Apostila Dispositivos de medição e controle Agosto de 2012 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Prefácio Esta apostila tem por objetivo servir como referência aos alunos do curso de mecatrônica na disciplina de Dispositivos de Medição e Controle, e não substitui, de forma alguma, os diversos livros que tratam de tal assunto, e deve ser recebida pelo aluno, apenas como material de referência. Em uma época em que o desenvolvimento tecnológico e intelectual alcança níveis cada vez mais altos e com velocidade também cada vez maior, é importante que o aluno tenha consciência que a busca de novos conhecimentos, atualização dos conceitos básicos aqui apresentados, é uma tarefa pessoal sendo a escola apenas o meio que irá fornecer os instrumentos básicos pra tal busca, além de procurar incentivar os alunos. Desta forma, espera-se que o aluno desenvolva o habito de buscar incansavelmente sua atualização, pois, desta forma, suas chances de sucesso, profissional e também pessoal, em uma sociedade cada vez mais competitiva serão aumentadas. É importante que os conhecimentos adquiridos após a conclusão deste curso sejam aplicados em respeito aos limites da nossa sociedade e ao meio ambiente de forma direta e indireta. Espera-se que todos estes conhecimentos tragam frutos coletivos que irão promover o desenvolvimento de uma sociedade mais humana, justa e pacífica onde os interesses coletivos prevaleçam sobre os individuais e os interesses financeiros, que muitas vezes, infelizmente, superam a dignidade a sensatez dos homens, sejam dotados de menor importância. Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Sumário 1 - Introdução .................................................................................................................. 4 1.1 - Conceitos Básicos ................................................................................................ 4 1.2 - Classificação dos instrumentos de medida ....................................................... 5 2 - Instrumentos Analógicos ........................................................................................... 8 2.1 - Principais características operacionais ............................................................. 9 2.2 - Fatores de multiplicação e divisão das escalas ............................................... 10 3 - Instrumentos digitais ............................................................................................... 12 3.1 - Principais características operacionais ........................................................... 13 3.2 - Instrumentos com capacidade de interligação com microcomputadores.... 15 Lista de exercícios - I ................................................................................................ 16 4 - Instrumentos básicos de medidas elétricas ............................................................ 17 4.1 - O amperímetro .................................................................................................. 17 4.2 - O voltímetro ...................................................................................................... 18 4.3 - Wattímetro ........................................................................................................ 20 4.4 - O osciloscópio .................................................................................................... 20 4.5 - O gerador de funções ........................................................................................ 21 Lista de exercícios - II ............................................................................................... 23 5 - Sinais elétricos .......................................................................................................... 24 6 - Circuitos RL e RC ................................................................................................... 27 6.1 - O circuito RC .................................................................................................... 27 6.2 - O circuito RL .................................................................................................... 31 7 - Filtros ........................................................................................................................ 35 7.1 - Tipos de filtros .................................................................................................. 35 7.2 - O filtro passa-baixas ......................................................................................... 36 7.3 - O filtro passa-altas ............................................................................................ 37 7.4 - O filtro passa-faixa ........................................................................................... 38 7.5 - O filtro rejeita-faixa.......................................................................................... 41 Lista de exercícios - III ............................................................................................. 44 8 - Osciladores ............................................................................................................... 46 8.1 - Oscilador senoidal............................................................................................. 46 8.2 - Oscilador quadrado .......................................................................................... 47 8.3 - Oscilador triangular ......................................................................................... 48 9 - Retificadores............................................................................................................. 50 9.1 - Retificadores de meia onda .............................................................................. 50 9.2 - O retificador de onda completa (ponte retificadora) .................................... 51 10 - Acopladores ópticos ............................................................................................... 53 11 - Termistores NTC (Negative Temperature Coefficient) ..................................... 54 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa 11.1 - NTC (Negative Temperature Coefficient) .................................................... 54 11.2 - PTC (Positive Temperature Coefficient) ...................................................... 54 12 - Modulação e demodulaçao .................................................................................... 55 Lista de exercícios - IV ............................................................................................. 57 Bibliografia .................................................................................................................... 58 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa 1 -‐ Introdução 1.1 -‐ Conceitos Básicos Medir é estabelecer uma relação numérica entre uma grandeza e outra, de mesma espécie, tomada como unidade, ou seja, é realizar uma comparação entre a grandeza medida com o padrão. Neste sentido é importante ressaltar que o padrão sendo a grandeza que serve de referencia para a medida afeta diretamente a quantidade e a qualidade da medição. O padrão deve ser estabelecido de forma a apresentar as seguintes características: • Permanência – capacidade de manter o padrão inalterado com o passar do tempo e as variações das condições atmosféricas; • Reprodutibilidade – capacidade de ser obter cópias fieis do padrão. Para enfatizar a importância da qualidade do padrão têm-se para os estados atuais de avanço e necessidades tecnológicas os seguintes padrões, apenas para citar alguns: Tabela 1 - Definições de algumas grandezas. GRANDEZA NOME SÍMBOLO Comprimento metro m Tempo segundo s Massa quilograma kg DEFINIÇÃO Comprimento do trajeto percorrido pela luz no vácuo, durante um intervalo de tempo de 1/299 792 458 de segundo Duração de 9 192 631 770 períodos da radiação correspondente à transição entre dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133 Massa do protótipo internacional do quilograma OBSERVAÇÃO Unidade de base – definição adotada pela 17a Conferência Geral de Pesos e Medidas – CGPM – em 1983 Unidade de base – definida ratificada pela 13a Conferência Geral de Pesos e Medidas – CGPM – em 1973 - Umidade de base – definição ratificada pela 3a Conferência Geral de Pesos e Medidas – CGPM – em 1901; - Esse protótipo é conservado no Bureau Internacional de Pesos e Medidas em Sèvres, na França. Em relação aos erros durante a prática de qualquer medição considera-se que os mesmos sempre irão ocorrer, mas deve-se procurar minimizá-los. Em medições elétricas os mesmos estão divididos em três categorias: • Grosseiros – Causados pelo operador do equipamento, como por exemplo, ligação incorreta do instrumento, leitura incorreta do valor apresentado pelo instrumento ou erro de paralaxe, etc; • Sistemáticos – Causados por deficiências do instrumento, métodos empregados na medição e as condições sobre as quais a medição é realizada, são divididos em dois grupos: o Instrumentais - Inerentes aos instrumentos de medição, por exemplo, escalas mal graduadas, oxidação de contatos, desgaste de peças e descalibração. Podem ser minimizados usando-se instrumentos de boa qualidade e fazendo sua manutenção e calibração adequadas; 4 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa o Ambientais - Referentes às condições do ambiente externo ao aparelho, por exemplo, temperatura, umidade e pressão, existência de campos elétricos e/ou magnéticos. Para diminuir a incidência desses erros pode-se trabalhar em ambientes climatizados e providenciar a blindagem dos aparelhos em relação a campos eletromagnéticos. • Aleatórios - Erros acidentais devem-se a fatores imponderáveis (incertezas), como, por exemplo, a ocorrência de transitórios em uma rede elétrica e ruídos elétricos provenientes de sinais espúrios. Como são imprevisíveis, sua limitação é impossível. O conceito de exatidão e precisão, utilizado muitas vezes erroneamente como sinônimos, é importante para o tratamento de erros e pode ser melhor entendido através da analogia com três atiradores. Considere três atiradores “A”, “B” e “C” e o resultado de três conjuntos de disparos realizados pelos três atiradores, apresentado na Figura 1: Figura 1 – Analogia dos três atiradores. Portando, de acordo com a figura anterior pode-se dizer que o atirador “A” apresenta baixa exatidão e também baixa precisão. Considerando o atirador “B” observa-se que o mesmo apresenta baixa exatidão, mas alta precisão. E finalmente o atirador “C” que apresenta alta exatidão e também alta precisão. Portanto: • Exatidão – Propriedade que exprime o afastamento entre o valor obtido, através da medição, e o valor verdadeiro da grandeza que se está medindo; • Precisão – Propriedade relacionada com a repetibilidade das medidas, em outras palavras, exprime o grau de espalhamento de um conjunto de medidas em torno de um ponto. 1.2 -‐ Classificação dos instrumentos de medida Os instrumentos empregados para medição de grandezas elétricas podem ser classificados de acordo com: 5 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa a) Grandeza a ser medida: • • • • • Amperímetro – medição da corrente elétrica; Voltímetro – medição da tensão elétrica; Ohmímetro – medição da resistência; Capacímetro – medição da capacitância; Frequecímetro – medição da freqüência de um sinal. Aqui foram citados apenas alguns instrumentos. b) Forma de apresentação dos resultados: • Analógicos – Apresentam o valor da grandeza medida através da posição de um ponteiro sobre uma escala específica. Geralmente é necessária a realização de algum cálculo para obtenção do valor da medição com base na escala de operação do instrumento; • Digitais – Apresentam o valor da grandeza medida diretamente através de um display numérico. Multimetro analógico Multimetro digital Figura 2 – Tipos de multímetros em relação à forma de apresentação dos dados. (Fonte: Minipa) Embora os instrumentos digitais ofereçam uma maior comodidade na leitura da grandeza avaliada, aliada a queda no preço dos mesmos o uso de instrumentos analógicos ainda é grande devido à robustez dos mesmos e também ao fato de que no caso de variações rápidas da grandeza avaliada a observação da variação da posição do ponteiro é mais indicada, devida à capacidade deste instrumento de acompanhar tais variações, o que não acontece em instrumentos digitais uma vez que a atualização do valor 6 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa apresentado no display do instrumento é feita de forma discreta, ou seja, após certos intervalos de tempo. c) Capacidade de armazenamento das leituras: • Indicadores – Apresentam o valor da medida no instante em que a mesma é realizada; • Registradores – São capazes de armazenar certa quantidade de leituras; • Totalizadores – Apresentam o valor da grandeza medida de forma acumulada. d) Finalidade de utilização: • Uso em laboratórios – Instrumentos com maior exatidão e precisão; • Industriais – Menos exatos e precisos, em alguns casos, são mais robustos sendo apropriados para trabalhos contínuos sob as mais diversas condições; e) Portabilidade: • Painel – Instrumentos fixos em painéis industriais; • Bancada – Instrumentos portáteis, usados em laboratórios, uso pessoal e industrial. 7 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa 2 -‐ Instrumentos Analógicos Têm como princípio de funcionamento o galvanômetro de bobina móvel, ou seja, sua operação se baseia no fenômeno eletromagnético, no qual a corrente elétrica que percorre uma bobina imersa em um campo magnético sofre a ação de forças que promovem seu deslocamento e conseqüentemente de um ponteiro fixado a mesma, Figura 3. Desta forma são essencialmente amperímetros e para medições de outras grandezas como, por exemplo, tensão e resistência, são necessárias a utilização de circuitos adicionais. Figura 3 – Princípio de funcionamento do galvanômetro. A escala é um elemento importante nos instrumentos analógicos, uma vez que é através dela que temos o valor da grandeza avaliada. Em relação às escalas podemos ressaltar as seguintes características: • Fundo de escala – Valor máximo que um determinado instrumento é capaz de medir sem risco de danos ao mesmo e com segurança para o operador; • Linearidade – Maneira como a escala é dividida, quando valores iguais correspondem a divisões iguais a escala é linear (homogênea), quando a correspondência entre os valores e as divisões não é igual a escala é nãolinear (heterogênea), Figura 4; Figura 4 – Linearidade das escalas. • Posição do zero – Posição de repouso do ponteiro, ou seja, quando não há realização de medição. Têm-se as seguintes possibilidades: zero a esquerda, zero à direita, zero central, zero deslocado ou zero suprimido (quando a escala começa com um valor diferente de zero), Figura 5. 8 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Figura 5 – Escalas de acordo com a posição do zero. 2.1 -‐ Principais características operacionais • Sensibilidade – Todos os instrumentos devido a aspectos construtivos dos mesmos apresentam uma resistência interna, portanto, quanto inseridos em um circuito acabam causando uma alteração na configuração original deste, em outras palavras, dizem que o instrumento carrega o circuito. A sensibilidade ‘S’ é uma grandeza que se relaciona à resistência interna dos instrumentos; no caso de medidores analógicos, ela é calculada tomando-se como base a corrente necessária para produzir a máxima deflexão do ponteiro ‘Imax’, portanto: S= 1 I MAX Considerando a lei de Ohm: V V 1 Ω ∴ A = ∴S = = V V R Ω Ω Quanto maior for a sensibilidade de um instrumento melhor este será. De uma maneira geral, os instrumentos de bobina móvel apresentam sensibilidade da ordem de 100 k Ω /V. I= • Valor fiducial – Valor associado com o campo efetivo de medição, a tabela abaixo apresenta alguns exemplos: Tabela 2 – Valor fiducial de alguns instrumentos. Tipo de instrumento Amperímetro Voltímetro Frequencímetro Ohmímetro Limite do campo efetivo De 0 a 80 A De -50 a +50 V De 55 a 65 Hz De 500 a 750 Ω Valor fiducial (F.V.) 80 A 100 V 10 Hz 250 Ω 9 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa • Resolução – Menor variação da grandeza que pode ser observada na escala do instrumento. • Classe de exatidão’CE’ – Erro limite, especificado e garantido pelo fabricante, que se pode obter em qualquer medida efetuada pelo instrumento. Por exemplo, considerando um amperímetro com classe de exatidão 0,2 e escala 0-80 A o erro, ξ , máximo (limite) admissível em qualquer ponto da escala será: ξ= CE × Valor _ Fiducial 0, 2 × 80 = = 0,16 A 100 100 Portanto, se o instrumento indicar 15 A, de acordo com o obtido acima, a variação (erro ‘ ξ ’) máxima admissível será 15 ± 0,16 A, ou seja, o valor real da corrente está entre 14,84 a 15,16 A; para uma indicação de 55 A a variação será igualmente 55 ± 0,16 A, ou seja, 54,84 a 55,16 A. 2.2 -‐ Fatores de multiplicação e divisão das escalas Considerando os multímetros analógicos para a medição de tensão, corrente e resistência deve-se aplicar, quando pertinente, o fator de multiplicação ou divisão de escalas. Para medição de tensão e correntes este procedimento pode ser dividido em três situações como a seguir: • Chave seletora em uma posição cujo valor é superior ao fundo de escala utilizado (fator de multiplicação) – Neste caso o valor lido na escala, indicação do ponteiro, deve ser multiplicado pelo resultado da divisão entre o valor indicado pela chave e o valor do fundo de escala em questão; ⎛ posição _ chave ⎞ Medição = posição _ ponteiro ⋅ ⎜ ⎟ ⎝ Fundo _ de _ escala ⎠ • Chave seletora em uma posição cujo valor é inferior ao fundo de escala utilizado (fator de divisão) – Como no caso anterior, o valor lido na escala deve ser multiplicado pelo resultado da divisão entre o valor indicado pela chave e o valor do fundo de escala em questão; ⎛ posição _ chave ⎞ Medição = posição _ ponteiro ⋅ ⎜ ⎟ ⎝ Fundo _ de _ escala ⎠ • Chave seletora em uma posição igual ao valor da escala – Neste caso a leitura é direta e nenhum fator de correção deve ser aplicado. Para a medição de resistência o valor indicado pelo ponteiro deve ser multiplicado pelo fator indicado pela posição da chave seletora. 10 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Exemplo 1 – Considere um instrumento que está sendo utilizado para medir a tensão em um equipamento, o ponteiro indica o valor de 25 V numa escala cujo fundo é de 250 V, sabendo que a chave está na posição de 500 V, qual o valor medido para a grandeza avaliada. Solução: Utilizando o fator de multiplicação acima, tem-se: ⎛ 500 ⎞ Medição = 25 ⋅ ⎜ ⎟ = 50V ⎝ 250 ⎠ Portanto, a tensão medida vale 50 V. Exemplo 2 – Considere um instrumento que está sendo utilizado para medir a tensão em um equipamento, o ponteiro indica o valor de 8 V numa escala cujo o fundo é de 10 V, sabendo que a chave está na posição de 2,5 V, qual o valor da grandeza medida. Solução: Utilizando o fator de divisão acima, tem-se: ⎛ 2,5 ⎞ Medição = 8 ⋅ ⎜ ⎟ = 2V ⎝ 10 ⎠ Portanto, a tensão medida vale 2 V. Exemplo 3 – Considere um instrumento que está sendo utilizado para medir o valor de um resistor, o ponteiro indica o valor de 33 Ω, sabendo que a chave está na posição de x1K, ou seja, x1000, qual o valor da grandeza medida. Solução: Medição = 33 ⋅1000 = 33000Ω Logo o valor da resistência medido é de 33000Ω ou 33 KΩ. 11 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa 3 -‐ Instrumentos digitais A operação dos aparelhos digitais tem como fundamento a medida de tensão (voltímetro). A utilização de circuitos adicionais permite que sejam medidas outras grandezas, como corrente, resistência, freqüência, temperatura, capacitância e outras. O princípio básico de operação destes instrumentos é o conversor A/D (conversor analógico digital) que tem a função de converter o sinal analógico da grandeza a ser medida em um sinal digital compatível com os circuitos e modo de operação do instrumento digital. O elemento de apresentação das leituras, o display, pode ser de dois tipos: • LED1 – Display formado por um conjunto de dispositivos semicondutores, LED, capazes de emitir luz quando percorridos por corrente elétrica. Neste tipo de configuração cada LED representa um segmento do algarismo; • LCD2 - Constituídos por duas lâminas transparentes de material polarizador de luz que impedem ou permitem a passagem da luz de acordo com a corrente elétrica. Na Figura 6 são apresentados estes dois tipos de displays e na Figura 7 a distribuição dos segmentos que formam os algarismos nos mesmos. Display de LED Display LCD Figura 6 – Tipos de displays. Figura 7 – Distribuição dos segmentos. 1 2 LED - Light Emitting Diode ou Diodo Emissor de Luz LCD - Liquid Crystal Display ou Tela de Cristal Líquido 12 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa A seguir é apresentada uma tabela comparativa entre os dois tipos de displays. Tipo LED LCD Vantagens - Fácil leitura a maiores distâncias; - Mais robusto (durável); - Sem necessidade de iluminação externa - Visualizável sob qualquer ângulo. - Baixo consumo de energia; - Excelente contraste, mesmo sob incidência de luz solar. Desvantagens - Maior consumo de energia; - Baixo contraste sob incidência de luz solar. - Necessidade de iluminação externa; 3.1 -‐ Principais características operacionais • Resolução – Capacidade de diferenciar grandezas com valores próximos entre si. Em instrumentos digitais, a resolução é dada pelo número de dígitos ou contagens de seu display. Um instrumento com 3½ dígitos tem 3 dígitos “completos” (isto é, são capazes de mostrar os algarismos de 0 até 9) e 1 “meio dígito”, mais significativo (a esquerda do display), que só pode apresentar 2 valores: 0 (nesse caso o algarismo está “apagado”) ou 1; portanto, este instrumento pode contar até 1999. Um instrumento de 4½ dígitos tem maior resolução, pois pode apresentar 19999 contagens; • Exatidão - De forma semelhante aos instrumentos analógicos, a exatidão dos medidores digitais informa o maior erro possível em determinada condição de medição. É expresso através de percentual da leitura do instrumento. Uma precisão de 1% da leitura significa que se o valor exibido no multímetro for de 100,0 V o valor real da tensão pode estar entre 99,0 V e 101,0 V. As especificações podem incluir também uma escala de dígitos a ser adicionada às especificações básicas de precisão indicando em quantas unidades o ultimo dígito da direita pode variar, desta forma, a precisão do exemplo anterior poderia ser expressa como ± (1% + 2), logo para a exibição de uma leitura de 100,0V, a tensão real estaria entre 98,8V e 101,2V; • Categoria – Refere-se à segurança, tanto do instrumento como de seu operador. Não basta que a proteção se dê pela escolha de instrumentos com escalas com ordem de grandeza suficiente para medir o que se quer: é necessário levar-se em consideração, ainda, a possibilidade da existência de transientes de tensão, que podem atingir picos de milhares de volts em determinadas situações. Os instrumentos digitais são hierarquizados em categorias numeradas de I a IV, cada uma delas abrangendo situações às quais o medidor se aplica. A norma IEC-1010-1 especifica categorias de sobretensão com base na distância da fonte de alimentação e no amortecimento natural da energia transiente que ocorre num sistema de distribuição elétrica. As categorias máximas estão mais perto da fonte de alimentação e requerem maior proteção: o Categoria IV (CAT IV) - Denominada nível de alimentação principal, refere-se à fonte do sistema; o Categoria III (CAT III) - Denominada nível de distribuição, refere-se aos circuitos de alimentação dos consumidores. Os circuitos desta 13 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa categoria estão normalmente separados da fonte por pelo menos um transformador; o Categoria II (CAT II) - Refere-se ao nível local, a dispositivos, equipamentos portáteis, etc. o Categoria I (CAT I) - Refere-se ao nível de sinal, às telecomunicações, equipamento eletrônico, etc. Na Figura 8 é apresentada a distribuição destas categorias de acordo com posição da fonte de alimentação. Figura 8 - Categorias dos instrumentos digitais. (Fonte: Fluke do Brasil) • 3 True RMS3 – Refere-se à capacidade de se medir o valor RMS, também conhecido como valor eficaz, de um sinal ou fonte de alimentação independentemente da sua forma de onda. Uma fonte de tensão senoidal com certo valor RMS possui a propriedade de fornecer a uma carga resistiva R, durante um período de tempo T, a mesma energia que uma fonte de tensão RMS - Root Mean Square ou Valor Médio Quadrático 14 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa contínua com o mesmo valor. Ressalta-se que instrumentos não-true RMS só fornecem o valor correto para forma de ondas senoidais. 3.2 -‐ Instrumentos com capacidade de interligação com microcomputadores Embora este tipo de instrumento seja basicamente um instrumento digital, é importante fazer uma apresentação, mesmo que sucinta, sobre os mesmos devido à sua popularização e também dos microcomputadores. Os instrumentos que possuem capacidade de interligação com microcomputadores possuem uma porta de comunicação, geralmente serial, que segue um dos padrões RS4 232 ou USB5. Uma vez conectado ao microcomputador um grande número de funcionalidades são oferecidas pelo software responsável pela apresentação e análise dos dados provenientes do instrumento. Além de mostrar as mesmas informações que são apresentadas pelo display do instrumento na tela do microcomputador também é possível gerar gráficos e armazenar as medidas efetuadas, o que permite uma análise futura da variação da grandeza sob medição, isto apenas para citar algumas das novas possibilidades. Um exemplo de instrumento com esta capacidade é o multímetro digital modelo ET-2076 fabricado pela Minipa e apresentado na Figura 9 juntamente com o software de apresentação dos dados. Figura 9 - Instrumento com conexão para o microcomputador e o software do mesmo. 4 5 RS – Recommended Standard ou Padrão recomendado USB – Universal Serial Bus ou Barramento serial universal 15 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Lista de exercícios -‐ I Data de entrega: 1. Defina o que é medição. 2. Quais as características que um padrão deve possuir? 3. Quais os tipos de erro presentes em qualquer medição? 4. Como se classificam os instrumentos de medição? 5. Em que consiste a linearidade de um instrumento de medição? 6. Defina o que vem a ser o conceito de categoria de um instrumento de medição digital. 7. Qual o valor fiducial dos instrumentos com as seguintes escalas: a) Voltímetro, com escala de zero a 300 V; b) Amperímetro com escala de zero a 50 A; c) Voltímetro, com escala de -25 V a 75 V; d) Voltímetro, com escala -300 a 600 V; e) Amperímetro, com escala 50 a 300 A; f) Amperímetro, com escala 5-60 A; g) Voltímetro, com escala 100-250V; 8. Qual é o erro máximo admissível para os seguintes instrumentos e a faixa de valores possíveis para o valor real da grandeza avaliada? a) Voltímetro, com classe de exatidão 0,1 e escala 0-200 V, considere que durante uma medição o valor obtido foi 125 V; b) Amperímetro, com classe de exatidão 2,0 e escala 0-50 A, considere que durante uma medição o valor obtido foi 12 A; c) Voltímetro, com classe de exatidão 1,5 e escala 50-300 V, considere que durante uma medição o valor obtido foi 178 V; d) Amperímetro, com classe de exatidão 0,5 e escala 50-120 A, considere que durante uma medição o valor obtido foi 99 A; e) Voltímetro, com classe de exatidão 0,3 e escala -200 a 200 V, considere que durante uma medição o valor obtido foi -12 V; f) Voltímetro, com classe de exatidão 0,1 e escala 0-100 V, considere que durante uma medição o valor obtido foi 53 V; g) Amperímetro, com classe de exatidão 2,0 e escala -10 a 50 A, considere que durante uma medição o valor obtido foi 22 A; h) Amperímetro, com classe de exatidão 0,1 e escala -10 a 50 A, considere que durante uma medição o valor obtido foi 22 A; 16 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa 4 -‐ Instrumentos básicos de medidas elétricas 4.1 -‐ O amperímetro Utilizado para medição de corrente elétrica, deve ser ligado em série com a carga sob inspeção. Idealmente, os amperímetros devem possuir resistência elétrica interna nula para evitar alteração na grandeza sob medição, Figura 10. Figura 10 – Ligação do amperímetro. Na prática os amperímetros possuem uma resistência, que embora seja muito baixa, acaba causando alguma alteração no circuito, portanto, deve-se avaliar se as características do instrumento são compatíveis com a qualidade dos resultados que se pretende obter. Às vezes é necessário medir correntes de magnitudes superiores ao valor de fundo de escala do instrumento, neste caso utiliza-se a técnica de multiplicação de escala, que consiste em ligar em paralelo com o instrumento um resistor (chamado derivação ou shunt) pelo qual será desviada a parcela excedente de corrente, Figura 11. Figura 11 – Técnica de multiplicação de escala para o amperímetro. Exemplo - Considere um amperímetro com corrente de fundo de escala, Ife, de 1 A e resistência interna, Rint, de 2 Ω . Qual será o valor do resistor de derivação, shunt, para que a corrente máxima a ser medida seja de 15 A? 17 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Dados: Rint = 2Ω I fe = 1A I máximo = 15 A Rshunt = ? Solução: Aplicando a Lei de Ohm para obter o valor de ΔVamperímetro , tem-se: ΔVamperímetro = Rint ⋅ I fe = 2 ⋅1 = 2V A seguir se obtêm, novamente através da Lei de Ohm, o valor de Rshunt , logo: Rshunt = ΔVamperímetro Vshunt 2 = = = 0,143Ω I máximo − I fe I máximo − I fe 15 − 1 Finalmente, com valor de Rshunt obtido o máximo de corrente que irá passar pelo amperímetro será de 1 A, mesmo considerando que a corrente que se pretende medir seja de 15 A, ou seja, 14 A serão desviados pelo resistor de derivação. Observa-se que quanto maior for o valor máximo da corrente que se pretende medir, menor será o valor do resistor de derivação, pois este deverá, sempre, oferecer um caminho de menor resistência para a corrente em relação à resistência interna do amperímetro. 4.2 -‐ O voltímetro Utilizado para medição da tensão elétrica, deve ser ligado em paralelo com o elemento cuja tensão se pretende medir. Idealmente os voltímetros, ao contrário dos amperímetros, devem possuir resistência elétrica interna infinita para evitar o carregamento do circuito. Na prática os voltímetros apresentam uma resistência que embora seja muito elevada não é infinita, portando, deve-se considerar esta característica do instrumento durante a realização da medição, Figura 12. Figura 12 – Ligação do voltímetro. 18 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Para medição de tensões acima do valor máximo de fundo de escala pode-se aplicar a técnica de multiplicação de escala, para tal utiliza-se um resistor em série com o voltímetro que irá “reter” sobre ele o excedente de tensão, Figura 13. Figura 13 – Técnica de multiplicação de escala para o voltímetro. Exemplo - Considere um voltímetro que possui tensão de fundo de escala, Vfe, de 10 V e resistência interna, Rint, de 100 K Ω . Qual será o valor do resistor, que ligado em série com o mesmo, promoverá uma ampliação de escala que permita medir tensões de até 150 V? Dados: Rint = 100 K Ω V fe = 10V Vmáximo = 150V R=? Solução: Inicialmente, pela Lei de Ohm, obtêm-se o valor da corrente que passa pelo voltímetro, portanto: I voltímetro = ΔVvoltímetro 10 = = 0, 0001A Rint 100000 A seguir, considerando que a corrente que passa pelo instrumento e o resistor em série é a mesma e que a queda de tensão sobre o resistor é ΔVR obtêm-se o valor para R como a seguir: R= ΔVR I voltímetro = 140 = 1400000Ω = 1, 4M Ω 0, 0001 Desta forma, pode ser observado que o valor do resistor utilizado para multiplicação da escala é superior ao valor da resistência interna do instrumento, esta característica fica evidente quando se considera que, pela lei de Ohm, o valor da queda de tensão sobre um resistor é diretamente proporcional à resistência do mesmo, e como a maior parte da tensão deve ficar sobre o resistor maior será a resistência do mesmo em relação ao do instrumento. 19 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa 4.3 -‐ Wattímetro O instrumento básico para medir a potência ativa em circuitos é o wattímetro, este instrumento possui duas bobinas, a primeira chamada bobina de corrente é estacionária e recebe uma corrente proporcional à corrente na carga. A segunda, chamada bobina de potencial, é móvel e recebe uma corrente proporcional à tensão na carga. Portanto, a deflexão média do ponteiro ligado à bobina móvel é proporcional ao produto do valor eficaz (valor RMS) da corrente, I eff , na bobina de corrente pelo valor eficaz da tensão, Veff , aplicada à bobina de potencial e pelo co-seno do ângulo de fase entre a tensão, θ v , e a corrente, θi , de acordo com a seguinte equação: P = Veff ⋅ I eff ⋅ cos(θ v − θi ) Na Figura 14 é apresentado wattímetro juntamente com sua representação em um circuito. Figura 14 – O wattímetro e sua representação. Um exemplo deste tipo de instrumento é o relógio do padrão de energia de nossas residências. Além disto, neste caso, o wattímetro tem a característica de totalizador, armazenando e conseqüentemente apresentando, o valor da potência consumida desde a instalação do mesmo até um valor máximo onde a contagem é reiniciada. Para contabilização do valor consumido no período de um mês o “leiturista” anota o valor atual apresentado pelo instrumento sendo que o valor final é dado pela diferença entre o valor atual e o do mês anterior. 4.4 -‐ O osciloscópio O osciloscópio é um instrumento que permite observar numa tela plana uma tensão elétrica (diferença de potencial - ddp) em função do tempo (modo de varredura), ou em função de outra tensão (modo X-Y), ou seja, a forma de onda de um sinal. O elemento sensor é um feixe de elétrons que, devido ao baixo valor da sua massa e por serem partículas carregadas, podem ser facilmente aceleradas e defletidas pela ação de um campo elétrico ou magnético. A diferença de potencial é lida a partir da posição de uma mancha luminosa numa tela retangular graduada. A mancha resulta do impacto do feixe de elétrons num alvo revestido de um material fluorescente, Figura 15. 20 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Como muitas grandezas físicas são medidas através de um sinal elétrico, o osciloscópio é um instrumento indispensável em qualquer tipo de laboratório. O osciloscópio permite obter os valores instantâneos de sinais elétricos rápidos, a medição de tensões e correntes elétricas, e ainda freqüências e diferenças de fase de oscilações. Figura 15 – Aspecto geral de um osciloscópio. (Fonte: Icel Manaus) A operação do osciloscópio se baseia em dois ajustes básicos: escala de tempo e de amplitude. Considerando a tela do instrumento no eixo horizontal temos a escala de tempo e no eixo vertical a escala de amplitude. Com base nos ajustes citados e a observação da forma de onda na tela do instrumento é possível medir a amplitude e o período deste sinal. Considerando que atualmente quase todos os instrumentos comercializados disponibilizam, pelo menos, dois canais de entrada (osciloscópios de traço duplo) é possível realizar comparações entre as duas formas de onda obtendo, por exemplo, a diferença de fase entre elas. Uma vez que este instrumento só consegue medir a tensão, ou a variação da mesma, sua resistência interna, também chamada de impedância de entrada, é muito elevada na ordem de milhões de ohms, minimizando, desta forma o carregamento do circuito em teste. Para medição de correntes deve-se utilizar resistores shunt devidamente dimensionados. A principal característica de um osciloscópio, que determina sua faixa de operação, é a freqüência máxima do sinal que o mesmo consegue apresentar em sua tela. Geralmente, são encontrados comercialmente instrumentos com freqüências máximas de 20 MHz, 40 MHz, 60 MHz e 100 MHz. Instrumentos com freqüências maiores são também comercializados, mas possuem aplicação específica. 4.5 -‐ O gerador de funções O gerador de funções, também conhecido como gerador de sinais, embora não seja um instrumento de medição, é muito útil uma vez, como o próprio nome sugere, é utilizado para geração de funções (sinais elétricos) para testes em circuitos, Figura 16. Este instrumento é capaz de gerar sinais com diversas formas de onda, freqüência, intensidade. Sua utilização em conjunto com o osciloscópio é capaz de trazer muitas informações a respeito do circuito em teste sendo, portanto, muito utilizado para manutenção e/ou desenvolvimento de determinados equipamentos eletrônicos. Ressalta21 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa se também a aplicação didática deste instrumento, uma vez que através do mesmo podese gerar as diversas formas de onda apresentadas na teoria. Figura 16 – Gerador de funções. (Fonte: Minipa) A operação do instrumento é simples uma vez, que basicamente, é necessário atuar sobre os ajustes de forma de onda, freqüência e intensidade do sinal gerado. A maioria dos instrumentos comerciais é capaz de gerar sinais com forma de onda senoidal, quadrada, triangular e “dente de serra”, sendo que a faixa de freqüência varia de algumas frações de hertz até 2 MHz com intensidade máxima de 20 Vp-p, Figura 17. Figura 17 – Formas de onda básicas de um sinal. 22 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Lista de exercícios -‐ II Data de entrega: 1. Considere um amperímetro com corrente de fundo de escala de 0,5 A e resistência interna de 1 Ω. Qual será o valor do resistor de derivação, shunt, para que a corrente máxima a ser medida seja de 5 A? 2. Considere um amperímetro com Ife, de 0,3 A e resistência interna, de 1,5 Ω. Desejase multiplicar a escala deste instrumento para que o mesmo possa medir correntes máximas de 3 A, 5 A, 10 A e 20 A, qual os valores dos resistores de derivação para cada umas das escalas desejadas? 3. Considere um amperímetro com corrente de fundo de escala de 5 A e Rint de 2 Ω. Qual será o valor do resistor de derivação, shunt, para que o fundo de escala deste instrumento seja multiplicada por 2? 4. Um voltímetro que possui tensão de fundo de escala, Vfe, de 50 V e resistência interna, Rint, de 100 KΩ . Qual será o valor do resistor, que ligado em série com o mesmo, promoverá uma ampliação de escala que permita medir tensões de até 300 V? 5. Um voltímetro que possui Vfe de 2 V e resistência interna de 50 KΩ. Qual será o valor do resistor, que ligado em série com o mesmo, promoverá uma multiplicação de escala de 100 vezes. 6. Um técnico possui em sua bancada um voltímetro com tensão de fundo de escala de 10 V e Rint, de 50 KΩ, deseja-se utilizar este instrumento de tal forma que possam ser medidas tensão máximas de 200 V, 500 V e 1000 V. Qual o valor dos resistores, que ligados em série com este instrumento, irão promover as ampliações de escala desejadas? 7. Qual a função do wattímetro? 8. Qual a função do osciloscópio? 9. Em quais situações o gerador de funções é aplicado? 23 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa 5 -‐ Sinais elétricos Um sinal elétrico pode ser caracterizado de duas maneiras: • • Como um sinal de tensão, ou seja, através da medição da variação da tensão entre dois pontos no decorrer do tempo; Como um sinal de corrente, ou seja, através da medição da variação da corrente que percorre um condutor no decorrer do tempo. Para representação de um sinal, seja o mesmo de tensão ou corrente, utilizamos a forma gráfica através do plano cartesiano, como apresentado na Figura 18: Figura 18 – Eixos para representação de um sinal elétrico. Um sinal pode ser gerado artificialmente por um circuito eletrônico, conhecido como oscilador. Entretanto, na maioria das aplicações práticas, o sinal elétrico representa a variação de outra grandeza física, por exemplo, temperatura, peso, pressão e outras, no decorrer do tempo, convertida em eletricidade por um transdutor. É importante considerar que o sinal é a informação útil para o circuito, qualquer informação indesejada, inútil, ou nociva, introduzida involuntariamente no sistema, é considerada ruído. Por exemplo, em um amplificador de audio: a pessoa fala em um microfone, que é o transdutor. O microfone converte as ondas sonoras em uma tensão variável que pode ser medida entre os fios do microfone. Esta variação na tensão é, exatamente, a freqüência de oscilação das ondas sonoras emitidas. É o sinal elétrico puro. Contudo, ao se medir a tensão em um estágio adiante no circuito, pode-se perceber, por exemplo, que a rede elétrica da sala "contaminou" o sinal, isto é, por efeito da indução eletromagnética sobre os condutores do circuito, somou-se ao sinal original uma variação de tensão com a freqüência de oscilação da rede (60 Hz no Brasil). Esta interferência indesejada da rede é o ruído. Quando o circuito entrega o sinal amplificado ao alto-falante (nosso transdutor de saída), a interferência foi amplificada junto, e será percebida como um zumbido grave ao fundo da voz. Para se determinar um sinal elétrico é preciso conhecer as seguintes características do mesmo: 24 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa • • • Amplitude – Se refere à intensidade da grandeza medida, tensão, V , ou corrente, A; Freqüência – Consiste na repetição do período de oscilação por unidade de tempo, Hz, onde um período é o tempo necessário para se completar um ciclo; Fase – Ângulo inicial de oscilação, º. A relação entre a freqüência, f, e o período, T, de um sinal é expressa da seguinte maneira: 1 f = T Ou seja, a freqüência, expressa em Hertz, Hz, é o inverso do período, expresso em unidade de tempo em segundos, s. Por exemplo, para um sinal senoidal temos a seguinte representação, Figura 19. Figura 19 – Exemplo de representação, sinal senoidal. Para um sinal elétrico, o valor da intensidade da tensão ou corrente, pode ser representado pelo valor eficaz (RMS), o valor de pico, o valor de pico a pico ou o valor médio. A definição de cada um destes tipos de valores é apresentada na Figura 20. Figura 20 - Forma de representação da intensidade de um sinal. 25 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Na figura anterior temos: • Valor de pico, Vp – Consiste no valor, intensidade, entre o eixo horizontal e o valor máximo da tensão ou corrente; • Valor de pico a pico, Vp-p – Consiste no valor entre o ponto máximo e mínimo da tensão ou corrente; • Valor eficaz (RMS, VRMS) – Obtido através da seguinte relação: VRMS = • Vp 2 ≅ 0,707 ⋅Vp Valor médio, Vm – Obtido através da seguinte relação: Vm = 0, 637 ⋅ V p O valor eficaz, também conhecido como valor RMS (Root Mean Square ou Valor Quadrático Médio), de uma fonte de tensão possui a propriedade de fornecer a uma carga resistiva R, durante um período de tempo T, a mesma energia que uma fonte de tensão contínua com o mesmo valor. Em relação ao valor de pico e ao valor de pico a pico os mesmos são válidos para qualquer tipo de forma de onda como definido linhas acima, em relação ao valor eficaz e ao valor médio estes possuem expressões que dependem da forma de onda do sinal, portanto as expressões acima, para estes valores, são apenas válidas para sinais senoidais. 26 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa 6 -‐ Circuitos RL e RC Uma vez conhecida a capacidade de armazenamento de energia do capacitor e do indutor estamos em condições de determinar as correntes e tensões que surgem quando certa quantidade de energia é fornecida ou recebida por estes componentes em resposta a uma variação brusca em uma fonte de tensão ou de corrente. Neste item iremos examinar circuitos constituídos apenas por fontes, resistores, capacitores e indutores. Esses circuitos são denominados circuitos RC (resistor-capacitor) e circuitos RL (resistor-indutor). Para nossa análise, inicialmente, iremos considerar as formas de onda da tensão e corrente quando alimentamos o capacitor e o indutor, posteriormente, será considerada a resposta natural de tais circuitos, ou seja, quando uma vez carregados estes componentes se descarregam através de um resistor. 6.1 -‐ O circuito RC Considere o circuito apresentado na Figura 21, neste temos um capacitor ligado em série com uma fonte de tensão contínua através de um resistor. Figura 21 - Circuito RC. Considerando que inicialmente a chave, S, está aberta e o capacitor está completamente descarregado a tensão entre os terminais deste é zero volt. Ou seja, não existe energia armazenada e nem circulação de corrente pelo circuito. Outra situação é apresentada na Figura 22 e consiste no instante em que a chave é fechada, neste momento o capacitor irá se carregar e a corrente irá começar a circular pelo circuito. Figura 22 - Circuito RC no instante em que a chave é fechada. 27 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Estamos interessados em conhecer a tensão, Vc, e a corrente, Ic, no capacitor. Para tal, é importante considerar que no instante em que a chave é fechada, a tensão no capacitor, que era de zero volt, começa a subir até atingir o valor da fonte, V. Em relação à corrente, precisamos considerar que pelo fato do capacitor estar completamente descarregado no instante em que a chave é fechada a corrente inicial é máxima e vai decaindo à medida que o capacitor vai carregando, ou seja, à medida que a tensão aumenta a corrente vai diminuindo. Finalmente, no instante em que o capacitor está completamente carregado a tensão é máxima e a corrente é igual a zero, Figura 23. Analisando a Figura 23, considere uma fonte de tensão de 10 V, podemos observar que no instante em que a chave foi fechada, o que ocorreu no tempo 2 segundos, a tensão no capacitor começou a subir até o valor máximo da fonte que era de 10 V e a corrente saltou para aproximadamente 4,8 A. À medida que o tempo foi passando, ou seja, o capacitor foi sendo carregado, a tensão ficou estabilizada com o valor da fonte e a corrente por sua vez caiu para zero. É importante ressaltar que o tempo necessário para a tensão chegar ao valor máximo, ou em outras palavras, a inclinação da curva de tensão, é proporcional ao valor do capacitor e também do resistor, ou seja, se aumentarmos o valor destes componentes maior será o tempo necessário para a estabilização do circuito. Por estabilização entende-se o tempo necessário para que a tensão seja máxima e a corrente seja mínima. Figura 23 - Carga do capacitor. Comparando as Figura 23 e Figura 24, onde nesta última foi utilizado um capacitor com um valor três vezes maior que o da figura anterior, podemos observar que o tempo de estabilização do circuito ficou alterado, e neste caso, como era esperado, o tempo foi maior. Quantitativamente, para a Figura 23 o tempo de estabilização foi de aproximadamente 2,5 segundos, considere que a chave foi fechada no instante 2 segundos. Para o circuito da Figura 24 este tempo foi de 7,5 segundos aproximadamente. Sendo estas alterações no tempo de estabilização sendo válidas para a tensão e a corrente. 28 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Figura 24 - Carga no capacitor de maior valor. Uma vez analisada a resposta do circuito RC para a carga do capacitor, passamos a analisar a resposta do mesmo circuito RC para a descarga deste componente. Para tal consideramos o circuito apresentado na Figura 25. Figura 25 - Circuito para a descarga no capacitor. Para obter as curvas de descarga do capacitor iremos considerar que inicialmente, ou seja, com a chave, S, aberta, o capacitor encontra-se carregado com um valor de tensão V, e no instante em que a chave é fechada o capacitor irá se descarregar através do resistor. Estamos interessados em conhecer as curvas de tensão, Vc, e corrente, Ic, a partir do instante em que a chave é fechada, Figura 26. Figura 26 – Circuito RC com as grandezas de interesse, Vc e Ic. 29 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Na Figura 27 é apresentada as curvas Vc e Ic para descarga do capacitor, iremos no concentrar, nesta figura, nos valores de tempo a partir de 5 segundos. No instante de tempo igual a 5 segundos a chave é fechada e o capacitor começa a se descarregar sobre o resistor. Lembre-se que estamos considerando que o capacitor encontrava-se previamente carregado, neste caso com um valor de tensão igual a 10 V. Observe que a tensão parte do valor máximo, 10 V, e vai caindo até o valor de zero volt. Da mesma forma, a corrente parte de um valor máximo e vai se aproximando de zero, quando Vc e Ic forem zero o capacitor está completamente descarregado em 20 segundos. Figura 27 - Curvas de descarga do capacitor. Com base na inclinação da curva de descarga do capacitor podemos definir a constante de tempo, τ, do circuito RC como sendo: τ = R ⋅C A constante de tempo é uma grandeza que expressa o tempo necessário para que o circuito RC seja descarregado, sendo que por descarregado considera-se que o valor da tensão atingiu 0,37 do valor inicial e não, necessáriamente, zero. Em outras palavras o circuito, para fins práticos, é considerado descarregado a partir do instante em que restar 37 % da tensão inicial. Exemplo – Considere o circuito da Figura 25, qual a constante de tempo deste circuito se o valor do resistor é de 2,2 KΩ e do capacitor 4,7 µF? Solução: Dados: R = 2,2 KΩ; C = 4,7 µF. 30 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Portanto, a constante de tempo será: τ = R ⋅ C = 2200 ⋅ 0,0000047 = 0,01s Ou seja, este circuito irá levar 0,01 segundos para que o valor da tensão decaia para 37 % do valor inicial, considerando que a tensão inicial no capacitor era de 10 V, após 0,01 segundos este valor será de 10 ⋅ 0,37 = 3,7V . Repare que a constante de tempo independe do valor da tensão inicial, sendo determinada apenas pelos valores dos componentes do circuito. 6.2 -‐ O circuito RL Substituindo o capacitor do item anterior por um indutor, temos o circuito apresentado na Figura 28. Figura 28 - Circuito RL. A análise deste circuito é semelhante a do circuito RC, portanto, estamos interessados nas curvas de tensão e corrente no indutor, quando a chave, S, é fechada, para tal iremos considerar a Figura 29. Figura 29 - Circuito RL com as grandezas de interesse, VL e IL. Vamos considerar que a fonte de tensão é de 10 V, de acordo com a Figura 30, podemos observar que no instante em que a chave é fechada, o que ocorre no tempo igual a 1 segundo, a tensão no indutor, VL, salta para o valor máximo, próximo ao valor 31 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa da fonte, e vai decaindo até zero enquanto a corrente, IL, sobe gradativamente até o lavor máximo, neste caso igual a 3,3 A. Figura 30 - Curvas de carga do indutor. O tempo de estabilização do circuito, ou seja, o tempo necessário para que a tensão seja mínima e a corrente máxima, depende dos valores de R e L, a seguir na Figura 31, são apresentadas as curvas para um circuito RL com o valor do indutor igual à metade do apresentado na Figura 30. Figura 31 - Curva de carga do indutor com valor igual à metade do anterior. Repare que na Figura 31 o tempo de estabilização do circuito foi de aproximadamente 10 segundos, enquanto que para o circuito da Figura 30 este tempo foi de 20 segundos. Portanto com um indutor de valor igual à metade o tempo de estabilização foi reduzido à metade. 32 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Agora vamos analisar a resposta natural do circuito RL, ou seja, vamos assumir que o indutor está inicialmente carregado e que será descarregado através de um resistor no instante em que a chave é fechada, Figura 32. Figura 32 - Circuito para análise da descarga do indutor. No instante em que a chave e fechada, a energia armazenada no indutor será aplicada ao resistor, o que irá gerar uma corrente circulando pelo circuito, Figura 33. Figura 33- Grandezas de interesse na descarga do indutor, VL e IL. As curvas de VL e IL obtidas no instante em que a chave é fechada são apresentadas a seguir, Figura 34. Considerando o instante inicial igual a 10 segundos, no momento em que a chave é fechada a energia armazenada no indutor é aplicada no resistor é uma corrente começa a circular pelo circuito, a corrente parte de um valor inicial igual a 2 A e vai caindo até zero. Por sua vez, a tensão no indutor salta para um valor negativo igual a -30 V e se aproxima de zero à medida que o tempo passa. O valor de tensão igual -30 V ocorre devido as características próprias dos indutores, maiores explicações sobre este fenômeno estão além do objetivo deste texto. 33 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Figura 34 – Curvas de descarga do indutor. Podemos definir a constante de tempo do circuito RL como sendo o tempo necessário para que a corrente durante a descarga do indutor seja igual a 0,37 do valor inicial e pode ser calculada a partir dos valores de R e L como a seguir: τ= L R Exemplo – Considere o circuito da Figura 32, qual a constante de tempo deste circuito se o valor do resistor é de 47 Ω e do indutor 33 mH? Solução: Dados: R = 47 Ω; L = 33 mH. Portanto, a constante de tempo será: τ= L 0, 033 = = 0, 0007 s R 47 Desta forma, depois de decorrido um tempo igual a 0,0007 segundos, ou 700 µs, que a chave foi fechada o valor da corrente será igual a 37% do valor inicial. Por exemplo, considerando que o valor da corrente inicial era de 2 A, após 700 µs a corrente será de 2 ⋅ 0,37 = 0, 74A . Novamente podemos observar que a constante de tempo não depende do valor inicial da corrente, mas apenas dos valores dos componentes, R e L. 34 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa 7 -‐ Filtros Os circuitos de seleção de freqüências também são chamados de filtros, porque são capazes de filtrar certos sinais de entrada, com base na sua freqüência, e separá-los de outros sinais, os filtros ideais. A Figura 35 mostra esta propriedade dos circuitos de seleção de freqüências. Para sermos mais exatos, devemos reconhecer que nenhum circuito de seleção de freqüências é capaz de separar totalmente as freqüências desejadas das indesejáveis, os filtros reais. O que os filtros fazem é atenuar (isto é, enfraquecer) fortemente os sinais indesejáveis e transmitir os outros sinais com o mínimo de atenuação. Muitos aparelhos de som dispõem de um equalizador, que é um excelente exemplo de um conjunto de circuitos de filtragem. Cada faixa de freqüências de um equalizador é um filtro que deixa passar praticamente sem atenuação os sons (freqüências audíveis) nessa faixa de freqüências e atenua fortemente todos os outros sons. Assim, o equalizador permite que o usuário ajuste separadamente o volume sonoro para cada faixa de freqüências. Figura 35 - Aplicação do filtro. 7.1 -‐ Tipos de filtros Para muitas aplicações são utilizados quatro tipos básicos de filtros: • • • • Passa-baixas; Passa-altas; Passa-faixa; Rejeita-faixa; A seguir serão apresentadas as curvas de respostas ideais para cada um destes filtros juntamente com a equação utilizada para obtenção da freqüência de corte de cada um deles. A freqüência de corte de um filtro, Fc, é definida, no caso ideal, como a freqüência a partir da qual o filtro bloqueia a passagem do sinal, no caso do filtro passabaixas, ou como a freqüência a partir da qual o filtro irá permitir a passagem do sinal, no caso do filtro passa-altas. Além disto, os termos banda de passagem e banda de rejeição são freqüentemente utilizados para designar as faixas de freqüências que passam pelo filtro e a faixa de freqüências que são bloqueadas pelo mesmo, respectivamente. Por faixas de freqüências entende-se como grupo de freqüências. 35 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa 7.2 -‐ O filtro passa-‐baixas O filtro passa-baixas tem a propriedade de permitir a passagem de freqüências baixas, ou seja, abaixo da freqüência de corte, e bloquear as freqüências acima desta. Na Figura 36 é apresentada a resposta em freqüência deste tipo de filtro, repare que no eixo horizontal temos a escala de freqüências do filtro e no eixo vertical a amplitude do sinal em volts. Figura 36 - Resposta do filtro passa-baixa. O circuito que implementa este tipo de filtro é apresentado a seguir: Figura 37 - Diagrama do filtro passa-baixas. Na Figura 37 a fonte, Vi, consiste numa fonte de sinal, isto quer dizer que ela fornece uma faixa de freqüências. O sinal de saída, Vo, é tomado sobre o resistor. A freqüência de corte de deste filtro é dado por: Fc = R 2 ⋅π ⋅ L Onde: Fc = Freqüência de corte em Hz; R = Valor do resistor em Ω; L = Valor do indutor em H. 36 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Exemplo – Considere um filtro passa-baixas, como apresentado na Figura 37, qual o valor da freqüência de corte se R = 200 Ω e L = 33 mH. Solução: Dados: R = 200 Ω; L = 33 mH; A freqüência de corte é obtida da seguinte maneira: Fc = 200 = 964, 6 Hz 2 ⋅ π ⋅ 0, 033 Ou seja, este filtro irá permitir a passagem de freqüências até 964,6 Hz valores de freqüência acima deste valor serão bloqueadas (atenuadas) pelo filtro. 7.3 -‐ O filtro passa-‐altas Em contrapartida ao filtro passa-baixas, temos o filtro passa-altas, que apresenta uma característica de resposta em freqüência invertida em relação ao filtro passa-baixas, ou seja, num filtro passa-altas os sinais de baixa freqüências são atenuados enquanto os de alta freqüência são transmitidos através do filtro. A característica de transmissão deste filtro é apresentada na Figura 38. Figura 38 - Resposta do filtro passa-altas. Conforme pode ser observado pela figura acima, este filtro irá permitir a passagem de sinais com freqüência superior à freqüência de corte, repare que neste filtro a banda passante encontra-se depois de Fc. O circuito que implementa o filtro passaaltas é apresentado na Figura 39. 37 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Figura 39 - Diagrama de filtro passa-altas. Na Figura 39 a fonte, Vi, tem as mesmas propriedades apresentadas no item anterior e a saída, Vo, também, é tomada sobre o resistor. A freqüência de corte deste filtro é dada por: Fc = Onde: 1 2 ⋅π ⋅ R ⋅ C Fc = Freqüência de corte em Hz; R = Valor do resistor em Ω; C = Valor do capacitor em F. Exemplo – Considere um filtro passa-altas, como apresentado na Figura 39, qual o valor da freqüência de corte se R = 10 Ω e C = 47 µF. Resolução: Dados: R = 10 Ω; C = 47 µF; A freqüência de corte é obtida como a seguir: Fc = 1 1 = = 338,7 Hz 2 ⋅ π ⋅ R ⋅ C 2 ⋅ π ⋅10 ⋅ 0,000047 Desta forma este filtro irá atenuar as freqüências abaixo de 338,7 Hz e irá deixar passar as freqüências acima deste valor. 7.4 -‐ O filtro passa-‐faixa O filtro passa-faixa tem a propriedade de permitir a passagem de uma faixa de freqüências contida entre duas freqüências de corte, Fc1 e Fc2, e bloquear as freqüências fora destes limites, ou seja, abaixo de Fc1 e acima de Fc2. A resposta deste filtro é apresentada na Figura 40. 38 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Figura 40 - Resposta do filtro passa-faixa. Outra característica de interesse deste tipo de filtro é que além das duas freqüências de corte este filtro também possui o que é chamado de freqüência central, Fcentral, que consiste na média geométrica das freqüências de corte. O diagrama do circuito que implementa este tipo de filtro é apresentado a seguir na Figura 41. Figura 41 - Diagrama do filtro passa-faixa. Repare que neste circuito é utilizado tanto o capacitor quando o indutor, além do resistor. Novamente a saída do circuito é tomada sobre o resistor. Para se obter as freqüências de corte as seguintes relações: 1 ⎡ R Fc1 = ⋅ ⎢ − + 2 ⋅ π ⎢ 2 ⋅ L ⎣ Fc 2 = e a freqüência central do filtro utilizam-se 2 ⎛ R ⎞ ⎛ 1 ⎞ ⎤⎥ ⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ ⎝ 2 ⋅ L ⎠ ⎝ L ⋅ C ⎠ ⎥⎦ 2 1 ⎡ R ⎛ R ⎞ ⎛ 1 ⎞ ⎤⎥ ⋅ ⎢ + ⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ 2 ⋅ π ⎢ 2 ⋅ L 2 ⋅ L ⎠ ⎝ L ⋅ C ⎠ ⎥ ⎝ ⎣ ⎦ Fcentral = Fc1 ⋅ Fc 2 39 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Onde: Fc1 = Freqüência de corte 1, ou freqüência de corte inferior, em Hz; Fc2 = Freqüência de corte 2, ou freqüência de corte superior, em Hz; Fcentral = Freqüência de corte central, em Hz. Exemplo – Quais as freqüências de corte do filtro passa-faixa da Figura 41 quando R = 150 Ω, L = 2,5 mH e C = 1 µF. Solução: Dados: R = 150 Ω; L = 2,5 mH; C = 1 µF. Cálculo da freqüência de corte inferior: Fc1 = = 2 1 ⎡ R ⎛ R ⎞ ⎛ 1 ⎞ ⎤⎥ ⋅ ⎢ − + ⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ = 2 ⋅ π ⎢ 2 ⋅ L 2 ⋅ L ⎠ ⎝ L ⋅ C ⎠ ⎥ ⎝ ⎣ ⎦ 2 1 ⎡⎢ 150 1 ⎛ 150 ⎞ ⎛ ⎞ ⎤⎥ ⋅ − + ⎜ + = 963, 7 Hz 2 ⋅ π ⎢ 2 ⋅ 0, 0025 2 ⋅ 0, 0025 ⎟⎠ ⎜⎝ 0, 0025 ⋅ 0, 000001 ⎟⎠ ⎥ ⎝ ⎣ ⎦ Portando, Fc1 = 963,7 Hz. Cálculo da freqüência de corte superior: 2 1 ⎡ R R ⎞ ⎛ 1 ⎞ ⎤ ⎛ Fc 2 = ⋅ ⎢ + ⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ ⎥ = 2 ⋅ π ⎢ 2 ⋅ L 2 ⋅ L ⎠ ⎝ L ⋅ C ⎠ ⎥ ⎝ ⎣ ⎦ 2 1 ⎡⎢ 150 1 ⎛ 150 ⎞ ⎛ ⎞ ⎤⎥ = ⋅ + ⎜ + = 10513Hz 2 ⋅ π ⎢ 2 ⋅ 0, 0025 2 ⋅ 0, 0025 ⎟⎠ ⎜⎝ 0, 0025 ⋅ 0, 000001 ⎟⎠ ⎥ ⎝ ⎣ ⎦ Logo, Fc2 = 10513 Hz. Finalmente, a freqüência central do filtro é dada por: Fcentral = Fc1 ⋅ Fc 2 = 963, 7 ⋅10513 = 3183Hz Desta forma este filtro irá permitir a passagem de sinais cujas freqüências estejam acima de 963,7 Hz e abaixo de 10513 Hz, qualquer sinal fora desta faixa, ou seja, abaixo de 963,7 Hz e acima de 10513 Hz, será atenuado. Sendo a freqüência central deste filtro igual a 3183 Hz. 40 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa 7.5 -‐ O filtro rejeita-‐faixa O filtro rejeita-faixa, ao contrário do anterior, irá bloquear sinais cujas freqüências estejam entre as duas freqüências de corte, e permitir a passagem dos sinais abaixo da freqüência de corte inferior e acima da freqüência de corte superior. A resposta deste filtro é apresentada na Figura 42. Figura 42 - Resposta do filtro rejeita-faixa. O diagrama deste filtro é apresentado a seguir, repare que neste caso a tensão de saída, Vo, é tomada sobre o indutor e o capacitor e não mais sobre o resistor como era para os demais filtros. Figura 43 - Diagrama do filtro rejeita-faixa. Para de obter as freqüências de corte e a freqüência central do filtro utiliza-se as seguintes relações: 41 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa 2 1 ⎡ R R ⎞ ⎛ 1 ⎞ ⎤ ⎛ Fc1 = ⋅ ⎢ − + ⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ ⎥ 2 ⋅ π ⎢ 2 ⋅ L 2 ⋅ L ⎠ ⎝ L ⋅ C ⎠ ⎥ ⎝ ⎣ ⎦ 2 1 ⎡ R R ⎞ ⎛ 1 ⎞ ⎤ ⎛ Fc 2 = ⋅ ⎢ + ⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ ⎥ 2 ⋅ π ⎢ 2 ⋅ L 2 ⋅ L ⎠ ⎝ L ⋅ C ⎠ ⎥ ⎝ ⎣ ⎦ Fcentral = Fc1 ⋅ Fc 2 Onde: Fc1 = Freqüência de corte 1, ou freqüência de corte inferior, em Hz; Fc2 = Freqüência de corte 2, ou freqüência de corte superior, em Hz; Fcentral = Freqüência de corte central, em Hz. Observe que as relações acima são as mesmas utilizadas para o filtro passa-faixa. Exemplo - Quais as freqüências de corte do filtro rejeita-faixa da Figura 43 quando R = 700 Ω, L = 450 mH e C = 100 nF. Solução: Dados: R = 700 Ω; L = 450 mH; C = 100 nF. Cálculo da freqüência de corte inferior: Fc1 = 1 = 2 ⋅π 2 1 ⎡ R ⎛ R ⎞ ⎛ 1 ⎞ ⎤⎥ ⋅ ⎢ − + ⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ = 2 ⋅ π ⎢ 2 ⋅ L 2 ⋅ L ⎠ ⎝ L ⋅ C ⎠ ⎥ ⎝ ⎣ ⎦ 2 ⎡ 700 1 ⎛ 700 ⎞ ⎛ ⎞ ⎤⎥ ⎢ ⋅ − + ⎜ + = 636, 6 Hz 2 ⋅ 0, 45 ⎟⎠ ⎜⎝ 0, 45 ⋅ 0, 0000001 ⎟⎠ ⎥ ⎢ 2 ⋅ 0, 45 ⎝ ⎣ ⎦ Portando, Fc1 = 636,6 Hz. Cálculo da freqüência de corte inferior: 42 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa 1 Fc 2 = 2 ⋅π 1 = 2 ⋅π 2 ⎡ R ⎛ R ⎞ ⎛ 1 ⎞ ⎤⎥ ⎢ ⋅ + ⎜ ⎟ + ⎜ ⎟ = 2 ⋅ L ⎠ ⎝ L ⋅ C ⎠ ⎥ ⎢ 2 ⋅ L ⎝ ⎣ ⎦ 2 ⎡ 700 1 ⎛ 700 ⎞ ⎛ ⎞ ⎤⎥ ⎢ ⋅ + ⎜ + = 884, 2 Hz 2 ⋅ 0, 45 ⎟⎠ ⎜⎝ 0, 45 ⋅ 0, 0000001 ⎟⎠ ⎥ ⎢ 2 ⋅ 0, 45 ⎝ ⎣ ⎦ Logo, Fc2 = 884,2 Hz. Finalmente, a freqüência central do filtro é dada por: Fcentral = Fc1 ⋅ Fc 2 = 636, 6 ⋅ 884, 2 = 750, 2 Hz Logo, este filtro irá bloquear os sinais cujas freqüências então entre 636,6 Hz e 884,2 Hz, e irá permitir a passagem de sinais abaixo de 636,6 Hz e acima de 884,2 Hz. 43 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Lista de exercícios -‐ III Data de entrega: 1. Quais as formas de caracterização de um sinal elétrico? 2. Quais as características necessárias para se determinar um sinal elétrico? 3. Defina, em relação aos sinais elétricos: a) b) c) d) Valor eficaz ou RMS; Valor médio; Valor de pico; Valor de pico a pico; 4. Em que consiste a constante de tempo de um circuito RC ou RL? 5. Considerando o circuito baixo, calcule a constante de tempo para os seguintes valores de R e C? a) R = 1 KΩ e C = 1 µF; b) R = 220 Ω e C = 470 mF. 6. Considerando o circuito baixo, calcule a constante de tempo para os seguintes valores de R e L? a) R = 1,2 KΩ e L = 1 mH; b) R = 470 Ω e L = 0,5 H. 7. Qual a função do circuito de seleção de freqüências ou filtro? 8. O que é um filtro passa-baixas? 9. De acordo com a figura a seguir. Calcule a freqüência de corte dos seguintes filtros passa-baixa? 44 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa a) L = 10 mH e R = 6,8 Ω; b) L = 12 mH e R = 130 Ω. 10. O que é um filtro passa-altas? 11. De acordo com a figura a seguir. Calcule a freqüência de corte dos seguintes filtros passa-altas? a) C = 5 nF e R = 50 KΩ; b) C = 0,33 F e R = 2,7 Ω; 12. O que é um filtro passa-faixa? 13. Um filtro passa-faixa tem freqüência de corte inferior, Fc1 = 600 Hz e freqüência de corte superior, Fc2 = 5000 Hz. Calcule a freqüência central deste filtro. 14. Quais as freqüências de corte do filtro passa-faixa quando R = 220 Ω, L = 3,3 mH e C = 2,2 µF. 15. Quais as freqüências de corte do filtro rejeita-faixa quando R = 220 Ω, L = 330 mH e C = 100 nF. Qual a freqüência central deste filtro? 45 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa 8 -‐ Osciladores No projeto e manutenção de sistemas eletrônicos, há uma grande necessidade de se utilizar sinais com formas de onda padronizadas, por exemplo, senoidal, quadrada, triangular, além de outras. Dentre os sistemas que exigem sinais padronizados, podemos citar: os computadores e os sistemas de controle, nos quais o sinal de clock é necessário para, entre outras coisas, temporização; os sistemas de comunicação, nos quais os sinais, com uma variedade de formas de ondas, são usados como portadores de informações; e os sistemas de teste e de medição, nos quais os sinais, novamente uma variedade de formas de ondas, são empregados para teste e caracterização dos dispositivos e circuitos eletrônicos. Neste item são apresentados alguns circuitos que implementam osciladores que apresentam em sua saída ondas senoidais, triangulares e quadradas. É importante ressaltar que existem inúmeras outras formas de se implementar tais osciladores e a escolha da forma adequada é feita com base nos requisitos das características da onda gerada, amplitude, freqüência, fase, taxa de distorção harmônica e outras. Desta forma, o leitor é estimulado a procurar um maior aprofundamento no assunto, tendo em mente que este texto é apenas uma introdução sobre o mesmo. 8.1 -‐ Oscilador senoidal O circuito básico para implementação de um oscilador senoidal é apresentado na Figura 44, este circuito é conhecido como ponte de Wien sem estabilização de amplitude. Figura 44 - Diagrama do oscilador senoidal. No circuito acima algumas condições devem ser satisfeitas, são elas: R2 =2 R1 C1 = C 2 R3 = R 4 46 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Tais condições são necessárias para que o circuito entre no estado de oscilação. A forma de onda obtida com este circuito é apresentada na Figura 45. Figura 45 - Forma de onda senoidal obtida. De acordo com a figura anterior é possível observar que este oscilador apresenta algumas desvantagens como transitório de partida muito longo, isto é, o circuito levou muito tempo para chegar a uma forma de onda estável e também grande saturação na onda final, observe que as extremidades da onda, após o instante 1,1 ms, apresentam um achatamento. A título de comparação observe que no período de tempo compreendido entre 0,8 ms e 1,1 ms que as extremidades da onda são curvas e não achatadas como após 1,1 ms. 8.2 -‐ Oscilador quadrado O diagrama do circuito que implementa o oscilador de onda quadrada é apresentado na Figura 46. Figura 46 - Diagrama do oscilador de onda quadrada. A forma de onda obtida com este circuito é apresentada a seguir, Figura 47. 47 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Figura 47 - Forma de onda quadrada obtida. Como no caso anterior este oscilador também apresenta deficiências, sendo que a mais proeminente é a “suavização” da onda quadrada obtida, repare que as extremidades da onda são, ligeiramente, curvas e que, além disto, as bordas de subida e descida não são retas. 8.3 -‐ Oscilador triangular Na Figura 48, é apresentado o circuito que implementa o oscilador com saída triangular. Figura 48 - Diagrama do oscilador triangular. A forma de onda do sinal de saída deste oscilador é apresentada na Figura 49. 48 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Figura 49 - Forma de onda triangular obtida. Neste oscilador também pode ser verificada que as extremidades da onda apresentam uma suavização, são curvas, o que é indesejado. Além disto, observe-se que o circuito leva um tempo considerável até fornecer a onda triangular em sua saída, o que só ocorre 120 us segundo após a energização do circuito. Novamente é importante ressaltar que a maneira como o assunto foi apresentado neste item tem apenas caráter introdutório e o aluno é estimulado a procurar outras fontes de referência. Além disto, conforme se pode observar que os circuitos apresentados nas Figura 44, Figura 46 e Figura 48 são muito simples e na prática são evitados da forma como foram apresentados. Geralmente, na implementação real de tais dispositivos utilizam-se versões mais elaboradas de tais circuitos, ou circuito integrados dedicados a tais funções, como o temporizador NE555 ou os circuitos geradores de forma de onda como o ICL8038 ou XR2206. Outra classe de osciladores são os circuitos geradores de sinal de clock para circuito digitais, nesta o oscilador, idealmente de onda quadrada, é implementado através de circuitos PLL6, cristais osciladores e/ou portas lógicas, desta forma obtêm-se uma grande estabilidade em freqüência de tais circuitos. Em relação à estabilidade em freqüência ressalta-se que se deseja que todo oscilador tenha uma freqüência de saída fixa, independente da forma de onda da mesma. Ou seja, deseja-se que a freqüência não seja alterada com, por exemplo, variações na tensão de alimentação, carga e temperatura, desta forma, os osciladores a cristal apresentam grandes vantagens em relação aos apresentados, uma vez que a freqüência de oscilação é fixa e determinada pelas dimensões do cristal, sendo sua variação com a temperatura desprezível. 6 Phase-Locked Loop ou Elo fechado em fase 49 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa 9 -‐ Retificadores Os circuitos retificadores tem grande aplicação na eletrônica devido a sua capacidade de transformar corrente alternada em corrente contínua, desta forma, tais circuitos são utilizados em fontes de alimentação onde a tensão alternada da rede é transformada em tensão contínua. Ressaltando, que em tal aplicação além do retificador temos o circuito de filtragem e regulação da tensão de saída. Outra aplicação do retificador é para medição da tensão ou corrente alternada, neste caso o retificador é utilizado juntamente com um circuito de retenção para obtenção do valor de pico da grandeza avaliada. 9.1 -‐ Retificadores de meia onda Este circuito consiste num diodo D e um resistor R conectados em série, Figura 50 ‘a’. Suponha uma tensão de entrada senoidal, vi, de acordo com a Figura 50 ‘b’. Durante os semiciclos positivos da entrada senoidal, a tensão positiva, vi, faz com que a corrente circule pelo diodo no sentido direto (diodo em condução). Portanto, o circuito equivalente será conforme mostrado na Figura 50 ‘c’ e a tensão de saída, vo, será igual à tensão de entrada, vi. Por outro lado, durante os semiciclos negativos de vi, o diodo não conduzirá. Portanto, o circuito equivalente será conforme mostrado na Figura 50 ‘d’ e a tensão de saída, vo, será zero. Finalmente, a tensão de saída terá a forma apresentada na Figura 50 ‘e’. Figura 50 - Funcionamento do retificador de meia-onda. 50 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Portanto, observa-se que o circuito retificador só permite a passagem dos semiciclos positivos da tensão de entrada vi. Sendo que os semiciclos negativos são cortados, o que pode ser um inconveniente em algumas aplicações. 9.2 -‐ O retificador de onda completa (ponte retificadora) Outra forma de implementação do retificador, e que não possui o inconveniente de cortar os semiciclos negativos, é o retificador de onda completa, também conhecido como retificador em ponte ou ponte retificadora. Na Figura 51 é apresentado o diagrama deste retificador. Figura 51 - Diagrama do retificador em ponte. O circuito apresentado na figura anterior funciona da seguinte maneira: durante os semiciclos positivos da tensão de entrada, vi, a corrente é conduzida pelo diodo D1, resistor R e o diodo D2. Enquanto isso, os diodos D3 e D4 estarão reversamente polarizados, portanto em corte. Por outro lado, durante os semiciclos negativos da tensão vi, a corrente será conduzida pelo diodo D3, o resistor R e o diodo D4, enquanto os diodos D1 e D2 permanecem em corte. Desta forma, observa-se que os terminais do resistor permanecem com sua polaridade inalterada, independente da polaridade do sinal de entrada, ou seja, a tensão de saída, vo, permanece com a polarização indicada pela figura anterior. A saída deste retificador é apresentada na Figura 52. Figura 52 - Retificação completa. 51 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa De acordo com a figura anterior observa-se que os semiciclos negativos foram “rebatidos” para a cima, desta forma o período de tempo de ausência de tensão entre dois semiciclos consecutivos, observados no retificador de meia onda, Figura 50 ‘e’, não existe. A principal desvantagem deste retificador em relação ao retificador de meia onda é que neste existe duas quedas de tensão no caminho da corrente, nos semiciclos positivos por D1 e D2 e nos negativos por D3 e D4, portando a queda de tensão fica em, aproximadamente, 1,4 V (0,7 V para cada diodo, no caso do silício). Para o retificador de meia onda, como só existe um diodo no caminho da corrente a queda de tensão é sempre igual à metade, ou seja, para diodos de silício, 0,7 V. 52 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa 10 -‐ Acopladores ópticos Acopladores ópticos são dispositivos utilizados quando se deseja isolar eletricamente dois ou mais estágios em um equipamento. Por exemplo, para controlar uma carga de potência elevada através de um microcontrolador ou microcomputador isolando os circuitos de baixa potência destes, ou quando se deseja proteger o usuário de algum estágio de potência de um circuito mantendo o controle deste pelo usuário. Estes componentes consistem num emissor de luz, LED, e um fototransistor encapsulados no mesmo invólucro, de tal forma que, quando o LED é aceso o fototransistor entra em condução e quando o LED é apagado ele entra em corte. Estes componentes, também conhecidos como relés de estado sólido, têm velocidade de comutação muito elevada e grande capacidade de isolamento da ordem de milhares ou dezenas de milhares de volts, ou seja, não existe contato elétrico entre a entrada e a saída deste componente. Os símbolos mais usuais para os acopladores ópticos são apresentados na Figura 53. Em ‘a’ é apresentado o acoplador ótico que não disponibiliza o terminal de base do fototransistor, já em ‘b’ este terminal é disponibilizado. Figura 53 - Símbolos utilizados para os acopladores ópticos. Alguns exemplos de acopladores óticos são 4N25, 4N33 e MOC3020. O aspecto físico de um acoplador óptico é apresentado na Figura 54. Figura 54 - Acoplador óptico. 53 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa 11 -‐ Termistores NTC (Negative Temperature Coefficient) Os termistores são uma classe de componentes que possuem a propriedade de variar sua resistência elétrica em função da temperatura, ou seja, se assemelham a um resistor cuja resistência varia de acordo com a temperatura a qual o componente está submetido. Estes componentes são divididos em dois grupos os NTC e os PTC. 11.1 -‐ NTC (Negative Temperature Coefficient) Este termistor apresenta uma variação de resistência inversamente proporcional à temperatura a qual é submetido, ou seja, quanto maior a temperatura, menor será a resistência do componente. 11.2 -‐ PTC (Positive Temperature Coefficient) Ao contrário do NTC o PTC apresenta uma variação de resistência elétrica diretamente proporcional à temperatura, ou seja, a sua resistência é maior quanto maior for a temperatura sobre o mesmo. Tanto o NTC quanto o PTC tem grande aplicação principalmente em circuitos de medição de temperatura, onde os mesmo são utilizados como sensores para avaliar a temperatura de algum componente, ou até mesmo do ambiente. Os símbolos destes componentes são apresentados na Figura 55. Figura 55 - Símbolos do NTC e PTC. 54 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa 12 -‐ Modulação e demodulaçao Modulação é o processo de alteração das características de uma onda, geralmente, a amplitude, freqüência ou fase, por outra onda, neste caso informação, com o objetivo de adequar esta à transmissão. Este processo é necessário porque, geralmente, o sinal a ser transmitido (informação, ou sinal modulante) tem características que não permitem sua transmissão diretamente pelo meio. Desta forma, é necessário o uso de outro sinal (portadora) que irá sofrer alterações de acordo com o sinal de informação, originando o sinal modulado que será transmitindo através do meio, Figura 56. Figura 56 - Processo de modulação. Em telecomunicações, a modulação é a modificação de um sinal anteriormente gerado através de um oscilador, sinal da portadora, antes de ser irradiado de forma que este transporte informação, sinal modulante. O sinal transmitido ao fim deste processo é conhecido como sinal modulado. Para recuperação da informação utiliza-se o processo inverso conhecido como demodulação. É interessante notar que muitas formas de comunicação envolvem um processo de modulação, como a fala por exemplo. Quando uma pessoa fala, os movimentos da boca são realizados a taxas de freqüência baixas, na ordem dos 10 Hertz, não podendo a esta freqüência produzir ondas acústicas propagáveis. A transmissão da voz através do ar é conseguida pela geração de tons (ondas) portadores de alta freqüência nas cordas vocais, modulando estes tons com as ações musculares da cavidade bucal. O que o ouvido interpreta como fala é, portanto, uma onda acústica modulada, similar, em muitos aspectos, a uma onda elétrica modulada. O dispositivo que realiza a modulação é chamado modulador e o que recupera a informação transmitida demodulador, Figura 57. Figura 57 - Processo de transmissão de um sinal (informação). 55 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Basicamente, a modulação consiste em fazer com que um parâmetro da onda portadora mude de valor de acordo com a variação do sinal modulante, que é a informação que se deseja transmitir. Dependendo do parâmetro sobre o qual se atue, temos os seguintes tipos de modulação: • • • • • • • • Modulação em amplitude (AM) Modulação em fase (PM) Modulação em freqüência (FM) Modulação em banda lateral dupla (DSB) Modulação em banda lateral única (SSB) Modulação de banda lateral vestigial (VSB, ou VSB-AM) Modulação de amplitude em quadratura (QAM) Modulação por divisão ortogonal de freqüência (OFDM) Também se empregam técnicas de modulação por pulsos, entre elas: • • • • Modulação por pulso codificado (PCM) Modulação por largura de pulso (PWM) Modulação por amplitude de pulso (PAM) Modulação por posição de pulso (PPM) Quando o sinal modulador é um sinal digital, com um conjunto de símbolos digitais (0 ou 1), transmitidos (chaveados) em determinada velocidade de codificação, designa-se essas modulações, com uma transição abrupta de símbolos, por: • • • • Modulação por chaveamento de amplitude (ASK) Modulação por chaveamento de freqüência (FSK) Modulação por chaveamento de fase (PSK) Modulação por chaveamento de fase e amplitude (APSK ou APK) 56 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Lista de exercícios -‐ IV Data de entrega: 1. O que são os circuitos osciladores? 2. Quais a aplicações dos circuitos osciladores? 3. Em que consiste a estabilidade em freqüência de um oscilador? 4. Qual a vantagem do uso de osciladores a cristal? 5. O que são circuitos retificadores? 6. Qual a diferença entre retificadores de meia onda e onda completa? 7. Qual a função dos acopladores ópticos? 8. Defina os conceitos de modulação e demodulação. 9. O que vem a ser um termistor? Quais os dois tipos de termistores. 10. Defina em relação ao processo de modulação: a) Sinal modulante; b) Portadora; c) Sinal modulado. 11. Em que consiste a modulação AM? 12. Em que consiste a modulação FM? 13. Porque a modulação AM apresenta maior susceptibilidade a ruído que a modulação FM? 57 Dispositivos de Medição e Controle Mecatrônica – 1º Etapa Bibliografia Boylestad, R.; Nashelsky, L. Dispositivos Eletronicos e Teoria de Circuitos. 5. ed. Rio de Janeiro: Prentice-Hall do Brasil, 1992. INMETRO. Portaria Inmetro 029 de 1995 – Vocabulário Internacional de Termos Fundamentais e Gerais de Metrologia – VIM. 4. ed. Rio de Janeiro, 2007. INMETRO. Resolução CONMETRO nº 12/88 – Quadro Geral de Unidades de Medida. 3. ed. Rio de Janeiro, 2007. Nilsson, J. W.; Riedel, S. A. Circuitos Elétricos. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC – Livros Técnicos e Científicos, 1999. Sedra, A. S.; Smith, K. C. Microeletrônica. 4. ed. São Paulo: MAKRON Books, 2000. Links na Internet: • Wikipédia, visitado em Julho de 2010: http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A1gina_principal • Página pessoal do professor Eurico Guimarães de Castro Neves, Universidade Federal de Pelotas, visitado em Julho de 2010: http://minerva.ufpel.edu.br/~egcneves/Textos/geral/caderno_elet/cap_06.pdf • Página do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – INMETRO, visitado em Julho de 2010: http://www.inmetro.gov.br/ • Apostila de Eletrônica II, professor Sidney José Montebeller, Faculdade de Engenharia de Sorocaba, visitado em Julho de 2010: http://www.scribd.com/doc/11388276/Eletronica-Digital As marcas, logotipos e imagens, citados e/ou apresentados neste trabalho, são propriedades de seus respectivos fabricantes e a eles são creditados todos os direitos sobre estas. Além disto, é reconhecido por este trabalho, nos trechos onde se aplicam, a autoria das fontes de referência utilizadas pelos seus respectivos responsáveis. 58