AMÍLCAR FERNANDO CALDEIRA CALVINHO PERCEPÇÕES DOS PROFESSORES SOBRE AS CULTURAS, POLÍTICAS E PRÁTICAS INCLUSIVAS Orientador: Professor Doutor Francisco Ramos Leitão Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias Faculdade de Educação Física e Desporto Lisboa 2011 AMÍLCAR FERNANDO CALDEIRA CALVINHO PERCEPÇÕES DOS PROFESSORES SOBRE AS CULTURAS, POLÍTICAS E PRÁTICAS INCLUSIVAS Seminário Relatório de Estágio para a obtenção do Grau de Mestre no Curso do Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário conferido pela Universidade Lusófona Orientador: Prof. Doutor Francisco Ramos Leitão Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias Faculdade de Educação Física e Desporto Lisboa 2011 Errata (Rodapé) - ULHT – Faculdade de Educação Física Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário Onde se lê «Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física », Leia-se «ULHT – Faculdade de Educação Física Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário ». - Parte I – Revisão da Literatura (página 10) Onde se lê «Revisão da Literatura », leia-se «Enquadramento teórico ». - Ouve (página 12) Onde se lê «ouve», leia-se «houve». - Decreto – lei n.º 319/9191 (página 13) Onde se lê «decreto – lei n.º 319/9191», leia-se «Decreto – Lei n.º 319/1991,de 23 de Agosto » - NEECP (página 13) Onde se lê «NEECP », leia-se «Necessidades Educativas Especiais de carácter permanente » - As hipóteses seguintes (página 28) Onde se lê «As hipóteses seguintes», leia-se «Definiram-se assim as seguintes hipóteses » Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Agradecimentos A elaboração de um trabalho deste tipo só é verosímil quando existe uma grande disponibilidade pessoal e necessita do apoio e contributo de todos os que nos rodeiam: familiares, amigos, colegas e professores. Assim desejo expressar os meus sinceros agradecimentos a todos os que colaboraram e contribuíram para a sua consecução. Ao professor Doutor Francisco Ramos Leitão, pela forma como orientou a execução deste trabalho, bem como pela compreensão da minha visão sobre esta temática. Ao Dr. Carlos Louro e Dr. Manuel Alves, pela disponibilidade e colaboração que dispensaram na entrega e recolha dos questionários. À Dr.ª Aurora Lima, pelo seu encorajamento. Aos colegas Miguel Vendas, Paulo Carvalho e Paulo Moreira, pela troca de experiências. À minha esposa Ana, pela compreensão. Por fim, à pessoa mais importante da minha vida, o meu filho Pedro Calvinho pelo seu apoio. A todos muito obrigado. II Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Resumo O movimento de inclusão na escola, preconiza uma mudança como o mundo percepciona a diferença e o direito à educação. O objectivo deste estudo, ao encontro da actuais directrizes para uma escola inclusiva, é contribuir para uma reflexão sobre a problemática da percepção dos professores dos grupos disciplinares de Educação Física, Humanidades, Ciências e Expressões com referência às Culturas, Políticas e às Práticas inclusivas. Este estudo vem no seguimento de uma linha de investigação relacionada com a inclusão educativa, criada no âmbito do Mestrado da U.L.H.T. em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário. A recolha de dados foi elaborada com base no questionário “Index for Inclusion – developing learning and participation in schools” (2002), da autoria de Tony Booth e Mel Ainscow, tendo sido inquiridos setecentos e noventa e nove docentes que leccionam em escolas do Distrito de Lisboa. No que concerne às questões de avaliação de desempenho e importância dada a cada um dos aspectos das várias dimensões da inclusão, todas estas se caracterizaram por ser uma variável discreta do tipo ordinal. Metodologicamente recorremos à Anova, sendo este um teste paramétrico utilizado com o propósito comparativo dos grupos em função da sua média. Uma vez que não se verificou os pressupostos para a sua utilização (distribuição normal dos grupos e homogeneidade das variâncias), como reforço, utilizamos a metodologia aplicativa não paramétricas na comparação dos grupos, ou seja teste de Mann-Whitney. Palavras-Chave: Escola Inclusiva, Percepção, Professores, Educação Física, Formação III Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Abstrat The movement of inclusion in school, advocates a change how the world perceives the difference and the right to education. The purpose of this study, according to the current guidelines for an inclusive school is to contribute to a reflection on the issue of teachers' perception of the subject groupings of Physical Education, Humanities, Science and expressions with reference to crops, Policies and inclusive Practices. This study follows on from a line of research related to inclusive education, developed under the Master ULHT Teaching in Physical Education in Primary and Secondary Data collection was designed based on the questionnaire "Index for Inclusion - Developing learning and participation in schools" (2002), written by Tony Booth and Mel Ainscow, having been interviewed seven hundred ninety-nine teachers who teach in schools at the Lisbon District. With regard to issues of performance evaluation and the importance given to each aspect of the dimensions of inclusion, all these were characterized as being a discrete variable of ordinal type. Methodologically we used the ANOVA, which is a parametric test used for the purpose of comparative groups according to their average. Since there was no assumptions for its use (normal distribution of the groups and homogeneity of variances), as reinforcement, we used the nonparametric methodology applied in the comparison groups, or MannWhitney. Keywords: Inclusive School, Perception, Teachers, Physical Education, Training IV Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Índice Geral Agradecimentos II Resumo III Abstract IV Índice Geral 1 Índice de Quadros 3 Índice de Figuras 5 Introdução 6 Parte I – Revisão da Literatura 8 Capítulo I – Perspectiva Histórica da Escola Inclusiva 8 1. Da Segregação à Inclusão 8 2. A actual Escola Inclusiva 11 2.1 Pressupostos legais da escola inclusiva 11 2.2. Conceito de Necessidades Educativas Especiais 12 2.3. Preocupações sobre a (in)existência da inclusão 13 2.4 Fundamentos científicos da aprendizagem inclusiva 15 2.5 Aprendizagem Dinâmica 17 Capítulo II – Formação de Professores 19 1. Formação Inicial 19 Capítulo III – Educação Física e Cooperação 23 1 . A Disciplina de Educação Física na educação inclusiva 23 2. A Educação Física e os Alunos 25 Parte II – Metodologia 26 1.Problematização e Objectivos 26 2. Técnicas e instrumentos utilizados na recolha de dados 26 2.1.Procedimentos utilizados 26 1 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas 2.2 Questionário – Indicadores para inclusão 3. Análise documental 3.1 Caracterização da amostra 27 28 28 Parte III – Apresentação e Análise dos resultados 35 1.A percepção dos professores de Educação Física sobre a inclusão 35 de alunos NEE difere relativamente aos professores de Humanidades. 1.1.Dimensão A 35 1.2.Dimensão B 36 1.3 Dimensão C 38 2.Na segunda hipótese avalia-se se a percepção dos professores 40 de Educação Física sobre a inclusão de alunos NEE difere relativamente aos professores de Ciências. 3. Na terceira hipótese avalia-se se a percepção dos 43 professores de Educação Física sobre a inclusão de alunos NEE difere relativamente aos de Expressões. Parte IV - Principais conclusões do estudo 45 Referências Bibliográficas 48 Anexos 2 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Índice de Quadros Quadro 1: Tabela de Idades dos inquiridos. 29 Quadro 2: Tabela de frequências dos grupos disciplinares. 33 Quadro 3: Tabela de resultados dos testes de normalidade da dimensão A dos grupos constituídos pelos docentes de Educação Física e os de Humanidades. 35 Quadro 4: Tabela de resultados do teste à homogeneidade das variâncias dos grupos constituídos docentes de Educação Física e os de Humanidades relativamente à dimensão A. 36 Quadro 5: à direita, Tabela dos resultados do Teste de 36 Mann-Withney para comparação dos grupos constituídos docentes de Educação física e os de Humanidades relativamente à dimensão A. Quadro 6: à esquerda, hipóteses do teste de Mann-Whitney. 36 Quadro 7: Tabela de resultados dos testes de normalidade da dimensão B dos grupos constituídos pelos docentes de Educação física e os de Humanidades. 37 Quadro 8: Tabela de resultados do teste à homogeneidade das variâncias dos grupos constituídos docentes de Educação física e os de Humanidades relativamente à dimensão B. 37 Quadro 9: à direita, Tabela dos resultados do Teste de Mann-Withney para comparação dos grupos constituídos docentes de Educação Física e os de Humanidades relativamente à dimensão B. 37 Quadro 10: à esquerda, hipóteses do teste de Mann-Whitney. 37 Quadro 11: Tabela de resultados dos testes de normalidade da dimensão C dos grupos constituídos pelos docentes de Educação física e os de Humanidades. 38 Quadro 12: Tabela de resultados do teste à homogeneidade das variâncias dos 39 grupos constituídos docentes de Educação física e os de Humanidades relativamente à dimensão C. Quadro 13: Tabela dos resultados do Teste de Mann-Withney para Comparação dos grupos constituídos docentes de Educação Física e os de Humanidades relativamente à dimensão C. 39 Quadro 14: hipóteses do teste de Mann-Whitney. 39 Quadro 15: Quadro Resumo dos resultados do estudo da hipótese da percepção dos profissionais de Educação Física vs os de ciências. 41 Quadro 16: Tabela das hipóteses testadas da dimensão A. 42 Quadro 17: Tabela das hipóteses testadas da dimensão B. 42 Quadro 18: Tabela das hipóteses testadas da dimensão C. 42 3 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Quadro 19: Quadro Resumo dos resultados do estudo da hipótese da percepção dos profissionais de Educação Física vs os de Expressões. 43 Quadro 20: Tabela de distribução do grupo de Educação Física e de Expressoes na dimensão A. 44 Quadro 21: Tabela de distribução do grupo de Educação Física e de Expressoes na dimensão B. 44 Quadro 22: Tabela de distribução do grupo de Educação Física e de Expressoes na dimensão C. 45 4 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Índice de Figuras Gráfico 1- Género dos inquiridos 29 Gráfico 2 - Nível de Ensino 30 Gráfico 3 – Escolas de Formação 30 Gráfico 4 - Experiência Profissional 31 Gráfico 5 - Tempo na Actual Escola 31 Gráfico 6 - Experiência com Alunos NEE 32 Gráfico 7 - Grupo Disciplinar 32 Gráfico 8 - Grupos disciplinares relativamente à Dimensão A 33 Gráfico 9 - Grupos disciplinares relativamente à Dimensão B 34 Gráfico 10 - Grupos disciplinares relativamente à Dimensão C 34 Gráfico 11 - Gráfico da média, relativamente à dimensão B, dos grupos disciplinares de Educação Física e Humanidades 38 Gráfico 12 - Gráfico da média, relativamente à dimensão C, 40 dos grupos disciplinares de Educação Física e Humanidades 5 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Introdução A escola é actualmente uma escola para todos. A legislação mudou, e as práticas inclusivas? Na sociedade contemporânea, a velocidade de acumulação do conhecimento, a rapidez com que as informações são transmitidas e a valorização do poder intelectual “obrigam-nos” a estar actualizados, o que só é possível através do recurso à investigação, contínua, de forma a adquirir, aprofundar, relacionar e aplicar os conhecimentos. Este nosso estudo consiste no trabalho a defender no Seminário Investigação Relatório de Estágio, realizado no âmbito da conclusão do Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, frequentado na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. O objectivo deste estudo é contribuir, no seguimento das actuais directrizes para uma escola inclusiva, para uma reflexão sobre a problemática da percepção dos professores do grupo disciplinar de Educação Física sobre as Culturas, as Políticas e as Práticas inclusivas. Interessa-nos compreender se as percepções são ou não diferentes das reveladas pelos docentes dos grupos disciplinares de Humanidades, de Ciências e de Expressões, inquirindo-se, para tal, setecentos e noventa e nove docentes em exercício profissional no distrito de Lisboa. O trabalho é de natureza quantitativa, recorrendo, igualmente, a técnicas de pesquisa documental. O ponto de partida para a nossa reflexão e consequente elaboração do trabalho foi a compreensão, possibilitada pela revisão bibliográfica (primeira parte do trabalho), da importância da escola inclusiva para a aprendizagem e o desenvolvimento, pessoal e social, de todos os alunos. A aprendizagem inclusiva decorre num ambiente também inclusivo, o da turma de ensino regular, em que todos aprendem juntos, interagindo, participando e cooperando no processo de ensino-aprendizagem, independentemente das dificuldades e das diferenças que apresentem. A nossa pesquisa permitiu-nos perceber, desde logo, a importância da Declaração de Salamanca (emanada da Conferência Mundial realizada em 1994) que, exortando os vários Estados a implementarem uma educação inclusiva, foi ratificada por inúmeros países, entre os quais o nosso. Este normativo legal, o mais célebre no domínio da inclusão, nomeadamente dos alunos com necessidades educativas especiais (NEE), permitiu assistir-se a uma mudança 6 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas de paradigma pois a óptica de que o discente deve adaptar-se ao ensino dá lugar ao inverso, ou seja, o docente e a escola é que devem ir ao encontro das necessidades de cada aluno. Depois da Conferência de Salamanca, muitos países participantes, como Portugal, partilhando uma concepção educativa global que constitui a base e o progresso de uma escola para todos, reformularam a legislação do sector educativo, ocorrendo um quadro de mudanças na transição para uma escola descoincidente, onde são aceites os que se revelam dissemelhantes. A didáctica inclusiva pressupõe a educação de “igualdades injustas” e o recurso a “desigualdades justas”, ou seja, “desigualizar” para poder igualizar as oportunidades. No entanto, esta mudança pode provocar, no seio da classe docente, dúvidas e apreensões, que importa conhecer, pois os professores desempenham, na escola inclusiva, um papel determinante, quer no crescimento do património cognitivo quer no apoio às potencialidades próprias, que necessitam de acompanhamento, o qual pode passar por respostas diferenciadas. O nosso contributo para o conhecimento desta temática corresponde, sobretudo, à segunda e terceira partes do nosso estudo. O trabalho organiza-se, portanto, em três partes: revisão da literatura, metodologia e apresentação e análise dos resultados. A revisão da literatura divide-se em três capítulos. No primeiro, abarca-se a inclusão, ao longo dos tempos, através de uma perspectiva histórica da escola inclusiva que permite compreender o percurso desde o paradigma da segregação até à escola actual, a da inclusão, incidindo quer sobre as medidas legislativas referentes às Necessidades Educativas Especiais quer sobre os fundamentos da aprendizagem inclusiva. Nesta parte do nosso trabalho não poderíamos deixar de nos debruçar sobre o que apresentamos nos segundo e terceiro capítulos: a formação de professores e a cooperação nas aulas de Educação Física. Na segunda parte do trabalho, expomos a metodologia adoptada, referindo a problematização, os objectivos, as técnicas e os instrumentos utilizados na recolha e na análise dos dados. Aí daremos conta dos procedimentos adoptados, desde a recolha de dados, elaborada com base no questionário Index for Inclusion – developing learning and participation in schools (2002), da autoria de Tony Booth e Mel Ainscow, até ao tratamento dos resultados que espelham as percepções dos inquiridos: setecentos e setenta e nove docentes que leccionam em escolas do distrito de Lisboa. De seguida, procede-se à apresentação das principais conclusões do estudo. 7 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas O trabalho inclui, ainda, as referências da bibliografia consultada e, por último, os anexos. Destaca-se que o presente estudo não se esgota com a apresentação dos resultados obtidos, pretendendo-se, antes, que funcione como o despoletar de futuros estudos sobre esta problemática que tanto nos preocupa, a de uma real consciência/vivência, na escola de todos e para todos, da Educação Inclusiva. Parte I - Revisão da Literatura Capítulo I – Perspectiva histórica da escola inclusiva 1. Da Segregação à Inclusão “Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.” (Gabriel Garcia Marquez) Através de uma retrospectiva histórica das atitudes face ao indivíduo “diferente”, “com deficiência”, com NEE – problemas cognitivos, sensoriais ou motores – a literatura consultada possibilitou-nos a compreensão do modo como evoluíram as mentalidades, relativamente a esta questão, que começou por caracterizar-se pela estigmatização da “diferença”. Os diversos contextos sociais, políticos e educacionais e as alterações que sofreram ao longo do tempo permitem-nos conhecer os fundamentos ideológicos das diferentes épocas, através do tipo de resposta que era dado às necessidades educativas especiais. Lowenfeld (cit. In Pereira, 1984) apresenta-nos quatro grandes períodos de abordagem da dimensão sócio-histórica desta problemática, atribuindo-lhes as seguintes designações: fase separatista, fase proteccionista, fase emancipatória e fase integradora. A primeira fase parece comportar duas perspectivas diametralmente opostas acerca do modo como eram encarados os indivíduos com deficiência. Por um lado, viam-nos como possuídos pelo demónio, espíritos maléficos, produtos do pecado ou portadores de mau presságio; por outro, quando passível de ser colocada ao 8 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas serviço de interesses particulares, a deficiência jogava, comparativamente com os outros, um papel favorável, considerando-se divinos (trabalhadores exemplares) Na fase proteccionista, os deficientes eram colocados em hospitais ou asilos, em condições bastante diminuídas. Verificou-se, neste momento histórico, um crescimento do número deste tipo de instituições: hospícios, cadeias, asilos e hospitais, que partilhavam entre si o destinam destes indivíduos. A fase emancipadora surge no seguimento da evolução do pensamento filosófico, do desenvolvimento da medicina e da revolução industrial. No início do séc. XIX, enceta-se o processo de institucionalização do indivíduo com deficiência, a qual se prolonga até meados do século seguinte. O avanço do conhecimento na área das ciências sociais e humanas veio contribuir para que, gradualmente, se compreendesse o desenvolvimento humano e se concluísse que o mesmo não se encontrava exclusivamente dependente dos factores orgânicos e intrínsecos ao sujeito, mas também de factores ambientais e da sua interacção com os diversos ambientes. Através das leituras realizadas, demo-nos conta que o conceito de Educação Especial propriamente dito, ainda que num sentido significativamente distinto daquele que hoje abraçamos, surge na chamada fase emancipatória. Segundo o pensamento pedagógico dessa época, a intervenção encontra-se orientada para a criança na sua individualidade. Até final da primeira metade do séc. XX, na qual hoje designamos por NEE viveram situações de segregação social, viram limitados os seus direitos e oportunidades e foram subestimadas nas suas potencialidades. Perspectivava-se a chamada fase integradora, que contou com as contribuições da Declaração de Genebra, de 1924 (consagrou os direitos da criança); da Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 10 de Dezembro de 1948, proclamada pela Assembleia Geral da ONU; da Declaração dos Direitos da Criança, de 20 de Novembro de 1959, adoptada pela Assembleia das Nações Unidas: “À criança incapacitada física, mental ou socialmente serão proporcionados o tratamento e os cuidados especiais exigidos pela sua condição peculiar” (in Declaração dos Direitos da Criança). O conjunto dos factores acima mencionados, juntamente com as alterações sociais provocadas pela Segunda Guerra Mundial, decorrentes do regresso de um número significativo de mutilados e perturbados mentalmente que a sociedade sentiu necessidade e obrigação de reabilitar, desempenhou um papel determinante nas alterações produzidas na mentalidade da época: “A 2ª Guerra Mundial e as suas opiniões crescentes de que a 9 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas segregação no plano educativo e social era anti-natural e indesejável impulsionaram a nova visão filosófica da Educação Especial e Reabilitação”. (Pereira, 1984:16) Na década de 70, a publicação do Relatório da Comissão de Inquérito sobre Educação de Crianças Warnock Report (Reino Unido, 1978) constituiu um marco de grande importância para a Educação Especial, operando profundas alterações neste âmbito e caminhando, a passos largos, em direcção ao conceito de Escola Inclusiva. Este relatório contempla uma nova filosofia que abandona a categorização para valorizar as necessidades e os direitos destes indivíduos, introduzindo o conceito de “Necessidades Educativas Especiais”, o qual se define em termos dos factores susceptíveis de intervir no processo educativo. O termo “integração” é, na perspectiva de diversos autores (Fonseca, 2004), um conceito que corresponde à colocação de crianças e jovens com NEE nas escolas regulares, para fins académicos e sociais, recebendo serviços especiais e interagindo com os seus pares num ambiente o menos restritivo possível. Considerando o conceito a inclusão enquanto continuidade da fase de integração e não como uma realidade contraditória, integrar não se restringe apenas à acção de “colocar” as crianças no sistema de ensino regular. Este princípio pressupõe, da parte da escola, um processo de mudança, ainda que incipiente, adaptando as suas condições para que sejam dadas às crianças com NEE oportunidades de receber uma educação adequada, tendo em conta as suas necessidades e interesses. Segundo Sanches e Teodoro (2006), o movimento a inclusão tem como meta promover o sucesso pessoal e académico de todos os alunos numa escola inclusiva. Na realidade ouve um contributo significativo por parte das várias associações e movimentos para que todas as crianças tenham o direito à educação inclusiva pertencendo todas elas ao sistema educativo. O processo da inclusão vem sendo aplicado em cada sistema da sociedade. Sassaki (1999 p.42) salienta que “a inclusão social é um processo que contribui para a construção de um novo tipo de sociedade através de transformações, pequenas e grandes, nos ambientes físicos (espaços internos e externos), equipamentos, aparelhos e utensílios, mobiliário e meios de transporte e na mentalidade de todas as pessoas, portanto também do próprio portador de necessidades especiais”. 10 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Segundo o mesmo autor, quantos mais sistemas da sociedade adoptarem os processos da inclusão, mais rapidamente a sociedade irá completar a construção de uma verdadeira sociedade para todos - a sociedade inclusiva. 2. A actual escola inclusiva “A educação está ligada a tudo o que ajude o indivíduo a aprender e a desenvolver-se” Pereira, M. C. (1996) 2.1 Pressupostos legais da escola inclusiva Ao longo das décadas de 80 e 90 do século XX assiste-se à mudança gradual da representação social das NEE. A escola para todos encontra as suas fundações na Declaração da Educação para Todos, de 1990, assinada por cerca de 60 países e organizada pela UNESCO, UNICEF e Banco Mundial. Este documento põe em evidência a necessidade de universalizar o acesso à educação, a importância da aprendizagem, da mobilização de recursos e do reforço da solidariedade internacional (Serra, 2002). A Declaração de Salamanca, por seu turno, emergindo do encontro que teve lugar de 7 a 10 de Junho de 1994, teve como objectivo central lançar as bases dos princípios da Escola Inclusiva, no sentido de garantir a educação de crianças e jovens com NEE. No seu capítulo I, ponto 7, preconiza-se que o: “Princípio fundamental da escola inclusiva é o de que todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que elas possam ter. Escolas inclusivas devem reconhecer e responder às necessidades diversas de seus alunos, (…) através de um currículo apropriado, arranjos organizacionais, estratégias de ensino, (…). Na verdade, deveria existir uma continuidade de serviços e apoio proporcional ao contínuo de necessidades especiais encontradas dentro da escola” (Unesco, 1994) A legislação portuguesa seguiu os princípios consagrados nos diplomas internacionais, destacando-se o decreto-lei n.º 319/9191 e, actualmente, o D.L. n.º 3/2008, de 07 de Janeiro. 11 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Este diploma jurídico, em vigor, obriga a escola (e a comunidade) a atender às necessidades de todos as alunos, especificando os apoios a que, legalmente, têm direito as crianças e jovens com NEECP, obrigando a que os mesmos sejam assegurados por qualquer escola ou agrupamento escolar. A educação inclusiva é actualmente, uma constante preocupação no interior das sociedades contemporâneas e dos sistemas educativos nas mais diversas nações. No presente, a via de construção e implementação no ensino global e nos espaços enquanto educativos, é procurar reunir recursos humanos, físicos e tecnológicos, metodologias e estratégias susceptíveis de dar uma resposta a todos e para todos os alunos ultrapassando desta formas os obstáculos ao desenvolvimento e aprendizagem. Segundo Costa (2002 p.223) “partindo do princípio, hoje largamente, difundido, de que as necessidades especiais se relacionam fundamentalmente com as necessidades do sistema educativo e que este tem de se tornar mais capaz de responder à diversidade e promover o desenvolvimento e a educação para todos”. Assim Silva (2008) afirma, em educação inclusiva, participar, implica que a criança se envolva e tenha opção de escolha em todos os momentos de interacção. É neste contexto que a participação envolve a comunidade educativa de forma cooperante para reunir condições, saberes, pedagogias, metodologias e boas práticas. 2.2 Conceito de Necessidades Educativas Especiais (NEE) Os problemas que ocorrem na escola devem ser encarados como oportunidades para aprender. Ainscow, M. (1991) Relativamente à definição do conceito de NEE, a concepção do Ministério da Educação - dgidc (acedida electronicamente) considera “alunos com necessidades educativas especiais de carácter prolongado aqueles que experienciam graves dificuldades no processo de aprendizagem e participação no contexto escolar, familiar e comunitário, decorrentes da interacção entre factores ambientais (físicos, sociais e atitudinais) e limitações de grau acentuado ao nível do seu funcionamento num ou mais dos seguintes domínios: sensorial (visão e audição); motor; cognitivo; comunicação, linguagem e fala; emocional e personalidade”. 12 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Esta definição enquadra-se na perspectiva dos actuais modelos de intervenção nesta área, devendo o conceito ser compreendido, no contexto da Educação Especial (como salienta o organismo governamental), de forma “dinâmica”, interactiva e multidimensional. O conceito NEE foi transposto para a legislação portuguesa de diplomas internacionais como a Declaração de Salamanca, que o introduziu. A inovação desta designação prende-se com a passagem da noção de indivíduo com deficiência para outro prisma que não comporta a carga negativa inicial. Deixa de se fazer uma leitura da criança como diminuída, abrindo-se caminho para a concepção do indivíduo com necessidades diferentes das demais, necessitando de as ver atendidas pela escola regular, quaisquer que sejam as dificuldades manifestadas, permitindo que todos os alunos possam abandonar os contextos educativos segregados e ter acesso à escola de ensino regular. O diploma nacional que actualmente garante o direito dos alunos com Necessidades Educativas Especiais de Carácter Permanente (NEECP) à frequência da escola “de todos e para todos” é o Decreto-Lei n.º 3/2008 de 07 Janeiro cuja leitura, e aplicação, é não só recomendável como obrigatória, para todos os docentes e intervenientes educativos que queiram responder, eficazmente, à diversidade que actualmente caracteriza a população escolar da escola pública. O assumir na escola do ensino regular, as crianças com N.E.E. só será possível quando forem aplicados mecanismos de forma a produzir as alterações adequadas. Assim, as crianças com N.E.E. têm direito, salvaguardado legalmente, no âmbito da frequência do currículo regular, ao apoio pedagógico de que necessitem para responder às suas necessidades, o que implica as devidas adaptações e apelo aos recursos e serviços necessários. As alterações educativas que possam vir a ser introduzidas deverão ter como base o currículo comum da escola do ensino regular e das N.E.E. 2.3 Preocupações sobre a (in)existência da inclusão A escola inclusiva projecta-se numa alteração de comportamentos face a toda a sociedade, transformação que exige uma alternativa da escola em oposição à ideia centrada nas insuficiências ou nas dificuldades dos alunos. De acordo com Serrano (2005 p.210) uma cultura inclusiva implica pressupostos claros traduzidos numa educação na e pela diversidade, ou seja “uma forma eticamente nobre 13 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas de fazer escola, o que significará, provavelmente, seguir um trilho marcadamente oposto ao de uma tradicional educação elitista e discriminatória” Para uma escola mais inclusiva é necessário reorganizar os recursos. No entender de Ainscow (1997, p.27) “de modo a transformar as organizações que estão estruturadas no sentido de manter o status quo, em novas formas de trabalhar que apoiem actividades para o aperfeiçoamento”. De acordo com Sánchez (2003), citado por Vaz (2005 p. 61) a educação inclusiva deve ser entendida por duas razões “o primeiro, o reconhecimento da educação como um direito, segundo, a diversidade como um valor educativo essencial para a transformação das escolas”. Para Serrano (2005 p.102), “as comunidades escolares inclusivas são organizadas e geridas através de estruturas colegiais de tomada de decisão” Verifica-se, assim, a necessidade de responsabilização das escolas e do Estado face ao atendimento, inclusivo, dos alunos com NEE. Como refere Correia (1997), verifica-se que há responsabilidades estatais para a implementação de um sistema inclusivo a nível de: Legislação, que considere as reformas necessárias para a implantação de um sistema inclusivo. Financiamento, que assegure os recursos humanos e materiais necessários à inclusão da criança. Autonomia, que permita à escola implementar um sistema inclusivo de acordo com a sua realidade. Apoio, que permita às instituições de ensino superior considerar alternativas de formação que tenham em conta a filosofia da inclusão. Sensibilização, que permita ao público em geral perceber as vantagens de um sistema inclusivo. Há responsabilidades da escola a nível de: Planificação adequada e que permita uma comunicação saudável entre o aluno, o professor, os pais e a comunidade (não atirar o aluno para a classe regular sem qualquer apoio coordenado). Sensibilização e apoio (aos pais e à comunidade), que permita o seu envolvimento com vista ao desenvolvimento global do aluno. 14 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Flexibilidade para aceitar o facto de que nem todos os alunos atingem os objectivos curriculares ao mesmo tempo, isto é, considerar uma variedade curricular que se adequo às características individuais de cada aluno (ensino funcional, mobilidade comunitária, preparação para o ensino superior, etc.). Formação (do professor, do administrador/gestor, de outros técnicos) que poderá ser a nível de instituição do ensino superior ou a nível de formação continua. Deste modo as modificações que se aplicam e as questões que se levantam são conhecidas, debatidas e evidentes para muitos, verificando-se que a escola não tem sofrido alterações significativas apesar das reformas do sistema educativo nos últimos anos. No panorama de referência deste tipo, as dificuldades experimentadas por professores e alunos pode prover um plano de acção para a mudança e, conduzir à percepção dos modos como esta pode ser levada a cabo. Este modo de culturas pode facilmente desenvolver condições para a aprendizagem dos alunos e, concomitantemente, para a aprendizagem pedagógica e profissional de todos os professores. 2.4 Fundamentos científicos da aprendizagem inclusiva Aprendizagem: mudança de comportamento provocada pela experiência de outro ser humano, e não meramente pela experiência própria e prática em si, ou pela repetição ou associação automática de estímulos e respostas. (FONSECA, 1998:8) Educação: processo de aprendizagem e de mudança que se opera no aluno através do ensino e de outras experiências a que ele é exposto nos vários ambientes onde interage”. (CORREIA & FONSECA, 2002:186) As descobertas da investigação científica e educacional reforçam a importância do ambiente inclusivo para a aprendizagem individual. Efectivamente, se na célebre concepção do psicólogo educacional Piaget, o sujeito constrói as suas habilidades através da relação com o ambiente físico (as coisas) e social (as pessoas), Vygotsky (expoente máximo da perspectiva sócio-histórico-cultural de abordagem 15 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas das dificuldades de aprendizagem) vai mais longe, ao salientar que o homem é um ser eminentemente social na sua natureza ou origem, pelo que as aprendizagens são adquiridas num âmbito social e, somente depois, são interiorizadas ou se tornam individuais. De acordo com as premissas deste autor, as funções psicológicas superiores são fruto de um contexto sócio-histórico, pelo que, por conseguinte, podem ser reconstruídas pelo uso da mediatização e de técnicas , o que destaca a importância da função do mediatizador que pode ser o professor, sobretudo o que usa as técnicas adequadas para dar resposta às necessidades de todos os alunos. A abordagem contemporânea da aprendizagem, inicialmente de inspiração vygotskyana, valoriza, portanto, o papel do mediatizador na aprendizagem da criança, que pode, e deve, ser desempenhado pelos adultos (professores e familiares) e pelos seus pares (os colegas, sobretudo os alunos mais experientes), como elementos polares de um processo de interacção a partir do qual se defende que aprender resulta da actividade de um iniciado a trabalhar com alguém mais capaz na resolução de um problema. A opção da socialização é determinante para a aprendizagem, sobretudo a que fomente o trabalho cooperativo, entre os alunos. A aprendizagem e o desenvolvimento da criança com NEE deve decorrer num ambiente inclusivo, o da turma regular, pois beneficia das experiências educativas diversas e do conjunto de interacções sociais abrangentes, com outras crianças, permitindo, também, que cada criança, inclusive a que tem NEECP, seja um potencial contribuinte na aprendizagem e desenvolvimento dos outros. Realizando as devidas adaptações e apelando aos recursos e serviços necessários como menciona Jimenéz (1997, p.13) “ o currículo escolar é o referente básico para a identificação e avaliação das N.E.E. e para a determinação dos apoios específicos que o aluno poderá necessitar num determinado momento”. As crianças com N.E.E. no âmbito do currículo regular devem auferir de apoio pedagógico, promovendo a todos os alunos sem excepção a mesma educação e concomitantemente consagrando os apoios aos que precisam. Desta forma a educação no sentido lato deve respeitar e enaltecer as características individuais do aluno. Ao desfrutar de experiencias educativas diversas num conjunto de interacções sociais abrangentes com outras crianças, e ao construir o seu desenvolvimento e aprendizagem permite que a criança seja um potencial contribuinte na aprendizagem e desenvolvimento dos outros. 16 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Seguindo a via da escola inclusiva, a educação global deverá exercera a pratica de uma pedagogia diferenciada de forma a favorecer a aprendizagem e responder às necessidades individuais. Para que o processo de ensino e aprendizagem seja eficaz torna-se indispensáveis as seguintes condições: a implementação de estratégias que promovam o interesse, esforço, empenhamento, colaboração, criatividade e a percepção das capacidades dos alunos e ainda a competência do sentido pessoal às funções desempenhadas pelos alunos. A opção da socialização da aprendizagem, ou seja que se fomente o trabalho de grupo e cooperativista entre os alunos; que se proceda a uma avaliação continua a fim de modificar o que for necessário em função das repostas obtidas (Ainscow, 1995; Benárd da Costa, 2001;UNESCO,1996). 2.5 Aprendizagem Dinâmica No contexto de aula onde o professor motiva e operacionaliza as metodologias aplicativas ao serviço da aprendizagem torna-se mais provável uma aprendizagem eficiente. Estes métodos estribam-se na cooperação e sociabilização como processo de aprendizagem dinâmico, direccionado para a resolução de problemas. Reforçam as competências e contribuem para o desenvolvimento da criança na criatividade com as outras crianças. Desta forma trabalhando em equipa e ajudando-se mutuamente os alunos providenciam a independência do professor e alarga-se o treino de saberes sociais. Segundo Sousa (1998,p.97) a aprendizagem inclusiva é “cooperação mútua”, reforçando outras novas acções de cooperação, “cooperar para ajudar “ que é Tutoria. É fundamental que a inclusão seja “ um processo de participação crescente e exclusão decrescente dos locais sociais mais comuns” (Booth e al, 1997; Potts, 1997, citado por Florian, 2003, pág.37). As pessoas devem reflectir sobre o conhecimento de que a educação inclusiva pode ser aplicada nas escolas e em contexto de aula no ensino regular. Criando condições apropriadas é possível atingir resultados satisfatórios em todos os alunos. A estratégia da aprendizagem inclusiva consiste em que os alunos trabalhem em grupos com apoio na heterogeneidade das suas capacidades.”Os alunos são co-responsáveis pela sua própria progressão escolar, bem como pelo desempenho do grupo em que estão inseridos” Madureira e Leite, (2003,p.99). 17 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas No entanto a aprendizagem inclusiva requer planificação e orientação permanente das actividades por parte do professor. É importante e necessário estabelecer objectivos adequados à idade cronológica e ao desenvolvimento dos alunos; informar devidamente os alunos para o desenrolar da actividade, controlar os tempos de desenvolvimento das actividades; dar sugestões no sentido de incentivar o desprender da actividade e a aquisição de saberes. Nielsen (1999), e Piaget (citado em Morato, 1998), quando declaram que é fundamental que as estratégias a utilizar, para além da perspectiva funcional, devem recorrer a situações e experiências diversificadas e as técnicas de manipulação de objectos concretos. A aprendizagem deve ser activa, a partir de experiências concretas da criança sobre objectos e espaço envolvente. A escola deverá ser um espaço importante para irradiar os comportamentos e atitudes de descriminação na qual se formará uma sociedade inclusiva competente defendendo os direitos inaláveis enquanto cidadão e acima de tudo ser humano. Uma escola será tanto mais inclusiva quanto maior for a qualidade dos serviços que presta. Para que a qualidade da escola aumente é necessária a colaboração entre os intervenientes, nomeadamente, entre profissionais, entre alunos e entre a escola e a família (Ainscow, 1995; Correia, 2003). A pró actividade proporciona aditamentos que levam posteriormente a reformas sociais tornando-a inovadora e vanguardista. Quando isso acontece descristianiza-se a opacidade de uma sociedade refrescando-a, proporcionando nas pessoas a procura de um caminho de oportunidades igualitárias para todos. Sendo os professores os pró activos das estratégias aplicativas da aprendizagem do aluno, é neles que recai o trabalho a ser desenvolvido sobre as suas potencialidades, capacidades, ritmos de aprendizagem, expectativas e a apropriação dos saberes, através dos recursos e adequação de currículos. 18 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Capítulo II - Formação de Professores “ O Educador age não somente por aquilo que diz e faz mas mais ainda por aquilo que é”. Georges Mauco (1967) No sentido de contribuir para o desenvolvimento da formação dos professores é essencial munirmo-nos de mecanismos psicossomáticos pró-activos que nos permitam ultrapassar uma visão meramente teórica e/ou unicamente prática. De acordo com Proença (2008, p. 68) “ser professor é assumir e exercer uma função e uma responsabilidade eminentemente social; contribuir para a educação e formação dos alunos que em sorte nos cabem; uma educação e formação exercida no âmbito de uma disciplina dotada de grande especificidade no quadro do sistema de ensino, mas, ainda assim, global”. Ainda segundo Proença (2008, p. 119) “O estágio deve representar o clímax de um processo de formação que garanta o domínio das competências requeridas pela profissão docente. Permitam que, de entre estas competências, saliente a importância da aquisição de um conjunto de comportamentos contribuintes para o “ saber estar” e “saber ser” e o papel decisivo que nesta apropriação tem o clima e a cultura profissional, cuja aprendizagem deverá começar – pelo exemplo, mais que por palavras – na formação inicial”. Desta forma para que a via do progresso vá no sentido do desenvolvimento é fundamental a consciencialização dos professores na sua formação, mediante as necessidades ajustem os conteúdos programáticos e todo o sue propósito ao processo de ensino e aprendizagem dos discentes, e por outro lado incrementem e apliquem as pedagogias da aprendizagem (aprendizagem centrada no aluno) de forma cooperante e distinta. A formação dos professores passa pela sua contínua actualização no sentido de a converter, segundo Sprinthall (1994, p.571) “Os professores mais responsivos às necessidades fundamentais de todas as crianças”. 1 . Formação Inicial Independentemente da sua formação inicial, os professores e os restantes profissionais que constituem a comunidade educativa, carecem de formação mais especializada de forma a permitir ter outra percepção das problemáticas que os alunos 19 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas manifestam e que estratégias e metodologias devem ser apresentadas e ou adoptadas para dar respostas. Neste sentido deve as hierarquias superiores, nomeadamente, os órgãos de gestão proporcionar à sociedade educativa a formação adequada à aquisição de competências que deva contribuir para dar as respostas a todos os alunos que apresentem necessidades. O educador tem de estar devidamente preparado de forma a dar respostas concretas às dificuldades da criança nos diferentes contextos, procurar perceber quais as suas necessidades e facilidades, conhecer o meio social e familiar em que a criança diariamente vive, sem esquecer a sua idade cronológica. Promover tarefas cooperativas e nas equipas multidisciplinares exige compromisso e empenho cujo um dos objectivos segundo Ainscow (1997,p.38), “ criar um sistema de uniões mais consistentes”. Um exemplo de cooperação e colaboração é o professor de apoio que procura auxiliar os colegas do ensino regular na resolução de problemas colaborando de forma directa para uma educação de sucesso, nomeadamente em alunos NEE que implicam enormes alterações aos mais diversos níveis. Trabalhando na educação neste sentido será possível ser exequível, como menciona Santos e Morato (2002 p.43) “Servir de base para a fundamentação de um programa que contemple: os recursos (materiais e humanos) de apoio necessário, as suas funções (nos diferentes tipos de serviço) a intensidade de apoio diário ou quase diário sem definição de período de tempo de aplicação” Estes programas, como referem Vieira e Pereira (1996), devem prezar pela individualização e funcionalidade para promover ao máximo as suas competências adaptativas e funcionais. Segundo Madureira e Leite (2003,p.96) é “a procura de percursos curriculares diversos para situações que, à partida são diferentes”sustentando uma aprendizagem de sucesso num ensino de qualidade. Todo este procedimento inerente à educação inclusiva, o professor desenvolve uma acção essencial, no qual está implícito uma esfera de cooperação, não é uma missão de educadores isolados, mas sim uma missão colectiva. Assim, o professor torna-se o grande gerador de todos os participantes, sendo o objectivo a alcançar, mentaliza-los para a actuação e interacção com os alunos NEE. Ele promove a sensibilização da comunidade educativa para a diversidade no intuito de incrementar a mudança de atitudes e, por conseguinte, da cultura da escola (Bautista, 20 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas 1997). O professor deve estar consciente da possibilidade de uma mudança de planos procurando ser um expediente, activo e empreendedor nas obrigações das suas acções, no entanto antes de ser professor está o ser social que deve ter um perfil apropriado. Segundo Rappaporte e Mcnary, deverá revelar “abertura” e uma “atitude positiva” face à deficiência ser responsável, espontâneo e sensível (1979, citados em Fonseca, 2004, p.253). Presentemente na sociedades educativas impõe ao professor a rescisão com os métodos tradicionais e que operacionalize de acordo com o idealismo da inclusão, ou seja, que centralize-se na turma no seu todo, e não individualizando; que o processo de ensino e aprendizagem seja devidamente planeado e não se reduza unicamente às competências do aluno; que incite os colegas a por em prática técnicas e estratégias de ensino e pedagogias de aprendizagem diferenciadas e adequadas. O perfil destes profissionais passa pela competência de ser capaz de se certificar como um indivíduo indutor de renovação de práticas pedagógicas. Para uma actuação activa de profissionais competentes, a inclusão é o caminho a seguir. Nesse sentido à que regenerar a escola na extensão das práticas inclusivas e reconsiderar o papel do professor. A escola inclusiva assumindo-se como modelo a desenvolver e a consolidar, relega para a efeméride os valores da escola tradicional procurando seguir um currículo único, alavancando um modelo novo de aprendizagem cuja qualidade pedagógica assenta no professor. Rodrigues (2003, p.100) chega a declara que “os professores – apesar de serem muitas vezes apontados como os «prevaricadores» da inclusão – são a esperança da inclusão”. As instituições formadoras, categoria em que se integram todos os enunciados relativos às instituições onde deve ocorrer a formação inicial de professores de ensino superior, devem trabalhar os dispositivos pedagógico-didácticos, mas é no interior das escolas que a prática se desenvolve. É no processo ambulatório, da teoria à praxis, que a formação dos professores deve ser arquitectada, devendo instituir comportamentos, acções, postura e atitudes direccionadas para uma profunda transformação no sentido de evoluir para uma nova ordem mundial, modificadora/libertadora, unificada em novas ópticas de educação para a cidadania. Segundo Santos e Guerra (1993, p.50) citando Busquet ironiza a formação inicial no que articula entre a teoria e a prática: 21 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas “Imagine-se uma escola de natação que se dedicasse um ano a ensinar anatomia e fisiologia da natação, psicologia do nadador, química da água e formação dos oceanos, custos unitários das piscinas por usuário, sociologia da natação (natação e classes sociais), antropologia da natação (o homem e a água) e, claro, a história mundial da natação, dos egípcios aos nossos dias. Tudo isto, evidentemente, à base de cursos magistrais, livros e quadros, mas sem água. Numa segunda etapa, os alunos nadadores seriam levados a observar, durante alguns meses, outros nadadores experimentados. E depois desta sólida preparação, seriam lançados ao mar, em águas bem profundas, num dia de temporal.” Nesta perspectiva, referimos o gracejo de Bernard Shaw (1988): “Quem sabe, faz. Quem não sabe, ensina”. Alguém completou este pensamento: “Quem não sabe ensinar, forma professores”. Nóvoa (1991, p. 75) acrescenta: “Quem não sabe formar, faz investigação pedagógica”. Assim, devemos reflectir sobre esta situação, fomentando estudos sobre o docente “inclusivo”, que incidam sobre a formação, o estágio, a relação entre professores e entre a comunidade educativa. Se não existem directrizes concretas sobre a competência “inclusiva”, na prática, torna-se inevitável promover pesquisas que o permitam aferir. Na tentativa de compreender a figura do formador de professores, reflectimos sobre as nossas práticas e contextos, inferindo maior qualidade e operacionalidade a um processo que se quer contínuo. Na República Portuguesa, e em vários países, a formação de professores é feita pelas Universidades e Escolas Superiores de Educação, sem uma ligação directa com as escolas. Por outro lado, os critérios de selecção destes formadores apenas levam em conta as habilitações académicas, menosprezando competências pedagógico-didácticas e, ainda, outras capacidades tais como: sensibilidade, liderança, comunicação, motivação, cooperação e abertura crítica. Segundo Leitão, (2010 p. 9) “No plano da organização das relações socioeducativas no contexto da sala de aula, alguns investigadores têm referido insistentemente que os professores se centram, preferencialmente, no método expositivo, embora nas últimas décadas se tenha feito um grande esforço no sentido de criar modelos e formas de intervenção que reduzam esta tendência e conduzam a uma maior diferenciação pedagógica”. 22 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Muitos métodos de formação têm-se mostrado desadequados e várias reformas, tardias, não trouxeram melhorias significativas. As pessoas implícitas no sistema dificilmente mudam a sua mentalidade e as suas rotinas. A construção de identidades profissionais dos docentes continua a ser um sério problema, reivindicando uma séria reflexão sobre o ensino e a educação, os vários modos de ser professor e a sua relação com a comunidade educativa. Perrenoud (2000, p. 156) salienta que "No mundo académico, a identidade principal, em geral, é disciplinar, ou, eventualmente, interdisciplinar para aqueles que escolhem instalarse num corredor. Os procedimentos universitários de nomeação e promoção privilegiam os trabalhos científicos reconhecidos pela respeitável comunidade de investigadores e não atribuem nenhum peso às práticas de formação”. Capítulo III – Educação Física e Cooperação Não há educação sem a Educação Física. José Dinis (2003) 1 . A Disciplina de Educação Física na educação inclusiva A Educação Física define-se como a apropriação das habilidades técnicas e conhecimentos, na elevação das capacidades dos alunos e na formação de aptidões, atitudes e saberes, como bens de personalidade que representam valor educativo, proporcionadas pela exploração das possibilidades de actividade física adequada, intensa, saudável, gratificante e culturalmente significativa. Constitui a forma fundamental e mais importante de formação corporal das crianças e jovens. A Educação Física centra-se no valor educativo da actividade, quer a nível individual quer social, e contribui para a satisfação pessoal, bem-estar, disponibilidade para as exigências diárias (físicas, cognitivas, emocionais), formação de uma boa imagem, valorização do sujeito, exploração e conciliação das relações interpessoais, prevenção de doenças fisiológicas e psicológicas, formação de atitudes, competências e capacidades. De acordo com Rodrigues (2006), a Educação Física como disciplina curricular não pode ficar indiferente ou neutra ao movimento da educação inclusiva. Fazendo parte 23 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas integrante do currículo oferecido pela escola pode constituir-se como um adjuvante ou obstáculo adicional a que a Escola seja (ou se torne) mais inclusiva. É neste contexto que o Open File on Inclusive Education (2001, citado por Leitão, 2010, p. 231) nos lembra que “o currículo deve ser acessível a todos os alunos, basear-se em modelos de aprendizagem eles próprios inclusivos e acomodar-se a uma diversidade de estilos de aprendizagem”. O aluno com NEE apresenta, entre outros, problemas psicomotores, sendo conveniente realizar exercícios (preventivos), designadamente nas aulas de Educação Física, de forma a trabalhar-se as noções espaciais do próprio corpo, pois a intervenção é tanto mais eficaz quanto mais global for. As características globais comuns a estas crianças são: problemas de noção de corpo, de lateralização e orientação esquerda-direita, de orientação no espaço e no tempo, problemas de representação espacial, problemas de coordenação de movimentos. É necessária a intervenção, na Educação Física, aos níveis do esquema corporal, da lateralidade e da orientação espácio-temporal. No entanto, a par com a realização de actividades de desenvolvimento motor, as aulas desta disciplina são muito importantes, também, para o desenvolvimento integral dos alunos, nomeadamente para a sua auto-estima, sendo de realçar, neste domínio, a imprescindível actuação dos docentes. De facto, como alerta Leitão (2010, p.233): “um dos factores que muito significativamente contribui para a inclusão de todos os alunos nas aulas de Educação Física é a própria atitude aberta, positiva, flexível do professor, o seu desejo e vontade de adaptar as actividades a desenvolver e as condições de ensino e de aprendizagem a utilizar, às características e necessidades de todos os seus alunos”. Os professores de Educação Física têm, tal como acontece, também como os da disciplina de Língua Portuguesa, desde o início do percurso escolar, um papel determinante na colaboração com a educação especial, para que a escola seja, realmente, inclusiva. Para tal, estes profissionais têm ao seu dispor, como estratégia de ensino de excelência, a aprendizagem cooperativa, que, tal como nos elucida Leitão (2010, p. 10), se centra “no aluno e no trabalho colaborativo em pequenos grupos, grupos que se organizam na base das diferenças dos seus membros – a diferença como um valor – e que recorre a uma diversidade de actividades, formas e contextos sociais de aprendizagem”. 24 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas 2. A Educação Física e os Alunos Nas aulas de Educação Física, as actividades de “moving to learn” ultrapassam a aprendizagem da motricidade pois proporcionam, como lembra Leitão (2010, p. 237): “a oportunidade de os alunos, pelo facto de participarem em actividades de carácter motor, em situações de aprendizagem motora, terem acesso a um diversidade de outras aprendizagens, de carácter social, cognitivo, psico-afectivo, comunicacional e interactivo”. A frequência das aulas de educação física por alunos com NEE é, por si só, uma prática inclusiva que lhes esteve vedada muito tempo, apesar de se considerar actualmente que constituem momentos imprescindíveis para o desenvolvimento global de todos os alunos. A Educação Física, iniciada no primeiro ciclo através da educação e expressão físicomotora como suporte efectivo de uma educação básica de qualidade, é essencial para criar condições que permitam que o ensino básico propicie todo um processo de socialização, promovendo aquisições que servirão de suporte a um conjunto de valores que decidiram o perfil de cidadão pretendido, interagindo activamente com a comunidade. Os programas nacionais de educação física, que pressupõem que os professores sintam responsabilidade pela aprendizagem dos alunos, colaborando, activamente, no processo de ensino e aprendizagem, vão ao encontro da essência de uma aprendizagem cooperativa, numa escola inclusiva. Os docentes desta disciplina colaboram, mutuamente, no seio do seu grupo disciplinar, criando um ambiente de confiança e respeito, de dinâmicas de entre-ajuda, de partilha de responsabilidades, no traçar de objectivos comuns, na planificação e avaliação conjunta, sustentado numa cultura cooperativista, lutando “por benefícios mútuos, reconhecendo que todos partilham uma responsabilidade comum” Aincow (1996, p.38). O ensino participativo realizado por professores em espaços comuns e em simultâneo torna-se uma forma de providenciar relações positivas entre todos, por força da cooperação e entreajuda, em prol dos alunos. Como dizem Correia, 2003; Sousa, 1998, Sprinthall, 1994; UNESCO, 1996b) “o objectivo fundamental é apoiar os que mais precisam e promover o seu desenvolvimento e enriquecimento escolar”. Todo o professor deve ter a preocupação o acto de ensinar e deve ter presente o ritmo de aprendizagem do aluno. 25 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas A colaboração entre os intervenientes no acto educativo rege-se por critérios definidos, tais como: ser voluntária, a participação dos diversos intervenientes é igualitária, tem que haver partilha de responsabilidades, de decisões e objectivos comuns, assim como, dos recursos e dos resultados obtidos (Aincow, 1997, Comissão Europeia, 1996;Correia,2003;Madureira e Leite, 2003;UNESCO,1996b). Parte II - Metodologia 1.Problematização e Objectivos Nos dias de hoje, o problema da inclusão de alunos com necessidades educativas especiais (NEE), é uma questão importante no desempenho e avaliações dos educadores. Neste trabalho existe o objectivo de avaliar se a percepção da inclusão de alunos – definida nas três dimensões previamente especificadas, como seja a percepção para as culturas de inclusão, políticas de inclusão, assim como a promoção de práticas de inclusão – difere em função dos grupos disciplinar de proveniência dos educadores. H1 - A percepção dos professores de Educação Física sobre a inclusão de alunos NEE difere relativamente aos professores de Humanidades. H2 - A percepção dos professores de Educação Física sobre a inclusão de alunos NEE difere relativamente aos professores de Ciências. H3 - A percepção dos professores de Educação Física sobre a inclusão de alunos NEE difere relativamente aos de Expressões. 2. Técnicas e instrumentos utilizados na recolha de dados 2.1.Procedimentos utilizados Aplicou-se o programa IBM (SPSS) versão 19, ferramenta informática que permite realizar cálculos estatísticos complexos e visualizar com rapidez os resultados. Tendo em conta o questionário realizaram-se vários testes: teste t-student (teste paramétrico); Anova (teste paramétrico utilizado para comparar grupos em função da sua média) o teste de Levene 26 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas (teste paramétrico à homogeneidade da variância de vários grupos); o teste de Mann-Whitney (teste não paramétrico). 2.2 Questionário – Indicadores para inclusão Escolhemos o questionário de resposta fechada já que este se adequa mais ao trabalho que nos propusemos analisar. O questionário escolhido foi o produzido por Mel Ainscow e Tony Booth (2002), “Index for Inclusion – developing learning and participation in schools”, traduzido para a língua portuguesa pela Associação Cidadãos do Mundo. Este é composto por 3 dimensões: Dimensão A – Criação da Cultura Inclusiva - constituída por 12 itens em estudo; Dimensão B- Promoção de Políticas Educativas Inclusivas - constituída por 15 itens; Dimensão C- Promoção de Práticas Inclusivas - constituída por 16 itens. As categorias podem descrever-se da seguinte forma: Dimensão A – Criação de culturas inclusivas Secção A1 Construir o sentido de comunidade Secção A2 estabelecer valores inclusivos Dimensão B – Promoção de Políticas Educativas Inclusivas Secção B1 desenvolver a escola para todos Secção B2 organizar o apoio à diversidade Dimensão C Promoção de Práticas Inclusivas Secção C1 organizar a aprendizagem Secção C2 mobilizar os recursos A versão portuguesa do questionário é composta por 43 afirmações seguidas de quatro intervalos de resposta, uma escala de Likert e com a seguinte ordem: as respostas estão numa escala composta de 0 a 6 em que 0 corresponde a “ preciso de mais informação “; 2 “discordo “; 4” concordo até certo ponto” e 6 “ concordo inteiramente”. A cada um dos participantes no nosso estudo foi pedido que, para cada uma das afirmações, escolhesse o seu grau de concordância com a mesma, colocando uma cruz no quadro correspondente. 27 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Para Fortin (1999:23), “A investigação, a teoria e a prática estão estreitamente ligadas. A investigação depende da teoria pelo facto de que esta dá um significado aos conceitos utilizados numa situação de investigação. A teoria emana da prática e uma vez válida pela investigação ela retorna à prática e orienta-a”. 3. Análise documental 3.1 Caracterização da amostra Recolheu-se uma amostra de 799 indivíduos, formados em diferentes grupos disciplinares. Estes foram inquiridos quanto a aspectos de caracterização geral, como sejam a idade, o género, as habilitações literárias, o grupo disciplinar a que pertencem, a escola de formação, etc. Tal como se pode verificar no questionário anexo, é parte integrante e fundamental deste, as questões relacionadas com o objectivo fundamental do estudo, ou seja a percepção relativa à inclusão de alunos com necessidades educativas especiais (NEE). O questionário foi aplicado nas Escolas do Ensino Básico e Secundário, do Distrito de Lisboa. O conceito geral da percepção para a inclusão foi subdividido em três dimensões diferentes, a Dimensão A das culturas a inclusão, a Dimensão B das políticas a inclusão e a Dimensão C relativa à promoção das práticas a inclusão. Cada uma destas dimensões é caracterizada no inquérito por várias questões. A análise dos resultados ao inquérito será acompanhada dos respectivos quadros e gráficos, permitindo uma melhor interpretação dos valores obtidos. 28 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Gráfico 1- Género dos inquiridos Em síntese verificou-se que foram inquiridos 496 do género feminino, que representam 62, 08% e 303 do género masculino, que representam 37,92%. Quadro 1 – Tabela de Idades dos inquiridos Idades Menos de 30 anos Masculinos 66 Femininos 116 Total 182 De 30 a 40 anos 117 162 279 De 41 a 50 anos 62 143 205 50 e mais anos 58 75 133 Total 303 496 799 Verifica-se pela análise desta tabela que a maioria dos docentes é do género feminino situando-se no escalão etário, entre os 30 e os 40 anos. Em termos de idades (Tabela 1), o referencial de informação é relevante.com efeito, o peso das classes etárias relativas ao intervalo “30 a 39 anos” e “41 a 50 anos” assume uma diferença inferior a 10% quando se confrontam os dados da amostra, sendo inferior a 19% nas outras duas classes consideradas (com uma sobre – representação da amostra no caso da classe etária “30 a 39 anos” e uma sobre – representação no caso de idades igual ou superiores a 50 e mais anos). No conjunto, as discrepâncias de percentagens é de cerca de 18%. 29 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Gráfico 2- Nível de Ensino A apresentação dos dados relativos às habilitações académicas (à escala do Distrito de Lisboa) verifica-se que a maioria dos docentes que possuem o grau académico de licenciatura é de 405 (50,68%), verifica-se ainda a existência de 91 docentes com o grau de mestre e 54 com o grau de doutoramento. Gráfico 3 – Escolas de Formação Em síntese verifica-se que a maioria dos professores tiveram a sua formação nas Universidade Públicas (47,18%). 30 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Gráfico 4 - Experiência Profissional Observa-se através do gráfico, que a maioria dos professores leccionam há mais de 10 anos (53,94%). Gráfico 5- Tempo na Actual Escola Em relação ao gráfico 5 (Tempo na Actual Escola), 449 (56,19%) professores encontram-se a leccionar à menos de 5 anos na escola onde foram inquiridos. 31 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Gráfico 6- Experiência com Alunos NEE Em síntese, 553 (69,21%) dos professores inquiridos já tiveram experiência com alunos NEE. Gráfico 7 - Grupo Disciplinar Em análise ao gráfico 7 (Grupo Disciplinar) verifica-se que a maioria dos professores que responderam ao questionário pertencem ao grupo de Educação Física, 321 (40,17%) seguindo-se –lhe o grupo das Humanidades, 179 (22,40%),o das Ciências com 104 (13,01%),o das Expressões, 98 (12,26%), a Educação de Infância com 49 (6,13%) e, por último,o 1º Cíclo com 48 (6,03%). 32 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Quadro 2: Tabela de frequências dos grupos disciplinares Frequência absoluta Educação Física 321 Humanidades 179 Ciências 104 Expressões 98 EEduc. Infância 48 1º ciclo 49 Total 799 Frequência relativa Frequência relativa (%) acumulada (%) 40,17 40,17 22,40 62,57 13,01 75,58 12,26 87,84 6,03 93,87 6,13 100,0 100,0 A percepção relativamente às culturas inclusivas de alunos com NEE, a dimensão A, foi representada, para cada indivíduo da amostra, por uma variável que consiste na média das 12 variáveis ordinais (0-preciso mais informação; 2-discordo; 4-concordo parcialmente; 6concordo totalmente) que caracterizam esta dimensão. Da análise do gráfico de box-plot dos vários grupos disciplinares relativamente à variável representativa da dimensão A, verifica-se que os professores do grupo disciplinar de Ciências têm uma percepção para a inclusão que é diferente dos outros grupos disciplinares, apresentando valores inferiores. Enquanto os docentes de Ciências apresentam um valor mediano de 2, os dos outros grupos apresentam um valor aproximadamente 4. Gráfico 8: Grupos disciplinares relativamente à Dimensão A 33 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas No que diz respeito às políticas a inclusão, dimensão B, da análise do gráfico de boxplot verifica-se uma maior diferença entre os vários grupos, o que não se verificava na dimensão A. No entanto, o grupo disciplinar de ciências continua aqui a apresentar uma diferença bastante assinalável relativamente aos outros grupos. Também relativamente a esta dimensão o grupo de ciências apresenta um valor mediano aproximado de 2. Gráfico 9: Grupos disciplinares relativamente à Dimensão B Da análise do gráfico de box-plot seguinte, relativo às práticas a inclusão (dimensão C) observa-se novamente uma grande diferença entre o grupo disciplinar de ciências e os restantes, apresentando estes, entre si, um comportamento relativamente semelhante. Gráfico 10:Grupos disciplinares relativamente à Dimensão C. 34 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Parte III – Apresentação e Análise dos resultados Após a apresentação dos resultados gerais do questionário decidiu-se prosseguir a análise tendo em conta os professores do grupo de Educação Física e os professores do grupo de Humanidades analisando o seu nível de concordância com as medidas ligadas à criação de culturas, políticas e práticas inclusivas. 1.A percepção dos professores de Educação Física sobre a inclusão de alunos NEE difere relativamente aos professores de Humanidades. 1.1.Dimensão A Na primeira hipótese avalia-se se a percepção dos professores de Educação Física sobre a inclusão de alunos NEE difere relativamente aos professores de Humanidades. Da análise dos gráficos no capítulo anterior fica-se com a ideia de que, talvez haja alguma diferença entre os professores de Educação Física e Humanidades no que diz respeito à dimensão das políticas a inclusão. Far-se-á a análise destes grupos para as três dimensões. O teste paramétrico adequado para comparar dois grupos não emparelhados é o teste t-student. Teste que exige a verificação de pressupostos como a normalidade da variável dependente dos grupos e a homogeneidade das suas variâncias. Na Tabela seguinte pode verificar-se que o pressuposto de normalidade é rejeitado para os níveis usuais de significância. Teste de normalidade Kolmogorov-Smirnova Shapiro-Wilk Grupo Disciplinar Sig. Statistic Df Statistic Df Educação A ,071 306 ,001 ,981 306 Física Humanidades ,076 152 ,031 ,985 152 a. Lilliefors Significance Correction Sig. ,000 ,094 Quadro 3: Tabela de resultados dos testes de normalidade da dimensão A dos grupos constituídos pelos docentes de Educação Física e os de Humanidades No que concerne à homogeneidade das variâncias, não existe evidência estatística suficiente para rejeitar a hipótese de igualdade entre a variância dos dois grupos, tal como se 35 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas pode observar na Tabela seguinte, uma vez que o teste de Levene apresenta uma estatística de 1.585 com um p-value associado de 0.209. Teste de homogeneidade e variâncias A Levene Statistic df1 1,585 1 df2 456 Sig. ,209 Quadro 4: Tabela de resultados do teste à homogeneidade das variâncias dos grupos constituídos docentes de Educação Física e os de Humanidades relativamente à dimensão A Uma vez que não se verificam os pressupostos de aplicação do teste t-student, será aplicado o correspondente teste não paramétrico, ou seja, o teste de Mann-Whitney. No caso da dimensão A, conclui-se, por análise das tabelas seguintes, que não existe diferença estatisticamente significativa (U=22752; p-value=0.705) entre a percepção que os dois grupos – professores de Educação Física e de Humanidades –, têm relativamente às culturas inclusivas de alunos com NEE. Test Statisticsa,b Mann-Whitney U Wilcoxon W Z Asymp. Sig. (2tailed) A 22752,000 69723,000 -,379 ,705 Quadro 5: à direita, Tabela dos resultados do Teste de Mann-Withney para comparação dos grupos constituídos docentes de Educação física e os de Humanidades relativamente à dimensão A. Quadro 6: à esquerda, hipóteses do teste de Mann-Whitney. 1.2.Dimensão B Relativamente à dimensão B, tal como aconteceu relativamente à dimensão A, não se verificam os pressupostos de aplicação do teste t-student. Tal como se pode constatar nas tabelas seguintes não se verifica a normalidade da variável dependente nos dois grupos em estudo, observando-se em ambos um p-value de 0.000. Também quanto a homogeneidade das variâncias, obteve-se um resultado (Estatística=13.814; p-value=0.000) que indica a existência de evidência estatística suficiente para, aos níveis usuais de significância, rejeitar a 36 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas hipótese de homogeneidade entre as variâncias da variável dependente (média da dimensão B) dos grupos em análise. Tests of Normality KolmogorovSmirnova Shapiro-Wilk Df Sig. Df Sig. Statistic Statistic ,126 306 ,000 ,958 306 ,000 Grupo Disicplinar Educação B Física Humanidades ,130 152 ,000 a. Lilliefors Significance Correction ,925 152 ,000 Quadro 7: Tabela de resultados dos testes de normalidade da dimensão B dos grupos constituídos pelos docentes de Educação física e os de Humanidades Test of Homogeneity of Variances B Levene Statistic df1 13,814 1 df2 456 Sig. ,000 Quadro 8: Tabela de resultados do teste à homogeneidade das variâncias dos grupos constituídos docentes de Educação física e os de Humanidades relativamente à dimensão B A aplicação do teste de Mann-Whitney teve como resultado as tabelas seguintes, sendo que se conclui que existe diferença estatisticamente significativa (U=18920; pvalue=0.001) entre a percepção que os dois grupos – professores de Educação Física e de Humanidades –, têm relativamente às políticas inclusivas de alunos com NEE. Test Statisticsa,b Mann-Whitney U Wilcoxon W Z Asymp. Sig. (2tailed) B 18920,000 65891,000 -3,254 ,001 Quadro 9: à direita, Tabela dos resultados do Teste de Mann-Withney para comparação dos grupos constituídos docentes de Educação Física e os de Humanidades relativamente à dimensão B. Quadro 10: à esquerda, hipóteses do teste de Mann-Whitney. 37 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Gráfico 11: Gráfico da média, relativamente à dimensão B, dos grupos disciplinares de Educação Física e Humanidades Por análise dos gráficos das médias acima apresentado, assim como por análise do gráfico de box-plot da dimensão B, apresentado na análise exploratória de dados, chega-se à conclusão que os professores de Humanidades têm um percepção mais favorável relativamente às políticas a inclusão do que os professores de Educação Física. 1.3 Dimensão C No que concerne à dimensão C, ou seja, as percepção quanto às práticas a inclusão de alunos com NEE, rejeitaram-se os pressupostos de aplicação do teste t-student para os níveis usuais de significância, tal como se pode verificar nas tabelas ZZ, onde, para o teste de normalidade de ambos os grupos se obteve um p-value de 0.000 e no teste de Levene um pvalue de 0.004. Tests of Normality Kolmogorov-Smirnova Grupo Disicplinar Statistic df Sig. Educação C Física ,081 306 ,000 Humanidades ,113 152 ,000 a. Lilliefors Significance Correction Shapiro-Wilk Statistic df ,977 306 ,942 152 Sig. ,000 ,000 Quadro 11: Tabela de resultados dos testes de normalidade da dimensão C dos grupos constituídos pelos docentes de Educação física e os de Humanidades 38 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Test of Homogeneity of Variances C Levene Statistic 8,178 df1 1 df2 456 Sig. ,004 Quadro 12: Tabela de resultados do teste à homogeneidade das variâncias dos grupos constituídos docentes de Educação física e os de Humanidades relativamente à dimensão C Para os níveis usuais de significância, existe evidência estatística suficiente para afirmar que os grupos em análise diferem relativamente à percepção das práticas a inclusão de alunos com NEE. Test Statisticsa,b C Mann-Whitney U 20375,500 Wilcoxon W 67346,500 Z -2,162 Asymp. Sig. (2-tailed) ,031 Quadro 13: Tabela dos resultados do Teste de Mann-Withney para comparação dos grupos constituídos docentes de Educação Física e os de Humanidades relativamente à dimensão C. Quadro 14: hipóteses do teste de Mann-Whitney. 39 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Gráfico 12: Gráfico da média, relativamente à dimensão C, dos grupos disciplinares de Educação Física e Humanidades No Gráfico acima apresentado, pode verificar-se que os professores de Humanidades apresentam uma percepção mais favorável relativamente às práticas inclusivas do que os de Educação Física. 2.Na segunda hipótese avalia-se se a percepção dos professores de Educação Física sobre a inclusão de alunos NEE difere relativamente aos professores de Ciências. Para testar o objectivo da 2ª hipótese, ou seja, avaliar se os professores de Educação Física têm a mesma percepção que os de ciências, relativamente às dimensões A, B e C, respectivamente, culturas, políticas e práticas a inclusão, considerou-se apenas os elementos da amostra pertencentes a estas duas áreas disciplinares. O número de inquéritos em estudo é de 425 indivíduos, sendo que 321 pertencem ao grupo disciplinar de Educação Física e os restantes 104 pertencem ao grupo disciplinar de Ciências. Nos gráficos da secção anterior, nomeadamente nos gráficos de box-plot, apresentados na análise exploratória de dados, observou-se alguma diferença entre a distribuição destes dois grupos relativamente às três dimensões. A opção paramétrica para avaliar se existe diferenças significativas entre os dois grupos é o teste t-student. A aplicação deste teste implica a verificação de alguns pressupostos, nomeadamente, o teste requer que as duas amostras tenham sido obtidas 40 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas aleatoriamente de duas populações, que as variáveis dependentes possuam distribuição normal e variâncias homogéneas. Pode verificar-se na Tabela abaixo que não são válidos os pressupostos de aplicação do teste t-student para comparar os dois grupos. Verifica-se, relativamente aos dois grupos e a todas as dimensões, a rejeição da normalidade dos grupos. No que diz respeito ao teste de Levene apenas existe evidência estatística suficiente para rejeitar a homogeneidade das variâncias dos grupos de Educação Física e ciências relativamente à dimensão B (políticas a inclusão). Dimensão A Dimensão B (culturas inclusivas) (políticas inclusivas) Teste de Kolmogorov-Smirnov Estatística de teste (Sig.) Educação Física Ciências Decisão (5%) Estatística de Dimensão C (práticas inclusivas) 0.071 (0.001) 0.286 (0.000) Rejeita a normalidade dos grupos Teste de Levene 3.781 0.126 (0.000) 0.256 (0.000) Rejeita a normalidade dos grupos 0.081 (0.000) 0.236 (0.000) Rejeita a normalidade dos grupos 18.179 0.050 0.053 Não rejeita a homogeneidade Mann-Whitney 2767 0.000 Rejeita a homogeneidade 0.823 Não rejeita a homogeneidade 0.000 Rejeita a igualdade dos grupos 0.000 Rejeita a igualdade dos grupos teste p-value Decisão (5%) Estatística de 4898 2656.5 teste p-value Decisão (5%) 0.000 Rejeita a igualdade dos grupos Quadro 15: Quadro Resumo dos resultados do estudo da hipótese da percepção dos profissionais de Educação Física vs os de ciências. Assim, não se verificando os pressupostos, será aplicado o teste não paramétrico para comparar dois grupos independentes, o teste de Mann-Whitney. Da análise da Tabela 15 existe evidência estatística suficiente para rejeitar a igualdade entre a percepção dos indivíduos da área disciplinar de Educação Física e os de 41 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas ciências no que concerne às culturas, políticas e práticas, sendo o p-value de 0.000, rejeita-se a igualdade entre os grupos. Quadro 16 – Tabela das hipóteses testadas da dimensão A Quadro 17 – Tabela das hipoteses testadas dimensão B Quadro 18 – Tabela das hipoteses testadas dimensão C 42 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Pode-se então afirmar que, aos níveis usuais de significância, existe, de acordo com os resultados obtidos e as representações gráficas de box-plot, apresentadas na análise exploratória de dados, os indivíduos da área disciplinar de Educação Física têm uma percepção mais favorável relativamente às várias dimensões da inclusão do que os indivíduos da área de ciências. 3. Na terceira hipótese avalia-se se a percepção dos professores de Educação Física sobre a inclusão de alunos NEE difere relativamente aos de Expressões. Nesta última hipótese em estudo estão dois grupos, o dos professores de Educação Física e os de Expressões, sendo que, o número de inquéritos associado, respectivamente, aos grupos é de 321 e 98, o que faz um total de 419 elementos. Tal como aconteceu nas hipóteses anteriores, os pressupostos de aplicação do teste paramétrico t-student não se verificam, levando por esse motivo à aplicação do teste de MannWhitney. Tal como se observa na tabela seguinte, rejeita-se a hipótese de os dois grupos, relativamente Às três dimensões, tenham distribuição normal. No que concerne ao teste de homogeneidade das variâncias dos dois grupos, apenas na dimensão A não se rejeitou, para os níveis usuais de significância, a homogeneidade destes dois grupos. Dimensão A Dimensão B (culturas inclusivas) (políticas inclusivas) Teste de Kolmogorov-Smirnov Estatística de teste (Sig.) Educação Física Expressões Decisão (5%) Estatística de teste p-value Decisão (5%) 0.071 (0.001) 0.092 (0.050) Rejeita a normalidade dos grupos Teste de Levene 0.004 0.949 Não rejeita a homogeneidade Mann-Whitney 0.126 (0.000) 0.081 (0.148) Rejeita a normalidade dos grupos Dimensão C (práticas inclusivas) 0.081 (0.000) 0.107 (0.010) Rejeita a normalidade dos grupos 5.030 0.025 Rejeita a homogeneidade 4.606 0.032 Rejeita a homogeneidade 43 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Estatística de teste p-value Decisão (5%) 14214.5 0.864 Não rejeita a igualdade dos grupos 13869 0.600 Não Rejeita a igualdade dos grupos 13897 0.620 Não rejeita a igualdade dos grupos Quadro 19: Quadro Resumo dos resultados do estudo da hipótese da percepção dos profissionais de Educação Física vs os de Expressões. Tanto na tabela anterior, como nos gráficos procedentes, verifica-se que, relativamente as estes dois grupos e para todas as dimensões da inclusão – culturas, políticas e práticas –, não existe evidência estatística suficiente para rejeitar a hipótese de igualdade entre os grupos como demonstra a tabela, cujo o p-value é superior a 0.005, ou seja, a percepção, relativamente às várias dimensões da inclusão de alunos com NEE, dos grupos de professores de Educação Física e os de Expressões, não difere significativamente. Quadro 20 – Tabela de distribução do grupo de Educação Física e de Expressoes na dimensão A Quadro 21 – Tabela de distribuição do grupo de Educação Física e de Expressoes na dimensão B 44 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Quadro 22 – Tabela da distribuição do grupo de Educação Física e de Expressoes na dimensão C. Parte IV - Principais conclusões do estudo Esta investigação procurou saber quais as percepções dos professores dos diferentes grupos disciplinares sobre a percepção que os docentes têm em relação às três dimensões: A, B ,C e compreender onde se encontram mais fragilidades, através dos sujeitos que se encontram directamente envolvidos no processo. Os resultados da literatura cientifica em geral demonstram que as percepções dos professores são uma boa medida de qualidade da conduta dos mesmos, e sublinham a necessidade dos programas de formação não se basearem unicamente nas suas percepções mas sim valorizar a atribuição de condutas dos professores. No que se refere à H1, verificou-se que na: Dimensão A, as questões da investigação colocadas confirma a existência de diferenças não significativas, na percepção que os dois grupos – professores de Educação Física e de Humanidades –, têm relativamente às culturas inclusivas de alunos com NEE. Quanto a dimensão B, conclui que existe diferença estatisticamente significativa na percepção que os dois grupos – professores de Educação Física e de Humanidades –, têm relativamente às políticas inclusivas de alunos com NEE. Para a dimensão C, existe evidência estatística suficiente para afirmar que os grupos em análise diferem relativamente à percepção das práticas a inclusão de alunos com NEE. 45 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas A H2 têm maior peso significativo nas percepções dos professores de Educação Física em relação ao de Ciências. Existe evidência estatística suficiente para rejeitar a igualdade entre a percepção dos professores do grupo disciplinar de Educação Física e os do grupo de ciências no que concerne às culturas, políticas e práticas. Sobre a H3, verifica-se que tanto o grupo das Expressões como o de Educação Física, não evidenciam diferenças significativas. Após a detalhada e sistemática análise e discussão efectuada ficou clara a existência de diferenças entre as percepções dos docentes dos vários grupos disciplinares. Os dados apresentados no presente estudo corresponde ao apuramento, análise e sistematização dos principais resultados do inquérito dirigido a Professores e Educadores, sobre as percepções relacionadas com as culturas, políticas e práticas a inclusão nas Escolas do Ensino Básico e Secundário no Distrito de Lisboa. A amostra é significativa pelo universo de participantes (799) e pela importância que tem para o Ensino. Da análise efectuada sobre a percepção dos indivíduos formados em Educação Física em comparação com outros de diferentes grupos disciplinares, quanto às culturas, políticas e práticas a inclusão de alunos com necessidades educativas especiais, resultaram os seguintes aspectos fundamentais: 1. Os professores de Educação Física têm uma percepção mais favorável quanto à inclusão de alunos com NEE do que os professores do grupo disciplinar de Ciências, em todas as vertentes da percepção relativamente à inclusão, ou seja, culturas, políticas e práticas a inclusão, como se pode concluir em resultado da aplicação dos testes t-student e Mann-Whitney os quais apresentaram os seguintes resultados. 2. Os professores do grupo disciplinar de Humanidades têm uma percepção mais favorável relativamente à inclusão de alunos com NEE do que os de Educação Física, no que concerne às políticas e práticas a inclusão. Relativamente às culturas, não se verificou uma diferença significativa. 3. Correspondente à hipótese, a percepção dos professores de Educação Física sobre a inclusão de alunos NEE difere relativamente aos de Expressões, pelos testes t-student e Mann-Whitney não se verifica significância, ou seja, os professores de Educação Física não têm uma percepção da inclusão de alunos com NEE significativamente diferente dos de Expressões. 46 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Sintetizando os resultados apresentados anteriores verificamos que a visão da escola tradicional está a mudar ao integrar todos os alunos da sua comunidade educativa, ou seja, por força da legislação em vigor, a qual potência o desenvolvimento de competências universais em todos os alunos e com todos o que permite ganhar autonomia para uma plena cidadania. Neste processo a construção de uma escola inclusiva é feita diariamente em resultado da interacção dos professores que procuram através de culturas, políticas e práticas inclusivas irem ao encontro de um ambiente mais rico, criativo e inovador numa perspectiva de sucesso de todos e para cada um. Sugere-se a realização de outros estudos noutras regiões, que permitam comparar resultados e detectar outras variáveis que possam influenciar as percepções dos professores relativamente a inclusão de alunos NEE. Para terminar e de acordo Ainscow “verifica-se que a cultura de um local de trabalho tem um impacto directo na forma como os professores vêem o seu trabalho” (1997, p:21) 47 Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias - Faculdade de Educação Física Amílcar Fernando Caldeira Calvinho - Percepções dos professores sobre as culturas, políticas e práticas inclusivas Referências Bibliográficas Ainscow, M. (1995). 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