CONCEITO DE LIBERDADE NA ÓTICA FREIREANA Elienai Carla Alves 1 Origem e desenvolvimento da liberdade Buscar a liberdade é um desejo constante do homem, desde o seu primeiro estágio de organização social até sua forma mais evoluída e racional. Procurar a origem da liberdade sem ter como relevância o liberalismo em que o sentido de liberdade tem seu maior destaque, torna-se inviável tais considerações ou porque não dizer quase impossível. Segundo Chaves (2007) no liberalismo é imprescindível para a vida social procurar a busca pela maior liberdade tendo como parâmetro a igual liberdade para todos. Nesse sentido liberalismo e liberdade têm as mesmas origens. Para vislumbrar a liberdade como direito de todos os homens é oportuno neste momento enfocar o pensamento filosófico de John Locke (1632-1704), considerado o pai do liberalismo. Sendo os homens por natureza todos livres, iguais e independentes, ninguém pode ser expulso de sua propriedade e submetido ao poder político de outrem sem dar consentimento. A maneira única em virtude da qual uma pessoa qualquer renuncia á liberdade natural e se reveste dos laços da sociedade civil consiste em concordar com outras pessoas em juntar-se unir-se em comunidade para viverem e desfrutando de maior proteção contra quem quer não faça parte dela. (apud, ARANHA; MARTINS 1993 p.218) Locke influenciou com seus pensamentos e fundamentos filosófico as revoluções, a priori, ocorridas no continente europeu e nas Américas. Aranha e Martins (1993) referem-se ao ponto decisivo do pensamento de Locke, os direitos naturais dos homens. Estes, não se ocultam em conseqüência do poder soberano, justificando, em última instância, o direito à insurreição, pois o poder delegado aos governantes constitui um depósito de confiança do povo para com eles; caso os mesmos não correspondam aos anseios de todos, é permitido retirar-lhes o poder e entregá-lo a outro que possa 1 Graduada em Pedagogia pela UFMS/Campus de Aquidauana. assim fazê-lo para o bem público. Locke é contra o poder absoluto, porque coloca soberano e os súditos em guerra. Aceitava a insurreição, o povo poderia substituir o governo por este faltar ao seu compromisso com a liberdade e o bem comum. Dessa forma, tornou-se legítima a busca e a luta pela liberdade, justificando o direito a resistência e insurreição, pois quando um governante se torna tirano, coloca-se em guerra contra o povo. Falava-se há muito tempo em conscientizar o homem para alcançar o apogeu que é a sua emancipação, ou seja, cidadania plena e consequentemente a “liberdade” como se ambos os termos fossem sinônimos um dos outros. O tempo se passou o mesmo discurso ainda perdura, não há dúvidas de que houve avanços sensíveis na maneira de se pensar a cidadania, mas, percebe-se que nesse momento entra em cena a palavra democracia para sustentar essa idéia de “homem livre”. Segundo Tonet a democracia teve sua aparição como forma de uma explosão meteórica, não no seu conceito que é bem propalado desde a antiguidade, mas uma idéia que vê na democracia a poção mágica para se obter uma sociedade mais justa e igualitária para todos (TONET, 2008). Nesse cenário de mudança de pensamento ao se que refere à conscientização e cidadania fazemos um questionamento. Qual o papel da educação nessas possíveis transformações do homem subjugado e oprimido, para o homem emancipado, crítico e consciente das suas reais condições de cidadão, participante do processo histórico de construção da sociedade? É nesse emaranhado de questionamentos que nos encontramos e precisamos rastrear com diferentes olhares e perspectivas o real sentido que a educação ocupa, como mais um artefato que propiciará mudanças no contexto social do homem e servirá a ele como ponto de escape para se libertar. Princípios norteadores nos levarão a efetiva compreensão da liberdade, conceito este que costumeiramente se utiliza a torto e a direito, porém, sem preocupação com suas efetivas conseqüências práticas para o indivíduo-cidadão. Para Freire, o mundo é uma realidade objetiva para o homem, se ele não pode transformar o mundo em que vive a educação pode dar-lhe os meios necessários, pois a escola é um espaço de crescimento intelectual, humano, cultural e crítico. Entendemos que, para o homem, o mundo é uma realidade objetiva, independente dele, possível de ser conhecida. É fundamental, contudo, partirmos de que o homem, ser de relações e não só de contatos, não apenas está no mundo, mas com o mundo. Estar com o mundo resulta de sua abertura à realidade, que o faz ser o ente de relações que é. (FREIRE, 1983, p. 39). Como um ser da práxis, da ação e reflexão, a existência do homem no mundo não se faz de forma acabada. Estar sendo no mundo envolve uma relação com o mundo, uma ação sobre ele, cabendo uma reflexão sobre sua atuação, para que ele se revele. A reflexão sobre a ação nos revela que a ação sem a prática não é verdadeira (FREIRE, 2001a, p. 28; 40). A sua atuação e reflexão sobre estar no mundo faz com que perceba sua atuação e a partir daí, seja um agente de mudança e passe a ver a educação como uma prática de liberdade. Esse tipo de educação não é fruto do acaso, pois ela não existe fora das sociedades humanas e nem homem no vazio, a resposta de Freire a uma educação libertadora, foi devida às condições dadas da sociedade brasileira, marcada pela tentativa de coisificação do homem. O homem como agente de sua história, se recusa a ser coisa, mas sujeito. Para Freire a conscientização é fulcral para o homem. A consciência ingênua ou intransitiva se crê superior aos fatos, domina-os de fora, e se julga livre para entendê-lo de acordo como lhe aprouver, sobrepondo-se a realidade. É a consciência mais elementar, onde os interesses são vegetativos, os fatos inertes, levam a acomodação. A consciência transitiva consegue ir além dos interesses vegetativos, sua interpretação e argumentação são frágeis. A consciência crítica leva o homem e perceber os fatos, desnudar suas razões representa as coisas e os fatos como se dá na experiência humana e consegue entender suas correlações causais e circunstanciais, diferente da acomodação, busca a ação transformadora. A educação permite à passagem de uma consciência a outra, não há educação estática desligada dos problemas sociais, “A natureza da ação corresponde à natureza da compreensão. Se a compreensão é crítica ou preponderantemente crítica, a ação também o será” (FREIRE, 1985). Desse modo, o homem a quem ele se refere já possui certa existencialidade e era bom “ingênuo”, que precisa sofrer “desenraizamento”, do seu lugar de origem, afinal ao sair do campo e mudar-se para a cidade fenômeno que estava acontecendo naquele dado momento, a transição de um regime oligárquico para industrialização crescente, ou somente ir tirar seu sustento dela estaria ele exposto a todos os perigos que outrora desconhecia. Para Weil, o enraizamento é a participação ativa, real e natural do homem na sua existência coletiva de onde conserva tesouros do passado e certos pressentimentos do futuro (WEIL, 1996, p. 43). De acordo com Werri (2008), O homem massa, que saiu do sertão, das zonas rurais mais afastadas, regiões próprias para o cultivo de pensamentos mágicos, míticos desprovidos da racionalidade própria do meio civilizado, integrava-se a uma nova realidade, que havia formulado as condições propícias ao desenvolvimento da sociedade tipicamente burguesa. A partir daí podemos sentir a preocupação de Freire, frente a este homem que faria parte de uma nova sociedade e precisava nela se integrar. Se seu pensamento é mágico ou ingênuo, será pensado seu pensar, na ação que ele irá superar-se, “E a superação não se faz no ato de consumir idéias, mas no de produzi-las e de transformálas na ação e na comunicação” (FREIRE 1983, p.119). Isso só poderia acontecer, por meio da educação e uma mudança estrutural, que fizesse deste homem um ser consciente e deveras participativo, organizado pelo trabalho nessa nova sociedade. A pergunta é como? Se a educação á época era para poucos? Nesse sentido necessitava com urgência de uma escola nova, que viesse atender os anseios de uma sociedade em transformação naquele momento. Com a migração do homem do campo para a cidade, tornou-se imprescindível pensar em uma solução para adequar com urgência este homem aos novos pensamentos, conhecimentos exigidos e indispensáveis para o seu ajustamento dele nesse novo “mundo”, e isso só seria possível se todos fossem educados. Todo planejamento educacional, para qualquer sociedade, tem que responder às marcas e aos valores dessa sociedade. Só assim é que pode funcionar o processo educativo, ora como força, estabilizadora, ora como fator de mudança. Ás vezes, preservando determinadas formas de cultura. Outras, interferindo no processo histórico, instrumentalmente. De qualquer modo para ser autêntico, é necessário ao processo educativo que se ponha em relação de organicidade com a contextura da sociedade a que se aplica (FREIRE, 2001b, p. 10). Para Freire, a educação seria fundamental para a sociedade industrial e as transformações advindas desse fenômeno. Nesse sentido o projeto educacional teria como função a solução dos problemas nacionais. Muito foi falado e debatido e até posto em pauta em grandes discussões acerca da educação, e sua contribuição para a instrumentalização do país. Sabemos que até então o povo e agora aqui mais especificamente os analfabetos não tinham direito a voto, “Se já não podiam estabelecer uma “república oligárquica” anterior a 30, era-lhes de todos os modos indispensável frear êste processo de expansão da participação popular, limitá-los por todas as formas e argumentos imagináveis” (FREIRE, 1983, p. 19).Ou seja, não permitir que o povo participassem politicamente das decisões como cidadão da qual estavam inseridos nessa nova sociedade que vivia em constantes mudanças. A educação do início da república era vista como a solução para os problemas de implantação da democracia e para o desenvolvimento econômico do país. Teixeira (1977, p. 65) destaca que os educadores do inicio do período republicano estavam em “[...] consonância com os educadores de todo mundo , no conceituar e no caracterizar o movimento e educação popular, lutavam pela democratização do ensino , pois só um povo culto poderia conduzir o país a democracia”.Esta afirmação fica mais clara quando Teixeira cita nas palavras de Horace Mann: “[...] a democracia sem instrução será uma comédia , quando não chegue a ser tragédia”. A instrução servia aos ideais da República democrática, e sua ausência era motivo para preocupação, como observa Teixeira neste discurso de Cesário Mota em 1894: “É que a república, sem a educação inteligente do povo, poderia dar-nos, em vez de governo democrático, o despotismo das massas, em vez de ordem, a anarquia, em vez da liberdade a opressão”. (WERRI, 2008, p.101) Fazer uma reflexão acerca da educação não era tarefa fácil para os educadores, tendo em vista que a situação pedia uma nova maneira de pensar, pois se desencadeara um novo modelo de sociedade, exemplo disso era o crescente processo de industrialização e o êxodo rural. As formas de trabalho no meio rural eram rústicas e ultrapassadas para uma sociedade moderna em ascendência. Portanto, não interessava para a educação formal da escola, “Quem se beneficiava da educação existente era aristocracia rural e os estratos médios, os quais não podiam alegar exclusão neste sentido, porque, enquanto não predominassem as relações capitalistas mais desenvolvidas no interior da sociedade, sua função social era cumprida” (WERRI, 2008, p. 102). As desigualdades eram gritantes no meio social, exigiam-se transformações que pudessem modificar aquela realidade e atender a classe trabalhadora. Todavia, para que fossem reivindicados esses e muitos outros direitos, fazia-se necessário que essa classe de trabalhadores possuísse o mínimo de instrução intelectual tais como, a leitura, a escrita e noções matemáticas, para atender essa sociedade capitalista. Porém, essa oferta de ensino ainda era baixa e restrita. A procura por especialização aumentou, fazendo com que a demanda aumentasse principalmente para a formação de mão –de – obra qualificada, já que a modernização da sociedade vigente necessitava dessa qualificação para melhorar sua participação numa sociedade modificada, transformada e moderna ( WERRI, 2008). A educação como já citamos a cima, passou e ainda passa por diversos caminhos tortuosos até chegar a ser pensada como a chave resolver os problemas da sociedade, e assim torná-la mais justa e democrática. Resta-nos saber até que ponto a educação por ela mesma liberta e transforma alguém e em que condições podem ocorrer esta transformação, “Na verdade, enquanto no primeiro, é lícito dizer que alguém oprime alguém, no segundo, já não se pode afirmar que alguém liberta alguém, ou que alguém se liberta sozinho, mas que os homens se libertam em comunhão” (FREIRE, 1974.p. 155). Os analfabetos são vulneráveis as investidas dos opressores. Estes querem manipulá-los de acordo com suas conveniências, tornando-os massa de manobra, enquanto os educadores se esforçam, para libertá-los por meio da consciência crítica que advém do processo educacional do qual eles acreditam ser a melhor saída para alcançar esse objetivo. Freire destaca essas investidas: Os políticos só se interessavam por estas massas na medida em que elas pudessem de alguma forma, tornar-se manipuláveis dentro do jogo eleitoral. O educador estabeleceu, a partir de suas convivência com o povo, as bases de uma pedagogia onde tanto o educador como o educando, homens igualmente livres e críticos, aprendem no trabalho comum de uma tomada de consciência da situação que vivem (FREIRE,1983 p. 25). Se partirmos do pressuposto que ser cidadão requer que sejamos nós indivíduos possuidores de direitos e deveres nas mais diversas ordens, termos nossos direitos garantidos pela constituição, então nada nos impede de sermos efetivamente cidadãos em nosso exercício pleno da cidadania. Reivindicando direitos básicos para nossa subsistência, a não ser que tudo não passe de mera formalidade do campo da ideologia. De acordo com Tonet O que se constata, então, é que o caminho trilhado pela entificação da sociedade brasileira significou, desde o início, uma associação subordinada aos países mais desenvolvidos. A história mostra que aqui nunca houve uma revolução burguesa em sua plenitude. Deste modo, a inclusão das massas populares no patamar da cidadania plena, jamais se efetivou, ao contrário do que aconteceu nos países do chamado primeiro mundo. O está em discussão, de fato, é apenas qual o lugar que ele- e outros –ocupará no campo da integração subordinada o que evidencia o fato de que a burguesia é incapaz de realizar as tarefas que seriam de sua competência, seja no campo econômico,político ou social. Deste modo, a exclusão da maioria da população do estatuto pleno da cidadania é uma conseqüência necessária desta associação subordinada, agravada ainda pelo chamado processo de globalização econômica em curso.O que não excluí avanços, mas também recuos- em certa áreas.Aliás, os pequenos avanços em alguns aspectos , extraordinariamente ampliados pela mídia e por muitos intelectuais, nada mais fazem do que esconder a violenta regressão nos campos básicos, como a educação, saúde, trabalho, alimentação, moradia, segurança, etc (TONET, 2008). Com esses e muitos outros conceitos, devemos avaliar mais profundamente o papel da educação nesse cenário de contradições de ontem e hoje. Entender sua função social, de maneira que ela mesma consiga, se é que é possível, libertar o oprimido das amarras da submissão e da falta de consciência crítica. Porém esta libertação deverá ser de modo mais elaborado e aprofundado, e não superficial, mas que nos leve a indagar o porquê, de sermos cidadãos conscientes. A consciência transitiva ingênua, a aceitação passiva e sem questionamento da realidade social, é a matéria-prima da manipulação das elites. Contra essa manipulação deve se levantar o homem numa educação transformadora. A educação desencadeia reflexões acerca deste mundo e a condição social histórica construída pelo homem, na falta dela a opressão torna-se eminente, “Expulsar esta sombra pela conscientização é uma das fundamentais tarefas de uma educação realmente libertadora e por isto respeitadora do homem como pessoa” (FREIRE, 1983, p.37). Se a educação tem em seu bojo um papel social “libertador”, então, tudo nos leva a crer que o homem enquanto sujeito deve utilizar-se dela para seu desenvolvimento amplo e consciente, despindo-se de todas as formalidades, visando à mudança e libertação para si mesmo. A educação das massas se faz, assim, algo de absolutamente fundamental entre nós. Educação que, desvestida da roupagem alienada e alienante, seja uma fôrça de mudança e de libertação. A opção, por isso, teria de ser também, entre uma ‘educação’ para a ‘domestificação’, para a alienação, e uma educação para a liberdade. “Educação” para o homem-objeto ou educação para o homem-sujeito (FREIRE, 1983, p. 36). Não há menor dúvida que Paulo Freire pensava num homem-sujeito, que por meio da educação evoluiria para crítico e consciente da sua própria realidade. Essa condição, o levaria a refletir mais profundamente sobre a sociedade da qual fazia parte, fazendo-o um ser liberto das amarras da sua subjugação. Esse era o principal passo de muitos outros, para mudança de postura e da sua história, fazendo efetivamente parte dela. Contudo, Freire tinha a consciência que a educação do homem não interessava a aqueles que se aproveitavam da condição de “ignorância” e “ingenuidade” para explorá–lo e subjugá-lo. Quanto mais alienado, mais fácil seria sua manipulação, “Do ponto de vista do interesse dominante, não há dúvida de que a educação deve ser uma prática imobilizadora e ocultadora de verdades” (FREIRE, 1996, p.99). Qualquer manifestação contrária a essa situação vigente, era motivo para preocupação do opressor, este temia ter seus privilégios restritos ou mesmo extintos. Para Freire, É bem verdade que, ao fazerem isto, ontem, hoje e amanhã, ali ou em qualquer parte, estas fôrças destorcem sempre a realidade e instem em aparecer como defensoras do homem, de sua dignidade, de sua liberdade, apontando os esforços de verdadeira libertação como ‘perigosa subversão’, como ‘massificação’, como ‘lavagem cerebral’ – tudo isso produto de demônios, inimigos do homem e da civilização ocidental cristã. Na verdade, elas é que massificam, na medida em que domesticam e endemoniadamente se ‘apoderam’ das camadas mais ingênuas da sociedade.Na medida em que deixam em cada homem a sombra da opressão que o esmaga (FREIRE, 1983, p. 37). A educação com já nos referimos era e continua sendo uma forma de intervenção no mundo, restando-nos saber até que ponto nos possibilita mudar, e se só por ela todos os anseios da humanidade serão sanados. O conceito que a educação liberta o homem oprimido, massificado e subjugado, fica mais evidente na visão de Paulo Freire quando nos aprofundamos em seus ensaios. A princípio devemos concordar com Freire, a educação realmente liberta o homem oprimido? Num primeiro instante podemos ter a impressão que sim, o indivíduo deixa a inércia da falta de conhecimento e passa a ter certa compreensão do mundo em que vive. Sendo assim o que está faltando para que aconteça uma educação de qualidade e que promova de fato uma proposta conscientizadora e crítica de mundo? A proposta de libertação por meio da educação a que se refere Paulo Freire não seria utópica de cunho ideológico? E não traria ao homem limitações no seu convívio social? Quando Freire diz que sem educação o homem não é capaz de tornar-se consciente e critico, esse discurso dirigia-se para as massas mais oprimidas, falava de uma educação que pudesse vir de encontro aos problemas e anseios emergenciais da sociedade em transição, de uma economia agrícola para industrial, e a passagem do homem do campo para a cidade. O princípio que Freire defende é uma educação que se baseia na realidade do povo e no desenvolvimento econômico que á época se encontrava em ascensão no Brasil (WERRI, 2008). Parece-nos um tanto quanto, superficial e porque não dizer contraditória por parte de Freire, a educação como prática da liberdade. O conhecimento vai além, perpassa pelo contexto histórico, cultural, social e político e requer uma adequação frente às exigências das novas relações sociais que o capitalismo nos impõe. Para Werri, Freire defendia uma educação para o desenvolvimento econômico e para a constituição da democracia. Antes esta constatação, a problemática que se põe é se Freire, por servir aos ideais do nacional desenvolvimentismo, trabalha para os interesses da elite ou para a emancipação dos trabalhadores brasileiros? (WERRI, 2008, p 145). Portanto é necessário avaliarmos cautelosamente a educação para sabermos até que ponto ela será a mola mestre que impulsionará o homem, a alcançar sua emancipação humana. E se basta-nos, termos somente educação para sermos “livres”. Referências ARANHA, Maria Lúcia Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires Filosofando: Introdução à Filosofia. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1993. FREIRE, Paulo. Extensão ou comunicação? 11 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2001a. ___________________. 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