EnFoca
Jornal Laboratório Edição I - Outubro de 2011
Brasília - DF
Preços de imóveis em Brasília
só perdem para São Paulo
Foto: Reprodução
Por Rafael Silva
O
crescimento do mercado imobiliário
de Brasília – o segundo maior do
país, atrás apenas da cidade de
São Paulo – já ultrapassou capitais como
Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador
e até Miami, em valores comercializados.
Corretores brasilienses afirmam que é
possível adquirir apartamentos de dois
ou três quartos em condomínio fechado
na cidade norteamericana a partir de U$
350 mil, ou seja, pouco mais de R$ 550
mil, praticamente o mesmo valor de um
apartamento de dois quartos no Plano
Piloto, comercializado em média por R$
570 mil. Já o de três quartos pode custar
até R$ 850 mil, segundo levantamento do
Sindicato da Habitação no Distrito Federal
(Secovi-DF).
“Meu sonho era comprar uma casa no
Plano, ou o mais próximo possível dele,
mas com preços altos, desisti. Os preços
sobem muito rápido. Nunca vi algo
assim”, reclama Tiago Silva, 26 anos, que
adquiriu um imóvel em Valparaíso, cidade
no Entorno do DF, líder em investimentos
do setor. O que para alguns pode ser
assustador, para outros, não. É o caso do
corretor de imóveis, Getúlio Romão. “A
valorização imobiliária do DF está dentro
da média nacional, que nos últimos anos
tem atingido entre 20% a 25% anuais.
Apenas está atendendo uma demanda
reprimida”, explica.
Os moradores do Distrito Federal e entorno
Variação de preços
C
om relação ao preço do metro
quadrado de salas comerciais em
Brasília, a Asa Norte apresenta o
maior valor ofertado. Asa Sul e Sudoeste
evidenciam o segundo e o terceiro
maiores valores respectivamente, bem
próximos entre si. O Lago Sul possui
o menor valor por metro quadrado.
(Gráfico 2). Os imóveis comerciais
Vista aérea do centro de Brasília-DF, ao fundo, Lago Paranoá
tem buscado cada vez mais concretizar
o objetivo da casa própria. “Todas as
classes estão comprando imóveis, sejam
novos ou não. Classe alta no Plano Piloto,
Noroeste e Águas Claras. A classe média
está comprando no Guará, Águas Claras
– assim como a classe A - , Samambaia,
correspondem a 24% da oferta de
locação, sendo divididos em lojas e salas
comerciais. Avaliando o valor de imóveis
comerciais em Brasília, verifica-se,
através do levantamento, pouca variação
nos preços do aluguel de lojas entre os
diferentes bairros. O Sudoeste apresenta
o preço mais baixo por metro quadrado
de salas comerciais, que de outro modo
também não apresentam muita variação
entre as demais regiões administrativas.
Ceilândia e Taguatinga’’, relata Javiel
Llorente Barrio, corretor de imóveis há
mais de 30 anos.
Em nota à imprensa, em maio deste ano a
Caixa Econômica Federal (CEF) informou
que foram investidos R$ 77,8 bilhões em
todo o país, em 2010, o melhor ano da
história do banco para o setor habitacional.
A previsão, segundo o presidente da
instituição, Jorge Hereda, é que até final
de 2011 sejam investidos em torno de
R$ 82 bilhões, um aumento de quase 6%
em relação ao ano passado, em créditos
concedidos. Seguindo os passos da Caixa,
o Banco do Brasil pretende destinar R$ 7
bilhões em crédito imobiliário no decorrer
do ano. Já o Banco de Brasília (BRB) não
divulgou valores disponibilizados para
este ano, mas informou que tem linhas
específicas para o setor.
Plano Piloto
Levantamento do Sindicato da Habitação
no Distrito Federal (Secovi-DF) revela que
o metro quadrado nas Asas Sul e Norte tem
variado pouco, em torno de R$ 1 mil para
imóveis residenciais. O estudo aponta,
ainda, que o Plano Piloto possui alugueis
mais altos, comparados às demais regiões
administrativas do DF, com valores girando
entre R$ 2 mil e R$ 2,8 mil para locação de
apartamento com dois dormitórios.
Os valores altos não espantam a clientela.
O executivo de vendas e servidor
público, Carlos Caetano, comprou um
apartamento na Asa Sul há dois anos e diz
não se arrepender. “É o preço pago pela
comodidade de morar próximo ao trabalho,
Metrô.... enfim, por estar perto de tudo.
Pois, o Plano Piloto é uma cidade com
pernas próprias”, avalia Caetano.
Para IBGE, tombamento não reflete no valor dos imóveis
Por Mozart Mariano
P
or ser um marco na arquitetura e no
urbanismo moderno, Brasília tornouse a única construção contemporânea
a figurar na lista de patrimônio cultural
da humanidade pela Unesco (órgão das
Nações Unidas) em 1987. Idealizada por
Juscelino Kubitschek, é o maior território
tombado do mundo, com 112,25 km². A
cidade levantada no meio do cerrado entre
1955 e 1960, onde não havia quase nada,
foi ocupada na mesma velocidade em
que foi construída, recebendo pessoas de
todos os lugares do Brasil. Além disso, o
tombamento impede alterações no projeto
original, impossibilitando adaptações para
abrigar as pessoas que chegam à capital a
cada ano.
A obra, marcada pela genialidade do
urbanista Lúcio Costa e do arquiteto Oscar
Mapa de Brasília-DF
Niemeyer, é uma criação única e singular,
que trouxe consigo mudanças profundas
na história do país. Inaugurada em 21 de
abril de 1960, havia
sido planejada para
cerca 1 milhão de
habitantes,
mas
hoje comporta mais
de 2,5 milhões,
segundo o censo
demográfico
realizado
pelo
Instituto Brasileiro
de Geografia e
Estatística (IBGE)
em 2010.
A cidade inchou
e a procura por
imóveis também,
fato que influencia
no aumento dos preços. Com esse
crescimento, Brasília tornou-se a quarta
cidade mais populosa da federação, e
enfrenta hoje problemas corriqueiros das
grandes metrópoles mundiais, entre eles
a crise imobiliária. Alguns especialistas
acreditam que dentro de alguns anos a
cidade sofrerá com o fenômeno chamado
“bolha imobiliária”. Os altos preços
das moradias podem chegar a níveis
insustentáveis.
O título concedido pela Unesco é um
dos fatores que levaram Brasília a esse
ponto? Sim, mas segundo o IBGE, não é
determinante.
O coordenador da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílio (PNAD), Ribamar
Ribeiro, acredita que a supervalorização
se deve mais aos altos salários que ao
tombamento.
Os funcionários estatutários de Brasília
são os mais bem pagos do país, sem contar
a estabilidade desses empregos; isso
teoricamente possibilita a esse trabalhador
arcar com o custo salgado dos imóveis”.
02
Regiões Administrativas
Independência de serviços valoriza
mercado em Taguatinga e Ceilândia
Foto: Reprodução
Por Gustavo Fernandes
C
omo toda metrópole, o crescimento
urbano tende a acompanhar os eixos
do sistema público de transporte
e de uma economia desenvolvida. As
pessoas buscam, entre outros motivos,
morar em lugares onde mais facilmente
pode-se pegar o ônibus, o metrô, além da
proximidade de serviços essenciais como
padaria, hospital, supermercado. Investir
em imóveis cuja localização está próxima
ao corredor de transporte, às indústrias,
comércio, e de um setor de serviços
superaquecido estimula a valorização das
áreas e esquenta o mercado imobiliário.
Por isso, quem pretende comprar um
imóvel nas cidades de Taguatinga ou
Ceilandia, pode fazer um bom negócio,
mas com a certeza de que vai ter que
gastar mais. Essas cidades satélites são
consideradas as maiores do DF, em
tamanho e importância econômica, pelo
fato de terem uma economia independente.
Boa parte da população estuda e trabalha
no local, e por isso não precisa se deslocar
para o Plano Piloto. Além disso, quem
compra um imóvel em Taguatinga
geralmente é um antigo morador, e por
questão de vínculos familiares e culturais,
não abandona a cidade.
Essas particularidades fazem o mercado
imobiliário ser um pouco diferente
das outras regiões administrativas.
Taguatinga, por exemplo, não possui
tantos empreendimentos como Águas
Claras, mas os que existem são até três
vezes mais caros que alguns bairros. Uma
casa na Expansão do Setor O (Ceilândia),
pode ser adquirida por até R$ 100 mil,
enquanto em Taguatinga não se encontra
por menos de R$ 300 mil.
Segundo informações do Conselho
Regional de Engenharia, Arquitetura e
Agronomia (CREA), outra peculiaridade
de Taguatinga é o fato de que o crescimento
imobiliário está sendo verticalizado.
De uns tempos para cá, as construtoras
compram várias casas, derrubam e
Metrô leva prosperidade
Ceilandia também é uma cidade
independente, com estações de metrô, uma
feira popular cuja principal característica
é o encontro dos nordestinos, hospitais,
e um comercio intenso que ocupa todo
o centro da cidade. Há algum tempo, era
considerada pelas autoridades como uma
das mais violentas do DF, característica
que desvalorizava o local e afastava o
mercado imobiliário.
Nos últimos cinco anos, está na lista das
cidades mais valorizadas do Brasil. O
metro quadrado chega a custar R$ 3,5 mil.
Depois de 16 anos de obras paradas, a
linha do metrô levou prosperidade para os
proprietários de imóveis, principalmente
da via N1, ao lado do Terminal.
Moradora na região há 30 anos, Dorineide
Delmiro da Silva diz que a casa onde mora
valorizou muito e que não tem intenção de
Olá!
Somos alunos de Jornalismo da Facitec e
cursamos a disciplina “Jornal Laboratório”
(5º semestre noturno). O Jornal EnFoca
é temático, e nesta edição buscamos
informações para compreender os motivos
que fazem de Brasília uma das regiões
mais valorizadas no mercado imobiliário
do país.
Para isso, fomos conversar com
profissionais da área, e entre outros assuntos
abordamos o crescimento do mercado
imobiliário das cidades satélites, a falta
de espaço para crescimento no Sudoeste,
a expansão imobiliária do Entorno e uma
entrevista especial com um consultor da
Caixa Econômica Federal.
Foi um enorme prazer realizar este jornal,
esperamos que apreciem nosso trabalho.
A equipe do Jornal Laboratório agradece a
sua atenção.
Boa leitura!
Expediente
O EnFoca é o jornal laboratório produzido
pelos alunos do 5º semestre (noturno)
do curso de Jornalismo da Faculdade de
Ciências Sociais e Tecnológicas (Facitec).
Vista aérea de Ceilândia, região administrativa do DF
constroem edifícios de apartamentos,
para a venda. Esse hábito tem aumentado
substancialmente o valor de uma casa em
Taguatinga. Um terreno chega a custar até
500 mil.
Editorial
vendê-la. "Hoje está custando uns R$ 100
mil. O aluguel também subiu e tem até
alguns prédios sendo construídos ao longo
da linha", conta.
Na cidade mais populosa do DF, ainda
predominam as casas na paisagem, mas
começam a surgir um ou outro conjunto de
edifícios, em terrenos que antes estavam
vazios.
Outros dois empreendimentos estão sendo
construídos na região norte de Ceilandia,
um próximo ao setor P norte e o outro
ao lado da Expansão do setor O, área
que no passado já foi considerada uma
das mais violentas do DF. Para a gerente
de empreendimentos das construtoras
responsáveis, Camila Pinheiro de Oliveira,
o transporte é um importante fator de
escolha para o cliente: "A cidade tem
muitos terrenos disponíveis, está em
expansão e tem a facilidade do metrô",
ressalta.
O público-alvo é pessoas de classe média
baixa, que moram em casas e querem
comprar apartamentos, além dos recémcasados. Outro atrativo: o financiamento da
Caixa Econômica Federal pelo programa
Minha Casa Minha Vida.
Endereço: CSG 09 lotes 11/12 – 15/16
CEP: 72035-509 – Taguatinga-DF
Telefone: (61) 3036-9700
Coordenadora do Curso de Jornalismo:
Profa. Mda. Lúcia Scaff
Docente responsável: Profa. Dra. Alzimar
Ramalho (MTb 2047-Pr)
Reportagem:
Gustavo Fernandes, Hara Alcântara, Luiz
Henrique Leal, Carmem Amaral, Mozart
Mariano, Rafael Silva, Juliana de Oliveira
e Roberta Mrad.
Diagramação:
Hara Alcântara
Impressão:
Gráfica Santa Clara
Tiragem: 1.000 exemplares
Distribuição gratuita
Os textos publicados são de inteira
responsabilidade de seus autores.
Com 100% de infraestrutura,
Sudoeste não tem mais por onde crescer
C
onsiderado bairro nobre, o
Sudoeste é uma das regiões que
mais proporcionam qualidade de
vida aos moradores. Além de estar
localizado em uma região próxima ao
Plano Piloto e a uma das principais
áreas de lazer ao ar livre do DF, o
Parque da Cidade Sarah Kubitschek,
o bairro possui 100% de oferta de
serviços de infraestrutura.
Gustavo Reis, diretor comercial da
imobiliária JCGontijo, considera um
dos melhores locais para investimento.
“É um bairro novo, planejado e
próximo dos centros administrativos,
bem localizado e com grande qualidade
de vida”, justifica. Ele observa que a
valorização dos imóveis do bairro
é boa. “O preço do metro quadrado
residencial varia de R$ 8 mil a R$ 10
mil. Já o comercial fica entre R$
10 mil e R$ 14 mil.
O mercado imobiliário daquela
região sempre foi um grande
investimento. O percentual de
valorização é, em média, de 22% ao
ano”, diz. Entretanto, Reis faz uma
ressalva: o Sudoeste já foi uma das
regiões que mais movimentaram
o setor da construção civil, mas
devido à falta de terrenos para a
comercialização, houve um recuo
no número de obras.
“O Sudoeste apresenta alto índice
de satisfação de moradores e
compradores. Para investimento,
a valorização atende o perfil mais
conservador, com taxas não muito
altas, ou seja, a valorização não
é das maiores, mas é segura”,
garante Daniel Humberto, sócio
da Imobiliária Coelho da Fonseca.
Foto: Reprodução
Por Luíz Henrique Leal
Setor Sudoeste, Brasília-DF
Entrevista
03
Apesar dos altos preços, não há risco de
“bolha imobiliária”em Brasília,
garante consultor da Caixa
Foto: Reprodução
Foto: Carmem Amaral
essa valorização foi a implantação do
metrô, que diminuiu a distância do
Plano. A duplicação da EPTG (Estrada
Parque Taguatinga) também contribuiu
para a alta dos preços, pois quanto mais
próximo o imóvel estiver do Plano
Piloto, mas valorizado ele será.
Os altos preços continuarão a
subir nos próximos anos, ou eles
se manterão estáveis?
Acredito mais na sua segunda
alternativa. Um caso recente é o
Noroeste. No início, foi cogitado
vender o metro quadrado a R$ 12 mil.
Tal possibilidade foi abortada, pela
ausência de público consumidor.
Plano Piloto, vista do Lago Sul
Por Carmem Amaral
O
mercado imobiliário é um
dos setores mais complexos
da
economia,
sendo
fundamental para o desenvolvimento
socioeconômico do país. Um dos
grandes fenômenos da habitação ocorre
na Capital Federal, onde os imóveis são
vendidos a peso de ouro. Para tentar
compreender o que acontece nesse
negócio, convidamos o engenheiro
civil e gerente de planejamento de
avaliação da Caixa Econômica Federal,
Emmanuel Carlos de Araújo Braz,
para esclarecer algumas peculiaridades
pontos deste setor.
ter essa característica é a necessidade.
Aqui existe uma demanda flutuante.
O fluxo de pessoas que vem pra cá é
muito grande. Um dos motivos dessa
migração é o fato de que o poder central
do país está instalado aqui. Com isso,
sempre existirá uma demanda elevada
de pessoas querendo comprar sua
moradia. Outro motivo da elevação
de preços é o fato de Brasília ser
tombada como Patrimônio Histórico
da Humanidade, fazendo com que seja
obedecido um padrão de construção dos
edifícios do Plano Piloto. O espaço de
terra, cada vez mais reduzido, é outro
fator que contribui para a elevação de
preços.
Qual a valorização dos imóveis nos
Por que é tão caro morar em últimos 10 anos?
Brasília?
É muito importante que se compreenda
que o processo de elevação dos
preços tem um teto limitante, que é
a renda familiar per capita de uma
região. Brasília é a Capital onde se
pagam os maiores salários, quando
comparada com outras regiões do País.
O segundo motivo que faz Brasília
Um fato que pode ser observado, e que
serve como comparação, são os preços
dos imóveis em Águas Claras. Há dez
anos esses imóveis representavam 30%
a 40 % dos preços dos imóveis do Plano
Piloto. Hoje, correspondem a 70% dos
imóveis do Plano. Isso é resultado do
uso do espaço da terra, cada vez mais
escasso. Outro motivo associado a
“É muito importante
que se compreenda
que o processo
de elevação dos
preços tem um teto
limitante, que é
a renda familiar
per capita de uma
região”.
Emmanuel Braz, consultor da CEF
Mas isso está longe de acontecer aqui
se considerarmos, por exemplo, que a
inadimplência do crédito imobiliário é
em torno de 2%. Outro fato importante
foi a migração de famílias de classes
mais baixas para mais altas, o que
reflete no crescimento da renda do
trabalhador brasileiro.
Mesmo diante dos altos preços, é
um bom negócio comprar imóvel
na Capital Federal? Por que?
Eu diria que é um excelente negócio.
Primeiro porque é garantia de
retorno do investimento, o mercado é
crescente. Não há risco de perda, como
acontece com quem investe nas bolsas
de valores, por exemplo.
O termo “Bolha Imobiliária”
è utilizado para designar uma
situação na qual os preços no
mercado estão bem acima do
seu valor real. Brasília vive esse
Como o senhor avalia o mercado
contexto?
de habitação, na Capital?
De forma alguma. Mas é claro que não
se deve descartar essa possibilidade;
pois o desencadeamento de uma bolha
imobiliária está ligado a alguns fatores
como a alta excessiva de preços, a
ausência de demanda, a elevação da
inadimplência e a ausência de marco
regulatório do próprio mercado de
crédito. Logo, se esses fatores se
apresentam de forma intensa no
mercado, pode desencadear a “bolha”.
É um bom mercado, pois mesmo
dentro dessa atual conjuntura nacional
e internacional, teve seu crescimento
devido a uma política macroeconômica
no Brasil para o enfrentamento da
crise mundial do mercado imobiliário,
principalmente o norteamericano.
A nossa estrutura é completamente
diferente de qualquer outro mercado
do mundo.
Crescimento de Águas Claras superou 300% em seis anos
Á
guas Claras foi a região
administrativa do Distrito Federal
que mais cresceu nos últimos anos.
Num período de seis anos, a população
da cidade passou de 43.626, em 2004,
para mais de 135 mil em 2010, um
aumento superior a 300%, e uma taxa
de crescimento anual de 20,8%.
Os dados constam da Pesquisa
Distrital por Amostra de Domicílios
– PDAD, realizada entre setembro e
dezembro do ano passado e divulgada
pela Companhia de Planejamento do
Distrito Federal – Codeplan.
A região é marcada pela grande
quantidade de prédios, e Águas Claras
é a cidade mais verticalizada do Distrito
Federal. Desse modo, existe uma
grande densidade populacional em um
pequeno espaço, contribuindo para o
problema de falta de estacionamentos e
congestionamentos nas vias da cidade.
O valor do metro quadrado de um
apartamento de três dormitórios não
sai por menos de R$ 8 mil – um pouco
menos que a região mais valorizada
do Plano Piloto, a Asa Sul, cujo
apartamento de um dormitório custa
pouco mais de R$ 10 mil.
Foto: Reprodução
Por Luíz Henrique Leal
Águas Claras é uma das regiões administrativas que mais cresce no DF
04 Mercado Imobiliário
Classe B migra para Águas Claras e Cruzeiro
Além do preço mais acessível, qualidade dos imóveis também influencia na decisão
E
m Brasília, a constante valorização
dos imóveis está forçando parte das
famílias de classe B, que pretendiam
ter casa própria no Plano Piloto, a ir para
outras regiões administrativas, como
Águas Claras e Cruzeiro. Devido a
supervalorização dos imóveis no Plano
Piloto, as famílias das classes C e D não
conseguem adquirir a casa própria, e
acabam migrando para cidades satélites.
É o caso do analista de sistemas, Itamar
Correa. Ao pesquisar valores de imóveis,
acabou optando por uma casa no Cruzeiro
Velho. Pelo fato de ter filhos gêmeos,
Itamar e sua mulher, a fisioterapeuta
Flávia Pacheco, compararam preços
de apartamentos na Asa Sul e casas no
Cruzeiro. A decisão da compra do primeiro
imóvel fez com que o casal pensasse nas
prioridades e necessidades de sua família,
sendo segurança e área de lazer os critérios
decisivos. “Os apartamentos das quadras
400 da Asa Sul eram velhos, e teríamos
que fazer uma boa reforma; os prédios
não tinham garagem, eram menores que
as casas do Cruzeiro, sem contar a falta de
privacidade”, comparam.
A família tem uma renda mensal superior
a R$ 10 mil, portanto pertence à classe B
(ver boxe) Segundo a corretora de imóveis,
Foto: Reprodução
Gláucia Garreto, a classe A predomina
nas Asas Sul e Norte, Lagos Sul e Norte
e Sudoeste.
Por Roberta Mrad
Facilidades de financiamento
As famílias de menor poder aquisitivo,
pertencentes às classes C e D, moram
em sua grande maioria em outras
regiões administrativas como Ceilândia,
Samambaia, Recanto das Emas e nas
cidades do entorno de Brasília, como
Luziânia. São pessoas que sonham com
a casa própria, e que estão cada vez mais
próximas da realização, pelos prazos
de financiamento entre 20 e 30 anos e a
possibilidade de utilizar o FGTS.
É o caso de Nilsileia Ribeiro, moradora do
Riacho Fundo II. A secretária e seu marido
Wanderson Silva, motorista há 15 anos,
conseguiram financiar uma casa. Tendo a
renda mensal equivalente a sete salários
mínimos, o financiamento em 30 anos foi
feito pela Caixa, com valor das prestações
em torno de R$ 460. Nilsileia afirma que
foi uma grande conquista, pois o aluguel
era superior e agora paga a própria casa.
“Sei que 30 anos é muito tempo, mas
paguei aluguel a vida inteira e nunca tive
retorno algum; a impressão era a de que
todo mês jogava dinheiro fora. Agora
tenho uma vida nova, moro no que é meu, e
posso deixar alguma coisa para meu filho”.
Setor Sudoeste/Cruzeiro a frente, Águas Claras ao fundo. Ambas regiões administrativas do DF
De acordo com pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), a classificação de classes sociais é a seguinte:
CLASSE
A
B
C
D
E
SALÁRIOS MÍNIMOS
Acima de 20
Entre 10 e 20
Entre 4 e 10
Entre 2 e 4
Até 2
RENDA FAMILIAR R$
Acima de R$10.200
De R$ 5.100 a R$10.200
De R$ 2.040 a R$ 5.100
De R$ 1.020 a R$ 2.040
Até R$1.020
Expansão imobiliária no DF
reflete no mercado do entorno
Foto: Hara Alcântara
entre R$ 80 mil e R$ 130 mil. A facilidade
de crédito
vem atraindo milhares de
novos moradores para as cidades goianas.
Valparaíso de Goiás é a cidade do entorno
que mais tem crescido. A proximidade com
Plano Piloto (cerca de 30 km) é o principal
atrativo para os novos moradores, pois a
maior parte trabalha ou estuda no Distrito
Federal e só retorna para dormir. Apesar
do visível crescimento imobiliário, a
oferta de serviços públicos não segue no
mesmo ritmo, e os moradores continuam
a enfrentar os problemas históricos de
falta de infraestrutura básica, como
saneamento, educação, saúde, transporte e
principalmente segurança pública.
O sonho que se tornou pesadelo
A
BR-040, divisa entre os setores Valparaíso II (a esqueda) e I (a direita), em Valparaíso-GO
Por Hara Alcântara
O
entorno de Brasília vive um
verdadeiro “boom” imobiliário.
A região, formada por cidades
goianas próximas aos limites do Distrito
Federal, tem atraído construtoras e, com
elas, novos moradores que não conseguem
pagar os altos preços do mercado do DF.
As construtoras têm visto nas cidades
de Águas Lindas, Cidade Ocidental,
Valparaíso de Goiás, Luziânia e Santo
Antônio do Descoberto, uma oportunidade
de investimento a baixo custo. “É possível
encontrar terrenos de 10m X 30m entre R$
20 mil a R$ 30 mil, o que não acontece
no Distrito Federal”, explica a corretora
de imóveis, Cicera de Alcântara. O perfil
dos empreendimentos nas cidades vizinhas
também é diferenciado, são direcionados
para a população das classes C, D e E.
O programa “Minha Casa Minha Vida”,
do Governo Federal, é o principal
impulsionador do crescimento da região,
pois oferece subsídios para a compra da
casa própria. O programa só foi ofertado ao
Distrito Federal este ano, diferentemente
das cidades goianas, que participavam
desde o seu lançamento, em 2009. Uma
casa de aproximadamente 50 m2 custa
traída pelas facilidades
de crédito, a estudante
Vanessa Bennet se mudou
para Valparaíso de Goiás em
novembro do ano passado, logo
depois do casamento. A casa,
apesar de estar localizada em um
pequeno condomínio no Parque
Rio Branco e sem qualquer luxo,
se tornou alvo de assaltantes.
Segundo Vanessa, 20% das casas
do bairro já foram assaltadas.
O motivo para o alto índice de
violência se caracteriza pelo perfil
dos novos moradores. “As pessoas
que estão vindo para cá geralmente
são de fora, desconhecem a falta
de segurança e de infraestrutura.
A maioria possui um carro,
alguns bens de valor, mas trabalha
em Brasília e as casas, vazias,
acabam se tornando alvo fácil de
bandidos”, explica.
Em julho deste ano, Vanessa teve
a casa assaltada. Os bandidos
levaram aparelhos eletrônicos, um
computador portátil e o carro, que
tinha apenas três meses de uso. Os contratempos
foram grandes. “O pior de tudo, é que quando
fui procurar a delegacia para registrar queixa,
o policial disse que isso era normal e que
não poderia fazer nada”, conta, indignada.
E ressalta: “Nos oferecem facilidades para
comprar um imóvel, mas a cidade não oferece
segurança para a população”.
A estudante, que mora há menos de um ano, já
pensa em voltar para o Distrito Federal, assim
que conseguir um imóvel nas condições em que
possa financiar.
Foto: Hara Alcântara
Condomínio residencial em construção em Valparaíso-GO
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Preços de imóveis em Brasília só perdem para São Paulo