UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
AS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC’s)
E AS NOVAS PERSPECTIVAS DA EAD NA DEMOCRATIZAÇÃO
DO ENSINO SUPERIOR
Por: Paulo César Nogueira
Orientador
Prof. Carlos Cereja
Rio de Janeiro(RJ)
2010
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
INSTITUTO A VEZ DO MESTRE
AS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC’s)
E AS NOVAS PERSPECTIVAS DA EAD NA DEMOCRATIZAÇÃO
DO ENSINO SUPERIOR
Apresentação
Candido
de
Mendes
monografia
como
à
requisito
Universidade
parcial
para
obtenção do grau de especialista em Docência
Superior.
Por: Paulo César Nogueira.
RESUMO
A maneira como as tecnologias de comunicação e da informação estão
sendo inseridas no cotidiano educacional é motivo de reflexão e avaliação por
parte de toda a comunidade acadêmica. A utilização dessas tecnologias na
educação não se baseia apenas em uma unidade com tecnologia de ponta,
mas numa efetiva mudança de paradigmas. Portanto, esta pesquisa tem como
objetivo principal conhecer a trajetória da EAD, compreender como se constitui
sua prática pedagógica desde o seu início até a criação da UAB –
Universidades Abertas do Brasil, utilizando as tecnologias digitais como recurso
pedagógico na construção de conhecimento, bem como os discursos que
atravessam este ambiente e tecer os seguintes questionamentos: Qual o
modelo definido nos cursos? Existe um perfil docente delineado dentro destes
projetos? Existe um contexto de trabalho delineado? Quais são os parâmetros
para o desenvolvimento dos cursos dentro do programa? Neste sentido, para
refletir sobre a expansão do Programa Universidade Aberta do Brasil, é
necessário pensar na sua criação e na realidade em que ele se insere.
.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
CAPÍTULO I
Tecnologia da Informação e Comunicação – Fundamentação teórica
CAPÍTULO II
A influência da Tecnologia e Inclusão: a mudança de novos paradigmas
educacionais.
CAPÍTULO III
Tipos de Tecnologia: O favorecimento digital à favor da inclusão
CAPÍTULO IV
A Contribuição das EAD’s no contexto da Educação Superior: inclusão e
democratização do ensino e pesquisa.
CONCLUSÃO
BIBLIOGRAFIA
WEBGRAFIA
INTRODUÇÃO
Esta pesquisa monográfica está norteada nas novas formas de trabalho que
surgem a partir das mudanças que estão ocorrendo atualmente. O mundo está
se tornando cada dia mais interativo e interdependente. Isto está acontecendo,
principalmente, em função dos avanços da ciência tecnológica e das
telecomunicações. Neste momento, quando a sociedade da informação
influencia fortemente nossas vidas, no âmbito educacional, busca-se a
superação
do
quadro
de
giz
que,
normalmente,
apenas
reproduz
conhecimento. Rádio, CD, TV, vídeo, computador, CD-ROM e a Internet são
instrumentos que auxiliam na pesquisa e, conseqüentemente, na construção do
conhecimento. O desafio está em como utilizar toda essa informação para
produzir novas informações com sentido crítico, criativo e ético.
Este trabalho tem por justificativa a Universidade, uma instituição que existe
para cumprir três funções básicas: ensino, pesquisa e extensão. Essas funções
estabelecem um ambiente de criatividade e produção de conhecimento que, no
entanto, somente tem sentido na medida em que ele é socializado e traduzido
em benefícios para sociedade. Assim, pretende-se colaborar para que a prática
pedagógica seja transformada e transformadora.
A utilização das novas tecnologias afeta todos os campos educacionais.
Elas encaminham as instituições para a adoção de uma cultura informática
educacional que exige uma reestruturação sensível, não apenas das teorias
educacionais, mas também da própria percepção e ação educativa.
Neste contexto, a educação, em permanente confronto entre a manutenção
das tradições e as inovações da modernidade, constitui-se com um relevante
espaço/tempo de conflitos, no sentido de preparar os sujeitos sociais para o
futuro.
Assim,
a
sistematização
do
conhecimento,
numa
perspectiva
educacional, pressupõe a inclusão dos excluídos, a agregação de valores, que
tenham por princípio a formação integral do ser humano, ampliando suas
potencialidades no sentido de atuar sobre a realidade, ao promover a difusão e
socialização do conhecimento, através das novas tecnologias da comunicação
e informação.
A análise deste estudo, portanto, sinaliza a relevância do uso das tecnologias
digitais na educação e para a educação. Pois nós educadores devemos
acompanhar as mudanças ocorridas em nossa sociedade, para podermos
assim analisá-las de maneira crítica e construtiva, de modo a aliar essa
realidade social à realidade escolar com mais clareza e objetividade. Nesse
sentido, desvelamos a relevância do tema abordado, visto que a utilização das
novas tecnologias nesta área de atuação ainda é fonte de receio e ansiedade
para a maioria dos professores envolvidos direta ou indiretamente no processo
educacional
A delimitação da pesquisa está diretamente ligada ao processo de
aprendizagem entre o aluno e as formas de comunicação digital, não
presencial. Será que a aprendizagem se faz na medida em que o professor a
coloca como objeto central para a formação dos alunos, ou os diferentes tipos
de Comunicação e Informação podem fazer o mesmo trabalho. Caso positivo,
quais são as grandes dificuldades e as facilidades?.
É necessário que as relações entre softs – multimídia e o aluno passam a
acontecer quando o professor/orientador se conscientiza de que o importante
não é saber o que deve ensinar e sim o que os “alunos precisam aprender para
se
tornarem
cidadãos
profissionais
competentes
numa
sociedade
contemporânea. Assim, o professor também aprende e transforma seu fazer
pedagógico,
adequando
sua
prática
ao
grande
processo tecnológico
emergente.
Repensar a sociedade e a educação é a base da pedagogia progressista, que
alcança seu melhor reflexo na prática transformadora. Isto se fundamenta na
pedagogia progressista exposta por Freire (1996), aquela que parte de uma
análise crítica das realidades sociais, o que permite compreender que o espaço
da educação é o da “apropriação; desapropriação; reapropriação do saber”.
Freire (1995, p. 21) observa que "refletir, avaliar, programar, investigar,
transformar são especificidades dos seres humanos no e com o mundo”.
O mundo atual nos apresenta um cenário dominado pelos modernos meios de
comunicação, liderados pela Internet que imprimiu agilidade e acesso
instantâneo à informação. A velocidade com que o mundo está se
transformando exerce uma influência direta no conjunto de valores da
sociedade contemporânea.
O Ensino Superior, atualmente galga uma posição bastante favorável , no
processo de vanguarda, às novas mudanças e utilização de recursos
tecnológicos,
indicando
que
as
velhas
práticas
de
transmissão
de
conhecimento não dão mais conta de preparar os alunos, que no dizer de
Tapscott (1999, p. 2) pertencem à Geração Net,11 para interagir numa
realidade que exige novas habilidades e competências na sociedade do
conhecimento.
O fenômeno da globalização, entendida como a crescente interdependência
econômica de países por todo o mundo devido ao volume e variedades das
transações de bens e serviços e de fluxos de capitais internacionais e também
à difusão mais rápida e generalizada da tecnologia, provocou uma grande onda
de mudanças em todos organismos sociais, impondo novas demandas ao
mundo do trabalho que atinge, também, as instituições educacionais
formadoras.
Os capítulos que se seguem constituem-se em: - Revisar a literatura existente
acerca das principais abordagens sobre a inserção tecnológica no Ensino
Superior, analisando as novas perspectivas e mudanças paradigmáticas de
uma nova práxis educacional (Geral) e; - Entender todo o processo históricoevolutivo das tecnologias em sala de aula; Analisar a influência da tecnologia e
a sua relação com os novos paradigmas educacionais na Educação Superior;
Reconhecer os tipos de tecnologia que estão sendo utilizados dentro de sala
de aula, saber adequá-los às necessidades dos alunos; Relacionar novas
similaridades do Ensino à Distância –EAD, no contexto das Universidades, e a
sua contribuição na democratização do Ensino Superior.
CAPÍTULO I
Tecnologia da Informação e Comunicação –
Fundamentação teórica
1.1- Origem
A tecnologia educacional como campo próprio de conhecimento surgiu nos
anos 50, nos Estados Unidos e nos anos 60 nos países da América Latina. A
partir dos anos 50 várias concepções foram surgindo na tentativa de
compreender a tecnologia na educação e fundamentá-la num momento
particular.
Nas décadas de 50, 60 e 70, vigorava a visão utilitarista e pragmática de
ensino, associando a importância da inserção das tecnologias nas escolas, aos
seus aspectos instrumentais. Nos anos 80 e 90 começa a ser discutida uma
abordagem mais crítica e mais ampla da utilização das tecnologias na
educação, mesclada ao movimento político dos educadores que criticavam a
falta de discussões sobre os problemas estruturais brasileiros:
“(...) um dos temas mais polêmicos, na educação no início dos anos
80 é o uso da informática na escola: seminários, debates, artigos em
jornais, revistas [...] Na verdade todos aqueles que trabalham em
educação guardam uma opinião sobre as conveniências ou sobre o
absurdo político e econômico que sua implantação traz.” (ALMEIDA,
1987. p. 7)
As concepções críticas que emergem dessa época apontam para a
necessidade dos educadores compreenderem a tecnologia dentro de um
processo mais amplo, que envolve uma série de variáveis: a relação com a
formação humana que vai apontar possibilidades pedagógicas para cada meio,
as características dos alunos, os objetivos e metas de ensino para cada
programa específico e o tipo de conteúdo a ser trabalhado com os aprendizes.
As discussões sobre a necessidade de uma revisão crítica do desenvolvimento
da tecnologia educacional impostas pelas visões mais tradicionais, foram frutos
de pesquisas do final do século XX. Destacamos as delimitações feitas por
pesquisadores argentinos e apresentadas por Litwin (1997, p. 13):
Entendemos a tecnologia educacional como o corpo de
conhecimentos que, baseando-se em disciplinas científicas
encaminhadas para as práticas do ensino, incorpora todos os meios
a seu alcance e responde à realização de fins nos contextos sóciohistóricos que lhe conferem significação. A tecnologia educacional,
assim como a Didática, preocupa-se com as práticas do ensino, mas
diferentemente dela inclui entre suas preocupações o exame da
teoria da comunicação e dos novos desenvolvimentos tecnológicos:
a informática, hoje em primeiro lugar, o vídeo, a TV, o rádio, o áudio
e os impressos, velhos ou novos, desde livros até cartazes. Em
nosso debate sobre a Tecnologia Educacional hoje, ganham força as
preocupações ideológicas-políticas e ético-filosóficas como crítica e
superação da marca tecnicista no momento do seu nascimento.
Para Sancho (1998) há uma necessidade periódica de ressignificação do
conteúdo e a prática do ensino, pois a escola é uma instituição social que sofre
(ou desfruta) as transformações da sociedade que a contém. Nesse sentido,
aquela autora reconhece que tem sido fundamental o papel mediador dos
suportes da informação, desde a aparição do livro até a última aplicação
multimídia.
Há uma unanimidade nos discursos sobre a importância da tecnologia na
educação, na mesma proporção das criticas quanto à forma que as inovações
foram impostas, sem uma reflexão individual e coletiva dos fatores que
provocam mudanças essenciais e não apenas reforma superficial. Os
professores, que são os principais agentes de ensino, nem sempre são ouvidos
nesse processo.
As inovações educativas foram durante longo tempo concebidas por
equipe de especialistas que tentavam impor o modelo industrial de
administração e de estratégia de mudança, para introduzi-lo no
processo educacional como mais um recurso.
(ALMEIDA,2000,p.121).
Segundo Zeichner, citado por Almeida (2000 p.135) a formação inicial dos
educadores para o uso das tecnologias digitais tem adotado estratégias
semelhantes à formação de professores para a diversidade cultural. São duas
as vertentes mais utilizadas, caracterizadas pela “abordagem segregada”, ou
pela “abordagem integrada (de infusão)”.
A forma mais freqüente é a abordagem segregada, ou modelo de adição onde
um
conjunto
de
disciplinas
é
incluído
na
grade
curricular,
sob
a
responsabilidade de alguns professores especialistas, sem alterar as demais
disciplinas. Cabe ao professor desenvolver atividades com o computador,
mesmo sem ter a oportunidade de analisar seu uso na prática pedagógica e
realizar reflexões e depurações, uma vez que a lógica das disciplinas está
ancorada em organização rígida de tempo (horas aulas) e espaços (sala de
aula de tijolos). Esse modelo, ao nosso ver, acaba “desresponsabilizando” os
demais professores de aprenderem a usar o computador como ferramenta de
ensino-aprendizagem, com seus alunos, por outro lado pode ser uma via
possível para iniciar a inclusão das tecnologias digitais.
Segundo autores como Almeida (2000) e Behrens (1999), a formação no
âmbito das universidades tem esbarrado nas formas antigas, pautadas no
ensino onde “grande parte dos docentes estão enclausurados em sua prática
disciplinar e distanciados de novas abordagens” (ALMEIDA,2000, p.135) que
possibilitariam construir práticas interdisciplinares, em projetos pedagógicos
coletivos.
Portanto, as reformas curriculares nos cursos de formação de educadores para
inclusão das tecnologias digitais precisam mexer no essencial, caso contrário
será apenas mais uma estratégia de marketing, como adverte Moran (2003,
p.63):
“ensinar com as mídias será uma revolução se mudarmos
simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino, que
mantêm distantes professores e alunos. Caso contrário
conseguiremos dar um verniz de modernidade, sem mexer no
essencial.”
As discussões acerca dessas questões nos levaram a questionar o que se
passam no lócus das faculdades de educação, celeiros dos profissionais da
educação. Antes de entrar no cerne da questão iniciada no parágrafo anterior,
achamos pertinente fazer algumas considerações sobre os grandes projetos de
capacitação implementados pelo governo nas últimas décadas. As políticas na
área de informática educativa buscaram introduzir o uso do computador nas
escolas públicas de nível fundamental e médio, possíveis locais de trabalho
dos profissionais que se formam nos cursos de Pedagogia.
1.2-TIC’s – Tecnologias de Informação e Comunicação
Estamos vivendo numa época de mudanças em que a sociedade necessita a
todo o tempo caracterizar as profundas transformações que acompanham o
contexto das novas tecnologias da informação e da comunicação (TIC’s). Para
Burch (2009), trata-se de uma nova etapa da sociedade industrial, aldeia
global, era tecnotrônica, sociedade pós-industrial, sociedade da informação,
sociedade do conhecimento.
Para a autora, qualquer termo que se use é um atalho que nos permite fazer
referência a um fenômeno. O conteúdo surge dos usos em um dado contexto
social que, por sua vez, influem nas percepções e expectativas, uma vez que
cada termo carrega consigo um passado e um sentido (ou sentidos),com sua
respectiva bagagem ideológica.
1.3- Sociedade da Informação
Na década passada, “sociedade de informação” foi sem dúvida, a expressão
que se consagrou como o termo hegemônico, não porque expresse
necessariamente uma clareza teórica, mas graças ao batismo que recebeu nas
políticas oficiais dos países mais desenvolvidos e a glorificação que significou
ter uma Cúpula Mundial dedicada à sua honra.
Os antecedentes do termo, contudo, datam de décadas anteriores. Em 1973, o
sociólogo americano Daniel Bell introduziu a noção da “sociedade de
informação” em seu livro “O advento da sociedade pós industrial”. Neste livro
ele formula que o eixo principal desta sociedade será o conhecimento teórico e
adverte que os serviços baseados no conhecimento terão de se converter na
estrutura central da nova economia e de uma sociedade sustentada na
informação, onde as ideologias serão supérfluas. Esta expressão reaparece
com força nos anos 90, no contexto do desenvolvimento da Internet er das TIC.
A partir de 1995, foi incluída na agenda das reuniões do G7 (depois G8, onde
se reúnem os chefes de Estado ou governos das nações mais poderosas do
planeta). Foi abordada em fóruns da Comunidade Européia e da OCDE (os
trinta países mais desenvolvidos do mundo) e foi adotada pelo governo dos
Estados Unidos, assim como por várias agências das Nações Unidas e pelo
Banco Mundial. Tudo isso com uma grande repercussão mediática.
Neste contexto, o conceito de “sociedade da informação” como construção
política e ideológica se desenvolver das mãos da globalização neoliberal, cuja
principal meta foi acelerar a instauração de um mercado mundial aberto e
“auto-regulado”. Política que contou com a estreita colaboração de organismos
multilaterais como a Organização Mundial do Comércio (OMC) , o Fundo
Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, para que os países fracos
abandonem as regulamentações nacionais ou medidas protecionistas que
desencorajassem o investimento; tudo isso com o conhecido resultado da
escandalosa intensificação dos abismos entre ricos e pobres no mundo.
Na verdade, no final do século, quando a maioria dos países desenvolvidos já
havia adotado políticas de desenvolvimento da infra-estrutura das TIC, ocorre o
espetacular auge do mercado de ações da indústria das comunicações.
Entretanto, os mercados do Norte começam a se saturar. Assim, intensificamse as pressões com relação aos países em desenvolvimento para que deixem
a via livre ao investimento das empresas de telecomunicações e informática em
busca de novos mercados para absorver seus excedentes de lucros. Neste
contexto convocado pela CMSI; esse panorama se modifica, entretanto, uma
vez que a bolha do mercado de ações estoura, a partir do ano 2000. No
entanto, esta realidade e o papel-chave que as tecnologias da comunicação
desempenharam na aceleração da globalização econômica, sua imagem
pública está mais associada aos aspectos mais amigáveis da globalização
como a Internet, a telefonia celular e internacional, a TV via satélite, etc. Assim,
a sociedade da informação assumiu a função de “embaixadora da boa vontade,
da globalização, cujos benefícios poderiam estar ao alcance de todos, se pelo
menos fosse possível diminuir o “abismo digital”.
1.4- Sociedade do Conhecimento
A noção de “sociedade do conhecimento” (Knowledge society) surgiu no final
da década de 90. É empregada , particularmente, nos meios acadêmicos como
alternativa que alguns preferem à sociedade da informação.
A UNESCO em particular, adotou o termo “Sociedade do Conhecimento”, ou
sua variante, “Sociedade do Saber” dentro de suas políticas institucionais.
Desenvolveu uma reflexão em torno do assunto que busca incorporar uma
concepção mais integral, não ligada apenas á dimensão econômica. Por
exemplo,
Abdul
Waheed
Khan
(Subdiretor-geral
da
UNESCO
para
Comunicação e Informação) escreve:
“A sociedade da Informação é a pedra angular das sociedades do
conhecimento. O conceito de “sociedade da informação”, a meu ver
está relacionado à ideia da inovação tecnológica, enquanto o
conceito de sociedades do conhecimento inclui uma dimensão de
transformação social, cultural e econômica, política e institucional,
assim como uma perspectiva mais pluralista e de desenvolvimento.
O conceito de “sociedades do conhecimento” é preferível ao da
“sociedade da informação”, já que expressa melhor a complexidade
e o dinamismo das mudanças que estão ocorrendo (...) o
conhecimento em questão não só é importante para o crescimento
econômico,mas também para fortalecer e desenvolver todos os
setores da sociedade.” (KHAN, 2003)
Em todo o caso, geralmente, neste contexto, utiliza-se indistintamente
sociedade do conhecimento e do saber, embora em espanhol, pelo menos, o
conhecimento pareça ser mais comum.
É preciso diferenciar uma realidade existente ou emergente daquelas que
expressam uma visão – ou desejo – de uma sociedade potencial. As duas têm
sua relevância; as primeiras por sua contribuição à análise, as segundas
porque orientam políticas e ações.
Castells (2008) , um dos pesquisadores que mais desenvolveram o assunto
explica:
“O que caracteriza a revolução tecnológica atual não é o caráter
central do conhecimento e da informação, mas a aplicação deste
conhecimento e informação a aparatos de geração de conhecimento
e processamento da informação/comunicação, em um círculo de
retroalimentação acumulativa entre a inovação e seus usos. (...) A
difusão da tecnologia amplifica infinitamente seu poder ao se
apropriar de seus usuários e redefini-los. As novas tecnologias da
informação não são apenas ferramentas para se aplicar, mas
processos para se desenvolver.(...) Pela primeira vez na história, a
mente humana é uma força produtiva direta, não apenas um
elemento decisivo do sistema de produção.”(CASTELLS, 2008, p.6768)
Com relação á sociedade do conhecimento , em uma publicação posterior, o
autor ressalta tratar-se de uma sociedade na qual as condições de geração de
conhecimento e processamento de informação foram substancialmente
alteradas por uma revolução tecnológica centrada no processamento de
informação, na geração do conhecimento e nas tecnologias da informação.
Yves Corrier, referindo-se a Castells, diferencia os dois termos desta forma:
“sociedade da informação” coloca a ênfase no conteúdo do trabalho ( o
processo de captar, processar e comunicar as informações necessárias), e
“Sociedade do conhecimento” nos agentes econômicos que devem possuir
qualificações superiores para o exercício do seu trabalho.
Segundo Burch (2006), acolhe-se a noção de que qualquer referência às
“sociedades” deva ser no plural, reconhecendo a heterogeneidade e
diversidade das sociedades humanas. Isso implica também reafirmar o
interesse de que cada sociedade se aproprie das tecnologias para suas
prioridades particulares de desenvolvimento e não que deva se adaptar a elas
para poder fazer parte de uma suposta sociedade da informação pré-definida.
Para a autora, qualquer definição que use o termo “sociedade” não pode
descrever uma realidade circunscrita à Internet ou às TIC’s. A Internet pode ser
um novo cenário de interação social, mas essa interação é estreitamente
integrada ao mundo físico, e os dois âmbitos se transformam mutuamente.
CAPÍTULO II
A influência da Tecnologia e Inclusão: a mudança de
novos paradigmas educacionais.
Um dos grandes desafios das últimas décadas tem sido “inserir e integrar as
tecnologias no cotidiano escolar”. Com o advento e o aperfeiçoamento das
novas tecnologias da informação e comunicação (TIC’s), ampliou-se o
horizonte de professores e alunos com as novas possibilidades oferecidas por
aparelhos de DVD, computadores e pela Internet. Ao lado destas tecnologias
mais “complexas” estão tecnologias mais “simples”,mais “antigas”, que de
forma alguma devem ser desprezadas e,como já foi mencionado, um dos
grandes desafios do professor é utilizar estas tecnologias – antigas e novas
num ensino mais dinâmico e eficiente.
Hoje em dia, talvez pela disseminação das TIC’s, quando se fala em
tecnologia, pensa-se imediatamente em aparelhos eletrônicos, computadores e
Internet. Lamentavelmente ficam relegados a segundo plano ferramentas como
o quadro, o papel, o flip chart, as fichas, o cartaz, o jornal, as ilustrações, os
jogos, o mural, a sucata,dentre outras simples e baratas. Por isso, Leite, et ali
(2003), falam em “tecnologias independentes”, ou seja, as que não dependem
de recursos elétricos ou eletrônicos para a sua produção e/ou utilização e
“tecnologias dependentes”, aquelas que dependem de um ou vários recursos
elétricos ou eletrônicos para serem produzidas e/ou utilizadas.
Sabemos que “há uma nova cultura audiovisual, urbana, que se expressa de
forma dinâmica e multifacética, que responde a uma nova sensibilidade e forma
de perceber e de se expressar” (Moran, apud Sampaio & Leite, 1999) e que
atinge intensamente os jovens. Esta nova cultura audiovisual, com sua
linguagem própria, tem por base o falar antes do escrever, o ver mais do que o
ler e o sentir antes do compreender (Babin & Kouloumdjian, apud Sampaio &
Leite, 1999). Quando se trata de tecnologia e ensino, ainda se vê a mera
transposição de materiais analógicos para meios digitais, a abordagem de
equipamentos eletrônicos com o “ranço” da aula tradicional, como se a
tecnologia, especialmente as mais complexas, fosse uma roupa inapropriada
para a ocasião. É preciso tomar consciência de que as novas linguagens
“geram novos modos de pensar e sentir, e por consciência de que as novas
linguagens “geram novos modos de pensar e sentir, e por consequência de
aprender” (Belloni, apud SAMPAIO & LEITE, 1999) e, portanto, requerem
novas formas de ensinar. Este é outro dos grandes desafios do professor frente
às tecnologias disponíveis, especialmente as dependentes da eletrônica.
É importante esclarecer que “a simples presença da tecnologia na sala de aula
não garante qualidade nem dinamismo á prática pedagógica” (Leite et ali,
2003). O professor precisa estar consciente da relação entre tecnologia e
educação para poder decidir se e qual tecnologia é apropriada para um dado
momento didático, jamais perdendo o foco nas necessidades pedagógicas do
aluno e do contexto educacional. Embora “em geral toda e qualquer tecnologia
possa ser utilizada em todos os níveis de ensino e para trabalhar diversos
conteúdos”, qualquer sugestão para o uso de tecnologia precisa ser analisada
“criticamente pelo professor”
Novas formas de trabalho surgem a partir das mudanças que estão ocorrendo
atualmente. O mundo está se tornando cada dia mais interativo e
interdependente. Isto está acontecendo, principalmente, em função dos
avanços da ciência tecnológica e das telecomunicações. Segundo Moraes
(1997, p. 189), "o maior desafio da modernidade é a produção do
conhecimento e seu manejo criativo e crítico".
Neste momento, quando a sociedade da informação influencia fortemente
nossas vidas, no âmbito educacional, busca-se a superação do quadro de giz
que, normalmente, apenas reproduz conhecimento. Procura-se substituí-lo por
métodos aliados à tecnologia. Rádio, CD, TV, vídeo, computador, CD-ROM e a
Internet são instrumentos que auxiliam na pesquisa e, conseqüentemente, na
construção do conhecimento. O desafio está em como utilizar toda essa
informação, interpretar e produzir novas informações, com sentido crítico,
criativo e ético.
O aluno, dentro da abordagem do ensino com pesquisa, precisa ser ousado
para construir novos conhecimentos, é desafiado a criar e deve usar o saber
para mudar, a aprendizagem para transformar e a pesquisa para reconstruir. O
professor torna-se articulador e orquestrador do processo pedagógico e, para
isso, precisa pesquisar para construir seus próprios métodos e meios de
aprender a aprender. A metodologia é criadora de caminhos compartilhados
com os alunos e pares dos docentes por meio de uma elaboração criativa,
argumentação com propriedade e pesquisa sistemática. Sua função é a de
despertar o interesse científico. A avaliação deve ser proposta dentro de
critérios que são discutidos e construídos com os alunos antes de começar o
projeto e as pesquisas. Deve apresentar uma visão emancipadora, pois adquire
a garantia de avaliar o envolvimento, a produção e o progresso educativo.
A visão integrada do mundo, na qual o indivíduo se torna responsável pelo
outro, utilizando-se das tecnologias disponíveis de forma ética, crítica e criativa
na construção do conhecimento, trará benefícios. Esses benefícios não serão
só para um segmento, como é o caso da "Sociedade de Produção de Massa",
em que os objetos criados pelo ser humano são utilizados para o bem-estar de
poucos. O benefício desta nova visão será o de compreender a sociedade e
conscientizar-se sobre a necessidade de uma qualidade digna de vida para o
homem.
CAPÍTULO III
Tipos de Tecnologia: O favorecimento digital à favor da
inclusão
O advento da informática criou uma nova facilidade na produção de mídias de
comunicação, que agora começam a aparecer em volume significativo. A
fotografia e o cinema estão suplantados no uso didático pela foto digital e pelo
vídeo, que permitem edição e publicação mais rápidas e a baixo custo.
Entretanto, para sua produção e boa utilização pedagógica é necessário
alguma formação em Comunicação e dominar as tecnologias de produção e
reprodução de imagens. Tal gama de conhecimentos, normalmente
não faz parte do acervo da maior parte dos professores da educação básica.
Mas com poucas horas de treinamento, um professor pode produzir vídeos
didáticos, apresentações de slides.
A escolha de uma mídia exige que se cumpra uma série de passos inerentes
ao planejamento das aulas, segundo Allende (1992) : “ definição dos objetivos;
seleção dos conteúdos; e organização das tarefas do processo ensino –
aprendizagem. “Os meios de ensino são imprescindíveis em qualquer fase do
processo educativo, exigindo um planejamento essencial e cuidadoso, com
fundamentação científica e não arbitrária ou regida por modismo. O uso de
representação é tão útil quanto o objeto original, desde que contenha todos os
elementos essenciais do mesmo e permita a execução de atividades
específicas, e permite materializar o resultado de uma abstração (Silveira,
1999).
O conceito de meio de ensino confunde-se com a linguagem utilizada por esse
meio e está entrelaçado com ela:
A – Cinema e vídeo didático; Difere do documentário por sua forma didática,
não sendo apenas informativo. Sua exibição exige interrupções para anotações
e releituras.
B – Apresentação de transparências: Seu uso na apresentação de fotos e
figuras é elogiável, desde que seja disponibilizado ao aluno cópias das
mesmas. Com texto corrido é condenável. Não há dúvidas que as
transparências aceleram a apresentação do conteúdo. O que se discute é se e
quando seu uso ajuda no aprendizado.
C – Apresentação de Slides: Passa pelas fases de concepção, roteiro,
produção, edição e distribuição. Permite que o usuário escolha seu próprio
ritmo, e modifique o programa. A possibilidade de usar fotos digitais e imagens
obtidas com o scanner barateia sua produção. Sua apresentação pode ser de
forma acelerada ou não, o que o torna mais atrativo, com a apresentação
oportuna de textos e uso de efeitos especiais de som e imagem. Vantagem:
possibilidade de segmentação da apresentação.
D – Internet – O correio eletrônico pode atuar como redutor da inibição inicial
de alunos. O aluno pode consultar à qualquer hora, cabendo ao professor
fornecer-lhe retorno em prazo razoável. Por intermédio de sites, um conteúdo
pode ser rapidamente disponibilizado. O maior problema a ser vencido é a
garantia da interatividade entre professor e aluno. A facilidade em buscar
informações democratiza conhecimento, mas o excesso dessas mesmas
informações cria armadilhas para o usuário dispersivo.
E – Seminários On line : Com ou sem ambiente virtual para discussão sobre
temas definidos com antecedência, pessoas são convidadas a apresentar em
artigos suas experiências em temas pré-determinados, que ficam disponíveis
em sites da internet por períodos de tempo fixos. Como consequência da
Internet já ocorre maior desenvolvimento do ensino à distância.
F – EAD - A educação a distância foi se transformando durante as últimas
décadas, fruto de mudanças, nas metodologias, nas mediações e no uso das
tecnologias. CORREA (2007p.32) afirma que isto inclusive possibilita que a
agrupemos em gerações:
[...]a primeira geração temos o uso do material impresso como forma
de desenvolver os conteúdos e manter a comunicação com os
alunos; na segunda geração temos a utilização de materiais de áudio
e vídeo, favorecendo assim a comunicação sincrônica, que permite
ampla difusão da informação, contatando pessoas em espaços
diferentes, e em tempo real.Com o avanço das telecomunicações,
aumenta a flexibilização dos processos informacionais e
comunicativos, o que permite configurar a terceira geração em EAD.
(CORRÊA, 2007, p.32)
BELLONI (2002) ressalta que, a introdução das novas tecnologias da
informação e comunicação nos cursos de EAD oferece possibilidades inéditas
de interatividade com materiais de boa qualidade e de grande variedade
mediatizada pelas redes telemáticas (e-mails, listas e grupos de discussão,
webs, etc.).
LITWIN (2001) afirma que os programas de EAD contém uma proposta didática
com maior conteúdo que as situações presenciais, mas crítica as definições
que se basearam na elaboração de materiais auto-suficientes capazes de gerar
a proposta de aprendizagem. Neste sentido, o papel do tutor é fundamental
para a construção dos processos de ensino/aprendizagem.
Para que esta interatividade se concretize, a utilização das tecnologias e os
modos de “como” usar são fundamentais, sendo assim, faz-se importante situar
esta realidade no contexto atual.
A inclusão digital é um problema de políticas públicas, pois de acordo com as
estatísticas da Fundação Getulio Vargas (2003) 4, apenas 13 % dos domicílios
brasileiros têm computador. Somente 9% dos domicílios acessam a internet.
Cerca de 75% dos brasileiros nunca manusearam um computador. 89 % dos
brasileiros nunca acessaram a Internet.
BARBOSA (2004,p.23) ressalta que, no Brasil o acesso às tecnologias é
inferior a nações como o Kuwait, Costa Rica, Jamaica, Argentina, Uruguai, e
Chile. O Mapa da Exclusão Digital (FGV 2003) indica que: Existem apenas 27
milhões de brasileiros que são incluídos digitais (15 % da população). O Brasil
tem 21 milhões de pessoas incapazes de ler e escrever (13 % da população),
mas quantos são os analfabetos digitais, aquelas pessoas despreparadas para
viver a interação com as máquinas?
A tecnologia é uma forma de inclusão social, ou seja, a aprendizagem da
informática e o acesso às novas linguagens de comunicação e informação, não
só possibilitam oportunidades econômicas, de geração de renda, como
também representam um importante capital social. Frente a esse contexto de
expansão da EAD e o quadro atual do uso dos artefatos tecnológicos da
realidade brasileira considero de fundamental importância investigar a tutoria,
por entender ser esse profissional o mediador entre a realidade dos cursos e a
realidade em que o sujeito está inserido.
Para MILL (2006,p.212):
[...] o trabalho docente a distância se organiza de forma coletiva e
cooperativa. O trabalho nessa modalidade educacional é
extremamente fragmentado e cada parte das atividades que
compõem o trabalho docente virtual é atribuída a um trabalhador
diferente (ou a um grupo deles).
Para SANTOS (2002,p.184):
Na EAD a mediação pedagógica exercida pelo tutor, que está
praticamente ausente fisicamente se constitui em uma dupla
mediação – a tecnológica e a pedagógica- que aumentam a
complexidade da relação pedagógica [...].
BELLONI (2002) afirma que a EAD já não é mais um paliativo, ou emergencial
mas se apresenta como mais um modo regular de oferta de ensino, utilizada
principalmente no ensino superior quanto para a formação inicial ou
continuada, cuja demanda tende a crescer exponencialmente. Hoje com o
avanço dos cursos a distância, este modelo de ensino é uma realidade, e ao
mesmo tempo um desafio.
Este avanço e esta complexidade na oferta de cursos a distância pode ser visto
pelo crescente número de cursos de nível superior, sendo que, em 2008 no
Programa da Universidade Aberta do Brasil foram trezentas cidades pólos
credenciados pelo Ministério da educação publicado no Diário Oficial. Na
Universidade Federal de Minas Gerais uma das universidades credenciadas no
Programa, o número de vagas para a graduação previsto é 1000 vagas no ano
de 2008. Nesta perspectiva, quais são os impactos desta expansão?
BELLONI: in PIMENTEL(2006,p55) afirma que:
“A submissão da educação aos interesses imediatos do mercado é o
principal dispositivo dessa construção, podendo levar a Universidade
pública, no país, a redefinições, de ordem objetiva e subjetiva, que
se estendem desde a privatização de interesses, propósitos e
objetivos universitários, antes de caráter público, definidos coletiva e
socialmente, até a privatização da cultura universitária acumulada na
prática histórica do trabalho do conjunto dos sujeitos universitários).
(BELLONI, apud PIMENTEL, 2006, p.55)
A tecnologia é uma forma de inclusão social, ou seja, a aprendizagem da
informática e o acesso às novas linguagens de comunicação e informação, não
só possibilitam oportunidades econômicas, de geração de renda, como
também representam um importante capital social. Frente a esse contexto de
expansão da EAD e o quadro atual do uso dos artefatos tecnológicos da
realidade brasileira considero de fundamental importância investigar a tutoria,
por entender ser esse profissional o mediador entre a realidade dos cursos e a
realidade em que o sujeito está inserido.
2.3 – EAD
2.3.1 - EAD – Uma modalidade de ensino
A Educação a Distância - EaD é uma modalidade que, por sua conveniência e
eficácia, vem se consolidando cada vez mais no cenário educacional. Para
entender um pouco mais sobre esta modalidade é importante considerar que
se trata de um processo de ensino-aprendizagem com características
específicas.
A EaD pode ser definida como processo de ensino-aprendizagem em que os
alunos e os professores encontram-se em momentos e espaços físicos
distintos, em que o aprendizado ocorre de forma planejada e intencional por
parte dos agentes envolvidos e que faz uso de tecnologias para a transmissão
de informações e interação entre aluno e professor.
Educação a distância (EaD, também chamada de teleducação), por vezes
designada erradamente por ensino à distância,é a modalidade de ensino que
permite que o aprendiz não esteja fisicamente presente em um ambiente formal
de ensino-aprendizagem, assim como, permite também que faça seu auto
estudo em tempo distinto. Diz respeito também à separação temporal ou
espacial entre o professor e o aprendiz.
A EaD deve ser vista como possibilidade de inserção social, propagação do
conhecimento individual e coletivo, e como tal pode ajudar na construção de
uma sociedade mais justa e igualitária. É nesta direção que a Universidade vê
a possibilidade de formar cidadãos conscientes de seu papel sócio político,
ainda que vivam em regiões onde a oportunidade de ensino de qualidade seja
remota ou que a vida contemporânea reduza a disponibilidade para investir nos
estudos.
A interligação (conexão) entre professor e aluno se dá por meio de tecnologias,
principalmente as telemáticas como a Internet,em especial as hipermídias, mas
também podem ser utilizadas o correio ,o rádio, a televisão,o vídeo,o CDROM,o telefone,o fax,o celular,o iPod,o notebook, entre outras tecnologias
semelhantes.
Na expressão ensino a distância a ênfase é dada ao papel do professor (como
alguém que ensina a distância). O termo educação é preferido por ser mais
abrangente, embora nenhuma das expressões, segundo o professor, seja
plenamente completa.
A Educação a Distância (EaD), em sua forma empírica, é conhecida desde o
século XIX.Entretanto,somente nas últimas décadas passou a fazer parte das
atenções pedagógicas. Ela surgiu da necessidade do preparo profissional e
cultural de milhões de pessoas que, por vários motivos, não podiam freqüentar
um estabelecimento de ensino presencial, e evoluiu com as tecnologias
disponíveis em cada momento histórico, as quais influenciam o ambiente
educativo e a sociedade.
2.3.2. – Histórico
Inicialmente na Grécia Antiga, e depois em Roma existiam redes de
comunicação
que
permitiam
o
desenvolvimento
significativo
da
correspondência e, por conseqüência, a troca de informações.
Hoje temos a educação presencial, semipresencial (parte presencial/parte
virtual ou a distância) e educação a distância (ou virtual). A presencial é a dos
cursos regulares, em qualquer nível, onde professores e alunos se encontram
sempre num local físico, chamado sala de aula. É o ensino convencional. A
semipresencial acontece em parte na sala de aula e outra parte a distância,
através de tecnologias. A educação a distância pode ter ou não momentos
presenciais, mas acontece fundamentalmente com professores e alunos
separados fisicamente no espaço e ou no tempo, mas podendo estar juntos
através de tecnologias de comunicação.
Com a Revolução Científica iniciada no século XVII, as cartas comunicando
informações científicas inauguraram uma nova era na arte de ensinar. Segundo
Lobo Neto (1995), um primeiro marco da educação a distância foi o anúncio
publicado na Gazeta de Boston, no dia 20 de março de 1728,pelo professor de
taquigrafia Cauleb Phillips: "Toda pessoa da região, desejosa de aprender esta
arte, pode receber em sua casa várias lições semanalmente e ser
perfeitamente instruída, como as pessoas que vivem em Boston".
Em 1833, em Berlim,Charles Toussaint e Gustav Langenscheidt fundaram a
primeira escola por correspondência nos serviços de extensão universitária.Um
ano depois ,o reitor da Universidade de Chicago,William R.Harper ,que já havia
experimentado a utilização da correspondência na formação de docentes para
as escolas dominicais,criou uma Divisão de Ensino por Correspondência no
Departamento de Extensão daquela Universidade.
Por volta de 1895, em Oxford,Joseph W. Knipe, após experiência bem
sucedida preparando por correspondência suas turmas de estudantes,a
primeira com seis e a segunda com trinta alunos, para o Certificated Teacher’s
Examination ,iniciou os cursos de Wolsey Hall utilizando o mesmo método de
ensino. Já em 1898 ,em Malmo, na Suécia, Hans Hermond,diretor de uma
escola que ministrava cursos comerciais ofereceu o primeiro curso por
correspondência ,dando início ao famoso Insitituto Hermond. .
No final da Primeira Guerra Mundial, surgiram novas iniciativas de ensino a
distância em virtude de um considerável aumento da demanda social por
educação, confirmando, de certo modo, as palavras de William Harper, escritas
em 1886 "Chegará o dia em que o volume da instrução recebida por
correspondência será maior do que o transmitido nas aulas de nossas
academias e escolas; em que o número dos estudantes por correspondência
ultrapassará o dos presenciais."
O aperfeiçoamento dos serviços de correio, a agilização dos meios de
transportes e, sobretudo, o desenvolvimento tecnológico aplicado ao campo da
comunicação e da informação influíram decisivamente nos destinos da
educação a distância. Em 1922, a antiga URSS, organizou um sistema de
ensino por correspondência que em dois anos passou a atender 350 mil
usuários. A França criou em 1939 um serviço de ensino por via postal para a
clientela de estudantes deslocados pelo êxodo.
A partir daí, começou a utilização de um novo meio de comunicação, o rádio,
que penetrou também no ensino formal. O rádio alcançou muito sucesso em
experiências nacionais e internacionais, tendo sido bastante explorado na
América
Latina
nos
programas
de
educação
a
distância
do
Brasil,Colômbia,México,Venezuela,entre outros.
Após as décadas de 1960 a 1970, a educação a distância, embora
mantendo os materiais escritos como base, passou a incorporar articulada e
integradamente o áudio e o videocassete, as transmissões de rádio e televisão
o
videotexto,
o
computador
e,mais
recentemente,a
tecnologia
de
multimeios,que combina textos, sons, imagens, assim como mecanismos de
geração de caminhos alternativos de aprendizagem (hipertextos,diferentes
linguagens) e instrumentos para fixação de aprendizagem com feedback
imediato(programas tutoriais informatizados) etc.
Atualmente, o ensino não presencial mobiliza os meios pedagógicos de quase
todo o mundo, tanto em nações industrializadas quanto em desenvolvimento.
Novos e mais complexos cursos são desenvolvidos, tanto no âmbito dos
sistemas de ensino formal quanto nas áreas de treinamento profissional.
A educação à distância foi utilizada inicialmente como recurso para superação
de
deficiências
educacionais,
para
a
qualificação
profissional
e
aperfeiçoamento ou atualização de conhecimentos. Hoje, cada vez mais foi
também usada em programas que complementam outras formas tradicionais,
face a face, de interação, e é vista por muitos como uma modalidade de ensino
alternativo que pode complementar parte do sistema regular de ensino
presencial. Por exemplo, a Universidade Aberta oferece comercialmente
somente cursos a distância, sejam cursos regulares ou profissionalizantes. A
Virtual University oferece cursos gratuitos.
O desenvolvimento da EaD pode ser descrito basicamente em três gerações,
conforme os avanços e recursos tecnológicos e de comunicação de cada
época.
•
Primeira geração: Ensino por correspondência, caracterizada pelo
material impresso iniciado no século XIX. Nesta modalidade, por exemplo, o
pioneiro no Brasil é o Instituto Monitor que, em 1939, ofereceu o primeiro curso
por correspondência, de Radiotécnico. Em seguida, temos o Instituto Universal
Brasileiro atuando há mais de dezenas de anos nesta modalidade educativa,
no paísd
•
Segunda geração: Teleducação/Telecursos, com o recurso aos
programas radiofônicos e televisivos, aulas expositivas, fitas de vídeo e
material impresso. A comunicação síncrona predominou neste período. Nesta
fase, por exemplo, destacaram-se a Telescola, em Portugal e o Projeto Minerva
no Brasil.
•
Terceira geração: Ambientes interativos, com a eliminação do tempo
fixo para o acesso à educação, a comunicação é assíncrona em tempos
diferentes e as informações são armazenadas e acessadas em tempos
diferentes sem perder a interatividade. As inovações da Word Wide Web
possibilitaram avanços na educação a distância nesta geração do Século XXI.
Hoje
os
meios
disponíveis
são:
Teleconferência,
CHAT,
fórunsdediscussão,correioeletrônico,blogs,espaçoswiki,plataformasdeambiente
svirtuais que possibilitaram avanços e interação multidirecional entre alunos e
tutores.
2.3.3 – EAD / UAB e a Legislação Educacional
O site do Ministério de Educação (MEC) informa quantas instituições já estão
credenciadas para a Educação a Distância (EAD) e quais são, na sociedade do
conhecimento, os programas de incentivo à pesquisa e à utilização das
Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na educação.
O número de experiências brasileiras em educação a distância na educação
formal e não-formal; em instituições educacionais ou empresarias, públicas ou
privadas; no ensino superior ou na educação básica, já é bastante significativo,
demonstrando um crescente interesse por essa modalidade de ensino. Em
vista disso, cada vez mais torna-se necessária a capacitação de docentes para
a EAD e a inserção dos discentes nos ambientes virtuais de aprendizagem.
No ensino superior, as experiências brasileiras de educação a distância, com
os recursos das TICs, tiveram início na década de noventa e se encaminharam
no sentido de aproximar/facilitar a participação, em atividades educacionais,
dos alunos que não poderiam se deslocar de suas residências/cidades por um
tempo maior, como o exigido por cursos de graduação, pós-graduação (lato
sensu) ou, até mesmo, extensão.
Com o desenvolvimento desta modalidade de ensino, foi criada, em 1995, a
Secretaria de Educação a Distância (SEED), no MEC, com o objetivo de “levar
para a escola pública toda a contribuição que os métodos, técnicas e
tecnologias de educação a distância podem prestar à construção de um novo
paradigma para a educação brasileira”. Coerente com esse propósito, a
SEED/MEC desenvolve ações como a TV Escola, o PROINFO (Programa
Nacional de Informática nas escolas), o PAPED (Programa de Apoio à
Pesquisa em EAD), o DVD Escola, a Rádio Escola, Domínio Público, a RIVED
(Rede Interativa Virtual de Educação) e tantas outras iniciativas que
demonstram a intenção governamental de investir, cada vez mais, em
tecnologia educacional e na EAD no Brasil.
Além da Universidade de Brasília, a Universidade Federal de Santa Catarina foi
uma das pioneiras na introdução da EAD no Brasil, com o uso da tecnologia
em seu Laboratório de Ensino a Distância (LED) do Programa de PósGraduação em Engenharia de Produção. Seguiram-se as Universidades
Federais do Pará, Ceará e do Paraná, hoje credenciadas pelo MEC, entre
outras, para cursos de graduação a distância. Dando seqüência a esta lista de
universidades pioneiras em EAD, no final dos anos noventa foi criada a PUCRS
VIRTUAL, no Rio Grande do Sul, com autorização para desenvolver cursos de
graduação e pós-graduação lato sensu em 2001 e credenciamento em 2002.
É cada vez maior o número de universidades que têm seus programas próprios
ou em parcerias. Há, ainda, redes de instituições, como a UNIREDE
(Universidade Pública Virtual do Brasil) lançada em agosto de 2000, que conta
com o apoio do MEC (Ministério de Educação e Cultura), do MCT (Ministério de
Ciência e Tecnologia), do FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) para
“democratizar o acesso à educação de qualidade através de cursos a distância
de graduação, pós-graduação, extensão e educação continuada”. Já na época
de sua criação, a UNIREDE integrava 62 instituições públicas (estaduais e
federais) consorciadas.
Nessa mesma trilha, em 2001 foi criada a Rede de Instituições Católicas de
Ensino Superior (RICESU), integrada, inicialmente, por oito universidades
consorciadas, que publica, em seu site, a Revista Digital Colabor@, com o
objetivo de “compartilhar e oferecer novos espaços de aprendizagem mediados
pelas tecnologias de informação e comunicação, possibilitando à comunidade
educacional brasileira participar de ambientes de aprendizagem e de educação
permanente em diversas áreas do conhecimento”.
Mais recentemente, diversas outras redes têm se constituído, com o objetivo de
agregar
valor
e
maximizar
as
potencialidades
de
cada
instituição
individualmente. Este texto não tem o objetivo de pesquisar e citar todos os
convênios e parcerias firmadas, mas só as iniciais, até porque o número de
redes cresce constantemente e precisaria estar sempre em atualização.
Ainda em 2001, a legislação federal estabelece normas para o funcionamento
dos cursos de especialização lato sensu a distância, por meio da Resolução
CNE/CES n. 01/01, posteriormente reformulada pela Resolução CNE/CES
01/07, exigindo provas presenciais e defesa de trabalho de conclusão
presencial, além dos demais critérios exigidos a qualquer curso de pósgraduação presencial, como, por exemplo, número de docentes com titulação
de mestrado e doutorado, mínimo de 360 horas e outros requisitos
significativos para a qualidade da educação superior.
Em qualquer hipótese, há necessidade de organização curricular aprovada nas
instâncias
hierárquicas
da
Instituição
de
Ensino
Superior
(IES),
regulamentando a reformulação do currículo ou a criação de um currículo novo.
Além disso, essa Portaria prevê as “atividades de tutoria (...) e existência de
docentes qualificados (...), com carga horária específica para os momentos
presenciais e os momentos a distância” (art. 2º da Portaria MEC n. 4.059/04).
A criação da proposta curricular de cursos na modalidade de educação a
distância está sujeita a análise dos critérios de qualidade explicitados no site do
MEC
(http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/legislacao/refead1.pdf).
Os
indicadores apresentados visam a qualificar a EAD e orientar as instituições
educacionais sobre as condições necessárias para viabilizar essa modalidade
de ensino de maneira “responsável, criativa, crítica, solidária e competente; e
não massificada ou manipulativa”, como indicam os referenciais.
Nesse sentido, o Parecer CNE/CES n. 63/03, a Portaria MEC 4.361/04 e o
Decreto Federal 5.622/05 estabelecem que a autorização e o reconhecimento
pelo MEC; bem como o credenciamento da IES para atuar com a EAD são
essenciais para o desenvolvimento de cursos e programas nessa modalidade
de ensino. Segundo o Decreto Federal n. 5.622/05, “os cursos e programas a
distância poderão aceitar transferência e aproveitar estudos realizados pelos
estudantes em cursos e programas presenciais, da mesma forma que as
certificações totais ou parciais obtidas em cursos e programas a distância
poderão ser aceitas em outros cursos presenciais ou a distância” (§ 2º art.3º). A
possibilidade de migrar de uma modalidade de ensino a outra deve-se ao fato
de ambas serem autorizadas e reconhecidas oficialmente, não havendo,
portanto, discriminação quanto à forma.
Em 2005, o Fórum das Estatais pela Educação criou a Universidade Aberta do
Brasil (UAB), para a articulação e integração de um sistema nacional de
educação superior a distância, em caráter experimental, visando sistematizar
as ações, programas, projetos, atividades pertencentes as políticas públicas
voltadas para a ampliação e interiorização da oferta do ensino superior gratuito
e de qualidade no Brasil.
O Sistema Universidade Aberta do Brasil é uma parceria entre consórcios
públicos nos três níveis governamentais (federal, estadual e municipal), a
participação das universidades públicas e demais organizações interessadas
.(MEC, 2005) .Sistema criado em 2005, foi oficializado em 2006 pelo Decreto n.
5.800 de 8 de junho de 2006, visando o “desenvolvimento de projetos de
pesquisa e de metodologias inovadoras de ensino, preferencialmente para as
áreas de formação inicial e continuada de professores da educação básica”
(ABRAEAD, 2007, p. 19).
Percebe-se que a EAD, com o uso da tecnologia, surgiu como uma alternativa
ao ensino convencional, possibilitando a aquisição de conhecimentos a
diferentes e distantes segmentos da sociedade. O que antes se destinava às
classes sociais média e alta, devido aos custos e à exigência de computador e
linha telefônica, tornou-se, aos poucos, mais acessível, devido a popularização
dos recursos e ao incentivo governamental, expandindo-se cada vez mais,
inclusive para cursos semipresenciais.
Observa-se, atualmente, um contínuo movimento de consolidação e expansão
da
EAD,
ampliando-se
o
número
de
países,
empresas,
instituições
educacionais e alunos que realizam seus cursos em diferentes propostas
didático metodológicas e com variados recursos tecnológicos. O que definirá o
futuro da EAD é, primordialmente, a qualidade de seus cursos, com linguagem
e características próprias, que deverão ser objeto de pesquisa e avaliação
constantes devido à diversidade de objetivos, propostas e recursos, sempre
ampliados pelos avanços tecnológicos.
Conclui-se que não há um modelo único de EAD, mas sim parâmetros que
devem ser cumpridos para dar qualidade, visibilidade e credibilidade a essa
modalidade de ensino no Brasil. A IES deve estudar qual a melhor maneira de
desenvolvê-la em sua instituição, visando ao levantamento dos recursos
tecnológicos de que dispõe, revisando a proposta didático-metodológica que
embasa seu referencial teórico e preparando o quadro docente e discente para
este novo paradigma educacional.
Atualmente, outros desafios surgem para consolidar a EAD no Brasil, dentre
eles, o delineamento de uma política pública objetiva, consistente e continuada,
que incentive e valorize esta modalidade de ensino e, em decorrência, que
propicie de recursos de tecnologia de informação e de comunicação, rede de
distribuição das mensagens, ambiente virtual de aprendizagem e geração das
aulas. a disponibilização de mecanismos institucionais, de capacitação docente
para a atuação competente nos diferentes cursos e programas a distância.
A análise da trajetória já consolidada em outros países pode apontar caminhos
e minimizar desconfianças que, porventura, ainda existam na possibilidade da
difusão da EAD no Brasil, amenizando a carga cultural negativa de que o
‘ensino por correspondência’ destinava-se às classes populares, e a EAD, por
ser dispendiosa e elitizada, só está ao alcance dos mais privilegiadas, ou
ainda, que a EAD é um curso fácil, que não exige requisitos nem esforços nos
estudos discentes.
Acredita-se que as pesquisas e os estudos, constantemente incentivados,
orientarão a EAD para a obtenção de maior credibilidade pelo desenvolvimento
da qualidade dessa modalidade de ensino, construindo alternativas de
formação permanente e qualificada, acessíveis a todos os cidadãos.
CAPÍTULO IV
A Contribuição das EAD’s no contexto da Educação
Superior: inclusão e democratização do ensino e
pesquisa.
A educação a distância no ensino superior tem avançado, em termos de
legalização, normatização e de tecnologias. Inúmeras Instituições de ensino
superior buscam nesta metodologia mais uma alternativa na oferta de seus
cursos e na possibilidade de abranger um público antes não possível.
A promoção da inclusão digital vem requerendo o esforço e o trabalho do
Estado, das universidades e de muitas organizações não governamentais, e
têm levado à busca de novas ferramentas de gestão que possam contribuir
para a superação dos desafios existentes.
BELLONI (2002) afirma que a EAD já não é mais um paliativo, ou emergencial
mas se apresenta como mais um modo regular de oferta de ensino, utilizada
principalmente no ensino superior quanto para a formação inicial ou
continuada, cuja demanda tende a crescer exponencialmente. Hoje com o
avanço dos cursos a distância, este modelo de ensino é uma realidade, e ao
mesmo tempo um desafio..
Este avanço e esta complexidade na oferta de cursos a distância pode ser visto
pelo crescente número de cursos de nível superior, sendo que, em 2008 no
Programa da Universidade Aberta do Brasil foram trezentas cidades pólos
credenciados pelo Ministério da educação publicado no Diário Oficial. Na
Universidade Federal de Minas Gerais uma das universidades credenciadas no
Programa, o número de vagas para a graduação previsto é 1000 vagas no ano
de 2008. Nesta perspectiva, quais são os impactos desta expansão?
BELLONI in PIMENTEL(2006,p55) afirma que:
“A submissão da educação aos interesses imediatos do mercado é o
principal dispositivo dessa construção, podendo levar a Universidade
pública, no país, a redefinições, de ordem objetiva e subjetiva, que
se estendem desde a privatização de interesses, propósitos e
objetivos universitários, antes de caráter público,definidos coletiva e
socialmente, até a privatização da cultura universitária acumulada na
prática histórica do trabalho do conjunto dos sujeitos universitários).”
Qual o modelo definido nos cursos? Existe um perfil docente delineado dentro
destes projetos? Existe um contexto de trabalho delineado? Quais são os
parâmetros para o desenvolvimento dos cursos dentro do programa? Neste
sentido, para refletir sobre a expansão do Programa Universidade Aberta do
Brasil, é necessário pensar na sua criação e na realidade em que ele se insere.
Em aspectos:
A - Aspecto ideológico
A EaD caracteriza-se pelo estabelecimento de uma comunicação de múltiplas
vias, suas possibilidades ampliaram-se em meio às mudanças tecnológicas
como uma modalidade alternativa para superar limites de tempo e espaço.
Seus referenciais são fundamentados nos quatro pilares da Educação do
Século XXI publicados pela UNESCO, que são: aprender a conhecer, aprender
a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser.
Assim, a Educação deixa de ser concebida como mera transferência de
informações e passa a ser norteada pela contextualização de conhecimentos
úteis ao aluno. Na educação a distância, o aluno é desafiado a pesquisar e
entender o conteúdo, de forma a participar da disciplina.
B - Sistemático
Nesta modalidade de ensino estudantes e professores não necessitam estar
presentes num local específico durante o período de formação. Desde os
primórdios do ensino a distância, utiliza-se a Correspondência Postal para
enviar material ao estudante, seja na forma escrita, em vídeo, cassetes áudio
ou CD-ROM,bem como a correção e comentários aos exercícios enviados,
depois de feitos pelo estudante. Depois do advento da Internet o E-mail e todos
os recursos disponíveis na Web, tornaram-se largamente utilizados, ampliando
o campo de abrangência da EaD. Em alguns casos, é pedido ao estudante que
esteja presente em determinados locais para realizar a sua aprendizagem. A
presencialidade é muitas vezes necessária no processo de educação.
C – Das metodologias utilizadas
No ensino a distância não deve haver diferença entre a metodologia utilizada
no ensino presencial. As metodologias mais eficientes no ensino presencial são
também as mais adequadas ao ensino a distância. O que muda, basicamente,
não é a metodologia de ensino, mas a forma de comunicação. Isso implica
afirmar que o simples uso de tecnologias avançadas não garante um ensino de
qualidade, segundo as mais modernas concepções de ensino. As estratégias
de ensino devem incorporar as novas formas de comunicação e, também,
incorporar o potencial de informação da Internet.
A Educação apoiada pelas novas tecnologias digitais foi enormemente
impulsionada assim que a banda larga começou a se firmar, e a Internet
passou a ser potencialmente um veículo para a comunicação à distância.
A EaD caracteriza-se pelo estabelecimento de uma comunicação de múltiplas
vias, suas possibilidades ampliaram-se em meio às mudanças tecnológicas
como uma modalidade alternativa para superar limites de tempo e espaço.
D - Dos ambientes virtuais de aprendizagem (AVA)
O ambiente virtual de aprendizagem ou LMS (Learning Management System) é
um software baseado na Internet que facilita a gestão de cursos no ambiente
virtual. Existem diversos programas disponíveis no mercado de forma gratuita
ou não. O Blackboard é um exemplo de AVA pago e o Moodle é um sistema
gratuito. Todo o conteúdo, interação entre os alunos e professores são
realizado dentro deste ambiente. De acordo com Clark e Mayer (2007), os
ambientes virtuais são elementos fundamentais na tarefa de ensino, porém
carecem de suporte pedagógico adequado em relação ao processo de
aprendizagem.
E - O professor como mediador no EAD
Nesse processo de aprendizagem, assim como no ensino regular o orientador
ou o tutor da aprendizagem atua como "mediador", isto é, aquele que
estabelece uma rede de comunicação e aprendizagem multidirecional, através
de diferentes meios e recursos da tecnologia da comunicação, não podendo
assim, se desvincular do sistema educacional e deixar de cumprir funções
pedagógicas no que se refere à construção da ambiência de aprendizagem.
Esta mediação tem a tarefa adicional de vencer a distância física entre
educador e o educando. O qual, deverá ser auto-disciplinado e auto-motivado,
para que possa superar os desafios e as dificuldades que surgirem durante o
processo de ensino-aprendizagem.
Hoje, se tem uma educação diferenciada como: presencial, semi-presencial e
educação à distância. A presencial são os cursos regulares onde professores e
alunos se encontram sempre numa instituição de ensino. A semi-presencial,
acontece em parte na sala de aula e outra parte a distância, utilizando
tecnologia da informação.
As pessoas se deparam a cada dia com novos recursos trazidos por esta
tecnologia, que evolui rapidamente atingindo os ramos das instituições de
ensino. Falar de educação hoje, tem uma abrangência muito maior, e fica
impossível não falar na educação sem nos remetermos à educação a distância,
com todos os avanços tecnológicos proporcionando maior interatividade entre
as pessoas. Utilizando os meios tecnológicos a EaD veio para derrubar tabus e
começar uma nova era em termo de educação.
Esse tipo de aprendizagem não é mais uma alternativa, para quem não
disponibiliza da educação formal, mas se tornou uma modalidade de ensino de
qualidade que possibilita a aprendizagem de um número maior de pessoas.
Antes o EaD não tinha credibilidade era um assunto polêmico e trazia muitas
divergências, mas hoje esse tipo de ensino vem conquistando o seu espaço.
Porém, não é a modalidade de ensino que determina o aprendizado, seja ela
presencial ou à distância, aprendizagem se tornou hoje sinônimo de esforço e
dedicação de cada um.
F - Perspectivas atuais
Atualmente, a educação a distância possibilita a inserção do aluno como sujeito
de seu processo de aprendizagem, com a vantagem de que ele também
descobre formas de tornar-se sujeito ativo da pesquisa e do compartilhar de
conteúdos. Cabe às instituições que promovem o ensino a distância buscar
desenvolver seus programas de acordo com os quatro pilares da educação,
definidos pela UNESCO.
Aprender a conviver diz respeito ao desenvolvimento da capacidade de aceitar
a diversidade, conviver com as diferenças, estabelecer relações cordiais com a
diversidade cultural respeitando-a e contribuindo para a harmonia mundial.
(BEHRENS, 2000)
CONCLUSÃO
A utilização das TIC’s na educação não baseia-se apenas em uma escola
equipada com tecnologia de ponta, mas numa efetiva mudança de paradigmas.
Ao analisarmos os artigos estudados pudemos compreender que a prática
docente utilizando as tecnologias digitais como recurso pedagógico na
construção de conhecimento, estão intimamente ligadas ao novo contexto
paradigmático educacional. Não podemos deixar de compreender que a
mediação entre professor/aluno/pesquisa, perpassa através da utilização de
uma nova tecnologia digital, de maneira dialógica e emancipatória.
Atualmente, outros desafios surgem para consolidar as TIC’s na Educação
Superior que são os Cursos de Graduação à Distância - EAD no Brasil. Dentre
eles, o delineamento de uma política pública objetiva, consistente e continuada,
que incentive e valorize esta modalidade de ensino e, em decorrência, que
propicie novos rumos numa redefinição de recursos tecnológicos de informação
e de comunicação, rede de distribuição das mensagens, ambiente virtual de
aprendizagem e geração das aulas.
Entendemos com isto ser de competência da equipe docente a disponibilização
de mecanismos institucionais, de capacitação docente para a atuação
competente nos diferentes cursos e programas a distância.
A análise da trajetória já consolidada em outros países pode apontar
caminhos e minimizar desconfianças que, porventura, ainda existam na
possibilidade da difusão da EAD no Brasil, amenizando a carga cultural
negativa de que o ensino por correspondência’ destinava-se às classes
populares, e a EAD, por ser dispendiosa e elitizada, só está ao alcance dos
mais privilegiadas, ou ainda, que a EAD é um curso fácil, que não exige
requisitos nem esforços nos estudos
discentes.
Acredita-se
que
as
pesquisas
e
os
estudos,
constantemente
incentivados, orientarão a EAD para a obtenção de maior credibilidade pelo
desenvolvimento da qualidade dessa modalidade de ensino, construindo
alternativas de formação permanente e qualificada, acessíveis a todos os
cidadãos.
Enquanto docentes do ensino superior, entendemos que a fomentação
de pesquisas perpassa primeiramente neste segmento, uma vez que o objetivo
do ensino superior se fundamenta tão somente na pesquisa científica e na
utilização dos meios mais modernos de informação, construção e solidificação
do conhecimento. Por isto, necessita-se refletir sobre os discursos que
permeiam a tecnologia digital na educação, observar os avanços culturais,
buscar alternativas de transformação e desenvolvimento deste contexto, e
novas capacidades de atuação, e ainda adequar a nossa práxis educação e
investigativa, à luz do referencial teórico estudado. Constatamos que a
mudança de paradigmas desconstrói toda uma gama de. conceitos, uma vez
que uma nova etapa de informação e comunicação vem emergindo em todos
os setores sociais. Devemos refletir na possibilidade de inserir as novas TIC’s
no cotidiano acadêmico em âmbito geral, pois o Brasil, país emergente, vem se
consolidando no mercado mundial como uma grande nação em crescimento
significativo e precisa ter e dar acesso às possibilidades e condições de uma
nova prática de pesquisa. Concluindo, cabe aos Docentes do Ensino Superior e
aos estudantes universitários desenvolver novas tecnologias de pesquisa uma
vez que o crescimento de uma nação encontra-se intimamente ligado ao seu
desenvolvimento mercadológico e científico.
Conclui-se que não há um modelo único de EAD, mas sim parâmetros que
devem ser cumpridos para dar qualidade, visibilidade e credibilidade a essa
modalidade de ensino no Brasil. A IES deve estudar qual a melhor maneira de
desenvolvê-la em sua instituição, visando ao levantamento dos recursos
tecnológicos5 de que dispõe, revisando a proposta didático-metodológica que
embasa seu referencial teórico e preparando o quadro docente e discente para
este novo paradigma educacional.
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