Recuperação de Ácido Láctico por Filtração Tangencial J úl i o M e nd e s C a r v a l ho Diss ertaç ão para obtenç ão do Grau de Mestre em Engenharia Química J úr i Presidente: Prof. João Carlos Moura Bordado Orientador: Prof. José António Leonardo d os Santos Co-orientador: Dr. José Roseiro Vogal: Profª. Marília Clemente Velez Mateus Dezembro 2008 i Agradecimento Esta tese de mestrado não teria sido possível sem a colaboração de muitas pessoas e instituição às quais g ostaria de exprimir os meus agradecimentos: Ao Doutor Francisco Gírio, director da Unidade de Fisiologia Microbiana e Bioprocessos (UFMB) do INETI, pela possibilidade concedida de realização do projecto de mestrado, neste espaço. Ao meu orientador compreensão e Professor amizade, pelos José Santos, conhecimentos por toda a transmitidos, dedicação, conselhos, sugestões, disponibilidade, apoio, revisão do relatório . Ao Drº José Roseiro, co-orientador que mostrou sempre disponível para esclarecimento de dúvidas e resolução de problemas . Um grande agradecimento a Engenheira Susana Marques por todo o apoio que me concedeu, sem o qual não teria sido possível realizar este trabalho. Ao professor João Moura Bordado pel a sua preciosa ajuda durante o período do estágio. Agradeço à minha filha o amor e a paciência com que me brindou durante o longo tempo em que me dediquei a este trabalho. À Amélia, Céu e Carlos pela disponibilidade, auxilio e simpatia. À Talita, Mafalda, Patrícia, e Joana, companheiros de laboratório, agradeçovos o apoio, amizade e diversão que convosco partilhei. A minha família, pelo incentivo e apoio nos momentos mais difíceis . ii Resumo No presente operacionais trabalho, (velocidade recuperação de ácido estudou-se superficial láctico de a e um influência pressã o caldo das condições transmembranar) fermentado por na filtração tangencial, utilizando membranas de ultrafiltração com limites de exclusão molecular de 10 e 100 kDa. Iniciou-se o estudo com a produção do caldo fermentado, produzido por Lactobacillus, em frasco agitado, utilizando como substrato lamas de reciclagem de papel. Após a produção do caldo, procedeu-se à recuperação do ácido láctico por ultrafiltração. A recuperação do ácido láctico foi efectuada através de filtração tangencial, segundo o modo de operação descontínua com recirculação de concentrado. Nestes ensaios utilizaram -se o meio fermentado (fresco e previamente congelado), solução e suspensão, sendo estes últimos obtidos a partir da centrifugação do caldo. De acordo com os resultados obtidos, constatou-se que não existe diferenças significativas entre os ensaios com caldo fresco e caldo previamente congelado. Foram estudados os efeitos da pressão transmembranar (42 ;105 e 149 kPa) e a influência da velocidade superficial de recirculação (3,9; 15,9; 34,4 e 46,4 cms -1 ) nos fluxos de permeados obtidos e na recuperação de ácido láctico. A percentagem de recuperação média, ou seja, a fracção de ácido láctico recuperado face ao inicial foi de 70,6±5,4%. Verificou-se que o fluxo de permeado aumenta com o aumento da velocidade superficial de recirculação, ao mesmo tempo que diminui as resistências da polarização por concentração e do fouling. Por sua vez, o aumento da pressão transmembranar resulta no aumento proporcional do fluxo de permeado até a pressão de 1 49 kPa. A partir deste valor, o aumento do fluxo torna-se gradualmente mais lento, tendendo para um valor limite (fluxo limite). Constatou-se que, nas mesmas condições, os resultados dos ensaios com as duas membranas testadas mostraram variações significativas no fluxo de permeado. A membrana de 10 kDa apresentou maior fluxo de permeado, este facto contraria de certo modo o esperado , razão pela qual foi seleccionada para a continuidade do trabalho, indicando um efeito menos significativo dos fenómenos de polarização por concentração e fouling em relação à membrana de 100 kDa. iii Utilizando o modelo de resistências em série foram determinados os valores da resistência intrínseca da membrana (6,2x10 12 resistências devidas à polarização por concentração (57,6x10 fouling (42,9x10 Aplicaram-se 12 m -1 m 12 -1 m ), -1 das ) e o ). vários modelos descrever o decréscimo operação. Verificou-se resultados experimentais dinâmicos, de fluxo que, os são: de teóricos permeado modelos bloqueio que ao e longo m elhor completo, empíricos, do se bloqueio para tempo ajustam de aos intermédio, bloqueio padrão, m odelo de Mehta e m odelo de Ho Zidney. iv Abstract In present work, it was studied the operating conditions (speed surface and transmembrane pressure) influence in the lactic acid recovery from fermented broth using tangential filtration with 10 and 100 kDa ultrafiltration (cut off) membranes. This study began with the fermented broth production by Lactobacillus in agitated bottle, using sludge from the paper recycling as the substrate. After broth production, the lactic acid was recovered using ultrafiltration. The lactic acid recovery was performed by tangential filtration, by a discontinuous operation with concentrate recirculation. In these tests were used the fermented way (fresh and previously frozen) and the solution and suspension way obtained from the broth centrifuge. According with the results, it was found that there are significant differences between the tests with fresh juice and broth previously frozen. The effects of the transmembrane pressure (42, 105 and 149 kPa) and the influence of recirculation surface rate(3.9, 15.9, 34.4 and 46.4 cm -1 ) were studied in the perm eated f low and in lactic acid recovery. T he average percentage of lactic acid obtained was 70.6 ± 5.4%. It was found that the permeate flow increases with the increasing of the superf icial rec ycling rate, while polarization resistance concentration and fouling decrease. In turn, the increased pressure results in the transmembrane proportional increase of the permeated flow with 149 k Pa of pressure. From this amount, the increasing of the flow became progressively slower, tending to a limit value (flow limit). It appeared that, under the same conditions, the results of tests on the two membranes showed significant variations in the permeate flow. The 10 kDa membrane showed a greater permeate flow, contradict ing the expected results, reason why it was selected the 100 kDa membrane to the continuity of work, witch indicated a less significant effect of the polarization of concentration phenomena and fouling. Using the resistance in series model it were determined the intrinsic strength values of the membrane (6.2 x 10 polarization of concentration (61.1 x10 It were used several dynam ic, 12 m 12 -1 m -1 ), the resistance due to the ) and fouling (45.8 x 10 theoretical and empirical 12 m -1 models, ). to describe the drop in permeate flow over operation time. It was found that the models that best fited the experimental results were: complete blocking, intermediate blocking, Mehta model and Ho Zidney model. v P AL AV R A S - C H A V E Lamas de Reciclagem de Papel Ácido Láctico Ultrafiltração Polarização por Concentração Filtração Tangencial Fouling Modelos Dinám icos KEYWORDS Recycle Paper Sludge Lactic Acid Ultrafiltration Concentration Polarization Tangential Filtration Fouling D ynam ic Models vi Enquadramento A reciclagem de papel é um processo que permite recuperar as fibras celulósicas do papel usado e incorporá -las na fabricação de novo pape l. Não é um processo isento de produção de resíduos, porque gera grandes quantidades de lamas que causam graves problemas ambientais. Actualmente há uma grande preocupação com o destino final das lamas da reciclagem, uma vez que contêm grandes quantidades de metais pesados que são prejudiciais ao meio ambiente o que restringe a sua utilização na valorização agrícola. Perante aterros. este No cenário, entanto, estas esta lamas solução são actualmente torna-se inviável depositadas do ponto de em vista económ ico e ambiental. Assim, torna -se urgente encontrar soluções que minimizem tal impacto negativo. Estas soluções passam pelo aproveitamento das lamas como substratos em processos biotecnológicos. As lamas são constituídas basicamente por fibras secundárias de papel, de qualidade inferior, logo não recicláveis, consistindo em cerca de 40% de celulose e hemicelulose (Marques S. et al.; 2007). A recuperação biotecnológica deste substrato requer a hidrólise dos seus componentes polissacarídos (celulose e hemicel ulose) a açúcares livres, que serão utilizados como substrato por cult uras microbianas para a manufactura de produtos de grande interesse e aplicabilidade industrial, tais como o ácido láctico. O ácido láctico é o nome comum dado ao ácido 2 -hidroxi-propanóico, descoberto em 1780 pelo quím ico sueco Carl W ilhelm Scheele , que o isolou como um composto impuro a partir do leite ácido (DATTA et al.; 1995). Trata--se de um ácido alfa-hidroxi simples, com um carbono assimétrico, e possui duas dextrógira formas e enantioméricas levógira são com chamadas actividade de óptica. isómeros As formas especiais ou estereoisómeros, pois diferem entre si apenas pela forma na qual os átomos estão distribuídos no espaço, mas são idênticas no que se refere à ordenação dos átomos e as ligações atómicas presentes. Ambas as formas podem ser polimerizadas, resultando em compostos com propriedades diferentes. O ácido láctico é considerado um dos produtos químicos mais versáteis, utilizado na indústria alim entar como conservante e aci dulante, na indústria têxtil, farmacêutica e na indústria química como matéria -prima para a vii produção de éster de lactato, propileno glicol, ácido propaniónico, ácido acrílico e acetaldeído. Uma das principais aplicações deste ácido é , no entanto, a sua utilização na indústria de polímeros para a produção de polímeros polilácticos biodegradáveis e biocompatíveis , uma alternativa a plásticos convencionais , produzidos a partir de derivados de petróleo. De facto, o consumo do ácido láctico tem aumentado conside ravelmente, devido ao seu uso como monómero na produção de ácido poliláctico (PLA) . O ácido láctico pode ser obtido por síntese química ou recorrendo a fermentação láctica, sendo este processo vantajoso do ponto de vista económ ico ( Silva; Manchila, 1991 ). A produção do ácido láctico através da fermentação de substratos ricos em carbohidratos, por bactérias ou fungos tem a vantagem de produzir enantiómeros D (-) ou L (+), opticamente puros. A produção biotecnológica depende do tipo de microrganismo utiliza do, do pH, da temperatura, da fonte de carbono, da fonte de azoto e da formação de subprodutos (Hofvendahl et al; 2000). As bactérias que podem ser utilizadas para a produção do ácido láctico são anaeróbias aerotolerantes. A exigência do meio nutricional d estas bactérias é tal que, a mistura nutritiva deve conter desde vitaminas até uma quantidade considerável de aminoácidos. Durante o processo fermentativo, o ácido láctico inibe o crescimento dos microrganismos. Isto pode ser evitado extraindo -o continuamente do caldo fermentado usando processos com membranas, nomeadamente a ultrafiltração, que é o objecto de estudo. Neste trabalho estudou-se então a recuperação do ácido láctico por filtração tangencial, usando membranas de fibras ocas . Foi avaliado o comportamento deste processo de separação (através de recuperação do ácido láctico e do fluxo de permeado) em função da pressão transmembranar e da velocidade superficial de recirculação . A purificação do ácido láctico da solução obtida por filtração ainda é difícil, devido ao facto de o ácido apresentar uma grande afinidade com água e por apresentar uma volatilidade reduzida. Na maioria dos processos o ácido láctico é recuperado sob a forma de lactato de cálci o. Os tratamentos posteriores dependem da pureza desejada, de entre os quais se listam os seguintes: tratamento com carvão activado, purificação com resinas de permuta iónica e extracção com solventes ou esterificação com metanol seguida de destilação e hidrólise. viii Nomenclatura 2 A – área da membrana (m ) A1 – Constante empírica 2 Apo – área total transversal dos poros (m ) B1 – constante empírica b1- Constante de filtração b – constante de velocidade C – concentração molar (mol. m -3 ) Cp – concentração no permeado (mol. m -3 ) ou (Kg. m -3 ) Cm – concentração junto à fase fluida adjacente à membrana (Kg. m -3 Cb – concentração molar específica no seio de uma solu ção (Kg. m Cbo – concentração de fluído circulante no início da filtração (Kg. m Cg – concentração de gel (Kg. m -3 -3 ) ) -3 ) ) CL – constante que depende d a geometria do canal (regime lam inar) CT – constante que depende da geometria do canal (regime turbulento) dh – diâmetro hidráulico (m) dp – diâmetro equivalente das partículas (m) 2 D – coeficiente de difusão (m .s f – factor de atrito (Js.m -2 mol -1 -1 ) ) FC – factor de concentração 3 J – fluxo de permeado (m .s -1 m -2 ) 3 Jvo – fluxo de permeação de água (m . s -1 3 Jv – fluxo volumétrico de permeado ( m . s 3 <Jv>– fluxo médio de permeado (m . s -1 m m -1 -2 -2 m ) -2 ) ) 3 -1 Jv1 – fluxo volumétrico ao fim de 1 minuto de processamen to (m . s Kc – constante de filtração para o modelo de bloqueio completo ( s -1 Ki – constante de filtração para o modelo de bloqueio intermédio (s Kp – constante de filtração para o modelo de bloqueio padrão ( m -1 Kb – constante de filtração para modelo de formação de bolo (s.m m -2 ) ) -1 ) ) -2 ) L – distância percorrida pelo fluído (m) ix Lp – permeabilidade hidráulica da membrana (m.s -1 . kPa -1 ) Lp – comprimento dos poros (m) P – pressão (kPa) Po – pressão de entrada (kPa) Ps – pressão de saída (kPa) Pp – pressão relativa na face da membrana (kPa) 3 Q – caudal volumétrico de permeado (m . s -1 ) 3 Qo – caudal volumétrico de permeado com a membrana limpa (m . s Rcp – resistência da camada de polarização (m Rej – rejeição intrínseca (m -1 -1 -1 ) ) ) Rf – resistência devido ao fouling (m -1 ) Rglobal – coeficiente de rejeição aparente global (m -1 ) RH – resistência hidráulica característica da membrana (m Rm – resistência hidráulica da membrana (m Robs – rejeição observada (m -1 -1 -1 ) ) ) Rp – resistência de depósito de proteínas Rt – resistência total para cada ensaio (m R*t – resistência total após o ensaio (m -1 -1 ) ) R – raio da conduta (m) r – dimensão radial (m) t – tempo (s) 3 Vo – volume inicial do caldo (m ) 3 Vc – volume de concentrado (m ) 3 vf – volume de filtrado(m ) 3 Vdep – volume de partículas depositadas por unidade de volume (m ) Vs – velocidade superficial de recirculação (m.s -1 ) 3 Vi – volume de fluído circulante no início da filtração (m ) 3 VR – volume de fluído circulante no instante t (m ) x ξm – porosidade da membrana ξ – tortuosidade µf – viscosidade do permeado (kPa.s) π – pressão osmótica (kPa) 3 ρ – massa específica (kg/m ) ρb – massa específica da solução ou suspensão recirculante (kg/m 3) ρf – massa específica do permeado (kg/m 3) 3 ρg – massa específica da camada gel (kg/m ) ζ – tensão de corte (kPa) Ψ – factor de forma das partículas xi Índice Geral Agradecimento .................................................................................. ii Resumo .......................................................................................... iii Abstract ........................................................................................... v PALAVRAS-CHAVE ........................................................................... vi Enquadramento ................................................................................vii Nomenclatura................................................................................... ix Índice Geral ....................................................................................xii 1 Introdução ....................................................................................15 1.1 Fundamentos Teóricos ................................................................ 2 1.2 Processos de Separação com Membranas Baseados em Diferenças de Pressão Hidrostática ....................................................................... 3 1.3 Classificação das Membranas ...................................................... 5 1.3.1 Classificação Morfológica ....................................................... 5 1.3.2 Classificação Química ........................................................... 6 1.3.3 Configurações Modulares ....................................................... 7 A) Módulos de Membranas Planas .................................................... 7 B) Módulos de Membranas Tubulares ............................................... 9 1.4 Tipos de Membranas para Filtração Tangencial ..............................11 1.4.1.Ultrafiltração .......................................................................12 1.4.2.Microfiltração ......................................................................12 1.4.3.Nanofiltração ......................................................................13 1.4.4.Osmose Inversa ...................................................................13 1.5. Características das Membranas ..................................................13 1.5.1. Porosidade ........................................................................14 1.5.2. Espessura..........................................................................14 1.5.3 Diâmetro de Poros ...............................................................14 1.5.4 Permeabilidade ....................................................................14 1.6 Fenómenos Envolvidos nos Processos de Separação com Membranas 15 1.6.1. Deterioração da Membrana ...................................................15 1.6.2 Polarização por Concentração ................................................15 1.6.3. Fouling..............................................................................16 1.7 Métodos Utilizados para Redução dos Efeitos Provocados pela Polarização por Concentração ..........................................................17 1.8 Métodos Utilizados para Redução dos Efeitos Provocados pelo fouling ...................................................................................................17 1.8.1 Pré-tratamento da solução de alimentação ...............................18 1.8.2. Propriedades da Membrana ...................................................18 1.8.3. Limpeza ............................................................................18 xii 1.9 Considerações Processuais ........................................................19 1.9.1 Parâmetros Fundamentais da Filtração Tangencial ....................19 1.10 Modos de Operação .................................................................23 1.10.1 Concentração e Purificaç ão .................................................23 1.10.2 Diafiltração .......................................................................26 1.11 Modelação dos Processos de Ultrafiltração em Estado Estacionário .27 A) Modelo das Resistências em Série ..............................................28 B) Modelo do Poro .......................................................................28 C) Modelo do Gel .........................................................................29 1.12 Modelação da Filtração Tangencial em Estado Transi ente ..............30 1.12.1 Modelos de Bloqueio à Pressão Constante ..............................30 1.12.2 Outros Modelos Empíricos ...................................................34 2 Materiais e Métodos .......................................................................36 2.1. Matéria-Prima..........................................................................37 2.2. Hidrólise Enzimática das Lamas da Reciclagem de Papel ...............37 2.3. Produção de Ácido Láctico ........................................................38 2.3.1. Microrganismo ....................................................................38 2.3.2. Meio de cultura ...................................................................38 2.3.3. Condições de cultivo ...........................................................38 2.4. Estudos de Filtração para Recuperação do Ácido Láctico ...............39 2.4.1. Sistema de Membrana ..........................................................39 2.4.2. Módulo de Filtração .............................................................40 2.4.3. Ensaios de Ultrafiltração ......................................................40 2.4.4 Lavagem das Membranas.......................................................41 2.5.Ensaios Analíticos ....................................................................42 2.5.1. Ensaios enzimáticos ............................................................42 2.5.2. Quantificação por HPLC .......................................................42 2.5.3. Determinação do teor em matéria seca ...................................43 2.5.4. Determinação da proteína total solúvel ...................................43 2.5.5. Distribuição de Tamanho de Partículas ...................................43 3. Resultados e Discussão .................................................................45 3.1. Caracterização do Caldo fermentado ...........................................46 3.2. Determinação da Permeabilidade Hidráulica da Membrana ..............46 3.3. Selecção da Membrana .............................................................48 3.4. Estudo dos Parâmetros Operacionais ..........................................52 3.4.1. Influência da Velocidade Superficial ......................................52 3.5. Influência da Pressão Transmembranar com o Fluxo de Permeado ...55 3.6.Influência dos Componentes do Caldo no Comportamento de Filtração Tangencial ....................................................................................61 xiii 3.7. Modelação da Variação do Fluxo de Permeado em Função do T empo de Filtração em Estado Transiente. ...................................................62 3.7.1 Modelo de bloqueio à Pressão Constante .................................63 3.7.2 Modelos Empíricos ...............................................................65 4. Conclusão ...................................................................................69 5. Referências Bibliográficas .............................................................. ttt Anexos ............................................................................................ a xiv 1 Introdução 1 Introdução 1.1 Fundamentos Teóricos A separação por membranas iniciou-se na década de 60, quando Loeb e Sourirajan desenvolveram a primeira membrana assimétrica de ace tato de celulose. Na década seguinte, muitas empresas tais c omo Evirogenenics, Sparex e Du Pont desenvolveram investigações sobre a separação de gases, identificando-se processos com potencial aplicação de membranas sido amplamente (Spillman, 1989). Os processos utilizados como concentração de separação processos nas mais de com membranas separação, diversas têm purificação, indústrias, tais fraccionamento como as e químicas, farmacêuticas, têxteis e alimentar (Hamza et al,. 1997). Estes processos apresentam como principais vantagens , face aos processos convencionais de separação, o baixo consumo energético, a redução do número de etapas de separação, maior eficiência na separação e elevada qualidade do produto final (Petrus, 1997). A filtração é uma das operações unitárias mais antigas e sendo uma operação de separação de sólido/fluido, está sempre associada a meios filtrantes muito diversos , que vão desde meios porosos não consolidados na forma de pós ou de granulados até meios porosos consolidados como o filtro de papel ou as telas filtrantes. Estes meios filtran tes consolidados podem ser designados de membranas. Uma membrana, como apresentada esquematicamente na Figura 1, pode ser definida como uma barreira selectiva, sólida ou líquida, que separa duas fases e restringe o transporte de uma ou várias espécies quí micas de maneira específica. Este transporte tanto pode ocorrer por difusão como por convecção e é induzido por um gradiente de potencial químico (pressão, temperatura e concentração) ou potencial eléctrico. 2 1 Introdução Figura 1 – Representação esquemática do funcionamento de uma membrana (Adaptado de Mulder (1997)). A velocidade de transporte através da membrana não é só determinada pela força motriz que actua nos componentes individuais. A mobilidade e a concentração das espécies em solução são também fac tores importantes que determinam , em termos quantitativos , o fluxo produzido por uma dada força motriz. 1.2 Processos de Separação com Membranas Baseados em Diferenças de Pressão Hidrostática Os processos de separação com membranas, que têm como força m otriz da separação o gradiente de pressão, podem ser realizados utilizando duas configurações distintas. Se o fluxo da corrente de alimentação (suspensão ou solução) for perpendicular à membrana e paralelo ao fluxo de permeado trata-se da filtração clássic a, tradicional ou convencional. Se o fluxo da corrente da alimentação for paralelo à membrana e perpendicular ao fluxo de permeado, então, a filtração é designada por filtração tangencial. Na Figura 2 estão apresentadas esquematicamente os dois modos de operação de filtração, bem como as curvas típicas de fluxo de permeado (caudal/ área da membrana) em função do tempo de operação. 3 1 Introdução Figura 2 – comparação esquemática entre filtração convencional ( a) e filtração tangencial (b). Na filtração convencional, as partículas ou macrosolutos retidos vão formando uma camada ou bolo sobre a membrana. Este bolo vai aumentando de espessura com o tempo de operação , e a resistência à filtração vai aumentando. Deste modo, verifica-se uma diminuição acentuada do fluxo de permeado (caso se mantenha a pressão constante) ou um aumento acentuado da pressão (caso se mantenha o fluxo constante) . Ao contrário da filtração convencional, filtração. a Nesta filtração tangencial metodologia , a minimiza espessura a formação depositada na do bolo de superfície da membrana não aumenta indefinidamente, uma vez que as tensões de corte, originadas pelo fluxo tangencial à superfície da membrana, provocam o transporte das partículas ou macrosolutos depositados de volta ao seio do fluido do processo, distanciando-os da membrana. A filtração tangencial é um processo utilizado na separação de partículas dissolvidas e de suspensões, baseando -se no tamanho molecular do produto a ser recuperado e no tamanho do poro da membrana a ser utilizada neste processo. Nesta metodologia, a solução ou suspensão desloca-se, por meios 4 1 Introdução hidrodinámicos, como uma superfície da membrana bomba, a elevadas e perpendicular velocidades ao fluxo de ao longo da permeado. As substâncias de tamanho inferior ao tamanho do poro são arrastadas com o solvente, formando assim o permeado, enquanto os solutos ou os sólidos de tamanho superior membrana, ficam formando retidos também ou o mesmo agregados concentrado, como na se superfície da esqu ematiza na Figura 2. Na filtração tangencial com membranas podem ser separadas partículas ou células com qualquer tamanho molecular, mediante a selecção do tipo de membrana adequado, com tamanho de poros que permita a retenção das células ou fragmentos celulares. Assim, a filtração com mem branas permite a obtenção de filtrados isentos de partículas ou células, contrariamente ao que se passa com as outras técnicas utilizadas, como a centrifugaç ão. A ultrafiltração, microfiltração nanofiltração e osmose inversa têm sido utilizadas no processo de filtração tangencial, sendo que a principal diferença entre elas está baseada no tamanho do poro da membrana a ser utilizada no processo. 1.3 Classificação das Membranas Em função das suas aplicações a que se destinam, as membranas podem ser classificadas consoante as suas características morfológicas (classificação morfológica), segundo o tipo de material que as constitui (classificação química) e ainda consoante a forma e o tipo de módulos (configurações modulares) em que estão inseridas. A escolha das membranas a utilizar é um factor muito importante para a optimização dos processos de separação, uma vez que é necessário considerar vários factores, tais como a compatibilidade das membranas com as configurações disponíveis e com os processos de lim peza, as interacções entre as membranas e as partículas e /ou solutos a separar, o custo de implementação e o tempo de vida útil. 1.3.1 Classificação Morfológica A classificação morfológica baseia -se na porosidade da membrana, no tamanho dos poros e no gr au de simetria da membrana. Assim as membranas dividem -se em porosas e não porosas. Quanto à simetria as membranas porosas podem ser de dois tipos: 5 1 Introdução A) Simétricas ou isotrópicas As membranas simétricas ou isotrópicas, apresentam o tamanho de poro aproximadamente constante ao longo da espessura da membrana, tendo esta uma densidade sensivelmente constante. B) Assimétricas ou anisotrópicas As membranas assimétricas ou anisotrópicas, consistem n uma camada homogénea muito fina (camada activa ou “pele”) cuja es pessura pode ir de 0.1 a 1 µm, e numa camada porosa com espessura de 100 a 200 µm. Neste tipo de membranas, a camada activa é a responsável pela selectividade da membrana, sendo a camada porosa responsável pela resistência mecân ica da membrana. Neste tipo de membranas, o tamanho de poro varia ao longo da espessura da membrana. Se as duas camadas (densa e porosa) forem constituídas por materiais diferentes, teremos um a subclasse de mem branas denominadas membranas compostas. A vantagem desta estrutura é que a camada superior funciona com um filtro, retendo as partículas maiores na superfície da membrana e evitando assim a sua colm atação. 1.3.2 Classificação Química As membranas utilizadas na filtração tangencial têm sido construídas a partir de uma variedade de materiais, incluindo muitos polímeros sintéticos, inorgânicos ou cerâmicos e metálicos. Actualmente um grande número de membranas é produzido a partir de diversos materiais sintéticos, tais como: polissulfonas, poliamidas, poliésteres e celuloses modifi cadas. Estes materiais são usados como copolímeros e apresentam grande resistência a altas temperaturas e a grandes variações de pH. Uma das características importantes a ser analisadas na fabricação das membranas está relacionada com o seu grau de hidrofobicidade e hidrofilicidade, pois quanto maior for a hidrofilicidade permeado de obtidos uma na membrana , filtração de mais elevados soluções serão aquosas (Van os fluxos den de Berg e smolders, 1990; Stratton e Meagher, 1994; Zeman 1983). De uma maneira geral, a hidrofilicidade de uma membrana está relacionada com o ângulo de contacto (Ø) formado entre uma gota de água e a superfície da membrana (Figura 3). A água molhará toda a superfície e atravessará a membrana tanto mais facilmente quanto maior for a capacidade da superfície em formar pontes de hidrogénio. Assim , quanto 6 1 Introdução maior for o valor do ângulo de contacto, maior será a hidrofobicidade da membrana e menor será o fluxo de permeado. A variação do ângulo de contacto para os diversos materiais de fabricação de membranas de ultrafiltração , com o mesmo limite de exclusão molecular, foi obtida por Gekas, et al., 1992, onde foram observados valores decrescentes para o ângulo de contacto, na seguinte sequência: P A > PS > AC > P AN onde: PA – Poliamida; PS – Polissulfona; AC – Acetato de Celulose e PAN – Poliacrilonitrilo. Figura 3 – Representação gráfica do ângulo de contacto ( ), utilizado para caracterizar a hidrofobicidade de uma membran a (Adaptado de Santos, 1996). Normalmente, as membranas hidrofílicas disponíveis comercialmente são fabricadas a partir de materiais que são geralmente hidrofóbicos ou pouco hidrofílicos, sendo em seguida modificados para adquirirem as propriedades hidrofílicas desejadas . 1.3.3 Configurações Modulares Os diferentes tipos de módulos utilizados em filtração tangencial são baseados em duas configurações de membranas: as planas e as tubulares. A) Módulos de Membranas Planas As membranas planas, como o próprio nome indica, são membranas que se apresentam sob forma de placas de diversas dimensões. Os módulos são constituídos por suportes planos , que comportam uma folha de membrana em cada um dos lados e por espaçadores colocados entre estes suportes. Existem basicamente dois módulos que utilizam membranas pla nas que são os de placas e quadro e os de cartuchos em espiral. 7 1 Introdução A1) Módulos de Placa e Quadros Os módulos convencionais, geometria de placas compostos rectangular alimentação é circula permeado (Figura entre 4). os quadros por entre tangencial permeado e à grupos as de quais superfície com semelhantes duas se da espaçadores, Módulos são esta membranas colocam membrana, sendo aos filtros planas de espaçadores. A enquanto o recolhido configuração que em canais de têm custo de fabricação muito elevado e apres entam uma razão área de permeação e o volume do módulo menor comparada com outras configurações. No entanto, as condições de escoamento da alimentação e do permeado podem ser facilmente controladas, bem como as membranas que forem danificadas durante a operação podem ser substituídas sem perda do módulo. Figura 4 – Esquema de um módulo de Pratos Planos [Aptel e Buckley, 1999]. A2) M ódulos de Cartucho em Espiral Os módulos de cartuchos enrolados em espiral consistem num siste ma de placas e quadros enrolados em torno de um tubo central com perfurações distribuídas em linhas paralelas e axiais ao longo da superfície lateral do tubo onde são colocadas as membranas. Estas folhas de membranas estão, por sua vez, coladas entre si nos três outros lados, tendo a camada activa voltada para o exterior e no meio do qual se encontra uma tela que funciona como espaçador. Entre cada uma destas “folhas” , encontra-se uma rede que serve apenas para impedir que as superfícies das membranas se to quem. A alimentação circula tangencialmente à camada activa e o permeado que atravessa para o interior vai ser recolhido no tub o central. 8 1 Introdução Figura 5 – Representação do módulo de cartuchos enrolado em espiral [Adaptado a Amicon] B) Módulos de Membranas Tubulares Os módulos de membranas tubulares dividem -se em dois grupos: módulos tubulares e módulos de fibras ocas. Para cada processo e aplicação, deve-se escolher a configuração mais adequada, sendo por vezes necessários efectuar ensaios laboratoriais para uma melhor selecção. Neste trabalho, apenas se realizaram ensaios em módulos tubulares de fibras ocas. B1) Módulos Tubulares Nos módulos tubulares, as membranas são inseridas dentro dos tubos porosos, invólucros, formando o módulo. A sua utilização só é justificada quando há necessidade de condições de escoamento muito bem controlada s ou a alimentação contém partículas em suspensão, que poderia danificar outros tipos de módulos. Dependendo do número de tubos inseridos no invólucro a c onfiguração modular pode ser mono-tubular ou em multicanais, sendo o segundo caso muito mais frequente. A Figura 6 apresenta o esquema de um módulo tubular. 9 1 Introdução Figura 6 – Representação esquemática do módulo tubular B2) Módulos de Membranas de Fibras Ocas Os módulos de fibras ocas são constituídos por um feixe de capilares poliméricos (fibras) que são introduzidos num invólucro para que a alimentação circule axialmente no interior dos capilares e o permeado seja recolhido no espaço entre as fibras e o invólucro. Esta situação verifica -se quando a camada activa das membranas se encontra no interior das fibras. Se as fibras são fabricadas com a cam ada activa no exterior , então a alimentação circula no exterior das fibras e no seu interior é recolhido o permeado. Os módulos densidade de de fibras ocas empacotamento, caracterizam -se dado o por reduzido possuírem diâmetro elevada dos tubos utilizados. Outra vantagem que as membranas de fibras ocas oferecem consiste no facto de serem auto-suportadas, o que reduz o custo de produção do módulo de permeação. Por outro lado, a possibilidade de entupimento do orifício interno das fibras (quando a alimentação flui no interior das fibras e contém material em suspensão) e a espessura da parede das fibras relativame nte elevada são as principais desvantagens desta configuração. 10 1 Introdução Figura 7 – Representação esquemática do módulo de fibras ocas Na tabela seguinte são comparadas os diferentes tipos de módulos relativamente a densidade de empacotament o, ou seja, relaciona-se a área da membrana disponível para a permeação e o volume do módulo (Habert et al, 2003). Tabela 1 – Comparação da densidade de empacotamento dos diferentes módulos (Adaptado de Strathmann, 1981) 2 Tipo de módulo m /m 25 – 50 Tubular 400 – 600 Placa e quadro 800 – 1000 Enrolado em Espiral 1200 – 10000 Fibras ocas A densidade 3 de empacotamento é uma das características mais importantes dos módulos de fibras ocas, pois nestes módulos consegue -se obter uma elevada área de permeação num módulo com um volume reduzido. 1.4 Tipos de Membranas para Filtração Tangencial As membranas porosas utilizadas nos processos de filtração tangencial podem ser classificadas em membranas de ultrafiltração (UF), microfiltração (MF), nanofiltração (NF) e osmose inversa (OI). Tem -se considerado que uma molécula (ou partícula) é transporta da através da membrana ou retida 11 1 Introdução por ela, consoante a relação entre os tamanhos das moléculas (partículas) e os poros da membrana, por um efeito de exclusão mo lecular. As principais diferentes tipos diferenças de entre moléculas estas e/ou membranas partículas que baseiam -se estão envolvidas nos na separação, ou nos diferentes tamanhos de poro, que varia consoante os materiais usados e o seu m étodo de fabrico (Mateus et al., 1993). 1.4.1.Ultrafiltração A operação de ultrafiltração (UF) é normalmente associada à separação e concentração de membranas com fabricantes de macromoléculas microporos membranas na de ou partículas ordem de – 1 ultrafiltração coloidais, 100 e nm. osmose Por utilizando vezes, inversa os fornecem especificações, não relativamente ao tamanho de poro, mas sim em relação às suas características de rejeição, indicando o seu limite de exclusão molecular (cut-off). O seu significado é por vezes ambíguo, mas na maior parte dos casos indica a massa molar dos solutos a partir da qual a rejeição é superior a 90%; contudo o valor de referência nem sempre é superior a 90% e muitas vezes não são indicadas as condições em que essas rejeições são medidas. Tendo em consideração o limite de exclusão molecular, as membranas de ultrafiltração abrangem uma gama de 10 Os mecanismos de transporte que actuam 3 a 10 6 geralmente Da. neste tipo de membranas são a exclusão molecular e a difusão. Verifica -se, no entanto, que para diversos casos estes mecanismos não são os únicos a actuar, sendo a natureza da corrente de alimentação bastante importante, visto que a presença de material coloidal conduz ao fenómeno de colmatação que altera os mecanismos da operação. 1.4.2.Microfiltração A microfiltração é uma técnica de separação usada na remoção de partículas em suspensão, nomeadamente na clarificação e na remoção de bactérias, usando membranas com diâmetros de poro entre os 50 e 100 nm, sendo o mecanismo de transporte presente o da exclusão estereoquímica, usualmente superior moléculas ao chamado raio com do raios “efeito poro peneiro”, da onde membrana inferiores. Uma as são das moléculas rejeitadas, principais com um passando aplicações raio as da microfiltração é a ester ilização de numerosos tipos de bebidas e produtos químicos na indústria alim entar, farmacêutica (Belfort et al., 1994; Jonsson et al., 1996). Em biotecnologia, a microfiltração é especialmente apropriada 12 1 Introdução para a concentração de biomassa em fermentação contínua, na filtração esterilizante de gases borbulhados em todo o tipo de bioreactores e também na filtração estéril em passos finais da produção de proteínas . 1.4.3.Nanofiltração A nanofiltração (NF) é um processo de separação intermédio entre osm ose inversa e ultrafiltração, utilizada norm alm ente na separação de solutos orgânicos de baixo peso molecular – (200 1000 Da) e para a desmineralização parcial de correntes líquidas. A elevada selectividade das membranas proteicos, de nanofiltração associando permite produtividade uma e concentração resolução. Os de hidrolisados mecanismos de transporte que operam neste tipo de processo são os de difusão, exclusão m olecular, verif icando -se tam bém interacções electrostáticas que conduzem à remoção selectiva dos iões polivalentes. A nanofiltração, é aplicada, por exemplo, na indústria alimentar para desmineralização do soro. 1.4.4.Osmose Inversa Na osmose inversa (OI), também designada por hiperfiltração, a membrana retém moléculas pequenas e iões, enquanto o solvente passa através dela. Nesta operação, dado o tamanho diminuto das partículas a serem retidas, as membranas são filmes homogéneos com um diâmetro médio de poro de 0.5 a 1 nm. Deste modo, a solução retida apresenta uma elevada apresenta pressão uma osmótica pressão contrariamente osmótica a relativamente solução nula. permeada, Este processo que só ocorre se a pressão transmembranar, aplicada no lado da solução mais concentrada, for superior à diferença de pressão osmótica. 1.5. Características das Membrana s Algumas características das membranas microporosas são determinantes para se obter a separação desejada nos diversos processos de separação. Dentre as mais importantes citam -se: a porosidade, a espessura, o diâmetro de poros e a permeabilidade. Estas ca racterísticas dependem do material que é feita a membrana e da técnica usada na sua fabricação . 13 1 Introdução 1.5.1. Porosidade A porosidade é definida como a razão entre o volume dos poros e o volume da membrana. A porosidade pode ser relativa apenas à parte superficial da membrana (“pele” filtrante), ou ainda ser relativa a toda a membrana. Quanto maior for a porosidade da membrana, menor será a resistência ao fluxo de solvente através da membrana. Uma maior porosidade superficial não implica necessariamente a redução da rejeição de um determinado soluto, uma vez que o aumento na porosidade pode ser devido ao maior número de poros e não a um aumento em seus diâmetros médios (Habert et al., 2000). 1.5.2. Espessura A influência subcamada, que da espessura é a região está onde relacionada se formam com os a res istência maiores poros . da Para membranas com as mesmas características morfológicas, quanto maior for a espessura da subcamada, maior será a resistência ao fluxo de solvente, e menor a taxa de permeação. 1.5.3 Diâmetro de Poros A determinação do tamanho médio e da distribuição de tamanho de poros é de grande importância na avaliação e caracterização de membranas microporosas, em particular membranas de ul trafiltração (Bottino et al., 1991). Não é correcto falar num único tamanho de poros, uma vez que que os poros não são idênticos e uniformes. Como resultado da variedade de tamanhos, é feita uma curva de distribuição de tamanho de poros de uma determinada membrana para a determinação do tamanho médio destes por os. As técnicas mais usadas são a porosimetria de mercúrio, porosimetria de deslocamento de líquido, microscopia electrónica de varrimento e rejeição de sol utos polidispersos. Esta última técnica consiste na ultrafiltração de soluções contendo solutos poliméricos com uma distribuição de massa molar bastante elevada . 1.5.4 Permeabilidade A permeabilidade permite quantificar o material que atravessa membrana. O fluxo de permeado normalmente vem expresso em L/hm 2 kg/hm , de forma a comparar a permeabilidade de membranas 2 a ou com diferentes áreas. 14 1 Introdução A permeabilidade da membrana depende das condições de operação e das características da solução a ser filtrada. Por exemplo, o aumento da temperatura aumenta o fluxo de permeado, devido à diminuição da viscosidade da solução, além de promover o aumento da difusão através da membrana e da camada gel. Este aumento de temperatura deve respeitar os lim ites de estabilidade da membrana e do produto. 1.6 Fenómenos Envolvidos nos Processos de Separação com Membranas As alterações no desempenho da membrana podem ser causadas por três fenómenos diversos: concentração e o a deterioração fouling. Este da último m embrana, fenómeno a polarização engloba por processos de adsorção, a formação de camada gel, o bloqueio de poros e os depósitos de partículas induzem sólidas na resistências superfície adicionais da ao membrana. transporte Todos através estes da fenóm enos membrana . A extensão destes fenómenos é fortemente dependente das interacções entre os diferentes solutos ou macrom oléculas presentes na solução, das interacções membrana-solução e das condições de operação. 1.6.1. Deterioração da Membrana Este fenómeno consiste na alteração das propriedades da membrana por acção dos agentes físicos e químicos. Os agentes físicos que po dem causar esta deterioração compactação controlada, dos pode podem ser elevadas poros, ou ainda levar a a alterações pressões, temperatura que conduzem que, irrecuperáveis. a quando Por sua uma não é vez, a deterioração química pode ser originada por valo res de pH incompatíveis com os valores referenciados no catálogo do fabricante ou mesmo pela acção de agentes de limpeza. 1.6.2 Polarização por Concentração Nos processos transmembranar, de separação verifica-se que em a que a rejeição força motriz parcial de é a pressão solutos , ou a permeação preferencial de solvente, conduz à acumulação de material à superfície da membrana, formando-se um gradiente de concentração de soluto em solução ou de partículas em suspensão junto à superfície da 15 1 Introdução membrana, que gera uma resistência adicional à transferência de massa através da membrana. Este gradiente de concentração vai provocar uma retrodifusão das espécies acumuladas em direcção ao fluxo circulante e, após algum tempo, vai ser estabelecido um estado estacionári o ou quasiestacionário de tal forma que, a concentração das espécies retidas vai variar entre as concentrações Cb, no fluido circulante, e a concentração C m à superfície da membrana. Este fenómeno de desenvolvimento de um perfil de concentrações do soluto rejeitado desde a superfície da membrana até ao seio da alim entação é denom inado por p olarização por concentração. A Figura 8 representa esquematicamente o fenómeno de polarização por polarização por concentração. Figura 8 – Representação esquemática do fenómeno de concentração em ultrafiltração. A polarização por concentração é um processo reversível e pode muitas vezes ser minimizada, ou até mesmo eliminada, pois a alteração dos parâmetros operacionais (velocidade de recirculação, concentração do fluxo de alim entação, pressão transmembranar, temperatura e agitação) podem levar a uma dispersão dos solutos armazenados à superfície da m embrana , levando a uma diminuição do gradiente de concentração. 1.6.3. Fouling O fouling é um processo que conduz a uma diminuição gradual do fluxo de permeado e pode ser caracterizado como um fenómeno reversível ou irreversível, provocado pelas interacções físico -químicas entre a membrana e os vários componentes presentes no fluido de alimentação. Os efeitos do 16 1 Introdução fouling geralmente são semelhantes aos efeitos da polarização por concentração. São vários os mecanismos que condu zem ao aparecimento do fouling, de entre as quais se destacam a adsorção de soluto à superfície da membrana, consolidação da polarização por concentração e interacções hidrodinâmicas. 1.7 Métodos Utilizados para Redução dos Efeitos Provocados pela Polarização por Concentração Várias abordagens têm sido adaptadas para o controlo da polarização por concentração. conseguida A por redução métodos da polarização físicos, através por da concentr ação redução da pode ser velocidade de permeação e por métodos hidrodinâmicos, em que se impõe o regime e a forma do escoamento no canal de alimentação. Os métodos físicos consistem na remoção directa da camada limite de concentração por um processo de raspagem . A redução da velocidade de permeação é um método que é universal para todos os tipos de módulos. No entanto, a velocidade de permeação mínima de operação é ditada por razões de ordem económica. Apenas os módulos com elevada área por unidade de volume, como os módulos de fibras ocas, é que podem operar econom icamente com baixas velocidades de permeação. Entre os métodos hidrodinâmicos, a manutenção de escoamento turbulento é bastante adequada para manter a po larização em níveis baixos. Porém, os custos energéticos elevados e a baixa área por unidade de volume dos módulos tubulares, em que este regime de escoamento é possível, fazem destes módulos uma solução que é adequada para uma gama alargada de aplicações. 1.8 Métodos Utilizados para Redução dos Efeitos Provocados pelo fouling Devido à complexidade do fenómeno de fouling, os métodos utilizados na sua prevenção ou redução generalizada, pois seguida, descritas são cada apenas sistema algumas podem requer ser um descritos, de t ratamento considerações gerais uma forma específico. relativamente De a métodos que se recorrem para a minimização deste problema. 17 1 Introdução 1.8.1 Pré-tratamento da solução de alimentação As substâncias presentes na solução de alimentação podem afectar a membrana de diferentes formas: causando danos irreversíveis á estrutura física e química das membranas, causando os fenómenos de fouling e polarização por concentração. A redução do fouling pode ser conseguida efectuando um pré-tratamento adequado; dentre os pré-tratamentos utilizados, podem citar -se: tratamento térmico, ajuste de pH, adição de agentes complexantes, clarificação química, e, até mesmo, em alguns casos uma pré -filtração. Outra medida importante é o ajuste do pH, especialmente em pr ocessos envolvendo proteínas; segundo Ellouze et al. (2005), quanto mais próximo do valor de pH correspondente ao ponto isoeléctrico das proteínas envolvidas, menos solúveis estas se encontram e mais forte é o fenómeno de adsorção, levando a uma forte tendência de fouling. O método e o grau do pré-tratamento necessário dependem, essencialmente, do material de que é composta a membrana, do tipo do módulo, do grau de separação e da qualidade de permeado exigidos e da composição da solução de alimentação. 1.8.2. Propriedades da Membrana Uma alteração nas propriedades da membrana , nomeadamente uma distribuição mais estreita do tamanho de poros ou o uso de membranas hidrofílicas pode reduzir de forma significativa o fouling. Membranas carregadas negativamente também podem minimizar o ef eito de fouling, especialmente na presença pode ocorrer de colóides carregados negativamente na alimentação. 1.8.3. Limpeza O fouling mesmo nos casos em que a solução de alimentação do sistema de membranas foi submetida a um rigor oso prétratamento. Desta forma, os métodos que visam a limpeza das membranas devem sempre ser utilizados , ainda que se tenha utilizado algum dos métodos citados para a redução do fouling; a frequência de utilização pode ser estim ada através da optim ização do processo ( Mulder, 1991). As limpezas hidráulicas, mecânica e química são os métodos de limpeza mais utilizados. A escolha do método mais adequado para cada sistema depende, principalmente, da configuração do m ódulo, do tipo da membrana, 18 1 Introdução da resistência química da membrana e do tipo de agente causador do fouling. Dentre estes métodos, a limpeza química é a mais importante, envolvendo a aplicação de uma grande variedade de agentes químicos que podem ser usados separadamente ou em conjunto. Alguns exemplos são os ácidos fortes, tal como HCl, ou fracos, tal como ácido cítrico, bases (NaOH), enzimas (proteases, amilases , glucanases) e agentes complexantes (EDTA) (Mulder, 1991). Os agentes químicos utilizados na limpeza devem ser compatíveis com o material de que é feito a membrana e devem ser escolhidos de acordo com as substâncias causadoras do fenómeno. Os limites das condições normais de operação (pressão, temperatura e fluxo) não devem ser excedidos durante a operação de limpeza, a fim de evitar danos irrev ersíveis na membrana. A concentração do reagente e o tempo de limpeza são também bastante im portantes face à resistência quím ica da m em brana (Rautenbac h e Albrecht, 1989; Mulder, 1991) 1.9 Considerações Processuais 1.9.1 Parâmetros Fundamentais da Filtração Tangencial A) Pressão transmembranar A pressão transmembranar constitui o parâmetro principal numa operação de filtração tangencial com membranas. Na superfície da membrana que está em contacto com o fluido circulante, a pressão é variável ao longo do comprimento da membrana devido ao atrito. Esta diferença de pressão pode ser descrita pela diferença de pressão entre a entrada (Po) e a de saída (Ps) do módulo: P Po Ps (equação1) Esta perda de carga está relacionada com a velocidade de recirculação . Quanto maior for esta velocidade, maior será a perda de carga ao longo do comprimento da membrana. Esta relação está quantificada , quer para o 2 regime laminar (ΔP=f(V)), quer para o regime turbulento (ΔP=f(V )).(C.A. Costa, J.M.S. Cabral, 1991). A força motriz da separação consiste num gradiente de pressão denominado por pressão transmembranar média (ΔP TM), dado pela seguinte expressão: 19 1 Introdução PT M PT (equação 2) onde, ΔPT é a diferença de pressão entre o fluído circulante e o permeado e o Δπ é a diferença de pressão osmótica entre o fluido circulante e o permeado. Com o geralm ente a pressão osm ótica é pequena quando com parada com as pressões aplicadas, o termo Δπ despreza -se, e a equação fica reduzida: PT M Po PT Ps 2 Pp (equação 3) A pressão relativa na face das membranas que fica do lado do p ermeado (Pp) é geralm ente nula neste tipo de operação PT Po Ps 2 realizada a pressão atmosférica. PT M (equação 4) A pressão transmembranar relaciona -se com a velocidade superficial de recirculação, pois ΔPTM é dependente de ΔP, que por sua vez depende de velocidade (ΔP=f(V)). Po PTM Ps Pp 2 P 2 Po Pp (equação 5) Como a pressão transmembranar é a força motriz da ultrafiltração e este parâmetro depende da velocid ade superficial de recirculação, conclui-se que a velocidade a que o fluído circula na conduta onde está inserida a membrana determina as condições de sepaeração da operação. A relação entre o fluxo de permeado (J) e a pressão transmembranar (ΔPTM), nas condições operacionais onde o fluxo é dependente da pressão aplicada, é dada pela lei de Darc y, escrita da seguinte f orm a: J onde µ é a viscosidade 1 .RH do P fluido (equação 6) e RH é a resistência hidráulica, característica da membrana e definida para o fluxo de solvente puro. Segundo Darcy, o fluxo de permeado é directamente proporcional à pressão aplicada e inversamente proporcional à viscosidade do fluido. Esta relação é valida apenas em condições ideais, isto é, quando se processa somente solvente puro ou quando o fluido do processo é operado à baixa 20 1 Introdução pressão transmembranar, baixas concentrações e elevadas velocidades da corrente de alimentação (Cheryan, 1998). Quando o sistema se afasta destas condições, o fluxo aumenta apenas até um valor de pressão chama do de pressão transmembranar crí tica (ΔPTM.crit.). A pressões superiores a ΔPTM.crit., o fluxo desvia da situação ideal verificada em ultra e microfiltração para o fluxo de solvente . Nesta situação quaisquer que sejam as condições operatórias , a variação do fluxo diminuem com a variação da pressão. Continuando a aumentar a pressão, verificar -se-á um fluxo limite que não depende da pressão. Este fluxo máximo, limit e, ocorre a pressões tanto mais baixas quanto mais baixas forem as variáveis operatórias, tais como o caudal de recirculação e temperatura. (Mateus, 1994). B) Coeficiente de Rejeição Observado e Transmissão O coeficiente de rejeição observado para um dado soluto (R obs), é um parâmetro que quantifica a capacidade de uma membrana para reter um dado soluto. Robs Cb Cf Cb (equação 7) onde Cf e Cb são as concentrações de soluto no filtrado e no seio do fluido recirculante, respectivamente. Este parâmetro é importante na avali ação da intensidade do fouling. A concentração de soluto na interface membrana -alimentação, Cm, é muito maior do que a concentração no seio do fluido circulante, resultado do fenómeno de polarização por concentração e fouling. Deste modo, define-se um coeficiente de rejeição real ou intrínseca : R Cm Cp Cm (equação 8) Se a filtração tangencial for realizada de uma forma descontínua, com recirculação, o coeficiente de rejeição pode ser calculado com base nas concentrações do soluto no concentrado e no permeado e nos respectivos volumes, definindo-se o coeficiente de rejeição aparente global ( Blatt et al., 1970), dada pela seguinte expressão: 21 1 Introdução Cb C bO ln R global (equação 9) Vo ln VR em que, Cbo e Vo são respectivamente a concentração e o volume do fluido circulante no inicio da filtração e VR e Cb, respectivamente, o volume e a concentração do fluido circulante no instante em que se determina o coeficiente de rejeição global. Se o soluto for recolhido no permeado, define -se um coeficiente de transmissão que representa a capacidade da membrana ser atravessada pelo soluto de interesse. Define-se então dois coeficientes de transmissão: coeficiente de transmissão aparente (ζa) e coeficiente de transmissão intrínseca ou real (ζ) dados respectivamente pelas seguintes equações: Cf Cb a (equação 10) Cf Cm (equação 11) C) Velocidade Superficial e Tensão de Corte A velocidade de escoamento de um fluido numa conduta não é constante em toda a secção recta da conduta, devido ao atrito causado pe lo contacto do fluido com a superfície sólida, que provocará um atraso na velocidade desse fluido junto à superfície sólida e uma aceleração no centro da conduta, originando assim a formação de um perfil de velocidades, que está representado na Figura 9. Figura 9 – Representação esquemática dos perfis de velocidades no escoamento laminar. 22 1 Introdução A tensão de corte é definida pela seguinte expressão (Coulson, 1968): . 4V r R2 (equação 12) em que R é o raio do tubo e r é a coordenada radial (pode variar entre 0 (centro do tubo) e R (na parede do tubo)). A partir da equação anterior, conclui-se que a tensão de corte tem um valor nulo no centro do tubo (r=0) e um va lor máximo junto às paredes (r=R). Ainda é de realçar que, a tensão de corte junto à parede é directamente proporcional à velocidade superficial média, podendo ser descrita pela equação que se segue: max . 4V R (equação 13) 1.10 Modos de Operação Existem três modos de operar em filtração: concentração, purificação e diafiltração, sendo a concentração o processo mais utilizado. 1.10.1 Concentração e Purificação A concentração é um modo de operação em que o produto de interesse é retido pela membrana, enquanto que os outros produtos que se pretendem separar permeiam a mesma membrana. No caso da purificação, o produto de interesse permeia a m embrana (sendo recolhido no permeado), enquanto que os restantes solutos presentes ficam retidos pela mesma membrana, promovendo-se a separação. Esta concentração poderá ser efectuada de forma contínua ou descontínua, com recirculação de concentrado ou com recirculação total (recirculação de concentrado e permeado). A) Operação Contínua com uma única Passagem Este modo de operação requer uma elevada área de membrana, para que a separação seja elevada numa única passagem. 23 1 Introdução Só se pode usar esta configuração quando os problemas de polarização por concentração e fouling não forem muito graves e os fluxos a tratar não sejam muito elevados. É usual usar esta configuração após um ensaio, como um prim eiro passo de lim peza de m em brana. Figura 10 – Representação esquemática da operação contínua B) Operação Descontínua com Recirculação de Concentrado Este modo de operação é o mais utilizado, tanto à escala laboratorial como à escala industrial, pois o processo de concentração ou de purificação é mais rápido e requer uma menor área de membrana. Segund o este modo de operação, todo o concentrado é recirculado para o local de alimentação do sistema, podendo apresentar-se como alternativas para concentrar o produto de interesse através da recirculação parcial ou total do concentrado para a entrada do módulo. Figura 11 – Representação esquemática da operação descontínua com recirculação de concentrado. 24 1 Introdução Este modo de operação foi utilizado na recuperação do ácido láctico no presente trabalho e a equação que descreve o seu funcionamento é descr ita da seguinte forma: V t Am .Jv t,C (equação 14) em que: V é o volume que permanece no sistema; Am é a área da membrana; Cb é a concentração do produto de interesse no concentrado; Jv é o fluxo volumétrico de permeado. Integrando a equação 14, o fluxo médio de permeado pode ser calculado da seguinte forma: JV t1 1 (t1 t0 ) t 0 JV (t ). t (equação 15) Neste tipo de operação, o volume final de concentrado é determinado por uma equação de balanço ao volume, expressa da seguinte forma: Vc Vo Vf (equação 16) em que Vc é o volume de concentrado ou retentado, Vo o volume inicial e Vp é o volume de permeado ou filtrado. O nível de concentração atingido em cada momento é expresso em função do volume inicial (V o) através do factor volumétrico de concentração (FC): FC Vo VC (equação 17) ou em termos de factor de concentração mássico (FC m), definido como: FC Mo (equação 18) MC 25 1 Introdução onde Mo e Mc são as massas no instante inicial e final de concentrado, respectivamente. Como durante o processo de filtração se verifica uma diminuição no volume de concentrado, os termos FCV e FCm tendem a sofrer uma variação de uma forma inversa com o tempo de filtração. Se não houver nenhuma variação na densidade do concentrado duran te o processo de filtração, obtêm-se uma igualdade em ambos os factores, FCm=FCV. C) Operação Descontínua com Recirculação de Concentrado e Filtrado Neste tipo de operação, o concentrado e o filtrado são recirculados para o sistema de alimentação onde o volume será mantido constante durante todo o período estacionário”. o Este ensaio, assim atingindo-se processo é considerado o como chamado uma “estado forma de concentração, vindo a requerer uma menor área de instalação do sistema de filtração. Figura 12 – Representação esquemática da operação descontínua com recirculação de concentrado e filtrado. 1.10.2 Diafiltração Na concentração e na purificação de sólidos em sol ução por filtração tangencial, os solutos de tamanho superior ao limite de exclusão da membrana ficam retidos no concentrado, enquanto que os solutos de baixo 26 1 Introdução peso molecular passam juntamente com o solvente. Ao longo do tempo de operação o fluxo de permead o e a transmissão de solutos vão sendo cada vez menor, uma vez que a viscosidade do concentrado é maior, o que aumenta as resistências à transferência de massa através da membrana. Este facto conduz a um aumento de energia gasta para bombear a suspensão. A partir de um determinado volume de concentrado, a filtração tangencial, torna-se quase impossível de realizar, pois a viscosidade do concentrado é demasiado elevada. Nestas condições, é usual recorrer -se à diafiltração (Figura 13), operação na qual se adi ciona, continua ou descontinuamente, solvente (água ou tampão) à solução de alimentação para compensar a saída de permeado, o que facilita a eluíção de pequenos solutos da solução de alimentação. Figura 13 – Representação esquemática da operação de di afiltração. 1.11 Modelação dos Processos de Ultrafiltração em Estado Estacionário A filtração tangencial é influenciada, de forma complexa, por um grande número de parâmetros: pressão transmembranar, velocidade do fluxo, distribuição de tamanho das part ículas suspensas, forma dessas partículas e taxa de aglomeração, efeitos de superfície e outros. Existem numerosos modelos matemáticos que pretendem descrever os mecanismos de transporte através das membranas. Estes modelos, modelam, normalmente, o fluxo de permeado em função dos parâmetros operacionais e das propriedades físicas. 27 1 Introdução Alguns dos modelos de previsão do fluxo de permeado, estacionário ou quasi-estacionario, mais utilizados são em estado apresentados de seguida: A) Modelo das Resistências em Sér ie O modelo das resistências em série considera que, além da resistência intrínseca da membrana, outros fenómenos como a polarização por concentração, a formação de camada gel, a adsorção de solutos na parede dos poros ou na superfície da membrana e a obstrução de poros, podem contribuir como resistências adicionais à perme ação (Cheryan, 1986; DalCin et al., 1996). Assim, pelo modelo das resistências em séries, o fluxo de permeado , Jp, em função da pressão aplicada, Jp ( Rm P, virá: p Rcp (equação 19) Rf ) onde Rm é a resistência intrínseca de membrana, R cp é a resistência devida a camada de polarização por concentração e R f é a resistência devida ao fouling. O modelo das resistências em série tem si do aplicado, sobretudo nos casos em que a adsorção decorre da própria operação de filtração, com toda a sua complexidade. Este modelo tem sido usado apenas para a previsão dos fluxos de permeado, sendo, em geral, ignoradas as repercussões que a adsorção tem na selectividade da própria membrana. B) Modelo do Poro O modelo de poro é um modelo simplista que avalia os processos de separação com membranas por mecanismos de exclusão molecular. Neste modelo, não são tidos em conta os efeitos a polarização por concentração e o fouling e assume-se que os poros são cilíndricos Segundo este modelo, o fluxo de permeado pode ser descrito pela equação de Hagen-Poiseuille (Fane et al., 1981) na forma da seguinte expressão: J VP t 1 Am m dp 2 32. f .Lp. p T MM (equação 20) 28 1 Introdução em que ξ é a tortuosidade (para poros cilindricos e perpendiculares à superfície da membrana é igual a unidade) e εm a porosidade da superfície da membrana (C.A. Costa, J.M.S. Cabral, 1991). A caracterização de uma membrana pode ser feita através da permeabilidade hidráulica (Lp), dada pela seguinte expressão: Lp dp 2 32 .lp. m (equação 21) Deste modo, a equação ( 19) pode ser descritas na forma da seguinte equação (Lei de Darcy): J Lp. PTM (equação 22) C) Modelo do Gel O modelo de gel é utilizado para alguns autores para descrever a ultrafiltração, ou melhor, para interpretar a variação dos fluxos de permeado de UF com a pressão de operação. De facto, é habitual, que para pressões de operação baixas, os fluxos de permeação variem linearmente com estas. Neste modelo, considera-se que o declínio dos fluxos de permeação é devido à acumulação de material na fase fluida adjacente à membrana, mas admite-se, neste superfície da modelo que membrana, o Cm, aumento por via da do concentração aumento da de soluto, pressão e à da polarização por concentração, pode levar a formação da camada gel que actua como uma resistência adic ional ao transporte. A partir do momento em que se atinge a concentração de formação da camada gel não se verifica um aumento de fluxo de permeação com o aumento da pressão, verificando -se um aumento na espessura da camada gel. O fluxo limite é então dado por: J p ,lim k ln Cm Cf Cb Cf (equação 23) onde K é o coeficiente de transferência de massa , Cm é a concentração de soluto na superfície da membrana, Cf é a concentração de soluto no filtrado e Cb é a concentração de soluto na corrente recirculada. 29 1 Introdução 1.12 Modelação da Filtração Tangencial em Estado Transiente Os fenómenos de fouling estão presentes em todas as aplicações dos processos de filtração. O fouling das membranas é o responsável pela natureza não estacionária dos processos de ultrafiltração, causando um decréscimo de fluxo de permeado com o tempo; e é o principal factor limitante na aplicação de tecnologia de membranas. Por esta razão, os modelos matemáticos de estado estacionário não são capaz es de descrever adequadamente o comportamento das membranas nos processos de filtração e é necessário aplicar os modelos transientes (não estacionários) para alcançar uma melhor compreensão desses processos. Vários modelos matemáticos no estado transiente têm sido então desenvolvidos para um a melhor compreensão e descrição do fouling nos processos de separação com membranas. Estes modelos normalmente modelam o fluxo de permeado em função dos parâmetros operacionais e das propriedades físicas. 1.12.1 Modelos de Bloqueio à Pressão Constante Neste trabalho, foram aplicados os modelos de bloqueio a pressão constante (bloqueio completo, bloqueio intermédio e bloqueio padrão) e modelos empíricos (modelo de formação do bolo, modelo de 1ª ordem, m odelo de Ho e zidne y, m odelo de Mehta e m odelo de Merin e Cheryan). Os modelos empíricos revelam grande precisão, enquanto que, os modelos não empíricos são capazes de explicar melhor os fenómenos de fouling nos processos de membranas. Os modelos de bloqueio a pressão co nstante, baseados na equação de Darcy, pressupõem que as partículas são incom pressíveis e os poros são de tamanho uniforme. Todos os modelos partem da equação característica (equação 24) da filtração a pressão constante. 2 t Vf 2 K t Vf n (equação 24) Nesta equação, t é o tempo de filtração, V é o volume de filtrado e K é a constante de filtração e n é o parâmetro que define o modelo de fouling. Na Figura 14 estão esquematizados os mecanismos de fouling correspondentes a cada um dos modelos. 30 1 Introdução Figura 14 – Mecanismos do fouling considerados para os modelos: a) modelo de bloqueio completo; b) modelo de bloqueio intermédio; c) modelo de bloqueio padrão e d) modelo de formação de bolo . A) Modelo de Bloqueio Completo Segundo membrana este modelo, bloqueia um toda poro, a não molécula que chega à havendo sobreposição superfície das da partículas sobre um mesmo poro. Sob estas suposições , Hermia (1982) chegou à conclusão de que, neste caso, o valor de n há-de ser igual a 2. Para n = 2, a equação 25, que relaciona o fluxo de permeado com o tempo de operação, uma vez linearizada e adaptada, assume a seguinte forma: ln Jv ln Jvo Kc t (equação 25) O parâmetro Jvo representa o fluxo de permeação de água no instante inicial, ρb e ρp representam as densidades da solução e das partículas respectivamente, ФgM é a fracção mássica de sólido na camada depositada, dP é o diâmetro equivalente das partículas e o ψ o factor de forma. Kc b 1.5 Jvo P gM dP (equação 26) Este tipo de bloqueio deve-se as moléculas de maior tamanho que os poros da membrana, procedendo, deste modo, ao bloqueio dos poros à 31 1 Introdução superfície da mesma e no interior dos poros (Hwang e Lin, 2002). Os poros são então completamente bloqueados cada vez que se reduz a su perfície da membrana. B) Modelo de Bloqueio Intermédio O modelo de bloqueio intermédio é semelhante ao de bloqueio completo, que assume que uma mo lécula quando alcança um poro aberto da membrana o bloqueia. Contudo, o modelo de bloqueio intermédio é menos restritivo na medida em que, considera a possibilidade de várias moléculas se molécula de sobrepoem sobre um mesmo poro. Neste modelo, avalia-se a probabilidade que tem uma bloquear um poro da membr ana. Sob estas considerações deduz-se que n há de ser igual a 1 (Hermia, 1982). A equação linearizada que relaciona o fluxo de permeado com o tempo de operação é descrita da seguinte forma (Mohammadi et al., 2003): 1 Jv 1 Jvo Ki. Am.t (equação 27) onde Am é a área da membrana e K i a constante de filtração, sendo este calculada pela seguinte expressão. K Ki 1.5 b P O mecanismo de . gM . .d P . . PTM f .R m . Am . Jvo fouling por bloqueio intermédio (equação 28) acontece quando o diâmetro das partículas é semelhante ao diâmetro dos poros da membrana. Por este motivo, em algumas ocasiões , as partículas podem obstruir a entrada de um poro sem bloqueá-lo completamente. A probabilidade de que uma partícula bloquei e um poro reduz-se continuamente com o tempo devido ao facto da superfície de poros não bloqueados se reduzir com o tempo (Koltnuiewicz Field, 1996). C) Modelo de Bloqueio Padrão Para deduzir o valor da constante n no modelo de bloqueio padrão, considera-se que o volume dos poros diminui progressivamente com o volume de permeado, como consequência da deposição das partículas nas paredes internas dos poros. Desta forma, a diminuição do volume dos poros com o tempo é igual à diminuição da secção transversal dos mesmos. 32 1 Introdução Este modelo assume que os poros da membrana têm um diâmetro e um comprimento constante ao longo de toda a membrana. A equação correspondente a este modelo é apresentada da seguinte forma: 1 JV 1 0 .5 JVO 0 .5 0.5.JVO 0. 5 .Am.K P t (equação 29) em que o parâmetro Kp, constante de filtração, vem expressa em: KP 2 Vdep (equação 30) l P . APO Nesta equação, Vdep representa o volume de partículas depositadas por unidade de volume de permeado. lp é o comprimento dos poros e Apo a área total transversal dos poros. D) Modelo de Formação de Bolo O modelo de formação de bolo considera que não ocorre o bloqueio dos poros, m as sim a f orm ação de um a cam ada à superf ície da mem brana (bolo). Deste modo, prevê-se um decréscimo do fluxo de permeado ao longo do tempo de operação a medida que a camada depositada vai aumentando. Este aumento é proporcional ao volume de permeado e só ocorre até ao momento em que a velocidade de deposição das partículas na superfície iguala a velocidade de remoção das mesmas. Para este modelo, a equação linearizada que se deduz a partir da equação 24 e que descreve o fluxo de permeado com o tempo é a seguinte (Lim et Bai, 2003): 1 JV 1 2 J VO 2 2. Am 2 .K b t (equação 31) O parâmetro Kb, constante de filtração, define-se da seguinte forma: Kb g. M. f . f Am . PTM . 1 . . (equação 32) gM Neste modelo, αg traduz a resistência específica do bolo e z a razão entre a massa de bolo molhado e seco. 33 1 Introdução 1.12.2 Outros Modelos Empíricos Os modelos dinâmicos empíricos descrevem matematicamente o foulig das membranas com base em dados empíricos, que relacionam o fluxo de permeado em função do tempo ou do volume de permeado. Dentre destes modelos destaca-se o modelo de Ho zidney que procura descrever o fouling da membrana combinando o modelo de bloqueio de poros com a f ormação da camada gel. A) Modelo de 1ª Ordem Segundo o modelo de 1ª ordem, o fenómeno fouling ocorre por um mecanismo de primeira ordem, sendo a variação de fluxo de permeado com o tempo dada pela seguinte expressão: Jv em que, JV1 Jv1 t b (equação 33) representa o fluxo de permeado ao fim de 1 º minuto de operação e b a velocidade de fouling, que depende da velocidade superficial de recirculação e da pressão transmembranar . B) Modelo de Mehta O modelo de Mehta, descreve a evolução do fluxo de permeado em função do tempo. A equação correspondente ao modelo é da seguinte forma: Jv A1 B1 exp b1 .t ) (equação 34) onde os parâmetros A1 e B1 são as constantes de filtração determinadas empiricamente e b1 é definido como a taxa de declínio do fluxo. C) Modelo de Merin e Cheryan O m odelo de Merin e Cheryan, descreve o com portam ento do f luxo de permeado em função do volume de filtrado, Vf, com base na seguinte equação: ln Jv ln B2 b2 ln V f (equação 35) em que B2 e b2 são constantes de filtração determinadas empiricamente . 34 1 Introdução D) Modelo de Ho e Zidney O modelo de Ho e Zidney entra em linha de conta com dois mecanismos de fouling da membrana: o bloqueio de poros e a formação do bolo. Este modelo contabiliza a heterogeneidade da espessura do bolo nas diferentes partes da membrana e pode ser traduzido pela seguinte expressão: Q Q0 exp Rm Rm Rp K .t K 1 exp K .t . PTM .C b .Rm (equação 36) (equação 37) onde Qo é o caudal volumétrico de permeado com a membrana limpa. C b é a concentração de proteína no seio da solução, α é a área de membrana bloqueada por unidade de massa de proteína que atinge a membrana e R p é a resistência do depósito de proteína, igual à soma das resistências de fouling e da cam ada de polarização (Ho C., Zidney, 2000) . 35 2 Materiais e Métodos 2 Matérias e Métodos 2.1. Matéria-Prima Neste trabalho, foram usadas lamas prensadas provenientes da estação de tratamento de efluentes (ETAR) da unidade de reciclagem da Renova (Torres Novas, Portugal). Devido ao seu elevado teor em humidade (superio r a 70%) e de forma a evitar a sua degradação, todo o stock obtido foi sujeito a um estágio prévio de secagem, a 50ºC durante cerca de 24 horas, sendo o lote homogéneo embalado a vácuo para armazenamento no decorrer de todo o trabalho. Devido ao elevado teor em carbonato de cálcio das lamas, que tornava as suas suspensões alcalinas, procedeu-se previamente à neutralização da matéria-prima com ácido clorídrico (consumo de 0,3 g HCl/g lamas), efectuando-se de seguida a sua c aracterização química. O teor em humidade foi determinado por secagem a 105ºC, até peso constante, e a cinza foi quantificada após ignição a 575ºC durante 5 h. O conteúdo em proteína f oi estim ado pelo m étodo de Kjeldahl (AOAC, 1975), usando o factor universal 6,25 para a conversão do teor e m azoto para teor de proteína. A gordura foi determinada por análise gravimétrica do extracto obtido por extracção convencional com éter de petróleo (Soxhlet). Os teores em polissacáridos (celulose e hemicelulose) e lenhina foram determinados recorrendo a uma hidrólise ácida quantitativa (HAQ) com ácido sulfúrico, de acordo com o método descrito por Browning (Browning, 1967). A quantificação dos monossacáridos obtidos foi efectuada por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC), tal como descrito a seg uir. O resíduo insolúvel em ácido foi considerado lenhina Klason, após correcção com a cinza insolúvel em ácido. De acordo com esta caracterização química, as lamas neutralizadas consistiam em (expressando em percentagem da massa de lamas secas): 29,3% de cinza, 3,5% de gordura, 4,8% de proteína, 20,4% de lenhina, 34,1% de celulose e 7,9% de xilano. 2.2. Hidrólise Enzimática das Lamas da Reciclagem de Papel Uma amostra de lamas da reciclagem de papel foi suspensa em tampão acetato de sódio 0,1 M pH 5,5, numa consistência inicial de 7,5% (m/v), expressa em termos de massa total de polissacáridos, sendo esterilizada por autoclavagem (121 ºC, 2 atm, durante 15 min). A suspensão das lamas foi incubada com a solução enzimática (previamente esterilizada 37 2 Matérias e Métodos por filtração usando um filtro de 0,22 µm ), com uma agitação orbital de 150 rpm, a 35ºC, durante 5 dias. Foram asseguradas condições de assepsia no decorrer de todas as experiências. A hidrólise enzim ática foi promovida com uma mistura, previam ente seleccionada, d e duas preparações enzimáticas comerciais (celulolíticas e xilanolíticas, da Novozym es, Dinam arca): Celluclast 1.5L ® (exibindo uma actividade de FPase de 14,7 U/mL e uma actividade de endo - -1,4xilanase de 228,7 U/m L) e Novozym 188 ® (exibindo uma actividade de FPase de 0,6 U/mL e uma actividade de endo- -1,4-xilanase de 854,9 U/mL). Esta mistura enzimática contendo: Celluclast 1.5L ® foi aplicada numa dose de enzima numa dose de 10 U (FPase) /g polissacáridos nas lam as, suplem entada com 0,4 m L de Novozym 18 8 ® /g polissacáridos nas lamas. O hidrolisado obtido, após remoção do sólido residual por filtração, fo i analisado, quanto à composição de açúcares, por HPLC e usado como meio de cultura para a produção de ácido láctico. 2 . 3 . P r o d u ç ã o d e Ác i d o L á c t i c o 2.3.1. Microrganismo Neste trabalho, foi utilizada a estirpe Lactobacillus rhamnosus ATCC 7469, proveniente da “Am erican T ype Culture Collection”. 2.3.2. Meio de cultura O microrganismo foi cultivado no hidrolisado obtido a partir das lamas da reciclagem de papel, suplementado com todos os componentes (à excepção de glucose) do meio MRS (4 g/L extracto de levedura; 8 g/L extracto de carne; 10 g/L bacto peptona; 5 g/L acetato de sódio; 2 g/L hidrogenocitrato de amónio; 2 g/L hidrogenofosfato de potássio; 0,2 g/L sulfato de magnésio; 0,05 g/L sulfato de manganês e 1 g/L Tween 80) e carbonato de cálcio (adicionado numa concentração de 30 g/L, para promover efeito tampão) . O meio de cultura foi esterilizado por autoclavagem (121ºC, 2 atm, durante 15 min). 2.3.3. Condições de cultivo O microrganismo, após inoculação com 5% (v/v) da suspensão bacteriana obtida por cultivo em meio MRS durante 16 horas, foi cultivado a 37 ºC, durante 6 dias, com agitação orbital de 150 rpm . 38 2 Matérias e Métodos Os caldos fermentados obtidos no final dos cultivos, após análise por HPLC, foram usados nos ensaios de filtração. 2.4. Estudos de Filtração para Recuperação do Ácido Láctico 2.4.1. Sistema de Membrana A filtração consistiu na passagem do caldo fermentado através de um sistema de membranas fibras ocas, com recirculação de concentrado até à obtenção de um determinado factor de concentração volumétrico (FC). No nosso caso foi FC=4, porque não foi possível obter volumes de concentrado inferiores a 70 mL, devido a entrada de ar no sistema quando havia p ouca quantidade de caldo no tanque de recirculação Neste trabalho, foi utilizada uma instalação de bancada, cujo esquema se apresenta na figura 15. Este sistema permitiu testar duas membranas de fibras ocas de polissulfona, com limite de exclusão molecular (cut off) de 10 e 100 kDa. O sistema bomba, consiste manómetros, num válvula reservatório reguladora de de alimentação pressão, (tanque), balança uma analítica, banho termostatizado e módulo de filtração. A pressão foi lida através de dois manómetros exis tentes antes e depois do módulo. O sistema opera na gama de 0 a 180 kPa. O valor da pressão transmembranar considerada foi sempre a média das pressões lida s à entrada e à saída do módulo, tendo em conta que a pressão relativa do lado de permeado era considerada nula. Inicia-se a etapa de permeação que inclui uma série de procedimentos em cada ensaio experimental, nomeadamente arranque, estabilização e paragem do sistema. O tempo do ensaio foi controlado com um cronómetro, cujo início da contagem do tempo de operação coincidiu com o início do arranque da bom ba e o f im do tem po correspondeu à obtenção de um determinado factor de concentração volumétrico (FC). No nosso caso foi FC=4, porque não foi possível obter volumes de concentrado inferiores a 70 mL, devido a entrada de ar no sistema quando havia pouca quantidade de caldo no tanque de recirculação. A fase de arranque inicia-se com a válvula reguladora de pressão parcialmente fechada, de forma a manter alguma pressão no módulo. A filtração consistiu na pass agem do caldo fermentado através de um sistema de membranas de fibras ocas, com recirculação de concentrado e recolha de permeado. Após o ensaio, as amostras foram congeladas para posterior análise. 39 2 Matérias e Métodos Figura 1 – Representação esquemática da montagem utilizada. 2.4.2. Módulo de Filtração Foram utilizados módulos de fibras ocas, com membranas assimétricas, de polissulfona d a Amicon, com diâmetro interno de 1, 1 mm, comprimento de 2 20,3 cm e área de superfície de 0, 03 m . Foram testadas duas mem branas com limite de exclusão molecular (“cut off”) de 10 e 100 kDa. Estas membranas apresentam excelente estabilidade térmica e mecânica e alta resistência a hidrólise e agentes oxidantes. As especificações técnicas das membranas seguem na Tabela 1. Tabela – 1 Especificações técnicas das membranas (Amicon a GRACE com pan y). Parâmetro Modelo H1P10-43 Modelo H1P100-43 30 – 70 300 - 600 50 50 operação (Psi) 25 25 Intervalo de pH 1,5 – 13 1,5 – 13 Velocidade fluxo de água desionizada (mL/min) Temperatura máxima de operação (ºC) Pressão máxima de 2.4.3. Ensaios de Ultrafiltração Os ensaios de ultrafiltração, foram realizados a diferentes condições operatórias. Através da evolução dos volumes de concentrado e permeado ao longo do tempo de filtração ca lcularam-se o factor de concentração e o fluxo de permeado. 40 2 Matérias e Métodos Todos os ensaios de ultrafiltração realizaram -se de forma descontínuo com recirculação de concentrado, utilizando um volume de caldo fermentado inicial entre 250 e 300 mL. As condições de operação utilizadas nos ensaios foram as seguintes: 3 ensaios com variação da pressão (50;108 e 150 kPa) a um caudal de 8.3 mL/s, 4 ensaios com a variação do caudal de recirculação (2,0;8,3;18,0 e 24,0 mL/s) a pressão de 108 kPa e 2 ensaios para estudar a influência dos componentes do caldo fermentado (pressão 1 08 kPa e caudal 8,3 mL/s). O valor da temperatura do caldo na alimentação foi de 35ºC, utilizando um banho termostatizado. 2.4.4 Lavagem das Membranas Após o final de cada ensaio, a membrana apresenta resíd uos e agregados celulares, necessitando assim de um processo de lavagem para recuperação da mesma. A lavagem inicial da membrana foi efectuada com 0,5 litro de água destilada com a saída do f iltrado aberta, af im de rem over material celular que ainda se enc ontrava à superfície da membrana. Este procedimento foi repetido mais 3 vezes para que fosse retirado a máxima quantidade possível desses resíduos. A seguir o sistema foi lavado com uma solução de isopropanol a 10%, em modo de recirculação durante aproxima damente 30 minutos, seguindo de uma nova lavagem com água destilada nas mesmas condições anteriormente descritas. Em seguida, o sistema foi l avado com uma solução de NaOH (0,1N) durante 1 – 2 horas através de recirculação, de forma a remover resíduos celulares e proteicos. No final deste período, foi efectuada uma nova lavagem com água destilada, com saída de permeado abert o de forma a remover o NaOH. Este passo de lavagem considera-se completa quando o pH da água filtrada era igual ao pH da água inicial. Afim de verificar se a lavagem tinha sido eficiente, mediu-se o caudal da água filtrada em condições previamente estabelecidas comparou-se (Membrana aos 10 resultados kDa; obtidos ΔPTM=49kPa antes da e Qrec=9,1 membrana ser mL/s) e utilizada (Tabela 2.2). 41 2 Matérias e Métodos Tabela 2 – Valor obtido do fluxo de permeação da água antes da membrana ser utilizada (temperatura 25 ºC). Membrana (kDa) Qrec (mL/s) ΔPTM (kPa) J (L/hm ) Lavagem (%) 10 9,1 49 48 100 2 Também foi testada a utilização de enzima proteólitica (pepsina 1% , 8002500 unidade/mg proteína, SIGMA ADRICH ) como coadjuvante no processo de limpeza da membrana para hidrolisar proteínas que se encontrava à superfície e no interior dos poros da membrana. 2 . 5 . E n s a i o s An a l í t i c o s 2.5.1. Ensaios enzimáticos As preparações caracterizadas enzimáticas relativamente comerciais à actividade aplicadas catalítica, foram para previamente as condições utilizadas nos ensaios de sacarificação das lamas. A actividade de endo - 1,4-xilanase (endo- -D-xilano xilanohidrolase; EC 3.2.1.8) foi doseada usando como substrato xilano de aveia (Sigma, St. Louis, MO, USA) 1% (m/v) fervido. A actividade de FPase (actividade sobre pape l de filtro, “filter paper activity”), que descreve a actividade celulolítica global, foi determinada usando papel de filtro W hatman No. 1 (cerca de 50 mg) como substrato. As actividades enzimáticas foram expressas em unidades internacionais (U), como a qu antidade de enzima necessária para libertar 1 mol por minuto de equivalentes redutores de xilose (endo - -1,4-xilanase) ou glucose (FPase), sob as condições especificadas. Os açúcares redutores foram estimados pelo método do ácido dinitrossalicílico (DNS) (Miller, G.L. 1959). 2.5.2. Quantificação por HPLC Açúcares isopropanol) succínico) (glucose, xilose, e orgânicos ácidos foram doseados celobiose por e (ácidos xilobiose), láctico, cromatografia álcoois acético , líquida de (etanol e propiónico e alta eficiência (HPLC) utilizando um sistema W aters LC 1 module 1 plus (Millford, LA, USA) equipado com um detector diferencial de índice de refracção (IR). Foi usada a coluna (Bio-Rad Laboratories, Hercules, CA, USA) Aminex HPX -87H, operando a 50ºC, com ácido sulfúrico 0,005 M como fase móvel, com um caudal de 0,4 mL/min). 42 2 Matérias e Métodos 2.5.3. Determinação do teor em matéria seca O teor em matéria seca foi determinado por secagem a 105ºC, até peso constante (cerca de 16 horas), a partir d o sólido obtido por centrifugação (13000 rpm, 4ºC reservando-se o e durante 5 minutos) sobrenadante para de 1 outras mL de caldo análises fermentado, (quantificação de proteína e de ácido láctico). 2.5.4. Determinação da proteína total solúvel A proteína total solúvel, nas amostras recolhidas durante os ensaios de ultrafiltração, (1976). A foi determinada concentração espectrofotométrica do de através proteína corante do método foi estimada Comassie Blue descrito a G por partir 250. Bradford da Este leitura corante apresenta uma absorvância máxima a 465 nm, observando -se um desvio deste máximo para 595 nm, quando complexado com proteínas. Este método é válido para proteínas e polipeptídeos com massas molares acima de 3 kDa, apresentando elevada reprodutibilidade e sensibilidade. Para as leituras de absorvância foi utilizado um espectrofotóme tro Therm o electron corporation – Genesys 6, a um com prim ento de onda de 595 nm. As absorvâncias foram relacionadas com a concentração de proteína total solúvel usando uma recta de calibração obtida com albumina de soro bovino (BSA), com concentrações entre 25 e 1000 mg/L. Foram analisadas amostras de filtrado, concentrado e do caldo no instante inicial, sendo nestes dois últimos casos as amostras previamente centrifugadas para separar as células e outros compostos em suspensão. 2.5.5. Distribuição de Tamanho de Partículas A determinação do tamanho médio de partículas e da sua distribuição foi feita por “Dynamic Laser Light Scattering ” por meio do equipamento Zeta sizer 1000 HSA (Malvern Instruments, Reino Unido). A técnica consiste em fazer incidir uma radiação laser (hélio e néon ou árgon) numa cuvete com amostra, a uma dada temperatura e em monitorizar a difracção da luz provocada pelos movimentos das partículas em suspensão. A cuvete de secção transversal relativamente ao quadrada feixe de (para laser) é medição “alojada” num numa ângulo célula de 90º goniométrica termostatiticamente controlada. Deste modo, minimizam -se as correntes de convecção aleatória sobrepostas no movimento Browniano e qualquer erro potencial devido à variação de viscosidade do flui do. A correlação entre a 43 2 Matérias e Métodos variação da difracção e a distribuição de tamanhos para a amostra estudada é efectuada por um autocorrelacionador que processa a informação num computador com um software específico para o cálculo do diâmetro das partículas da amos tra e tratamento estatístico da mesma. As suspensões (caldo fermentado) foram previamente diluídas (1/20 ) em tampão acetato de sódio 50 mM, pH 5,5 de modo a diminuir a opacidade da suspensão, permitindo um melhor índice de refracção do meio. 44 3. Resultados e Discussão 3 Resultados e Discussão 3.1. Caracterização do Caldo fermentado O caldo fermentação fermentado, sequencial produzido (SHF), a foi partir do submetido processo ao de processo hidrólise de e análise química a fim de determinar as concentrações dos seus componentes. Os valores obtidos permitiram o cálculo da percentagem de recuperação do ácido láctico, concentração celular, assim como a determinação do coeficiente de rejeição da membrana em relação à proteína. Na Tabela 1 estão representadas as caracterí sticas médias do caldo fermentado usado nos ensaios de ultrafiltração. Tabela 1 – Concentração média dos componentes dos caldos fermentados (pH=5) usados nos ensaios de ultrafiltração. Além dos Componentes Concentração (g/L) Ácido Láctico 37,34 Celobiose 1,65 Xilose 4,30 Ácido Acético 20,65 Ácido Propíonico 6,33 Proteína 0,57 Biomassa 34,70 componentes referidos na Tabela 1, verificou -se ainda a presença de ácido succínico e etanol em concentrações muito baixas. Ainda é de referir que, não havia g lucose no caldo fermentado, esta foi totalmente consumida durante a fermentação. O tamanho médio das partículas, presente s no caldo fermentado, determinado foi de 1,5 ± 0,005 µm. 3.2. Determinação da Permeabilidade Hidráulica da Membrana A permeabilidade hidráulica da membrana pode ser obtida através do declive da recta resultante da representação gráfica do fluxo de permeado em função da pressão de operação. Foi utilizada a equação (22) para determinar os valores da permeabilidade hidráulica das membranas de 10 e 100 kDa. 46 3 Resultados e Discussão Através da representação gráfica, verificou -se que a ordenada na origem deveria ser aproximadamente zero, estando o desvio a este valor ao erro que se comete na determinação d o fluxo de permeado e a um erro no manómetro. 10 kDa y = 5,37x + 63,25 R2 = 0,9950 700 600 100 kDa J (L/hm2) 500 400 300 y = 0,65x - 1,86 R2 = 0,9999 200 100 0 0 20 40 60 80 100 120 Pressão (kPa) Figura 1 – Variação do fluxo de permeado da água desionizada em função da pressão para as membranas de 10 e 100 kDa. Condições operatórias: Qrec=8,3 mL/s; temperatura 25 ºC. Os coeficientes de permeabilidade hidráulica e as resistências hidráulicas iniciais obtidos para cada uma das membr anas apresentam -se na tabela 2. Tabela 2 – Coeficiente de permeabilidade hidráulica e resistência hidráulica iniciais das membranas de 10 e 100 kDa (T=25 ºC). Membrana Lp x 10 6 (m/s.kPa) Rm x 10 -12 10 kDa 0,18 6,20 100 kDa 1,49 75,01 (m -1 ) A Figura 1, mostra que a membrana de 100 kDa apresentou valores de permeabilidade hidráulica e resistência hidráulica mais elevados, o que está de acordo com o esperado visto a membrana de 100 kDa apresentar um maior tamanho de poro. 47 3 Resultados e Discussão 3.3. Selecção da Membrana Após a produção do ácido láctico, de acordo com as cond ições estabelecidas por Susana Marques (M. Susana, 2008), foram iniciados os estudos referentes à sua recuperação, através do sistema de filtração tangencial. Inicialmente, foram testadas duas membranas de polissulfona com limite de exclusão molecular de 10 e 100 kDa, utilizando como parâmetros de análise o fluxo de permeado, a taxa de recuperação e a selectividade. As duas membranas foram testadas na s mesmas condições (pressão transmembranar de 105 kPa, velocidade superficial de 15,88 cm/s e temperatura do caldo de 35 ºC). O primeiro ensaio de ultrafiltração, foi efectuado com um volume médio inicial do caldo de 260 mL para as membranas de 10 e 100 kDa respectivamente. Na Figura 2 apresenta-se a variação do fluxo de permeado em função do factor de concentração para as duas membranas. 20 10 kDa J (L/hm2) 15 100 kDa 10 5 0 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 FC Figura 2 – Variação do fluxo de permeado com o factor de concentração para as membranas de 10 e 100 kDa. Condições operatórias: velocidade superficial de 15,9 cm/s; pressão transmembranar 105 kPa; caldos frescos. Nas curvas obtidas, representadas na Figura 2, observa -se que o fluxo de permeado da membrana de 100 kDa diminui drasticamente no i nício do ensaio. Neste período, a membrana fica exposta às macromoléculas em solução o que permite uma rápida adsorção destas macromoléculas à sua superfície (muito partículas e das soluto à quais no superfície interior da dos poros). membr ana gera A acumulação um gradiente de de concentração denominado por polarização por concentração. Este gradiente 48 3 Resultados e Discussão vai provocar uma retro-difusão das partículas em direcção ao fluido circulante, e após algum tempo atinge-se um estado quasi-estacionário. Por sua vez, a membrana de 10 kDa verifica-se um decréscimo acentuado do fluxo de permeado, provocado pela polarização por concentração. polarização por concentração vai afectar o comportamento da A filtração tangencial pois vai introduzir uma resistência adicional à transf erência de massa através da membrana, que consequentemente vai diminuir o fluxo de permeado. Foi possível ainda constatar que, os valores do fluxo médio (calculado s segundo a equação 15) das membranas não apresentaram diferenças significativas. Os valores de fluxo médio obtidos foram 5,52 e 4,45 L/hm 2 para as membranas de 10 e 100 kDa respectivam ente, que não era de esperar uma vez que a membrana de 100 kDa apresenta um maior tamanho de poro. Em relação a recuperação do ácido láctico e de outros componente s do caldo (Tabela 3), tais como, os açúcares constatou-se que os valores obtidos são semelhantes e que a diminuição do fluxo de permeado não influenciou a percentagem de recuperação. No que respeita a rejeição de proteína solúvel total, a membrana de 10 k Da apresentou um coeficiente de rejeição superior (89,3%) a de 100 kDa (75,3%), tal como era esperado. . 49 3 Resultados e Discussão T abela 3 – Valores obtidos para a recuperação e rejeição de proteína no ensaio com membranas de 10 e 100 kDa. Condições operatórias: Vs=15,9 cm/s; pressão transmembranar 105 kPa; temperatura 35 ºC Recuperação (%) Membrana Ácido (kDa) Láctico Celobiose Xilose Ácido Ácido Ácido Acético Propiónico Succínico Etanol Rejeição Proteína (%) 10 66,3 73,1 53,0 66,8 67,4 68,0 70,9 89,3 100 64,4 65,9 58,2 65,9 72,5 68,3 72,7 75,3 50 3 Resultados e Discussão Na tentativa de encontrar uma explicação para o baixo fluxo médio de permeado obtido para a membrana de 100 kDa, efectuou -se um segundo ensaio nas mesmas condições o peratórias. Antes do referido ensaio, o caldo f erm entado f oi submetido a um a filtração, usando um a tela filtrante de nylon de 0,5mm, com o objectivo de remover partículas maiores presentes no seio do caldo. A variação do fluxo de permeado com o factor de conce ntração para as duas membranas estudadas está representada na F igura 3. 20 10 kDa J (L/hm2) 16 100 kDa 12 8 4 0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 FC Figura 3 – Variação do fluxo de permeado com o factor de concentração para as membranas de 10 e 100 kDa. Condições operatórias: Vs= 15,9 cm/s; pressão transmembranar 105 kPa; caldo fermentado pré-filtrado. Como se pode observar pela análise da Figura 3, o comportamento das duas curvas membrana de é análogo 100 kDa ao primeiro diminui ensaio. O fluxo de rapidamente e estabiliza permeado para da valores semelhantes aos obtidos com a membrana de 10 kDa. Ainda através da Figura 3, observa-se que o valor obtido do fluxo médio da membrana de 10 kDa 2 (6,73 L/hm ) é semelhante ao obtido com a 2 membrana de 100 kDa (6,35 L/hm ), o que não era de esperar uma vez que a membrana de 100 kDa apresenta maior tamanho de poro. Tendo em conta os resultados obtidos nos dois ensaios, optou -se por utilizar a membrana de 10 kDa nos ensaios futuros uma vez que apresenta fluxos e recuperação de ácido láctico semelhantes aos da membra na de 100 kDa, apresenta uma maior rejeição de proteína solúvel total. 51 3 Resultados e Discussão 3.4. Estudo dos Parâmetros Operacionais Para a optimização de um processo de membranas, é necessária uma avaliação dos efeitos das condições operacionais sobre as membranas, como pressão transmembranar, a velocidade superficial , bem como dos componentes que constituem à alimentação . As membranas, tal como cada suspensão a ser filtrada , têm as suas características particulares, sendo necessário realizar ensaios para a determinação das melhores condições operacionais para um determinado processo, uma vez que nem sempre a variação da temperatura e da pressão resultam em maiores fluxos de permeados. 3.4.1. Influência da Velocidade Superficial A velocidade superficial de recirculação do c aldo junto à membrana relaciona-se com a tensão de corte (equação 12) exercida pela suspensão em movimento. Quanto maior a velocidade superficial de recirculação maior será a tensão de corte. A tensão de corte aplicada sobre a camada depositada na superfície da membrana, pode alterar de forma significativa a espess ura e compactação podendo influenciar a transferência de massa. Neste trabalho, estudou-se a velocidade superficial de recirculação nos fluxos de permeado, na recuperação do ácido láctico e na re tenção da proteína. Para recirculação, este pois estudo, este a variável relaciona-se com de controlo a foi velocidade o caudal de superficial de recirculação pela seguinte expressão: Vs Qrec Am (equação 37) em que Vs é a velocidade superficial de recirculação, Q rec o caudal de recirculação, Am a área da membrana. O caudal de recirculação, Q Rec foi determinado a partir da equação da recta de calibração da posição da bomba versus o caudal de recirculação da água desionizada para diferentes pressões de trabalho. A representação gráfica do caudal de recirculação em função da variação da pressão encontra-se apresentada em anexo (Tabela A1). 52 3 Resultados e Discussão Foram escolhidos quatro valores de caudal de recirculação, com objectivo de abranger a maior gama possível, pelo que o valor mais alto corresponde ao caudal máximo (posição máxima da bomba) e o mais baixo ao caudal mínimo permitido pelo sistema, u tilizando uma pressão constante de 108 kPa. A Figura 4 apresenta a variação de fluxo de permeado com o factor de concentração para valores de velocidades superficiais de recirculação de 3,9; 15,9; 34,4 e 46,4 cm/s. Todos os ensaios foram realizados com os caldos congelados excepto o ensaio realizado a 3,9 cm/s de velocidade. 3,9 cm/s 15,9 cm/s 34,4 cm/s 46,4 cm/s 12 J (L/hm2) 10 8 6 4 2 0 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 FC Figura 4 – Variação do fluxo de permeado com o factor de concentração para os valores de velocidade superficial estudados , para pressão transmembranar de 105 kPa. Pode-se visualizar que todas as curvas têm o mesmo comportamento. O fluxo de permeado diminui com o aumento do facto r de concentração, originado pelo fouling e a polarização por concentração. A Figura 4, mostra ainda que o aumento da velocidade superficial parece não afectar muito significativamente o fluxo de permeado. Esta conclusão é reforçada com a representação da variação do fluxo médio de permeado com a velocidade superficial (Figura 5). Da representação gráfica verifica-se que a velocidade superficial de recirculação tem influência significativamente nos fluxos de permeado. 53 Fluxo Médio (L/hm2) 3 Resultados e Discussão 10 8 6 4 2 0 0 10 20 30 40 50 Velocidade superficial (cm/s) Figura 5 – Variação do fluxo médio de permeado com a velocidade superficial (P=105 kPa). Sendo o caldo fermentado constituído por células e outras partículas de elevado peso molecular, espera-se que a superfície da membrana esteja coberta por uma cam ada gel muito com pacta, que ofereça uma grande resistência à transferência de massa. Entretanto, a tensão de corte exercida pelo fluido circulante impede a disposição de mais solutos so bre a membrana e vai forçando alguns solutos a abandonarem a camada gel e o voltarem ao seio do caldo, reduzindo assim a espessura da camada gel. Assim, na gama de velocidades superficiais baixas (3,9 e 15,9 cm/s), o aumento da tensão de corte provoca um aumento do fluxo de permeado, devido ao efeito de diminuição da polarização por concentração e consequente diminuição da espessura da camada gel. Para velocidades superficiais elevadas, a tensão de corte diminui a espessura da camada limite não só por redu ção da polarização, mas também por remoção de material da superfície da membrana. As partículas maio res desprendem-se primeiro, ficando sobre a membrana as partículas de menores dimensões, e mais compactas, e consequentemente com menor permeabilidade da membrana e consequente diminuição do fluxo de permeado, pois a membrana passa a ser menos permeável. Assim é de referir que, velocidades superficiais elevadas ocorrem dois fenómenos de polarização por grande importância, concentração, que nomeadamente promove o a aumento diminuição de fluxo da de permeado, e a compactação da membrana que leva a uma diminuição do fluxo de permeado. Na Figura 5, observa-se um ligeiro patamar, parecendo que os dois fenómenos têm Entretanto, apesar influências contrárias sobre o fluxo de permeado. da compactação da membrana provocar uma diminuição do fluxo médio, verifica-se um ligeiro aumento do fluxo de permeado com o 54 3 Resultados e Discussão aumento da velocidade superficial através da redução da polarização por concentração. O aumento de fluxo de permeado, a partir de uma certa tensão de corte, deixará de ser possível, devido a formação e estabilização da camada gel à superfície da membrana. Além do fluxo de permeado, determinou -se a recuperação do ácido láctico, a tensão de corte e a percentagem de rejeição de proteína (Tabela 4). – Valores Tabela 4 variação da obtidos velocidade. nos (ácido ensaios láctico do fluxo de permeado com inicial=41,11 ±2,74 g/L; a proteína inicial=0,60 ±0,17 g/L) Velocidade Tensão de Recuperação de Rejeição de Superficial (cm/s) corte (Pa) Ácido Láctico (%) Proteína (%) 3,9 0,3 71,2 96,9 15,9 1,0 70,8 93,7 34,4 2,2 71,5 94,0 46,4 3,0 71,5 97,3 Na Tabela 4, mostram que os valores de recuperação do ácido foram praticamente idênticos, não havendo influência na alteração da velocidade superficial. Relativamente ao coeficiente de rejeição de proteína, também não varia significativamente com a velocidade superficial de recirculação. 3.5. Influência da Pressão Transmembranar com o Fluxo de Permeado A pressão transmembranar é um dos parâmetros mais importantes do processo de ultrafiltração, pois é através dela que se originará um gradiente de separação (Santos, 1996). A presença de solutos e/ ou macromoléculas provenientes de um meio fermentado, a uma determinada pressão transmembranar poderá originar a formação de interacções com a membrana, e em alguns casos a retenção das mesmas, o que facilitará a formação de uma camada gel à superfície da membrana que dificulta a transferência de massa através dela. Quanto maior for a pressão transmembranar, maior será a espessura da camada gel na 55 3 Resultados e Discussão superfície da membrana e maior será a resistência ao fluxo. Miller, 1985; Strathm ann, 1981 e Cheryan, 1986 descreveram que existe um valor ideal para a pressão transmembranar, para cada soluçã o a ser filtrada, para qual se atinge um valor máximo do fluxo a partir do qual este torna -se independente da pressão exercida sobre o sistema, sendo apenas afectado pela variação da tensão de corte, pela variação da temperatura e pela variação da concentração de solutos presentes na solução a ser filtrada. Para escolher a pressão que permite obter maiores fluxos de permeado, efectuaram-se três ensaios, fazendo variar a pressão transmembranar com o fluxo de permeado a uma velocidade superficial de recircul ação de 15,9 cm/s. Os resultados obtidos experim entalm ente para os valores de pressão estudados encontram-se representados na seguinte figura. J (L/hm2) 10 9 42 kPa 8 105 kPa 7 149 kPa 6 5 4 3 2 1 0 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 FC Figura 6 – Variação do fluxo de permeado com o factor de concentração . Condições operatórias: velocidade superficial de 18,9 cm/s; temperatura 35 ºC; caldo fresco sem congelar (105 kPa); caldo previamente congelado (42 e 149 kPa). Na Figura 6, observa-se que todos os fluxos tiveram o mesmo comportamento, diminui com o aumento do factor de concentração, o que esta em conformidade com a literatura. Para a maior pressão, observa -se um maior fluxo inicial, tornando o processo mais rápido, enquanto que para o menor valor da pressão transmembranar, observa -se um menor fluxo de permeado, consequentemente, o maior tempo de operação. Observa-se ainda que no início da ultrafiltração o fluxo de permeado decai mais rapidamente devido à formação da camada de concentração por polarização. Após atingir o equilíbrio, a diminuição o fluxo mantém -se 56 3 Resultados e Discussão constante ao longo da operação devido ao aumento da concentração de material na corrente de alimentação. A influência da pressão transmembranar no fluxo de permeado é mais perceptível se se considerarem os fluxos médios de permeado, conforme mostra a Figura 7. Como se pode observar através n a Figura 7, quanto maior é a pressão transmembranar maior é o fluxo de permeado. A partir dos resultados experimentais do fluxo de permeado em função do factor de concentração para os três valores de pressões estudados optou -se por trabalhar nos ensaios seguintes com um valor de pressão transmembranar de 108 kPa, como sendo o valor que permite uma maior recuperação do láctico. No entanto, o valor escolhido (108 kPa) não foi ao encontro dos resultados obtidos (Figura 8). A melhor escolha seria 150 kPa, que é o valor mais próximo da pressão máxima suportada pela membrana (180 kPa), tendo em conta uma margem de segurança de 15%, de modo a evitar danos irreversíveis na membrana. <J> (L/hm2) 8 6 4 2 0 0 20 40 60 80 100 120 140 160 Pressão Transmembranar (kPa) Figura 7 – Variação do fluxo médio com a pressão transmembranar . Condições operatórias: Vs=15,9 cm/s; temperatura 35 ºC. Os resultados experimentais da evolução do fluxo médio de permeado em função da pressão transmembranar, seguem, como seria de esperar, o andamento típico de uma curva de ultrafiltração. Pela Figura 7 pode-se verificar que o fluxo médio de permeado varia de uma forma linear até a 150 kPa, supondo que, a partir deste valor tende assimptoticamente para a região de controle de transferência de massa em que o aumento da pressão não provoca um aumento significativo do fluxo. Santos, 1996 verificou que quanto menor for a pressão exercida nos instantes iniciais da filtração, melhor será o comportamento da ultra filtração. Se a pressão no início da operação apresentar v alores baixos, o fluxo inicial provocará assim uma diminuição na adsorção das 57 3 Resultados e Discussão macromoléculas, e consequentemente haverá uma possível redução na formação de várias subcamadas à superfície da membrana, reduzindo assim a polarização por concentração e o fouling da membrana, aumentando por sua vez o fluxo de permeado. Também se analisou o que aconteceu com a proteína com a variação da pressão transmembranar. Analisando os valores da Tabela 5 verifica-se que a pressão transmembranar tem pouca influência na reje ição de proteína. Em relação à recuperação do ácido láctico, constatou -se que a pressão transmembranar te ve pouca influência na sua recuperação, o que nos leva a reflectir sobre este parâmetro, uma vez que a pressão transmembranar promove um conduziria aumento a um da permeação aumento da da membrana recuperação de que, por láctico no sua vez, permeado. Inf elizm ente, não se verif icou e um a explicação para este f acto deve -se a existência de células e fragmentos celulares no meio a separar. Ainda é de realçar que para os ensaios da variação do fluxo de permeado com a pressão transmembranar foram utilizados caldo fresco (105 kPa) e caldo previamente congelado (42 e 149 kPa) e conclui u-se que não existe diferenças significativas tanto na recuperação d e ácido láctico assim como na rejeição de proteína. Tabela 5 – Resultados obtidos no ensaio de variação da pressão transmembranar com o fluxo de permeado . (ácido láctico inicial=39,1 ±0,20 g/L; proteína total inicial=0,7±0,18g/L) ΔPTM R ecup eração d e Áci d o Rejeição (kPa) Láctico (%) proteína(%) 42 72,4 95,7 105 70,8 93,7 149 72,4 96,5 A análise da redução dos fluxos de permeado causado pela permea ção do caldo fermentado durante a ultrafiltração foi analisada pelo modelo de resistências em série (subcapitulo 1.11). Este modelo tem sido aplicado na análise de diversos sistemas de membranas, nomeadamente na filtração de caldos fermentados. O modelo da resistência em série baseia -se na equação 23 onde R t representa a resistência total à permearão através da membrana. Considerou-se que a resistência total resulta da soma da resistência da membrana (Rm), das resistências reversíveis (R r), originados pela 58 3 Resultados e Discussão polarização por concentração e pelo fouling reversível e da resistência irreversível (Ri), referente ao fenómeno de fouling irreversível. Rt Rm Rrev Rirrev (equação 38) A resistência total, para cada ensaio, pode ser determinada ao longo de todo o ensaio, mas vou apresentar somente o valor obtido no final d e ensaio (FC=4,0). Assim a resistência total é dada pela seguinte expressão: PTM f .J Rt (equação39) A resistência hidráulica da membra na corresponde à resistência que a membrana oferece à passagem da água desionizada. O valor deste parâmetro foi calculado considerando o fluxo de água medido antes da realização do ensaio, J(H2O)i 2 (L/hm ), de acordo com a seguinte equação(Mulder, 1991): PTM f .J ( H 2 O )i Rm (equação 40) As resistências correspondentes à polarização por concentração e ao fouling reversível são eliminadas após a pré -lavagem da membrana com água desionizada após o final do ensaio de filtração. Assim, a nova resistência total após a lavagem da membrana, dada como sendo a soma entre a resistência da membrana (R m) e a resistência irreversível, pode ser determinada considerando o fluxo de água obtido após a lavagem da membrana, J(H2O)f, realizada depois de cada ensaio, de acordo com a seguinte equação: Rt * O valor de R * t PTM f .J (H 2O )f (equação 41) após a lavagem, corresponde à soma da resistência da membrana e da resistência irreversí vel, Rirrev, que não foi removida pela circulação da água. Deste modo o valor de R irrev é obtido pela diferença entre R valor * t da e a resistência da membrana R m (Coulson, 1996). Por sua vez, o resistência reversível R rev é obtido pela diferença entre a resistência total no final do ensaio , Rt e a soma de R m e Rirrev. Tendo em conta as expressões acima referidas, obtiveram -se seguintes valores para as resistências: 59 os 3 Resultados e Discussão Tabela 6 – Valores obtidos para as resistências com membrana de 10 kDa. Pressão (kPa) Resistência (x 10 A -12 m -1 ) 42 105 148 Rm 6,2 6,2 6,2 Rrev 49,8 58,4 64,5 Rirrev 28,5 46,7 53,4 pressão transmembranar variação das resistências com a para a membrana de 10 kDa encontra-se representada na Figura 8. Analisando o gráfico, verifica-se que as resistências irreversíveis e reversíveis aumentam com o aumento da pressão transmembranar. Este resultado está de acordo com o esperado: para pressões elevadas a viscosidade junto à superfície da membrana é maior, logo a resistência à transferência de massa é também maior – aumenta a resistência reversível. A pressão elevada aumenta a adsorção irreversível de coloides e outras partículas presentes, alem da inclusão de partículas no interior dos poros da membrana, causando o seu entupimento, originando ainda o aumento da compactação do material Resistência (m-1) adsorvido o que justifica o aumento da resistência irreversível. 7E+12 Rm 6E+12 Rrev 5E+12 Rirrev 4E+12 3E+12 2E+12 1E+12 0E+12 25 50 75 100 125 Pressão transmembranar (kPa) 150 175 Figura 8 – Representação gráfica das resistências em função da pressão (kPa). Por sua vez, a resistência hidráulica da membrana permanece constante, uma vez este parâmetro depende somente das condições da membrana. 60 3 Resultados e Discussão 3.6.Influência dos Componentes do Caldo no Comportamento de Filtração Tangencial Esta secção, pretendeu estudar a influência de alguns dos componentes que constituem o caldo fermentado. Para tal f oram efectuados dois ensaios, um com o sobrenadante fragmentos celulares e e outro outras com os partículas sólidos do meio (células, eventuais nutricional inicial) ressuspensos em tampão fosfato 1 M, obtidos a partir da centrifugação do caldo fermentado. A composição média dos caldos encontra -se na Tabela 7. Tabela 7 – Concentrações iniciais médias da suspens ão e de solução processada. Concentração Ácido Biomassa Láctico (g/L) (g/L) Proteína (g/L) Sobrenadante - 39,24 0,26 Sólidos suspensos 32,15 0,97 0,09 Na Figura 9, encontra-se representado a variação do fluxo de permeado efectuado com o sobrenadante e a suspensão de fragmentos celulares. 14 sobrenadante 12 Sólidos suspensos J (L/hm2) 10 8 6 4 2 0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 FC Figura 9 – Variação do fluxo de permeado com factor de concentração para solução sobrenadante e suspensão. Condições operatórias: Vs = 15,9 cm/s, pressão transmembranar 105 kPa e temperatura 35 ºC. 61 3 Resultados e Discussão A Figura 9, mostra que, após o início da ultrafiltração, com a suspensão, o fluxo de permeado decresce rapidamente até atingir um factor de concentração de 1,5. Após este valor verifica-se uma diminuição mais lenta, altura em que se atinge um equilíbrio entre a velocidade de deposição das partículas de concentrado e a velocidade com que estas sã o arrastadas, traduzido no patamar . Ao FC de 1,5 corresponde à rápida deposição de material sobre a membrana e consequente formação da camada limite. O fluxo de permeado da solução apresentou uma variação muito acentuada, pois o sobrenadante apresentava -se límpido e aparentemente isento de fragmentos ou mesmos restos celulares. Ainda através da Figura 9, observa-se que o fluxo médio dos sólidos 2 suspensos (9,22 L/hm ) é muito superior ao fluxo da solução sobrenadante (6,37 2 L/hm ). solúveis Os resultados (proteínas) limitou indicam a que passagem a do presença fluxo a de componentes filtrar através da membrana, possivelmente devido a adsorção de proteínas à superfície e no interior dos poros. A adsorção de proteínas que se acumulam à superfície das membranas tem sido estudada por diversos autores: Musale e Kulkarni, 1996; Guell e Davis, 1996; relacionado Marshall, com a et al., 1993. quantidade de Este fenómeno material está directamente irreversivelmente depositado sobre à superfície da membrana . 3.7. Modelação da Variação do Fluxo de Permeado em Função do Tempo de Filtração em Estado Transiente. Através dos resultados experimentais verific a-se que o fluxo de permeado diminui ao longo do tempo de operação, devido ao fenómeno de polarização por concentração e ao fouling. Com o intuito de tentar traduzir matematicamente este fenóm eno foram aplicados diversos modelos matemáticos de base teórica (Bloqueio completo, Bloqueio intermédio, Bloqueio padrão e formação de bolo) e de base empírica (Modelo de 1ª ordem, Modelo Merin e Cheryan, Modelo de Mehta e Modelo de Ho e Zidney) . Inicialmente foram aplicados todos os modelos em estudo a três ensaios de variação do fluxo de permeado com a velocidade superficial, com o objectivo de seleccionar os modelos que melhor se ajustam aos resultados experimentais. influência dos Entretanto, seus após parâmetros a selecção com a dos pressão modelos estudou -se transmembranar e velocidade superficial de recirculação. 62 a a 3 Resultados e Discussão 3.7.1 Modelo de bloqueio à Pressão Constante Da análise dos resultados obtidos para os modelos de bloqueio à pressão constante, verifica-se que os modelos de bloqueio completo e bloqueio intermédio, são os que melhor se ajustam aos resultados experimentais. Por sua vez, o modelo de bloqueio padrão apesar de ter o valor do coeficiente de correlação aceitável, comparado com o do bloqueio intermédio, não se ajusta aos dados experimentais. Isto quer dizer que, nem sempre as rectas de ajuste que correspondem a um R 2 maior se ajustam melhor aos resultados experimentais. A) Modelo de Bloqueio completo De modo a obter os valores dos parâmetros relativos ao modelo de Bloqueio completo, tais como o fluxo de permeação da água, Jvo, e a constante de filtração, Kc, representou -se graficamente Ln (Jv) em função do tempo de operação e os valores obtidos por regressão linear encontram se na Tabela 8. Neste modelo, desprezou-se o primeiro ponto experimental que não apresentava tendência linear, uma vez que nesta fase do processo não se fazia sentir o efeito da polarização por con centração, provocando assim uma grande variação de fluxo de permeado nos primeiros instantes. Tabela 8 – Valores dos parâmetros do Modelo de Bloqueio Completo, para os ensaios da variação de pressão e velocidade superficial . K (L -1 ) 2 Jvo (L/hm ) R 2 P=108 kPa Vs=15,9 cm/s Velocidade superficial (cm/s) Pressão (kPa) 3,90 15,88 34,36 46,40 42 105 149 0,31 0,33 0,35 0,43 0,21 0,33 0,58 5,75 7,02 7,71 8,72 3,78 7,02 9,49 0,97 0,97 0,92 0,91 0,92 0,97 0,98 A representação gráfica da aplicação do mode lo de bloqueio completo aos resultados experimentais encontra-se apresentada em anexo (Figuras A6 a A11). A partir dos resultados obtidos para o modelo de bloqueio completo, verifica-se que o fluxo de permeação da água aumenta com a velocidade superficial e com a pressão transmembranar, de acordo com o esperado. Os 63 3 Resultados e Discussão valores dos fluxos de permeação da água obtidos no modelo em estudo divergem dos valores experimentais. Estas diferenças entre os valores do fluxo de devidas permeado as inicial dificuldades e os valores para medir obtidos o fluxo de experi mentalmente permeado nos são instantes iniciais dos ensaios. Por sua vez, a constante de filtração aumenta com o aumento da velocidade superficial e com o aumento da pressão transmembranar, o que não era esperado, uma vez que o aumento da velocidade superficial diminui a polarização por concentração e o fouling da membrana. Estes por sua vez, originam uma diminuição da fracção mássica dos sólidos na superfície da membrana modelos (variável de bloqueio preponderante completo e nas expressões bloqueio das intermédio) constantes e na dos resistência específica da camada depositada. De salientar que, a discrepância nos resultados pode estar relacionada com os erros cometidos na aplicação dos modelos. B) Modelo de Bloqueio Intermédio No modelo experimentais de fez bloqueio através da intermédio, equação o (27), ajuste que linear relaciona dos o dados fluxo de permeado com o tempo de operação tendo como parâmetros o fluxo de permeação da água, Jvo, e a constante de filtração, Ki. Com base nos resultados das equações da regressão linear determinou -se os parâmetros do modelo em estudo, que estão representados na tabela seguinte. Tabela 9 – Valores dos parâmetros do Modelo de Bloqueio Intermédio, para os ensaios da variação de pressão e velocidade superficial. K (L -1 ) 2 Jvo (L/hm ) R 2 P=108 kPa Vs=15,9 cm/s Velocidade superficial (cm/s) Pressão (kPa) 3,90 15,88 34,36 46,40 42 105 149 1,87 1,91 1,94 2,21 1,97 1,91 2,88 5,68 7,17 7,96 9,56 3,96 7,17 10,07 0,82 0,96 0,91 0,87 0,90 0,96 0,96 Tendo em conta os resultados apresentados na T abela 9, verifica-se que o fluxo inicial de permeação da água, Jvo, aumenta com o aumento da velocidade e da pressão transmembranar. Os valores obtidos do fluxo inicial, Jvo, são inferiores aos conseguidos experimentalmente. Em relação a constante de filtração, verifica -se que este, aumenta com o aumento da velocidade e assim como a pressão transmembranar, o que não 64 3 Resultados e Discussão era de esperar, visto que Ki é directamente proporcional à fracçã o de sólidos na camada depositada e deve diminuir quando a velocidade superficial e a pressão transmembranar aumentar. C) Modelo de Bloqueio Padrão Neste modelo, o ajuste linear dos dados experimenta is fez-se através da equação (29), que relaciona o flux o de permeação com o tempo de operação, tendo como parâmetros o fluxo de permeação de água, Jvo, e a constante de filtração, Kp. Com base nas regressões lineares obtidas para cada ensaio estimam -se os valores dos parâmetros do presente modelo, tendo em con ta que a área 2 da membrana é de: 0.03 m . Os resultados obtidos estão apresentados na Tabela 10. Tabela 10 – Valores obtidos para o fluxo de permeação da água e para a constante de filtração pelo modelo de Bloqueio Padrão. K (L -1 ) 2 Jvo (L/hm ) R 2 Analisando P=108 kPa Vs=15,9 cm/s Velocidade superficial (cm/s) Pressão (kPa) 3,90 15,88 34,36 46,40 42 105 149 2,09 2,22 1,56 1,89 2,17 2,22 2,38 5,85 7,59 7,59 8,87 3,85 7,59 9,73 0,96 0,93 0,90 0,89 0,92 0,93 0,98 a Tabela 10, verifica-se que os valores de fluxos de permeação iniciais (Jvo) aumentam com a velocidade superficial e com a pressão transmembranar. Ainda observa-se que o valor da constante de filtração (K) aumenta com o aumento da pressão transmembranar. Este aumento origina a diminuição da polarização por concentração e o fouling da membrana, que por sua vez origina uma diminuição da fracção mássica no volume de partículas depositadas por unidade de volume de permeado. 3.7.2 Modelos Empíricos A) Modelo de Ho e Z idney O modelo de Ho e Zidney combina o modelo de bloqueio de poros e a formação da camada gel para descrever o comportamento do fluxo permeado com o tempo de operação. 65 de 3 Resultados e Discussão A equação 36 que descreve este modelo, tem como parâmetros o caudal volumétrico com a membrana limpa, Qo, o qu ociente Rm/(Rm+Rirrev) e a constante Kh. Para iniciar os cálculos, estimou-se o quociente Rm/(Rm+Rirrev)=R a partir dos resultados obtidos na secção 3.3. Tendo em conta os valores do caudal de permeado da água desionizada (anexo Tabela A 2), obtidos aquando da lavagem das membranas antes dos ensaios, fez-se uma média desses valores para se obter uma primeira estimativa para o caudal volumétrico com a membrana limpa, Qo. Por sua vez, a constante K, foi estimada através de uma regressão linear tendo em conta a relação deste com a área da membrana desimpedida, Aopen, descrita pela seguinte equação (Ho e Zidney). Aopen Ao x exp k h .t (equação 42) em que Ao representa a área desim pedida no início da f il tração. A área de membrana é directamente proporcional ao caudal volumétrico através dos poros desim pedidos, Qopen, tal com o se observa na equação seguinte. Aopen Qopen x .R m PTM (equação 43) Calcula-se então a área de membrana desimpedida através dos valores de caudal volumétrico experimentais a partir da qual se representa graficamente Ln (Aopen) em função do tempo de operação. Com base nas regressões lineares obtidas estimam -se os valores dos parâmetros presente modelo. A representação gráfica da regressão linear e da aplicação do modelo de aos dados experim entais encontram -se apresentadas em anexo. Os valores obtidos para os três parâmetros do modelo encontram -se no quadro seguinte: 66 do 3 Resultados e Discussão Tabela 11 – Valores obtidos para os parâm etros do Modelo de Ho e zidne y, para os ensaios da variação de pressão e velocidade superficial. P=108 kPa Velocidade superficial Vs=15,9 cm/s (cm/s) Pressão (kPa) 3,90 15,88 34,36 46,40 42 105 149 Qo (L/h) 0,18 0,25 0,25 0,26 0,12 0,25 0,29 Jvo (L/hm2) 6,00 8,33 8,33 8,67 4,00 8,33 9,67 0,36 1,83 1,45 0,55 0,86 1,83 0,93 0,06 0,51 0,51 -0,29 0,53 0,51 0,29 K (h -1 R (m ) -1 ) Analisando a Tabela 11, verifica-se que o valor do fluxo inicial, Jvo, aumenta com a velocidade superficial e a pressão transmembranar, como era de esperar. O aumento da velocidade superficial vai diminuir a polarização por concentração e o fouling da membrana, originando por sua vez a redução da área bloqueada, α , (variável importante na constante do m odelo de Ho e Zidney). Os valores do fluxo inicial de permeação, Jvo, obtidos a partir do presente modelo são discrepância poderá inferiores estar aos obtidos relacionada com experimentalmente. os erros associados Esta aos parâmetros estimados. Ainda através da Tabela 11 verifica-se valor negativo para o quociente Rm/(Rm+Rirrev)=R, o que não tem qualquer significado. Este valor negativo poderá ser atribuído aos erros cometidos durante a aplicação do Solver de Excel. D) Modelo de Mehta Este modelo descreve a relação entre o fluxo de permeado e o tempo de filtração de acordo com a equação 34 . Nesta equação figuram três parâmetros, A1, B1 e b1 que foram estimadas recorrendo à função solver do Excel em que se minimiza a soma do quad rado dos erros relativos do fluxo. Os valores dos parâmetros obtidos para o presente modelo estão descritos na tabela seguinte. 67 3 Resultados e Discussão Tabela 12 – Valores obtidos para os parâmetros do Modelo de Mehta, para os ensaios da variação de pressão e velocidade sup erficial. P=108 kPa Vs=15,9 cm/s Velocidade superficial (cm/s) Pressão (kPa) 3,90 15,88 34,36 46,40 42 105 149 2 3,13 -9,21 1,14 -5,02 0,67 -9,21 -2,26 2 3,50 13,32 6,32 13,58 3,14 13,32 11,64 1,26 0,15 0,37 0,24 0,28 0,15 0,43 A1 (L/hm ) B1 (L/hm ) b1 (h -1 ) Com base nos transmembranar resultados e a obtidos velocidade podemos superficial concluir influenciam que a pressão principalmente o parâmetro B1. Relativamente ao parâmetro A1, os resultados obtidos não têm qualquer significado, ao ponto deste ser influenciado negativamente pelo aumento da pressão e da velocidade superficial. Por sua vez b1 diminui com a velocidade superficial (excepto para velocidade de 15, 88 cm/s), uma vez que a diminuição deste parâmetro implica ao aumento do fluxo de permeação. A aplicação deste modelo resultou na obtenção de valores negativos para A1, que a estabilização ter do significado caudal de físico corresponderia permeado. No entanto, ao patamar reforça -se de que de este modelo é semi-empírico. 68 4. Conclusão 4. Conclusão A partir da análise dos resultados obtidos conclui -se que a filtração tangencial com membranas de fibras ocas (10 kDa) para a recuperação de ácido láctico, depende significativamente da pressão transmembranar e da velocidade de recirculação d evido ao aumento da tensão de corte. Quando o sistema foi submetido a ultrafiltração com água desionizada, antes e após a ultrafiltração do caldo fermentado, foi possível observar a redução da permeabilidade hidráulica da membrana, devido ao fouling irreversível provocado pela adsorção de proteínas à superfície da membrana assim como no interior de poros. Em todos os ensaios realizados observ ou-se a diminuição do fluxo de permeado com o tempo (fenómeno rápido que ocorre nos instantes inicias com uma diminuição brusca do fluxo) seguido de uma diminuição lenta que se prolonga durante todo o tempo de operação. Conclui-se que a velocidade superficial não influência a recuperação de ácido láctico e a rejeição de proteína e que os fluxos de permeado elevados não implicam necessariamente maiores valores de recuperação. Este estudo permitiu também concluir que a principal causa da diminuição do fluxo de permeado é a crescente resistência de fouling por colmatação dos poros das membranas pelos componentes solúve is principalmente as proteínas ao longo do tempo de operação. As resistências reversíveis e irreversíveis aumentam com a velocidade superficial. No que toca aos modelos utilizados para ajuste aos dados experimentais, verificou-se que os m odelos de formação de bolo, modelo de 1ª ordem e m odelo Merin e Cheryan não são aplicáveis, visto apresentarem valores de coeficiente de correlação inferior es a 0,90 e resultados que não se ajustam aos dados experimentais. Nos modelos que melhor se ajustaram aos resultados experimentais (Bloqueio completo, Bloqueio padrão, Bloqueio intermédio, modelo de Mehta e Modelo de Ho e Zidney) obtiveram -se valores dos fluxos iniciais de permeação (Jvo) inferiores aos resultados obtidos experimentalmente. Isto deve-se ao facto de nos instantes iniciais não se ter conseguido obter valores do fluxo elevado devido ao hold up do sistema. A m embrana utilizada nos ensaios (10 kDa) permitiu a passagem de compostos com baixo peso molecular, tais como açúcares, ácidos orgânicos 72 4. Conclusão e álcool, impedindo totalmente a passagem de células e uma grande quantidade de proteínas. O emprego de uma etapa de limpeza com solução da protease (pepsine 1%) permitiu a recuperação do fluxo de permeado inicial, indica ndo a possibilidade de reutilização da membrana. Estas conclusões sugerem que a recuperação de ácido láctico pode ser efectuada de uma forma eficiente, utilizando processos de membranas e que a membrana de fibras ocas apresenta uma boa performance. Sugestão para trabalho futuro. Estudo, optimização e implementação de um sistema de ultrafiltração acoplado ao fermentador para recuperar o ácido láctico do caldo fermentado. 72 5. Referências Bibliográficas 5 Referências Bibliográficas A.Bottino; “Pore G. Capannelli, Size and P. Petit-bon; Pore-Size Distribution N. Cao; in M. Pegoraro; G. Zoia: Microfiltration Membranes ”. J. Membrane Sci. 41 (1989), p. 69. AOAC Official Methods of Analysis 920.53 (1975) W ashington,DC Amicon, product Catalog 0142E, Danvsers, EUA Browning,B.L. (1967) "Methods of W ood Chem ist r y", John W ile y & Sons, New York. Belfort, G.; suspensions Davis, and R.H. y Z ydne y, macromolecular A.L. (1994): solutions in “The crossflow behaviour of ultrafiltration”, Journal of Membrane Science, Vol. 96, pp. 1-58 Bhattacharjee, S. y Bhattacharya, P .K. (1992): “Flux decline behaviour with low molecular weight solutes during ultrafiltration in an unstirred batch cell”, Journal of Membrane Science. Berg, G.B. van den & Sm olders, C.A. “Diffusional phenomena in membrane separation processes”. J. Membrane Sci. 73, 1992, 103-118. Blatt, W . F., Dravid, A., Michaels, A. S. and Nelson, L. In Flinn, J. 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Filnn, Plenum Press, New York (1970). 76 Anexos a Anexos y = 2,54x - 13,17 R2 = 0,9998 25 Qrec(mL/s) 20 Recta de calibração 0,3 bar y = 2,51x - 13,39 R2 = 0,9995 0,5 bar y = 2,62x - 15,29 R2 = 0,9995 15 1,0 bar y = 2,61x - 14,68 R2 = 0,9997 10 1,3 bar 5 1,5 bar 0 5 7 9 11 Posição Bomba 13 15 Linear (0,3 bar) Linear F ig u ra A.1 – Rec ta de Calibr aç ão da Bom ba. (1,0 bar) Linear Tab ela A.1 – Condiç ões operac ionais de lavagem das m em branas (0,5 bar) (temperatura banho 40 ºC). Linear Membrana (kDa) (1,5 bar) 10 100 0.03 0.03 Qrecirculação (mL/s)) 8,3 8,3 Pentrada (kPa) 50 50 Psaída (kPa) 48 48 ΔPTM (kPa) 49 49 2 Amembrana (m ) T ab ela A.2 – Var iaç ão do f lux o de perm eaç ão da água des ionizada c om a pressão transmembranar (antes os ensaios) Qv (mL/s) P J 1 2 3 Média 30 9,0 9,0 - 9,0 18 50 15,0 15,0 - 15,0 30 80 25,5 25,5 - 25,5 51 100 31,0 32,0 31,5 31,5 63 130 35,0 36,0 36,5 35,8 71,7 (kPa) (L/hm2) b Anexos Tabela A.3 – Viscosidade da água Brandrup et al. (1989) J (L/hm2) Visco. Água (25 ºC) (kPa.s) 8,94E-07 70 60 50 40 30 20 10 0 y = 0,65x - 1,87 R2 = 0,9999 0 20 40 60 80 100 120 Pressão (kPa) F ig u ra A.2 – Var iação do f lux o de permeaç ão da água c om a pr ess ão ( antes do ensaio). Tabela A.4 – Variação do f luxo de permeação da água desionizada com a pressão transmembranar (após o ensaio). Qv (mL/s) P J (kPa) 1 2 3 Média (L/hm2) 30 1,35 1,50 1,45 1,43 2,87 50 2,50 2,40 2,40 2,43 4,87 80 4,10 3,95 3,95 4,00 8,00 100 5,00 5,00 - 5,00 10,00 130 6,50 6,50 - 6,50 13,00 150 7,50 7,50 - 7,50 15,00 c J (L/hm2) Anexos y = 10,13x - 0,16 R2 = 0,9999 16 14 12 10 8 6 4 2 0 0 50 100 150 200 P (kPa) Figura A.3 – Variação do f luxo de permeação da água com a pressão (após o ensaio). T ab ela A.5 – Inf luênc ia da veloc idade s uperfic ial no c om por ta m ento da recuperação de ácido láctico e outros componentes. Condições operatórias: P=105 kPa e T=35 ºC. Vs (cm/s) 3.9 15,9 34.4 46.4 Rmax Componentes R (%) (%) Perdas (%) Láctico 71,2 80,2 10,4 Celobiose 68,2 80,2 11,6 Xilose 72,8 80,2 7,6 Acético 71,4 80,2 9,9 Propiónoco 70,7 80,2 10,0 Láctico 70,8 80,0 19,8 Celobiose 63,9 80,0 24,6 Xilose 70,9 80,0 19,2 Acético 71,4 80,0 18,8 Propiónoco 70,4 80,0 23,1 Láctico 71,5 80,2 10,6 Celobiose 63,9 80,2 13,9 Xilose 72,5 80,2 8,8 Acético 72,5 80,2 8,8 Propiónoco 72,2 80,2 9,4 Láctico 71,5 80,2 11,0 Celobiose 67,9 80,2 12,3 Xilose 61,2 80,2 21,8 Acético 72,2 80,2 9,1 Propiónoco 70,7 80,2 11,6 d Anexos Tabela A.6 – Inf luência da pressão transm em branar no com portam en to da recuperação de ácido láctico e outros componentes. Condições operatórias: Vs = 15,9 cm/s; T=35 ºC. Perdas P (kPa) 42 105 149 Componente R (%) Rmax (%) (%) Láctico 72,4 80,2 9,6 Celobiose 65,8 80,2 15,0 Xilose 72,6 80,2 7,5 Acético 72,7 80,2 8,8 Propiónoco 72,0 80,2 9,9 Láctico 70,8 80,0 19,8 Celobiose 63,9 80,0 24,6 Xilose 70,9 80,0 19,2 Acético 71,4 80,0 18,8 Propiónoco 70,4 80,0 23,1 Láctico 72,4 80,2 8,9 Celobiose 65,0 80,2 15,6 Xilose 71,0 80,2 10,6 Acético 72,7 80,2 8,7 Propiónoco 71,7 80,2 10,2 T ab ela A.7 – Inf luênc ia dos sólidos em s us pens ão e dos com ponentes em solução no comportamento da recuperação do ácido láctico e outros componentes. Condições operatórias: P=105 kPa; T=35 ºC e Vs=15,9 cm/s. Componente R (%) Rmax (%) Perdas (%) 68,5 76,1 9,1 Celobiose 61,4 76,1 15,1 Xilose 68,1 76,1 9,0 Acético 68,9 76,1 8,9 Propiónoco 68,6 76,1 9,4 Láctico 86,5 75,0 * Xilose 75,0 75,0 * Acético 86,7 75,0 * Propiónoco 95,1 75,0 * ctico Sobrenadante Sólidos suspensos e Anexos [BSA](mg/L) Valor negativo y = 362,17x2 + 853,75x - 1,45 R2 = 0,9982 900 800 700 600 500 400 300 200 100 0 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 Absorvância Figura A.4 – Recta de calibração [BSA] vs. Absorvância y = 538,30x2 + 843,30x + 6,07 R2 = 0,9967 1200 1000 [BSA](mg/L) * 800 600 400 200 0 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 Absorvância Figura A.5 – Recta de calibração [BSA] vs. Absorvânc ia f Anexos T ab ela A.8 – Inf luênc ia da veloc idade s uperfic ial no c om por tam ento da rejeição de proteína. Condições operatórias: P=105 kPa e T=35 ºC. Abs.(595 nm) Vs (cm/s) 3,9 15,9 34,4 46,4 [Proteína] 1 2 3 média (g/L) t0 0,54 0,54 0,54 0,54 0,56 filtrado 0,07 0,06 0,09 0,07 0,06 concentrado 0,48 0,49 0,52 0,49 2,05 t0 0,64 0,70 0,53 0,67 0,86 filtrado 0,14 0,16 0,11 0,15 0,14 concentrado 0,44 0,52 0,49 0,48 2,25 t0 0,49 0,46 0,50 0,48 0,49 filtrado 0,05 0,06 0,06 0,06 0,05 concentrado 0,42 0,42 0,44 0,43 1,72 t0 0,48 0,52 0,47 0,49 0,50 filtrado 0,11 0,11 0,12 0,11 0,10 concentrado 0,42 0,41 0,39 0,42 1,67 Tabela A.9 – Inf luência da pressão transm em branar no com portam ento da rejeição de proteína. Condições operatórias: Vs=15,9 e T=35 ºC. Abs.(595 nm) P (kPa) 42 105 149 [Proteína] 1 2 3 média (g/L) t0 0,48 0,47 0,54 0,50 0,51 filtrado 0,07 0,07 0,08 0,07 0,063 concentrado 0,36 0,36 0,38 0,37 1,44 t0 0,64 0,70 0,53 0,67 0,86 filtrado 0,14 0,16 0,11 0,15 0,14 concentrado 0,44 0,52 0,49 0,48 2,25 t0 0,56 0,57 0,57 0,57 0,60 filtrado 0,07 0,07 0,09 0,07 0,06 concentrado 0,43 0,43 0,45 0,44 1,77 g Anexos Tabela A.10 – Inf luência dos sólidos em suspensão e dos com ponentes em solução no comportam ento da r ejeição de proteína. Condições operatórias: P=105 kPa; T=35 ºC e Vs=15,9 cm/s. Abs.(595 nm) [Proteína] 1 2 3 média (g/L) 0,28 0,29 0,26 0,28 0,26 0,04 0,04 0,07 0,05 0,04 concentrado 0,47 0,57 0,53 0,52 0,54 t0 0,10 0,10 0,12 0,10 0,09 filtrado 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 concentrado 0,69 0,59 0,65 0,64 0,69 t0 Sobrenadante filtrado Sólidos suspensos h 12 Experimental 10 Modelo Experimental 8 Modelo 8 Jv (L/hm2) Jv (L/hm2) Anexos 6 4 2 6 4 2 0 0 0,0 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 1,8 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 t (h) t (h) F ig u ra A.8 – Análise do aj us te do Modelo de Bloqueio Completo (Vs=3,9cm/s e P=105 kPa). completo (Vs=34,4cm/s e P=105 kPa). 10 Experimental 8,0 7,0 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 Modelo Experimental 8 Jv (L/hm2) Jv (L/hm2) F ig u ra A. 6 – Análise do aj us te do Modelo de Bloqueio Modelo 6 4 2 0 0,0 0,5 1,0 1,5 t (h) F ig u ra A. 7 – Análise do aj us te do Modelo de Bloqueio Completo (Vs=15,9cm/s e P=105KPa). 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 t (h) Figura A.9 – Análise do ajuste do Modelo de Bloqueio completo (Vs=46,4cm/s e P=105kPa). b Anexos Jv (L/hm2) 3,0 2,0 1,0 Jv (L/hm2) Modelo 4,0 Experimental 10 Experimental 5,0 Modelo 8 6 4 2 0 0,0 0,0 0,0 1,0 2,0 3,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 t (h) t (h) F ig ura A.12 – Anális e do aj uste do Modelo de Figura A.10 – Análise do ajuste do Modelo de bloqueio Bloqueio completo (P=149kPa e Vs=15,9 cm/s). Jv (L/hm2) completo (P=42kPa e Vs=15,9 cm/s). Experimental 8,0 7,0 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 Modelo 0,0 0,5 1,0 1,5 t (h) Figura A.11 – Análise do ajuste do Modelo de Bloqueio completo (P=105kPa e Vs=15,9cm/s). b Anexos Experimental 6 Jv (L/hm2) Jv (L/hm2) 4 3 2 1 Experimental 10 Modelo 5 Modelo 8 6 4 2 0 0 0,0 0,5 1,0 1,5 0,0 2,0 0,2 0,4 0,8 1,0 1,2 t (h) t (h) F ig u ra A.13 – Anális e do aj us te do Modelo de Bloqueio intermédio(Vs=3,9cm/s e P=105 kPa). 8 7 6 5 4 3 2 1 0 F ig u ra A.15 – Anális e do ajuste do Modelo de Bloqueio intermédio (Vs=34,4cm/s e P=105 kPa). Experimental Modelo Jv (L/hm2) Jv (L/hm2) 0,6 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 t (h) F ig u ra A.14 – Anális e do aj us te do Modelo de Bloqueio intermédio (Vs=15,9cm/s e P=105kPa). 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Experimental Modelo 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 t (h) F ig u ra A.16 – Anál is e do ajuste do Modelo de Bloqueio intermédio (Vs=46,4cm/s e P=105kPa). c Anexos Experimental 5,0 3,0 2,0 Modelo 8 J (L/hm2) J (L/hm2) 4,0 Experimental 10 Modelo 6 4 2 1,0 0 0,0 0,0 1,0 2,0 0,0 3,0 0,5 1,0 1,5 t (h) t (h) F ig u ra A.19 – Anál is e do ajuste do Modelo de intermédio (P=42 kPa e Vs=19,9 cm/s). Bloqueio intermédio (P=149kPa e Vs=19,9cm/s). Jv (L/hm2) F ig u ra A.17 – Anális e do aj us te do Modelo de Bloqueio 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Experimental Modelo 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 t (h) F ig u ra A.18 – Anális e do aj us te do Modelo de Bloqueio intermédio (P=149 kPa e Vs=19,5 cm/s). d 6,0 Experimental 5,0 Modelo 4,0 3,0 2,0 Jv (L/hm2) Jv (L/hm2) Anexos 1,0 0,0 Experimental 8,0 7,0 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 Modelo 0,0 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 1,8 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 t (h) t (h) F ig u ra A.22 – Anál is e do ajuste do Modelo de Padrão (Vs=3,9cm/s e P=105 kPa). Bloqueio Padrão (Vs=34,4cm/s e P=105 kPa). Experimental 8,0 7,0 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 10,0 Modelo Jv (L/hm2) Jv (L/hm2) F ig u ra A.20 – Anális e do aj us te do Modelo de Bloqueio Experimental Modelo 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 t (h) 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 t (h) F ig u ra A.2 1 – Anális e do aj us te do Modelo de Bloqueio F ig u ra A.23 – Anális e do aj us te do Modelo Padrão(Vs=15,9 cm/s e P=105kPa). Bloqueio Padrão (Vs=46.4cm/s e P=105 kPa). de e Experimental 5,0 Excperimental 4,0 Modelo 3,0 2,0 1,0 10,0 Jv (L/hm2) Jv (L/hm2) Anexos Modelo 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0 0,0 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 0,0 3,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 t (h) t (h) F ig u ra A.2 6 – Anál is e do ajuste do Modelo de Bloqueio Padrão (P=42k Pa e Vs=15,9cm/s). Bloqueio Padrão (P=149kPa e Vs=15,9cm/s). Jv (L/hm2) F ig u ra A.2 4 – Anális e do aj us te do Modelo Modelo de Experimental 8,0 7,0 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 Modelo 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 t (h) F ig u ra A.2 5 – Anális e do aj us te do Modelo de Bloqueio Padrão (P=105kPa e Vs=15,9cm/s). f Anexos y = 0,0316x + 0,0128 R2 = 0,8412 0,10 2,0 Ln (Jv) 0,08 (1/Jv)^2 y = -0,1867x + 1,7828 R2 = 0,7588 2,5 0,06 0,04 1,5 1,0 0,02 0,5 0,00 0,0 -3,0 0,0 0,5 1,0 1,5 -2,0 -1,0 t (h) F ig u ra A.27 – R epres entaç ão gr áfica da aplic aç ão do Figura Modelo aplicação de Formação de Bolo (P=105kPa e Vs=15,9cm/s). 1,0 A.29 do – Representação Modelo 1ª Ordem gráfica da (P=105kPa Vs=15,9cm/s). Experimental 10 10,0 Modelo 8 Jv (L/hm2) Jv (L/hm2) 0,0 Ln (t) 6 4 2 Experimental 8,0 Modelo 6,0 4,0 2,0 0 0,0 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 0,0 t (h) Figura A.28 – Análise 0,5 1,0 1,5 t (h) do ajuste do Modelo Formação de Bolo (P=105kPa e Vs=15,9cm/s). de F ig u ra A.30 – Anális e do aj us te do Modelo de 1ª Ordem (P=105kPa e Vs=15,9cm). g e Anexos y = -0,1926x + 2,8194 R2 = 0,7302 2,5 Jv (L/hm2) LN Jv 2,0 1,5 1,0 Experimental 12,0 10,0 Modelo 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0 0,5 0,0 0,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0 5,5 0,5 1,0 6,0 1,5 2,0 t (h) LN Vf F ig u ra A.31 – R epres entaç ão gr áfica da aplic aç ão do Modelo de Merin e Cheryan (P=105k Pa e Vs=46,4cm /s). F ig u ra A.33 – Anál is e do ajuste do Modelo de Mehta (P=105kPa e Vs=3,9cm/s). 8,0 Jv (L/hm2) Modelo 8,0 6,0 Experimental 7,0 Jv (L/hm2) Experimental 10,0 Modelo 6,0 5,0 4,0 3,0 4,0 2,0 2,0 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 0,0 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 t (h) t (h) F ig u ra A.32 – Anális e do aj uste do Modelo de Mer in e Cheryan (P=105kPa e Vs=46,4cm /s). F ig ura A.34 – Anális e do aj uste do Modelo de Mehta (P=105kPa e Vs=15,9cm/s). h Anexos Experimental Modelo 8,0 Jv (L/hm2) Jv (L/hm2) 10,0 6,0 4,0 2,0 0,0 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 t (h) Experimental 8,0 7,0 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 Modelo 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 t (h) F ig u ra A.35 – Anális e do aj us te do Modelo de Mehta F ig u ra A.36 – Anál is e do ajuste do Modelo de (P=105kPa e Vs=46,4cm/s). Mehta (P=105kPa e Vs=34,4cm/s). i 5,0 Experimental 4,0 Modelo 3,0 2,0 1,0 Experimental 10,0 Jv (L/hm2) Jv (L/hm2) Anexos Modelo 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0 0,0 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 0,0 3,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 t (h) t (h) F ig u ra A.37 – Anális e do aj us te do Modelo de Mehta F ig u ra A.39 – Anál is e do ajuste do Modelo de (P=42kPa e Vs=15,9cm/s). Mehta (P=149kPa e Vs=15,9cm/s). 8,0 Jv (L/hm2) 7,0 Modelo 6,0 5,0 4,0 Jv (L/hm2) Experiemtal 12 Experimental 10 Modelo 8 6 4 2 3,0 0 2,0 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 t (h) 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 1,8 t (h) F ig u ra A.38 – Anális e do aj us te do Modelo Modelo de F ig u ra A.40 – Anális e do aj us te do Modelo H o e Mehta (P=105kPa e Vs=15,9cm/s). Zidney (Vs=3,9cm/s e P=105kPa). j 8,0 7,0 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 Experimental Modelo Jv (L/hm2) Jv (L/hm2) Anexos 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 Experimental 8,0 7,0 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 Modelo 0,0 t (h) 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 t (h) F ig u ra A.41 – Anális e do aj us te do Modelo H o e Z idne y F ig u ra A.43 – Anális e do aj us te do Modelo H o e (Vs=15,9cm/s e P=105kPa). Zidney (Vs=34,4cm/s e P=105kPa). Experimental Jv (L/hm2) 10,0 Modelo 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 t (h) F ig u ra A.42 – Anális e do aj us te do Modelo H o e Z idne y (Vs=42,4cm/s e P=105kPa). k Anexos Modelo 4,0 3,0 2,0 4,0 2,0 0,0 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 Modelo 6,0 1,0 0,0 Experimental 8,0 J (L/hm2) Jv (L/hm2) 10,0 Experimental 5,0 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 t (h) t (h) F ig u ra A.46 – Anális e do aj us te do Modelo H o e (P=42kPa e Vs=15,9cm/s). Zidney (P=149kPa e Vs=15,9cm/s). Jv (L/hm2) F ig u ra A.4 4 – Anális e do aj us te do Modelo H o e Z idne y 8,0 7,0 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 Experimental Modelo 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 1,2 1,4 1,6 t (h) F ig u ra A.45 – Anális e do aj us te do Modelo H o e Z idne y (P=105kPa e Vs=15,9cm/s). l