A ESCOLA NORMAL DE OURO PRETO E O PROJETO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES (1825-1852)1 WALQUÍRIA MIRANDA ROSA-FaE/UFMG2 Institucionalização da formação de professores Apesar da maioria da literatura sobre formação de professores em Minas Gerais considerar a criação de uma Escola Normal somente a partir do ano de 1871, sabemos que, já na primeira metade do século XIX, esta instituição era uma importante estratégia de formação daqueles que aspiravam ao cargo de magistério. A organização eficiente desta instituição foi uma das grandes preocupações dos dirigentes mineiros ao buscar organizar o sistema público de educação elementar. Muitas críticas eram feitas ao sistema elementar de instrução pública em Minas Gerais no século XIX. Essas críticas iam da falta de escolas, de materiais e locais adequados para o ensino, da ineficácia dos métodos utilizados, da ausência de professores devidamente habilitados e principalmente da falta uma escola normal que os preparasse de maneira adequada para o trabalho pedagógico. Sendo esta última crítica considerada a principal causa do atraso que, segundo os dirigentes mineiros, se encontrava a instrução pública elementar. Dessa forma, na primeira metade do século XIX, a importância de se estabelecer uma Escola Normal, justificava-se na necessidade de habilitar os professores em um método de ensino que fosse capaz ao mesmo tempo, de levar a instrução a um número cada vez maior da população, em um tempo cada vez mais reduzido, e que gerasse menos custos para a Província. A Escola Normal era assim pensada como espaço difusor de um método de ensino capaz de ordenar, de maneira racional e de acordo com preceitos cientificamente fundados, o processo de instrução. Para que se pudesse garantir a formação necessária aos professores que atuariam no sistema de ensino público primário, a lei nº 13 de 28 de março de 1835, através do artigo 7º cria uma Escola Normal na capital mineira. O artigo determinava que o governo deveria “estabelecer 1 Este texto faz parte de uma pesquisa de Mestrado intitulada ”Representações da profissão docente em Minas Gerais (1825-1852).” 2 Mestranda em Educação do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFMG. 1 o quanto antes uma Escola Normal para a instrução primária (e para as quatro escolas especiais) pelo método mais expedito e ultimamente descoberto e praticados nos países civilizados. O governo fica autorizado a contratar com quatro cidadãos que vão se instruir dentro ou fora do Império nas referidas matérias das escolas especiais, afim de virem estabelecer as referidas escolas”3 A lei n.13 foi a primeira a propor uma organização para a instrução pública mineira. Iniciativa esta colocada em prática após um decreto régio de 1827, que estipulava uma política oficial de educação para o Estado Imperial, atribuindo às províncias a responsabilidade pelo ensino primário e secundário e ao governo monárquico o ensino superior. Através da lei n.13 foram criadas ainda cadeiras de primeiras letras, estabelecendo-se o que nelas deveria ser ensinado, o horário das aulas e a formação dos professores que nelas atuariam, bem como parâmetros para conduta moral destes docentes. A Escola Normal de Ouro Preto, foi estabelecida no dia 5 de agosto de 1840, ou seja cinco anos após a sua criação, ficando sua direção a cargo do Professor Francisco de Assis Peregrino. Após o estabelecimento da escola passa-se a exigir dos professores a ida à capital para que estes pudessem se habilitar no método adotado nesta instituição, sendo posteriormente submetido a exame para receber o diploma de professor. Eram realizados concursos e provas de habilitação estabelecidas pela lei nº 13, para que os docentes, inclusive os dos espaços escolares particulares, fossem considerados aptos para o exercício da docência. Os mestres de ofício agora precisariam habilitar-se na Escola Normal para que suas funções fossem legitimadas. No entanto, as primeiras tentativas de organização da Escola Normal de Ouro Preto foram interrompidas pela morte do Professor Peregrino, conforme nos informa o presidente Herculano Ferreira Penna em 03/05/1842. Segundo o Presidente, a Escola Normal de Ouro Preto não fechou após o falecimento do Professor Peregrino, mas continuou sendo regida por um dos professores de instrução pública da capital “seguindo por ora um methodo, que participa do geralmente praticado na província, e do ensino mútuo, de sorte que muitos aperfeiçoamentos ainda são necessários, para que possa ser útil a providência já deliberada de virem os professores públicos da província frequentarem a Escola Normal de Ouro Preto.” 3 Leis Mineiras. Lei n.13 - 2 Porém, no dia 7/12/1842 o Presidente Bernardo Jachinto da Veiga, informa em ofício ao Delegado do 1º círculo literário, que a Escola Normal de Ouro Preto deve ficar “sem exercício por ter falecido o professor habilitado para o magistério, como por haver a Assembléia Legislativa Provincial eliminado do novissímo orçamento a quota destinada para a referida Escolla, devendo por consequencia ser dispensado o professor que a rege.” O que se pode perceber é a precariedade de funcionamento da instituição. Nos discursos dos Presidentes Mineiros a ausência da Escola Normal era uma afirmada preocupação. Nos relatórios de presidentes de província analisados vários são os depoimentos sobre a importância da Escola Normal par o bom andamento da Instrução Pública e os pedidos para que esta fosse reaberta. No ano de 1846, através da Lei n. 311 a Escola Normal é novamente estabelecida, desta vez sob a regência de Antônio José Osório de Pinna Leitão. Mas, ao que tudo indica nas leituras feitas nos relatórios dos Presidentes da Província mineira, muitas crítica são feitas a eficácia desta instiuição. Quintiliano José da silva em fala dirigida à Assembléia Legislativa Provincial ressalta o mal que a falta de professores devidamente formados faz para o bom andamento da instrução, as tentativas fracassadas de se estabelecer uma Escola Normal anteriormente, criticando a forma como essa tinha sido organizada, principalmente no que dizia respeito ao ensino prático dos métodos de ensino. É nesse contexto, entre a afirmação da sua necessidade, críticas a sua eficácia que a Escola e assistematcidade de recursos para sua manutenção que a Escola Normal de Ouro Preto vai funcionando. Na análise das fontes consultadas, é possível indiciar que o retorno dado por esta instituição à formação dos professores, estava longe de satisfazer as necessidades da instrução pública, como também dos dirigentes mineiros que nela apostavam e investiam financeiramente. Em 1852 a Escola Normal de Ouro Preto é novamente fechada através da portaria de 6 de maio, sendo novamente estabelecida somente no ano de 1871. Ao longo deste período encontramos ainda nos relatórios de Presidentes da Província mineira consultados, falas que afirmam a necessidade desta instituição e associam o fracasso frequente da Instrução Pública a má formação dos professores. O discurso da necessidade de instruir o povo e de formar adequadamente os professores através da Escola Normal para essa tarefa vai se perpetuando ao longo dos anos. É o que fica 3 claro em 1871 quando Antônio Luiz Affonso de Carvalho é enfático em afirmar que a “criação de escolas Normais é de urgente necessidade.” Segundo o Presidente, “os professores não se formam por despachos de nomeações, nem se habilitam por ligeiros exames em lugares remotos(...).” Era incompatível segundo ele, que se “pretenda ter professores sem dar-lhes escolas normais, em que estudem previamente com perfeição as matérias que tem de ensinar. ” A importância da escola Normal é enfatizada em sua fala. O professor prossegue, “deve se formar estudando e patenteando sua vocação, praticando métodos que tem que servir-se e adquirindo, quanto possível, os hábitos especiais da espinhosa carreira que escolheu.” A Escola Normal de Ouro Preto é reaberta de forma definitiva em 1871 através da lei n. 1769. Ela terá momentos de redefinição de sua organização, da grade curricular, dos métodos de ensino, mas sem que se questione sua existência. Nessa nova fase a Escola Normal da capital mineira previa a frequência comun de homens e mulheres em lições alternadas, tendo a duração de dois anos, sendo seu currículo composto pelas seguintes disciplinas: Instrução Moral e religiosa, Gramática da língua nacional, Aritmética, sistema métrico e elementos da geometria, noções gerais de geografia e história, geografia do Brasil, (momermente da província), leitura refletida da constituição, pedagogia, e legislação do ensino, uma aula de ensino linear e música. O objetivo da escola nesse momento, segundo o texto legal era preparar os professores para o trabalho na escola elementar, sendo uma extensão do mesmo. Produzindo um modelo ideal de professor. O principal objetivo da Escola Normal de Ouro Preto na primeira metade do século XIX, era formar o que estamos chamando de modelo ideal de professor. Para os dirigentes mineiros o professor ideal era aquele fosse abnegado, que encarasse a profissão como um sacerdócio, que tivesse uma sólida formação religiosa, além de frequentar a Escola Normal, conhecer os métodos de ensino e os conhecimentos exigidos pela lei. O domínio dos saberes pedagógicos não era sufuciente, combinando-se ou entrando em conflito com critérios de ordem moral, em consonância com o ideário que compreendia a educação como estratégia de moralização da população da província, de maneira a garantir condições de governabilidade. Educar era assim moralizar o povo, de acordo com os valores dos países europeus ditos civilizados. 4 A Escola Normal foi o espaço legitimado de produção e circulação de um saber pedagógico que tentava racionalizar e legitimar as práticas educativas escolares, tendo como papel principal a formação dos sujeitos que seriam autorizados a formarem as novas gerações. Tais sujeitos, além do domínio dos métodos de ensino e dos saberes estabelecidos pela legislação, deveriam apresentar uma conduta moral coerente com o papel de modelo para apopulação e agente do estado nos diversos municípios. A dimensão moral na construção do perfil do professorado evidencia-se na análise da documentação, mas não podemos afirmar que o domínio dos saberes tinha uma importância secundarizada. Aos critério relacionados ao fazer docente na avaliação dos candidatos vem somar-se, muitas vezes, confrontar-se com critério de ordem diversa, não relacionados à sua prática docente propriamente dita, mas seu lugar social, seu papel com agente do estado. Assim é que é exigido do candidato a docente na década de 30 o pagamento de uma taxa de inscrição. Tal exigência aponta para uma seleção de candidatos de acordo com sua situação social, dificultando aos sujeittos das camadas mais pobres da população o exercício da função docente, mesmo que pretendesse demonstrar competência para seu exercício. A seleção econômica dos candidatos era assim pré-requisito para o exercício da função docente, o que poderia funcionar como mecanismo excludente de parcela significativa da população. Outro documento exigido do professor era uma carta expedida por autoridades municipais que atestasse a idoneidade do candidato. A exigência de tal documento tinha em vista que o professor era concebido como agente moralizador, capaz de incutir os corretos príncipios de conduta às classes mais pobres, muito através de seu exemplo. Não só instruir, mas também cabia ao professor desenvolver em seus discípulos os corretos preceitos morais, coerentes com a autoridade constituída. Tal critério muitas vezes entrava em conflito direto com os critérios estabelecidos pela Escola Normal. Assim é que seu diretor, em correspondência dirigida à Instrução Pública reclama da supremacia de critérios políticos em detrimento dos saberes pedagógicos na contratação de professores. Em vários processos de contratação avoluman-se correspondências de autoridades municipais diversas: juízes de paz, delegados de polícia, políticos locais, muitas destas registradas em cartórios. Nestas correspondências os nótaveis davam testemunho da idoneidade do candidato. 5 Na verdade, no curso Normal afirma-se a importância deste não se ater à atividade docente, mas atuar como regenerador das classes desfavorecidas, incultindo-lhes os preceitos civilizatórios regeneradores e modeladores de conduta. Tal conduta será avaliada em termos de bom comportamento e submissão à ordem moral vigente. A definição dos saberes escolares e do fazer pedagógico No que se refere ao projeto pedagógico propriamente dito, a fundação da Escola Normal de Ouro Preto tinha como objetivo formar os professores em consonância com as novas metodologias de ensino, que buscavam romper como o chamado método individual, reputado por sua pouca eficiência e acientificidade. A ênfase na formação dada aos professores passa a ser os métodos de ensino. Apesar de não ser claramente definido pela lei n.13 um método a ser ensinado, o artigo 7º deixa clara a intenção formadora da Escola Normal nesse momento, ou seja, habilitar os professores no método que era utilizado nos países civilizados. A legislação definia também outras matérias de ensino, as quais os professores deveriam dominar, uma vez que seriam preparados para a instrução primária que é dividida em dois graus, de acordo com a lei n. 13.4No primeiro se ensinaria a ler, escrever, e a prática das quatro operações aritméticas. No segundo grau se ensinaria a ler, escrever, aritmética até as proporções e noções gerais dos deveres morais. A partir da lei n. 13 os professores deveriam frequentar a escola por um período de dois meses para se prepararem nas devidas materias e nos métodos de ensino. A centralidade da discussão em relação a formação dos professores, estava na importância de uma metodologia de ensino que viabilizasse o atendimento a um número maior de alunos por classe, permitindo o acesso da população à escola e que permitisse uma melhor aprendizagem. A experiência prática que o mestre de primeiras letras tinha em ensinar não é mais considerada como suficiente para o exercício do magistério. Os mestre escola, que na época eram predominantemente homens, tinham sua prática referenciada em um modelo de ensino individualizado, não graduado, com um currículo indefinido, e uma prática pedogógica calcada 4 De acordo com a lei n.13 escolas de 2º grau eram aquelas localizadas em vilas e cidades e as de 1º grau aquelas cituadas noslugares em “que atenta a população, poderem ser habitualmente frequentadas por vinte e quatro alunos ao menos.” 6 na memorização e repetição dos conhecimentos trabalhados de forma assistemática. Esses conhecimentos eram então avaliados como inadequados para o projeto de instrução fundado no ensino mútuo. Com a criação da Escola Normal de Ouro Preto foi se produzindo a necessidade de uma outra formação. Na medida em que esta é criada ela vai se produzindo como fundamental, trazendo para o cenário da política de ensino a discussão metodológica. A partir de 1846, de acordo com a lei n.311 era exigido dos professores, após frequentarem a Escola Normal de Ouro Preto, que realizassem um exame perante o Presidente de Província ou Delegados por eles nomeados. Esse exame constava de uma dissertação sobre os métodos de ensino seguidos na província mineira até então e daquele que era ensinado na Escola Normal, além de um exame, que era a escrita de um texto na língua portuguesa e a resolução de um problema de artimética. Confirma-se na análise destes exames, nos anos de 1846 a 1850, que a centralidade da formação dos professore nesse momento era a dimensão metodológica da prática pedagógica. Nos anos de 1846 até meados de 1848 os candidatos descreviam todos os métodos de ensino de forma detalhada, a partir desta data observa-se que os professores passam apenas a citar os outros métodos de ensino e a descrever o método misto que então era ensinado na Escola Normal. Este método é considerado neste momento como aquele que melhores resultados podia oferecer à instrução elementar, sendo composto pelo que de melhor havia nos métodos individual, simultâneo e mútuo. A assistematicidade do funcionamento da escola demonstra que o discurso quanto a formação do de professores não se afirma através da aceitação da definição de espaços difusores de saberes escolares para o grosso do professorado. Tal percurso da Escola Normal mineira encontra paralelo no processo vivido na implantação das Escolas Normais criadas nas demais províncias, o que aponta a fragilidade do processo de qualificação docente no decorrer do Estado Imperial, bem como a dificuldade de estabelecimento de um sistema de ensino fundado em preceitos metodológicos que uniformizasse as práticas docentes. Por um lado a preocupação quanto ao método a ser transmitido ocupa o centro do projeto de formação, por outro a indefinição quanto a melhor metodologia a ser utilizada fez com que esta questão, com o tempo, perdesse credibilidade. Ao longo deste período sucede-se a veiculação do método simultâneo, mútuo e posteriormente o misto. As diretrizes metodológicas 7 alternavam-se de acordo com a definição dos dirigentes da Escola Normal. KRUEGER, citando o relatório sobre o ensino do Presidente da ProvÌncia ao Ministério do Império, em 1865 afirma que: “...confessa o Presidente que, na ProvÌncia, não haverão talvez dez professores que adotem o mesmo método.”(p. 93) Na segunda metade do século XIX, ainda no período imperial, a Escola Normal será reestruturada, assumindo centralidade a discussão quanto aos conhecimentos transmitidos. Seu tempo de duraçaõ será estendido para dois anos, ao longo dos quais o aluno deveria cursar um rol de disciplinas que são ampliadas, tanto quanto ao seu número, como quanto à extensão de conhecimentos desenvolvidos em cada uma delas. Considerações finais Ao longo do século XIX, O estado tentará estabelecer uma política pública de ensino , na qual a fomação de professores e o estabelecimento de critérios para sua contratação constituirão pilares centrais. Porém, tal política ocorrerá de maneira assistemática, sem uma definição de diretrizes melhores precisas. A Escola Normal de Ouro Preto, funciona neste processo como o elemento aglutinador, produtor de um discurso do modelo-ideal de professor que se queria formar, ela terá como propósito unificar o discurso da necessidade de formação. Será através da Escola Normal que esse discurso se estabilizará, criando condições de possibilidade para sua reprodução ao longo do tempo. O que fica evidente, pois o discurso sobre a importância da Escola Normal é encontrado ao longo do século XIX, sendo a formação docente compreendida como institucionalização das escolas normais neste período. A fundamentação do discurso sobre a formação e a instrução, vai na direção da construção de um modelo-ideal de professor. Porém é preciso transformar esse ideal em realidade. Só se cria um modelo-ideal porque passa-se a considerar que o modelo anterior não corresponde às necessidades que se coloca para a instrução. É aí que a Escola Normal, e sobretudo a Escola Normal de Ouro Preto ganha importância enquanto agência de formação na primeira metade do século XIX. Ao mesmo tempo, a estabilização de tal discurso significou característicamente a desqualificação do professorado, discurso que se afirma ao longo de todo período. 8 A Escola Normal foi constituindo-se no processo de organização da instrução pública, não só como uma agência de formação mas, sobretudo, como portadora de um sentido em relação a profissão docente. Como apontam FARIA FILHO & ROSA; 1999, “as discussões em torno da formação dos professores contribuíram com algo de fundamental na história da educação brasileira, ou seja, foram importantes para a construção daquilo que estamos chamando de discurso fundador 5 a respeito da instrução e, sobretudo, da profissão docente em nosso país. Nessas discussões e, através delas, produz-se e estabiliza-se um discurso sobre a (in)competência e desinteresse dos mestres, sobre a responsabilidade dos mesmos quanto ao fracasso da escola e, por fim, sobre o lugar e função formadora das escolas normais.” Ao mesmo tempo, é no interior das Escolas Normais que se difundem e irradiam os conhecimentos relativos aos métodos de ensino capazes de ordenar o espaço escolar, bem como dos saberes a serem transmitidos no interior da escola, organizados nas disciplinas escolares. A historiografia da educação brasileira ao contemplar o período oitocentisita indica que a Escola Normal tem aí papel fundamental de constituição de um savoir-faire característico do ofício docente. Isso não significa que os discursos e saberes veiculados no interior destas instituições tenham sido reproduzidos pelos professores na sua ação pedagógica. Ao contrário, estes eram ressignificados no processo de apropriação pelo professorado, o que demanda a realização de outra pesquisa para a compreensão desta dimensão da profissão docente.(GOUVEA & ROSA, 2000, P.15) Bibliografia BASTOS, Maria H.e FARIA FILHO, L. O Ensino Mútuo no Brasil. Passo Fundo: Ediupf, 1999. FARIA FILHO, L. BELO, Laurena, RESENDE, Fernanda, ROSA, Walquíria. Fontes para história da educação em Minas Gerais no século XIX. Educação em Foco, v.4, n.1, março/agosto/99.p.73-89. 5 Discurso Fundador, segundo ORLANDI, é o que instala as condições de formaç\ão de outros discursos. São enunciados que ecoam e reverberam efeitos da nossa história em nossso dia-a-dia, em nossa reconstrução cotidiana de nossos laços sociais, em nossa identidade histórica. Interessando sobre tudo a historicidade dos próprios processos discursivos. Trata-se de pensar como os diferentes processos discursivos se relacionam e como atuam na perpetuação e na cristalização de determinados discursos em detrimento de ourtros. 9 FARIA FILHO, L., ROSA, Walquíria M. O ensino mútuo em Minas Gerais (1823-1825). In: O ensino mútuo no Brasil. Passo Fundo: Ediupf, 1999.p.117-196., GOUVEA, M.C., ROSA, W. História da Escola Normal em Minas Gerais (!835-1906). In: Lições de Minas. No Prelo. LOPES, Eliane e FARIA FILHO, Luciano (orgs). 500 de educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. MOURÃO, Paulo K. O ensino em Minas Gerais no tempo do Império. Belo Horizonte: Centro Regional de Pesquisas Educacionais, 1959. ORLANDI, Eni. Discurso Fundador. A formação do País e a construção da identidade Nacional. São Paulo: Pontes, 1993 10