A UNIÃO EUROPEIA QUE CONSTRUÍMOS O Fundo de Coesão na vida dos Portugueses 1993 - 2007 2 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA AGRADECIMENTOS Agradecemos a todos os que colaboraram com entusiasmo na realização deste Livro e pacientemente esperaram por vê-lo divulgado. Coordenação Nacional do Fundo de Coesão 3 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA ÍNDICE APRESENTAÇÃO 07 CAPÍTULO I – A VISÃO DA GESTÃO MUDAR PORTUGAL Fazer Acontecer Coordenação Nacional – As pessoas são o segredo do sucesso Madeira – Solidez do modelo organizacional Açores – Flexibilidade dos critérios decisiva Ambiente – Envolvimento crescente numa lógica de parceria Transportes – A mais-valia da experiência As Equipas de Trabalho 11 13 15 19 25 29 31 36 CAPÍTULO II – ENTRE O PASSADO E O FUTURO OLHARES SOBRE UM PERCURSO Um Balanço para o Futuro Uma Tarefa tão Difícil como Aliciante 4 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA 39 41 47 ÍNDICE CAPÍTULO III – OBJECTIVOS VISADOS ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO Um País mais Equilibrado Melhores Acessos, menos Sinistralidade Transportes menos Poluentes Novas Parcerias pelo Ambiente De Lixo a Recurso 61 63 67 70 72 78 CAPÍTULO IV – OBRA FEITA TESTEMUNHAS DA MUDANÇA Das Lixeiras às Centrais de Valorização Energética Mais Qualidade na Torneira, menos Poluição nos Rios Água como Fonte de Energia Portos Abertos ao Futuro Vias para a Coesão Uma Ponte Inovadora Transporte com Conforto e Segurança Uma Pista sobre o Atlântico Uma Plataforma entre a América e a Europa Os Projectos e os Executores do Fundo de Coesão 85 87 97 111 115 125 131 135 139 143 147 5 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Contribuíram para este livro, através do seu testemunho directo, vinte e nove pessoas nove das quais ligadas à gestão do Fundo e vinte à execução os projectos. O agradecimento que lhes é devido dispensa o enumerar dos respectivos nomes já que se torna fácil a respectiva identificação no texto. 6 Porém há um nome que justifica uma referência explícita, Jean François Verstrynge personalidade incontornável na criação do Fundo de Coesão a nível da União Europeia, dotado de uma visão estratégica com a qual sempre se manteve coerente e aliado desde o primeiro dia dos TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA interesses portugueses; conhecedor ao detalhe da situação de cada projecto, manteve connosco uma relação de proximidade atenta e estimulante, apostando persistentemente nas nossas capacidades. Já tinha abandonado funções na Comissão Europeia quando aceitou participar neste livro e também por isso lhe é devido um especial agradecimento. Além das cento e dezassete pessoas referenciadas a nível das equipas de gestão do Fundo, até à sua integração no Programa Operacional de Valorização do Território na fase de sobreposição com o período 2007-2013, foram determinantes para a concretização da obra que justifica este livro numerosas equipas as- sociadas à execução dos projectos e a serviços da administração com eles relacionados. Todos cabem no agradecimento comum da mesma forma que todos terão razões para se sentirem gratos por uma experiência profissional que não os terá deixado indiferentes na satisfação de verem o seu esforço transformado em melhorias concretas das condições de vida das pessoas que vivem em Portugal e de maior comodidade para as que nos visitam. APRESENTAÇÃO A ideia que presidiu ao projecto deste livro foi a mesma que norteou a gestão nacional desde o seu início, em 1993: tão importante como a oportunidade de concretizar investimentos com grande visibilidade foi a determinação com que as pessoas envolvidas se empenharam no processo de melhorar as condições de vida em Portugal. Com esse espírito se trabalhou para mudar Portugal em dois sectores chave – os Transportes e o Ambiente. vem ser retidas e partilhadas. A memória que se pretende preservar com este livro não tem objectivos de protagonismo, a maioria dos que foram os seus actores partiram já para rumos diferentes como o próprio Fundo fez a sua evolução. Porém aquilo que se construiu em conjunto ultrapassa a obra e é, como ela, um bem comum que deve ser devolvido ao público para quem tivemos o privilégio de trabalhar. 7 O trabalho que aqui se relata não teve a visibilidade das obras que aí estão falando por si, porém foi rico em lições aprendidas que de- TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA O texto apresentado resulta de um olhar de jornalista sobre as contribuições dos diferentes participantes e divide-se em quatro partes: - A visão da gestão, em que se destacam os factores chave identificados por cada entidade em torno do objectivo comum e em equipas que se empenharam em “Fazer acontecer a mudança de Portugal”; 8 - Um conjunto de reflexões sobre o passado e o futuro do Fundo em jeito de mesa redonda à volta de questões comuns; - O resumo das estratégias de intervenção nos sectores e subsectores visados; TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA - O testemunho de vinte entidades ligadas à concretização da obra no terreno. Finalmente o livro inclui a lista dos investimentos aprovados entre 1993 e 2006, com indicação dos montantes envolvidos e das entidades executoras. Esta publicação não pretende substituir-se à regular prestação de contas que se vem mantendo em sede própria, trata-se antes de apresentar uma visão global dos recursos mobilizados e sectores envolvidos assim como dos objectivos por que se nortearam. APRESENTAÇÃO Não se previa que a obra viesse a ser divulgada num clima de tantas interrogações sobre a Europa que construímos, mas continuamos firmes na convicção de que a União Europeia nos transforma não porque sejamos receptores passivos das suas contribuições ou exigências mas porque somos parte dela e protagonizamos os seus sucessos ou insucessos, competindo-nos encontrar em conjunto os caminhos de uma coesão cada vez mais efectiva. Este é também o tempo de nos interrogarmos sobre como e para quê ou para quem trabalhamos, foram interrogações dessas que nos moveram e por isso acreditamos que é oportuno e relevante partilhar estes testemunhos. O tempo “esse grande escultor” se encarregará de dar a esta fase da nossa História o seu justo valor. No nosso tempo de vida cabenos a responsabilidade de corresponder às oportunidades que nos são dadas e partilhar de graça o que de graça se recebeu. 9 Coordenação Nacional do Fundo de Coesão TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA TODOS SOMOS TODOS SOMOS UNIÃO UNIÃOEUROPEIA EUROPEIA CAPÍTULO I A VISÃO DA GESTÃO MUDAR PORTUGAL Ao longo de 16 anos, o País mudou com o Fundo de Coesão. Ambiente e Transportes foram os sectores visados. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA CAPÍTULO I FAZER ACONTECER Os gestores operacionais têm, acima de tudo, a missão de Fazer Acontecer. No tempo e no espaço. Com qualidade e rigor para que os resultados possam traduzir o trabalho de muitas pessoas. Uma aprendizagem partilhada, na certeza de que todos ganham com o progresso de cada um. Optimizar soluções para alcançar resultados é, per se, a definição de gestão. Por isso nos propomos ver quais as intervenções que, na perspectiva dos gestores, retratam uma década e meia de trabalho. A eles coube a tarefa de gerir meios – financeiros, técnicos e humanos – para alcançar resultados. Ao longo de 16 anos o País mudou com o Fundo de Coesão. A capacidade de encontrar respostas adequadas, no seio das instituições e no diálogo entre estas, foi decisiva. O empenho das equipas numa colaboração estreita com a Coordenação Nacional foi a pedra de toque. “Fazer Acontecer” foi o mote partilhado por todos Portugal está melhor nas perspectivas primordiais que diferenciam as intervenções do Fundo de Coesão – os dois sectores estratégicos que são o Ambiente e os Transportes. 13 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA REUNIÃO DA COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO, EM LISBOA Duas vezes por ano, mais de 100 participantes partilham a informação sobre a evolução das obras em curso 14 os participantes na gestão do Fundo, na modelação de uma base de intervenção sustentada, alicerçada na lógica de parcerias e de articulação institucional que favorece a continuação de uma abordagem estratégica integradora e orientada para a melhoria do serviço prestado. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Cada projecto e todas as pessoas que contribuem para a sua realização não são ilhas isoladas mas malhas de uma grande rede em que todos ganham com o progresso de cada um. FRANCISCA CORDOVIL COORDENAÇÃO NACIONAL COORDENAÇÃO NACIONAL As pessoas são o segredo do sucesso Responsável pela Coordenação Nacional do Fundo de Coesão desde o início, Francisca Cordovil acredita na União Europeia como instrumento de valorização das pessoas. Acima de tudo, as pessoas. Mais do que meros beneficiários de fundos financeiros, “as pessoas são os verdadeiros agentes de transformação do País”. Daí a importância que se dá, numa altura em que está em curso uma nova etapa, à promoção de “uma reflexão aberta sobre aquilo a que nos temos dedicado, o que aprendemos durante estes anos, o que foi possível mudar”. Afinal, convém não esquecer “um grande número de cidadãos europeus que apostaram em nós o seu capital, o seu saber, e connosco partilharam uma parte importante da riqueza criada pelo seu trabalho”, sublinha Francisca Cordovil. Nesta reflexão, complementar às avaliações regulamentares, torna-se fundamental relatar as “histórias de pessoas cujos objectivos comuns visaram ajudar a melhorar as condições de vida de muitas outras pessoas”. E, ao longo do percurso, Francisca Cordovil salienta a capacidade de recriação da própria Administração Pública, que “foi construindo novas formas de chamar a si a capacidade de realização de parceiros externos, até na própria 15 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA EQUIPA DE PROJECTO 2003 constituição das equipas de projecto e no desenvolvimento de maneiras mais efectivas de articular diferentes serviços, ganhando uma consciência cada vez mais nítida da importância dos resultados finais”. 16 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Esta mudança na abordagem da gestão, apoiada na cooperação institucional e orientada para os resultados, valoriza o factor aprendizagem. “Histórias de prestadores de bens e serviços que responderam a desafios, por vezes complexos”, por terem concretizado obras que “mudaram a vida das pessoas, aprofundaram, diversificaram e partilharam saberes, procuraram as melhores alianças e aperfeiçoaram os seus procedimentos”. Personalidades e experiências diversas, comungando o espírito de valorização para as “gerações futuras”, acreditando que “era possível” também realizar “sonhos”. E, sobretudo, olhar para o futuro com a perspectiva de “novos sonhos e novos desafios”. À boa maneira portuguesa, “é mais fácil esquecer os sucessos do que os insucessos”, mas a Coordenadora Nacional considera que “aprendemos muito mais com os insucessos do que com os sucessos” desde que “estejamos dispostos a tirar deles as lições devidas”. Francisca Cordovil destaca uma fase decisiva mas prévia à apresentação dos projectos ao Fundo de Coesão, ou seja, quando se definem objectivos para os investimentos a realizar em ciclos de sete anos. Um exercício que “era mais simplificado no primeiro período (1993-1999)”, tendo caminhado para mais pormenor e complexidade na fase seguinte (2000-20007). Mas hoje é “uma prática enraizada em vários sectores e patente nos diversos planos estratégicos que suportaram a preparação do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) para o período de 2007-2013”. A aprovação de cada projecto depende da análise custo-benefício, não só do ponto de vista económico mas social, ambiental e territorial, envolvendo diversos actores com saberes e competências específicos. E a evolução do Fundo de Coesão permitiu aprender “que cada projecto e todas as pessoas que contribuem para a sua realização não são ilhas isoladas mas malhas de uma grande rede em que todos ganham com o progresso de cada um”. Nesta lógica win-win, “os melhores custos e os melhores calendários não são os mais curtos, mas os mais realistas”, e “as melhores soluções não são as mais fáceis mas as que dão mais garantias de qualidade de prestação e durabilidade”. Face à “multiplicidade de objectivos a servir – resposta atempada, visão estratégica, economia de meios, qualidade de serviço, transparência e rigor – e à multiplicação de regulamentos e exigências” colocam-se, por vezes, “dilemas difíceis aos decisores”. 17 ESPÍRITO DE VALORIZAÇÃO Personalidades e experiências diversas, comungando o espírito de valorização para as “gerações futuras”. VISITA DA DELEGAÇÃO ESLOVENA A PROJECTOS DO FUNDO DE COESÃO EM 2004 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA MEROS CAMINHOS Os procedimentos são “meros caminhos que devem ser julgados pelas facilidades que criam e devem ser capazes de se adaptar quando deixam de responder eficazmente” 18 Por isso, outra lição preciosa é a de que “os objectivos se devem servir mutuamente em vez de se erigirem em deuses absolutos num Olimpo que tenderia para o caos”. Na verdade, a dificuldade de conciliação não está nos objectivos, mas nos procedimentos que pretendem servi-los. em que o “aprender fazendo” é um conceito fundamental na modernização das sociedades, é importante interiorizar que “algumas lições estão bem no princípio”, do mesmo modo que “outras têm que ser reaprendidas porque as condições já não são as mesmas”. E os procedimentos são “meros caminhos que devem ser julgados pelas facilidades que criam e devem ser capazes de se adaptar quando deixam de responder eficazmente”. Nestes tempos A reestruturação das instituições, em curso, é um processo complexo e profundo, mas apesar das “muitas dificuldades” deve ser “encarada como uma oportunidade única”. Porque, TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA em jeito pessoano, “Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…” De facto, o espírito de serviço público é um valor incontornável em Francisca Cordovil, para quem é prioritária “a capacidade de reflectirmos sobre o modo como fazemos o que fazemos, como podemos melhorar isso, como podemos transmitir aos outros a nossa experiência saindo dos muros que a separam da vida das pessoas que temos por missão servir”. Houve alterações substanciais nos modelos de organização interna, orientados para uma gestão de cariz mais empresarial. SÍLVIO COSTA MADEIRA MADEIRA Solidez do modelo organizacional Sílvio Costa, Presidente do Conselho Directivo do Instituto de Gestão de Fundos Comunitários – Região Autónoma da Madeira (RAM), reitera o carácter “estruturante” das acções financiadas pelo Fundo de Coesão na região, sendo um “inegável contributo para a melhoria da qualidade de vida das populações”. Recordando especialmente o primeiro período de aplicação do Fundo de Coesão, entre 1993 e 1999, Sílvio Costa considera que uma das principais virtudes foi o impacto na “organização do sector do ambiente”, com os próprios executores a sentirem necessidade de “introduzir alterações substanciais” nos respectivos modelos de organização interna, orientados para uma “gestão de cariz mais empresarial”. Por exemplo, no projecto Interligação das Principais Origens de Água da Ilha da Madeira, cujo executor foi o Instituto de Gestão da Água, “assistiu-se à criação da sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos designada IGA – Investimentos e Gestão da Água, SA”. Na Unidade de Valorização de Resíduos Sólidos da Ilha da Madeira também se evoluiu de uma restrita equipa técnica, no seio da então Secretaria Regional do Equipamento Social e Ambiente, para a criação da Valor Ambiente – Gestão e Administração de Resíduos da Madeira, SA, uma sociedade anónima de capitais públicos. 19 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA OBRAS QUE MARCARAM Uma das obras emblemáticas do Fundo de Coesão. Ao adequar a pista para que aviões de maior porte pudessem utilizar o aeroporto, a obra trouxe segurança e contribuiu para o desenvolvimento da indústria do turismo AEROPORTO DA MADEIRA 20 No outro grande eixo de intervenção sectorial – os Transportes –, o projecto de ampliação do Aeroporto da Madeira “veio alterar completamente a imagem da infra-estrutura, tornando-a mais autónoma e segura”, sublinha o Gestor Regional. Isto porque “com a ampliação da pista foi possível alcançar uma série de objectivos, entre os quais uma maior qualidade do serviço prestado em voos de médio e longo curso, que poderiam fazer aqui uma escala técnica tendo em vista o abastecimento de TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA combustível necessário para o percurso em causa”. Dois exemplos que ultrapassam as infra-estruturas na medida em que foram projectos que dotaram as instituições de outra capacidade de resposta, num binónio autonomia-responsabilidade orientado para a melhoria do serviço às populações. Na segunda fase do Fundo de Coesão, entre 2000 e 2006, os cinco projectos aprovados (dois nos Transportes e três no Ambiente) visam a conclusão de um ciclo. O principal objectivo estratégico nos Transportes envolve “a reorganização do sector portuário através da construção de um porto comercial no Caniçal e da reestruturação do porto do Funchal”, afirma Sílvio Costa. Assim, “com a transferência das funções comerciais de mercadorias do porto do Funchal para o do Caniçal e consequente especialização do porto do Funchal como porto de passageiros e turismo, promove-se uma melhor integração deste porto na cidade do Funchal”. REORGANIZAÇÃO DO SECTOR PORTUÁRIO A construção do porto comercial no Caniçal e a reestruturação do porto do Funchal, agora vocacionado para passageiros, cumpriram um dos objectivos estratégicos para a área dos transportes na Região Autónoma da Madeira PORTO DO CANIÇAL Na área do Ambiente, os projectos seleccionados pelo Fundo de Coesão “inserem-se precisamente nos subsectores de abastecimento de água e de saneamento básico”, que são tutelados pela Secretaria Regional de Ambiente e Recursos Naturais, em conformidade com a prioridade definida na Estratégia para a RAM de fecho dos sistemas iniciados. 21 PORTO DO FUNCHAL TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA OS NÚMEROS DA AMPLIAÇÃO 3500 000 m3 de escavações 3400 000 m3 de aterros 26 000 m de estacas 340 000 m3 de betão estrutural 32 000 t de aço em armaduras passivas 9700 t de aço de alta resistência para pré-esforço A OBRA DO SÉCULO Depois das obras de ampliação da pista, o Aeroporto da Madeira é considerado o Óscar das estruturas de engenharia em Portugal. Mil metros a mais no comprimento da pista trouxeram segurança e permitiram ganhar 20% de passageiros, superando a fasquia dos 20 mil aviões por ano. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA A obra, concebida por António Segadães Tavares, revestiu-se de enorme complexidade técnica. Assenta parcialmente em laje sobre o mar, tendo sido necessário efectuar um aterro para suportar os 180 pilares da parte nova da estrutura. Em 2007 o número de passageiros aproximou-se dos 2,5 milhões, cem vezes mais do que na sua inauguração em 1962. Em 2004 a estrutura de ampliação venceu o Prémio IABSE OStrA (Oustanding Structures Award) – o Prémio Internacional de Engenharia de Estruturas (pela primeira vez atribuído a uma obra nacional, concebida e executada pela engenharia portuguesa) depois de já ter sido eleita, pela Ordem dos Engenheiros, uma das “100 Obras de Engenharia Civil do Século XX”. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA GESTÃO DE RESÍDUOS Após um investimento muito significativo na primeira fase, a segunda fase assenta na gestão integrada e na sensibilização das populações INSTALAÇÃO DE INCINERAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS DA VALOR AMBIENTE 24 No caso dos recursos hídricos, o objectivo dos investimentos é “maximizar a sua utilidade social, económica e ambiental através da sua exploração e valorização, numa lógica de preservação e de sustentabilidade”, salienta Sílvio Costa. Em termos concretos, as intervenções visam dotar a RAM de um sistema com a gestão optimizada que possibilite TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA a rentabilização e a exploração dos sistemas de água enquanto factores estruturantes do desenvolvimento regional. E, para tal, é necessária a “satisfação das necessidades das diversas utilizações – abastecimento público, regadio, produção de energia”. Já no segmento dos resíduos sólidos, a ênfase assenta na concretização da segunda fase do projecto integrado de gestão de resíduos através da “construção das estações de transferência e triagem de resíduos sólidos da RAM e do lançamento de acções de sensibilização das populações e educação ambiental com o propósito de prevenir a produção de resíduos”, conclui Sílvio Costa. Uma linha de acção que favoreceu o desenvolvimento de parcerias e a articulação entre promotores. RUI AMANN AÇORES AÇORES Flexibilidade dos critérios decisiva Rui Amann, Director da Direcção Regional de Estudos e Planeamento – DREPA, começa por sublinhar que “não foi tarefa fácil o acesso ao Fundo de Coesão nos Açores”. Razões? Uma região “insular, periférica, com fraco potencial demográfico e um território disperso por nove ilhas” são características que “não se coadunavam com os critérios exigentes ao nível das elegibilidades e do volume financeiro necessário para aceder” ao Fundo de Coesão. Daí que até 2000 “a negociação entre o Governo dos Açores e o Governo da República, no âmbito da afectação das dotações dos fundos estruturais, compreendia alguma compensação no programa regional comparticipado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional – FEDER, face às dificuldades de acesso ao Fundo de Coesão”, explica o gestor. Neste último período de programação “muito mudou”, argumenta. Não só porque a relativa “flexibilidade permitia que a escala das obras realizadas nos Açores fosse compatível com 25 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA ATERRO SANITÁRIO A DREPA ficou com as responsabilidades de entidade executora na construção do aterro sanitário da ilha Terceira. ATERRO SANITÁRIO DA ILHA TERCEIRA a admissibilidade ao Fundo de Coesão”, mas também porque se proporcionava “uma candidatura da região a partir de um agrupamento de projectos”. 26 Assim, o trabalho centrou-se na “preparação de uma candidatura relativa ao tratamento e destino final de resíduos sólidos nas três maiores ilhas do arquipélago, TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA associando vontades e meios entre três associações de municípios”. Uma linha de acção que favoreceu o desenvolvimento de parcerias e a articulação entre promotores, embora faltasse “um interlocutor único para a Comissão Europeia”, recorda Rui Amann. Aí há o empenho das pessoas. Rui Amann evoca o saudoso Carlos Mendonça, com o seu ar tão característico mas tão cativante, algures entre o sério e compenetrado e o divertido e “gozão”, que, nas instalações do antigo aterro sanitário da ilha Terceira, incentivou a “DREPA a ficar com as responsabilidades de entidade executora deste grupo de projectos”. “Vamos para a frente”, foi o repto de Carlos PORTO DE SÃO ROQUE - ILHA DO PICO INTERVENÇÕES NOS PORTOS As obras nos portos dos Açores exigiram uma montagem financeira complexa entre o Fundo de Coesão e o FEDER PORTO DE SÃO ROQUE - ILHA DO PICO Mendonça que todos acolhemos porque “sabíamos que tinha de ser assim e que já não era só a coordenação regional dos projectos, mas também algo diferente. Claro que nem tudo correu bem”, conclui Rui Amann. O porto de S. Roque, no Pico, a Aerogare das Lajes e o porto da Praia da Vitória, ambos na Terceira, e por último “as Portas do Mar”, em Ponta Delgada, na ilha de S. Miguel, foram projectos financiados pelo Fundo de Coesão. O de Ponta Delgada, talvez “o de maior escala e impacte”, exigiu “uma montagem financeira mais complexa entre o Fundo de Coesão e o FEDER, este último repartido entre o programa operacional regional e o programa de âmbito nacional”. Com o novo período de programação de 2007-2013 “inicia-se um outro ciclo, com programas novos, rostos novos, novos projectos”. Para trás ficaram “já esquecidas as cargas de trabalho, a exigência das regras e dos procedimentos minuciosos e as intermináveis reuniões de acompanhamento” porque “está 27 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA AEROGARE DAS LAJES As obras de requalificação levaram à aprovação da gare em termos de segurança e permitiram responder aos picos de tráfego AEROGARE DAS LAJES (FASE DE CONSTRUÇÃO) 28 vivo e bem presente um sentimento reconfortante de contributo modesto, mas indispensável, para a obra realizada por esse país, e também uma sensação forte e boa em se ter partilhado e convivido com óptimos profissionais e colegas, quer na região quer a nível da Coordenação Nacional, e também com os interlocutores nos serviços da Comissão Europeia”. AEROGARE DAS LAJES TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Passámos de intervenções pontuais a soluções que se pretendem sustentáveis, abrangendo todo o território continental. LUÍSA VALE PROGRAMA OPERACIONAL DO AMBIENTE AMBIENTE Envolvimento crescente numa lógica de parceria Luísa Vale, Gestora do Programa Operacional do Ambiente (POA), relembra o “primeiro contacto com o Fundo de Coesão enquanto representante do Ministério das Finanças na Comissão de Acompanhamento”. A partir daí foram “cinco anos em que assisti aos ‘apertos’ por que passavam os gestores sectoriais e regionais”. À época estava “longe de pensar o que me esperava”, refere a gestora, para quem, mal-grado os “apertos”, “valeu a pena”. Sintetizando a perspectiva técnica, Luísa Vale classifica a experiência como “estimulante”. A verdade é que ao longo de “catorze anos passámos de intervenções pontuais a soluções que se pretendem sustentáveis, abrangendo todo o território continental”. Um percurso que “contou com a colaboração e o empenho não só dos beneficiários do Fundo como dos organismos do Ministério do Ambiente, cujo envolvimento foi crescente”, reforçando a lógica de parceria 29 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA EXPERIÊNCIA ESTIMULANTE Ao longo dos anos, as intervenções deixaram de ser pontuais passando a constituir soluções integradas que abrangem todo o território continental FLAMINGOS NO RIO TEJO e desenvolvimento institucional que está subjacente à política de coesão. 30 Em termos de pontos de ruptura, a Gestora do POA destaca “a mudança significativa de atitude por parte da Comissão Europeia”, que da “flexibilidade do primeiro período deu lugar a um rigor exagerado”. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Ou seja, “de várias reprogramações passámos a uma só por candidatura e os procedimentos de controlo passaram a ocupar metade do tempo da gestão”. Numa perspectiva de envolvimento pessoal, Luísa Vale é peremptória em classificar a experiência como “enriquecedora” porque, “ao contrário do que aconteceu com o enquadramento regulamentar, do ponto de vista técnico não houve mudanças significativas ao longo do período. Fomos sempre poucos para as tarefas que nos eram atribuídas e trabalhámos sempre em estreita colaboração com a gestão nacional”. Em suma, conclui a Gestora, “constituímos uma equipa”. Todo o trabalho foi desenvolvido por uma equipa reduzida em estreita colaboração com a Coordenação Nacional. MARIA DO CARMO VASCONCELOS GESTÃO SECTORIAL DOS TRANSPORTES TRANSPORTES A mais-valia da experiência A Gestora Sectorial dos Transportes, Maria do Carmo Vasconcelos, metaforiza a sua participação no processo como “tendo apanhado o comboio bem depois do meio do percurso”. Apesar de uma experiência mais recente, a partir de Julho de 2005, Maria do Carmo Vasconcelos não hesita em “testemunhar o importante contributo do Fundo de Coesão na modificação do nosso País”. Se confrontarmos o “território do continente em 1993 com o que é actualmente, quão diferente é a paisagem, quanto evoluiu a mobilidade da maioria da população entre todas as cidades e quão melhores estão as acessibilidades marítimas e portuárias para escoamento das mercadorias importadas e exportadas”, é fácil concluir que “o Fundo de Coesão permitiu, nestes 16 anos, a transformação de Portugal”. 31 No contexto das competências como Gestora dos Transportes, TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA TEMPO E SEGURANÇA Os investimentos feitos no sector ferroviário reduziram os tempos de viagem e trouxeram mais segurança 32 Maria do Carmo Vasconcelos distingue três frentes. Ao nível rodoviário, “foram apoiados investimentos que permitiram melhorar as acessibilidades e reduzir a sinistralidade”; no domínio ferroviário os investimentos trouxeram TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA significativos ganhos de tempo de viagem nos percursos ao longo do eixo litoral, no tráfego de passageiros e na segurança da circulação, além da ligação da rede ferroviária aos portos para responder aos desafios do tráfego de mercadorias. Num terceiro vector estruturante, os portos, as intervenções incidiram sobre “o aumento da capacidade e a melhoria da articulação intermodal”, criando condições para o acréscimo da quota de transporte marítimo de mercadorias que constitui alternativa a outras soluções mais penalizadoras do ambiente. Todo o trabalho dos transportes foi sempre desenvolvido “com uma equipa muito reduzida, que em simultâneo nunca excedeu três pessoas, em estreita colaboração com a Coordenação Nacional”. Uma experiência acumulada que “tem sido partilhada com delegações de outros Estados-membros que nos têm visitado e solicitado informações sobre o nosso envolvimento na gestão do Fundo de Coesão”. DISTÂNCIAS VENCIDAS A nível rodoviário foram apoiados investimentos que permitiram melhorar as acessibilidades e reduzir a sinistralidade 33 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA TODOS SOMOS TODOS SOMOS UNIÃO UNIÃOEUROPEIA EUROPEIA AS EQUIPAS DE TRABALHO TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA AS EQUIPAS DE TRABALHO 36 COMISSÃO EUROPEIA DGDR / IFDR AÇORES Jean François Verstrynge Jean-Marie Seyler Luís Boris Luís Riera Marc Franco Marco Orani Ranieri Di Carpegna Rory Mc Kenna Directores-Gerais / Presidente Luís Madureira Pires Teresa Pais Zambujo Irene Veloso Francisco Cordovil Amável Santos José Soeiro Ema Silva Rui Luís Rui Von Amann Ana Verardi António Castellacci Carlos Mendonça Cecília Antolini Eduardo Barreto Fernando Marques Francisco Cipriano Francisco Sentieiro Filomena Carvalho Glória Osório Isabel Duarte* João Mateus Tique João Faria Joaquim Pinto da Silva Jorge Patrício Dias* Luiz Sá Pessoa Maria do Rosário Homem Manuel Parejo Teresa Oliveira COORDENAÇÃO NACIONAL TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Francisca Cordovil Olívia Andrade Teresa Oliveira Alda Coelho Aliete Costa Ana Galo Ana Mendonça António Coelho Catarina Almeida Cidália Palaio Cristina Martins Felismina Barata Filipe Ruivo Irene Duarte João Cruz Leonor André Maria João Brito Maria João Santos Mário Nascimento Rahima Ferreira Rita Vasconcellos Henrique Azevedo Maria Helena Martelo Pedro Bernardino Raquel Dias Rui Neves MADEIRA Ana Mota Carlos Estudante Cecília Escórcio Pedro Ventura Sílvio Costa Ana Margarida Oliveira Carmo Miranda Irene Pestana Maria João Monte Patrícia Telo Paula Ramos Paulo Gouveia AMBIENTE TRANSPORTES Luísa Vale Manuel Machado Mário Amoedo Pinto Sérgio Hora Lopes Adriano Tourais Albano Figueiredo e Sousa Duarte Ladeira Isabel Matalonga Fortunato de Almeida José Manuel Catarino Lídia Sequeira Maria do Carmo Vasconcelos Pedro Durão André Araújo André Colaço Cláudia Costa Jorge Vitorino José Oliveira Maria do Rosário Cancelino Mário Rodrigues Miguel Machado Pedro Campos Pedro Taveira Sandra Santos Alberto Baptista Ana Isabel Santos Ana Machado Andreia Pereira António Lopes Costa Filipa Oliveira Helena Vieira Jaime Neto João Duarte Silva José Portela José Cruz Maria do Céu Pernas Maria do Céu Nobre Maria José Moura Maria Luísa Lino Paulo Silva Pedro Andrade Sandra Nunes Sílvia Santos NOTA: As pessoas identificadas desenvolveram actividades entre 1993 e 2006. As responsabilidades de chefia foram desempenhadas em simultâneo por duas pessoas na Comissão Europeia, três na Coordenação Nacional e uma em cada uma das quatro gestões sectoriais (incluindo Açores e Madeira). As equipas técnicas variaram entre oito e duas pessoas. A equipa técnica da Comissão Europeia é predominantemente da DG Regio com as excepções assinaladas (*) de membros da DG Env (Ambiente) e DG Trans (Transportes) que participaram em Comissões de Acompanhamento e na análise de candidaturas. 37 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA TODOS SOMOS TODOS SOMOS UNIÃO UNIÃOEUROPEIA EUROPEIA CAPÍTULO II ENTRE O PASSADO E O FUTURO OLHARES SOBRE UM PERCURSO A participação no processo de gestão do Fundo de Coesão, os aspectos positivos e negativos dos instrumentos processuais e das relações institucionais, a actualidade da estratégia adoptada... Estes foram os temas que motivaram uma conversa entre várias pessoas cujo envolvimento no Fundo de Coesão, embora diferenciado, comungou convicção e empenho. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA 40 TODOS SOMOS TODOS SOMOS UNIÃO UNIÃOEUROPEIA EUROPEIA CAPÍTULO II UM BALANÇO PARA O FUTURO Jean François Verstrynge, Luís Madureira Pires, Francisca Cordovil, Fernanda Santiago e Ana Mota estiveram envolvidos no desenvolvimento do Fundo de Coesão em Portugal com diferentes funções, responsabilidades e objectivos. Agora respondem ao desafio, cimentando o passado e projectando o futuro. Quisemos saber como analisam a sua participação no processo de gestão do Fundo de Coesão. Será que a prioridade atribuída aos sectores dos Transportes e Ambiente continua a ser decisiva para a coesão? 41 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA JEAN FRANÇOIS VERSTRYNGE APONTAMENTOS 1993 – DIRECTOR DO FUNDO DE COESÃO NA COMISSÃO EUROPEIA PERCURSO PROFISSIONAL Após ter sido nomeado primeiro Director do Fundo de Coesão na Comissão Europeia, cargo que desempenhou durante cinco anos, em 1998 transitou para a Direcção-Geral do Ambiente. 42 MOMENTO A Decisão do Conselho Europeu de Edimburgo, no final de 1992, sobre a criação de um fundo de coesão. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA A organização funcional da direcção do Fundo de Coesão que rapidamente foi operacionalizada com vista a financiar um número significativo de projectos logo em 1993. O apoio eficaz do Presidente Delors, do Comissário Schmiduber e do Secretário-Geral Williamson. A cooperação com as administrações nacionais e o dinamismo das pessoas envolvidas, quer ao nível governamental, quer ao nível pessoal. Benefícios efectivos que ultrapassam os estados da coesão. LUÍS MADUREIRA PIRES APONTAMENTOS 1993 – DIRECTOR-GERAL DA DGDR 2007 – CONSULTOR Emergência de um fundo destinado a apoiar a convergência real das quatro economias nacionais mais pobres da União: Espanha, Portugal, Irlanda e Grécia. PERCURSO PROFISSIONAL Disponibilização de verbas para sectores específicos, facilitando o controlo da sua aplicação. Depois de acompanhar o lançamento e os primeiros anos do Fundo de Coesão em Portugal como Director-Geral da DGDR, passou à actividade privada de consultor, nomeadamente junto dos novos Estados-membros e de países candidatos à integração na União Europeia. MOMENTO 43 A Conferência Intergovernamental de 1991, que daria origem ao Tratado da União Europeia – também conhecido por Tratado de Maastricht. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA FRANCISCA CORDOVIL MOMENTOS 1993 – COORDENADORA DO FUNDO DE COESÃO, FUNÇÕES QUE DESEMPENHA ATÉ À DATA Participação em Bruxelas nas reuniões de trabalho com o Dr. Verstrynge e com representantes da UE-15 para a aprovação do regulamento de aplicação do Fundo de Coesão. A concretização do projecto da Ponte Vasco da Gama, que acompanhou desde a fase de concepção. PERCURSO PROFISSIONAL 44 Coordenadora do Fundo de Coesão desde a sua criação, a partir de 2004 também desenvolveu actividades de cooperação com países candidatos à União Europeia. Com a passagem da DGDR a Instituto, em 2007, assumiu a direcção da unidade de Coordenação de Gestão Operacional. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA APONTAMENTO Uma cooperação muito estreita com representantes da CE na busca das soluções mais adequadas para uma eficaz utilização dos apoios comunitários, e com um conjunto muito diversificado de entidades nacionais, com destaque para os gestores sectoriais e das Regiões Autónomas e para os executores dos investimentos. FERNANDA SANTIAGO APONTAMENTOS 1993 – RESPONSÁVEL PELA DIVISÃO DE ESTUDOS E NORMATIVOS DA DIRECÇÃO-GERAL DO AMBIENTE 2007 – SUBDIRECTORA DA AGÊNCIA PORTUGUESA Necessidades nacionais em termos de saneamento básico. DO AMBIENTE (EX-DGA) Período rico e de grande sintonia com as regras comunitárias. PERCURSO PROFISSIONAL Possibilidade de antecipar soluções e/ou resolver dificuldades que surgem com o cumprimento da legislação nacional e comunitária na componente ambiental (Avaliação de Impacte Ambiental – AIA, licenciamentos). Com responsabilidades na gestão sectorial do FC na fase inicial. Em 1996, quando a gestão sectorial passou para o gestor do Programa Operacional do Ambiente (POA), foi designada representante do Ministério do Ambiente junto na Comissão de Acompanhamento do Fundo de Coesão, função que mantém. 45 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA ANA MOTA MOMENTO 1993 – RESPONSÁVEL PELA DIVISÃO DE PROGRAMAS E APOIO AO INVESTIMENTO NA DIRECÇÃO REGIONAL DO PLANEAMENTO DA REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA 2007 – VOGAL DO CONSELHO DIRECTIVO DO INSTITUTO DE GESTÃO DE FUNDOS COMUNITÁRIOS DA REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA PERCURSO PROFISSIONAL 46 Em 1997 assumiu funções de Directora de Serviços dos Fundos Comunitários na Direcção Regional do Planeamento com responsabilidades directas no Fundo de Coesão na região. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA A notícia da aprovação do grande investimento da ampliação do Aeroporto da Madeira, que tinha sido objecto de estudos técnicos financiados pelo FEDER no QCA I e na Iniciativa Comunitária REGIS I. APONTAMENTO Para a Madeira, três intervenções fundamentais: no Ambiente, o sistema de abastecimento de água potável e o de gestão de resíduos e, nos Transportes, o projecto de ampliação do aeroporto, o maior investimento da região e um dos maiores do País. UMA TAREFA TÃO DIFÍCIL COMO ALICIANTE Condições de Partida No período de concepção do Fundo de Coesão, Luís Madureira Pires era Director-Geral do Desenvolvimento Regional (DGDR). A missão da DGDR passava pela recepção, análise e preparação das candidaturas para envio à Comissão Europeia, responsável pela respectiva aprovação. Francisca Cordovil participou activamente, como representante nacional, nos trabalhos da equipa técnica que preparou o regulamento do FC na Comissão Europeia (CE) e assumiu, logo em 1993, a coordenação nacional, função que mantém, em articulação com o acompanhamento da gestão operacional do FEDER no período de 2007-2013. Esta coordenação assume as relações com a CE na apresentação das candidaturas e acompanhamento físico e financeiro dos projectos aprovados em articulação com os respectivos sectores. 47 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA 32.ª COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO DO FUNDO DE COESÃO O Fundo de Coesão reforçou a articulação institucional pelas relações estabelecidas entre a gestão nacional, a gestão sectorial e outros organismos da administração Fernanda Santiago chefiava, em 1993, a Divisão de Estudos e Normativos da Direcção-Geral do Ambiente. 48 Desse período, que Fernanda Santiago classifica de “muito rico”, retém “a grande sintonia com as regras comunitárias e as necessidades nacionais em termos de saneamento básico (projectos de abastecimento de água e estação de tratamento de águas residuais e rede de colectores)”. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA O trabalho da Direcção-Geral do Ambiente preparou a passagem, em 1996, da gestão do Fundo de Coesão – Ambiente, para a Estrutura Técnica do POA (Programa Operacional do Ambiente). Nessa altura, Fernanda Santiago foi nomeada representante do Ministério do Ambiente na Comissão de Acompanhamento do Fundo de Coesão, participação que “permitiu – e permite ainda hoje – antecipar e/ou resolver dificuldades que surgem com o cumprimento da legislação nacional e comunitária na componente ambiental”. Por sua vez, Ana Mota, actualmente Vogal do Conselho Directivo do Instituto de Gestão de Fundos Comunitários da Região Autónoma da Madeira, trabalhava, em 1993, na então Direcção Regional do Planeamento (DRP) “fazendo parte de uma pequena equipa”. COESÃO EM BALANÇO Destaques Destaques Pontos negativos Pontos positivos “A falta de um instrumento de sanção “A concentração dos apoios ”A grande sintonia com as regras mais eficaz para combater o atraso em projectos com dimensão comunitárias e as necessidades na execução dos projectos” significativa evitou a dispersão nacionais em termos de Jean François Verstrynge dos investimentos” saneamento básico (projectos de Jean François Verstrynge abastecimento de água e estação “Gestão autónoma em relação de tratamento de águas residuais aos restantes Fundos Estruturais, “O Fundo favorece respostas e rede de colectores)” susceptível de criar dificuldades de a carências e debilidades Fernanda Santiago coordenação na Comissão Europeia reconhecidas” e ao nível da articulação nacional” Luís Madureira Pires Luís Madureira Pires “A articulação existente entre a gestão nacional do Fundo “A experiência de gestão do de Coesão e a gestão sectorial, “Alguns projectos, por estarem Fundo de Coesão permitiu a divulgação de orientações insuficientemente preparados, vieram desenvolver uma actividade muito e de regras a cumprir através a revelar desvios diversos nas fases enriquecedora de partilha de dos manuais do Fundo de execução” competências e de saberes entre de Coesão” Francisca Cordovil um número de entidades públicas Ana Mota bastante diversificado” “As exigências acrescidas compara- Francisca Cordovil 49 tivamente ao que se verificava no FEDER” Ana Mota TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Uma oportunidade de mudança Sobressai como mais-valia a capacidade do Fundo de Coesão ter conseguido reforçar a articulação institucional pelas relações estabelecidas entre a gestão nacional, a gestão sectorial e outros organismos da administração. Aspectos a melhorar serão a estabilização dos procedimentos administrativos e a confirmação das condições prévias de execução que, em vários casos, ditaram alterações e atrasos nos projectos. 50 “Confesso ter sido muito céptico em relação à necessidade de um novo Fundo”, afirma Luís Madureira Pires, recordando os debates acerca da “criação de um novo Fundo de vocação estrutural destinado a apoiar a convergência real das quatro economias nacionais mais pobres da União”, no quadro da “Conferência Intergovernamental que iria dar origem ao Tratado da União Europeia – também conhecido por Tratado de Maastricht”. Por essa altura, em 1991, “a TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA AMBIENTE NA ORDEM DO DIA O Fundo de Coesão permitiu colocar a ênfase da importância do ambiente na percepção dos cidadãos justificação política de que se tratava da única forma de Portugal obter uma nova duplicação dos recursos para fins estruturais, após a que tinha sido conseguida em 1988”, acabou por convencer Madureira Pires, cujas reservas se justificavam porque “o âmbito e regras de funcionamento dos Fundos Estruturais – que tinham sido alterados, havia pouco, no sentido da programação das actuações públicas a médio/longo prazo e de uma descentralização da gestão nos Estados-membros – iam no bom sentido”, não parecendo, à partida, “boa ideia acolher um novo fundo com regras distintas – face à necessidade de se afirmar como fundo diferente dos demais e, assim, justificar a sua própria existência – em vez de aprofundar e simplificar as existentes”. Um segundo argumento era poder “afunilar a margem de manobra dos Estados-membros beneficiários, ao obrigá-los a despender as verbas em tipologias específicas de projectos inseridos em apenas dois sectores: os Transportes e o Ambiente”. Mas, uma década depois, quando passou a desempenhar funções de consultor de vários países que aderiram à União Europeia em 2004 e que beneficiam actualmente do Fundo de Coesão, Madureira Pires reconhece a importância que o Fundo de Coesão e a sua abordagem por projecto pode assumir nos novos países aderentes ou candidatos à adesão, onde, aliás, o seu peso financeiro no conjunto dos apoios comunitários é bem maior do que em Portugal. Assim, o aspecto mais positivo do papel do Fundo terá sido o da “disponibilização de verbas para sectores específicos e facilitar o controlo financeiro da sua aplicação”. Esta selectividade sectorial é igualmente enaltecida por Jean François Verstrynge, por ser portadora de mudança, associada a exigências específicas como os estudos de impacte ambiental. “Há 16 anos havia falta de projectos ambientais em Portugal”, sendo compreensível a “prioridade inicialmente dada ao sector dos Transportes. Esta situação não chegou a colocar “em risco o equilíbrio entre os dois sectores”, que acabaram por se igualar, recordando o caso da Ponte Vasco da Gama, projecto que colocou “questões delicadas acerca do seu impacte ambiental”. Verstrynge sublinha que, apesar de algumas dificuldades iniciais, o Fundo de Coesão teve uma boa aplicação, contribuindo para o desenvolvimento das redes transeuropeias e para a protecção do ambiente. Os projectos associados ao abastecimento de água potável e tratamento de resíduos sólidos e águas residuais foram “uma magnífica oportunidade de desenvolvimento para Portugal”, sublinha Verstrynge, “convencido que esta iniciativa europeia permitiu colocar a ênfase na importância do ambiente”, quer no terreno, quer na “percepção dos cidadãos”. Nesta evolução, a “intervenção de algumas empresas públicas foi muito benéfica”, não só para garantir a “coerência da abordagem global, como para compatibilizá-la com a regulamentação ambiental comunitária”. Recorda ainda que “a Comissão também teve em atenção as regiões ultraperiféricas, como o comprovam os projectos aprovados na Região Autónoma da Madeira”. Ana Mota recorda “a enorme satisfação” com “que recebeu a notícia de aprovação do grande investimento” que representa para a Região Autónoma da Madeira “a ampliação do aeroporto”. Também a Região Autónoma dos Açores beneficiou, pela primeira vez, no período de 2000-2006, de diversos apoios a infra-estruturas portuárias e aeroportuárias, além do tratamento de resíduos sólidos urbanos (RSU) já candidatado no período anterior. Fernanda Santiago sublinha como “todo o trabalho desenvolvido durante estes 16 anos contribuiu para um reforço significativo da coesão económica e social interna, em termos concretos de infra-estruturas de transportes 51 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA e de saneamento básico (água, resíduos e águas residuais), diminuindo as diferenças entre as regiões”. Dificuldades sentidas Quanto a aspectos menos positivos, a actual Subdirectora da Agência Portuguesa do Ambiente elege a “insuficiente articulação entre os projectos financiados pelo Fundo de Coesão e pelo FEDER”, que está hoje “minimizada com a integração em termos de programação e execução no Programa Operacional de Valorização do Território que conjuga os apoios do FEDER e do Fundo de Coesão”. 52 Mais cirúrgico, Verstrynge destaca “os problemas relativamente aos procedimentos de avaliação do impacte ambiental e na legislação comunitária em matéria de mercados públicos” e a falta de “um instrumento de sanção mais eficaz para combater o atraso na execução dos projectos – chegou-se a colocar TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA a possibilidade de reduzir a taxa de financiamento em caso de atraso”. A Coordenadora Nacional relaciona esses atrasos com a “pressão para a aprovação anual de montantes de apoio significativos”, antecipando “os calendários de aprovação de alguns projectos que ainda estavam insuficientemente preparados e que vieram, por isso, a revelar desvios diversos nas fases de execução”. De facto, “as principais dificuldades sentidas em termos de insuficiente desenvolvimento das fases preparatórias tiveram efeitos directos nos procedimentos de contratação e nas alterações solicitadas com repercussões muito pesadas para as estruturas de gestão”, admite Francisca Cordovil. Estas são áreas em que é urgente progredir no sentido de uma maior eficiência e eficácia. Em 2000-2006, a multiplicação de regulamentos comunitários e a evolução das interpretações dadas quanto à sua aplicação prática não favoreceram um clima de gestão que permitisse um acompanhamento suficiente da eficácia dos procedimentos instalados e o seu consequente aperfeiçoamento. Mas as relações entre as entidades de gestão e de controlo “têm uma sensibilidade particular, no sentido de se encontrarem os necessários pontos de equilíbrio para que cada um tenha as condições adequadas para exercer as funções que lhe são atribuídas”. Ana Mota assinala “as exigências acrescidas ditadas pela regulamentação comunitária, comparativamente ao que se verificava no FEDER”, como um “dos maiores constrangimentos do Fundo de Coesão”, acarretando “a morosidade dos circuitos na administração comunitária, os atrasos significativos no tratamento de informação enviada à Comissão Europeia, nomeadamente em matéria de acções de controlo, sem ser possível, aquando do encerramento dos assuntos, retirar conclusões práticas para a prevenção de futuras ocorrências”. De facto, o processo pela primeira vez, uma ligação entre um intrumento de apoio financeiro e a política económia dos Estados-membros beneficiários. Todos os Estados fizeram esforços notáveis para evitar a perda de apoios financeiros, o que veio a favorecer o processo de cumprimento dos critérios de adesão à União Monetária”. PORTO DE AVEIRO DIMENSÃO DOS PROJECTOS A concentração dos apoios em projectos com dimensão significativa permitiu ultrapassar carências importantes de contraditório até à audição dos Estados-membros na CE, sendo um procedimento interessante do ponto de vista da parceria entre a Comissão e os Estados-membros, revelou-se muito pesado e extremamente longo. a responsável madeirense, foi determinante a excelente “articulação existente entre a gestão nacional do Fundo de Coesão (assegurada pela Coordenação Nacional do Fundo de Coesão) e a gestão sectorial”. Na esfera nacional, verificaram-se “deficiências no sistema de controlo que ainda se podem revelar críticas no processo de encerramento dos projectos, na fase de emissão da respectiva certificação final”. Mas, anui Vantagens dos inconvenientes Verstrynge destaca como aspecto mais original e inovador do Fundo a “condicionalidade macro-económica (*) que estabelece, Para Francisca Cordovil, “a intervenção mais directa da Comissão nos aspectos práticos da gestão teve efeitos benéficos, levando a questionar alguns procedimentos, nomeadamente em termos de articulação entre entidades nacionais”. A imposição de uma dimensão mínima aos projectos é, para Verstrynge, outro ponto forte do FC. Na verdade, “a concentração dos apoios em projectos com dimensão significativa evitou a anterior dispersão dos investimentos” e foi decisiva para “ultrapassar carências importantes em sectores estratégicos onde os níveis de atendimento nacionais estavam bastante distantes das médias europeias”, concorda Francisca Cordovil. 53 (*) Artigo 6.º do Regulamento (CE) n.º 1164/94, de Maio, que condiciona o apoio do Fundo ao cumprimento de um programa destinado a evitar um défice orçamental excessivo. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA o metro ganham uma importância determinante no período de 2000-2006, favorecendo transportes menos poluentes”, refere a Coordenadora Nacional. Também a Região Autónoma dos Açores beneficiou, pela primeira vez, no período de 2000-2006, de diversos apoios a infra-estruturas portuárias e aeroportuárias, além do tratamento de resíduos sólidos urbanos (RSU) já candidatado no período anterior. ESTAÇÃO DE TRIAGEM NA MADEIRA (PORTO NOVO). TRIAGEM AUTOMÁTICA DE EMBALAGENS PLÁSTICAS E METÁLICAS VALORIZAÇÃO CONCRETIZADA 54 A abordagem estratégica nacional apostou numa intervenção integrada supramunicipal e na profissionalização da gestão, tendo também reforçado o papel regulador do Estado no sector do Ambiente. Registaram-se projectos importantes nos três vectores de saneamento básico, com destaque para o tratamento de resíduos sólidos urbanos Virtualidades da cooperação No Ambiente, registaram-se “progressos importantes nos níveis de atendimento nos três vectores de saneamento básico, com destaque para o tratamento de resíduos sólidos urbanos (RSU) que em 1996 ainda registava um O modelo de acompanhamento do Fundo, com Comissões de Acompanhamento semestrais nas quais estão representadas diferentes entidades nacionais e os serviços da Comissão, revelou-se um importante TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA enorme atraso”. No sector dos Transportes, “depois de uma atenção mais centrada na rodovia no período de 1993-1999, com projectos relevantes como a Ponte Vasco da Gama e a ampliação do Aeroporto do Funchal, a ferrovia e fórum de trabalho que reuniu entidades gestoras, executoras e organismos da administração central com funções de acompanhamento ambiental, regulação da actividade de prestação de serviços, gestão orçamental e controlo. A “representação da Associação Nacional de Municípios e, posteriormente, das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, reforçou a articulação entre o Fundo de Coesão e outras fontes de financiamento de investimentos públicos”, esclarece Francisca Cordovil. Pela sua especificidade e dimensão, o modelo de acompanhamento da construção da Ponte Vasco da Gama foi único em experiências relevantes. O elevado número de encontros entre a administração comunitária e a portuguesa, com o “entusiasmo de ambos os lados”, traduziu-se, recorda Jean François Verstrynge, em eficácia, já que “cada dificuldade era rapidamente equacionada e, a maioria das vezes, resolvida”. Nas reuniões periódicas de informação sobre o Fundo de Coesão que se realizaram anualmente na Comissão Europeia, com participação de todos os Estados-membros, “procurámos sempre que a representação nacional evidenciasse a mais-valia dos investimentos em curso no nosso País. Com esse mesmo espírito, promovemos a realização em Lisboa de uma dessas reuniões por alturas da realização da EXPO’ 98. Foi um momento de eleição em que pudemos mostrar a uma delegação muito interessada de representantes de todos os países da União os resultados na nossa experiência na óptica da gestão e das concretizações no terreno”, relembra Francisca Cordovil. Também Jean François Verstrynge refere como os outros Estados-membros ficaram “favoravelmente impressionados por ocasião desta visita promovida pelas autoridades portuguesas pouco tempo antes da decisão de prolongamento do Fundo de Coesão”. Esta perspectiva de justificação dos apoios comunitários mantém- -se de grande actualidade na óptica da “responsabilidade solidária que ultrapassa a pobreza das divisões entre apoiantes e apoiados na construção de uma Europa cujo desenvolvimento beneficia todos os que integram o seu espaço”. Fernanda Santiago concorda, já que “a experiência de cooperação foi sempre muito positiva e proveitosa nos diferentes níveis, quer com a gestão do Fundo de Coesão, quer com os promotores dos investimentos”. Aliás, um dos pontos fortes, salientados por Ana Mota, é precisamente “a experiência partilhada entre a administração do Governo central, do Governo regional da Madeira e da União Europeia, na articulação de esforços para atingirmos metas comuns. A forma de trabalho simplificada e articulada, sobretudo na administração portuguesa, para encurtar ao máximo o período associado a cada uma das fases do processo de gestão, o relacionamento mais ou menos próximo com os executores, contribuindo para uma maior celeridade na resolução das questões, e o reconhecimento 55 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA e o respeito mútuo entre os intervenientes na gestão e os responsáveis pela execução dos investimentos”. Além das “entidades directamente ligadas à gestão e execução dos investimentos, foram envolvidas muitas outras entidades com competências sectoriais ou transversais no domínio do planeamento estratégico e da regulamentação em áreas como a gestão financeira, a contratação pública, os impactes ambientais e o controlo de qualidade dos serviços”, recorda Francisca Cordovil. 56 No domínio do planeamento estratégico e da regulamentação também foi enriquecedora a participação da Coordenadora Nacional ao longo de mais de dez anos nos trabalhos do Conselho Nacional da Água, que “reúne um grupo muito alargado de saberes e sensibilidades e tem contribuído de forma muito relevante para os progressos realizados no sector”. “A partir de 2004, a partilha de experiências e procedimentos foi muito valorizada pela cooperação TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA desenvolvida com os novos países da União Europeia”, especifica Francisca Cordovil. O valor da experiência portuguesa foi reconhecido, com inúmeros pedidos de cooperação, nem sempre possíveis de satisfazer “por insuficiência de recursos”. Acresce que os contactos desenvolvidos “permitiram frequentemente descobrir novas perspectivas e novas soluções para problemas antigos, como sempre acontece quando nos dispomos a dialogar num espírito de abertura com culturas diferentes”, conclui a Coordenadora Nacional. Actualidade da estratégia e o futuro do FC Para Jean François Verstrynge, a concentração do Fundo de Coesão no sector dos Transportes e do Ambiente continua a ser pertinente, já que “um grande número de problemáticas ambientais carece de tratamento e ainda é necessário executar um grande número de projectos no domínio das redes transeuropeias. Por outro lado, o Fundo criado para os quatro Estados da coesão serviu como modelo para a intervenção comunitária nos países de Leste mesmo antes da sua adesão à União Europeia, com benefícios evidentes tanto para o sector dos Transportes como para o sector do Ambiente”. No período de 2000-2006, a Comissão Europeia definiu orientações relativas ao Fundo de Coesão com o propósito de reforçar as garantias de que as intervenções estariam enquadradas numa abordagem estratégica e coordenada de modo a ser possível estabelecer prioridades e tornar mais coerente a acção comunitária. Desta forma, exigiu que os Estados-membros beneficiários apresentassem quadros de referência estratégicos que permitissem verificar a coordenação do Fundo de Coesão com os Fundos Estruturais em cada um dos sectores elegíveis (Ambiente e Transportes), assim como com cada programa regional. As decisões tomadas pelo Conselho de Ministros da União para o período de FC, assim como o tratamento dado aos projectos geradores de receita”. VISITA DA DELEGAÇÃO DA BULGÁRIA AO PORTO DE SINES O valor da experiência portuguesa foi reconhecido com inúmeros pedidos de cooperação 2007-2013 “vêm alinhar, anos depois, o Fundo de Coesão com os procedimentos e funcionamento dos Fundos Estruturais, bem como com os princípios da programação e da descentralização da gestão para os Estados-membros”, sintetiza Luís Madureira Pires, para quem “a aparente ‘derrota’ da lógica de funcionamento do Fundo de Coesão não deve fazer esquecer o contributo importante que teve na melhoria da preparação, programação e execução dos projectos de investimento e, igualmente, nas metodologias para o acompanhamento da sua realização”. O Fundo de Coesão passa a ser integrado em Programas Operacionais geridos por autoridades nacionais, de acordo com regras comuns aos restantes Fundos Estruturais que acolhem os resultados da experiência de uma década e meia. Francisca Cordovil sublinha que o processo de aprovação das candidaturas dos grandes projectos, que se mantém na CE, “é praticamente decalcada dos procedimentos utilizados no Para o futuro, Madureira Pires defende que “a abordagem do Fundo de Coesão, enquanto orientador do investimento público para sectores prioritários a nível comunitário, implica a procura de consensos, a nível político, sobre as grandes áreas que deverão constituir as forças motrizes do desenvolvimento da União e as bases da sua competitividade numa economia global, bem como definir metas realistas para a sua consecução”. Por sua vez, Ana Mota defende a actualidade das linhas de orientação estabelecidas no arranque do FC, na medida em que são “coerentes com a Europa futura”. “A importância dada às fases preparatórias dos investimentos e às metodologias de acompanhamento dos investimentos, assim como a garantia da sustentabilidade das intervenções, têm uma forte consonância com os resultados do acompanhamento da execução do Fundo de Coesão”, defende Francisca Cordovil. 57 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Para 2007-2013 estão consagrados os princípios da complementaridade, coerência e coordenação, sendo de assinalar a obrigatoriedade de cada Estado-membro apresentar um quadro de referência estratégico nacional. Os princípios de selectividade e concentração dos apoios em estratégias partilhadas no espaço europeu são agora generalizados, embora a concretização prática das estratégias seja ainda um processo de desenvolvimento complexo e dependente de muitos factores. Resultados e projectos de futuro 58 Jean François Verstrynge recorda como o estudo da London School of Economics sobre os efeitos macroeconómicos e os benefícios da aplicação do Fundo de Coesão, nos quatro Estados beneficiários, evidenciam a sua repercussão em termos de benefícios socioeconómicos noutros Estados, por vezes bastante distantes. Sublinha os impactes dos projectos, TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA mesmo que indirectos, na melhoria da fluidez do mercado interno através das redes transeuropeias e na melhoria da qualidade ambiental, limitando a poluição além-fronteiras. Por outro lado, afirma a sua convicção de que “o exemplo de solidariedade entre Estados-membros que foi e continua a ser o Fundo de Coesão poderá ser ainda mais desenvolvido ao nível comunitário”. O Fundo de Coesão contribuiu para uma mudança de concepções e metodologias mas, acima de tudo, traduziu-se em novos bens e serviços públicos, hoje disponíveis para a população portuguesa. Em termos globais, “a experiência de gestão do Fundo de Coesão permitiu desenvolver uma actividade muito enriquecedora de partilha de competências e de saberes entre um número de entidades públicas bastante diversificado”, sintetiza Francisca Cordovil. Esta partilha permitiu “reduzir circuitos, aproximar linguagens e obter ganhos de eficácia, mas este é um processo que exige empenho e determinação permanentes de todos os parceiros, que têm que encontrar na sua prática diária as formas de contribuir para o objectivo comum do serviço público”. Anos volvidos a obra fica, assim como a convicção de que a cooperação entre a administração nacional e comunitária foi um alicerce fundamental. No plano interno, “a articulação de esforços para atingirmos metas comuns, uma forma de trabalho simplificada e articulada, o relacionamento mais ou menos próximo com os executores”, contribuiu “para uma maior celeridade na resolução das questões”. Sendo “inegável que a gestão dos projectos do Fundo de Coesão constituiu sempre um grande desafio porque fomentou, a par de novas competências, uma riqueza acrescida pela diversificação das matérias que envolveu e das experiências obtidas”, Ana Mota antecipa três desafios profissionais. Em primeiro lugar, “fechar os dossiers dos projectos da Autónoma da Madeira”. Desafios semelhantes colocam-se no âmbito nacional, entre os quais Francisca Cordovil salienta: – a passagem da Direcção-Geral do Desenvolvimento Regional a Instituto Financeiro para o Desenvolvimento Regional; – o encerramento do período de 2000-2006; – o arranque do período de 2007-2013. NOVAS MENTALIDADES O Fundo de Coesão contribuiu para uma mudança de concepções e metodologias mas, acima de tudo, traduziu-se em novos bens e serviços públicos, hoje disponíveis para a população portuguesa Madeira com financiamento Fundo de Coesão, aprovados no período de 2000-2006, assim como o encerramento da componente FEDER do Programa Operacional da Região Autónoma da Madeira, inserido no QCA III”. Depois, um segundo “relacionado com a criatividade que é exigida a quem gere fundos comunitários na fase de arranque de um novo período de programação e, sobretudo, na circunstância perfeitamente inovadora para a Região Autónoma da Madeira, que é a de pertencer ao grupo das regiões do objectivo de competitividade regional e do emprego”. Finalmente, o terceiro “prende-se com a transformação do Instituto de Gestão de Fundos Comunitários em Instituto de Desenvolvimento Regional, cujo processo de alteração orgânica se traduziu em termos muito práticos, o alargamento de competências, passando a ter responsabilidades em termos de planeamento global da Região Estes desafios permitem uma visão de conjunto sobre o QCA III, o Fundo de Coesão, o QREN, a Cooperação Territorial Europeia e a respectiva partilha de experiências e saberes. No passado, como no futuro, a tarefa é tão difícil como aliciante: o património de experiência e o potencial de criação de valor são enormes. Para Francisca Cordovil, “Portugal e a Europa precisam que estas potencialidades se concretizem. Não podemos regatear esforços, devemos mobilizar os recursos adequados, precisamos de confiar nas capacidades de todos”. 59 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA TODOS SOMOS TODOS SOMOS UNIÃO UNIÃOEUROPEIA EUROPEIA CAPÍTULO III OBJECTIVOS VISADOS ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO Transportes e Ambiente foram as áreas beneficiadas pelos investimentos do Fundo de Coesão em Portugal, intervenções que melhoraram a qualidade de vida das populações e as condições de desenvolvimento do País. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA 62 TODOS SOMOS TODOS SOMOS UNIÃO UNIÃOEUROPEIA EUROPEIA CAPÍTULO III UM PAÍS MAIS EQUILIBRADO Em menos de 20 anos, Portugal mudou muito. Tornou-se, por um lado, um país com menos distâncias graças à melhoria da rede viária que permite viagens mais rápidas e, por outro, um território mais limpo e ordenado depois de erradicadas as lixeiras e construídas Estações de Tratamento de Água, Centrais de Valorização Energética ou aterros sanitários. Ao co-financiar muitas destas obras, o Fundo de Coesão (FC) tornou-se parte desta mudança. Durante década e meia, e de acordo com as directivas nacionais e comunitárias, foram traçadas linhas de acção que permitiram aumentar a coesão nacional e a qualidade de vida dos Portugueses. Foram estas estratégias que tornaram possível que hoje não se coloquem dúvidas sobre o abastecimento de água quando se vai de férias para o Algarve e que problemas de contaminação da rede pública por uma infiltração de água do mar pareçam hoje ficção. 63 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA 64 Entre 1993 e 2006 o FC teve um impacte positivo no PIB superior a cinco mil milhões de euros (*). E embora a influência destes projectos na criação de emprego seja temporária, os efeitos acumulados do FC no emprego são dignos de nota: até 2011 as estimativas apontam para a criação e/ou manutenção de mais de 50 mil postos de trabalho na sequência de investimentos públicos ligados ao FC. No primeiro período de programação (1993-1999) o FC apoiou 156 projectos, 65 dos quais estavam concluídos até ao final de 1999, sendo 34 na área dos Transportes e 31 na área do Ambiente. Todos os projectos aprovados até 1999 foram entretanto concluídos. O sector Ferroviário teve, na (*) Estudo de Avaliação do Fundo de Coesão em Portugal, 1993-2006. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA década de 90, uma importância acrescida. Entre 1993 e 1999 foi feita uma aposta forte na rodovia e nas infra-estruturas ambientais dos grandes centros urbanos. A partir de 2000 os investimentos foram direccionados para a maior racionalidade e sustentabilidade dos sistemas e a aposta, nomeadamente ao nível dos transportes, passou a ser feita mais na ferrovia e no sistema marítimo-portuário, com o objectivo de melhorar e tornar mais competitivo o sistema logístico nacional. ESTRADAS FORAM APOSTA Entre 1993 e 1999 foi feita uma aposta forte na rodovia. As ligações às redes transeuropeias aproximaram Portugal da Europa 65 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA 66 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA MELHORES ACESSOS, MENOS SINISTRALIDADE As obras realizadas ao longo dos últimos anos dotaram o País de uma rede importante de infra-estruturas. Foi feita a ligação à rede transeuropeia de transporte rodoviário e a experiência ganha na construção e exploração de auto-estradas aumentou a capacidade exportadora do País no que respeita a tecnologias inovadoras. Na memória ficaram obras de grande envergadura como a Ponte Vasco da Gama ou o Aeroporto do Funchal, quer pela sua dimensão, quer pela sua importância estratégica. Mas tão ou mais importante foi levar à prática o Plano Rodoviário Nacional (PRN). Iniciado em 1978, o PRN teve a sua principal revisão em 1985. Com o objectivo de assegurar a ligação entre os principais centros urbanos e de acelerar o desenvolvimento económico de algumas zonas do País – nomeadamente através da construção dos Itinerários Complementares –, o PRN só arrancou em força para o terreno já nos anos 90. Durante esse 67 SURGE UMA NOVA DINÂMICA Graças a novas vias como a A1, A10 ou A9, pessoas que trabalham em Lisboa decidiram mudar-se para aldeias a 60 quilómetros do emprego TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA período acelerou-se a ligação à rede transeuropeia de transportes – essencial para a economia portuguesa – e, a nível interno, o desenvolvimento do PRN também produziu fenómenos interessantes. Cidades como Viseu, Guarda ou Castelo Branco ganharam uma nova dinâmica social e económica, e perto dos grandes aglomerados urbanos assistiu-se a um fenómeno migratório só possível graças a novas vias como a A1, A10 ou A9: pessoas que trabalham em Lisboa decidiram mudar-se para aldeias a 60 quilómetros do emprego e outras, que moravam longe, acabaram por fixar-se nas regiões de origem. mais seguro viajar em Portugal. A sinistralidade diminuiu e aproximou-se das médias europeias. Em 1987, o número de vítimas mortais ultrapassava as duas mil, ao passo que em 2006 este número era inferior a mil (*). Houve também um decréscimo no número de feridos graves, que passaram dos cerca de 12 mil registados em 1987 para menos de quatro mil em 2006. Além das melhores ligações e desenvolvimento económico, a segurança foi outra das apostas do PRN. Graças à nova rede viária – e também à evolução do parque automóvel – hoje é 68 TECNOLOGIAS INOVADORAS A experiência na construção e exploração de auto-estradas aumentou a capacidade exportadora do País no que respeita a tecnologias inovadoras (*) Quadros da Direcção-Geral de Viação apresentados no Estudo de Avaliação do Fundo de Coesão em Portugal, 1993-2006. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA INTERMODALIDADE Dando resposta às necessidades da vida moderna, bem como a preocupações ambientais e viabilizando investimentos, as intervenções do Fundo de Coesão reforçaram a intermodalidade da rede de transportes nacional. A articulação entre os diversos meios de transporte passou a ser uma realidade. Metropolitano, ferrovia, aeroportos, portos e rodovia ligam-se e facilitam ao cidadão os acessos às cidades, tanto no interior do País como noutros países. 69 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA TRANSPORTES MENOS POLUENTES 70 Depois do domínio do transporte rodoviário entre 93 e 99, as prioridades traçadas durante o segundo período programático do FC (2000-2006) foram a integração dos diferentes modos de transporte, a optimização do transporte combinado, o progresso das ligações aos eixos prioritários e a primazia dada a formas de viajar menos poluentes. Durante este período, e como forma de reforçar a competitividade externa da economia portuguesa e a acessibilidade interna, privilegiaram-se os projectos que concorressem para tornar TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Portugal menos dependente dos corredores terrestres de transporte. De acordo com a Política Comum de Transportes da UE, que promovia claramente a transferência modal da rodovia para modos de transporte ferroviário e marítimo fluvial, a logística, nomeadamente na ligação aos portos e na melhoria das infra-estruturas portuárias, tornou-se uma aposta prioritária. 200 mil milhões de euros para a economia mundial. A nível europeu, 40% do comércio comunitário é feito por mar, o que representa um terço da capacidade total do transporte marítimo mundial. E se é verdade que, à escala comunitária, foi no Sul da Europa que ocorreu o maior crescimento neste sector, o certo é que a crise económica que afecta Portugal há alguns anos não tem ajudado ao desenvolvimento dos portos nacionais. Actualmente, o transporte marítimo representa 80% do comércio internacional e contribui com Ao nível dos portos, os principais desafios que se colocam são a criação de um mercado interno de navegação sem descontinuidades e a capacidade das infra-estruturas portuárias da UE para absorver o crescimento previsto do transporte marítimo. com o qual pretende “transformar Portugal numa plataforma euro-atlântica para os movimentos internacionais no mercado ibérico e europeu”. Tendo em conta não só a aposta no transporte marítimo e na logística como o desenvolvimento da intermodalidade, o Governo apresentou em Maio de 2006 o programa Portugal Logístico, O plano passa por racionalizar a actividade logística, fomentar a intermodalidade, promover ganhos ambientais e contribuir para o desenvolvimento da economia nacional. Nesta perspectiva, as infra-estruturas portuárias passam a ser planeadas como parte de uma cadeia de transporte intermodal e interoperacional. O sector Ferroviário ganha novo peso com projectos prioritários como a ligação ao porto de Aveiro, a ligação Sines-Elvas-Badajoz ou a linha de alta velocidade Lisboa-Madrid. SEGURANÇA NO MAR O Vessel Traffic System (VTS) funciona para os portos como a torre de controlo para o tráfego aéreo. Através do uso de radar, circuitos fechados de televisão, radiotelefonia e sistemas de identificação automática, é possível acompanhar o movimento dos navios e garantir a segurança de navegação dentro de uma determinada área geográfica. 71 TORRE DE CONTROLO DE TRÁFEGO MARÍTIMO DO PORTO DE LISBOA TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA NOVAS PARCERIAS PELO AMBIENTE Ao longo de 16 anos o ambiente mereceu o apoio do FC nos sectores da Água e dos Resíduos, ajudando à verdadeira revolução que cada um deles sofreu em menos de duas décadas. No início da década de 90 Portugal tinha os serviços de água e saneamento entregues aos serviços municipalizados. Cada câmara geria o melhor que podia o abastecimento de água ao concelho, assim como o tratamento dos efluentes. 72 Na década anterior, o crescimento industrial e agrícola desajustado tinha aumentado a pressão sobre os factores ambientais, nomeadamente no que se refere ao meio hídrico. Ao mesmo tempo, o crescimento da população nos meios urbanos e o aumento de exigência em relação à qualidade dos serviços exigiram que todo o sector fosse repensado. Hoje, Portugal tem uma cobertura quase total no abastecimento público de água. É na drenagem e tratamento de águas residuais que ainda se observam mais falhas, já que por vezes há uma ligação deficiente entre os componentes de alta (*) e de baixa (**). Foi a vertente “em alta” que recebeu o apoio do FC. (*) Sistemas de captação, adução e reservatórios de entrega no que diz respeito ao abastecimento de água, e emissores e estações elevatórias quando falamos de saneamento. (**) Sistema de distribuição no abastecimento de água e redes de colectores no saneamento. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Apesar das melhorias evidentes, um dos problemas mais prementes do sistema está na sustentabilidade dos investimentos, já que as tarifas cobradas ao consumidor são baixas, não correspondendo ao custo do serviço. Os projectos realizados no sector da Água nos primeiros anos do FC tiveram como principais linhas de orientação a melhor relação custo-benefício, a racionalização do consumo (a água é um bem cujos níveis de consumo não diminuem mesmo quando o preço aumenta), o ordenamento territorial e a auto-sustentabilidade financeira dos sistemas multimunicipais (***) ou intermunicipais (****) entretanto criados. 73 (***) Parceria entre o Estado e as Autarquias. (****) Detidos inteiramente pelas autarquias que neles participam. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA MAIOR EXIGÊNCIA A par com as alterações operadas no terreno e as melhorias técnicas, houve também uma mudança de mentalidades. Hoje, o cidadão exige mais qualidade Ou seja, a par das alterações operadas no terreno e das melhorias técnicas, houve também uma mudança de mentalidades. Essa alteração verificou-se não apenas ao nível da gestão e dos padrões ambientais, mas também no grau de exigência dos cidadãos. Hoje somos mais exigentes não só quanto à água que consumimos, como também à que rejeitamos. 74 Com um sector já mais profissional, em 2000 o Plano Estratégico de Abastecimento de Água e de Saneamento das Águas Residuais TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA (PEAASAR) definiu quatro linhas de orientação para serem seguidas até 2006: requalificação ambiental, soluções integradas, alta qualidade do serviço e garantia de sustentabilidade. O enfoque foi colocado sobretudo nos sistemas “em alta” e pôs em prática em todo o espaço continental soluções integradas de carácter multimunicipal ou intermunicipal. Neste período o FC apoiou os sistemas em alta com 1268 milhões de euros, correspondendo o apoio do FC a cerca de 38% do investimento total. Em seis anos foram criados 20 sistemas plurimunicipais. Actualmente, 83% dos municípios do País estão integrados em sistemas plurimunicipais de abastecimento de água e 77% em sistemas plurimunicipais de águas residuais. Hoje em dia a prioridade é dada à execução e reparação das redes em baixa, algumas das quais poderão vir a integrar os sistemas multimunicipais existentes. Os projectos têm de seguir OBJECTIVOS ESTRATÉGICOS São objectivos da estratégia de abastecimento de água e saneamento de águas residuais a universalidade, continuidade e qualidade do serviço, sustentabilidade do sector e protecção dos valores ambientais as linhas de orientação traçadas pela Directiva-Quadro da Água, pelo IRAR (*), pelo PEAASAR II (**) e pela Avaliação Ambiental Estratégica do QREN (***), bem como pela directiva relativa ao tratamento das águas residuais urbanas em Portugal (Directiva 91/271/CEE), a qual fixa os critérios para o processo de recolha, tratamento e descarga. Na base de todas as acções a realizar está uma abordagem integrada dos recursos hídricos. Por isso, as intervenções que vierem a ser apoiadas pelo FC devem ser articuladas com os trabalhos em curso no âmbito dos Planos de Gestão de Bacia Hidrográfica (cuja conclusão está prevista para 2010) e dos Planos Específicos de Gestão das Águas. ambientais. A meta é servir 95% da população total do País com sistemas públicos de abastecimento de água e cerca de 90% com sistemas de saneamento de águas residuais urbanas em 2015. Para o período de 2007-2013 – intervalo de tempo em que será apoiado pelo Fundo de Coesão no âmbito do QREN – o PEAASAR II tem três objectivos: universalidade, continuidade e qualidade do serviço, sustentabilidade do sector – onde o tarifário é uma questão central – e protecção dos valores Contudo, e como a sustentabilidade destes sistemas é actualmente um dos seus principais problemas, é necessário que nos próximos anos surjam medidas que permitam atingir tarifas economicamente sustentáveis, ajustadas ao desenvolvimento socioeconómico das diferentes regiões. 75 (*) Instituto Regulador de Água e Resíduos. (**) Plano Estratégico de Abastecimento da Água e Saneamento de Águas Residuais. (***) Quadro de Referência Estratégico Nacional. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA 15 14 13 8 2 3 4 1 12 5 6 76 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA 11 9 10 Processo de pré-tratamento 1 Início do ciclo 2 3 4 Gradagem, elevação inicial, desarenamento e desengorduramento Tratamento primário 5 Decantação primária 6 Equalização e elevação final Tratamento biológico 7 7 Arejamento (mais remoção de azoto) 8 Decantação secundária Tratamento de afinação 9 Filtração 10 Desinfecção UV Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) Tratamento de lamas Estação onde as águas residuais de origem doméstica e industrial são tratadas para depois serem escoadas para o mar ou rio com um nível de poluição aceitável para o meio ambiente receptor. 12 Flotação de lamas biológicas 11 Espessamento de lamas primárias 13 Digestão anaeróbia de lamas 14 Desidratação de lamas 15 Silo de lamas ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ÁGUAS RESIDUAIS 77 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA DE LIXO A RECURSO Nos últimos anos, as mudanças radicais que atingiram o sector dos Resíduos chegaram ao léxico comum: hoje fala-se de recursos e não de lixo. De uma situação em que a actividade humana produzia restos sem qualquer valor, passou-se a outra em que o antigo “lixo” ganhou estatuto de recurso económico a ter em conta. A produção de energia, de fertilizantes naturais ou de cimentos e a reciclagem estão aí para o provar. 78 O sector dos Resíduos é talvez aquele em que as alterações são mais visíveis para o cidadão. Hoje, a recolha dos resíduos sólidos urbanos (RSU) e a deposição TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA controlada é feita praticamente a 100% (em 1991 não ultrapassava os 41%) e a última lixeira desapareceu da paisagem nacional em 2002. Agora há que reduzir a percentagem dos detritos depostos em aterro e, a que é a mais difícil tarefa de todas, diminuir a produção de resíduos, algo muito complicado numa sociedade de consumo. Além do mais, há que aumentar os valores da reciclagem e incrementar a valorização orgânica e energética dos RSU. AS ALTERAÇÕES MAIS VISÍVEIS O antigo “lixo” ganha estatuto de recurso económico a ter em conta O TEMPO DA DECOMPOSIÇÃO Deixados na Natureza, os materiais demoram muito tempo a “desaparecer” Vidro: 4000 anos a 1 milhão de anos Fralda descartável: 600 anos CD: 450 anos Tecido: de 100 a 400 anos Tampa de garrafa: 150 anos Lata de alumínio: de 80 a 100 anos Embalagem de plástico: de 30 a 40 anos Papel plastificado: de 1 a 5 anos Casca de banana: 2 anos Fósforos: 6 meses Papel: de 2 a 4 semanas OS NÚMEROS DA SOLUÇÃO 1 tonelada de pacotes de bebida reciclados evitam o abate de 20 árvores 1,5 barris de petróleo são poupados por cada tonelada de metal que se recicla Cada tonelada de vidro reciclado evita a utilização de 1,2 tonelada de matéria-prima (areia, calcário e soda) 84% do lixo doméstico pode ser reciclado 79 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA TRATAMENTO, VALORIZAÇÃO E DESTINO FINAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS 3 5 2 1 80 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA 4 6 7 Sistema integrado de tratamento de resíduos sólidos urbanos 1 Edifício administrativo/ instalações de apoio 2 Central de compostagem/valorização orgânica 3 Estação de triagem/armazenamento de recicláveis 4 Central de valorização energética 5 Edifício oficinal e armazém 81 6 Aterro sanitário 7 Sistema de tratamento de efluentes residuais líquidos TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Os fundos disponibilizados pelo FC possibilitaram a aquisição de melhor tecnologia e formação técnica num sector em que estava praticamente tudo por fazer. Tal como nas águas, também na gestão dos resíduos foram criados sistemas plurimunicipais, algo determinante em projectos que funcionam melhor quanto maior for a escala em que operam pois isso permite uma gestão optimizada. O PERSU I (*) foi o verdadeiro motor da organização do sector dos Resíduos em Portugal, criando um mercado sectorial no domínio do ambiente que actualmente emprega milhares de pessoas. No entanto, 63% dos resíduos que produzimos ainda são depositados em aterros (o PERSU definia a meta dos 23%), a valorização orgânica ficou-se pelos 7% (longe dos 25% do plano) e a reciclagem não vai além dos 9% dos resíduos produzidos (a meta eram 25%). Em 2005, a produção de RSU em Portugal Continental atingiu os 4,5 milhões de toneladas – qualquer coisa como 1,24 kg/habitante/dia –, com a Grande Lisboa e o Grande Porto a ocuparem o lugar de principais produtores de RSU. Sucessor do PERSU I, o PERSU II tem por objectivo aumentar a eficiência e eficácia e o cada vez menor recurso à deposição em aterro, bem como a maximização da reciclagem e de outras formas de valorização. As suas linhas de acção vão da prevenção da produção de resíduos à maximização da reciclagem. Tanto o PERSU I como o II têm em conta o 6.º Programa Comunitário de Acção em Matéria de Ambiente, que se rege pelos princípios básicos do poluidor-pagador, da precaução e acção preventiva e da correcção da poluição na fonte. Em conjunto, estes princípios visam uma gestão mais eficiente dos recursos e resíduos. O objectivo, quer das directivas comunitárias, quer das políticas nacionais, é transformar a UE numa “sociedade 82 OBRAS ESTRUTURAIS A dimensão do aterro sanitário do barlavento algarvio faz dele uma das grandes obras estruturais da região (*) Plano Estratégico de Resíduos Sólidos Urbanos. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA da reciclagem”, que procura evitar a criação de resíduos e os utiliza como um recurso. Para os próximos anos (2007-2016), as linhas de orientação estratégica do sector são traçadas tendo em conta o Protocolo de Quioto – como compromisso determinante na política dos resíduos – e a Estratégia de Lisboa – no que toca à sustentabilidade dos sistemas de gestão. Para este período o PERSU II apresenta um reforço na capacidade de produção de energia a partir de fontes endógenas e renováveis. Se a estratégia traçada for avante, o contributo indirecto dos RSU para a redução de gases com efeito estufa ultrapassará, em 2016, as 800 000 toneladas CO2. Esta solução passa não só pela reciclagem como pela substituição de fertilizantes por composto no sector agrícola e pela valorização energética dos resíduos. NÚMEROS SIGNIFICATIVOS: Uma tonelada de papel reciclado poupa entre 15 a 20 árvores. Uma tonelada de vidro reciclado poupa 1,2 toneladas de areia e pode-se obter uma tonelada de vidro. Com 4 garrafas de plástico recicladas faz-se uma t-shirt. Com 1000 latas de refrigerante pode-se fabricar uma bicicleta. Reciclando 2 toneladas de plástico poupa-se uma tonelada de petróleo. Uma tonelada de papel reciclado permite poupar muitos litros de água. Com uma tonelada de papel reciclado poupam-se cerca de 750kg de papel. 83 SISTEMAS PLURIMUNICIPAIS Tal como no sector das Àguas, também na gestão dos resíduos foram criados sitemas plurimunicipais ATERRO SANITÁRIO DO BARLAVENTO ALGARVIO (VISTA AÉREA) TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA TODOS SOMOS TODOS SOMOS UNIÃO UNIÃOEUROPEIA EUROPEIA CAPÍTULO IV OBRA FEITA TESTEMUNHAS DA MUDANÇA Várias pessoas acompanharam no terreno as acções que o Fundo de Coesão co-financiou. À frente de empresas ou encarregues de levar à prática os projectos que iriam modernizar os sectores do Ambiente e Transportes, são testemunhas da mudança. Recolhemos 20 depoimentos junto daqueles que, pela experiência e observação in loco, melhor podem falar do que mudou no País. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA 86 TODOS SOMOS TODOS SOMOS UNIÃO UNIÃOEUROPEIA EUROPEIA CAPÍTULO IV DAS LIXEIRAS ÀS CENTRAIS DE VALORIZAÇÃO ENERGÉTICA Fernando Leite, Administrador-Delegado da Lipor, conhece os problemas do “lixo” há mais de 20 anos. Economista, trabalhou na Câmara Municipal da Maia na área do Ambiente e, em 1982, foi convidado para a Lipor, onde está em dedicação exclusiva desde 1998. “O Fundo de Coesão foi o mais importante dos fundos comunitários. Se virmos o que era o ambiente nos anos 90 e o que foi a revolução no final dessa década, verifica-se que tudo o que foi feito tem o dedo do apoio comunitário e do FC”, garante. Constituída como associação de municípios em 1982, a Lipor usava lixeiras como destino final dos detritos por falta de verbas para apostar numa gestão melhor. “O Estado não podia afectar os custos necessários e a repercussão nos tarifários a cobrar à população tornava inviável a sustentabilidade do sistema”, explica Fernando Leite. 87 Para desenvolver sustentavelmente o projecto Lipor – que integra os TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Com a inauguração da Central de Valorização Orgânica fechou-se o ciclo na valorização integral dos resíduos. FERNANDO LEITE LIPOR 88 municípios de Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Póvoa do Varzim, Porto, Valongo e Vila do Conde – eram necessárias tecnologias, técnicos e especialistas, recursos financeiros e planos estratégicos. “A Europa deu-nos o que nos faltava. Uma oportunidade única de fazermos benchmarking, um importante apoio financeiro, a possibilidade de podermos ter as mesmas metas, quadros legais e regulamentações que os Sistemas de Gestão de Resíduos Sólidos das grandes cidades europeias”, explica. funcionamento um Centro de Triagem, uma Central de Valorização Orgânica e a Central de Valorização Energética. Também foi feita a recuperação das antigas lixeiras – algumas transformadas em parques urbanos – e montada uma Estrutura de Comunicação e Sensibilização Ambiental. Está em A Lipor serve um milhão de habitantes e tem em CARTAZ DE UMA DAS CAMPANHAS DE INFORMAÇÃO AO PÚBLICO TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA CENTRAL DE VALORIZAÇÃO ENERGÉTICA DA LIPOR CICLO COMPLETO A Lipor tem em funcionamento uma Central de Triagem, uma Central de Valorização Orgânica e uma Central de Valorização energética preparação a abertura do primeiro aterro “carbono zero” do País. Para Fernando Leite, a inauguração da Central de Valorização Orgânica foi o momento mais marcante dos últimos anos: “Com ela fechou-se o ciclo na valorização dos resíduos.” Hoje, a Lipor está certificada em termos de Qualidade, Ambiente e Higiene e Segurança e continua a investir na promoção da sua experiência a nível nacional. Em 2007 reciclou 50 mil toneladas de resíduos no Grande Porto. Com as 18,9 mil toneladas de papel e cartão foram salvas mais de 300 mil árvores e as 17,4 mil toneladas de vidro reciclado levaram à poupança de dois milhões de litros de petróleo. Neste momento a Central de Valorização Energética da Lipor é responsável por 1% da produção nacional de energia. “Em 2007 exportámos para a REN 184 mil Mhwz/hora de energia – o consumo de uma cidade de 150 mil habitantes”, garante Fernando Leite. Na Grande Lisboa, a Valorsul tem o mesmo tipo de actividade. 89 Em conjunto, as centrais da Lipor e da Valorsul produzem 2,5% da energia nacional. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Com um ecoponto por cada 150 habitantes, três novos ecocentros e duas estações de triagem, a Madeira apresenta taxas de reciclagem acima da média nacional. JOANA RODRIGUES VALOR AMBIENTE SISTEMA DE TRATAMENTO INTEGRADO A ETRS da Meia Serra foi o primeiro sistema integrado de tratamento e destino final de resíduos sólidos em Portugal 90 Joana Rodrigues, Presidente do Conselho de Administração da Valor Ambiente – o sistema multimunicipal encarregue da valorização dos resíduos na ilha da Madeira –, acredita que “as intervenções do FC contribuíram fortemente para os objectivos da política ambiental (...) reforçando a coesão económica e social nas regiões apoiadas”. No caso da Madeira, o FC “foi a alavanca para a constituição, em Agosto de 2004, desta sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS DA MEIA SERRA (ILHA DA MADEIRA) TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA EDIFÍCIO DO CPRS Os resíduos provenientes da recolha na ilha de Porto Santo são transportados por via marítima para a ETRS da Meia Serra e tratados no Centro de Processamento de Resíduos Sólidos (CPRS) porquanto contribuiu de forma decisiva para a construção do sistema de transferência, triagem, tratamento e destino final da gestão de resíduos”. Depois de concluídas as infra-estruturas – de que se destaca a Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos (ETRS) da Meia Serra – era necessário construir um modelo de prestação de serviços, com um método de gestão flexível que viabilizasse um desenvolvimento sustentável garantindo melhor qualidade de vida da população e dinamismo da economia. O investimento, que representou um montante total elegível de 153 milhões de euros, teve uma comparticipação do FC de 66,74%. No terreno, o projecto traduz-se em obras de requalificação ambiental com a selagem de aterros ou, no caso da ampliação e remodelação da ETRS da Meia Serra, na instalação de processos de tratamento e valorização como a compostagem, a incineração de RSU e a incineração de resíduos hospitalares e de matadouros, ambos com aproveitamento de energia e sistema de tratamento de gases. “O FC tem constituído um modelo fundamental na organização e na consolidação de mecanismos de gestão adoptados na empresa”, garante Joana Rodrigues. A responsável destaca ainda a importância do envolvimento da sociedade civil para a eficácia do sistema. Com um ecoponto por cada 150 habitantes, três novos ecocentros e duas estações de triagem, a Madeira apresenta taxas de reciclagem acima da média nacional. Para a responsável da Valor Ambiente, “importa que o FC inclua nos seus instrumentos as ferramentas necessárias para sustentar o conhecimento, a ciência e a inovação tecnológica”. Os auxílios de natureza social, destinados a assegurar a aplicação do princípio do poluidor-pagador, também devem ser ponderados. 91 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Na década de 90, o tratamento resumia-se à deposição de resíduos em aterro. Em 1997 foram recolhidas 10 mil toneladas de embalagens e, em 2007, 60 mil toneladas. LUÍS ALVES VALORSUL Criada em 1994, a Valorsul tem a cargo a gestão e valorização dos resíduos da Grande Lisboa. Luís Alves, Administrador, recorda o início da década de 90 como uma época em que “o tratamento se resumia à deposição de resíduos em aterro”. 92 As quantidades de vidro e cartão para reciclagem eram inexpressivas, bem como as do composto destinado à agricultura, produzido na central de Beirolas. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA CENTRAL DE TRATAMENTO DE RSU DA VALORSUL Inaugurada no ano 2000, foi considerada pela Ordem dos Engenheiros uma das obras de engenharia do século XX A situação alterou-se drasticamente. “Em 1997 foram recolhidas 10 mil toneladas de embalagens e, em 2007, passou-se para 60 mil toneladas”, explica Luís Alves. O plano inicial de gestão integrada de RSU da Valorsul previa a construção de um centro de triagem, da estação de valorização orgânica e digestão anaeróbia (com produção de energia eléctrica e composto para agricultura), da central de incineração de RSU não separados (com produção de energia eléctrica) e de um aterro sanitário. O conjunto foi completado com a instalação da valorização das escórias e o desenvolvimento de programas de sensibilização ambiental. A isto a Valorsul planeia acrescentar, no futuro, a compostagem doméstica. Mas não foi um processo fácil. Além de gerir custos, prazos e o consenso entre os accionistas, a empresa lidou ainda com a resistência da população em aceitar este tipo de instalações. Para Luís Alves, “o FC teve um papel decisivo financiando, a fundo perdido, quase 50% dos investimentos”. Sem este apoio a tarifa duplicaria, tornando-se impossível de suportar pelos clientes. 93 ESTAÇÃO DE TRATAMENTO E VALORIZAÇÃO ORGÂNICA Os resíduos orgânicos transformam-se em composto para a agricultura TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Numa década, a criação do aterro sanitário permitiu o encerramento das lixeiras nos seis concelhos abrangidos. ALMERINDA ANTAS VALORLIS Na região Centro o intenso envolvimento da Valorlis realizou em 10 anos investimentos num total de 27 milhões de euros. Criado em 1996, este sistema abrange os concelhos da Batalha, Leiria, Marinha Grande, Pombal, Ourém e Porto de Mós, e serve 297 mil habitantes. de recolha selectiva que conta com 710 ecopontos e uma estação de triagem. Numa década, a criação do aterro sanitário permitiu o encerramento das lixeiras nos seis concelhos e foi posto em prática um sistema Uma situação que se vai manter, já que a aprovação da candidatura conjunta Valorlis/Resioeste ao Fundo de Coesão irá permitir “A instalação da Valorlis permitiu melhorar a qualidade ambiental desta região”, garante Almerinda Antas, Presidente do Conselho de Administração. 94 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA a construção de uma unidade de valorização orgânica em Leiria. Tal como as suas congéneres de Lisboa e Porto, também a Valorlis desenvolve, desde 1998, campanhas de informação, o que valeu à empresa – certificada para o Ambiente, Qualidade e Higiene e Segurança no Trabalho – a atribuição do Prémio Tema Especial no concurso Cidades Limpas em 2000/2001 e do Prémio Plastval em 2003. CONCURSO CIDADES LIMPAS Este concurso internacional de limpeza pública urbana foi criado em 1987, Ano Europeu do Ambiente, pela ISWA – International Solid Waste Association. A edição portuguesa é, desde o início, organizada pela APESB – Associação Portuguesa de Engenharia de Saneamento Básico. IMAGEM DA CAMPANHA SENSIBILIZAR PARA MOTIVAR A MUDANÇA Tal como as suas congéneres de Lisboa e Porto também a Valorlis desenvolve campanhas de informação. Algumas foram premiadas por iniciativas europeias QUANTO MAIS MELHOR Atribuído pela empresa com o mesmo nome, o Prémio Plastval visa premiar instituições que revelem mérito na área de reciclagem de plásticos e um dos critérios de avaliação prende-se com a quantidade de materiais entregues para reciclagem. 320 toneladas de plástico recolhido durante o ano de 2002 valeram à Valorlis o prémio na edição de 2003. Até então, foi o valor mais alto do País. Mas a recolha de materiais tem registado aumentos consideráveis de ano para ano. Apenas a título de exemplo, só no primeiro semestre de 2007 a Valorlis recolheu mais de 650 toneladas de embalagens de plástico. 95 Fonte: http://www.valorlis.pt TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA 96 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA MAIS QUALIDADE NA TORNEIRA, MENOS POLUIÇÃO NOS RIOS Com métodos de tratamento de água mais modernos, sistemas multimunicipais que promovem uma gestão eficaz e económica e instalações requalificadas, em pouco mais de 10 anos o sector da água aumentou a qualidade do serviço e os níveis de atendimento, com os consequentes benefícios ambientais. José Silva Carvalho, Administrador da Águas do Douro e Paiva, tem bem vivos na memória os graves problemas de abastecimento de água no Grande Porto nos anos 80: “Havia deficiências tanto na exploração dos recursos hídricos como no fornecimento de água potável. (...) As rupturas constantes no abastecimento, a insuficiência de captação e a sua vulnerabilidade à poluição e, sobretudo, a generalizada falta de qualidade da água deixavam transparecer o atraso estrutural da região.” 97 Os sistemas multimunicipais foram a solução. Com eles deu-se o “nascimento de uma verdadeira indústria da água”. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Havia deficiências tanto na exploração dos recursos hídricos como no fornecimento de água potável. (...) Os sistemas multimunicipais foram a solução. JOSÉ SILVA CARVALHO ÁGUAS DO DOURO E PAIVA 98 O acesso ao FC foi o “motor e elo de agregação que permitiu ultrapassar diferendos de décadas e iniciar projectos de abastecimento de dimensão metropolitana”. De então para cá, foram construídas 25 estações elevatórias, quatro Estações de Tratamento de Água – ETA, 400 quilómetros de condutas adutoras e 27 reservatórios. “Só assim foi possível realizar as obras previstas no plano de investimentos da empresa, mantendo as tarifas de água socialmente aceitáveis”, admite José Silva Carvalho. Foi neste contexto que nasceu, em 1995, a Águas do Douro e Paiva, que actualmente abastece os 1,7 milhões de habitantes dos 18 municípios do Grande Porto. No total, entre 1996 e 2006 foram investidos, no conjunto do sistema, 346 milhões de euros, 160 milhões dos quais comparticipados pelo FC (46% do investimento). A empresa prepara-se agora para alargar o sistema a mais dois municípios e entrar na área do saneamento “em alta” noutros seis. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA ÁGUA DE QUALIDADE EM 18 MUNICÍPIOS A Águas do Douro e Paiva abastece 1,7 milhões de habitantes dos 18 municípios do Grande Porto DE DESTACAR Entre 1995 e 2007 foram construídas, só pelas Águas do Douro e Paiva: 25 estações elevatórias; 4 Estações de Tratamento de Água; 400 quilómetros de condutas adutoras; 27 reservatórios que beneficiam 1,7 milhões de habitantes de 18 municípios do Grande Porto. 99 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA A ria de Aveiro é um valor ambiental como não há outro no País. SÉRGIO LOPES SIMRIA 100 Sérgio Lopes é Presidente da SIMRIA, sistema multimunicipal criado na década de 90 para resolver o problema de poluição da ria de Aveiro. a Portucel, possuíam estações de tratamento próprias mas, como depois de tratada a água voltava à ria, esta não tinha o tempo suficiente para se reequilibrar. Situada numa região fortemente industrializada, a ria de Aveiro viveu dias complicados, com estruturas como a Portucel, em Cacia, ou o complexo petroquímico de Estarreja a fazerem a descarga dos seus efluentes directamente para a ria. Gigantes industriais como Para lidar com a poluição da ria o sistema integrava os concelhos de Águeda, Albergaria-a-Velha, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Mira, Murtosa, Oliveira do Bairro, Ovar e Vagos, a que se juntaram Espinho e Santa Maria da Feira – com o projecto de despoluição da Barrinha de Esmoriz – e Cantanhede. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Este é um projecto nascido ainda nos anos 80 que só não avançou primeiro por falta de financiamento, mas que veio, finalmente, responder a um anseio da população: “Todos querem uma solução para a ria.” Economista, Sérgio Lopes construiu a sua vida profissional “à volta da água”. Primeiro nos SMAS da Câmara Municipal de Matosinhos, depois enquanto Gestor do Fundo de Coesão, como interlocutor sectorial do UMA SOLUÇÃO PARA A RIA A SIMRIA foi criada para resolver o problema da poluição da ria de Aveiro e responder aos anseios da população ambiente. Integrou seguidamente as Águas de Portugal e desde 1998 já passou pela Águas do Douro e Paiva, Águas do Cávado e, finalmente, a SIMRIA. O responsável não tem dúvidas de que hoje a qualidade da água na ria de Aveiro é muito melhor do que há 10 anos. A despoluição da barrinha de Esmoriz e da Pateira de Fermentelos são as actuais apostas da SIMRIA. A primeira envolve um investimento de 23 milhões de euros, sendo co-financiada a 59% pelo FC. Anteriormente, a despoluição da ria de Aveiro obrigou a um investimento de 154 milhões de euros, com um co-financiamento de 85%. A primeira fase da despoluição dos rios Cértima e Levira implica um investimento de 12,4 milhões de euros co-financiados a 48%. É FÁCIL POUPAR ÁGUA Poupe o ambiente e nas suas despesas. Ao fechar a torneira enquanto lava os dentes pode poupar até 16 litros de água. Uma torneira a pingar pode desperdiçar 190 litros de água por dia. 101 Cinco minutos é o tempo suficiente para tomar um duche. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Em 2011, com a conclusão das obras, os níveis de atendimento de drenagem e tratamento de águas residuais terão valores semelhantes à média europeia. ARNALDO PÊGO SIMARSUL 102 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA A península de Setúbal, onde se inserem áreas tão sensíveis como as bacias do Tejo e do Sado, a lagoa de Albufeira ou o Parque Natural da Arrábida, é a região de trabalho da SIMARSUL. a construção e beneficiação de sistemas de drenagem, elevatórios e ETAR. Ao todo, serão 240 quilómetros de sistemas de drenagem gravítica e elevatórios, 107 estações elevatórias e 27 ETAR. Este sistema multimunicipal abrange os municípios de Alcochete, Barreiro, Moita, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal e o seu plano de investimentos prevê Em 2011, com a conclusão das obras, os níveis de atendimento de drenagem e tratamento de águas residuais terão valores semelhantes à média europeia. A construção de infra-estruturas e o tratamento das águas contribuem para a melhoria das condições de vida e da competitividade desta região de elevado valor ambiental COSTA DE SETÚBAL LUTA PELO EQUILÍBRIO AMBIENTAL Para Arnaldo Pêgo, Presidente do Conselho de Administração da SIMARSUL, “a construção de infra-estruturas e o tratamento das águas contribuem, de forma incontornável, para a melhoria das condições de vida e da competitividade desta região de elevado valor ambiental. Asseguram a preservação de recursos hídricos da península de Setúbal, cuja importância é estratégica, garantindo a continuidade de práticas tradicionais como a pesca, as actividades balneares e os desportos náuticos”. A actuação da SIMARSUL veio possibilitar a melhoria das condições sanitárias e a despoluição das bacias do Tejo, Sado, ribeira de Coina e costa atlântica. O plano de investimentos da Simarsul, avaliado em 181 milhões de euros, é co-financiado pelo FC a 26% (cerca de 47,4 milhões de euros — 65% do projecto co-financiado). O convívio entre a indústria, a agricultura e áreas de grande importância ambiental e paisagística nem sempre é fácil. A presença marcante das suiniculturas na península de Setúbal levou à criação do Sistema Integrado de Gestão de Efluentes Suinícolas da Península de Setúbal. Ainda em fase de arranque, o sistema – que será apoiado pelo QREN – abrange os municípios de Alcochete, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Setúbal, Seixal e Sesimbra. As infra-estruturas de recolha, tratamento e descarga dos efluentes suinícolas irá obrigar ao investimento de 33 milhões de euros. 103 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA (...) Os principais problemas com que se debatia a região estavam relacionados com a garantia das origens da água, dos volumes necessários ao abastecimento da qualidade da água distribuída. ANTÓNIO VENTURA ÁGUAS DO CENTRO ALENTEJO Até 2002, no distrito de Évora predominavam os sistemas de abastecimento e saneamento de pequena dimensão. Embora os níveis de atendimento fossem bons (entre 83% e 99%), não correspondiam aos níveis de qualidade desejável no serviço prestado. 104 A Águas do Centro Alentejo foi constituída em 2003, abrangendo seis dos 14 municípios do distrito de Évora – Alandroal, Borba, Évora, Redondo, Reguengos de Monsaraz e Mourão – e servindo uma superfície total de 3200 quilómetros quadrados e uma TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA população de 90 mil habitantes. Na altura foram definidos dois subsistemas e um aquífero para o abastecimento e dois subsistemas para o saneamento. No ano seguinte foram iniciados novos projectos de execução do sistema. António Ventura, Administrador-Delegado da empresa, traça as diferenças sentidas. “A fiabilidade dos sistemas era baixa, sendo frequentes as interrupções de abastecimento e os problemas de qualidade da água, em particular no período de estiagem”, recorda. A isto juntava-se uma gestão frágil que não levava em conta critérios de sustentabilidade económica, financeira e ambiental. “Em termos de abastecimento de água, os principais problemas com que se debatia a região estavam relacionados com a garantia, nas origens da água, dos volumes necessários ao abastecimento e da qualidade da água distribuída”, recorda António Ventura. As secas de 89/90 e 94/95 tiveram efeitos na degradação da qualidade da água, com o ponto crítico a ser atingido no Verão de 95. O actual sistema prevê a melhoria das infra-estruturas existentes e a construção de novas ETA. Mas as características da região colocam dificuldades: “A dispersão e dimensão dos aglomerados, a orografia dos terrenos e as flutuações das populações concorrem para reduzir as possibilidades de tirar proveito do efeito de escala.” Os desafios da empresa não terminam por aqui. A apresentação dos 11 projectos turísticos – de interesse nacional – para a região do Alqueva perspectiva “um aumento significativo das actividades da Águas do Centro Alentejo”. DESAFIOS PRÓPRIOS DA REGIÃO Os períodos de seca, a orografia dos terrenos e a flutuação das populações são alguns dos desafios que a Águas do Alentejo teve de contornar PROJECTOS DE INTERESSE NACIONAL A água é um elemento essencial para os novos projectos da região do Alqueva. O investimento total ronda os dois mil milhões de euros e abrange vários concelhos. Herdade do Barrocal Aldeamento e agricultura biológica. Monsaraz Parque Alqueva Aldeamentos turísticos, hotéis, agricultura biológica, centro equestre, centro de desportos náuticos, campos de golfe, unidade de saúde. Herdade do Mercador Hotel, centro náutico, aldeamento, spa. Mourão Herdade das Ferrarias Hotel, aldeamento, medical spa. Montemor-o-Novo Herdade das Valadas Aldeamento. Évora Évora Resort Dois hotéis na cidade. Herdade dos Almendres Hotel e campo de golfe. Redondo Herdade da Palhete Hotel, turismo imobiliário. 105 Alandroal Recuperação da fortaleza da Juromenha. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA No abastecimento, o nível de atendimento passou de 82% em 1993 para os actuais 96%, e no saneamento de 73% para 90%. ANTÓNIO BOTA BARREIROS ÁGUAS DO ALGARVE 106 Mais a sul, com uma economia baseada no turismo e uma população residente muito variável, no final dos anos 90 o Algarve constituía um verdadeiro desafio no que toca à água. No fim dessa década foram criadas duas empresas multimunicipiais, a Águas do Sotavento Algarvio e a Águas do Barlavento Algarvio, que em 2000 deram origem à Águas do Algarve. “Um dos investimentos mais importantes dos últimos 30 anos no Algarve, do ponto de vista do desenvolvimento sustentável, da diversidade e complexidade TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA técnica e da dimensão e extensão do empreendimento”, é assim que António Bota Barreiros, Director de Estudos e Planeamento da empresa, define este sistema. A grande variedade pluviométrica, a ocorrência frequente de anos secos e a distribuição irregular dos recursos disponíveis obrigavam a recorrer aos recursos hídricos subterrâneos. Ao mesmo tempo, o turismo reclamava cada vez mais volumes de água. “A pressão exercida efectuava-se a um ritmo tal que boa parte dos aquíferos, em especial durante vários anos de seca, revelavam uma significativa redução de produtividade e diminuição da qualidade ”, recorda Bota Barreiros. A solução passava pelo aproveitamento das águas superficiais das bacias das ribeiras de Odeleite e Beliche (Sotavento) e Odelouca e Funcho (Barlavento). Hoje, a Águas do Algarve abastece 1,25 milhões de habitantes (em época alta) através de 62 pontos de entrega em 15 municípios. A empresa está numa fase de pleno investimento até 2011, que UM DOS INVESTIMENTOS MAIS IMPORTANTES DOS ÚLTIMOS 30 ANOS NO ALGARVE Visita de delegação da Comissão Europeia à ETAR de Vila Real de Santo António ETAR DE VILA REAL DE SANTO ANTÓNIO (FASE DE CONSTRUÇÃO) envolve 260 milhões de euros. Estão a ser criados novos pontos de entrega, mais condutas e estações elevatórias no interior. No abastecimento, o nível de atendimento passou de 82% em 1993 para os actuais 96%, e no saneamento de 73% para 90%. O motor de arranque de todo o processo foram os investimentos iniciais, feitos nas infra-estruturas do litoral, que obtiveram um financiamento do FC à taxa de 85%. “Para as infra-estruturas de saneamento o financiamento do FC é bastante mais reduzido: corresponde a um quinto do total”, recorda o responsável. Para concluir todos os investimentos necessários está envolvido um valor total de 260 milhões de euros. A região ainda tem problemas a resolver. Vila Real de Santo António e Monte Gordo drenam os seus efluentes, sem tratamento prévio, para o estuário do Guadiana, algumas Estações de Tratamento de Águas Residuais – ETAR estão subdimensionadas e há situações particulares, como as de Vila do Bispo e Aljezur, que integram a paisagem protegida do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e precisam de cuidados específicos. No futuro será necessária a conclusão da barragem de Odelouca, bem como a construção de um reservatório de grande capacidade no Barlavento, um Laboratório Central, reforço, ampliação e construção de ETAR e a criação de uma central de Tratamento e Valorização de Lamas de ETAR. 107 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA As condicionantes da ilha levaram a soluções inovadoras como o escoamento em pressão ou a passagem da conduta adutora principal pelo interior de viadutos e túneis viários. GONÇALO VALENTE IGA INVESTIMENTOS E GESTÃO DA ÁGUA Na ilha da Madeira, as características únicas do terreno colocaram desafios à modernização da gestão e abastecimento de água naquela região autónoma. 108 Gonçalo Valente, membro do Conselho de Administração do IGA, destaca “o relevo acidentado, recortado por vales profundos e com bacias hidrográficas pouco extensas (...) e a não existência de quaisquer lagos ou lagoas naturais”. A precipitação favorável e o tipo TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA geográfico da ilha resultam em zonas de elevada infiltração que dão origem a um grande número de aquíferos subterrâneos e nascentes (sobretudo na parte norte), mas os recursos variam muito consoante as estações do ano. Além disso, a geologia adversa não permite a construção de barragens. “Na década de 80, a Madeira atravessava sérios problemas de abastecimento de água nos seus concelhos mais populosos. O problema principal estava na impossibilidade da transferência da água das principais origens para as zonas urbanas”, explica Gonçalo Valente. Problemas que só foram resolvidos com o apoio do FC. Deu-se início à construção de um sistema multimunicipal que interligou as duas origens municipais (ETA de Santa Quitéria e Alegria) e as diversas galerias e furos de captação existentes. No Inverno o sistema recorre às águas superficiais captadas LAGOA DE ÁGUA MANSAS Permite que no Inverno haja acumulação de 200 000m3 de água, diversificando as origens da mesma LAGOA DE ÁGUA MANSAS SISTEMA SOB PRESSÃO em altitude, processando-se o abastecimento por gravidade com uma importante componente de produção de energia eléctrica nas centrais mini-hídricas. No Verão é feita a injecção, por bombagem, de caudais extraídos em furos de captação em cotas mais baixas. Numa tentativa de diversificar as origens da água, o IGA, com o apoio do FC, promoveu a construção da lagoa de Águas Mansas que permite a acumulação, no Inverno, de 200 000 m3 de água. Actualmente a totalidade da água distribuída na ilha é sujeita a tratamento. De 1974 até agora a Madeira conta com 11 ETA, sendo a ETA da Alegria, com capacidade de 80 000 m3/dia, a mais importante construída pelo IGA. As condicionantes da ilha levaram a soluções inovadoras como o escoamento em pressão – que atinge condições de funcionamento fora do vulgar – ou a passagem da conduta adutora principal pelo interior de viadutos e túneis viários, dada a dificuldade O sistema adutor intermunicipal que liga Câmara de Lobos a Machico interliga três estações de tratamento de água, duas centrais mini-hídricas, 13 furos de captação de água, 11 estações elevatórias e aduz cerca de 30 reservatórios. Em resposta às características únicas da ilha, este sistema regista usualmente pressões de serviço superiores a 30 bar e tem estações elevatórias com alturas manométricas superiores a 250 metros. Outra particularidade deste sistema é a de possuir duas centrais mini-hídricas para aproveitamento do excesso de energia, cuja potência instalada total é de 2,7 MW. 109 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA de passagem de condutas pelos vales profundos e recortados. anual muito reduzida e com a escassez dos recursos. “O sistema liga não só um grande conjunto de origens como os principais reservatórios. O que permite que em tempo real se optimize a exploração”, garante o responsável. Em meados dos anos 70 o Governo criou uma central de dessalinização – das primeiras a usar a técnica a nível mundial – que foi ampliada até atingir os 6000 m3/dia actuais. Entretanto, na ilha passou também a fazer-se tratamento das águas residuais usadas depois na rega do campo de golfe. Em Porto Santo os problemas de captação da água prendiam-se com uma precipitação média LUTAR CONTRA A ESCASSEZ Rodeada de água mas com baixos níveis de precipitação, a ilha de Porto Santo resolveu parte dos seus problemas de abastecimento recorrendo à água do mar. A sua estação de dessalinização foi das primeiras, a nível mundial, a usar esta tecnologia, ainda nos anos 70. CENTRAL DE DESSALINIZAÇÃO Criada nos anos 70, com o Fundo de Coesão a sua capacidade foi aumentada para 6000m 3/dia 110 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA ÁGUA COMO FONTE DE ENERGIA O FC também ficará ligado à história do projecto do Alqueva como co-financiador da sua central hidroeléctrica, a única no Sul do País. Os rendimentos gerados pela central irão financiar a sua operação. Além disso, suportarão parte do investimento efectuado na sua construção. A central insere-se no objectivo europeu de, em 2010, alcançar uma produção de energia renovável correspondente a 12% do total do consumo na União Europeia. “Tem a particularidade de estar equipada com grupos reversíveis, o que permite o armazenamento da energia produzida pelas centrais eólicas durante as horas do dia em que for excedente”, esclarece Vicente Reis, Vogal da administração da Empresa de Desenvolvimento de Infra-Estruturas do Alqueva (EDIA). Entretanto foi celebrado um contrato entre a EDIA e a Rede Eléctrica Nacional (REN), em que a primeira vende à segunda “toda a energia emitida e potência e serviços de sistema disponibilizados pelos grupos da Central Hidroeléctrica do Alqueva”. “Em cada hora de turbinamento poderão produzir-se 260 Mwh, o que permitirá uma produção anual, em média, de 460 Ghw. O equivalente ao total dos consumos doméstico, industrial e agrícola e de serviços de todo o distrito de Beja”, explica Vicente Reis. Desde o início da exploração até à entrada em funcionamento do mercado ibérico de electricidade (MIBEL), a 1 de Julho de 2007, a receita obtida pela EDIA foi de 22,14 milhões de euros. De Julho até à assinatura do contrato de concessão da exploração das centrais do Alqueva e Pedrógão e subconcessão do Domínio Público Hídrico – o qual permitiu um encaixe financeiro de 195 milhões de euros – a, receita da EDIA, obtida pela exploração do Alqueva, foi de 1,09 milhões de euros. 111 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA ALQUEVA 112 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Barragem do Alqueva 1968, o projecto da Barragem de 2002 procedeu-se ao Uma barragem única Alqueva foi aprovado em 1975. As encerramento das comportas e ao obras começaram no ano seguinte início do enchimento da albufeira. e foram interrompidas em 1978. A central hidroeléctrica com o Com 250 quilómetros quadrados à Apesar de, em 1980, o Conselho financiamento do Fundo de Coesão cota máxima, a Barragem de de Ministros ter determinado o foi inaugurada em 2004 e, um ano Alqueva é hoje o maior lago artificial retomar dos trabalhos, as máquinas depois, foi concluído o contra- da Europa e a maior barragem só voltaram em 1995 depois de, -embalse, a Barragem de portuguesa. em 1993, ter sido criada e Pedrógão.Passados menos de 10 Construída na bacia do Guadiana Comissão Instaladora da Empresa anos, a barragem, com 96 metros com o objectivo de garantir o do Alqueva. Já com os trabalhos a acima da fundação e quase meio regadio a toda a zona do Alentejo e avançar, em 1996, através da quilómetro (458 metros) de aumentar a produção eléctrica resolução 8/96 do Conselho de comprimento de coroamento, é nacional, a obra teve uma história Ministros, determinou-se que o hoje um pólo de atracção turística. atribulada. Depois da celebração projecto avançaria, com ou sem E o grande lago tornou-se destino do Convénio Luso-Espanhol para o apoio comunitário. O financiamento para os amantes dos desportos uso dos rios internacionais, em europeu acabou por chegar e, em náuticos e do turismo de natureza. 113 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA 114 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA PORTOS ABERTOS AO FUTURO Nos últimos 13 anos o porto de Leixões, o maior porto artificial do País, sofreu várias transformações. Com base no respectivo Plano de Ordenamento e Desenvolvimento – feito em 1995 e realizado quase na íntegra com o apoio do FC –, foram feitos investimentos que melhoraram as acessibilidades, as condições de exploração portuária e os sistemas de Informação, Segurança e Telecomunicações. Como resultado, a segurança operacional foi aumentada, minimizaram-se os conflitos entre tráfego portuário e tráfego urbano, melhorou-se a ligação entre os diversos sectores portuários de Leixões e puseram-se em prática sistemas de segurança como o Vessel Traffic System (VTS). Prevê-se que em 2008 o porto de Leixões ultrapasse pela primeira vez o limite dos 15 milhões de toneladas de carga movimentada e registe um crescimento significativo da procura na carga contentorizada (um aumento na ordem dos 180% entre 1993 e 2008). No que toca às acessibilidades terrestres, foi feita a aposta na separação do tráfego urbano e portuário. 115 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA A competitividade do porto de Leixões foi reforçada pelos investimentos realizados com o apoio do Fundo de Coesão. AMÉLIA CASTRO PORTO DE LEIXÕES O investimento global elegível promovido pela APDL no porto de Leixões, no âmbito do Fundo de Coesão, ascendeu a 55,8 milhões de euros, com uma comparticipação comunitária associada de 38,3 milhões de euros. 116 Com o apoio do Fundo de Coesão o porto de Leixões melhorou significativamente as suas acessibilidades terrestres. Foram construídos cerca de 4,6 quilómetros no interior do porto, o que possibilitou reordenar o trânsito e ligar todas as áreas de exploração portuária. Este investimento permitiu posteriormente criar uma nova via de acesso exclusivo ao porto, a VILPL – Via Interna de Ligação TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA ao porto de Leixões, com uma extensão de 3 quilómetros, que veio separar o tráfego portuário do tráfego urbano, retirando mais de 2000 camiões por dia do centro da cidade de Matosinhos. Realizaram-se ainda investimentos na reconversão tecnológica de equipamentos e uma aposta segura em novos sistemas de Informação, Ambiente e Segurança. Exemplos disso foram a montagem de um sistema de controlo de tráfego, o VTS – Vessel Traffic Service, e a implementação de um sistema de Gestão Comercial Portuária – GCP, primeiro passo para o desenvolvimento actual de uma plataforma comum aos principais portos portugueses de gestão da actividade portuária – Janela Única Portuária. Os investimentos efectuados nos vários segmentos de mercado — carga contentorizada, roll-on/ roll-off; granéis agro-alimentares, carga geral, ao nível da melhoria das condições de exploração; reconversão e reabilitação de terminais, como é exemplo o cais da Doca n.º 2 que permitiu reactivar dois novos postos de acostagem; construção de novos terminais, como o Terminal RollOn/Roll-Off, e aquisição de novos equipamentos – possibilitaram que o porto de Leixões aumentasse significativamente a sua capacidade competitiva, tornando-se uma referência para o seu hinterland. EM GRANDE MOVIMENTO Em 2005 este porto ultrapassou pela primeira vez o limite dos 14 milhões de toneladas de carga movimentada PORTO DE LEIXÕES 117 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Achados arqueológicos durante a execução da obra. MARTA ALVES PORTO DE AVEIRO Na década de 90 também o porto de Aveiro era afectado por constrangimentos nos acessos. As mudanças sofridas a partir de 2000 permitiram a captação de novas cargas e o aumento de tráfego. 118 Marta Alves acompanhou todo o processo e analisa desta forma o papel do FC: “Permitiu ao porto de Aveiro reforçar a sua estratégia de oferta de infra-estruturas portuárias especializadas e mais competitivas, não só para possibilitar a escala de navios TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA de maior porte, mas agora também está servido de infra-estruturas ferroviárias.” Dos trabalhos iniciados em 2000 – que levaram à construção do Terminal Especializado de Granéis Sólidos – falta concluir a beneficiação da Via de Cintura Portuária. Para Marta Alves, o sucesso do porto passa, numa segunda fase, pela sua promoção junto dos agentes económicos. Em oito anos de trabalho houve momentos verdadeiramente surpreendentes. Como recorda Marta Alves, um deles teve dimensões históricas: “Foi a paragem da empreitada dos trabalhos de dragagem para construção do Terminal de Granéis Sólidos devido a uma descoberta arqueológica na ria de Aveiro – vestígios de uma embarcação portuguesa do século XIV-XV, que se crê ser a mais antiga encontrada em Portugal, já que grande parte do nosso património arqueológico nesta matéria se perdeu em 1755 com o terramoto.” VESTÍGIOS DE EMBARCAÇÃO PORTUGUESA DO SÉCULO XIV-XV Os vestígios arqueológicos que fizeram parar os trabalhos de dragagem pertencem à mais antiga embarcação encontrada em Portugal PORTO DE AVEIRO 119 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Pretendeu-se não só criar melhores condições para o transporte marítimo de curta distância aumentando a competitividade do porto de Setúbal, como também diminuir a dependência de Portugal face aos portos espanhóis. VÍTOR CALDEIRINHA PORTO DE SETÚBAL E SESIMBRA 120 Em Setúbal, o Director de Desenvolvimento Estratégico e Logístico da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), Vítor Caldeirinha, caracteriza como essencial a intervenção do FC: “Foi determinante para o crescimento do porto de Setúbal na medida em que proporcionou a concretização de projectos fundamentais para a TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA melhoria da sua competitividade, incidindo no domínio dos sistemas e tecnologias da informação, das infra-estruturas portuárias e da segurança, prevenção e assistência à navegação.” Como exemplo refere o Centro de Controlo de Tráfego Marítimo, que trouxe melhorias ao nível da segurança e a nível ambiental, pois diminuíram os encalhes e colisões, susceptíveis de causar derrames de combustível. Foi criado o maior terminal multiusos do País, com 724 metros de cais acostável e 23 hectares de terrapleno pavimentado e infra-estruturado. A obra teve um investimento de 29 milhões de euros e foi co-financiada pelo FC. O MAIOR TERMINAL MULTIUSOS DO PAÍS (ZONA 2) PORTO DE SETÚBAL Pretendeu-se não só criar melhores condições para o transporte marítimo de curta distância aumentando a competitividade do porto de Setúbal, como também diminuir a dependência de Portugal face aos portos espanhóis. Foi ainda levada a cabo a extensão do Terminal de Ro-ro para montante e a recuperação ambiental e funcional do Terminal Eurominas. A APSS tem ainda como projectos prioritários a melhoria dos acessos marítimos aos terminais comerciais e a recuperação ambiental e funcional do Terminal de Granéis Sólidos e respectivos acessos terrestres. 724 metros de cais acostável 23 ha de terrapleno infra-estruturado 1 619 m2 de área de armazenagem a coberto 200 778 m2 de área de armazenagem a descoberto 121 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Sem um sistema marítimo portuário fiável e eficaz os Açores não poderiam dispor de um serviço básico para o seu desenvolvimento. VÍCTOR AMANTE PORTO DE PONTA DELGADA 122 Em pleno oceano Atlântico, na ilha de São Miguel, Açores, o porto de Ponta Delgada debatiase com dificuldades provocadas pelas condicionantes físicas. Como recorda Víctor Amante, este era um porto vocacionado para a actividade comercial que tem vindo a assumir um papel crescente no apoio logístico à navegação transatlântica, nomeadamente no transporte de passageiros que chegam à região a bordo de cruzeiros turísticos. A falta de condições levava a que pessoas, contentores e veículos se misturassem, numa situação pouco abonatória para a TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA promoção turística da região, com o consequente prejuízo para o desenvolvimento económico. “Atendendo à natureza insular e arquipelágica dos Açores, o desenvolvimento do turismo está sempre associado ao transporte marítimo de passageiros e, consequentemente, necessita de uma resposta adequada no que respeita à qualidade das infra-estruturas portuárias que lhe estão associadas”, afirma Víctor Amante. A situação foi ultrapassada com a construção de um terminal de passageiros junto ao centro de Ponta Delgada, ficando assim o movimento portuário de passageiros e viaturas da zona separados do cais comercial de mercadorias. O novo terminal está integrado no complexo Portas do Mar, que inclui ainda uma marina com capacidade para cerca de 476 embarcações, um pavilhão multiusos, restaurantes e bares, zona comercial e estacionamento. “A quase totalidade das mercadorias importadas e exportadas pela região são-no por via marítima, pelo que sem um APOSTA NO TURISMO TERMINAL PORTAS DO MAR EM PONTA DELGADA INTEGRAÇÃO Com o complexo Portas do Mar, Ponta Delgada ganhou mais do que um terminal de passageiros seguro e confortável. O projecto dotou a cidade açoriana de uma marina com capacidade para 476 embarcações, um pavilhão multiusos, restaurantes e bares, 26 espaços comerciais e um parque de estacionamento para 200 viaturas. Tudo longe da azáfama do porto comercial. O novo terminal está integrado no complexo Portas do Mar sistema marítimo portuário fiável e eficaz os Açores não poderiam dispor de um serviço básico para o seu desenvolvimento. A construção deste novo terminal marítimo veio permitir melhorias significativas no transporte de passageiros, sendo determinante para desbloquear fortes constrangimentos operacionais registados no porto comercial”, garante Víctor Amante. O carácter ultraperiférico da região, o reconhecido interesse comum da estrutura e o facto de integrar a rede transeuropeia tornaram possível o enquadramento do projecto no âmbito dos apoios financeiros atribuídos pelo Fundo de Coesão. O custo elevado – mesmo com o impacto favorável sobre a economia regional – tornaria impossível obter indicadores de rentabilidade positivos, situação que só foi ultrapassada graças aos apoios atribuídos pelo FC. Com a situação do porto de passageiros melhorada, a administração portuária pretende agora minimizar os problemas operacionais do transporte de mercadorias. Para esse efeito, o Plano Director de Ampliação e Reordenamento do Porto prevê a construção de um terrapleno para os contentores e de um terminal específico para granéis sólidos e líquidos que tornarão o porto mais operacional e seguro. 123 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA 124 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA VIAS PARA A COESÃO O Director-Coordenador da Área de Planeamento e Desenvolvimento da Estradas de Portugal, José Monteiro Meliço, recorda que entre 1993 e 2007 o FC apoiou 14 projectos que representaram um investimento de 342 milhões de euros. Foi dada prioridade à Rede Transeuropeia de Estradas. “Os empreendimentos financiados apresentam uma significativa dispersão geográfica, exemplificativa da aposta no desenvolvimento equilibrado do território nacional e do fomento da coesão inter-regional do nosso País”, refere Monteiro Meliço. No que diz respeito à Estradas de Portugal, de 1993 a 2007 foram construídos mais de 2500 quilómetros de itinerários. “O financiamento comunitário, nomeadamente através do FC, constituiu um contributo insubstituível para a modernização da Rede Rodoviária Nacional (RRN)”, afirma o responsável. “Portugal modernizou-se, desenvolveu-se, evoluiu com base numa melhoria das acessibilidades rodoviárias que permitiram o incremento das condições de segurança, conforto e rapidez das deslocações”, garante Monteiro Meliço. 125 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Portugal modernizou-se, desenvolveu-se, evoluiu com base numa melhoria das acessibilidades rodoviárias. JOSÉ MONTEIRO MELIÇO ESTRADAS DE PORTUGAL EIXO VIÁRIO NORTE /SUL - LANÇO AV. PADRE CRUZ /NÓ DE LIGAÇÃO COM O IC 17 - CRIL No período de 2007-2013 o QREN passa a apoiar investimentos direccionados para a redução do ruído em zonas urbanas e para novas tecnologias no sistema rodoviário. Mas Monteiro Meliço deixa o aviso: “Em termos de futuro não poderemos, sob pena de perdermos competitividade, deixar de garantir a conclusão da RRN.” 126 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA 127 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Entre 1987 e 1997 construíram-se mais de 450 quilómetros de auto-estradas, o que fez arrancar vários projectos nacionais. MANUEL LAMEGO BRISA Muito do investimento feito na rede viária foi aplicado em auto-estradas. 128 Manuel Lamego, Administrador da Brisa, recorda que entre 1987 e 1997 construíram-se mais de 450 quilómetros de auto-estradas, o que fez arrancar vários projectos nacionais. “Eventos como o Euro 2004 não teriam sido realizados sem TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA as infra-estruturas existentes ao nível rodoviário”, recorda Manuel Lamego. No caso da Brisa, o FC permitiu cumprir o programa de investimentos contratualizado com o Estado. “De 1987 a 2006 o Estado não teve que incorrer em despesas. Foi uma década bem mais tranquila”, recorda. Para Manuel Lamego, apesar da importância do contributo do FC é bom lembrar a forte componente de investimento nacional que todos os projectos tiveram. O Administrador da Brisa salienta que, muitas vezes, “as novidades trazidas pelo FC foram mais de carácter processual”, nomeadamente ao nível dos estudos prévios. Dos empreendimentos realizados pela Brisa salienta o trabalho feito na AE Braga-Valença, no troço da A4 entre Paredes-Penafiel, na A6 e, na região da Grande Lisboa, na A9 e na CREL. QUILÓMETROS QUE ENCURTARAM DISTÂNCIAS 1994 A2 - Palmela/Marateca – 19,3 km A3 - Cruz/Braga Sul/Braga Oeste – 11,8 km A9 (CREL) – Estádio Nacional/Queluz – 3,4 km Alargamento sublanço Porto/Águas Santas de duas para quatro vias 1995 A1 - Alargamento do sublanço Vila Franca de Xira/ Carregado de duas para quatro vias A6 - Marateca/Vendas Novas/Montemor-o-Novo Este – 44 km A9 (CREL) - Queluz/Alverca – 31 km A4 - Porto/Amarante (concluída) (Penafiel)/IP9/Nó de Geraldes – 15,6 km 1996 A2 - Alargamento Almada/Fogueteiro de duas para três vias 1997 A3 - Braga Oeste/Ponte de Lima – 29,9 km A2 - Marateca/Alcácer do Sal – 27,1 km 1998 Ligação A12-A2 – 19 km A3 - Ponte de Lima/Valença – 29,6 km A6 - Montemor-o-Novo Este/Estremoz – 61,1 km A2 - Alcácer do Sal/Grândola Sul – 38,1 km 1999 A6 - Estremoz/Elvas – 34,2 km 2001 A2 - Grândola Sul/Castro Verde – 58,2 km A14 - Santa Eulália/Ançã – 22,6 km 2002 A13 - Marateca/Sto. Estêvão, A10 – 33 km A3 - Circular Sul de Braga – 4 km A14 - Ançã/Coimbra/A1 – 4,4 km A2 - Castro Verde/Via (Algarve) – 61,8 km A14 - Figueira da Foz/Coimbra Norte – 40 km A13 - Almeirim/Marateca – 33 km 2003 A10 - Bucelas/Arruda dos Vinhos – 6,9 km 2004 A13 - Conclusão Almeirim/Marateca – 49 km (total 79 km) 129 2005 A10 - Bucelas/Carregado – 7 km 2006 A10 - Arruda/IC11 – 5,9 km A10 - IC11/Carregado – 5,1 km A1 - Alargamento Feira/IC24 – 8,3 km A2 - Alargamento Coina/Fogueteiro – 9,8 km DIAGRAMA DE DEFORMAÇÃO VIRTUAL DO CONTINENTE 1986-2006 Fonte: Estradas de Portugal, E.P.E. 2007 TIC - Ponte de Lezíria – Conclusão A10 – 11,7 km TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA 130 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA UMA PONTE INOVADORA Também em Lisboa, 10 anos depois da sua inauguração, a par da abertura da Expo’98, a Ponte Vasco da Gama conta com um Tráfego Médio Diário Anual (TMDA) de 65 814 veículos. Do tráfego total, cerca de 10,2% corresponde ao transporte de mercadorias. A Ponte Vasco da Gama distinguiu-se pela sua inovação, tanto em termos do modelo de financiamento como do acompanhamento da construção. Como recorda António Rosa, Administrador-Delegado da Lusoponte, o sistema de gestão e acompanhamento da construção baseava-se na divisão de responsabilidades entre concessionária e empresa construtora com a assinatura de um contrato de preço fixo, com um âmbito muito limitado para qualquer variação nos preços e no prazo de execução. “Existiu, desde o primeiro instante, uma repartição de responsabilidades e um sistema de controlo independentes”, explica o responsável. 131 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Existiu, desde o primeiro instante, uma repartição das responsabilidades e um sistema de controlo independentes. ANTÓNIO ROSA LUSOPONTE 132 Outro dos pontos a marcar a construção da ponte foi o impacte ambiental que ela traria à zona da Reserva Natural do Estuário do Tejo. O Estudo de Impacte Ambiental aprovado pela Comissão Europeia determinou que, após a entrada em funcionamento da estrutura, fosse realizada a monitorização da componente acústica, da qualidade do ar, da avifauna TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA (através de uma campanha anual e da monitorização anual das aves nidificantes nas salinas do Samouco), dos organismos bioindicadores e das águas de escorrência da via. “A monitorização decorre ao longo de todo o ano e é executada por consultores externos especializados, sendo acompanhados pelo responsável técnico do Centro de Estudos e Monitorização Ambiental integrado dentro da Lusoponte”, explica António Rosa, para quem outro aspecto importante na melhoria das condições ambientais se prende com a requalificação da área das salinas do Samouco, onde houve um aumento da nidificação e do número individual de aves. INOVAÇÃO EM GRANDE 17 185 m de comprimento total 730 000 m3 de betão 100 000 t de peso do aço em armaduras 1400 000 m3 de volume de movimentação de terras 400 000 m3 de tapete betuminoso 150 vigas 133 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA 134 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA TRANSPORTE COM CONFORTO E SEGURANÇA Criada em 1997, a REFER realizou nos últimos anos diversos projectos com o objectivo de renovar a infra-estrutura rodoviária nacional. “O investimento funcionou como potenciador do crescimento através da construção de novas linhas, melhoria da oferta com aumento de qualidade e conforto, aumento da velocidade praticada, menos tempo de percurso, maior segurança, maior capacidade e fiabilidade, redução dos custos operacionais e aumento da produtividade”, explica Alberto Diogo, Director de Economia e Finanças da empresa. A renovação teve como objectivo a preparação para velocidades mais elevadas como as praticadas pelo alfa-pendular e passou também pela duplicação e quadruplicação de algumas secções, pelo reforço e construção de novas pontes e viadutos, novas estações, electrificação e construção de passagens desniveladas. 135 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Foi clara a melhoria das ligações à rede ferroviária europeia com a modernização dos principais itinerários da rede transeuropeia. ALBERTO DIOGO REFER 136 Para Alberto Diogo, o FC foi a “alavanca indispensável para a concretização dos projectos de modernização da rede ferroviária portuguesa, graças à taxa de apoio (80%) e mais de 1200 milhões de euros de contribuições”. Para o responsável, o FC também foi “importante para a avaliação sistemática dos impactes ambientais das obras”. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA Ao longo dos últimos anos foram beneficiadas as linhas da Beira Alta, do Norte (ainda com trabalhos em curso), cintura de Lisboa, do Sul e do Minho e fez-se a nova linha entre Coina e Pinhal Novo. No geral, foi clara a melhoria das ligações à rede ferroviária europeia com a “modernização dos principais itinerários da rede transeuropeia, não só no que respeita ao transporte de passageiros mas também de mercadorias, através da ligação aos portos marítimos”. Para os próximos anos a REFER tem como principais objectivos crescer 10% nos passageiros transportados e reduzir em 60% os acidentes em passagens de nível. Ao mesmo tempo, terá ainda que articular a rede ferroviária nacional com um conjunto de plataformas logísticas, bem como com o sistema portuário, aeroportuário e principais fronteiras e investir na articulação com a rede de alta velocidade. integra projecto de alta velocidade Lisboa-Madrid), a conclusão da modernização da Linha do Norte, da Linha de Sintra e acessos a plataformas logísticas serão investimentos prioritários. 137 A terceira travessia do Tejo no corredor Chelas-Barreiro (que TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA 138 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA UMA PISTA SOBRE O ATLÂNTICO Na Madeira, foi sobretudo a orografia que esteve na base dos desafios que os responsáveis técnicos tiveram de vencer, sobretudo os que estavam ligados ao projecto de ampliação do Aeroporto da Madeira. O alargamento do Aeroporto da Madeira está entre as principais obras realizadas na Região Autónoma da Madeira (RAM). O aeroporto iniciou funções em 1969 e, entre 1982 e 1986, foi levado à prática um projecto de segurança com a ampliação dos limites físicos da pista para 1800 metros. Mas o problema das acessibilidades exteriores ficou por resolver e a pista ainda não era acessível a aviões de maior porte. A solução aprovada foi concretizada em três fases. A primeira, com vista ao alargamento da pista para 2336 metros, à construção de plataformas para estacionamento de aviões, acessos e parques viários, infra-estruturas e sinalização, arrancou em 1995 com apoio do FEDER, através dos programas REGIS I e II. Contudo, como recorda Francisco Estrela Martins, 139 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA À medida que as obras da pista avançavam, a terra do desmonte foi usada para um aterro que permitiu que todo o projecto, incluindo as fundações, fosse feito ‘a seco’, o que constituiu uma solução inovadora. FRANCISCO ESTRELA MARTINS ANAM 140 da ANAM, as condições de vigência destes programas não permitiam assegurar a conclusão da primeira fase. Foi então apresentada uma candidatura ao FC, o que permitiu a conclusão da primeira fase e a execução da segunda, com a qual a pista foi ampliada para 2781 metros. À medida que as obras da pista avançavam, a terra do desmonte foi usada para um aterro que permitiu que todo o projecto, incluindo as fundações, fosse feito “a seco”, o que constituiu uma solução inovadora. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA A ampliação disponibilizou às aeronaves de porte superior ao B747/400 uma folga em termos do comprimento de pista disponível, que aumentou a segurança operacional. Em 10 anos, o movimento de passageiros passou de 1648 025 (em 1995) para os 2564 243 registados em 2007. Ao longo de todo o processo, as principais dificuldades encontradas estiveram relacionadas com a necessidade de articulação dos diversos programas de apoio comunitário. Por sua vez, a orografia da ilha e o elevado custo obrigaram ao faseamento do projecto. Mas a maior de todas as dificuldades foi fazer a obra sem fechar o aeroporto. Como a terceira fase do projecto – a ampliação da aerogare – não foi financiada, a solução adoptada ficou condicionada por limitações de carácter financeiro. Entre os projectos de futuro estão a melhoria do processamento de passageiros, silos de parqueamento e uma nova torre de controlo. CONSTRUIR “A SECO” EM PLENO ATLÂNTICO Os três milhões de metros cúbicos provenientes do desmonte de terras tiveram um papel essencial nas obras do Aeroporto da Madeira. A terra foi usada para a construção de um aterro marítimo sob a estrutura DIFICULDADES TRANSFORMADAS EM SUCESSO Os desafios encontrados face às obras de alargamento do Aeroporto da Madeira levaram ao faseamento do projecto em três etapas. O mais difícil foi fazer toda a obra sem fechar o aeroporto de ampliação, contido por um dique, que permitiu realizar a obra “a seco”. O dimensionamento do dique de protecção foi calculado e ensaiado num modelo reduzido, no laboratório DELFT, na Holanda, para resistir à agitação marítima no local. Para proteger a estrutura das fundações foi criado um quebra-mar com um comprimento total de 850 metros, cuja camada defensiva consiste em rochas de 141 0,5 até 4 toneladas, provenientes dos trabalhos de corte das encostas vizinhas. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA 142 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA UMA PLATAFORMA ENTRE A AMÉRICA E A EUROPA No arquipélago dos Açores, “a grande dispersão geográfica das ilhas, a fraca densidade populacional e as condições meteorológicas tornam a aviação civil pouco atraente”, como explica Fernando Mendes, Director da Aerogare Civil das Lajes. Realidade que torna necessário um grande investimento em infra-estruturas que, nas ilhas mais pequenas, acabam por ser usadas com dois ou três voos diários. “A Aerogare Civil das Lajes (ACL) funciona como um hub ( ponto de ligação) para os grupos central e ocidental do arquipélago, permitindo diversas ligações. Visto a aerogare estar associada à melhor e maior pista dos Açores, com as melhores ajudas rádio à navegação aérea, funciona como um ‘porto seguro’ para os voos afectados por situações de emergência técnica ou médica, bem como para escalas técnicas”, afirma Fernando Mendes. 143 Sem obras de melhoramento há mais de 20 anos e com os níveis de segurança obsoletos, o lançamento de projectos de TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA A Aerogare das Lajes funciona como um ‘porto seguro’ para os voos afectados por situações de emergência técnica ou médica, bem como para escalas técnicas. FERNANDO MENDES AEROGARE CIVIL DAS LAJES 144 recuperação tornou-se imperativo. Até porque o movimento das aeronaves aumenta 30% nos meses de Verão, o que “criava grandes problemas de congestionamento”. As obras de requalificação efectuadas não só levaram à aprovação da gare em termos de segurança aeroportuária, como permitiram uma melhor resposta aos picos de tráfego. Nas viagens entre TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA ilhas, voos internacionais ou ligações ao Continente, os passageiros ganharam em rapidez e em conforto. Taxa Interna de Rendibilidade (TIR) e o Valor Acrescentado Líquido (VAL) do investimento apresentassem valores positivos”. Para o Director da ACL, “o FC possibilitou a realização do investimento em tempo oportuno. Ao nível financeiro, de acordo com os dados do estudo deste projecto, o FC possibilitou que indicadores financeiros como a As obras não ficarão por aqui e estão projectados um parque na zona de chegadas, a remodelação da zona de carga, de manutenção de aviões e de manutenção de equipamento de terra. UM PONTO DE LIGAÇÃO Além de ser um ponto entre dois continentes, a Aerogare Civil das Lajes funciona como um hub para os grupos central e ocidental do arquipélago LAJES EM NÚMEROS Quase meio milhão de passageiros em 2007. Capacidade para servir 750 mil passageiros por ano. 16 mil metros quadrados 145 de área coberta. 12 balcões de atendimento ao público. TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA TODOS SOMOS TODOS SOMOS UNIÃO UNIÃOEUROPEIA EUROPEIA OS PROJECTOS E OS EXECUTORES TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA FUNDO DE COESÃO – PROJECTOS APROVADOS NO PERÍODO DE 1993-1999 Datas de Aprov. Entidades Executoras Projectos Aprovados (por Sector) Transportes Invest. Total Comp. F.C. 2,375,535 Apoio total F.C. 1,442,384 28/04/94 C.P. Modernização da Linha da Beira Alta II – subestações 6,342 80% 5,074 13/12/93 C.P. Modernização da Linha da Beira Alta I – estações e sinalização 8,818 80% 7,055 6/07/95 C.P. /REFER Mod. L. da Beira Alta III – Electrificação e telecomunicações 55,574 80% 44,459 29/07/93 C.P. Modernização da Linha do Norte I – obras de arte sinal. telecom. 40,198 80% 32,158 18/12/96 C.P. /REFER Mod. L. do Norte II – Quadriplicação Braço Prata-Alhandra 123,447 85% 104,930 10/12/97 REFER,EP Modernização da Linha do Norte III – Pampilhosa-Quintans 82,609 80% 66,088 02/07/98 REFER,EP Modernização da Linha do Norte IV – Albergaria-Alfarelos 92,820 80% 74,256 Subtotal Ferrovia 409,808 334,019 20/10/93 Junta Autónoma de Estradas IP3 Figueira da Foz-Santa Eulália 15,432 85% 13,117 20/10/93 Junta Autónoma de Estradas IP6 Alcanena-Atalaia 28,025 85% 23,821 16/11/94 Junta Autónoma de Estradas IP6 Atalaia-Abrantes 33,877 85% 28,795 11/02/94 Junta Autónoma de Estradas IC17 CRIL Algés-Buraca 40,603 85% 34,513 10/01/95 Junta Autónoma de Estradas IP1 – Ponte do Freixo e viaduto de acesso 20,700 85% 17,595 29/07/93 BRISA A1 Alverca-Vila Franca de Xira-Carregado 48,337 80% 38,670 22/11/93 BRISA A2 Palmela-Marateca 40,054 33% 13,218 10/01/95 BRISA A3 Alargamento do sublanço Porto-Águas Santas 3,338 80% 2,670 22/11/93 BRISA A3 Cruz-Braga 53,957 46% 24,907 11/96-12/97 BRISA A3 Construção dos sublanços Braga Oeste-Ponte de Lima-EN303 210,053 61% 128,301 05/05/94 BRISA A9 Circular Regional Exterior de Lisboa – CREL 215,176 48% 103,284 16/11/94 BRISA A4 Construção do lanço Penafiel-Amarante 93,307 46% 42,548 16/11/94 BRISA A6 Construção sublanços Marateca-V. Novas-Montemor 84,311 35% 29,846 10/12/97 BRISA A6 Construção sublanços Montemor-Évora 51,144 64% 32,947 27/07/94 BRISA Estudo impacte ambiente da construção da CRIL e CREL 63 85% 54 21/12/94 GATTEL Nova Travessia Rodoviária do Tejo na Região de Lisboa 603,170 52% 311,211 148 Subtotal Rodovia 1,541,548 845,497 Unidade: 1.000 Euro TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA FUNDO DE COESÃO – PROJECTOS APROVADOS NO PERÍODO DE 1993-1999 Datas de Aprov. Entidades Executoras Projectos Aprovados (por Sector) Invest. Total Comp. F.C. Apoio total F.C. 13/12/93 Adm. Porto Douro e Leixões Est. – Pl.Geral Orden.Desenv.P.Leixões 308 85% 262 13/12/93 Adm. Porto Douro e Leixões Est. – Melh.acessib.cond.seg.barra Douro 348 85% 296 13/12/93 Adm. Porto Douro e Leixões Est. e proj. – Aproveit. entre molhe Sul e Pt. Cais n.º 3 P. Leixões 28/04/94 Adm. Porto Douro e Leixões Reordenamento e Modernização do Porto de Leixões 1.ª fase 22/11/96 Adm. Porto Douro e Leixões 26/06/97 Adm. Porto Douro e Leixões 27/07/94 Adm. Porto de Lisboa 03/04/96 Adm. Porto de Lisboa 24/07/97 Adm. Porto de Lisboa Remod. frente portuária Santa Apolónia/Poço Bispo 24/07/98 Adm. Porto de Lisboa Sist.de Controlo e Gestão do Tráfego Marítimo do Porto Lisboa 16/12/93 Adm. Porto de Sines Rodovia Leste do P. Sines e Interl. aos Term. da zona Oeste 28/04/94 Adm. Porto de Sines Acesso Ferrov. ao Terminal de Carga Geral do Porto de Sines 27/07/94 Adm. Porto de Sines Estudos e proj. – Terminal de Carga Geral do Porto de Sines 28/04/94 Adm. Porto de Sines Estudos e proj. – ampl. do Term. Multipurpose do P. Sines 10/12/97 Adm. Porto de Sines Ampliação do Terminal Multipurpose de Sines 22/11/93 Adm. Porto de Sines Sist. Prev. e Combate a Acidentes Envolvendo Matérias Perigosas 13/12/93 Adm. Porto Setúbal e Sesimbra 15/02/94 Adm. Porto Setúbal e Sesimbra 28/04/94 Adm. Porto Setúbal e Sesimbra Est. Plano de Emergência Interno P. Setúbal e Sesimbra 104 85% 89 19/04/96 Adm. Porto Setúbal e Sesimbra VTS – Controlo e Gestão de Tráfego Marítimo 1,070 85% 910 18/11/97 Adm. Porto Setúbal e Sesimbra SIIPSet – Sistema Integrado de Informações do Porto Setúbal 1,701 85% 1,446 25/07/97 Aerop. e Naveg.Aérea Madeira 139 69% 95 8,485 69% 5,820 Reordenamento e Modernização do Porto de Leixões 2.ª fase 16,948 69% 11,626 Acessib. Terrestres e Racion. Área Exploração Porto Leixões 30,267 69% 20,761 Proj. remod. Cais Rocha Conde Óbidos e Alcântara Norte 70 85% 60 Obr. remod. Cais Rocha Conde Óbidos e Alcântara Norte 7,743 85% 6,581 42,628 70% 29,893 9,000 85% 7,650 2,351 85% 1,998 3,729 85% 3,169 293 85% 249 180 85% 153 22,817 29% 6,594 2,465 85% 2,096 Estudo – Terminal Content. Plataforma Multimodal P. Setúbal 391 85% 332 Dragagens Canal da Barra e Canal Norte - 1.ª fase P. Setúbal 3,302 85% 2,807 Subtotal Portos 154,338 Ampliação do Aeroporto do Funchal 269,841 102,886 59% 159,982 149 Unidade: 1.000 Euro TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA FUNDO DE COESÃO – PROJECTOS APROVADOS NO PERÍODO DE 1993-1999 Datas de Aprov. Entidades Executoras Projectos Aprovados (por Sector) AMBIENTE 11/12/95 INAG/Dir. Reg. Ambiente Planos de Recursos Hídricos e Plano Nacional da Água 19/12/94 IPE-AP Sist. multimun. abast. água Grande Porto Sul – est. e proj. 19/12/94 IPE-AP Sist. multimun. abast. água Grande Porto Norte – est. e proj. 30/10/96 Ág. Dou. Paiva, SA Sist. mult. abast. água G. Porto Sul – captação, adução e ETA (1.ª fase) 06/12/95 C.M. Porto S.m.a. água G. Porto Sul - reforço caudal – captação Douro-Lever 06/12/95 C.M.V. Cambra Sist. mult. abast. água G. Porto Sul – Sector de Vale de Cambra Invest. Total Comp. F.C. 1,989,344 13,775 Apoio total F.C. 1,548,114 85% 11,709 2,184 85% 1,856 3,715 85% 3,158 131,932 85% 112,143 544 85% 463 2,655 85% 2,257 06/12/95 C.M.V.N. Gaia S.m.a. água G. Porto Sul – reforço ad. água – captações V.N. Gaia 06/12/95 C.M. Valongo S.m.a. água G. Porto Sul – Ref. cap. transp. e armaz. Valongo 244 85% 207 2,681 85% 2,278 18/12/95 Ág. Cávado,SA Sist. mult. abast. água G. Porto N. – captação, adução e ETA (1.ª fase) 37,227 84% 31,271 07/11/96 Ág. Cávado,SA Sist. mult. abast. água G. Porto N. – captação, adução e ETA (2.ª fase) 64,504 85% 54,828 06/12/95 C.M. Esposende Adut. Esposende interl. Sistema “Águas do Cávado” 1,030 85% 876 06/12/95 C.M. Fafe Sist. multmunic. abast. água Grande Porto Norte – Sector de Fafe 5,259 85% 4,470 7,818 22/11/93 EPAL Ampliação rede distribuição Lisboa 9,772 80% 20/10/93 EPAL Aumento capacidade produção ETA da Asseiceira 4,855 85% 4,127 20/10/93 EPAL Refor. abast. água V.N.Barquinha, Constância e U. Militares 13,357 85% 11,353 22/11/93 EPAL Recuperação adutor V.F. Xira/Aerop. 1,098 85% 933 22/11/93 EPAL Reforço capac. troço do adutor C. Bode 11,369 85% 9,664 19/12/94 EPAL Reforço capac. troço do adutor C. Bode (2.ª fase) 27,108 85% 23,042 24/10/96 EPAL Reforço de abast. Alcanena, Porto de Mós, Batalha e Leiria 5,289 85% 4,496 12/12/95 INAG Barragem do Enxoé e sistema adutor 20,587 85% 17,499 21/12/94 As. Mun. Alvito, Cuba e Vidig. Reforço de abastecimento de água barragem do Alvito 7,849 85% 6,671 19/12/94 IPE-AP Sist.multimun. abast.água ao Barl. Algarvio – estudos projectos 1,429 85% 1,215 19/12/94 IPE-AP Sist.multimun. abast.água ao Sot. Algarvio – estudos e projectos 1,286 85% 1,093 20/10/93 INAG Sist.Odelouca-Funcho: adutor Funcho – Franqueira 4,148 85% 3,526 22/11/93 INAG Sist.Odelouca-Funcho: Adut. Franqueira – Alcantarilha 6,592 85% 5,603 07/11/96 Ag. Barlavento Algavio, SA Sist. Mult. Água Barlavento Algarvio – EtA (2.ª fase) 61,274 85% 52,083 30/06/95 INAG Aproveitamento Hidráulico Odeleite-Beliche 101,680 70% 71,583 11/12/95 Ág. Sotavento, SA Sist. multimun. abast. água Sotavento Algarvio – adução e ETA’s 49,247 84% 41,367 21/12/94 Inst. Gestão Água Interlig. princip. origens de água potável Ilha da Madeira 21,430 85% 18,216 150 Subtotal Abastecimento de água 614,119 505,803 Unidade: 1.000 Euro TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA FUNDO DE COESÃO – PROJECTOS APROVADOS NO PERÍODO DE 1993-1999 Datas de Aprov. Entidades Executoras Projectos Aprovados (por Sector) 29/07/93 DGA Aval. vulnerab. capacid. recepção águas z. costeiras – Estudo 29/07/93 DGA Instr. Apoio polít. desenv. sust. saneam. básico – Estudo 20/10/93 Ass. Mun. do Vale de Ave Sistema saneamento do Rio Ave – ETARs 19/12/94 Ass. Mun. do Vale de Ave Sist. san. Rio Ave – equipamento das ETARs 15/12/97 Ass. Mun. do Vale de Ave Sistema Integrado de Despoluição do Ave (2.ª fase) 12/94-12/99 Invest. Total Comp. F.C. Apoio total F.C. 612 100% 612 1,018 100% 1,018 25,545 85% 21,713 9,889 85% 8,406 16,019 85% 13,616 C.M.V.N. Gaia/Ág. Gaia Dren. e trat. esgotos V.N. Gaia – Bacia Oc. Atlânt. e Norte Douro e ETAR Madalena 39,211 85% 33,329 28/07/98 C.M.V.N. Gaia/Ág. Gaia Dren. e trat. esgotos V.N. Gaia – Bacia do Douro Nordeste de V.N. Gaia 21,231 85% 18,046 18/12/95 C.M. Gondomar Drenag. trat. esgotos Grande Porto Sul – sector de Gondomar 9,151 85% 7,779 05/12/97 C.M. Porto Despoluição Troço Final bacia Douro – Sub-sist. Porto Oriental 32,493 85% 27,619 18/12/95 C.M. Valongo Drenag. trat. esgotos Grande Porto Sul – Subsistema de Valongo 85% 12,293 16/12/93 C.M. Matosinhos San. Gd. Porto – Subs. Leça emis. litoral e reg. despol. rib. Picoutos e Joane 13,900 85% 11,815 19/12/94 C.M. Matosinhos Subsistema do Leça – ETAR e exutor submarino 85% 15,228 09/02/96 C.M. Matosinhos Dren. tratat. esg. G. porto Sul – Subs. Matosinhos – Emissário Rio Leça 15,456 85% 13,137 18/12/95 C.M. Maia Drenag. trat. esgotos Grande Porto Norte-Rio Leça – intercept. da Maia 10,936 85% 9,296 19/12/94 C.M. Barcelos Drenagem trat. águas residuais urbanas e indust.Barcelos 14,182 85% 12,055 06/12/95 C.M. Esposende Saneamento do Grande Porto- Subsistema a Norte do Rio Cávado 4,121 85% 3,503 06/12/95 C.M.V. Cambra Drenag. trat. esgotos Grande Porto Sul – Sector Vale de Cambra 2,434 85% 2,069 19/12/96 C.M. Vila Conde Dren. e trat. esgotos Grande Porto – Interceptor Sul Vila Conde (1.ª fase) 4,091 85% 3,478 12/12/95 SIMRIA, SA Efluentes líquidos zona AMRia Aveiro – Estudos 15/12/95 SIMRIA, SA Efl. líq. zona AMRia Aveiro – Exutor/Interceptor/ETAR/Emissários 26/07/96 J.A. Porto Aveiro Desassoreamento da Ria de Aveiro (1.ª fase) Sistema do Rio Ave Sistema do Rio Douro Sistema do Rio Leça 14,462 17,916 Diversos Saneamento da Ria de Aveiro 977 85% 831 68,731 85% 58,422 4,737 85% 4,027 151 Sistema do Rio Lis 15/12/99 As. Mun. Alta Estrem./SIMLIS Despoluição Integrada das Bacias Hidrográficas do rio Lis e Ribeira do Seiça 12,995 85% 11,046 Unidade: 1.000 Euro TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA FUNDO DE COESÃO – PROJECTOS APROVADOS NO PERÍODO DE 1993-1999 Datas de Aprov. Entidades Executoras Projectos Aprovados (por Sector) Invest. Total Comp. F.C. Apoio total F.C. 29/07/93 INAG 12/93-12/96 SANEST Sistema de Saneamento da Bacia do Alviela 13,069 85% 11,109 Sist. Saneamento Costa Estoril 59,488 85% 50,565 25/06/96 C.M. Sesimbra Saneamento da Bacia de Sesimbra 8,412 85% 7,150 28/07/98 Assoc. Mun. do Oeste San. Caldas Rainha, Foz Arelho, e de Aglom. Urb. Bac, R. Arnóia e Real 16,206 85% 13,775 18/09/98 C. M. Setúbal Sist. Dren. Interc. e Trat. Ág. Residuais cidade de Setúbal 21,532 85% 18,302 07/11/96 C. M. Mafra Sist. Trat. Águas Residuais integrado na Despoluição do Rio Trancão 1,576 85% 1,339 07/12/93 C.M. Loures Interc. finais sist. Beirolas, Frielas e S.J. Talha 3,571 85% 3,035 19/12/94 C.M. Loures ETAR de Frielas e S. João da Talha (1.ª fase) 58,607 85% 49,816 Pq. Expo‘98 Requalif. Bacia Hidrográfica do Trancão – Interv. troço final 24,207 85% 20,576 C.M.V.F. Xira Interceptor de Alpriate 830 85% 706 Diversos Despoluição do Trancão 21/11/96 26/07/96 C.M. Lisboa Intercepção e tratamento das águas resid. bacia ETAR de Chelas 25,720 85% 21,862 25/02/97 C.M. Lisboa Ampliação do Sist. de Interc. e de trat. da ETAR de Beirolas 22,467 85% 19,097 19/12/94 DRA do Algarve Drenag. trat. esgotos Barl. e Sot. Algarvio – estudos e projectos (1.ª fase) 1,585 85% 1,347 19/12/94 C.M. Loulé Ria Formosa – Sist. interc. e elevat. e ampliação ETAR Quinta Lago 4,271 85% 3,631 21/12/94 C.M. Loulé Drenag. trat. esgotos Sot. Alg. – trat. terciário ETAR Vilamoura 1,862 85% 1,582 12/02/96 C.M. Loulé Drenag. trat. esgotos Sotavento Algarvio – Interc. e trat. águas de Loulé 1,396 85% 1,187 07/12/93 C.M. Olhão ETAR zona nascente de Olhão 1,099 85% 934 11/02/94 C.M. Faro Sist. interceptor elevatório Faro 2,160 85% 1,836 07/12/93 C.M. Tavira Remodelação ampliação ETAR Tavira 10/12/97 Inst. Conserv. Natureza Requalificação Lagunar da Ria Formosa 20/05/97 C.M.V.R. St.º Ant. Interc. e Trat. Águas Residuais V. Real St.º António 18/12/95 C.M. Lagoa Drenag. trat. esgotos Barlavento Algarvio – Interc. e trat. águas Lagoa 23/10/95 C.M. Portimão Drenag. trat. esgotos Barlavento Algarvio – Interc. águas e ETAR Portimão 26/07/96 C.M. Portimão Drenag. trat. esgotos Barl. Alg. – Interc. águas e ETAR Portimão (2.ª fase) 9,095 85% 7,731 27/07/96 C.M. Aljezur Drenag. trat. esgotos Barlavento Algarvio – Intercepção e Trat. Águas 1,526 85% 1,297 Sotav. – R.Formosa 1,084 85% 922 10,212 85% 8,680 7,102 85% 6,037 2,851 85% 2,423 12,089 85% 10,276 Barlavento 152 05/12/97 C.M. Albufeira Drenag. trat. esgotos Barlavento Algarvio – Interc. e Trat. Águas de Albufeira 14,616 85% 12,424 19/02/98 C.M de Lagos Interc. Trat. Ág. Res. de Lagos – Interc. Bensafrim, Odiáxere e D. Ana 85% 2,300 Subtotal Drenagem e Tratamento de Águas Residuais 2,706 669,448 569,275 Unidade: 1.000 Euro TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA FUNDO DE COESÃO – PROJECTOS APROVADOS NO PERÍODO DE 1993-1999 Datas de Aprov. Entidades Executoras Projectos Aprovados (por Sector) 07/12/99 IPE – REGIA,SA Despouição de Solos – Inventário de Áreas Contaminadas 21/12/94 Inst. Conserv. Natureza Reposisão do coberto vegetal em áreas protegidas 15/12/97 Emp. Des. e Inf. Alqueva Central Hidroeléctrica do Alqueva 18/11/94 DGDR Assistência Técnica – IFC/FC Subtotal Diversos Invest. Total Comp. F.C. Apoio total F.C. 146 85% 124 6,380 85% 5,423 54,688 55% 30,215 377 85% 321 61,590 36,082 05/11/96 E.N. Saúde Púb. Plano Estratégico de Resíduos Sólidos 197 85% 168 19/12/94 Emp. Geral Fomento Implantação do Ponto Verde em Portugal 145 100% 145 19/12/94 Emp. Geral Fomento Análise soluções para tratamente e valorização de RSU do Algarve 47 85% 40 7/12/93 Emp. Geral Fomento STRS Grande Porto – Avaliação de propostas 276 85% 235 11/94-12/93 C.M. Coimbra STRS Baixo Mondego – Aterro multimuncipal e estudos técnicos 11/03/97 EGF/Valorlis/Ersuc Sist. Multim. trat. RSU do Litoral Centro (1.ª fase) 5,509 85% 4,683 43,300 85% 36,805 11/03/97 EGF/Sul Douro 16/04/97 EGF/Brav./Valorm./Resul. Sist. Multim. trat. RSU de Feira/Gaia (1.ª fase) 21,727 85% 18,468 Sist. Multim. trat. RSU do Litoral Noroeste (1.ª fase) 36,846 85% 24/07/98 EGF/Resioeste Sist. Multim. trat. RSU do Oeste 31,319 8,734 85% 05/12/97 EGF/Amarsul 7,424 Sist. Multim. Tratamento de RSU da Margem Sul (1.ª fase) 23,997 85% 20,397 11/11/96 10/01/95 Ass. Mun. Limarsul Sistema de Resíduos Sólidos Margem Sul – Subsistema LIMARSUL 10,681 85% 9,079 C.M. Seixal STRS Margem Sul – Subsistema Almada/Seixal/Sesimbra 8,923 85% 7,584 19/12/96 Ass.Mun. Tr. Res. Casc./Oei./Sint. Sist. Tratamento RSU de Cascais, Oeiras e Sintra 18,920 85% 16,082 16/04/97 Ass. Mun. do Vale de Ave Requalificação Ambiental do Sist Multim. de RSU do Vale do Ave 11,930 85% 10,141 16/04/97 Ass. Mun. Vale do Sousa Sistema de Recolha e Tratamento de RSU do Vale do Sousa 17,791 85% 15,122 26/07/96 ALGAR, SA Estudo-Sist. Reg. Recolha selectiva, Triagem e trat. RSU do Algarve 1,211 85% 1,029 09/06/97 ALGAR, SA Sistema Multim. de Trat. RSU do Algarve-Barlavento 25,041 85% 21,285 28,807 85% 24,486 6,407 85% 5,446 11,895 85% 10,111 05/12/97 ALGAR, SA Sistema Multim. de Trat. RSU do Algarve-Sotavento 07/12/93 LIPOR STRS Grande Porto – Infraestruturas de base 21/12/94 LIPOR STRS Grande Porto – Reciclagem Multimaterial 17/12/96 LIPOR Estação de Incineração de Resíduos Sólidos – LIPOR II 127,632 57% 72,179 25/11/96 VALORSUL Sist. Multim. Tratamento de RSU – AML – Norte 188,201 50% 94,095 22/11/99 Sec. Reg. Equip. Soc. e Amb. Incineradora da Madeira 46,348 67% 30,953 Subtotal Tratamento de Resíduos Sólidos TOTAL TOTAL/SECTOR 644,564 437,275 4,365,257 2,990,818 Invest. Taxa Comp. Apoio total Total média F.C. F.C. Transportes 2,375,535 61% 1,442,384 Ambiente 1,989,344 78% 1,548,114 377 85% 321 Assistência Técnica 153 Unidade: 1.000 Euro TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA FUNDO DE COESÃO – PROJECTOS APROVADOS NO PERÍODO DE 2000-2006 Datas de Aprov. Entidades Executoras Projectos Aprovados (por Sector) TRANSPORTES Comp. F.C. Apoio total F.C. 2,119,473 77% 1,635,380 31/12/01 Adm. Porto Aveiro Acessibilidades Interregionais Ferroviárias e Rodoviárias do Porto de Aveiro 35,098 50% 17,549 30/10/00 Adm. Porto Setúbal e Sesimbra Terminal Multiusos – Plataforma Multimodal do Porto de Setúbal 29,017 51% 14,799 19/09/03 Adm. Porto Setúbal e Sesimbra Exten. Cais do Terminal Ro-Ro do Porto de Setúbal – 1.ª fase (estudos) 320 85% 272 01/12/03 Adm. Porto Setúbal e Sesimbra Recuperação do Terminal Eurominas – 1.ª fase (estudos) 480 85% 408 21/11/03 Adm. Portos da RAM Desenv. das Infra-estruturas Portuárias da RAM – Porto do Caniçal 71,361 58% 41,389 20/12/06 Adm. Portos da RAM Desenv. das Infra-estruturas Portuárias da RAM – Porto do Funchal 23,451 63% 14,755 22/10/03 Adm. Portos Triang. Gr. Ocidental Reabilitação do Porto de S. Roque do Pico 7,637 85% 6,492 18/12/03 Adm. Portos Terceira e Graciosa Requalificação do Porto da Praia da Vitória 33,047 83% 27,429 Terminal Marítimo de Passageiros de Ponta Delgada 32,189 75% 24,142 232,600 63% 147,235 19/12/05 Adm. Portos das Ilhas de S. Miguel e S. Maria Subtotal Portos 154 Invest. Total 19/11/03 REFER Modern. Linha do Minho – Remodelação do Subtroço Lousada-Nine 73,078 54% 39,462 27/02/04 REFER Modern. Linha do Minho – Remodelação do Subtroço Nine-Braga 77,777 61% 47,444 29/12/00 REFER Modern. da Linha do Norte V – Remod. Subtroço Entroncamento(excl) – Albergaria(excl) 142,085 80% 113,668 26/03/01 REFER Modern. da Linha do Norte VI – Remod. Subtroço Quintans (excl) - Ovar (excl) 125,700 80% 100,560 17/12/04 REFER Modern. da Linha do Norte VII – Remod. entre Vila Franca e Vale de Santarém 188,935 80% 151,148 29/12/00 REFER Ligação à Linha do Norte – Subt. Entrecampos (excl) – Term. Técn. Chelas (excl) 49,004 80% 39,203 29/10/03 REFER Modern. Linha do Sul – Remodelação Subtroço Pinhal Novo-Setúbal Mar 70,791 80% 56,633 29/12/00 REFER Modern. Lig. ao Algarve III – Subtroço Coina-Pinhal Novo 107,698 80% 86,159 29/12/00 REFER Modern. Lig. ao Algarve II – Remodelação dos Sub-troços P. Novo-Poceirão-Pinheiro; Grândola-Ermidas e Linha de Sines 113,379 80% 90,703 13/12/01 REFER Modern. Lig. ao Algarve IV – Remodelação do Subtroço Pinheiro - PK 94 9,285 80% 7,428 13/12/01 REFER Modern. Lig. ao Algarve V – Remodelação do Subtroço Ermidas - Faro 173,996 80% 139,197 24/03/04 Metro do Porto Metro do Porto - Ligação do Aeroporto Francisco Sá Carneiro à Linha Duplicada da Póvoa 90,243 75% 67,682 29/12/00 Metro de Lisboa Metro de Lisboa – Ligação Baixa-Chiado/Santa Apolónia 126,383 85% 107,426 18/12/01 Metro de Lisboa Metro de Lisboa – Extensão para Ligação à RTE-T – Lig. S. Sebastião/Alameda/GIL 132,102 74% 98,020 22/12/04 Metro de Lisboa Metro de Lisboa – Prolongamento da Linha Vermelha – Oriente/Aeroporto 175,219 85% 148,936 1,655,675 78% 1,293,668 Subtotal Ferrovia Unidade: 1.000 Euro TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA FUNDO DE COESÃO – PROJECTOS APROVADOS NO PERÍODO DE 2000-2006 Datas de Aprov. Entidades Executoras Projectos Aprovados (por Sector) Invest. Total Comp. F.C. Apoio total F.C. 08/12/06 Inst. Est. Portugal IP4 – Ponte Internacional de Quintanilha e Respectivos Acessos 14,232 82% 14/12/04 Inst. Est. Portugal Ligação de Torre de Moncorvo ao IP2 11,759 85% 9,995 15/01/01 Inst. Est. Portugal IP2 – Lanço entre a EN 216 e a EN 102 14,149 85% 12,026 12,239 11,670 29/12/00 Inst. Est. Portugal IP3 – Variante de Catro Daire – Túnel de Castro Daire 14,399 85% 22/03/01 Inst. Est. Portugal Interligação IP3 – IP5 23,401 85% 19,891 29/12/00 Inst. Est. Portugal IP6 – Lanço Abrantes/Mouriscas 12,168 85% 10,343 49,341 30/12/02 Inst. Est. Portugal IP6 – Peniche/IC1 58,048 85% 09/12/05 Inst. Est. Portugal IC3 – Ligação de Tomar ao IP6 17,793 84% 14,947 22/12/03 Inst. Est. Portugal Eixo viário Norte/Sul – Av. Padre Cruz – Nó de Ligação à CRIL 47,301 85% 40,206 213,249 85% 180,657 Requalificação e Modernização da Aerogare Civil das Lajes 17,949 77% 13,820 Subtotal Aeroportos 17,949 77% 13,820 2,507,062 67% 1,675,226 Subtotal Rodovia 19/02/04 Dir. Reg. Transportes e Comunicações AMBIENTE 31/12/01 EGF e várias associadas Acções Complementares de Tratamento de RSU 18,150 75% 13,594 29/12/00 EGF - REBAT Sist. Mult. de Tratamento e Valorização de RSU do Baixo Tâmega 14,624 85% 12,430 15/01/01 EGF - RESAT Sist. Mult. de Tratamento e Valorização de RSU do Alto Tâmega 13,522 85% 11,494 27/12/04 RESAT / REBAT / Residouro / A.M. Vale Douro Norte Valorização de RUB do Alto e Baixo Tâmega, Vale do Douro Sul e Norte 8,210 58% 4,762 04/08/05 Resíduos do Nordeste Resíduos do Nordeste – Valorização de Matéria Orgânica 6,384 46% 2,936 22/04/05 Braval Valorização Orgânica de Resíduos – Ecoparque Braval 8,348 69% 5,760 29/12/00 LIPOR Aterro Sanitário da LIPOR 7,764 50% 3,882 19/12/02 LIPOR Gestão Integrada de RSU da LIPOR – Central de Valorização Orgânica 53,516 50% 26,597 04/08/05 SULDOURO Valorização Matéria Orgânica no Sistema Mult. Vila Nova Gaia e St.ª Maria Feira 27/12/02 Ass. Munic. Vale do Ave Sistema Intermunicipal de RSU do Vale do Ave (3.ª fase) 22/04/05 Com. Urbana Vale do Sousa Central de Valorização Orgânica do Vale do Sousa 27/12/04 Ass. Munic. Planalto Beirão Sistema Intermunicipal RSU do Planalto Beirão – CVO 14/12/01 Ág. Zêzere e Côa, SA/Ass. Munic. Cova da Beira Sistema de Tratamento de RSU da Cova da Beira 14,792 22/04/05 VALORLIS Valorização Orgânica de RUB dos Sistemas Multimunicipais da Valorlis e da Resioeste 9,827 72% 7,075 05/09/01 EGF - RESIOESTE Sistema Mult. Tratamento de RSU do Oeste (2.ª fase) 20,574 85% 17,488 22/04/05 Resitejo Valorização de RUB da Resitejo, Resiurb e Amartejo 18,900 31% 5,859 29/12/00 VALORSUL Central de Valorização Orgânica da VALORSUL (CVO) 20,750 50% 10,375 9,048 66% 5,972 16,539 85% 14,058 8,512 70% 5,959 34,373 75% 25,780 85% 12,573 155 Unidade: 1.000 Euro TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA FUNDO DE COESÃO – PROJECTOS APROVADOS NO PERÍODO DE 2000-2006 Datas de Aprov. Entidades Executoras Projectos Aprovados (por Sector) Invest. Total 23/12/04 Tratolixo Unidade de Digestão Anaeróbia para tratamento de RUB de Cascais, Oeiras, Sintra e Mafra 43,880 58% 25,450 14/12/04 AMARSUL Valorização de RUB no Sistema Mult. de RSU da Margem Sul do Tejo 40,310 59% 23,783 15/01/01 EGF - VALNOR Sistema Mult. de Tratamento e Valorização de RSU do Norte Alentejano 12,644 85% 10,747 22/04/05 Valnor/AdZC/A.M. Raia Pinhal Valorização de RUB da Cova da Beira, Norte Alentejano e Raia Pinhal 8,785 74% 6,501 31/10/01 AMALGA-Ass. Mun. Alentejanos para a Gestão Ambiente Sistema de Tratamento de RSU do Baixo Alentejo 17,711 79% 13,938 27/12/04 AMALGA/AMAGRA/ Apoio total F.C. AMCAL/AMDE Valorização de RUB dos Sistemas AMAGRA, AMALGA, AMCAL e AMDE 12,103 61% 7,383 27/12/04 ALGAR Valorização Orgânica no Sistema Multimunicipal do Algarve 10,208 73% 7,452 29/12/00 DREPA/Ass. Mun. Pico e S.Miguel e Serv. Mun. Ang. Heroísmo Tratamento e Destino Final de RSU Ilhas S. Miguel, Pico e Terceira – RAA 15/01/01 Valor Ambiente Unidade de Valorização de RSU da Ilha da Madeira (2.ª fase) Subtotal RSU 22,337 85% 18,987 107,625 67% 71,872 559,435 67% 372,708 85% 49,849 14/12/04 Ág. Trás-os-Montes e Alto Douro Sist. Mult. Abastecimento Água e Saneamento de Trás-os-Montes e Alto Douro – 3.ª fase 58,646 08/12/06 Ág. Trás-os-Montes e Alto Douro Sist. Mult. Abastecimento Água e Saneamento de Trás-os-Montes e Alto Douro – 5.ª fase 53,933 81% 43,685 06/12/06 Águas Minho Lima Sist. Mult. Abastecimento Água e Saneamento do Minho Lima (4.ª fase) 28,578 85% 24,291 27/10/00 Águas Douro e Paiva Abastecimento de Água ao Grande Porto Sul – Alargamento ao Vale de Sousa 49,880 85% 42,398 08/12/03 A.M. Planalto Beirão Sistema Integrado de Abastecimento de Água ao Planalto Beirão 28,219 80% 22,575 14/12/04 29/12/00 Águas do Oeste Águas do Algarve Sist. Mult. Abastecimento Água e Saneamento do Oeste (3.ª fase) Sist. Multim. Abast. Água Barlav./Sotav. 67,377 55% 37,058 – Alargamento, Optimização e Interligação 23,640 50% 11,820 310,274 75% 231,677 50,290 Subtotal Abastecimento de Água 156 Comp. F.C. 30/11/04 Águas do Oeste Sist. Mult. Abastecimento Água e Saneamento do Oeste (2.ª fase) 71,843 70% 23/12/04 Com. Urbana Lezíria do Tejo Sist. Intermunicipal Abastecimento Água e Saneamento da Lezíria do Tejo 41,878 68% 28,477 21/03/01 C.M. de Lisboa/SIMTEJO, SA Adaptação e Completamento da Etar de Alcântara 33,419 30% 10,026 05/08/03 SIMTEJO Sist. Mult. Saneamento do Tejo – Trancão 70,189 50% 35,094 09/12/05 SIMARSUL Sist. Integrado Mult. de Águas Residuais da Penísula de Setúbal 72,953 65% 47,420 22/03/01 C.M.V.R. St.º António Interceptores e Tratamento Águas Residuais de V. R. Santo António 7,516 85% 6,388 03/07/02 Águas do Algarve Sist. Mult. Saneamento do Algarve – Estudos, Projectos e Assessorias 2,485 85% 2,112 18/12/03 Águas do Algarve Sist. Mult. Saneamento do Algarve (1.ª fase) 46,998 56% 26,319 655,196 65% 428,228 Subtotal Drenagem e Tratamento de Águas Residuais Unidade: 1.000 Euro TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA FUNDO DE COESÃO – PROJECTOS APROVADOS NO PERÍODO DE 2000-2006 Datas de Aprov. Entidades Executoras Projectos Aprovados (por Sector) Invest. Total Comp. F.C. 13/12/01 AdP, SGPS e várias associadas 19/12/03 Ág. Trás-os-Montes e Alto Douro 22/12/05 Apoio total F.C. Estudos, Projectos e Assessorias (1.ª fase) 34,118 85% Sist. Mult. Abast. Água e Saneamento de Trás-os-Montes e Alto Douro (2.ª fase) 50,725 85% 43,116 Ág. Trás-os-Montes e Alto Douro Sist. Mult. Abast. Água e Saneamento de Trás-os-Montes e Alto Douro (4.ª fase) 52,338 85% 44,487 27/12/01 Águas Minho Lima Sist. Mult. Abast. Água e Saneamento do Minho Lima (1.ª fase) 53,489 65% 34,768 05/09/03 Águas Minho Lima Sist. Mult. Abast. Água e Saneamento do Minho Lima (2.ª fase) 76,752 65% 49,889 09/07/03 Águas do Ave Sist. Mult. Abast. Água e Saneamento do Vale do Ave – Est./Proj./Ass. 3,140 85% 2,669 27/12/04 Águas do Ave Sist. Mult. Abast. Água e Saneamento do Vale do Ave (1.ª fase) 78,956 54% 42,873 29,000 07/12/05 Águas do Ave Sist. Mult. Abast. Água e Saneamento do Vale do Ave (2.ª fase) 63,825 53% 33,827 13/12/01 Águas Zêzere e Côa Sist. Mult. Abast. Água e Saneamento do Alto-Zêzere e Côa (1.ª fase) 54,910 63% 34,593 26/09/03 Águas Zêzere e Côa Sist. Mult. Abast. Água e Saneamento do Alto-Zêzere e Côa (2.ª fase) 51,736 63% 32,594 08/12/05 Águas Zêzere e Côa Sist. Mult. Abast. Água e Saneamento do Alto-Zêzere e Côa – Alargamento ao Mondego Superior Sul 42,459 66% 28,023 06/12/05 Águas do Mondego Sist. Mult. Abast. Água e Saneamento do Baixo Mondego – Bairrada 62,264 53% 33,000 44,587 13/12/01 Águas do Centro Sist. Mult. Abast. Água e Saneamento de Raia Zêzere e Nabão (1.ª fase) 63,695 70% 27/06/03 Águas do Centro Sist. Mult. Abast. Água e Saneamento de Raia Zêzere e Nabão (2.ª fase) 71,036 70% 49,725 20/10/03 Ág. Norte Alentejano Sist. Mult. Abast. Água e Saneamento do Norte Alentejano 55,137 72% 39,699 28/11/03 Ág. Centro Alentejo Sist. Mult. Abast. Água e Saneamento do Centro Alentejo 46,493 48% 22,317 18/12/01 Invest. Gestão Água Gestão Optimizada da Água na RAM (1.ª fase) 39,663 73% 29,041 06/03/06 Invest. Gestão Água Gestão Optimizada da Água na RAM (2.ª fase) 19,270 73% 14,067 920,006 66% 608,275 Central Hidroeléctrica do Alqueva – (2.ª fase) (proj. aprovado em 96) 62,151 55% 34,339 Subtotal Energias Renováveis 62,151 55% 34,339 6,518 Subtotal Multisectoriais EDIA ASSISTÊNCIA TÉCNICA 7,668 85% 24/01/01 DGDR/GSTransp./IGFC-RAM Assistência Técnica ao FCII 2,533 85% 2,153 18/04/05 DGDR Assistência Técnica ao FCII (2.ª fase) 2,865 85% 2,435 16/10/03 GSAmb. – MCOTA Assistência Técnica no domínio do Ambiente 2,270 85% 1,930 4,634,203 72% 3,317,124 TOTAL 157 Unidade: 1.000 Euro TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA 158 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA FICHA TÉCNICA ORGANIZAÇÃO DA PUBLICAÇÃO: Coordenação Nacional do Fundo de Coesão Editor: Instituto Financeiro para o Desenvolvimento Regional, IP Rua de S. Julião, 63 1149-030 Lisboa Concepção: White Rabbit - Custom Publishing Entrevistas e Trabalho Jornalístico: Fátima Azevedo, Susana Torrão ISBN: 978-972-9352-86-7 Data de Publicação: Dezembro de 2010 159 TODOS SOMOS UNIÃO EUROPEIA