PREFEITURA MUNICIPAL DE PRESIDENTE PRUDENTE - SP AV. CORONEL JOSÉ SOARES MARCONDES Nº 1200. CEP: 19010-081 - PRESIDENTE PRUDENTE/SP PLANO DE MOBILIDADE URBANA DE PRESIDENTE PRUDENTE OUTUBRO DE 2014 PE 085-10/2013 EDSON MARCHIORO ARQUITETURA, URBANISMO E ENGENHARIA S/S Rua General Câmara, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082-070 - Caxias do Sul - RS e-mail: [email protected] - fone: (54) 9981.5201 fonte:www.webluxo.com.br fonte:www.panoramio.com fonte:Prefeitura Municipal de Dourados fonte:www.treviolo.com.br fonte:www.panoramio.com RELATÓRIO TÉCNICO 01 SUMÁRIO RELATÓRIO TÉCNICO 01 INTRODUÇÃO 05 1. A MOBILIDADE URBANA 06 1.1 Lei da Mobilidade 08 1.2 Política de Mobilidade Urbana – Ministério das Cidades 08 2. CIDADE QUE QUEREMO 10 3. PRESIDENTE PRUDENTE 44 4. PROJETO REDE CICLOVIÁRIA INTEGRADA 49 5. PROJETO CALÇADA LEGAL 54 6. PROJETO DE TRATAMENTO DOS PONTOS CRÍTICO 61 6.1 Aspectos Gerais do Sistema Viário de Presidente Prudente 61 6.2 Projeto de Tratamento dos Pontos Críticos 62 6.3 Levantamento de Tráfego 68 6.3.1 Metodologia de Determinação dos Níveis de Serviço 6.3.1.1 Níveis de Serviço 6.3.2 Carregamento e Balanceamento da Rede de Tráfego 70 70 71 6.3.2.1 Metodologia 71 6.3.2.2 Volume de Tráfego das Interseções 72 6.3.2.3 Cálculo da Capacidade das Interseções 72 7. CONTEXTUALIZAÇÃO DO PLANO DE MOBILIDADE URBANA DE 76 PRESIDENTE PRUDENTE REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 77 PREFEITURA MUNICIPAL DE PRESIDENTE PRUDENTE SECRETARIA MUNICIPAL DE ASSUNTOS VIÁRIOS E COOPERAÇÃO EM SEGURANÇA PÚBLICA – SEMAV PLANO DE MOBILIDADE URBANA DE PRESIDENTE PRUDENTE - SP RELATÓRIO TÉCNICO – ETAPA 01 PRESIDENTE PRUDENTE, OUTUBRO DE 2014. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS EQUIPE TÉCNICA COORDENAÇÃO Edson Marchioro Arquiteto e Urbanista – CAU A 40.963-4 COLABORAÇÃO Caroline Arsego Arquiteta e Urbanista – CAU A 68.016-8 Fabiane Reis Pereira Cardozo Arquiteta e Urbanista – CAU A 101.525-7 Jeferson Rauber Arquiteto e Urbanista – CAU A 70.385-0 Jordana Carraro Borges Arquiteta e Urbanista Leandro Daniel Girardi Arquiteto e Urbanista – CAU A 70.383-4 Mégui PezziDal Bó Arquiteta e Urbanista – CAU A 99.020-5 Sílvia Rafaela Scapin Nunes Arquiteta e Urbanista – CAU A 48.097-5 Thássia Barbanti Batalha Arquiteta e Urbanista Angélica Ravizzoni Veronese Acadêmica de Arquitetura e Urbanismo Bruna Paim Pasquali Acadêmica de Arquitetura e Urbanismo Lucas Tomazoni Pinheiro Acadêmico de Arquitetura e Urbanismo E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS RELATÓRIO TÉCNICO 01 INTRODUÇÃO Este documento apresenta o RELATÓRIO TÉCNICO 01 do PLANO DE MOBILIDADE URBANA DO MUNICÍPIO DE PRESIDENTE PRUDENTE / SP, onde, pela primeira vez em sua história é elaborado um Plano articulado ao Plano Diretor e aos projetos da Administração Municipal, apresentando um diagnóstico completo da situação na cidade, definindo as diretrizes, estratégias, linhas de ação, programas e estabelecendo as metas para o atendimento das necessidades de deslocamento de pessoas e mercadorias no território do Município. Apresentamos como conclusão das atividades técnicas previstas nesta etapa, o 1) ANEXO I – Cálculo dos Níveis de Serviços Demanda Atual 2) ANEXO II – Cálculo dos Níveis de Serviços Demanda Futura – 05 Anos 3) ANEXO III – Cálculo dos Níveis de Serviços Demanda Futura – 10 Anos 4) ANEXO IV – Cálculo dos Níveis de Serviços Demanda Futura – 15 Anos 5) ANEXO V – Rede Cicloviária Integrada O Relatório do Projeto de Reestruturação do Transporte Coletivo será apresentado em volume específico. No Relatório 02, próxima etapa, vamos apresentar os anexos abaixo relacionados: 1) ANEXO VI – Projeto Calçada Legal. 2) ANEXO VII – Projeto de Tratamento dos Pontos Críticos Segundo o Projeto de Remodelação do Sistema de Transporte Coletivo Municipal de Presidente e o Plano de Mobilidade Urbana, de conformidade com o Contrato 462/2013, neste documento devem ser apresentados os conceitos gerais que envolvem todos os personagens da Mobilidade Urbana, em especial ao que segue: E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 5 1. A MOBILIDADE URBANA A mobilidade urbana é um requisito fundamental para o desempenho das funções urbanas, afetando, sensivelmente, o cotidiano de muitas pessoas. Possui papel de grande importância na vida das cidades ao assegurar a articulação necessária entre diferentes atividades, tais como, a produção, o consumo, a moradia, o trabalho, a educação e o lazer. Ela envolve os diversos tipos de deslocamentos no meio urbano para que se realizem as atividades de forma ampla e democrática junto aos espaços públicos, ocorrendo de forma inclusiva, priorizando os pedestres, as Pessoas com Necessidades Especiais e Mobilidade Reduzida (PNEs), os ciclistas, os modais de transporte coletivo e demais veículos, nesta ordem. Um dos atributos ou indicadores de desempenho de uma cidade é o seu sistema de transportes e o trânsito. Devido à intensa interação desses com os demais setores da sociedade é volumosa e diversificada a necessidade de estudos e pesquisas para manter atualizada a visão do desempenho global do sistema, assegurando o conceito de Mobilidade Urbana. Um dos princípios básicos do planejamento é a adoção de um enfoque compatível com a natureza dos problemas e com as oportunidades da implementação de mudanças desejáveis. Há uma considerável diferença nesses aspectos entre as áreas urbanas pequenas e grandes. Nas grandes áreas urbanas os problemas de transporte são sérios e as oportunidades de drásticas modificações na forma urbana e na infra-estrutura são limitadas. Por isso uma grande comunidade deve adotar metas a longo prazo a traduzi-las em políticas específicas em aspectos tais como: controle de crescimento, provisão de novas facilidades e serviços de transporte, restauração de áreas deterioradas, bem como de reestruturação de um sistema viário ultrapassado. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 6 Contrastando com a situação das grandes áreas urbanas, os problemas de transporte (orientado para o automóvel) nas cidades médias resumem-se usualmente, ao congestionamento das vias. Quanto ao transporte público, os problemas básicos nas pequenas cidades são a falta de um serviço adequado e/ou a ausência de concentrações da demanda, ambos relacionados com as características de uso do solo. A ausência de severidade nos problemas presentes nas pequenas cidades não deve conduzir a uma negligência na antevisão das necessidades e oportunidades futuras de intervenção. No caso de cidades que estejam em crescimento, a questão básica referir-se-á ao controle do crescimento, em termos de padrão e/ou magnitude. A diferença fundamental entre cidades pequenas e grandes reside na existência de oportunidades para o crescimento disciplinado. Sem dúvida as cidades médias oferecem aos planejadores melhores possibilidades neste campo. 7 É bem sabido, também, que um “crescimento disciplinado” não pode ser atingido sem a elaboração e a efetiva implementação de planos de transportes, de circulação viária, de trânsito, de mobilidade urbana e de uso do solo à longo prazo. Problemas como os congestionamentos em alguns locais, a baixa oferta de vagas de estacionamento e a ocorrência de acidentes envolvendo veículos e pedestres são resultados do crescimento da demanda por circulação desacompanhada de uma adequação da malha viária que possa absorver e orientar este crescimento, como também a ausência de planejamento integrado de outros modais. Por todas essas razões, o Governo Federal, em 03 de janeiro de 2012, sancionou a Lei Federal nº.12.587, que instituiu as Diretrizes para a Política Nacional de Mobilidade Urbana, determinou que os municípios que tenham uma população de mais de 20.000 habitantes, no prazo máximo de três anos à partir da entrada em E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS vigor da lei acima referida, desenvolvam atividades técnicas para efetivação do Plano Municipal de Mobilidade Urbana. 1.1 LEI DA MOBILIDADE A lei nº 12.587, de 3 de janeiro de 2012, institui as diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, que define a política nacional de mobilidade urbana como instrumento da política de desenvolvimento urbano de que tratam o inciso XX do art. 21 e o art. 182 da Constituição Federal, objetivando a integração entre os diferentes modos de transporte e a melhoria da acessibilidade e mobilidade das pessoas e cargas no território do município. 1.2 POLITICA DE MOBILIDADE URBANA – MINISTÉRIO DAS CIDADES A Política de Mobilidade Urbana visa a construção de cidades sustentáveis, de forma que entre os temas envolvidos na gestão urbana, o tema da mobilidade tem suma importância por se tratar de um fator essencial para toda atividade humana, sendo determinante para o desenvolvimento econômico e para qualidade de vida e também pelo seu papel decisivo na inclusão social e na equidade na apropriação da cidade e de todos os serviços urbanos. As cidades brasileiras vivem um momento de crise da mobilidade urbana que exige uma mudança de paradigma, revertendo o atual modelo de mobilidade, em instrumentos de gestão urbanísticas, subordinando-se aos principais de sustentabilidade ambiental e voltando-se decisivamente a inclusão social. Neste novo conceito de mobilidade urbana, é um novo avanço na maneira de tratar o trânsito de forma articulada e planejada com o transporte coletivo, logística de distribuição das mercadorias e a construção da infraestrutura viária, das calçadas e de todos os modos de circulação das pessoas e mercadorias. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 8 Entre os princípios para o planejamento da mobilidade, destaca-se: 1- Diminuir a necessidade de viagens motorizadas; 2- Repensar o desenho urbano; 3- Repensar a circulação de veículos; 4- Desenvolver os meios não motorizados de transportes; 5- Reconhecer a importância dos deslocamentos dos pedestres; 6- Reduzir os impactos ambientais da mobilidade urbana; 7- Propiciar mobilidade das pessoas com deficiência e restrição de mobilidade; 8- Priorizar o Transporte Coletivo 9- Promover a integração dos diversos modos de transporte; 10- Estruturar a gestão local; O PLANMOB tem como seu principal objetivo proporcionar o acesso a toda a população às oportunidades que a cidade oferece com a oferta de condições adequadas no exercício da mobilidade da população e as logísticas de circulação de bens e serviços devendo os seus produtos refletidos a preocupação com: 9 1- Ampliação da mobilidade da população, principalmente de baixa renda; 2- Ofertas de condições adequadas para prestação de serviços e a circulação das mercadorias que abastecem o comércio, dos insumos que alimentam as indústrias, dos produtos por elas gerados e das cargas em geral que circulam nas cidades, de forma a contribuir para eficiência dos processos econômicos. 3- Melhorar a qualidade de vida e sustentabilidade das cidades. A Política de Mobilidade Urbana propõem no seu planejamento integrado, em quatro grupos de ação: Imagem 01 – Grupos de Ação da Política de Mobilidade Urbana E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 2. A CIDADE QUE QUEREMOS As cidades se originaram da necessidade de contato, comunicação, organização e troca entre homens e mulheres. Da polis decorreu a política e, com os pioneiros gregos, nasceu o estreito vínculo entre participação ativa e vida na cidade. O ser humano buscava a felicidade. Historicamente, as cidades são concentrações de poder que controlam fluxos econômicos, sociais, culturais e políticos, constituindo centros de acumulação de riqueza e conhecimento, sendo que, atualmente, as cidades maiores tendem a converter-se em metrópoles de sistemas sócio-econômicos organizados espacialmente para articular economias regionais, nacionais e internacionais. Antes do século XVII, o deslocamento das pessoas era realizado a pé, montado em animal ou em carruagem própria puxada por animais – privilégio dos muito ricos. As carruagens de aluguel puxadas por animais, que surgiram na cidade de Londres, em 1600, e Paris, em 1612, podem ser consideradas os primeiros serviços de transporte público urbano (FERRAZ e TORRES, 2001). Nos anos de 1617, em Paris, e 1634, em Londres, apareceu o transporte por meio de liteiras de aluguel, que era uma espécie de cadeira coberta onde se sentava o passageiro, sustentada por dois longos varais e conduzidas por dois homens. Somente em 1662, quando Paris já contava com aproximadamente 150 mil habitantes, é que o matemático francês Blaise Pascal organizou o primeiro serviço regular de transporte público: linhas com itinerários fixos e horários predeterminados. O serviço era realizado por carruagens com oito lugares, puxadas por cavalos e distribuídas em cinco linhas. Ainda segundo FERRAZ e TORRES (2001), em 1826 foi criado, em Nantes, na França, uma linha de transporte público que ligava a cidade a uma casa de banhos. O veículo utilizado era uma carruagem com comprimento e capacidade superiores aos existentes na época, e que foi denominado omnibus (“para todos” em latim). E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 10 Esse tipo de veículo, referido na época como “carruagem longa ou comprida”, já havia sido utilizada em Londres muito antes, por volta de 1798, mas foi na França que adquiriu o nome de omnibus, pelo qual ficou conhecido. Imagem 02 – Omnibus do Século XIX O aparecimento quase simultâneo do transporte público em várias cidades decorreu da Revolução Industrial. A produção de bens, até então feita de forma artesanal, nas próprias casas dos trabalhadores e com ferramentas rudimentares, passou a ser realizada com a ajuda de máquinas e ferramentas especiais que ficavam nas fábricas, obrigando os operários a se deslocarem diariamente de suas casas às fábricas. Como transporte individual, problema cada vez mais sério nas cidades de hoje, surgiu a bicicleta em 1839, a motocicleta no final do século XIX e o automóvel, no final desse mesmo século (FERRAZ e TORRES, 2001). Nesses pouco mais de três séculos o transporte público foi passando por diversas etapas, com o aparecimento do bonde com tração animal e depois mecânico, do ônibus com tração mecânica, do ônibus elétrico ou trólebus, do transporte aquático, do trem suburbano e do metrô. A história do desenvolvimento dos núcleos urbanos está diretamente relacionada à evolução dos meios de transporte disponíveis, exercendo grande influência na localização, no tamanho e nas características das cidades, bem como nos hábitos da população (FERRAZ e TORRES, 2001). O crescimento e o desenvolvimento econômico e social de uma aglomeração humana dependem, em grande parte, da facilidade da troca de informações e produtos com outras localidades. Assim, não é por acaso que as primeiras cidades surgiram à beira do mar e dos grandes rios e lagos, pois o meio de transporte E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 11 preponderante no passado eram as embarcações. O desenvolvimento de outros meios de transporte (ferroviário, inicialmente, e depois rodoviário e aéreo) é que levou ao aparecimento de cidades distantes das rotas de navegação importantes. Diz-se que o grau de desenvolvimento econômico e social de uma sociedade está diretamente associado à facilidade de transporte de passageiros e carga, sendo que a qualidade de vida nas cidades é fortemente influenciada pelas características do sistema de transporte urbano. Por outro lado, o tamanho das cidades estava condicionado a dois fatores: a capacidade de obter suprimentos (alimentos e combustíveis), por meio de produção própria ou do transporte de outras localidades, e a distância máxima que as pessoas podiam vencer a pé para trabalhar e realizar outras atividades inerentes à vida humana (ANTP, 1997). No Brasil, mais de 80% da população vive em cidades, sendo que, se de um lado a vida urbana traz uma série de benefícios à humanidade, de outro também traz grandes desafios, como, por exemplo, a solução para os problemas de água, esgoto, lixo, energia elétrica e transporte. Cada vez mais as pessoas vivem em áreas urbanas, no mundo inteiro. Está previsto que a população mundial vai crescer de uma maneira arriscada nos países em fase de desenvolvimento, com a maioria desse crescimento apontado para as áreas urbanas. Se em 2000, 35% da população mundial vivia em áreas urbanas nos países em desenvolvimento, com estimativas apontando que em 2015, este porcentual subirá para 45%. O crescimento acelerado dos centros urbanos nos últimos anos e o aumento do número de viagens individuais motorizadas vem desconfigurando o papel das cidades, que é o de proporcionar qualidade de vida e qualidade de circulação, E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 12 intensificando os conflitos entre diferentes modos de deslocamento e gerando gastos econômicos vultosos, na tentativa de viabilizar o fluxo de veículos motorizados. É importante destacar que a natureza dos deslocamentos depende diretamente da forma como as funções urbanas se distribuem no território. Até recentemente, essas funções urbanas eram moldadas sob os princípios da massificação e do ganho de escala da era industrial, em que “o maior é o melhor”. Observamos, porém que a produção em massa, mercados de massa, educação de massa, mídia de massa, políticas de massa, estão cedendo terreno para um novo sistema de riquezas que é diferente em quase todos os aspectos. O trabalho anteriormente sincronizado pela linha de montagem está se tornando cada vez mais dessincronizado, com o trabalho concentrado em fábricas e escritórios sendo feito agora de forma dispersa, em casas, aviões, hotéis, restaurantes, etc. A integração vertical é cada vez mais substituída pela terceirização e pelas redes intranets e extranets. O comando administrativo centralizado dá lugar, cada vez mais, a negociação entre sócios, aliados, participantes de sociedades comerciais e empregados, com volumes cada vez maiores de capital sendo reunidos de noite para o dia e algumas entidades corporativas crescendo cada vez mais em capital, enquanto a força de trabalho decresce. Esse novo perfil econômico se expressa na distribuição dos novos empregos, na redução dos empregos tradicionais, na ampliação das atividades autônomas e do mercado informal, na ampliação da inserção da mulher no mercado de trabalho, no aumento de contingente de estudantes e do tempo empregado pela sociedade na formação e treinamento da mão de obra. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 13 A isso, ainda segundo AFFONSO (2002), se soma o crescimento dos fluxos de comércio de bens e serviços que, na esteira das mudanças operadas nas organizações industriais, cada vez mais se constituem em atividades em si, incumbindo-se de estocar insumos e mercadorias e distribuí-las para indústrias, atacadistas, varejistas e consumidores finais, alimentando-os just – in - time e de acordos com seus horários de funcionamento. Expressão das mudanças em curso nas lógicas e fluxos de bens é o crescimento do uso de motos para funções de entrega de produtos e de mensagens, que no momento atual representa um fator crescente de acidentes com vítimas no trânsito das grandes cidades. As transformações em curso nas lógicas e nos fluxos de pessoas, de serviços e mercadorias no espaço urbano da região, o uso do espaço urbano e do tempo, tem consequências ainda não avaliadas plenamente, em particular no que se refere à modelagem da oferta de serviços públicos de transporte. A necessidade de movimento da cidadania depende de como a cidade está organizada territorialmente e vinculada funcionalmente com as atividades que se desenvolvem no espaço urbano. Essas duas esferas, organizacional e física, e suas contradições, atingem primeiramente as populações mais pobres e menos protegidas, onde a circulação e a acessibilidade ao espaço urbano são intensamente reduzidas. Muitas grandes e médias cidades foram adaptadas para o uso eficaz do automóvel particular, com um sistema viário ampliado como resposta a um crescimento acelerado deste sistema modal, até mesmo suprimindo o transporte público e fazendo com que o automóvel seja valorizado sobre os outros sistemas modais de transporte. Cada meio de transporte utiliza espaço para movimentar-se e estacionar em um período determinado de tempo. No entanto, o utilitário privado é o meio que mais espaço público ocupa, uma vez que passa 90% de sua vida estacionado, mais ou menos 22 horas diárias. Por esta razão, uma enorme quantidade de espaço útil é E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 14 utilizado de maneira não econômica, somente para estacionar. Em casa, no escritório e em áreas comerciais. Além disso, a infraestrutura viária necessita suprir a demanda de viagens, algumas vezes prejudicando comunidades e marginalizando bairros inteiros. Este foi o resultado da adoção do modelo norte-americano, que nos Estados Unidos, no espaço de pouco mais de um século, gerou na população a necessidade de consumo do automóvel. O quadro mudou radicalmente: nos anos 1900, 95% da população norte americana utilizava o transporte coletivo; nos anos 2000, 95% da população utilizam o transporte individual. No Brasil, os Governos Washington Luis, Getúlio Vargas e Juscelino Kubischek, adotaram o modelo do transporte rodoviário, construindo estradas como contrapartida à vinda de montadoras. 15 Imagem 03 – Ocupação Desigual do Espaço Público. O sucateamento do transporte ferroviário e do fluvial, além da falta de incentivo ao transporte coletivo, mesmo que sobre pneus, resultaram mais uma vez em ações governamentais que privilegiaram o transporte individual. Esta situação, que deteriorou o ambiente urbano, leva hoje a uma revisão de Planos Diretores e construção de Planos de Mobilidade Urbana, buscando privilegiar os pedestres e o transporte coletivo sobre o veículo particular, prevendo a revitalização de espaços públicos. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS Cada meio de transporte produz uma resposta para uma demanda específica de viagem, e um único meio nunca poderá fazer frente a todas as necessidades de uma maneira sustentável. Em áreas urbanas as pessoas deveriam poder escolher o meio de transporte que mais lhes convenha e usá-lo da maneira mais segura possível. De forma que, os usuários mais vulneráveis devem ser protegidos, evitando assim, conflitos entre os diferentes fluxos de trânsito, e criando-se estruturas adequadas como faixas para bicicletas ou para caminhar. A Agência de Energia Internacional (IEA) previu que o setor de transporte será o principal usuário de energia no ano 2020. Neste mesmo ano o consumo mundial de energia terá crescido cerca de 66%, principalmente em razão dos países em desenvolvimento. O consumo mundial de energia está amplamente baseado ainda em reservas fósseis. No caso do transporte, o petróleo é o responsável por mais de 95% das suas necessidades de energia. Como resultado da motorização, a demanda de óleo é insustentável e o custo de energia pode supor para os países em desenvolvimento uma carga muito pesada quando o óleo é comprado com divisas estrangeiras. Os países em desenvolvimento serão cada vez mais dependentes da energia. Distingue, além disso, ao menos, quatro dimensões básicas: ética, temporal, social e prática, indicando critérios e vetores de sustentabilidade, paradigma e produto do desenvolvimento sustentável, a serem incorporados pela esfera pública, estatal e privada. O desenvolvimento sustentável implica, de um lado, o crescimento do emprego, da produtividade, do nível de renda das camadas pobres, dos capitais (produtivo, humano e social), da informação, do conhecimento e da educação, da qualidade de vida nas cidades e, de outro, a diminuição da contaminação, do desperdício, da E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 16 pobreza e das desigualdades. Os indicadores de progresso confundir-se-iam com a melhoria destes indicadores socioambientais nos espaços urbanos. As estratégias apresentadas foram baseadas em uma visão integrada e sistêmica dos problemas; no caráter otimizador e mobilizador tanto dos meios como dos recursos existentes; no fortalecimento dos mecanismos democráticos e da participação da sociedade; na viabilidade econômica e institucional; na coerência e eficácia para com os macro-objetivos do desenvolvimento sustentável. Embora exista uma diversificação acentuada entre países e regiões, uma mesma oportunidade de acessar ao transporte público está muito longe de ser alcançada. Nos países desenvolvidos a grande maioria de pessoas tem acesso ao transporte público ou a meios privados, e com frequência podem escolher entre ambos. O transporte público, em grande parte dos países desenvolvidos, é altamente subsidiado pelo Poder Público. Os recursos ali aplicados são entendidos como investimento em uma política pública. Deveria ser prioridade. Enquanto isto, nos países em desenvolvimento como o nosso, as gratuidades e os descontos tarifários são suportados pelos usuários do transporte coletivo, geralmente as pessoas mais carentes de renda. Portanto, quando o transporte público não está disponível, as pessoas caminham ou usam a bicicleta. Como as cidades estão crescendo desordenadamente, o tempo de viagem se torna cada vez maior e o acesso aos serviços básicos se torna cada vez mais difícil. Portanto, a sociedade sofre cada vez mais em termos de tempo perdido no trânsito e maior tempo de ida e vinda diária entre a residência e o trabalho. O setor informal, carros e motos contribuem para que os congestionamentos se ampliem. As cidades não investem o suficiente em infraestrutura, piorando as situações que já são problemáticas. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 17 Para se acomodar toda a demanda de viagens em carro seria necessária uma imensa capacidade de vias. Alternativamente o transporte público faz melhor uso do espaço urbano, por ter melhor capacidade. As soluções de sustentabilidade para os movimentos urbanos têm que considerar a economia, o ambiente e a igualdade social. 18 Imagem 04 – Soluções Sustentáveis O modelo de cidade que buscamos, adotando o conceito de Cidade Sustentável do Arquiteto e Urbanista Richard Rogers, deve ser: ● Uma cidade justa, onde a justiça, o habitar pleno, a educação, a saúde e as possibilidades se distribuam devidamente e onde seus habitantes se sintam participantes de seu governo. O grande desafio que deve ser abraçado pela mobilidade urbana é a inclusão de parcelas consideráveis da população na vida das cidades, promovendo a inclusão social à medida que proporciona acesso amplo e democrático ao espaço urbano. Devemos incorporar a definição de Mobilidade Urbana segundo o Ministério das Cidades como o resultado da interação dos deslocamentos de pessoas e bens entre E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS si e com a própria cidade. Isso significa que o conceito de mobilidade urbana vai além do deslocamento de veículos ou do conjunto de serviços implantados para estes deslocamentos. Pensar a mobilidade urbana é mais que tratar apenas transporte e trânsito. Um dos princípios básicos do planejamento é a adoção de um enfoque compatível com a natureza dos problemas e com as oportunidades da implementação de mudanças desejáveis. 19 Imagem 05 – O Círculo Vicioso do Transporte Urbano O espaço economizado pode ser usado para outros propósitos, tais como espaços verdes, espaços abertos, áreas para pedestres, recreação ou comerciais. As cidades não deveriam ser desenhadas para os carros, mas sim para seus habitantes. Contrastando com a situação das grandes áreas urbanas, os problemas de transporte (orientado para o automóvel) nas cidades médias resumem-se usualmente, ao congestionamento em muitas vias. Os congestionamentos ameaçam a viabilidade econômica das cidades e agravam a poluição. O transporte é um dos principais causadores de agentes que propiciam a poluição, sendo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que por volta E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS de 700.000 mortes anuais, podem ser evitadas em países em desenvolvimento se agentes contaminadores fossem reduzidos a níveis mais seguros. O desenvolvimento caótico das cidades ameaça a qualidade de vida e a possibilidade de se resolver os problemas de locomoção da sociedade. A baixa prioridade dada ao transporte coletivo combinada com recursos limitados tem como consequência um baixo nível de investimento em infraestrutura nos países em desenvolvimento no que tange a mobilidade. Além disso, sempre que os governos investem em infraestrutura de transporte o objetivo é sempre voltado a infraestrutura rodoviária (por exemplo: rodovias e espaço, como lugar para estacionamento), não necessariamente o que é mais acessível à grande maioria da população. A poluição causada pelos automóveis, no tocante a saúde, ainda é tratada com descaso; os catalisadores que reduzem em trinta vezes o nível de monóxido de carbono dos carros – que afetam principalmente os indivíduos com problemas cardíacos e respiratórios – equipam apenas 10% dos carros em circulação no mundo (ANTP, 2002). O custo sanitário direto da poluição atmosférica das cidades em países em desenvolvimento foi estimado, em 1995, em quase 100 bilhões de dólares ao ano. Outra dimensão do problema se expressa na apropriação desigual do sistema viário implantado, em que o espaço ocupado pelo automóvel pode ir de 70 a 90%, ao tempo em que responde por 30% do total de viagens e 50% das viagens motorizadas, em São Paulo. A crescente motorização dos deslocamentos das famílias brasileiras, segundo a ANTP (2002), cada vez mais ávidas por possuir o seu próprio automóvel, somado a queda da performance nos serviços públicos de transporte, estão na origem da crise atual, que tem no aumento do transporte clandestino, por peruas e Vans, sua maior expressão, sem mencionar a crescente utilização de motocicletas para deslocamentos de pessoas e bens. Este processo em curso tem implicações E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 20 gravíssimas para a eficiência e a qualidade de vida nas cidades, constituindo uma ameaça à sobrevivência do transporte público regular e integrado. Setores importantes da sociedade começam a clamar por uma nova cultura de mobilidade que promova a apropriação equitativa do espaço e do tempo de circulação urbana, priorizando os modos de transporte coletivo, a pé e de bicicleta, em relação ao automóvel particular, promovendo o reordenamento dos espaços e das atividades urbanas de forma a reduzir as necessidades de deslocamento motorizado e seus custos. A velocidade dos veículos motorizados é a principal causa de mortes em meio urbano. Apesar das ligeiras melhorias que se tem verificado nos últimos anos, a sinistralidade rodoviária continua a ser uma tragédia, pois todos os anos continuam a morrer mais de 40.000 pessoas nas estradas brasileiras. Uma pessoa morre à cada quinze minutos no Brasil. São cento e dez por dia e mais de três mil por mês. Não dá mais para conviver com este quadro. 21 É urgente reduzir a velocidade dos veículos. Este propósito pode ser conseguido, não só através da educação e mudança de mentalidades, mas também com bom desenho urbano e competente engenharia de tráfego. A gestão do tráfego através do desenho urbano é uma técnica já usada há muitas décadas em certos países. Além do custo anual para o país com acidentes, estimados em mais de 190 milhões de reais que poderiam ser destinados à outras precariedades sociais, atrás destes números estão sempre vidas e centenas de famílias destroçadas. Construir mais e mais infraestruturas viárias para resolver o problema do tráfego e da segurança rodoviária é como tentar apagar o fogo com gasolina. É necessário investir em transportes e devolver os centros urbanos aos pedestres. Diversos estudos demonstram que as cidades com maior vitalidade econômica foram as cidades que tiveram em devido tempo, e continuam a ter, uma estratégia continuada de reconquista do espaço que outrora foi atribuído ao automóvel. Está mais que na hora de devolver os espaços públicos para o público. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS O transporte e o sempre crescente volume de tráfego é um dos problemas mais urgentes em nossas cidades. Uma vez que as pessoas perceberam que já não se podem tratar os efeitos de nossa sociedade de consumo exclusivamente com medidas técnicas e de infraestrutura, que de uma forma ou de outra são geralmente muito dispendiosas, não há outra alternativa além de dirigir a atenção para medidas brandas e programas de conscientização para promover um desenvolvimento urbano sustentável e melhorar a qualidade de vida. Uma das técnicas mais simples e eficientes de redução da velocidade dos veículos em meio urbano é através da redução da largura da faixa de rodagem, pois ao reduzir a largura das vias os passeios poderão aumentar, tornando-se espaços de percurso e estadia para conversar, fazer compras ou simplesmente passear. Ademais, controlar a capacidade de estacionamento é a maneira mais eficaz de convencer os (as) motoristas a deixarem seus carros em casa. Restrições de estacionamento, medidas de traffic calming, rodízio de placas e pedágio urbano são as etapas para o combate aos progressivos congestionamentos nas cidades, além da qualificação e prioridade ao transporte coletivo. Um automóvel sobre o passeio, para além de ser uma prática intolerável que mata lentamente as nossas cidades, obriga os pedestres a exporem-se ao perigo e esconde com frequência o movimento de uma criança. A correta prioridade para o desenho urbano privilegiar sistematicamente o automóvel obrigando sempre o pedestre a descer do passeio cada vez que quer atravessar uma rua, tornando a subir para continuar o seu percurso. Em muitos casos é mais apropriado o contrário: obrigar o automóvel a subir para a altura do passeio cada vez que intercepta um percurso de pedestre. O terceiro milênio recém inicia e, com ele, um novo conceito de organização das cidades. A cidade convencional, onde o cidadão é obrigado a fazer um esforço cotidiano de adaptação a uma estrutura na maior parte das vezes deficiente, será E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 22 substituída pela Cidade do Futuro, na qual a estrutura é que deve obrigatoriamente adaptar-se ao cidadão. O arquiteto, urbanista e planificador Ruben Pesci, em publicação na Revista ECOS, denominada A Cidade Sustentável, concluí afirmando que: “Os desejos dos homens são uma alusão metafórica perfeita para o respeito à diversidade, para a necessidade de articular esta necessidade, para que estas articulações sejam sustentáveis no tempo; enfim, para que a cidade sustentável seja possível. Não há sustentabilidade de uma cidade se não são sustentáveis os sonhos dos seres humanos que a habitam” (PESCI, Ruben, 1998, p. mimeo). A Cidade do Futuro, referida pelo autor acima, na qual a estrutura é que deverá obrigatoriamente adaptar-se ao cidadão, quando todas as funções urbanas serão pensadas em conjunto e direcionadas para um mesmo elemento central, o cidadão, resgatando aquele que sempre foi o ideal maior de uma metrópole, ou seja, proporcionar qualidade de vida a todos os seus moradores. Importante ressaltar sempre que cidade com qualidade de vida é, necessariamente, cidade com transporte humano e eficiente, cumprindo o papel para o qual foi concebido: transportar a população com rapidez, segurança, conforto e pontualidade. A cidade orgânica ou o urbanismo funcional que nasceram como resposta à questão social clássica é agora substituída pela cidade fragmentada que expressa em seu espaço a questão social contemporânea: a exclusão social. No século passado a pressão demográfica cresceu ao nível das atividades econômicas nas áreas urbanas, sendo que o mau planejamento urbano resultou no desenvolvimento de cidades e até de grandes metrópoles desorganizadas. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 23 O desafio continua, uma vez que se espera que a população e as atividades continuem crescendo, pois a maioria do desenvolvimento da cidade está nas áreas de baixa densidade, expandindo cada vez mais a área metropolitana. A cidade é palco de permanentes contradições econômicas, sociais e políticas. Essas contradições podem ser vistas nos espaços de circulações nos espaços de circulação da cidade, onde há permanente disputa entre seus diferentes atores, que se apresentam como pedestres condutores e os usuários de veículos motorizados particulares ou coletivos. Nessa nova cidade todas as funções urbanas são pensadas em conjunto e direcionadas para um mesmo elemento central, o cidadão, resgatando aquele que sempre foi o ideal maior de uma metrópole: proporcionar qualidade de vida a todos os seus moradores e moradoras. Dessa forma, o equacionamento adequado do sistema de transportes urbanos é, atualmente, um dos grandes desafios do Brasil e do mundo. Acerca disso, não resta dúvida que um adequado sistema de transporte urbano passa necessariamente pela valorização do transporte público. Uma maior utilização do transporte público é a solução para os problemas de congestionamento, poluição, acidentes, desumanização e outros males que afligem as cidades. Quando se fala de transporte público coletivo, cabe destacar dois aspectos positivos de grande importância. Primeiro, a questão social: o transporte coletivo é o único modo motorizado acessível à população de baixa renda que oferece total segurança. Segundo, o caráter democrático: o transporte público é, muitas vezes, a única forma de locomoção para os que não tem automóvel, não podem ou não querem dirigir. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 24 Imagem 06 – Os Problemas de Mobilidade São Mundiais. A facilidade de deslocamento de pessoas, que depende das características do sistema de transporte de passageiros, é um fator importante na caracterização da qualidade de vida de uma sociedade e, por conseqüência, do seu grau de desenvolvimento econômico e social. “Atualmente, todos os que prezam as cidades estão incomodados com os automóveis. As artérias viárias, junto com estacionamentos, postos de gasolina e drive-ins, são instrumentos de destruição urbana poderosos e persistentes. Para lhes dar lugar, ruas são destruídas e transformadas em espaços imprecisos, sem sentido e vazios para qualquer pessoa a pé” ( JACOBS, Jane, 2000, p.379). A mobilidade é, sem dúvida, o elemento balizador do desenvolvimento urbano. Proporcionar uma adequada mobilidade para todas as classes sociais constitui uma ação essencial no processo de desenvolvimento econômico e social das cidades. O equacionamento adequado do transporte urbano é hoje uma preocupação de todos os países, pois a maioria da população mora nas cidades. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 25 A partir das mudanças no enfoque do desenvolvimento sustentável conferidos pela Comissão Mundial de Desenvolvimento e Meio Ambiente, no encontro das nações no Rio – 92, onde foram discutidos os novos parâmetros para o crescimento econômico e a preservação do meio ambiente, há uma nova definição sobre as formas de organização e gestão das cidades. Estes novos marcos da gestão urbana são apontados como os seguintes (MALTA, 1997; WILHEIM, 1998): 26 Imagem 07 – Marcos da Gestão Urbana A primeira e principal tarefa que se coloca aos gestores do ambiente urbano e das cidades seria a de reorganizar o sistema de gestão. A esta reorganização, ou reestruturação do sistema e das formas organizacionais da gestão se denominam os novos marcos da gestão urbana, conforme os urbanistas MALTA (1997) e WILHEIM (1998). Destaca-se, aí a incorporação da variável ambiental, estando a questão dos transportes no meio urbano sido um enfoque fundamental para pensarmos no futuro da vida das cidades. O marco teórico utilizado, segundo o documento acima citado, considera duas noções-chave para o tema Cidades Sustentáveis: a de sustentabilidade ampliada, que trabalha a sinergia entre as dimensões ambiental, social e econômica do E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS desenvolvimento; e a noção da sustentabilidade progressiva, que trabalha a sustentabilidade como um processo pragmático de desenvolvimento sustentável. É dentro desse quadro complexo de reorganização ou reestruturação do sistema e das formas organizacionais da gestão urbana, que situamos os grandes desafios do transporte público. Setores importantes da sociedade começam a clamar por uma nova cultura de mobilidade que promova a apropriação eqüitativa do espaço e do tempo de circulação urbana, priorizando os modos de transporte coletivo, a pé e de bicicleta, em relação ao automóvel particular, promovendo o reordenamento dos espaços e das atividades urbanas de forma a reduzir as necessidades de deslocamento motorizado e seus custos. A projeção de novas alternativas aos usuários do modal bicicleta certamente vai oportunizar a utilização com segurança nas cidades. 27 Sabemos que a deterioração da qualidade de vida nos centros urbanos brasileiros, em que pese as suas múltiplas causas pode ser detida em grande parte através da adoção de uma política de mobilidade urbana que considere o espaço urbano e o tempo como bens escassos e não substituíveis (FERRAZ e TORRES, 2002). Assim, o transporte público, em suas diferentes modalidades, a integração em rede dos diferentes modos de transporte e o gerenciamento destinado à apropriação equitativa do sistema viário são as melhores respostas para se assegurar mobilidade para pessoas e bens. A recuperação das áreas verdes, hoje comprometidas para estacionamentos, o aumento da acessibilidade às áreas centrais adensadas e às áreas destinadas exclusivamente a pedestres, tudo isso pode ser garantido pelo Transporte Público, que organizado em rede, deve assegurar o acesso a todos àqueles equipamentos E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS de interesse coletivo como universidades, centros esportivos e culturais, museus e parques, além dos locais de trabalho (ANTP, 2002). Uma política de mobilidade implica em exigir que os serviços públicos de transporte respondam ao conjunto das necessidades de deslocamentos das pessoas e não se limitem a atender com oferta de viagens entre os locais de trabalho e de moradia. A mobilidade é um tributo associado às pessoas e aos bens, correspondendo às diferentes respostas dadas por indivíduos e agentes econômicos às suas necessidades de deslocamento, considerando-se as dimensões do espaço urbano e a complexidade das atividades nele desenvolvidas (AFFONSO, 2002). 28 Imagem 08 – Saturação das Vias, Dificultando a Mobilidade Humana. Face à mobilidade, os indivíduos podem ser pedestres, ciclistas, usuários de transporte coletivo, motoristas, podendo utilizar-se do seu esforço direto (deslocamento a pé) ou recorrer a meios de transporte não motorizados (bicicletas, carroças, cavalos) e motorizados (coletivos e individuais). A mobilidade também pode ser afetada por outros fatores como a renda do indivíduo, a idade, o sexo e a capacidade (reduções à mobilidade permanentes e provisórias), sendo que em resposta a essas condições, o meio urbano oferece condições desiguais de acessibilidade (AFFONSO, 2002). E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS Ainda segundo AFFONSO (2002), as características dos terrenos e o tratamento físico dado às vias e aos passeios, a existência de redes regulares de transporte urbano, a qualidade dos seus serviços e o preço dos mesmos, a sinalização e os sistemas de controle do uso do sistema viário são fatores que contribuem para tornar a cidade mais ou menos acessível. Do ponto de vista da ANTP (2002), uma melhor qualidade de vida para as cidades brasileiras implica na adoção de medidas destinadas a garantir uma mobilidade urbana que vise a acessibilidade para todos os serviços, bens e oportunidades existentes, que assegure a segurança e minimize os fatores geradores de acidentes e mortes. A entidade entende como primordial a melhoria das condições ambientais, reduzindo a poluição e os desperdícios de energia, potencializando o desenvolvimento econômico e reduzindo os custos e tempo empregado na produção. A mobilidade urbana deve ser entendida como função pública que vise assegurar a acessibilidade universal, requerendo: Promoção de um desenvolvimento urbano que aponte para uma melhor distribuição das funções urbanas no território; Ordenação legal e institucional que dê estabilidade à ação do estado no setor e às suas relações com a iniciativa privada; O emprego dos melhores meios para tornar acessível à cidade através de uma política tecnológica voltada para o aperfeiçoamento dos serviços e da gestão pública; Uma gestão de recursos que distribua os ônus da mobilidade e garanta a sustentabilidade dos diferentes agentes a um preço tolerável para os usuários e a população em geral. Em nosso país, ainda de acordo com AFFONSO (2002), a mobilidade está relegada, na maioria dos casos, à capacidade e aos meios de que dispõem os diferentes segmentos sociais para equacioná-la. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 29 Ainda não existe uma política pública de mobilidade consagrada, visando a acessibilidade para todos, embora muitas conquistas devam ser destacadas – a Constituição Brasileira quando define a essencialidade do serviço de transporte público; o Código de Trânsito Brasileiro – CTB, quando enumera os instrumentos para a regulação pública do uso do sistema viário, disciplinando seu uso pelos seus diferentes atores; a legislação federal destinada a tornar acessível o ambiente urbano para os indivíduos portadores de necessidades especiais. Isto ainda é insuficiente para criar nos governos e na sociedade uma convicção acerca de que a mobilidade é função pública destinada a garantir a acessibilidade para todos, e que esse objetivo implica na obediência a normas e prioridades que atendam às diferentes demandas de deslocamentos, contribuindo para a redução dos efeitos negativos provocados pelo uso predominante do automóvel. A deterioração da qualidade de vida nos grandes centros urbanos brasileiros, em que pesem as suas múltiplas causas, pode ser detida em grande parte através da adoção de uma política de mobilidade urbana que considere o espaço urbano e o tempo como bens escassos e não substituíveis (FERRAZ e TORRES, 2002). Uma infraestrutura imprópria e um regramento de trânsito inadequado produz um uso misto e incorreto da existente. Isto gera conflitos entre pedestres/bicicletas e veículos motorizados, trazendo, como consequência, um alto índice de acidentalidade mortal ou com ferimentos graves. A maioria das vítimas é pedestre ou condutor de veículos de duas rodas. O transporte público, em suas diferentes modalidades, a integração em rede dos diferentes modos de transporte e o gerenciamento destinado à apropriação equitativa do sistema viário são as melhores respostas para se assegurar mobilidade para pessoas e bens. A recuperação das áreas verdes, hoje comprometidas para estacionamentos, o aumento da acessibilidade às áreas centrais adensadas e às áreas destinadas exclusivamente a pedestres, tudo isso pode ser garantido pelo Transporte Público, que organizado em rede, deve assegurar o acesso a todos E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 30 àqueles equipamentos de interesse coletivo como universidades, centros esportivos e culturais, museus e parques, além dos locais de trabalho. Uma política de mobilidade implica em exigir que os serviços públicos de transporte respondam ao conjunto das necessidades de deslocamentos das pessoas e não se limitem a atender com oferta de viagens entre os locais de trabalho e de moradia. Por outro lado, o transporte urbano de pessoas e de mercadorias deve ser entendido como um componente do ambiente mais amplo e, consequentemente, em permanente interação com os demais componentes. Os impactos da operação do transporte e da circulação nas vias e calçadas devem assim ser analisados no contexto mais amplo, incluindo o uso e ocupação do solo, os acidentes de trânsito, a emissão de poluentes, a produção de ruídos e vibrações e a interferência no espaço de vivência e de comunicação das pessoas. Com isso, é possível e desejável que as análises de impactos ambientais sejam mais amplas, de forma a evidenciar as diferenças na produção dos efeitos ambientais negativos entre vários modos de transporte, principalmente os modos motorizados (ANTP, 2002). Assim, a qualidade no transporte público urbano deve ser contemplada com uma visão geral, isto é, deve considerar o nível de satisfação de todos os atores direta ou indiretamente envolvidos no sistema: usuários, comunidade, governo, trabalhadores do setor e empresários do ramo. Para obter a qualidade global no transporte público urbano é fundamental que cada um dos atores tenha os seus objetivos bem definidos, conheça os seus direitos e obrigações e saiba realizar com eficiência e qualidade as suas tarefas ou ações, correspondendo à capacitação do sistema (FERRAZ e TORRES, 2002). Os autores lembram também ser vital que todos os atores conheçam os objetivos, os direitos e as obrigações dos demais, e que haja um permanente intercâmbio de ideias entre eles, a fim de que os problemas sejam resolvidos com a participação de todos, correspondendo à democratização do sistema. Esta abordagem insere-se E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 31 num dos novos marcos de gestão urbana, como afirma WILHEIM (1998), ou seja, a necessidade do fortalecimento dos diferentes canais de participação da população no planejamento das cidades. Conforme afirma AFFONSO (2002), para enfrentar os novos desafios do planejamento urbano e regional é necessário entender que: “A Mobilidade Urbana é ao mesmo tempo causa e efeito do desenvolvimento urbano e integra as ações dos principais agentes e fatores que afetam a forma como uma cidade se desenvolve. O Estado, o setor privado, os indivíduos, os processos migratórios, o valor da terra urbana e a dinâmica da economia são fatores que interagem de forma complexa produzindo o meio urbano em que vivemos e geram as necessidades de deslocamento das pessoas e dos bens”. O cenário mundial dominado por comunicações instantâneas está dando lugar a novas tramas de relações urbanas, com novas noções de tempo e espaço alterando radicalmente a organização da economia e da sociedade em seu conjunto e, como não poderia deixar de ser, a organização das relações internas das cidades. Cabe ressaltar que, cada vez mais, em todo o mundo, desenvolvimento urbano e qualidade de vida andam juntos como faces do mesmo problema – e da mesma solução. Nos últimos anos, os mais importantes projetos de revitalização urbana implantados na Europa, na América do Norte e na América Latina, têm tido como principal elemento estruturador a implantação de um sistema moderno de transporte de massa. Nestes projetos, a alta qualidade de vida proporcionada pelo transporte coletivo tem contribuído diretamente para a recuperação de áreas urbanas degradadas, atraindo investidores privados com a expectativa de negócios. É exatamente esse um dos eixos do projeto que deve ser o timoneiro na construção das cidades, ou seja, o desenvolvimento econômico com sustentabilidade. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 32 Pensar a mobilidade urbana é, portanto, pensar sobre como se organizam os usos e a ocupação da cidade e a melhor forma de garantir o acesso das pessoas e bens ao que a cidade oferece (locais de emprego, escolas, hospitais, praças e áreas de lazer) não apenas pensar os meios de transporte e o trânsito. Para construir uma política de mobilidade urbana, precisamos olhar também para como as atividades estão localizadas no território. E olhar para como a cidade cresce, como as pessoas e mercadorias se deslocam nesse território. Dessa forma, estaremos pensando em quais serão as diretrizes e princípios que são importantes para que as cidades proporcionem uma boa mobilidade urbana, sustentável e socialmente inclusiva. Nos chamados estudos urbanos, podemos identificar basicamente três importantes áreas: A) Planejamento Urbano – cuja função é a de definir as formas como o solo será ocupado e usado, bem como o tipo e as características gerais da infraestrutura (saneamento, habitação, transportes). B) Planejamento de Transportes – cuja função é a de detalhar os sistemas de transporte de pessoas e mercadorias no espaço urbano (vias, veículos). C) Engenharia de Tráfego – cuja função é a de ordenar a circulação no espaço dado, já definidos com o uso do solo e os equipamentos básicos, regulamentando esta ordenação por meio de sinalização e fazendo o seu acompanhamento diário. Na imprensa, bem como no seio da sociedade, o tema “trânsito” começou a ganhar espaço crescente junto à população, não apenas sobre as condições de trânsito, mas também sobre os aspectos urbanísticos da questão – o crescimento desordenado das cidades – e sobre as possíveis soluções, dentre as quais as necessárias obras no sistema viário. O trânsito depende de um tripé, onde todos são fundamentais: educação, esforço legal e engenharia. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 33 A educação como forma de qualificação do ser humano e prevenção de problemas. Para atender essa demanda, devemos constituir uma Escola Pública de Trânsito – EPT, como instrumento de atuação sistemática junto a sociedade, com o objetivo de mudar o quadro atual. O esforço legal, fiscalização e legislação, com o papel de proteção à cidadania como forma de alavancar o processo de educação e fiscalização. A engenharia como importante ação para concretizar espaços públicos mais seguros e de orientação à sociedade. A política a ser perseguida é a busca da mobilidade urbana sustentável, entendida como a realização desses deslocamentos sem comprometimento do ambiente, das áreas e atividades urbanas e do próprio transporte. Deve-se adotar como princípios para o desenvolvimento da mobilidade sustentável, buscando a construção de um novo conceito de cidade, como segue: 34 Imagem 09 – Princípios da Mobilidade Sustentável E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS Temos que aprender a redesenhar o espaço urbano dando-lhe mais características de “sala de estar” em vez dos atuais “corredores”. Isto é potencializar as atividades de convivência em detrimento da utilização “de passagem”. É necessário apostar na aplicação de medidas de acalmar o tráfego, nos nossos bairros, em torno das nossas escolas e em muitas das nossas estradas. Mas não é através da segregação forçada entre modos de transportes que se conseguirá uma verdadeira cultura de segurança e civismo. Em muitas circunstâncias a aposta dever ser dirigida à conveniência do espaço público em situações de coexistência devidamente ponderadas e desenhadas. É importante que esta nova aproximação ao desenho urbano seja feita com competência e legitimado pelo nosso Código de Trânsito Brasileiro. No entanto estes princípios de desenho urbano e acalmar o trânsito não devem ser entendidos como do domínio dos técnicos de planejamento, arquitetura e urbanismo ou engenharia, devendo ter a participação ativa de todos os atores sociais. Deve ser aprendido por todos os agentes que fazem a cidade ser como é: condutores, políticos, técnicos, agentes de autoridade, etc. Só assim se interioriza uma cultura de respeito e segurança. Da mesma forma que um condutor de veículos pesados deve ter um comportamento que não cause nenhum perigo a um automóvel, assim se deverá comportar o automóvel em relação aos ciclistas e este em relação aos pedestres. A sociedade deve exigir que a lei e a atuação das forças policiais, tornem bem claro que qualquer comportamento agressivo em espaço público não pode ser tolerado. O desenho urbano deve ter como fim a realização plena da urbanidade, a fruição do espaço e fomentar a participação democrática da cidadania. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 35 De acordo com o relatório do Expert Working Group on Sustainable Urban Transport Plans, de 2004, um Plano de Mobilidade Sustentável deverá abordar o deslocamento de pessoas e mercadorias e apresentar os seguintes objetivos gerais: 36 Imagem 10 – Objetivos Gerais da Mobilidade Sustentável Uma política que pretenda dar resposta à necessidade de uma mobilidade sustentável deve ser: E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS Imagem 11 – Conceitos Fundamentais da Mobilidade Sustentável Mais do que legislar relativamente à elaboração de instrumentos de gestão da mobilidade, é necessário clarificar noções e criar um referencial comum de boas práticas que oriente as intervenções nesta matéria. Na Constituição Brasileira de 1988, pela primeira vez na história, ficou definido que a terra e a propriedade devessem cumprir uma função social. A Lei Federal n°. 10.257, de 10 de julho de 2001, denominada de Estatuto da Cidade, estabeleceu normas de ordem pública e interesse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo, da segurança e do bem-estar dos cidadãos, bem como do equilíbrio ambiental. O Estatuto da Cidade foi, portanto, o resultado de muitas décadas de lutas pela Reforma Urbana no país e que teve mais de dez anos de tramitação no Congresso Nacional. Importante lembrar que as cidades, no mundo inteiro são a expressão territorial da desigualdade. Segundo o HABITAT 2003, no mundo existiam mais de um bilhão de pessoas vivendo em favelas, ou seja, um terço da população do planeta. Dentro deste quadro mundial, é importante registrar que as cidades brasileiras são o E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 37 resultado de modelo de planejamento e gestão urbana excludentes, concebido no período da ditadura militar, com o poder concentrado em Brasília e que foi reproduzido nos estados e municípios, gerando um enorme quadro de desigualdades nas áreas urbanas. O planejamento era decidido na capital federal e reproduzido nos outros entes federativos como se todos fossem iguais. Era decidido, literalmente, por meia dúzia. O resultado desse modo centralizado, autoritário e que defendia os direitos de uma minoria foi a exclusão territorial da maioria. Cidade formal 38 Cidade informal Imagem 12 – As Muralhas das Cidades Cidade formal e cidade informal, cidade legal e cidade ilegal foi o resultante do modelo adotado no período de exceção. As muralhas das cidades da idade média foram, em pleno século XXI, transformadas em muralhas invisíveis, como resultado de um processo de exclusão social. São muitos os aspectos territoriais do processo de urbanização brasileiro, como abaixo, resultando cidades injustas. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS ASPECTOS TERRITORIAIS DO PROCESSO DE URBANIZAÇÃO O CRESCIMENTO DESORDENADO CENTRALIDADES E PERIFERIAS OCUPAÇÕES DE ÁREAS IMPRÓPRIAS E DE VULNERABILIDADE AMBIENTAL * IRREGULARIDADE * ADENSAMENTOS * VERTICALIZAÇÕES * ÁREA DE RISCO * VAZIOS URBANOS Imagem 13 – O Crescimento Desordenado das Cidades A população mais pobre é obrigada a ocupar áreas que deveriam ser protegidas, tais como as encostas, as beiras de rios e arroios, as faixas de domínio de estradas, entre outras. Com isso, todos perdem: Cidadania ambígua e incompleta dos moradores dos assentamentos informais; Expansão e adensamento das periferias urbanas distantes, produzindo assentamentos infraequipados para os mais pobres; Criação de novos eixos de expansão urbana para a classe média e alta com a geração de vazios urbanos e áreas subocupadas, aumentando o custo da cidade; Ocupação urbana precária de áreas de interesse ambiental. As cidades foram crescendo e se transformando em função da ação cotidiana de inúmeras pessoas ou grupos, cada um com seus interesses. Enquanto isso, até a aprovação do Estatuto da Cidade, os Planos Diretores foram sendo elaborados por interlocutores tradicionais que conhecemos muito bem. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 39 Quando nos damos conta, as cidades apresentam problemas para todos os lados: • O depósito de lixo fica ao lado da nascente; • O cemitério contamina o solo; • O período de chuvas provoca desmoronamento e destrói a pavimentação, destrói casas; • Uma cidade polui a água do rio que o município vizinho usa para beber… Imagem 14 – Os Problemas nas Cidades sem Planejamento Adequado Loteadores, grandes proprietários de terras, incorporadores imobiliários, empresários da construção civil, profissionais de arquitetura, urbanismo, engenharia, direito, entre outros, além de alguns técnicos das administrações públicas, prefeitos, vereadores, assessorias de todos os níveis, levando em consideração apenas os interesses de uma pequena parte da sociedade. Felizmente, este quadro, depois de muitas décadas de luta pela Reforma Urbana, teve a Cidade como lugar de lutas. • CIDADE COMO LUGAR DE LUTAS • Sociedade se organiza; • Busca de Projetos Alternativos; • Luta pela reversão do processo crescente de pobreza; • Reformas estruturais; • Busca de um NOVO MODELO DE DESENVOLVIMENTO. Imagem 15 – A Cidade como Lugar de Lutas Os resultados obtidos a partir da Constituição Federal de 1988, com a retomada das lutas pela Reforma Urbana, chegaram ao auge com a criação do Ministério das E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 40 Cidades, as Conferências das Cidades nos três níveis de governo, a criação do ConCidades e a aprovação do Estatuto da Cidade, originaram um novo modelo de planejamento. A criação do Ministério das Cidades, em janeiro de 2003, teve como missão o combate as desigualdades sociais, transformando as cidades em espaços mais humanizados, ampliando o acesso da população à moradia, ao saneamento, ao lazer e ao transporte, contemplando antiga reivindicação dos movimentos sociais de luta pela Reforma Urbana. Dentre os princípios fundamentais que a Constituição Brasileira elenca encontramos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana que só poderão ser efetivamente observados e efetivados diante da proteção daquele ente maior que os estabeleceu, ou seja, o Estado. A Constituição Federal trouxe para o direito inúmeras inovações e dentre elas algumas formas de intervenção na propriedade urbana, a fins de organizar a cidade e o bem estar dos cidadãos que lá residem. Trouxe, também, maior competência aos Municípios, permitindo-os legislar sobre assuntos de interesse local, instituir e arrecadar seus tributos, bem como promover o adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso do solo urbano. A Constituição Federal inseriu em seus comandos capítulo próprio atinente à política urbana, constando deste ordenamento a tributação como forma de controle de ocupação do solo urbano. A disposição encontra-se no artigo 182 da Carta Magna, onde a União deixa ao encargo do Poder Público Municipal estabelecer a incidência tributária com efeito penalizador e como indutora de comportamento para aqueles que possuem a propriedade de áreas não utilizadas, subutilizadas ou não edificadas no espaço urbano do município. Nele está inserida uma política de ocupação do solo urbano para assegurar a função social da propriedade. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 41 O dispositivo visa ordenar a ocupação do solo impedindo a proliferação dos vazios urbanos e da especulação imobiliária propiciando o atendimento do aspecto social. Todos os cidadãos e cidadãs devem possuir condições dignas de habitabilidade bem como a distribuição dos serviços públicos essenciais, tais como a distribuição de equipamentos de consumo coletivo, como sistemas de drenagem, saneamento, saúde e educação. A norma posta no artigo 182, mais precisamente no parágrafo quarto, criou o Imposto Predial e Territorial Urbano progressivo no tempo, dando competência aos municípios para instituí-lo desta forma como controle de política urbana. O Imposto Predial e Territorial Urbano trata-se de um tributo de competência municipal, conforme dispõe a Constituição Federal, em seu artigo 156, I. Isto quer dizer que a Carta Magna autoriza os entes municipais a instituírem e a exigirem o referido tributo. A função social da propriedade leva, especificamente, a que o titular do direito seja obrigado a fazer, a valer-se de seus poderes e faculdades, no sentido do bem comum. Com a edição do Estatuto da Cidade, que possibilita a implementação do Imposto Predial e Territorial Urbano progressivo no tempo, poderão desaparecer os vazios urbanos em locais de interesse do Poder Público Municipal. Poderá ser minimizada a especulação imobiliária dando lugar à ocupação de áreas necessárias à moradia de muitos que não possuem nem opção e nem esperança de conseguir um local para morar. Portanto, o Plano de Mobilidade Urbana de Presidente Prudente, será desenvolvido sobre o conceito de Mobilidade Sustentável, que inclui o pedestre, os transportes em seus diferentes modais e o trânsito. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 42 As propostas indicadas no Plano de Mobilidade Urbana de Presidente Prudente são fundamentadas a partir dos dados obtidos através da revisão bibliográfica pertinente, da articulação com os planos e projetos existentes da Prefeitura Municipal de Presidente Prudente e nos levantamentos de campo e na tabulação dos dados da pesquisa do trânsito na cidade de Presidente Prudente. 43 E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 3. PRESIDENTE PRUDENTE O Município de Presidente Prudente está situado no interior do estado de São Paulo, à oeste da capital paulista, distando desta cerca de 558km. O município ocupa uma área de 562,107 km², sendo 16,56 km² de área urbana. Sua população foi estimada no ano de 2010 em 207.625 habitantes, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Presidente Prudente está subdivida em 220 bairros e em cinco distritos: Ameliópolis, Eneida, Floresta do Sul, Montalvão e a Sede. 44 Imagem 16 – Mapa de Localização do Estado de São Paulo e da Cidade de Presidente Prudente O município ainda apresenta o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,846, considerando como elevado em relação ao estado, consolidando a pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, publicada na revista Você S.A., que aponta Presidente Prudente como a 27ª colocada no ranking das cidades mais promissoras para se construir uma carreira profissional. A história da colonização da cidade é nitidamente percebida no desenvolvimento do traçado do sistema viário. Com a presença do Coronel Francisco de Paula Goulart, marcou um limite separatório entre a fazenda e a cidade, hoje Avenida Washington Luiz, que indicava os primeiros limites que se tornaria o limite da área central. A Estrada Férrea tornou-se o segundo divisor do Município, tendo a área da esquerda colonizada pelo Coronel Francisco de Paula Goulart e a área da direita da E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS Estrada de Ferro, era colonizada pelo Coronel José Soares Marcondes. Com a estratégica posição geográfica, e o cultivo do café em ascensão, rapidamente novos núcleos urbanos foram surgindo na margem da linha férrea. A diferença do traçado viário entre as duas forças dos colonizadores é facilmente percebida. Por um lado, um traçado ortogonal e regular, por outro uma ocupação orgânica, dificultada pela topografia acidentada. Presidente Prudente tornou-se ponto importante de passagem, para acessar Mato Grosso do Sul e Paraná e a potencial ligação com o Oeste Paulista. Somado ao entroncamento viário das Rodovias Estaduais, o Município ainda localiza-se próximo a Hidrovia Tietê-Paraná, que facilita o escoamento para o MERCOSUL. A ferrovia por sua vez faz ligação com Paranaguá, Santos e São Francisco do Sul, sendo uma corrente importante de ligação entre Leste – Oeste do País. Tornando-se a capital do Oeste Paulista, Presidente Prudente, atende a toda a região em diversos setores econômicos e institucionais. Atualmente o Município dispõe de cinco hospitais públicos e onze estabelecimentos privados, entre hospitais, clinicam e institutos de saúde. Quanto ao ensino superior, há três universidades e duas faculdades, além de sete instituições de ensino a distância. As cidades do entorno, ainda contam com quatro hipermercados e três centros comerciais, estrategicamente instalados em Presidente Prudente. A oferta de emprego também é atrativa para a população vizinha. Mediante ao exposto, identifica-se uma dependências dos Municípios próximos, em saúde, educação e econômica, o que gera uma população flutuante diária e sazonal de seus habitantes. Com isso a demanda de viagens e de infraestrutura das vias é ainda maior. Dessa forma, a cidade cria três principais zonas geradoras de tráfego: pela oferta comercial e de serviços, no quadrilátero central; pela localização dos hipermercados, shopping e instituições educacionais (como o SENAC e a UNESP e outras), no E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 45 cruzamento com a Avenida Manoel Goulart x Rua Dr. João Gonçalves Foz x Avenida Washington Luiz; e outra zona nas proximidades dos hospitais na Avenida Luiz Cezário e Rua José Bongiovani, como demonstrados na imagem abaixo. 46 Imagem 17 – Mapa com os Principais Pontos Geradores de Tráfego na Cidade Desta forma, o Plano de Mobilidade visa também identificar essa realidade do município, de forma a integrar os diferentes modais, tornando-a democraticamente acessível. Para isso, as medidas adotadas no desenvolvimento deste Plano de Mobilidade Urbana, estão alinhadas com o Projeto de Reestruturação do Transporte Coletivo, ao Projeto de Tratamento dos Pontos Críticos, com o Projeto Calçada Legal, e o Projeto da Rede Cicloviária Integrada, para assim direcionar o desenvolvimento da cidade de forma organizada, priorizando o pedestre, ciclistas e o transporte coletivo. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 47 Imagem 18 – O Plano de Mobilidade Urbana Para a realização do Plano de Mobilidade Urbana é necessário a elaboração de uma base de informações de demanda e de oferta dos transportes na cidade, em conjunto com análise das condições dos passeios e com a atratividade urbana disponível. Para tanto foi obtido dados com a Prefeitura Municipal de Presidente Prudente como a indicação dos cruzamentos de maior complexidade, diretrizes projetuais já em desenvolvimento e os principais interesses da cidade. A Prefeitura disponibilizou informações sobre possíveis locais para a implantação dos terminais de integração do transporte coletivo, o que contribuiu para o desenvolvimento do Projeto de Reestruturação do Transporte Coletivo. Foram feitas ainda pesquisas de campo, onde a partir dos dados obtidos foi possível definir os principais pontos críticos que necessitarão de intervenções nos próximos anos. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS Este trabalho apresentará a demanda de tráfego veicular, atual dos principais cruzamentos da cidade, a demanda para os próximos 05 (cinco), 10 (dez) e 15 (quinze) anos. O relatório introduz o Projeto da Rede Cicloviária Integrada, apresentando o conceito deste novo modal, características favoráveis e menos favoráveis do uso da bicicleta, os objetivos principais a serem alcançados e a rede cicloviária proposta. Na próxima etapa do Plano de Mobilidade Urbana, será apresentado o Projeto de Tratamento dos Pontos Críticos, Projeto Calçada Legal, com diretrizes articuladas com o Plano Diretor Municipal. O Projeto de Reestruturação do Transporte Coletivo será apresentado em relatório específico e, portanto não estará desenvolvido neste volume. 48 E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 4 PROJETO REDE CICLOVIÁRIA INTEGRADA No país há uma grande demanda de ciclistas, que atinge todas as faixas etárias e classes sociais, pela facilidade de obtenção e manutenção da bicicleta, tornando-se um meio de locomoção altamente inclusivo. No entanto, o ciclista é o modo de transporte frágil no contexto do sistema viário das cidades, se contrapondo a flexibilidade, agilidade do seu deslocamento. A maior parte do sistema de tráfego na cidade não contempla áreas adequadamente adaptadas e pistas exclusivas para os deslocamentos de ciclistas na malha viária. No entanto, as possibilidades de uso da bicicleta como meio de transporte habitual, lazer e a prática esportiva indicam a revisão do paradigma dos deslocamentos em Presidente Prudente, de forma que a promoção deste meio de transporte é totalmente compatível com a Política Nacional de Mobilidade Urbana Sustentável incentivada no Brasil. 49 Este trabalho busca adequar o transporte por bicicletas na matriz dos deslocamentos urbanos, de forma a permitir a integração com outros modais de transporte urbano. Implantar o uso da bicicleta de acordo com o Ministério das Cidades tem por objetivo reduzir o impacto dos deslocamentos motorizados e a degradação do meio ambiente. O uso crescente de bicicletas nos centros urbanos tem se mostrado uma alternativa sustentável para os deslocamentos individuais. Para que a bicicleta seja vista como meio de transporte para diferentes atividades e classes sociais, é necessário revisar o desenho urbano e as formas de ocupação do espaço coletivo. A integração da bicicleta nas ações de mobilidade urbana nas cidades vem para enriquecer o sistema de tráfego urbano, uma vez que promove a inclusão social através do acesso democrático do espaço público e a valorização dos deslocamentos dos ciclistas. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS Para o desenvolvimento da Rede Cicloviária Integrada de Presidente Prudente, deve ser pensando muito além de aspectos estruturais de engenharia construtiva, como ciclovias, passarelas ou bicicletários, mas requer associado a essas ações a conscientização da comunidade que o deslocamento a pé e por bicicleta, é uma excelente opção para melhorar a qualidade de vida. Esse estímulo deve estar associado a promoções público-privadas, de forma que o usuário de bicicleta seja atendido nas suas necessidades em diferentes setores da cidade. Da mesma forma que o motorista do veículo particular, necessita de sinalização, vias e áreas de estacionamento, o ciclista, também deve ter os mesmos itens atendidos. O projeto cicloviário desenvolvido para Presidente Prudente visa garantir cinco diretrizes básicas para a motivação do usuário, de acordo com o que determina o Ministério das Cidades: 50 Imagem 19 – Diretrizes Básicas do Projeto da Rede Cicloviária Integrada E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS Para a inclusão da bicicleta na matriz de deslocamento de Presidente Prudente, é necessária a revisão dos aspectos favoráveis e menos favoráveis do uso da bicicleta, comprovando a viabilidade do deslocamento por este modal e as justificativas de investimentos. Entre os principais aspectos favoráveis ao uso da bicicleta está: 51 Imagem 20 – Aspectos Favoráveis ao Uso da Bicicleta Quanto os aspectos menos favoráveis, ao uso da bicicleta estão elencados cinco itens, que facilmente são minimizados com a implantação de pistas exclusivas para os ciclistas, rotas claras e diretas, sinalização pertinente e iluminação e paraciclos disponíveis ao longo do percurso. Imagem 21 – Aspectos Desfavoráveis ao Uso da Bicicleta E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS Todo o trajeto que compõem o sistema cicloviário, visa atender os diferentes setores da cidade, beneficiando todas as classes sociais e oportunizando uma nova forma de deslocamento mais econômico e integrado com o transporte coletivo. Para consolidação da proposta, cinco objetivos devem ser atendidos, visando à promoção de cidades sustentáveis, para um trânsito humanizado, promovendo a inclusão social. 52 Imagem 22 – Objetivos Gerais da Rede Cicloviária Integrada E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS Os percursos já desenvolvidos pela Prefeitura Municipal são fundamentais para o arranjo completo do sistema, aproximando as regiões perimetrais do Município aos centros de interesse. Os trajetos visam atender os principais pontos de interesse do município, aproximando os deslocamentos para a escola, universidades, serviços públicos e comércio em geral. O mapa que segue apresenta a proposta final da Rede Cicloviária Integrada, que será descrita detalhadamente no Anexo V – Rede Cicloviária Integrada. 53 Estação de Integração do Transporte Coletivo Rede Cicloviária Imagem 23 – Rede Cicloviária Proposta E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 5 PROJETO CALÇADA LEGAL “A calçada é o caminho que nos conduz ao lar. Ela é o lugar onde transitam os pedestres na movimentada vida cotidiana. É através dela que as pessoas chegam aos diversos pontos do bairro e da cidade. A calçada bem feita e bem conservada valoriza a casa e o bairro.” CREA-MS,2009 A origem da rua vem do espaço para ações, revoluções e celebrações, porém ao longo de toda a história, o tratamento deste espaço de domínio público foi sendo alterado de acordo com as necessidades da comunidade que a empregava. Com o aumento da circulação de veículos motorizados, as calçadas delimitaram o espaço exclusivo para os pedestres, com o objetivo de tornar o deslocamento seguro e confortável. Contudo, a expansão da circulação de veículos, em especial os particulares, passou a exigir mais espaços e ganhou cada vez mais atenção nas políticas públicas. Duas consequências são facilmente percebidas no cenário urbano atual: máxima redução do espaço público destinado ao pedestre, para ampliação do espaço dos veículos, e o abandono dos investimentos públicos nos espaços destinados à circulação a pé. A contínua expansão do sistema viário elevou a redução de calçadas, canteiros centrais, praças e todos os espaços públicos que pudessem ser transformados em uma pista nova, uma faixa de rolamento adicional ou área de estacionamento. Esta mesma situação é percebida nos lotes privados, na qual jardins e quintais foram serem reduzidos para dar lugar às garagens. As calçadas passaram a serem compreendidas como espaço remanescente da caixa viária. Apesar de fazer parte da via públicas as Prefeituras definiram como obrigatoriedade do proprietário do lote executar a calçada. Contudo, a falta de E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 54 fiscalização, conservação e de manutenção, somadas a uma ofensiva generalizada de intervenções privadas em frente a cada lote, criando desníveis, degraus e outras barreiras à circulação das pessoas, em especial as portadoras de necessidades especiais, como também uma mãe com um carrinho de bebê. Com a omissão dos poderes públicos sobre a administração das calçadas, permite o abuso da ocupação indevida das calçadas. Muito além da ocupação dos carros sobre os passeios, realizando paradas rápidas de carga e descarga ou embarque de passageiros, são as áreas comerciais que expandem suas atividades sobre as calçadas, distribuindo propagandas, itens à venda. Nas proximidades de bares e restaurantes, é recorrente o uso de mesas e cadeiras sobre o passeio, fazendo um prolongamento da área privada sobre a área pública. Neste último caso, a ocupação do espaço público é benéfica para atratividades das ruas e promover a segurança. No entanto, a reserva da faixa de passeio deve ser preservada. Cabe lembrar nos deslocamentos urbanos todos são pedestres. Independentemente do modo de transporte que as pessoas utilizam em alguns momentos das viagens do dia-a-dia, as pessoas caminham. Portanto, investir nas calçadas é garantir o direito de ir e vir de todo o cidadão, com autonomia, independência e segurança, possibilitando melhor qualidade de vida. Nas calçadas ainda são guardadas uma faixa técnica, destinadas a acomodar toda a infraestrutura, como postes de iluminação pública, telefones públicos, postes para sinalização de trânsito, lixeiras e demais mobiliário urbano pertinente. Calçadas devidamente projetadas, considerando o paisagismo e todos os equipamentos, agregam qualidade para a paisagem urbana. Neste cenário, as calçadas tornam-se prolongamentos de praças e parques motivando a circulação da população. Em situações ainda mais conscientes, as Prefeituras implantam vias peatonais – calçadão, com circulação específica para pedestres. Essas atitudes identificam uma E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 55 política pública voltada para a valorização do cidadão, tonando a cidade mais humana e democrática. Segundo os conceitos de mobilidade do Ministério das Cidades e do Manual de BRT (Bus Rapid Transit), na Cidade o espaço urbano acessível só é possível onde os cidadãos têm independência, autonomia e dignidade. Os interesses do pedestre e pessoas portadoras de necessidades especiais estão finalmente sendo levados em consideração. As cidades acessíveis são aquelas que priorizam o pedestre, num espaço sem barreiras, sem discriminação e sem segregação, promovendo a inclusão social ao alcance de todos. No entanto, mesmo que os motoristas sejam obrigados a se comportar de modo mais disciplinado, os meios motorizados ainda tem preferência sobre o pedestre. Facilmente identificado pela sinalização direcionada apenas pelo tráfego veicular, nas travessias os pedestres é quem mudam de nível (descendo da calçada), e no ingresso das edificações, os pedestres tem que esperar para entrada e saída do 56 veículo. A motivação para os deslocamentos a pé depende de uma promoção do espaço público convidativo e atrativo. Somados as condições físicas das calçadas, na qual os aspectos visuais dos materiais utilizados agregam qualidade, a ocupação do solo e as variedades de serviços ofertados, impulsiona para o deslocamento a pé. Fachadas visualmente ativas e permeáveis criam atratividade e movimento ao longo das quadras, diminuindo a distância imagética do percurso. O conforto térmico promovido pela vegetação e pelas marquises também agrega qualidade. A iluminação direcionada, em escala humana, promove a segurança. Com as mudanças no dia-a-dia da rotina e nos costumes das comunidades, e o uso esmagador do carro, a rua deixou de ser um espaço de convívio e de encontro, para ser apenas um lugar de passagem. Perdeu-se, nesse caso, o sentimento de cuidar da rua, abandonando os canteiros ajardinados e a vida nas calçadas. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS Preocupada com este cenário e determinado a promover os princípios das cidades sustentáveis, a Prefeitura Municipal de Presidente Prudente, já implantou medidas associativas que visam à valorização do Pedestre. A revitalização do calçadão da Rua Tenente Nicolau Maffei e da Praça Nove de Julho, são excelentes exemplo da prioridade dada ao pedestre no contexto urbano. O Parque do Povo, é um grande marco da promoção da cidade inclusiva, volta para o pedestre, nas diferentes atividades propostas. Sempre voltadas para a prática esportivas e lazer, o Parque do Povo, contempla todas as idades, escolaridades e classes econômicas de forma igualitária. Com os projetos de qualificação dos passeios do Parque, que serão alargados e instalado piso podo tátil. Esses projetos vêm a alavancar as propostas desenvolvidas no Plano de Mobilidade Urbana de forma integrada com iniciativas públicas já em desenvolvimento. 57 Imagem 24 – Praça Nove de Julho e Praça Nove de Julho Imagem 25 – Parque do Povo com diversas atividades E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS Desta forma, o Plano de Mobilidade Urbana – Anexo VI – Projeto Calçada Legal, tem por objetivo, integrar as iniciativas públicas a favor do pedestre, desenvolvendo medias protetivas e inclusivas à todos os cidadão. Ao mesmo tempo, o Projeto Calçada Legal, visa integrar todos os meios de locomoção, priorizando os meios não motorizados e o transporte coletivo. Somado a isso, a fiscalização e as atribuições de cada cidadão definidos nas Leis Municipais, serão os norteadores da boa conduta. 58 Imagem 26 – Parque do Povo com diversas atividades E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS Para cumprimento dos objetivos propostos, será apresentado o DIAGNÓSTICO das calçadas prudentinas, organizadas em: Imagem 27 – Fatores de Análise Posteriormente serão apresentadas as DIRETRIZES de implantação das faixas técnicas e adequação para passeios acessíveis, conforme Legislação. Para desenvolvimento desta etapa, serão abordados: Imagem 28 – Diretrizes de Implantação Somadas as diretrizes anteriormente apresentadas, o Projeto Calçada Legal, desenvolverá propostas associativas da área central, expandido a qualidade visual e ambiental do Calçadão. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 59 De forma integrada com o Plano Diretor, instituir as DIRETRIZES URBANÍSTICAS a serem adotadas a fim de garantir o desenvolvimento sustentável da Cidade, aproximando os deslocamentos casa-trabalho-casa e incluir o deslocamento a pé como um modal. Em conjunto, o Projeto Calçada Legal, direciona para integração modal entre diferentes meios e locomoção, inclusive para a promoção de rotas turísticas peatonais. Imagem 28 – Diretrizes Urbanísticas Sendo assim, no Anexo VI – Projeto Calçada Legal de Presidente Prudente tem como objetivo a implantação de passeios acessíveis, aprimorando a circulação dos pedestres nas vias urbanas do município, organizando usos do espaço público e a posição elementos que equipam as calçadas da cidade, evidenciando assim a paisagem urbana da cidade de Presidente Prudente. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 60 6. PROJETO DE TRATAMENTO DOS PONTOS CRÍTICOS 6.1. ASPECTOS GERAIS DO SISTEMA VIÁRIO DE PRESIDENTE PRUDENTE Presidente Prudente, como capital do Oeste Paulista, tem absorvido o desenvolvimento de grandes empreendimentos e a consequente necessidade de deslocamento dentro da cidade e entre as cidades vizinhas, culminando em uma oportunidade de negócios, e grande desenvolvimento de transporte, levando o poder público a ampliar, melhorar e renovar o sistema de transporte e do transito ao longo dos anos. Sendo um polo regional de desenvolvimento regional, Presidente Prudente tem buscado melhores formas de articulação viária em uma rede hierarquizada, atendendo os principais polos geradores de viagens. 61 A Rodovia Raposo Tavares, é o grande articulador do Oeste Paulista, com o estado do Mato Grosso e Paraná, com o restante do país. A facilidade de acesso promovida pela Rodovia proporcionou um grande corredor comercial ao longo das faixas marginais. Com a intenção de ampliação do Aeroporto Regional Adhemar de Barros, como suporte para o aeroporto de carga de Campinas, provocará maior movimento de veículos pesados. A Linha Férrea, sob concessão da ALL – América Latina Logística, está parcialmente desativa, com escassos horários de circulação. A linha férrea, já foi a grande responsável pelo escoamento dos grãos da região e do Estado do Mato Grosso, para o porto de Santos e demais estruturas portuárias de escoação. A estrada férrea prudentina ainda foi altamente utilizada para transporte de combustível e carga de cimento. Com a baixa oferta do transporte por trilhos, e inexistência de conexão modal (hidrogradia/ferrovia/rodovia) as rodovias passaram a ser a única opção do escoamento e recebimento de carga. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 6.2. PROJETO DE TRATAMENTO DOS PONTOS CRÍTICOS A partir da evolução dos níveis de serviço na malha urbana do Município de Presidente Prudente, pôde ser constatada a saturação da situação da mobilidade de pessoas, mercadorias e diferentes modais, oriunda principalmente pelo aumento da frota veicular em circulação e pela dinâmica dos sistemas adotados nas vias, ora por aparelhos viários complexos, ora pelo sistema dos tempos de semáforos. Constatam-se as dificuldades de capacidade das vias expressas de acesso ao centro comercial, falta de continuidade de diversas vias dos bairros implantados, pavimentação e sinalização inadequada ou insuficiente em vias importantes, além da falta de adequação e planejamento integrado do sistema viário como um todo. O desenvolvimento longitudinal das avenidas é facilmente identificado pelo intenso fluxo de veículos, que se deslocam diariamente. A descontinuidade das ruas internas ao bairro, e sua estrutura restrita, estimula a concentração de viagens pelas 62 avenidas. No sentido transversal, não se encontra vias paralelas equidistantes no mesmo sentido de deslocamento, resumindo o deslocamento pela Avenida Brasil, Avenida Coronel José Soares Marcondes e Avenida da Saudade. O sistema binário é presente em diversas regiões da cidade, mas principalmente no centro, é a alternativa para disciplina o trânsito e minimiza os conflitos juntos aos cruzamentos. A composição espacial dos principais atrativos do município resulta em três zonas de interesse, de atratividades diversas, que definem os principais eixos de circulação. O Parque do Povo torna-se elemento articular desses três pontos. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 63 Imagem 29 – Mapa da Cidade com as Zonas de Atração de Tráfego A Zona de Interesse 1 (Saúde e Educação), é conectada às demais vias pela Avenida da Saudade/ Avenida Onze de Maio/ Avenida Quatorze Setembro/Avenida Brasil / Avenida Coronel José Soares Marcondes. Imagem 29 e 30 - Área Institucional E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS de A Zona de Interesse 2, (Educação e Comércio de Grande Porte), grande nó viário do município, conecta a Zona de Interesse 1 e Zona de Interesse 3, através da Avenida Manoel Goulart, Avenida Washington, e ainda permite amarrações das avenidas para o Noroeste/Norte/Nordeste. Imagem 31 e 32 - Diversidade de Usos A Zona de Interesse 3, (Comércio e Serviço), a área central, delimitada pelo Quadrilátero do Centro, é circundado pelas quatro principais avenidas do sistema viário de Presidente Prudente. À Leste, a Avenida Brasil, é um eixo de acesso à cidade, e de ligação com a Zona Leste da cidade. A Avenida Manoel José Soares Marcondes, limite Oeste, liga a rodovia (a Sul) a Zona Norte da cidade, passando pelo centro. As avenidas Manoel Goulart e Washington Luiz, fazem ligações longitudinais com a Zona de Interesse 1 e 2. Imagem 33 e 34 - Calçadão e o entorno da Praça são grandes atrativos E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 64 Com o arranjo principal dos pontos críticos, as contagens veiculares, se desenvolveram principalmente no encontro das principais avenidas, e nos cruzamentos com a incidência de maiores conflitos, que resultam na saturação do sistema viário. Cabe lembrar que o desenvolvimento e as necessidades da cidade são constantes. O sucesso de implantação das ações, não está limitado à solução pontual de um cruzamento, mas a todos os fatores do entorno que provocam os conflitos. Desta forma, os projetos de melhorias devem ser vistos dentro do contexto geral do sistema viário e não de forma isolada. A circulação de veículos pesados, também será tratada neste caderno, a fim de compatibilizar as demandas dos diferentes serviços ofertados. Na proposta da Rota de Caminhões, indicará as vias a serem utilizadas e a sinalização específica para este veículo. Paralelamente será apresentado o anel da área de exclusão de caminhão, protegendo os demais modais e principalmente promovendo a segurança der ciclistas e pedestres. No desenvolvimento do ANEXO VII – Projeto de Tratamento dos Pontos Críticos terá como objetivo minimizar os diferentes conflitos que envolvem todos os personagens da mobilidade, promovendo um trânsito mais seguro e humanizado. Quatro conceitos norteiam as ações a serem desenvolvidas, são eles: Imagem 35 - Conceitos fundamentais do Tratamento dos Pontos Críticos E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 65 Para melhor organização das Ações de Tratamento dos Pontos Críticos, a cidade é dividida em seis setores: SETOR 01 ZONA NORTE: Limitada pela Linha Férrea, Avenida Salim Farah Maluf e Washington Luiz. SETOR 02 ZONA LESTE: Limitada pela Avenida Juscelino Kubistchek de Oliveira, Avenida Brasil e Rodovia Raposo Tavares. SETOR 03 ZONA SUL: Limitada pela Rodovia Raposo Tavares. SETOR 04 ZONA OESTE: Limitada pela Rodovia Raposo Tavares, Avenida Salim Farah Maluf, Avenida Manoel Goulart e Balneário da Amizade. SETOR 05 ZONA CENTRO SUL: Limitada pela Avenida Onze de Maio, Avenida Brasil, Avenida Manoel Goulart e Rodovia Raposo Tavares. SETOR 06 ZONA CENTRO NORTE: Limitada pelas Avenidas Quatorze de Setembro, Avenida Brasil e Avenida Washington Luiz. Cada setor será atendido com projetos específicos nos pontos de conflitos. As ações são articuladas com o Sistema do Transporte Coletivo, com a Rede CIclovária e com o Projeto Calçada Legal. Imagem 36 – Setores para Ações de Tratamento dos Pontos Críticos E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 66 67 Imagem 37 – Tratamento dos Pontos Críticos E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 6.3 LEVANTAMENTOS DE TRÁFEGO Para desenvolvimento das propostas que envolvem o trânsito de Presidente Prudente, foram realizados trinta e oito pontos de contagem. Os cruzamentos analisados estão distribuídos em todos os setores do Município. 68 Imagem 38 – Mapa do Município com a Localização dos Trinta e Oito Pontos de Contagem E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS Para o cálculo de capacidade de tráfego das vias foram utilizados os maiores volumes de veículos de acordo com a pesquisa de trânsito realizada, através de contagem classificada de veículos. Com os resultados obtidos, tornou-se possível o diagnóstico da situação atual e o prognóstico para os próximos 05 (cinco), 10 (dez) e 15 (quinze) anos, levando em consideração as estatísticas do DENATRAN (Departamento Nacional de Trânsito) com um aumento da frota do Município, estimado em 40,65% a cada cinco anos. 160.000 140.000 120.000 100.000 80.000 60.000 40.000 69 20.000 0 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Gráfico 01 – Evolução da frota no período entre 2009 – 2014 Do total de veículos circulantes em Presidente Prudente, o automóvel é maioria absoluta com 60% (sessenta por cento) em 2009 e 58% (cinquenta e oito por cento) em 2014. Essa sutil redução é compreendida com o aumento de motocicletas e motonetas que em 2009, representavam 23% (vinte e três por cento), enquanto em 2014, já representam 25% (vinte e cinco por cento). Os ônibus e micro-ônibus nos últimos cinco anos mantém a representatividade mínima de 1% (um por cento). Na análise de automóveis não estão computados utilitários, caminhonetes e caminhonetas. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 120% 100% 80% 60% 2009 2014 40% 20% 0% Total da Frota Automóvel Motocicleta e Onibus e Motonetas Micoronibus Outros Gráfico 02 – Comparativo entre os tipos de veículos entre 2009-2014 A reunião dos dados coletados serve de alicerce para a elaboração dos cálculos dos níveis de serviços da demanda atual e prognósticos futuros, sendo a base das decisões projetuais a serem adotadas no sistema viário. 70 6.3.1 METODOLOGIA DE DETERMINAÇÃO DOS NÍVEIS DE SERVIÇO 6.3.1.1 NÍVEIS DE SERVIÇO Segundo o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem - DAER, o nível de serviço refere-se a uma avaliação qualitativa das condições de operação de uma via de tráfego. São avaliados fatores de velocidade e tempo de viagem, liberdade de manobra e interrupções de tráfego, além de aspectos de conforto e segurança percebidos por motoristas e passageiros. São relacionados seis (06) níveis de serviço para as vias com fluxo contínuo, classificadas em: E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 1) Nível de Serviço A – onde o fluxo dos veículos não é afetado pela presença de outros veículos na mesma corrente de tráfego e há liberdade de escolha nas possibilidades de execução de manobras. 2) Nível de Serviço B – onde o fluxo dos veículos ainda não é muito afetado pela presença de outros veículos na mesma corrente de tráfego, mas há um declínio nas possibilidades de execução de manobras. 3) Nível de Serviço C – onde o fluxo dos veículos ainda é considerado estável, mas há o início da interação com outros veículos e não há mais liberdade sem interação de escolha na execução de manobras. 4) Nível de Serviço D – onde o fluxo dos veículos é considerado de densidade alta, mas com fluxo estável. Existem grandes restrições de interação de escolha na execução de manobras onde o acréscimo de veículos causará problemas operacionais. 5) Nível de Serviço E – onde a demanda do fluxo dos veículos requer a circulação em velocidades uniformes, mas reduzidas a um valor bastante baixo. Existem restrições extremas de interação na execução de manobras e as operações de tráfego tornam-se instáveis. 6) Nível de Serviço F – onde o fluxo dos veículos é considerado de forçado ou com congestionamento, onde o volume de tráfego supera a capacidade de absorção pela via em um determinado ponto. 6.3.2 CARREGAMENTO E BALANCEAMENTO DA REDE DE TRÁFEGO 6.3.2.1 METODOLOGIA Os carregamentos da rede atual e dos prognósticos futuros foram realizados a partir dos dados das planilhas apresentadas nos anexos que contém os diagramas e tabelas de contagens de tráfego e foram montadas com dados pesquisados em campo. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 71 6.3.2.2 VOLUME DE TRÁFEGO NAS INTERSEÇÕES Com os dados obtidos nos levantamentos de tráfego para avaliar a situação atual das interseções, foram construídos diagramas que mostram os carregamentos nas situações mais críticas. 6.3.2.3 CÁLCULO DA CAPACIDADE DA INTERSEÇÃO Para avaliar a situação atual das interseções, foi utilizado um fator denominado fluxo de saturação, que é considerado como igual à capacidade máxima de escoamento de veículos de uma faixa de rolamento, cujo valor é considerado pela EPTC de Porto Alegre como 1.900 veículos por hora de tempo de verde. O volume de 1.900 veículos por hora em cada faixa de trânsito está diretamente relacionado à classificação dos níveis de serviço obtidos nos cálculos apresentados. 72 Cálculo do Fluxo de Saturação O cálculo do fluxo de saturação é efetuado nas aproximações da interseção, com a utilização de fórmula, dada pela expressão: FS= 1900 x N onde N é o número de faixas de rolamento da aproximação. Fluxo de Saturação Corrigido O cálculo do fluxo de saturação deve sofrer correções devido às características das vias e do tráfego, como aclividade, declividade e conversões à direita e à esquerda, com ou sem conflito. E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS Coeficiente de Saturação O coeficiente de saturação (ά) é uma medida relativa e indica, para as condições reais de operação da interseção, o quanto a demanda se aproxima da capacidade de escoamento da aproximação. Situação da Interseção Para avaliar a situação da interseção, temos o abaixo: a) Operação da Interseção b) Cálculo dos Fluxos de Saturação – Os fluxos de saturação são corrigidos, em função das conversões à direita ou à esquerda, conflitantes ou não, e em função das declividades da aproximação. Resumo das Variáveis dos Cálculos dos Níveis de Serviço N= Número e faixas de rolamento da aproximação L= Largura da aproximação com estacionamento E= Largura do estacionamento Si= Capacidade viária inicial S= Fluxo de Saturação FS= 1900 x N FD= Fator de correção de declividade FD= 1,00 - 0,03 x i FCd= Fator de correção de declividade para conversão à direita FCd= S cor / Si, onde S cor= Si - (Si x 0,25 x ( DCd/ DTA - 0,10 )), onde DCd= Demanda de conversão à direita DTA= Demanda total da aproximação E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 73 FCe= Fator de correção de declividade para conversão à esquerda FCe= S cor / Si, onde S cor= Si - (Si x 0,75 x ( DCe/ DTA - 0,10 )), onde DCe= Demanda de conversão à esquerda DTA= Demanda total da aproximação Fp= fator de parada obrigatória e ociosidade A= x / 1900 = α B= y / 1900 = β coef= 0,9 x (1,00 - 0,7 (α x 1,25 + β x 1,25) Sreal= Capacidade viária real Sreal= Si x FD x FCd x Fce N at= Nível de saturação Nsat= Dat / Sreal at, onde 74 Dat= Demanda atual Areal at= Capacidade viária real atual N fut= Nível de serviço futuro Nsfut= Dfut / Sreal, onde Dfut= Demanda futura e Sreal fut= Capacidade viária real futura Tabela dos Níveis de Serviço A B C - 0,0 a 0,1 0,1 a 0,3 0,3 a 0,7 D E F - 0,7 a 0,9 0,9 a 1,0 mais de 1,0 E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS Os níveis de serviço são classificados com as letras A, B, C, D, E e F, no qual são definidos intervalos numéricos resultantes dos cálculos da capacidade da via e do número de veículos que circulam por ela. Neste trabalho, são rotulados com a cor verde os níveis classificados com as letras A, B e C, cujo volume de tráfego está abaixo de 1.900 veículos-hora por faixa; são rotulados com a cor amarela os níveis classificados com as letras D e E, cujo volume de tráfego está na média de 1.900 veículos-hora por faixa e, por fim, são rotulados com a cor vermelha os níveis classificados com a letra F, cujo volume de tráfego está acima de 1.900 veículos-hora por faixa. Os resultados dos cálculos que pertencem ao intervalo de 0,0 a 0,7, indicam que a demanda de veículos é comportada pela via; os que pertencem ao intervalo de 0,7 a 1,0 apresentam início de saturação e devem ser iniciados estudos de solução para a via e, os resultados maiores do que 1,0 indicam que a via já está saturada e não comporta a demanda de veículos, sendo necessário o tratamento do cruzamento. 75 E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS 7. CONTEXTUALIZAÇÂO DO PLANO DE MOBILIDADE URBANA DE PRESIDENTE PRUDENTE O Plano de Mobilidade Urbana de Presidente Prudente reafirma e integra o Plano Diretor do Município de Presidente Prudente, propõe a articulação de uma Rede Cicloviária, incentivando o uso da bicicleta e consolidando as rotas cicláveis no Município e também deverá apresentar o Projeto Calçada Legal que visa priorizar a acessibilidade e os deslocamentos dos pedestres e das Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais e Mobilidade Reduzida (PNE), e o Projeto de Tratamento dos Pontos Críticos, baseado na coleta de dados de trânsito e na articulação dos planos e projetos existentes no Município de Presidente Prudente. Presidente Prudente, Outubro de 2014. 76 ARQIUITETO E URBANISTA EDSON MARCHIORO CAU A40.963-4 Coordenador da Equipe Técnica E D S O N M A R C H IO R O A R Q U IT E T U R A , U R B A N I S M O E E N G E N H A R I A S / S Rua General Câm ar a, 1843 - Bairro Panazzolo - CEP 95082- 070 - Caxias do Sul - RS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVA, Eduardo NEIRA – Metrópoles (In) Sustentáveis. Rio de Janeiro: Ed. Relume Dumará, 1997. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DAS EMPRESAS DE TRANSPORTES URBANOS – NTU. Anuário 2001/2002. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE TRANSPORTES PÚBLICOS (ANTP). Transporte Humano – Cidades com qualidade de vida. São Paulo: ANTP, 1997. BENÉVOLO, Leonardo. A Cidade e o Arquiteto. Lisboa: Edições 70 Ltda, 1998. BNDES. Estudo de viabilidade técnico econômica de sistemas de transporte ferroviário de passageiros de interesse regional – trecho Bento Gonçalves/Caxias do Sul: Programa de Engenharia de Transportes – COPPE, 2000. 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