilidade social corporativa”. A maior parte dos relatórios de desempenho ambiental descreve as atividades de gerenciamento ambiental em termos de atendimento de objetivos de desenvolvimento sustentável, apesar da grande variação de percepções e definições do termo. “Através da reutilização de embalagens (exemplo: oferecendo produtos refiláveis), materiais recicláveis (exemplo: recuperando elementos de produtos usados) e reduzindo a utilização de recursos (exemplo: conservando energia no processo produtivo), as empresas podem ter um papel significante na proteção do meio-ambiente”. (GROVE, 1996, p. 57) 41 Vinha (1999, p. 24) também ressalta que é importante lembrar que o desenvolvimento sustentável depende de três elementos inter-relacionados: econômico, ambiental e social. “Muitas empresas reconhecem que há retornos no longo prazo ao se promover o desenvolvimento sustentável, incluindo uma maior vantagem competitiva, preservação de matérias-primas e recursos cruciais, imagem corporativa favorável e oportunidades para o desenvolvimento de novos produtos... Práticas ambientais socialmente responsáveis podem também levar a um aumento de vendas e fidelidade do consumidor, aumento de produtividade e qualidade, maior atração e retenção de funcionários e, em alguns casos, redução da fiscalização reguladora ou um tratamento mais favorável das agências reguladoras”. (RONDINELLI e BERRY, 2000, p.74) A capacidade de identificar os riscos e capitalizar as oportunidades torna-se cada vez mais importante à medida que se intensifica a divulgação e é entendido o conceito de sustentabilidade. Segundo a consultoria SustainAbility, em parceria com o IFC e o Instituto Ethos (2003), as oportunidades mais significativas proporcionadas pela busca efetiva por negócios mais sustentáveis são: § Melhorar o valor da marca e reputação. § Crescimento de receitas e acesso de mercado. § Economia de custos e produtividade. § Aumentar o acesso ao capital por meio de melhores práticas de governança corporativa. § Gestão de riscos e credibilidade por meio do envolvimento com as partes interessadas. § Desenvolver o capital humano com uma gestão de recursos humanos mais eficaz. Segundo Miles e Covin (2000), “a vantagem advinda da reputação, como uma função da credibilidade, confiabilidade e responsabilidade, é alavancada por uma performance ambiental superior”. 42 Segundo Oliveira (2000), o sucesso de estratégias sustentáveis para produtos que envolvam o manejo florestal dependerá, em grande parte, do comprometimento dos empresários com as seguintes considerações: “1 - A atividade comercial deverá ser mantida numa escala que não prejudique o equilíbrio do ecossistema. 2 - Os empresários deverão estar aptos a adaptar suas estratégias aos valores sociais e culturais da comunidade envolvida. Isso pode ser realizado através de convênios com instituições locais de pesquisa e profissionais especializados. 3 - Se empresas pioneiras forem bem sucedidas, novas empresas poderão ser atraídas para a região, exercendo maior pressão sobre ecossistemas fragilizados. 4 - A dependência da disponibilidade do consumidor em pagar um ‘prêmio verde’ por um produto sustentável poderá não ser mantida por muito tempo. Além disso, o empresário deverá antecipar os efeitos do aumento da oferta de produtos da floresta no mercado, que reduzirão seus preços e conseqüentemente a parcela dos lucros repassada aos produtores. 5 - O empresário deve procurar evitar os custos decorrentes de formar longas cadeias de distribuição e outros custos. Isso poderá ser feito, por exemplo, através da formação de alianças com empresas locais e com o treinamento da mão de obra local. Um problema comum em muitas iniciativas de mercado é que a comunidade local não é preparada para assumir o controle das operações, ficando na dependência de um só comprador. 6 - O uso da imagem e do conhecimento tradicional dos povos locais deverá ser adequadamente remunerado e reinvestido na comunidade. 7 - Deve ser evitada, sempre que possível, a preferência por determinadas pessoas ao discutir os problemas da comunidade e ouvir sugestões. A opinião da maioria deverá ser a base das decisões relativas ao projeto”. Segundo Rondinelli e Berry (2000, p.78-81), para entender o impacto potencial da cidadania corporativa no desenvolvimento sustentável, é necessário olhar além da filantropia convencional ou das definições de cidadania corporativa, aplicadas ao relacionamento externo com stakeholders (que não refletem mais o espectro de atividades que constituem a responsabilidade ambiental ou que contribuem para o desenvolvimento sustentável) e passar a adotar práticas internas de gerenciamento. Os autores concluem que: § Práticas pró-ativas de gerenciamento ambiental se transformaram em parte integrante das operações da maior parte das empresas multinacionais. 43 Algumas dessas empresas estão perseguindo objetivos de desenvolvimento sustentável, reduzindo os impactos ambientais dos seus processos nas comunidades em que operam e nos usuários de seus produtos. § As agências reguladoras governamentais e os grupos de interesse ambientais têm de reconhecer que as empresas objetivam lucrar e criar valor e que as suas percepções de como atingir o desenvolvimento sustentável serão influenciadas pelas suas estratégias de negócio. § É improvável que o controle regulador sozinho force as empresas além dos requerimentos legais de controle de poluição. Mas muitas empresas multinacionais pressionadas inicialmente pelo controle regulador e temendo passivos legais, reconhecem que o gerenciamento ambiental pró-ativo pode também ser um bom negócio, levando a resultados mais eficientes e lucrativos. § A menos que as empresas vejam vantagens para o negócio, bem como o valor social das práticas ambientais sustentáveis, e internalizem esses valores, é improvável que elas integrem práticas gerenciamento ambiental nas suas estratégias de negócio. pró-ativas de 44 5 Biodiversidade O IBAMA (2001c) define diversidade biológica ou biodiversidade como: “…variedade de vida no planeta Terra, incluindo a variedade genética dentro das populações e espécies, a variedade de espécies da flora, da fauna e de microrganismos, a variedade de funções ecológicas desempenhadas pelos organismos nos ecossistemas; e a variedade de comunidades, habitat e ecossistemas formados pelos organismos… refere-se tanto ao número (riqueza) de diferentes categorias biológicas quanto à abundância relativa (equitabilidade) dessas categorias; e inclui variabilidade ao nível local…, complementaridade biológica entre habitat… e variabilidade entre paisagens … inclui, assim, a totalidade dos recursos vivos, ou biológicos, e dos recursos genéticos, e seus componentes… é uma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas, e fonte de imenso potencial de uso econômico... é a base das atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais e, também, a base para a estratégica indústria da biotecnologia. As funções ecológicas desempenhadas pela biodiversidade são ainda pouco compreendidas, muito embora considere-se que ela seja responsável pelos processos naturais e produtos fornecidos pelos ecossistemas e espécies que sustentam outras formas de vida e modificam a biosfera, tornando-a apropriada e segura para a vida. A diversidade biológica possui, além de seu valor intrínseco, valor ecológico, genético, social, econômico, científico, educacional, cultural, recreativo e estético”. Segundo o CEBDS - Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (2001), a biodiversidade brasileira exige uma ação pró-ativa que vise preservar sua integridade básica e garanta a renovação de seus recursos. Sendo manejada e explorada de forma sustentável, a biodiversidade brasileira é uma importante vantagem competitiva a serviço do desenvolvimento do país. “...o mercado mundial de produtos biotecnológicos é estimado entre US$ 470 bilhões e US$ 780 bilhões por ano e com tendência de rápido crescimento. O mercado brasileiro ainda é pequeno (US$ 500 milhões) mas é considerado estratégico, uma vez que o país detém mais de 20% das espécies vivas existentes no planeta. O simples fato de possuir a maior biodiversidade do planeta não confere ao Brasil vantagem competitiva no mercado global”. (CEBDS, 2002, p.43 e 44) 45 Não basta possuir a maior biodiversidade do planeta se o nível de conhecimento, além de heterogêneo, pode ser considerado insatisfatório, refletindo nas decisões sobre sua gestão e uso. Uma das restrições mais significativas à expansão do uso sustentável dos recursos biológicos é o limite mal definido em relação ao uso predatório, mais vantajoso economicamente a curto prazo. O acesso aos recursos genéticos e ao conhecimento tradicional de povos indígenas e comunidades locais sobre as espécies da fauna e da flora e seu uso; a justa e eqüitativa repartição de benefícios e a transferência de tecnologia continuam sendo grandes desafios. (FÓRUM..., 2002) O Brasil é um dos signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica, um tratado internacional assinado por 175 países durante a Rio-92. A convenção recomenda que os países elaborem suas Políticas Nacionais de Biodiversidades, que devem contemplar os seguintes objetivos básicos: conservação da diversidade biológica, a utilização sustentável de seus componentes e a repartição justa e eqüitativa dos benefícios derivados dos recursos biológicos. A convenção reconhece a soberania dos países sobre seus recursos naturais, garante o direito das comunidades locais sobre o conhecimento e propõe mecanismos para repartição justa de benefícios decorrentes, tanto para o Estado quanto para as comunidades. Calcula -se que cerca de um terço da biodiversidade mundial esteja concentrada nos territórios brasileiros, em ecossistemas únicos como a floresta amazônica, a mata atlântica, os cerrados, áreas úmidas e ambientes marinhos, entre outros. A Amazônia contém aproximadamente a metade das florestas tropicais do mundo, com valores altíssimos em termos de biodiversidade, além de seu enorme potencial genético. (IBAMA, 2001a) Já segundo o CEBDS (2001), esse número gira em torno de 22% de todas as espécies vegetais e animais do planeta. Essa enorme biodiversidade é devida a sua extensão territorial e a posição geográfica e pode representar 46 importantes possibilidades científicas, econômicas e culturais, oferecendo grandes possibilidades de desenvolvimento econômico e social, contribuindo para a diminuição da pobreza através da utilização desses recursos de forma racional e sustentável. Para isso, torna-se necessário investimentos na área de educação, pesquisa, desenvolvimento tecnológico, aperfeiçoamento e simplificação da legislação existente, reformas e fortalecimentos institucionais, integração de políticas setoriais e diversos outros pré-requisitos que permitam encontrar um equilíbrio entre o uso e a conservação desse valioso patrimônio. Segundo o IBAMA (2001a), entende-se por conservação da natureza: “…a preservação, a manutenção, a utilização sustentável, a restauração e a melhoria do ambiente natural, para que este possa produzir o maior benefício, em bases sustentáveis, às atuais gerações, mantendo seu potencial de satisfazer às necessidades e aspirações das gerações futuras e garantindo a sobrevivência dos seres vivos em geral“. Ainda segundo o IBAMA (2001a), são quatro os principais argumentos pela necessidade da conservação da biodiversidade: § Por suas contribuições econômicas diretas - a diversidade biológica contribui diretamente para a vida humana através da imensa quantidade de produtos alimentares, farmacêuticos e de uso industrial derivados da fauna e da vegetação que a humanidade já utiliza; também garante o uso potencial de outros, hoje ainda desconhecidos. § Por suas participações na manutenção dos grandes ciclos ambientais gerais da Terra, como o ciclo da água, dos climas, dos nutrientes e outros. § Por seu valor estético paisagístico, que atrai as pessoas devido a sua beleza e seu "poder de fascinação" e pelo sentimento de admiração, que sua complexidade e variedade de inúmeras interligações das diferentes formas de vida causam. § Por justificativas éticas inerentes às próprias espécies, isto é, seu valor, por elas mesmas e seu próprio direito de existir. 47 Segundo um enfoque econômico, a conservação da natureza é justificada, pois a recomposição de uma área natural é extremamente cara, sendo praticamente impossível recompor o meio ambiente de um local exatamente com a mesma variedade de espécies de vegetação e fauna antes existentes. (IBAMA, 2001a) Segundo Oliveira (2000), a conservação da biodiversidade deve ser coordenada com a utilização de seu potencial de gerar renda e que esta seria, ainda a melhor forma de convencer as comunidades locais e os empresários a preservarem a biodiversidade. Abordagens inovadoras deveriam ser utilizadas para preservar as florestas tropicais, gerando renda para as populações locais, que passariam a ter um melhor padrão de vida obtido através do desenvolvimento sustentável. Ainda segundo a autora, as florestas terão mais chances de serem preservadas, se puder ser demonstrado que possuem mais valor quando deixadas de pé, do que quando são derrubadas. E para isso, ela ressalta o papel importante do conhecimento das populações tradicionais na busca por um tipo de desenvolvimento menos predatório e mais em harmonia com a natureza. "Todas essas pessoas, que vivem na floresta e em seus arredores, são as únicas que dominam a arte de explorar a floresta tropical de uma forma realmente sustentável, graças a uma enorme quantidade de conhecimento prático... eles sabem tudo sobre plantas comestíveis, espécies medicinais, insetos comestíveis e suas larvas e como coletar mel selvagem". (JACOBS, 2002) A cultura das populações tradicionais possui, entre outras, as seguintes características: § um modo de vida construído a partir da dependência e até simbiose com a natureza, os ciclos naturais e os recursos naturais renováveis; § conhecimento aprofundado da natureza e de seus ciclos, transferido de geração em geração por via oral, visando o uso e manejo dos recursos naturais. A tecnologia empregada é relativamente simples, de impacto 48 limitado sobre o meio ambiente, com reduzida divisão técnica e social do trabalho, sobressaindo o trabalho artesanal. Nele, o produtor e sua família, dominam o processo de trabalho até o produto final; § importância de mitos e rituais associados à caça, à pesca e às atividades extrativistas. (IBAMA, 2001e) A perda da diversidade biológica mundial tem alcançado proporções alarmantes nos últimos anos. Sabe-se que na conservação da biodiversidade podem estar os futuros alimentos e novos medicamentos para as populações vindouras. (IBAMA,2001a) 49 6 Reservas Extrativistas “No futuro, as mudanças tecnológicas e de atitude podem gerar benefícios econômicos para os trópicos úmidos (biodiversidade, produtos não-madeireiros, ecoturismo, exploração madeireira sustentável, agricultura ecológica etc.) acima dos valores atuais. Ao prevenir a degradação da floresta no presente, estaríamos preservando este ecossistema para uso potencial no futuro. Esse argumento justifica a criação de unidades de conservação de uso sustentável (por exemplo, Florestas Nacionais e Reservas Extrativistas) como um mecanismo para manter a opção de uso do solo no seu valor econômico e biológico mais alto possível”. (SCHNEIDER et al., 2000, p.23 e 24) Dada a multiplicidade dos Objetivos Nacionais de Conservação, o estabelecimento de unidades de conservação diferenciadas, manejadas de maneiras diferenciadas, busca reduzir os riscos de empobrecimento genético no país, resguardando o maior número possível de espécies animais e vegetais. (IBAMA, 2001a) “Unidades de Conservação de uso indireto: aquelas onde estão totalmente restringidos a exploração ou o aproveitamento dos recursos naturais, admitindo-se apenas o aproveitamento indireto dos seus benefícios. São identificadas como Unidades de Proteção Integral. Categorias: Parque Nacional, Reserva Biológica e Estação Ecológica. Unidades de Conservação de uso direto: aquelas nas quais a exploração e o aproveitamento econômico direto são permitidos, mas de forma planejada e regulamentada. São identificadas como Unidades de Uso Sustentável. Categorias: Áreas de Proteção Ambiental, Floresta Nacional e Reserva Extrativista”. (IBAMA, 2001a) Atualmente, tem-se definido ser imprescindível o apoio da sociedade em geral e das populações vizinhas, em particular para assegurar a proteção a longo prazo dos recursos naturais, objetivo maior das unidades de conservação. Por outro lado, o manejo dessas unidades de conservação também deve estar orientado para garantir que as mesmas atuem como núcleos de áreas maiores, onde se realize o desenvolvimento sustentável com a promoção social e econômica das comunidades do entorno. 50 Segundo o IBAMA (2001a), o relacionamento das unidades de conservação com suas vizinhanças deve ser trabalhado, buscando-se: § entendimento e o apoio das populações locais; § a promoção do desenvolvimento socioeconômico das comunidades; § o estabelecimento de processos participativos entre a unidade de conservação, seus vizinhos e a sociedade em geral. As reservas extrativistas são unidades de conservação, compostas por áreas naturais ou parcialmente alteradas, habitadas por populações tradicionalmente extrativistas que vivem dos recursos das matas e dos rios, complementando-os com produtos da agricultura de subsistência. Utilizam basicamente os seus conhecimentos tradicionais sobre o ambiente e de seus recursos. Sua ligação com a economia de mercado é essencialmente restrita. (IBAMA, 2001 a) O IBAMA (2001 b) define reservas extrativistas como espaços territoriais destinados à exploração auto -sustentável e conservação dos recursos naturais renováveis, por populações tradicionais. Em tais áreas é possível materializar o desenvolvimento sustentável, equilibrando interesses ecológicos de conservação ambiental, com interesses sociais de melhoria de vida das populações que ali habitam. De acordo com Rueda (2001), antes de examinar a evolução histórica do extrativismo é conveniente definir o seu conceito, que em geral é utilizado para designar toda atividade de coleta de produtos naturais, seja de origem mineral (exploração de minerais), animal (peles, carne, óleos), ou vegetal (madeiras, folhas, frutos...). Segundo o mesmo autor, podemos entender o extrativismo como a utilização sustentável proposta para as reservas, ou seja, como a coleta racional na biota (conjunto de plantas e animais de uma determinada região, província ou área biogeográfica), de recursos renováveis destinados ao mercado. 51 Segundo Oliveira (2000), produtos florestais, tais como frutas, plantas medicinais, látex, castanhas, resinas e óleos, quando extraídos de forma sustentável causam menor ou nenhum impacto sobre o ecossistema, sendo uma alternativa à outras formas de geração de renda não sustentáveis, como a exploração da madeira. Segundo o IBAMA (2001d), há grandes perspectivas de melhorar a renda das famílias dentro das reservas extrativistas, através do: § Aumento da produção e da produtividade dos produtos florestais existentes. § Melhoria da qualidade dos produtos florestais e redução de suas perdas. Agregação de valor aos produtos através de processamento local. § Aperfeiçoamento da comercialização e desenvolvimento de novos mercados para os produtos tradicionais e para os novos. § Criação de sistemas de abastecimento, geridos pelas associações, de forma a evitar a especulação. 6.1 Certificação do Manejo Florestal Segundo Porter (1989, p. 133 e 134), os critérios de sinalização refletem os sinais de valor que influenciam a percepção do comprador sobre a habilidade da empresa em satisfazer os seus critérios de uso. Alguns critérios de sinalização estão associados a critérios de uso particulares, enquanto outros são sinais mais generalizados de que um fornecedor oferecerá valor ao comprador. Critérios de sinalização comuns incluem: reputação ou imagem, onde a boa reputação de uma empresa, em alguns casos, pode sinalizar para alguns compradores que muitos de seus critérios serão automaticamente satisfeitos. A crescente conscientização do público sobre a destruição e degradação das florestas tem levado consumidores a exigir que suas compras de madeira e outros produtos da floresta não contribuam para esta destruição, mas ajudem a 52 assegurar os recursos florestais para o futuro. Em resposta a estas exigências, proliferam no mercado os programas de certificação, que de acordo com Holliday, Schmidheiny e Watts (2002, p.180), “podem ser caros e demandam muito tempo para sua implementação”. Os produtos oriundos de reservas extrativistas possuem um selo, criado pelo Instituto Brasileiro de Apoio ao Meio Ambiente (IBAMA), que identifica a sua origem. A exploração desses produtos, cujo intercâmbio comercial deve ser de longo prazo, segundo exigência do IBAMA, depende da elaboração de um plano de manejo que garanta a sustentabilidade ambiental do projeto. (SCHARF, 2000a) Holliday, Schmidheiny e Watts (2002, p.178) afirmam que “produtos certificados possibilitam praticar preços maiores e aumentar a participação de mercado, assim como responder às preocupações do consumidor quanto ao impacto ambiental dos mesmos”. De acordo com os autores, um dos exemplos mais conhecidos de selo ambiental envolve os padrões estabelecidos pelo Forest Stewardship Council (FSC), cujo objetivo é promover o manejo das florestas do mundo de forma ambientalmente adequada, socialmente benéfica, economicamente viável e no cumprimento de todas as leis vigentes. O FSC é uma entidade internacional que credencia organizações certificadoras de modo a garantir a autenticidade de suas declarações. Seus princípios são os mais aceitos e aplicáveis mundialmente. O selo verde, com presença em todos os continentes, é uma garantia da origem, que serve para orientar o consumidor consciente a optar por um produto que não degrada o meio ambiente e contribui para o desenvolvimento social e econômico. Assegura a manutenção da floresta, bem como o emprego e a atividade lucrativa que a mesma proporciona. O selo também orienta o comprador atacadista ou varejista a escolher um produto diferenciado e com valor agregado, capaz de conquistar um público mais exigente e, assim, abrir novos mercados. 53 No Brasil, a organização certificadora credenciada pelo FSC é o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora). Criado em 1995, o instituto usa orientações e metodologias da rede SmartWood de certificação, o mais antigo programa de certificação florestal do mundo, credenciado pelo FSC e aplicável a florestas plantadas e naturais, em grandes e pequenas propriedades, com produtos madeireiros e não madeireiros. (BERGAMASCO, 1999) A utilização de certificados, além de incentivar mudanças nos padrões de consumo e de produção, proporciona uma maior possibilidade de agregar valor aos produtos, reforça a imagem do produto no mercado nacional e internacional, criando uma vantagem competitiva necessária no mundo globalizado. A demanda pelo produto com selo FSC tende a crescer cada vez mais e o Brasil supre apenas 7% do mercado que utiliza a madeira ou o papel como matéria-prima. Compradores internacionais, principalmente da Europa, viajam pelo mundo inteiro em busca de matéria-prima e de produtos finais certificados. Entre esses compradores estão empresas como a Homebase e a B&Q, da Inglaterra, e a Home Depot e a Lowe’s Company, dos Estados Unidos, a Castorama, da França, e a St. Gobain, representada pela Meyer International. (FSC, 2003) O processo de certificação começa por iniciativa voluntária dos proprietários de operações florestais e responsáveis pelo manejo florestal ao solicitar os serviços de uma organização certificadora. Existem duas modalidades de certificação implementadas pelos órgãos credenciados pelo FSC: a certificação do manejo florestal, a qual certifica operações de manejo florestal que cumprem com os princípios e critérios do FSC, e a certificação de cadeia de custódia, a qual certifica as indústrias que 54 processam e vendem produtos florestais, rastreando a matéria-prima desde a floresta até o consumidor. (IMAFLORA, 2003a) A avaliação da floresta ou da cadeia de custódia não cessa com a concessão do certificado: a unidade continua a ser monitorada a cada dez meses, pelo menos e a certificação tem que ser renovada a cada cinco anos. Além disso, o FSC exerce um controle rigoroso de sua logomarca, impedindo o uso indevido do selo. Os custos diretos de uma auditoria florestal incluem o pagamento de uma visita de avaliação preliminar da certificadora escolhida, variando conforme o tamanho do empreendimento florestal. No caso da certificação de uma cadeia de custódia há também um pagamento anual. Os custos indiretos dependem da situação prévia à obtenção do selo: quanto mais distante o manejo estiver daquilo que é exigido, maior será o custo da adequação. No caso do manejo florestal, por exemplo, pode ser necessário aumentar os gastos com pessoal, maior monitoramento da floresta, planejamento adicional do manejo, maior inventário e mudanças no método do cultivo. Já na cadeia de custódia, pode ser necessário criar espaço adicional para a separação dos produtos e proporcionar capacitação do pessoal para assegurar a separação adequada dos produtos certificados, dos não certificados. Além das técnicas de manejo propriamente ditas, o FSC exige o cumprimento às leis vigentes, o que implica pagamento em dia de todos os impostos e regularização da situação funcional dos trabalhadores. Por outro lado, existem hoje várias florestas manejadas por empresas ou comunidades no País que estariam aptas a obter o selo FSC sem maiores despesas, pois já adotam a maior parte das práticas exigidas. 55 No quadro 6, é possível verificar, de maneira resumida, os possíveis benefícios advindos da certificação: Quadro 6 : Certificação do FSC - Possíveis Benefícios Benefícios econômicos Benefícios ambientais Benefícios sociais § Permite ao proprietário saber exatamente quantas árvores, e de quais espécies, ele possui e quando cada uma estará disponível para colheita; § Aumenta o rendimento da floresta; § Gera vantagem competitiva; § Facilita o acesso a novos mercados; § Desenvolve e melhora a imagem pública da empresa e o espírito de equipe de seus empregados. § Contribui para a conservação da biodiversidade e seus valores associados: recursos hídricos, solos, paisagens e ecossistemas únicos e frágeis; § Mantém as funções ecológicas e a integridade das florestas; § Protege as espécies ameaçadas, ou em perigo de extinção, e seus hábitats. § Legaliza a atividade; § Promove o respeito aos direitos dos trabalhadores, povos indígenas e comunidades locais; § Contribui para a redução de acidentes de trabalho em decorrência da introdução das normas de segurança e prevenção; § Melhora as condições de trabalho; § Cria um novo espaço de participação para os trabalhadores e povos da floresta na definição dos padrões e no monitoramento das operações certificadas; § Elimina o trabalho forçado e a mão de obra infantil; § Qualifica a mão de obra. Fonte: FSC (2003) 6.2 Certificação da Produção Agrícola A produção agrícola também pode ser certificada, uma vez que diferencia produtores e empresas que manejam plantações tendo o conceito de sustentabilidade como referência, considerando critérios tanto econômicos como ambientais e sociais. Desta maneira, se garante ao consumidor que o produto que está sendo comprado provém de áreas bem manejadas e que não está se incentivando a degradação de recursos naturais. A Conservation Agriculture Network (CAN) congrega certificadores independentes, sem fins lucrativos, como o Imaflora no Brasil. Os membros da CAN trabalham de acordo com os padrões desenvolvidos conjuntamente pelos membros da rede 56 e utilizam o certificado e selo socioambiental ECO-O.K.®, com grande reconhecimento no mercado norte-americano. (IMAFLORA, 2003b) Segundo o Imaflora (2003b) ao cumprir os padrões do PCA/CAN, há a possibilidade de obter os seguintes benefícios: § assegurar a sobrevivência de longo prazo dos recursos naturais, reduzindo o impacto da atividade agrícola, promovendo a produção agrícola sustentável e proporcionando benefícios econômicos e sociais estáveis a longo prazo ao empreendimento e às comunidades locais. § atingir novos mercados ou expandir os antigos explorando nichos de mercado específicos. § melhorar sua imagem junto aos consumidores e sociedade, enfatizando sua responsabilidade sócio-ambiental. § acesso a fontes de financiamento nacionais e internacionais, públicas e privadas, que cada vez mais tem sido condicionado à performance ambiental e social dos empreendimentos. A certificação tem sido considerada como um importante parâmetro para diversas fontes de financiamento. 57 CAP. III - METODOLOGIA Introdução Este capítulo é dedicado à apresentação da metodologia utilizada neste estudo. Inicialmente, são apresentadas as perguntas a serem respondidas e o tipo de pesquisa realizado. Em seguida, indica-se a forma de coleta e análise dos dados. Finalmente, apresentam-se as limitações do estudo. O objetivo principal do presente estudo é o de investigar a criação e o desenvolvimento de produtos, com base no conceito de desenvolvimento sustentável, ou seja, que equilibram os pontos de vista econômico, social e ambiental. São descritas e analisadas as ações da Natura, empresa da iniciativa privada brasileira, atuante no setor de Perfumaria, Higiene Pessoal e Cosméticos, que optou por desenvolver e implementar um projeto que apresenta características suficientes para a classificação do mesmo no conceito de desenvolvimento sustentável. Esse projeto, e foco desse estudo, é o lançamento da linha Natura Ekos. 58 1 Perguntas a serem respondidas As perguntas de pesquisa, adaptadas a partir das questões a serem respondidas no presente estudo e que orientaram o estudo de caso foram: § Qual a motivação para a criação e o lançamento da linha Natura Ekos? § Quais práticas gerenciais distintas das anteriormente existentes foram adotadas e como elas foram implementadas a fim de respaldar a preocupação com a responsabilidade social? § Quais foram os aspectos socioeconômicos, financeiros e ambientais que foram considerados? § Quais foram as principais dificuldades enfrentadas para o desenvolvimento da linha Natura Ekos? § Como o aprendizado do lançamento da linha Natura Ekos poderá afetar a estratégia da empresa? § Qual a percepção da empresa em relação ao valor agregado à sua imagem? 59 2 Tipo de Pesquisa Segundo Leite (1978, p. 15), “a especificação da metodologia de pesquisa é um dos mais sérios obstáculos que o aluno enfrenta nas etapas iniciais dos trabalhos de tese”. Gil (1988, p. 147) também concorda com esse fato ao afirmar que “a parte mais complexa na redação de um projeto de pesquisa é constituída, geralmente, pela especificação da metodologia a ser adotada”. Segundo Leite (1978, p. 15), “quase sempre a metodologia deve ser ajustada ao problema específico a ser focalizado na tese”. Buscou-se fazer um estudo de caráter exploratório que, segundo Vergara (1997), é realizado em áreas nas quais há pouco conhecimento acumulado e sistematizado e, por sua natureza de sondagem, não comporta hipóteses que, todavia, poderão surgir durante ou ao final da pesquisa. Goode e Hatt (1975, p. 433) complementam que “como pesquisa preliminar em qualquer campo, muitos investigadores usam um tipo de estudo do caso”. Segundo Yin (1989, p.14), os estudos de casos são cada vez mais usados como uma ferramenta de pesquisa. Segundo Gil (1988, p. 58), “o estudo de caso é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, de maneira que permita o seu amplo e detalhado conhecimento”. Selltiz et al. (1975, p. 60) afirmam que pode servir para aumentar o conhecimento do pesquisador acerca do fenômeno que deseja investigar em estudo posterior, mais estruturado. “O estudo de caso é uma pesquisa empírica que: investiga um fenômeno contemporâneo dentro do seu contexto na vida real, quando os limites entre o fenômeno e o contexto não são evidentemente claros e onde múltiplas fontes de evidências são utilizadas”. (YIN, 1989, p. 23) Gil (1988, p. 59 e 60) afirma que a sua maior utilidade é verificada nas pesquisas exploratórias e as suas principais vantagens são: a simplicidade dos 60 procedimentos, o estímulo a novas descobertas e a ênfase na totalidade, onde o pesquisador está voltado para a multiplicidade de dimensões de um problema, focalizando-o como um todo. Segundo Vergara (1997), o estudo do caso é circunscrito a uma ou poucas unidades, entendidas essas como uma pessoa, uma família, um produto, uma empresa, um órgão público, uma comunidade ou mesmo um país. Tem caráter de profundidade e detalhamento. Pode ou não ser realizado no campo. Schnelle (1967, p.149) também afirma que o estudo de caso é utilizado freqüentemente para investigar detalhes de um simples evento ou de um grupo de eventos correlatos com elevado grau de detalhes. 61 3 Coleta dos Dados Segundo Gil (1988, p. 50), “a principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente”. O mesmo autor também sugere que, para reduzir a possibilidade de reproduzir ou mesmo ampliar erros oriundos da utilização de fontes secundárias que porventura apresentam dados coletados ou processados de forma equivocada, convém aos pesquisadores assegurarem-se das condições em que os dados foram obtidos, analisar em profundidade cada informação para descobrir possíveis incoerências ou contradições e utilizar fontes diversas, confrontando-as cuidadosamente. Yin (1989, p. 86) também faz essa ressalva ao afirmar que os documentos devem ser cuidadosamente utilizados, não devendo ser tomados como descrições literais dos eventos em estudo. Segundo o mesmo autor, para o estudo de casos, a maior utilidade dos documentos é a possibilidade de validação e acréscimo de evidências de diversas fontes. Nem sempre fica clara a distinção entre a pesquisa bibliográfica e a documental, pois a diferença essencial entre ambas está na natureza das fontes. Gil (1988, p. 51), conceitua essa diferença: “Enquanto a pesquisa bibliográfica se utiliza fundamentalmente das contribuições dos diversos autores sobre determinado assunto, a pesquisa documental vale-se de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetos da pesquisa... Incluem-se aqui inúmeros outros documentos como cartas pessoais, diários, fotografias, gravações, memorandos, regulamentos, ofícios, boletins etc. ... De outro lado, há os documentos de segunda mão, que de alguma forma já foram analisados, tais como: relatórios de pesquisa, relatórios de empresas, tabelas estatísticas etc.”. A pesquisa documental é uma fonte rica e estável de dados, de custo significativamente baixo, não exige necessariamente o contato com os sujeitos 62 da pesquisa, que em muitos casos é difícil ou até mesmo impossível. Sem falar de quando a informação proporcionada pelos sujeitos é prejudicada pelas circunstâncias que envolvem o contato. No entanto, as críticas mais freqüentes a este tipo de pesquisa referem-se à não-representatividade e à subjetividade dos documentos. (GIL, 1988) Os procedimentos mais usados para a coleta de dados no estudo de caso são: a observação, a análise de documentos, a entrevista e a história de vida, sendo que, normalmente, utiliza-se mais de um procedimento. Os procedimentos utilizados nesta pesquisa para a coleta de dados foram: a análise de documentos e a entrevista. Segundo Yin (1989, p.20), um ponto forte singular do estudo de caso é a possibilidade de lidar com uma extensa variedade de evidências, tais como documentos, artefatos, entrevistas e observações. A coleta de dados sobre a empresa teve início com a pesquisa e análise de documentos e material produzido pela Natura (relatórios, apresentações em PowerPoint, vídeos institucionais, vídeos específicos para a força de vendas, além de material abundante disponível no site da empresa). Foram pesquisados, ainda, artigos de revistas (principalmente Exame), jornais (principalmente Gazeta Mercantil). Também foram conduzidas pesquisas livres através de buscadores na internet (principalmente o Google), que auxiliaram na elaboração de um roteiro de entrevistas, construído com perguntas abertas de forma semi-estruturada, objetivando o direcionamento da entrevista para os aspectos mais relevantes do estudo. O roteiro de entrevistas utilizado se encontra no anexo 1. A entrevista é considerada, por muitos autores como a técnica por excelência na investigação social, possuindo grande flexibilidade. Gil (1989, p.113) a 63 define como “uma forma de diálogo assimétrico, em que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação”. O mesmo autor relaciona como principais limitações das entrevistas: “A falta de motivação do entrevistado para responder perguntas que lhe são feitas, a inadequada compreensão do significado das perguntas, o fornecimento de respostas falsas, determinadas por razões conscientes ou inconscientes, inabilidade ou mesmo incapacidade do entrevistado para responder adequadamente, em decorrência de insuficiência vocabular ou de problemas psicológicos, a influência exercida pelo aspecto pessoal do entrevistador sobre o entrevistado, a influência das opiniões pessoais do entrevistador sobre as respostas do entrevistado, os custos com o treinamento de pessoal e a aplicação das entrevistas”. (GIL, 1988, p. 114 e 115) Segundo o autor, muitas dessas limitações intervêm na qualidade das entrevistas, mas podem ser contornadas em função da flexibilidade própria das mesmas. A entrevista foi feita com a Srta. Juliana Gomiero, gerente de produto da linha Natura Ekos, sendo gravada com a sua permissão, visando evitar perda de informações e detalhes importantes, bem como economizar tempo e limitar as anotações ao estritamente necessário. Goode e Hatt (1975, p. 266) recomendam que “tanto quanto possível, as palavras exatas do informante devem ser registradas. Não devem ser corrigidas na sua gramática ou significado”. Durante a entrevista, procurou-se estimular o enriquecimento das respostas através de comentários e citações espontâneas de aspectos relevantes ao trabalho que, por motivos diversos, não puderam ser previstos. A entrevista foi realizada em junho de 2001, no novo complexo industrial da Natura - chamado Novo Espaço Natura (NEN), localizado no município paulista de Cajamar. 64 Também foi feita uma entrevista por telefone com o responsável técnico pelo processo de certificação da Natura, Sr. Marcelo Caffer, engenheiro agrônomo, da Divisão de Certificação do Imaflora, que posteriormente complementou algumas respostas por correio eletrônico. Além disso, diversas declarações de diversos funcionários foram utilizadas a partir de entrevistas concedidas a revistas, jornais, internet, etc., tendo suas fontes documentais referenciadas à medida que foram inseridas no estudo. 65 4 Análise dos Dados “O conhecimento científico é objetivo porque descreve a realidade independentemente dos caprichos do pesquisador. É racional porque se vale sobretudo da razão, e não de sensação ou impressões, para chegar a seus resultados”. (GIL, 1989, p. 21) As pessoas em geral não escolhem ou propõem suas idéias e seus problemas por processos aleatórios. Porém, o caráter científico da resposta ou da teoria que o pesquisador produz não é necessariamente afetado pelo fato de estar interessado ou comprometido com um problema. O processo científico, asséptico e isento determina a legitimidade da sua idéia em termos de sua coerência lógica e da correspondência entre a elaboração conceitual e o resultado da observação. (CASTRO, 1978) “Na explicação de um determinado conjunto de observações ou eventos, freqüentemente encontramos coexistindo mais de uma explicação ou teoria, sem que seja possível demonstrar que alguma dela é definitivamente mais adequada... Obstinadamente buscamos ordem, buscamos recorrências, buscamos generalizações lógicas que nos permitam organizar os dados e organizar nossa visão do mundo... O pesquisador opera como se não ti vesse outro objetivo que não o de decifrar a realidade. Mas seu sucesso, em última análise, será dado pela utilidade prática que algum dia possa ter essa sua maneira peculiar de decifrar o mundo real”. (CASTRO, 1978, p. 5 e 7) A análise dos dados foi feita à luz da revisão de literatura, com dois objetivos básicos: responder às perguntas do estudo e traçar um paralelo, na medida do possível, entre a estratégia adotada no lançamento da linha Natura Ekos com a base teórica apresentada na revisão de literatura. Segundo Gil (1989, p. 194), “as conclusões constituem o ponto terminal da pesquisa, para o qual convergem todos os passos desenvolvidos ao longo de seu processo”, sendo conveniente indicar as questões que não puderam ser respondidas pela pesquisa, as que surgiram com seu desenvolvimento, além de sugerir pesquisas futuras que possam respondê-las. 66 5 Limitações do Método Segundo Vergara (1997, p.59), “todo método tem possibilidades e limitações”. O presente estudo, por sua natureza exploratória, e pelo método utilizado - o estudo de caso, tem seus resultados restritos ao caso estudado, não permitindo, portanto, generalizações. Rocha (s.d., p. 2) também afirma que o método do caso não se propõe a encontrar regularidades empíricas, e, portanto, não prete nde chegar a generalizações. Gil (1988, p. 60) ressalta esta impossibilidade de generalização dos resultados obtidos como a maior limitação do estudo do caso. “Ao contrário do que ocorre com os levantamentos e os estudos experimentais ou quase experimentais, para o estudo de caso não se pode falar em etapas que devem ser observadas no processo de análise e interpretação dos dados. Isto tende a provocar duas situações distintas, mas igualmente desfavoráveis para a pesquisa. A primeira consiste em finalizar a pesquisa com a simples apresentação dos dados coletados. A segunda consiste em partir dos dados diretamente para a interpretação, ou seja, para a procura dos mais amplos significados que os dados possam ter”. (GIL, 1987, p. 123) Destacam-se, ainda, como limitações ao estudo, as percepções distintas de cada entrevistado em relação às questões apresentadas e o seu grau de envolvimento pessoal, ambos dependentes de: § Avaliação pessoal quanto à importância e utilidade do estudo; § Familiaridade com o método de pesquisa; § Possíveis interrupções durante as entrevistas. Por outro lado, deve-se igualmente considerar as diferentes percepções por parte do entrevistador durante as entrevistas (as quais não reproduzem necessariamente a realidade), de sua capacidade de participação e de seletividade no processo. Além de todas as limitações apontadas, no caso deste trabalho, houve uma limitação adicional no que tange a entrevista, que foi realizada antes da edição 67 da MP 2186-16, de 23 de agosto de 2001, que regulamenta a Convenção sobre Diversidade Biológica, dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado, a repartição de benefícios e o acesso à tecnologia e transferência de tecnologia para sua conservação e utilização. O conhecimento dessa medida provisória poderia contribuir com alguns pontos-chave do caso estudado, sendo importante que fosse abordada durante a entrevista. Este estudo não é atemporal nem exaustivo, pois não permitirá inferir muito sobre a conti nuidade ou prováveis mudanças de estratégia da empresa entrevistada no futuro. 68 CAP. IV - ESTUDO DE CASO Introdução “É uma empresa [Natura] que tem conjugado arrojo nas idéias (obsessão por ética, por exemplo) com uma notável capacidade de crescer em situações teoricamente adversas”. (BLECHER, 1998) A Natura é uma empresa brasileira, fundada em 1969, com sede em São Paulo. É o maior centro de pesquisa e desenvolvimento cosmético do Brasil, atuando em cerca de 4.500 municípios, em todas as regiões do Brasil, além de países da América do Sul como Argentina, Chile, Peru e Bolívia. Segundo o ranking da Melhores e Maiores de 2001, publicado na revista Exame, é a 4a entre as empresas do setor de higiene e limpeza (receita operacional bruta), 128a entre as 500 maiores empresas brasileiras, 59a, considerando-se somente as empresas cujo controle acionário é brasileiro. Em 1992, a Natura sequer fazia parte deste ranking. (NETZ, 1997; MAIORES E MELHORES, 2002) A Natura vive num ambiente que mistura competição e intensa transformação. Na época em que a Natura surgiu, existia uma clara divisão no mercado de cosméticos e perfumaria: de um lado, produtos de massa, baratos, encontrados nas drogarias e supermercados e do outro, a categoria dos cremes e fragrâncias artesanais de luxo, dominada por empresas especializadas. Porém isso mudou: atraídos pelas margens elevadas nesse segmento, gigantes como a Unilever e a Procter & Gamble entraram nesse mercado e passaram a investir milhões de dólares, tanto em tecnologia quanto na aquisição de empresas e marcas, buscando um caminho mais rápido para crescer. (BLECHER, 1998) O Brasil é o quinto mercado mundial de higiene e beleza e, o sexto em vendas de cosméticos, mas também é o 27o pelo critério de consumo per capita, sugerindo que existe um enorme potencial de crescimento desse mercado. (BLECHER, 1998) 69 1 Histórico 1.1 Final dos Anos 60 Antonio Luiz da Cunha Seabra obteve seu primeiro emprego ainda na adolescência: era calculista de custos industriais numa gráfica na qual seu pai trabalhava como chefe de almoxarifado. Formado em Economia, deixou para trás um emprego relativamente seguro na divisão de barbeadores da Remington para trabalhar na administração de um pequeno laboratório do empresário francês Pierre Berjeaut, em São Paulo. Paralelamente ao trabalho no escritório, começou a se interessar por cosméticos e bioestética. Segundo Luiz Seabra, em entrevista concedida à revista Exame (BLECHER, 1998), "Foram dois momentos decisivos para mim. Primeiro, quando comecei a descobrir as possibilidades dos cosméticos na vida das pessoas. Depois, quando vislumbrei nisso uma oportunidade de negócio". Em 1969, aos 28 anos, recebeu um convite do filho de Pierre Berjeaut, JeanPierre Berjeaut, para ser seu sócio e montar um novo laboratório. Com um capital de 9.000 dólares, que equivalia na época a um carro popular, formulações de cosméticos, dadas a Jean-Pierre pelo pai e sete funcionários trabalhando precariamente, em um prédio de fundo de quintal, no bairro da Vila Mariana, em São Paulo, nascia a Natura. Segundo Luiz Seabra, em entrevista concedida à revista Exame (BLECHER, 1998), "Nossa maior riqueza era o sonho, acreditar no sonho". Mais tarde, os dois reformaram uma antiga borracharia e montaram uma lojinha; uma espécie de butique de luxo do ramo, conhecida por alguns poucos iniciados; atraídos pelas virtudes terapêuticas e pelo conteúdo naturalista de seus cremes e loções. Responsável pela administração da empresa e pela formulação dos cremes, Luiz Seabra, que entrara na sociedade com o trabalho e recebera 20% do capital, atendia também no balcão. Ali, Luiz Seabra dava consultas estéticas, explicando às clientes como usar corretamente os cremes 70 manipulados. Foram anos difíceis. Várias vezes não havia dinheiro nem sequer para pagar a conta de luz. 1.2 Anos 70 Nos primeiros anos, as limitações de capital e a dificuldade de reproduzir em maior escala o atendimento personalizado se contrapunha à experiência bem sucedida das clientes, que levavam os produtos e os conceitos da Natura a mais e mais pessoas. A Natura começou realmente a crescer a partir da segunda metade da década de 70, quando adotou o sistema de venda direta. Em 1974, a opção pela venda direta surgiu como a alternativa que viabilizaria o crescimento da empresa, apoiado na força das relações pessoais, que fazia chegar seus produtos à clientela. Nascia assim, a consultoria Natura. No entanto, a produção e a distribuição teriam que ser otimizadas e, a partir dessa constatação, em outubro de 1974, foi criada a Pró-Estética Comércio de Produtos Cosméticos Ltda, tendo Luiz Seabra e Yara do Amaral Pricoli - uma executiva com extensa experiência em vendas diretas, como sócios. A Pró-Estética era responsável pela distribuição dos produtos no Estado de São Paulo. Com o foco na força de vendas, a Natura passou, em pouco tempo, a alcançar valores expressivos no mercado. Em 1976, a empresa contava com 300 consultoras, treinadas e acompanhadas por 8 promotoras. Em 1979, a expansão e divulgação dos produtos da Natura em todo o país foram possíveis com a criação da Meridiana Comércio Administração e Participações Ltda, tendo Guilherme Peirão Leal, Jean-Pierre e Ronuel Macedo de Mattos como sócios. Guilherme Leal era formado em Administração e, por uma mudança no governo, havia acabado de perder seu emprego em uma empresa ferroviária pública. A empresa passa a contar com 1.000 consultoras e o volume de negócios atinge US$ 5 milhões. Também nesse ano, a Natura 71 entra no mercado masculino, com o lançamento da Linha Sr. N, composta pelo Creme de Barbear e Gel após Barba. 1.3 Anos 80 No começo dos anos 80, ela ainda não passava de um traço no ibope do mercado brasileiro de cosméticos. Sem tradição para penetrar no varejo, o número de consultoras chega a 2.000 e as vendas anuais mal ultrapassavam os 5 milhões de dólares. Com o objetivo de conquistar o mercado de maquilagem e perfumaria, foi criada em 1981 a L'arc en Ciel, para a produção de linhas de maquilagem. Buscando o crescimento do volume de vendas dos produtos Natura, em 1982 é criada a Eternelle, distribuidora exclusiva no Rio de Janeiro, contando com a participação acionária de Guilherme Leal e Yara Pricoli. Em 1983, Pedro Passos, engenheiro de produção que havia trabalhado junto com Guilherme Leal na empresa ferroviária, foi contratado para chefiar a área industrial da L'arc en Ciel. Em 1984, a L'arc en Ciel passou a produzir para terceiros e, como esses produtos não poderiam ter a mesma marca, a razão social da empresa passou a ser YGA Industrial e Comercial de Cosméticos Ltda, cujos proprietários eram Yara Pricoli, Guilherme Leal e Anízio Pinotti. Em 1985, o número de consultoras aumenta para 13 mil e o volume de negócios atinge US$ 36 milhões. Em 1988, o volume de negócios praticamente triplica, chegando a marca de US$ 100 milhões; o número de consultoras chega a 23 mil. Ao contrário da maior parte das empresas brasileiras que andaram de lado durante todo esse período - chamado posteriormente de década perdida - a Natura prosperou, multiplicando o seu tamanho 30 vezes. O mercado fechado 72 impedia a entrada e o assédio de novos competidores e a sua principal concorrente, a Avon, não reagiu, deixando-lhe campo livre para prosperar. Após divergências no comando da empresa, no final dos anos 80, o sóciofundador, Jean-Pierre, se retira da mesma. Em 1989, a Natura fez o percurso inverso de conglomerados que se fragmentam em unidades de negócios: as cinco empresas se fundiram, transformando-se em um só empreendimento, tendo Luiz Seabra, acionista majoritário, na presidência do Conselho Administrativo. A holding nasceu para acabar com o descompasso entre produção e distribuição, contribuindo para a transposição da barreira de pequenas empresas semi-autônomas. 1.4 Anos 90 Em 1990 foi criado o SNAC - Serviço Natura de Atendimento ao Consumidor. Suas metas eram: reforçar a imagem da Natura, como marca conceitual de qualidade, junto aos consumidores; facilitar o acesso dos consumidores à empresa; manter a empresa informada sobre a reação dos consumidores junto a seus produtos; auxiliar, no sentido de detectar oportunidades e tendências de mercado, quanto à criação e desenvolvimento de novos produtos; acompanhar e manter a empresa informada sobre os movimentos do mercado consumidor. Entre 1990 e 1992, por força da combinação do congelamento do Plano Collor e da recessão, a Natura perdeu um terço de sua receita. Um contingente de 15% dos 1.800 funcionários foi demitido. Ao contrário da maior parte das empresas que se encolheram, a Natura logo pôs em prática uma estratégia ofensiva. Luiz Seabra e Guilherme Leal compraram por 25 milhões de dólares os 26% de participação de uma outra acionista importante, Yara Pricolli. Luiz Seabra ficou com 37,9% do capital da Natura e Guilherme Leal, com um pouco menos, 36%. (NETZ, 1997) 73 Capitalizada por anos seguidos de prosperidade, a Natura começou a década de 90 com uma revolução corporativa através do recrutamento de veteranos de multinacionais para integrar a diretoria. Até então, a Natura era uma típica empresa de donos, cujas tarefas principais costumavam ser distribuídas entre os sócios. Segundo Guilherme Leal, em entrevista concedida à revista Exame (NETZ, 1997), o reconhecimento de que a empresa ficara maior que seus donos foi decisivo para os passos seguintes, "Se não déssemos um choque de sangue, trazendo gente de fora, correríamos o risco da estagnação". Foram recrutados executivos com experiência no mercado de consumo, principalmente em multinacionais e, de preferência, da concorrência. A idéia era atrair gente que tivesse o potencial empreendedor exigido por uma empresa jovem mas, ao mesmo tempo, familiarizada com as modernas técnicas de controle e administração das grandes corporações estrangeiras. A Natura trouxe para dentro de casa experiências multidisciplinares bemsucedidas de multinacionais em vários setores, aprendendo com erros alheios e ganhando tempo. Segundo Pedro Passos, em entrevista concedida à revista Exame (NETZ, 1997), "A renovação e a diversidade nos permitem fazer um benchmarking permanente. Muitos problemas que são novos para nós já foram enfrentados por eles em suas empresas de origem". Pedro Passos é o diretor-superintendente da Natura. Na divisão interna de trabalho, ele é o responsável pelo comando das operações. Luiz Seabra e Guilherme Leal, afastados da maior parte das tarefas do dia-a-dia, respondem pelos temas estratégicos. Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos são pessoas com formações e competências complementares. Numa reportagem da revista Exame (BLECHER, 1998), Guilherme Leal foi comparado à cabeça da empresa, Pedro Passos, aos braços e pernas e Luiz Seabra, à alma e memória dos conceitos vencedores da empresa. Segundo Luiz Seabra: “A gestão não seria tão vigorosa e eficaz se fosse baseada na personalidade de um único líder. O mercado se tornou tão complexo que um líder deve hoje dominar diferentes linguagens, precisa atuar com sensibilidade de um lado e com pragmatismo americano de outro". (BLECHER, 1998) 74 A Central de Atendimento Natura – CAN – iniciou suas atividades em 1993, oferecendo os seguintes serviços às consultoras e promotoras de vendas: captação de pedidos, operação e gestão da notificação sobre o faturamento, informações em geral sobre crédito, cobrança, transporte, promoções, amostras e brindes, além de ser um canal de sugestões e opiniões. Entre 1992 e 1996, as vendas de cosméticos, graças ao impulso do Plano Real, cresceram 2,8 vezes no Brasil. De 2 bilhões de dólares, aumentaram para 5,7 bilhões de dólares. Nesse período, o volume de negócios da Natura passou de 170 milhões de dólares para 835 milhões de dólares. Quase quintuplicou em quatro anos. (NETZ, 1997) A internacionalização da Natura foi iniciada em 1994, ano em que comemorou 25 anos de existência, expandindo gradualmente, com centros de distribuição e formação de consultoras na Argentina, no Chile e no Peru. O crescimento experimentado pela Natura evidenciou que a fábrica em Itapecerica da Serra, SP, e o centro de distribuição em São Paulo não mais atendiam suas necessidades. Foi para adaptar-se a essa nova realidade e preparar-se para o futuro que a empresa investiu em um novo complexo industrial, auto-suficiente em geração de energia, chamado Novo Espaço Natura (NEN), localizado num terreno de 650.000 m2, com 77.000 m2 de área construída, no município paulista de Cajamar, conhecido por adotar rigorosas regras de ocupação do solo. (PERFIL NATURA) Em 1998, iniciaram-se as obras: os investimentos em construção, máquinas, equipamentos e logística somaram cerca de R$ 200 milhões, reunindo as quatro linhas de produção da Natura (perfumes, cremes, maquilagens e xampus), centro de pesquisa e desenvolvimento de produtos, armazéns e centros de distribuição. A capacidade instalada para a produção é de 150 milhões de unidades, podendo ser duplicada, conforme a expansão das vendas. O NEN foi ina ugurado em 2000 e de acordo com a empresa, possibilitou: 75 § receber consultoras e visitantes em suas instalações de forma segura e sem comprometer a rotina; § garantir o bem estar de seus colaboradores, oferecendo instalações que propiciem um ambiente seguro, adequado e prazeroso para a execução de suas tarefas – a arquitetura do novo espaço Natura integra jardins, praças de esporte, berçário, centros de convivência, escritórios e espaços operacionais, com uma floresta nativa, que propicia um saudável cotidiano; § aumentar sua capacidade de produção e distribuição; § produzir produtos de melhor qualidade e com preços mais competitivos ao incorporar as mais modernas tecnologias disponíveis no mercado; § permitir a total gestão da empresa e sua integração com o mercado através de meios de comunicação de última geração; § uma perfeita integração ao meio ambiente, voltada para sua preservação e melhoria, otimizando recursos naturais; § uma relação benéfica com a comunidade e parcerias em projetos sociais. Em 1998, o volume de negócios foi de US$ 988 milhões e o número de consultoras era de 234 mil. A Revista Exame, que escolhe anualmente as 500 maiores empresas do Brasil, elegeu a Natura a melhor empresa do país. 1.5 2000 – Dias Atuais O ano de 2000 é marcado por reconhecimentos, dos mais diversos setores científicos, empresariais e comunicacionais. A partir de um estudo da Revista Exame, a Natura é eleita, pela primeira vez uma das “Melhores Empresas Para Você Trabalhar” e fica em segundo lugar na lista das Dez Empresas Mais Admiradas do País, pela Revista Carta Capital; ao mesmo tempo, é eleita, pelo 3º ano consecutivo, a “Empresa Mais Admirada do Setor de Cosméticos”. A Natura encerrou 2000 com volume de negócios da ordem de US$ 418 milhões, registrando crescimento de 20% em relação ao ano anterior. Vendeu 81 milhões de unidades de cosméticos. Lançamentos fundamentados em 76 plataformas altamente tecnológicas e na pesquisa e uso do potencial da biodiversidade brasileira, além da entrada em operação do novo website (natura.net), com uma estrutura robusta de e-services, e-business e ecommerce, garantiram o desempenho positivo da empresa. A Natura inovou o mercado com o lançamento de embalagens em braile dos produtos da Linha Erva Doce, reforçando a preocupação da empresa com os aspectos sociais de responsabilidade corporativa. Um ano após o lançamento do natura.net, a empresa foi vencedora do prêmio iBest na categoria Higiene, Limpeza e Farmacêutica, em junho de 2001. Este prêmio é o maior do mercado de internet do país e a votação é feita pelos internautas. Em junho de 2001, a Natura divulga seu primeiro Relatório Anual de Responsabilidade Corporativa, reforçando os valores e crenças da empresa e colocando, em âmbito público, questões que interessam à sociedade contemporânea. Este relatório apresenta um balanço das atividades e iniciativas da empresa, no decorrer do ano de 2000, nos campos ambiental, econômico e social. O Serviço de Atendimento da Natura é referência para o mercado brasileiro. Nos anos de 2000 e 2001, a empresa foi premiada em Excelência de Serviço pela revista Consumidor Moderno. 77 2 Canal de Distribuição – Venda Direta 2.1 A Consultora Natura A Natura leva os seus produtos através de consultoras, que apresentam e recomendam os seus conceitos, produtos e serviços, de maneira adequada a cada cliente, respeitando seus interesses, suas necessidades e conveniência. Por acreditar no potencial dos indivíduos e na força das relações, com o tempo, a relação cliente/consultora naturalmente evolui, criando um clima de confiança, proximidade e enriquecimento mútuo. Faith Popcorn, uma das mais reputadas especialistas americanas em tendências de comportamento, diz que "As mulheres vão querer relacionar-se com empresas que reconheçam diretamente a realidade de suas vidas. Em vez de diálogos rápidos, estarão buscando aquelas que se comuniquem com honestidade". (BLECHER, 1998) As 250.000 consultoras são uma espécie de produto híbrido. Funcionam, ao mesmo tempo, como canal e como clientes fiéis, e é isso que tem movido o negócio de venda direta há mais de 100 anos. Elas precisam comprar uma quantidade mínima de produtos todos os anos para continuar fazendo parte do sistema e sendo remuneradas por ele. Consumidores comuns não têm esse vínculo. Algumas informações gerais sobre venda direta se encontram no anexo 2. Com a maior média de remuneração da venda direta no Brasil - e considerada uma das maiores do mundo, a consultora Natura tem, por parte da empresa, serviços exclusivos, eficientes e flexíveis. Ela conta sistematicamente com material de apoio, bem como assessoria, reciclagem e orientação, através de cursos e da presença pessoal das promotoras de venda. A qualidade do 78 relacionamento da Natura com suas consultoras e consultores faz com que tenha o menor turn-over entre as empresas de venda direta. A Natura promove permanentemente cursos sobre produtos e técnicas de atendimento, além de cursos avançados, importantes para o desenvolvimento e capacitação da consultora Natura e sua valorização profissional. A Natura também desenvolve materiais de apoio que além de facilitar o atendimento personalizado – amostras, folhetos e demonstradores das linhas de maquilagem e perfumaria, dão apoio ao processo de consultoria. A consultora tem à sua disposição o CAN – Centro de Atendimento Natura, que oferece suporte e orientação durante 14 horas por dia, fortalecendo sua relação com a empresa. Com seus 400 operadores atendendo cerca de 420 mil chamadas por mês, além de captar seus pedidos no dia e horário de sua conveniência, o CAN fornece informações sobre prazo de entrega, faturamento, promoções, lançamentos e ainda recebe sugestões, elogios e críticas. Estes mesmos serviços e muitos outros estão à disposição das consultoras em uma área exclusiva de relacionamento, na Internet. Elas contam também com o Assistente Natura, um software desenvolvido especialmente para facilitar sua atividade, proporcionando mais qualidade, profissionalismo e agilidade no atendimento aos clientes. Na Natura, um pedido passado via telefone custa dez vezes mais que outro transmitido on-line. Há um aspecto mais filosófico, mas igualmente ligado a resultados, por trás da estratégia da Natura, que segue a tendência que, nos Estados Unidos, vem sendo chamada de high-tech/high-touch (alta tecnologia/ alto contato humano). A Natura investiu bastante em tecnologia sem tirar as consultoras de cena para não romper o vínculo com milhares de consumidores, desejosos em fazer da compra de um produto uma experiência de 79 relacionamento. Segundo Pedro Passos, em entrevista concedida à revista Exame (VASSALO, 2000), "Ter consultoras a nosso lado só agrega valor a nosso produto". É por intermédio do seu canal de vendas diretas que a Natura consegue chegar a regiões em que o varejo organizado ainda não fincou suas bases. Segundo Pedro Passos, em entrevista concedida à revista Exame (NETZ, 1997), "Podemos antecipar tendências de consumo que só mais tarde o comércio irá detectar". Outro ponto favorável da venda direta em relação ao comércio tradicional: a Natura consegue livrar-se das penosas negociações do business to business, em torno de questões como preço e política comercial, a que são obrigadas concorrentes como a P&G, a Gessy Lever e a L'Oréal. Segundo Pedro Passos, em entrevista concedida à revista Exame (NETZ, 1997), "Com a prática de estoques baixos, o varejo tradicional tende a trabalhar apenas com os itens de maior rotatividade, deixando de lado o restante da linha. Com a rede de consultoras há um melhor balanceamento das vendas". No curto prazo, o canal de vendas funciona como uma barreira de proteção para novos entrantes. As consultoras, no sistema de venda direta, funcionam também como uma espécie de trunfo logístico. Em 2000, a Natura vendeu cerca de 80 milhões de unidades, entre batons, xampus, cremes e perfumes. Desse total, apenas 3 milhões de pedidos foram processados e entregues por ela mesma. Cada revendedora foi responsável, em média, pela compra e pela distribuição de 25 produtos por mês. Mudar essa estrutura significa mudar todo o processo logístico da empresa. Os 15.000 pacotes feitos todos os dias nos armazéns da Natura seriam multiplicados muitas vezes. O mesmo aconteceria com as rotas de distribuição. Segundo José Augusto Rodrigues da Silva, vice-presidente da ABEVD, em entrevista concedida à revista Exame (VASSALO, 2000), "É muito fácil vender um batom, pela Internet, para um consumidor do Amazonas. Mas quanto custaria à empresa levar esse produto até lá? Usar o canal tradicional, num caso como esse, é muito mais efetivo". 80 3 A marca Natura e as crenças da empresa A marca é a cultura, o nome, a imagem e acima de tudo, o jeito de ser da Natura. É como a Natura contribui para a sociedade e marca sua presença; um jeito de ver o mundo e agir sobre ele, levando-a a agir de uma forma que a identifica e diferencia. (VISÃO DE MUNDO NATURA) A Marca Natura é: § tudo o que é feito: um produto, uma reunião, um curso, um anúncio, uma festa e, § o como é feito: intenção, consciência, beleza e compromisso. (VISÃO DE MUNDO NATURA) O comportamento, manifestação da visão de mundo e expressão de crenças e razão de ser, é representado de forma sintetizada pelos valores de marca da Natura: § Humanismo – cultivo e valorização das relações e do potencial humano, respeitando e estimulando a individualidade que enriquece a diversidade. § Criatividade e equilíbrio, inspirando-se no equilíbrio e dinâmica da natureza; percebendo o homem como parte da natureza, com a qual deve se harmonizar e valorizar a sua interação com ela. Busca aliar consciência e competência, discurso e prática, ética e estética. § Transparência – claro, evidente, que se deixa conhecer – vive seus processos abertamente, contra ambigüidades, manipulações e discriminação em todas as relações. (RELATÓRIO..., 2000) As crenças da Natura são: § A vida é um encadeamento de relações. Nada no universo existe por si só, tudo é interdependente. A Natura acredita profundamente que na percepção da importância das relações exista a oportunidade de uma grande revolução humana na busca da paz, da harmonia e da beleza do ser. § A busca permanente do aperfeiçoamento é que promove o desenvolvimento dos indivíduos, das organizações e da sociedade. No mundo, cada ser, cada organização, cada país, tem potencial para se aperfeiçoar e para 81 aperfeiçoar suas ações. A Natura acredita que o processo de busca desse aperfeiçoamento é sempre gerador de conquistas, enriquecimento e sabedoria. § O compromisso com a verdade é o caminho para o aperfeiçoamento e a qualidade das relações. Na sociedade de consumo em geral e no mundo dos cosméticos em particular, tem prevalecido o engano, o ilusório, o falso, na busca do êxito a qualquer preço. A sociedade perde assim a oportunidade de viver relações baseadas em verdades, que personalizam e aperfeiçoam indivíduos e organizações. A Natura acredita que o compromisso com a verdade é o caminho para uma evolução, transformadora, em todas as relações, tanto pessoais quanto de mercado. § Quanto maior a diversidade maior a riqueza e vitalidade de todo o sistema, de toda a rede de relações. É assim na ecologia ambiental. Assim é também na ecologia das relações humanas. A Natura acredita que do cultivo da interação entre os diferentes gera-se a energia necessária à evolução dos indivíduos, das organizações e da sociedade. § A busca da beleza, enquanto aspiração da alma, da mente e do corpo, deve estar liberta de preconceitos e manipulações. A beleza é um legítimo anseio de todo ser humano. Em nossa sociedade, esse anseio é manipulado com a imposição de estereótipos e preconceitos que estabelecem para a beleza padrões de idade, raça e comportamento. A Natura acredita que na desmistificação desta atitude e na relação harmoniosa de nossa mente, cultivando e preservando nosso corpo, existe a possibilidade de a beleza cada vez mais se manifestar e ser percebida. § A empresa é um dinâmico conjunto de relações. Seu valor e perpetuação estão ligados a sua capacidade de contribuir para o aperfeiçoamento da sociedade. As empresas existem para atender necessidades, dos indivíduos e da sociedade, através de produtos, serviços e ações que contribuam para um desenvolvimento econômico e ambientalmente sustentável, além de socialmente mais justo. A Natura acredita que seu valor se amplia proporcionalmente à sua capacidade de estabelecer relações de qualidade com consumidores, consultoras, colaboradores, 82 fornecedores, acionistas e toda a comunidade, promovendo seu enriquecimento material, emocional e espiritual. (RELATÓRIO..., 2000) O entendimento de sucesso da Natura é a coerência das suas crenças com as suas práticas. É desse exercício cotidiano e coerente que nasce o magnetismo e a força da marca Natura, atraindo e mobilizando consumidores, consultoras, colaboradores, fornecedores e acionistas, que acreditam e atuam para o aperfeiçoamento da sociedade. (VISÃO DE MUNDO NATURA) Com este comportamento – ser, estar e agir Natura – pretende cumprir a sua razão de ser: ajudar cada pessoa a bem estar consigo e estar bem com o mundo, criando condições para o “bem-estar bem” acontecer. (VISÃO DE MUNDO NATURA) A razão de ser da Natura é promover o “bem-estar bem”, apresentado na figura 2: Figura 2: Bem-estar bem Bem-estar É a relação harmoniosa, agradável do indivíduo consigo próprio, com seu corpo. Estar bem É a relação empática, bem sucedida, prazerosa do indivíduo com o outro, com seu mundo. Bem estar bem É a dinâmica decorrente da interação destas relações. Fonte: adaptado a partir do Relatório Anual de Responsabilidade Corporativa de 2000 Um dos traços marcantes da cultura corporativa da Natura é o zelo extremado no relacionamento com o público. Em meio a uma média de 3.000 ligações recebidas diariamente, se uma cliente não tiver gostado de uma fragrância, a troca é feita sem discussão, ainda que o frasco esteja quase vazio. Segundo Luiz Seabra, em entrevista concedida à revista Exame (BLECHER, 1998), o pressuposto disso é que "a pessoa pode estar tão carente que talvez esse 83 gesto lhe devolva a confiança". Na prática, gestos como esse ajudam a elevar o índice de fidelidade à marca. 84 4 Produtos e conceitos 4.1 Inovação A Natura integra, na área de inovação, as atividades ligadas ao conhecimento científico e tecnológico com as atividades ligadas ao conhecimento de mercado e a dinâmica de comportamento das pessoas e suas tendências. A aproximação destes dois universos potencializa e acelera os seus processos criativos, o desenvolvimento de produtos e conceitos, garantindo soluções que sejam expressões cada vez mais inovadoras e legítimas de suas crenças e visão do mundo. (PERFIL NATURA) A empresa possui o maior centro de pesquisa e desenvolvimento cosmético do Brasil, mantendo um intercâmbio sistemático com universidades brasileiras e com outros centros de excelência em todo o mundo, a fim de manter os seus pesquisadores em contato com os principais avanços nas áreas farmacêutica, química e bioquímica. Estar permanentemente em sintonia com as principais fontes de tecnologia em cosmética é uma forma de garantir aos seus produtos um padrão de qualidade internacional. (PERFIL NATURA) A Natura é a empresa brasileira que mais investe em comprovação científica, aplicando cerca de 4% da sua renda líquida nessa área, mantendo o ritmo de lançamento de um produto a cada três dias. (PERFIL NATURA) Em 1996, 40% do faturamento foi obtido com produtos que não existiam dois anos antes. Esse coeficiente é comparável ao da 3M americana, uma das mais inovadoras corporações do mundo. A renovação acelerada do portfólio é típica do setor de cosméticos. Segundo Marcelo Araújo, diretor comercial da Natura, em entrevista concedida à revista Exame (NETZ, 1997): "As exigências do consumidor e o acirramento da concorrência estão reduzindo o ciclo de vida dos produtos. Com isso, a capacidade de inovar tornou-se não só um fator de diferenciação como também um requisito para continuar no jogo". 85 No exercício da sua razão de ser, a Natura elegeu duas áreas de conhecimento: cosmética e saúde. Áreas que, na medida em que nossa civilização evolui, se integram cada vez mais, oferecendo um tratamento harmônico e integrado do indivíduo. (PERFIL NATURA) 4.2 Produtos A Natura quer ampliar seus horizontes estratégicos e continuar a expandir o mix de produtos além do âmbito de cosméticos. Segundo Marcelo Araújo, diretor comercial da empresa, em entrevista concedida ao jornal Gazeta Mercantil (SARAIVA, 2001a), a meta de ampliar a variedade de produtos faz parte da estratégia da marca para médio e longo prazo. Ele acrescenta, ainda, que estarão com ações voltadas para a expansão do tema da biodiversidade nos produtos da Natura. Para colocar os seus produtos no mercado, a Natura vale-se de uma dupla estratégia de marketing. Por um lado, utiliza os instrumentos normais, como pesquisas de opinião e experimentação com os consumidores. Só em pesquisas de hábitos e atitudes são gastos 2 milhões de dólares por ano. Por outro lado, e com bastante freqüência, o marketing da Natura move -se à base da intuição. Segundo Pedro Passos, em entrevista concedida à revista Exame (NETZ, 1997), "Não podemos ser escravos das ferramentas de marketing". Assim, de acordo com o padrão tradicional, nasceu a linha de perfumes Essencial, uma das de maior prestígio da Natura. Pesquisas feitas com os consumidores em todo o país detectaram o ceticismo diante da possibilidade de serem produzidos aqui perfumes com padrões globais em termos de fragrância e design das embalagens. A partir da pesquisa, a Natura desenvolveu o conceito e tratou de contratar os serviços de quem entendia do assunto, na meca da perfumaria mundial: França. As fragrâncias foram produzidas pela Givaudan Roure, os frascos pela Verreries Brosse. Segundo Guilherme Leal, em entrevista concedida à revista Exame (NETZ, 1997), "15% 86 de nossas embalagens e matérias-primas são desenvolvidas fora e já estamos entre os 10 maiores clientes de frascos do grupo Saint Gobain no mundo". Um bom exemplo de produto lançado à base da intuição é outro campeão de vendas, a linha Mamãe e Bebê. Sua origem foi um estudo da Universidade de Miami que mostrava as vantagens de massagens para o desenvolvimento físico e emocional dos recém-nascidos. Com o apoio de psicólogos, pediatras e enfermeiras, a Natura desenvolveu os produtos. Só havia um empecilho: as pesquisas indicavam que o tamanho do mercado para a categoria de produtos infantis era de menos de 70 milhões de dólares e dominado pela J&J. Contrariando o que mandavam as melhores técnicas de marketing, a Natura resolveu lançar a linha e três anos depois, detinha dois terços das vendas de colônia infantil no país. Segundo Pedro Passos, em entrevista concedida à revista Exame (NETZ, 1997), "precisamos apostar quando temos um conceito forte na mão, ainda que o mercado não sinalize". Outra experiência bem-sucedida do gênero foi o lançamento da linha de óleos para banho. Segundo Marcelo Araújo, em entrevista concedida à revista Exame (NETZ, 1997), "Conseguimos antecipar as necessidades dos consumidores e para isso, foi fundamental a nossa expertise". Mas nem sempre o empirismo garante bons resultados. Um fracasso retumbante da Natura foi o lançamento da colônia feminina Flores e Folhas que foi rapidamente retirada do catálogo. Segundo Pedro Passos, em entrevista concedida à revista Exame (NETZ, 1997), "Deu para sentir que não ia vingar pela reação das próprias consultoras nas primeiras reuniões". Os produtos Natura foram os primeiros cosméticos do Brasil a ter refil. Mundialmente, a Natura inovou, lançando o primeiro refil para potes, na apresentação do seu sistema de tratamento anti-sinais Natura Chronos. Essa iniciativa colabora para a preservação do meio ambiente e torna seus produtos mais acessíveis aos consumidores. (PERFIL NATURA) 87 As bulas dos produtos Natura são veículos de conhecimento, onde o consumidor encontra reflexões sobre temas relacionados aos conceitos de suas linhas, explicações sobre problemas e necessidades específicas e informações sobre os produtos, seus benefícios e limites. (PERFIL NATURA) 88 5 Ação e Missão Social Ser uma empresa socialmente responsável, é um desafio que se renova a cada dia para a Natura. Mais do que pagar corretamente seus impostos, respeitar o meio ambiente ou proporcionar melhorias na qualidade de vida entre seus públicos, a responsabilidade social é um olhar novo dos negócios, da sociedade e do mundo em que vivemos. Entre as práticas de responsabilidade social assumidas como compromisso pela Natura, está o desenvolvimento de projetos sociais junto da comunidade, buscando contribuir de forma inovadora e exemplar para o aperfeiçoamento da sociedade. Se respeito, diversidade e inovação são essenciais para a Natura, não seria diferente na ação social. Os projetos da empresa carregam o compromisso de unir esforços, respeitando os conhecimentos da comunidade e colocando suas competências a serviço de um ideal: um mundo melhor e mais justo, trocando experiências e impulsionando o crescimento de todos os envolvidos. (PERFIL NATURA) A Natura elegeu a educação e a cultura como foco de atuação, pois acredita que ambos são instrumentos para a formação de cidadãos plenos, conscientes de seus direitos e deveres nesse mundo. A empresa declara que sua missão é: “Contribuir de forma inovadora e exemplar para o aperfeiçoamento da sociedade, provocando mudanças de atitudes e de valores que materializem o ideal de uma sociedade mais justa”. Em relação à responsabilidade social, a crença da Natura é de que cada empresa deve assumir seu papel de agente transformador e praticar o exercício da cidadania, colaborando efetivamente para a construção de uma sociedade mais justa e ambientalmente sustentável. Para isso deve: § Incorporar a responsabilidade social em seus planos empresariais. § Zelar pela qualidade ética das relações, na maneira de conduzir os negócios, sendo co-responsável pelo desenvolvimento sustentável social, ambiental e econômico. 89 § Dialogar com as diferentes partes interessadas (acionistas, colaboradores, comunidade, fornecedores, etc.) A Natura adota políticas e práticas de Responsabilidade Social Empresarial visando: maior lealdade do consumidor, maior capacidade de recrutar e manter talentos, ter flexibilidade e capacidade de adaptação, contribuir para longevidade da empresa e do mundo em que vivemos e porque, valorizando a sociedade, a sociedade os valoriza. 5.1 Projetos de Ação Social da Natura Os projetos sociais da Natura consideram a importância de se desenvolver uma ação que gere efetivamente uma mudança na realidade, com o fortalecimento e a autonomia da comunidade envolvida. Os programas desenvolvidos pela empresa são (NATURA, 2002): 1) Programa Natura Escola A Natura acredita que as escolas são mais do que espaços de educação para crianças, professores e comunidade; são espaços de construção da cidadania e que devem ter uma atuação próxima à comunidade onde estão instaladas. Desde 93, a Natura é parceira da Escola Estadual de 1º e 2º graus Matilde Maria Cremm, de Itapecerica da Serra/SP, na busca de uma escola viva, democrática e autônoma. Essa parceria tem acontecido através de projetos que promovem a gestão democrática a partir da participação de todos – alunos, pais, comunidade, professores e poder público. Ao longo do tempo, esses projetos se incorporam ao dia-a-dia, dando a certeza de que o objetivo do projeto não se perde no tempo e continua rendendo frutos à escola e seus alunos. 90 2) Programa Natura Jequitinhonha A realidade do Vale do Jequitinhonha bateu na porta da Natura em 1997, através da mobilização de colaboradores da área de atendimento da Natura. Na época, eles buscavam doações de alimentos e roupas para a região, uma das mais pobres do país. Foi o primeiro passo. O passo seguinte foi visitar a região e descobrir um povo com grande potencial de trabalho e transformação. Em parceria com o Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento de Minas Gerais, a Natura desenvolve um projeto de educação através de atividades que valorizam e priorizam a cultura da região. O projeto tem a participação das crianças e dos pais da comunidade local e acontece dentro de espaços onde as crianças brincam, plantam, pintam, estudam e cantam. Um dos resultados desses trabalhos foi a criação do Coral de Meninos e Meninas de Araçuaí, que apresenta músicas folclóricas da região e histórias cantadas. 3) Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente de Cajamar A construção do Novo Espaço Natura abriu uma nova porta para um trabalho social da Natura junto à comunidade. A Natura acredita na importância da participação da sociedade na condução e resolução de seus problemas sociais e por isso apoiou a constituição do Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente de Cajamar, cidade onde está o Novo Espaço Natura. No segmento da indústria e comércio do município, a Natura foi eleita para ocupar uma das vagas do Conselho. O Conselho de Direitos é um importante canal de participação democrática da sociedade civil e de estabelecimento de políticas sociais. 91 4) Programa de promoção do voluntariado Quando se pensou num programa de vo luntariado, a primeira coisa que veio à cabeça foi: como estruturar um programa onde os colaboradores da Natura se sentissem integrados e motivados a participar? Ser voluntário é um ato de consciência, de vontade e de crença na busca de um mundo melhor. A Natura criou, com a participação dos seus colaboradores, um Programa de Promoção do Voluntariado. A participação dos seus colaboradores na construção deste Programa foi fundamental para a obtenção do comprometimento, motivação e disposição de várias pessoas, respeitando suas possibilidades de dias, horários e habilidades. O primeiro projeto de participação voluntária foi o "Contadores de História". O projeto teve início em maio de 99 e hoje conta com 31 colaboradores, divididos em dois grupos. Os participantes passam por um período de formação com renomados contadores profissionais de histórias e depois escolhem uma entidade ou público para atuarem. Alguns optam por creches, outros por institutos para crianças com câncer. E cada um escolhe seu caminho, respeitando o binômio essencial para uma ação voluntária: dedicação e comprometimento. 5) Cooperativas de costureiras A Natura acredita que toda comunidade é capaz de perceber e propor soluções para seus problemas, através da união de esforços e conhecimentos gerando profissionalismo e auto-sustentação. Em março de 98, a Natura iniciou uma parceria com o CENPEC (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária) na criação da COOPEC – Cooperativa de Costureiras do Jardim Horizonte Azul, zona sul de São Paulo. 92 A Coopec é um espaço para troca de experiências e discussões conjuntas que buscam promover o aperfeiçoamento profissional e a organização de um trabalho que gere renda e seja auto-sustentável. Em 98, dois grandes avanços foram registrados no Projeto Cooperativa de Costureiras: a constituição jurídica e o início das atividades comerciais junto à comunidade. 6) Barracões Culturais da Cidadania Para a Natura, a cultura é uma construção humana, resultado de expressões, reflexões, criações e resgate de tradições capazes de formar cidadãos e contribuir para o fortalecimento de uma sociedade, sendo um dos caminhos para a conquista da cidadania. A Natura apóia o projeto Barracões Culturais da Cidadania, idealizado pela Diretoria de Cultura do município de Itapecerica da Serra/SP, que busca proporcionar atividade artística, cultural e educativa a crianças, jovens, adultos e idosos. Esses Barracões abrigam oficinas de artes plásticas, música, expressão corporal e teatro e já receberam mais de 1.000 pessoas. Ao todo, mais de 32 oficinas foram instaladas em diversos bairros da cidade. 7) Programa Crer para Ver O Crer para Ver nasceu em 95, em parceria com a Fundação Abrinq pelos Direitos das Crianças, reforçando a crença da Natura no poder da mobilização como geradora de transformação e na importância da educação como forma de aperfeiçoar a sociedade. Através do trabalho voluntário de vários profissionais e das consultoras em todo o Brasil, o Programa cria e comercializa produtos com a marca Crer para Ver. O dinheiro arrecadado com a venda dos produtos financia projetos inovadores e exemplares de melhoria da qualidade do ensino na rede pública, da Pré-Escola ao Ensino Fundamental. 93 Ao todo, 116 projetos fazem parte da rede Crer para Ver, que já arrecadou R$ 7,5 milhões desde sua criação e beneficiou 600 mil crianças em 2.500 escolas de 19 estados brasileiros. 5.2 Patrocínios, Participações e Balanço Social Além de desenvolver projetos sociais junto a comunidades, a Natura ainda apoia, patrocina e divulga várias outras iniciativas. § Ashoka: patrocínio e apoio à organização, que identifica, apóia e capacita empreendedores sociais. § Site Aprendiz do Futuro: patrocínio e participação no site. § Prêmio Bem Eficiente, iniciativa Kanitz e Associados: patrocínio à iniciativa, que reconhece, incentiva e divulga o trabalho de entidades sociais que tenham comprovada eficiência administrativa § GIFE: associada da instituição, composta por institutos, fundações e empresas brasileiras que disponibilizam recursos privados para o desenvolvimento do bem comum. § Programa Alfabetização Solidária: o programa conta com o apoio do Ministério da Educação e do Desporto (MEC), universidades, empresas e pessoas físicas e tem por objetivo reduzir os índices de analfabetismo no Brasil. § Fundação Abrinq: associada a Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, que promove os direitos elementares da cidadania das crianças § Instituto Ethos: associada a instituição, constituída por empresas que buscam o sucesso econômico a partir de um comportamento socialmente responsável § Fundação Gol de Letra: investe na formação de gerações de crianças e adolescentes garantindo-lhes o direito à educação, cultura e assistência social. A Natura patrocina a formação e implementação da biblioteca comunitária. 94 O Balanço Social, que a Natura prefere denominar Relatório Anual de Responsabilidade Corporativa (RARC), é um instrumento que permite compartilhar as atividades e as iniciativas da empresa e sua postura diante de questões que interessam à sociedade. Existem vários modelos deste instrumento, mas sua essência deve ser a busca da transparência. Para tornar possível esse objetivo e buscar atender aos múltiplos públicos e à diversidade de interesses das comunidades, a Natura optou pelo modelo de relatório da Global Reporting Initiative – GRI, em razão de sua abrangência. A missão da GRI, que surgiu em 1997 e reúne instituições, corporações e universidades de todo o mundo, é desenvolver e disseminar globalmente orientações para a preparação de relatórios com informações sobre iniciativas sustentáveis, por parte de organizações interessadas em tornar públicas as dimensões econômicas, sociais e ambientais de suas atividades. Antes da Natura chegar à opção pelo modelo GRI – Global Reporting Initiative, a sua preocupação e atenção voltou-se para: § Identificação interna de indicadores e informações em diversas áreas de negócios e de apoio da Natura, iniciada em outubro de 2000. § Estudo comparativo de 20 balanços sociais de empresas e instituições públicas e privadas brasileiras, relativos ao exercício de 1999, em que foram analisados os modelos, indicadores, conteúdos e partidos adotados. § Estudo dos modelos de relatório social propostos pelo Ibase – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas e pelo Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. § Foram tomados, como referências, os propósitos do Global Compact, o pacto global da Organização das Nações Unidas ao qual a Natura aderiu formalmente, e que tem o objetivo de promover a implementação de Nove Princípios nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e desenvolvimento sustentável. 95 Por essa razão, além de atender aos requisitos do modelo GRI de relatórios, a Natura divulga indicadores solicitados também por essas referências, assim como indicadores específicos. (NATURA, 2002) O processo de elaboração de um Relatório Anual de Responsabilidade Corporativa pode variar de empresa para empresa. Decidir-se por um modelo, levantar os dados necessários e envolver todas as áreas são tarefas difíceis. Porém, são outras as duas principais dificuldades do processo de confecção de um Relatório Anual de Responsabilidade Corporativa: ater-se à realidade dos fatos e manter foco em todos os públicos. (NATURA, 2002) A dificuldade de ater-se à realidade dos fatos exige profunda análise e certeza de fidelidade das informações coletadas. Por vezes, é necessário verificar várias vezes o mesmo dado. E ter certeza de que o departamento responsável pela informação a coletou com isenção. (NATURA, 2002) A dificuldade de manter o foco em todos os públicos surge desde o início: não se pode privilegiar informações ou análises que interessem mais a este ou àquele público, pois um RARC pode ser lido tanto por um potencial investidor quanto por um cidadão que não consome produtos da empresa. Ambos os leitores precisam encontrar um conteúdo e uma linguagem que os estimule a prosseguir a leitura. (NATURA, 2002) No anexo 6 encontra-se uma cópia do trecho referente aos indicadores ambientais, econômicos e sociais da Natura, extraído do Relatório Anual de Responsabilidade Corporativa – ano 2001. A visão da empresa, extraída do Relatório Anual de Responsabilidade Corporativa – ano 2001, é: “A Natura será um dos líderes em seu mercado, diferenciando-se pela qualidade das relações que estabelece, por suas crenças e valores expressos de forma radical através de produtos, serviços e comportamento empresarial que promovam a melhor relação da pessoa consigo mesma, com a natureza e com todos que a cercam”. 96 6 Internacionalização da Natura A Natura objetiva ser líder na América Latina. Ela atua hoje em todas as regiões do Brasil (mais de 4.500 municípios) e, na América do Sul, está presente na Argentina, Chile, Peru e Bolívia. Em seus planos está o mercado do México, entre outros que se seguirão, em busca da consolidação da Natura como uma das fortes lideranças das Américas. Em 1986, primeira experiência internacional da Natura, a empresa chegou a criar uma nova marca de cosméticos, a Númina, para entrar no mercado americano. Luis Seabra, em entrevista concedida à revista Exame (NETZ, 1997), avalia a experiência como um fracasso pois “a tentativa de se internacionalizar daquela época foi prematura”. Agora, segundo Guilherme Leal, o sócio que acompanha mais de perto o programa de internacionalização da Natura, em entrevista concedida à revista Exame (NETZ, 1997), "O alvo prioritário são os países emergentes da América Latina e da Ásia". Para bancar seu programa de internacionalização e os investimentos no mercado interno, a Natura calcula que precisará de 800 milhões de dólares até 2005. Num primeiro momento, a ofensiva privilegiará a América Latina, cuja população equivale a uma vez e meia a do Brasil. Segundo Guilherme Leal, em entrevista concedida à revista Exame (NETZ, 1997), "Em cinco anos, um quinto de nossa receita deverá vir do exterior", funcionando como uma proteção contra eventuais contratempos no mercado interno. A pesquisa e a atualização tecnológica são fundamentais para facilitar a globalização da marca. A experiência na Argentina, Peru, Chile e Bolívia, serviu para conhecer os mercados locais e estudar diferenças climáticas e biológicas para as devidas adaptações de produtos. O pontapé inicial para o incremento das exportações foi dado em agosto de 97 2000, quando a empresa lançou a linha Natura Ekos, com base na biodiversidade da flora brasileira, muito valorizada no exterior. Conquistados os dois focos estratégicos da América Latina (Argentina e México), a Natura voltará suas baterias para os Estados Unidos, onde ambiciona abocanhar uma fatia das vendas milionárias de cremes, shampoos e maquilagem das gigantes norte-americanas. No México, calculam-se investimentos iniciais entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões e a conquista de até 7% do mercado em cinco anos. (SILVA, 2000) Segundo Marcelo Araújo, em entrevista concedida ao jornal Gazeta Mercantil (SILVA, 2001), “Como a biodiversidade do país tem um recall grande, a linha Ekos pode acelerar a construção da marca Natura no Primeiro Mundo”. Com a meta de entrar nos Estados Unidos, a empresa investe US$ 4,3 milhões em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos com apelo ecológico. Considerando que é muito alta a participação em varejo de marcas de cosméticos nos países desenvolvidos, Guilherme Leal afirmou, em entrevista concedida ao jornal Gazeta Mercantil (SARAIVA, 2001b): "Estudamos a hipótese de entrar no varejo somente no mercado internacional, quando nosso plano de expansão no mercado externo estiver consolidado". Em 2000, as exportações representaram 4%, ou R$ 70,84 milhões da receita global da empresa. Não há estimativas sobre o crescimento das exportações em função das novas rotas, porém, as expectativas são otimistas. Com o salto de exportações nos próximos anos, a balança comercial da empresa, que hoje é praticamente zerada poderá ficar superavitária. Os insumos importados giram em torno de R$ 48 milhões a R$ 60 milhões, correspondendo de 20% a 25% do total de R$ 240 milhões gastos com matérias-primas, por ano. 98 7 Natura Ekos “O desenvolvimento sustentável sempre foi um eldorado. Todos queriam chegar lá, mas ninguém sabia como. Porém, entre tropeços técnicos e políticos, dificuldades para escoar a produção e falta de financiamento, alguns pioneiros começam a ter lucros e distribuí-los entre seus parceiros. A Natura, que acaba de descobrir este filão, já vendeu 880 mil itens de sua linha de cosméticos Ekos, que emprega óleos produzidos em reservas extrativistas”. (SCHARF, 2000b) No início de 1999, a Natura despachou um grupo de funcionários para Nova York a fim de formular as premissas de uma nova linha de produtos mais barata que pudesse ser usada diariamente pelos consumidores. Como relata Elizabeth Pereira, gerente da unidade de negócios Natura Ekos, em entrevista concedida à revista Exame (VASSALO, 2003): “Estávamos no Central Park, conversando sobre o projeto, quando ele começou a tomar forma. Antes de voltarmos ao Brasil, ficou claro que o que estávamos propondo era alguma coisa sem precedentes, uma operação pioneira”. O projeto Manhatan (nome original do Ekos e homônimo do programa americano de fabricação de bomba atômica, nos anos 40) definia três pilares para a nova linha: uso de ativos brasileiros, sustentabilidade ambiental e social da operação e aproveitamento das tradições populares. Estes pilares teriam de perpassar todo o processo – da compra de matérias-primas em comunidades, que iriam dos índios do Xingu aos ribeirinhos da Amazônia, até o tipo de publicidade utilizada. A estratégia teria início com o lançamento de uma linha de produtos, abriria as portas dos grandes mercados da Europa e dos Estados Unidos e, com o tempo, seria agregada a toda a produção da Natura. (VASSALO, 2003) No segundo semestre de 1999, a empresa deu o primeiro grande passo nessa direção ao fazer um importante investimento na área de saúde e biodiversidade, adquirindo por cerca de 20 milhões de reais, a empresa carioca Flora Medicinal – tradicional laboratório criado em 1912, que pesquisa, produz e comercializa, através do varejo farmacêutico, medicamentos fitoterápicos à base de plantas e ervas brasileiras. Seu fundador, o médico e pesquisador 99 José Ribeiro Monteiro da Silva, foi o primeiro empreendedor a apostar no uso medicinal de vegetais sob uma ótica até então nunca explorada. Graças às suas pesquisas pioneiras com mateiros, donas-de-casa e caboclos embrenhados nas matas, a Flora Medicinal detém um acervo de mais de 280 plantas da biodiversidade brasileira cuidadosamente estudadas e uma linha de 300 produtos já desenvolvidos. Nas décadas de 1930 e 1940 a Flora Medicinal foi o pólo difusor do conhecimento sobre fitoterapia mais importante do Brasil, exportando produtos para outros países. (VASSALO, 2003) Com a aquisição, a Natura ganhava uma vantagem de pelo menos 87 anos sobre seus rivais. Elizabeth Pereira, em entrevista concedida à revista Exame (VASSALO, 2003), afirma que “Os concorrentes até poderiam copiar o produto – e alguns já estão tentando fazer isso. Mas, dificilmente conseguiriam reproduzir o processo de execução. Nós teríamos histórias para contar ao mercado, eles não”. Segundo Marcelo Araújo, em entrevista concedida ao jornal Gazeta Mercantil (FUTEMA, 2000), nos Estados Unidos, o segmento ambientalmente correto movimenta perto de US$ 6 bilhões por ano, mas ainda é cedo para estimar o potencial no Brasil. 7.1 A Oportunidade da Biodiversidade Brasileira O Brasil possui uma das maiores e mais ricas biodiversidades do planeta. A vida, nas suas mais diversas formas. Para proteger tudo isso, é preciso entender que o ser humano é parte integrante da natureza, e não mero espectador da sua beleza. É preciso administrar a extração das riquezas naturais, para que todos, que vivem aqui hoje e viverão aqui amanhã, tenham direito a esses recursos. Segundo Elizabeth Pereira, gerente da unidade de negócios Natura Ekos, a Natura visa dominar a biodiversidade brasileira, fazendo com que ela seja uma 100 das plataformas de crescimento da empresa, buscando sustentar seus dois pilares de negócios: Beleza e Saúde. A Natura quer ser o pólo organizador do conhecimento sobre a biodiversidade brasileira, sendo reconhecida como a empresa que conhece, pesquisa e utiliza essa biodiversidade de forma sustentável, contribuindo assim para sua preservação. E, segundo a empresa, a linha Natura Ekos é o primeiro pilar na construção deste objetivo. Segundo Elizabeth Pereira, o desenvolvimento sustentável da biodiversidade botânica brasileira será o pilar de sustentação do negócio nos próximos dez anos, conforme representado na figura 3. Figura 3: Natura 2010 – Plataformas de Crescimento Razão de Ser Bem-estar Bem Beleza Saúde Base Tecnológica Diferenciadora Base CFT (F Nu ito tr ex içã tra o to s) Fi to te ra pi a Co nv CF en T cio na l Fit oc os m éti co Pilares de Sustentação Desenvolvimento Sustentável da Biodiversidade Botânica Brasileira Nota: CFT = Cosmetics, Fragrances and Toiletries Fonte: Instituto Ethos, 2002 A Natura focou o seu estudo na biodiversidade da flora brasileira, conforme representado na figura 4. 101 Figura 4: Biodiversidade Brasileira Mamíferos 394 espécies Fauna 2,856 espécies Répteis 468 espécies Anfíbios 502 espécies Pássaros 1,492 espécies 0,6% 0,7% 0,8% 8,3% 95,6% Foco da Natura Flora 62,527 espécies Fonte: Instituto Ethos, 2002 A Natura entende que dominar a biodiversidade consiste no conhecimento e uso sustentável de insumos que possam ser fornecidos pela flora brasileira. O conhecimento científico necessário engloba: § a etnobotânica (estudo do conjunto das relações entre plantas, animais e sociedades humanas atuais e passadas), § a fitoquímica (identificação dos diferentes princípios ativos existentes na planta), § a farmacologia (entendimento das ações terapêuticas advindas dos princípios ativos existentes nas plantas, da sinergia entre esses princípios ativos e a toxicidade dos mesmos), § a agronomia (identificação das condições de cultivo possíveis — localização, clima, solo, iluminação, outras plantas existentes próximas) e § a botânica. A biodiversidade da flora brasileira apresenta oportunidade única como fonte de produtos bioativos, pois: 102 § Possui a maior biodiversidade do mundo, com mais de 60 mil espécies, correspondendo a 22% das espécies do planeta, muitas exclusivas no mundo (endêmicas) § Compostos bioativos estudados em 8% das espécies § Avaliação das propriedades terapêuticas só em 1% das espécies § Apenas 690 plantas registradas no Ministério da Saúde § A composição da biodiversidade brasileira não é totalmente conhecida, fazendo com que o número de espécies possa alcançar milhões § 84% dos fármacos utilizados na indústria fitoterápica brasileira são importados A Amazônia possui o maior número de espécies, área, unidades de conservação e comunidades indígenas, conforme apresentado no quadro 7. Quadro 7: Características dos Ecossistemas Brasileiros – Número de espécies vegetais catalogadas, área das unidades de conservação e comunidades indígenas Ecossistemas Critérios Amazônia o. Cerrado Mata Atlântica N de espécies vegetais 30,000 10,000 20,000 catalogadas (oferta) Área das Unidades de Conservação (mil 380 47 418 2 (2) Km ) Área com cobertura 2 3,264 1,407 99 original (Mil Km ) o. N de comunidades (3) 152 17 22 indígenas Notas: (1) SOS – Pantanal, 1995 (2) Inclui cobertura original + vegetação secundária (3) Instituto Sócio Ambiental, 1995 Caatinga 596 Pantanal 1,755 (1) Campos 176 38 3 3 330 146 105 10 2 3 Fonte: Instituto Ethos, 2002 A Mata Atlântica é a mais destruída, com maior número de espécies por área e a que possui a maior quantidade de espécies em extinção, conforme apresentado no quadro 8. 103 Quadro 8: Características dos Ecossistemas Brasileiros – % de destruição, número de espécies por área e de espécies em extinção Ecossistemas Critérios Amazônia % de Alteração / 15% Destruição o. N de espécies em (2) 20 extinção Nº Médio de 2 9,2 Espécies/km Notas: (1) WWF do Brasil, 1999 (2) Portaria Ibama nº 37/92 Cerrado Mata Atlântica Caatinga Pantanal 33% 91% 72% 3% 16 71 3 0 0 7,1 202,0 1,8 12,0 1,7 Campos 50% (1) Fonte: Instituto Ethos, 2002 A maioria das plantas e extratos de plantas utilizados pela Natura/Flora Medicinal tem origem nos ecossistemas do cerrado e da mata atlântica, conforme apresentado no quadro 9. Quadro 9: Origem das plantas e extratos utilizados pela Natura/Flora Medicinal Ecossistema Total Cerrado 20 Mata Atlântica 16 Exóticas 12 Amazônia 8 Importados 8 64 Fonte: Instituto Ethos, 2002 Como tal, os ecossistemas com maior potencial para exploração sustentável da biodiversidade são a Amazônia, o Cerrado e a Mata Atlântica, conforme apresentado no quadro 10. 104 Quadro 10: Ecossistemas brasileiros e o potencial de exploração sustentável da sua biodiversidade Critérios Peso Amazônia Cerrado o. Mata Atlântica Caatinga Pantanal Campos N de espécies catalogadas (oferta) % de Alteração/ destruição Localização das plantas da Flora Medicinal/ Natura Área das UCs (manejo) Tendência à destruição futura o. N de comunidades indígenas Acesso regulamentado à biodiversidade Número médio de 2 espécies/km o. N de espécies em extinção Área com cobertura original Maior Potencial Menor Potencial Fonte: Instituto Ethos, 2002 7.2 Conceito da Linha Natura Ekos Natura Ekos é para a Natura um nome pleno de significados, passando pelo grego oikos, a nossa casa; pelo tupi-guarani, em que ekó é sinônimo de vida; e também pelo latim, onde echo corresponde a tudo que tem ressonância, reverbera, logo será ouvido. Composta por produtos de cuidados pessoais, a linha Natura Ekos traz benefícios cosméticos clinicamente comprovados, difíceis de reproduzir em laboratório, elaborados a partir da experiência de índios, caboclos e sertanejos que convivem, há séculos, com os benefícios medicinais e estéticos da flora brasileira, ratificando o uso tradicional que as populações que vivem próximas à natureza fazem destas plantas. 105 Segundo a empresa, a linha Natura Ekos busca despertar a consciência de que todos fazem parte da grande cadeia da vida, na medida que, “em nossos momentos e cuidados diários, pode estar presente a riqueza da diversidade brasileira, sua natureza e sua cultura”. A linha é uma forma de refletir as crenças da Natura, porque: § resgata o conhecimento popular sobre o uso e a riqueza de benefícios desta biodiversidade brasileira; § usa ativos naturais que têm ação comprovada cientificamente, extraídos de forma sustentável na origem (não em extinção; de flores, frutas, sementes) e no manejo; § são produtos que na sua opção estética privilegiam as cores da terra e as texturas da natureza. § visa a responsabilidade ambiental no desenvolvimento dos seus produtos: § embalagens com menor quantidade de materiais; § embalagens utilizando materiais reciclados (ex.: frascos em resina, contendo uma porcentagem de material reciclado); § embalagens utilizando materiais recicláveis; § refis para todos os produtos da linha (reduz o custo e evita o desperdício do recipiente); § § fórmulas biodegradáveis, decompondo-se na natureza em até 28 dias; visa a responsabilidade social através do desenvolvimento sustentável nas regiões de origem dos ativos: § retorno econômico para as reservas extrativistas e populações tradicionais; § respeito ao modo de vida da população local; § incentivo ao desenvolvimento local: equipamentos, treinamento e assistência através dos seus parceiros (exemplo de parceira Natura: Cognis). 106 Segundo Elisabeth Pereira, em entrevista concedida ao jornal Gazeta Mercantil (SCHARF e ANTIQUERA, 2001), o lançamento da linha Ekos mudou o curso de uma empresa que já tinha completado 30 anos. “É uma experiência definitiva e transformadora. Os produtos são um reflexo do que a empresa acredita”. Eles acabaram promovendo uma aproximação da Natura com universos com os quais não lidava, como as organizações não- governamentais, os certificadores ambientais e as comunidades de reservas extrativistas do Amapá e do Amazonas, fornecedores de partidas de castanhado-pará, andiroba ou guaraná. Segundo Elisabeth Pereira, o público responde e mais consumidores são incorporados graças ao novo conceito. A linha Natura Ekos integra, através de um único conceito e unidade estética, produtos de várias categorias (cabelo, banho, corpo e perfumaria), incentivando o uso de mais de um produto da linha pelo mesmo consumidor. O fato de toda a linha ser “refilável” fortalece a fidelização do consumidor. O público alvo é bastante amplo, atendendo homens e mulheres que se identifiquem com o conceito da linha e procurem cuidados básicos para uso diário. A listagem dos produtos da linha Natura Ekos se encontra no anexo 4. 7.2.1 Objetivo de Vendas e Posicionamento de Preços O objetivo de vendas da linha era obter 9% da receita do segundo semestre de 2000 da Natura, equivalente a R$52 milhões (o lançamento foi feito no mês de agosto). Esse objetivo era muito alto e não foi alcançado. A linha Natura Ekos foi posicionada em um nível de preços inferior aos das linhas tradicionais da Natura. E mesmo sendo posicionada dessa forma, a linha possui margens de contribuição altas; sua entrada foi considerada decisiva para o aumento do lucro da empresa. Em 2002, a linha já respondeu por aproximadamente 10% do faturamento da empresa. 107 O quadro 11 apresenta o posicionamento dos preços da linha Natura Ekos, no momento do seu lançamento. Quadro 11: Posicionamento de Preços no Lançamento (R$) Natura Ekos Rio Sul CO/NE Norte SP Capital e Interior 7,8 8,1 7,4 Shampoos 330 ml (Macela, 7,4 7,8 Pitanga e Castanha do Pará) Condicionadores 300 ml (Macela, 6,9 7,2 7,2 7,6 Pitanga e Castanha do Pará) Sabonetes Líquidos 300 ml 9,8 10,3 10,3 10,8 (Guaraná e Castanha do Pará) Sabonetes em Barra 90g cada 6,8 7,1 7,1 7,5 (Guaraná e Castanha do Pará) Sais Esfoliantes 300g (Maracujá e 29,5 31 31 32,5 Buriti) Hidratantes 300 ml (Castanha do 13,9 14,6 14,6 15,3 Pará e Cupuaçu) Óleos trifásicos 200 ml (Buriti e 23,9 25 25 26,3 Maracujá) Fonte: Informações internas cedidas pela Natura (Apresentação em 6,8 9,8 6,8 29,5 13,9 23,9 PowerPoint) Como edição especial, foram lançados sachês aromáticos para banho (que podiam ser usados também para “banhos de conforto” para os pés e perfumaria de gavetas e armários) compostos por uma combinação de pétalas, raízes e sementes, que, em conjunto com os óleos essenciais, promovem sensações de vitalidade, suavidade e equilíbrio. A Natura opera com calendário de ciclos, onde cada ciclo possui em média 21 dias. As datas de abertura e fechamento de cada ciclo variam de acordo com as áreas de atuação no Brasil, definidas pela empresa. A linha Natura Ekos foi lançada no ciclo 13 e, no ciclo 15, a Natura lançou mais quatro colônias, os refis para toda linha e três estojos de Natal Natura Ekos. 108 7.2.2 Comunicação Em agosto de 2000, no lançamento da linha, foi realizado um evento regional, por gerência de mercado, para as consultoras Natura e um evento para a imprensa nacional, no Jardim Botânico de São Paulo. Foram enviados releases para todos os gerentes de mercado, a fim de suprir a demanda por informação da imprensa regionalizada. O quadro 12 apresenta os eventos regionais para consultoras Natura, na época do lançamento da linha Natura Ekos. Quadro 12: Eventos Regionais para Consultoras Natura Gerência de Cidade Datas Local Mercado CNs de SP Interior: 08 São Paulo Capital São Paulo e 09/Agosto Jardim Botânico de e Interior capital CNs de SP Capital: 10 São Paulo e 11/Agosto Sul Curitiba 18/Agosto Hotel Rayon RJ/MG/ES Rio de 21 e 22/Agosto Jardim Botânico do Janeiro Rio de Janeiro Norte/CO Brasília 24/Agosto Hotel Naoum Nordeste Salvador 05/Setembro Hotel da Bahia Fonte: Informações internas cedidas pela Natura (Apresentação em PowerPoint) Nos dias 12 e 13 de Agosto de 2000, foi realizado um evento denominado “Imagens do Jardim Botânico”, no Jardim Botânico de São Paulo, para colaboradores (maneira como a Natura chama os seus funcionários) e parceiros. O público em geral teve acesso no dia 13 de agosto de 2000. A linha começou a ser anunciada, em revistas a partir de setembro de 2000. Foi criada uma área especial “Viva sua natureza” no site da Natura, com uma matéria nova por semana sobre os temas da linha. 109 Além disso, foi confeccionado um livro especial para formadores de opinião (no Brasil e exterior). No ciclo 13, a Natura fez um encontro especial para as suas consultoras, com direito a decoração também especial, onde foi apresentado um vídeo conceitual, além de orientação sobre como vender cada produto. Ainda, foram distribuídos produtos para sorteio, uma apostila orientadora com perguntas e respostas e um “conjunto vivência” (une bula e amostra, uma para cada produto regular vendido) para ser distribuído ao consumidor final. 7.2.3 O Consumidor da Linha Natura Ekos A Natura fez pesquisas não só com formadores de opinião classe A, mas também com consumidores classes A/B, além das consultoras (classe A, B e C). Ao abrir esse leque, a Natura percebeu que tanto os formadores de opinião classe A quanto os consumidores da classe média, entendem o conceito da linha Natura Ekos. Segundo Juliana Gomiero, gerente de produto da linha Natura Ekos: “... eles gostaram primeiro de que a Natura está explorando, conhecendo a biodiversidade brasileira porque nenhuma outra empresa cosmética fez isso até hoje e eles valorizam a atitude de uma empresa brasileira estar valorizando o que é nosso, o que é natural. Eles entendem que cada vez mais precisam resgatar uma aproximação com o meio ambiente, eles sabem que existe uma ruptura entre o homem e o meio ambiente, eles acham que utilizando ativos vegetais é como se eles estivessem se aproximando da natureza de que eles fazem parte. Então eles endentem, eles têm muito claro, eles têm consciência de que eles são natureza, de que eles fazem parte e que eles estão afastados e usando ativos vegetais... uma linha de cosméticos baseada em ativos vegetais, eles podem estar ajudando primeiro a se aproximar da natureza e segundo também contribuindo para uma conservação do meio ambiente e a conservação da cultura brasileira, do conhecimento popular”. O que motiva esse consumidor é o fato de estar usando produtos naturais, considerados mais suaves e que resgatam a natureza brasileira. Além disso, 110 há uma “ampliação de consciência” de que a empresa tem que ajudar a parte social, de que tem que contribuir para melhorar o Brasil e as regiões que estão precisando de ajuda em termos de desenvolvimento econômico. Segundo Juliana Gomiero: “... a associação que os consumidores fazem é com uma linha ecológica, com uma linha que é ambientalmente correta. Eles têm consciência, eles sabem que existem fora do Brasil produtos com esse conceito e que aqui no Brasil ainda essa tendência está começando. Eles valorizam essa tendência. A linha, além de toda essa parte conceitual, é uma linha muito cheirosa, ela tem fragrâncias muito boas. São fragrâncias fantasias mas que remetem a Natureza, remetem às cores da Natureza, texturas da Natureza, e a gente percebe que é isso é uma tendência. As pessoas gostam do natural, gostam de estar se aproximando da Natureza”. 7.3 Matérias-Primas “Tentamos sempre estar à frente das tendências. A estratégia agora é retornar às raízes. Sempre trabalhamos com ingredientes ativos da natureza. Agora, queremos mais. A meta é controlar a biodiversidade brasileira. Não vamos simplesmente espremer limão no xampu e dizer que temos um produto da biodiversidade. Vamos pesquisar e descobrir o potencial da nossa natureza”. Pedro Passos, em entrevista concedida ao jornal Gazeta Mercantil (FUTEMA, 2000) A listagem dos ativos utilizados nos produtos da linha Natura Ekos se encontra no anexo 5. A utilização sustentável da natureza e da mão-de-obra de reservas naturais envolve problemas nunca imaginados. Segundo Elizabeth Pereira, em entrevista concedida ao jornal Gazeta Mercantil (FUTEMA, 2000): “Vamos trabalhar com insumos limitados. Se chover muito, pode faltar buriti. O trabalho com eles também é atípico. Não podemos criar terceiro turno ou mandar trabalhar aos sábados e domingos para ampliar a produção. Desenvolvemos sistemas de logística que atendem nossas necessidades sem interferir na cultura deles". O quadro 13 apresenta a sazonalidade dos insumos utilizados na fabricação da linha Natura Ekos. 111 Quadro 13: Sazonalidade dos Insumos Estação Insumos Primavera Buriti, cacau, camomilla, copaíba, guaraná, macela, maracujá e mate verde Verão Andiroba, buriti, castanha, cumaru, cupuaçu, copaíba, maracujá, pitanga Outono Andiroba, cacau, castanha, copaíba, cumaru, cupuaçu e maracujá Inverno Cacau, copaíba, cupuaçu e maracujá Fonte: vídeo Encontro Natura – Programa Natura – ciclo 17/02 A empresa investiu R$ 11 milhões em pesquisa, desenvolvimento e ações de marketing para lançamento da linha. As pesquisas das novas matérias-primas começaram em 1999 e exigiram 20% do total investido. (DIRETO DA REDAÇÃO, 2000) Segundo Elisabeth Pereira, o uso das novas matériasprimas tem custo até três vezes maior que a utilização dos materiais sintéticos, mas faz parte da estratégia de utilização da biodiversidade brasileira como diferencial para seus produtos. (SOARES, 2000) A linha Natura Ekos promoveu, pela primeira vez em mais de 30 anos, a utilização pela empresa, de elementos da natureza brasileira na formulação de cosméticos por meio de parcerias com comunidades de áreas de cultivo e de reservas extrativistas, universidades e organizações não-governamentais. Os próprios moradores das reservas fazem a extração de óleos e extratos, sob a orientação do Centro Nacional de Desenvolvimento Sustentável das Populações Tradicionais (CNPT) – órgão do Ibama responsável pelos projetos de desenvolvimento das populações das reservas. As plantações fazem parte de programas orientados para preservação de recursos naturais e fixação do trabalhador em seu local de origem. De acordo com Marcelo Araújo, em entrevista concedida ao jornal Gazeta Mercantil (FUTEMA, 2000), “dando condições econômicas e ferramentas adequadas para o trabalho, vamos estimular a conservação da natureza. A população, sem esse tipo de suporte, acaba explorando a natureza de forma descontrolada". Além de lhes fornecer equipamentos de trabalho, a Natura vai 112 pesquisar o conhecimento que essas diversas culturas têm sobre biodiversidade. A Natura é a primeira empresa de grande porte a utilizar essas matériasprimas, que têm atraído o interesse de pesquisadores do Brasil e do exterior e já são utilizadas de forma artesanal na região. Além da atenção ao lado social, o trabalho com populações de reservas pode permitir obter benefícios adicionais advindos do conhecimento que esses povos detêm da utilização dos recursos da biodiversidade brasileira. Assim como a Flora Medicinal iniciou suas pesquisas ouvindo a população, a Natura acredita, nas palavras de Marcelo Araújo, em entrevista concedida ao jornal Gazeta Mercantil (FUTEMA, 2000), que isso foi um benefício que não pode ser avaliado: “Vamos aprender muito: eles têm muito conhecimento da natureza que pode ser aproveitado. Todo mundo sabe uma receitinha caseira que cura algum mal. Essas pessoas sabem mais". O grande diferencial, no entanto, está no projeto social que está por trás de tudo isso. Em cada reserva, um fornecedor da Natura treina as comunidades locais, para fazer a extração e o cultivo sustentável dos insumos dos quais a empresa necessita. Segundo Rosenburg (2000), a empresa espera contribuir não somente para a preservação do ecossistema, mas também para a criação de melhores oportunidades de trabalho para os caboclos, índios e sertanejos da região. 7.3.1 Programa de Certificação de Ativos da Natura O grande diferencial da linha Natura Ekos é a exigência de que todas as matérias-primas naturais sejam extraídas de acordo com padrões social e ambientalmente corretos, ou seja, obtidos de forma sustentável. 113 Quando a Natura decidiu ressaltar em suas linhas a natureza brasileira, imediatamente veio o questionamento: “O que precisamos fazer para ter certeza de que nossos produtos estarão sempre contribuindo com a preservação do meio ambiente e com o desenvolvimento social e econômico das regiões fornecedoras das matérias-primas?” A resposta foi a elaboração de um Programa de Certificação de Ativos (onde ativo é o ingrediente proveniente de uma planta que tem capacidade de atuação no nosso corpo, por isso é utilizado em formulações cosméticas, em remédios, etc.) que seguisse padrões de excelência aprovados mundialmente. A Natura fechou parceria com o Forest Stewarship Council (FSC) –organização ambiental internacional que monitora a certificação de produtos florestais – para garantir que insumos vendidos pelas comunidades sejam extraídos de acordo com padrões social e ambientalmente corretos. Segundo Marcelo Araújo, em entrevista concedida ao jornal Gazeta Mercantil (FUTEMA, 2000), “Não vamos trabalhar com produtos extraídos de forma descontrolada". O Programa de Certificação de Ativos é um “raio X” em todo o processo, que envolve desde a extração – conhecer o local de onde está sendo retirada a planta, a capacidade de reposição natural da região, como se dá o seu manejo, quanto do produto natural está sendo colhido e quanto está sendo deixado –, assim como avaliar as condições de trabalho, de saúde, das pessoas e da infra-estrutura neste local. E, por último, até como ele viaja e chega até o consumidor final. O programa garante a organização de toda a cadeia produtiva de cada ativo que é utilizado, ou seja, começa na natureza, nas regiões de origem, e termina na casa de cada cliente. Por essa razão, o Programa de Certificação de Ativos é complexo e envolve o trabalho de muita gente: biólogos, antropólogos, ambientalistas, engenheiros florestais e muitos outros profissionais. É um processo que basicamente abrange três etapas. 114 Etapa 1: Diagnosticar a situação atual de cada local de origem da planta/ativo. Esta fase consiste em olhar, indagar, levantar dados de cada local de onde provêm os ativos, seja ele uma Reserva Extrativista ou uma Área de Cultivo. Os dados priorizados dizem respeito às leis que atuam nesses locais (desde as ambientais, até a titularidade das terras). Tudo que envolve o trabalho humano relativo ao processo de manuseio das plantas é avaliado: sua metodologia; aspectos de segurança; cumprimento das leis; se existe trabalho infantil, e de que tipo, etc. Nesse momento, as questões ambientais são aprofundadas: como é o meio ambiente local, se o trabalho efetuado ajuda a conservar ou é predatório, se há a utilização de produtos agroquímicos, etc. Um dado muito importante nesse processo é avaliar se há um Plano de Manejo Sustentável na área. O Plano de Manejo é um estudo que dita as regras e comportamentos em todas as direções: estabelece direitos e deveres para com a natureza; traça os limites do extrativismo; diz sobre as ações de preservação; estabelece as responsabilidades. É um documento muito rico, principalmente porque é elaborado conjuntamente pelos moradores e pelos estudiosos de cada local. Pode-se citar como exemplo de análise feita por um Plano de Manejo: se a utilização de uma matéria-prima/planta no presente não vai comprometer sua existência para as próximas gerações. Um Plano de Manejo tenta garantir que o ecossistema vai estar sempre lá, dando muita contribuição à vida humana (descoberta de novos remédios, novas matérias-primas, etc.), além de preservar a vida de animais e plantas que dependem destes lugares para sobreviver. A preservação dos recursos naturais será avaliada, também, em relação ao grau de fixação do trabalhador em sua região de origem. 115 Etapa 2: Implementar as ações corretivas – sociais, econômicas e ambientais Neste momento, junto com as comunidades-parceiras, a etapa do olhar dá lugar à etapa do agir. Por exemplo, se a área for uma Reserva Extrativista, a Natura ajuda a tornar real o Plano de Manejo da Área. Se a área em questão não é uma Reserva Extrativista, mas uma área de cultivo, a realização em conjunto com a comunidade também receberá toda uma abordagem de respeito ao homem, à terra, ao seu trabalho e à natureza à sua volta. Por exemplo: cuidados com a terra e com o solo para que não se esgotem; proteção aos rios para que não sequem ou sejam poluídos; proteção de aspectos trabalhistas e elevação do bem-estar de quem mora no local. Etapa 3: A obtenção da certificação. A certificação, que obedece a padrões internacionais de exigência, consolida o processo em que todos os envolvidos – a comunidade e os técnicos – se dedicaram. Nessa fase, a Natura estará apta a receber um selo – a marca de uma conquista, que garante para todos os consumidores que os ativos naturais presentes nos produtos são sustentáveis ou seja, ecologicamente corretos, economicamente viáveis e socialmente justos. A Certificação não é um processo rápido: leva, no mínimo, três anos. Ela pode até parecer o resultado final de um processo. Mas, na realidade, é um fim que prepara o início de uma nova fase, em que a Natura reaudita o processo, o tempo todo, objetivando torná-lo sempre melhor. O certificado final de manejo florestal sustentável, uma espécie de selo verde de garantia, será expedido pelo Imaflora, instituição que representa, no Brasil o Forest Stewarship Council (FSC), organização ambiental com atuação mundial. De posse desse certificado, os produtos terão passaporte carimbado para o 116 mercado internacional de cosméticos alternativos. Segundo Pedro Passos, "Com certeza vão nos ajudar a entrar em países onde ainda não estamos". Mas, além dos mercados para onde a Natura já exporta, o plano de vendas a novos mercados ainda não foi definido. O quadro 14 apresenta um status quanto ao andamento do Processo de Certificação de ativos da linha Natura Ekos: Quadro 14: Status do Programa de Certificação de Ativos Ativo Andiroba Estado Amazonas Buriti Piauí Cacau Bahia Camomila Castanha do Brasil Copaíba Paraná Amapá Cumaru Em avaliação Rondônia Cupuaçu Amapá Guaraná Bahia Macela do Paraná campo Maracujá Minas Gerais Mate Rio Grande Verde do Sul Pitanga Identificação de uma Elaboração de Implementaárea potencial de diagnósticos ção do plano fornecimento e présóciode manejo e avaliação a partir de ambientais e auditoria um levantamento rá- de inventários Imaflora pido da situação atual botânicos. quanto à organização Elaboração de da comunidade e tipo plano de de manejo agrícola manejo existente Início Final Início Final Início Final Observações Extrativismo (manejo) Extrativismo (manejo) Cultivo Sistema agroflorestal. Selo previsto para março 2003 Cultivo Extrativismo (manejo) Extrativismo (manejo) Extrativismo (manejo) Cultivo Sistema Agroflorestal Cultivo Cultivo São Paulo Fonte: Adaptado do Relatório Anual Natura – Exercício 2002 Cultivo Extrativismo (Manejo) Selo previsto para março 2003 Cultivo 117 CAP. V – ANÁLISE E CONCLUSÃO DO CASO Introdução O objetivo principal do presente estudo é o de investigar a criação e o desenvolvimento de produtos, com base no conceito de desenvolvimento sustentável, ou seja, que equilibram os pontos de vista econômico, social e ambiental. O estudo tem como objetivo responder às seguintes questões: § Qual a motivação para a criação e o lançamento de produtos com base no conceito de desenvolvimento sustentável? § Quais são as principais dificuldades enfrentadas para a criação e o lançamento de produtos com base no conceito de desenvolvimento sustentável? § Quais os principais benefícios auferidos com o lançamento de uma linha de produtos fiel ao conceito de desenvolvimento sustentável? São descritas e analisadas as ações da Natura, empresa da iniciativa privada brasileira, atuante no setor de Perfumaria, Higiene Pessoal e Cosméticos, que optou por desenvolver e implementar um projeto que apresenta características suficientes para a classificação do mesmo no conceito de desenvolvimento sustentável. Esse projeto, e foco desse estudo, é o lançamento da linha Natura Ekos. As perguntas de pesquisa, adaptadas a partir das questões a serem respondidas no presente estudo e que orientaram o estudo de caso foram: § Qual a motivação para a criação e o lançamento da linha Natura Ekos? § Quais práticas gerenciais distintas das anteriormente existentes foram adotadas e como elas foram implementadas a fim de respaldar a preocupação com a responsabilidade social? § Quais foram os aspectos socioeconômicos, financeiros e ambientais que foram considerados? 118 § Quais foram as principais dificuldades enfrentadas para o desenvolvimento da linha Natura Ekos? § Como o aprendizado do lançamento da linha Natura Ekos poderá afetar a estratégia da empresa? § Qual a percepção da empresa em relação ao valor agregado à sua imagem? A revisão de literatura abordou os seguintes temas: § A influência mútua entre a empresa e a sociedade demonstra o fato de que a empresa não existe isoladamente, estando inserida no interior da matriz social de uma comunidade e de uma sociedade, influenciando e sendo influenciada de muitas formas. § A Ética do Desenvolvimento Sustentável, pois as organizações precisam estar atentas não só a suas responsabilidades econômicas e legais, como também a suas responsabilidades éticas, morais e sociais. § A Responsabilidade social nas empresas, onde é apresentado o conceito de responsabilidade social, não mais simplesmente como uma forma de diferenciação, mas sim de sobrevivência da empresa, em resposta a uma maior conscientização do consumidor. § O Desenvolvimento Sustentável apresenta o conceito de que as necessidades do presente devem ser atendidas sem que se comprometa o suprimento das necessidades das gerações futuras. § A Biodiversidade, cujo manejo e exploração de forma sustentável, preservando sua integridade básica e garantindo a renovação de seus recursos, pode ser uma importante vantagem competitiva a serviço do desenvolvimento do país. § O conceito de Reservas Extrativistas é apresentado para o melhor entendimento do caso estudado. Em tais áreas, é possível materializar o desenvolvimento sustentável, equilibrando interesses ecológicos de conservação ambiental, com interesses sociais de melhoria de vida das populações tradicionais que ali habitam. 119 Esta pesquisa possui caráter exploratório e foi desenvolvida utilizando-se a metodologia do estudo de caso. Foram realizadas duas entrevistas: uma no Novo Espaço Natura, situado no município de Cajamar, estado de São Paulo, com a Srta. Juliana Gomiero, gerente de marketing da linha Natura Ekos e uma outra, por telefone, com o responsável técnico pelo processo de certificação da Natura, Sr. Marcelo Caffer, engenheiro agrônomo, da Divisão de Certificação do Imaflora, que posteriormente complementou algumas respostas por correio eletrônico. Além disso, diversas declarações de diversos funcionários foram utilizadas a partir de entrevistas concedidas a revistas, jornais, internet, etc., tendo suas fontes documentais referenciadas à medida que foram inseridas no estudo. A análise do caso foi feita primeiramente objetivando responder às perguntas de pesquisa, que foram adaptadas no capítulo sobre metodologia a partir das questões a serem respondidas no presente estudo. As informações obtidas são comparadas com pontos apresentados na revisão de literatura. Embora se tenha procurado, através da análise, cobrir o maior número possível de aspectos envolvidos na observação e descrição das ações da Natura, desde o lançamento da sua pioneira linha Natura Ekos, com o intuito de alcançar algumas conclusões, é importante ressaltar que a linha Natura Ekos tem pouco tempo de existência, o que limita as possibilidades de interpretações sobre o caso. Além disso, conforme mencionado no capítulo III sobre metodologia, devido ao método utilizado, os resultados obtidos são restritos ao caso estudado, não permitindo, portanto, generalizações. O estudo não é atemporal nem exaustivo, não permitindo inferir muito sobre a continuidade ou prováveis mudanças de estratégia da empresa entrevistada no futuro. Por fim, buscou-se responder às três questões propostas no presente estudo além de apresentar algumas sugestões para estudos futuros. 120 1 Respostas às Perguntas de Pesquisa 1.1 Qual a motivação para a criação e o lançamento da linha Natura Ekos? A Natura detectou a possibilidade de aumentar sua taxa de crescimento através do lançamento de uma nova linha de produtos mais acessível e que ao mesmo tempo pudesse reforçar a sua marca, ressaltando o seu compromisso com a responsabilidade social e possibilitando acesso ao mercado internacional. Segundo Juliana Gomiero, gerente de produto da linha Natura Ekos: “A gente percebe que o consumidor está bem exigente, conforme resultado da nossa pesquisa de mercado, a gente percebe que o consumidor não quer mais saber de um marketing que a gente chama de ‘marketing de emboscada’ (que é um termo utilizado por nossa agência) que é aquele marketing falso. O consumidor quer saber mesmo é: ‘Ah! Esse produto aqui está contribuindo de alguma forma pra…, está dando um retorno para a população…’, eles querem que as empresas... eles exigem que as empresas tenham já uma visão mais ampla da questão social e ambiental”. A Natura percebeu então uma grande oportunidade, pouco explorada, de desenvolver produtos sócio-ambientalmente certificados baseados na biodiversidade brasileira. O interesse por produtos naturais cresce a cada dia; fitoterápicos e cosméticos movimentam juntos mais de 160 bilhões de dólares no mundo. Isso é confirmado pela revisão de literatura quando Holliday, Schmidheiny e Watts (2002, p.178) afirmam que “produtos certificados possibilitam praticar preços maiores e aumentar a participação de mercado, assim como responder às preocupações do consumidor quanto ao impacto ambiental dos mesmos”. Visão que também está de acordo com a de Grayson e Hodges (2002) ao afirmarem que o crescimento mundial da consciência ambiental está aumentando na sociedade o desejo de consumir produtos ambientalmente saudáveis, de que há uma conscientização maior sobre desenvolvimento sustentável e de que as empresas podem dar uma 121 contribuição positiva em muitas áreas, além de, obviamente, reduzir os efeitos negativos que causam. O lançamento da linha Natura Ekos deu uma oportunidade à Natura de desenvolver um negócio associado à preservação do meio ambiente, à promoção de comunidades tradicionais e ao desenvolvimento sustentável, ou seja, equilibrando os pontos de vista econômico, social e ambiental. Juliana Gomiero afirmou que: “A Natura buscou o desenvolvimento sustentável, buscou criar uma linha de negócios, dentro do seu negócio, para estar utilizando a biodiversidade brasileira de uma forma sustentável, sem a destruir, perpetuando e garantindo a sua conservação”. A Natura visou, com isso, ao aumento do valor da marca (brand equity), possibilitando acesso ao mercado internacional, que valoriza cada vez mais esse tipo de conceito-chave: produtos socialmente responsáveis. Juliana Gomiero também afirmou que: “A linha Natura Ekos vem para reforçar esse objetivo da marca de estar se internacionalizando, sendo um dos caminhos da marca, contribuindo para a internacionalização. O fato da linha Natura Ekos ser baseada numa plataforma da biodiversidade brasileira é uma vantagem competitiva, é um diferencial.” Na revisão de literatura, a consultoria SustainAbility, em parceria com o IFC e o Instituto Ethos (2003), confirma duas oportunidades proporcionadas por negócios sustentáveis que motivaram a Natura no lançamento da linha Natura Ekos: § § Melhorar o valor da marca e reputação. Crescimento de receitas e acesso de mercado. 122 1.2 Quais práticas gerenciais distintas das anteriormente existentes foram adotadas e como elas foram implementadas a fim de respaldar a preocupação com a responsabilidade social? Em relação às suas práticas gerenciais, a Natura teve que fazer grandes adaptações em função da sazonalidade dos ativos utilizados. Segundo Juliana Gomiero: “... um grande fator crítico de sucesso é a otimização da cadeia produtiva, desde lá na ponta da reserva extrativista até aqui para que esse produto não falte. Então você tem que ter todo um planejamento anual: o que você vai utilizar (ativos, matérias primas) para poder enviar esse planejamento, suas estimativas para essas reservas se programarem, estar estocando junto com os fornecedores. Mas é um chute, né… o lançamento foi um chute, você não sabia quanto você ia vender… Teve casos que a gente comprou e que teve que comprar muito mais e teve casos que faltaram ativos e matéria prima. Então hoje é um aprendizado e a gente tem um objetivo de estar monitorando todas as nossas necessidades durante o ano, e passar esse monitoramento para as reservas extrativistas para que não hajam grandes expectativas por parte das pessoas que trabalham lá, que vendem os ativos para a Natura”. Além disso, o marketing sempre enfatizou que os ativos utilizados na linha Natura Ekos seriam extraídos da biodiversidade brasileira, de forma sustentável, aumentando ainda mais a complexidade das operações da cadeia de fornecimento, de forma que pudesse garantir o que estava sendo prometido. Para isso, foi criado processo de certificação do manejo de sua cadeia de custódia e dos seus fornecedores associados, junto ao FSC/Imaflora. De certa forma, a certificação do FSC/Imaflora funcionará como elemento diferenciador de marketing, uma espécie de “rótulo verde” que pode vir a conferir acesso ao mercado internacional e ajudar a proteger a Natura das críticas dos ativistas verdes. 123 Em entrevista concedida à revista Exame (VASSALO, 2003), Elizabeth Pereira afirma porém que "no início, não tínhamos noção da complexidade do processo e de como seria difícil estruturar nossa cadeia de suprimentos". Juliana Gomiero complementa: “... a empresa criou o programa de certificação de ativos, que é uma forma de estar garantindo o desenvolvimento sustentável. O programa de certificação possui várias etapas. O objetivo dele é garantir a origem dos insumos, ou seja, as plantas que nós estamos extraindo. Nós garantimos a origem desses ativos, sabemos de onde está vindo, promovendo o desenvolvimento socioeconômico daquelas regiões. E aí então, através da execução de todas as etapas do programa de certificação, é que você vai garantir no final que você tenha esse desenvolvimento socioeconômico daquela região”. No entanto, a Natura não quer criar uma relação de dependência com seus fornecedores da floresta, a ponto de eles não conseguirem sobreviver sem ela. Ao chegar a uma comunidade, a Natura e os representantes das empresas beneficiadoras explicam aos moradores que um dia, inevitavelmente, a empresa deixará de comprar suas matérias-primas. O ciclo de vida de um cosmético é de, no máximo, cinco anos e alguns produtos são retirados do mercado meses após o lançamento, pois só existirá oferta se existir demanda. Em 2002, dois itens foram descontinuados. Em 2003, outros quatorze também serão descontinuados. Esse tipo de preocupação é coerente com a opinião de Oliveira (2000) de que a conservação da biodiversidade deve ser coordenada com a utilização de seu potencial de gerar renda e que esta seria a melhor forma de convencer as comunidades locais e os empresários a preservarem a biodiversidade. Seriam utilizadas abordagens inovadoras para preservar as florestas tropicais, gerando renda para as populações locais, que ganham um melhor padrão de vida, proporcionado pelo desenvolvimento sustentável. O envolvimento das organizações não governamentais, também está sendo importante para a Natura conseguir implementar os seus objetivos. Tornaram- 124 se parceiras da Natura ONGs como o Imaflora, representante no Brasil do Forest Stewardship Council, entidade internacional que promove e certifica o manejo sustentável de florestas, e o Instituto Socioambiental, dedicado ao trabalho com comunidades tradicionais. Cerca de dez universidades e centros de pesquisa espalhados pelo país estão atualmente envolvidos em pesquisas de plantas que, um dia, poderão compor a fórmula de cremes, xampus e sabonetes da empresa. Um projeto, batizado de Campus, vai incentivar a produção acadêmica voltada para o uso da biodiversidade brasileira na cosmética. Esses cientistas também ajudarão a capacitar as comunidades fornecedoras, ensinando como promover o manejo sustentável e, ao mesmo tempo, como garantir qualidade, custos razoáveis e algum volume de produção. Segundo Eduardo Luppi, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Natura, em entrevista concedida à revista Exame, "até dois anos atrás, essas eram questões que estavam muito distantes da nossa realidade. Estamos entrando num terreno estranho, e isso é complicado". (VASSALO, 2003) A linha Natura Ekos começou utilizando ingredientes da biodiversidade, de uso já conhecido na produção de cosméticos. A rede de conhecimentos gerados nas comunidades e nas universidades tem que funcionar para sustentar a linha no médio e longo prazos. Será preciso descobrir, pesquisar e desenvolver ativos completamente novos. Na área de inovação da empresa, há em 2003, quarenta e três projetos na linha da biodiversidade. Em 2002, metade do investimento, de 62,3 milhões de reais, feito em pesquisa e desenvolvimento foi para essa área. 125 1.3 Quais foram os aspectos socioeconômicos, financeiros e ambientais que foram considerados? Conforme já mencionado, o lançamento da linha Natura Ekos deu uma oportunidade à empresa de desenvolver um negócio associado à preservação do meio ambiente, à promoção de comunidades tradicionais e ao desenvolvimento sustentável, ou seja, equilibrando os pontos de vista econômico, social e ambiental. O aspecto primordial em relação ao meio ambiente foi a utilização da biodiversidade brasileira, de forma sustentável, sem a destruir, perpetuando e garantindo a sua conservação para as próximas gerações. O aspecto financeiro principal não poderia deixar de ser a geração de lucro. A linha Natura Ekos é uma linha lucrativa. Segundo Guilherme Leal, em entrevista concedida à revista Exame (VASSALO, 2003), "Não vendemos consciência social e ambiental. Vendemos cosméticos, que devem ser desejados e aceitos pelo mercado". A linha Natura Ekos foi posicionada em um nível de preços inferior aos das linhas tradicionais da Natura e, mesmo assim, a linha possui margens de contribuição altas, tendo sua entrada considerada decisiva para o aumento do lucro da empresa. O aspecto socioeconômico principal está relacionado à geração de renda para as comunidades locais. A criação de uma nova perspectiva de melhorar a renda das famílias dentro das reservas extrativistas. O grande diferencial da Natura foi a busca da certificação dos ativos da biodiversidade brasileira utilizados na linha Natura Ekos. Segundo Juliana Gomiero: “É um processo longo, que demora dois, três anos, a gente está no começo, é um processo que a gente admite que é longo, é difícil, mas a Natura está investindo para realmente poder garantir que a gente saiba da onde vem além de garantir o desenvolvimento econômico para essas regiões”. 126 Além do trabalho, o que ainda não possui uma definição muito clara é quanto vale o conhecimento tradicional e como remunerá-lo. Não há ainda um contrato-padrão entre a Natura e as comunidades, e várias formas de remuneração estão sendo estudadas: do pagamento puro e simples ao repasse para os fornecedores de um percentual do faturamento conseguido com o produto. A falta de parâmetros acaba aumentando as expectativas das comunidades e, conforme já citado anteriormente, tudo o que a Natura não quer e não procura fazer é criar uma relação de dependência com seus fornecedores da floresta, a ponto de eles não conseguirem sobreviver sem ela. Essas preocupações parecem estar de acordo com o que Jacobs (2002) afirma sobre as pessoas que vivem na floresta e em seus arredores, que: “...são as únicas que dominam a arte de explorar a floresta tropical de uma forma realmente sustentável, graças a uma enorme quantidade de conhecimento prático... eles sabem tudo sobre plantas comestíveis, espécies medicinais, insetos comestíveis e suas larvas e como coletar mel selvagem”. Também o IBAMA (2001a) reforça que o manejo das unidades de conservação também deve estar orientado para garantir que as mesmas atuem como núcleos de áreas maiores onde se realize o desenvolvimento sustentável com a promoção social e econômica das comunidades do entorno, confirmando a opinião de Oliveira (2000) de que se puder ser demonstrado que as florestas possuem mais valor quando deixadas de pé do que quando são derrubadas, elas terão mais chance de serem preservadas. E para isso, a autora ressalta o papel importante do conhecimento das populações tradicionais na busca por um tipo de desenvolvimento menos predatório e mais em harmonia com a natureza. 127 1.4 Quais foram as principais dificuldades enfrentadas para o desenvolvimento da linha Natura Ekos? Em relação às dificuldades enfrentadas, é possível citar, entre outras: § A certificação não é um processo rápido: leva, no mínimo, três anos. A Natura ainda não possui nenhum ativo certificado pelo FSC/Imaflora e, apesar de apresentarem no seu Relatório Anual de Responsabilidade Corporativa de 2001 um objetivo visando certificar três ativos em 2002, isso só deve ocorrer efetivamente em 2003. Segundo Marcelo Caffer: “É muito difícil prever um número de processos de certificação que culminarão em casos certificados. Primeiramente, porque o sistema de certificação do FSC tem demonstrado algumas dificuldades de aplicação em unidades de manejo de pequena escala. Este fato tem sido profundamente discutido no FSC e nas iniciativas nacionais sobre a operacionalização do sistema e sua aplicação em unidades de pequena escala e intensidade de manejo. Outro ponto é a grande diversidade de situações sociais, econômicas, ambientais, culturais e, acima de tudo organizacionais, em que as diversas comunidades e pequenos agricultores se encontram e, conseqüentemente, o tempo que as áreas selecionadas pela Natura para o processo de certificação vão precisar para “alcançar” o nível de performance exigido pela certificação. Neste sentido, a organização para o trabalho responsável em grupo e a consolidação/ formalização dos processos/sistemas de manejo e monitoramento são os aspectos mais sensíveis. Também a falta de legislação específica e clareza do órgão ambiental responsável sobre as exigências para elaboração de planos de manejo para Produtos Florestais não Madeireiros (PFNMs) tem sido determinantes do tempo para os processo de certificação”. § A adaptação do consumidor à simplicidade das embalagens da linha. A linha é considerada muito boa pelos seus consumidores, possui fragrâncias excelentes, extremamente agradáveis. Mas os clientes reclamavam que a embalagem era feia, simples demais. Só que esta era uma forma da Natura “educar” os seus consumidores para um produto dentro de um conceito novo. Segundo Juliana Gomiero: “... existem reclamações, mas são reclamações em relação às embalagens, de que são muito simples. Tem consumidores que não entendem muito bem o conceito da linha. A embalagem é simples, 128 porque quanto mais simples for o desenho da embalagem menos matéria prima você utiliza na sua produção, contribuindo para o meio ambiente”. § Por não serem considerados uma commodity e devido à escala de produção reduzida, produtos sustentáveis são invariavelmente mais caros que os demais. § O conceito de just-in-time passou a valer pouco. Todo mês, saem da fábrica da Natura milhares de embalagens de produtos Natura Ekos, porém os insumos de onde são extraídos os ativos utilizados na linha só podem ser colhidos durante alguns meses do ano. Pedro Passos, em entrevista concedida à revista Exame (VASSALO, 2003), acrescenta: "Não podemos pedir para que uma comunidade faça hora extra". § O primeiro lote de buriti comprado para compor a linha Ekos chegou fora da especificação. A Natura e o fornecedor arcaram com os prejuízos. O que fez com que, diante das dificuldades, alguns fornecedores ficassem longe do projeto. § Ao optar pelo uso da biodiversidade e pelo relacionamento com comunidades tradicionais, a Natura pisou num novo e pantanoso terreno para o mundo corporativo. Na Amazônia, maior reserva de biodiversidade do planeta, com um patrimônio biológico estimado em 2 trilhões de dólares, falta infra-estrutura de estradas, aeroportos e comunicação e sobram interesses. Nela está a maior concentração de ONGs ambientais do mundo e para algumas delas, a presença de grandes empresas é automaticamente associada à exploração irresponsável. Por outro lado, para as comunidades carentes, a chegada de grandes compradores pode soar como a redenção das mazelas locais. Essa fronteira entre o heroísmo e a vilania pode ser ultrapassada ao menor descuido, tornando-se uma responsabilidade adicional da Natura. § Houve canibalização de outras linhas da Natura. Segundo Juliana Gomiero: “...houve canibalização parcial de aproximadamente 10 a 20% de algumas linhas que eram muito próximas como é o caso de um óleo Sève que é um óleo para banho e que a Natura é líder, tem 30% do mercado... então você lança um outro óleo dentro de uma marca 129 líder acaba canibalizando mas nada que impacte. Num todo a Natura ganhou mercado com o lançamento. Apesar de ter canibalizado, a linha trouxe receita adicional …”. 1.5 Como o aprendizado do lançamento da linha Natura Ekos poderá afetar a estratégia da empresa? A Natura pode ser dividida em antes e depois do lançamento da linha Natura Ekos. O aprendizado do lançamento da linha Natura Ekos já está afetando a estratégia da Natura. Segundo Elisabeth Pereira, em entrevista concedida ao jornal Gazeta Mercantil (SCHARF e ANTIQUERA, 2001), o lançamento da linha Natura Ekos mudou o curso de uma empresa que já tinha completado 30 anos. “É uma experiência definitiva e transformadora. Os produtos são um reflexo do que a empresa acredita”. Eles acabaram promovendo uma aproximação da Natura com universos com os quais não lidava, como as ONGs, os certificadores ambientais e as comunidades de reservas extrativistas. O público responde e mais consumidores são incorporados graças ao novo conceito. O uso de produtos vegetais não é novidade na Natura, mas com a linha Ekos a indústria assume a biodiversidade brasileira como foco de suas pesquisas. A Natura é a primeira empresa de grande porte a utilizar essas matérias-primas que têm atraído o interesse de pesquisadores do Brasil e do exterior e já são utilizadas de forma artesanal na região. E a linha Natura Ekos já é responsável por aproximadamente 10% do faturamento total da Natura. Os impactos desse tipo de estratégia e a sua forma de implementação provavelmente vão conduzir a uma empresa totalmente diferente da existente antes do lançamento da linha Natura Ekos. Ao criar uma plataforma tecnológica através do uso sustentável da biodiversidade brasileira em seus produtos; criar complexas redes de parceiros com comunidades, ONGs, governos e cientistas; implantar novas práticas gerenciais; aumentar a complexidade da operação do 130 dia-a-dia, embutindo riscos inexistentes num modelo convencional e sem resultados previsíveis ou garantidos, a Natura se reinventa, apresentando um jeito diferente de fazer negócios sem perder os seus tradicionais valores de responsabilidade social. O prêmio pode ser a garantia do crescimento e a sobrevivência no longo prazo, ao inovar nos produtos e na abordagem do consumidor, dando início a um novo ciclo de expansão. São novas possibilidades e oportunidades que parecem viabilizar a internacionalização da marca, através da nova linha Natura Ekos, funcionando como uma espécie de “visto de entrada verde” no passaporte para o mercado internacional. 131 1.6 Qual a percepção da empresa em relação ao valor agregado a sua imagem? A percepção da empresa em relação ao valor agregado a sua imagem é de que a linha aumentou o brand equity (valor da marca) da Natura. É como se a Natura tivesse alcançado um novo patamar, diferenciando-a da concorrência. Segundo Juliana Gomiero: “O nome Ekos aumentou o brand equity da empresa, a gente percebe com a pesquisa junto aos consumidores de que eles percebem que foi uma evolução da marca Natura, que é uma inovação, que é como se a Natura fosse para um outro patamar, pela questão do uso sustentável da biodiversidade brasileira”. A linha Natura Ekos é a primeira inserção estruturada de uma empresa de cosméticos na real utilização da biodiversidade brasileira como fator de diferenciação da sua marca e de seus produtos. E como a biodiversidade do Brasil tem um recall grande, é razoável supor que a linha Natura Ekos acelere a construção da marca Natura no Primeiro Mundo. 132 2 Respostas às Questões do Estudo 2.1 Qual a motivação para a criação e o lançamento de produtos com base no conceito de desenvolvimento sustentável? A grande motivação para a criação e o lançamento de produtos com base no conceito de desenvolvimento sustentável é que a consciência ecológica do consumidor vem ganhando força através da mobilização da sociedade, que cada vez mais se organiza e cobra soluções para que as suas necessidades de consumo não sejam agressivas à natureza. É uma espécie de “consumo sustentável” que Holliday, Schmidheiny e Watts (2002, p.193) afirmam “não se tratar de consumir menos, mas sim consumir de maneira diferente, inovadora e eficiente, com mais qualidade, conhecimento e menor desperdício”. A criação e lançamento de produtos com base no conceito de desenvolvimento sustentável, ou seja, equilibrando os pontos de vista econômico, social e ambiental, pode parecer um conceito novo à primeira vista, mas começou a correr o mundo em 1972, durante a 1ª Conferência Mundial do Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, na Suécia. Kotler, sem utilizar o termo desenvolvimento sustentável, também afirmava em 1972 que ao servir eficientemente os desejos dos consumidores, é possível prejudicar seus interesses de longo prazo e que há muitas oportunidades para o desenvolvimento de novos produtos - caracterizados pelo autor como “produtos desejáveis”, que atendam os desejos dos consumidores tanto na geração de satisfação no curto prazo como na provisão de benefícios no longo prazo. (KOTLER, 1972, p. 54) No caso em estudo, a Natura precisava crescer, gerar receitas com novos produtos e continuar seu processo de inovação. Coerente com a sua visão, a Natura vislumbrou a oportunidade de lançar uma linha de cuidados pessoais que utiliza ativos da biodiversidade brasileira de uma forma sustentável, 133 incrementando a sua atuação no campo da responsabilidade social através da geração de renda para a comunidade local sem depredar ou exaurir a região de extração/plantação. Porter (1989, p. 10 e 13) cita três estratégias genéricas para alcançar desempenho acima da média em uma indústria: liderança de custo, diferenciação e enfoque, onde o enfoque na diferenciação explora as necessidades especiais dos compradores em certos segmentos (nichos). Os contornos desse nicho de mercado, cujo potencial é pouco ou mal explorado, ainda estão sendo delineados. Num ambiente de negócios onde a competição é cada vez mais complexa e global, Porter (1996, p. 65) defende que a competição estratégica pode ser pensada como o processo de captação de novas posições que atraem consumidores de posições estabelecidas ou de novos consumidores para o mercado. E, comumente, novas posições aparecem devido a mudanças. As mudanças que vêm ocorrendo na sociedade, e mais especificamente no comportamento do consumidor, são decisivas para o sucesso das empresas nos próximos anos, tornando-se grandes motivadoras para a criação e lançamento de produtos com base no conceito de desenvolvimento sustentável. “... muitas empresas desenvolveram, nos últimos anos, a consciência ambientalista, menos por adesão ao movimento ecológico e mais por percepção de que não poderiam agir de outra forma, sob pena de serem punidas, se não pela lei, pela execração da opinião pública, com o risco de prejudicar seus negócios”. (CARNEIRO, 1991, p.36) Segundo Porter (1996, p.62), uma empresa pode ter um desempenho superior em relação aos seus competidores somente se conseguir estabelecer uma diferenciação que ela possa preservar (uma fonte sustentável de vantagem de custo ou de diferenciação). Ela deve entregar maior valor para o seu cliente ou criar valor comparável a um custo menor ou ainda ambos. Porque, também de acordo com Porter (1989, p. 16), se uma empresa consegue obter a liderança 134 no custo e a diferenciação simultaneamente, as recompensas são grandes porque os benefícios são aditivos – diferenciação leva a preços-prêmio ao mesmo tempo em que a liderança no custo implica em custos mais baixos. As empresas que conseguirem aproveitar as mudanças desejadas pelos consumidores poderão aumentar o seu faturamento através dessa diferenciação, além de obter as vantagens do “primeiro a mover-se”, que segundo Porter (1989, p. 173), em termos gerais, tem a chance de definir as regras competitivas em várias áreas, podendo estabelecer uma reputação como a pioneira ou a líder, que dificilmente os imitadores conseguirão superar. Segundo Porter (1996, p. 62 e 64), a essência da estratégia está na escolha entre realizar atividades de maneira diferente da concorrência ou realizar outras atividades, que não são feitas pela concorrência. Criar e lançar produtos com base no conceito de desenvolvimento sustentável pode ser uma forma bastante eficaz de obter essa diferenciação, tanto através da escolha das atividades quanto da forma como elas são executadas. 135 2.2 Quais são as principais dificuldades enfrentadas para a criação e o lançamento de produtos com base no conceito de desenvolvimento sustentável? Porter (1989, p. 111 e 117) afirma que uma empresa diferencia-se da concorrência se puder ser singular em alguma coisa valiosa para os compradores. Essa singularidade pode resultar do momento em que uma empresa começa a executar uma atividade. Sendo a primeira a adotar uma imagem em seus produtos, por exemplo, uma empresa pode evitar que outros façam isto, tornando-se singular. De acordo com o mesmo autor (1996, p. 63 e 68), escolher uma posição única não é suficiente para garantir uma vantagem sustentável. Uma posição de valor vai atrair a imitação e os competidores podem rapidamente imitar técnicas de gerenciamento, novas tecnologias, melhorias e maneiras superiores de atender às necessidades dos consumidores. Porter (1989, p. 146 e 148) ressalta que a sustentabilidade da diferenciação depende do seu valor percebido permanente para os compradores e da falta de imitação por parte dos concorrentes. Por isso, a diferenciação mais persuasiva, em geral, provém de fontes de valor, que o comprador pode perceber e medir, ou de fontes de valor difíceis de serem medidas, mas que são muito bem sinalizadas. Um estudo de caso não é generalizável, porém é razoável supor que muitas das principais dificuldades enfrentadas pela Natura para a criação e o lançamento da sua linha Natura Ekos podem ser apontadas para outras empresas que visam trilhar o caminho do desenvolvimento sustentável: § Nem sempre o consumidor entende o conceito de um produto à primeira vista, fazendo com que seja necessário investir de maneira especial na comunicação, visando educar o consumidor em relação ao uso e benefício do produto. 136 § A sazonalidade dos insumos utilizados pode ser um complicador na operacionalização da cadeia de fornecimento. Dificultando a utilização do conceito de just-in-time. § Por não serem considerados uma commodity e devido à escala de produção reduzida, produtos sustentáveis são invariavelmente mais caros que os demais. § Alto custo de desenvolvimento e fabricação dos primeiros lotes do produto. § Possíveis danos à reputação da empresa, caso ocorra alguma associação à exploração irresponsável. § Geração de expectativas de longo prazo junto aos fornecedores incompatíveis com o ciclo de produto e/ou objetivos de curto prazo. § Legislação inadequada ou inexistente. Holliday, Schmidheiny e Watts (2002, p.178) afirmam que “produtos certificados possibilitam praticar preços maiores e aumentar a participação de mercado, assim como responder às preocupações do consumidor quanto ao impacto ambiental dos mesmos”. Porém, a certificação aumenta exponencialmente a complexidade das operações da cadeia de fornecimento a fim de garantir o que é prometido. A certificação é um processo lento, de investimento inicial alto, onde invariavelmente a empresa pode vir a criar uma relação de dependência com seus fornecedores que podem vir a se tornar monodependentes, estando financeiramente atrelados à venda de produtos cujo ciclo de vida é uma incógnita. Também, segundo Marcelo Caffer: “A falta de legislação específica e clareza do órgão ambiental responsável sobre as exigências para elaboração de planos de manejo para Produtos Florestais não Madeireiros (PFNMs) tem sido determinantes do tempo para os processo de certificação.” Esses obstáculos parecem estar de acordo com o que Porter (1989, p.176) afirma: que o pioneirismo possui alto custo em função do desenvolvimento dos insumos iniciais necessários (fontes de matérias-primas e novos tipos de máquinas), da escassez de fornecimento dos mesmos ou à pequena escala de 137 necessidades. Além disso, o primeiro a mover-se, arca com o risco da incerteza quanto à demanda futura. A inovação é um pilar básico para a criação e o lançamento de produtos com base no conceito de desenvolvimento sustentável. Para avançar de maneira mais rápida na utilização da plataforma da biodiversidade nos seus negócios a Natura comprou, no segundo semestre de 1999, a empresa carioca Flora Medicinal, tradicional laboratório criado em 1912. Graças às suas pesquisas pioneiras a Flora Medicinal detém um acervo de mais de 280 plantas da biodiversidade brasileira, cuidadosamente estudadas e uma linha de 300 produtos já desenvolvidos. Figura 5: Três estratégias Genéricas (Custo, Diferenciação e Enfoque) Vantagem Competitiva Custo mais baixo Escopo Competitivo Alvo Amplo Custo Alvo Estreito Enfoque Diferenciação Aquisição Diferenciação de Tecnologia Fonte: adaptado a partir de PORTER, 1989, p. 10 Com a aquisição da Flora Medicinal, a Natura adquiriu uma vantagem de pelo menos 87 anos sobre seus rivais. Essa aquisição de tecnologia, representada esquematicamente pelo trapézio inserido na figura 5, propositadamente deslocado no sentido da diferenciação, foi uma forma da Natura obter uma vantagem competitiva sustentável e encurtar um caminho que requeria um aprofundamento do conhecimento da biodiversidade brasileira, diferenciandose bastante da concorrência, economizando, ao reduzir o tempo necessário de aprendizagem e pesquisa e estreitando, de maneira bastante oportuna, o seu foco a fim de atender ao novo nicho de mercado. 138 Porter (1989, p. 157, 160 e 164) ressalta que a tecnologia afeta a vantagem competitiva se tiver um papel significativo na determinação da posição do custo relativo ou da diferenciação. O pioneirismo na transformação tecnológica traduz-se em vantagens para o primeiro a mover-se, além daquelas inerentes à própria tecnologia, sendo um determinante potente de barreiras de entrada, podendo aumentar economias de escala, acelerando o ritmo da introdução de um novo produto. Tem poder inclusive de influenciar a estrutura industrial. Por fim, Porter (1989, p. 171) também afirma que uma empresa com qualificações tecnológicas singulares ante a concorrência tem mais possibilidade de sustentar sua liderança tecnológica do que uma empresa com uma administração, instalações e pessoal de P&D comparáveis aos dos concorrentes. 139 2.3 Quais os principais benefícios auferidos com o lançamento de uma linha de produtos fiel ao conceito de desenvolvimento sustentável? Entre os benefícios mais significativos proporcionados pela busca efetiva por negócios relacionados com o conceito de desenvolvimento sustentável, é possível citar: § Melhoria do valor da marca e reputação, diferenciando a empresa como um todo no mercado em que atua e possibilitando o seu acesso a outros mercados até então inacessíveis, possibilitando o crescimento de receitas. § Economia de custos e produtividade, ao minimizar desperdícios, evitar multas e paradas de produção impostas por órgãos reguladores. § Facilitação e aumento do acesso ao capital por meio de melhores práticas de governança corporativa. § Melhor gestão de riscos e maior credibilidade por meio do envolvimento com as partes interessadas. A empresa passa a ser mais respeitada, conquistando e aumentando a confiança dos seus stakeholders. § Aumento da eficácia na captação e gestão de recursos humanos, já que isso contribui para aumentar a percepção de que a empresa é uma “boa empresa para se trabalhar”. Pode ser precipitado afirmar que a Natura tem uma espécie de “visto de entrada verde” no passaporte para o mercado internacional, já que um produto por si só não basta. Bartlett e Ghoshal (2000, p. 137) inclusive alertam para a importância de diversos fatores, entre eles recursos humanos e capacidade gerencial, ao citar a Natura como exemplo de empresa que falhou ao alavancar os seus pontos fortes em marketing e desenvolvimento de produto no seu processo de internacionalização. Segundo os autores, a Natura falhou ao não investir na contratação de executivos de peso, utilizando funcionários expatriados e/ou contratados precipitadamente, sem senioridade suficiente e credibilidade necessários para obter a atenção da gerência de topo no Brasil. Sem o devido suporte, eles não tinham a influência necessária para conseguir os recursos vitais para construir um negócio viável no exterior. 140 Não há estimativas sobre o crescimento das exportações em função da nova linha Natura Ekos, porém as expectativas são otimistas. Com o salto de exportações nos próximos anos, a balança comercial da empresa, que hoje é praticamente zerada, poderá ficar superavitária. Os insumos importados giram em torno de R$ 48 milhões a R$ 60 milhões, correspondendo de 20% a 25% do total de R$ 240 milhões gastos com matérias-primas, por ano. De qualquer maneira, a Natura pode ser dividida em antes e depois do lançamento da linha Natura Ekos. É possível detectar que a empresa buscou a sustentação da sua nova estratégia em três pilares estratégicos: coerência com o negócio principal, tecnologia do processo e criação de elementos diferenciadores de marketing. O potencial cosmético das matérias-primas da floresta não é novidade para empresas como a Yves Rocher e a inglesa The Body Shop, que pesquisam a Amazônia desde a década passada. Como referência, Martin (2002, p. 6) cita a empresa inglesa The Body Shop como uma empresa global de cosméticos, que faz da virtude corporativa parte da sua proposição de valor: ao comprar os seus produtos, a empresa diz aos seus consumidores que eles estão contribuindo para melhorar a vida das mulheres nos países em desenvolvimento, promovendo os direitos dos animais, protegendo o meio ambiente e também fomentando a prática da responsabilidade social. Com essa nova linha, a Natura cria uma possibilidade de crescimento no mercado interno através de um produto diferenciado e cria uma alternativa de entrada nos mercados internacionais com um produto altamente diferenciado e com um apelo capaz de torná-la no “The Body Shop Tropical”. É razoável supor que outras empresas possam trilhar o caminho percorrido pela Natura, obtendo benefícios de diversas naturezas. Por exemplo, Porter (1989, p. 174) cita que a empresa, sendo pioneira, pode estabelecer barreiras através da obtenção de status especial junto ao governo. 141 Se como empresa de cosméticos tradicionais a Natura seria mais uma em mercados altamente competitivos; como uma empresa socialmente responsável, com sua estratégia baseada em crescimento sustentável e exploração sustentável da biodiversidade brasileira, a Natura pode ganhar dimensões antes não imagináveis nos mercados dos países desenvolvidos. A criação de uma identidade própria – Natura Ekos – foi uma forma bastante adequada de criar um elemento diferenciador para a empresa, agregando valor a marca Natura, mas ainda assim criando uma independência que, ao que tudo indica, pode ser utilizada como principal condutor do processo de internacionalização. É razoável supor que o sucesso da internacionalização da Natura será baseado na linha Natura Ekos, independente de todo um histórico de coerência da Natura com a responsabilidade social. 142 3 Conclusões Finais Há uma conclusão importante que pode ser inferida a partir da análise do caso Natura Ekos. Entretanto, essa conclusão diz mais respeito à análise do processo estratégico e menos a sua relação com a biodiversidade. A Natura estava em um dilema estratégico interessante: como associar definitivamente sua marca à natureza se até então, por melhor que fossem seus esforços, era apenas uma empresa de cosméticos tradicional com uma manifesta preocupação com o meio ambiente. O Boticário, por exemplo, segundo Maciel (1997), desenvolveu a Fundação O Boticário para Preservação da Natureza, a partir da necessidade de resposta à crescente identificação de sua marca com a ecologia. A Natura, embora já tivesse trilhado o caminho da associação com a natureza no mercado interno, precisava de uma solução estratégica para o desejo de ter sua marca associada ao desenvolvimento sustentável. Segundo Pedro Passos: “Nós estamos aprendendo muito, nós não sabemos ainda tudo não. Nós, os nossos pesquisadores, as nossas consultoras, nós vamos montar uma rede de pessoas trabalhando por uma causa e acho que o meio ambiente vai ser uma dessas causas muito interessantes, com um conceito diferente: não é o conceito da preservação pura e simplesmente da floresta, da fauna, do mar, das águas... é o conceito do uso sustentável, é o conceito de estar próximo tirando benefício econômico dessas reservas, desse patrimônio. Por outro lado preservando-o para as gerações futuras. Então uso sustentável é diferente de preservação. Preservação congela, afasta, segrega. Uso sustentável é interação, aprendizado... são populações vivendo ao lado da floresta e nós urbanos aprendendo com essas populações como melhor usar, explorar de forma sustentável aquela reserva... A Natura pode ser um agente de transformação social através de uma atuação sustentável, agindo na nossa flora e permitindo o desenvolvimento das populações locais. Acho que será um tema, talvez dos mais importantes no futuro, de uma linha que hoje é só o primeiro dia, mas que vai ser um processo de desenvolvimento que eu tenho a impressão que vai marcar um novo atributo dentro da história e da percepção pelo consumidor da marca Natura. 143 A linha Ekos vai ser um momento de introdução da educação ambiental no nosso público mais amplo. No futuro, as nossas 250 mil, 300 mil, 400 mil, espero consultoras serão agentes de promoção da educação ambiental no nosso país.” (VÍDEO ENCONTRO NATURA, 2000) A solução dada com o lançamento da linha Natura Ekos surpreende pelo seu enorme potencial. Em verdade, a linha Natura Ekos, se realizar todo o seu potencial, tende a ser o verdadeiro carro chefe da Natura. A empresa que nasceu Natura tende a se perpetuar como Natura Ekos. A Natura Ekos tem um diferencial significativo no mercado: ela, de fato, nasceu baseada no conceito de desenvolvimento sustentável, o que a diferencia de suas demais concorrentes, no Brasil e no mercado internacional, tornando-a única (The Body Shop Tropical). Embora esse conceito não seja uma barreira de entrada forte, no sentido que pode ser copiado facilmente, a compra da Flora Medicinal torna a Natura uma empresa única. Inexistem empresas com o capital de conhecimento sobre a biodiversidade brasileira do porte da adquirida pela Natura. Isso, entretanto, por si só não significa uma vantagem sustentável de longo prazo. O que definirá essa vantagem é a correta combinação da busca pelo desenvolvimento sustentável com o conhecimento adquirido pela empresa após a compra da Flora Medicinal. Segundo Luiz Seabra (Vídeo Encontro Natura, 2000):”Agora não tenho dúvida nenhuma que esse país vai falar muito, que esse país e o mundo vai falar muito dessa linha. Essa linha está falando do mundo e desse país”. Os resultados parecem interessantes, desde o lançamento da Natura Ekos, as exportações desta linha têm sido significativas (embora um percentual modesto em relação ao faturamento da Natura como um todo no mercado interno). A Natura criou uma empresa com capacidade de ser global e apresentar diferencial competitivo sustentável e, isso, é uma oportunidade fantástica para uma empresa desse ramo crescer junto às gigantes mundiais. Segundo Pedro Passos: “Então essa linha tem muita coisa para contar e nós estamos começando essa história, nós estamos só no primeiro capítulo. Acho 144 que é uma linha que vai, sei lá, vai ter muita história para contar, muitas histórias de vida, de biodiversidade.” (VÍDEO ENCONTRO NATURA, 2000) A fórmula utilizada pela Natura foi: a criacão de uma marca associada à marca mãe, mas com um posicionamento próprio; a compra do expertise necessário para desenvolver uma empresa verdadeiramente voltada para a nossa biodiversidade. É razoável supor que esse exemplo possa ser seguido por empresas brasileiras que, desejam se internacionalizar e buscam uma forma de obter vantagem competitiva sustentável através de diferenciação. 4 Sugestões para Futuras Pesquisas Sendo este estudo de caráter exploratório, as conclusões nele obtidas não podem ser generalizadas, porém poderão passar por uma investigação mais profunda em pesquisas futuras. E, apesar de não ser possível fazer generalizações, é possível que outras empresas possam trilhar o caminho da Natura. Há que se questionar, por exemplo, se realmente toda operação é passível de certificação. Até que ponto os padrões podem/devem ser flexibilizados? Como seriam estabelecidos os limites de tolerância? O que foi desenvolvido no mundo em termos de legislação específica sobre o tema? Qual o papel das organizações não governamentais na mobilização da sociedade em favor do conceito de desenvolvimento sustentável? Qual é a evolução da sensibilidade de preços do consumidor de produtos fiéis ao conceito do desenvolvimento sustentável? Tais questões reforçam a natureza pouco explorada deste tema e evidenciam alguns indícios que poderão ser investigados com maior profundidade em pesquisas futuras. Seria interessante, por exemplo, um estudo detalhado e comparativo sobre o comportamento do consumidor de produtos baseados no conceito de 145 desenvolvimento sustentável e do consumidor de produtos que não são baseados no conceito de desenvolvimento sustentável. Em resumo, poderiam ser temas de estudos futuros: § O acompanhamento da evolução do caso da linha Natura Ekos. § O relacionamento da Natura com as organizações não governamentais que atuam nas comunidades fornecedoras de matérias-primas para a linha Natura Ekos. § Ciclos de vida de produtos fiéis ao conceito do desenvolvimento sustentável. § Uma comparação do comportamento do consumidor de produtos fiéis ao conceito de desenvolvimento sustentável e do consumidor de produtos que não são fiéis ao conceito de desenvolvimento sustentável. § A estruturação das operações e o relacionamento estabelecido na cadeia de fornecimento dos insumos utilizados na linha Natura Ekos. § Estruturação da prestação de serviços fiel ao conceito de desenvolvimento sustentável. § O papel estratégico e o desempenho da linha Natura Ekos no processo de internacionalização da Natura. § Projetos de desenvolvimento socioeconômico de comunidades tradicionais a partir da utilização sustentável da biodiversidade brasileira. § A influência da certificação e rotulagem ambientais de produtos na formação de preços ao consumidor. § Outras empresas que buscaram trilhar o mesmo caminho da Natura através de iniciativas que visam o desenvolvimento sustentável e/ou a utilização da biodiversidade brasileira em seu plano de negócios. 146 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 147 ASHLEY, P. 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Vídeo Encontro Natura – Programa Natura – ciclo 13/00 – 11 ago. 2000. _________. ciclo 17/02 – Ekos e maquiagem Natura – 21 nov. 2002. VISÃO DE MUNDO NATURA. Documento institucional cedido pela Natura. 2000 165 LISTA DE ANEXOS 166 Anexo 1: Roteiro de Entrevista Perguntas Genéricas § Qual a motivação do lançamento da linha Ekos? § Há alguns anos a Natura tentou investir, sem muito sucesso, na internacionalização dos seus produtos. A linha Ekos será a nova tentativa de entrada em outros mercados? § Como foi desenvolvido o conceito da linha (Ecologia, desenvolvimento sustentável) § Falar um pouco sobre a atuação da Natura no campo da responsabilidade social (Crer para ver, etc.) § Requisitar histórico da empresa, histórico sobre a atuação da Natura no campo da responsabilidade social, informações de evolução de receita, número de funcionários, consultoras, produtos vendidos, preço médio etc. § Como é o processo de pesquisa e desenvolvimento em uma empresa como a Natura (comparar com a indústria farmacêutica). § Requisitar um Relatório Anual de Responsabilidade Corporativa (balanço social) Posicionamento Natura e Linha Ekos § Quem são os usuários visados pela empresa? Que segmentos (demográficos, psicográficos, geográficos, etc.)? § Como podem ser descritos no que se refere às suas necessidades e expectativas? Verificar se há a possibilidade de disponibilizar alguma pesquisa qualitativa sobre hábitos e percepções do consumidor: § Em que categorias de comportamento podem ser separados os seus consumidores? § Qual é o comportamento do consumidor de linha Ekos? § Qual a motivação do consumidor para preferir a linha Ekos? § Que associações os consumidores fazem? 167 Ambiente de Mercado - Linha Ekos § Qual o tamanho do mercado para a linha Ekos, e como pode ser dividido em termos de segmento? § Quais as tendências de crescimento desse mercado? Há diferenças com relação a segmentos? § Qual impacto esperado dessas mudanças sobre a atuação da Empresa? Mudanças estratégicas, foco na internacionalização? Fatores Críticos de Sucesso Natura e Linha Ekos § Quais são os fatores críticos de sucesso? A lista abaixo é um mero exemplo não exaustivo para auxiliar na resposta. Recursos Superiores § escala das instalações § rede de distribuição § produtos superiores § investimentos promocionais § patentes § acesso privilegiado a fontes de matéria-prima § contato especiais de fornecimento § capacidade financeira § custo capital § características demográficas do pessoal § valor da marca (brand equity) § estrutura organizacional enxuta etc. § Habilidades Superiores § § § § § § § § § § § conhecimentos especializados das necessidades de um segmento relacionamento com clientes relacionamento com fornecedores experiência em aplicações experiência em design capacidade de resposta rápida e flexível capacidade de inovar know-how técnico ou de engenheria know-how gerencial competência em vendas competência em atendimento/pósvenda etc. Sistemas Superiores § sistemas e rede de informação § sistemas de planejamento controles de custo controles operacionais monitoração da qualidade monitoração da satisfação do cliente monitoração de mudanças no ambiente sistemas de gerenciamento de estoques logística sistemas de motivação e de compensação etc. § § § § § § § § Que oportunidades a empresa poderá explorar melhor no mercado em função dos seus pontos fortes e fracos? 168 § Os objetivos de marketing para o novo produto estão subordinados e são sinérgicos com os objetivos gerais da empresa? § Quais são os objetivos de marketing? Quantifique -os determinando as metas a eles associadas. Posicionamento Natura e Linha Ekos Mercado Alvo e Segmentos Alvo § Como podem ser descritos esses consumidores no que se refere às suas necessidades e expectativas? § Que benefícios (funcionais ou psicológicos) a empresa oferece ao mercado alvo e aos segmentos alvo, comparativamente com os principais segmentos? § Existe uma declaração de posicionamento para a linha Ekos? Estratégia de Produto § Qual foi período em que foi feito o lançamento da linha Ekos? § Em que área ou região o produto foi lançado? Por que? Marca § Por que o nome Ekos? O nome Ekos aumentou o brand equity da empresa? § Houve canibalização de outros produtos/linhas/marcas? Se possível quantifique. Embalagem § Quais as características das embalagens que foram utilizadas (tipos, tamanhos, rótulos, etc.)? § Como a embalagem contribuiu para o sucesso da nova linha Ekos? § Como se compara à embalagem com outras já existentes no mercado (aspectos relevantes: ambientais, legais, etc.)? § Ela também disponibiliza informações em braile? Estratégia de Preço § Qual a importância do preço dos produtos para os segmentos alvo (analise a sensibilidade a preços dos segmentos alvo relevante)? 169 § Como o preço do produto se compara aos dos concorrentes (mais alto, médio, mais baixo)? Justifique. Estratégia de Distribuição § Quais as vantagens da utilização do canal de venda direta (catálagos, internet, etc)? § Qual a cobertura geográfica obtida através desse canal? Gerenciamento do Canal § Existem pedidos mínimos por canal? § Foram estabelecidos territórios de vendas? Estratégia de Comunicação § Que tipos de atividades promocionais foram realizadas para atingir os objetivos de marketing (propaganda, promoção de vendas, marketing direto, marketing de relacionamento, relações públicas, etc.)? Propaganda § Quais foram os objetivos específicos da propaganda (aumentar o conhecimento da marca e a recordação dos anúncios, desenvolver atitudes específicas dos consumidores, estabelecer aspectos específicos de imagem junto aos segmentos alvo)? § Como foi o conteúdo da mensagem (suporte, promessas e coerência com o posicionamento desejado)? § Qual a mídia que foi utilizada (público alvo primário e secundário, coberturas geográfica, objetivos de impacto, etc.)? Promoção de Vendas § Quais foram os objetivos de comunicação atingidos através da promoção de vendas (estímulo a experimentação do produto, estímulo a repetição da compra, aumento da freqüência de compra, etc.)? § Que tipos de promoção de vendas foram utilizados: § Promoção ao consumidor (amostras grátis, demonstrações, concursos, descontos, etc.) § Promoção de vendas para as consultoras (descontos, prêmios, incentivos, etc.) 170 Estratégia de Vendas § Que treinamento foi dado à força de vendas? § Qual o tamanho da força de vendas? § Quais são os instrumentos utilizados para motivar e avaliar a força de vendas? § Como está distribuída a força de vendas? Pesquisa de Mercado § Que pesquisas foram feitas e como foram coletadas? § Qual o percentual de novos produtos lançados anualmente? Operações § Como fica a questão do abastecimento de matérias-primas? Qual a estratégia para a falta dos mesmos (sazonalidade, escassez de mão de obra, etc.)? 171 Anexo 2: Venda Direta Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), a venda direta é “um sistema de distribuição de bens de consumo ou serviços através do contato pessoal (vendedor-comprador) fora de um estabelecimento comercial fixo, geralmente no domicílio dos consumidores”. O Brasil tem demonstrado ser um mercado promissor para a venda direta, sendo o quinto país no ranking mundial, precedido apenas pelo Japão, EUA, França e Itália. O mercado total é estimado em US$ 84 Bi pela WFDSA (World Federation of Direct Selling Associations). O segmento de cuidados pessoais que inclui cosméticos, vestuário, etc. é o responsável por 81% do mercado, seguido pelo segmento de cuidados para o lar (produtos de limpeza, cama, mesa e banho), com 14%. Gráfico 1: Crescimento Global do Mercado de Venda Direta Crescimento Global do Mercado da Venda Direta (US$ Bln) 90 80 70 60 50 40 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 48 Fonte: ABEVD, 2001 62 61 67 74 79 80 82 172 Gráfico 2: Volume de Vendas do Mercado de Vendas Diretas no Brasil Volume de vendas (R$ bilhões) 6,0 5,0 4,0 3,0 1998 1999 2000 2001 4,3 4,7 5,3 5,9 Fonte: ABEVD, 2002 Gráfico 3: Força de Vendas do Mercado de Vendas Diretas no Brasil Força de Vendas (MM) 1,5 1,0 0,5 0,0 1998 1999 2000 2001 0,93 1,27 1,16 1,21 Fonte: ABEVD, 2002 Gráfico 4: Volume Físico de Vendas do Mercado de Vendas Diretas no Brasil Volume Físico de Vendas (MM unidades) 800 700 600 500 1998 1999 2000 2001 631 736 757 794 Fonte: ABEVD, 2002 173 Anexo 3: Ecossistemas Brasileiros Figura 6 – Ecossistemas Brasileiros Fonte: Instituto Ethos, 2002 174 Anexo 4: Produtos da Linha Natura Ekos 1 Produto Descrição Benefícios Princípios ativos Indicação de uso 2 Produto Descrição Benefícios Princípios ativos Indicação de uso 3 Produto Descrição Shampoo Pitanga Refrescante Conteúdo: 330ml O Shampoo Pitanga Refrescante limpa suavemente e proporciona maior brilho e leveza ao cabelo, deixando-o bonito e com aspecto saudável. Sua fragrância verde e frutal, composta por óleos essenciais Menta, Laranja e Rosa promove uma agradável sensação de frescor durante e após banho. O Extrato de Pitanga presente na fórmula tem propriedades adstringentes que combinadas a um complexo marinho proteinado, auxiliam no controle da oleosidade, deixando seu cabelo leve e solto. Propriedades adstringentes Controla a oleosidade, deixando o cabelo leve e solto Extrato de Pitanga: propriedades adstringentes Para uso diário e frequente Indicado para cabelo oleoso Condicionador Pitanga Refrescante Conteúdo: 300ml O Condicionador Pitanga Refrescante desembaraça o cabelo oleoso através de ativos emolientes e condicionantes, que proporcionam maior maciez e penteabilidade ao cabelo, deixando-o bonito e saudável. Os ativos condicionantes formam um filme suave sobre os fios, deixando-os sedosos e com brilho. Sua fragrância verde e frutal, composta por óleos essenciais Menta, Laranja e Rosa, promove uma agradável sensação de frescor durante e após banho. Propriedades adstringentes Controla a oleosidade, deixando o cabelo leve e solto Extrato de Pitanga: propriedades adstringentes Condicionador para uso diário e frequente. Indicado para cabelo oleoso. Shampoo Macela do Campo Equilíbrio Natural Conteúdo: 330ml O Shampoo Macela do Campo limpa suavemente e proporciona maior brilho e maciez ao cabelo, deixando-o bonito e com aspecto saudável. Extrato de Macela do Campo tem propriedades suavizantes, que associadas aos outros componentes da formulação, não agridem o couro cabeludo, auxiliando na manutenção do seu equilíbrio natural. Indicado para cabelo normal Sua fragrância delicada, composta por óleos essenciais de Lavanda, Limão e Alecrim, promove uma agradável sensação de bem estar durante e após banho. Benefícios Princípios ativos Indicação de uso Extrato de Macela do Campo - propriedades suavizantes que não agridem o couro cabeludo. Shampoo para uso diário e frequente. Indicado para cabelo normal. 175 4 Produto Descrição Benefícios Princípios ativos Indicação de uso 5 Produto Descrição Benefícios Princípios ativos Indicação de uso 6 Produto Descrição Benefícios Princípios ativos Indicação de uso Condicionador Macela do Campo Equilíbrio Natural Conteúdo: 300 ml O Condicionador Macela do Campo Equilíbrio Natural desembaraça o cabelo normal através de ativos emolientes que proporcionam maior maciez e maleabilidade, deixando-o bonito e saudável. Os ativos condicionantes formam um filme sobre os fios, deixando-os sedosos e com brilho. Sua fragrância delicada, composta por óleos essenciais Lavanda, Limão e Alecrim, promove uma agradável sensação bem estar durante e após banho. Propriedades suavizantes Não agride o couro cabeludo, mantendo o equilíbrio natural do cabelo Extrato de Macela do Campo - propriedades suavizantes que não agridem o couro cabeludo Condicionador para uso diário e frequente. Indicado para cabelo normal. Shampoo Castanha do Pará Emoliente Cont eúdo: 330ml O Shampoo Castanha do Pará Emoliente limpa suavemente e proporciona maior brilho e maciez ao cabelo, deixando-o bonito e com aspecto saudável. O Extrato de Castanha do Pará tem propriedades emolientes que proporcionam condicionamento e maleabilidade ao cabelo, tornando-o mais sedoso e fácil de pentear. Sua fragrância ambarada e floral composta por óleos essenciais de Noz moscada, Cravo e Flor de Ylang Ylang promove uma agradável sensação de conforto durante e após o banho. Propriedades emolientes Desembaraça os fios, tornando-os macios e brilhantes Extrato de Castanha do Pará - propriedades emolientes que proporcionam maleabilidade ao cabelos Shampoo para uso diário e frequente. Indicado para cabelo seco. Condicionador Castanha do Pará Emoliente Conteúdo: 300ml O Condicionador Castanha do Pará Emoliente desembaraça o cabelo seco através de ativos emolientes que proporcionam maior maciez, maleabilidade e condicionamento ao cabelo, tornando-o mais fácil de pentear. Os ativos condicionantes formam um filme sobre os fios, deixando-os sedosos e com brilho. Sua fragrância ambarada e floral composta por óleos essenciais Noz Moscada, Cravo e Flor de Ylang Ylang, promove uma agradável sensação de conforto durante e após o banho. Propriedades emolientes Desembaraça os fios, tornando-os macios e brilhantes Extrato de Castanha do Pará: propriedades emolientes que proporcionam maleabilidade ao cabelos Condicionador para uso diário e frequente. Indicado para cabelo seco. 176 7 Produto Descrição Benefícios Modo de usar Indicação de uso 8 Produto Descrição Benefícios Modo de usar Indicação de uso 9 Produto Descrição Benefícios Modo de usar Indicação de uso Shampoo Andiroba - Cabelos Secos e Ressecados Conteúdo: 350 ml Proporciona maior maciez. As propriedades emolientes da Andiroba promovem condicionamento ao cabelo, tornando-o mais sedoso, brilhante e fácil de pentear. Maior maciez. Cabelos mais sedosos e brilhantes. Fácil de pentear. Aplicar sobre o cabelo molhado, massagear e enxaguar bem. Condicionador Andiroba - Cabelos Secos e Ressecados conteúdo: 300 ml Proporciona maior maciez aos cabelos. Os ativos condicionantes desembaraçam e formam um filme sobre os fios, deixando-os fáceis de pentear, sedosos e com brilho. Maior maciez. Cabelos mais sedosos e brilhantes. Facil de pentear. Aplicar sobre o cabelo molhado, massagear e enxaguar bem Banho de Creme Condicionador Andiroba - Cabelos Secos e Ressecados conteúdo: 250 g O Óleo de Andiroba desembaraça e condiciona, formando um filme protetor sobre os fios. Promove maior maciez, deixando o cabelo saudável, brilhante e fácil de pentear. Maior maciez. Cabelos mais sedosos e brilhantes. Facil de pentear. Aplicar sobre o cabelo molhado, massagear e enxaguar bem. 177 10 Produto Descrição Benefícios Modo de usar Indicação de uso 11 Produto Descrição Benefícios Modo de usar Indicação de uso 12 Produto Descrição Shampoo Camomila Brilho e Realce de Cor - Cabelos Claros conteúdo: 350 ml Proporciona maior brilho e realce de cor de forma gradativa e natural aos cabelos castanhos claros e loiros, naturais ou processados quimicamente. Mais brilho. Realça a cor de forma gradativa e natural. Aplicar sobre o cabelo molhado, massagear e deixar agir por 2 minutos. Enxaguar bem. Para potencializar o resultado, usar o shampoo em conjunto com o condicionador. Resultado aparente a partir de 10 lavagens de forma contínua. Condicionador Camomila Brilho e Realce de Cor - Cabelos Claros conteúdo: 300 ml Proporcionando maior brilho e realce de cor de forma gradativa e natural aos cabelos castanhos claros e loiros, naturais ou processados quimicamente. Mais brilho. Realça a cor de forma gradativa e natural. Aplicar sobre o cabelo molhado, massagear e deixar agir por 2 minutos. Enxaguar bem. Para potencializar o resultado, usar o shampoo em conjunto com o condicionador. Resultado aparente a partir de 10 lavagens de forma contínua Sabonete Líquido Andiroba conteúdo: 300 ml Limpa suavemente a pele, promovendo uma agradável sensação de conforto e cuidado durante e após o banho, proporcionada por sua fragrância floral amadeirada composta por óleos essenciais de cedro e laranja. O Óleo de Andiroba tem propriedades emolientes que combinadas aos ativos hidratantes, deixam sua pele macia e agradável ao toque. Benefícios Propriedades emolientes ajudam a hidratar a pele, deixando-a macia. Modo de usar Composição Aplicar sobre uma esponja úmida e espalhar sobre o corpo, exceto no rosto. Água Desmineralizada, Lauril Éter Sulfato de Sódio, Cocoamidopropilbetaína, Óleo do Andiroba Etoxilado (Carapá Guaianensis), Decil Poliglicose, Cloreto de Sódio, Diestearato de Etilenoglicol, Fragrância, Goma Guar, EDTA Dissódico, Ácido Cítrico, BHT, DMDM Hidantoína, Álcool Etílico, Metilparabeno e CI 15510. 178 13 Produto Descrição Benefícios Princípios ativos Indicação de uso 14 Produto Descrição Benefícios Princípios ativos Indicação de uso 15 Produto Descrição Benefícios Modo de usar Indicação de uso Sabonete Líquido Castanha do Pará Emoliente conteúdo: 300 ml Fragrância ambarada ressaltada por notas gustativas de amêndoa e baunilha composta por óleos essenciais de Cedro e Flor de Ylang Ylang promove uma agradável sensação de conforto e cuidado durante e após o banho. Propriedades emolientes Deixa a pele macia e suave Dermatologicamente testado pH fisiológico, não resseca a pele produto com refil Todos os tipos de pele Sabonete Líquido Guaraná Refrescante conteúdo: 300 ml Fragrância fresca composta por óleos essenciais brasileiros: Tangerina, Limão e Laranja Doce. Propriedades adstringentes e tonificantes Proporciona sensação de vigor durante e depois do banho Testado dermatologicamente pH fisiológico, não resseca a pele produto com refil Indicado para todos os tipos de pele. Sabonete Líquido Mate Verde conteúdo: 300ml Fragrância verde composta por óleos essenciais de folhas verdes e citronela. Propriedades adstringentes que promovem uma agradável sensação de frescor pH fisiológico que não resseca a pele. Produto com refil Aplicar sobre uma esponja úmida e espalhar sobre o corpo, exceto no rosto. Todos os tipos de pele 179 16 Produto Sabonete em Barra Cacau conteúdo: 180 g Descrição Fragrância composta por notas de chocolate e cacau enriquecida com óleo essencial de Laranja. O Extrato de Cacau é rico em agentes emolientes que deixam a pele macia e agradável ao toque. Benefícios Agentes emolientes deixam a pele macia e agradável. Princípios ativos Composição 17 Produto Descrição Benefícios Composição Indicação de uso 18 Produto Descrição Benefícios Princípios ativos Indicação de uso Ésteres Graxos Naturais; Água Desmineralizada; Decil Poliglicose; Óleo Mineral; Glicerina; Lecitina de Soja; EDTA Tetrassódico; Copolímero de PVP/VA; Ácido Etidrônico; Extrato de Cacau (Theobroma cacao); CI 77891; CI 77019; CI 15510; CI 77266; CI 14720; BHT; Fragrância; Formaldeído. Sabonete em Barra Castanha do Pará Emoliente - 03 unidades conteúdo: 3 unid. - 90g cada O Sabonete em barra Castanha do Pará Emoliente limpa suavemente a pele. Sua fragrância ambarada ressaltada por notas gustativas de amêndoa e baunilha composta por óleos essenciais de Cedro e Flor de Ylang Ylang promove uma agradável sensação de conforto e cuidado durante e após o banho. O Extrato de Castanha do Pará, presente em sua fórmula, tem propriedades emolientes que combinadas aos ativos hidratantes, deixam sua pele macia e agradável ao toque. Propriedades emolientes -deixa a pele macia e suave Ésteres Graxos Naturais, Fragrância, Glicerina, Decilpoliglicose, Óleo Mineral, Água Desmineralizada, EDTATetrassódico, Lecitina, Dióxido de Titânio, Ác. Etidrônico, Extrato de Castanha do Pará (Bertholletia excelsa), CI 77492, BHT, CI 77491. Todos os tipos de pele Sabonete em Barra Guaraná Refrescante - 03 unidades conteúdo: 3 unid. - 90g cada O Sabonete em barra Guaraná Refrescante limpa suavemente a pele e proporciona uma agradável sensação de frescor durante o banho, devido à sua fragrância fresca composta por óleos essenciais brasileiros: Tangerina, Limão e Laranja Doce. O Extrato de Guaraná presente na fórmula tem propriedades adstringentes e tonificantes, promovendo uma agradável sensação de vigor durante e após o banho. Propriedades adstringentes e tonificantes Proporciona sensação de vigor durante e após o banho. Todos os tipos de pele 180 19 Produto Descrição Sabonete em Barra Manteiga de Cupuaçu conteúdo: 180 g Fragrância floral amadeirada, composta pelos óleos essenciais de Jasmim e Bergamota. A Manteiga de Cupuaçu tem propriedades emolientes que deixam a pele macia e agradável ao toque. Benefícios Agentes emolientes deixam a pele macia e agradável. Princípios ativos Composição 20 Produto Descrição Benefícios Modo de usar Indicação de uso 21 Produto Descrição Benefícios Modo de usar Composição Ésteres Graxos Naturais; Água Desmineralizada; Decil Poliglicose; Óleo Mineral; Glicerina; Lecitina de Soja; EDTA Tetrassódico; Copolímero de PVP/VA; Ácido Etidrônico; Manteiga de Cupuaçú (Theobroma grandiflorum); CI 77891; CI 77019; CI 15510; CI 11680; CI 77266; BHT; Fragrância; Formaldeído. Sabonete Esfoliante Andiroba com Sementes de Linhaça conteúdo: 200g Fragrância âmbar amadeirada composta por óleos essenciais de aroeira brasileira, cedro e noz-moscada. Remove as impurezas e células mortas da superfície da pele. Deixa a pele mais lisa e proporciona maciez. Espalhar o sabonete sobre o corpo, principalmente nas regiões mais ásperas, como cotovelos, joelhos e calcanhares. Enxaguar depois. Para todo tipo de pele. Sabonete Esfoliante Buriti com Sementes de Linhaça conteúdo: 200 g Fragrância confortante, combina notas amendoadas com óleos essenciais de Bergamota, Laranja Brasileira e flor de Ylang Ylang. Remove as impurezas e células mortas da superfície da pele através da esfoliação realizada pelas sementes de linhaça. Indicado para ser usado somente duas vezes por semana. Espalhar o sabonete sobre o corpo, principalmente nas regiões mais ásperas, como cotovelos, joelhos e calcanhares. Enxaguar depois. Ésteres Graxos Naturais; Água Desmineralizada; Decil Poliglicose; Glicerina; Óleo Mineral; Semente de Linhaça ( Linum usitatissimum); EDTA Tetrassódico; Lecitina Vegetal; Ácido Etidrônico; Óleo de Buriti (Mauritia vinifera); Dióxido de Titânio; BHT; Pigmento CI 15510; Pigmento CI 77491; Fragrância. 181 22 Produto Descrição Benefícios Modo de usar Composição 23 Produto Descrição Benefícios Modo de usar Indicação de uso 24 Produto Descrição Benefícios Princípios ativos Indicação de uso Sabonete Esfoliante Maracujá conteúdo: 200 g Fragrância confortante, combina notas amendoadas com óleos essenciais de Bergamota, Laranja Brasileira e flor de Ylang Ylang. Remove as impurezas e células mortas da superfície da pele através da esfoliação realizada pelas sementes de linhaça. Indicado para ser usado somente duas vezes por semana. Espalhar o sabonete sobre o corpo, principalmente nas regiões mais ásperas, como cotovelos, joelhos e calcanhares. Enxaguar depois. Ésteres Graxos Naturais; Água Desmineralizada; Decil Poliglicose; Glicerina; Óleo Mineral; EDTA Tetrassódico; Lecitina Vegetal; Folha de Maracujá (Passiflora edulis); Ácido Etidrônico; Óleo de Maracujá (Passiflora edulis); Dióxido de Titânio; Pigmento CI 11680; Pigmento CI 77492; BHT e Fragrância. Sabonete Esfoliante Mate Verde conteúdo: 200g Fragrância verde composta por óleos essenciais de folhas verdes e citronela Remove as impurezas e células mortas da superfície da pele através da esfoliação realizada pelas folhas de mate Propriedades adstringentes que promovem uma agradável sensação de frescor durante e após o banho Espalhar o sabonete sobre o corpo, principalmente nas regiões mais ásperas, como cotovelos, joelhos e calcanhares. Enxaguar depois. para todo tipo de pele Esponja para Banho Vegetal Ekos Remove impurezas da pele e auxilia na ativação da circulação. 182 25 Produto Óleo Trifásico Buriti Desodorante Corporal conteúdo: 200ml Descrição Fragrância confortante, combina notas amendoadas com óleos essenciais de bergamota, laranja-do-Brasil e da flor de Ylang-Ylang, formando um bouquet ambarado com leve frescor, que deixa a pele delicadamente perfumada durante e após o banho. Benefícios Propriedades emolientes Deixa a pele macia, perfumada com sensação de conforto Agitar o frasco antes de usar. - Durante o banho, aplicar sobre o corpo (e não no rosto). - Em seguida, enxaguar bem a pele. Para todo tipo de pele Modo de usar Indicação de uso 26 Produto Descrição Benefícios Modo de usar Composição Indicação de uso Óleo Trifásico Cacau Desodorante Corporal conteúdo: 200ml Fragrância “gustativa”, lembrando produtos à base de chocolate, com leve frescor cítrico de óleos essenciais, como o de laranja. Deixa uma agradável sensação de aconchego na pele após o banho. - Desodoriza, perfuma e proporciona maciez a pele. - Fragrância gourmant,lembra produtos a base de chocolate, com leve frescor cítrico proveniente dos óleos essenciais, principalmente óleo essencial de laranja. Agitar antes de usar. Durante o banho, aplicar sobre o corpo, exceto no rosto, enxaguando depois. Utilizar o óleo Trifásico Cacau, durante o banho, após o uso do sabonete líquido ou barra. Óleo Mineral; Água Desmineralizada; Hexilenoglicol; Cloreto de Sódio; Extrato de Cacau ( Theobroma cacao); Propilenoglicol; Álcool Etílico; EDTA Dissódico; BHT; 2bromo-2-nitropropano-1,3-diol; Triclosan; Sorbitol; Hidróxido de Sódio; Pigmento CI 15510; Pigmento CI 19140; Pigmento CI 60730; Fenoxietanol; Metil, Butil, Isobutil, Propil e Etilparabenos; Metilcloroisotiazolinona; Metilisotiazolinona; Pigmento CI 17200; Pigmento CI 42090; Fragrância. Todos os tipos de pele 183 27 Produto Descrição Benefícios Modo de usar Indicação de uso 28 Produto Descrição Benefícios Modo de usar Indicação de uso 29 Produto Descrição Benefícios Modo de usar Composição Óleo Trifásico Maracuja Desodorante Corporal conteúdo: 200ml Fragrância suave, combina óleos essenciais de laranja-do-Brasil, menta e alecrim, com um bouquet floral, deixando uma agradável sensação de frescor na pele durante e após o banho. - Propriedades emolientes - Deixa a pele macia, perfumada e com a sensação de frescor Agitar o frasco antes de usar. Durante o banho, aplicar sobre o corpo (e não no rosto). Em seguida, enxaguar bem a pele. Para todo tipo de pele. Óleo Trifásico Mate Verde Desodorante Corporal conteúdo: 200 ml Em três fases, desodoriza sua pele, deixando-a macia ao toque. Fragrância verde composta por óleos essenciais de folhas verdes e citronela, que proporciona agradável sensação de frescor. Desodoriza a pele, deixando-a protegida durante todo o dia. Formulado especialmente em três fases, combina óleos essenciais de folhas verdes e citronela prolongando a sensação de bem estar e conforto durante e após o banho. As propriedadesadstringentes da Erva Mate Verde auxiliam no controle da oleosidade da pele. Agitar antes de usar. Durante o banho, aplicar sobre o corpo, exceto no rosto, enxaguando depois. Manter fora do alcance das crianças. Todos os tipos de pele. Sal Esfoliante para Banho com Óleo de Buriti conteúdo: 300g Um banho de sensações: esfoliação, emoliência e frescor, fazem do seu banho um momento de cuidado e prazer com sua pele. As propriedades emolientes do Óleo de Buriti, formam um delicado filme sobre a pele, deixando-a macia e sedosa ao toque. - Esfoliação. - Emolência. - Perfumação. Indicado para ser usado somente duas vezes por semana. Aplicar sobre o corpo úmido, massagear suavemente a pele e enxaguar depois. Manter fora do alcance das crianças. Cloreto de Sódio, Óleo Mineral, Palmitato de Isopropila, Óleo de Buriti (Mauritia vinifera), Lecitina, Álcool Laurílico Etoxilado 2 OE, Propilparabeno, BHT, Fragrância.