XIII JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2013 – UFRPE: Recife, 09 a 13 de dezembro.
RADIODIAGNÓSTICO DE FECALOMA EM GATOS
DOMÉSTICOS (Felis catus) –– RELATO DE CASO
Géssica Silva1, Jacinta Leite2, Weslley Souza3, Angélica Ferreira4, Maria Carolina Mesquita5, Vanessa Beltrão6
Introdução
As fezes, quando ressecadas, compactadas e retidas no interior do intestino grosso recebem o nome de fecaloma, ou
fecólitos (McGAVIN & ZACHARY, 2009). Na grande maioria das vezes, essas fezes se acumulam no intestino grosso,
que é constituído pelos segmentos de ceco, cólon e reto. O ceco felino, um divertículo do cólon proximal, é curto,
quando comparado ao canino, semelhante a um cone e raramente permite o acumulo de gás, o que dificulta sua
visibilização radiográfica (THRALL, 2010). O cólon é um tubo de parede fina, dilatável, que se divide em porção
ascendente, transversa e descendente, onde fisiologicamente ocorre o armazenamento das fezes a serem expelidas e a
absorção de água (REECE, 2007). A porção distal do cólon descendente, ao adentrar no canal pélvico, recebe o nome
de reto, que se segue até terminar no canal anal (LEITE, 2006).
A fisiopatologia do fecaloma pode ser resumida como sendo o resultado da inércia colônica, que conseqüentemente
resultará numa obstrução de saída e por fim no fecaloma. Essa inércia pode advir de uma distensão prolongada do
cólon, traumatismo neurológico, disfunção congênita ou pode até ser idiopática. A obstrução de saída pode ser
resultante de fratura pélvica, estenose ou neoplasia de intestino grosso ou massas neoplásicas adjacentes, corpo estranho
obstrutivo. Todos esses fatores podem resultar no fecaloma, onde as fezes retidas desidratam e solidificam, distendendo
o cólon e podendo culminar num megacólon (FOSSUM, 2008).
De acordo com Bichard & Sherding (2003), esta é uma patologia muito comum em gatos, mais até que em cães.
Mais freqüente em animais adultos e senis, entre cinco e nove anos. O que contribui para a alta ocorrência em gatos são
as questões comportamentais, dentre estas, ressalta se o comportamento de asseio dos felinos, que propicia a ingestão de
pêlos, e quando em excesso, pode incorporar se a massa fecal e resultar na formação de impactações fecais duras e
difíceis de serem expelidas. Outro fator importante, são as preferências particulares dos felinos quanto à ingestão de
água, por serem exigentes, reprimem a ingestão da água quando esta não se apresenta límpida e em temperatura
agradável. Outro hábito que pode predispor o fecaloma em felinos consiste em suprimirem o estímulo da defecação ao
encontrar o local para esta atividade, sujo, contendo fezes antigas.
O diagnóstico do fecaloma pode ser clínico, através da anamnese e exame físico, e complementado através do
exame radiográfico simples, em 100% dos casos, uma vez que as fezes e os gases geram radiopacidades contrastantes,
facilmente indentificados (THRALL, 2010). Este exame permite delimitar a extensão da impactação, observar se há
dilatação colônica, presença de materiais radiopacos nas fezes, além de permitir investigar algumas possíveis causas,
como por exemplo, fratura pélvica, ou aumento prostático, que obstruem a passagem (FOSSUM, 2008). As vezes a
radiografia contrastada pode complementar o diagnóstico, porém sua aplicação é indicada para diagnosticar a causa do
fecaloma, e não a patologia em si. Geralmente, esta técnica é feita após a remoção das fezes, para avaliação do lúmen
colônico. O exame radiográfico compressivo pode ser utilizado para aumentar o detalhamento radiográfico em casos de
presença de lesões. As projeções indicadas para este diagnóstico são a ventro-dorsal e a latero-lateral, que é a mais
determinante na maioria das vezes.
Os casos relatados sobre fecaloma são numerosos, tanto em felinos, quanto em caninos. Animais com fecaloma
apresentam como sinais clínicos, constipação ou obstipação; tenesmo; hematoquesia e consequente megacólon,
distúrbio onde o cólon se mostra intensamente dilatado e hipomóvel (FOSSUM, 2008).
O fecaloma é radiodiagnosticado pela distensão de alça intestinal, aumento de radiopacidadedo bolo fecal,
fragmentação em blocos do bolo fecal e compressão de órgãos abdominais (LEITE,2006).
1
Primeiro(a) Autor(a) é Médica Veterinária, Pós graduanda do curso de Especialização Lato Sensu Práticas Hospitalares e Laboratoriais em
Medicina Veterinária do Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Rua Dom Manoel de Medeiros, s/n,
Dois Irmãos - CEP: 52171-900 - Recife/PE. E-mail: [email protected];
2
Segundo(a) Autor(a) é Professora Associada do Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Rua Dom
Manoel de Medeiros, s/n, Dois Irmãos - CEP: 52171-900 - Recife/PE;
3
Terceiro Autor é discente de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Alagoas, Fazenda São Luís, S/N, CEP 57072-900, Viçosa –
AL/Brasil;
4
Quarto(a) Autor(a) é Médica Veterinária formada pela Universidade Federal Rural de Pernambuco, Rua Dom Manoel de Medeiros, s/n, Dois
Irmãos - CEP: 52171-900 - Recife/PE.
5
Quinto(a) Autor(a) é discente de Medicina Veterinária, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Rua Dom Manoel de Medeiros, s/n, Dois
Irmãos - CEP: 52171-900 - Recife/PE;
6
Sexto(a) Autor(a) é Médica Veterinária, Pós graduanda do curso de Especialização Lato Sensu Práticas Hospitalares e Laboratoriais em Medicina
Veterinária do Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Rua Dom Manoel de Medeiros, s/n, Dois
Irmãos - CEP: 52171-900 - Recife/PE.
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Embora fecalomas sejam comuns entre os felinos, esse caso reveste-se de importância pela sua particularidade
radiográfica, já que se visibilizou sua extensão em todas as porções do cólon e no reto. Essa imagem radiográfica ainda
não foi descrita na literatura.
Material e métodos
Foi atendido, no Hospital Veterinário (HOVET), da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), um
felino, com idade de um ano e dez meses, mestiço, castrado, com história inicial de constipação e posteriormente
ausência total de evacuações. Observou se sinal de tenesmo, que advinha a mais de dois meses, tendo o animal que ir à
clínica com determinada freqüência, para fazer esvaziamento do bolo fecal (fleet enema); porém, em alguns dias, a
patologia retornava. O animal apresentava, ainda, normofagia e normodipsia; alimentava- se exclusivamente de ração
seca, apropriada para a espécie, e algumas vezes carne. Convivia com outro felino, mais velho, também castrado,
porém, esse, não apresentava alteração. Ao exame físico observou-se o abdômen do paciente distendido e à palpação,
consistência abdominal endurecida. O paciente foi encaminhado ao setor de radiologia, com suspeita clínica de
fecaloma. Foram realizadas duas projeções radiográficas, simples, sendo uma lateral e a outra ventro-dorsal. A técnica
usada foi de 65,0 kW/4,8 mAs.
Resultados e Discussão
O paciente radiografado apresentava sinais clínicos e comportamentais característicos do portador de fecaloma,
como descrevem Bichard e Sherding, 2003, embora se tratasse de um animal de um ano e dez meses, contrariando essa
literatura que se refere a animais entre cinco e nove anos. O fator determinante da presença de fecaloma nesse paciente
não foi esclarecido na radiografia simples realizada, embora a literatura sugira técnicas contrastadas mas, não se
observou fraturas anteriores, nem corpo estranho, descartando a possibilidade de sequela associada a esses dois fatores;
o exame radiográfico foi realizado nas projeções lateral e ventro-dorsal (FOSSUM, 2008). Nas radiografias obtidas foi
possível visibilizar dilatação do cólon descendente, consequente da presença de fezes desidratadas e fragmentadas em
blocos (THALL, 2010). Visibilizou-se, ainda, presença de fezes desidratadas, em bloco, no cólon ascendente,
transverso, reto, e compressão de órgãos abdominais, diferindo apenas na particularidade de segmentos do trato
intestinal inferior, que não se referia anteriormente a presença de bolo fecal desidratado no cólon ascendente e
transverso (LEITE, 2006), fato que motivou o relato desse caso, pois trata-se de uma imagem radiográfica inédita.
Agradecimentos
Primeiro a Deus, e segundo a Professora Doutora Jacinta Eufrásio Brito Leite, além da equipe executora e da
Universidade Federal Rural de Pernambuco que contribuíram para a aquisição desta vivência.
Referências
BIRCHARD, S.J.; SHERDING R.G. Manual Saunders Clínica de Pequenos Animais. 2ª Ed. São paulo, Editora Roca,
2003. 2072p.
FOSSUM, T.W. Cirurgia de Pequenos Animais, 3ª Edição. Rio de Janeiro, Elsevier Brasil, 2008. 1632p.
LEITE, J.E.B. Radiologia Veterinária Básica, Recife, Editora Universitária UFRPE - 2006. 150p.
MCGAVIN, D.M.; ZACHARY, J.F. Bases da Patologia em Veterinária 4ª edição, Rio de Janeiro, Elsevier, 2009.
1540p.
REECE, W.O.; Dukes Fisiologia dos animais Domésticos 11ª Ed. Rio de Janeiro. Ed. Guanabara Koogan, 2007. 954p.
THRALL, D.E. Diagnóstico de Radiologia Veterinária, 5ª edição, Rio de Janeiro, Elsevier, 2010. 832p
XIII JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2013 – UFRPE: Recife, 09 a 13 de dezembro.
Figura 1. Projeção lateral da cavidade abdominal de felino, macho, onde se observam concreções fecais, fragmentadas em blocos,
com radiopacidade aumentada e consequente distensão do lúmen colônico; fecaloma.
Figura 2. Projeção vento-dorsal da cavidade abdominal de felino, macho. Visibiliza-se distensão de alça intestinal,
aumento de radiopacidade de bolo fecal e fragmentação em blocos do mesmo; há comprometimento do cólon
ascendente, transverso, descendente e reto.
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