Diário Económico – Segunda-feira 4 de Fevereiro 2013 U&E/2 ESPECIAL Alemanha paga a jovens portugueses que queiram estudar e trabalhar no país 1 O Programa “Job of my life” prevê bolsas de 800 euros por mês para fequentar um curso do sistema dual e um curso gratuito de alemão. Mas também há apoio para licenciados. S e está desempregado e tem entre 18 e 35 anos esta pode ser a sua oportunidade. É um programa inovador que é a porta de entrada certa para quem quer ir trabalhar para a Alemanha. Uma bolsa de formação que pode chegar aos 800 euros por mês, um curso intensivo gratuito de alemão e um emprego garantido no final da formação. Estas são as condições oferecidas aos portugueses destas idades que queiram ir para a país. Os jovens não licenciados terão que frequentar os cursos do sistema dual. A formação, com a duração de três anos, prevê que a semana de formação seja repartida na sala de aula e no estágio em empresas. No final deste curso os jovens poderão obter um emprego nas empresas em que estagiaram ou noutras companhias. (Se quiser obter mais informações envie um email para [email protected].) Mas o programa prevê ainda outra porta de entrada no mercado de trabalho alemão onde existem 800 mil oportunidades de emprego (ver texto página 5). A partir do próximo dia 19, as autoridades alemãs iniciam um ‘road show’ pelas cidades portugueses (ver calendário) para apresentar o programa e receber candidaturas. Uma iniciativa a que chamaram “Welcome to Germany Tour 2013”. Este é um pedido urgente de mão-de-obra, porque prevê-se que os jovens entrem nos cursos duais já a partir de Setembro. Para responder à falta de quadros especializados, a Alemanha está a lançar um programa massivo para atrair estudantes e jovens trabalhadores de Portugal, Espanha, Itália e Grécia. Chama-se “The job of my life” o portal onde poderá obter todas as informações de que precisa para se candidatar. E o convite a participar não podia ser mais claro: “A Alemanha precisa de jovens trabalhadores motivados. Esta é a oportunidade de aprender uma profissão com futuro e ter um bom salário”, escreve-se na apresentação do programa. As áreas eléctricas, mecânicas e do turismo são as que têm maior necessidade de quadros, explicou ao Económico Grit Luderitz, a responsável pela implementação do programa em Portugal. No caso dos jovens licenciados a maior procura é nas áreas de engenharia, especialistas em tecnologias de informa- ção, turismo, trabalhadores técnicos e na área da saúde. O programa prevê “um curso gratuito de língua alemã em Portugal”, explica Dorothea Klenke- Gerdes, vice-director do Instituto em Lisboa. Poderão concorrer ao programa jovens licenciados. Basta estarem desempregados e registados no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). No site www.thejobofmylife.de pode encontrar todas as informações sobre o programa. Poderá inscrever-se em http://www.iefp.pt/noticias/Pagin as/WelcometoGermanyTour.aspx. PASSOS 1 Selecção dos candidatos. 2 O curso de alemão em Portugal pago pelo Estado alemão. 3 Um estágio intenso para aprender a língua na Alemanha. 4 Assinatura do contrato. Um país à procura de técnicos especializados Também o presidente da Câmara de Schwäbisch Hall, Joseph Peligrim, a cidade alemã que foi invadida por 15 mil currículos de portugueses há um ano depois da reportagem publicado no suplemento Universidade & Emprego do Diário Económico (ver página 6), diz que “frequentar o sistema dual é uma boa forma de entrar no mercado de trabalho. Os jovens podem aprender electrónica, mecatrónica ou trabalhar com metal. Esta região não precisa apenas de diplomados, mas também de profissionais especializados de alguns ofícios, revela o autarca, que confessou estar desesperado para arranjar, por exemplo, dois calceteiros. E já há casos de sucesso de portugueses que estão a frequentar o sistema dual na região. Ivan Barnabé tem 19 anos e estava há um ano desempregado em Portugal. Decidiu partir para Schwäbisch Halll, onde se juntou à sua família que já lá estava a trabalhar. Recebe um subsídio mensal de 550 euros no 1º ano para frequentar esta formação que prevê que mais de metade do tempo seja passado na empresa e o restante na sala de aula. Está a gostar da experiência e até já levou a namorada para perto dele. ■ Madalena Queirós 3 5 Inicio da formação de 1/08 a 1/09 de 2013. 6 Fim do curso de formação em 31.08.2016. 7 Setembro de 2013: Início do contrato de trabalho. DATAS DAS SESSÕES DE APRESENTAÇÃO DO PROGRAMA Saiba onde pode obter informações e candidatar-se a estas bolsas nas próximas semanas em Portugal. Fonte: EURES Datas 19-Fev 20-Fev 21-Fev 22-Fev 25-Fev 26-Fev 27-Fev 28-Fev 01-Mar Instituições Universidade do Minho Portugal Cultural CACE Universidade de Aveiro ISEC IEFP Instituto Politécnico de Setúbal Universidade de Évora Universidade do Algarve Museu de Portimâo Local Braga Porto Coimbra Lisboa Setúbal Faro Portimão QUANTO É O VALOR DA BOLSA QUE O ESTADO ALEMÃO PAGA POR MÊS PARA AS DESPESAS DE QUEM VAI PARA A ALEMANHA 549€ 625€ 702€ No primeiro ano de aprendizagem a bolsa de formação varia entre 429 e 549 euros. No segundo ano de aprendizagem a bolsa pode chegar aos 625 euros por mês. A bolsa pode chegar aos 702 euros no 3º ano, podendo atingir os 800 euros, o valor para assegurar as despesas no país. 1º ano Madalena Queirós 2 2º ano 3º ano Quer um emprego? Ter um curso intensivo com estágio numa empresa por 1400 euros é uma das ofertas do Goethe - Institute em Schwabisch Hall. A “ prender alemão é fundamental para conseguir uma boa posição” nopaís,dizoengenheiromecânico Filipe Sousa que está em Schwabisch Hall há cerca de um mês . Com 27 anos e um curso do ISEP, depois de um estágio chegou a “ir a algumas entrevistas de emprego, mas sem sucesso”, em Portugal. Começou a aprender alemão quando ainda estava no Porto e diz que o país “é uma boa oportunidade porque há muito trabalho”. Aconselha todos os portugueses que quiserem tentar a Diário Económico – Segunda-feira 4 de Fevereiro 2013 U&E/3 3500 Cerca de 3500 euros é o salário médio bruto na Alemanha a que se devem deduzir até 40% de impostos Ufuk Arslan Guia de sobrevivência na Alemanha Com um salário médio bruto de 3.500 euros, saiba o que é preciso fazer se quer ir trabalhar para a Alemanha. A ntes de partir, certifique-se de que sabe o que o espera do outro lado da fronteira e verifique se leva todos os documentos necessários. Pode encontrar todas as informações de que necessita no portal www.make-it-in-germany.com. Se pretende obter respostas a questões específicas poderá contactar o número 0049 (0)228 7131313, ou enviar email para [email protected]. Nas páginas www.arbeitsagentur.de ou em www.zav.auslandsvermittlung.de/deutschland poderá encontrar muitas oportunidades de emprego. 1. Madalena Queirós Madalena Queirós 1 Praça central da cidade de Schwabisch Hall, a cidade a que concorreram 15 mil portugueses depois da notícia do Económico 2 Barbara Malchow- Tayebi, directora do Goethe Institute de Schwabisch Hall. 3 Ana Alves e o marido, que trabalha na Ziehl-Abegg em Estugarda. 4 Madalena Semanas, Filipe Sousa e Ana Alves, engenheiros que estão a aprender alemão em Schwabish Hall. 5 Kristina Gorodetskaya, uma russa que quer lançar um negócio na Alemanha. 5 Madalena Queirós 4 Os cidadãos dos países da União Europeia (exceptuando Malta e Chipre) não precisam de um visto de trabalho para trabalhar na Alemanha. Não há restrições aplicáveis. Na busca de emprego, tenha em atenção que os empregadores alemães valorizam a carta de apresentação e a foto presente no currículo (que não deve ter mais de duas páginas), mas podem também querer exemplos do seu trabalho anterior. Convém enviar o currículo também em alemão ou pelo menos uma carta de motivação em alemão. Esta diferença é muito valorizada. 2. O salário médio alemão ronda os 3.450 euros brutos, para alguém empregado a tempo inteiro. No entanto, um engenheiro ganha, em média, 4.340 por mês, antes de impostos, um médico entre 6.500 e 8.000 euros, e uma cabeleireira cerca de 1.500. Os contratos de trabalho variam entre as 38 e as 40 horas semanais, mas de acordo com a maioria dos acordos colectivos a maior parte dos alemães trabalha 41 horas por semana. 3. Aponte as suas candidaturas para as pequenas cidades e não para as grandes cidades em que as taxas de desemprego são mais elevadas, há mais competição e o custo de vida é mais elevado. A cidade de Schwabisch Hall é um bom exemplo porque é uma região com muito história misturada com sectores industrias de elevada tecnologia. As rendas são mais elevadas em cidades como Munique, Hamburgo ou Dusseldorf, com uma média de 11,50 euros por metro quadrado. Numa cidade pequena, as rendas podem equivaler a metade deste valor. O custo da alimentação é relativamente baixo na Alemanha. ? Estude alemão! sua sorte a aprender a língua. Ao seu lado está a namoradaMadalenaSemanas.Licenciadaemengenharia civil, está há quatro semanas no país e já temumapropostadeemprego. Estavaatrabalhar no Porto, mas decidiu despedir-se. “Trabalhava dozehoraspordiaeganhavapoucomaisdeumdo ordenado mínimo. Achei que era uma exploração e não estava a ver grande futuro”, relata. Quanto aos salários na Alemanha, diz que “são bons”. “Um engenheiro ganha cerca de 2500 euros, mas pode chegar aos 6000”. E depois “o custo de vida é parecido com o nosso, tirando a o preço da casa”. Ana Alves, 30 anos, também engenheira civil, frequenta o mesmo curso. Acompanhou o marido que conseguiu um trabalho na empresa Zielg – Abegg. “Surgiu esta oportunidade de emprego na Alemanha e viemos para cá”, diz. Agora está a OFERTA EM PORTUGAL ● Um curso extensivo no Goethe Institute em Lisboa com duas vezes por semana pode custar 330 euros por 15 semanas. ● Um curso intensivo para conseguir ter dois níveis num semestre poderá custar 740 euros. ● Existem ainda cursos especiais para profissionais que pretendem ir trabalhar para a Alemanha. Neste momento está a decorrer um para um grupo de enfermeiros. aprender alemão porque “é necessário a aprendizagem da língua alemã para poder candidatar-se a propostasdetrabalho”. “São precisos entre sete a oito meses de aprendizagem intensa para que uma pessoa aprenda o necessário para ser capaz de comunicar no trabalho e no dia - a - dia ”. A certeza é de Barbara Malchow - Tayebi , responsável pelo Goethe – Institut em Schwabisch Hall. Ter um curso intenso de alemão, com um estágio numa empresa pode custar 1600 euros. Esta é uma das ofertas que o seu instituto oferece. O curso tem a duração de dois meses. No ano passado “cerca de 90% dos participantes acabaram por ficar a trabalhar nas empresas. Se quiser candidatar-se a um destes cursos basta enviar um email para [email protected]. ■ MadalenaQueirós,em Schwabisch Hall 4. A segurança social alemã inclui o sistema nacional de saúde, cuidados de infância, segurança em caso de acidente, pensão e desemprego. A contribuição para o sistema de saúde é descontada do salário, numa percentagem de 7%. Mas vale a pena, porque o serviço de saúde alemão é considerado um dos melhores do mundo. Os serviços de atendimento nos hospitais e em casa são rápidos e de fácil acesso, o que é independente de quanto ganha e do seu local de residência. 5. A sociedade alemã é muito organizada existindo associações de quase tudo. São o melhor sítio para conhecer novos amigos e integrar-se. ■