Geografia Capítulo 3 O comércio internacional e os blocos econômicos A expansão do comércio mundial ID/BR A produção e o comércio de mercadorias podem ser vistos como forma de suprir as necessidades humanas. Porém, essas atividades têm também o papel de sustentar os processos econômicos, permitindo a ampliação do capital. Assim, podemos dizer que não apenas suprem necessidades, mas também as criam, de modo a dinamizar a economia. Para aprofundar essa reflexão, pesquise um ou mais textos que tratem desses temas e escreva um texto argumentativo discutindo a relação entre produção e comércio de mercadorias, satisfação e criação de necessidades. A globalização corresponde ao crescimento da interdependência entre os países, baseada fundamentalmente nas relações comerciais entre eles. A partir das últimas décadas do século XX, observa-se um rápido e forte crescimento do comércio internacional. Podem-se destacar alguns fatores de grande relevância que contribuíram para esse crescimento: xx Progresso tecnológico, reduzindo custos de transporte e facilitando as comunicações: a maior e mais rápida circulação de mercadorias possibilita que as grandes multinacionais distribuam suas unidades produtoras por vários países, produzindo cada componente de um produto (por exemplo, peças de automóvel) de acordo com as maiores vantagens competitivas obtidas. Boa parte da circulação mundial de mercadorias é realizada pelas e para as multinacionais; xx Liberalização do comércio e dos mercados financeiros: a abertura das fronteiras econômicas de países que adotavam políticas protecionistas (restringindo a entrada de produtos estrangeiros concorrentes com os nacionais) permitiu uma grande ampliação das trocas; xx Formação de grandes blocos econômicos regionais: a formação de blocos permitiu o desenvolvimento de intensas atividades entre países-membros do bloco e entre os diferentes blocos. No decorrer do século XX, é marcante a presença das mercadorias manufaturadas no volume de produtos comercializados, em comparação a produtos agrícolas e matérias-primas, incluindo as energéticas. Crescimento das exportações mundiais – 1950-2010 (milhões de dólares) ID/BR Roteiro Volume de mercadorias no comércio mundial por grupo de produtos – 1950-2010 10.000 16 14 12 5.000 10 8 2.500 6 Manufaturas 4 2 1.000 0 Combustíveis e produtos minerais -2 500 -4 Produtos agrícolas -6 -8 250 -10 -12 -14 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 1960 1970 1980 1990 2000 2001 Fonte de pesquisa: OMC. Disponível em: <http://www.wto.org/spanish/res__s/ statis__s/its2011__s/its11__charts__s.htm>. Acesso em: 31 jan. 2012. 100 1950 1955 1960 1965 1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2010 Fonte de pesquisa: OMC. Disponível em: <http://www.wto.org/spanish/res_s/ statis__s/its2011__s/its11__charts__s.htm>. Acesso em: 9 nov. 2011. 50 1P_UV_G8_LA_E12_C03_050A067.indd 50 5/24/12 3:33 PM As trocas comerciais no século XXI 11% China 2003 2007 2009 Alemanha 10,2* 9,7 9,0 Estados Unidos 9,8 8,5 8,5 Japão 6,4 5,2 4,7 China 5,9 Alemanha Japão 8% 5% 4% 3% 3% * Em destaque o primeiro colocado de cada ano. Holanda França 48% 9,6 8,9 Estados Unidos 9% Principais países exportadores mundiais de mercadorias (%) País ID/BR Segundo dados da Organização Mundial do Comércio (OMC), em 1948 os Estados Unidos concentravam cerca de um quarto das exportações mundiais de mercadorias. Porém, no decorrer do século XX, o país gradativamente perdeu sua posição de destacada liderança. A partir da primeira década do século XXI, ocorreram grandes transformações, surgindo novos atores no comércio mundial. Pode ‑se observar um grande crescimento da China, que em 2009 assumiu a liderança nas exportações. Apesar da globalização em franco andamento, ainda é evidente a desigualdade da participação de países desenvolvidos e de países em desenvolvimento no comércio mundial: entre os dez maiores exportadores mundiais, apenas a China é considerada emergente; todos os outros são países desenvolvidos. Desse modo, pode-se observar, pelos dados estatísticos disponíveis, uma supremacia comercial dos países do Norte, ou desenvolvidos. A América Latina, a África, o Oriente MéParticipação dos dez maiores exportadores dio e a Comunidade dos Estados Independenno comércio mundial (%) – 2010 tes (CEI) têm pouca participação. 3% 3% 3% Coreia do Sul Itália Bélgica Reino Unido Outros países Fonte de pesquisa: OMC. Disponível em: <http://www.wto.org/spanish/res__s/ statis__s/its2011__s/its11__world__trade__dev__s.htm>. Acesso em: 31 jan. 2012. Fonte de pesquisa: OMC. Disponível em: <http://www.wto.org/french/res_f/ statis_f/its2010_f/its10_world_trade_dev_f.htm>. Acesso em: 20 mar. 2012. ID/BR Comércio mundial de mercadorias – 2008 AMÉRICA DO NORTE 1015 165 159 775 10 1 11 36 6 169 37 6 34 União Ásia Europeia Europa América do Norte América Oriente do Sul e Médio Central 6 48 6 19 126 122 189 ORIENTE MÉDIO 218 186 Para facilitar a leitura, o comércio intrarregional é representado por discos. Caso contrário, as setas têm o tamanho abaixo 114 UNIÃO EUROPEIA 3974 25 123 7 80 60 EUROPA 4695 ÁSIA 2187 108 77 135 406 369 5 47 96 CEI 240 127 122 AMÉRICA DO SUL E CENTRAL 53 ÁFRICA 37 127 9 56 Comércio de mercadorias (em bilhões de dólares)* Intrarregional (superfície do disco) Inter-regional (espessura do traço) * Apenas os valores superiores a 20 bilhões são representados Fonte de pesquisa: Sciences Po. – Atelier de cartographie. Disponível em: <http://cartographie.sciences-po.fr/ cartotheque/E07c_Commerce_mondial_marchandises_2008.jpg>. Acesso em: 10 nov. 2011. 51 1P_UV_G8_LA_E12_C03_050A067.indd 51 5/24/12 3:33 PM A criação da Organização Mundial do Comércio (OMC) Logo após o término da Segunda Guerra Mundial, quando a cooperação política e econômica parecia ser a melhor forma de manter a paz, foram criados dois importantes órgãos internacionais: a Organização das Nações Unidas (ONU), em 1945, e o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (Gatt, do inglês General Agreement on Tariffs and Trade), com o objetivo de organizar o comércio mundial. Inicialmente, 23 países assinaram o acordo, inclusive o Brasil. Em décadas de atuação, o Gatt não conseguiu organizar o comércio mundial de forma igualitária, sendo constantemente acusado de beneficiar os países desenvolvidos. Em 1995, ele foi substituído pela OMC, de objetivos mais bem definidos e mais amplos. Sediada desde sua fundação em Genebra, na Suíça, a organização contava em 2011 com 153 países-membros, dois terços dos quais compostos por países em desenvolvimento. Entre os principais objetivos da OMC, podem-se destacar: xx regulamentação do comércio mundial, promovendo esforços para evitar que países (principalmente os mais pobres) sejam prejudicados em suas atividades comerciais; xx resolução de conflitos comerciais entre os países-membros, principalmente em casos relacionados a políticas protecionistas e subsídios (agrícolas ou industriais); xx promoção de encontros (rodadas) dos países-membros para discussão e adoção de acordos comerciais. Roteiro A OMC surgiu em 1995 para regulamentar o comércio mundial. Discuta com seus colegas a relação entre globalização e criação da OMC. Em seguida, escreva um texto, expondo e justificando suas conclusões. ID/BR Países-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) 180° 135°O 90°O 45°O 0° 45°L 90°L 135°L 180° OCEANO GLACIAL ÁRTICO Círculo Polar Ártico 45°N Trópico de Câncer OCEANO PACÍFICO Equador 0° Trópico de Capricórnio Círculo Polar Antártico Organização Mundial do Comércio Membros Negociando a adesão OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO Meridiano de Greenwich OCEANO PACÍFICO 45°S OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO 0 2 415 4 830 km 1 cm – 2415 km Fonte de pesquisa: Population Data.net. Disponível em: <http://www.populationdata.net/images/cartes/articles/monde-omc-pays-membres.png>. Acesso em: 10 nov. 2011. 52 1P_UV_G8_LA_E12_C03_050A067.indd 52 5/24/12 3:33 PM Desde a criação da OMC, na década de Exportações de mercadorias (bilhões de dólares) 1990, cresceu muito o volume de trocas co16 000 merciais em nível mundial. 14 000 Um dos fatores que explicam esse crescimento 12 000 é o mecanismo de reuniões periódicas dos mem10 000 bros da OMC – as rodadas –, que buscam estabe8 000 lecer acordos comerciais de âmbito mundial. 6 000 Em 2001, em Doha (Qatar), teve início uma 4 000 série de rodadas para discutir a diminuição das 2 000 barreiras e do protecionismo comercial, defen0 dendo-se a importância do livre comércio para -2 000 2003 2008 2009 1993 as nações em desenvolvimento econômico. de pesquisa: OMC. Disponível em: Em seguida, houve uma reunião em Cancún (México), em 2003 – Fonte <http://www.wto.org/spanish/res__s/ que ficou marcada pela constituição do G20, sob liderança de Brasil statis__s/its2011__s/its11__world__trade__ dev__s.htm>. Acesso em: 31 jan. 2012. e Índia – e outra em Hong Kong, em 2005. Apesar da relevância dos temas tratados – tarifas de comércio internacional, subsídios agrícolas e regras comerciais –, as rodadas não mostraram verdadeiros avanços, e o ciclo de Doha deverá chegar ao fim sem que os temas em debate sejam solucionados. ID/BR A atuação da OMC As críticas à OMC Muitos analistas econômicos e cientistas sociais fazem críticas à atuação da OMC, destacando o fato de que a organização dita as políticas comerciais; coloca os interesses comerciais acima das preocupações com o meio ambiente, a saúde e a segurança; é manipulada pelas grandes potências, oprimindo os países pobres; e, principalmente, não consegue reduzir os subsídios agrícolas que Estados Unidos e países da União Europeia mantêm em benefício de seus agricultores, com enorme prejuízo para os agricultores dos países pobres. O descontentamento relativo à atuação da OMC costuma levar às ruas milhares de manifestantes em protesto contra as políticas da organização. Na web <www.revistapangea. com.br>. Site com inúmeros artigos sobre economia, aspectos demográficos e geopolítica do Brasil e do mundo. Acesso em: 21 mar. 2012. Conexões Uma das funções da OMC é atuar como mediadora de conflitos comerciais entre países, derivados da adoção de medidas protecionistas por um deles. O Brasil apresenta grande número de contestações no órgão, principalmente contra os Estados Unidos e a União Europeia. O motivo é geralmente o mesmo: a adoção de subsídios agrícolas que prejudicam as exportações brasileiras. O país já ganhou ações contestando, entre outros, os preços do algodão, do açúcar e do suco de laranja. Mas o Brasil também sofre ações: em 2001, uma fabricante canadense de aviões acionou a OMC por sentir-se prejudicada pelo oferecimento de incentivos governamentais à fabricante brasileira do mesmo ramo, o que não respeitaria as regras da OMC. Após várias negociações, os dois países chegaram a um acordo. India Today Group/Getty Images O Brasil na OMC Em 2009, enquanto se realizavam os debates da OMC sobre o comércio mundial, as ruas de Nova Délhi eram ocupadas por manifestações populares contra essa organização. 53 1P_UV_G8_LA_E12_C03_050A067.indd 53 5/24/12 3:33 PM O que é um bloco econômico Roteiro Em um mundo cada vez mais competitivo, quais são as vantagens da formação de blocos econômicos? Escreva um pequeno texto respondendo à questão e compartilhe-o com seus colegas. Veja também o objeto educacional digital “Blocos econômicos”. O aumento das trocas comerciais e dos investimentos internacionais resultou numa crescente integração econômica entre os países. O melhor exemplo disso é a União Europeia, considerada o bloco econômico mais integrado hoje no mundo. A criação de blocos econômicos corresponde à integração econômica formal dos países. Sua forma mais simples é a organização de zonas de livre-comércio, nas quais são eliminadas tarifas e cotas de importação entre os países-membros. Existem atualmente cerca de 150 zonas de livre‑comércio, a maior parte criada desde os anos 1990. Já a união aduaneira é mais ampla: trata-se de um acordo regional dispondo que os países-membros definam tarifas comuns para o comércio entre si ou com outros países. Em essência, ela exige a limitação da independência comercial dos países-membros, para poderem atuar sob as regras estabelecidas pelo bloco. O mercado comum acrescenta novos elementos à união aduaneira, possibilitando a livre circulação de pessoas e capitais no interior do bloco. Além de eliminar barreiras tarifárias, regulamenta a circulação de produtos entre os países-membros. A união econômica e monetária é a mais completa integração. Ela vai além do mercado comum, pois unifica políticas monetárias (moeda única), agrícolas (sistema de proteção à agricultura por meio de subsídios), de transporte e mercado de trabalho. Esse tipo de integração exige a criação de instituições supranacionais, como o Banco Central, para controlar a circulação monetária, e o Parlamento, para deliberar sobre a uniformização das regras no interior do bloco. ID/BR Principais blocos econômicos do mundo 180° APEC 135°O 90°O 45°O Círculo Polar Ártico 0° 45°L 90°L OCEANO GLACIAL ÁRTICO 135°L 180° APEC UE 45°N NAFTA Trópico de Câncer OCEANO PACÍFICO ALCA Equador 0° Trópico de Capricórnio APEC Círculo Polar Antártico OCEANO ATLÂNTICO Meridiano de Greenwich OCEANO PACÍFICO MERCOSUL OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO OCEANO ÍNDICO PIB nacional e regional (em milhões de dólares) 12 831 ASEAN 45°S APEC 6 445 3 078 0 2 415 4 830 km 861 1 cm – 2 415 km Fonte de pesquisa: Marie-Françoise Duran; Benoit Martin; Delphine Placidi; Marie Törnquist-Chesnier. Atlas de la mondialisation. Paris: Presses de Sciences Po, 2007. 54 1P_UV_G8_LA_E12_C03_050A067.indd 54 5/24/12 3:33 PM A União Europeia A União Europeia é o maior e mais antigo bloco econômico, reunindo atualmente 27 países e 7% da população mundial. Suas trocas comerciais com o resto do planeta representam cerca de 20% do volume total de importações e exportações do mundo. Como bloco, é a maior exportadora e a segunda maior importadora do mundo. Os Estados Unidos são seu principal parceiro comercial, seguidos pela China. Para o Brasil, a União Europeia é um grande parceiro comercial: em 2010, 21% de nossas importações tiveram origem nesse bloco, que foi o destino também de 21% de nossas exportações. Benelux: bloco formado em 1958 por Bélgica, Países Baixos (Neederland) e Luxemburgo. Siderurgia: ramo industrial de produção de aço. A formação do bloco europeu Logo ao término da Segunda Guerra Mundial (1945), vários países da Europa Ocidental, em fase de reconstrução econômica, procuraram uma forma de consolidar a paz, sob a iminente ameaça de expansão soviética. Assim, a primeira ação para promover a união ocorreu em 1951, quando se instituiu a Comunidade Econômica do Carvão e do Aço (Ceca), com a função de facilitar a troca de matérias ‑primas necessárias para a siderurgia. Ela era composta por Alemanha Ocidental, França, Itália, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo (os três últimos formariam o Benelux). Em 1957, com o objetivo de aprofundar suas relações comerciais, os seis países assinaram o Tratado de Roma, que permitia a livre circulação de pessoas, mercadorias e capitais entre eles: estava criada a Comunidade Econômica Europeia (CEE). Esse mesmo tratado também criou a Comunidade Europeia de Energia Atômica (Euraton). Leia União Europeia: história e geopolítica, de Demétrio Magnoli. São Paulo: Moderna, 2004. O autor discute o contexto histórico e geopolítico do momento de formação da União Europeia e seus desdobramentos. ID/BR Países fundadores da Comunidade Econômica do Carvão e do Aço (Ceca) Círc 0° u lo P olar Ár tico 20°L 40°L 60°N Mar da Noruega Meridia no de G reenwic h 20°O Mar do Norte HOLANDA OCEANO ATLÂNTICO BÉLGICA Mar Báltico Na web <http://europa.eu/pol/ comm/index_pt.htm>. Site da União Europeia em português, que trata das atividades desse bloco. Acesso em: 20 mar. 2012. ALEMANHA OCIDENTAL LUXEMBURGO FRANÇA Mar Negro 40°N ITÁLIA 0 Países fundadores da Ceca (1951) Mar Mediterrâneo 790 1580 km 1 cm – 790 km Fonte de pesquisa: Europa: O portal da União Europeia. Disponível em: <http://europa. eu/about-eu/eu-history/1945-1959/index_fr.htm>. Acesso em: 11 nov. 2011. 55 1P_UV_G8_LA_E12_C03_050A067.indd 55 5/24/12 3:33 PM O alargamento do bloco europeu Disponível em: <http://www. ecodebate.com.br/2009/07/10/ subsidios-agricolas-da-uebeneficiam-grandes-empresasprejudicando-contribuinteseuropeus-e-agricultoresafricanos>. Acesso em: 11 nov. 2011. SUÉCIA REINO UNIDO IRLANDA Ingresso na UE ESTÔNIA orte oN r d DINAMARCA r Ma HOLANDA ALEMANHA BÉLGICA LUXEMBURGO OCEANO ATLÂNTICO Bá LETÔNIA LITUÂNIA 40°N 2004 1981 2007 países candidatos em 2008 1986 REP. TCHECA ESLOVÁQUIA ÁUSTRIA HUNGRIA ESLOVÊNIA ROMÊNIA CROÁCIA FRANÇA GRÉCIA ÁFRICA 1054 km Mar Negro MACEDÔNIA ESPANHA 527 1995 1973 1990-1993 ITÁLIA 0 1951 POLÔNIA BULGÁRIA PORTUGAL 60°L FINLÂNDIA o 60°N 40°L 20°L 0° OCEANO GLACIAL ÁRTICO Círculo Polar Ártico lti c 20° ID/BR O alargamento do bloco europeu Meridiano de Greenwich Subsídios agrícolas da União Europeia beneficiam grandes empresas, prejudicando contribuintes europeus e agricultores africanos Praticamente a metade do orçamento da União Europeia é destinada ao pagamento de subsídios agrícolas, apesar de menos de 3% da população do bloco viver da agricultura. [...] Também os consumidores europeus deveriam estar satisfeitos: afinal, as subvenções à agricultura – financiadas pelos impostos que eles pagam – deveriam garantir uma alimentação saudável para todos. Mas o fluxo das subvenções corre em outro sentido. Não são os pequenos agricultores familiares que embolsam as subvenções, mas grandes corporações do setor de alimentos. Na União Europeia, os 60% menores produtores recebem 10% do dinheiro dos subsídios, e 2% do andar de cima ficam com 25%. Desde a instituição da CEE em 1957, outros países da Europa Ocidental foram se agregando ao bloco europeu: um primeiro grupo em 1973, outro em 1981, e, em 1986, ele já contava com 12 membros. Em 1992, o continente europeu vivia um novo cenário geopolítico, com o fim da Guerra Fria, a reunificação da Alemanha e o início da transição político-econômica dos países da Europa Oriental (ex ‑comunistas). Nesse contexto, ocorre a principal transformação do bloco, com o Tratado de Maastricht: a integração econômica é aprofundada, cria-se o status de cidadania europeia e tem início o processo de união monetária, com a instituição de uma moeda única – o euro (€). A CEE passa então a denominar-se União Europeia. Em 1995, mais três países ingressam no bloco, que passou a reunir todos os países mais desenvolvidos da Europa, à exceção de Suíça e Noruega. Em 2004, o bloco europeu conhece sua maior ampliação, com a adesão de mais dez países, a maioria da porção oriental da Europa. Em 2007, ele alcança o número de 27 membros, com o ingresso de Bulgária e Romênia. Em 2011, Turquia, Croácia, Macedônia, Islândia e Montenegro eram candidatos a ingressar na União Europeia. Ma Conexões TURQUIA ÁSIA MALTA Mar Mediterrâneo CHIPRE 1 cm – 527 km Fonte de pesquisa: Europa: O portal da União Europeia. Disponível em: <http://europa.eu/index_pt.htm>. Acesso em: 19 mar. 2012. Entre as políticas adotadas pela União Europeia, destacam-se aquelas relacionadas aos subsídios aos agricultores europeus, à garantia dos direitos humanos, à manutenção da democracia e à proteção ao meio ambiente. Uma das metas mais ambiciosas do bloco relaciona-se à redução das emissões de poluentes considerados responsáveis pelas mudanças climáticas e pelo aquecimento global. 56 1P_UV_G8_LA_E12_C03_050A067.indd 56 5/24/12 3:33 PM O Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) Concebido em 1992 e em vigor desde 1994, o Nafta é a extensão de um acordo comercial entre Estados Unidos e Canadá, com a integração do México. Trata-se de uma zona de livre‑comércio, portanto um bloco econômico com características distintas das da União Europeia. Ele tem como objetivos a eliminação de barreiras alfandegárias para facilitar trocas de bens e serviços; o aumento das condições de investimentos entre os membros; a adoção de procedimentos que facilitem a resolução de conflitos comerciais no interior do bloco; e a proteção ao meio ambiente e às condições de trabalho. O Nafta abriga uma grande desigualdade socioeconômica em seu interior: enquanto os Estados Unidos e o Canadá estão entre os países mais desenvolvidos do mundo, o México tem várias características de subdesenvolvimento. Indicadores sociais dos países-membros do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) – 2011 População (milhões de habitantes) Taxa de fertilidade (por mil) Taxa de mortalidade infantil (por mil) Esperança de vida (anos) IDH* Canadá 34 1,6 5 81 0,888 Estados Unidos 311 2,1 6 78 0,902 México 113 2,3 1,7 76 0,750 * Dados de IDH referentes a 2010. Fontes de pesquisa: US Census Bureau. Disponível em: <http://www.census.gov/population/international/data/idb/country.php>; Pnud. Disponível em: <http:// www.pnud.org.br/pobreza_desigualdade/reportagens/index.php?id01=3600&lay=pde>. Acessos em: 14 nov. 2011. Desde a criação do bloco, as exportações canadenses e mexicanas para os Estados Unidos triplicaram, o que representa um risco econômico para esses países, sobretudo em momentos de crise econômico-financeira, como a que se iniciou em 2008. O México e o Nafta Uma das grandes questões relativas ao bloco norte-americano é a posição do México nesse conjunto tão desigual. Além de aumentar sua dependência em relação aos Estados Unidos, o país viu crescerem seus problemas no setor agrícola com a entrada dos produtos estadunidenses, em geral subsidiados e mais baratos que os mexicanos. O Nafta também aprofundou o processo de instalação, em território mexicano, das “maquiladoras” estadunidenses e canadenses. Trata-se de indústrias de montagem de componentes, que se beneficiam de vantagens fiscais e baixos salários do país, sem promover uma verdadeira industrialização que possa trazer desenvolvimento local. Diferentemente da União Europeia – no interior da qual há livre circulação de mercadorias, capitais e pessoas –, o Nafta não prevê a abertura das fronteiras entre seus membros para a livre circulação de pessoas. Ao contrário, os Estados Unidos esperavam com o bloco diminuir o fluxo de migrantes do México para seu território, fixando a população por meio do crescimento da economia mexicana, com a geração de postos de trabalho e oportunidades. 57 1P_UV_G8_LA_E12_C03_050A067.indd 57 5/24/12 3:33 PM O Mercado Comum do Sul (Mercosul) Fac-símile/ID/BR Na web <http://www.mercosul. gov.br>. Site oficial do Mercosul, com vários dados sobre o bloco. Acesso em: 21 de mar. 2012. ID/BR Criado em 1996, o logotipo do Mercosul traz as quatro estrelas do Cruzeiro do Sul sobre uma linha curva verde, que simboliza o horizonte. Fonte de pesquisa: <http://www.sei. ba.gov.br/images/pib/xls/outros_paises/ pib_outrospaises_mercosul.xls>. Acesso em: 14 nov. 2011. Na década de 1960, países da América Latina discutiam um mercado econômico regional para desenvolver trocas comerciais com menores impostos. Assim surge a Associação Latino-Americana de Livre Comércio (Alalc), que acaba perdendo força e é substituída, na década de 1980, pela Associação Latino-Americana de Integração (Aladi). Como a anterior, essa associação não foi capaz de uma real integração de seus membros. Na década de 1980, Argentina e Brasil firmaram compromissos para desenvolver acordos comerciais. O mais importante deles, o Tratado de Integração, Cooperação e Desenvolvimento, de 1988, abria o caminho para a futura integração de outros países. Em 1991 Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai assinaram o Tratado de Assunção, formando o Mercado Comum do Sul (Mercosul), o terceiro maior mercado integrado do mundo. O Mercosul é uma união aduaneira: além da livre circulação de bens e serviços, conta com tarifa exterior comum, legislações comerciais harmonizadas e relativa aproximação política. Esta última se expressa inclusive no esforço de manutenção da democracia: o tratado de criação do bloco traz uma cláusula excluindo países que venham a sofrer um golpe de Estado que a ameace. O Mercosul visa a Participação dos países-membros do Mercosul em alcançar o status de seu Produto Interno Bruto (PIB) – 2008 Uruguai Paraguai mercado comum, mas 1% 1% esbarra na enorme diArgentina ferença econômica en15% tre seus membros, conforme revela a discrepância de participação Brasil dos quatro países no 83% Produto Interno Bruto (PIB) do bloco. Conexões Brasil e Argentina são rivais? Será que a rivalidade entre brasileiros e argentinos no futebol vem do próprio esporte? A resposta é não. A rivalidade entre os vizinhos surgiu no século XIX, quando eles se tornaram independentes e passaram a disputar a hegemonia sobre o continente sul-americano. Durante muitas décadas, a Argentina teve mais destaque econômico e político do que o Brasil. Mas, a partir da década de 1960, o país começou a enfrentar problemas com o envelhecimento de suas indústrias, com políticas econômicas equivocadas herdadas da ditadura militar e com o encolhimento da economia baseada na exportação de carnes e grãos. Externamente, a Argentina foi atingida por derrotas geopolíticas, como a sofrida para o Brasil com a instalação da hidrelétrica de Itaipu, na década de 1970. Na década de 1990, abriu-se uma fase de cooperação entre os países. Em 1991, foi criada uma organização binacional do setor nuclear para garantir a utilização de todo material nuclear para fins pacíficos. Em 2011, foi assinado um acordo para a construção conjunta de reatores nucleares, aproveitando experiências e tecnologias de ambos. 58 1P_UV_G8_LA_E12_C03_050A067.indd 58 5/24/12 3:33 PM Desde sua criação, o Mercosul almeja a integração de todos os países da América do Sul. Assim ocorreria sua fusão com a Comunidade Andina (Colômbia, Equador, Peru e Bolívia) e a integração de Chile, Guiana e Suriname. Além dos países-membros, o Mercosul tem como países associados a Bolívia, o Chile, o Peru, o Equador e a Colômbia. A Venezuela encontrava-se, em 2012, em processo de adesão como membro pleno. O interesse do México pelo Mercosul valeu-lhe a posição de país observador. O funcionamento do Mercosul não é perfeitamente harmônico. Existem questões a serem resolvidas, como as ameaças de abandono por parte de Paraguai e Uruguai, os quais se sentem economicamente inferiorizados diante do Brasil e da Argentina, e os constantes atritos comerciais entre estes últimos. Apesar desses problemas, o bloco tem realizado acordos comerciais com vários países, a exemplo de Israel, Egito e países do sul da África. A Área de Livre Comércio das Américas (Alca) Mercosul ID/BR O Mercosul no século XXI 40°O 80°O 20°N Trópico de C âncer OCEANO MÉXICO ATLÂNTICO VENEZUELA COLÔMBIA Equador 0° EQUADOR OCEANO BRASIL PERU PACÍFICO BOLÍVIA 20°S de pico Tró io icórn Capr PARAGUAI CHILE URUGUAI ARGENTINA 40°S Países-membros Países associados 0 1145 2290 km Países observadores 1 cm – 1145 km *Em 2012, a Venezuela estava em processo de adesão como membro pleno. Fonte de pesquisa: Mercosul. Disponível em: <http://www.mercosur. int/t_generic.jsp?contentid=3862&site=1&channel=secretaria&seccion=2>. Acesso em: 19 mar. 2012. Em 1994, por iniciativa dos Estados Unidos, idealizou-se um bloco econômico reunindo 34 países do continente americano: a Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Segundo a proposta, o bloco entraria em funcionamento em 2005. Porém, vários países do continente resistiram a ela, inclusive o Brasil, por motivos como a expressiva diferença econômica entre os Estados Unidos e os demais países do continente e a real possibilidade de extinção do Mercosul. Em razão dessas resistências, o plano de criação da Alca foi abandonado. Conexões Países à margem da globalização Segundo as Nações Unidas, existem no mundo 50 países no grupo dos menos desenvolvidos: 34 africanos, 15 asiáticos e o Haiti, na América Central. Cada vez mais marginalizados do processo de globalização, eles perdem importância no comércio mundial: sua participação nas exportações mundiais de mercadorias agrícolas ou minerais recuou de 3%, na década de 1950, para 0,7% na década atual. Embora a ONU afirme que nos últimos 30 anos a globalização fez crescer a produção, o comércio e as riquezas, isso não ocorreu nesses países. Abre-se um fosso cada vez mais profundo entre os países ricos e os mais pobres, que nem sequer têm oportunidade de participar de um bloco econômico. Roteiro Considerando que no conjunto de países que compõe a América do Sul existem emergentes (Brasil, Argentina e Chile) e países em desenvolvimento, é possível pensar que a proposta de criação de um grande bloco econômico seria vitoriosa? Após refletir sobre a questão, considerando o que você estudou sobre os blocos econômicos, escreva um pequeno texto argumentativo defendendo a viabilidade ou não desse grande bloco econômico. 59 1P_UV_G8_LA_E12_C03_050A067.indd 59 5/24/12 3:33 PM Outros blocos O processo de globalização impõe uma integração cada vez maior das diversas partes do planeta, seja sob o plano político, social ou econômico. Nesse processo, emerge a necessidade de os países se organizarem em blocos: além da União Europeia, Nafta e Mercosul, há hoje vários outros, distribuídos pelos diversos continentes. Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec) A Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec, do inglês Asia-Pacific Economic Cooperation) foi criada em 1989. O bloco reúne 20 países, distribuídos entre Ásia, América e Oceania, o que representa cerca de 2,6 bilhões de pessoas, 60% do PIB e quase 50% do comércio mundial. A formação da Apec é resultado da iniciativa dos Estados Unidos e do Japão para promover a interdependência das economias da região pacífico-asiática, a partir de uma zona de livre‑comércio. Seu principal objetivo é reduzir taxas e barreiras alfandegárias, promovendo o desenvolvimento econômico regional. Porém, a Apec é hoje o bloco que apresenta o maior nível de diferenças econômicas, políticas e culturais. Roteiro A Apec reúne três das maiores economias mundiais: Estados Unidos, Japão e China. Escreva um pequeno texto demonstrando a importância econômica que o bloco apresenta hoje. Discuta seu texto com seus colegas. Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) A Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) foi criada em 1967, em plena guerra fria, por iniciativa da Tailândia, com o objetivo de acelerar o processo de desenvolvimento, aumentar a produtividade e competitividade entre os países-membros e manter a estabilidade política da região. Inicialmente reunindo cinco países, atualmente o bloco conta com dez integrantes. A Asean é mais um exemplo de zona de livre‑comércio que, recentemente, tem procurado ampliar as relações comerciais com países do Extremo Oriente: Japão, China e Coreia do Sul. ID/BR Apec e Asean 180° 160°O 140°O 120°O 100°O 80°O 60°O 40°O 20°O 0° OCEANO GLACIAL ÁRTICO 20°L 40°L 60°L 80°L 100°L 120°L 140°L 160°L 180° OCEANO GLACIAL ÁRTICO 80°N Círculo Polar Ártico 60°N 40°N Trópico de Câncer 20°N OCEANO Trópico de Capricórnio Países da Apec Países da Asean PACÍFICO OCEANO PACÍFICO Círculo Polar Antártico 0° OCEANO OCEANO ATLÂNTICO ÍNDICO Meridiano de Greenwich Equador 20°S 40°S 60°S OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO 0 80°S 3142 6284 km 1 cm – 3142 km Fonte de pesquisa: Asean. Disponível em : <http://www.aseansec.org/64.htm>. Acesso em: 7 mar. 2012; Atlas geográfico escolar. 4. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2007. p. 78. 60 1P_UV_G8_LA_E12_C03_050A067.indd 60 5/24/12 3:33 PM Em 1969, os países que têm como elemento natural comum a cordilheira dos Andes formaram o Pacto Andino, cujo objetivo era integrar as economias dos países da região. Mas a instabilidade política de vários de seus membros tornou o bloco inoperante. Somente na década de 1990 ocorreram novas negociações, que criaram a Comunidade Andina das Nações (CAN), mais conhecida como Comunidade Andina, a qual manteve o objetivo inicial do Pacto Andino, acrescentando o de atrair capitais internacionais para os países‑membros. Atualmente, o bloco é composto por Colômbia, Peru, Equador e Bolívia. Em 2008, foi criada a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), a qual integra as duas uniões aduaneiras da região: o Mercosul e a Comunidade Andina. Sua formação pode ser entendida como parte de um contínuo processo geopolítico de integração sul-americana. Inspirando-se no modelo da União Europeia, a Unasul é formada por 12 países. Entre seus objetivos encontra-se a integração da infraestrutura da região abrangida pelo bloco, com projetos de instalação de um corredor bioceânico – um sistema de estradas ligando o Atlântico ao Pacífico – e a futura implementação de um bloco com características de mercado comum. 80°O 40°O COLÔMBIA Equador 0° EQUADOR PERU BOLÍVIA 20°S nio de Capricór Trópico 40°S 0 União Europeia China Mercosul Restante do mundo 1000 2000 km 1 cm – 1000 km Fonte de pesquisa: Comunidad Andina. Disponível em: <http://www.comunidadandina.org/quienes.htm>. Acesso em: 19 mar. 2012. Roteiro Analisando o gráfico abaixo, como você classifica a importância do Mercosul para o comércio exterior da Comunidade Andina? Escreva um texto com as suas conclusões e discuta-o com seus colegas. sadc 20°L Trópico de Câncer Equador 0° OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO wich de Green Nafta ATLÂNTICO PACÍFICO iano Merid ID/BR Comércio exterior da Comunidade Andina das Nações (CAN): Exportações – 2010 OCEANO OCEANO Conferência de Coordenação para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) Criada em 1992, a Conferência de Coordenação para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) engloba 14 países do sul da África, região que enfrenta inúmeros problemas sociais e econômicos, como pobreza crônica, conflitos étnicos e elevada incidência de Aids entre a população. O bloco é uma zona de livre‑comércio que visa a promover o crescimento econômico de seus países-membros, reduzir a pobreza, manter a paz e a segurança, além de concretizar as relações históricas e culturais da região. ID/BR CAN ID/BR Comunidade Andina das Nações (CAN) e União de Nações Sul-Americanas (Unasul) Trópico de Capricórnio 0 1400 2800 km 1 cm – 1400 km Fonte de pesquisa: Estadísticas Andinas. Disponível em: <http://estadisticas.comunidadandina. org/eportal/Tema.aspx?codtema=21>. Acesso em: 19 mar. 2012. Fonte de pesquisa: Disponível em: <http://www.sadc.int/ geonetwork/images/sadcmap.gif>. Acesso em: 15 nov. 2011. 61 1P_UV_G8_LA_E12_C03_050A067.indd 61 5/24/12 3:33 PM Atividades 1. Analise o mapa abaixo e responda às ques tões que seguem: 3. Analise o gráfico abaixo e responda às ques tões a seguir. ID/BR ID/BR Fluxos do comércio internacional – 2008 Principais exportadores mundiais de vestuário – 2008 AMÉRICA DO NORTE 1678 PAÍSES DA ANTIGA URSS 425 China ÁSIA-PACÍFICO 3277 União Europeia Turquia Índia Vietnã EUROPA 4963 Indonésia Estados Unidos ORIENTE MÉDIO 642 AMÉRICA LATINA 429 México Tailândia Paquistão ÁFRICA 363 Malásia Sri Lanka Tunísia Parte das trocas comerciais realizadas no interior da região Fluxo comercial entre as regiões Parte das trocas comerciais realizadas fora da região Montante total do comércio de mercadorias Fonte de pesquisa: Le monde diplomatique. Disponível em: <http://www. monde-diplomatique.fr/cartes/>. Acesso em: 21 mar. 2012. a) Quais são as regiões do mundo com maior participação no comércio mundial de mercadorias? b) Que regiões apresentam maior intercâm bio comercial com o exterior do que em seu próprio interior? Baseado nos conhe cimentos desenvolvidos em seus estudos sobre os blocos econômicos, explique por que isso ocorre. 2. Analise a charge a seguir e escreva um texto Disponível em: <http://boulesteix.blog.lemonde.fr/ files/2008/07/02-03-omc.1216707994> discutindo as diferenças de oportunidades entre as duas partes representadas como parceiras no comércio internacional. Fonte de pesquisa: <http://www.wto.org/spanish/res_s/statis_s/ its2011_s/its11_merch_trade_product_s.htm>. Acesso em: 21 mar. 2012. a) Quais são os dois maiores exportadores mundiais de vestuário? b)Dos países representados no gráfico, quais se localizam no continente asiático? c) Levante uma hipótese para a localização dos cinco maiores exportadores de roupa, com exceção dos países da União Europeia. 4. Leia o texto abaixo, em que se expressa a opi nião do ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil, e responda às questões que se seguem: Segundo Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, “o acordo abre caminho para a verdadeira integração da América do Sul”. Além da redução gradual de tarifas, o acordo possibilitará negociações bilaterais entre o Mercosul e países do bloco andino. Fonte de pesquisa: UOL. Disponível em: <http://educacao.uol.com. br/atualidades/mercosul-e-a-comunidade-andina-lula-assinaacordo-e-preve-aproximacao-economica-com-peru.jhtm>. Acesso em: 15 nov. 2011. a) Qual é o acordo a que se refere o ex-ministro? b) Qual dos dois blocos que se integraram é mais importante? Apresente uma evidên cia que comprove sua resposta. 62 1P_UV_G8_LA_E12_C03_050A067.indd 62 5/24/12 3:33 PM Estudo de caso As hidrovias do Mercosul Com extensão de cerca de 3 400 km, ela serve a cinco países: Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai. Se um dos objetivos mais importantes dos blocos econômicos é a integração de seus membros e o desenvolvimento das trocas comerciais, a expansão da rede de transportes é fundamental. Também em relação aos transportes, a União Europeia é um exemplo: internamente, milhões de toneladas de mercadorias de todos os tipos circulam por cerca de 30 mil quilômetros de vias navegáveis, incluindo rios e canais artificiais. Para o Mercosul, as hidrovias também têm se tornado importantes, podendo-se mencionar a do Tietê-Paraná e a do Paraguai-Paraná. Uma nova hidrovia: Rio Grande do Sul ‑Uruguai A hidrovia Paraguai-Paraná 50°O ID/BR 60°O Cáceres BOLÍVIA Após um século de estudos, Brasil e Uruguai entraram em acordo sobre a divisão das águas da lagoa Mirim entre os dois países. O passo seguinte é a criação de um sistema de navegação que a aproveite para transportar cargas e pessoas, garantindo um avanço considerável nas trocas comerciais no interior gaúcho e entre os dois países. Através da lagoa, é possível criar uma hidrovia que ligue Estrela e Cachoeira do Sul, no interior do Rio Grande do Sul, passando por Porto Alegre, com La Charqueada, no interior do Uruguai. Quando concluída, a hidrovia será mais um passo na integração dos países do Mercosul. Porto Quijarro ai gu U o Ri ra í Porto Alegre Ri o Ur Rio Camaquã 30°S Capital de país Cidade Porto/cidade Limite de país URUGUAI URUGUAI Capital de estado Cidade Hidrovia ID/BR OCEANO ATLÂNTICO do 32°S ão ar ug ua i OCEANO ATLÂNTICO Santa Fé Diamante Rio Sino Rio Gravatai Porto Alegre c Va Cachoeira do Sul a Encarnação ARGENTINA o Ri Ri o Ja g u Corrientes Rio Caí Estrela í Rio Jac uí a ac s itã apu ua Rio das Antas RS go á an Pa r o Ri ru Q 50°O 28°S ari o g Ja SC i La Rio Paraguai a Ri Cidade de Leste o Ri Ibir Villeta Paranaguá Rio Assunção ri ua uí Rio Ibic gua u Taq Concepção Ijuí ARGENTINA Uru Rio Rio BRASIL árze da V Porto Murtinho PARAGUAI Rio 55°O Rio Paraná Rio rnio Trópico de Capricó A hidrovia Rio Grande do Sul-Uruguai os 20°S Pa t Porto Busch La Charqueada Rio Grande Lagoa Mirim 0 165 330 km 1 cm – 165 km Rio Jaguarão Buenos Aires Nova Palmira Rio Montevidéu da Pra ta 0 280 560 km Fonte de pesquisa: Dnit. Disponível em: <http://www.dnit.gov.br/hidrovias/ hidrovias-interiores/hidrovia-do-mercosul/>. Acesso em: 30 abr. 2012. 1 cm – 280 km Fonte de pesquisa: Diamante Coronda. Disponível em: <http://www.diamantecoronda.com.ar/mapas/hidrovia64k.jpg>. Acesso em: 15 nov. 2011. A hidrovia Tietê-Paraná atende ao Centro-Sul do Brasil, sendo considerada uma importante via de transporte das commodities produzidas na região. Já está prevista sua interligação com a hidrovia do Paraguai. A hidrovia Paraguai-Paraná é um extenso e importante eixo de integração política, social e econômica do Mercosul. Ela corta metade da América do Sul: tendo início em território brasileiro, no porto de Cáceres (MT), segue para o sul até alcançar o rio Paraná e o da Prata, chegando ao porto de Nova Palmira, no Uruguai. Agora é a vez do seu caso 1. Quais são as vantagens do transporte hi droviário? 2. Na região onde você vive há hidrovias? Quais? 3. Utilizando seus conhecimentos geográ ficos sobre o Brasil, você acredita que nosso país tem potencial para utilizar em larga escala o transporte hidroviário? Justifique sua resposta. 63 1P_UV_G8_LA_E12_C03_050A067.indd 63 5/24/12 3:33 PM Cartografia Como construir e interpretar um mapa com figuras proporcionais As informações fornecidas por um mapa são fundamentais para que se conheça mais profundamente um determinado espaço (continente, país, região, estado, município) ou mesmo o espaço terrestre em seus vários aspectos. Existem mapas que mostram quantidades (ou proporções) de um fenômeno por meio de figuras geométricas (círculos, quadrados, retângulos) proporcionais. Cada figura colocada no mapa tem um tamanho que é determinado pela quantidade do fenômeno representado e que é o tema do mapa. Uma das figuras utilizadas para representar quantidades é o retângulo que, representando um valor, é colocado no local onde ocorre o fenômeno. Cada local terá um retângulo que representará o respectivo valor. O importante é que se mantenha a proporcionalidade. Proposta de trabalho O comércio mundial não é igual em todas as regiões do globo. Cada uma apresenta uma participação diferente no fluxo comercial. A proposta de trabalho é produzir um mapa com os movimentos de exportação e importação de cada região do globo e, após concluído o mapa, analisá-lo. A primeira tabela mostra a participação porcentual de cada região do globo nas exportações de mercadorias. Siga as etapas do trabalho: 1) Com uma régua, represente em cada região ou continente do planisfério a seguir os valores da tabela. Por exemplo, a América do Norte exportou 13,3% das mercadorias que circularam no mercado mundial. No mapa, trace a lápis uma coluna de 13 milímetros (1 centímetro e 3 milímetros). Faça o mesmo com cada uma das outras regiões constantes da tabela. 2) Escolha uma cor e pinte todas as colunas desenhadas. A seguir, construa uma legenda no canto inferior esquerdo do mapa. Para tanto, faça um quadradinho, pinte com a mesma cor das colunas e escreva Exportações. Dados de exportação: Exportações mundiais de mercadorias por região (%) – 2009 Região do globo Porcentagem das exportações mundiais América do Norte 13 América do Sul e Central 4 Europa 41 CEI 4 África 3 Ásia 28 Oceania 2 Fonte de pesquisa: OMC. Disponível em: <http://www.wto.org/french/res_f/statis_f/its2010_f/its10_toc_f.htm>. Acesso em: 20 mar. 2012. 64 1P_UV_G8_LA_E12_C03_050A067.indd 64 5/24/12 3:33 PM 3) Faça o mesmo procedimento com as importações. Em cada região será traçada uma coluna. Por exemplo, a coluna representando a África terá 3 milímetros e será colocada próxima a outra coluna já desenhada. 4) Escolha uma cor para essas colunas e pinte-as. Complete a legenda. Importações mundiais de mercadorias por região (%) – 2009 Região do globo Porcentagem das importações mundiais América do Norte 18 América do Sul e Central 4 Europa 42 CEI 3 África 3 Ásia 26 Oceania 2 Fonte de pesquisa: OMC. Disponível em: <http://www.wto.org/french/res_f/statis_f/its2010_f/its10_toc_f.htm>. Acesso em: 20 mar. 2012. ID/BR 5) Escreva o título na parte superior do mapa: COMÉRCIO MUNDIAL DE MERCADORIAS – 2009. 6) Na parte inferior do mapa coloque a fonte dos dados – Fonte: Organização Mundial do Comércio. 7) Analise o mapa e responda: a) Quais são as regiões que mais se destacam no comércio mundial? b) Quais são as regiões do globo que apresentam déficit comercial, ou seja, importam mais do que exportam? c) “Os países desenvolvidos (ou do Norte) dominam o comércio mundial.” Como essa afirmação pode ser comprovada? Escreva uma justificativa com base na análise do mapa. 180° 160°O 140°O 120°O 100°O 80°O 60°O 40°O 20°O 0º 20°L 40°L 60°L 80°L 100°L 120°L 140°L 160°L 180° OCEANO GLACIAL ÁRTICO 80°N Círculo Polar Ártico 60°N 40°N Trópico de Câncer 20°N OCEANO PACÍFICO Equador Trópico de Capricórnio Círculo Polar Antártico 0º OCEANO ATLÂNTICO OCEANO ÍNDICO 20°S Meridiano de Greenwich OCEANO PACÍFICO 40°S 60°S OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO 0 80°S 2715 5430 km 1 cm – 2715 km Fonte de pesquisa: 65 1P_UV_G8_LA_E12_C03_050A067.indd 65 5/24/12 3:33 PM Ampliando horizontes As cidades globais Moirenc Camille/Hemis/ZUMAPRESS.com/Easypix Nas cidades globais, ocorrem dois processos econômicos principais. O primeiro deles é o “grande crescimento da globalização da atividade econômica” por causa da complexidade das transações em dinheiro ou crédito entre os mercados internacionais. O segundo processo “é a intensidade cada vez maior da prestação de serviços na organização de todas as indústrias”, porque as cidades são “lugares fundamentais para a produção de serviços destinados às empresas”, por causa da crescente demanda por serviços oferecidos, preferencialmente, nos ambientes urbanos. Para ficar mais claro para o leitor, esses serviços podem ser assim arrolados: desenvolvimento de projetos arquitetônicos, administração e qualificação de pessoal, elaboração de novas formas e tecnologia de produção, administração de logística de transportes, ma- nutenção de equipamentos, oficinas de comunicações, distribuição de mercadorias por atacado, publicidade, serviços de limpeza terceirizados, serviços de segurança, armazenamento de produtos embalados, etc. Os grandes centros financeiros e comerciais com status de cidades globais, que representam os nós dessa nova geografia das redes são: Nova York, Londres, Tóquio, Paris, Frankfurt, Amsterdã, Sidney, Hong Kong, Cidade do México e São Paulo. Outro aspecto que se deve compreender é o fato de que eventos distantes podem provocar consequências diretas na dinâmica urbana. Investimentos de monta, como a instalação de estabelecimentos industriais com significativa capacidade de produção tecnológica, modificam, diretamente, a estrutura populacional do lugar, porque exigem a participação de pessoas altamente qualificadas que não residem, necessariamente, na cidade em que eles serão instalados. A sinergia criada por esse estabelecimento, por sua vez, pode ocasionar a instalação de outros que abriguem atividades complementares àquelas concernentes ao pivô do raciocínio. E essas mudanças podem, por fim, ser observadas na própria organização do espaço da cidade, nos fluxos viários, na qualidade das moradias, na massa salarial incorporada ao comércio local, etc. Vista de Nova York (Estados Unidos), uma cidade global. Foto de 2009. Eliseu Savério Sposito. Redes e cidades. São Paulo: Ed. da Unesp, 2008. p. 79-80. ATIVIDADES 1. O autor do texto afirma que as cidades globais são “lugares fundamentais para a produção de serviços destinados às empresas”. Apresente uma justificativa para essa afirmação. 2. A cidade de São Paulo é uma cidade global. Faça uma pesquisa e apresente dois fatores que justificam essa afirmação. 3. A cidade (ou estado) em que você vive apresenta relação econômica ou cultural com algu ma cidade global? Justifique sua resposta. 66 1P_UV_G8_LA_E12_C03_050A067.indd 66 5/24/12 3:33 PM Síntese da unidade Atividade síntese da unidade Os mapas podem sintetizar vários conhecimentos. O mapa apresentado a seguir mostra por meio de cores como se realiza o processo de globalização em cada parte do mundo. ID/BR Tipologia dos países diante da globalização 135°O 90°O 45°O 0° 45°L 90°L 135°L OCEANO GLACIAL ÁRTICO Círculo Polar Ártico RÚSSIA CANADÁ EUROPA OCIDENTAL 45°N ESTADOS UNIDOS JAPÃO CHINA Trópico de Câncer ÍNDIA OCEANO PACÍFICO Equador 0° OCEANO PACÍFICO BRASIL INDONÉSIA OCEANO ÍNDICO OCEANO ATLÂNTICO Meridiano de Greenwich Trópico de Capricórnio Círculo Polar Antártico AUSTRÁLIA ÁFRICA DO SUL 45°S OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO 1. Países hegemônicos 2. Países marginalizados e com economias muito frágeis 3. Países integrados autônomos 4. Países assolados por crises e guerras civis 5. Limites norte-sul 6. Países integrados, mas dependentes (fornecedores de matérias-primas ou de recursos energéticos) 0 2525 5050 km 1 cm – 2525 km Fonte de pesquisa: La Documentation Française: La librairie du citoyen. Disponível em: <http://www. ladocumentationfrancaise.fr/dossiers/afrique-subsaharienne-decolonisation-mondialisation/cartes.shtml>. Acesso em: 21 mar. 2012. 1) Forme um grupo com seus colegas. A classe formará cinco grupos e cada um vai pesquisar um dos tipos de país apresentados no mapa. 2) Ligue a legenda com os símbolos e as cores adequadas ao mapa. 3) Pesquise dados sobre: • as relações do grupo com as potências no período da guerra fria; • as características econômicas (grau de industrialização/país emergente/país desenvolvido, etc.); • a participação no comércio mundial. 4) Em um dia marcado pelo professor, cada grupo apresentará o resultado de sua pesquisa. 67 1P_UV_G8_LA_E12_C03_050A067.indd 67 5/24/12 3:33 PM