UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS PROJETO A VEZ DO MESTRE A LINGUAGEM DO DESIGN E A IMPORTÂNCIA DO MARKETING POR: PEDRO LUIZ GASPAR MARALHAS ORIENTADOR: PROF. MESTRE ROBSON MATERKO RIO DE JANEIRO AGOSTO / 2001 UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS PROJETO “A VEZ DO MESTRE” A LINGUAGEM DO DESIGN E A IMPORTÂNCIA DO MARKETING POR: PEDRO LUIZ GASPAR MARALHAS Trabalho monográfico apresentado como requisito parcial para a obtenção do Grau de Especialista em Desenho RIO DE JANEIRO AGOSTO / 2001 Agradeço a Deus e a toda a minha família, que me apoia nas mais diversas investidas que faço pelas estradas da vida, em especial minha esposa Rosilane Ribeiro Maralhas, ao meu filho Carlos Alberto Ribeiro Matos e a minha mãe Marinete Nunes de Souza. Dedico a minha família e a todos que sem questionar, sempre estão ao meu lado. SUMÁRIO RESUMO ................................................................................................................. INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 1. ORIGEM DO DESIGN ...................................................................................... 2. ANÁLISE DA CONJUNTURA ATUAL DO DESIGN NO BRASIL ............ 3. CONCEITOS DE DESIGN ................................................................................ 4. ÁREAS DE ATUAÇÃO DO DESIGN .............................................................. 5 O DESIGN COMO ESTRATÉGIA E A IDENTIDADE CORPORATIVA .. 6.PROJETANDO COM MARKETING ................................................................ CONCLUSÃO ........................................................................................................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................... ANEXOS .................................................................................................................... RESUMO No contexto entre design e marketing, a função de ambos não está restrita apenas ao domínio de seus especialistas. espalhados Estão por complexo de habilidades, emoções todo ferramentas, sentimentos e um e principalmente forte criatividade. Apesar de muitas das vezes marketing e design se confundirem, ambos se complementam. Durante a fase do consumo, (ou uso) de um produto ou na exposição de projetos, o ciclo de vida do relacionamento com o cliente, a função interativa de ambos se torna de máxima importância, assumindo um caráter significativo na sua responsabilidade de passar a imagem esperam. que Os as pessoas efeitos de comunicação visual, junto com outros fatores, como a qualidade técnica dos serviços, moldam a imagem na mente das pessoas nos seus efeitos relacionais. inter – INTRODUÇÃO Os avanços tecnológicos, a expansão e uso dos meios de comunicação e a intensificação da competição por fatias de mercado, não permitem que os designers fiquem restritos apenas à criação e intuição para desenvolver projetos de sucesso para seus clientes. Com a mundialização da economia, e a afirmação do sistema capitalista, houve um aumento do público comprador. As tiragens dos produtos passaram a atingir cifras inimagináveis, ocorrendo como que um deslocamento de expectativas em relação ao papel do designer, no processo do projeto de produtos. De uma forma geral, e não apenas no Brasil, a atividade do designer delineia-se quase como uma ferramenta de apoio ao marketing, e vice versa, na busca desenfreada por novos e maiores mercados. Por isso, a fim de garantir resultados, o mercado vem selecionando designers que acrescentem algum tipo de valor agregado aos seus projetos, como: princípios e estratégias de marketing, seja este conhecimento próprio ou através de trabalho integrado a um profissional especializado. Este profissional necessita, cada vez mais, desenvolver um diálogo produtivo com o pessoal de marketing ou dos setores administrativos da empresa. Com uma compreensão cada vez melhor da linguagem um do outro, fica mais fácil encontra-se soluções adequadas às necessidades de seus clientes. Se para o marketing, o design é uma peça fundamental para o alcance de seus objetivos; para o design, o valor do marketing está no fato de ser este um valioso sinalizador para o desenvolvimento de seus projetos, ajudando-o a alcançar os objetivos propostos. A cada ano o marketing envolve mais o design em sua malha de aço, forçando uma indiferenciação entre as duas atividades. Ainda que tenha de trilhar as vias do compromisso maníaco da venda, o design, tanto gráfico quanto de produto, continua preservando bravos redutos de resistência nos quais persiste a busca da invenção e o respeito pelo usuário. Por ser um profissional sensível às necessidades e aos valores do consumidor, procurando sempre uma elevação na qualidade de vida deste, o "designer gráfico", por exemplo, tem um compromisso com a cultura, com o conforto, a segurança, a estética e o meio ambiente, entre outros aspectos. Nesse enlace com o usuário, o marketing, é, portanto, mais um conhecimento a auxiliá-lo na elaboração dos seus projetos. Está portanto o profissional de design, condenado ao contemporâneo, e, sua prática só poderá ser compreendida pela sociedade de seu tempo, no âmbito dessa circunstância. O objetivo desta pesquisa, é destacar o trabalho do profissional de design, a necessidade da liberdade de criação em todos os segmentos de suas atividades; bem como, ressaltar a importância da influência teórica e prática do marketing, na vida do "designer gráfico", provendo esse profissional com conhecimentos que o capacitem para melhores decisões processuais. CAPÍTULO I ORIGEM DO DESIGN É preciso refletir sobre algumas das formas assumidas pelo exercício do design no Brasil. Mas antes de chegar lá, é necessário entendermos acerca da essência dessa atividade. E, mesmo concordando que os empenhos classificatórios costumam ser áridos e desinteressantes, como avançar na compreensão de cada um dado terreno sem defini-lo com clareza, sem situa-lo? É nessa tentativa que retoma-se o tema até porque, em nosso país, têm sido constantes as afirmações de que o design pressupõe uma prática que se explica mal e cujo campo não de delimita com nitidez. Essa imprecisão costuma esfumaçar contornos que, no entanto, seria essencial preservar, dificultando entendimento da natureza e do âmbito do ofício. Em meio a tal fluidez, é fácil entender por que profissionais da área têm transitado com dificuldade, pisando um chão sem dono onde leigos legislam com desenvoltura e ditam normas sobre o que desconhecem. Onde o oportunismo vive fincando suas estacas e os setores que deveriam usar conscientemente os serviços do profissional especializado e comentar seu desempenho, com a empresa e a imprensa, por falta de conhecimento e trato com a atividade, volta e meia provocam verdadeiros desastres, contribuindo para salgar ainda mais um solo inóspito, no qual o design brasileiro tem encontrado dificuldades para fazer germinar suas sementes. Não possuímos, como os ingleses e os espanhóis termos semelhantes, gráfica e eufonicamente, que, associados ao mesmo universo, possuam variações de sentido dentro de seu campo. O termo inglês design significa projeto. Assim como os espanhóis, que também possuem duas palavras próximas para definir atividades diferentes, os ingleses contam em seu repertório lingüístico com design, para traduzir a noção de projeto, e drawing, a de desenho. Para os espanhóis o conceito de projeto está subentendido na palavra diseño, e o desenho, na palavra dibujo. Em português, desenho eqüivale ao drawing inglês e ao dibujo espanhol, ao passo que projeto, respectivamente, a design e diseño. Temos, de um lado, a palavra desenho, que, entendida como meio de representação, remete ao campo do traço livre e será comprometida com a expressão individual de um sentimento, com uma visão de mundo particular; de outro, a palavra projeto, que define uma intenção precisa, a ser desenvolvida e executada no âmbito de limites determinados a priori, econômica, tecnológica, culturalmente. No entanto projeto também é a palavra que exprime a forma de expressão de profissionais que atuam em áreas diferentes da nossa, como os arquitetos e engenheiros. Sendo assim, o termo projeto, isoladamente, não significa o que é particular no trabalho do design. Por outro lado, ao acrescentar-se a projeto a palavra industrial, formando-se o termo projeto industrial, continuar-se-á afastado daquilo que nos é peculiar, já que no Brasil, esses nomes foram como que apropriados pelos desenhistas técnicos e pelos engenheiros, remetendo a áreas específicas de seus respectivos campos. Diante desses impedimentos, não só no Brasil, como em um número crescente de países, o vocábulo design passou a identificar desenho industrial ou ïndustrial design, desde o final do século XIX e princípio do século XX. A partir da Segunda Guerra Mundial, com o fim do esforço de guerra, a indústria dos países envolvidos no conflito deixou de se concentrar na produção de armamentos e direcionou sua capacidade produtiva para a fabricação em massa de bens de consumo para a população. Com a crescente hegemonia econômica, política e cultural que os Estados Unidos passaram a exercer sobre o mundo, foi decisiva para a adoção do termo design como código universal. Vale registrar que, antes mesmo da industrialização, nos países de língua inglesa a palavra design era utilizada na definição das atividades artesanais que implicassem em projeto, ou seja, desenvolvida e executada no contexto de condições precisas, num campo tecnológico pré definido. O que este vocábulo de fato pressupõe, é um conjunto de ações organizadas em etapas que se encadeiam, com o objetivo de construir um determinado produto a partir de algum tipo de planejamento. Tal fato explica a natural associação feita pelos povos de língua inglesa, entre o termo design e as atividades artesanais, já que estas, podem estar perfeitamente inseridas em processos nos quais essa sucessão de ações e limites técnicos se repete a cada encomenda, obedecendo a diretriz de um plano, os chamados interior design, architectural design, gardem design entre outras. Em meados do século XIX, com a chegada e disseminação das tecnologias para seriação industrial nesses países, acrescentou-se ao termo design, um outro “industrial” - que viria exprimir o reordenamento do conceito de fabricação de produtos, até aquele momento, sendo realizada em bases predominantemente artesanais. Surgiu então, o termo industrial design que, passou a identificar o conjunto de artefatos e informações produzidos industrialmente a partir de reprodução seriada das matrizes, em média ou larga escala. Os ingleses, caracterizados pelo pragmatismo e objetividade, juntaram numa só expressão duas noções essenciais para que se pudesse entender e definir a natureza dessa nova profissão: uniram o conceito de planejamento, controle, domínio da linguagem e dos processos ao de série reproduzida mecanicamente. Porém, essa união não garantiu ao termo o significado de universo tecnológico industrial. Assim, design passou a traduzir tanto processo artesanal, como processo industrial de feitura de produtos. Para a maioria das economias industrializadas contemporâneas, inclusive no Brasil, design sempre subentendeu projeto industrial ou processos dos quais resultem produtos industriais, sem que fosse necessário acrescentar-lhe o termo “industrial” toda vez que se quisesse referir a “design industrial”. Essa posição, têm gerado equívocos conceituais em diversas exposições organizadas por alusão dos 500 anos da atividade. Se não existia a 500 anos reprodução seriada de matrizes por tecnologias industriais em nenhum lugar do planeta, e, além do mais, nós não somos ingleses; ou seja, para nós, design não é uma forma de projeto que possa encaixar-se no domínio do artesanato, conforme acima mostrado, como então fazer entender que o design está instalado aqui desde o tempo do Descobrimento? Será que colar de ossos de macacos e pedaços de casca de coco; cestos de palha de babaçu; cerâmica do vale do Jequitinhonha, renda de bilro; etc., são design? Certamente que não. São trabalhos de artesanato, artefatos concebidos e elaborados em sociedades pré-industriais, indispensáveis à vida cotidiana, à sociabilidade e aos valores culturais de determinados grupos, num dado momento histórico diferente do nosso. Um dos caminhos para a compreensão do design encontra-se na distância que o separa dos ofícios de base artesanal. No Brasil, a resistência tem sido enorme, e, enquanto isso não for entendido, o design continuará a ser confundido com atividades as quais nada tem a ver, entravando o aprimoramento de suas linguagens - a do “design gráfico” e a do “design de produto” - bem como, retardando os benefícios que a nossa sociedade poderia obter se utilizasse mais sistematicamente seu potencial. O design desenvolveu uma estética própria, derivada de sua vinculação com as tecnologias industriais e pós-industriais, consolidou-se e expandiu-se, com influência nas mais diferentes áreas e formas de expressão como: na moda, na arquitetura, nas artes plásticas, na cenografia, etc. Como em qualquer forma de expressão, o design sofre influência do meio em que atua, refletindo-lhe as dominante, o que evidentemente, não lhe permite formar uma linha contínua de desenvolvimento nem uma ênfase uniforme na combinação de sua linguagem. A variação de seu discurso é certa, seja no que se refere ao “design gráfico” ou o “design de produto”, que serão definidos pelos interesses econômicos, pelo potencial tecnológico e pelas tendências estéticas em destaque, nos mais diversos períodos históricos. Nos meados do séc. XIX, logo a partir do surgimento do design, os países europeus mais desenvolvidos da época, o incorporaram ao contexto de suas culturas e de seus momentos tecnológicos. Estava naquela época o design, muito ligado à arquitetura e à sua ideologia, assumindo em seu campo, os mesmos compromissos democráticos que ela, a arquitetura, assumia em seu campo de ação. Ambos, preocupavam-se com o cotidiano dos homens e suas necessidades, propondo supri-las revolucionando velhas formas e velhos hábitos. Foi seguindo este impulso, e, partindo dos últimos grandes movimentos estéticos do século XIX e dos primeiros movimentos do século XX: art nouveau, cubismo, futurismo, construtivismo, De Stijl, funcionalismo, que em 1963, o design fixou-se no Brasil com a fundação da Escola Superior de Desenho Industrial, no Rio de Janeiro. O design da época de então, foi praticado por uma constelação de profissionais de elite, cujo compromisso com os valores da cultura e com o aprimoramento da linguagem parecia pesar tanto quanto o empenho na luta por formas de vidas mais justas e mais humanas, nas quais as ofertas de bem-estar e a melhora dos níveis de informação representassem metas a serem alcançadas. Com o da Segunda Guerra Mundial (1945), a cultura do mundo passou a ser influenciada pelos cacoetes dos americanos, país central que, entre os Aliados poderosos, menos sofreu com a guerra e, portanto, mais rapidamente pode retomar a produção após a vitória. O design de maneira geral, e o "design gráfico" em particular, começou a refletir na disposição interna dos elementos que compõem sua linguagem uma tendência a buscar mais a cumplicidade das camadas da psique predispostas à sedução fácil do que a daquelas forjadas na reflexão e na sensibilidade, onde o padrão, passou a ser dado pela ênfase nos elementos do projeto que aguçam as dinâmicas da venda. O consumidor passou a exercer papel determinante neste processo de produção, e com o tempo, o mercado foi se organizando. Foi nesse contexto que surgiu o "Marketing". Para o mercado nos dias atuais, importa pouco a correção técnica e conceitual que um dado produto possa oferecer, bem como o seu grau de ambigüidade. Muito mais importante, é o seu poder persuasivo, sua capacidade de mobilizar mecanismos psicológicos que induzam a uma fruição superficial, pouco comprometida com os desafios próprios de qualquer inovação. Isso é visível no rumo imposto pela economia capitalista com sua reprodução em larga escala, para atender grandes interesses econômicos. Nota-se ainda tal fato, no esmagamento que o cinema de autor sofreu nos últimos 30 anos, ou na luta que a musica popular de qualidade tem travado contra a cultura dos enlatados. O verdadeiro compromisso é com o desempenho do caixa. O montante despendido na fabricação e na divulgação de um determinado produto é grande e precisa retornar, acrescido de lucro, para que justifique-se o investimento. Os riscos com o capital devem ser evitados a qualquer custo, mesmo que isso signifique asfixia da invenção, da linguagem do design, da música, do cinema, etc. A liberdade do designer na condição de criador, estreita-se na medida em que se multiplicam os recursos financeiros destinados às etapas de fabricação e lançamento do produto, o que interfere diretamente no projeto deste. Em meio a essa conjuntura, os designers têm tido que tomar suas decisões éticas e estéticas e, apesar de na origem se terem organizado profissionalmente (Identidade Corporativa) para colaborar com a construção de uma ordem menos injusta, imposta pelo sistema capitalista mundial, que visa o aumento do público consumidor; se vêem agora compelidos a usar sua metodologia e capacidade de invenção na tentativa de ajudar a mover uma romaria monocórdica cujo culto gravita na órbita do proveito financeiro. Ele passou a ser utilizado, cada vez mais, para agregar valor, e, com isso, sendo um fator fundamental para criar o desejo de compra no consumidor e alavanca as vendas. Sendo assim, é importante que encontre meios, para livre das amarras impostas pela obsessão com a venda, para utilizar suas aptidões tanto como projetista quanto como planejador, buscando retomar a trajetória interrompida, forjada no compromisso com seu semelhante e suas causas coletivas essenciais. CAPÍTULO II ANÁLISE DA CONJUNTURA ATUAL DO DESIGN NO BRASIL Devido ao desenvolvimento causado pelas maravilhas da computação, o design vem se tornando vítima de um processo de banalização. Estamos vivendo um "styling moderno". Poderia-se dizer que este fato é a Síndrome do Efeito Especial, decorrente da facilidade que todos têm ao computador. Hoje, pela Internet, é possível obter-se por exemplo, soluções gráficas, desde logotipos á home pages, passando por ilustrações, identidades visuais, etc., através de uma empresa que consegue ligar a todos nós: a chamada "fast food do Design", com serviço totalmente virtualizado ao custo de R$ 1,99. Uma citação de Gilberto Strunck, ilustra perfeitamente esta situação: "...no campo do design gráfico, a banalização do emprego dos micros e de seus softwares fantásticos permitiu que um enorme contingente de pessoas, sem formação específica na área, entrasse no mercado. A conseqüência deste fato foi a mão-deobra, pouco gabaritada para conceituar seus projetos, pressões de designers recém formados para abrirem seus espaços, aviltamento dos preços praticados, desvalorização dos nossos serviços e o pior [...] uma enorme solicitação de serviços especulativos, em que as pessoas se propõe a trabalhar sem a garantia de serem remuneradas." É importante colocar em pauta, quando se falar de mercado de trabalho, de design ou tecnologia, a aceleração das mudanças tecnológicas e sua relação com o sistema educacional. O próximo milênio será, provavelmente, muito peculiar pela profundidade das transformações em curso. Os conhecimentos transmitidos tornam-se absoletos em muito pouco tempo, em função da avassaladora transformação tecnológica, principalmente se forem de ordem técnica, e não, de base geral ou humanística. Parece óbvio que o designer não pode ficar correndo atrás de upgrades tecnológicos sob pena de perder o foco de sua atividade. Assim, corre ele o risco de igualar-se a máquina que opera ou então ao "micreiro" conhecido do cliente. O designer não pode ser nivelado a uma biblioteca de clip arts, ou a um search engine da Internet. O nível operacional é importante, mas não se pode esquecer que o design é conceito e planejamento. As escolas de design, por sua vez, não devem treinar profissionais para apertar teclas de equipamentos que tornam-se ultrapassados muito rapidamente. Design não é bem isso. O verdadeiro papel do design será, cada vez mais, produzir idéias novas, que projetem alternativas de crescimento social, cultural, ético e econômico ao país, e não, apertar teclinhas como fazem os "micreiros". Cabe ao design, contudo, esforçar-se para modificar os motivos e processos que levam os “micreiros” a apertar suas teclinhas e se auto intitular designers. CAPÍTULO III CONCEITOS DE DESIGN "O design é um processo de busca visando otimizar a satisfação dos consumidores e a lucratividade das empresas através do uso criativo dos elementos que compõem a atividade do design, tais como performance, qualidade, durabilidade, aparência e custos relacionados a um produto, ambiente, informação e à imagem corporativa de uma empresa."(KOTLER, 1984) "Design é uma atividade crucial no processo de inovação onde as idéias são geradas, não só no domínio da criatividade, mas também são acopladas, entre possibilidades técnicas e demandas e oportunidades de mercado." (FREEMAN, C. 1983) "O design industrial tem muito a contribuir no que diz respeito a quase todos os aspectos da visão que a engenharia e a marketing devem exercitar por direito: desde a ergonomia e o design de novos métodos de produção a novos métodos de análise do mercado e condução ou interpretação de pesquisas de mercado. Não são as habilidades rotineiras para esquematizar, formatar ou colorir que transformam o designer industrial em um recurso valioso, mas a habilidade multifaceteada para contribuir para o trabalho ou outras disciplinas e para estimular, interpretar e sintetizá-lo." (LORENZ, 1986) "O design é o processo de desenvolvimento de objetos que abrange desde edifícios e produtos até folhetos e logotipos. É um processo interdisciplinar, que pode envolver engenheiros e arquitetos, designers industriais e gráficos, incluindo também um trabalho conjunto com os setores de pesquisa, marketing e fabricação, cujos interesses devem ser conciliados." (LAWRENCE, 1991) "Design é um processo criativo de definição e solução dos atributos de um produto ou serviço de forma a atender às necessidades de seus usuários. Tal processo é fundamentalmente baseado em fatores tecnológicos e funcionais." (JURAN, 1992) "Design é um processo de tomada de decisões realizado de forma interativa e sob incerteza, no qual é obtida a especificação de um artefato que possibilita a sua produção." (MILES & MOORE, 1994) "O design descreve o processo de seleção de formas, materiais e cores para estabelecer a forma de alguma coisa a ser feita. O objeto pode ser uma cidade ou vila, um prédio, um veículo, uma ferramenta ou qualquer outro objeto, um livro, uma propaganda ou um cenário. O design é a atividade que forma uma parte importante da realidade conforme a experimentamos." (PILE, apud MANU, 1995) "O design não é uma arte ou uma ciência, um fenômeno sócio cultural ou ferramenta de trabalho. É um processo inovador que usa a informação e o conhecimento de todas estas áreas de conhecimento". (BOUTIN, A. M. & DAVIS, apud MANU,A. 1995) "A palavra design significa tantas coisas diferentes: um processo, um meio para promover as vendas e um estágio na linha de produção. Ele realça produtos e os vende; resolve problemas e os converte em idéias; é atística e comercial, intelectual e física.Esta qualidade multifária - ou ambiguidade - é algo com o que precisamos aprender a viver, como um fato historicamente indiscutível." (HUYGEN, F., apud MANU, A. 1995) CAPÍTULO IV ÁREAS DE ATUAÇÃO DO DESIGN Design de Produtos - Consiste no desenvolvimento de novos produtos ou redesenho de produtos já existentes, levando em consideração aspectos tais como: custo, forma, materiais empregados, processo de fabricação, estéticos, ergonomia, segurança, relação com usuários e outros. Design Gráfico - Compreende toda a parte de comunicação de uma empresa, tanto interna como externamente, abrangendo seus produtos ou serviços, tais como: logomarca, imagem corporativa, publicações, catálogos, manuais, documentos internos e externos, propaganda impressa e televisiva, pontos de venda, estandes, cenários, multimídia e outros. Design de Interiores - Engloba o planejamento, lay-out, apresentação, mobiliário e adornos de ambiente internos, tais como escritórios, fábricas, shoppings, hospitais, hotéis, etc. Design de Ambientes Externos - Compreende as áreas externas de ambientes construídos, abrangendo jardins, mobiliário urbano, áreas de apoio a shoppings, etc. Design de Embalagens - Compreende todos os aspectos relacionados à embalagem de um produto, visando seu transporte e comercialização. Vale ressaltar a importância desta área, já que em muitos produtos a embalagem é a primeira interface com os usuários. Design de Serviços - Abrange todos os aspectos relacionados a um serviço prestado por uma empresa (exemplo: bancos, companhias de transporte, restaurantes, etc). O design de serviços compreende a combinação de várias áreas, tais como design gráfico, design de embalagem, design de interiores e outras. Fashion Design - Compreende uma gama abrangente de produtos relacionados à moda, tais como padronagem de tecidos, peças do vestuário e acessórios do vestuário (jóias, bolsas, chapéus, etc). Engineering Design - Está relacionado a todos os aspectos mecânicos e eletromecânicos dos componentes de um produto, tais como: acústica, hidráulica, ótica, pneumática, CAD/CAM e outros, através de uma atuação integrada entre engenheiros e designers. Gestão em Design - Consiste numa visão mais integrada do design, permeando toda a empresa e não somente com o foco no produto ou serviço. Tal prática, que atualmente tem sido apontada como um dos principais fatores para o sucesso de uma empresa, baseia-se no cruzamento funcional dentro dos diversos setores envolvidos, desde o desenvolvimento de produtos e serviços até sua comercialização através de mecanismos eficazes de cooperação e comunicação entre as áreas. Design nas Tecnologias de Informação - Baseia-se nos fatores cognitivos envolvidos na interface dos usuários com os softwares e equipamentos de informática (exemplo: formatos de telas, utilização de softwares, ícones, etc.). Vale o registro da criação em 1992 de uma associação profissional nos Estados Unidos, denominada ASD - Association for Software Design -, que define software design como a interseção das várias áreas de conhecimento envolvidas na criação de softwares e hardwares, levando em consideração as interfaces físicas, sensoriais e psicológicas envolvidas. Ecodesign - Está presente em todas as demais áreas citadas anteriormente e visa a criação de produtos e serviços, limitando ao máximo os aspectos negativos destes produtos e serviços em relação ao meio ambiente. Alguns dos aspectos básicos para a prática do ecodesign são: baixo consumo energético e/ou utilização de fontes que se renovam rapidamente; reutilização e reciclagem dos produtos; geração de produtos duráveis em substituição aos descartáveis; e produtos não-poluentes e não-agressivos à natureza e ao homem (exemplo: poluição visual e auditiva). Design Social - Está relacionado a temas que apresentam um conteúdo mais social, visando ampliar ao máximo a inserção e participação dos indivíduos em seus ambientes e no ambiente público em geral, atingindo também populações menos assistidas, tais como deficientes físicos, idosos, populações carentes, etc. CAPÍTULO V O DESIGN COMO ESTRATÉGIA E A IDENTIDADE CORPORATIVA Segundo Claudio Magalhães, para ser usado de modo estratégico, o design deve estar integrado e participar das definições estratégicas, a partir de nível decisório mais alto e integrado com todas as áreas relevantes. A materialização do design estratégico se dá quando o importante é desenvolver o produto certo - eficácia do processo de design e não somente desenvolver corretamente o produto - eficiência no processo de design. No design estratégico, a forma segue primeiramente a função de comunicar. Essas mensagens, traduzem-se em benefícios do produto, os serviços oferecidos e esperados pelas pessoas. Fazer com que os consumidores entendam que aquele produto oferecido, fornecerá os benefícios desejados, sejam eles oferecidos por funções práticas, estéticas ou por funções simbólicas. É com o objetivo de comunicar seus valores e sua filosofia para o ambiente onde atua que, uma empresa deve, portanto, utilizar o design. Para isso, deve estabelecer uma prática de design efetiva que manifesta-se através de um design corporativo consistente. Este design corporativo, por sua vez, coordena seus produtos e também suas comunicações, ambientes e serviços, através de marcas registradas, embalagens, interior de lojas, sinalizações, web site, uniformes, etc. A empresa atinge assim, uma unidade em seu discurso. O design pode então, configurar a filosofia da empresa, ou seja, tornar perceptível um conjunto de crenças e valores. A esse meio utilizado para exteriorizar a filosofia da empresa, chamamos Identidade Corporativa. Ela é a responsável pela gerência das outras áreas de atuação do design, servindo de elo de ligação entre elas, e a responsável por se criar uma unidade dentro da empresa. CAPÍTULO VI PROJETANDO COM MARKETING O design é um fator de diferenciação competitiva em marketing, sendo muitas vezes o único aspecto que diferencia um produto no mercado. Muitas das vezes, o que determina o preço de um produto, acabando fornecer-lhe agregado um que se por valor torna essencial, é o design. As empresas na maioria da vezes, ao procurarem profissionais designers para o desenvolvimento de seus projetos, buscam nestes, alguém que possa executar um desenho bonito e criativo, não esperando encontrar um profissional que vá desenvolver uma pesquisa de mercado, que leve em conta a filosofia da empresa, seus objetivos de mercado, seus canais de distribuição, sua estratégia de marketing e seu posicionamento perante o consumidor. Se um dia esse procedimento já foi suficiente para alcançar os objetivos, hoje não é mais. É muito importante se diferenciar e se destacar no mercado, fundamentar decisões projetuais e embasar a solução elaborada, mostrando conhecimento e oferecendo ao cliente, o que muitas vezes ele nem sabe que existe, além de demonstrarse interesse e disposição em conhecer sua empresa. Sem dúvida alguma, os designers com conhecimento de marketing terão vantagem competitiva ao enfrentar o mercado, que por sua vez, sabe disso e sabe como avaliar e recompensar esta vantagem. CONCLUSÃO As situações em que o cliente se depara com os recursos e com as formas de interação do marketing e do design para comprador / fornecedor de serviços determinam o nível da dimensão funcional da qualidade. Conclui – se portanto, que o design não existe sem o marketing e o marketing não existe sem o design, cada um assume seu papel para atingir a qualidade de seus serviços para o cliente. Portanto, o marketing entre outras coisas, se distingue como uma filosofia e uma habilidade. Focalizar – se nas ferramentas e técnicas de marketing é concentrar – se no marketing como uma habilidade. Entretanto, temos que encarar o marketing num contexto muito mais amplo. As atividades de marketing em que estas ferramentas e técnicas são utilizadas não levam bons resultados se o coração e a emoção não forem envolvidos. Da mesma forma o marketing como uma filosofia, tendo que orientar as pessoas constituindo o fundamento do marketing para ser bem sucedido, pois este deve ser um “estado de espírito” e da mesma forma o design. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Design para a competitividade / CNI-SESI-SENAI-IEL FERNANDES, Fabiene Torres. A identidade corporativa como estratégia competitiva. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 1991. Folha de São Paulo,. Caderno Mais!, 8 de jul. 2001 NIEMEYER, Carla. Marketing no design gráfico. Rio de Janeiro: 2AB Coleção BASEDESIGN, 1998. Projetos de marketing. O Globo, Suplemento Especial,16 de out.1999. REVISTA CADESIGN [s.l.] Market Press, ano 7 n. 74 REVISTA EXAME, [s.l.] abr. 1999 REVISTA EXPORTAR E GERÊNCIA, [s.l.] jun. 1999.