Cultura de avaliação institucional e gestão das IES: significado e atuação da CPA Universidade Estadual de Goiás (UEG) Eixo I - Criação de estratégias e metodologias para o trabalho das CPA Francisco Heitor de Magalhães Souza (Universidade Estadual de Goiás) Arlete de Freitas Botelho (Universidade Estadual de Goiás) Jandernaide Resende Lemos (Universidade Estadual de Goiás) Resumo Tendo como base referencial a experiência desenvolvida na Universidade Estadual de Goiás (UEG), discutimos neste artigo percursos, significados e a atuação da Comissão Própria de Avaliação (CPA) que se explicitam na formação da cultura de avaliação institucional e na gestão das instituições de educação superior (IES). Em nosso país, essa vertente de estudos tem suas origens nos processos avaliativos institucionais que vêm sendo efetivados nos meios acadêmicos brasileiros desde os anos 1980. Vários pesquisadores – entre os quais: Isaura Belloni, José Dias Sobrinho, Luiz Carlos de Freitas, Maria Izabel da Cunha, Denise Leite, Dilvo Ristoff, Hélgio Trindade... – destacam-se nas análises dos problemas avaliativos institucionais. Observemos, todavia, que passamos a ter orientações e diretrizes para a avaliação institucional de nossas IES, apenas com a implantação do Sistema Nacional de Avaliação de Educação Superior (SINAES), por meio da Lei nº 10.861, de 14/04/2004. A partir de então a CPA assume papel chave na orientação e/ou operacionalização dos processos avaliativos institucionais das IES. A experiência desenvolvida na UEG de avaliação institucional e, especialmente, de autoavaliação, tem tornado evidente a função que assume, para o bem e para o mal, a CPA na formação de uma cultura de avaliação institucional, ou quando se trata de proposições e gestão de políticas institucionais, ao adquirir um significado específico e datado. Nossos resultados apontam, em um primeiro momento – que abarca os primeiros doze anos de existência da UEG, de 1999 a 2011 –, certa leniência e conformismo em face às dificuldades de se efetivar uma autoavaliação institucional abrangente e rigorosa, tendo em vista os óbices interpostos pelos gestores do período: optou-se por metodologias e procedimentos avaliativos que não expusessem aberta e publicamente os problemas institucionais. Em um segundo momento, que se inicia em 2012, a orientação metodológica toma outra configuração sem, contudo, até o momento, superar posições culturais já inculcadas, resistentes a mudanças, fundadas, inclusive, em tradições locais vinculadas ao provincianismo, ao patrimonialismo, ao clientelismo, ao fisiologismo e outras categorias obscuras no trato da coisa pública. Tendo em vista esses problemas, nossos estudos apontam para a necessidade de redimensionamento e de requalificação do significado e da atuação da CPA na UEG. A perspectiva é que consigamos estabelecer, no curto prazo, CPA que promova concretização de processo avaliativo participativo, formativo e democrático, assegurando, desse modo, a efetivação de uma educação superior de qualidade social relevante. Palavras-chave: Cultura de avaliação institucional. Gestão das instituições de educação superior. Comissão própria de avaliação. 1 1 Políticas e gestão das IES e a avaliação institucional Destacadamente a partir da década de 1990, com os apontamentos feitos pelo Banco Mundial (1994), quanto às possibilidades de ações do Estado, as políticas públicas educacionais fundadas no neoliberalismo incidem na gestão das instituições de educação superior brasileiras, tornando-se marcantes no que diz respeito, entre outros, aos seguintes aspectos: financiamento, expansão voltada para a privatização e avaliação. Com base nesses fundamentos iniciais, discutimos no presente artigo a importância da avaliação institucional, na categoria específica da autoavaliação das instituições de educação superior (IES), enfocando no papel das Comissões Próprias de Avaliação (CPA), uma das estruturas organizativas para o estabelecimento de meios e de estratégias, na busca da qualidade da educação superior, tema já pautado naquele período. O Banco Mundial, na sua condição de organismo de cooperação internacional, acabou por influenciar nas ações do Estado brasileiro ao inserir em seus documentos de acordos, condições para apoio financeiro à redução da pobreza no país que se refletiram diretamente na educação. Ao destacar a educação fundamental como prioridade para investimentos, colocava em perspectiva melhoria das condições dessa etapa da educação básica, porém, na educação superior, apontava políticas restritivas de aplicação de recursos públicos, ao tempo em que sinalizava com a necessidade de elevação da qualidade da educação. Ao ser dado atendimento pelo Estado brasileiro às cláusulas contratuais que concerniam à educação superior, imediatamente esse nível de educação passou por período de sérias transformações, caracterizado por crises, como a que atingiu a universidade pública, em virtude das inúmeras pressões que sofria, e com o desencadeamento de políticas expansionistas que atingiram fortemente as IES privadas. O Banco Mundial (1994) avaliara as perspectivas de reforma da educação brasileira, tais como incentivo à sua expansão, o que o levou a sugerir estratégias que melhorariam o sistema de educação superior. Isso no final da década de 1990, período no qual foi criada a Universidade Estadual de Goiás. Ressaltemos que o incentivo ao processo de expansão, paralelo à redução de financiamento às IES públicas, expresso em acordos do Governo brasileiro com o Banco Mundial, não se referia a essas instituições públicas, mas sim à privatização da educação superior. Foi nesse contexto, de algum modo contrariando a lógica da época, que a UEG foi criada em 16 de abril de 1999, pela Lei nº 13.456, ocorrendo um importante passo no sentido de expansão universitária interiorizada em Goiás. A preocupação dos gestores estaduais e dos políticos goianos era o atendimento à demanda reprimida no interior do Estado, com oferta de ensino público, tendo em vista as exigências da sociedade, que acontecia por meio de manifestações públicas e, também, a condição econômica real da população, cuja maioria não podia arcar com os custos da educação privada. Estão, portanto, em pauta nos anos finais do século XX no Brasil, a expansão e a elevação da qualidade da educação superior. Dias Sobrinho (2008) e Morosini (2008), entre outros, argumentam que a qualidade na educação superior ganhou destaque na agenda de governos, movimentos sociais, pesquisadores, professores, pais, estudantes. Alcançar uma educação de qualidade é um enorme desafio, exige comprometimento político, envolvimento da sociedade e um conjunto de ações a serem desenvolvidas, com o compromisso de melhoria da sociedade como um todo. As tomadas de decisão por parte dos gestores tem nos resultados do processo avaliativo uma ferramenta básica, 2 um vetor de indução das mudanças, no sentido de se constituir em modelo que contemple a realidade concreta e a racionalidade. Observemos, todavia, que no âmbito da avaliação lidamos com orientações e significados quase sempre merecedores de questionamentos consistentes e atenção crítica. De acordo com Dias Sobrinho (2000, p. 186), “... os grandes organismos internacionais ... notadamente o Banco Mundial, elaboraram propostas para a educação no marco da globalização, compreendendo a avaliação institucional como parte ativa das estratégias a serem desenvolvidas”. Na finalidade de contemplar essa orientação de se desenvolver novas políticas para as IES, o Banco Mundial (1994) apresentou no seu relatório, propostas que devem ser observadas como meios para garantir a qualidade, a adaptabilidade e a equidade, com destaques para o ensino, a pesquisa, a docência, a qualificação dos docentes, além do fortalecimento dos mecanismos de regulação e de avaliação. Por sua própria natureza, a instituição de educação superior traz em sua constituição uma realidade histórica, social e cultural. Tem compromisso e responsabilidade com a sociedade, com a cultura, o que implica em sua inserção no largo campo da(s) ciência(s). Origina-se daí a motivação para o estabelecimento do enfoque na avaliação institucional, como uma das principais características evidenciadas no contexto das políticas públicas nos últimos anos, como processo para a busca da qualidade, por meio do conhecimento científico. O processo avaliativo permite à IES buscar a compreensão de seus problemas. Busca esta que possui intencionalidades em relação à sociedade, constituída por culturas diversas e com visões de um mundo plural, complexo, universal. Hoje, para podermos estabelecer níveis de qualidade de uma IES é necessário conhece-la, por meio de avaliação interna e externa. Nesse contexto, que demanda questionamentos permanentes, a avaliação tomou forma de medida de eficiência processual, na busca de significados para a qualidade das ações desenvolvidas na IES, na busca do real significado que possui enquanto instituição social. Assim, atendendo à necessidade de sua estruturação, criou-se o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), por meio da Lei nº 10.861, em 14 de abril de 2004. O SINAES é formado por três componentes ou meios operacionais: (1) a avaliação institucional (AVALIES), subdividida em avaliação interna ou autoavaliação e avaliação externa; (2) a avaliação de cursos de graduação (ACG); e (3) o exame nacional de desempenho dos estudantes (ENADE). Estamos diante de um sistema bastante complexo, dos mais abrangentes do mundo e que é permanentemente questionado pela comunidade que abrange, questionamentos que vão da elaboração de indicadores até a autonomia das instituições, por exemplo. Questionar em avaliação é fundamental, avaliar é ação crítica permanente e reflexão contínua. Em consequência, são várias os procedimentos necessários para a obtenção de resultados que tenham significados para a gestão de uma instituição de educação superior, levando-a a novos patamares, constituindo cultura de avaliação, com significado humano. Segundo Dias Sobrinho (2002, p. 84) o programa que envolve a avaliação, “... é um sistema de ideias, princípios, metas, objetivos, concepções, metodologias, suas práticas correspondentes e os efeitos que produz, enquanto práticas organizadas de comunidade ou grupos humanos”. 2 CPA e cultura de avaliação institucional O autoconhecimento institucional que a avaliação interna proporciona é uma oportunidade de (re)conhecer, em sua totalidade, a realidade, as contradições e as 3 mediações presentes nas diversas instâncias e atividades que dão corpo e forma à IES, por meio dos olhares de todos aqueles que a compõem. Conforme orienta a Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (CONAES), órgão coordenador e supervisor do SINAES, um processo avaliativo relevante e significativo contempla o núcleo constitutivo comum a todas as IES, além dos temas que explicitam a realidade de cada instituição. A avaliação institucional deve também levar em conta a documentação, os dados e os indicadores, subsídios que visam contribuir com a interpretação e as análises dos resultados obtidos no processo avaliativo. (SINAES, 2007) Para o desenvolvimento desse processo entra em cena a CPA que, conforme estabelece a Lei nº 10.861/2004, do SINAES, em seu artigo 11, é a instância específica de avaliação das IES. Suas atribuições e competências estão ratificadas na Portaria nº 2.051, de 9 de julho de 2004: Art. 7º As Comissões Próprias de Avaliação (CPAs), previstas no Art. 11 da Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004, e constituídas no âmbito de cada instituição de educação superior, terão por atribuição a coordenação dos processos internos de avaliação da instituição, de sistematização e de prestação das informações solicitadas pelo INEP. § 1º As CPAs atuarão com autonomia em relação a conselhos e demais órgãos colegiados existentes na instituição de educação superior; § 2º A forma de composição, a duração do mandato de seus membros, a dinâmica de funcionamento e a especificação de atribuições da CPA deverão ser objeto de regulamentação própria, a ser aprovada pelo órgão colegiado máximo de cada instituição de educação superior, observando-se as seguintes diretrizes: I - necessária participação de todos os segmentos da comunidade acadêmica (docente, discente e técnico-administrativo) e de representantes da sociedade civil organizada, ficando vedada à existência de maioria absoluta por parte de qualquer um dos segmentos representados; II - ampla divulgação de sua composição e de todas as suas atividades. Autonomia, regulamentação própria, participação de todos os segmentos acadêmicos, além de ampla divulgação de sua composição e de suas atividades são aspectos que chamam a atenção nesse instituto legal, denotando a necessidade do desenvolvimento da cultura de avaliação nos meios educacionais brasileiros, como um importante aspecto que deve ser reconhecido e assumido coletivamente por toda a comunidade acadêmica. Esse caráter democrático da CPA tem o sentido de estimular a cultura da avaliação institucional que, por seu turno, pode gerar consequências operacionais importantes. Quando bem desenvolvido, o processo avaliativo proporciona uma oportunidade para o autoconhecimento, a autocrítica, permitindo tomadas de decisões de caráter político, pedagógico e administrativo, porque os resultados assim o permitem e justificam. Evidentemente que essas decisões estão relacionadas aos níveis de engajamento ou sensibilidade dos protagonistas, em boa parte gestores e políticos, que tem capacidade de influenciar os rumos da IES. Nesse amplo espectro, no qual está inserida a criação de uma cultura de avaliação institucional na IES, as metodologias a serem adotadas pela CPA, como condutoras do processo avaliativo, devem ser elaboradas, de maneira a possibilitar o desenvolvimento da cultura que aqui nos referimos. Nesse contexto, cabe à CPA responsabilidade desde a organização e o desenvolvimento da autoavaliação, até a interpretação e a análise dos dados, bem como a divulgação no meio acadêmico dos resultados obtidos, na finalidade de garantir a legitimidade e a legalidade de suas ações. Legalidade e legitimidade são categorias conceituais presentes no processo avaliativo institucional. A legalidade da avaliação institucional e da CPA estão 4 expressas nos documentos oficiais que regulam o SINAES, regulamentação essa que orienta as ações de controle dos órgãos governamentais sobre a avaliação desenvolvida nas IES. A legitimidade, segundo Weber (1994), acontece pela atitude interna, a partir do coletivo envolvido, buscando-se, principalmente, seus próprios valores morais, enquanto avaliador de si próprio. A atitude externa também tem interferência direta no processo avaliativo, por meio do interesse do Estado, no que diz respeito a medida e a controle. A legitimidade ocorre, com efeito, também por e como interesse da própria comunidade acadêmica, que tem a necessidade de se autoconhecer, independentemente do direito ou existência de coação. Todavia, a falta de reconhecimento quanto à legitimidade de processos avaliativos ainda permeia parte da comunidade acadêmica brasileira, o que certamente provoca fragilidades no sistema adotado no Brasil. Análise publicada por Fonseca e Oliveira (2007), na qual investigou por meio das CPAs, projetos e desenvolvimento da autoavaliação, o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, a Avaliação das Condições de Ensino etc., busca demonstrar que os resultados do SINAES ainda não teriam sido capazes de criar uma cultura efetiva de avaliação no interior das IES. Fonseca e Oliveira (2007), entre outros aspectos, destacam que apesar da vinculação entre a avaliação e a qualidade ser recomendada nos documentos oficiais e nos projetos de autoavaliação das IES, esta relação ainda não apresenta parâmetros suficientes para a construção de um conceito consistente de qualidade. Afirmam que os resultados da avaliação institucional – envolvendo instituições, cursos e alunos – continuariam reforçando mais o caráter concorrencial que expressa a qualidade concorrencial da empresa capitalista, do que o desenvolvimento das IES no que diz respeito à sua história, finalidades, especificidades, autonomia, etc. Fazem também referência à regulação/controle, como uma das finalidades do SINAES, que estaria se sobrepondo à avaliação para o desenvolvimento autônomo das instituições de educação superior, de acordo com sua missão específica e em prejuízo da qualidade da formação. No caso de nossa base empírica de reflexão que é uma instituição com pouco mais de uma década de existência, a UEG, as constatações são diferentes. Sua criação recente implica na ausência não apenas de uma cultura de avaliação institucional, mas também na ausência de práticas consistentes de discussão, de questionamento e de superação de obstáculos ou rotinas muito ligadas a postura provincianas e a práticas clientelísticas. Lidamos cotidianamente com o enfrentamento de desafios que podem ser superáveis. Um deles é, sem dúvida, a necessidade que possui nossa comunidade acadêmica de desenvolver a consciência de que avaliação não se traduz na identificação de problemas que levam à punição, mas na busca de mecanismos garantidores de maior efetividade na gestão institucional e na atribuição de sentido público a uma IES pública. No processo avaliativo institucional, conforme a estrutura estabelecida pelo SINAES, a Comissão Própria de Avaliação é basilar e estratégica. Suas atribuições e competências concernem à avaliação da totalidade da IES. Seu objetivo é fortalecer a missão, os compromissos educativos, culturais e sociais da IES. Contudo, na prática, como configura-se o desempenho da CPA, diante da ausência na comunidade acadêmica de uma cultura avaliativa? A esse respeito é interessante lembrar que em nosso país, a vertente de estudos no campo da avaliação institucional tem suas origens nos projetos e análises que vêm sendo levados a efeito nos meios acadêmicos brasileiros desde os anos 1980, com intensificação nos anos 1990. Vários pesquisadores – entre os quais: Isaura Belloni, José Dias Sobrinho, Luiz Carlos de Freitas, Maria Izabel da Cunha, Denise Leite, Dilvo Ristoff, Hélgio Trindade... – destacam-se na realização de projetos de avaliação/autoavaliação institucional, em suas IES de atuação, o que implica na 5 evidência de início de processo de construção objetiva de cultura nesse campo somente a partir de então. 3 Caminhos percorridos: experiências em avaliação institucional na UEG Os estudos e as atividades avaliativas na UEG iniciaram-se em 2000, um ano após a sua criação (1999), com a constituição da Comissão de Avaliação Institucional, por meio da Portaria/Gab. nº 11, de 15/03/2000,i assinada pelo então reitor, José Izecias de Oliveira. Nesse mesmo ano, mediante Portaria/Gab. nº 40, de 02/08/2000, o reitor designa três integrantes dessa comissão como auditores de qualidade e avaliação, para desenvolverem atividades na Comissão Permanente de Avaliação Institucional da UEG (CPAI/UEG).ii Encontrar alguns registros, deste momento inicial de trabalhos sobre a avaliação na UEG, a exemplo do “esboço” do projeto de avaliação desenvolvido naquela oportunidade, não foi tarefa fácil. Entretanto, obtivemos êxito em reconstituir informações significativas, referentes a esse período do processo de implantação da avaliação institucional na UEG pesquisando, especialmente, nos arquivos funcionais daqueles que participaram deste processo e nos documentos institucionais. A partir de março do ano 2000 os trabalhos foram desencadeados pela Comissão de Avaliação Institucional. Inicialmente foram constituídos e instalados os Núcleos de Avaliação Institucional (NAIs), instâncias descentralizadas nas quais as atividades avaliativas passaram a ser desenvolvidas nas Unidades Universitáriasiii da UEG (UnUs/UEG). Ao todo foram instalados 29 NAIs. Mesmo diante das dificuldades enfrentadas pela CPAI/UEG – tanto junto à comunidade acadêmica como por razões administrativo-operacionais – para iniciar o processo avaliativo, a avaliação institucional na UEG, respaldada pela legislação vigente, teve sua origem fundada em uma proposta aberta que visava a criação de uma cultura de avaliação de forma coletiva, participativa e democrática. Pela primeira vez, a comunidade acadêmica da UEG foi convidada para discutir, planejar e executar os primeiros passos da longa caminhada a ser trilhada pela mais nova universidade do Estado de Goiás. Caminhada que se sintetiza na constituição e consolidação de uma universidade estadual pública, gratuita e multicampi. Lembremos que ao ser criada, em 1999, a UEG contava com 28 Unidades Universitárias, distribuídos em 16 das 18 microrregiões existentes no Estado. Ao longo de praticamente dois anos (2000-2002) a CPAI/UEG realizou estudos, palestras e vários momentos de informação e de sensibilização sobre a avaliação institucional, em especial, junto aos integrantes dos NAIs. Contudo, esses procedimentos estenderam-se a toda comunidade acadêmica da UEG, visando a colocar em prática as ações delineadas em torno da elaboração do projeto de avaliação institucional, de forma participativa. Na oportunidade, era crucial para a universidade a efetivação de um movimento no interior das Unidades Universitárias, na reitoria/administração central e nos Polos Universitários,iv para assim promover as mudanças necessárias ao início do processo avaliativo institucional. Nesse período, com o objetivo de ampliar as discussões e trocas de experiências em torno da temática da avaliação institucional, a CPAI/UEG associou-se ao Núcleo Goiano de Avaliação (NGAI),v constituído e instalado na Universidade Federal de Goiás (UFG). Como resultado dessa associação da CPAI/UEG com o NGAI,vi a UEG tornou-se a patrocinadora de dois dos eventos realizados nesse âmbito, os Encontros Goianos de Avaliação Institucional, em 1999 e 2000, respectivamente. No encontro de 1999, a UEG participou do debate sobre a Avaliação Institucional em Goiás: Novas 6 Propostas – UFG, UCG, UEG. Em 2000, o encontro debateu o tema Avali-Ação – um duplo desafio: Avaliar e Agir. A avaliação institucional que, de modo participativo, vinha constituindo-se na UEG, teve suas atividades parcialmente interrompidas, no período entre 2000 e 2002, seu primeiro ciclo de vigência, em função do surgimento de “novas demandas e frentes institucionais” que requeriam atenção e dedicação da CPAI/UEG. Com efeito, por designação do reitor,vii foi estabelecido que alguns de seus membros participassem dos trabalhos voltados para o credenciamento da UEG, junto ao Conselho Estadual de Educação de Goiás (CEE/GO). Desse modo, os membros designados passaram a desenvolver os trabalhos aos quais a portaria referia-se, a saber: estudos e levantamentos de dados sobre os mais diversos aspectos acadêmicos e administrativos da UEG, em atendimento as exigências de seu processo de credenciamento. Esse processo de credenciamento demandou atenção especial da CPAI/UEG, pois tratava-se de garantir o funcionamento da universidade, sua regularização institucional, quanto ao reconhecimento ou renovação de reconhecimento dos aproximadamente 57 cursos existentes. Juntamente com os trabalhos desenvolvidos, foram elaborados 34 novos projetos para os cursos que necessitavam de autorização junto ao CEE/GO e aos próprios conselhos da UEG. No entendimento dos membros da CPAI de então, em defesa dessa ação emergencial, cujo resultado foi a organização da documentação para o credenciamento da UEG – e, consequentemente, a garantia da sua continuidade institucional –, realizava-se uma das inúmeras atividades avaliativas, próprias de uma comissão de avaliação, portanto estar-se-ia no âmbito da avaliação institucional. Observemos que foram vários os estudos desenvolvidos pela CPAI/UEG. Produziram estudos sobre os quadros docente e técnico-administrativo; sobre a situação e a organização funcional; sobre os discentes; sobre a criação do sistema de controle acadêmico da UEG; além do levantamento histórico dos cursos; do levantamento da infraestrutura física e patrimonial; do levantamento das legislações das IES isoladas que agora compunham a UEG, sendo elas: a Universidade Estadual de Anápolis (UNIANA) e outras 13 IES, mantidas com recursos públicos municipais e/ou estaduais, já existentes em Goiás, que se encontravam em funcionamento por ocasião da criação da UEG; e ainda, em 2000, foi realizado o primeiro Censo da UEG, em atendimento às orientações do MEC/INEP. Em suma, a realização de autoavaliação, a coleta de dados mediante instrumento apropriado, por meio de questionário elaborado especificamente para levantar, verificar, para analisar os processos e os produtos, as fragilidades e as potencialidades da UEG, isto não foi realizado pela CPAI, no primeiro ciclo de avaliação institucional da UEG, no biênio 2000-2002. No início de 2003, a Universidade Estadual de Goiás cria a Comissão de Assessoria em Avaliação Institucional (CAAI),viii com o objetivo de assessorar o gabinete da Reitoria e a Assessoria para Assuntos Institucionais, ainda preservando-se vinculação das atividades de avaliação institucional ao recredenciamento. Conforme o Relatório de Autoavaliação, ano base de 2005, os trabalhos da CAAI, [...] em sua primeira etapa, realizada no período 2003-2004, avaliou por amostragem em 12 municípios o Programa Universidade dos Trabalhadores da Educação (graduação), também conhecido por Programa de Licenciatura Plena Parcelada (LPP), desenvolvido com a finalidade de formar professores em exercício nos sistemas de ensino estadual, municipais e particular, porém não habilitados em nível superior. (2005, p.14) 7 Ainda no ano de 2003, a equipe da CAAI dedicou-se a estudos, à institucionalização e à elaboração do programa de avaliação institucional da UEG, bem como ao desenvolvimento de projetos de pesquisa de conteúdo avaliativo, nas Unidades Universitárias da UEG.ix Foram desenvolvidos três projetos, um no âmbito da graduação, outro no âmbito da pós-graduação lato sensu – na época não existiam cursos stricto sensu – e um terceiro, no âmbito da extensão. Nessa primeira etapa a CAAI também avaliou, por amostragem, os cursos de pós-graduação lato sensu desenvolvidos em algumas das Unidades Universitárias da UEG. Em 2005, cabe destacar a realização do Curso de Pós-Graduação em Avaliação Institucional, especialização na qual foram capacitados 56 profissionais que atuavam na UEG, 46 dos quais eram professores e 10 eram técnicos administrativos. Dessa especialização, seguramente uma das primeiras ocorridas no Brasil, pós SINAES, resultaram diversas monografias que passaram a constituir produção inédita da UEG na área da avaliação institucional. Em 2006, foi desenvolvido o projeto de pesquisa O desafio da construção da cultura da avaliação institucional na UEG. No Relatório Geral de Avaliação Institucional, relativo ao período de 2006-2007, que dá prosseguimento ao Programa de Autoavaliação da UEG, consta a avaliação de 31 cursos ofertados no segundo semestre de 2006, sendo 26 cursos de graduação plena e 5 cursos superiores de tecnologia, ministrados em 29 Unidades Universitárias da UEG. O relatório final de 2008 apresenta os resultados da pesquisa em avaliação institucional da UEG sobre a autoavaliação dos cursos de graduação, referentes ao anobase de 2007. A autoavaliação abrangera 31cursos ofertados no segundo semestre de 2007, sendo 26 cursos de graduação plena e 5 cursos superiores tecnológicos, ministrados em 31 Unidades Universitárias da UEG. Não há registros de outras pesquisas realizadas pela CAAI, além destas citadas.x Em virtude de processos institucionais internos no período de 2009 a 2011, que se configuraram como uma crise de gestão de uma IES pública, gerida sob padrões patrimonialistas e fisiológicos, não foram concluídos todos os procedimentos relativos ao tratamento dos dados e informações de avaliação institucional da UEG, levantados nesse triênio. Ainda em 2011, sob a prolongada crise de gestão que atravessava a universidade, controlada apenas a partir do final do ano, por meio de intervenção do Governador do Estado, com a destituição e substituição do então reitor,xi inicia-se outra etapa da implantação da avaliação institucional na UEG. Fora criada a Gerência de Avaliação Institucional, a partir da reforma administrativa do Estado, Lei nº 17.257, de 25/02/2011, que deu estrutura organizacional complementar da Universidade Estadual de Goiás, na qual passa a ter vigência o critério de meritocracia para a escolha de gestores. Critério este que teve sua regulamentação por meio do Decreto nº 7.275, de 04/04/2011. Conforme o artigo 30, Parágrafo Único, do Decreto nº 7.441, de 08/09/2011, que aprova o Estatuto da UEG, a Gerência de Avaliação Institucional é órgão da reitoria, vinculado ao gabinete do reitor. Sua atuação é voltada para o desenvolvimento da qualificação acadêmica, científica e cultural da universidade, contribuindo, em especial, para seu planejamento acadêmico e administrativo, ao identificar estratégias, instrumentos e ações institucionais necessárias para a formulação de políticas de mais largo alcance, além de fornecer subsídios para a necessária prestação de contas à sociedade. Enquanto estrutura administrativo-burocrática, a Gerência de Avaliação 8 concentrou as atribuições de planejar, desenvolver, coordenar e supervisionar a execução da política da avaliação institucional. Neste mesmo ano de 2011 a Comissão Própria de Avalição da UEG (CPA/UEG) foi reestruturada, passando a ser composta pela equipe da Gerência de Avaliação (presidente e vice-presidente); por representantes dos segmentos acadêmicos (docente, discente, técnico-administrativo e gestor); e pela representação de todas as 42 Unidades Universitárias, bem como da administração central da UEG.xii Após a reestruturação da CPA, coube-lhe a tarefa de elaborar o Projeto de Autoavaliação da UEG – Ciclo 20122013, com a finalidade de efetivar a autoavaliação da UEG. Em atendimento as orientações contidas na Lei nº 10.861, de 14/04/2004 (SINAES) e, por se tratar de um sistema voltado para a cooperação com os sistemas de educação dos Estados e do Distrito Federal, nesse início de atuação da CPA/UEG, em conformidade com essa legislação, foi considerado necessário elaborar e encaminhar para a CONAES/INEP, o Relatório de Autoavaliação UEG 2011, além de encaminhá-lo naturalmente ao Conselho Estadual de Educação de Goiás. Observemos, entretanto, que este relatório, não é produto de autoavaliação propriamente dita, por não tendo sido realizado em campo, isto é, por não ter como bases referenciais uma efetiva pesquisa ou coleta de dados e informações junto à comunidade acadêmica, mediante aplicação de questionário de autoavaliação. O Relatório de Autoavaliação UEG 2011 foi elaborado considerando os seguintes documentos e estudos que se encontravam disponíveis no acervo da Gerência de Avaliação: o processo de renovação do credenciamento da UEG (Portaria Gab. nº 408/2011); a elaboração do projeto de avaliação institucional – Ciclo 2012-2013; os instrumentos de autoavaliação elaborados pela CPA/UEG; o Relatório da Comissão de Estudos sobre a Universidade Estadual de Goiás (Portaria Sectec nº 12, de 14/03/2011); e o Relatório da Comissão de Planejamento e Reestruturação de Cursos nas Unidades Universitárias da UEG (Portaria Gab. nº 1.153/2009). 4 Processo recente de autoavaliação institucional da UEG As práticas de avaliação institucional em desenvolvimento na UEG, a partir de 2012, constitui-se em uma nova etapa na experiência avaliativa dessa IES, destacadamente pelo fato de buscarmos contemplar sua identidade de universidade interiorizada e multicampi, além de suas outras especificidades institucionais, alicerçadas nas políticas nacionais e estaduais do domínio da educação superior, bem como, ainda, em suas normas próprias que norteiam programas, projetos e ações, sob orientação das quais foi elaborado o Projeto de Avaliação Institucional da UEG – Ciclo 2012-2013, atualmente em processo de execução. Com base em desenvolvimento contínuo e processual, a avaliação institucional da UEG está sendo configurada e operacionalizada no objetivo fundamental de contribuir para o aprendizado, para a definição e para o aprimoramento das políticas de avaliação da universidade, visando à criação e o desenvolvimento de uma cultura de avaliação institucional. A elevação da qualidade das ações, das atividades e dos resultados ou produtos gerados no âmbito da Universidade Estadual de Goiás também se constituem em focos de preocupação dos questionamentos e dos procedimentos que são aplicados nos encaminhamentos avaliativos. Em 2012, o principal desafio enfrentado pela CPA/UEG foi, pela primeira vez, implementar em toda a UEG, o processo de autoavaliação, fundado em metodologia de caráter participativo, elaborada a partir de discussões e de encaminhamentos com seus membros. Operacionalizar esse processo de autoavaliação, com o envolvimento de toda 9 a comunidade uegeana (docentes, discentes, pessoal técnico-administrativo e gestores), abrangendo as 42 Unidades Universitárias e a administração central da UEG, foi um grande desafio e significou atingir objetivo de realizar, de fato, autoavaliação institucional na UEG, que desde sua criação, em 1999, não havia sido alcançado. Contudo, em razão dos problemas de gestão da UEG, ocorridos sobretudo entre 2009 e 2011, que atingiram também a avaliação institucional, ainda está sendo necessário resgatar sua credibilidade junto à comunidade uegeana. Credibilidade essa que foi “arranhada” especialmente pelo fato da não realização de autoavaliação sistemática entre 2009 e 2011, o que implicou em “não-diálogo” institucional. Esta lacuna no processo avaliativo seguramente prejudicou toda a comunidade acadêmica, por não terem sido gerados nem dados nem informações nem análises que pudessem subsidiar políticas e práticas na UEG. Para dar cumprimento ao desafio antes mencionado, foi necessário que a CPA/UEG adotasse um programa de trabalho e de metas, previamente estabelecidas no planejamento estratégico e cronograma. Foi importante incentivar o cumprimento do plano de trabalho dos avaliadores nas UnUs; desenvolver oficinas de sensibilização; e divulgar a autoavaliação por meio eletrônico e de impressos. Foi, evidentemente, fundamental contar com o apoio da comunidade acadêmica. Com o objetivo de atingir maior percentual de participação de respondentes no processo de autoavaliação, fizemos uso dos dispositivos eletrônico-tecnológicos, por meio dos quais foram encaminhados, aproximadamente, 20.000 e-mails explicativos sobre o processo de autoavaliação, convidando os segmentos da comunidade uegeana a responderem os questionários de avaliação institucional. Em virtude do desenvolvimento da avalição institucional, a interlocução com a comunidade da UEG passou a ocorrer efetivamente. Decidimos pela utilização das novas tecnologias eletrônicas para efetivar essa comunicação, especialmente devido à abrangência geográfica da UEG, presente em 39 municípios do Estado de Goiás. Ao adotar esse procedimento foi possível estabelecer momentos de estreita interlocução entre todos os envolvidos no processo avaliativo, ou seja, a equipe técnica, os docentes, os discentes, os gestores e os técnicos administrativos. Para atender à comunidade universitária, de modo mais permanente, criamos no Portal da UEG (www.ueg.br) a página eletrônica da avaliação institucional, como ferramenta de comunicação ampla e democrática. Essa página-e é informativa, com possibilidade de interação, contendo referências e outras fontes sobre avaliação institucional, tais como: diretrizes, objetivos, dimensões, projetos, planejamentos, legislação, eventos, membros da CPA e seus representantes nas UnUs, resultados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE), UEG em Dados, além de vários outros documentos. Todos os relatórios de autoavaliação já realizados na UEG podem aí ser pesquisados. Durante o processo de autoavaliação institucional 2012 da UEG, vários procedimentos e orientações técnico-científicas foram desenvolvidas pela Coordenação de Avaliação Institucionalxiii e socializadas, repassadas aos colegas avaliadores, representantes da CPA/UEG nas UnUs. São orientações metodológicas que tratam desde a elaboração do plano ou projeto de trabalho, passando por orientações para análise estatística dos dados/informações da autoavaliação institucional, até orientações para a elaboração do relatório de autoavaliação local, isto é, o relatório de cada Unidade Universitária constitutiva da UEG. A partir desses procedimentos metodológicos e do modelo estatístico adotado, realizamos em conjunto e articuladamente, com os avaliadores nas UnUs, a consolidação ou sistematização e a análise dos dados e da informações coletadas junto à comunidade uegeana, por meio de questionários. 10 A organização dos questionários que utilizamos na autoavaliação 2012 da UEG foi dada por três categorias: (1) Políticas Institucionais; (2) Universidade e Sociedade; (3) Gestão e Apoio. Categorias essas que contemplavam as 10 dimensões do SINAES. A categoria Políticas Institucionais abrangia as dimensões: políticas para ensino, pesquisa, extensão e pós-graduação; políticas de pessoal; e políticas de atendimento ao estudante. A categoria Universidade e Sociedade contemplava as dimensões: responsabilidade social; e comunicação com a sociedade. A categoria Gestão e Apoio abrangia as dimensões: organização e gestão; infraestrutura; planejamento e avaliação; e sustentabilidade financeira. Os questionários foram aplicados nos vários segmentos da comunidade acadêmica e na administração central da UEG, a saber: docentes, discentes, técnicos administrativos e gestores (das UnUs e da administração central da UEG). Esses instrumentos foram concebidos e aplicados com a finalidade de desvelar, as tendências de fragilidades e de potencialidades sobre ocorrências ou problemas na UEG. O objetivo da avaliação desenvolvida era de colher sugestões e propostas da comunidade uegeana, com vistas à superação de seus problemas. Essas sugestões foram, posteriormente, expressas nos relatórios de autoavaliação, tanto nos locais/UnUs como no final-geral/UEG, como recomendações do avaliador, para a melhoria das ações, das atividades e dos resultados gerados pela/na universidade, assim contribuindo para a mudança qualitativa da educação superior, bem como para o atingimento de maior eficiência e eficácia na gestão institucional, bem como efetividade social nos processos e produtos gerados na UEG. Para a organização da base de dados da avaliação institucional da UEG e para o tratamento primário dos dados e das informações resultantes da aplicação dos instrumentos de pesquisa, foi criado o Sistema QUALITAS Avaliação Institucional.xiv Este sistema, criado pela equipe de Desenvolvimento de Sistemas da Gerência de Inovação Tecnológica da UEG, permitiu o acesso de toda a comunidade universitária aos questionários de autoavaliação, independentemente do lugar ou do horário de efetivação do acesso, viabilizado a autoavaliação institucional 2012 da UEG por meio eletrônico. O Sistema QUALITAS também permitiu aos representantes da CPA/UEG e a todos os envolvidos na operacionalização do processo autoavaliativo, o acompanhamento diário do desempenho dos respondentes. Este acompanhamento possibilitou, quando necessário em termos de ampliação do quantitativo amostral, o estabelecimento de novas estratégias de comunicação, no sentido de obter maior participação de determinado segmento da comunidade uegeana no processo de autoavaliação institucional. O Relatório de Autoavaliação Institucional 2012 da UEG, foi entregue para o Conselho Universitário (CsU) e para o reitor da UEG, em conformidade com as normas. Posteriormente, foi encaminhado para a CONAES/INEP/MEC. Atualmente encontra-se disponível para consultas na página eletrônica da UEG/Avaliação Institucional, em Documentos/Relatórios. Foi impresso em dois formatos: o relatório geral e o sumário executivo. 5 Avaliação institucional na UEG em questão: AI como subsídio da gestão e das políticas universitárias A experiência que vem sendo desenvolvida na Universidade Estadual de Goiás no campo da avaliação institucional e, particularmente, na concepção de metodologias e operacionalização do processo autoavaliativo ajuda-nos a identificar, especificando as 11 características do significado e da atuação da Comissão Própria de Avaliação. Significado e atuação que, por sua vez, se explicitam na formação da cultura de avaliação institucional e na gestão da UEG. Lembremos que, conforme estabelece a Lei nº 10.861/2004, do SINAES, em seu artigo 11, a CPA é a instância específica de avaliação das IES. Suas atribuições e competências foram ratificadas pela Portaria nº 2.051, de 9 de julho de 2004, que reiteram o respeito a sua composição democrática e sua atuação autônoma, entre outras exigências. Nossas pesquisas demonstraram que, em um primeiro momento, no qual estão os primeiros doze anos de existência da UEG, de 1999 a 2011, as ações (planos, projetos...) desenvolvidos sob a chancela de avaliação institucional, a rigor não podem ter essa denominação, mesmo considerando a existência de vários produtos, inclusive recomendações para serem levadas a efeito pela instituição e, evidentemente, por seus gestores, visando à superação de problemas detectados. A constatação é que essas recomendações não obtiveram ampla divulgação interna nem o tratamento operacional devido, conforme preconiza a avaliação institucional. Em outras palavras, as recomendações como produto fundamental e objetivo da autoavaliação, não obtiveram respostas da UEG. Tendo em vista óbices interpostos pelo grupo gestor do período, de um modo geral, optou-se por metodologias e procedimentos avaliativos que não expusessem aberta e publicamente os problemas enfrentados pela UEG, resultantes de autoavaliação realizada pela comunidade acadêmica. As conclusões vão no sentido de configuração de certa leniência e conformismo, em face às dificuldades então enfrentadas de se efetivar uma autoavaliação institucional abrangente e rigorosa, na qual fosse abrangida toda a comunidade uegeana. Em suma, muitos projetos foram desenvolvidos, diversos levantamentos foram realizados, entretanto estes não se configuram como avaliação institucional, mas sim como atividade de pesquisa ou como subsídios e cumprimento de políticas internas específicas de gestão. Constituem produção datada, marcada pela história, em período de instabilidades ou crises institucionais de gestão relativamente frequentes na UEG. Recentemente temos a articulação e estruturação de um segundo momento, que se inicia em 2012, no qual a orientação metodológica adotada pela CPA assume outra orientação e configuração sem, contudo, até o momento, conseguir superar posições culturais já inculcadas em membros da comunidade uegeana e também da CPA, resistentes à mudanças. Posições essas que têm seus fundamentos, inclusive, em tradições locais vinculadas ao provincianismo, ao patrimonialismo, ao clientelismo, ao fisiologismo político e outras categorias conceituais obscuras no trato da coisa pública. A esse respeito é interessante lembrar, como norte referencial, preocupações e esclarecimentos de alguns estudiosos dos temas que abrangem essas categorias, em geral sociólogos e historiadores, tanto brasileiros quanto estrangeiros, como é o caso de Carvalho (1980), Fernandes (1976), Holanda (1995), Pereira (1989), Weber (1982), Habermas (2002) e Bourdieu (2009). O provincianismo consiste no fato e na postura de um indivíduo pertencer a uma sociedade e época sem ser e tomar parte ativa no seu desenvolvimento, no movimento da sociedade, na construção crítica da sua cultura. Segue-a mimeticamente, isto é, de modo subordinado, inconsciente e “feliz”. A síndrome provinciana que acomete determinados indivíduos ou grupos sociais compreende sintomas, todos relacionados a algum grau de alienação social, cultural e política. Exprimindo-se de forma cega e irrestrita, três desses sintomas do provincianismo são: entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na estrutura mental-reativa individual, a incapacidade de lidar com a ironia crítica. 12 O provinciano tem medo da sofisticação. Está sempre com a verdade, é seguro de seu mundo e sabe que o outro representa perigo, é sempre um possível antagonista. Pode aparentar modéstia e abertura, entretanto preserva o tradicionalismo e é, essencialmente, conservador. Não vê nem vive a diferença! Não se permite pensar nem ser plural. Defende com toda sua força a propriedade do ser e das coisas; assim engendrando um forte vínculo entre provincianismo e patrimonialismo que, muitas vezes atingem a esfera pública e a gestão da coisa pública. A maior dificuldade do provinciano é não ter habilidade, é não saber lidar com a ironia crítica ou mesmo com contradições das relações sociais, pois para tanto lhe seria exigido dominar autonomamente as formas de expressão humanas, produto de uma cultura intensa e crítica. Precisaria do que franceses e ingleses chamam de detachment,xv o poder de se afastar de si mesmo, de se dividir em dois, que é produto daquele "desenvolvimento da largueza de consciência" que alcançamos quando participamos da construção crítica da cultura na qual nos formamos. Diz-se também avoir de l’esprit,xvi ter autonomia de pensamento e de crítica, qualidades não atingidas pelo provinciano. Autocrítica! Autocrítica permanente, impiedosa, honesta, objetiva, clara este é o fundamento da civilidade, da urbanidade, do cosmopolitismo, do reverso do provincianismo. Autocrítica, autoconhecimento e avaliação ou autoavaliação são, no sentido aqui discutido, categorias que se intercomplementam, que se fundem. Complementando essa discussão, trazemos as categorias de clientelismo e de fisiologismo, muito próximas uma da outra, chegando por vezes a se confundir. Sua prática continua presente nas relações de gestão da coisa pública no Brasil e não é difícil identificá-la, inclusive, em IES. Segundo Pereira (1989) o clientelismo/fisiologismo está no meio do caminho entre o populismo e a corrupção, configurando-se todos os três como [...] práticas que implicam no uso de fundos públicos. No caso do populismo, temos uma forma impessoal de se assegurar a boa vontade dos grupos ou comunidades beneficiadas pela despesa pública; no caso da corrupção, estamos diante de uma forma pessoal e direta de enriquecimento às custas do erário público; no caso do clientelismo, temos numa forma intermediária entre os dois casos anteriores, uma forma semipessoal de uso dos fundos públicos beneficiando diretamente eleitores potenciais e indiretamente o autor da prática clientelística. No Brasil inventou-se uma palavra nova e muito expressiva para significar clientelismo: fisiologismo. O político fisiológico é um oportunista por definição. É uma pessoa que transforma a política em um negócio como qualquer outro – em um negócio em que o político usa seu poder político para realizar trocas, para prestar e receber favores. É um fisiológico porque coloca os interesses pessoais e materiais acima das ideias, acima dos princípios e valores morais que deveriam presidir a ação política. (PEREIRA, 1989, p. 55) Isto posto, retornemos à busca que vem realizando a CPA para a implantação de novos rumos para a avaliação institucional na UEG. Com efeito, tendo em vista os questionamentos ou problemas constatados nas respostas dadas pelos membros da comunidade uegeana (docentes, discentes, técnicos administrativos e gestores) nos instrumentos de autoavaliação, elaboramos 77 recomendações que sintetizam as expectativas dessa comunidade para a UEG. Como já mencionamos anteriormente, essas recomendações da CPA têm a função de subsidiar o planejamento e o encaminhamento das ações ou políticas a serem levadas a efeito na UEG, em suas Unidades Universitárias e na sede da administração central. Por sintetizarem, de certa maneira, praticamente todas ou boa parte das demais recomendações, apresentamos abaixo aquelas que denominamos de complementares. São 7 recomendações obtidas em itens abertos dos questionários que foram 13 sistematizados, resultando em reiterações de vários questionamentos presentes nos instrumentos aplicados. Vejamos: 71 – Conforme manifestações significativas expressas no item aberto, questionário dos discentes, recomendamos à UEG que desenvolva estratégias e políticas institucionais no sentido de tornar parte da rotina docente a utilização do Sistema Veritas, com o objetivo de facilitar aos estudantes o acompanhamento de sua própria vida acadêmica. 72 – Conforme manifestações significativas expressas no item aberto, questionário dos docentes e discentes, recomendamos à UEG que desenvolva estratégias de formação e de capacitação de gestores das UnUs, a fim de evitar seu distanciamento ou alienação de problemas acadêmicos, bem como visando ao estabelecimento de relacionamento mais próximo desse segmento aos demais segmentos dessa instituição de educação superior. 73 – Conforme manifestações significativas expressas no item aberto, questionário dos docentes, recomendamos à UEG que desenvolva estratégias e planejamento institucional com vistas à implantação de um sistema de teleconferência, a ser utilizado entre as Unidades Universitárias e Administração Central, para a efetivação de “comunicações específicas”, de maneira rápida e eficaz, assim evitando deslocamentos rodoviários constantes para a realização de reuniões. 74 – Conforme manifestações significativas expressas no item aberto, questionário dos discentes, recomendamos à UEG que desenvolva estratégias e políticas de efetivação de convênios junto a empresas do Estado de Goiás ou outras, com vistas à ampliação da oferta de estágios a serem disponibilizados aos acadêmicos dessa instituição de educação superior. 75 – Conforme manifestações significativas expressas no item aberto, questionário dos docentes e discentes, recomendamos à UEG que desenvolva estratégias e políticas, na área de gestão de pessoal, visando a identificar a contratação ilegal de membros de uma mesma família nessa instituição de educação superior, com o objetivo de cumprir a legislação vigente sobre nepotismo que impede essa prática nas instituições públicas. 76 – Conforme manifestações significativas expressas no item aberto, questionário dos gestores, recomendamos à UEG que desenvolva estratégias e práticas de atendimento das demandas oriundas das UnUs, de maneira a dar maior celeridade ao andamento de processos protocolados. 77 – Conforme manifestações significativas expressas no item aberto, questionários dos docentes e dos discentes, recomendamos à UEG que estabeleça política e oriente as UnUs no sentido de viabilizar o funcionamento de todos os seus setores administrativos nos horários ou turnos de funcionamento das aulas. (Relatório Autoavaliação UEG / Sumário Executivo, 2013, p. 46-47) Como pudemos constatar acima, em todas as 7 recomendações aqui reproduzidas, os questionamentos e/ou problemas levantados pelos respondentes da comunidade uegeana tocam em pontos nevrálgicos de gestão da UEG. Duas tratam de interesses de estudantes, mas que dependem da ação gestora. Uma trata da necessidade de capacitar os gestores da UEG. Três focam em questões administrativo-burocráticas. Uma final questiona procedimentos ilícitos de contratação de pessoal. Fundamentadamente, portanto, podemos inferir que na UEG ocorrem práticas de gestão questionáveis em suas UnUs, problemas institucionais que ferem a legislação brasileira e a ética finalística de uma universidade pública, qual seja, a de trabalhar em prol da formação superior de seus estudantes, oferecendo-lhes não apenas bom atendimento, mas também uma educação de qualidade social relevante. Naturalmente que nas 70 outras recomendações encontramos questionamentos sobre os mais diversos tipos de problemas enfrentados pela comunidade acadêmica. Em aproximadamente 85% dos quesitos, constantes nas dimensões avaliadas, foram destacadas fragilidades a serem superadas. Em aproximadamente 15% desses mesmos quesitos foram destacadas potencialidades a serem estimuladas, cultivadas na UEG. Entretanto, a autoavaliação geral da comunidade uegeana é positiva, no sentido de que podemos avançar e superar os problemas atualmente enfrentados. Os encaminhamentos dados pela CPA junto aos gestores locais e centrais foram no sentido de que buscassem cumprir as recomendações constantes no relatório geral de autoavaliação 2012 da UEG e no relatório local de autoavaliação 2012 da UnU ou no da 14 administração central. Comunicações foram realizadas no Conselho Universitário e expedientes internos foram acionados. A CPA/UEG solicitou que os resultados fossem divulgados e discutidos em reuniões com a comunidade uegeana, em reuniões de rotina ou especialmente convocadas para esta finalidade. Pelos levantamentos realizados, nem 30% das UnUs, de um total de 42, promoveram o retorno da autoavaliação institucional à comunidade uegeana, isto é, não lhes informaram os resultados da autoavaliação realizada nem a discutiram com os sujeitos que contribuíram para a obtenção de um diagnóstico do estado em que se encontra a UEG, no que concerne a suas condições, atuação e finalidade. Lembremos que essa tarefa de divulgar, democratizar, dar retorno da autoavaliação institucional é uma tarefa da CPA/UEG, por meio de seus representantes nas Unidades Universitárias e na administração central. Todavia esse procedimento ficou comprometido, pelo fato de 70% dos sujeitos envolvidos terem sido excluídos dos encaminhamentos finais do processo avaliativo de 2012. Estes, simplesmente não tomaram conhecimento das recomendações emitidas pela CPA, recomendações essas que expressam a contribuição desses sujeitos e que, ao mesmo tempo, constituem-se no limite das atribuições e competências da CPA. Lembremos o pressuposto corrente no domínio da avaliação institucional que expressa coerência, ética e rigor científicos: quem avalia não executa! A partir das informações dadas pela CPA, nas recomendações da autoavaliação institucional, cabe aos gestores da IES darem tratamento aos questionamentos e problemas. Cabe aos gestores reagirem às recomendações, utilizando-as como subsídio para a gestão da instituição e no nosso caso, essa reação variou do descaso à improvisação, excetuados obviamente as poucas Unidades Universitárias, cujos gestores assumiram sua tarefa e que ainda estão em busca de soluções para poder atingirem patamares mais favoráveis à elevação da qualidade da educação superior ofertada presentemente na UEG. 6 CPA e perspectivas da avaliação institucional na UEG A experiência desenvolvida na UEG de avaliação institucional, ao longo dos 13 anos de sua existência, especialmente sua experiência de autoavaliação, tem tornado evidente a função que assume, para o bem e para o mal, a CPA na formação de uma cultura de avaliação institucional, ou mesmo quando se trata de elaborar proposições e implementar a gestão de políticas institucionais: a avaliação adquire significados específicos e datados. Mesmo na sua própria constituição, entre seus membros, a CPA enfrenta problemas relativos à cultura e a aplicação dos procedimentos avaliativos. Na CPA/UEG, os esforços de alguns membros, por ora minoritários, visam a superação da cultura inercial que predomina na instituição. Esses esforços buscam a sensibilizar todos os envolvidos no processo avaliativo, promovendo discussões coletivas e, de forma participativa, o encaminhamento de percursos metodológicos, de instrumentos de coleta de informações, de orientações técnicas e de roteiros de relatórios, entre tantas outras atividades que são desenvolvidas durante o processo de autoavaliação da UEG. A CPA/UEG tem buscado desenvolver trabalho profissional consistente, tendo incorporado no processo de autoavaliação da UEG um olhar atento a manifestações de provincianismo. Lembrando que o provincianismo sempre expressa, de modo velado ou não, a ignorância, a vaidade e a prepotência de indivíduos que se escondem, preferencialmente à sobra de outrem e, por vezes, por trás das próprias estruturas burocráticas de poder da instituição. Do mesmo modo, é importante atentar para 15 manifestações que explicitam a cultura patrimonialista de indivíduos que, de modo oportunista, assumem a atitude de donos, de proprietários da coisa pública, assim impedindo o avanço de relações e das ações democráticas nas próprias instituições que têm de prestar o serviço público, ao público. Observemos que passamos a ter política pública, orientações e diretrizes para a avaliação institucional de nossas IES, apenas com a implantação SINAES, em 2004. A partir de então a CPA assume papel chave na orientação e/ou operacionalização dos processos avaliativos institucionais das IES e para tanto deve ser constituída segundo critérios que privilegiem o conhecimento, a participação e a democracia. Visando combater obscurantismos na construção da cultura de avaliação da UEG damos atenção ao sentido da atuação que é necessário se exercitar em uma IES pública, identificando valores éticos, obrigações e direitos que todos devem adotar objetiva e claramente em suas práticas. Os resultados de autoavaliação da UEG convergem nesta direção, como já mencionamos anteriormente. É interesse da sua comunidade que nas políticas e nas práticas o interesse público, da maioria dos membros da comunidade constitutiva da UEG, seja respeitado. Todavia, ainda continuam a vigorar rotinas nocivas ao interesse público na UEG, temos de lidar com práticas correntes da cultura clientelista. O clientelismo, que se identifica também como fisiologismo, trata os indivíduos com os quais se relaciona como clientes, como parte de uma engrenagem que pertence a um determinado corpo, a um proprietário. Muito próximo do clientelismo estão o corporativismoxvii e o carreirismo que, ao defenderem exclusivamente interesses restritos de indivíduos ou de grupos, podem ser obstáculos ao avanço de políticas públicas que incorporem grandes contingentes e também podem vir a se constituir em barreiras ao avanço do conhecimento e da ciência, ao ter indivíduos não adequadamente qualificados no controle gestor das instituições públicas. Concluindo, lembremos que a CPA surge, fazendo parte do contexto do sistema de avaliação da educação superior, com funções voltadas à avaliação da IES na sua totalidade, com o objetivo de fortalecer sua missão e seus compromissos educativos. Porém, como já mencionamos, na prática o desempenho da CPA – diante da falta de cultura, no campo da avaliação, por parte de dirigentes e/ou da comunidade acadêmica – , é cerceado ao ter suas iniciativas, ações e atividades nem sempre efetivadas a contento. No caso de uma IES interiorizada, multicampi, como é o caso da UEG, esta constatação é flagrante e impede o desenvolvimento da autoavaliação com mais significância, com mais legitimidade, o que torna o processo de criação de cultura de avaliação institucional bastante lento. A avaliação institucional, tanto a autoavaliação quanto a avaliação externa, a avaliação dos cursos e a avaliação do desempenho dos estudantes, obtêm resultados importantes para subsidiar a gestão das IES. Esta é uma constatação incontestável, para a qual destacamos a contribuição efetiva da CPA, articuladora dessas informações. Introduzir a cultura da avaliação institucional como geradora de subsídios para a elaboração de políticas e para a solução de problemas é fundamental, em substituição a falsa cultura ou ideia da avaliação como punição. Observemos, entretanto, que a não realização de autoavaliação por 20% das Unidades Universitárias da UEG, em 2012, e a não responsabilização institucional dos gestores dessas UnUs, ausentes do processo, pelo não cumprimento de suas obrigações funcionais, implica em comprometimento da avaliação institucional da UEG como um todo, por gerar vários problemas. O primeiro deles é a não fidedignidade dos resultados, pois as sistematizações gerais finais dos produtos da autoavaliação não contam com dados nem com informações dessas UnUs. Além deste problema, temos, como sua consequência, dois 16 outros, relativos à gestão que necessitam ser enfrentados, aquele dos gestores que não contribuíram com a efetivação da avaliação institucional nas UnUs que dirigem, e aquele dos gestores centrais da universidade que não levaram a cabo sua função de defender a realização das atividades que justificam a existência e os compromissos da UEG. Finalmente, temos um quarto problema que é o descrédito que passa a ter a avaliação institucional nessas Unidades Universitárias, em virtude do descaso dos gestores pela atividade avaliativa. Fidedignidade e eficácia dos resultados da avaliação, ação gestora e autonomia da CPA são temas da mais alta relevância que precisam ser levados em conta pelas IES, pois os produtos gerados nas pesquisas e alcançados nos levantamentos avaliativos precisam ser considerados, por serem legais e legítimos, e por estarem submetidos a ritos científicos universalmente aceitos. Os procedimentos da ciência, com efeito, necessitam incorporar em sua ação categorias conceituais que lhe deem ampla sustentação, credibilidade e legitimidade, a exemplo das que enumeramos a seguir: a racionalidade, a objetividade, a legalidade, a participação, a democracia, a qualidade social, a produção social e o mérito social, entre outras. Em suma, nossos estudos apontam para a necessidade de redimensionamento, de requalificação do significado e da atuação da CPA/UEG. A perspectiva é de conseguirmos estabelecer, quiçá no curto prazo, CPA que promova concretização de processo avaliativo participativo, formativo e democrático, assegurando, desse modo, a efetivação de uma educação superior de qualidade relevante para seus acadêmicos e para a sociedade. Todavia não há como deixar de reiterar que a CPA tem suas atribuições e competências de instância avaliadora, precisa desenvolvê-las, com autonomia e crítica, mas não poderá jamais assumir funções operacionais, executivas que são responsabilidades dos gestores das IES. Embora ainda não seja a cultura brasileira corrente, se quisermos avançar no trato progressista e socialmente relevante da coisa pública, necessitamos escolher profissionais altamente competentes e qualificados, dos pontos de vista técnico e político, para assumir a gestão de nossas IES. No limite, todos somos sujeitos dos e estamos sujeitos aos processos avaliativos, sempre na busca de mudanças na qualidade do que pretendemos alcançar. Com nossas IES não é diferente. Os componentes da CPA não devem esquecer que avaliar possui o sentido eminentemente humano de refletir, de formar e de mudar. É isso que significa autocrítica, autoavaliação, autoconhecimento: isto é a crítica avaliativa, como diria Isaura Belloni. i Comissão composta por Clodoveu Alves Pereira, Maria do Carmo Ribeiro de Abreu, Eliane Aparecida Sercocima, Jandernaide Resende Lemos, Brandina Fátima Mendonça de Castro Andrade, Augusto Fleury Veloso da Silveira e Sônia Maria Martins Carvalho. ii (a) Essa Portaria designa Maria do Carmo Ribeiro Abreu, Jandernaide Resende Lemos e Roldão Aprígio de Souza, como auditores de Qualidade e Avaliação na Comissão Permanente de Avaliação Institucional da UEG, sob a coordenação da primeira, a partir de 1º de julho de 2000. (b) Atribuímos a sigla CPAI/UEG e não CPA à Comissão Permanente de Avaliação Institucional da UEG, com a finalidade de evitar compreensão equivocada de seu significado. Não era uma Comissão Própria de Avaliação, como instituiu o SINAES, a partir de 2004. iii Unidade Universitária (UnU) é a designação atribuída ao órgão da Universidade Estadual de Goiás nos municípios. Constitui-se administrativa e academicamente. Organiza-se segundo os ramos do saber, por meio de coordenações específicas, conforme o artigo 29 do Regimento Geral da UEG. iv Polo Universitário é a designação atribuída ao órgão da Universidade Estadual de Goiás nos municípios. Constitui-se administrativa e academicamente. Desenvolvem programas especiais com duração limitada, por meio de coordenações específicas. 17 v O NGAI iniciou suas atividades em 1996, tendo sido idealizado por professores goianos. Foi considerado na época o primeiro do gênero no país. Conforme seu estatuto, uma das finalidades do NGAI era o de “promover e estimular estudos em avaliação institucional, em todos os seus campos, propiciando a difusão da mesma ... com sessões periódicas para apresentação e discussão dos trabalhos de seus associados”. vi Encontros realizados pelo NGAI foram: na Universidade Católica de Goiás, em 1997; na Universidade Federal de Goiás, em 1998; na UEG/UnU de Anápolis (antiga UNIANA), em 1999; e na UEG/UnU da Cidade de Goiás (antiga Faculdade de Filosofia Cora Coralina), em 2000. vii A Portaria/Gab. nº 38, de 02/03/2001 cria a Comissão Técnica, sob a supervisão de Maria do Carmo Ribeiro Abreu, para encaminhar a montagem do Processo de Credenciamento da Universidade Estadual de Goiás e, designa de Jandernaide Resende Lemos para presidir a referida comissão, juntamente com Vanilton Camilo de Souza, Brandina Fátima Mendonça de Castro Andrade e Rita Azevedo dos Santos, esta com função de coordenara dos trabalhos, estudos e levantamentos necessários para a consecução do credenciamento da UEG. A Universidade Estadual de Goiás foi credenciada por meio do Decreto nº 5.560, de 1º de março de 2002, retroativo a 28/01/2002, homologado pela Resolução nº 01, de 28 de janeiro de 2002, do Conselho Estadual de Educação de Goiás. viii A Portaria/Gab. nº 03, de 09/01/2003 designa Iria Brzezinski, Maria Esperança Fernandes Carneiro, Marcos Antônio da Silva, Marcelo Ferreira da Costa, Wanderley Azevedo de Brito, Paulo Mascarenhas Roriz, Jandernaide Resende Lemos, Leonardo Rodrigues de Morais e Cláudio Pinto de Melo para compor a Comissão de Assessoria de Avaliação Institucional da UEG. ix A Estatuinte Universitária, realizada de 25 a 26/04/2004, analisou e aprovou o Programa de Autoavaliação Institucional da UEG e sua trajetória de implementação, conforme consta no Relatório de Autoavaliação UEG 2005, p. 13. x Todos os relatórios produzidos pela CAAI, de 2005 a 2008, entregues na UEG no primeiro semestre de 2011, estão disponíveis no site da UEG/Avaliação Institucional. xi O reitor destituído foi Luiz Antônio Arantes e seu substituto foi Haroldo Reimer, atual reitor, eleito em 2012 pela comunidade acadêmica. xii Os representantes da CPA/UEG são os responsáveis pelas ações de apoio operacional, com vistas à execução da avaliação institucional em cada Unidade Universitária da UEG e na administração central. Compõem esta representação da CPA/UEG nas UnUs docentes e/ou técnicos-administrativos, indicados pelos gestores/diretores(as), qualificados para o desenvolvimento das atividades avaliativas. Para tal, lhe(s) são concedidos carga horária específica. O quantitativo de representantes da CPA/UEG, conforme determina a Portaria/Gab. nº 2.150/2011, é de um representante (docente/pesquisador/avaliador) para cada 700 matrículas/ano/período na UnU. xiii Articuladamente com a CPA/UEG, a Coordenação de Avaliação Institucional é parte da Gerência de Avaliação e tem como atribuições e competências orientar a concepção, a metodologia e a operacionalização da avaliação institucional na UEG, bem como redigir/coordenar seus relatórios. xiv O sistema QUALITAS Avaliação Institucional é vinculado diretamente aos sistemas de controle acadêmico e administrativo Veritas e RADOC, o que permite a identificação, por meio do CPF, da função institucional do(a) respondente, ou seja, se este(a) é discente, docente, gestor(a) ou técnico administrativo(a) e permite, ainda, a identificação de sua situação funcional, explicitando se seu vínculo empregatício com a UEG é de efetivo(a) e ou de temporário(a). xv Termo francês que significa descolamento, afastamento. xvi Expressão francesa que significa ter espírito, ter inteligência. xvii Referimo-nos aqui a um certo corporativismo que, por vezes, sob controle de determinados grupos político-ideológicos, em defesa da manutenção do poder de alguns poucos, obstruem o avanço de corporações profissionais, no sentido de se democratizarem e se diversificarem. 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