CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS DA CENTRAIS DE ABASTECIMENTO DE GOIÁS S/A – CEASA-GO 1 Helaine da Mota Santos Resplandes Letícia Neves Jorge1 Lucileide Maria dos Santos1 Mirele Maria Barbosa Ferreira1 2 Orientador: Prof. Osmar Mendes Ferreira Universidade Católica de Goiás – Departamento de Engenharia – Engenharia Ambiental AV. Universitária, Nº 1440 – Setor Universitário – Fone(62)227-1351 CEP: 74605-010 – Goiânia-GO. RESUMO A proposta deste trabalho é caracterizar os resíduos da Central de Abastecimento de Goiânia-Goiás, diagnosticando sua composição física, quantidade, gravimetria e peso específico. Através da metodologia aplicada constatou-se a grande geração de resíduos sólidos (10.869 Kg/dia) sendo que aproximadamente 80% de matéria orgânica e 20% de materiais podem ser reciclados. Desta forma, constatou-se a necessidade e a viabilidade social, econômica e ambiental de implantar a reciclagem e a construção de uma usina de compostagem. Palavras-chave: CEASA-GO, resíduos sólidos, caracterização física. ABSTRACT The proposal of this work is to characterize the residues of Central Offices of Supplying of Goiânia-Goiás diagnosising the physical composition, amount, gravimetria and specific weight. Through the applied methodology it was evidenced approximately great generation of solid residues (10,869 Kg/dia) being 80% of organic substance and 20% of materials that can be you recycle. Of this form is seen necessity and the social viability, economic and ambient to implant the recycling and the construction of a compostagem plant. Key- words: CEASA-GO, solid residues, physical characterization. Goiânia, 2004/2 1 2 Acadêmicas de Engenharia Ambiental ([email protected]) Engº Sanitarista, Universidade ([email protected]) 2 1. INTRODUÇÃO Resíduos sólidos são restos das atividades humanas considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis, ou descartáveis. Entretanto podem se tornar matéria-prima para um novo produto ou processo. Apresentam-se no estado sólido e necessitam ser acondicionados em recipiente apropriado para sua remoção (INSTITUTO DE PLANEJAMETO TECNOLÓGICO - IPT, 2000). A Central de Abastecimento de Goiás S/A (CEASA-GO) comercializa, em sua maioria, produtos hortifrutigranjeiros, atendendo o mercado goiano e de outros estados brasileiros. Os resíduos sólidos resultantes de suas atividades representam em média 10.869 Kg/dia, sendo acondicionados de forma heterogênia. Estes resíduos são constituídos de materiais recicláveis e com grande quantidade de matéria orgânica (valor comercial) podendo ser aproveitado de maneira mais nobre, atribuindo ganhos sociais a CEASA-GO. No entanto, são depositados no Aterro Sanitário de Goiânia resultando em custos financeiros para a administração, com transporte, equipamentos e disposição final (ANEXO 2). Ainda devemos considerar os riscos de acidentes no transporte e ambientais pela natureza dos produtos transportados (resíduos sólidos), representados pelo serviço realizado pelo caminhão da CEASA-GO, até o Aterro Sanitário de Goiânia. No deslocamento do veículo, este desenvolve baixa velocidade em via de trafego intenso e pesado. A proposta deste trabalho é caracterizar os resíduos, diagnosticando as características físicas, composição gravimétrica, quantidade e peso específico dos resíduos sólidos produzidos pela CEASA-GO, propondo alternativas de aproveitamento. 2. CARACTERIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO De acordo com a certidão de registro do imóvel, registrada no Cartório da 3ª Zona Imobiliária, livro 3-BK, a Centrais de Abastecimento de Goiás- S/A, CEASA-GO, está localizada no Km 5,5 da BR 153, no sentido Goiânia/Anápolis 3 no município de Goiânia (Figura1). Apresentando uma área total de 16,21 alqueires, sendo 4,41 alqueires de reserva legal e 25.000m2 de área construída. Foi inaugurada em Agosto/75, sendo hoje uma Sociedade de Economia Mista de Direito Privado, na qual o Estado de Goiás é o acionista majoritário e detentor de 99 % das ações com direito a voto (CEASA, 2004). Consta que a CEASA-GO é uma das mais modernas e organizadas do país, comercializando em média 60.000 toneladas de alimentos por mês. Tem hoje uma ocupação de 97% de suas dependências, locando aos permissionários ao preço de R$ 12,05 por metro quadrado (Outubro/2004), disponibilizando atualmente 180 Box. Produtos mais comercializados na CEASA-GO no ano de 2003 são respectivamente: laranja 7,90%; tomate 7,80%; banana 5,46%; batatinha 5,46%; maçã 4,73%; repolho 4,51%; cebola 4,39%; ovos 4,14%; abacaxi 3,88%; mamão 3,40%; abóbora 2,48% e melancia 2,47% (CEASA, 2004). Nesta unidade foram criadas as condições para comercialização da produção hortifrutigranjeira não só em Goiânia mas em outras cidades e estados, incentivando a produção, implementando mercados, orientando e disciplinando a distribuição de hortifrutigranjeiros e outros produtos alimentícios de forma a atender a demanda do mercado e as políticas sociais do governo (CEASA, 2004). De acordo com o gerente da divisão técnica, Josué Lopes (2004) a CEASA-GO vem trabalhando para a implantação de alguns programas tais como a Informatização da Portaria, Projeto Rica Sopa, Implantação e Implementação de Rotulagem em Produtos Hortifrutigranjeiros e a Padronização de Embalagens. Figura 1 Mapa de Localização da CEASA-GO FONTE: CEASA-GO, 2004 A Figura 2, mostra o layout das instalações da CEASA-GO, destacando a Entrada e Saída de Caminhões; o Prédio da Administração (ADM); Galpões 4 Permanentes (GP); Galpões Não-Permanentes (GNP); Shopping e os Pavilhões Externos. Figura 2- Layout das áreas construídas da CEASA-GO FONTE: CEASA-GO, 2004 3. HISTÓRICO DO ATERRO SANITÁRIO DE GOIÂNIA O Aterro Sanitário de Goiânia está situado na rodovia GO-060 (saída para Trindade - GO), Chácara São Joaquim, Km 03. Essa área foi utilizada para a disposição de resíduos desde 1983, mas somente em 1993 foi iniciada sua adequação para operar como um Aterro Sanitário (GOIÂNIA, 2004). Esse projeto possui as seguintes atividades: disposição final dos resíduos sólidos urbanos de Goiânia, comerciais e industriais - classe II A e B, captação e tratamento do chorume, captação e queima do biogás, tratamento e disposição final dos resíduos do serviço de saúde também de Goiânia. 5 O Aterro Sanitário de Goiânia (ANEXO 3) é do tipo verticalizado e o seu maciço (massa de resíduos compactados e recobertos) ocupa 56% da área do projeto. Os resíduos que chegam ao Aterro são compactados e posteriormente recobertos, controlando, assim, a proliferação de vetores, a exalação de odores, impedindo a catação, sua operação possibilita o tráfego de veículos sobre o aterro. Elimina, também, a possibilidade de queima de resíduos a céu aberto e a saída descontrolada do biogás (GOIÂNIA, 2004). 4. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 4.1 Conceitos e Classificação de Resíduos Sólidos Considera-se lixo quaisquer resíduos, nos estados sólidos e semi-sólidos, que resultam de atividades da comunidade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição (FERNANDES, 2001). Resíduos Sólidos Comerciais são aqueles originados nos diversos estabelecimentos comerciais de serviços, tais como supermercados, estabelecimentos bancários, lojas, bares, restaurantes, etc (IPT, 2000). O lixo destes locais tem grande quantidade de papel, plásticos, embalagens diversos e resíduos de asseio dos funcionários, tais como papeltoalha, papel higiênicos, etc (IPT, 2000). Segundo a Norma Brasileira Registrada NBR-10.004 da Associação Brasileira de Normas Técnicas-ABNT (2004) os resíduos sólidos são classificados quanto aos seus riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública, para que estes resíduos possam ter manuseio e destinação adequados. Conforme proposto na referida norma, os resíduos são classificados em: a) Resíduo Classe I – Perigosos: Aqueles que apresentam periculosidade à saúde humana ou aos organismos vivos e apresentam características, tais como inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade. b) Resíduo Classe II – Não Perigosos: 6 - Resíduos Classe II A - Não Inertes: São aqueles que não se enquadram nas classificações de resíduos Classe I – Perigosos ou de resíduos Classe II B – inertes, nos termos desta norma. Podem ter propriedades, tais como: biodegradabilidade, combustibilidade, ou solubilidade em água. - Resíduos Classe II B - Inertes: Quaisquer resíduo que, quando amostrado de uma forma representativa, segundo a ABNT NBR 10.007, e submetido a um contato dinâmico e estático com água destilada ou desionizada, à temperatura ambiente, conforme ABNT NBR 10.006, não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor. 4.2 Características dos Resíduos Sólidos A caracterização do lixo pode ser efetuada segundo suas condições físicas, químicas e biológicas. Destas características, a mais importante, para este estudo é a característica física, uma vez que, sem o seu conhecimento, é praticamente impossível efetuar a gestão adequada dos serviços de limpeza e podem ser classificadas em: Geração per Capita, Peso Específico Aparente, Teor de Umidade, Compressividade e a Composição Gravimétrica (INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL - IBAM, 2001). De acordo com Lima (s.d) a geração per capita é a massa de resíduo sólido produzida por uma pessoa em um dia, é expresso em (kg/hab/dia). Dados fornecidos pela Companhia de Urbanização de Goiânia COMURG (2004), mostra que a geração percapita de resíduos sólidos no município de Goiânia é de aproximadamente 1 kg/hab/dia. A composição gravimétrica traduz o percentual de cada componente em relação ao peso total da amostra de lixo analisada. A escolha dos componentes da composição gravimétrica é função direta do tipo de estudo que se pretende realizar e deve ser cuidadosamente feita para não acarretar distorções (IBAM, 2001). Peso Específico é o peso dos resíduos sólidos em relação ao seu volume (FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE - FNS, 1999). 4.3 Perda de Produtos Hortícolas 7 Em frutas e vegetais, o estímulo da produção de etileno causado por cortes ou escoriações, pode comprometer a armazenagem desses produtos, uma vez que este acelera o amadurecimento (ETILENO, 2004). Devido ao alto teor de nutrientes e água encontrados na composição das hortaliças e frutas, elas sofrem alterações com muita facilidade. São ambientes propícios para o desenvolvimento de microorganismos e são suscetíveis à ação do tempo e da temperatura (NUTRIENTES, 2004). Existem produtos em que as perdas chegam a mais de 40% do total produzido, considerando que a grande parte das perdas de frutas ocorre após saírem das propriedades, até atingirem os consumidores finais. É importante destacar que para a produção destes alimentos é necessário o preparo da terra, a adubação, o plantio, os tratos culturais, a colheita, o transporte, e em alguns casos o processamento e a refrigeração, sendo grande o desperdício energético causado pela perda de produtos que passam por todas essas etapas (TANABE e CORTEZ, 2004). 4.4 Compostagem O termo matéria orgânica ou resíduo orgânico é dado a todo o composto de carbono suscetível de degradação. O termo degradação ou biodegradação dos resíduos orgânicos diz respeito à decomposição desses resíduos por microrganismos. A forma mais eficiente de obter a biodegradação controlada dos resíduos orgânicos é por meio do processo de compostagem (PEREIRA NETO, 1996). A compostagem é um processo biológico aeróbico e controlado de transformação de resíduos orgânicos em resíduos estabilizados, com propriedade e características completamente diferentes do material é disposto em monte de forma cônica, conhecidos como pilhas de compostagem ou montes de formas prismática com seção similar a triangular, denominados leiras de compostagem (BIDONE e POVINELLI, 1999). Segundo o Programa de Pesquisa em Saneamento Básico (1999) os processos de compostagem devem ser divididos em três grandes grupos: 8 - Sistema de leiras revolvidas, onde a mistura de resíduos é disposta em leiras, sendo a aeração fornecida pelo revolvimento dos resíduos e pela convecção e difusão do ar na massa do composto; - Sistemas de leiras estáticas aeradas, onde a mistura a ser compostada é colocada sobre uma tubulação perfurada que injeta ou aspira o ar na massa do composto, não havendo revolvimento mecânico das leiras; - Sistemas fechados ou reatores biológicos, onde os resíduos são colocados dentro de sistemas fechados, que permitem o controle de todos os parâmetros do processo de compostagem. Uma usina de compostagem realiza processamento de resíduos, retendoos por um certo tempo e em seguida os enviando às áreas de utilização. Existem algumas restrições quanto ao meio físico para a escolha da área, normalmente os critérios estéticos (odor, barulho, transporte), a atração de vetores são os itens mais relevantes a serem considerados. Do ponto de vista fisiografico, devem ser evitadas áreas próximas a mananciais, pois o local pode estar sujeito à erosão e transporte de resíduos pela chuva. Áreas com lençol freático pouco profundo também devem ser evitadas por uma questão de segurança ao risco de contaminação das águas do subsolo. O terreno deve ser plano ou ligeiramente inclinado, para facilitar a instalação e operação da usina, assim como dos equipamentos necessários (PROGRAMA DE PESQUISA EM SANEAMENTO BÁSICO, 1999). 4.5 Reciclagem De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (2002) a reciclagem é uma das alternativas de tratamento de resíduos sólidos mais vantajosas, tanto do ponto de vista ambiental como social. Ela reduz o consumo de recursos naturais, poupa energia e água e ainda diminui o volume de lixo e a poluição. Além disso, quando há um sistema de coleta seletiva bem estruturado, a reciclagem pode ser uma atividade econômica rentável. O mesmo órgão destaca que os materiais que podem ser reciclados são vidro, plástico, papel e papelão de todos os tipos e metais. Por questões de tecnologia ou de mercado, alguns materiais ainda não são reciclados. 9 4.5.1 Vidro Segundo o IPT (2000) a reciclagem de vidro significa enviar ao produtor de embalagens o vidro usado para que este seja reutilizado como matéria-prima para a produção de novas embalagens. O vidro é 100% reciclável, não ocorrendo perda de material durante o processo de fusão. Para cada tonelada de caco de vidro limpo, obtém-se uma tonelada de vidro novo. Além disso, cerca de 1,2 tonelada de matéria-prima deixa de ser consumida. Deste modo, há diminuição do uso de matéria-prima e da emissão de gases, como o gás carbônico, para a atmosfera (IPT, 2000). 4.5.2 Plástico De acordo com o IPT (2000) o plástico proveniente do lixo pode ser comercializado em diversas formas e diferentes estágios de preparos, dependendo dos sistemas de coletas e separação, do beneficiamento, da possibilidade de empresas recicladoras na região e outros. A reciclagem dos materiais plásticos encontrados no lixo traz vários benefícios ambientais e sócio-econômicos para a sociedade, dentre os quais destacam-se: - economia de energia e petróleo; - menor preço para o consumidor dos artefatos produzidos com plástico reciclados; - melhoria sensível no processo de decomposição de matéria orgânica nos aterros sanitários, uma vez que o plástico impermeabiliza as camadas de material em decomposição, prejudicando a circulação de gases e líquidos (IPT, 2000). 4.5.3 Papel A reciclagem de papel significa fazer papel empregando como matériaprima papeis, cartões, cartolinas e papelões (IPT, 2000). 10 Os principais fatores de incentivo à reciclagem de papel, além dos econômicos, são: a preservação de recursos naturais (matéria-prima, energia e água), a minimização da poluição e a diminuição da quantidade de lixo que vai para os aterros. Dentre estes, certamente o último é o que tem tido maior peso nos paises que adotam medidas legislativas em prol da reciclagem (IPT, 2000). 5. METODOLOGIA Trabalho foi desenvolvido na Central de Abastecimento de Goiás S/A, no período de fevereiro a outubro de 2004. A obtenção das informações preliminares quanto aos resíduos gerados neste local, deu-se por meio de entrevistas com o diretor administrativo, com o coordenador da limpeza e com os funcionários da varrição. Como atividade complementar, realizou-se visita “in-loco” durante 15 semanas, acompanhando os serviços de varrição, limpeza geral da área, a coleta e transporte dos resíduos. Nesta etapa, aplicou-se o questionário aos permissionários. Foram também realizada visitas ao aterro sanitário de Goiânia. O questionário aplicado (ANEXO 1) foi constituído com nove questões, relacionadas aos tipos de produtos comercializados e ao índice de perda. Estes foram aplicados a cinqüenta permissionários dos Box da CEASA-GO, e posteriormente tabuladas e apresentadas nas Figuras 11, 12, 13, 14 e 15. A caracterização dos componentes físicos do lixo produzido na CEASA – GO, foi realizada no Aterro Sanitário de Goiânia, de acordo com o embasamento teórico do IBAM (2001), através do método de quarteamento, realizando-se três amostragens nos dias 28 de Maio, 30 de Junho e 10 de Setembro de 2004, respectivamente. Para realização da caracterização foram utilizados os seguintes materiais: EPI’s (luvas, botas, capas, protetor respiratório), ferramenta (retro-escavadeira), instrumento de mensuração (balança Brião, mod C, carga máxima de 150 Kg), recipiente de coleta (5 tambores de 200 litros) e uma lona de PVC. 11 É importante colocar que a primeira caracterização foi desconsiderada, em virtude de ter sido o contato inicial da equipe com a prática, assim os resultados não foram confiáveis, ocorrendo distorções dos dados. As amostras utilizadas para realização deste método, foram coletadas na CEASA-GO em dias anteriores à caracterização, pois eram os dias de maior movimento do mercado. Buscou-se assim, resultados que mais se aproximassem da realidade. É importante salientar que a equipe acompanhou a varrição e o translado do lixo até o aterro sanitário de Goiânia, para verificar a representatividade destas amostras. Os resíduos coletados foram depositados em local previamente selecionado, para a realização do trabalho, compreendendo as seguintes etapas: - misturou-se a amostra com auxilio da retro-escavadeira em uma área plana, fazendo a homogeneização (Figura 3) e a separação em quatro partes (Figura 4), sendo que dois quartos desta amostra (quartis opostos entre si Figura 5) foram selecionados para uma nova homogeneização e divisão em quatro partes, repetindo este processo até obter um pouco mais de um metro cúbico (Figura 6). Figura 3 - Homogeneização Figura 5- Separação em 2 partes Figura 4- Separação em 4 partes Figura 6- Monte de 1 m3 12 - em seguida, foram cheios cinco tambores de duzentos litros totalizando um metro cúbico (Figura 7) e fez-se a pesagem para obter o peso específico (Figura 8); Figura 7- Deposição no tambor Figura 8- Pesagem - o conteúdo destes tambores foi despejado sobre uma lona plástica (Figura 9), iniciando a segregação de cada material existente na amostra (Figura 10) pesando-os separadamente (matéria orgânica, madeira, papel, plástico, pet e outros); Figura 9- Deposição na lona Figura 10- Segregação do material - e por fim dividiu-se o peso de cada componente pelo peso total da amostra e calculou-se a composição gravimétrica em termos percentuais, conforme tabela 1; sólido; CG%= Pi x 100; Pt onde: CG% = Composição Gravimétrica; Pi = Peso de um constituinte do resíduo Pt = Peso total dos materiais constituintes dos resíduos sólidos. 13 6. RESULTADOS E DISCUSSÕES A Tabela 1 apresenta o resultado da pesagem dos resíduos provenientes da CEASA-GO pela balança da COMURG, instalada no Aterro Sanitário de Goiânia. Tabela 1. Quantidade de resíduos gerados pela CEASA-GO no período de dezembro/2003 a setembro/2004. Período Peso (Kg) Percentual Total (%) Dezembro/03 313760 9,62 Jeneiro/04 464830 14,26 Fevereiro/04 418090 12,82 Março/04 325710 9,99 Abril/04 236540 7,25 Maio/04 326370 10,01 Junho/04 264150 8,10 Julho/04 316090 9,69 Agosto/04 272470 8,36 Setembro/04 322720 9,90 Total 3260730 100 FONTE: CEASA-GO, 2004 De acordo com os dados desta tabela, a CEASA-GO produz em média 10.869 kg/dia de resíduos sólidos. Conforme parâmetros fornecidos pelo Departamento de Coleta Seletiva da COMURG a geração per capita de Goiânia é de aproximadamente 1 kg/hab/dia. Relacionando os dados da tabela com os fornecidos pela COMURG, pode-se verificar que a geração de resíduos da CEASA-GO corresponde aproximadamente à geração de 11 a 12 mil habitantes, ou seja de um núcleo urbano padrão do interior de Goiás. Percebe-se que há um grande volume de resíduos que são levados para o aterro Sanitário de Goiânia, implicando custos financeiros a CEASA-GO. Destarte, a implantação de projetos alternativos de aproveitamento deste lixo poderia representar benefícios a esta Central de Abastecimento. Na Tabela 2 estão demonstrados os resultados da caracterização dos resíduos sólidos da CEASA-GO, através do método de quarteamento, realizado no dia 30 de junho de 2004. 14 Tabela 2. Composição gravimétrica dos resíduos da CEASA-GO. Produto Matéria orgânica Madeira Papel Plástico Pet Outros TOTAL Peso (Kg) 289,58 33, 48 17,98 5,98 2,48 3,6 353,10 Percentual Total (%) 82,01 9,49 5,09 1,69 0,70 1,02 100 FONTE: Trabalho realizado dia 30 de junho de 2004, pelas acadêmicas, segundo metodologia do IBAM (2001) NOTA: Os produtos discriminados como outros são: vidro, isopor, corda, alumínio, saco de estopa, pano, borracha e ferro. A primeira amostragem considerada realizada no dia 30 de junho de 2004, sendo o resultado de dois caminhões coletados no dia anterior para maior representatividade. É importante considerar que a caracterização foi realizada em local aberto e sem cobertura, ficando os resíduos expostos à luminosidade solar e ventos, provocando a perda de umidade. De acordo com o IPT (2000) e os resultados da Tabela 1, os resíduos sólidos são diversificados e neste caso, o resultado encontrado, mostra que o lixo da CEASA-GO, é constituído na sua maioria de matéria orgânica (82,01%), seguido de madeira (9,49%), papel (5,09%), plástico (1,69%), outros (1,02%) e pet (0,70%). Diante dos resultados encontrados os quais foram baseados na pesagem dos materiais separados, percebe-se que há um grande volume de pet, papel e plástico. Porém, tais componentes têm peso especifico muito baixo, e conseqüentemente pequeno índice percentual, o que parece ser insignificante comparado à matéria orgânica, resultado este já esperado. Os resultados da segunda caracterização efetuada dos resíduos sólidos da CEASA-GO, no dia 10 de setembro de 2004 estão demonstrados na Tabela 3. Tabela 3. Composição gravimétrica dos resíduos da CEASA-GO. Produto Matéria orgânica Madeira Papel Plástico Pet Outros TOTAL Peso (Kg) 176,40 49,80 10,90 3,00 9,40 9,20 258,70 Percentual Total (%) 68,20 19,25 4,21 1,16 3,63 3,55 100 FONTE: Trabalho realizado dia 10 de setembro de 2004, pelas acadêmicas, segundo metodologia do IBAM (2001). 15 NOTA: Os produtos discriminados como outros são: vidro, pano, ferro, alumínio, naylon, borracha e objeto eletroeletrônico. A segunda amostragem foi resultado da coleta de um caminhão, o qual apresentava uma amostra heterogênea, coletado no dia anterior. A caracterização foi realizada no mesmo local e sob as mesmas condições da primeira amostragem. A Tabela 2, mostra que a matéria orgânica, foi o produto de maior percentual, sendo 68,20%; enquanto que a madeira foi de 19,25%; papel 4,21%; plástico 1,16%, Pet 3,63% e outros 3,55%. Na primeira amostragem a percentagem de plástico (1,69%), foi superior a de Pet (0,70%), mas na segunda amostragem, ocorreu o inverso, sendo Pet (3,63%) e plástico (1,16%). Este fato pode ter ocorrido devido a segunda amostragem ter sido realizada em dias de calor, o que aumenta o consumo de líquidos. Diante dos resultados obtidos pôde-se evidenciar que a matéria orgânica apresenta o maior percentual, uma vez que os produtos comercializados na CEASA-GO são hortifrutigranjeiros. As Figuras que se seguem são resultados dos questionários aplicados aos permissionários dos Boxs da CEASA-GO, demonstrando os produtos mais comercializados, os que apresentam maior perda e sua destinação final. A Figura 11, vem apresentando a percentagem dos Boxs que comercializam os produtos hortifrutigranjeiros na CEASA-GO, destacando-se aqueles que comercializam frutas e legumes com 40%, apenas legumes 33% e frutas 27%. 27% 33% Frutas Legumes Frutas e Legumes 40% Figura 11- Percentagem dos boxs por tipo de produtos comercializados. FONTE: Pesquisa realizada no dia 14 de maio de 2004, pelas acadêmicas. 16 A Figura 12 demonstra a perda de produtos hortifrutigranjeiros relacionados ao transporte e armazenamento, onde 50% dos entrevistados dizem que a perda dos produtos ocorre no transporte e armazenamento, 20% dizem ser somente no transporte, 20% no armazenamento e 10% dizem que não ocorre perda nem no armazenamento e nem no transporte. 10% 20% Transporte Armazenamento 20% 50% Transporte e Armazenamento Nenhum Figura 12- Percentagem da perda decorrente do transporte e armazenamento. FONTE: Pesquisa realizado dia 14 de maio de 2004, pelas acadêmicas. A Figura 13, traz o índice de perda nos Boxs que comercializam os dois tipos de produtos (legumes e frutas), sendo 57% perda de legumes e 43% de frutas. 43% Legumes 57% Frutas Figura 13- Percentagem de perda de legumes e frutas. FONTE: Pesquisa realizado dia 14 de maio de 2004, pelas acadêmicas. A Figura 14 mostra a destinação final dos produtos que são descartados pelos Boxs, mas que ainda poderiam ser consumidos, sendo 80% dos produtos com a qualidade comprometida destinados a doação, 10% são depositados nos contêineres e os outros 10% são vendidos abaixo do preço. 10% Doação 10% Contêineres 80% Venda Abaixo do Preço 17 Figura 14- Percentagem da destinação final dos produtos com a qualidade comprometida. FONTE: Pesquisa realizado dia 14 de maio de 2004, pelas acadêmicas. A Figura 15 representa a destinação final dos produtos que são descartados pelos Boxs, os quais estão totalmente perdidos, onde 90% dos produtos que não podem ser consumidos são descartados nos contêineres e 10% são aproveitados para alimentação animal. 10% Contêineres Alimentação Animal 90% Figura 15- Percentagem da destinação final dos produtos que não podem ser consumidos. FONTE: Pesquisa realizado dia 14 de maio de 2004, pelas acadêmicas. A Tabela abaixo relaciona o preço de comercialização de produtos recicláveis e orgânicos. Mostrando a viabilidade econômica do aproveitamento de tais produtos. 18 Tabela 4. Preços de materiais recicláveis Materiais Valor (R$) por Kg Composto orgânico* 0,40 Papel 0,10 Plástico 0,40 Pet 0,60 FONTE: Preço de compra cedido pela empresa Entropel – Central de Compras de Produtos Recicláveis, 2004. * Preço de venda cedido pela empresa Transplanta, 2004 7. RECOMENDAÇÕES FINAIS Conforme descrito no decorrer do trabalho, a CEASA-GO gera um grande volume de lixo (Tabela 1), o qual não está sendo aproveitado. Deste aproximadamente 80% é matéria orgânica (Tabela 2 e 3), o que viabiliza de forma social, econômica e ambiental a instalação de uma usina de compostagem em sua dependência, uma vez que esta possui área disponível de 11,07 alqueires. De acordo com os resultados obtidos (Tabela 2 e 3) aproximadamente 20% dos resíduos sólidos da CEASA-GO são compostos por produtos que podem ser reciclados, segundo Instituto de Pesquisas Tecnológicas - IPT (2000). Desta forma vê-se a possibilidade de reciclar esses materiais, uma vez que apresenta uma quantidade considerável e de valor econômico (Tabela 4) que no entanto estão sendo descartados para o aterro sanitário de Goiânia. Conforme citado no item 2 – Caracterização do Empreendimento, vários programas estão sendo desenvolvidos na CEASA-GO e estes devem ser implementados, uma vez que poderá trazer vários benefícios sociais com resposta positiva junto à sociedade. O pioneirismo desta pesquisa tem a sua importância, uma vez que os dados obtidos devem ser disponibilizados para a administração, permissionários e funcionários da CEASA-GO. Além do que poderá ser utilizada como fonte de pesquisa para realização de outros trabalhos e continuidade deste. 19 8. CONCLUSÃO De acordo com os resultados da pesquisa, a CEASA-GO apresenta grande geração de resíduos sólidos (10.869 Kg/dia) os quais são destinados ao Aterro Sanitário de Goiânia, ao invés de dar-se um aproveitamento mais nobre, são gastos recursos com sua disposição final. Assim consideramos a implantação do projeto de uma central de triagem dos materiais recicláveis e de compostagem na CEASA-GO, viável no aspecto ambiental e sócio-econômico, visto que nas duas caracterizações válidas realizadas, em média 90% do lixo ali produzido são passíveis de aproveitamento. 9. AGRADECIMENTOS Agradecemos a diretoria da CEASA-GO na pessoa do Presidente Evangevaldo Moreira dos Santos por ter nos proporcionado a efetiva realização dessa pesquisa, permitindo o acesso e disponibilizando dados. Apresentamos um agradecimento especial ao Gerente da Divisão Técnica Josué Siqueira que nos prestou assessoria durante toda a pesquisa. Aos funcionários do Aterro Sanitário de Goiânia, ao Orientador Prof. Osmar Mendes Ferreira, aos colegas do curso e colaboradores em geral, que de alguma forma contribuíram para a realização deste estudo. 10. REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10.004: Resíduos Sólidos – Classificação. Rio de Janeiro, 2004. BIDONE, F. R. A; POVINELLI, J. Conceitos Básicos de Resíduos Sólidos, São Paulo: EESP-USP, 1999. 109 p. CEASA - Centrais de Abastecimento de Goiás S/A, <http://www.ceasa.goias.gov.br> Acesso em: 03 abr. 2004. Disponível em: 20 ETILENO, Disponível em:<http://www.frees.freespeech.org/transgenicos/cuidado/ frutos/etileno> Acesso em: 20 maio 2004. FERNANDES, J.U.J. Lixo – Limpeza Pública urbana: Gestão de Resíduos Sólidos sob o Enfoque do Direito Administrativo. Belo Horizonte: Del Rey, 2001. 294p. GOIÂNIA, Disponível em:<http://www.ceasa.goias.gob.br>, Acesso em: 04 out. 2004. IBAM - INSTITUTO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. Manual de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos. Rio de Janeiro: IBAM, 2001. 200p. IPT - INSTITUTO DE PESQUISA TECNOLÓGICA. Manual de Gerenciamento Integrado. Lixo Municipal: 2. ed. São Paulo: 2000. p. 29. LIMA, J. D. Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos no Brasil. [s.d.]. p.21 e 32. FNS - FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. Manual de Saneamento. 3. ed. Brasília: 1999. 374 p. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Consumo Sustentável: Manual de Educação. Brasília: Consumers International, MMA/IDEC, 2002. 144 p. NUTRIENTES, Disponível em: <http://wwwcabano.com.br/frio%20e%20frutas>, Acesso em: 03 abr. 2004. PEREIRA NETO, J.T. Manual de Compostagem: Processo de Baixo Custo. Belo Horizonte: UNICEF, 1996. 18 p. PROGRAMA DE PESQUISA EM SANEAMENTO BÁSICO- PROSAB. Manual Prático para Compostagem de Biossólidos, Rio de Janeiro: 1999. 84 p. SIQUEIRA, J.L. Entrevista concedida pelo Gerente da Divisão da CEASA-GO, Goiânia, 11.out.2004. TANABE, C. S; CORTEZ, L. B. 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