UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES
PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO
DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS
PROJETO A VEZ DO MESTRE
A LINGUAGEM DO DESIGN E A IMPORTÂNCIA DO MARKETING
POR: PEDRO LUIZ GASPAR MARALHAS
ORIENTADOR: PROF. MESTRE ROBSON MATERKO
RIO DE JANEIRO
AGOSTO / 2001
UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES
PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO
DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS
PROJETO “A VEZ DO MESTRE”
A LINGUAGEM DO DESIGN E A IMPORTÂNCIA DO MARKETING
POR: PEDRO LUIZ GASPAR MARALHAS
Trabalho monográfico apresentado como
requisito parcial para a obtenção do Grau de
Especialista em Desenho
RIO DE JANEIRO
AGOSTO / 2001
Agradeço a Deus e a toda a minha família, que me
apoia nas mais diversas investidas que faço pelas
estradas da vida, em especial minha esposa
Rosilane Ribeiro Maralhas, ao meu filho Carlos
Alberto Ribeiro Matos e a minha mãe Marinete
Nunes de Souza.
Dedico a minha família e a todos que sem
questionar, sempre estão ao meu lado.
SUMÁRIO
RESUMO .................................................................................................................
INTRODUÇÃO .......................................................................................................
1. ORIGEM DO DESIGN ......................................................................................
2. ANÁLISE DA CONJUNTURA ATUAL DO DESIGN NO BRASIL ............
3. CONCEITOS DE DESIGN ................................................................................
4. ÁREAS DE ATUAÇÃO DO DESIGN ..............................................................
5 O DESIGN COMO ESTRATÉGIA E A IDENTIDADE CORPORATIVA ..
6.PROJETANDO COM MARKETING ................................................................
CONCLUSÃO ...........................................................................................................
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................
ANEXOS ....................................................................................................................
RESUMO
No contexto entre design e
marketing, a função de ambos
não está restrita apenas ao
domínio
de
seus
especialistas.
espalhados
Estão
por
complexo
de
habilidades,
emoções
todo
ferramentas,
sentimentos
e
um
e
principalmente
forte criatividade.
Apesar de muitas
das vezes marketing e design
se confundirem, ambos se
complementam.
Durante
a
fase do consumo, (ou uso) de
um produto ou na exposição
de projetos, o ciclo de vida do
relacionamento com o cliente,
a função interativa de ambos
se
torna
de
máxima
importância, assumindo um
caráter significativo na sua
responsabilidade de passar a
imagem
esperam.
que
Os
as
pessoas
efeitos
de
comunicação
visual,
junto
com outros fatores, como a
qualidade
técnica
dos
serviços, moldam a imagem
na mente das pessoas nos
seus
efeitos
relacionais.
inter
–
INTRODUÇÃO
Os avanços tecnológicos, a expansão e uso dos meios de comunicação e a
intensificação da competição por fatias de mercado, não permitem que os designers
fiquem restritos apenas à criação e intuição para desenvolver projetos de sucesso para
seus clientes.
Com
a
mundialização
da
economia, e a afirmação do sistema
capitalista, houve um aumento do público
comprador. As tiragens dos produtos
passaram a atingir cifras inimagináveis,
ocorrendo como que um deslocamento de
expectativas em relação ao papel do
designer, no processo do projeto de
produtos.
De uma forma geral, e não apenas no Brasil, a atividade do designer
delineia-se quase como uma ferramenta de apoio ao marketing, e vice versa, na busca
desenfreada por novos e maiores mercados. Por isso, a fim de garantir resultados, o
mercado vem selecionando designers que acrescentem algum tipo de valor agregado aos
seus projetos, como: princípios e estratégias de marketing, seja este conhecimento
próprio ou através de trabalho integrado a um profissional especializado. Este
profissional necessita, cada vez mais, desenvolver um diálogo produtivo com o pessoal
de marketing ou dos setores administrativos da empresa. Com uma compreensão cada
vez melhor da linguagem um do outro, fica mais fácil encontra-se soluções adequadas
às necessidades de seus clientes.
Se para o marketing, o design é uma peça fundamental para o alcance de
seus objetivos; para o design, o valor do marketing está no fato de ser este um valioso
sinalizador para o desenvolvimento de seus projetos, ajudando-o a alcançar os objetivos
propostos. A cada ano o marketing envolve mais o design em sua malha de aço,
forçando uma indiferenciação entre as duas atividades.
Ainda que tenha de trilhar as vias do compromisso maníaco da venda, o
design, tanto gráfico quanto de produto, continua preservando bravos redutos de
resistência nos quais persiste a busca da invenção e o respeito pelo usuário. Por ser um
profissional sensível às necessidades e aos valores do consumidor, procurando sempre
uma elevação na qualidade de vida deste, o "designer gráfico", por exemplo, tem um
compromisso com a cultura, com o conforto, a segurança, a estética e o meio ambiente,
entre outros aspectos. Nesse enlace com o usuário, o marketing, é, portanto, mais um
conhecimento a auxiliá-lo na elaboração dos seus projetos.
Está portanto o profissional de
design,
condenado
ao
contemporâneo, e, sua prática
só poderá ser compreendida
pela sociedade de seu tempo,
no
âmbito
dessa
circunstância.
O objetivo desta pesquisa, é
destacar o trabalho do profissional de
design, a necessidade da liberdade de
criação em todos os segmentos de suas
atividades;
bem
como,
ressaltar
a
importância da influência teórica e prática
do marketing, na vida do "designer
gráfico", provendo esse profissional com
conhecimentos que o capacitem para
melhores decisões processuais.
CAPÍTULO I
ORIGEM DO DESIGN
É preciso refletir sobre algumas das formas assumidas pelo exercício do
design no Brasil. Mas antes de chegar lá, é necessário entendermos acerca da essência
dessa atividade. E, mesmo concordando que os empenhos classificatórios costumam ser
áridos e desinteressantes, como avançar na compreensão de cada um dado terreno sem
defini-lo com clareza, sem situa-lo? É nessa tentativa que retoma-se o tema até porque,
em nosso país, têm sido constantes as afirmações de que o design pressupõe uma prática
que se explica mal e cujo campo não de delimita com nitidez. Essa imprecisão costuma
esfumaçar contornos que, no entanto, seria essencial preservar, dificultando
entendimento da natureza e do âmbito do ofício.
Em meio a tal fluidez, é fácil entender por que profissionais da área têm
transitado com dificuldade, pisando um chão sem dono onde leigos legislam com
desenvoltura e ditam normas sobre o que desconhecem. Onde o oportunismo vive
fincando suas estacas e os setores que deveriam usar conscientemente os serviços do
profissional especializado e comentar seu desempenho, com a empresa e a imprensa,
por falta de conhecimento e trato com a atividade, volta e meia provocam verdadeiros
desastres, contribuindo para salgar ainda mais um solo inóspito, no qual o design
brasileiro tem encontrado dificuldades para fazer germinar suas sementes.
Não possuímos, como os ingleses e os espanhóis termos semelhantes,
gráfica e eufonicamente, que, associados ao mesmo universo, possuam variações de
sentido dentro de seu campo.
O termo inglês design significa projeto. Assim como os espanhóis, que
também possuem duas palavras próximas para definir atividades diferentes, os ingleses
contam em seu repertório lingüístico com design, para traduzir a noção de projeto, e
drawing, a de desenho. Para os espanhóis o conceito de projeto está subentendido na
palavra diseño, e o desenho, na palavra dibujo. Em português, desenho eqüivale ao
drawing inglês e ao dibujo espanhol, ao passo que projeto, respectivamente, a design e
diseño.
Temos, de um lado, a palavra desenho, que, entendida como meio de
representação, remete ao campo do traço livre e será comprometida com a expressão
individual de um sentimento, com uma visão de mundo particular; de outro, a palavra
projeto, que define uma intenção precisa, a ser desenvolvida e executada no âmbito de
limites determinados a priori, econômica, tecnológica, culturalmente. No entanto
projeto também é a palavra que exprime a forma de expressão de profissionais que
atuam em áreas diferentes da nossa, como os arquitetos e engenheiros. Sendo assim, o
termo projeto, isoladamente, não significa o que é particular no trabalho do design.
Por outro lado, ao acrescentar-se a projeto a palavra industrial, formando-se
o termo projeto industrial, continuar-se-á afastado daquilo que nos é peculiar, já que no
Brasil, esses nomes foram como que apropriados pelos desenhistas técnicos e pelos
engenheiros, remetendo a áreas específicas de seus respectivos campos.
Diante desses impedimentos, não só no Brasil, como em um número
crescente de países, o vocábulo design passou a identificar desenho industrial ou
ïndustrial design, desde o final do século XIX e princípio do século XX.
A partir da Segunda Guerra Mundial, com o fim do esforço de guerra, a
indústria dos países envolvidos no conflito deixou de se concentrar na produção de
armamentos e direcionou sua capacidade produtiva para a fabricação em massa de bens
de consumo para a população. Com a crescente hegemonia econômica, política e
cultural que os Estados Unidos passaram a exercer sobre o mundo, foi decisiva para a
adoção do termo design como código universal. Vale registrar que, antes mesmo da
industrialização, nos países de língua inglesa a palavra design era utilizada na definição
das atividades artesanais que implicassem em projeto, ou seja, desenvolvida e executada
no contexto de condições precisas, num campo tecnológico pré definido. O que este
vocábulo de fato pressupõe, é um conjunto de ações organizadas em etapas que se
encadeiam, com o objetivo de construir um determinado produto a partir de algum tipo
de planejamento. Tal fato explica a natural associação feita pelos povos de língua
inglesa, entre o termo design e as atividades artesanais, já que estas, podem estar
perfeitamente inseridas em processos nos quais essa sucessão de ações e limites técnicos
se repete a cada encomenda, obedecendo a diretriz de um plano, os chamados interior
design, architectural design, gardem design entre outras.
Em meados do século XIX, com a chegada e disseminação das tecnologias
para seriação industrial nesses países, acrescentou-se ao termo design, um outro “industrial” - que viria exprimir o reordenamento do conceito de fabricação de produtos,
até aquele momento, sendo realizada em bases predominantemente artesanais. Surgiu
então, o termo industrial design que, passou a identificar o conjunto de artefatos e
informações produzidos industrialmente a partir de reprodução seriada das matrizes, em
média ou larga escala.
Os ingleses, caracterizados pelo pragmatismo e objetividade, juntaram numa
só expressão duas noções essenciais para que se pudesse entender e definir a natureza
dessa nova profissão: uniram o conceito de planejamento, controle, domínio da
linguagem e dos processos ao de série reproduzida mecanicamente. Porém, essa união
não garantiu ao termo o significado de universo tecnológico industrial. Assim, design
passou a traduzir tanto processo artesanal, como processo industrial de feitura de
produtos.
Para a maioria das economias industrializadas contemporâneas, inclusive no
Brasil, design sempre subentendeu projeto industrial ou processos dos quais resultem
produtos industriais, sem que fosse necessário acrescentar-lhe o termo “industrial” toda
vez que se quisesse referir a “design industrial”. Essa posição, têm gerado equívocos
conceituais em diversas exposições organizadas por alusão dos 500 anos da atividade.
Se não existia a 500 anos reprodução seriada de matrizes por tecnologias industriais em
nenhum lugar do planeta, e, além do mais, nós não somos ingleses; ou seja, para nós,
design não é uma forma de projeto que possa encaixar-se no domínio do artesanato,
conforme acima mostrado, como então fazer entender que o design está instalado aqui
desde o tempo do Descobrimento? Será que colar de ossos de macacos e pedaços de
casca de coco; cestos de palha de babaçu; cerâmica do vale do Jequitinhonha, renda de
bilro; etc., são design? Certamente que não. São trabalhos de artesanato, artefatos
concebidos e elaborados em sociedades pré-industriais, indispensáveis à vida cotidiana,
à sociabilidade e aos valores culturais de determinados grupos, num dado momento
histórico diferente do nosso.
Um dos caminhos para a compreensão do design encontra-se na distância
que o separa dos ofícios de base artesanal. No Brasil, a resistência tem sido enorme, e,
enquanto isso não for entendido, o design continuará a ser confundido com atividades as
quais nada tem a ver, entravando o aprimoramento de suas linguagens - a do “design
gráfico” e a do “design de produto” - bem como, retardando os benefícios que a nossa
sociedade poderia obter se utilizasse mais sistematicamente seu potencial.
O design desenvolveu uma estética própria, derivada de sua vinculação com
as tecnologias industriais e pós-industriais, consolidou-se e expandiu-se, com influência
nas mais diferentes áreas e formas de expressão como: na moda, na arquitetura, nas
artes plásticas, na cenografia, etc.
Como em qualquer forma de expressão, o design sofre influência do meio
em que atua, refletindo-lhe as dominante, o que evidentemente, não lhe permite formar
uma linha contínua de desenvolvimento nem uma ênfase uniforme na combinação de
sua linguagem. A variação de seu discurso é certa, seja no que se refere ao “design
gráfico” ou o “design de produto”, que serão definidos pelos interesses econômicos,
pelo potencial tecnológico e pelas tendências estéticas em destaque, nos mais diversos
períodos históricos.
Nos meados do séc. XIX, logo a partir do surgimento do design, os países
europeus mais desenvolvidos da época, o incorporaram ao contexto de suas culturas e
de seus momentos tecnológicos. Estava naquela época o design, muito ligado à
arquitetura e à sua ideologia, assumindo em seu campo, os mesmos compromissos
democráticos que ela, a
arquitetura, assumia em seu campo de ação. Ambos,
preocupavam-se com o cotidiano dos homens e suas necessidades, propondo supri-las
revolucionando velhas formas e velhos hábitos.
Foi seguindo este impulso, e, partindo dos últimos grandes movimentos
estéticos do século XIX e dos primeiros movimentos do século XX: art nouveau,
cubismo, futurismo, construtivismo, De Stijl, funcionalismo, que em 1963, o design
fixou-se no Brasil com a fundação da Escola Superior de Desenho Industrial, no Rio de
Janeiro.
O design da época de então, foi praticado por uma constelação de
profissionais de elite, cujo compromisso com os valores da cultura e com o
aprimoramento da linguagem parecia pesar tanto quanto o empenho na luta por formas
de vidas mais justas e mais humanas, nas quais as ofertas de bem-estar e a melhora dos
níveis de informação representassem metas a serem alcançadas.
Com o da Segunda Guerra Mundial (1945), a cultura do mundo passou a
ser influenciada pelos cacoetes dos americanos, país central que, entre os Aliados
poderosos, menos sofreu com a guerra e, portanto, mais rapidamente pode retomar a
produção após a vitória. O design de maneira geral, e o "design gráfico" em particular,
começou a refletir na disposição interna dos elementos que compõem sua linguagem
uma tendência a buscar mais a cumplicidade das camadas da psique predispostas à
sedução fácil do que a daquelas forjadas na reflexão e na sensibilidade, onde o padrão,
passou a ser dado pela ênfase nos elementos do projeto que aguçam as dinâmicas da
venda. O consumidor passou a exercer papel determinante neste processo de produção,
e com o tempo, o mercado foi se organizando. Foi nesse contexto que surgiu o
"Marketing".
Para o mercado nos dias atuais, importa pouco a correção técnica e
conceitual que um dado produto possa oferecer, bem como o seu grau de ambigüidade.
Muito mais importante, é o seu poder persuasivo, sua capacidade de mobilizar
mecanismos psicológicos que induzam a uma fruição superficial, pouco comprometida
com os desafios próprios de qualquer inovação. Isso é visível no rumo imposto pela
economia capitalista com sua reprodução em larga escala, para atender grandes
interesses econômicos. Nota-se ainda tal fato, no esmagamento que o cinema de autor
sofreu nos últimos 30 anos, ou na luta que a musica popular de qualidade tem travado
contra a cultura dos enlatados. O verdadeiro compromisso é com o desempenho do
caixa.
O montante despendido na fabricação e na divulgação de um determinado
produto é grande e precisa retornar, acrescido de lucro, para que justifique-se o
investimento. Os riscos com o capital devem ser evitados a qualquer custo, mesmo que
isso signifique asfixia da invenção, da linguagem do design, da música, do cinema, etc.
A liberdade do designer na condição de criador, estreita-se na medida em que se
multiplicam os recursos financeiros destinados às etapas de fabricação e lançamento do
produto, o que interfere diretamente no projeto deste.
Em meio a essa conjuntura, os designers têm tido que tomar suas decisões
éticas e estéticas e, apesar de na origem se terem organizado profissionalmente
(Identidade Corporativa) para colaborar com a construção de uma ordem menos injusta,
imposta pelo sistema capitalista mundial, que visa o aumento do público consumidor; se
vêem agora compelidos a usar sua metodologia e capacidade de invenção na tentativa
de ajudar a mover uma romaria monocórdica cujo culto gravita na órbita do proveito
financeiro. Ele passou a ser utilizado, cada vez mais, para agregar valor, e, com isso,
sendo um fator fundamental para criar o desejo de compra no consumidor e alavanca as
vendas.
Sendo assim, é importante que encontre meios, para livre das amarras
impostas pela obsessão com a venda, para utilizar suas aptidões tanto como projetista
quanto como planejador, buscando retomar a trajetória interrompida, forjada no
compromisso com seu semelhante e suas causas coletivas essenciais.
CAPÍTULO II
ANÁLISE DA CONJUNTURA ATUAL DO DESIGN NO BRASIL
Devido ao desenvolvimento causado pelas maravilhas da computação, o
design vem se tornando vítima de um processo de banalização. Estamos vivendo um
"styling moderno". Poderia-se dizer que este fato é a Síndrome do Efeito Especial,
decorrente da facilidade que todos têm ao computador. Hoje, pela Internet, é possível
obter-se por exemplo, soluções gráficas, desde logotipos á home pages, passando por
ilustrações, identidades visuais, etc., através de uma empresa que consegue ligar a todos
nós: a chamada "fast food do Design", com serviço totalmente virtualizado ao custo de
R$ 1,99.
Uma citação de Gilberto Strunck, ilustra perfeitamente esta situação:
"...no campo do design gráfico, a banalização do
emprego dos micros e de seus softwares fantásticos permitiu que
um enorme contingente de pessoas, sem formação específica na
área, entrasse no mercado. A conseqüência deste fato foi a mão-deobra, pouco gabaritada para conceituar seus projetos, pressões de
designers recém formados para abrirem seus espaços, aviltamento
dos preços praticados, desvalorização dos nossos serviços e o pior
[...] uma enorme solicitação de serviços especulativos, em que as
pessoas se propõe a trabalhar sem a garantia de serem
remuneradas."
É importante colocar em pauta, quando se falar de mercado de trabalho, de
design ou tecnologia, a aceleração das mudanças tecnológicas e sua relação com o
sistema educacional. O próximo milênio será, provavelmente, muito peculiar pela
profundidade das transformações em curso. Os conhecimentos transmitidos tornam-se
absoletos em muito pouco tempo, em função da avassaladora transformação
tecnológica, principalmente se forem de ordem técnica, e não, de base geral ou
humanística.
Parece óbvio que o designer não pode ficar correndo atrás de upgrades
tecnológicos sob pena de perder o foco de sua atividade. Assim, corre ele o risco de
igualar-se a máquina que opera ou então ao "micreiro" conhecido do cliente.
O designer não pode ser nivelado a uma biblioteca de clip arts, ou a um
search engine da Internet. O nível operacional é importante, mas não se pode esquecer
que o design é conceito e planejamento. As escolas de design, por sua vez, não devem
treinar profissionais para apertar teclas de equipamentos que tornam-se ultrapassados
muito rapidamente. Design não é bem isso.
O verdadeiro papel do design será, cada vez mais, produzir idéias novas,
que projetem alternativas de crescimento social, cultural, ético e econômico ao país, e
não, apertar teclinhas como fazem os "micreiros". Cabe ao design, contudo, esforçar-se
para modificar os motivos e processos que levam os “micreiros” a apertar suas teclinhas
e se auto intitular designers.
CAPÍTULO III
CONCEITOS DE DESIGN
"O design é um processo de busca visando otimizar a
satisfação dos consumidores e a lucratividade das empresas através
do uso criativo dos elementos que compõem a atividade do design,
tais como performance, qualidade, durabilidade, aparência e custos
relacionados a um produto, ambiente, informação e à imagem
corporativa de uma empresa."(KOTLER, 1984)
"Design é uma atividade crucial no processo de inovação onde as idéias são
geradas, não só no domínio da criatividade, mas também são acopladas, entre
possibilidades técnicas e demandas e oportunidades de mercado." (FREEMAN, C.
1983)
"O design industrial tem muito a contribuir no que diz
respeito a quase todos os aspectos da visão que a engenharia e a
marketing devem exercitar por direito: desde a ergonomia e o
design de novos métodos de produção a novos métodos de análise
do mercado e condução ou interpretação de pesquisas de mercado.
Não são as habilidades rotineiras para esquematizar, formatar ou
colorir que transformam o designer industrial em um recurso
valioso, mas a habilidade multifaceteada para contribuir para o
trabalho ou outras disciplinas e para estimular, interpretar e
sintetizá-lo." (LORENZ, 1986)
"O design é o processo de desenvolvimento de objetos
que abrange desde edifícios e produtos até folhetos e logotipos. É
um processo interdisciplinar, que pode envolver engenheiros e
arquitetos, designers industriais e gráficos, incluindo também um
trabalho conjunto com os setores de pesquisa, marketing e
fabricação, cujos interesses devem ser conciliados." (LAWRENCE,
1991)
"Design é um processo criativo de definição e solução dos atributos de um
produto ou serviço de forma a atender às necessidades de seus usuários. Tal processo é
fundamentalmente baseado em fatores tecnológicos e funcionais." (JURAN, 1992)
"Design é um processo de tomada de decisões realizado de forma interativa
e sob incerteza, no qual é obtida a especificação de um artefato que possibilita a sua
produção." (MILES & MOORE, 1994)
"O design descreve o processo de seleção de formas,
materiais e cores para estabelecer a forma de alguma coisa a ser
feita. O objeto pode ser uma cidade ou vila, um prédio, um veículo,
uma ferramenta ou qualquer outro objeto, um livro, uma
propaganda ou um cenário. O design é a atividade que forma uma
parte importante da realidade conforme a experimentamos." (PILE,
apud MANU, 1995)
"O design não é uma arte ou uma ciência, um fenômeno sócio cultural ou
ferramenta de trabalho. É um processo inovador que usa a informação e o conhecimento
de todas estas áreas de conhecimento". (BOUTIN, A. M. & DAVIS, apud MANU,A.
1995)
"A palavra design significa tantas coisas diferentes: um
processo, um meio para promover as vendas e um estágio na linha
de produção. Ele realça produtos e os vende; resolve problemas e
os converte em idéias; é atística e comercial, intelectual e
física.Esta qualidade multifária - ou ambiguidade - é algo com o
que precisamos aprender a viver, como um fato historicamente
indiscutível." (HUYGEN, F., apud MANU, A. 1995)
CAPÍTULO IV
ÁREAS DE ATUAÇÃO DO DESIGN
Design de Produtos - Consiste no desenvolvimento de novos produtos ou
redesenho de produtos já existentes, levando em consideração aspectos tais como: custo,
forma, materiais empregados, processo de fabricação, estéticos, ergonomia, segurança,
relação com usuários e outros.
Design Gráfico - Compreende toda a parte de comunicação de uma
empresa, tanto interna como externamente, abrangendo seus produtos ou serviços, tais
como: logomarca, imagem corporativa, publicações, catálogos, manuais, documentos
internos e externos, propaganda impressa e televisiva, pontos de venda, estandes,
cenários, multimídia e outros.
Design de Interiores - Engloba o planejamento, lay-out, apresentação,
mobiliário e adornos de ambiente internos, tais como escritórios, fábricas, shoppings,
hospitais, hotéis, etc.
Design de Ambientes Externos - Compreende as áreas externas de
ambientes construídos, abrangendo jardins, mobiliário urbano, áreas de apoio a
shoppings, etc.
Design de Embalagens - Compreende todos os aspectos relacionados à
embalagem de um produto, visando seu transporte e comercialização. Vale ressaltar a
importância desta área, já que em muitos produtos a embalagem é a primeira interface
com os usuários.
Design de Serviços - Abrange todos os aspectos relacionados a um serviço
prestado por uma empresa (exemplo: bancos, companhias de transporte, restaurantes,
etc). O design de serviços compreende a combinação de várias áreas, tais como design
gráfico, design de embalagem, design de interiores e outras.
Fashion Design - Compreende uma gama abrangente de produtos
relacionados à moda, tais como padronagem de tecidos, peças do vestuário e acessórios
do vestuário (jóias, bolsas, chapéus, etc).
Engineering Design - Está relacionado a todos os aspectos mecânicos e
eletromecânicos dos componentes de um produto, tais como: acústica, hidráulica, ótica,
pneumática, CAD/CAM e outros, através de uma atuação integrada entre engenheiros e
designers.
Gestão em Design - Consiste numa visão mais integrada do design,
permeando toda a empresa e não somente com o foco no produto ou serviço. Tal
prática, que atualmente tem sido apontada como um dos principais fatores para o
sucesso de uma empresa, baseia-se no cruzamento funcional dentro dos diversos setores
envolvidos, desde o desenvolvimento de produtos e serviços até sua comercialização
através de mecanismos eficazes de cooperação e comunicação entre as áreas.
Design nas Tecnologias de Informação - Baseia-se nos fatores cognitivos
envolvidos na interface dos usuários com os softwares e equipamentos de informática
(exemplo: formatos de telas, utilização de softwares, ícones, etc.). Vale o registro da
criação em 1992 de uma associação profissional nos Estados Unidos, denominada ASD
- Association for Software Design -, que define software design como a interseção das
várias áreas de conhecimento envolvidas na criação de softwares e hardwares, levando
em consideração as interfaces físicas, sensoriais e psicológicas envolvidas.
Ecodesign - Está presente em todas as demais áreas citadas anteriormente e
visa a criação de produtos e serviços, limitando ao máximo os aspectos negativos destes
produtos e serviços em relação ao meio ambiente. Alguns dos aspectos básicos para a
prática do ecodesign são: baixo consumo energético e/ou utilização de fontes que se
renovam rapidamente; reutilização e reciclagem dos produtos; geração de produtos
duráveis em substituição aos descartáveis; e produtos não-poluentes e não-agressivos à
natureza e ao homem (exemplo: poluição visual e auditiva).
Design Social - Está relacionado a temas que apresentam um conteúdo mais
social, visando ampliar ao máximo a inserção e participação dos indivíduos em seus
ambientes e no ambiente público em geral, atingindo também populações menos
assistidas, tais como deficientes físicos, idosos, populações carentes, etc.
CAPÍTULO V
O DESIGN COMO ESTRATÉGIA E A IDENTIDADE CORPORATIVA
Segundo Claudio Magalhães, para ser usado de modo estratégico, o design
deve estar integrado e participar das definições estratégicas, a partir de nível decisório
mais alto e integrado com todas as áreas relevantes.
A materialização do design estratégico se dá quando o importante é
desenvolver o produto certo - eficácia do processo de design e não somente desenvolver
corretamente o produto - eficiência no processo de design.
No design estratégico, a forma segue primeiramente a função de comunicar.
Essas mensagens, traduzem-se em benefícios do produto, os serviços oferecidos e
esperados pelas pessoas. Fazer com que os consumidores entendam que aquele produto
oferecido, fornecerá os benefícios desejados, sejam eles oferecidos por funções práticas,
estéticas ou por funções simbólicas.
É com o objetivo de comunicar seus valores e sua filosofia para o ambiente
onde atua que, uma empresa deve, portanto, utilizar o design. Para isso, deve estabelecer
uma prática de design efetiva que manifesta-se através de um design corporativo
consistente. Este design corporativo, por sua vez, coordena seus produtos e também
suas comunicações, ambientes e serviços, através de marcas registradas, embalagens,
interior de lojas, sinalizações, web site, uniformes, etc. A empresa atinge assim, uma
unidade em seu discurso. O design pode então, configurar a filosofia da empresa, ou
seja, tornar perceptível um conjunto de crenças e valores. A esse meio utilizado para
exteriorizar a filosofia da empresa, chamamos Identidade Corporativa. Ela é a
responsável pela gerência das outras áreas de atuação do design, servindo de elo de
ligação entre elas, e a responsável por se criar uma unidade dentro da empresa.
CAPÍTULO VI
PROJETANDO COM MARKETING
O design é um fator de
diferenciação competitiva em
marketing,
sendo
muitas
vezes o único aspecto que
diferencia
um
produto
no
mercado. Muitas das vezes, o
que determina o preço de um
produto,
acabando
fornecer-lhe
agregado
um
que
se
por
valor
torna
essencial, é o design.
As empresas na maioria da vezes, ao procurarem profissionais designers
para o desenvolvimento de seus projetos, buscam nestes, alguém que possa executar um
desenho bonito e criativo, não esperando encontrar um profissional que vá desenvolver
uma pesquisa de mercado, que leve em conta a filosofia da empresa, seus objetivos de
mercado, seus canais de distribuição, sua estratégia de marketing e seu posicionamento
perante o consumidor. Se um dia esse procedimento já foi suficiente para alcançar os
objetivos, hoje não é mais.
É muito importante se diferenciar e se destacar no mercado, fundamentar
decisões projetuais e embasar a solução elaborada, mostrando conhecimento e
oferecendo ao cliente, o que muitas vezes ele nem sabe que existe, além de demonstrarse interesse e disposição em conhecer sua empresa.
Sem dúvida alguma, os designers com conhecimento de marketing terão
vantagem competitiva ao enfrentar o mercado, que por sua vez, sabe disso e sabe como
avaliar e recompensar esta vantagem.
CONCLUSÃO
As situações em que o cliente se depara com os recursos e com as formas de
interação do marketing e do design para comprador / fornecedor de serviços determinam
o nível da dimensão funcional da qualidade.
Conclui – se portanto, que o design não existe sem o marketing e o
marketing não existe sem o design, cada um assume seu papel para atingir a qualidade
de seus serviços para o cliente.
Portanto, o marketing entre outras coisas, se distingue como uma filosofia e
uma habilidade. Focalizar – se nas ferramentas e técnicas de marketing é concentrar – se
no marketing como uma habilidade. Entretanto, temos que encarar o marketing num
contexto muito mais amplo. As atividades de marketing em que estas ferramentas e
técnicas são utilizadas não levam bons resultados se o coração e a emoção não forem
envolvidos. Da mesma forma o marketing como uma filosofia, tendo que orientar as
pessoas constituindo o fundamento do marketing para ser bem sucedido, pois este deve
ser um “estado de espírito” e da mesma forma o design.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Design para a competitividade / CNI-SESI-SENAI-IEL
FERNANDES, Fabiene Torres. A identidade corporativa como estratégia
competitiva. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 1991.
Folha de São Paulo,. Caderno Mais!, 8 de jul. 2001
NIEMEYER, Carla. Marketing no design gráfico. Rio de Janeiro: 2AB Coleção
BASEDESIGN, 1998.
Projetos de marketing. O Globo, Suplemento Especial,16 de out.1999.
REVISTA CADESIGN [s.l.] Market Press, ano 7 n. 74
REVISTA EXAME, [s.l.] abr. 1999
REVISTA EXPORTAR E GERÊNCIA, [s.l.] jun. 1999.
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pedro luiz gaspar maralhas