UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ ACEA CURSO DE ENGENHARIA CIVIL INVESTIGAÇÃO DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS ENCONTRADAS NAS EDIFICAÇÕES PRÉ-FABRICADAS DA UNOCHAPECÓ, CAMPUS CHAPECÓ. Alexsander Tomé Chapecó Julho 2010 1 2 ALEXSANDER TOMÉ INVESTIGAÇÃO DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS ENCONTRADAS NAS EDIFICAÇÕES PRÉ-FABRICADAS DA UNOCHAPECÓ, CAMPUS CHAPECÓ. Pesquisa de Monografia II, apresentado ao Curso de Engenharia Civil da Universidade Comunitária da Região de Chapecó, como parte dos requisitos para obtenção do título de bacharel em Engenharia Civil. Orientador: Prof. Rodnny Jesus Mendoza Fakhye. Chapecó Julho RESUMO TOMÉ, Alexsander. Investigação das manifestações patológicas encontradas nas edificações pré-fabricadas da Unochapecó, Campus Chapecó. 2010. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Engenharia Civil) – Curso de Engenharia Civil, UNOCHAPECÓ, Chapecó, 2010. O aparecimento de patologias nas edificações com o passar do tempo são de grande importância, pois além da presença delas ser um indicio de que algo está errado, são elas que apresentam a falha ao cliente, pois elas são visíveis e acabam ganhando destaque na edificação. Desta maneira esta pesquisa tem por objetivo enumerar e investigar quais são as principais patologias que ocorrem nos elementos estruturais, alvenarias, revestimentos e pisos dos Blocos pré-fabricados G e R da Unochapecó Campus Chapecó e verificar causas e possíveis soluções para o problema seguindo um roteiro de investigação de patologias. Para isso este presente trabalho aborda os conceitos de pré-fabricação, alguns itens que devem ser considerados na hora da execução e até mesmo na elaboração do projeto para que não venham a ocorrer patologias. A manifestação patológica detectada nas edificações vistoriadas que ocorre com maior incidência é a trinca relacionada à movimentação das estruturas que surgem devido a falhas no projeto, execução e também inerentes ao processo da estrutura préfabricada. Os problemas detectados não apresentam riscos graves para as edificações, mas necessitam de recuperação. Palavras-chave: patologias, edificações pré-fabricadas, fissuras. 3\ \ LISTA DE FIGURAS Figura 01: Parede com fissuras inclinadas, em forma de escama, evidenciando a dilatação térmica da laje de cobertura (Fonte: THOMAZ, 1989) .................................... 20 Figura 02: Destacamento entre alvenaria e estrutura, provocado por movimentações térmicas diferenciadas da laje de cobertura (Fonte: THOMAZ, 1989) ............................ 20 Figura 03: Trincas horizontais na alvenaria provenientes da expansão dos tijolos: o painel e solicitado a compressão na direção horizontal (Fonte: THOMAZ, 1989) ......... 21 Figura 04: Trincas nas pecas estruturais: a expansão da alvenaria solicita o concreto a tração (Fonte: THOMAZ, 1989) ...................................................................................... 22 Figura 05: Destacamento do revestimento do piso, sob ação de sua dilatação térmica ou da contração térmica da estrutura (Fonte: THOMAZ, 1989) ...................................... 23 Figura 06: Revestimento apresentando fissurações mapeadas típica de retração da argamassa (CARASEK, CASCUDO, JUCA, 2005) 23 Figura 07: Fissuração generalizada causada pela retração dos componentes e pelo grande numero de janelas na parede (Fonte: THOMAZ, 1989) ....................................... 24 Figura 08: Trincas horizontais a meia altura de painel pré-moldado de concreto armado, submetido a flexocompressao (Fonte: THOMAZ, 1989) .................................. 24 Figura 09: Trincas em parede de vedação: deformação do suporte inferior a deformação da viga superior (Fonte: THOMAZ, 1989) .................................................. 25 Figura 10: Fissuras inclinadas em aproximadamente 45° junto aos apoios e praticamente verticais no centro por flexão (Fonte: THOMAZ, 1989) ........................... 25 Figura 11: Detalhe da fissura por torção (Fonte: THOMAZ, 1989) ................................ 26 Figura 12: Corrosão de armadura provocando danos na parede monolítica de concreto: no caso, não foram utilizados espaçadores que assegurassem o adequado cobrimento das armaduras (Fonte: THOMAZ, 1989) ......................................................................... 27 Figura 13: Recalques diferenciados entre pilares: surgem trincas inclinadas na direção de maior recalque (Fonte: THOMAZ, 1989) ................................................................... 28 Figura 14: Estrutura básica de análise de patologias (Fonte: IANSSEN; TORRESCASANA, 2003) ............................................................................................... 33 Figura 15: Espaço interno do Bloco R3 ........................................................................... 36 Figura 16: Ilustração dos Blocos R1, Hall e R2 interligados ........................................... 36 Figura 17: Bloco R3 ......................................................................................................... 37 Figura 18: Parede do Bloco R3 apresentando fissuras mapeadas .................................... 39 Figura 19: Parede de fachada do Bloco R2 apresentando fissuras e manchas ................. 40 Figura 20: Parede no corredor do segundo pavimento do Bloco R2, apresentando uma trinca horizontal próximo a verga .................................................................................... 42 Figura 21: Reparo realizado na parede do subsolo do Bloco R2 ..................................... 43 Figura 22: Encontro entre pilar e parede no subsolo do Bloco R2 .................................. 44 4 Figura 23: Detalhe da figura 22 apresentando o destacamento entre pilar e parede ........ 44 Figura 24: Recuperação de destacamento pilar/parede com tela de estuque (Fonte: THOMAZ, 1989) ............................................................................................................. 46 Figura 25: Fissuras verticais em vigas ............................................................................. 46 Figura 26: Trinca no piso cerâmico da sala R206 do Bloco R2 ....................................... 47 Figura 27: Rachadura em piso de cimento no térreo do Bloco R2 .................................. 49 Figura 28: Trinca horizontal abaixo do peitoril de granito localizada no terceiro 50 pavimento do Hall do Bloco G ......................................................................................... Figura 29: Trinca na ligação entre dois módulos de sacada pré-moldada localizada no 51 segundo pavimento do Bloco G2 ..................................................................................... 5 \ SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 08 1.1 JUSTIFICATIVA ....................................................................................................... 08 1.2 DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA.......................................................................... 09 1.3 OBJETIVOS .............................................................................................................. 09 1.3.1 Geral......................................................................................................................... 09 1.3.2 Específicos .............................................................................................................. 09 2 ESTRUTURAS PRÉ-FABRICADAS ....................................................................... 10 2.1 DEFINIÇÕES ............................................................................................................. 10 2.1.1 Pré-fabricação ........................................................................................................ 10 2.1.2 Pré-moldagem ........................................................................................................ 10 2.1.3 Patologia ............................................................................................................... 11 2.2 CARACTERÍSTICAS DAS ESTRUTURAS PRÉ-FABRICADAS ......................... 11 2.3 CARACTERÍSTICAS ESTRUTURAIS DOS ELEMENTOS PRÉ-FABRICADOS 13 2.3.1 Pilares ..................................................................................................................... 13 2.3.2 Vigas ....................................................................................................................... 14 2.3.3 Lajes ....................................................................................................................... 14 2.3.4 Ligações entre os elementos pré-fabricados ........................................................ 16 3 PRINCIPAIS CAUSAS DAS PATOLOGIAS ENCONTRADAS NAS EDIFICAÇÕES .............................................................................................................. 19 3.1 MOVIMENTAÇÕES TÉRMICAS ............................................................................ 19 3.2 MOVIMENTAÇÕES HIGROSCÓPICAS ................................................................ 21 3.3 RETRAÇÃO .............................................................................................................. 22 3.4 COMPRESSÃO ......................................................................................................... 24 3.5 FLEXÃO .................................................................................................................... 25 3.6 TORÇÃO ................................................................................................................... 26 3.7 CORROSÃO NA ARMADURA ............................................................................... 26 3.8 RECALQUE DE FUNDAÇÕES ............................................................................... 27 3.9 UMIDADE ................................................................................................................. 28 4 DETALHES QUE PODEM EVITAR PATOLOGIAS ........................................... 29 5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS.............................................................. 33 5.1 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA.................................................................................. 34 5.2 LEVANTAMENTO DO HISTÓRICO DAS EDIFICAÇÕES .................................. 34 6 \ 5.3 VISTORIA DA OBRA .............................................................................................. 34 5.4 POSSÍVEIS CAUSAS DAS PATOLOGIAS ............................................................ 34 5.5 SOLUÇÕES PROPOSTAS......................................................................................... 35 6 EDIFICAÇÕES ........................................................................................................... 36 7 PATOLOGIAS ENCONTRADAS ............................................................................ 39 7.1 FISSURAS MAPEADAS .......................................................................................... 39 7.2 FISSURAS E MANCHAS ESCURAS ...................................................................... 40 7.3 TRINCAS HORIZONTAIS EM PAREDES DE ALVENARIA .............................. 41 7.4 DESTACAMENTOS ENTRE ESTRUTURA E ALVENARIA ............................... 43 7.5 FISSURAS VERTICAIS EM VIGAS ....................................................................... 46 7.6 TRINCAS NO PISO CERÂMICO ........................................................................... 47 7.7 TRINCAS E RACHADURAS NO PISO DE CONCRETO ..................................... 48 7.8 TRINCAS HORIZONTAIS ABAIXO DO PEITORIL DE GRANITO ................... 50 7.9 TRINCAS NO ENCONTRO ENTRE ELEMENTOS PRE-MOLDADOS .............. 51 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 53 REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 54 7 \ 1. INTRODUÇÃO As patologias ocorrem em todo tipo de construção, até mesmo em edificações pré-fabricadas e elas podem ser oriundas nos processos de construção, no projeto, nas estruturas de concreto armado, no uso, nos revestimentos de pintura, cerâmicos, argamassa. Para Ianssen e Torrescasana (2003), quaisquer erros ou imperfeições no projeto e na execução das diversas etapas da construção exigem, como conseqüência, adaptações não previstas no orçamento, consertos com custos complementares e até necessidade de reconstruções completas, muito dispendiosas, e mesmo, ás vezes, prejuízos que aparecem bem mais tarde, resultando até mesmo numa pericia judicial. Segundo Menegatti (2008), a prevenção de fissuras nos edifícios passa obrigatoriamente por todas as regras de bem planejar, bem projetar e bem construir; mais ainda, exige um controle sistemático e eficiente da qualidade dos materiais e dos serviços, uma perfeita harmonia entre os diversos projetos executivos, estocagem e manuseio correto dos materiais e componentes no canteiro de obras, utilização e manutenção correta do edifício etc. De acordo com Menegatti (2008), atualmente não é raro encontrar edifícios apresentando algum tipo de fissuras, o que compromete, além da estética, conforto, insegurança do usuário e uma desvalorização no seu valor. O presente trabalho tem por finalidade apresentar quais são os principais problemas patológicos encontrados nas edificações pré-fabricadas dos Blocos G e R da Unochapecó, Campus Chapecó. 1.1 JUSTIFICATIVA As patologias sempre foram fonte de preocupação para todas as pessoas que participam de uma edificação, iniciando-se pelo projetista, passando pelo construtor e terminando no usuário, pois elas são indicio ou sintoma de que algum problema esta acontecendo com a edificação. 8 Por se tornarem aparentes através de fissuras, elas incomodam, causam desconforto, geram prejuízos financeiros e podem significar problemas mais sérios, porém podem ser identificadas e corrigidas. Nas edificações, geralmente são encontradas vários tipos de patologias que estão relacionadas com algum erro cometido em algumas das fases do processo construtivo, que podem ser: no projeto, na fabricação de materiais, na execução e no uso. Em função desses problemas, esta pesquisa tem por objetivo identificar essas principais patologias que ocorrem nos Blocos G e R da Unochapecó, Campus Chapecó, para que estas possam ser corrigidas, e em futuras edificações evitadas. 1.2 DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA Quais foram as principais falhas cometidas no processo construtivo dos elementos estruturais, alvenarias, revestimentos e pisos dos Blocos pré-fabricados G e R da Unochapecó Campus Chapecó que ocasionaram patologias, e como evitá-las? 1.3 OBJETIVOS 1.3.1 Objetivo Geral Enumerar quais são as principais patologias que ocorrem nos Blocos G e R da Unochapecó Campus Chapecó e verificar causas e possíveis soluções para o problema. 1.3.2 Objetivos Específicos a) Identificar as patologias mais freqüentes da Unochapecó Campus Chapecó. b) Buscar soluções para corrigir esses tipos de patologias. c) Citar alguns cuidados que podem ser tomados para se evitar o aparecimento de fissuras nas edificações do tipo pré-fabricadas. 9 2 ESTRUTURAS PRÉ-FABRICADAS 2.1 DEFINIÇÕES 2.1.1 Pré-fabricação Segundo Revel (1973), a pré-fabricação em seu sentido mais geral se aplica a toda fabricação de elementos de construção civil em indústrias, a partir de matérias primas e semi-produtos cuidadosamente escolhidos e utilizados, sendo em seguida estes elementos transportados á obra onde ocorre a montagem da edificação. Segundo Neto (1998) a pré-fabricação, basicamente, pode ser entendida como extensão natural do conceito de pré-moldagem, onde prioriza-se a produção massiva dos elementos. Faz-se necessário um grande investimento em máquinas e equipamentos, que vão garantir alta produtividade ao processo. O projeto neste caso assume papel de planificação da produção e já contempla todos os aspectos fabris, tais como: “lay-out” de produção bem elaborado, estudo de tempos e métodos, controle de toda natureza, etc. 2.1.2 Pré-moldagem A norma NBR 9062 – Projeto e Execução de Estruturas de Concreto Pré-Moldado (ABNT, 1985) define estrutura pré-fabricada como: [...] elemento pré-moldado executado industrialmente, mesmo em instalações temporárias em canteiros de obra, ou em instalações permanentes de empresa destinada para este fim que atende aos requisitos mínimos de mão-de-obra qualificada; a matéria prima dos elementos pré-fabricados deve ser ensaiada quando no recebimento pela empresa e previamente a sua utilização. O elemento pré-moldado é classificado pela norma NBR 9062 – Projeto e Execução de Estruturas de Concreto Pré-Moldado (ABNT, 1985) como sendo o elemento que é executado fora do local de utilização definitiva na estrutura, e produzido em condições menos rigorosas de controle de qualidade, estes devem ser inspecionados individualmente ou por lotes, através de inspetores do próprio construtor, da fiscalização do proprietário ou de organizações 10 especializadas, dispensando-se a existência de laboratório e demais instalações congêneres próprias. 2.1.3 Patologia “Patologia pode ser entendida como a parte da Engenharia que estuda os sintomas, os mecanismos, as causas e as origens dos defeitos das construções civis, ou seja, é o estudo das partes que compõem o diagnóstico do problema”. (HELENE, 1992, p. 19). 2.2 CARACTERÍSTICAS DAS ESTRUTURAS PRÉ-FABRICADAS Segundo Bruggeling e Huyghe (1991), a filosofia da concepção estrutural deve seguir um criterioso estudo dos elementos que constituirão a estrutura, bem como também as suas ligações. A escolha de diferentes elementos estruturais deve ser reduzida ao máximo. Como resultante, o sistema de forma desses elementos pode ficar restrito a uma série idêntica desses moldes. Em algumas ocasiões, é preferível gastar mais insumos em certos elementos a ter que diferenciá-los em suas formas. Isto, muitas vezes, leva a uma resultante final de custos otimizada. Para Melo (2004), a principal e primeira etapa de um projeto é definir o melhor e mais conveniente modelo matemático, trasnformando o projeto da edificação a ser construída em uma aproximação da realidade, a partir da concepção arquitetônica e do cálculo estrutural. Muitas vezes, o melhor modelo não é o mais detalhado. O modelo matemático mais simples pode dar informações mais satisfatórias do que uma modelagem mais complexa, ainda que apresente desvios em relação à realidade. Ainda segundo o autor, as decisões mais importantes na modelagem para a criação de uma estrutura em pré-fabricados de concreto são relativas as ligações entre as peças, pois o concreto pré-fabricado é pensar a produção de elementos estruturais em usina e a sua montagem no canteiro de obra. São objetos de maior discussão e análises, ainda, as ligações entre vigas e pilares, já que estas definem o pórtico estrutural e seu comportamento em relação ás cargas atuantes. 11 A grande evolução no conceito estrutural que o pré-fabricado teve ao longo dos últimos anos ocorreu exatamente nas ligações nodais da estrutura. Quanto mais rígida a ligação – aproximando-se do engastamento – melhor será a distribuição dos esforços e, conseqüentemente, maior será a possibilidade de otimização e economia na estrutura (MELO, 2004). De acordo com a norma NBR 9062 – Projeto e Execução de Estruturas de Concreto PréMoldado (ABNT, 1985), no projeto das ligações de elementos pré-moldados entre si ou entre estes e concreto moldados no local, são levadas em consideração, além da estabilidade geral da estrutura montada, também a estabilidade geral da montagem. O dimensionamento destas ligações deve obedecer á NBR 6118. Sua eficácia, qualidade e durabilidade devem ser comprovadas por cálculo analítico devidamente documentado ou por ensaios conclusivos de casos realmente análogos. Segundo Ávila (2006), o uso de pré-moldados permite a confecção de peças de todos os tamanhos e formatos para atender o projeto de arquitetura, inclusive se a necessidade for por elementos de grandes dimensões. Tecnicamente, não há impedimento para utilização de prémoldados em toda e qualquer obra, desde que haja compatibilidade com o restante da estrutura. O bom senso e fatores técnicos e econômicos são fundamentais para fazer a melhor opção. Para Acker (2007), com o uso de elementos protendidos em vigas e lajes, podem-se obter vãos maiores e construções mais esbeltas. Em construções industriais e comerciais, os vãos da cobertura podem chegar a 40 m. Em garagens, o pré-moldado possibilita que os usuários coloquem mais carros no mesmo espaço, em função não apenas dos maiores vãos, mas também das menores seções de pilares. Em prédios de escritórios, a tendência é a de construir espaços amplos e abertos, com os ambientes separados por divisórias. 12 2.3 CARACTERÍSTICAS ESTRUTURAIS DOS ELEMENTOS PRÉ- FABRICADOS 2.3.1 Pilares Para Melo (2004) os pilares são as peças mais complexas e com maior dificuldade de execução, tanto nas definições de projeto quanto na fábrica. Os detalhes, de modo geral, são incorporados no projeto individual dos pilares, e por isso mesmo eles são as peças menos padronizadas do sistema do pré-fabricado. Como o pilar é a peça com maiores diferenças de geometria, com consoles criando formatos muito recortados, o processo de fabricação acaba sendo quase artesanal. Ainda segundo o autor, as dimensões dos pilares obedecem as dos chamados fundos de forma. Os fundos de forma funcionam como pistas, pois neles estão previstos os encaixes das laterais que fecham a forma, possibilitando a concretagem. O manuseio da peça, que ocorre com o saque da forma, transporte e montagem, também determina suas medidas mínimas. O pilar pré-fabricado, por tudo isso, nunca terá menos que 20 cm de largura em uma das faces. Já de acordo com Teixeira (1987), os pilares pré-fabricados de concreto são produzidos em seções quadrada, retangular ou octogonal e podem ser maciços ou possuir furo central para escoamento de águas pluviais provenientes da cobertura. As fôrmas metálicas são ajustáveis a dimensões que variam de 20 x 20 cm até 70 x 70 cm ou 70 x 120 cm, no caso das seções retangulares. O autor complementa que os pilares são engastados aos blocos de fundação através de concretagem in loco. Segundo Melo (2004, p. 214), os consoles são os complementos dos pilares que tornam seu detalhamento mais difícil. Eles são ligados pela massa de concreto aos pilares, além de representarem a maior porcentagem de problemas de projeto. 13 2.3.2 Vigas Segundo Melo (2004), as vigas são elementos estruturais mais bem estudados dentro do calculo estrutural. No mundo dos pré-fabricados, as vigas podem ser armadas ou protendidas. Para Teixeira (1987), as vigas pré-fabricadas cumprem na estrutura funções de suporte de laje de piso, viga-telha, laje de forro, elementos de cobertura, de painéis de fechamento, caminhos de ponte rolante etc. Funcionam ainda como elemento de travamento de painéis e como coletor de águas pluviais provenientes da cobertura. Os perfis das seções transversais podem ser retangulares, trapezoidais e especiais. Os retangulares e trapezoidais constituem os mais simples do ponto de vista da fabricação. As seções “I”, “T”, “Y”, geralmente adotadas para peças protendidas, derivam da premissa de se suprimir o concreto nas regiões onde ele é menos solicitado, diminuindo assim o peso próprio das vigas. As seções especiais (“U”, “T” invertido, “L”, “L” invertido) visam atender exigências de compatibilidade geométrica das ligações entre os componentes ou ainda para cumprir outras funções como coletor de águas pluviais, por exemplo. As medidas das seções transversais das peças podem variar desde 0,20 m até 0,70 m de base e de 0,30 m até 2,20 m de altura. Os comprimentos variam de acordo com as necessidades do projeto. Para Melo (2004), as vigas retangulares armadas podem apresentar qualquer seção. Todavia, é conveniente buscar sempre a adoção de seções padrão múltiplas de 10 cm, pois é possível a utilização de formas metálicas aumentando a produtividade e a qualidade das peças. De acordo com indicações feitas nos consoles, geralmente as vigas armadas apresentam dentes Guerber com metade da altura da viga. 2.3.3 Lajes Segundo Teixeira (1987), as lajes pré-fabricadas de concreto são produzidas nas usinas, em pistas de protensão, e moldadas em fôrmas metálicas fixas ou por processo de extrusão. 14 As lajes de piso vazadas são produzidas por máquinas de extrusão que se deslocam ao longo das pistas de protensão. Como tem o comprimento igual ao das pistas, elas serão cortadas por discos diamantados no tamanho especificado no projeto. A largura é de 1,00 m e a altura de 0,10 m; 0,15 m; 0,20 m e 0,25 m. As lajes “T” e duplo “T” possuem largura de 2,5 m e as demais medidas modulares adotadas para as lajes de outras seções são 1,00 m, 1,20 m e 1,25 m. De acordo com Melo (2004), o sistema de lajes de piso em lajes alveolares é o que obteve maior sucesso no mercado da construção civil. De fácil instalação, pode atingir grandes vãos, facilitando o layout e otimizando a estrutura, seja ela moldada in loco, metálica ou de elementos reticulados em pré-fabricados. Ganha importância aqui o critério de paginação, totalmente ligado á modulação da obra, que deve ser estudado de forma racional, maximizando a repetição. Existem basicamente dois tipos de lajes alveolares: a extrusiva e a moldada. As lajes extrusivas apresentam melhor qualidade final, visto que se pode utilizar um fator águacimento muito baixo, próximo ao necessário para a hidratação do cimento, garantindo maior resistência a compressão e menor porosidade do concreto. A armação da laje alveolar é composta apenas por cabos de protensão no sentido longitudinal da laje. No sentido transversal, os esforços são suportados apenas pela resistência á tração do concreto. A modulação das lajes alveolares é de 120 cm. As lajes podem ter no mínimo 100 cm de comprimento e o comprimento máximo pode variar em função da sobrecarga total de utilização. As lajes alveolares de piso recebem uma capa estrutural de 5 cm que trabalha em conjunto com a laje, e faz-se obrigatória a execução do chaveteamento, que consiste no preenchimento em concreto das juntas longitudinais entre lajes. 15 2.3.4 Ligações entre os elementos pré-fabricados Segundo a norma NBR 9062 – Projeto e Execução de Estruturas de Concreto Pré-Moldado (ABNT, 1985), o projeto das ligações de elementos pré-moldados entre si ou entre estes e concreto moldados no local, são levadas em consideração, além da estabilidade geral da estrutura montada, também a estabilidade durante a fase da montagem. “As ligações entre as peças em estruturas pré-fabricadas precisam levar em conta os mínimos detalhes a serem executados durante sua “montagem”. E é a existência delas que diferencia o pré-fabricado das estruturas moldadas in loco, pois o restante do conceito e o funcionamento estrutural das peças são os mesmos para os dois sistemas”. (MELO, 2004, p. 37). Melo (2004) ainda explica que as ligações podem ser: a) ligações isostáticas; b) ligações rotuladas; c) ligações semi-rígidas; d) ligações rígidas (ou engastadas). As ligações isostáticas se caracterizam por não transmitirem esforços (momentos fletores) e esforços horizontais entre as peças pré-fabricadas. Portanto, não ocorre o efeito pórtico na estrutura, pois as peças trabalham de forma isolada. Para que este tipo de ligação funcione de forma adequada, os deslocamentos da estrutura (pilares) não podem ser muito grandes, pois o contato físico entre o pilar e a viga (deslocamento maior que a folga entre as peças) pode levar à transmissão de esforços, iniciando o efeito de pórtico não previsto. Para permitir pequenos deslocamentos relativos entre as peças, elas são apoiadas sobre aparelhos de apoio de neoprene de 1 cm de espessura, que recebem os esforços verticais. Os pinos que ajudam no posicionamento e impedem o tombamento das vigas são de aço redondo CA 25, com ø 12,5 mm, que apresentam a capacidade de deformação adequada ao funcionamento da ligação. 16 O preenchimento dos furos para a fixação das vigas deve ser realizado com argamassa comum. Ao se retrair, ela deixa espaços para a deformação do pino, que tem baixa capacidade de resistir à compressão quando ocorrem os deslocamentos horizontais. As ligações rotuladas de acordo com Melo (2004), têm a característica de transmitir (além de cargas verticais) os esforços horizontais entre as peças. Para a transmissão desses esforços, as ligações são projetadas considerando que eles se encaminham pela resistência do neoprene ao cisalhamento. Existe a possibilidade de substituir o neoprene simples por um sistema de neoprene combinado com graute, que é mais eficiente e onde se pode contar com o efeito pino. A ligação pelo pino se caracteriza pela consideração de transmissão de esforços pelo cisalhamento puro do pino. A característica principal desta ligação é o preenchimento dos furos das vigas, sendo a operação realizada de forma diferente da ligação isostática, ou seja: a) o preenchimento do furo é feito com graute; b) é obrigatória a retirada do tubo de PVC (molde do furo) da peça para que haja a perfeita aderência do graute com a superfície de concreto da peça. Para Melo (2004), as ligações definidas como semi-rígidas são as que apresentam um aprimoramento técnico em relação ás ligações do tipo rotuladas. Pode-se utilizar a ligação semi-rígida como condição mais favorável e eficiente da ligação rotulada, em que não se despreza a capacidade resistente ao momento e, portanto, pode-se valer da propriedade de semi-engastamento. Para a consideração de forças horizontais, o estudo é o mesmo que o realizado para as ligações rotuladas. A única diferença é que na ligação semi-rígida é obrigatório o uso de neoprene preenchido com graute. A ligação semi-rígida apresenta a propriedade de resistir a uma parte do momento fletor de engaste das peças. Para que se tenha esse efeito, é necessária a colocação dos dois pinos de ligação de maneira a criarem o binário de forças resistentes. Melo (2004), classifica que as ligações engastadas podem ser de dois tipos: as que não apresentam ligações à tração na região inferior da viga e as que apresentam ligações completas (inversão do momento no apoio). 17 As ligações engastadas simples se caracterizam pela não-inversão do momento negativo na viga. Ou seja, elas não apresentam ligações resistentes a esforços de tração na região inferior da viga junto ao pilar (normalmente comprimida pelo momento negativo). Em relação a transmissão dos esforços horizontais, a ligação se comporta como as ligações rotuladas e semi-rígidas, valendo todos os detalhes já apresentados. Entretanto, deve-se considerar o preenchimento completo da ligação com graute, que resistirá aos esforços de compressão da viga. De acordo com Melo (2004), as ligações de engastamento total são as mais sofisticadas e realmente possibilitam condições muito próximas do engaste perfeito. A ligação difere muito pouco da ligação engastada simples, pois todos os detalhes são iguais, apenas acrescidos de chapas de aço posicionadas na parte inferior das vigas, soldadas sobre outra chapa posicionada no apoio. 18 3 PRINCIPAIS CAUSAS DAS PATOLOGIAS ENCONTRADAS NAS EDIFICAÇÕES De acordo com Menegatti (2008), atualmente não é raro encontrar edifícios apresentando algum tipo de fissuras, o que compromete, além da estética, conforto, insegurança do usuário e uma desvalorização no seu valor. “Os problemas patológicos, salvo raras exceções, apresentam manifestação externa característica, a partir da qual se pode deduzir qual a natureza, a origem e os mecanismos dos fenômenos envolvidos, assim como pode-se estimar suas prováveis conseqüências. Esses sintomas, também denominados de lesões, danos, defeitos ou manifestações patológicas, podem ser descritos e classificados, orientando um primeiro diagnóstico, a partir de minuciosas e experientes observações visuais”. (HELENE, 1992, p. 19). Os principais tipos de fissuras, para Camaduro e Zatt (2000), são causadas por retração, variação de temperatura, esforços de tração compressão, flexão cortante, torção, ou então causadas por corrosão nas armaduras, recalque das fundações ou movimentações higroscópicas. 3.1 MOVIMENTAÇÕES TÉRMICAS Para Thomaz (1989, p.19), as movimentações térmicas de um material estão relacionadas com as propriedades físicas do mesmo e com a intensidade da variação da temperatura; a magnitude das tensões desenvolvidas é função da intensidade da movimentação, do grau de restrição imposto pelos vínculos a esta movimentação e das propriedades elásticas do material. Ainda segundo Thomaz (1989), as trincas de origem térmica podem também surgir por movimentações diferenciadas entre componentes de um elemento, entre elementos de um sistema e entre regiões distintas de um mesmo material. As principais movimentações diferenciadas ocorrem em função de: - junção de materiais com diferentes coeficientes de dilatação térmica, sujeitos ás mesmas variações de temperatura (por exemplo, movimentações diferenciadas entre argamassa de assentamento e componentes de alvenaria); 19 - exposição de elementos a diferentes solicitações térmicas naturais (por exemplo, cobertura em relação ás paredes de uma edificação); - gradiente de temperatura ao longo de um mesmo componente (por exemplo, gradiente entre a face exposta e a face protegida de uma laje de cobertura). Figura 01: Parede com fissuras inclinadas, em forma de escama, evidenciando a dilatação térmica da laje de cobertura (Fonte: THOMAZ, 1989) Para Camaduro e Zatt (2000), as fissuras causadas por movimentação térmica, são de abertura constante, perpendiculares ao eixo do elemento e tendem a seccionar o elemento, sendo muito parecidas com as fissuras por retração, esses efeitos podem ser contidos com a construção de juntas de dilatação bem executadas. Figura 02: Destacamento entre alvenaria e estrutura, provocado por movimentações térmicas diferenciadas (Fonte: THOMAZ, 1989) 20 3.2 MOVIMENTAÇÕES HIGROSCÓPICAS Para Ianssen e Torrescasana (2003), quando o material poroso é exposto a umidade e temperatura por tempo e condições constantes, por meio de fenômeno da difusão atingira uma umidade estabilizada, que então atinge a umidade higroscópica de equilíbrio do material. A variação do teor de umidade provoca dois tipos de movimentações, as irreversíveis e as reversíveis. As movimentações irreversíveis ocorrem logo após a fabricação do material e origina-se pela perda ou ganho de água ate que atinja o ponto de umidade higroscópica de equilíbrio do material. As movimentações reversíveis ocorrem pela variação da umidade do material, ficando delimitada mesmo no caso de saturar-se ou secar-se por completo o material. Camaduro e Zatt (2000) destacam que a umidade do ambiente pode gerar variação no volume do concreto, aumentando a umidade, o elemento de concreto expande-se, quando diminui, o corpo segue com movimento, dessa vez diminuindo, podendo causar fissuras, que têm formato semelhante ás de retração. Figura 03: Trincas horizontais na alvenaria provenientes da expansão dos tijolos: o painel é solicitado à compressão na direção horizontal (Fonte: THOMAZ, 1989) 21 Figura 04: Trincas nas peças estruturais: a expansão da alvenaria solicita o concreto a tração (Fonte: THOMAZ, 1989) 3.3 RETRAÇÃO Segundo Thomaz (1989), em função da trabalhabilidade necessária, os concretos e argamassas normalmente são preparados com água em excesso, o que vem acentuar a retração. Na realidade, é importante distinguir as três formas de retração que ocorrem num produto preparado com cimento. De acordo com Torrescasana (1999), os três tipos de retração que ocorrem num produto preparado com cimento são: - Retração química: a reação química do cimento e água se da com redução de volume; a força de coesão interna reduz o volume da água em 25%. - Retração de secagem: a água em excesso evapora e isto gera forças capilares equivalentes a uma compressão, produzindo, redução de volume. - Retração por carbonatação: a cal hidratada reage com o gás carbônico e forma o carbonato de cálcio. Esta reação é acompanhada de redução de volume e gera retração. Para Thomaz (1989), a retração de lajes poderá provocar compressão de pisos cerâmicos, somando-se a esse inconveniente a deflexão promovida pela retração diferenciada do concreto 22 entre as regiões armadas e não armadas da laje. Em situações muito desfavoráveis poderão surgir fissuras no piso ou mesmo o destacamento do revestimento cerâmico. Figura 05: Destacamento do revestimento do piso, sob ação de sua dilatação térmica ou da contração térmica da estrutura (Fonte: THOMAZ, 1989) As fissuras desenvolvidas por retração das argamassas de revestimento apresentam distribuição uniforme, com linhas mapeadas que se cruzam formando ângulos bastante próximos de 90°. A figura 05 ilustra um fissuramento típico de revestimento em argamassa. Figura 06: Revestimento apresentando fissurações mapeadas típica de retração da argamassa (CARASEK, CASCUDO, JUCÁ, 2005) Thomaz (1989) explica que a retração de alvenarias além de destacamentos nas regiões de ligação com componentes estruturais, induzirá a formação de fissuras no próprio corpo da parede; estas poderão ocorrer nos encontros entre paredes, no terço médio de paredes muito 23 extensas, em regiões onde ocorra uma abrupta mudança na altura ou na largura da parede ou mesmo em seções enfraquecidas pela presença de tubulações. Figura 07: Fissuração generalizada causada pela retração dos componentes e pelo grande número de janelas na parede (Fonte: THOMAZ, 1989) 3.4 COMPRESSÃO Para Camaduro e Zatt (2000), as fissuras causadas por compressão são muito vistas em pilares, elas são paralelas e quando o concreto da peça submetida ao esforço não for muito heterogêneo, elas podem cortar-se segundo ângulos, são fissuras que podem ser visíveis mesmo antes de se obter tensões de ruptura. Figura 08: Trincas horizontais a meia altura de painel pré-moldado de concreto armado, submetido a flexocompressão (Fonte: THOMAZ, 1989) 24 Thomaz (1989) explica que elas podem ser geradas por má colocação ou insuficiência de estribos ou ainda por carga superior á prevista. 3.5 FLEXÃO De acordo com Thomaz (1989), as fissuras ocorrem perpendicularmente ás trajetórias dos esforços principais de tração. São praticamente verticais no terço médio do vão e apresentam aberturas maiores em direção á face inferior da viga onde estão as fibras mais tracionadas. Figura 09: Trincas em parede de vedação: deformação do suporte inferior a deformação da viga superior (Fonte: THOMAZ, 1989) Para Camaduro e Zatt (2000), as fissuras causadas por flexão são as mais freqüentes em estruturas de concreto armado, começam no bordo tracionado e avançam para a linha neutra. Figura 10: Fissuras inclinadas em aproximadamente 45° junto aos apoios e praticamente verticais no centro por flexão (Fonte: THOMAZ, 1989) 25 3.6 TORÇÃO Para Camaduro e Zatt (2000), as fissuras ocasionadas por esforços de torção, são geralmente inclinadas num ângulo de 45°, cobrindo o contorno da peça mais ou menos espiral. “As trincas de torção podem aparecer em vigas de borda, junto aos cantos das construções, por excessiva deformabilidade de lajes ou vigas que lhe são transversais, por atuação de cargas excêntricas ou por recalque diferenciados das fundações. Podem ocorrer também em vigas nas quais se engastam marquises e que não estejam convenientemente armadas á torção”. (THOMAZ, 1989, p.54). Figura 11: Detalhe da fissura por torção (Fonte: THOMAZ, 1989) 3.7 CORROSÃO NA ARMADURA Camaduro e Zatt (2000) explicam que com a oxidação do aço, um volume grande do aço original se produz, como este está imerso no concreto, ocorrem tensões de tração, gerando fissurações. O cobrimento adequado e um concreto compacto amenizam a situação. 26 Figura 12: Corrosão de armadura provocando danos na parede monolítica de concreto: no caso, não foram utilizados espaçadores que assegurassem o adequado cobrimento das armaduras (Fonte: THOMAZ, 1989) 3.8 RECALQUE DE FUNDAÇÕES “Os solos são constituídos basicamente por partículas solidas, entremeadas por água, ar e não raras vezes material orgânico. Sob efeito de cargas externas todos os solos, em maior ou menor proporção, se deformam. No caso em que estas deformações sejam diferenciadas ao longo do plano das fundações de uma obra, tensões de grande intensidade serão introduzidas na estrutura da mesma, podendo gerar o aparecimento de trincas”. (THOMAZ, 1989, p.83). Para Camaduro e Zatt (2000) as fissuras ocasionadas por recalques em fundações ocorrem mais quando as armaduras presentes nos elementos forem deficientes ou estiverem mal posicionadas, são fissuras que ocorrem em vigas e tem aberturas variáveis. 27 Figura 13: Recalques diferenciados entre pilares: surgem trincas inclinadas na direção de maior recalque (Fonte: THOMAZ, 1989) 3.9 UMIDADE Nappi (1996) diz que além da umidade resultante da produção dos componentes, essa também pode ter acesso aos materiais de construção através de diversas outras formas, tais como: umidade proveniente da execução da obra, umidade proveniente do ar, umidade proveniente de fenômenos meteorológicos e umidade proveniente do solo. Nappi (1996) complementa que as anomalias provocadas por umidade, manifestam-se através do aparecimento de manchas de umidade de dimensões variáveis nos parâmetros interiores das paredes exteriores, em correspondência com a ocorrência de precipitações, que tendem a desaparecer quando cessam os períodos de chuva. No entanto, em períodos prolongados pode haver a ocorrência de bolores, eflorescências e criptoflorescências. De acordo com Andrade (2003), a penetração de água através dos componentes de alvenaria, além dos problemas imediatamente decorrentes de umidade e bolor, causa expansões e contrações na posterior secagem desses componentes, o que pode conduzir à fissuração da parede e a destacamentos entre componentes e argamassa de assentamento. 28 4 DETALHES QUE PODEM EVITAR PATOLOGIAS “Os agentes causadores dos problemas patológicos podem ser vários: cargas, variação da umidade, variações térmicas intrínsecas e extrínsecas ao concreto, agentes biológicos, incompatibilidade de materiais, agentes atmosféricos e outros”. (HELENE, 1992, p. 22). Souza e Ripper (1998) argumentam que: [...] as causas da deterioração podem ser as mais diversas, desde o envelhecimento “natural” da estrutura até os acidentes, e até mesmo a irresponsabilidade de alguns profissionais que optam pela utilização de materiais fora das especificações, na maioria das vezes por alegadas razões econômicas. “O manuseio dos elementos pré-fabricados costuma ser também causa de graves problemas quando não se consideram as instruções dadas pelo fabricante”. (CANOVÁS, 1988, p. 126). “A consideração de uma estrutura isostática tem de ser realizada com muito critério, pois devem ser verificados os deslocamentos relativos entre as peças. As variações volumétricas ou outras cargas horizontais de origens diversas podem gerar diversas patologias se forem inadequadamente desprezadas”. (MELO, 2004, p. 38). “Os elementos pré-fabricados, que serão colocados em obra, têm que estar corretamente projetados e dimensionados de acordo com as cargas que irão suportar e os vão que devem vencer, levando-se em conta, de forma muito particular, a disposição de suas extremidades para a ancoragem ou união, pois esses pontos são os que mais problemas podem apresentar em obra, e os que podem dar origem aos maiores defeitos.”. (CANOVÁS, 1988, p. 126). De todos os pontos abordados pelo projeto de acordo com Melo (2004, p. 202), os detalhes de alçamento e transporte são, infelizmente, menosprezados e muitas vezes deixados de lado, não ocorrendo a devida atenção ao assunto, embora seja de fundamental importância para se evitar futuras patologias. Ao longo da execução de inúmeras obras com o sistema de painéis alveolares de fechamento, Melo (2004, p. 79) constatou que algumas patologias podem ser evitadas: [...] Quando a vedação da fachada não é realizada, a água que porventura penetre pela abertura não vedada invade o alvéolo. Esse efeito tem um aspecto visual negativo, mas não compromete o desempenho do painel. Contudo deve-se evitar a penetração de umidade dentro do alvéolo, fechando suas extremidades. Outro aspecto importante é a fissura a 45° junto ao sistema de fixação rígida (CHR). Esse fato ocorre quando, na montagem, determinado painel não é devidamente apoiado sobre aquele que o sustenta, ou seja, o guindaste de montagem ainda mantém a peça ligeiramente suspensa. Nesse caso, quando o painel é soldado e a peça finalmente liberada pelo guindaste, parte do apoio ocorre na solda da ligação e não no painel abaixo, o que causa a fissura da região. 29 O preenchimento dos alvéolos, quando especificado, deve ser executado com o mesmo controle tecnológico que qualquer concretagem, pois a responsabilidade na aderência entre os concretos (da laje e do preenchimento) é obrigatoriamente total. Melo (2004, p. 249) aconselha que o recorte no centro da laje deve ser evitado, [...] o recorte aumenta a probabilidade de fissuras na laje, podendo ocorrer sua quebra, o que implica problemas de segurança na montagem. Ao executar a solução de apoio em perfil metálico especial, Melo (2004, p. 272) orienta que deve-se tomar alguns cuidados para não ocorrerem patologias ou perda de eficiência da estrutura: a) somente poderá ocorrer um shaft por unidade de laje alveolar. b) não poderão ocorrer shafts maiores que uma modulação de laje (120 cm). c) somente lajes inteiras (sem recorte longitudinal) podem receber o perfil metálico para apoio da laje que forma o shaft. d) são permitidas lajes de shaft cortadas longitudinalmente (menores que 120 cm). Nesse caso o perfil metálico deve ser especial (menor) e detalhado pelo projeto. e) uma laje não pode receber dois apoios metálicos, ou seja, é necessária a colocação de duas lajes alveolares inteiras entre shafts. f) os shafts devem estar preferencialmente próximos ao apoio das lajes alveolares, de maneira que cada shaft tenha apenas um perfil metálico. Casos diferentes devem ser estudados potualmente. A indicação dos pilares pré-fabricados geralmente oferece um desenho de seção com arestas em cantos vivos. Para Melo (2004, p. 209) isso não ocorre devido: “ao [...] sistema construtivo, procedimentos de saque da forma e detalhe de fixação dos painéis de forma laterais, nas peças em geral (e também nos pilares). Por isso, os cantos da peça possuem chanfros (canto bisotado) resultantes da instalação, na forma, de uma cantoneira de 1,5 x 1,5 cm. Caso a alvenaria esteja alinhada pela face do pilar, no encontro desta com a estrutura se formará naturalmente um detalhe em que ocorrerá a indução de fissuras”. Melo (2004, p. 249) aconselha que o recorte no centro da laje deve ser evitado, [...] o recorte aumenta a probabilidade de fissuras na laje, podendo ocorrer sua quebra, o que implica problemas de segurança na montagem. 30 “As movimentações higrotérmicas da parede e da estrutura, as acomodações do solo e as deflexões dos componentes estruturais introduzirão tensões nas paredes de fechamento que, em função da natureza do seu material constituinte e da própria intensidade da movimentação, poderão ser absorvidas. Sempre que houver, entretanto, incompatibilidade entre as deformações impostas [no caso de diferentes tipos de materiais] e as admitidas pela parede, cuidados devem ser tomados no sentido de evitar-se a fissuração da parede ou o seu destacamento, ocorrerá a penetração de água para o interior do edifício”. (THOMAZ, 1989, p. 136). Melo (2004, p. 276) alerta que sobre as vigas, mesmo considerando a laje como biapoiada, é necessário um reforço adicional á tela, pois invariavelmente a laje irá comportar-se de forma continua, e, caso não houver armadura suficiente, podem aparecer fissuras na capa. “Estruturalmente é obrigatória a colocação de arranques dentro de alguns alvéolos da laje, aumentando-se a ligação entre a laje alveolar e a viga. Esse procedimento é recomendado, sendo importante a compatibilidade de deslocamentos na estrutura, evitando-se patologias no piso”. (MELO, 2004, p. 316). “A única concretagem in loco [em lajes pré-fabricadas] é a execução da ligação na junta longitudinal entre dois painéis, tarefa que é realizada com a ajuda de uma pequena armadura colocada in loco, que garante costura entre as lajes, evitando movimentações diferenciais e fissuras nas alvenarias de vedação”. (MELO, 2004, p. 455). Ripper (1996, p. 125), explica que existem dois tipos de juntas de dilatação nas estruturas, que são elas: - entre colunas: nas colunas geminadas, antes da execução da segunda coluna, aplica-se uma chapa de isopor ou de preerência uma chapa de aglomerado betuminoso, que tem a vantagem de não se desagregar em contato com a agulha do vibrador. - nas lajes, entre duas vigas: geralmente a junta nas lajes é formada por duas vigas geminadas, cada uma apoiando-se em elementos da estrutura também separados pela junta de dilatação. Para Ripper (1996), nos acabamentos das juntas nas lajes, precisa-se prever um dispositivo para impedir a entrada de água ou detritos nas juntas e que deve acompanhar o movimento da estrutura. Em residências uma chapa de cobre, dobrada tipo sanfona. O rejuntamento pode ser feito com mástique ou massa plástica que conserva a elasticidade. Nos pisos pode haver três tipos de juntas, segundo Ripper (1996) são: 31 - juntas de separação: entre paredes de fechamento ou colunas centrais e o piso, deve haver uma separação com junta. Também entre pisos existentes e novo deve haver uma junta de separação. Essa junta pode ser seca com uma pintura de tinta betuminosa espessa ou uma junta com aplicação de isopor ou chapa aglomerada betumada, ambas com 12,5mm de espessura. - juntas de construção ou de trabalho: para facilitar a execução do lastro e do acabamento é necessário executar lançamento de concreto ou massa em xadrez ou faixas. Nos lastros, as juntas entre estes quadros ou faixas são secas e pintadas antes do lançamento seguinte do concreto com tinta betuminosa ou com cal. - juntas de dilatação: nos lastros externos, entre juntas de dilatação não deve haver distancia maior que 10m. A execução da junta com abertura de 2cm, geralmente se faz com aplicação de isopor ou chapa de aglomerado betumado. No caso de lastro armado, a armadura não pode atravessar a junta. As juntas de dilatação dos acabamentos do piso devem coincidir rigorosamente com as juntas do lastro, em posição e largura. Se não se respeitar essa premissa, sem duvida aparecerão trincas ao longo das juntas. Segundo Ripper (1996), as juntas em paredes, tanto entre alvenarias ou entre colunas e paredes, devem ser executadas como descrito anteriormente para colunas geminadas das estruturas. “A vedação destas juntas se faz no lado interno com uma massa plástica que possua boa aderência e elasticidade permanente após o endurecimento superficial e no lado externo com uma massa epoxidada ou à base de silicone, com as mesmas características. Pode-se aplicar, também, uma fita de borracha de espuma betumada, que se encontra no mercado ou outros tipos especiais”. (RIPPER, 1996, p.128). 32 5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS A metodologia aplicada no estudo de caso para avaliar as patologias dos Blocos G e R préfabricados da Unochapecó Campus Chapecó, teve como referência a estrutura básica de etapas proposta por Ianssen e Torrescasana, como pode ser observado na figura abaixo. Figura 14: Estrutura básica de análise de patologias (Fonte: IANSSEN; TORRESCASANA, 2003) Com base na estrutura básica de análise de patologias, a pesquisa dividiu-se em cinco etapas: Pesquisa Bibliográfica; Levantamento do Histórico das Edificações; Vistoria da Obra; Possíveis Causas; Soluções Propostas. 33 5.1 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA Para se obter um conhecimento amplo do assunto foi necessária a realização de pesquisas através de bibliografias especializadas como livros, revistas técnicas, monografias, manuais e artigos. 5.2 LEVANTAMENTO DO HISTÓRICO DAS EDIFICAÇÕES Para obter informações mais detalhadas das edificações vistoriadas, foi feito o levantamento do histórico destas edificações através de relatos dos zeladores da Unochapecó Campus Chapecó e do engenheiro responsável pela execução. Alguns dos dados coletados no levantamento do histórico foram: data de construção, existência de projetos, configuração das edificações, tipo de fundações, tipo de estrutura, alvenarias de fechamento e material empregado, reformas e ampliações, reparos anteriores e mudança de uso ou sobrecarga. 5.3 VISTORIA DA OBRA Nesta etapa, foram realizadas vistorias (internas e externas) em todos os pavimentos dos Blocos G e R pré-fabricados da Unochapecó Campus Chapecó. Essas vistorias foram realizadas através de inspeções visuais bem detalhadas identificando os tipos de patologias existentes, a localização onde foi encontrada e a direção em que ela ocorreu. Foram documentados relatórios escritos e fotografias de cada patologia observada. 5.4 POSSÍVEIS CAUSAS DAS PATOLOGIAS Sabendo-se quais foram as principais patologias encontradas nos Blocos G e R da Unochapecó, Campus Chapecó, e com base nas referências bibliográficas, foi possível comparar as patologias existentes na obra com as estudas e, assim pode-se identificar quais foram as causas que geraram essas patologias. Para elaborar um diagnóstico correto, faz-se necessário conhecer as características dos materiais e dos sistemas construtivos empregados na obra, por isso fez-se necessário estudar a 34 configuração das edificações e das patologias através de dados obtidos pelo histórico das edificações e pela vistoria realizada. 5.5 SOLUÇÕES PROPOSTAS Da mesma maneira como foi possível identificar as causas, apontou-se soluções para a correção dos problemas, e foi possível sugerir maneiras para que este problema não voltasse a ocorrer em futuras edificações. 35 6 EDIFICAÇÕES Os Blocos G e R da Unochapecó Campus Chapecó foram projetados com a finalidade de abrigar salas de aula, auditórios, laboratórios, áreas de vivência, centros acadêmicos, centrais de cópia, cantinas e banheiros. As salas de aula são bem arejadas, os blocos possuem um espaço amplo para ventilação e circulação de alunos e professores. Figura 15: Espaço interno do Bloco R3 Com exceção do Bloco R3 que é isolado dos demais, os Blocos G e R são formados pela união de 03 Blocos independentes interligados através de juntas de dilatação. Eles possuem subsolo, térreo, 2° e 3° pavimento. Figura 16: Ilustração dos Blocos R1, Hall e R2 interligados 36 Em 2001 foi inaugurada a primeira obra da Unochapecó com esta configuração, o Bloco G1 com uma área de 3.360m², constituído de estrutura pré-fabricada de concreto protendido, cobertura metálica, alvenaria de tijolos cerâmicos, piso cerâmico sobre laje alveolar, divisórias internas tipo Eucatex, instalações elétricas aparentes, esquadrias de alumínio, pintura acrílica, revestimentos internos e externos de chapisco, massa única e cal fino. As fundações foram executadas com estacas tipo Franki com blocos e cálices de concreto. As escadas de acesso aos pavimentos superiores foram moldadas in-loco. Um pouco distante do Bloco G1, foi construído o Bloco R1 no ano de 2002, com 3.580m², seguindo as mesmas características acima citadas. No ano de 2003 foi concluída a construção do Hall G com 2.672m², constituído de estrutura metálica e laje treliçada. Em seguida foi concluído o Bloco G2 com 3.429m² e com as mesmas características do Bloco G1. Como eles foram interligados um no outro através de juntas de dilatação, e através de escadas e corredores é possível de se acessar ambos os blocos, tem-se a impressão de que estamos falando de um bloco só ao invés de três. Possuindo as mesmas características do Bloco R1, em 2005 foi concluída a construção do Bloco R2 com 3.593m² e Hall R com 2481m². Apresentando a mesma homogeneidade dos Blocos G. Figura 17: Bloco R3 37 Inaugurado no ano de 2007 com 2.570m² de área, o Bloco R3 possui características semelhantes dos demais, porém não possui subsolo e é isolado das outras construções. A estrutura das edificações pré-fabricadas são constituídas de pilar de 30x40cm, viga com 20cm de espessura e altura variável, laje alveolar com 30cm de espessura e vãos livres de até 7,90 metros com pé-direito de 3,50 metros. A ligação entre as peças é rotulada, com exceção do Hall do Bloco G, que foi executado em aço e foi utilizado ligação parafusada. Como podemos perceber, as edificações vistoriadas possuem características muito semelhantes umas das outras, o que nos leva a entender que as patologias existentes nelas também venham a ser parecidas. Alguns dos blocos já passaram por algumas reformas, e reparos que foram feitos devidos a algumas patologias que surgiram e que aqui serão comentadas. 38 7 PATOLOGIAS ENCONTRADAS Neste capítulo foram relatadas as patologias em elementos estruturais, alvenarias, revestimentos e pisos que ocorreram com maior freqüência nos blocos vistoriados, quais suas características e soluções apontadas por autores especializados. 7.1 FISSURAS MAPEADAS Patologia: Fissuramento das paredes dos Blocos G e R da Unochapecó Campus Chapecó, apresentando formatos variados, com linhas mapeadas que se cruzam formando ângulos bastante próximos de 90 graus e, distribuindo-se por toda a superfície da parede. Figura 18: Parede do Bloco R3 apresentando fissuras mapeadas Tipificação: Possível fissura por retração da argamassa de revestimento. A retração das argamassas aumenta com o consumo de aglomerante, com a porcentagem de finos existente na mistura e com o teor de água de amassamento. Alem desses fatores, Thomaz (1989) afirma que outros fatores poderão influenciar na formação ou não de fissuras por retração da argamassa de revestimento. 39 Aderência com a base; Numero de camadas aplicadas; Espessura das camadas; Tempo decorrido entre aplicação de uma e outra camada; Rápida perda de água durante o endurecimento por ação intensiva de ventilação e/ou isolação. Solução: Segundo Tomaz (1989), nos casos de retração da argamassa de revestimento de fachadas, pode-se tentar a utilização de uma pintura elástica encorpada, com a aplicação de três ou quatro demãos de tinta a base de resina acrílica, empregando-se ainda reforço com tela de náilon nos locais mais danificados. Nas paredes internas, alternativamente a simples substituição da argamassa de revestimento, causara menos transtornos e poderá ser economicamente competitiva a aplicação, por exemplo, de “papel de parede” sobre o revestimento fissurado. 7.2 FISSURAS E MANCHAS ESCURAS Patologia: Fissuramento das paredes localizadas próximas ao solo ao longo das fiadas inferiores, com presença de manchas escuras (mofo) também localizadas na mesma altura. Figura 19: Parede de fachada do Bloco R2 apresentando fissuras e manchas 40 Tipificação: As fissuras podem ter ocorrido por movimentação higroscópica diferenciada, na qual as fiadas inferiores, mais sujeitas a umidade, apresentam maior expansão em relação às fiadas superiores. Em alguns locais veio a ocorrer o descascamento da pintura. Para Ianssen e Torrescasana (2003), quando o material poroso é exposto a umidade e temperatura por tempo e condições constantes, por meio de fenômenos de difusão atingira uma umidade estabilizada, que então atinge a umidade higroscópica de equilíbrio do material. Segundo Camaduro e Zatt (2000) as fissuras causadas por movimentações higroscópicas têm formato semelhante às de retração. A outra patologia encontrada nesta mesma parede é a presença de manchas escuras também identificadas como mofo, provenientes da umidade constante. Para Ripper (1998) mofo é a formação de colônias de fungos que se desenvolvem escurecendo a superfície. Algumas das causas são: Umidade elevada associada à presença de materiais orgânicos em decomposição ou parasitas; Umidade e calor permanente no local. Solução: De acordo com Ianssen e Torrescasana (2003), neste caso deve ser feita a remoção do revestimento da parede, eliminação da infiltração da umidade, aplicação de chapisco externamente a uma bandagem nas fissuras, em seguida deve-se recompor o revestimento com argamassa de baixo modulo de deformação. 7.3 TRINCAS HORIZONTAIS EM PAREDES DE ALVENARIA Patologia: Trincas horizontais continuas encontradas nas paredes dos Blocos R1 e R2, sendo que todas as trincas horizontais observadas cortam toda a espessura da parede e apresentam se há duas ou três fiadas abaixo da viga que serve de verga para as esquadrias como pode ser observado na figura abaixo. 41 Figura 20: Parede no corredor do segundo pavimento do Bloco R2, apresentando uma trinca horizontal próximo a verga Tipificação: O local aonde aparece este tipo de fissura, é chamado de ponto frágil da parede, pois é nele aonde estão atuando as tensões que acabam gerando a trinca. Para Silva e Abrantes (2007), as causas deste tipo de fissuração estão identificadas: incompatibilidade entre a deformabilidade da parede e a deformação a longo prazo das lajes de apoio. Este fenômeno (e causa da patologia) é geralmente referido como “deformabilidade excessiva do suporte”. Solução: Como foi identificado na vistoria e pode ser observada na figura 21, em algumas das edificações vistoriadas, essa patologia já havia sido detectada. Para corrigir este problema, foi necessário abrir a trinca, aplicar mastique sikaflex na abertura, em seguida foi colocado uma tela sobre a trinca e por último foi efetuada a pintura sobre a tela. Pratica parecida com a sugerida pelo especialista em recuperação de patologias Ercio Thomaz. 42 Figura 21: Reparo realizado na parede do Subsolo do Bloco R2 Segundo Thomaz (1989), as fissuras provocadas por enfraquecimento localizado da parede, poderão ser recuperadas superficialmente através da introdução de bandagem no revestimento ou tela de náilon na pintura. O comportamento monolítico da parede poderá ser restabelecido mediante a introdução de armaduras no trecho fissurado da parede, ou até mesmo por meio de telas metálicas inseridas no revestimento; nessa segunda alternativa, o comprimento de transpasse da tela, para cada um dos lados da trinca, deve ser de aproximadamente 15cm. 7.4 DESTACAMENTOS ENTRE ESTRUTURA E ALVENARIA Patologia: Trincas destacando todo o contorno da ligação entre estrutura pré-moldada e alvenaria de tijolos cerâmicos com exceção das fachadas, ocorrendo em todos os Blocos vistoriados, mas apresentando maior destaque nos Blocos R. 43 Figura 22: Encontro entre pilar e parede no subsolo do Bloco R2 Figura 23: Detalhe da figura 22 apresentando o destacamento entre pilar e parede Tipificação: Essas trincas possivelmente foram provocadas pela movimentação térmica do arcabouço estrutural. Para Thomaz (1989), a movimentação térmica da estrutura pode causar destacamentos entre as alvenarias e o reticulado estrutural. 44 O arcabouço estrutural da edificação estará sujeito a movimentações térmicas, principalmente em estruturas de concreto aparente. Deve-se salientar a insolação direta, sendo que as temperaturas nas faces expostas das peças podem atingir até 80°C (THOMAZ, 1989). Ainda segundo Thomaz (1989), o destacamento nas regiões de ligação com componentes estruturais, poderá ser provocado pela retração das alvenarias. Solução: Para prevenir a ocorrência desta patologia os responsáveis pela obra, optaram pela utilização de ferros cabelos no encontro entre alvenaria e estrutura. Mas não foi o suficiente, pois o destacamento alvenaria/estrutura veio a ocorrer. Segundo Thomaz (1989) os destacamentos entre pilares e paredes poderão ser recuperados mediante a aplicação de material flexível no encontro parede/pilar. Pode-se empregar uma tela metálica leve, como por exemplo, tela de estuque (metal “deployée”), inserida na nova argamassa a ser aplicada e transpassando o pilar aproximadamente 20 cm para cada lado (THOMAZ, 1989). Para Thomaz (1989), cuidados devem ser tomados no sentido de evitar-se a fissuração da parede ou o seu destacamento do componente estrutural, principalmente no caso de fachadas onde, através da fissura ou do destacamento, ocorrerá a penetração de água para o interior do edifício. Seguindo este pensamento os responsáveis pelos projetos dos Blocos G e R da Unochapecó, colocaram uma tela de poliéster nas fachadas em toda ligação de estrutura com alvenaria, para impedir a penetração de água nos interiores das edificações. 45 Figura 24: Recuperação de destacamento pilar/parede com tela de estuque (Fonte: THOMAZ, 1989) 7.5 FISSURAS VERTICAS EM VIGAS Patologia: Fissuras verticais nas vigas de maior comprimento das fachadas. Figura 25: Fissuras verticais em vigas 46 Tipificação: Essas fissuras podem ter sido provocadas por retração hidráulica ou movimentação térmica. Segundo Helene (1992) as fissuras com essas características em vigas, são de retração hidráulica ou movimentação térmica e provem da secagem prematura do concreto, ou da contração térmica devida a gradientes de temperatura diários ou sazonais. Solução: Helene (1992) cita que a correção dessa manifestação patológica para ambientes agressivos e úmidos deve ser feita a partir da injeção de resina epóxi ou através da aplicação de selante. 7.6 TRINCAS NO PISO CERÂMICO Patologia: Trincas no piso cerâmico sobre laje alveolar, destacando o encontro entre os módulos pré-fabricados de laje. Essa patologia foi encontrada nos Blocos G exceto o Hall que é constituído de laje mista, e também encontrada nos Blocos R1 e R2. Figura 26: Trinca no piso cerâmico da sala R206 do Bloco R2 47 Tipificação: As trincas no piso cerâmico podem ter surgido por deformações diferenciadas dos diversos painéis de lajes pré-fabricadas, por ambas as faces de cada painel estarem sujeitas a uma diferença de temperatura. Segundo Thomaz (1989) verifica-se, em função da deformação de componentes estruturais, freqüentes problemas de compressão de caixilhos, empoçamento de água em vigas-calha ou lajes de cobertura, destacamento de pisos cerâmicos e ocorrência de trincas em paredes. Para Helene (1992) as fissuras por contração térmica podem surgir por cura ineficiente, proteção térmica ineficiente, excesso de calor de hidrata,ao e excesso de água de amassamento. Solução: Ao se proceder a execução do Bloco R3, já tinha sido constatada essa patologia nas construções anteriores. Devido a este fato alguns cuidados foram tomados na execução do Bloco R3. De acordo com Melo (2004), as lajes alveolares de piso recebem uma capa estrutural de 5 cm que trabalha em conjunto com a laje. Para melhorar a função desta capa estrutural, foi distribuída sobre as placas de laje alveolares, uma tela soldada funcionando como armadura para impedir a movimentação do piso cerâmico devido à dilatação da estrutura que acabou provocando nas construções anteriores trincas no piso cerâmico. Segundo Helene (1992) uma alternativa para correção para quando se tratar de laje com alta solicitação, como neste caso, deve-se aplicar novo revestimento empregando adesivo base acrílica ou base epóxi como ponte de aderência. 7.7 TRINCAS E RACHADURAS NOS PISOS DE CONCRETO Patologia: Rachaduras nos pisos de concreto usinado no térreo do Bloco R2 que ficam localizados sobre o solo, e trincas nos demais pavimentos térreos dos Blocos vistoriados. Elas se apresentam como na figura abaixo, cortando toda placa de piso. Em alguns casos, pode-se observar que as trincas assumem formatos mapeados. 48 Figura 27: Rachaduras em piso de concreto no térreo do Bloco R2 Tipificação: No caso especifico desta figura onde a manifestação patológica ganha maior destaque das demais localidades, a rachadura pode ter surgido devido ao mau adensamento do solo, pois os panos de piso foram executados sobre o encontro de aterro com solo natural. Nas demais localidades aonde foram identificadas trincas, as patologias devem ter surgido devido à dilatação proveniente das movimentações térmicas do concreto. De acordo com a norma, todos os pisos de concreto tendem a deformar, mas para minimizar esse problema, devem-se adotar juntas de movimentação em panos de 1x1m. Por ser uma distancia muito pequena, os projetistas optam por espaçar mais essas juntas, assumindo os riscos do aparecimento de rachaduras como no caso observado, onde os panos de pisos de cimento possuem grandes dimensões. Para Mattos (2004), quanto maiores as placas, menor a quantidade de juntas, o que gera uma maior probabilidade de fissuras de retração. Solução: Como neste caso é inviável a adoção de juntas de movimentação a cada 1 metro, uma boa sugestão é a retirada das placas de piso danificadas. Deverá ser feito um bom adensamento do solo e em seguida deve-se proceder a execução do piso com a adoção de armadura para impedir que o concreto trabalhe ao ponto de aparecer novas trincas ou rachaduras. 49 Mattos (2004) relata que para se executar placas de maiores dimensões, a armadura tem papel central, pois combate as tensões originarias de retração do concreto, e evita que as trincas cheguem a superfície. Mattos (2004) também cita que para o reforço dos pisos pode-se combinar o uso de telas e fibras metálicas. Outra forma de correção é o preenchimento das rachaduras com nata de cimento, mas esta técnica não é muito recomendada, pois não impede que a patologia volte a aparecer. 7.8 TRINCAS HORIZONTAIS ABAIXO DO PEITORIL DE GRANITO Patologia: Trincas horizontais abaixo de todo o comprimento do peitoril de granito, destacando e a ligação entre o guarda corpo em concreto e a argamassa de assentamento do peitoril. Essa patologia foi encontrada em todos os blocos analisados, mas com maior destaque no Hall do Bloco G como mostra a figura 28. Figura 28: Trinca horizontal abaixo do peitoril de granito localizada no terceiro pavimento do Hall do Bloco G 50 Tipificação: Esta patologia pode ter ocorrido devido a falhas na execução da interface entre o guarda corpo em concreto pré-moldado e o peitoril de granito. Solução: A solução considerada neste caso foi a sugerida pelo especialista em recuperação de trincas, Ercio Thomaz. Segundo Thomaz (1989), deve ser feita a introdução de bandagem no revestimento ou tela de náilon na pintura. O comprimento de transpasse da tela, para cada um dos lados da trinca, deve ser de aproximadamente 15cm. 7.9 TRINCAS NO ENCONTRO ENTRE ELEMENTOS PRÉ-MOLDADOS Patologia: Essas trincas aconteceram no encontro entre módulos de sacadas pré-moldadas em concreto localizadas nos corredores dos Blocos G e R da Unochapecó. Figura 29: Trinca na ligação entre dois módulos de sacada pré-moldada localizada no segundo pavimento do Bloco G2 51 Tipificação: Em geral, as lajes do pavimento avançam em balanço nas regiões das sacadas, introduzindo-se esperas, insertes, encaixes ou outros detalhes para o recebimento dos guarda corpos préformados (ÁVILA, 2006). Como citou Ávila, acontece nos Blocos G e R da Unochapecó Campus Chapecó. As sacadas pré-moldadas de concreto, são fixadas nas lajes alveolares, devido a este fato, a patologia também pode ter sido provocada pela movimentação da estrutura. Essa patologia surgiu devido a falha no dimensionamento da junta de dilatação que une as peças de sacadas pré-moldadas de concreto. A junta com pouca espessura, não suportou a movimentação acentuada provocada pela estrutura de concreto pré-moldado. Segundo Oliveira (1995), quando as juntas não são previstas ou são mal dimensionadas, com a utilização de produtos não apropriados, podem ocorrer falhas no sistema de vedação, ocasionando trincas e danos nos elementos construtivos. Solução: Uma solução recomendada é a vedação das juntas já existentes com selante de alta performance, tornando-a mais resistente, diminuindo a probabilidade de ocorrência desta patologia. De acordo com Oliveira (2005), os selantes atuam como uma barreira eficaz contra a passagem de calor, luz, som, água, vapor, e de poeira, devendo resistir e absorver dilatações, deformações e vibrações. Segundo Oliveira (2005), os selantes de alta performance apresentam comportamento elástico, ou seja, deformação proporcional à tensão e retornam ao estado original após a remoção desta tensão. 52 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao concluir esta pesquisa pode-se perceber que as manifestações patológicas encontradas não são graves ao ponto de comprometer a segurança estrutural de uma edificação, mas também não devem ser desprezadas, até mesmo porque as patologias ficam aparentes e acabam causando uma sensação de insegurança. Na investigação das edificações foi constatado que as manifestações patológicas são decorrentes tanto de falhas no projeto e execução, como também são inerentes ao processo. A manifestação com maior ocorrência foram as trincas, que se apresentam de diversas formas e devido aos fatores anteriormente citados. As incidências apresentadas mostram a necessidade de uma maior atenção com relação à movimentação das estruturas, já que se trata de edificações pré-fabricadas e que vem a ser o fator com maior influência no surgimento dessas patologias nos Blocos G e R da Unochapecó, Campus Chapecó. As soluções das patologias analisadas na grande parte são caras, mas não são de difícil execução. Todo retrabalho acaba se tornando caro, portanto o interessante seria prevenir as edificações para que estas patologias não voltem a acontecer em futuras edificações. Mesmo destacando a eficiência das estruturas pré-fabricadas, podemos analisar que quaisquer sistemas construtivos estão propícios a ocorrência de manifestações patológicas, e é por isso que na concepção do projeto de uma edificação vários detalhes devem ser considerados para que esses problemas não venham a ocorrer. 53 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT (1985). NBR 9062 Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado. Rio de Janeiro. THOMAZ, Ercio. Trincas em edifícios. 1. Ed. São Paulo: Pini, 1989. MELO, C.E.E. Manual munte de projetos em pré-fabricados de concreto. São Paulo: Pini, 2004. REVEL, M. La prefabricacion em la construcion. 1. Ed. Bilbao: Urno, 1973. HELENE, Paulo. Manual para reparo, reforço e proteção de estruturas de concreto. 2. Ed. São Paulo: Pini, 1992. NETO, Noé Marcos. Estruturas pré-moldadas de concreto para edifícios de múltiplos pavimentos de pequena altura: uma análise crítica. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Estruturas) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, 1998. TEIXEIRA, E. H. S. Manual técnico de pré-fabricados de concreto. São Paulo: Bandeirante S.A. Gráfica e Editora, 1987. SOUZA, V. C. M; RIPPER. T. Patologia, recuperação e reforço de estruturas de concreto. São Paulo: Pini, 1998. BRUGGELING, A. S. G; HUYGHE, G, F. Prefabrication with concrete. 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