CENTRO UNIVERSITÁRIO DO LESTE DE MINAS GERAIS – UNILESTE-MG MESTRADO EM ENGENHARIA INDUSTRIAL TRATAMENTO E MONITORAMENTO DE REJEITOS ASPECTOS ECOLÓGICOS DE UM CÓRREGO URBANO ANTES E APÓS PROGRAMA DE REMOÇÃO DE FONTES PONTUAIS DE POLUIÇÃO ALINE CRISTINA PEREIRA SOUSA DE CAUX CORONEL FABRICIANO 2007 ii ALINE CRISTINA PEREIRA SOUSA DE CAUX ASPECTOS ECOLÓGICOS DE UM CÓRREGO URBANO ANTES E APÓS PROGRAMA DE REMOÇÃO DE FONTES PONTUAIS DE POLUIÇÃO Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Tratamento e Monitoramento de Rejeitos do Mestrado em Engenharia Industrial do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – UNILESTE – MG para a obtenção do grau de Mestre em Engenharia Industrial. Prof. Millôr Godoy Sabará – Orientador CORONEL FABRICIANO 2007 ASPECTOS ECOLÓGICOS DE UM CÓRREGO URBANO ANTES E APÓS PROGRAMA DE REMOÇÃO DE FONTES PONTUAIS DE POLUIÇÃO Por ALINE CRISTINA PEREIRA DE SOUSA DE CAUX Dissertação de mestrado aprovada para obtenção do grau de Mestre em Engenharia Industrial, pela Banca examinadora formada por: _________________________________________________ Presidente: Prof. Millôr Godoy Sabará, Doutor - Orientador, UNILESTE-MG _________________________________________________ Membro: Prof. Francisco Antonio Rodrigues Barbosa, Doutor, ICB - UFMG _________________________________________________ Membro: Prof. Maria Adelaide Rabelo Vasconcelos Veado, Doutora, UNILESTE-MG _________________________________________________ Membro: Prof. Andréa Oliveira Souza da Costa, Doutora , UNILESTE-MG CORONEL FABRICIANO, 13 DE ABRIL DE 2007 ii Ao meu marido Leonardo iii AGRADECIMENTOS À Deus por sempre me amparar com mãos firmes. Ao meu orientador e amigo Professor Dr. Millôr Godoy Sabará por seu conhecimento, paciência, confiança e acima de tudo sua amizade. Ao meu marido Leo por todo apoio quando eu mais precisei, por seu amor e por sua presença na minha vida. Às minhas amigas Diana e Fernandinha por toda ajuda e boa vontade. Um agradecimento muito especial à Zezé por seu carinho e incentivo. Ao Paulo Henrique, um mestre para toda a vida. Aos meus irmãos Ana Paula, Adriana e Adriel por serem minha maior torcida, Aos meus pais Deiziete e Valdir, pelo que sou, Aos meus sogros João e Merony pelo carinho, À minha avó Taninha por me amar. Aos colegas de curso em especial o Belini por sua amizade e incentivo, Aos professores e funcionários do Mestrado em Engenharia Industrial do UNILESTE MG: Prof. Marcelo Vieira, Prof. Maria Adelaide, Prof. Ricardo França, Prof. Andréa, Prof. Evandro, Prof. Figueiredo, Prof. Paulo Dias, Wilson, Romerson, Dayse. À Alice e Ryzza do Laboratório de Pesquisas Ambientais do UNILESTE-MG por toda atenção, Aos amigos de trabalho, por agüentarem a minha chatice e estresse durante este período e por trabalharem aos sábados por mim: Solemar, Bete e Adriene. iv A todos os amigos da CENIBRA que sempre me ajudaram com incentivo e reconhecimento: Raquel, Dino, Joel, Tomás, Ronaldo, Olivert, Everton, Maristela, Vivi, Wandão e todos os outros amigos do Departamento de Qualidade que sempre torceram por mim. Aos meus amigos Fúlvia, Mônica, Wanderson, Roberta e Rose por entenderem minhas ausências, Ao Sr. José Ângelo Paganini, da USIMINAS pelos dados gentilmente cedidos, Enfim, a todos que ajudaram de alguma forma na realização deste trabalho. v “A água é a causa material de todas as coisas.” Tales de Mileto (624-548 A.C.). vi RESUMO Em Minas Gerais, a estratégia adotada para saneamento ambiental de ambientes lóticos urbanos é a da interceptação e tratamento secundário das fontes pontuais de poluição. Um exemplo dessa abordagem está no município de Ipatinga, região leste do estado. A partir de 2003, houve a interceptação dos esgotos urbanos lançados in natura no ribeirão Ipanema, afluente da margem esquerda do rio Doce, e seu tratamento secundário. Tão importante como a implementação desse programa, é a medição de sua efetividade. Para isso, foi estabelecida uma rede de 5 pontos de amostragem ao longo do Ipanema. Um ponto foi localizado fora da área urbana (controle), e outros quatro pontos de coleta ao longo do Ipanema, num gradiente de urbanização. Em adição, dois pontos, a jusante e a montante do lançamento de efluentes tratados da Estação de Tratamento de Esgotos – ETE Ipatinga, foram amostrados para avaliação do impacto sobre as águas do rio Doce. Entre 2002 e 2004, os pontos foram amostrados quinzenalmente para as seguintes análises: temperatura da água; concentração e saturação de O2 dissolvido; pH; condutividade elétrica; potencial redox; alcalinidade total; turbidez, sólidos em suspensão; concentração de formas dissolvidas e totais de fósforo e nitrogênio; concentração de formas totais de Ca; Mg; K; Na; Mn; Fe; Zn; Cu; concentração de clorofila a; densidade e espécies de fitoplâncton e concentração de coliformes fecais termotolerantes. Adicionalmente, foi avaliada a estrutura e composição em espécies de perifíton crescendo em substratos artificiais. Também foi calculado o Índice de Estado Trófico para estimativa do risco de eutrofização. Procurou-se estabelecer se houve melhoria real, do ponto de vista estatístico, no ecossistema lótico após a remoção das fontes pontuais. A relevância desse estudo se apóia no fato de que as mesmas abordagens para despoluição do Ipanema serão adotadas para a maioria dos rios urbanos vii do estado. Sendo assim, os resultados do monitoramento no Ipanema podem ser extrapolados e usados para melhorias eventuais em situações semelhantes, garantindo sua efetividade e adesão da sociedade a tais programas. Os resultados obtidos sugerem que a resposta do ecossistema lótico foi mais lenta que o esperado não se observando, para os níveis de significância utilizados, aumentos no teor de saturação de O2 dissolvido na água. Observaram-se, entretanto, alterações significativas no balanço entre formas dissolvidas e orgânicas de nutrientes, com destaque para o nitrogênio e fósforo, os quais por sua vez, influíram na biologia do ambiente, como as densidades das populações de fitoplâncton e perifíton, sugerindo-se a utilização do oxigênio disponibilizado na oxidação de nutrientes acumulados no sedimento. As fontes difusas parecem ser agora o maior desafio, sendo necessário olhar o Ipanema no contexto de sua bacia de drenagem, adotando medidas mitigadoras para todas as categorias de fontes poluidoras. viii ABSTRACT The strategy adopted In Minas Gerais for environmental sanitation of urban rivers rely on sewage interception and its secondary treatment. It means a clear point-source approach. An example can be found in city of Ipatinga, east of Minas Gerais. From 2002 an large sanitation program was launch to interception of the urban sewers release in natura on the Ipanema stream, tributary of the left edge of the Doce river. In 2003, all the sewage point sources had been collected and flowing to a secondary anaerobic treatment sewage plant (TSP). The measurement of the program effectiveness has equal important to the sanitation itself. In order to measure effectiveness, five sampling points were located along the Ipanema margins. The first one (control) has its location outside of the urban area. More four points of collecting along the Ipanema in a crescent gradient of urbanization were placed. In addition, two points, up and downstream of the TSP treated effluent discharge, were evaluated for measure of the impact on Doce river. Between 2002 and 2004, the points had been sampled every fifteen days for: water temperature; dissolved O2 concentration and saturation; pH; electric condutivity; redox potential; total alkalinity; turbidity, solids in suspension; concentration of forms dissolved and total of phosphorus and nitrogen; concentration of total forms of Ca; Mg; K; In; Mn; Fe; Zn; Cu; concentration of clorophila a; density and species composition of phytoplankton and concentration of fecal coliforms thermotolerants. Additionally the structure and composition in species of periphyton growing in artificial substrata was measured. Calculations of Index of Trofic State, used like a surrogate for eutrofication risk was performed. The intent was to establish of a real, statistically proved improvement in the lotic ecosystem after the removal of the point sources. The relevance of this study relies on the fact of the same approach carried out ix in the Ipanema will be adopted for the majority of the urban rivers of Minas Gerais. Thus, the Ipanema monitoring results can be surpassed and used in similar situations, to avoid mistakes and yielding both its effectiveness and adhesion of the society for such programs. The results suggest the slower reply from the ecosystem point of view. In the other words the lotic system doesn’t show rapid improvement. One example is saturation of O2 dissolved in the water, which doesn’t show increases for the used levels of significance. It had been observed, however, significant alterations in the changing between dissolved and organic forms of nutrients, with prominence for the nitrogen and phosphorus, a provable influenced of microbiology changing environment, as observed in phytoplankton and periphyton. In its turns, results point out the oxidation of organic nutrients in the sediment like a sink of the oxygen gains from removal of point sources. The non-point sources now seem to be the biggest challenge, being necessary to look at the Ipanema in the context of its basin of draining, adopting measured mitigador for all the categories of polluting sources. x LISTA DE FIGURAS Figura 2.1 Mapa da bacia do Ribeirão Ipanema , indicando os pontos de coleta. ..........................6 Figura 2.2 A ocupação do solo e localização dos pontos de coleta................................................7 Figura 4.1 Dispersão do N-Total (mgL-1) e Histograma..............................................................23 Figura 4.2 Nitrato: Ponto onde houve diferença antes e após o programa de saneamento – RP2 .24 Figura 4.3 Nitrato: Dispersão e histograma ................................................................................25 Figura 4.4 Dispersão do nitrito (mg L-1), Box Plots e Histograma ..............................................26 Figura 4.5 Nitrito: pontos onde houve variação antes e após o programa de saneamento ............27 Figura 4.6 Dispersão de amônio (mg L-1), e Histograma ............................................................28 Figura 4.7 Amônio: ponto em que houve diferença antes e após programa de saneamento – RP6 ..................................................................................................................................................29 Figura 4.8 Nitrogênio Orgânico: ponto em que houve diferença antes e após programa de saneamento – RP2 .....................................................................................................................29 Figura 4.9 Dispersão do Nitrogênio Orgânico (mgL-1) e Histograma..........................................30 Figura 4.10 Variação das formas de nitrogênio antes e após o programa de saneamento.............31 Figura 4.11 Dispersão do P-Total (mg L-1) e Histograma ...........................................................32 Figura 4.12 P-Total: ponto em que houve diferença antes e após programa de saneamento – RP2 ..................................................................................................................................................33 Figura 4.13 Fósforo Orgânico: ponto em que houve diferença antes e após programa de saneamento RP2 ........................................................................................................................33 Figura 4.14 Dispersão do Fósforo orgânico (mgL-1 ) e Histograma .............................................34 Figura 4.15 Dispersão do Fosfato (mgL-1) e Histograma ............................................................35 Figura 4.16 Fosfato: ponto em que houve diferença antes e após programa de saneamento ........36 Figura 4.17 Variação das formas de fósforo antes e após o programa de saneamento .................37 Figura 4.18 Dispersão da Temperatura (ºC) e Histograma ..........................................................38 Figura 4.19 Temperatura (ºC): pontos em que houve diferença antes e após programa de saneamento................................................................................................................................39 Figura 4.20 Oxigênio Dissolvido (mgL-1): pontos em que houve diferença antes e após o programa de saneamento............................................................................................................39 xi Figura 4.21 Dispersão do Oxigênio Dissolvido (mgL-1) e Histograma........................................40 Figura 4.22 Dispersão Saturação de Oxigênio Dissolvido (%) e Histograma ..............................41 Figura 4.23 Saturação de oxigênio (%): pontos em que houve diferença antes e após o programa de saneamento ...........................................................................................................................42 Figura 4.24 pH: ponto em que houve diferença antes e após o programa de saneamento ............42 Figura 4.25 Dispersão pH e Histograma.....................................................................................43 Figura 4.26 Box Plots dos metais ...............................................................................................45 Figura 4.27 Dispersão da condutividade (μS.cm-1) e Histograma................................................46 Figura 4.28 Condutividade: pontos onde houve variação antes e após o programa de saneamento ..................................................................................................................................................47 Figura 4.29 Dispersão do Potencial Redox e Histograma ...........................................................48 Figura 4.30 Potencial Redox: pontos onde houve variação antes e após o programa de saneamento................................................................................................................................49 Figura 4.31 STD: a) Histograma b) Box Plots dos resultados em RP2........................................50 Figura 4.32 Dispersão do STS....................................................................................................50 Figura 4.33 Dispersão da turbidez e Histograma ........................................................................51 Figura 4.34 Turbidez: pontos onde houve diferença nos resultados antes e após saneamento......52 Figura 4.35 Dispersão do UFC (células.100 mL-1) .....................................................................53 Figura 4.36 UFC -100: RP1 antes e depois.................................................................................53 Figura 4.37 Clorofila a: Ponto onde houve diferença nos resultados antes e após o programa de saneamento................................................................................................................................54 Figura 4.38 Dispersão da clorofila a e histograma......................................................................55 Figura 5.1 Formas Orgânica e Inorgânica de Nitrogênio ............................................................66 Figura 5.2 Perifíton (RP5), % de cobertura das lâminas .............................................................76 Figura 5.3 Fitoplâncton (RP5), células.mL-1 ...............................................................................77 Figura 5.4 Ecossistema rio .........................................................................................................79 xii LISTA DE TABELAS Tabela 1.1 Localização dos pontos de coleta e suas características a montante ............8 Tabela 3.1 Escala estimativa de ocupação por perifíton ..............................................15 Tabela 3.2 Classificação do Estado Trófico segundo o Índice Carlson Modificado.....17 Tabela 3.3. Coeficientes para λ, µx e σy para o teste W ..............................................19 Tabela 4.1 – Normalidade dos resultados .....................................................................22 Tabela 4.2 Pontos onde os metais apresentaram diferença antes e após o programa de saneamento ....................................................................................................................44 Tabela 4.3 Perifíton: Lista de espécies e proporção média das coberturas nas lâminas, antes do programa de saneamento ................................................................................56 Tabela 4.4 Perifíton: Lista de espécies e proporção média das coberturas nas lâminas, depois do programa de saneamento ..............................................................................57 Tabela 4.5 Espécies de Fitoplâncton em RP5 – Antes e após programa de saneamento................................................................................................................... 58 Tabela 4.6 Estado Trófico antes e após programa de saneamento ...............................61 Tabela 4.7 Estado Trófico em regiões monitaradas pela CETESB no estado de São Paulo .............................................................................................................................62 Tabela 5.1 Distribuição das formas de Nitrogênio antes e após o programa de saneamento ...................................................................................................................65 Tabela 5.2 Descargas (103 toneladas ano-1) de nitrogênio e fósforo oriundos de fontes difusas nos Estados Unidos ..........................................................................................68 Tabela 5.3 Variação das concentrações do Na+ - antes e após o programa de saneamento .................................................................................................................. 71 xiii SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................1 2 ÁREA DE ESTUDOS..................................................................................................5 3 MATERIAIS E MÉTODOS .......................................................................................9 3.1 METODOLOGIA DA ANÁLISE DE ÁGUA ...............................................................9 3.1.1. ANÁLISES QUÍMICAS DA ÁGUA ...............................................................................9 3.1.2. ANÁLISES BACTERIOLÓGICAS ..............................................................................11 3.1.3. CLOROFILA A ATIVA ................................................................................................11 3.2 METODOLOGIA DA ANÁLISE DO PERIFÍTON E FITOPLÂNCTON...................13 3.2.1 FITOPLÂNCTON ..........................................................................................................13 3.2.2 PERIFÍTON ....................................................................................................................14 3.3 CÁLCULO DO ÍNDICE DO ESTADO TRÓFICO.....................................................16 3.4 METODOLOGIA DA ANÁLISE ESTATÍSTICA......................................................18 4 RESULTADOS..........................................................................................................21 4.1 ANÁLISES FÍSICO-QUIMICAS DA ÁGUA .............................................................21 4.2 ANÁLISES BACTERIOLÓGICAS ............................................................................52 4.3 CLOROFILA A...........................................................................................................54 4.4 PERIFÍTON E FITOPLÂNCTON...............................................................................55 4.5 ÍNDICE DO ESTADO TRÓFICO...............................................................................61 5 DISCUSSÃO..............................................................................................................63 6 CONCLUSÕES.....................................................................................................................81 7 RECOMENDAÇÕES ...........................................................................................................84 REFERÊNCIAS.......................................................................................................................85 1 INTRODUÇÃO Todas as formas de vida existentes na Terra dependem da água. Cada ser humano necessita consumir vários litros de água doce por dia para manter-se vivo (BAIRD, 1999). Entretanto, a água doce constitui apenas uma fina fração (cerca de 0,01%) do total de água existente no mundo, estimado entre 1 167 000 000 km3 e 1 340 000 km3 (TUNDISI, 2003a; MARGALEF, 1983). O volume de água doce prontamente disponível para uso está armazenado em lagos, e flui dos rios para os oceanos. Setenta e cinco por cento da água doce está concentrada nas geleiras e nas calotas polares. Mais de 97% das reservas de água estão no mar, não podendo, porém, ser utilizadas, sem tratamento prévio, para irrigação, uso doméstico e dessedentação de animais (COLLINS, 1999; TUNDISI, 2003a; BAIRD, 1999; REBOUÇAS, 1999, www.cetesb.sp.gov.br). Toledo et alii, (2003) sugere que o consumo per capita de água aumenta com a melhoria de renda da sociedade. Além disso, em termos globais, um volume de 80 litros diários é considerado suficiente para manutenção de uma pessoa em bons níveis de higiene e saúde. Entretanto a população de Madagascar sobrevive com 5,4 L.dia-1, enquanto um norteamericano consome, em média, 500 L.dia-1. Para os ecossistemas de água doce, um dos principais fatores de degradação de sua qualidade é o grau de urbanização que interfere na drenagem e aumenta o escoamento superficial, diminuindo a capacidade de reserva de água na superfície e nos aqüíferos. Os impactos qualitativos são inúmeros e variáveis e têm conseqüências ecológicas, econômicas, sociais e na saúde humana (TUNDISI, 2003b, WALTON et alii, 2007). Os ecossistemas de água doce que drenam regiões antropizadas têm sua qualidade e quantidade de água alterada. Estima-se que 70 a 80% dos rios, lagos, represas e áreas alagadas já estão ecologicamente comprometidas; além disso, entre 1983 e 2000, houve uma diminuição de 24% na média mundial da quantidade de água descarregada pelos rios nos oceanos (MacDONALD et alii, 1991; KARR, 1991; KARR, 1993; ALLAN, 1995; LIKENS & BORMANN, 1996; PETTS et alii, 1995; FRISSEL & BAYLES, 1996; JORDÃO et alii, 1997; WILSON & CARPENTER, 1997; TALLING & LEMOALLE, 1998; TILMAN, 1999; USEPA, 2001; TUNDISI, 2003a; BARBOSA et alii, 2004). 2 Processos ecológicos em ambientes de águas doces estão comprometidos em praticamente todo o planeta devido aos aportes antropogênicos de nutrientes, notadamente o nitrogênio e o fósforo (ZAMMIT et alii, 2005). O aumento da concentração de nutrientes pode resultar no fenômeno da eutrofização cultural, que produz mudanças no metabolismo e estrutura dos ecossistemas aquáticos incluindo a redução da concentração de oxigênio dissolvido e da biodiversidade aquática. Uma das expressões da eutrofização cultural é a elevação exponencial nas populações de fotótrofos aquáticos como algas, destacando-se as cianobactérias, potenciais produtoras de toxinas. Existem cerca de 14 espécies descritas de cianobactérias de água doce que comprovadamente produzem compostos capazes de provocar intoxicações em seres humanos ou animais. Esses aumentos explosivos de suas populações (florações), quase sempre trazem, além das citadas intoxicações, o aumento no custo do tratamento da água de abastecimento (FUNASA, 2003). Segundo Libânio et alii (2005) a condição de vida das populações é mais bem retratada pela abrangência dos serviços de água e esgoto do que pelas reservas hídricas medidas em termos meramente quantitativos. A contaminação das águas naturais representa um dos principais riscos à saúde pública, sendo amplamente conhecida a estreita relação entre a qualidade de água e inúmeras enfermidades que acometem as populações, especialmente aquelas não atendidas por serviços de saneamento. Essa crescente deterioração na qualidade e quantidade da água doce levou a sociedade a exercer pressões sobre os governos, no sentido de definirem políticas claras e metas para reverter o processo. Essa tendência de sensibilização social para com os efeitos das atividades humanas sobre a água não apresenta sinais de estabilização. Pelo contrário, são cada vez mais numerosos os exemplos de demandas sociais e legais visando ações efetivas de controle, avaliação e mitigação da poluição hídrica. Uma das abordagens para mitigação desses impactos tem sido o tratamento das fontes pontuais de efluentes líquidos domésticos e industriais para o saneamento de ecossistemas aquáticos continentais (TUNDISI, 2003b). Um exemplo dessa abordagem está sendo desenvolvido no ribeirão Ipanema, município de Ipatinga, MG, pela Companhia de Águas e Saneamento de Minas Gerais – COPASA, MG, que a partir de 2003 concluiu a interligação dos interceptores de esgotos domésticos nesta cidade. 3 Tão importante quanto a implementação desse programa, é a medição de sua efetividade, ou seja, expressar em termos numéricos, passíveis de análise estatística, o grau de sucesso dessa remoção sobre o ecossistema do ribeirão Ipanema. Para tal, entre janeiro de 2002 e dezembro de 2004, Sabará et alii (2005) monitoraram a qualidade das águas do ribeirão Ipanema, um rio de terceira ordem, em cinco pontos ao longo de seu curso e mais dois pontos, a montante e a jusante da foz do Ipanema no rio Doce, receptor deste. Raramente, no Brasil são feitos monitoramentos antes e depois de implantações de equipamentos de despoluição hídrica por um prazo mais longo. Geralmente, estes programas de saneamento não têm sua efetividade avaliada em bases estatísticas mais detalhadas, que suportem as conclusões retiradas dos resultados e permitam extrapolações e previsões. Para uma nova abordagem dos dados coletados por Sabará et alii (2005) sugere-se que seja realizada uma comparação estatística da variação temporal entre os valores dessas variáveis, antes e após a implantação do sistema de remoção das fontes pontuais, para validação dos níveis de significância que determinam as diferenças entre os períodos avaliados. A bacia do Rio Doce, terceira maior bacia de Minas Gerais, com cerca de 88 000 km2, apresenta alto grau de ocupação antrópica por atividades potencialmente poluidoras, entre as quais mineração/garimpo, siderurgia, indústria de celulose e aglomerados urbanos, que produzem variados tipos de efluentes líquidos lançados nos corpos de água receptores da bacia (BARBOSA et alii, 1997a). Pela intensa ocupação de sua bacia de drenagem, e conseqüente variabilidade da qualidade de suas águas, é razoável supor que o ribeirão Ipanema, afluente do rio Doce, tem influência significativa na qualidade de água deste último. Desse modo, este estudo tem particular importância para avaliação da efetividade do saneamento ambiental em Minas Gerais, visto que, as mesmas abordagens para despoluição adotadas no Ipanema, serão adotadas para a maioria dos ambientes lóticos urbanos do estado. Pelo acima exposto, o objetivo deste trabalho é avaliar os efeitos da remoção das fontes pontuais de poluição no ribeirão Ipanema, comparando-se os resultados obtidos antes e depois do programa de saneamento, nas análises realizadas em amostras coletadas no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2004. Serão analisados e testados estatisticamente os resultados de variáveis ambientais crucias em ecossistemas: temperatura, pH, potencial redox, concentração de formas dissolvidas e totais de nitrogênio e fósforo, metais, além da 4 concentração de O2 dissolvido, turbidez, concentração de clorofila a, Sólidos Totais em Suspensão e Coliformes Termotolerantes aquáticos (MARGALEF, 1983; ESTEVES, 1998; BICUDO & BICUDO, 2004). Em complemento pretende-se estimar o índice de Estado Trófico – IET deste ambiente e avaliar o efeito do programa de saneamento na comunidade perifítica e fitoplânctônica. Para tal, as seguintes hipóteses serão testadas: H01 : Os valores das variáveis (ambientais) físicas e químicas medidas, não são significativamente diferentes para um mesmo ponto em função do tempo, ou seja, não houve efeito da remoção das fontes pontuais sobre essas variáveis; H02 : Os valores das variáveis biológicas (exceto perifíton) não são significativamente diferentes para um mesmo ponto em função do tempo, ou seja, não houve efeito da remoção das fontes pontuais sobre essas variáveis; H03 : A comunidade perifítica não apresenta mudanças significativas nos índices de estrutura e sucessão de espécies, ou seja, não houve resposta, ao nível de comunidade, da remoção das fontes pontuais, indicando que o perifíton é mediado apenas por fatores endógenos; H04 : Os valores dos índices de estado trófico para cada ponto não variaram nos pontos amostrados em função do tempo, ou seja, o fósforo e a comunidade fitoplânctônica não responderam à remoção de esgoto urbano; Espera-se ainda, que esse trabalho subsidie a escolha de variáveis ecológicas de menor custo de amostragem e maior sensibilidade às alterações no corpo d’água advindas da retirada de fontes pontuais, orientando, desse modo a construção de programas de monitoramento, parte indissociável de qualquer trabalho de avaliação, conservação, mitigação e manejo de recursos hídricos (MacDONALD et alii, 1991; KARR, 1991; KARR, 1993; TUNDISI, 2003a; WALTON et alii, 2007). 5 2 ÁREA DE ESTUDOS Para Macdonald (1991), a avaliação do impacto ambiental em rios tem nas bacias pareadas seu melhor desenho estatístico, por permitir repetições. Entretanto, na maioria das vezes é muito difícil encontrar-se pares de bacia com características iguais, especialmente se a ordem dos rios é maior que 3. Por outro lado, ambientes lóticos prístinos são cada vez mais raros (KARR, 1993; FRISSELL & BAYLES, 1996; WWF, 2006). Desse modo, o desenho estatístico utilizado nesse trabalho é considerar a nascente como controle, sendo os demais pontos comparados a ela (variação espacial). Ao mesmo tempo, a variação temporal utilizada neste trabalho é o “antes e depois” como descrito em DISSMEYER (1994),onde os resultados são comparados antes e depois de um tratamento. Apesar das limitações, como a falta de replicação espacial, os dados são replicados no tempo. Foram selecionados 5 pontos de coleta ao longo do ribeirão Ipanema. Adicionalmente mais 2 pontos foram amostrados no rio Doce, a montante e outro a jusante da descarga de efluentes da Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) e da foz do ribeirão Ipanema. O ponto RP1 localiza-se na área rural do município, não atingido, portanto, pelo programa de saneamento, uma vez que os interceptores de esgotos foram instalados na área urbana de Ipatinga. As fontes de poluição em RP1 são predominantemente difusas, com escoamento superficial, as mais difíceis de controle e avaliação (EPA, 1997). As Figuras 2.1 e 2.2 mostram a rede hidrográfica da bacia e a concentração urbana em seu trecho final. Na imagem da Fig. 2.2 pode-se ver como o uso do solo é marcadamente urbano, sobretudo em RP4, o centro da cidade. A montante de RP1, o solo é usado para pastagens com manejo primitivo (uso do fogo), para pecuária extensiva, agricultura familiar e plantios de Eucalyptus. Há também atividades de recreação, com clubes campestres instalados na Área de Proteção Ambiental (APA) do município, desrespeitando o Código Florestal no que tange à mata ciliar. Fora dos plantios de Eucalyptus, não há mata ciliar e os fluxos concentrados geram processos erosivos severos. Afloramentos rochosos diminuem as taxas de infiltração, resultando em picos de vazão, com grande transporte de sedimentos. A nascente do ribeirão Ipanema fica num desses afloramentos. Os pontos de coleta são descritos na Tabela 2.1 6 A bacia do ribeirão Ipanema cobre 146,8 km2 ou 88 % do município de Ipatinga que tem 165,51 km2 (www.ana.gov.br). Em 2002, ano de início da pesquisa, viviam cerca de 212 000 pessoas no município, sendo que 2000 viviam na zona rural, principalmente na bacia do ribeirão Ipanema (www.ibge.gov.br). Entre sua nascente (c. 1000 m de altitude) e sua foz no rio Doce, (219 m) o desnível médio é de 0,030 m/m. São 26 km de curso, em um gradiente crescente de uso do solo, com 8,5 km aproximadamente dentro da área urbana. A densidade populacional nominal é de 1269 hab km2. A densidade real é possivelmente maior, visto que a maior parte do município é formada de áreas montanhosas ou ocupada por indústrias. Figura 2.1 Mapa da bacia do Ribeirão Ipanema , indicando os pontos de coleta. Fonte: IGAM apud Sabará et alii, 2005 7 3 km Figura 2.2 A ocupação do solo e localização dos pontos de coleta. Fonte: SABARÁ et alii, 2005. 8 Tabela 2.1 Localização dos pontos de coleta e suas características a montante. Ponto RP1 Localização 19º25’42’’ S, 42º37’59’’ W Uso do solo a montante Pastagens, plantios agricultura e de criação Eucalyptus, extensiva recreação, de animais domésticos. Limite entre a área rural e urbana. Praticamente desaparecem a agricultura e os plantios de RP2 19º26’32’’ S, 42º35’52’’ W Eucalyptus, havendo uma predominância de pastagens e habitações rurais, mantendo-se a criação de animais domésticos. Esse ponto já é beneficiado pela interceptação de RP3 19º27’23’’ S, 42º33’36’’ W esgotos. O solo do entorno é ocupado por residências, comércio, postos de gasolina e um curtume. No centro da cidade, esse ponto também está com as obras de saneamento concluídas. Porém, ainda era RP4 19º28’26’’ S, 42º31’38’’ W possível, em 2003, ver alguns lançamentos clandestinos de esgotos e pessoas retirando areia do leito do ribeirão Ipanema. RP5 19º29’27’’ S, 42º30’17’’ W RP6 19º29’28’’ S, 42º30’08’’ W RP7 19º29’29’’ S, 42º30’03’’ W Fonte: SABARÁ et alii, 2005 Foz do ribeirão Ipanema no rio Doce. Ponto na margem esquerda do rio Doce, localizado a cerca de 300 m da foz do Ipanema. Ponto na margem esquerda do rio Doce, a cerca de 200 m a jusante da foz do ribeirão Ipanema. 9 3 3.1 MATERIAIS E MÉTODOS METODOLOGIA DA ANÁLISE DE ÁGUA As amostragens foram feitas nas margens dos pontos de coleta. Os valores de temperatura da água, teor de oxigênio dissolvido, pH, condutividade elétrica, potencial redox e sólidos totais dissolvidos (STD) foram determinados com multisonda Hydrolab®, com agitador, ligada a um armazenador digital contínuo de dados. Quando a multisonda se encontrava indisponível, foi utilizado um conjunto MERCK Multiline PF4, equipado com sensores para as mesmas variáveis coletadas com a multisonda. As amostras de água foram coletadas em garrafas de polietileno com volume de 1,0 litro. Antes de cada coleta, as garrafas foram lavadas três vezes em água de torneira, depois em água destilada e então submersas em banho de HCl 10% por 24 horas. Os valores de turbidez foram lidos com um turbidímetro de campo, marca ALPHA KIT. Duas amostras foram retiradas em cada ponto amostrado: utilizou-se uma delas para determinação das concentrações de nutrientes dissolvidos (NH4+, NO3-, NO2- e PO43-) e clorofila a ativa; a outra foi utilizada para a determinação das concentrações das formas totais de N, P, Ca, Mg, K, Na, Fe, Cu, Zn e Mn, além dos sólidos totais em suspensão (STS). 3.1.1. Análises químicas da água Transportavam-se as amostras em caixas de material refratário com gelo até o laboratório. Quando os nutrientes dissolvidos não eram analisados imediatamente, os filtrados eram guardados em refrigerador (± 4 ºC) por 24 horas, para posterior análise. Para os nutrientes totais, as amostras foram acidificadas e analisadas dentro de no máximo, uma semana. A análise de STS foram efetuadas imediatamente em sub-amostras de 100 mL sem acidificação. A clorofila a foi determinada no mesmo dia, em cubetas de 50 mm, segundo a técnica descrita em Marker (1996). 10 Para a determinação da alcalinidade total utilizou-se a metodologia descrita em Goltermam et alii (1978) modificada. Em todas as determinações das concentrações dos nutrientes dissolvidos usou-se um espectrofotômetro MERCK modelo NOVA 400, de feixe único e uma cubeta de quartzo com 50 mm de passo ótico, para permitir a determinação de concentrações muito baixas. Para determinação do nitrito seguiu-se a metodologia descrita por Strickland & Parsons (1972). O NO2- em solução ácida, foi transformado em ácido nitroso, que reagiu com sulfanilamida, formado um sal diazônio, que finalmente reagiu com N-1-naftiletileno diamina dicloreto, resultando em solução avermelhada, determinada espectrofotometricamente a 543 nm. Todo o NO3- presente na amostra foi reduzido a nitrito por cádmio esponjoso e determinado com a mesma metodologia utilizada para NO2- (MacKERETH et alii, 1978). As concentrações de NH4+ foram determinadas pela reação do íon com o fenol e hipoclorito, em meio alcalino, formando indofenol de cor azul. Lia-se a absorbância a 635 nm (SABARÁ, 1999). Oxidou-se a nitrato todos os compostos nitrogenados da amostra, pelo aquecimento (127 ºC) da mesma em solução alcalina de persulfato e sob pressão de 1.5 atm por 30 minutos. Procedeu-se então como descrito para o nitrato (MacKERETH et alii, 1978 e EBINA et alii, 1983). As concentrações de N-orgânico foram obtidas pela diferença entre o N-Total e a soma das formas dissolvidas de nitrogênio (ALLEN, 1989). Para a determinação das concentrações de P-Total e PO43-, o método utilizado foi baseado naquele descrito por Eisenrich (1975). O princípio é o da reação do PO43- com molibdato, formando ácido molibdofosfórico, que reduzido forma complexo de cor azul. A absorbância é lida a 882 nm. O P-orgânico foi obtido pela diferença entre as concentrações de P-Total e PO43- (ALLEN, 1989). As concentrações totais dos íons (Ca+2, Mg+2, K+, Na+, Fe+3, Zn+2, Cu+2, Mn+2) foram determinadas segundo a metodologia seguida na preparação das amostras para análise por Espectrofotometria de Absorção Atômica (EAA) e Fotometria de Chama (EC), proposta pela American Public Health Organization - APHA (1995), modificada. 11 3.1.2. Análises bacteriológicas Para contagem de bactérias heterotróficas e de coliformes utilizou-se a técnica de substrato definido pelo método Colilert® que consiste de um procedimento patenteado aceito mundialmente. O teste é feito através da mistura de 100 mL da amostra com quantidade de substrato especificada pelo fornecedor; a mistura final é incubada a 35-40°C durante 24 horas. Os testes podem ser qualitativos com resultados confirmativos para presença de Coliformes Totais e Escherichia coli pelo desenvolvimento de coloração amarela e observação de fluorescência respectivamente, sem necessidade da adição de outros reagentes para confirmação. Para quantificação dos organismos presentes usa-se uma cartela quadriculada dividida em quadrados pequenos e grandes, na qual a amostra é inserida e a cartela selada a quente. Os quadrados que apresentam cor ou fluorescência são contados e os valores obtidos comparados a valores tabelados, também fornecidos pelo fabricante. 3.1.3. Clorofila a ativa Etanol, metanol e acetona são os três álcoois utilizados para trabalhos de determinação de concentração de clorofila a. Apesar da superioridade do metanol e etanol 100% como extratores (especialmente para Cyanophyceae quando se faz à extração a quente), os álcoois necessitam da neutralização do extrato com uma base orgânica, além disso, o metanol é altamente tóxico. Por outro lado, uma solução de acetona não exige neutralização, não possui elevada toxicidade e possibilita grande estabilidade ao extrato, além de ser aceita por vários analistas tendo poder de extração suficiente para seus propósitos (MARKER et alii,1996). As amostras para determinação das concentrações de clorofila a, foram coletadas em recipientes de polietileno de 1,0 litro de capacidade, mantidas ao abrigo da luz e transportadas ao laboratório para análise. Essas amostras foram filtradas e os filtros mantidos congelados a 12 °C negativos para posterior análise. Os passos do procedimento de extração são descritos a seguir (MARKER, 1996): • os filtros foram retirados do congelador e descongelados a 4°C, • o filtro foi macerado, utilizando-se 25 mL de acetona Padrão Analítico, 12 • o macerado e a acetona utilizados foram deixados em repouso entre 18 e 24h, em frasco de vidro tampado, sob refrigeração; • após este período, o conteúdo do frasco foi centrifugado a 6000 rpm por cerca de 10 minutos; • o sobrenadante foi retirado e aferido para 10 mL para determinação da concentração de clorofila a ; • o espectrofotômetro foi calibrado com acetona PA, e a amostra lida a 665 e 750 nm; • a 10 mL do extrato adicionou-se 0,1 mL de HCl 0,3 M (de forma que a concentração final fosse 0,003 M); • leu-se novamente a absorbância a 665 e 750 nm. Primeiramente calculou-se a concentração de clorofila no extrato não acidificado (MARKER, 1996): µg cl 0 a L-1 = 11 (665o - 750o) v dV Onde: µg cl0 a L-1 = concentração de clorofila a, no estrato não acidificado, em microgramas por litro; 11 = constante aproximada para a recíproca do coeficiente específico de absorção da acetona 100% a 665 nm; 665o = absorbância da amostra não-acidificada a 665 nm; 750o = absorbância da amostra não-acidificada a 750 nm; v = volume da amostra, em mililitros; d = passo ótico, em centímetros. V = Volume filtrado, em mililitros. A concentração de clorofila a corrigida para feopigmentos, foi calculada da seguinte maneira (GOLTERMAN & CLIMO, 1969 apud MARKER, 1996): µg chl a = 11 (3.0 (Ao - Aa)) v dV 13 onde: µg Chla = concentração de clorofila a corrigida para feopigmentos no extrato, em microgramas; 3.0 = fator derivado da absorbância da clorofila a em 665 nm, antes e após a acidificação : (665o - 750o)/( (665o - 750o)-(665a - 750a)); Ao = leituras (665 - 750 nm) não acidificado; Aa = leituras (665 - 750 nm) acidificado; 11 = constante aproximada para a recíproca do coeficiente específico de absorção da acetona 100% a 665 nm; v = volume da amostra, em mililitros; V = volume filtrado em mililitros; d = passo ótico, em centímetros. Em amostras sem sinais de degradação ou consideradas saudáveis, o passos referentes ao segundo item podem ser ignorados. 3.2 METODOLOGIA DA ANÁLISE DO PERIFÍTON E FITOPLÂNCTON 3.2.1 Fitoplâncton Para avaliação da comunidade fitoplanctônica (plâncton de rede), filtravam-se 5 litros de água de cada ponto em uma rede de plâncton com malha de 20μm. O filtrado (± 200 mL) era transferido para um frasco plástico de 500 mL. Adicionava-se 5 a 10 gotas de formaldeído para conservação. A identificação foi feita utilizando-se microscópio binocular e literatura especializada. Os organismos foram medidos e procurou-se utilizar o maior número de indivíduos para tal identificação. A análise quantitativa foi realizada através de lâminas de Sedgwick-Rafter. Foram contadas sub-amostras do material em pelo menos duas lâminas. Os filamentos e colônias foram considerados como um organismo. Os dados foram expressos como organismos/mL, conforme a fórmula: organismos /mL = organismos contados volume concentrado x volume contado volume coletado 14 3.2.2 Perifíton Nesse estudo, o termo “perifíton” se refere à comunidade de organismos fotossintetizantes, genericamente conhecidos como “algas”, ou seja, seres capazes de metabolizar o CO2 dissolvido na água, reduzindo-o a carboidratos, com utilização da luz solar, que não possuem raízes, folhas, flores, caules ou sistemas vasculares. A nutrição mineral desses seres é feita pela retirada direta da coluna de água dos nutrientes dissolvidos. Os procedimentos para coleta de amostras de componentes macroscópicos do perifíton foram baseados em Kelly & Whitton (1994). Delimitou-se um trecho de 10 m de comprimento em RP5 da seção reta que definia o ponto de coleta junto à margem, e estendendo-se até a 1 m em direção ao eixo do córrego, onde foram colocadas lâminas de vidro durante 15 dias para permitir a colonização pelas algas. Esse experimento de amostragem se deu nos meses do período seco (abril a setembro), quando as condições de fluxo permitiam a colonização. Após esse período de amostragem, as lâminas foram removidas, lavadas cuidadosamente na água do ribeirão Ipanema para limpeza de detritos e areia e trazidas para o laboratório em sacos plásticos individuais de 1 litro de capacidade, cheios em ¼ com água do local, guardados em caixas refratárias. No laboratório as amostras foram lavadas copiosamente com água destilada e removidos os detritos restantes, com uma pinça, para exame microscópico. A preservação das amostras foi feita com FAA (10 mL de formaldeído 40%, 5 mL de ácido acético glacial, 50 mL de etanol 95% e 35 mL de água) que ajuda a manter estruturas delicadas, ou com uma solução de formaldeído 2% adicionada de nitrato de cobre na concentração de 1 g.L-1, recomendada para clorofíceas. A identificação foi feita com uso de microscópio binocular e literatura especializada. A quantificação do perifíton foi feita conforme metodologia de Kelly & Whitton (1994) em que se atribui códigos de 0 a 4 de acordo com a proporção da cobertura das lâminas pelas espécies presentes no perifíton (Tabela 3.1). 15 Tabela 3.1 Escala estimativa de ocupação por perifíton Código Proporção (%) 0 Não existente 1 > 0,1 < 1,0 2 > 1,0 < 10,0 3 > 10,0 < 50,0 4 > 50,0 < 100,0 16 3.3 CÁLCULO DO ÍNDICE DO ESTADO TRÓFICO O Índice do Estado Trófico tem por finalidade classificar corpos de água em diferentes graus de trofia, ou seja, avalia a qualidade da água quanto ao enriquecimento por nutrientes e seu efeito relacionado ao crescimento excessivo das algas, ou o potencial para o crescimento de macrófitas aquáticas. O Índice do Estado Trófico adotado será o índice clássico introduzido por Carlson (www.cetesb.sp.gov.br adaptado de CARLSON, 1981), que através de método estatístico baseado em regressão linear, alterou as expressões originais para adequá-las a ambientes subtropicais. Este índice utiliza três avaliações de estado trófico em função dos valores obtidos para as variáveis: transparência (profundidade de desaparecimento do disco de Secchi), clorofila a e fósforo total. Das três variáveis citadas para o cálculo Índice do Estado Trófico foram aplicadas neste trabalho duas: clorofila a e fósforo total, uma vez que os valores de transparência muitas vezes não são representativos do estado de trofia, pois esta pode ser afetada pela elevada turbidez decorrente de material mineral em suspensão e não apenas pela densidade de organismos planctônicos, além de muitas vezes não dispormos destes dados. O Índice do Estado Trófico, será composto pelo Índice do Estado Trófico para o fósforo - IET(P), e o Índice do Estado Trófico para a clorofila a - IET(CL), são: ln 80,32 P IET ( P) = 106 − ln 2 (1) 2,04 − 0,695 ln CL IET (CL) = 10 6 − ln 2 (2) onde: • P = concentração de fósforo total medida à superfície da água, em µg.L-1 • CL = concentração de clorofila a medida à superfície da água, em µg.L-1 O IET será a média aritmética será a média aritmética das equações 1 e 2: IET = [ IET ( P ) + IET ( CL) ] / 2 (3) 17 Os valores obtidos devem ser avaliados de acordo com a Tabela 3.2. Tabela 3.2 Classificação do Estado Trófico segundo o Índice Carlson Modificado Valor de IET P-Total (mg.m-3) Oligotrófico IET = 44 P = 26,5 Mesotrófico 44 < IET = 54 26,5 < P = 53,0 3,8 < C = 10,3 Eutrófico 54 < IET = 74 53,0 < P = 211,9 10,3 < CL = 76,1 IET > 74 211,90 < P 76,1 < CL Estado Trófico Hiperutrófico Clorofila a (mg.m-3) CL = 33,8 18 3.4 METODOLOGIA DA ANÁLISE ESTATÍSTICA Um conjunto de dados tem distribuição normal se sua função densidade é dada pó (ZAR, 1996): f ( x) = − 1 σ 2π e ( x− µ ) 2σ 2 onde: µ = média σ² = variância A curva normal é uma distribuição que possibilita determinar probabilidades associadas a todos os dados da curva (MAGALHÃES E LIMA, 2002; ZAR, 1996; GROPPO, 2005). Para definição da metodologia a ser utilizada na comparação dos resultados antes e após o programa de saneamento foi testada a normalidade dos dados. Quando um conjunto de resultados apresenta distribuição normal pode-se utilizar estatística não paramétrica. Caso existam conjuntos de valores com distribuição não normal utiliza-se estatística não paramétrica. Neste trabalho, para verificação da normalidade dos dados foi utilizada a metodologia de Shapiro-Wilk (Teste W), através do programa Statistica 6.0 ® . Este é um dos testes mais usados pela robustez e menor limitação no tratamento de dados (ZAR, 1996). Segundo Seier (2002) apud Miranda (2005) através da comparação de diversos métodos existentes, o que se mostrou melhor em detectar não normalidade, na maioria das situações, foi o Teste W. A estatística W de teste para normalidade é definida como: W = b2 s 2 n = ( ∑ ai yi ) i =1 2 n ∑ ( yi − y i ) 2 i =1 Onde yi é a variável aleatória e ai são coeficientes tabelados. Valores altos de W indicam que os dados não apresentam distribuição normal (ZAR, 1996; Engineering Statistics Handbook). Neste 19 teste a hipótese de nulidade expressa que os dados em questão têm distribuição normal (GIANNOTTI et alii, 2005) sendo avaliado pelo nível de significância p em função de W, dado por: (∑i =i ai x(i ) ) 2 n W = ∑ n i =1 ( xi − x ) 2 onde: a: constante gerada pela média/variância e covariância n: tamanho da amostra x : Média Com W pode ser calculada a estatística p, distribuições que apresentarem valores inferiores ao valor de significância adotado serão consideradas não normais. y = (1 − W ) λ Z= (y − µy ) σy p = 1 − Φ(Z ) onde: µy = média de y σy = desvio padrão de y λ = Calculado com base nos dados da Tabela 3.3 Tabela 3.3. Coeficientes para λ, µx e σy para o teste W. Coeficientes Parâmetro λ ln (µy) ln (σy) 0 1 2 7-20 0,118898 0,133414 0,327907 21-2000 0,480385 0,318828 7-20 -0,37542 -0,49215 -1,12433 -0,19942 21-2000 -1,91487 -1,37888 -0,04183 0,106634 7-20 -3,15805 0,729399 3,01855 1,558776 21-2000 -3,73538 -1,01581 -0,33189 0,177354 Valores de n Fonte: Miranda (2005) apud Royston (1982). 3 4 5 -0,02417 0,008797 0,00299 -0,03514 -0,01505 -0,01639 -0,03215 6 0,003853 20 Para comparação entre os resultados antes e depois do programa de saneamento foi utilizado o teste não paramétrico de Mann-Whitney através do programa Statistica 6.0 ®. Para a realização do teste as observações originais das duas amostras são reunidas em um único grupo, sendo o conjunto ordenado e transformado em ranks, que serão utilizados para calcular a estatística U. Considerando: n1 = número de casos da menor amostra n2 = número de casos da maior amostra N = total de casos das duas amostras R1 = soma dos ranks da amostra de tamanho n1 R2 = soma dos ranks da amostra de tamanho n2 Calcula-se U e U’ a partir de R1 e de R2 pelas equações 1 e 2 e toma-se o menor deles: U = n1 .n 2 + n1 .(n1 + 1) − R1 2 (1) U ' = n1 .n2 + n 2 .(n 2 + 1) − R2 2 (2) Uma vez selecionado o menor dos dois valores de U calculados, recorre-se à tabela bilateral de U para α previamente determinado, procurando localizar o valor crítico de Uα(2),n2,n1 . Se U > Uα(2),n2,n1 não se rejeita H0 Se U ≤ Uα(2),n2,n1 rejeita-se H0 H0: as duas amostras apresentam a mesma distribuição H1: as duas amostras apresentam distribuições diferentes A tabela de U varia de n1=20 e n2=40. Quando as amostras são maiores, U tem distribuição que tende para curva normal, sendo que neste caso, U deve ser transformado em z e sua probabilidade de ocorrência verificada na tabela de z. 21 4 4.1 RESULTADOS ANÁLISES FÍSICO-QUIMICAS DA ÁGUA A normalidade dos dados, agrupados por análise e ponto de amostragem, foi testada pelo teste Shapiro Wilk - Teste W (Tabela 4.1). Os números em vermelho indicam pontos onde não foi observada normalidade na distribuição dos resultados para um nível de significância de 95%. A análise dos dados indica que todos as variáveis apresentaram distribuição normal para os resultados quando se inclui todos os pontos de amostragem na realização do teste (indicado como Total na Tabela 4.1). A temperatura apresentou distribuição normal somente em RP6, o mesmo ocorrendo para a concentração de O2 que somente não apresentou distribuição normal em RP7. Como o oxigênio dissolvido é uma variável dependente da temperatura era esperado que a normalidade na distribuição dos dados de temperatura fosse refletida nesta variável. Entretanto, processos de respiração e fotossíntese também podem influir na quantidade de O2 dissolvido na água. O Potencial Redox apresentou distribuição normal somente em RP2 e RP5 e o nitrato em RP1 e RP6. Além das variáveis citadas anteriormente, não apresentaram distribuição normal em RP1 as variáveis turbidez e Clorofila a. O mesmo foi observado para nitrato, saturação de O2, pH, turbidez e Clorofila a em RP2. Em RP3, o Ca+2, alcalinidade total, condutividade, e Sólidos Totais Dissolvidos (STD) não apresentaram distribuição normal e em RP4, o mesmo ocorreu para K+, saturação de O2 e alcalinidade total. Em RP5 não apresentaram distribuição normal NH4+, K+, Na+, condutividade e STD. É interessante salientar que em RP6, único ponto além de RP1 onde o nitrato não apresentou distribuição normal, as outras formas de nitrogênio dissolvido (nitrito e íon amônio) o fizeram. Além destas variáveis, o Na+, K+, O2 (% saturação) e STD apresentaram distribuição normal. RP7 foi o único ponto em que o P-Total apresentou distribuição normal juntamente com Clorofila a e Cu+2. 22 Tabela 4.1 – Normalidade dos resultados Análise Nitrogênio Total, mgL-1 NO3 , mgL-1 NO2 , mgL-1 NH4+, mgL-1 N Orgânico, mgL-1 PO43+, mgL-1 FósforoTotal, mgL-1 P Orgânico, mgL-1 K+, mgL-1 Na+, mgL-1 Ca+2, mgL-1 Mg+2, mgL-1 Zn+2, mgL-1 Cu+2, mgL-1 Fe+3, mgL-1 Mn+2, mgL-1 Temperatura, °C O2, mg de O2 L-1 O2, % saturação pH Alcalinidade Total, mmol CO2L-1 Condutividade, µScm-1 Potencial Redox, mV STD, mgL-1 STS, mgL-1 Turbidez, UNT UFC__100 Clorofila a, mgL-1 Total W 0,928 0,893 0,865 0,595 0,902 0,741 0,899 0,810 0,551 0,868 0,679 0,556 0,061 0,094 0,283 0,437 0,984 0,971 0,962 0,911 0,900 0,926 0,978 0,627 0,051 0,874 0,604 0,771 p 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,018 0,001 0,000 0,000 0,000 0,000 0,007 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 RP1 W 0,608 0,701 0,468 0,843 0,622 0,360 0,841 0,830 0,685 0,397 0,610 0,640 0,780 0,771 0,498 0,775 0,972 0,958 0,455 0,884 0,793 0,855 0,977 0,501 0,335 0,937 0,337 0,932 p 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,629 0,312 0,000 0,005 0,003 0,001 0,765 0,000 0,000 0,063 0,000 0,078 RP2 W 0,855 0,970 0,679 0,889 0,837 0,837 0,866 0,748 0,570 0,569 0,484 0,400 0,468 0,335 0,713 0,527 0,973 0,954 0,946 0,958 0,844 0,690 0,911 0,825 0,505 0,952 0,454 0,943 p 0,001 0,490 0,000 0,005 0,000 0,001 0,002 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,605 0,263 0,171 0,335 0,011 0,000 0,033 0,008 0,000 0,161 0,000 0,111 RP3 W 0,922 0,949 0,910 0,568 0,877 0,731 0,835 0,770 0,417 0,775 0,915 0,895 0,232 0,264 0,810 0,864 0,963 0,948 0,888 0,779 0,982 0,925 0,978 0,917 0,561 0,933 0,444 0,928 p 0,024 0,513 0,027 0,000 0,001 0,000 0,001 0,000 0,000 0,000 0,052 0,020 0,000 0,000 0,001 0,008 0,399 0,188 0,007 0,000 0,958 0,068 0,917 0,051 0,000 0,042 0,000 0,043 RP4 W 0,914 0,916 0,912 0,451 0,880 0,883 0,899 0,775 0,921 0,887 0,544 0,440 0,378 0,341 0,344 0,348 0,976 0,970 0,940 0,819 0,986 0,905 0,953 0,506 0,274 0,931 0,802 0,904 p 0,012 0,167 0,035 0,000 0,002 0,007 0,015 0,000 0,104 0,024 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,709 0,594 0,119 0,000 0,989 0,017 0,276 0,000 0,000 0,037 0,000 0,008 RP5 W 0,903 0,935 0,881 0,922 0,924 0,650 0,870 0,868 0,935 0,927 0,531 0,487 0,484 p 0,006 0,390 0,009 0,063 0,027 0,000 0,004 0,004 0,217 0,152 0,000 0,000 0,000 0,814 0,773 0,967 0,955 0,918 0,912 0,901 0,950 0,890 0,903 0,718 0,918 0,860 0,915 0,001 0,000 0,417 0,268 0,032 0,022 0,036 0,215 0,016 0,267 0,000 0,016 0,002 0,022 RP6 W 0,939 0,823 0,948 0,982 0,934 0,762 0,850 0,722 0,941 0,951 0,585 0,418 0,697 0,739 0,838 0,539 0,907 0,967 0,971 0,855 0,844 0,906 0,936 0,949 0,729 0,898 0,776 0,932 p 0,069 0,007 0,232 0,922 0,049 0,000 0,002 0,000 0,278 0,411 0,000 0,000 0,000 0,000 0,003 0,000 0,011 0,505 0,612 0,001 0,003 0,018 0,090 0,626 0,000 0,006 0,000 0,049 RP7 W 0,923 0,979 0,854 0,517 0,910 0,784 0,939 0,888 0,856 0,895 0,608 0,520 0,624 0,912 0,874 0,594 0,968 0,806 0,703 0,867 0,541 0,424 0,953 0,544 0,726 0,935 0,724 0,946 p 0,022 0,963 0,002 0,000 0,010 0,000 0,114 0,003 0,007 0,033 0,000 0,000 0,000 0,053 0,009 0,000 0,495 0,000 0,000 0,001 0,000 0,000 0,236 0,000 0,000 0,049 0,000 0,109 23 Neste trabalho todas as vezes que forem citadas as diferenças de resultados antes e após o programa de saneamento tratar-se-á de resultados obtidos através do teste de Mann Whitney (p<0,1). A ligação dos interceptores de esgoto pela COPASA – Companhia de Águas e Saneamento de Minas Gerais foi feita em junho de 2003. Consideram-se como resultados “antes” as medições compreendidas entre janeiro de 2002 e maio de 2003 e como “depois” os resultados de junho de 2003 a dezembro de 2004. A Figura 4.1 mostra a dispersão dos resultados de Nitrogênio Total nos pontos RP1 a RP7. Nenhum ponto apresenta valores diferentes de N-Total antes e depois do tratamento. 10,0 8,0 6,0 4,0 01/08/04 17/02/05 01/08/04 17/02/05 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 Ponto: RP2 Ponto: RP3 10,0 8,0 6,0 4,0 Ponto: RP4 Ponto: RP5 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 0,0 05/11/01 2,0 Ponto: RP6 10,0 Histograma: N_TOTAL Shapiro-Wilk W=,92775, p=,00000 Expected Normal 8,0 17/02/05 No. de obs. Ponto: RP7 01/08/04 70 14/01/04 80 0,0 28/06/03 90 2,0 10/12/02 100 4,0 24/05/02 6,0 05/11/01 Nitrogênio Total, mgL-1 Ponto: RP1 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 0,0 05/11/01 2,0 60 50 40 30 20 10 0 0,0 2,0 4,0 6,0 Concentração, mgL-1 Figura 4.1 Dispersão do N-Total (mgL-1) e Histograma 8,0 10,0 24 O nitrogênio na forma de nitrato apresentou valores diferentes após o programa de saneamento somente em RP2 (Figura 4.2). Nos gráficos de dispersão (Figura 4.3) fica nítida a variabilidade deste parâmetro em todos os pontos de coleta, principalmente em RP6. 0,7 0,6 0,4 - NO3 , mgL-1 0,5 0,3 0,2 0,1 0,0 Antes depois Median 25%-75% Min-Max RP2 Figura 4.2 Nitrato: Ponto onde houve diferença antes e após o programa de saneamento – RP2 Ponto: RP4 14/01/04 01/08/04 17/02/05 14/01/04 01/08/04 17/02/05 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 Ponto: RP5 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 Ponto: RP3 Ponto: RP6 Histogram: N_NO 3___ Shapiro-Wilk W=,89324, p=,00000 Expected Normal 55 45 17/02/05 40 35 No. de obs. 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 50 05/11/01 1,6 1,4 1,2 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 Ponto: RP2 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 NO3-, mgL-1 Ponto: RP1 1,6 1,4 1,2 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 1,6 1,4 1,2 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 05/11/01 25 Ponto: RP7 30 25 20 15 10 5 0 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 Concentração, mgL-1 Figura 4.3 Nitrato: Dispersão e histograma As concentrações de nitrito se apresentaram relativamente baixas de RP1 a RP3 e mais altas de RP4 em diante dentro do ribeirão Ipanema (Figura 4.4). Para este parâmetro os resultados se apresentaram diferentes antes e após o programa de saneamento ambiental em RP3. RP1, não contemplado pelo programa, também apresentou diferenças antes e depois, bem como nos resultados gerais utilizando dados de todos os pontos. Os dois pontos de coleta no rio Doce (RP6 e RP7) também apresentaram resultados diferentes no período após o programa de saneamento (Figura 4.5). Ponto: RP7 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 Ponto: RP4 0,4 0,2 0 0,0 0,8 0,6 0,2 0,4 Ponto: RP2 Ponto: RP5 0,2 Concentração, mgL-1 0,6 Figura 4.4 Dispersão do nitrito (mg L-1), Box Plots e Histograma 0,8 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 0,4 17/02/05 0,6 01/08/04 0,8 01/08/04 Ponto: RP3 14/01/04 1,0 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 Ponto: RP1 No. de obs. 0,0 24/05/02 0,0 05/11/01 0,0 05/11/01 NO2-, mgL-1 26 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 1,0 Ponto: RP6 Shapiro-Wilk W=,86507, p=,00000 Expected Normal Histogram: N_NO 2___ 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 1,0 1,0 1,0 0,9 0,9 0,8 0,8 0,7 0,7 0,6 0,6 NO2 , mgL-1 0,5 - - NO2 , mgL-1 27 0,5 0,4 0,4 0,3 0,3 0,2 0,2 0,1 0,1 Median 25%-75% Min-Max 0,0 Antes depois 0,0 Antes Median 25%-75% Min-Max RP3 1,0 0,9 0,9 0,8 0,8 0,7 0,7 0,6 0,6 NO2 , mgL-1 1,0 - 0,5 0,5 0,4 0,4 0,3 0,3 0,2 0,2 0,1 0,1 Median 25%-75% Min-Max 0,0 Antes depois 0,0 Antes RP6 depois RP7 1,0 0,9 0,8 0,7 - NO2 , mgL-1 - NO2 , mgL-1 RP1 depois 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 Antes depois Median 25%-75% Min-Max GERAL Figura 4.5 Nitrito: pontos onde houve variação antes e após o programa de saneamento Median 25%-75% Min-Max 28 As concentrações de íon amônio foram as mais altas dentre as formas inorgânicas de nitrogênio (Figura 4.6). O único ponto em que os valores apresentaram diferenças antes e após o programa de saneamento é RP6 (Figura 4.7). 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 01/08/04 17/02/05 17/02/05 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 Ponto: RP2 01/08/04 Ponto: RP1 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 0,0 05/11/01 1,0 Ponto: RP3 6,0 5,0 3,0 2,0 Ponto: RP4 Ponto: RP5 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 0,0 24/05/02 1,0 05/11/01 NH4+, mgL-1 4,0 Ponto: RP6 6,0 Histogram: N_NH4 5,0 4,0 200 3,0 17/02/05 01/08/04 140 No. de obs. Ponto: RP7 14/01/04 28/06/03 10/12/02 160 24/05/02 180 1,0 05/11/01 2,0 0,0 + Shapiro-Wilk W=,59470, p=0,0000 Expected Normal 120 100 80 60 40 20 0 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 Concentração, mgL-1 Figura 4.6 Dispersão de amônio (mg L-1), e Histograma Como RP6 se localiza a montante da foz do ribeirão Ipanema, seu comportamento não está diretamente afetado pelo programa de saneamento, sendo um ponto de referência para estimar o impacto desse programa sobre o rio Doce. A predominância do íon amônio como forma inorgânica do nitrogênio no ribeirão Ipanema é provavelmente o resultado da pouca disponibilidade de O2 aquoso, mesmo após a remoção dos esgotos, para completar a nitrificação. 29 1,6 1,4 1,2 + NH 4 , mgL -1 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 Median 25%-75% Min-Max 0,0 Antes depois RP6 Figura 4.7 Amônio: ponto em que houve diferença antes e após programa de saneamento – RP6 O nitrogênio orgânico apresenta diferenças antes e após o programa de saneamento somente em RP2 (Figura 4.8), com uma tendência a diminuição dos valores. É importante lembrar que o nitrato também apresentou diferença neste ponto, só que com tendência a aumento da concentração. A variabilidade dos valores de N-Orgânico é bem acentuada em todos os pontos de coleta (Figura 4.9) 9,0 8,0 7,0 N Orgânico, mgL -1 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 Antes depois Median 25%-75% Min-Max RP2 Figura 4.8 Nitrogênio Orgânico: ponto em que houve diferença antes e após programa de saneamento – RP2 30 10,0 8,0 6,0 4,0 01/08/04 17/02/05 01/08/04 17/02/05 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 Ponto: RP2 Ponto: RP3 10,0 8,0 6,0 4,0 Ponto: RP4 Ponto: RP5 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 0,0 24/05/02 2,0 05/11/01 Nitrogênio Orgânico, mgL-1 Ponto: RP1 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 0,0 05/11/01 2,0 Ponto: RP6 10,0 Histogram: N_ORG Shapiro-Wilk W=,90167, p=,00000 Expected Normal 8,0 6,0 140 4,0 120 17/02/05 01/08/04 100 No. de obs. Ponto: RP7 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 0,0 05/11/01 2,0 80 60 40 20 0 00 02 04 06 08 010 Concentração, mgL-1 Figura 4.9 Dispersão do Nitrogênio Orgânico (mgL-1) e Histograma São diversas as fontes de nitrogênio nas águas naturais. Os esgotos sanitários constituem em geral a principal fonte, lançando nas águas nitrogênio orgânico ligado a proteínas e nitrogênio amoniacal, devido à hidrólise sofrida pela uréia na água. Alguns efluentes industriais também concorrem para as descargas de nitrogênio orgânico e amoniacal nas águas. A atmosfera é outra fonte importante através de diversos mecanismos: fixação biológica desempenhada por bactérias e algas que incorporam o nitrogênio atmosférico em seus tecidos, contribuindo para a presença de nitrogênio orgânico nas águas; a fixação química, reação que depende da presença de luz, concorre para as presenças de amônia e nitratos nas águas, as lavagens da atmosfera poluída pelas águas pluviais concorrem para as 31 presenças de partículas contendo nitrogênio orgânico bem como para a dissolução de amônia e nitratos. Nas áreas agrícolas, o escoamento das águas pluviais pelos solos fertilizados também contribui para a presença de diversas formas de nitrogênio. Também nas áreas urbanas, as drenagens de águas pluviais associadas às deficiências do sistema de limpeza pública, constituem fonte difusa de difícil caracterização (www.cetesb.sp.gov.br). Na Figura 4.10 são apresentadas as variações das formas de nitrogênio para cada ponto de coleta antes e após o programa de saneamento de esgoto. 100,0% 90,0% 80,0% 70,0% 60,0% 50,0% 40,0% 30,0% 20,0% RP7 depois RP7 antes RP6 depois RP6 antes RP5 depois RP5 antes RP4 depois RP4 antes RP3 depois RP3 antes RP2 depois RP2 antes RP1 depois 0,0% RP1 antes 10,0% N Orgânico, mgL-1 NH4+ , mgL-1 NO2-, mgL-1 NO3-2 mgL-1 Figura 4.10 Variação das formas de nitrogênio antes e após o programa de saneamento Tanto o fósforo total, como o fósforo orgânico, apresentaram grande variabilidade dos resultados com picos de concentrações em todos os pontos (Figura 4.11 e 4.14). Somente 32 em RP2 houve diferença entre os resultados antes e depois do programa de saneamento 14/01/04 01/08/04 17/02/05 14/01/04 01/08/04 17/02/05 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 Ponto: RP5 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 Ponto: RP3 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 Ponto: RP2 Ponto: RP4 Ponto: RP6 Histogram: P_TOTAL Shapiro-Wilk W=,89894, p=,00000 Expected Normal 140 17/02/05 100 No. de obs. Ponto: RP7 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 120 24/05/02 1,8 1,6 1,4 1,2 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 05/11/01 Fósforo Total, mgL -1 Ponto: RP1 1,8 1,6 1,4 1,2 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 1,8 1,6 1,4 1,2 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 05/11/01 (Figura 4.12 e 4.13). 80 60 40 20 0 0,0 0,5 1,0 Concentração, mgL-1 Figura 4.11 Dispersão do P-Total (mg L-1) e Histograma 1,5 2,0 33 1,8 1,6 1,4 FósforoTotal, mgL -1 1,2 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 Antes depois Median 25%-75% Min-Max RP2 Figura 4.12 P-Total: ponto em que houve diferença antes e após programa de saneamento – RP2 1,2 1,0 P Orgânico, mgL -1 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 Antes depois Median 25%-75% Min-Max RP2 Figura 4.13 Fósforo Orgânico: ponto em que houve diferença antes e após programa de saneamento RP2 34 1,2 1,0 0,8 0,6 0,4 01/08/04 17/02/05 01/08/04 17/02/05 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 Ponto: RP2 Ponto: RP3 1,2 1,0 0,8 0,6 0,4 Ponto: RP4 Ponto: RP5 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 0,0 24/05/02 0,2 05/11/01 Fósforo Orgânico, mgL-1 Ponto: RP1 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 0,0 05/11/01 0,2 Ponto: RP6 1,2 1,0 Histogram: P_ORG Shapiro-Wilk W=,80974, p=,00000 Expected Normal 0,8 0,6 120 0,4 0,2 Ponto: RP7 80 No. de obs. 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 100 05/11/01 0,0 60 40 20 0 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 Concentração, mgL-1 Figura 4.14 Dispersão do Fósforo orgânico (mgL-1) e Histograma As concentrações de fosfato apresentaram picos em alguns dos pontos (Figura 4.15). Para este parâmetro, apresentaram diferença antes e após o programa de saneamento ambiental: RP1, RP3 e RP4 (Figura 4.16). O fósforo aparece em águas naturais devido principalmente às descargas de esgotos sanitários e pode se apresentar como fósforo orgânico, ortofosfatos (que se combinam com cátions formando sais inorgânicos nas águas) e polifosfatos ou fosfatos condensados que são polímeros de ortofosfatos, menos importantes no estudo da poluição por se converter rapidamente em ortofosfato (www.cetesb.sp.gov.br). 35 Apesar de ser um nutriente limitante para processos biológicos, o excesso de fósforo, conduz a processos de eutrofização das águas naturais. A figura 4.17 mostra a variação do fósforo orgânico e do fosfato antes e após o programa de saneamento em cada ponto do ribeirão Ipanema e do rio Doce. 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 10/12/02 14/01/04 10/12/02 14/01/04 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 17/02/05 05/11/01 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 Ponto: RP2 Ponto: RP4 Ponto: RP3 Ponto: RP5 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 Ponto: RP7 Ponto: RP6 Histogram: P_PO4 3+ Shapiro-Wilk W=,74112, p=,00000 Expected Normal 120 100 80 No. de obs. PO 43+ Ponto: RP1 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 60 40 20 0 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 Concentração, mgL-1 Figura 4.15 Dispersão do Fosfato (mgL-1) e Histograma 0,6 0,7 0,8 0,5 0,4 0,4 0,3 0,3 PO43+ , mgL-1 0,5 0,2 0,1 0,2 0,1 Median 25%-75% Min-Max 0,0 Antes depois 0,0 Antes RP1 depois RP3 0,5 0,4 PO4 3+ , mgL-1 PO43+ , mgL-1 36 0,3 0,2 0,1 0,0 Antes depois Median 25%-75% Min-Max RP4 Figura 4.16 Fosfato: ponto em que houve diferença antes e após programa de saneamento Median 25%-75% Min-Max 37 100,0% 90,0% 80,0% 70,0% 60,0% 50,0% 40,0% 30,0% 20,0% RP7 depois RP7 antes RP6 depois RP6 antes RP5 depois RP5 antes RP4 depois RP4 antes RP3 depois RP3 antes RP2 depois RP2 antes RP1 depois 0,0% RP1 antes 10,0% P-Total, mgL-1 PO4-3 mgL-1 Figura 4.17 Variação das formas de fósforo antes e após o programa de saneamento A temperatura apresenta grande variação em todos os pontos amostrados durante o estudo (Figura 4.18). Os valores obtidos apresentaram diferenças antes e depois somente para os resultados gerais (todo os pontos) e RP2 (Figura 4.19). Em todos esses pontos a amplitude de variação diminui após o programa de saneamento, porém há aumento da mediana. Possivelmente, isso foi efeito da diminuição do volume de efluentes que chegavam ao ribeirão Ipanema, que poderiam ter temperatura menor que as águas expostas à radiação solar direta. Os pontos em que houve diferença antes e após o programa de saneamento para o oxigênio dissolvido são RP2, RP5 e para os pontos tomados em conjunto (Figura 4.20). Este parâmetro apresentou valores muito baixos em todos os pontos (Figura 4.21), em todos eles observa-se diminuição da mediana. O mesmo ocorreu para saturação de oxigênio em RP5 e RP7 (Figuras 4.22 e 4.23). 32,0 30,0 28,0 26,0 24,0 22,0 20,0 18,0 16,0 14,0 17/02/05 01/08/04 Nº de observações Ponto: RP7 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 32,0 30,0 28,0 26,0 24,0 22,0 20,0 18,0 16,0 14,0 Ponto: RP4 12,0 14,0 16,0 18,0 20,0 22,0 24,0 Ponto: RP5 Temperatura, ºC 26,0 Figura 4.18 Dispersão da Temperatura (ºC) e Histograma 28,0 Ponto: RP6 60 50 40 30 20 10 0 30,0 32,0 17/02/05 17/02/05 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 01/08/04 Ponto: RP3 01/08/04 14/01/04 Ponto: RP2 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 Ponto: RP1 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 32,0 30,0 28,0 26,0 24,0 22,0 20,0 18,0 16,0 14,0 05/11/01 Temperatura, °C 38 32,0 32,0 30,0 30,0 28,0 28,0 26,0 26,0 Temperatura, °C Temperatura, °C 39 24,0 22,0 24,0 22,0 20,0 20,0 18,0 18,0 16,0 16,0 Median 25%-75% Min-Max 14,0 Antes depois 14,0 Antes Geral depois Median 25%-75% Min-Max RP2 12,0 12,0 10,0 10,0 8,0 8,0 O2, mg de O2 L-1 O2, mg de O2 L-1 Figura 4.19 Temperatura (ºC): pontos em que houve diferença antes e após programa de saneamento 6,0 6,0 4,0 4,0 2,0 2,0 Median 25%-75% Min-Max 0,0 Antes depois 0,0 Antes GERAL depois Median 25%-75% Min-Max RP2 12,0 10,0 O2, mg de O2 L-1 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0 Antes depois Median 25%-75% Min-Max RP5 Figura 4.20 Oxigênio Dissolvido (mgL-1): pontos em que houve diferença antes e após o programa de saneamento 40 12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 Ponto: RP1 Ponto: RP2 Ponto: RP3 12,0 10,0 O2, mgO 2L-1 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0 10/12/02 14/01/04 10/12/02 14/01/04 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 17/02/05 05/11/01 17/02/05 28/06/03 01/08/04 28/06/03 01/08/04 24/05/02 24/05/02 24/05/02 28/06/03 01/08/04 70 Ponto: RP4 Ponto: RP5 Ponto: RP6 12,0 60 10,0 8,0 50 4,0 2,0 0,0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 Nº de observações. 6,0 40 30 20 Ponto: RP7 10 0 -2,0 0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 O2, MgL-1 Figura 4.21 Dispersão do Oxigênio Dissolvido (mgL-1) e Histograma A diminuição nos valores de O2 dissolvido não é o que se normalmente espera como resposta de um corpo d’água, após a remoção de cargas de esgoto doméstico. O déficit de O2 dissolvido pode ser parcialmente explicado pelo aumento na temperatura da água, que diminui a massa de oxigênio gasoso a ser convertida a oxigênio aquoso ou principalmente pelo gasto de oxigênio na oxidação da matéria orgânica acumulada no sedimento. Neste caso, o oxigênio disponibilizado pela retirada das entradas de esgoto doméstico estaria sendo prontamente utilizado pela grande quantidade de matéria orgânica retida no sedimento não sendo possível detectar aumentos de concentração nas análises realizadas. 41 160,0 140,0 120,0 100,0 80,0 60,0 40,0 20,0 0,0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 Ponto: RP2 Ponto: RP4 160,0 140,0 120,0 100,0 80,0 60,0 40,0 20,0 0,0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 Ponto: RP3 Ponto: RP7 Ponto: RP5 Ponto: RP6 60 50 40 Nº de observações. O2, % saturação Ponto: RP1 160,0 140,0 120,0 100,0 80,0 60,0 40,0 20,0 0,0 10/12/02 14/01/04 10/12/02 14/01/04 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 17/02/05 05/11/01 17/02/05 28/06/03 01/08/04 28/06/03 01/08/04 24/05/02 24/05/02 24/05/02 28/06/03 01/08/04 30 20 10 0 -20,0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0 120,0 O2, % saturação Figura 4.22 Dispersão Saturação de Oxigênio Dissolvido (%) e Histograma 140,0 140,0 140,0 120,0 120,0 100,0 100,0 O2, % saturação O2, % saturação 42 80,0 60,0 80,0 60,0 40,0 40,0 20,0 20,0 Median 25%-75% Min-Max 0,0 Antes depois 0,0 Antes RP5 depois Median 25%-75% Min-Max RP7 Figura 4.23 Saturação de oxigênio (%): pontos em que houve diferença antes e após o programa de saneamento O único ponto que apresentou diferença de pH antes e após o programa de saneamento foi RP4 (Figura 4.24), no centro de Ipatinga. A maior parte dos valores de pH medidas está compreendida entre 6,5 e 7,5. O menor valor medido de pH foi 5,4 em RP4 em agosto de 2002 e o maior 9,10 em RP3 em dezembro de 2002 (Figura 4.25). 9,0 8,5 8,0 pH 7,5 7,0 6,5 6,0 5,5 5,0 Antes depois Median 25%-75% Min-Max RP4 Figura 4.24 pH: ponto em que houve diferença antes e após o programa de saneamento 43 9,5 9,0 8,5 8,0 7,5 7,0 6,5 6,0 5,5 5,0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 pH Ponto: RP1 Ponto: RP2 Ponto: RP3 9,5 9,0 8,5 8,0 7,5 7,0 6,5 6,0 5,5 5,0 10/12/02 14/01/04 10/12/02 14/01/04 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 17/02/05 05/11/01 17/02/05 28/06/03 01/08/04 28/06/03 01/08/04 24/05/02 24/05/02 24/05/02 28/06/03 01/08/04 Ponto: RP4 Ponto: RP5 Ponto: RP7 Ponto: RP6 110 100 90 80 Nº de observações 9,5 9,0 8,5 8,0 7,5 7,0 6,5 6,0 5,5 5,0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 70 60 50 40 30 20 10 0 5,0 5,5 6,0 6,5 7,0 7,5 8,0 8,5 9,0 9,5 pH Figura 4.25 Dispersão pH e Histograma Os principais cátions presentes em águas naturais são: Ca+2, Mg+2, Na+, K+, Fe+3 e Mn+2 (ESTEVES, 1998). As concentrações de potássio (mg L-1) apresentaram maior variação em RP6. As menores concentrações deste íon podem ser observadas em RP1. A variabilidade íon sódio apresentou comportamento visivelmente diferente em RP1 em relação aos demais pontos. Neste, as concentrações apresentaram menor amplitude de variação como se pode ver na Figura 4.26, mantendo-se numa pequena faixa durante todo período analisado. O valor da mediana de RP6 é 16,76 mg L-1, superior aos demais pontos. Para o cálcio os pontos RP1, RP2 e RP3 apresentaram de maneira geral as menores concentrações. Em RP2, RP4 e RP5 pode-se observar valores extremos superiores a 40 mgL-1, 44 e em RP7 29,95 mgL-1. É importante salientar que todas essas ocorrências deram-se no ano de 2002, antes do programa de saneamento. Nas amostragens posteriores o único valor registrado nesta ordem é de 48,36 mgL-1 em RP6 (julho de 2004). Ressalte-se que o íon magnésio apresentou as maiores concentrações exatamente nas mesmas datas e pontos que o cálcio. Da mesma maneira após o ano de 2002 só houve ocorrência de valor extremo deste metal em RP6, julho de 2007, onde se encontrou o valor de 13 mgL-1. Para os íons Zn+2 e Cu+2, as diferenças antes e após o programa de saneamento não foram detectadas dentro dos níveis de significância adotados neste trabalho. Para o teste de Mann Whitney, os resultados das análises de metais apresentaram diferenças antes e após o programa de saneamento são mostrados na Tabela 4.2. Tabela 4.2 Pontos onde os metais apresentaram diferença antes e após o programa de saneamento Íons, mgL-1 Geral RP1 RP2 RP3 RP4 RP5 RP6 RP7 K+ ≠ Na+ ≠ Ca+2 ≠ Mg+2 ≠ ≠ ≠ ≠ ≠ ≠ ≠ ≠ ≠ ≠ Zn+2 Cu+2 Fe+3 Mn+2 ≠ ≠ ≠ ≠ 45 26,0 35,0 Median Extremes 24,0 Median Extremes 22,0 25%-75% Non-Outlier Range Outliers 25%-75% Non-Outlier Range Outliers 30,0 20,0 25,0 18,0 Na+ , mgL-1 K+ , mgL-1 16,0 14,0 12,0 20,0 15,0 10,0 10,0 8,0 6,0 5,0 4,0 2,0 0,0 RP1 0,0 RP1 RP2 RP3 RP4 RP5 RP6 RP2 RP3 RP4 RP5 RP6 RP7 RP7 60,0 18,0 Median Extremes 25%-75% Non-Outlier Range Median Extremes Outliers 25%-75% Non-Outlier Range Outliers 16,0 50,0 14,0 12,0 Mg+2, mgL-1 Ca+2 , mgL-1 40,0 30,0 10,0 8,0 6,0 20,0 4,0 10,0 2,0 0,0 RP1 0,0 RP1 RP2 RP3 RP4 RP5 RP6 RP2 RP3 RP7 RP4 RP5 RP6 RP7 Ponto 220,0 3,5 200,0 3,0 180,0 Median Extremes 160,0 25%-75% Non-Outlier Range Median Extremes Outliers 25%-75% Non-Outlier Range Outliers 2,5 Mn+2 , mgL-1 Fe+3 , mgL-1 140,0 120,0 100,0 2,0 1,5 80,0 1,0 60,0 40,0 0,5 20,0 0,0 0,0 RP1 RP2 RP3 RP4 RP5 RP6 RP7 RP1 RP2 RP3 RP4 RP5 RP6 RP7 Figura 4.26 Box Plots dos metais Os valores de condutividade apresentaram correlações de 0,42; 0,35; 0,45 e 0,40 com os íons potássio, sódio, cálcio e magnésio, respectivamente antes do programa de saneamento. Após o programa de saneamento este parâmetro apresentou correlações significativas (p<0,05) 46 com o nitrito, temperatura, concentração de O2. Os valores obtidos foram: 0,48; 0,43; e 0,60. Os valores apresentaram maior dispersão em RP5 e na maioria das leituras obtiveram-se valores que variaram de 0 a 200 μS.cm-1, sendo a maior parte superior a 100 μS.cm-1 (Figura 4.27). Valores de condutividade acima de 100 μS.cm-1 sugerem ambientes impactados, dado aos baixos (10 a 20 μS.cm-1) valores de condutividade em ecossistemas lóticos em áreas protegidas na região (M. G. Sabará. Comunicação Pessoal). Os pontos que apresentaram diferença antes e após o programa de saneamento foram RP1, RP2, RP3 e RP4 (Figura 4.28). Uma maior condutividade elétrica sugere mineralização mais rápida de material orgânico, provavelmente estocado no sedimento. Essa mineralização, desde que aeróbia, também contribui para diminuição no conteúdo de O2 dissolvido. 450 400 350 300 250 200 150 100 50 0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 Ponto: RP2 Ponto: RP4 450 400 350 300 250 200 150 100 50 0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 Ponto: RP3 Ponto: RP7 Ponto: RP5 Ponto: RP6 50 45 40 35 Nº de observações Condutividade, μ S.cm -1 Ponto: RP1 450 400 350 300 250 200 150 100 50 0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 30 25 20 15 10 5 0 -50,0 0,0 50,0 100,0 150,0 200,0 250,0 300,0 Condutividade (μS.cm -1) Figura 4.27 Dispersão da condutividade (μS.cm-1) e Histograma 350,0 400,0 450,0 450,0 450,0 400,0 400,0 350,0 350,0 300,0 300,0 Condutividade,µScm-1 Condutividade,µScm-1 47 250,0 200,0 150,0 250,0 200,0 150,0 100,0 100,0 50,0 50,0 Median 25%-75% Min-Max 0,0 Antes depois Antes Geral depois Median 25%-75% Min-Max RP1 450,0 450,0 400,0 400,0 350,0 Condutividade,µScm-1 Condutividade,µScm-1 350,0 300,0 250,0 200,0 300,0 250,0 200,0 150,0 100,0 150,0 Median 25%-75% Min-Max 50,0 Antes depois 100,0 Antes RP2 depois Median 25%-75% Min-Max RP3 450,0 400,0 Condutividade,µScm-1 350,0 300,0 250,0 200,0 150,0 100,0 Antes depois Median 25%-75% Min-Max RP4 Figura 4.28 Condutividade: pontos onde houve variação antes e após o programa de saneamento A maior parte das leituras do Potencial Redox apresentou valores de 0 a 100 mV (Figura 4.29). Os maiores valores (superiores a 400 mV) foram obtidos em RP1 (não contemplado pelo programa de saneamento) nos períodos anteriores a interligação dos interceptores de esgoto. Os valores negativos foram obtidos em sua maioria antes do programa 48 de saneamento (223 valores contra 5 após o programa). O menor valor obtido foi de -296,0 mV em RP6, janeiro de 2002. Neste ponto, grande parte das leituras apresentou valor negativo. Valores positivos elevados de potencial redox indicam que a água tem boa capacidade de oxidação dos elementos presentes. Os resultados de Potencial Redox apresentaram diferença antes e após o programa de saneamento somente para os dados gerais, RP1 e RP6. Nestes pontos, os valores de mediana foram menores após o programa de saneamento (Figura 4.30). 600,0 500,0 400,0 300,0 200,0 100,0 0,0 -100,0 -200,0 -300,0 -400,0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 Ponto: RP2 Ponto: RP4 600,0 500,0 400,0 300,0 200,0 100,0 0,0 -100,0 -200,0 -300,0 -400,0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 Ponto: RP3 Ponto: RP7 Ponto: RP5 Ponto: RP6 70 60 50 Nº de observações Potencial Redox, mV Ponto: RP1 600,0 500,0 400,0 300,0 200,0 100,0 0,0 -100,0 -200,0 -300,0 -400,0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 40 30 20 10 0 -400,0 -300,0 -200,0 -100,0 0,0 100,0 Potencial Redox, mV Figura 4.29 Dispersão do Potencial Redox e Histograma 200,0 300,0 400,0 500,0 500,0 500,0 400,0 400,0 300,0 300,0 200,0 200,0 Potencial Redox, mV Potencial Redox, mV 49 100,0 0,0 100,0 0,0 -100,0 -100,0 -200,0 -200,0 -300,0 -300,0 Median 25%-75% Min-Max -400,0 Antes depois -400,0 Antes Geral depois Median 25%-75% Min-Max RP1 500,0 400,0 Potencial Redox, mV 300,0 200,0 100,0 0,0 -100,0 -200,0 -300,0 -400,0 Antes depois Median 25%-75% Min-Max RP6 Figura 4.30 Potencial Redox: pontos onde houve variação antes e após o programa de saneamento Os sólidos totais dissolvidos (STD) apresentaram diferença nos valores obtidos somente em RP2 (Figura 4.31). A maior parte dos resultados está entre zero e 200 mgL-1. Os sólidos totais suspensos (STS) apresentaram diferença antes e após o programa de saneamento somente em RP7 (rio Doce), ou seja, dentro dos níveis de significância adotados neste trabalho não foi possível detectar diferenças antes e após o programa para essa variável no ribeirão Ipanema. RP7 foi o ponto em que foram detectados os maiores valores de STS (Figura 4.32). 50 a) b) 300,0 120 250,0 100 200,0 STD, mgL-1 60 150,0 100,0 40 50,0 20 0,0 Median 25%-75% Min-Max -50,0 0 -200,0 0,0 200,0 400,0 600,0 800,0 1000,0 Antes 1200,0 depois RP2 STD, mgL-1 Ponto: RP7 Figura 4.32 Dispersão do STS 14/01/04 01/08/04 17/02/05 14/01/04 01/08/04 17/02/05 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 17/02/05 01/08/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 Ponto: RP3 Ponto: RP5 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 Ponto: RP2 Ponto: RP4 6000,0 5000,0 4000,0 3000,0 2000,0 1000,0 0,0 -1000,0 05/11/01 -1 Ponto: RP1 6000,0 5000,0 4000,0 3000,0 2000,0 1000,0 0,0 -1000,0 28/06/03 10/12/02 24/05/02 05/11/01 17/02/05 01/08/04 14/01/04 28/06/03 10/12/02 05/11/01 6000,0 5000,0 4000,0 3000,0 2000,0 1000,0 0,0 -1000,0 24/05/02 Figura 4.31 STD: a) Histograma b) Box Plots dos resultados em RP2 STS, mgL Nº de observações 80 Ponto: RP6 51 Valores elevados de turbidez afetam a entrada de luz no corpo de água e consequentemente a capacidade de realização de fotossíntese, prejudicando a flora e fauna aquáticas com depleção dos níveis de oxigênio dissolvido. Neste trabalho os valores de turbidez apresentaram valores máximo de 70 UNT com maioria dos resultados entre 0 e 20 UNT (Figura 4.33). Os pontos que apresentaram diferença antes e após o programa de saneamento foram RP3 e RP5 (Figura 4.34), sendo que em RP3 houve diminuição da mediana e em RP5, aumento. 80,0 70,0 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 Ponto: RP2 Ponto: RP3 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 Ponto: RP4 Ponto: RP5 Ponto: RP6 110 80,0 70,0 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 100 90 80 05/11/01 14/01/04 17/02/05 10/12/02 24/05/02 28/06/03 01/08/04 Ponto: RP7 Nº de observações Turbidez, UNT Ponto: RP1 80,0 70,0 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 70 60 50 40 30 20 10 0 -10,0 0,0 10,0 20,0 30,0 Turbidez, UNT Figura 4.33 Dispersão da turbidez e Histograma 40,0 50,0 60,0 70,0 50,0 50,0 40,0 40,0 30,0 30,0 Turbidez, UNT Turbidez, UNT 52 20,0 10,0 20,0 10,0 0,0 Antes depois Median 25%-75% Min-Max RP3 0,0 Antes depois Median 25%-75% Min-Max RP5 Figura 4.34 Turbidez: pontos onde houve diferença nos resultados antes e após saneamento 4.2 ANÁLISES BACTERIOLÓGICAS A detecção de bactérias patogênicas na água é muito difícil devido às baixas concentrações desses organismos. Desse modo, é comum utilizar organismos indicadores de contaminação fecal não patogênicos, para avaliação da possibilidade de contaminação da água por patógenos presentes nos esgotos e a potencialidade deles transmitirem doenças; sendo o grupo coliforme o mais comumente utilizado (VON SPERLING, 1996). Neste trabalho, dos 193 resultados obtidos, 174 apresentaram valores superiores a 2500 células por 100 mL condenando este ambiente para o uso recreativo conforme a Resolução CONAMA nº 357 de março de 2005. Os pontos do ribeirão Ipanema contemplados pelo programa de saneamento de esgoto não apresentaram diferenças antes e após o programa. Os resultados apresentaram diferenças somente em RP1 (Figuras 4.35 e 4.36), na zona rural. 53 9590000,0 8000000,0 6500000,0 5560000,0 4720000,0 3770000,0 2481000,0 1664000,0 823000,0 0,0 -2000000,0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 Ponto: RP2 Ponto: RP3 -2000000,0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 Ponto: RP4 Ponto: RP5 Ponto: RP6 9590000,0 8000000,0 6500000,0 5560000,0 4720000,0 3770000,0 2481000,0 1664000,0 823000,0 0,0 -2000000,0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 Ponto: RP7 Figura 4.35 Dispersão do UFC (células.100 mL-1) 200000,00 180000,00 160000,00 140000,00 120000,00 UFC__100 UFC, células.(100mL)-1 Ponto: RP1 9590000,0 8000000,0 6500000,0 5560000,0 4720000,0 3770000,0 2481000,0 1664000,0 823000,0 0,0 100000,00 80000,00 60000,00 40000,00 20000,00 0,00 Antes depois RP1 Figura 4.36 UFC -100: RP1 antes e depois Median 25%-75% Min-Max 54 4.3 CLOROFILA a A clorofila a é um pigmento de fundamental importância como indicador do índice de estado trófico de um corpo de água. Existem 4 tipos de clorofila: a, b, c, d. O tipo a é considerado o mais primitivo e está presente em todas as algas, desde cianobactérias até formas multicelulares filamentosas. Desse modo, sua medição permite, de forma indireta estimar a concentração desses organismos na água. Já que a concentração de clorofila a é proporcional à concentração de células algais, e estas por sua vez, têm crescimento favorecido em ambientes mais ricos em fósforo, é crível usar a concentração de clorofila a como um dos indicadores de estado trófico de águas superficiais (KELLY & WHITTON, 1994). O único ponto em que a clorofila a apresentou diferença nos resultados antes e após o programa de saneamento foi RP4 (Figura 4.37). A maior concentração encontrada foi de 2,4 mgL-1 em RP7 (rio Doce) e dentro do ribeirão Ipanema a maior concentração foi de em julho de 2004, 1,2 mgL-1 (Figura 4.38).. A maior parte das análises apresentou concentrações até 0,5 mgL-1. 1,4 1,2 Clorofila a, mgL-1 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 Antes depois Median 25%-75% Min-Max RP4 Figura 4.37 Clorofila a: Ponto onde houve diferença nos resultados antes e após o programa de saneamento 55 3,0 2,7 2,4 2,1 1,8 1,5 1,2 0,9 0,6 0,3 0,0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 24/05/02 28/06/03 01/08/04 Clorofila a, mgL -1 Ponto: RP1 Ponto: RP2 Ponto: RP3 3,0 2,7 2,4 2,1 1,8 1,5 1,2 0,9 0,6 0,3 0,0 10/12/02 14/01/04 10/12/02 14/01/04 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 05/11/01 17/02/05 05/11/01 17/02/05 28/06/03 01/08/04 28/06/03 01/08/04 24/05/02 24/05/02 24/05/02 28/06/03 01/08/04 Ponto: RP4 Ponto: RP5 Ponto: RP6 180 160 140 120 Nº de observações 3,0 2,7 2,4 2,1 1,8 1,5 1,2 0,9 0,6 0,3 0,0 05/11/01 10/12/02 14/01/04 17/02/05 24/05/02 28/06/03 01/08/04 100 80 60 Ponto: RP7 40 20 0 -0,5 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 Clorofila a, mgL-1 Figura 4.38 Dispersão da clorofila a e histograma 4.4 PERIFÍTON E FITOPLÂNCTON Os resultados das análises de identificação e quantificação do perifíton são mostrados nas Tabelas 4.3 e 4.4, correspondentes aos resultados antes e após o programa de saneamento. Os resultados das análises de identificação e quantificação do fitoplâncton são mostrados na Tabela 4.5. 56 Tabela 4.3 Perifíton: Lista de espécies e proporção média das coberturas nas lâminas, antes do programa de saneamento. % Espécie Código proporção Espécie Cyanophyta Zygnemaphyceae Oscillatória spp 2 1,0 Oedegonium O. amphibia 2 1,0 Baccillariophyta O. brevis 1 0,5 Amphiprona sp O. lacustris 2 1,0 A. Ovalis O. planctonica 2 1,0 Amphora ovalis O. subvrevis 2 1,0 Aulocosira sp. Pseudoanebaena catenata 3 6,0 Caloneis sp. Spirulina sp 2 1,0 Eunotia Chorophyta 2 1,0 Gomphonema sp. Chlorella sp 3 10,0 Gyrosigma sp Chlorella vulgaris 1 0,5 Navicula sp Glaucocystis komarekii 1 0,5 Nitzschia sp Glaucocystis sp. 1 0,5 Pinnularia spp Koliella longiseta 1 0,5 Pleurosigma sp. Monorophidium contortum 2 1,0 Stauroneis sp. M. irregulare 2 0,5 Surirella sp. M. pussilum 2 1,0 Synedra sp Scenesmus acutus 2 1,0 S. goulardii S. apoliensis 2 1,0 S. ulna S qadricauda 2 0,5 Cryptophyceae Uronema sp1. 2 1,0 Cryptomonas sp. Zygnemaphyceae Dynophyceae Closterium sp1 1 1,0 Peridinium Cosmarium 2 0,5 Xantophyceae Hyalotheca sp 1 0,5 Ophyocytium % Código proporção 2 0,5 2 3 2 4 3 3 4 3 2 1 2 1 0,5 10,0 1,0 30,0 10,0 10,0 25,0 8,0 0,5 0,5 1,0 0,5 2 2 2 1 1 0,5 0,5 0,5 1,0 1,0 1 0,5 1 1 1 0,5 0,5 1,0 57 Tabela 4.4 Perifíton: Lista de espécies e proporção média das coberturas nas lâminas, depois do programa de saneamento. Espécie Cyanophyta Lyngbya sp L. limnética Merismopedia tenuissima Oscillatoria sp O. amphibia O. breves O. limnetica O. planctonica O. pseudogeminata O. subbrevis Chorophyta Actinastrum hantzschii Ankitrodesmus gracilis Chaetophora sp. Chlorella sp Chlorella vulgaris Dictyosphaerium sp D. pulchellum Koliella longiseta Monoraphidium contortum M. irregulare M. setiforme Scenedesmus acuminatus S. quadricauda S. apoliensis Tetraedron minimum Zygnemaphyceae Closterium sp1 C. acutum Cosmarium sp2 C. botrytis C. depressum Euastrum sp. Hyalotheca dissiliens % Código proporção Espécie Zygnemaphyceae 2 10,0 Mesotaenium sp 1 1,0 Oedegonium sp1 % Código proporção 1 1 1,0 1,0 1 1 1,0 1,0 1 1 1,0 1,0 2 2 1 1 2 2 2 2 2 2 2 10,0 10,0 1,0 1,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 10,0 3,0 1 1 1 1 1 1 1 2 1,0 1,0 0,5 1,0 1,0 1,0 1,0 10,0 1 1 1 1 1 1 1 1 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 0,5 0,5 Oedegonium sp2 Staurastrum longipes Cryptophyceae Cryptomonas spp C. marsonii Baccillariophyta Amphora sp1 A. ovalis Caloneis sp1 Eunotia flexuosa E. monodum Gomphonema sp1 Gyrosigma sp1 Navicula sp1 Navicula sp2 Navicula sp3 Nitzschia sp1 1 1 1 1,0 1,0 1,0 Niyzschia sp2 Pinnularia sp1 Pinnularia sp2 2 2 2 10,0 10,0 10,0 1 1 1 1 1,0 1,0 0,5 1,0 1 2 1 2 2 1 1 1,0 2,0 1,0 2,0 2,0 1,0 0,5 Pinnularia sp3 Saturoneis sp1 Srinella sp2 Synedra sp1 Synedra ulna Tabellaria sp1 Crysophyceae Kephirion sp Euglenophyceae Euglena oxyuris E. limnophyla 2 2 3 3 4 4 8,0 1,0 50,0 30,0 60,0 60,0 2 10,0 1 1 1,0 1,0 58 Tabela 4.5 Espécies de Fitoplâncton em RP5 – Antes e após programa de saneamento Taxa Cyanophyaceae Euglenophyceae Dynophyceae Euchlorophyceae Aphanocapsa sp1 Aphanotece sp1 Apahnotece sp2 Coelaspaherium sp1 Chroococcus sp1 Gloeocapsa sp1 Merismopedia convoluta Brébisson Merismopedia tenuissima Lemmermann Mycrocystis aeruginosa Kützing Microcystis sp1 Lyngbya contorta Lemmermann Lyngbya sp1 Oscillatoria sp1 Oscillatoria sp2 Phacus longicauda (Ehrenberg) Dujardim Trachelomas volvocina Ehrenberg Peridium sp Ankistrodesmus falcatus (Corda) Ralfs Abkistrodesmus gracilis (Reinsh) Korsiko Kircheriella obesa (West) Shmidle Monorphidium sp1 Oocystis lacustris Chodat Botryococcus braunii Kützing Dimorphococcus lunatus Braun Coelastrum sphaericum Nägeli x x x x x x x x Pós- tratamento 2004 chuvas seca Cel/ mL Cel/ mL x 7 17 x 1 72 x 1 10 x 2 1 x colônia x colônia x colônia 7 5 1 2 x colônia x x x x x 36 40 6 37 colônia Pré-tratamento 2002 chuvas seca Cel/ mL Cel/ mL x 6 x 17 x x 2 x colônia x x x x 9 3 4 138 x 1 x x x x x x 120 75 51 270 colônia 13 x colônia x colônia x colônia x x 1 8 x 2 x x colônia 1 x 3 x x 1 1 x 2 x x 1 1 x 3 x 1 x x x 5 6 1 x 2 x x x x 1 1 1 2 59 Tabela 4.5 Espécies de Fitoplâncton em RP5 – Antes e após programa de saneamento (continuação) Pós- tratamento 2004 chuvas seca Cel/ mL Cel/ mL x 1 Taxa Euchlorophyceae Scenedesmus protuberans Fritsch Scenedesmus quadricauda (Turpin) Brébison Shaerocystis schroiteri Chodat Chaetonemopsis sp Zygnema sp Netrium digitus (Ehrenberg) Itzigsonh Actinotaenium sp1 Cosmarium sp1 Cosmarium sp2 Desmidium baileyi (Ralfs) Nordstedt Micrasterias radiata (Hassal) Micrasterias laticeps Nordstedt Spondylosium sp Staurastrum lepidum Grünbl Staurastrum limneticum Schmidle Staurastrum rotula Nordstedt Staurastrum sebaldi Reinsh Staurastrum sp1 Staurastrum sp2 Staurodesmus sp1 Staurodesmus lobatus (Börgesen) Bourrely Staurodesmus sublatus Kützing Staurodesmus triangularis Teiling Xantidium sp1 Pré-tratamento 2002 chuvas seca Cel/ mL Cel/ mL x x x 2 5 x 1 x x 1 33 1 x x 9 3 x x x x 1 4 9 2 x 5 x x x 15 4 2 x 2 x 1 x 4 x 1 x x x x 6 9 3 2 x 9 x x x 4 9 2 1 x 8 x x 1 1 x x 1 2 x x x 15 5 1 x 3 x 13 x 1 x x x 11 45 1 x x 1 1 60 Tabela 4.5 Espécies de Fitoplâncton em RP5 – Antes e após programa de saneamento (continuação) Taxa Aulacosira granulata (Ehrenberg) Simonsen Synedra sp Bacillariophyceae Gysosigma sp Navicula sp Surinella sp Centritractus sp Xanthophyceae Pós- tratamento 2004 chuvas seca Cel/ mL Cel/ mL x Pré-tratamento 2002 chuvas seca Cel/ mL Cel/ mL 19 x x x 1 3 1 x 7 x x x x 5 2 1 1 61 4.5 ÍNDICE DO ESTADO TRÓFICO O índice do Estado Trófico (IET) foi calculado utilizando-se os valores médios de PTotal e clorofila a para cada ponto antes e após o programa de saneamento. Os resultados obtidos podem ser vistos na Tabela 4.6. Tabela 4.6 Estado Trófico antes e após programa de saneamento Antes Ponto Depois Valor de IET Estado Trófico Valor de IET Estado Trófico RP1 49 Mesotrófico 55 Eutrófico RP2 54 Mesotrófico 43 Oligotrófico RP3 42 Oligotrófico 40 Oligotrófico RP4 50 Mesotrófico 62 Eutrófico RP5 49 Mesotrófico 52 Mesotrófico RP6 47 Mesotrófico 52 Mesotrófico RP7 60 Eutrófico 62 Eutrófico Alguns resultados de IET obtidos pela metodologia de Carlson modificada por Toledo são apresentados, para fins de comparação na Tabela 4.7, onde são mostrados os pontos de coleta (em caso de mais de um ponto no mesmo rio apresenta-se também a captação), os valores obtidos e o IET dos ambientes. Estes dados foram retirados do trabalho realizado por Lamparelli (2004) nos pontos monitorados pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental - CETESB no estado de São Paulo no período de 2001 a 2003. Os dados de transparência, da mesma maneira que o procedimento utilizado neste trabalho não foram incluídos nos cálculos. Pode-se notar que os resultados obtidos em alguns pontos do Ribeirão Ipanema são comparáveis a ambientes extremamente impactados antropicamente no estado de São Paulo como a região de Campinas e o rio Tietê, destacados na Tabela 4.7. 62 Tabela 4.7 Estado Trófico em regiões monitaradas pela CETESB no estado de São Paulo Ponto 2001 2002 2003 Valor Estado Trófico Valor Estado Trófico Valor Estado Trófico Rio Piraicaba - Jacareí 38 Oligotrófico 33 Oligotrófico 39 Oligotrófico Rio Piraicaba - S. J. Campos 40 Oligotrófico 42 Oligotrófico 40 Oligotrófico Rio Piraicaba - Tremenbé 44 Oligotrófico 37 Oligotrófico 41 Oligotrófico Rio Piraicaba - Aparecida 45 Mesotrófico 44 Oligotrófico 41 Oligotrófico Rio Pardo 42 Oligotrófico 37 Oligotrófico 39 Oligotrófico Rio Capivari - Campinas 62 Eutrófico 46 Mesotrófico 54 Mesotrófico Rio Atibaia - Atibaia 46 Mesotrófico 47 Mesotrófico 53 Mesotrófico Rio Atibaia - Campinas 58 Eutrófico 54 Mesotrófico 52 Mesotrófico Rio Jaguari - Limeira 40 Oligotrófico 42 Oligotrófico 47 Mesotrófico Rio Piracicaba - Americana 47 Mesotrófico 51 Mesotrófico 57 Eutrófico Rio Piracicaba - Piracicaba 57 Eutrófico 57 Eutrófico 62 Eutrófico Rio Cotia - Cotia Baixo Ribeirão dos Cristais Cajamar 56 Eutrófico 55 Eutrófico 54 Mesotrófico 49 Mesotrófico 46 Mesotrófico 53 Mesotrófico Rio Tietê 64 Eutrófico 65 Eutrófico 62 Eutrófico Rio Cubatão 36 Oligotrófico 35 Oligotrófico 40 Oligotrófico Rio Grande Rio Mogi-Guaçu Pirassununga 30 Oligotrófico 36 Oligotrófico 34 Oligotrófico 43 Oligotrófico 37 Oligotrófico 42 Oligotrófico Rio Sorocaba - Cerquilho 59 Eutrófico 52 Mesotrófico 55 Eutrófico Rio Paraná 38 Oligotrófico 41 Oligotrófico 35 Oligotrófico Rio do Peixe 44 Oligotrófico 53 Mesotrófico 48 Mesotrófico Rio Paranapanema 39 Oligotrófico 39 Oligotrófico 38 Oligotrófico Fonte: Lamparelli, 2004 63 5 DISCUSSÃO Na maioria dos países desenvolvidos, a poluição de águas trazida pela mineralização de matéria orgânica, resultando em baixas concentrações de oxigênio, tem sido controlada por tratamento de esgotos. Entretanto, o aumento na produção primária de algas e macrófitas aquáticas, causados por grandes aportes de nitrogênio e fósforo, é atualmente considerado o mais importante efeito da poluição em rios e lagos. Esse processo é chamado de eutrofização. As situações mais problemáticas causadas pela eutrofização em rios foram descritas por Hilton & Irons (1998) apud Hilton et alii (2006): Crescimento excessivo de algas planctônicas (suspensas); Crescimento excessivo de algas perifíticas (aderidas a algum substrato submerso); Crescimento excessivo de macrófitas aquáticas; Redução na riqueza em espécies de macrófitas presentes; Mudança na dominância do ambiente aquático, de macrófitas para algas perifíticas; Para o ribeirão Ipanema, que não recebe os efluentes da ETE, ricos em nutrientes dissolvidos, a fonte mais provável de N e P é o sedimento contaminado por décadas de lançamento de esgotos in natura. Agora, com a possibilidade de uma rápida mineralização oxidativa, esse sedimento se transforma na fonte de N e P capazes de eutrofizar o Ipanema. Apesar de todo conhecimento acerca do processo de eutrofização em lagos, pouco se sabe dele em rios, e mesmo qual dos dois principais nutrientes (N ou P) limita a eutrofização (HILTON et alii, 2006). Com relação ao ciclo do Nitrogênio, várias espécies de bactérias comumente encontradas na água são capazes de oxidar o íon amônio ou a amônia. A oxidação do íon amônio é realizada por bactérias nitrificantes quimiossintéticas Nitrosomonas e Nitrosococcus (BENN e McAULIFFE, 1981): 2 NH4+ + 3O2 Nitrosomonas 2 NO2- + 2 H+ + 2 H2O 64 O íon nitrito é intermediário no processo de nitrificação. Em seguida bactérias do gênero Nitrobacter, oxidam o nitrito, formando nitrato (NO3-), novamente com liberação de energia (BENN e McAULIFFE, 1981): 2 NO2- + O2 Nitrobacter 2 NO3- O nitrato é a forma sob a qual quase todo o nitrogênio fica disponível para os processos biológicos de um corpo de água. Uma vez que o nitrato se encontra no interior das células, é novamente reduzido a amônia. Em RP6, o nitrogênio total, bem como a concentração do íon amônio, aumentou (mediana pré tratamento de 3,67 mgL-1 e pós tratamento de 4,56 mgL-1 para o N-Total e de 0,59 mgL-1 e 0,93 mgL-1, respectivamente para o íon amônio). Este ponto está localizado, a margem esquerda do rio Doce, a 300 metros da foz do Ipanema, não contemplado pelo programa de saneamento, sugerindo um aumento do nitrogênio no ecossistema estudado a montante da foz do Ipanema. Em RP2 houve um aumento da concentração de nitrato, de 0,26 mgL-1 para 0,46 mgL-1 e consequentemente uma diminuição significativa (p < 0,1) na concentração de nitrogênio orgânico, que baixou de 1,86 mgL-1 para 0,61 mgL-1. As concentrações de nitrito diminuíram após o programa de saneamento: em RP1 (não contemplado pelo programa de saneamento) onde a mediana baixou de 0,03 para 0,01 mgL-1 ; em RP3 de 0,14 para 0,08 mgL-1, em RP7 (rio Doce) de 0,22 para 0,06 mgL-1 e para os dados tomando-se o ribeirão como um todo, de 0,18 para 0,06 mgL-1. Em lagos, a concentração de nitrito, comparada a de nitratos é baixa (< 1,0 mg L-1). Somente em lagos poluídos a concentração de nitritos pode assumir valores significativos (ESTEVES, 1998). O nitrito é um íon intermediário no processo de nitrificação, podendo-se dizer que os nutrientes passaram desta fase do processo de nitrificação. Desta maneira pode-se inferir que a diminuição da concentração de nitritos em vários pontos após o programa de saneamento é um aspecto positivo para o ribeirão Ipanema. Os resultados sugerem alterações na dinâmica do ciclo do Nitrogênio, possivelmente causada pela maior disponibilidade de oxigênio após a remoção de fontes pontuais de esgoto, pela diminuição do carbono orgânico dissolvido e particulado. Em RP4, por exemplo, (Figura 4.11) houve aumento tanto na composição percentual de nitrito – que correspondia a 11,43 % do NTotal e passou a corresponder a 32,06 % após o programa de saneamento – como de nitrato, que 65 passou de 13,90 % para 29,88 %, podendo-se supor uma oxidação do nitrogênio orgânico existente no sedimento. Desse modo, analisando-se separadamente as formas de nitrogênio, podese dizer que como resultado do programa de saneamento, o ribeirão Ipanema teve uma aproximação de suas características àquelas inerentes a ecossistemas limpos. Os percentuais de N-Orgânico e N-Inorgânico (todas as formas inorgânicas somadas) em cada ponto de amostragem são apresentados na Tabela 5.1. A figura 5.1 foi feita com base nestes dados. Na figura 5.1-a são apresentados os percentuais de N-Orgânico e N-Inorgânico ponto a ponto antes e após o programa de saneamento. Na figura 5.1-b são apresentadas separadamente as distribuições antes do programa de saneamento, pode-se observar a ausência de um padrão de comportamento entre os pontos de amostragem. A figura 5.1-c evidencia de maneira mais clara que o nitrogênio se apresenta predominantemente como orgânico num ponto, como inorgânico no ponto seguinte e assim sucessivamente após o programa de saneamento. Segundo Newbold (1982) apud Dissmeyer (2000) quando componentes dissolvidos são transportado à jusante, eles são convertidos a formas orgânicas e acumulados em tecidos vivos de organismos até que eles morrem e são reciclados. Esta mudança entre formas orgânicas e inorgânicas pode acontecer várias vezes com os nutrientes como um “espiral imaginário”. Pode-se notar claramente esta ciclagem de nutrientes do tipo “espiral”, na figura 5.1-c (pós-tratamento). Tabela 5.1 Distribuição das formas de Nitrogênio antes e após o programa de saneamento N-Inorgânico Antes N-Orgânico N-Inorgânico Depois N-Orgânico RP1 41,8% 58,2% 18,2% 81,8% RP2 24,4% 75,6% 61,0% 39,0% RP3 23,6% 76,4% 32,5% 67,5% RP4 42,2% 57,8% 85,8% 14,2% RP5 32,9% 67,1% 21,0% 79,0% RP6 45,7% 54,3% 42,5% 57,5% RP7 43,8% 56,2% 29,4% 70,6% 66 100,0% 90,0% 80,0% 70,0% 60,0% 50,0% 40,0% 30,0% 20,0% 10,0% RP7 depois RP7 antes RP6 depois RP6 antes RP5 depois RP5 antes RP4 depois RP4 antes RP3 antes RP3 depois RP2 depois RP2 antes RP1 antes RP1 depois a 0,0% N Orgânico, mgL-1 N Inorgânico, mgL-1 Formas de Nitrogênio - Antes Formas de Nitrogênio - Depois 100,0% 100,0% 90,0% 90,0% 80,0% 80,0% 70,0% 70,0% 60,0% 60,0% 50,0% 50,0% 40,0% 40,0% 30,0% 30,0% c Figura 5.1 Formas Orgânica e Inorgânica de Nitrogênio RP7 RP6 RP5 RP4 RP3 b RP2 RP7 RP6 RP5 RP4 10,0% RP3 0,0% RP2 20,0% RP1 10,0% RP1 20,0% 67 O fósforo é um elemento limitante em ecossistemas aquáticos continentais, facilmente adsorvido pelos sedimentos, principalmente na forma de sais de ferro e manganês (PASCOE, 2005 apud IQBAL et alli, 2005). Quando as condições de oxi-redução, próximas aos sedimentos favorecem as formas mais oxidadas desses elementos – quase todo fosfato se precipita. Além disso, as argilas podem reter grandes quantidades de fosfato em sua superfície, que ficam indisponíveis para coluna d’água quando as partículas se sedimentam. O sedimento representa o maior compartimento de estocagem de fósforo e pode atuar como um reservatório dentro do ecossistema aquático (GOLTERMAN et alii, 1983 apud HÅKANSON, 2004; NOGUEIRA & ESTEVES, 1994; WHARTON et alii, 2001 apud FERRAZ, 2003). O fósforo pode estar ligado à matéria orgânica do sedimento, onde as taxas de mineralização são desconhecidas, podendo reter grandes quantidades desse elemento até que condições favoráveis (e.g. elevadas concentrações de oxigênio dissolvido) acelerem sua liberação para a coluna d’água (ESTEVES, 1998). Dentre as formas de fósforo, somente em RP2 houve diferença nas concentrações de P-Total (mediana caiu de 0,36 para 0,15 mgL-1) e P-Orgânico, que passou de 0,13 para 0,03 mgL-1. Para o fosfato houve diferença em RP1 (0,01 para 0,04 mgL-1), RP3 (0,03 para 0,01 mgL-1) e RP4 (aumento da mediana de 0,12 mgL-1 para 0,29 mgL-1). Os esgotos domésticos são constituídos primeiramente por matéria orgânica biodegradável, microorganismos, nutrientes (nitrogênio e fósforo), óleos, graxas, detergentes e metais (BENETTI e BIDONE, 1995 apud PEREIRA, 2004a). A interligação dos interceptores de esgotos domésticos em Ipatinga certamente contribui para a diminuição das entradas de fósforo no ribeirão Ipanema. Grande parte do fósforo existente no ribeirão Ipanema poderia estar incorporado no sedimento e estar sofrendo oxidação gradativa, não sendo possível, em tempos de coletas quinzenais registrar todas as mudanças ocorridas neste ciclo. Enquanto emissões pontuais de fósforo têm diminuído através de tratamento de água nos últimos 30 anos, as emissões difusas de florestas e agricultura não diminuíram (DAH et alii, 2006). Além disso, segundo Burton Jr. e Pitt (2001) a construção civil pode gerar até 18 vezes mais fósforo que os locais industriais. Deletic (1999) apud Ludovice et alii (2003) apontam o escoamento superficial como uma das maiores fontes de poluição por fósforo, pois podem estar associados às partículas menores do sedimento. 68 Nos Estados Unidos, escoamentos superficiais poluídos em bacias agrícolas são considerados responsáveis pela degradação de 50 e 60% da qualidade de água (BRENNER et alii., 1995 e STEINMAN, 1995 apud CARPENTER et alii, 1998). A agricultura e a pecuária são as maiores fontes de nitrogênio e fósforo para ecossistemas aquáticos, enquanto a atividade florestal é considerada um dos usos do solo que menos causa perdas de nutrientes (Tabela 5.2). Tabela 5.2 Descargas (103 toneladas ano-1) de nitrogênio e fósforo oriundos de fontes difusas nos Estados Unidos. Fontes N P Total para todas as fontes difusas 6663 1685 culturas agrícolas anuais 3204 615 pastagens 292 495 778 242 659 170 695 68 silvicultura 1035 (16%) 95 (6%) Total para fontes difusas não-florestais 5628 (84%) 1590 (94%) criação intensiva de aves, suínos, caprinos, bovinos e outros terras rurais cidades, drenagem de brejos, construção civil, minas abandonadas, piscicultura *Os valores entre parênteses representam a porcentagem sobre o total de todas as fontes difusas. Como se percebe, a silvicultura representa 16% do nitrogênio e 6% do fósforo que entram de forma artificial em ecossistemas aquáticos nos Estados Unidos. A atividade pastoril, combinada com a criação intensiva de animais, chega a representar 737 x 103 toneladas de fósforo por ano, ou quase 900% a mais. As fontes não-florestais, juntas, descarregam 17 vezes mais fósforo nas águas do que a silvicultura. Para o nitrogênio, as culturas agrícolas anuais descarregam 3 vezes mais nitrogênio nos corpos d’água norte-americanos. Dentro deste contexto pode-se sugerir que fontes difusas podem ter impactado RP1 durante o estudo, causando as leituras de fósforo mais elevadas fora da área urbana. 69 Normalmente a água ganha calor com a energia solar que recebe (MARGALEF, 1983). Em águas com baixa concentração de compostos dissolvidos e particulados a absorção da radiação deve-se quase exclusivamente às moléculas de água (ESTEVES, 1998). Depois da remoção das fontes de esgoto do ribeirão Ipanema era de se esperar uma diminuição da temperatura, com a diminuição das entradas de materiais. Entretanto, houve um aumento da mediana para os dados gerais (23,2ºC para 24,0ºC) e RP2 (23,19ºC para 24,95ºC). As alterações destes valores se devem provavelmente a um aumento de temperatura média da região no período das análises. As variações de temperatura têm interferência direta em todos os processos físico, químicos e biológicos em processos ambientais (STONE & MORGAN, 1990). A temperatura média do ar pode ter caído no período, mas o ribeirão Ipanema não possui cobertura ciliar no trecho urbano, de forma que a radiação solar global sobre a água incide de forma direta. Sabará (1999) notou o mesmo efeito para cursos d’água em bacias pareadas plantadas com Eucalyptus e pastagens degradadas no médio rio Doce. Nas primeiras, a manutenção da mata ciliar fez com que a temperatura da água sempre fosse mais baixa nos córregos drenantes, enquanto nas últimas, a tempertura da água foi pelo menos 2 graus centígrados maior, em média. Para o ribeirão Ipanema, a boa cobertura ciliar a montante de RP1 diminui a temperatura da água. De RP1 em diante, porém, a cobertura ciliar é falha (cerca de 50% de fechamento do dossel) e ausente a partir de RP2. Segundo Wetzel (1983), o oxigênio dissolvido é a segunda variável mais importante em um corpo d’água após a água em si mesma. A maior parte dos processos químicos e biológicos num corpo hídrico envolve a participação do oxigênio. A concentração de oxigênio dissolvido caiu para os dados gerais (6,29 para 4,50 mgL-1), RP2 (6,15 para 4,94 mgL-1) e RP5 (4,45 para 2,60 mgL-1) e a saturação de oxigênio em RP5 (54,90 para 33,40 %) e RP7 (105,20 para 40,00 %). A diminuição desses valores não era esperada com a retirada das fontes de poluição. Os processos principais que afetam o oxigênio dissolvido em um córrego são aeração, desoxigenação carbonácea e por nitrogênio, demanda de oxigênio do sedimento e fotossíntese (NEWBOLD et alii, 1982 apud DISSMEYER, 2000; SILVEIRA, 2004). A justificativa da diminuição das concentrações de oxigênio pode ser o aumento da temperatura, que além de favorecer a diminuição da solubilidade do oxigênio na água, contribui para a aceleração dos processos de oxidação num corpo hídrico. Neste caso, como já dito anteriormente, o oxigênio dissolvido pode apresentar diminuição de concentração por estar sendo 70 usado nos processos oxidativos, ou seja, o oxigênio disponibilizado pela remoção do esgoto está sendo prontamente utilizado para oxidação da matéria orgânica contida no sedimento. Cerca de 20% da matéria orgânica nos ecossistemas naturais consiste de compostos orgânicos com estruturas químicas definidas, tais como carboidratos, aminoácidos e hidrocarbonetos. Os 80% restantes correspondem à matéria orgânica detrítica, pertencentes a um grupo de estrutura química indefinida, com tempo de residência mais longo no ambiente e relativamente resistente à degradação, denominada matéria orgânica refratária. Os principais constituintes da matéria orgânica refratária globalmente distribuídos nos sistemas aquáticos e terrestres são formadas por processos microbiológicos, pela decomposição de resíduos de plantas e animais, sendo constituídas por uma grande variedade de estruturas (ROSA et alii, 2007). Muitas plantas liberam o oxigênio no sedimento, disponibilizando-o para os processos de oxidação (HILTON et alii, 2006). Altas concentrações de material em suspensão limitam a qualidade da água, por estarem relacionadas com a turbidez, a salinidade e dureza. Causam ainda, danos à flora e fauna aquáticas, e como diminui a penetração de luz na água prejudica a fotossíntese das algas e da vegetação submersa. Favorece ainda o desenvolvimento de bactérias e fungos, que se proliferam nessas partículas, e influenciam no aspecto econômico do tratamento da água com vistas a torná-la potável (SILVA, 1990 apud PEREIRA, 2004a). Em RP5 houve aumento dos valores de turbidez (mediana de 16,5 para 33,6 UNT) após o programa de saneamento ambiental, podendo-se supor que houve redução da entrada de luz solar neste ponto e consequentemente redução das taxas de fotossíntese e produção de oxigênio. As concentrações do material em suspensão são bastante variáveis no tempo e no espaço, e dependem da hidrodinâmica, da constituição do substrato de fundo, das margens do meio hídrico e ainda de fatores metereológicos (PEREIRA, 2004b). Os valores de metais não são afetados diretamente pelo programa de saneamento, mas são um bom indicativo das características da água do Ribeirão Ipanema. O íon potássio apresentou diferença após o programa de saneamento em RP7 (Rio Doce) e para os dados gerais, sendo que para os dois conjuntos de dados houve aumento da mediana. Em RP7 os valores subiram de 2,38 mgL-1 para 4,05 mgL-1e para os dados gerais de 2,75 mgL-1 para 3,63 mgL-1. O íon potássio é encontrado em concentrações baixas nas águas naturais já que rochas que contêm este elemento são relativamente resistentes à intempéries. O aumento desses valores pode ser devido à lixiviação de solos agrícolas e dissolução de resíduos de fertilizantes. 71 As concentrações do íon sódio sofreram alterações em quase todos os pontos (inclusive no Rio Doce) durante o programa de saneamento. Na Tabela 5.3 podem ser vistos os valores de mediana antes e depois nos pontos em que houve variação deste parâmetro. O sódio é um dos elementos mais abundantes da Terra e está presente como nutriente essencial para os organismos vivos. Pode ser excretado pelos organismos vivos, principalmente animais de maior porte como suínos e bovinos. Com a remoção das fontes de esgoto no Ipanema (RP2 a RP4) era de se esperar uma diminuição das concentrações de íon sódio. Entre as principais funções do sódio e potássio, está a troca e transporte de outros íons para o meio intra e extra celulares. No meio aquático, estes íons dificilmente atuam como fatores limitantes (ESTEVES, 1998). Em praticamente todos os pontos, como pode ser visto na Tabela 5.3, as concentrações do íon sódio foram superiores após o programa de saneamento. Pode-se sugerir que as fontes causadoras deste aumento sejam fontes difusas de poluição, cujo monitoramento não é contemplado neste trabalho. Tabela 5.3 Variação das concentrações do Na+ - antes e após o programa de saneamento PONTO Concentração de Na+ [mgL-1] Antes Depois RP1 2,42 2,62 RP2 3,20 3,09 RP3 4,41 11,31 RP4 9,04 16,01 RP7 7,94 14,40 GERAL 6,37 11,48 As principais fontes de cálcio e magnésio para as águas naturais são as rochas constituintes do ambiente banhado. Na maioria das vezes o íon cálcio está disponível no ambiente na forma de carbonato e bicarbonato de cálcio, pouco solúveis (ESTEVES, 1998). Sua solubilidade está em função da quantidade de gás carbônico dissolvido, que por sua vez, depende 72 da temperatura, pressão e pH. O cálcio apresentou elevação da mediana em RP7 e para os dados gerais, os valores subiram de 6,19 e 5,64 mgL-1, para o mesmo valor final nos dois pontos: 8,61 mgL-1. O magnésio, assim como o cálcio, pertence a família dos metais alcalinos terrosos, e tem consequentemente, comportamento periódico muito parecido com o deste metal, ou seja, acompanha este elemento nos ciclos biogeoquímicos. Diferentemente do cálcio, contudo, forma sais mais solúveis. As concentrações de Mg+2 sofreram alterações em RP4, RP7 e para os dados gerais. Para RP7 e dados gerais as medianas aumentaram de 1,55 e 1,50 mgL-1 para 2,39 e 1,90 mgL-1, respectivamente. Em RP4 houve diminuição da mediana que passou de 1,90 mgL-1 para 1,62 mgL-1. O magnésio participa da formação da clorofila a (C66H72O5N4Mg), variável que teve aumento pronunciado de concentração em RP4 (de 0,21 para 1,07 mgL-1), podendo explicar a diminuição deste íon , no referido ponto pela sua utilização na síntese da molécula de clorofila a. Segundo a Resolução Conama, nº 357, de 17 de março de 2005 os níveis de zinco e cobre em águas de Classe II devem ser de 0,18 mgL-1 e 0,009 mgL-1, respectivamente. Para os níveis de significância adotados neste trabalho nenhum dos dois parâmetros apresentou diferenças antes a após o programa de saneamento. Para o zinco, dos 154 valores medidos, 5 estavam acima do estabelecido pela resolução Conama nº 357. O maior valor encontrado foi de 8,8 mgL-1 em RP3 (25/04/2002); após o programa de saneamento (10/08/04) também foi detectado um valor alto de zinco (0,64 mgL-1) em RP2. Para o cobre, das 155 medições, 16 estavam fora dos limites estabelecidos para águas de Classe II. O maior valor encontrado foi de 2,2 mgL-1 em RP3 em maio de 2002. Em regiões siderúrgicas é comum o aumento das concentrações de ferro e manganês das águas resultando da poluição difusa adivindas do escoamento superficial em áreas urbanas. Os íons de ferro tem grande ação na dinâmica do fosfato; dependendo fortemente do seu estado de oxidação, que depende por sua vez, da concentração de oxigênio e pH do meio. Cada miligrama de íon férrico (Fe+3) pode precipitar aproximadamente 0,5 mg de fosfato (ESTEVES, 1998). Segundo Wurtsbaugh e Horne (1983) aumentos da concentração de incrementam a produção de clorofila a. Em RP4 a concentração de íons férrico decresceu de 6,79 mgL-1 para 0,29 mgL-1, com aumento do teor de fosfato em solução (0,12 para 0,29 mgL-1) e incremento na produção de clorofila a (0,21 para 1,07 mgL-1). Em RP2 também houve diferença na 73 concentração de ferro após o programa de saneamento, apresentando elevação de 0,54 para 4,98 mgL-1. Tanto para o fosfato como para a clorofila a houve decréscimo de concentração após o programa de saneamento neste ponto. Os valores de fosfato passaram de 0,15 para 0,08 mgL-1 e os de clorofila a de 0,34 para 0,12 mgL-1. As condições de pH e potencial redox regulam o efeito de decomposição de matéria orgânica, mineralização do nitrogênio, nitrificação, desnitrificação e a disponibilidade de fósforo (HAYNES, 1986 apud FERRAZ, 2003). Os três processos que influenciam o pH são fotossíntese, respiração e assimilação do nitrogênio (LAMPER & SOMMER 1997 apud FERRAZ, 2003). O único ponto que apresentou diferenças nos resultados antes e depois para o pH foi RP4, onde os valores de mediana subiram de 7,04 para 7,40. Neste ponto houve também aumento das concentrações de clorofila a e do fosfato. De acordo com Petersen et alii (2001) apud Callies (2005), as mudanças paralelas do pH e oxigênio são opostas a uma mudança do fosfato refletindo o processo de crescimento e degradação algal, respectivamente: durante a produção preliminar do biomassa pela fotossíntese, o fosfato é assimilado quando o oxigênio é liberado. Ao mesmo tempo ocorrem aumentos de valores do pH devido a uma remoção do dióxido de carbono de acidificação. O pH é um representante da atividade algal (CALLIES, 2005), as comunidades aquáticas podem interferir nos valores de pH de diferentes maneiras, seja através da assimilação de CO2 (no processo fotossintético) no qual as algas podem elevar o pH do meio, freqüente em águas com baixa alcalinidade, entretanto em águas onde a alcalinidade é alta ocorre baixa de pH, devido a compensação do consumo de CO2 pela dissociação de bicarbonato (ESTEVES, 1998). Os principais fatores que determinam o pH da água são o gás carbônico dissolvido e a alcalinidade. A alcalinidade (mmol de CO2.L-1) apresentou diferenças em RP3 e RP5 dentro do ribeirão Ipanema. Os valores de mediana subiram de 1,00 para 1,28 mmol de CO2.L-1 em RP3 e de 1,10 para 1,50 mmol de CO2.L-1 em RP5. Nestes pontos, o aumento da concentração de CO2 sugere a dissociação do íon bicarbonato presente na água. Entretanto não houve detecção de mudanças no pH desses pontos para os níveis de significância adotados neste trabalho. Como foi exposto anteriormente diversos processos influenciam o pH do meio aquático, podendo-se dizer que as alterações provocadas pelas mudanças de alcalinidade foram compensadas por outros fatores. 74 Outro parâmetro de extrema importância para se determinar as características de águas naturais é a condutividade elétrica (REDDY & BEHERA, 2006). A condutividade elétrica da água é sua capacidade de conduzir a corrente elétrica, É representada pela quantidade de íons presentes na água, podendo então ser relacionada com a produtividade dos sistemas aquáticos estudados (MARGALEF, 1983; ESTEVES, 1998) Através dos valores de condutividade elétrica podem ser inferidas importantes informações sobre os ecossistemas aquáticos, tais como o metabolismo do sistema e a magnitude da concentração iônica, pois os íons mais diretamente responsáveis pela condutividade elétrica são também considerados dominantes (GOLTERMAN, 1975 apud VIEIRA et alii, 2005). Os valores de condutividade elétrica apresentaram diferenças antes e depois em 3 pontos do Ribeirão Ipanema e em RP1 (42,25 para 107,5 µS.cm-1). Em RP2 o valor de mediana subiu de 71,80 para 111,50 µS.cm-1, em RP3 de 153,50 para 170,40 µS.cm-1 e em RP4 de 166,0 para 212,00 µS.cm-1. Os aumentos dos valores de condutividade sugerem maior mineralização da matéria orgânica estocada no sedimento. Em RP2 houve aumento dos Sólidos Totais Dissolvidos (STD) (mediana passou de 24,0 para 164,5 mgL-1) que interfere fortemente na condutividade, pois há maior concentração de íons em solução. Para as bactérias, cujas concentrações diminuíram somente em RP1, os resultados obtidos neste trabalho não apresentam correlações consistentes para explicar essa diminuição na concentração de coliformes. Neste ponto, houve aumentos na concentração de fosfato, possivelmente causados por fontes difusas de poluição (poluição em “pulsos”), fazendo com que o efeito esperado fosse justamente o contrário. Segundo Farjalla et alli (2006) o nitrogênio e fósforo, quando adicionados juntos estimulam um maior crescimento e produção bacterianos. Segundo estes autores o tratamento com fósforo foi o segundo (depois de nitrogênio e fósforo juntos) que mais incrementou a produção de bactérias. Uma das variáveis hidrobiológicas de maior importância para caracterização de rios e lagos é o estudo do fitoplâncton e perifíton. Na maioria das vezes, no florescimento de algas, apenas algumas espécies dominam a comunidade fitoplanctônica, sendo estas algas geralmente pertencentes à divisão Cyanophyta (ELER et alii, 2001 apud PEREIRA, 2004b). Em lagos eutrofizados o número de espécies existentes diminui e a quantidade de indivíduos das espécies remanescentes aumenta (MARGALEF, 1983; PEREIRA, 2004a), passando a haver 75 predominância de cianobactérias (SKULBERG et alii, 1984; CARMICHAEL, 1991 apud SMITH et alii, 1999). Entre os fatores que levam as cianobactérias a predominarem sobre os outros grupos fitoplanctônicos (microalgas), destacam-se as características fisiológicas pelas quais as cianobactérias assimilam os nutrientes (N e P) do meio aquático (www.funasa.com.br). As células de cianobactérias de água doce ou marinha – particularmente aquelas que habitam as camadas superficiais da água (fitoplâncton) – comumente contêm estruturas brilhantes, irregulares, denominadas vacúolos de gás. Estes vacúolos regulam a flutuação dos organismos, permitindo assim que estes flutuem em determinados níveis de água. Quando várias cianobactérias se tornam incapazes de regular seus vacúolos de gás adequadamente – por exemplo, devido a variações extremas de temperatura ou de suprimento de oxigênio – elas podem boiar até a superfície da água e formar “blooms” (RAVEN et alii, 1996). Os vacúolos das cianobactérias funcionam então como um mecanismo de defesa em situações adversas tornando estes organismos predominantes em vários ambientes. Ao contrário do que erroneamente se pensava, nem todas as cianofíceas são resistentes à poluição e grupos inteiros desaparecem quando em contato com fontes poluidoras. Estudos em áreas protegidas e poluídas, no Estado de São Paulo, mostraram a perda da riqueza de espécies de cianofíceas nas praias mais afetadas (OLIVEIRA et alii, [2004]). No presente trabalho, os resultados obtidos mostram que tanto para o perifíton (% de cobertura) como para o fitoplâncton (células.mL-1) diminuiu o número de indivíduos das espécies dominantes e melhorou a distribuição (número mais homogênio de indivíduos) das espécies existentes após o tratamento (Figuras 5.2 e 5.3). O aumento da riqueza pode ser interpretado como um aspecto positivo, podendo-se sugerir uma condição de equilíbrio entre as espécies. A riqueza de espécies como uma medida de diversidade foi bem sucedida em vários estudos, como em Connor & Simberloff (1978) e Harris (1984) (SILVEIRA, 2004). O princípio que suporta a avaliação através dos índices de diversidade é o de que ambientes não perturbados serão caracterizados por uma alta diversidade ou riqueza e uma distribuição homogênea de indivíduos entre as espécies encontradas (alta equitabilidade). Em ambientes perturbados por despejos orgânicos, a comunidade geralmente responde com uma diminuição na diversidade. Na medida em que os organismos sensíveis são perdidos, há um aumento na abundância de organismos tolerantes que passam a ter maior quantidade de alimento 76 (pelo maior aporte de matéria orgânica introduzida no sistema) e, conseqüentemente, uma diminuição na equitabilidade e diversidade (MAGURRAN, 1991 apud SILVEIRA, 2004) Para o perifíton (Figura 5.2) o número de espécies aumentou de 46 para 61 após o programa de saneamento. A espécie mais abundante (número 1) antes do programa de saneamento foi a Aulocosira sp. com 30% de cobertura da lâmina. Após o programa de saneamento, as espécies mais abundantes (números 1 e 2) passaram a ser a Synedra ulna e a Tabellaria sp1 com 60% de cobertura da lâmina. Apesar do aumento do número de espécies e menor discrepância no número de indivíduos de cada uma delas deve-se enfatizar o aumento da cobertura da lâmina pelas espécies dominantes após o tratamento. 70,0 60,0 Pré tratamento % de cobertura 50,0 Pós Tratamento 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 0 10 20 30 40 50 60 70 Nº de espécies Figura 5.2 Perifíton (RP5), % de cobertura das lâminas Para o fitoplâncton (Figura 5.3) a espécie mais abundante tanto no período seco como no período chuvoso antes do programa de saneamento foi a Lyngbya sp1 com concentrações de 270 células.mL-1 e 138 células.mL-1, respectivamente. Após o programa de saneamento a Aphanotece sp1 passou a ser a espécie dominante com 72 células.mL-1 no período seco e a Staurastrum lepidum Grünbl passou a ser a espécie dominante no período chuvoso com 33 células.mL-1. No 77 período chuvoso pode-se notar ainda aumento do número de espécies no período após o programa de saneamento. 140 300 130 120 270 110 240 100 210 Chuva - 2004 80 70 Chuva - 2002 60 50 Seca -2004 180 Células/mL Células/mL 90 150 Seca - 2002 120 40 90 30 60 20 30 10 0 0 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Nº de espécies 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Nº de espécies Figura 5.3 Fitoplâncton (RP5), células.mL-1 Desde os anos 70 foi reconhecido que os nutrientes, na forma de nitrogênio e fósforo, poderiam estimular o crescimento exagerado de fitoplâncton, geralmente resultando em eutrofização do corpo de água. Problemas associados à eutrofização incluem: crescimento excessivo de algas, sabor e odor quando o corpo de água é usado para abastecimento, e ocorrência de baixos níveis de oxigênio dissolvido, e que é freqüentemente associada à morte de peixes (BIGGS & SMITH, 2002). O nutriente limitante para o fitoplâncton e perifíton ainda não foi determinado, Cuvin-Aralar et alii (2004), estudaram diversas relações N:P e sua interações com as comunidades algais em um lago de água doce nas Filipinas. Diferentes espécies responderam de diferentes maneiras às relações utilizadas. A importância da relação nutriente/ fitoplancton já fora outrora enfatizada no trabalho de Redfield (1958) apud Cuvin-Aralar et alii (2004) para ambientes marinhos. Iqbal et alii (2006) estudaram o impacto do escoamento do solo rico em fósforo no Lago Silver em Iowa, EUA. Atualmente, o lago não pode ser usado para recreação devido as florações de algas, que contribuíram também para o abaixamento do teor de oxigênio dissolvido para níveis 78 de até 2,0 mgL-1. Os autores estudaram o sedimento contaminado com altas concentrações de fósforo e atribuem a esta contaminação a deterioração estética do lago e a existência de cianobactérias tóxicas como constituintes principais do fitoplâncton. Em experimentos realizados em alguns reservatórios do Estado de São Paulo ficou evidenciado o importante papel do fósforo como fator que estimula o desenvolvimento do fitoplâncton (HENRY & SIMÃO, 1988; HENRY, 1990 apud SENDACZ et alii, 2005). Em decorrência dos elevados aportes de fósforo, vários reservatórios de importância capital para a geração de energia e abastecimento experimentam um processo gradual de eutrofização ou já se encontram altamente eutrofizados (TUNDISI et alii, 1998; HENRY et alii, 1999; RIOS, 1999 apud SENDACZ et alii, 2005). A eutrofização cultural de ecossistemas de água doce é um dos maiores problemas ambientais responsáveis pela degradação da qualidade de água em uma escala mundial nas últimas décadas (BIGGS, 2000; KOELMANS et alii, 2001; WETZEL, 2001 apud CAMARGO et alii, 2005). As maiores fontes antropogênicas causadoras de eutrofização são a agricultura e pecuária, o escoamento superficial urbano e agrícola, as descargas industriais e efluentes de esgotos. Como resultado, há aumentos significativos na concentração dos nutrientes (e.g. nitrogênio e fósforo) e a abundância de produtores primários (e.g., fitoplâncton, perifíton e macrófitas) em muitos ecossistemas de água doce ao redor do mundo (WETZEL, 1983; BIGGS, 2000). O enriquecimento excessivo com nutrientes leva a vários efeitos biológicos, químicos e de uso antrópico de lagos e reservas (SMITH et alii, 1999, HILTON et alii, 2006; SANTOS et alii, 2002). Apesar da retirada das fontes de poluição ser o primeiro passo para recuperação de um corpo hídrico, o acompanhamento da evolução do Índice de Estado Trófico (IET) do ecossistema em questão é de suma importância. Como já foi dito antes neste trabalho, os poluentes acumulados no sedimento do Ipanema ao longo de muitos anos podem sofrer mineralização oxidativa liberando o Nitrogênio e Fósforo há muito ali estocados comprometendo a qualidade da água e levando o ribeirão à eutrofização. Estes nutrientes dificilmente serão eliminados do sistema rapidamente devido à ciclagem em espiral conforme esquema apresentado na Figura 5.4. A matéria orgânica morta é alvo dos decompositores, que são os responsáveis por devolver à 79 cadeia essa matéria decomposta em sais minerais e outros produtos, que serão assim reutilizados pelos produtores e assim sucessivamente, sem haver eliminação de nutrientes. Figura 5.4 Ecossistema rio P – produtores; C – consumidores; D – decompositores; Mo, aut – material orgânico autóctone; Mi, aut – material inorgânico autóctone; Mi – material inorgânico; Mo – material orgânico O IET no ribeirão Ipanema estimado pelo índice de Carlson modificado sofreu variações em RP2 que passou de mesotrófico para oligotrófico e em RP4 que passou de mesotrófico para eutrófico. Os demais pontos, que antes do programa de saneamento eram: RP3 (oligotrófico), RP5 (mesotrófico) e RP6 (mesotrófico) mantiveram seu IET de acordo com a estimativa utilizada. Para os pontos do rio Doce, RP1 passou de mesotrófico para eutrófico, sugerindo uma piora neste ponto. RP6 e RP7 estavam mesotrófico e eutrófico respectivamente e assim se mantiveram após o programa de saneamento. Embora a maior parte do fósforo penetre nos sedimentos inferiores, uma parcela das partículas pode permanecer suspensa por um período de tempo, agindo como um reservatório potencial de fósforo disponível. Os microorganismos e plantas superiores podem remover P da solução para cumprir suas exigências nutricionais. A maioria das partículas suspensas incorporase ao sedimento transformando-se uma fonte permanente de P disponível ao ecossistema. A remoção biológica do fósforo dos sedimentos suspendidos é balanceada continuamente pela 80 liberação de P do fundo sedimentos (IQBAL et alli, 2005). O excesso de nutrientes favorece a eutrofização de rios e lagos, pois quando as condições de temperatura, luminosidade e disponibilidade de nutrientes são favoráveis ao desenvolvimento do fitoplâncton, algas e cianobactérias podem multiplicar-se com facilidade. As variações do nível trófico em alguns pontos do Ipanema parecem estar ligadas à disponibilidade de nutrientes no sedimento que estão sendo oxidados, contrariando os efeitos esperados com a remoção das fontes de esgoto. 81 6 CONCLUSÕES Não houve, de maneira geral, respostas claras e rápidas do ecossistema à remoção das fontes pontuais de poluição urbana. Os resultados sugerem que a remoção das fontes externas de nutrientes diminuiu o “roubo de” de oxigênio dissolvido fazendo com que este passasse a participar na oxidação dos nutrientes orgânicos retidos no sedimento. Isso é uma resposta não imaginada para esse tipo de intervenção humana. A interligação dos interceptores de esgoto no ribeirão Ipanema trouxe alterações na dinâmica do ciclo do nitrogênio, que mostra indícios da existência de uma espiral imaginária entre pontos de coleta. As formas de fósforo sofreram alterações de concentração após a retirada das fontes de poluição. Os resultados sugerem, porém, uma liberação de fósforo pelo sedimento - provavelmente outro resultado da oxidação da matéria orgânica - justificável pelo fato deste nutriente ser muito facilmente assimilado na formação de sais de magnésio e ferro. Outro indício da liberação de nutrientes pelo sedimento é diminuição da concentração oxigênio dissolvido em RP2 e RP5. Pode-se concluir que o oxigênio disponibilizado pela retirada das fontes de esgoto do Ipanema está sendo prontamente utilizado pelos nutrientes que sofrem oxidação. Os resultados de metais de maneira geral não sofreram variação com o programa de saneamento do ribeirão Ipanema, exceto o íon sódio que sofreu diminuição em RP2 e aumento em RP3 e RP4. As concentrações deste íon sofreram elevação em RP1 e RP7 no Rio Doce. Estes resultados não eram esperados com a retirada do esgoto lançado sem tratamento. RP4 foi o ponto que sofreu mudanças mais evidentes após o programa de saneamento. Neste ponto houve aumento da concentração de clorofila a e diminuição das concentrações de magnésio. Com este íon participa na formação da molécula de clorofila a, sua diminuição pode estar relacionada à utilização na síntese desta molécula. O aumento do pH neste ponto sugere altas taxas de fotossíntese devido à remoção do dióxido de carbono, o que confirma a maior concentração de clorofila a neste ponto e sugere aumento da concentração algal. Enfatiza-se a necessidade de atenção especial devido ao risco de eutrofização. Além disso houve diminuição da concentração íon férrico e em contrapartida aumento no fosfato em solução. 82 Houve diferenças significativas entre os pontos para algumas das variáveis medidas: nitrito, fosfato, sódio, condutividade, redox, UFC-100 em RP1; nitrato, N-Orgânico, P-Total, POrgânico, sódio, ferro, temperatura, oxigênio dissolvido, condutividade e Sólidos Totais Dissolvidos em RP2; nitrito, fosfato, sódio, condutividade, alcalinidade e turbidez em RP3; fosfato, sódio, magnésio, ferro, pH, condutividade e clorofila a em RP4; alcalinidade, saturação de oxigênio, alcalinidade e turbidez em RP5; N-Total, nitrito, amônio, temperatura e potencial redox em RP6; nitrato, sódio, potássio, cálcio, magnésio, manganês, temperatura, saturação de oxigênio, Sólidos Totais Suspensos em RP7. A comunidade fitoplanctônica alterou significativamente sua estrutura em espécies, com aumento da densidade entre as chuvas e a seca de 2002 e 2004, sugerindo uma maior disponibilidade de nutriente e luz, baseando-se nos resultados de P-PO4-3 e transparência nesses anos. A concentração de coliformes fecais mostrou diminuição significativa em RP5, se comparados os anos de 2002 e 2004. No entanto, suas contagens dentro do núcleo urbano são muito variáveis, sugerindo fontes difusas ou clandestinas de esgoto. A tendência geral parece apontar para uma diminuição desse monitor de contaminação por esgotos domésticos e rurais. O perifíton aumentou sua porcentagem de cobertura após o tratamento, o que sugere que nutrientes, especialmente o fósforo, e a luz, foram mais disponíveis após a interligação dos esgotos. Isso parece sustentar que novas fontes de nutrientes surgiram após a remoção das fontes pontuais. É provável, também, que nutrientes orgânicos a montante de RP5, tenham como chegar a RP5 na forma dissolvida, pela mineralização oxidativa na coluna d’água. Finalmente, os resultados sugerem que a resposta do ecossistema lótico foi mais lenta que o esperado com elevação relativamente pequena no teor de saturação de O2 dissolvido na água. Esse pequeno aumento, entretanto, parece ter alterado de forma significativa o balanço entre formas dissolvidas e orgânicas de nutrientes, com destaque para o nitrogênio e fósforo, os quais por sua vez, influíram na biologia do ambiente, como as densidades das populações de fitoplâncton e perifíton. Além disso o grau de trofia (estimado pelo Índice de Carlson) do ambiente estudado sofreu alteração em três dos pontos. RP1 passou de mesotrófico para eutrófico, podendo-se sugerir a contribuição de fontes difusas para aumento do grau de trofia, uma vez que este ponto não é contemplado pelo programa de saneamento. RP2 passou de mesotrófico para oligotrófico e RP4 de mesotrófico para eutrófico. 83 Para o ribeirão Ipanema, o estudo indica que as fontes difusas são agora o maior desafio para a melhoria da condição ambiental do ecossistema lótico. Essas fontes, tanto urbanas como rurais são, por definição, de difícil quantificação e tratamento. Seus efeitos somente podem ser medidos no corpo receptor. Porém, para uma total reabilitação, é necessário olhar o ribeirão Ipanema no contexto de sua bacia de drenagem, adotando medidas mitigadoras para todas as categorias de fontes poluidoras. A estratégia de controle das fontes pontuais de rios urbanos é um passo necessário na despoluição de grandes bacias hidrográficas, como a do rio Doce. Ainda é cedo para dizer se a estratégia de focar nas fontes pontuais, e tratamento secundário dos esgotos urbanos, tem conseqüências a longo prazo para os grandes rios, apesar da melhoria da qualidade de água a jusante da ETE Ipanema no rio Doce. Mais estudos no ribeirão Ipanema, o primeiro a sofrer essa estratégia de intervenção, podem auxiliar na resposta de longo prazo a problemas ambientais desse tipo e uso de recursos públicos em sua solução. 84 7 RECOMENDAÇÕES Para um acompanhamento efetivo da evolução do ribeirão Ipanema após o programa de saneamento sugere-se um novo estudo incluindo análises de água e sedimento. Sugere-se atenção especial às concentrações de nutrientes dissolvidos e clorofila a, com os quais seria possível acompanhar o Índice de Estado Trófico. Seria de fundamental importância, para o entendimento do ribeirão Ipanema, um novo trabalho tendo como tema as comunidades perifíticas e fitoplanctônicas além de novas variáveis como DBO e DQO, vazão e agrotóxicos. Além disso, a revegetação das áreas definidas por lei como áreas de preservação (faixas ciliares e encostas com mais de 45° de inclinação), controle de erosão e melhor drenagem das estradas rurais são medidas imprescindíveis para diminuição da poluição de origem difusa. Ao mesmo tempo, o escoamento superficial poluído de cidades deve ser tratado adequadamente para uma completa proteção do corpo d’água. 85 REFERÊNCIAS ALLAN, J.D. Stream ecology: Structure and function of running waters. New York, EUA: Chapman & Hall, 1995. 375 p. ALLEN, S. E. Chemical Analysis of Ecological Materials. London: Blackwell Scientific Publications, 1989. 367 p. American Public Health Organization – APHA. Standard methods for the examination of water and wast-water. 25a ed. New York. 1995. 720 p. BAIRD, C. Química Ambiental. Tradução: Maria Angeles Lobo Recio e Luiz Carlos Marques Carrera. 2. ed. Porto alegre: Bookman, 2002. 622 p. BARBOSA, F.A. R,; SOUZA, E. M. M.; VIEIRA, F.; RENAULT, G P. C. P.; ROCHA, L. 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