Congresso de Ciências Veterinárias [Proceedings of the Veterinary Sciences Congress, 2002], SPCV, Oeiras, 10-12 Out., pp. 15-20 Palestra Inaugural Ciência e ensino universitário, enquadramento da formação veterinária ApolinárioVaz Portugal Professor e Investigador Jubilado Fonte Boa, Vale de Santarém 1. Os Cem anos da Sociedade Portuguesa de Ciências Veterinárias (SPCV) A acção desenvolvida pela Sociedade Portuguesa de Ciências Veterinárias merece-nos uma saudação especial, pois marca, no tempo, a actividade científica e tecnológica de uma profissão que constitui referência na vida nacional. A sua expressão pública, cultural, académica e cívica merecem referência Procura, ao cuidar da saúde animal, tornar esta, em circunstâncias Pecuárias, factor de produção, integrado no desenvolvimento agrário. Exibe a expressão da sua acção na saúde pública, na saúde ambiental e no bem estar animal. A falta de representatividade da área das Ciências Animais na Academia de Ciências Portuguesas, o que se lamenta, conduz a que, de uma forma mais apoiada, para ser selectiva, caminhemos por afirmar a SPCV como a Academia de Ciências Veterinárias de Portugal. As vidas Científica, Tecnológica, Cultural e Pública de Portugal exigem, sempre, a expressão de Qualidade valorizando, no tempo, a acerbo de Conhecimento que a SPCV detém. O desafio do futuro é a cultura da Qualidade, distinguindo uma área do Saber com Saber que se encontra também, enriquecida de conhecimentos de excelência que se obtiveram no então Ultramar Português. A SPCV ao completar 100 anos, exibe-se como uma força e uma acção que valorizam a profissão veterinária 2. A Ciência nas raízes do pensamento e da acção da Universidade Ao desenvolver este assunto procuramos apenas tratar aqueles aspectos que nos merecem maior preocupação e que definem o nosso estar, ao sentir a Formação Universitária, enraizada no Ensino da Ciência, no Desenvolvimento da Tecnologia, na Cultura da Qualidade e na Aprendizagem do aluno, corresponsabilizado nas iniciativas da sua formação. A Cultura da Avaliação do que se faz, como se faz e para quem se faz deve permitir a evolução e garantir a genuinidade, de quem, assumindo desafios, forma. 2.1 A Ciência é horizonte da capacidade dinâmica do Conhecimento, da sua abertura, integrando o fruto da curiosidade e o domínio da fundamentação, na segurança de transmitir, na aspiração de convencer e na motivação de ensinar, fazendo aprender. A Ciência e a sua evolução permanente cultivam a formação universitária e fomentam a aplicação tecnológica, sendo a procura da verdade a razão da Universidade. Esta dirige-se ao Homem e centra, na cultura do Humanismo, a formação do Homem desejado. Usa a competência (o que pode fazer), exerce o que de facto faz (exercício profissional) e exprime a sua vivência cívica (como se integra na Sociedade). 2.2 A Universidade nos fins do século XII herda toda a experiência da organização colegial na formação. Era uma sólida organização humanista que caracterizava, para sempre, a formação universitária. Verificam-se, naquele tempo, e à sua medida, já à procura da internacionalização, pois o Conhecimento e o seu uso não tem, e nunca tiveram fronteiras. Finais do século XVIII, constata-se que a revolução científica, baseada na ciência experimental, modifica o ensino nas universidades. Ensinar e progresso científico são as bases Congresso de Ciências Veterinárias [Proceedings of the Veterinary Sciences Congress, 2002], SPCV, Oeiras, 10-12 Out., pp. 15-20 da universidade do século XIX, fundamentando o aparecimento de Universidades Tecnológicas, traduzidas na abertura a novos saberes, com prejuízo, infelizmente em muitas situações, da cultura humanista e do espírito, mas fortemente conduzidas pela Cultura da Ciência e da Investigação Científica que geram necessariamente qualidade na motivação do Ensino. A Federação de Reitores, na Conferência de BONN 1994 afirma que a formação (ensinar, treinar e fazer aprender) só se completa se se facultar metodologia científica e desenvolvimento tecnológico ao estudante, por forma a se dar expansão ao Conhecimento. A Universidade é espaço fundamental e preocupação de sempre de educação científica e de investigação científica, sendo responsável pelo cruzamento entre ocupação pedagógica e investigação científica. Só o conjunto das duas geram Qualidade e distinguem o que se avalia. A “Cross-fertilization” de ensino e investigação distinguem as Universidades de outras Instituições do Ensino Superior (Salamanca Convention, 2001), estando na base da formação de parques ou campus científicos. Por outro lado a Universidade assume, no desempenho das suas funções, muitos e variados desafios, sendo necessariamente um deles a responsabilidade na formação contínua, actualizando o Conhecimento. 2.3 A “empregabilidade” é conceito e um dos objectivos da Universidade dos nossos tempos, conduzindo a Universidade a reagir a estímulos de mercado (Declaração de Bolonha, 1999). Falha a Universidade, como missão, se ao produzir um graduado, não seguir a sua trajectória, analisando esta para retirar ensinamentos e colher orientações. À que estar atenta às movimentações de Mercado para os seus graduados. A Universidade é investimento e tornase assim numa peça fundamental de intervenção na Sociedade, onde recria e justifica as diversas funções, nascendo a ideia de que ela terá de dar contas à Sociedade (Avaliação). A Universidade cria e recria a sua Imagem e mais do que oferecer lugares a estudantes e professores, dimensiona a procura que dela fazem, quem dela necessita, quer o aluno, que deseja nela formar-se, quer a Empresa que necessita Consultoria ou potencial de trabalho. 2.4 O investimento nos estudantes é o investimento no futuro. A Universidade ao receber o estudante e criar regras para o fazer, deve no projecto de uma formação de base sólida, preparar o académico-profissional, deixando para outro segmento do Ensino Superior, o Ensino Politécnico, a formação dirigida do profissional. Não deve haver estudantes excluídos por razões financeiras, administrativas, burocráticas e sociais, de seguir o curso universitário, mas apenas por motivos de selecção a adoptar na escolha a fazer-se pela Universidade. Todos devem ter acesso ao ensino universitário, mas baseado este no mérito e capacidade individuais. Há que ao organizar o currículo permitir a aprendizagem do aluno, responsabilizando-o nesta atitude. Mais do que ensinar há que valorizar o que se aprende. Assim há que reduzir e adaptar a carga horária a obtenção de créditos nas actividades de “selflearning”. O currículo de um estudante universitário deve permitir a formação de um graduado que domine os princípios básicos em que assentam a solicitações de aplicação, conduzindo os alunos à sua motivação em aprender, a formarem a sua opinião, a envolveremse com a metodologia científica e a participarem, activamente, nas suas formações. O currículo deve facultar ao aluno disciplinas optativas, responsáveis pela formação do Homem, enriquecendo a sua cultura, o seu comportamento cívico e mesmo o aprofundamento do Conhecimento. Formar o Homem cidadão é também responsabilidade da Universidade. A formação científica e tecnológica deve conduzir a Universidade a formar potenciais cientistas, oferecendo uma competência e uma qualificação. Por outro lado o estudante deve envolver-se nas actividades da sua Universidade participando na “decision making” (Students Gottborg Convention, 2001). 2.5 O desenvolvimento das actividades da Universidade não tem fronteiras, pois a Ciência é transnacional. Daí a Universidade estimular a abertura internacional, abrindo-se, assim, a espaços mais amplos de reconhecimento, acreditação e mobilidade. Ao se procurar lançar e Congresso de Ciências Veterinárias [Proceedings of the Veterinary Sciences Congress, 2002], SPCV, Oeiras, 10-12 Out., pp. 15-20 criar a European Hihger Education Area. (Declaração de Lisboa, 1997, Declaração da Sorbonne, 1998, Declaração de Bolonha, 1999, Convenção de Salamanca 2001 e Conferencia de Praga 2001) entre outros movimentos universitários, procura-se elevado grau de competitividade, estimulando, dentro de um modelo de bases semelhantes a exibição da diversidade na formação que conduza, à “empregabilidade” na Europa sem fronteiras. Necessariamente que tais desejos pressupõem o reconhecimento de qualificações, mesmo de competências, e o tempo gasto na formação (créditos), não destruindo a autonomia e a diversidade na forma como se forma para competir. A diversidade na organização do currículo já é uma forma de competir! A cooperação torna-se indispensável, surgindo como consequência dela, redes, parcerias, consórcios e outras articulações que conferem credibilidade ao sistema e cultura de qualidade à formação. O desenvolvimento transnacional, para onde caminhamos, conduz, obviamente, a alargar as competências do cidadão europeu. Deixa-se a um espaço mais alargado, o desafio de como, o quê, a quem e onde se forma o universitário. Interrogamo-nos que espécie de graduado e cidadão se deseja? A Universidade Portuguesa vai fazer face a este desafio europeu, valorizando, num quadro de referencia similar, a diversidade de produzir e fazer melhor. Como Wachter 1999, diriamos que o processo de sistemática integração internacional do ensino, da investigação e do serviço público impõe-se numa instituição do Ensino Superior que busca a qualidade do que faz e se abre à apreciação que dela façam os que a avaliam e a classificam. 2.6 A Cultura da Qualidade no Ensino Universitário deve constituir o agente mobilizador da acção que desenvolve e em que investe. Para isso a sua autonomia é necessária. Ensina a escolher e cultiva a escolha. Conjuga autonomia, responsabilidade e avaliação, pois não se pode entrar no século da mobilidade e da informação, sem inscrever autonomia na sua administração e assumir responsabilidades pelo que faz e como faz. As Universidades só, quando autónomas, podem ser julgadas pelo seu grau de criatividade e competitividade. A Universidade, entre outras capacidades deve, ao viver a autonomia e assumir a diversidade, seleccionar estudantes, fixar propinas, recrutar professores qualificados e diversificar salários. Não chega fazer mais, é necessário fazer melhor! Há que suportar a atitude, combater a rotina e assumir a responsabilidade que a autonomia determina, julgando-a e facultando-lhe meios financeiros e outros. O Estado não pode libertar-se desta obrigação, recriando formas de dar vida autónoma às instituições de ensino para toda a vida, guerreando a atitude pouco creativa, que recria hábitos não desejáveis, como o de financiar as Universidades pelo número de alunos que tem ou recebe. O que é diferente tem de ser tratado de forma diferente e ter-se a coragem de ir mesmo ao encontro de tratamento de excelência. Mas, obviamente, assumir outra dimensão da capacidade de decidir! A aprendizagem ao longo da vida é mais ou tão importante como a adquirida na obtenção de graus académicos na Universidade, exigindo-se desta, como sua vocação, o cuidar da formação permanente e recorrente devidamente valorizada (obtenção mesmo de créditos para esta formação ao longo da vida). As capacidades para desafiar a evolução assentam no pensar, analisar, sintetizar, exprimir e actualizar, aprendidas na formação Universitária. Há que criar novos talentos e depois realizar o nosso potencial! Há que envolver a Universidade, para além da formação de graduados, na oferta de pacotes de formação, que, sendo de actualização, solidificam a presença desta no Desenvolvimento e no Futuro. Esta é uma missão da Universidade. 2.7 Em síntese: A formação universitária ao conferir o primeiro grau académico, deve privilegiar a produção objectiva de uma académico-profissional, estruturando-se para o conseguir e evitando, numa fase prematura, a tendência para um grau de elevada especialidade na primeira graduação, a realizar em tempo mais curto (formação de banda larga). Seguir-se-à como continuidade de estudos o Mestrado e mesmo o Doutoramento, privilegiando assim as fileiras de 1-2 ou 1-3, como sequência no desenvolvimento do sub-sistema universitário. O exercício profissional integra-se num quadro de relações mais alargadas com o envolvimento de Congresso de Ciências Veterinárias [Proceedings of the Veterinary Sciences Congress, 2002], SPCV, Oeiras, 10-12 Out., pp. 15-20 organizações profissionais tais como as Ordens a quem a Universidade deve, necessariamente, prestar colaboração. A Universidade, ao fazer ensino e ao promover educação tem como principal missão formar a mentalidade académica e profissional e realizar o Homem. Entenda-se: é, em todas as circunstância uma educação de elite, exercida, à partida com uma atitude de abertura a todos para seleccionar. É no quadro destas ideias que nascem os princípios, se definem os objectivos e se encontram os meios da Universidade do Saber, instalada no Meio que a desafia como agente de desenvolvimento e a julga, depois de a avaliar. A formação universitária não é referencia se olvidar o seu sentido de missão. E este, tem de se entender, assume várias vertentes. A Universidade persegue o seu ideário na cultura da competitividade, para gerar, manter e afirmar Qualidade, adquirindo Meios diferenciados para premiarem a excelência. 3. Enquadramento da Formação Veterinária Enquadrada no pensamento exposto, vamos situar, em matéria de princípios, a formação do graduado em veterinária, preferindo, desde já, esta designação à de médico-veterinário. Trata-se de uma formação universitária de raiz cientifica, obviamente, e de banda larga que permite o desenvolvimento de várias sensibilidades vocacionais: clínica, a defesa da saúde animal, a epidemiologia das doenças plurifactoriais, a inspecção e defesa da saúde pública, a produção animal e a tecnologia dos produtos de origem animal. 3.1 Sente-se a necessidade ao cobrir as áreas de formação Universitária em Ciência Animal que o estudante, seja atraído, para além da clinica para a investigação científica, para a medicina veterinária estatal, para a segurança alimentar e para a produção animal, como o referem o Royal College of Veterinary Surgeous, 2001. Há que desenvolver no estudante o espírito académico (cultura e metodologia científicas) e a preparação profissional (cultura tecnológica e de aplicação). O Relatório Pew 1988, recomenda que o exercício profissional de um veterinário necessita de um balanço especial entre a educação vocacional e a educação científica, durante o período de graduação. As raízes universitárias da formação definem a profissão veterinária como uma vocação científica a sempre explorar nas áreas do saber das Ciências Veterinárias e como uma aptidão para a profissionalização, nomeadamente, mas não exclusivamente, nos domínios clínicos, assegurando em todas as opções e sensibilidades, o Bem estar Animal, a Saúde Pública e a Saúde Ambiental. Atinge-se a competência profissional e o espirito académico pelo ensino geral das Ciências Veterinárias, pelo desenvolvimento do treino na identificação e resolução de problemas concretos, pela oferta ao aluno de numerosas possibilidades de aprender as matérias que interessam à sua formação (aprender a aprender e auto-formação) e pela motivação para a evolução da Ciência e Tecnologia, enfrentando os desafios futuros (EAEVE, 2000). Há que assumir e se cultivar ideias e experiências diferentes, fazendo aprender (através delas) o veterinário a posicionar-se no mercado de trabalho, dando expressão à forma como foi formado. 3.2 A formação de banda larga que é a educação veterinária, requer, como continuidade de estudos, a pós-graduação e especialização, acompanhados da ORDEM ou Colégios Profissionais. A formação permanente e a formação especializada, devem constituir uma finalidade da Universidade. Trata-se da envolvente ensino para toda a vida (life long learning). As unidades de ensino veterinário devem facultar, permanentemente, pacotes de formação que actualizem conhecimentos e posicionem o veterinário face à evolução científica e como consequência desta, à evolução tecnológica. Considero mesmo que há necessidade, como formação graduada tipo fileira 1-2, de prosseguir estudos e treino após a primeira graduação, até se definir e autorizar o exercício profissional. Afirme-se, que é nossa convicção de que um veterinário, nos seus fundamentos de base, é sempre um biologista-economista. Congresso de Ciências Veterinárias [Proceedings of the Veterinary Sciences Congress, 2002], SPCV, Oeiras, 10-12 Out., pp. 15-20 3.3 A diversidade na formação gera a competitividade e, quando responsavelmente assumida, gera a escolha que dela se faz. Van der Bergh, (1955) afirmava, com a experiência que a direcção da Faculdade Veterinária de Utrecht, sem dúvida a mais transnacional faculdade veterinária europeia, que as escolas veterinárias europeias devem adoptar o princípio de que os estudantes da 1ª graduação não devem seguir todos um idêntico programa de educação, encorajando a diversidade curricular e as opções disciplinares que completam a formação. Devemo-nos começar a habituar a que o aluno deve dispor de tempo para a sua autoformação, seguindo disciplinas optativas que permitam diversificar o aprofundamento de conhecimentos e promover a formação do Homem e do Profissional. Recomenda EAEVE 1990 que estas devem compor 5 a 20% do programa curricular. Deve também recorrer-se à aula aberta ou ensino interactivo, nomeadamente nas disciplinas vocacionais, pelo recurso à informação de ciências básicas, conduzindo o aluno a motivar-se na formação nas Ciências de Base, relacionando e relativisando o Conhecimento. 3.4 O Estudante parece feliz e aprende bem, porque se motiva, quando se lhe atribui uma clara actividade vocacional, desafiando-o a fazer, sujando as mãos ou criando, relacionando e relactivisando o conhecimento adquirido. São confirmadas, a nível internacional e nacional, as dificuldades de motivação do aluno, quando na fase inicial do curso (disciplinas de formação básica). Daí o se sugerir e mesmo experimentar o envolvimento do aluno com aspectos clínicos ou outros, logo no início do curso, sem contudo reduzir o tempo com as ciências básicas. Os alunos de Cornell e de Ultrech “são expostos a animais vivos e técnicas clínicas e começam a identificar-se com problemas logo a partir do primeiro dia de educação formal” (EAEVE, 1977). Embora de início esta atitude de formação à base do problem-based-learning seja aliciante e motivador do aluno, terá de passar tempo para esta atitude criativa se generalizar. Há que prosseguir, com imaginação, o estudo da forma de tornar sempre, ao longo do curso, o aluno motivado, acompanhando e guiando a sua auto-formação que se contabiliza em tempo de formação (créditos a obter). É necessário à formação veterinária formal um profissional sensível à investigação científica e ao uso da metodologia científica, sendo o aluno ensinado a procurar e usar a informação, gerando e mantendo nele o hábito de aprender sempre. Aliás, como se afirmou, esta participação do estudante na investigação científica é uma necessidade que caracteriza o ensino que segue. O ensino universitário forma cientistas que sabem aplicar! Havendo em Portugal 4 unidades públicas de formação veterinária e uma privada, deveria, sem perda de competitividade e diversidade, tudo se fazer para entre elas se estabelecer intercâmbio que permitisse, avaliar novas ideias sobre a diversidade na forma de formar, na gestão pedagógica e na investigação científica, criando sistemas de redes entre estas formações. Este poderia ser um desafio para a SPCV, vestindo o facto de Academia de Ciências Veterinárias! Poder-se-ia mesmo avançar para a existência de um examinador externo para as disciplinas, o que permite ser uma forma de avaliar a Qualidade de ensino. 3.5 A formação Universitária Veterinária, e penso que não haverá outra que não seja universitária, é uma formação muito dispendiosa e deve ser entendida pelo poder público quanto à orçamentação das suas unidades, aceitando-se políticas diversas para apoiar este ensino (Cultura da Diversidade). A Faculdade Veterinária de Utrecht, a única na Holanda e a única na Europa creditada pelos Estados Unidos da América, para 1000 estudantes, emprega 890 unidades de trabalho das quais 370 são pessoal académico. Esta formação universitária é a mais dispendiosa, entre todas as formações, no Reino Unido. Saibamos reflectir sobre estes números para orientar a aplicação em Portugal. Não se aplicam os mesmos meios a situações e afirmações diversas, pois o que é diferente tem de ser tratado de forma diferente. 4. Conclusões Congresso de Ciências Veterinárias [Proceedings of the Veterinary Sciences Congress, 2002], SPCV, Oeiras, 10-12 Out., pp. 15-20 Ao se definirem princípios, em que assenta o que se ensina, a forma de ensinar e o desejo de aprender no Ensino Superior Universitário, procuramos acentuar que para se ser competitivo, tem de se ser autónomo com oferta de soluções diversas, assumindo-se responsabilidades e avaliando-se a actuação. Há que enfrentar os desafios da evolução da Ciência e actualizar sempre a aquisição de conhecimentos, atitude dinâmica a que se expõe o Homem na Sociedade que constrói. Há que investir na Universidade uma atitude criativa e uma exigência científica. A Europa mais do que a quantidade necessita de uma Política de Qualidade. O Ensino Universitário é um ensino de elite, aberto a todos, mas seleccionando os que o seguem. Nele está enquadrada a formação veterinária. Os desígnios trans-nacionais da formação veterinária, colocam-nos problemas de fundo que há que equacionar com coragem e firme determinação em Portugal. Há que combater a forte dependência, na Universidade, do tradicionalismo e provocar a mudança, investindo nela. Contudo, julgamos, como Oliveira Martins, 2000 que a “Sociedade educativa é a que está apta a aprender mais e melhor e compreender a diversidade”. Há que a nível nacional contrariar a preocupante inserção dos Veterinários no mercado de trabalho, clarificando a fuga para a plurivocacinalidade observada no trabalho da IBER, 1994, promovendo a formação contínua e estando atentos à evolução dos Países Africanos de língua portuguesa. Saibamos construir a veterinária do futuro, explorando as suas potencialidades científicas, a exigir qualidade na formação e no permanente acesso à educação recorrente, pela afirmação desta capacidade que modernize e actualize a profissão, na vida dos Povos e das Ciências Veterinárias. Face à situação nacional nestes domínios repetirei, Louis Pastteur dizendo: “nunca vos deixei desanimar”.