ESTUDOS E PESQUISAS Nº 440 Brasil e China: Perspectivas Cláudio R. Frischtak * Fórum Nacional (Sessão Especial) Novos Caminhos do Desenvolvimento Brasil: Visão de País e Impulso à Competitividade, para Avançar na Rota do Desenvolvimento e Viabilizar o Aproveitamento de Grandes Oportunidades Rio de Janeiro, 19 e 20 de setembro de 2012 * Diretor do International Growth Center. Versão Preliminar – Texto sujeito à revisões pelo(s) autor(es). Copyright © 2012- INAE - Instituto Nacional de Altos Estudos. Todos os direitos reservados. Permitida a cópia desde que citada a fonte. All rights reserved. Copy permitted since source cited. INAE - Instituto Nacional de Altos Estudos - Rua Sete de Setembro, 71 - 8º andar - Rio de Janeiro - 20050-005 - Tel.: (21) 2212-5200 Fax: (21) 2212-5214- E-mail: [email protected] - web: http://forumnacional.org.br Fórum Nacional – Seção Especial Brasil e China: Perspectivas Cláudio R. Frischtak 19 de Setembro de 2012 1 Brasil e China: Perspectivas Claudio R. Frischtak1 I. Introdução As economias do Brasil e da China são em muitos aspectos díspares, porém ambas têm pela frente o desafio da transição a um padrão distinto de crescimento. Este trabalho discute a natureza dos obstáculos que as economias enfrentam, e as perspectivas de superá‐los. A seção II examina o caso do Brasil, preso em uma armadilha de baixo crescimento. A razão fundamental diz respeito às limitações de um modelo caracterizado por baixos níveis de produtividade – que no plano sistêmico ou fatorial total se expande a pouco mais de 0,6% a.a; a contribuição limitada ao crescimento tanto de fatores demográficos (1,6% a.a nesta década) quanto de capital humano (estimado em 0,5% a.a); e o fato que a taxa de investimento de cerca de 19% do PIB é incapaz de compensar os demais componentes que explicam a dinâmica da economia brasileira. Nesta perspectiva, e na ausência de choques adversos da demanda, a economia brasileira seria capaz de crescer de forma sustentada a não mais do que 3,5 ‐ 4% a.a A seção III discute de forma sintética o processo de transição na China e as dificuldades de realizá‐la no contexto de baixo crescimento e/ou recessão nos seus principais mercados (EUA e Europa, respectivamente). A “bicicleta chinesa” impõe o imperativo de taxas elevadas de crescimento econômico, e contínua expansão no emprego e renda. Esses são os canais essenciais de legitimidade política, na medida em que os demais se encontram semi‐oclusos. A economia chinesa está igualmente presa em uma armadilha, cuja natureza diz respeito à essência do modelo: a necessidade de manter elevadas taxas de 1 Presidente, Inter.B Consultoria Internacional de Negócios e “Country Director”, International Growth Center. O autor agradece a excelente assistência de pesquisa de Julia Averbuck e Victor Chateaubriand. 2 investimento. Contudo, ao longo dos anos, a razão investimento ‐ PIB tem crescido, denotando uma queda na eficiência marginal do investimento, e sugerindo a necessidade de investimentos crescentes para manter uma mesma taxa de crescimento da economia, o que é claramente insustentável. Pelo lado da oferta a China enfrentará nos próximos anos dificuldades estruturais crescentes para manter elevadas taxas de crescimento: uma dinâmica demográfica adversa; as limitações de ampliar a taxa de investimento, que deverá cair por força da expansão do consumo doméstico das famílias chinesas e das restrições fiscais crescentes na medida em que o governo monta um sistema abrangente de seguridade social; e o fato que a contribuição do capital humano se esvai na margem à medida que avança a revolução educacional em curso. Consequentemente, nos próximos anos o imperativo no caso de manter elevadas taxas de crescimento da produtividade (fatorial total) se impõe. Na realidade, essa necessidade vai ao encontro do país caminhar para níveis mais elevados de eficiência no uso dos recursos naturais, inclusive com a redução da energia consumida por unidade do PIB, assim como uma gestão responsável dos seus ativos ambientais, no marco de uma trajetória sustentável para a economia. A seção IV conclui com uma síntese das perspectivas econômicas dos dois países. 3 II. O Brasil e a Armadilha do Baixo Crescimento Nas duas últimas décadas, a economia brasileira mostrou certa regularidade quando se observam as taxas médias de crescimento: 3,33% no período 1993‐ 2011 e 3,88% em 2003 ‐11. Tentativas de impulsionar o crescimento muito além do patamar de 4% esbarraram na aceleração da inflação e/ou no crescimento do déficit em conta corrente. Talvez a questão central de política econômica é se o país está preso ou não à uma armadilha de baixo crescimento. Pelo lado da demanda, uma política cautelosa, e consistente com as restrições da economia no plano fiscal e monetário seria capaz de levar a economia a crescer 3‐4% ao ano em condições normais, sem choques adversos. As limitações são basicamente de três ordens: • O dinamismo do mercado de trabalho, que vem sendo testado na sua capacidade de geração de emprego e renda para amplos extratos da população em bases não inflacionárias; • A expansão do crédito para as famílias, cujo teto é dado pela capacidade de endividamento, e cuja elasticidade é contingente à redução dos juros e alongamento dos prazos; • O volume de transferências – 14,9% do PIB em 2011 ‐, contido pelas restrições fiscais do Estado. Nessas três dimensões o país testa os limites do mercado doméstico como motor do crescimento; mas é um mercado de trabalho que sustenta a expansão em bases moderadas da economia, e cujo “ratear” teria implicações imediatas sobre o financiamento ao consumo e a demanda por crédito, gerando uma crise de inadimplência e levando a uma contração na demanda cuja magnitude seria incapaz de ser compensada por transferência em virtude das restrições fiscais. Mais além do consumo das famílias, o deslocamento da demanda efetiva estaria predicado em uma expansão dos investimentos e das exportações. Na perspectiva da oferta, a economia brasileira enfrenta obstáculos de natureza estrutural que constrangem o potencial de crescimento no médio e longo prazo. O “envelhecimento precoce” da indústria pode ser entendido como um “sintoma” ou epifenômeno desse processo, e resulta numa 4 participação no valor adicionado que vem convergindo rapidamente para o padrão da indústria de transformação das economias maduras (Gráfico 1). Ainda que o descenso não tenha sido uniforme e a queda na década de 1990 de fato fortemente influenciada pela mudança de metodologia de calculo pelo IBGE, a tendência ao encolhimento parece ser inquestionável. Gráfico 1: Indústria da Transformação (% do valor adicionado) Brasil e Países Desenvolvidos Selecionados, 1960‐2011 Fonte: Banco Mundial, IBGE, elaboração própria O Gráfico 2 utiliza a mesma métrica, desta vez incluindo países que percorreram trajetórias semelhantes de industrialização recente, seja aquelas voltadas aos mercados externos (China, Coréia do Sul e México), seja orientadas ao mercado doméstico (a exemplo da Índia). No seu conjunto, esses casos sugerem que a indústria de transformação no Brasil apresenta um menor grau de resiliência, no sentido de que nos demais países a evolução e eventual contração do setor industrial opera em bandas mais estreitas. Vale sublinhar que o padrão divergente é mais acentuado frente aos grandes competidores. 5 Gráfico 2: Indústria da Transformação (% do valor adicionado) Brasil e Economias Emergentes Selecionadas, 1960‐2011 Fonte: Banco Mundial, IBGE, elaboração própria Essa discussão, contudo não pode ser descontextualizada. Vale lembrar que ao longo do processo de desenvolvimento, a perda de participação da indústria é normal no sentido de Kuznets.2 Inicialmente encolhe a agricultura com os ganhos de produtividade, a migração rural‐urbana, e o crescimento das cidades; posteriormente a indústria perde posição com a diferenciação da demanda e a tecnologia aplicada à produção; e a economia progressivamente vem assim a ter os serviços e o comércio como setores dominantes. As indicações, contudo, são de que no caso da indústria brasileira esse processo se acelerou na medida em que aumentava a renda per capita (Gráfico 3). Na realidade, causa certa estranheza que o processo de perda de participação tenha ganhado momentum, pois o inverso seria o esperado: historicamente, à medida que a renda se expande, a queda se atenua e eventualmente a participação converge para um intervalo de 10‐15%, como o próprio Gráfico 1 parece sugerir. Nesse sentido, a indústria brasileira tem um comportamento díspare e preocupante na medida em que tradicionalmente funciona como pólo irradiador de inovações e de impulsão ao crescimento para o restante da economia. 2 Ver Kuznets, S., 1966.Modern Economic Growth: Rate, Structure and Spread, New Haven, CT, Yale University Press. 6 Gráfico 3: A Indústria da Transformação e a Evolução do PIB Per Capita (dados de 1995‐2011) Fonte: IBGE, IPEAData, elaboração própria. A percepção de excepcionalidade se vê reforçada numa amostra mais ampla de países, o Brasil se encontra “atrás da curva”, posição inversa da Alemanha e os países asiáticos (Gráfico 4). Mesmo grandes produtores de matérias primas (Canadá, Austrália) se encontram melhor posicionados, o que indica que a perda de densidade industrial não estaria relacionada à ampla base de recursos naturais do país. Gráfico 4: A Indústria da Transformação e a Evolução do PIB Per Capita Países Selecionados 2010 Fonte: UN NAA database, elaboração própria 7 O amadurecimento precoce da indústria não é um fenômeno isolado e se conecta com o fato de a economia estar com seu potencial de crescimento tolhido: ambos têm um nexo causal comum ‐ a baixa produtividade e elevados custos unitários do trabalho (Tabela 1). Entre 1996‐2011, os ganhos de produtividade por trabalhador cresceram apenas 1,02% ao ano, inferiores inclusive a economias maduras, “pós‐industriais”, que retiram parte considerável de seu crescimento dos serviços (incluindo comércio), cuja produtividade de modo geral cresce a taxas menores do que na indústria (Tabela 1). Tabela 1: Produtividade do Trabalho, PIB (em PPC, US$) por Pessoa Empregada, Variação Média Anual (% a.a.) No caso do Brasil, uma análise mais desagregada no plano setorial sugere um amplo conjunto de setores com produtividade estagnada ou mesmo em retrocesso. Entre 1995‐2010, os ganhos de valor adicionado por pessoa ocupada ficaram praticamente estagnados na indústria de transformação, retrocederam em setores que mais absorveram trabalhadores, inclusive com menor grau de instrução – comércio e construção civil ‐ e avançaram celeremente apenas em extrativa mineral e na agricultura (Tabela 2). No caso específico da indústria de transformação, é significativo que não apenas estiveram ausentes os ganhos de produtividade, mas o valor agregado por empregado é baixa, superior apenas ao comércio e à administração pública. 8 Tabela 2: Produtividade por Setor da Economia – Razão Entre Valor Adicionado e População Ocupada em Cada Setor, 1995‐ 2010 Fonte: RAIS, IBGE, IPEAData, elaboração própria A medida mais ampla de eficiência do conjunto da economia – e talvez o indicador mais relevante para o propósito de esclarecer o porquê da sua desaceleração e da perda de substancia da indústria – é o da produtividade fatorial total. Esta é – por definição ‐ responsável pelo crescimento, uma vez fundamentalmente deduzida à contribuição do investimento, do trabalho, e da educação. Entre 1992‐2011, a produtividade do conjunto dos fatores ou sistêmica (PFT) avançou pouco mais de 0,6% ao ano; ou seja, sua contribuição ao crescimento foi de 18,8%. Neste aspecto, vale salientar que a contribuição da produtividade fatorial total para o crescimento de países que sustentaram um ritmo relativamente elevado por períodos longos, e ao mesmo tempo não viram a participação da indústria de transformação definhar, foi sistematicamente maior. Tendo por referência um período relativamente longo – 1981‐2007 – o crescimento médio anual do PIB da China foi de 9,35%, e o da produtividade fatorial total, 4,07%, de modo que a contribuição desta foi da ordem de 44%, explicando ainda 39% do crescimento em 2011‐20; no caso da Coréia do Sul, o crescimento médio da economia no período foi de 6,32%, o avanço da produtividade fatorial total de 1,35%, contribuindo com 21%, dando um salto projetado para 49% em 2011‐20, espelhando a revolução tecnológica em curso no país; e no caso da Índia, para um crescimento médio de 5,51% no horizonte 9 1981‐2007, a participação da produtividade foi de 24%, permanecendo em 25% no período de projeção3. Sair da armadilha do baixo crescimento e superar o envelhecimento precoce da indústria tem assim uma “chave”: maiores ganhos de produtividade. Esta, como já afirmou Paul Krugman, no longo prazo se não é tudo, “é quase tudo”4. Dada as mudanças demográficas em curso – discutidas mais abaixo ‐ e as limitações cada vez maiores de um padrão de crescimento capital e energo‐ intensivo, se tornou imperativo identificar os fatores que vêm travando os ganhos de produtividade no país. A reduzida produtividade fatorial total e de sua limitada participação no crescimento do país, e a estagnação da produtividade do trabalho, é de fato um fenômeno mais amplo, tendo por referência uma simples constatação: o que faz o país uma plataforma de custos elevados (e baixa eficiência) é uma combinação de significativo déficit em infraestrutura; a baixa qualidade da educação e qualificação do trabalho; e um ambiente de negócios caracterizado por barreiras à eficiência quando comparado aos países mais competitivos. No Brasil, ainda investe‐se pouco em infraestrutura. Nas ultimas duas décadas, os investimentos estiveram em média em torno de 2,3% do PIB, redução considerável quando comparado ao período que se inicia na década de 1970 (Tabela 3). Com a exceção do setor de telecomunicações, a queda nos demais segmentos foi acentuada e possivelmente os investimentos – no seu conjunto ‐ incapazes de cobrir a depreciação do capital fixo, estimada em 3%. A implicação é clara: deterioração na qualidade e custos dos serviços, contribuindo para a baixa produtividade da economia e arrestando – pelo lado da oferta ‐ o crescimento. 3 Ver Jhong‐Wha Lee e Kiseok Hong, “Economic Growth in Asia: Determinants and Prospects”, ADB Economics Working Paper Series No. 220, Setembro de 2010. 4 P. Krugman, The Age of Diminishing Expectations: U.S. economic policy in the 1990s, MIT Press, 3rd Edition, Cambridge, 1997. 10 Tabela 3: Investimento em Infraestrutura no Brasil (% do PIB) Fonte: Castelar Pinheiro (2009) e Frischtak (2011). Uma comparação dos investimentos do Brasil em infraestrutura com os de outras economias emergentes, mostra não apenas considerável dissonância, mas uma lenta recuperação (Gráfico 5). Na realidade em 2011 houve uma nova inflexão – a taxa de investimento caiu para 2,05%, e possivelmente será inferior a 2% do PIB em 2012. 11 Gráfico 5: Investimento em Infraestrutura (% do PIB) de Países em Desenvolvimento Fonte: Filipinas, Tailândia e Vietnã, Banco Mundial 2009, China, Asian Developmentn Bank (2010), Índia, National Transport Development Committee (2010), Chile e Colômbia Morgan Stanley (2008‐2011), para o Brasil, cujos dados se referem a média 2008‐2011, Empresas abertas (públicas e privadas),; Siafi, CNI e cálculos e estimativas próprias. As medidas sendo tomadas pelo governo no segundo semestre de 2012 são a primeira resposta na década que de fato confronta o silogismo básico do setor: dados os requisitos de investimento em infraestrutura – acima de 4% do PIB ao ano por muitos anos – e a incapacidade do setor público preencher uma brecha de cerca de 2% do PIB, tanto por conta de restrições fiscais quanto dificuldade de execução, é fundamental que o setor privado passe a liderar o processo de investimento. Apesar do excesso de demanda privada de investimentos no setor, um incremento anual da ordem de 2% do PIB – cerca de R$ 85 bilhões – está distante de ser factível a menos que haja uma decisão política clara de fazer o setor privado assumir a centralidade na oferta de serviços de infraestrutura no 12 Brasil, com base em processos competitivos, marcos regulatórios transparentes e estáveis, e um processo de planejamento que de visibilidade às necessidades de investimento em horizonte de médio e longo prazo. Na medida em que essas condições não se obtêm, a participação privada não será capaz de preencher a brecha existente. Vale sublinhar que em poucos países (a exemplo do Chile e Filipinas, além da Inglaterra) os investimentos em infraestrutura são liderados pelo setor privado (Gráfico 6); fazê‐lo no Brasil, na escala necessária, não será algo factível no curto prazo, mas irá depender de uma decisão de política e de um programa de ação que perpasse um único governo. Em outras palavras, essa é uma transição que deverá tomar alguns anos, e possivelmente apenas ao final da década estará consolidado um novo modelo de infraestrutura, centrado em um misto de ativos privados, sob regime de concessão, ou ainda operados no contexto de parcerias público‐privadas. Gráfico 6: Composição Público x Privada dos Investimentos em Infraestrutura – Países selecionados, % do PIB Fonte: Filipinas, Tailândia e Vietnã, Banco Mundial 2009, China, Asian Developmentn Bank (2010), Índia, National Transport Development Committee (2010), Chile e Colômbia Morgan Stanley (2008‐2011), para o Brasil, cujos dados se referem a média 2008‐2011, Empresas abertas (públicas e privadas),; Siafi, CNI e cálculos e estimativas próprias. 13 O baixo nível de investimento e o consequente déficit dos serviços de infraestrutura freiam o crescimento da produtividade fatorial total e elevam os custos de operar no país. Há, contudo, outros fatores que arrestam a produtividade sistêmica – e que se refletem no que se denomina de “ambiente de negócios” (Tabela 4). A distância da fronteira de desempenho dada pelo “benchmark” internacional indica o potencial de ganho latente de produtividade e redução de custos associados. Tabela 4: Indicadores de Ambientes de Negócios em Diferentes Países Fonte: Doing Business, Banco Mundial 14 Parte desses custos se originam no regime tributário que se caracteriza não apenas pela complexidade das regras e sua aplicação (ver o tempo médio dispendido pelas empresas no pagamento de impostos no quadro acima) , mas pela elevada relação arrecadação/PIB. Nesse quesito, o Brasil é um “ponto fora da curva” para países de renda per capita semelhante, e quando comparado aos principais competidores (Gráfico 7). Gráfico 7: Carga Tributária (% do PIB) e PIB per Capita (PPC, USD), 2010 36 Países Selecionados Fonte: OECD Tax Statistics Database, Heritage Foundation, IBGE, FMI, elaboração própria. Em síntese, o déficit em infraestrutura e o elevado custo de operar no país levam a uma produtividade muito abaixo do potencial e impõe um freio ao crescimento. Ao mesmo tempo, a taxa de investimento – em cerca de 18,8% do PIB no 2º trimestre de 2012 ‐ permanece abaixo do necessário para o país crescer em torno de 4,5% a.a. Dos fatores de impulsão, restam aqueles associados ao crescimento da quantidade e qualidade da força de trabalho. O Brasil vivência uma rápida transição demográfica, com a queda acentuada da taxa de natalidade para níveis abaixo da resposição, e aumento significativo da expectativa de vida (Grafico 8). Em apenas 30 anos (1980‐2010) a taxa de natalidade caiu pela metade e a expectativa de vida teve ganhos de mais de 10 anos. 15 A assimetria de ritmos dessas duas dinâmicas – queda mais rápida e precoce da natalidade, e num segundo momento da mortalidade, levou que a taxa de dependência – definida pela relação entre a soma da população com menos de 15 anos e mais do que 65, e a população total ‐ venha caindo ao longo dos anos, chegando a um nadir por volta de 2020 (Grafico 9). O país já usufrui do chamado “bônus demográfico”; mas essas circunstâncias irão mudar em torno de 2020. Gráfico 8: Natalidade Vs. Expectativa de Vida Fonte: Banco Mundial 16 Gráfico 9: Taxa de Dependência (População Não Economicamente Ativa/ População Total) Fonte: UN World Population Prospects 2010 Fonte: UN World Population Prospects 2010 Nesse sentido, a contribuição dos fatores demográficos para o crescimento econômico – o crescimento da população e o crescimento da participação daqueles em idade de trabalhar ‐ está fadado a cair nos próximos anos. Em particular, a taxa de crescimento da população, que atingiu o ápice de 2,99% a.a no período 1950‐60, reduziu para 1,17% em 2000‐10, e deverá continuar a contrair nos próximos anos para uma ordem de 0,84% a.a em 2011‐20. Da mesma forma, a participação da população economicamente ativa não apenas vem se expandindo de forma cada vez mais lenta, como deverá contribuir negativamente ao crescimento a partir de 2020. Enquanto que em 2000‐10 o crescimento foi de 1,23% a.a, na atual década o crescimento devera se reduzir para 0,74% a.a. Desta forma, a contribuição dos fatores demográficos para o crescimento deverá contrair de 2,4% a.a em 2000‐10 para 1,58% a.a em 2011‐20, e se tornar possivelmente negativa na década de 2020. Na realidade, quando comparado a outros países (Tabela 5), o Brasil ainda revela uma demografia bastante favorável, porém em rápida mutação. 17 Tabela 5: Demografia e Crescimento Vários Países Período de Base 1996‐2005 Média anual de crescimento real do PIB Contribuição Direta dos Fatores Demográficos Contribuição do Crescimento Populacional Contribuição do Crescimento da População em Idade Ativa Impacto da Mudança Demográfica 2011‐ 2020 Contribuição Esperada dos Fatores Demográficos para o Crescimento Anual do PIB Contribuição do Crescimento Populacional Contribuição do Crescimento da População em Idade Ativa China Índia Coréia do Estados Japão Alemanha Sul Unidos 3,7 4,4 3,3 1,1 1,3 2,1 0,7 1,3 ‐0,3 ‐0,1 1,4 0,6 1,1 0,2 0,1 0,6 0,1 0,2 ‐0,5 ‐0,2 México 8,8 1,4 0,8 0,6 6,5 2,2 1,7 0,5 0,2 0,6 1,6 1,2 0,4 1,1 0,7 0,4 0,0 0,2 0,5 0,9 ‐0,3 ‐0,2 ‐0,3 Fonte: Jamie Hall e Andrew Stone, “Demography and Growth”. RBA Bulletin, June Quarter 2010. ‐1,0 ‐0,4 ‐0,3 ‐0,2 ‐0,7 Enquanto que a fragilidade na infraestrutura e os elevados custos de operar na economia brasileira são em princípio reversíveis, ou pelo menos atenuáveis, os fatores demográficos não o são. Assim manter um potencial de crescimento da ordem de 4‐5% na década irá exigir não apenas acelerar o crescimento da produtividade fatorial total, como ampliar os ganhos em educação. Estimativas para os países Asiáticos sugerem que nas fases iniciais do esforço educacional – se sistemático e bem sucedido ‐ a educação é capaz de adicionar de 1% a 1,5% às taxas de crescimento da economia, e quando amadurece, a magnitude dessa contribuição cai abaixo de 1% e eventualmente converge para uma faixa inferior a 0,5% (Tabela 6). 18 ‐0,2 Tabela 6: Decomposição do Crescimento do PIB Ásia – vários países PIB China Trabalho Educação/Capital Humano Capital PFT PIB Índia Trabalho Educação/Capital Humano Capital PFT PIB Coreia do Sul Trabalho Educação/Capital Humano Capital PFT PIB Malasia Trabalho Educação/Capital Humano Capital PFT PIB Singapura Trabalho Educação/Capital Humano Capital PFT PIB Tailândia Trabalho Educação/Capital Humano Capital PFT 1981‐ 1990 8,34 2,53 1991‐ 2000 9,09 1,18 Atual 2001‐ 2007 11,15 0,93 1981‐ 2007 9,35 1,61 Projeções 2011‐ 2021‐ 2020 2030 6,09 4,98 0,34 ‐0,08 0,70 2,09 3,02 5,39 2,35 1,19 3,00 3,72 4,74 2,06 0,83 3,33 6,06 6,76 2,03 0,91 2,76 4,07 5,51 2,16 0,65 2,74 2,36 4,67 1,73 0,15 2,74 2,17 4,28 1,38 1,10 0,64 1,30 8,96 6,34 0,60 1,13 0,95 5,33 3,80 0,74 2,02 1,97 3,97 2,91 0,82 1,19 1,34 6,32 4,51 0,58 1,20 1,16 4,39 3,97 0,28 1,36 1,26 3,42 3,66 0,85 ‐1,05 2,82 5,85 3,42 1,37 0,11 0,05 7,40 3,28 0,64 ‐0,66 1,08 5,14 2,36 0,99 ‐0,53 1,35 6,24 3,09 0,33 ‐2,05 2,14 5,51 1,92 0,29 ‐2,44 1,91 4,79 1,38 1,39 1,31 ‐0,27 7,00 3,20 1,38 ‐1,22 3,96 7,84 2,91 0,94 0,08 1,76 4,86 2,15 1,27 1,17 0,71 6,76 2,82 0,52 1,40 1,67 5,24 1,59 0,27 1,56 1,58 3,28 ‐0,06 1,32 1,06 1,42 7,54 3,24 1,15 1,19 2,59 3,71 0,65 0,77 0,02 1,92 4,85 1,51 1,11 0,85 1,98 5,42 1,84 0,63 1,85 1,17 4,01 0,15 0,48 1,69 1,17 3,58 ‐0,06 0,81 1,23 2,26 0,70 2,30 0,06 0,91 ‐0,05 2,48 0,80 1,28 1,50 0,76 1,36 1,74 0,52 1,40 1,72 Notas: PFT = Produtividade Fatorial Total Fonte: Jong‐Wha Lee and Kiseok Hong, "Economic Growth in Asia: Determinants and Prospects," ADB Economics Working Paper Series, September 2010. Estimativas Próprias. 19 A educação está de fato na base da competitividade; porém os resultados não condizem com os gastos e a contribuição da educação para o crescimento da economia não deve ultrapassar nessa década 0,5% a.a, inconsistente com o potencial de avanço da população, porém aderente ao fato de que o desempenho educacional ainda é modesto, inclusive frente ao esforço que vem sendo feito pelas famílias para educar os jovens. Na realidade, o problema está menos nos gastos do que nos resultados. Os gastos avançaram de 3,5% a 5,5% do PIB entre 200 e 2009, já próximos da média da OECD de 6,2%. E quando comparamos os gastos do Brasil ao de outros países desenvolvidos e em desenvolvimento, fica claro que gastamos muito proporcionalmente ao desempenho dos alunos (Tabela 7). A baixa qualidade da gestão das escolas, a politização não infreqüente das decisões na ocupação de cargos de direção das escolas e as prioridades invertidas levam a uma ineficiência no sistema de educação pública. Tabela 7: Indicadores de Educação, 2010 Fonte: Banco Mundial, elaboração própria. Nota: 2010 ou ano mais recente disponível. Em 2012, o Brasil está preso à armadilha do baixo crescimento. Pesam de forma adversa, pelo lado da oferta: • A produtividade fatorial total que cresce a taxas anuais reduzidas (0,62%), direcionada, entre outros fatores, pelo sub‐ investimento em infraestrutura e um ambiente de negócios – inclusive no plano tributário ‐ que impõe às empresas elevados custos de operação. • Uma demografia cuja contribuição atual ao crescimento próxima à 1,6% vem se contraindo (tendo perdido 0,8% frente à década passada), e devendo se aproximar de 1,4% já na segunda metade da atual. • Uma base de capital humano (educação) ainda incipiente, cuja contribuição ao crescimento do PIB não deve ultrapassar 0,5%. 20 • Uma taxa de investimento próxima a 19% do PIB que cobre não mais do que a brecha entre os componentes do crescimento acima, e a capacidade de expansão da economia atualmente em não mais do que 4% a.a, a menos de um ganho no crescimento da produtividade fatorial total de 1% a.a, o que impulsionaria o PIB potencial para uma taxa próxima a 4,5% (Tabela 8). Tabela 8: Brasil – Decomposição das Fontes de Crescimento 2012‐2020 (%) Contribuição do Contribução do Crescimento da Crescimento Educação Capital Trabalho PFT Total do PIB 0,9‐1,4 1,6 0,5 0,5‐1,0 3,5‐4,5 Fontes: Cálculos e estimativas próprias. Superar esta armadilha supõe portanto uma agenda voltada: • Primeiro, à melhoria da produtividade sistêmica, enfrentando as barreiras à expansão aos investimentos em infraestrutura e à melhoria do ambiente de negócios, inclusive no plano da inovação; • Segundo, direcionada à aumentar a produtividade do trabalho por meio da educação e capacitação dos trabalhadores; e • Terceiro, à expansão da poupança pública e privada para sustentar o investimento. 21 III. A China e o Desafio da Transição Em muitos aspectos, a China é a imagem invertida do Brasil. Primeiro que o dinamismo da economia chinesa é direcionado pelos investimentos e exportações. Além disso, a taxa de poupança é extremamente elevada; no caso das famílias, o imperativo de poupar é dado pela exiguidade de alternativas que assegurem a renda no evento de desemprego, invalidez e velhice. E por último, os incentivos ao investimento são muito poderosos, impulsionados em parte pelo acúmulo de recursos excedentes nas empresas do Estado. Também vale ressaltar que a China, que foi uma sociedade igualitária, está se tornando rapidamente mais desigual. Atualmente a legitimidade do governo chinês está crescentemente calcada na expansão do emprego e da renda da população, e melhoria de seu bem estar, e não num processo político mais aberto e competitivo. Daí o triplo imperativo: crescimento (econômico); estabilidade (social); e previsibilidade (quanto ao futuro)5. No âmbito das macro decisões, não há improvisos: os documentos essenciais são discutidos em detalhe e vêm a público, sinalizando de forma não ambígua a direção futura da economia e do país. Na China isso tomou forma no 12º Plano Quinquenal 2011‐2016. Além disso, o plano de trabalho do novo governo, cuja transição se dá em Outubro de 2012, deverá ser anunciado em meados de 2014, durante a 3ª Plenária do Congresso Nacional do Povo. No curto prazo, há indicações que a economia chinesa vem desacelerando e deve finalizar 2012 com uma taxa de crescimento estimada em 7,5%, ou mesmo inferior. O risco de uma desaceleração mais abrupta não está descartado, ainda que o governo conte com alavancas monetárias e fiscais capazes de impulsionar a economia no curto prazo, e não deverá hesitar em usá‐las. A expectativa é uma melhora no 2º semestre, e uma trajetória de médio prazo que não replique o passado, mas igualmente que não emule países maduros. Mirando o médio e longo prazo, os desequilíbrios da economia chinesa podem ser assim resumidos. Primeiro, por taxas de investimento excessivamente elevadas, porém cuja eficiência em impulsionar o crescimento é decrescente 5 Ver o excelente artigo de Barry Naughton, “Economic Uncertainty Fuels Political Misgivings,” China Leadership Monitor, n. 38, 2012. 22 conforme visto abaixo (Gráfico 10). Em certa medida, a linha ascendente da relação taxa de investimento‐crescimento denota no plano agregado a relativa (in)eficiência marginal do capital, e uma trajetória claramente insustentável. Gráfico 10: A Eficiência Cadente do Investimento (Taxa de Investimento/ Crescimento do PIB) Fonte: Dados do Banco Mundial; elaboração própria. Segundo, a China vem fazendo ‐ particularmente nas últimas duas décadas ‐ uso intensivo e maciço de recursos naturais esgotáveis, tendo se tornado um grande importador de recursos naturais e matérias primas geralmente nos estágios iniciais de transformação. A combinação de risco crescente de catástrofes ambientais, e forte dependência das importações de matérias primas críticas, inclusive alimentos, motivou uma abordagem mais agressiva no sentido de definir um sistema voltado a economia de energia e matérias primas, maior segurança alimentar, e menos leniência em relação às infrações ambientais. Terceiro, a dependência das exportações permanece elevada, na medida em que a produção voltada ao consumo doméstico tem sido historicamente comprimida. Finalmente, o mercado de trabalho enviesado para o topo da pirâmide e zonas costeiras, acentuando disparidades na distribuição de renda entre famílias e regiões. 23 A necessidade de um novo padrão de crescimento parece ser um dado. Se o governo chinês será bem sucedido, é uma questão em aberto6. Medidas fundamentais para que isso ocorra incluem mudar a estrutura de incentivos para alterar a composição da demanda agregada, as fontes de crescimento da economia e a distribuição da atividade econômica. Também vai ser necessário ampliar a oferta de bens coletivos voltados à melhora da qualidade de vida da população. Do ponto de vista setorial, vai ser importante que haja uma ênfase crescente em indústrias e segmentos direcionados a satisfazer as demandas da classe média emergente. Finalmente, no âmbito produtivo, uso de tecnologias limpas e assentadas em inovações próximas ou na fronteira do conhecimento. Vale observar que a China e o Brasil não são apenas imagens invertidas; enfrentam um grande desafio sob a forma de uma rápida transição demográfica. Essa convergência se dá na taxa de natalidade e na expectativa de vida: assim como o Brasil, a China está vivenciando uma queda da taxa de natalidade e um aumento da expectativa de vida de forma, contudo ainda mais intensa (Gráfico 11). Por conseqüência, o bônus demográfico que desaparecerá já na próxima década no Brasil, no caso da China se esvai possivelmente em 2012‐13 (Gráfico 12). 6 A dificuldade de se efetivar a transição num momento de desaceleração da economia mundial se evidencia pelo anuncio do governo chinês ao inicio de Setembro de 2012 de um pacote de US$ 156 bilhões em investimento em infraestrutura sob a forma de novas linhas de metro e rodovias. Na realidade, o governo chinês na atual conjuntura que combina pressão inflacionaria e queda da produção, teria poucas alternativas, pois um relaxamento monetário mais significativo poderia implicar num estimulo à formação de novas bolhas no preço dos ativos, particularmente imóveis, e acelerar a inflação. Ver também “China gears up for next investment boom”, Financial Times, 13/09/2012, p. 2, em que autor (Simon Rabinovitch) argument que os ciclos políticos e as ondas de investimento estatais tendem a coincidir, de modo que logo ao início de um novo governo se expandem rapidamente os investimentos tanto do governo central como dos governos provinciais e municipais. Nesta perspectiva, a transição para um modelo direcionado pelo consumo possivelmente será adiado, pois no curto prazo a tendência é a contínua dominância dos investimentos no crescimento da economia. 24 Gráfico 11: Natalidade e Expectativa de Vida Fonte: Banco Mundial Gráfico 12: A Taxa da Dependência na China (População Não Economicamente Ativa/População Total) Fonte: UN World Population Prospects 2010 Fonte: UN World Population Prospects 2010 25 Há dois corolários que aproximam as economias da China e do Brasil. Primeiro, a rápida expansão da população inativa e maior pressão sobre sistema previdenciário e de saúde, traz enormes desafios inclusive e particularmente sobre as contas dos governos e sua capacidade de ampliar os investimentos frente às demandas crescentes de bem‐estar da fração mais velha da população7. Segundo, a combinação de queda da taxa de investimento na China – da mesma forma como e limitações para ampliá‐la no Brasil ‐ e um ritmo decrescente na oferta de trabalho em ambos os países leva a um “único” imperativo para sustentar o crescimento: ampliar os ganhos de produtividade da economia8. Se no Brasil o desafio será ampliar os ganhos de produtividade total de 0,6% ao ano para uma magnitude em torno de 1,0% ao ano, num primeiro momento, na China, será manter 4% ao ano de modo que a economia permaneça numa trajetória de crescimento acima de 6% ao ano nessa década (Tabela 9). Tabela 9: China – Decomposição das Fontes de Crescimento 2012‐2020 (%) Contribuição do Contribução do Crescimento da Crescimento Educação Capital Trabalho PFT Total do PIB 2,00‐2,50 0,20 0,65 3,50‐4,00 6,35‐7,35 Fontes: estimativas próprias com base no Jong‐Wha Lee e Kiseok Hong, “Economic Growth in Asia: Determinants and Prospects,” Asian Development Bank Economics Working Paper Series, September 2010; e Jamie Hall e Andrew Stone, “Demography and Growth”. RBA Bulletin, June Quarter 2010. 7 Ver a esse respeito “Déficit da Previdência chinesa dispara e gera tensão social no país”, em Valor, 21/08/2012, p. A15. 8 Ver Barry Eichengreen, Donghyun Park e Kwanho Shin, “When Fast Growing Economies Slow Down: In ternational Evidence and Implications for China,” NBER Working Paper 16919, Março 2011. Confome os autores argumentam com base na evidência da literatura, “Growth slowdowns, in a nutshell, are productivity growth slowdowns”. 26 IV. Conclusão Este trabalho discute as perspectivas para a economia brasileira e chinesa nos próximos anos. Na ausência de um choque adverso de demanda, a economia brasileira é capaz de crescer entre 3,5 e 4% a.a. O Brasil está em certa medida preso numa armadilha de baixo crescimento, cuja limitação essencial é dada pelo lento avanço da produtividade no país. Porém, a armadilha é auto‐imposta. Ela não é nem irreversível, nem irremediável. Mas para revertê‐la, é fundamental uma agenda de reformas visando os elementos que estão na base da produtividade sistêmica. Será necessário investir mais e de uma forma mais eficiente em infraestrutura; conter a escalada dos impostos e racionalizar o sistema tributário; e melhorar a eficiência do Estado e o ambiente de negócios. Igualmente crítico é o investimento em educação para garantir uma contribuição mais significativa do capital humano para o crescimento econômico, na medida em se reduz a contribuição de fatores demográficos. Por meio dessas mudanças, o potencial de crescimento da economia atingiria num primeiro momento cerca de 4,5%, e com um esforço de ampliar os ganhos na produtividade fatorial total para 1,5% a.a, possivelmente 5% na segunda metade da atual década. Apesar da decisão do governo chinês de reequilibrar a economia, no sentido de orientá‐la para o consumo doméstico e o bem estar das famílias, o país permanece atado à outra armadilha: o imperativo de uma crescente taxa de investimento para garantir taxas elevadas de crescimento. Reluzi‐las sem fazer a economia descarrilar deverá ser o principal desafio do próximo governo, cuja transição culmina em outubro de 2012. É improvável que a China volte a crescer a taxas acima ou mesmo próximas a 10% a.a, a menos que seja por períodos curtos em função de impulsos transitórios. As limitações de caráter estrutural são muitas: uma rápida transição que está reduzindo de forma material e significativa a contribuição demográfica para o crescimento da economia; e o amadurecimento dos investimentos em educação. Ademais, a tendência do encolhimento do investimento está na essência da própria reformulação do modelo, inclusive por força dos gastos crescentes de natureza previdenciária com o rápido envelhecimento da população e a necessidade de estruturar um moderno sistema de aposentadoria, pensão e assistência à saúde. Restariam assim os 27 ganhos de produtividade, porém estes já alcançaram patamares extremamente levados, e será um enorme desafio mantê‐los próximos a 4% a.a, e desta forma fazer com que a economia chinesa convirja nos próximos anos para uma trajetória sustentável de crescimento no intervalo de 6,5‐7%. 28 Fórum Nacional – Seção Especial Brasil e China: Perspectivas 19 de Setembro de 2012 Brasil e a Armadilha do Baixo Crescimento O Padrão de Crescimento da Economia Brasileira A economia do país mostra uma certa regularidade nas taxas de crescimento: a média anual 1993-2011 foi de 3,33% e de 3,88% em 2003 -11. Tentativas de impulsionar o crescimento muito além do patamar de 4% esbarraram na aceleração da inflação e/ou no crescimento do déficit em conta corrente. Estamos numa armadilha de baixo crescimento 3 O que caracteriza essa armadilha? Uma política cautelosa e consistente com as restrições da economia no plano fiscal e monetário seria capaz de levar a economia a crescer 3-4% a.a em condições normais, sem choques adversos Pelo lado da demanda, sua impulsão está naturalmente limitada pelo: • Dinamismo do Mercado de Trabalho • Volume de Transferências • Expansão do Crédito O Mercado de Trabalho é que sustenta a expansão em bases moderadas da economia, o financiamento ao consumo e a demanda por crédito 4 A Armadilha vista do Lado da Oferta A economia brasileira hoje enfrenta um obstáculo estrutural que vai além das limitações da demanda, e diz respeito à expansão da capacidade produtiva no médio e longo prazo. Um sintoma é o “envelhecimento precoce” da indústria tendo por referência a participação da indústria de transformação no PIB Convergimos rapidamente para o padrão das economias maduras e divergimos dos nossos competidores. 5 Convergimos ao Padrão das Economias Maduras Indústria da Transformação* (% do valor adicionado) – Brasil e países desenvolvidos selecionados, 1960-2011 Brasil Canadá Suécia EUA Noruega 33 28 23 18 16,41 13 13,38 14,60 13,37 9,29 8 Fonte: Banco Mundial, IBGE; elaboração própria Nota: *Referente à denominação "Manufacturing" do Banco Mundial. 6 Divergimos dos Competidores Indústria da Transformação* (% do valor adicionado) – Brasil e países em desenvolvimento selecionados, 1960-2011 Brasil China India México Coréia do Sul 40 35 30,56 29,64 30 25 20 18,05 15 14,60 14,15 10 Fonte: Banco Mundial, IBGE; elaboração própria Nota: *Referente à denominação "Manufacturing" do Banco Mundial. 7 Padrão Evolutivo da Economias A perda de participação da indústria é normal no sentido de Kuznets. Inicialmente encolhe a agricultura com os ganhos de produtividade e o processo de urbanização; posteriormente a indústria perde posição com a diferenciação da demanda e a tecnologia aplicada à produção; e a economia vem assim a ter os serviços e o comércio como setores dominantes. 8 Brasil: Caso de Amadurecimento Precoce? As indicações, contudo, são de que no caso da indústria brasileira esse processo se acelerou à medida que aumentava a renda per capita. O inverso seria esperado: à medida que a renda se expande, a queda se atenua e eventualmente a participação converge para um intervalo de 10-15% 9 A Parábola da Indústria A Indústria da Transformação e a evolução do PIB per capita (dados de 1995-2011) Indústria da Transformação (% do PIB) 20 19 y = -0,2717x2 + 9,7559x - 69,784 R² = 0,4855 18 17 16 15 14 15 16 17 18 19 PIB per capita (R$ mil de 2011) Fontes: IBGE, IPEAData; elaboração Inter.B. 10 20 21 22 Brasil: Amadurecimento Precoce? (cont.) Ademais, numa amostra mais ampla de países, o Brasil se encontra “atrás da curva”, posição inversa da Alemanha e os países asiáticos. Mesmo grandes produtores de matérias primas (Canadá, Austrália) se encontram – neste aspecto – melhor posicionados. 11 Estamos atrás da Curva... A Indústria da Transformação e a Evolução do PIB per capita, países selecionados, 2010 35,0 Indústria da Transformação (% do valor adicionado total) China Coréia do Sul 30,0 25,0 Indonésia Alemanha Japão Argentina México Turquia Rússia BRASIL Índia África do Sul 20,0 15,0 Itália Reino Unido França Arábia Saudita 10,0 Canadá EUA Austrália 5,0 0,0 0 10000 Fonte: UN NAA database; elaboração própria 20000 30000 40000 PIB per capita (USD correntes) 12 50000 60000 Um Fenômeno mais Amplo... ...que limita a capacidade de competir... e de crescer da economia como um todo. Custos sistêmicos elevados Insuficiência no investimento e atualização tecnológica Baixa produtividade e elevados custos unitários do trabalho Sair da armadilha do baixo crescimento e superar o envelhecimento precoce da indústria tem uma “chave”... 13 ...Produtividade, que ... ...No longo prazo “é quase tudo” (P. Krugman) Os ganhos de produtividade por trabalhador foram pequenos: entre 1996-2011, cresceu apenas 1,02% a.a, inferiores inclusive a economias maduras, “pós industriais” Entre 1992-2011, a PFT – a produtividade do conjunto dos fatores ou sistêmica - avançou pouco mais de 0,6% a.a; ou seja, sua contribuição ao crescimento foi de 18,8%. 14 Estamos no Final da Fila... Produtividade do trabalho, PIB (em PPC, USD) por pessoa empregada, variação média anual (%a.a.) 1996-2011 Brasil 1,02 Índia China EUA UE Coréia do Sul Malásia Indonésia Tailândia 4,95 8,35 1,88 1,14 3,34 2,14 1,89 1,67 Fonte: Conference Board Total Economy Database, Janeiro 2012 15 Como se Explica a Baixa Produtividade? Déficit em infraestrutura Ambiente de negócios caracterizado que gera altos custos Fatores demográficos, e baixa qualidade da educação e qualificação do trabalho 16 Investe-se pouco em Infraestrutura... Os investimentos em infraestrutura somaram em 2011 apenas 2,05% do PIB, insuficientes para repor da depreciação do capital fixo, estimada em 3%. A implicação é clara: deterioração na qualidade e custos dos serviços, contribuindo para a baixa produtividade da economia e arrestando – pelo lado da oferta – o crescimento. 17 É indubitável que ainda gastamos pouco... Tailândia (2009) = 15,6 Tailândia (2003) = 15,4 China (2010) = 13,4 Vietnã (2009) = 10,3 Vietnã (2003) = 9,9 10,0% China (2003) = 7,3 6,0% 4,0% 3,0% Chile (2001-6) = 4,57 Peru (2008-11) = 4,22 Índia (2013-17) = 6,00 Chile (2008-11) = 5,10 Índia (2009-10) = 4,80 Índia (2005-09) = 4,13 10,0% 7,0% 5,0% Brasil (2008-11) = 2,31 Brasil (2007) = 1,84 Peru (2001-6) = 1,51 0,0% Manter o estoque de capital per capita existente, e progressivamente universalizar os serviços de água/saneamento e eletricidade. Alcançar os níveis atuais da Coréia do Sul e outros países industrializados do Leste da Ásia. 18 Impulsionar o crescimento econômico e se aproximar em 15-20 anos das economias emergentes avançadas. O Imperativo da Participação Privada Dados os requisitos de investimento em infraestrutura – acima de 4% do PIB ao ano por muitos anos – e a incapacidade do setor público preencher uma brecha de cerca de 2% do PIB, tanto por conta de restrições fiscais quanto dificuldade de execução... ...É fundamental que o setor privado passe a liderar o processo de investimento. 19 Ambiente de Negócios e Regime Tributário Os custos de operar no país ainda são elevados… O regime tributário no Brasil se caracteriza não apenas pela complexidade das regras e sua aplicação, mas pela elevada relação arrecadação / PIB País é um ponto fora da curva também nesse aspecto - quando comparado aos nosso competidores e países de renda per capita semelhante Deficit de Infraestrutura e Ambiente de Negócios de Alto Custo => arrestam o crescimento da PFT, e logo da economia 20 Ponto fora da curva para país de renda média Carga Tributária (% do PIB) Carga Tributária (% do PIB) e PIB per Capita (PPC, USD), 2010 - 36 países selecionados 55,0 50,0 45,0 Itália 40,0 Espanha Brasil 35,0 Portugal 30,0 25,0 Índia 20,0 China Chile México Noruega Alemanha Reino Unido Grécia Turquia Suécia França Coreía do Sul Canadá Austrália Japão EUA y = 1E-13x3 - 2E-08x2 + 0,0014x + 11,723 R² = 0,3475 15,0 10,0 0 10000 20000 30000 40000 50000 60000 PIB per Capita (PPC, USD) Fontes: OECD Tax Statistics Database, Heritage Foundation, IBGE, FMI; elaboração própria. Notas: (1)Dados de carga tributária são de 2010, com exceção de Austrália, Índia, China, Japão, Países Baixos e Polônia, que são de 2009. (2)Dados de PIB per capita são de 2011 quando disponível, caso contrário são referentes a 2010. 21 O Impulso Demográfico Está se Esgotando… O Brasil vivencia uma rápida transição demográfica, com a queda acentuada da taxa de natalidade para níveis abaixo da reposição, e aumento significativo da expectativa de vida Natalidade x Expectativa de Vida - Brasil Fonte: Banco Mundial 22 …Com o Fim do Bônus Demográfico A assimetria de ritmos dessas duas dinâmicas vem caindo ao longo dos anos, chegando a um nadir por volta de 2020. O país já usufrui do chamado “bônus demográfico”; mas essas circunstâncias irão mudar em torno de 2020. Brasil - Taxa de Dependência (Pop. Não Econ. Ativa/Pop. Total) 23 Uma Contribuição Cadente ao Crescimento A taxa de crescimento da população, que atingiu o ápice de 2,99% a.a no período 1950-60, se reduziu para 1,17% em 2000-10, e deverá continuar a contrair nos próximos anos para cerca de 0,84% a.a em 2011-20. Da mesma forma, a participação da população economicamente ativa não apenas vem se expandindo de forma cada vez mais lenta - em 2000-10 o crescimento foi de 1,23% a.a, na atual década o crescimento deverá se reduzir para 0,74% a.a - como deverá contribuir negativamente ao crescimento da economia a partir de 2020. Assim, a contribuição dos fatores demográficos para o crescimento deverá contrair de 2,4% a.a em 2000-10 para 1,58% a.a em 2011-20. 24 Educação: Impulso ao Crescimento? Estimativas para os países Asiáticos sugerem que nas fases iniciais do esforço educacional – se sistemático e bem sucedido - a educação é capaz de adicionar de 1% a 1,5% às taxas de crescimento da economia, e quando amadurece, a magnitude dessa contribuição cai abaixo de 1% e eventualmente converge para uma faixa inferior a 0,5%. Dado o lento avanço no Brasil, estima-se que a contribuição da educação seja da ordem de 0,5% a.a e por meio de esforços sistemáticos possamos chegar a uma contribuição de 1% ao final da década. 25 Perspectiva da Década: crescimento moderado Brasil – Decomposição das Fontes de Crescimento 2012-2020 (%) Contribuição do Capital 0,9-1,4 Contribução do Trabalho 1,6 Educação 0,5 Crescimento da PFT 0,5-1,0 Crescimento Total do PIB 3,5-4,5 Fontes: Cálculos e estimativas próprias. O potencial de crescimento do país é da ordem de 3,5-4,5% a.a Atingir o limite superior irá depender: Ampliar a taxa de investimento – atualmente inferior a 19% do PIB para 23-24%. Compensar uma demografia cuja contribuição vem se contraindo com uma melhoria radical na educação. Ainda assim irá demorar alguns anos para que a acumulação de capital humano impacte o crescimento de forma significativa Ampliar os ganhos na PFT para chegar a uma contribuição ao crescimento de 1%, e talvez 1,5% na segunda metade da década. 26 China e o Desafio da Transição Brasil e China: olhando-se no espelho Em muitos aspectos, a China é a imagem invertida do Brasil. 1. O dinamismo da economia chinesa é direcionado pelos investimentos e exportações. 2. A taxa de poupança é extremamente elevada; no caso das famílias, o imperativo de poupar é dado pela exiguidade de alternativas que assegurem a renda no evento de desemprego, invalidez e velhice. 3. Os incentivos ao investimento são muito poderosos, impulsionados em parte pelo acúmulo de recursos excedentes nas empresas do Estado. 28 Imagens invertidas... 4. A China foi uma sociedade igualitária; está se tornando rapidamente mais desigual. 5. Um governo cuja legitimidade está crescentemente calcada na expansão do emprego e da renda da população, e melhoria de seu bem estar, e não num processo político aberto e competitivo. 6. Daí o triplo imperativo: crescimento (econômico); da estabilidade (social); e da previsibilidade (quanto ao futuro). 29 Uma mudança de ritmo; e de rumo A economia e sociedade chinesas estão em rápida transição. 1. No curto prazo, o desafio é lidar com uma desaceleração pronunciada da economia 2. No médio prazo, reorientar a economia, e identificar novas fontes de dinamismo e políticas sociais congruentes com uma economia mais equilibrada e uma sociedade menos desigual. 30 O Curto Prazo... Há indicações que a economia chinesa vem desacelerando e deve finalizar 2012 com uma taxa de crescimento estimada em 7,5% (ou menos). 1. O risco de uma desaceleração mais abrupta não está descartado, ainda que o governo conte com alavancas monetárias e fiscais capazes de impulsionar a economia no curto prazo, e não deverá hesitar em usá-las. 2. A expectativa é uma melhora no 2º semestre, e uma trajetória de médio prazo que não replique o passado mas igualmente que não emule países maduros 31 Mirando o Médio e Longo Prazo. Os desequilíbrios da economia chinesa podem ser assim resumidos: 1. Taxas de investimento excessivamente elevadas, e uso intensivo e maciço de recursos naturais esgotáveis. 2. Consumo doméstico historicamente comprimido e elevada dependência das exportações 3. Mercado de trabalho enviesado para o topo da pirâmide e zonas costeiras, acentuando disparidades na distribuição de renda entre famílias e regiões. 32 Eficiência Cadente do Investimento Taxa de Investimento/Crescimento do PIB Fonte: Banco Mundial 33 Onde está a saída? A necessidade de um novo padrão de crescimento parece ser um dado; se o governo chinês será bem sucedido, é uma questão em aberto. Medidas fundamentais: 1. Mudar a estrutura de incentivos para alterar a composição da demanda agregada, as fontes de crescimento da economia e a distribuição da atividade econômica. 2. Ampliar a oferta de bens coletivos voltados à melhora da qualidade de vida da população 34 Onde está a saída? (cont.) 3. Do ponto de vista setorial, ênfase crescente em indústrias e segmentos direcionados a satisfazer as demandas da classe média emergente. 4. Finalmente, no âmbito produtivo, uso de tecnologias limpas e assentadas em inovações próximas ou na fronteira do conhecimento. 35 O Peso da Demografia China e Brasil não são apenas imagens invertidas; enfrentam uma acelerada transição demográfica. 1. Queda da taxa de natalidade. 2. Bônus demográfico que já se esvai na China e desaparecerá já na próxima década no Brasil 3. Rápida expansão da população inativa e maior pressão sobre sistema previdenciárioCF1e de saúde, e consequentemente sobre as contas dos governos CF2 36 Slide 36 CF1 Nos próximos anos, o número de jovens entrando no mercado de trabalho irá se reduzir na China, pois o pico de nascimentos se deu em 1990 - havendo atualmente 28 milhões de chineses nascidos naquele ano. Em 2020, a força de trabalho começará a cair em termos absolutos. CLAUDIO; 28/08/2012 CF2 Vale fazer um gráfico sobre os indices de dependência (inativos e jovens divididos sobre os ativos) nos dois países, e como esse índice muda ao longo dos anos. CLAUDIO; 28/08/2012 A Transição Demográfica Natalidade x Expectativa de Vida - China Fonte: Banco Mundial 37 Uma bomba fiscal se arma...e o Bônus se Vai China - Taxa de Dependência (Pop. Não Econ. Ativa/Pop. Total) Fonte: UN World Population Prospects 2010 38 Manter Elevada Produtividade: Maior Desafio China – Decomposição das Fontes de Crescimento 2012-2020 (%) Contribuição do Capital 2,00-2,50 Contribução do Trabalho 0,20 Educação 0,65 Crescimento da PFT 3,50-4,00 Crescimento Total do PIB 6,35-7,35 Fontes: estimativas próprias com base no Jong-Wha Lee e Kiseok Hong, “Economic Growth in Asia: Determinants and Prospects,” Asian Development Bank Economics Working Paper Series, September 2010; e Jamie Hall e Andrew Stone, “Demography and Growth”. RBA Bulletin, June Quarter 2010. A combinação de queda da taxa de investimento; acelerada transição demográfica; revolução na educação que rapidamente chegará à maturidade, leva à um “único” imperativo: manter os ganhos de produtividade em 4% a.a como forma de sustentar o crescimento em torno de 7% a.a 39 Brasil e China: Reféns da Produtividade Brasil e a China estão ambos presos numa armadilha; e de forma crescente, as duas economias dependem dos ganhos de produtividade para fazerem transições bem sucedidas. Para o Brasil, será necessário aumentar a taxa de investimento, e direcionar mais recursos – e de forma eficiente - para infra-estrutura; conter a escalada dos impostos e racionalizar o sistema tributário; e melhorar a eficiência do Estado e o ambiente de negócios. Aí está a chave da produtividade. Igualmente crítico é o investimento em educação para garantir uma contribuição mais significativa do capital humano para o crescimento econômico, na medida em se reduz o impulso de fatores demográficos. 40 Brasil e China: Reféns da Produtividade Paradoxalmente, a economia chinesa é ainda mais dependente de ganhos de produtividade para manter um crescimento até a pouco visto como baixo: 7% a.a E a razão é que o imperativo da transição leva a taxas menores de investimento, enquanto que a demografia arrasta o crescimento. Para a China não há escolha: para evitar que a economia descarrile, terá em última instância produzir mais com menos recursos. Esse, o verdadeiro desafio. 41 Claudio R. Frischtak [email protected] Julia Averbuck [email protected] Victor Chateaubriand [email protected] Inter.B Consultoria Internacional de Negócios Rua Barão do Flamengo, 22 sala 1001 Rio de Janeiro, RJ, 22220-080 Tel: +55 21 2556-6945 42