Plínio Santos-Filho
Malthus Oliveira de Queiroz
Sidney Rocha
R ecife
Luga r de
Memór i a
Mártires, heróis, personagens
históricos são comemorados
em locais públicos e privados
do
Recife.
Neste
Guia
apresentamos alguns destes
personagens e locais.
2012
Santos-Filho, Plínio
Queiroz, Malthus Oliveira de
Rocha, Sidney
Recife Lugar de Memória / Plínio Santos-Filho;
Malthus Oliveira de Queiroz; Sidney Rocha
_Recife: SDHSC - Secretaria de Direitos Humanos e Segurança
Cidadã, Prefeitura do Recife. _Ministério da Justiça, Pronasci.
_AERPA Editora, 2012.
104p. : il.
Inclui bibliografia / Includes bibliography
ISBN: 978-85-60136-05-6
1. Geografia e viagem – Brasil. I. Santos-Filho, Plínio. I I. Título.
CDD 918.1
AERPA Editora
Rua Antônio Vitrúvio, 71, Poço da Panela, Recife
Pernambuco - Brasil CEP 52061-210
Os horários de visitação, os números dos telefones e os preços
de ingresso dos museus, das igrejas e demais monumentos
constantes deste guia foram obtidos junto aos órgãos oficiais
da administração pública e nos próprios estabelecimentos.
Horários atualizados, localização de hotéis e pousadas, bares
e restaurantes, assim como outras informações, podem ser
encontrados na internet, nos sites dos estabelecimentos.
Seus comentários e sugestões podem ser enviados pelo e-mail
constante no site da AERPA:
w w w. res tau rab r.o rg
Este livro foi parcialmente financiado pelo Ministério da Justiça
através do Projeto “Restauração de Fachadas - Construção
Civil”, do Programa Nacional de Segurança Pública com
Cidadania - Pronasci, da Secretaria Nacional de Segurança
Pública - Ministério da Justiça, com Convênio coordenado
pela Secretaria de Direitos Humanos e Segurança Cidadã da
Prefeitura do Recife e pelas demais instituições e empresas
listadas pelas logomarcas na contracapa.
Ideia original e autoria
Plínio Santos-Filho
Malthus Oliveira de Queiroz
Sidney Rocha
AERPA Editora
Diretor Editorial - Plínio Santos-Filho
Design e Tipografia - Carla Andrade Reis
Pesquisa e revisão - Catarina S. Queiroz,
Malthus O. Queiroz, Plínio Santos-Filho
Fotografia, projeto gráfico e direção de arte - Plínio Santos-Filho
Publicado pela AERPA Editora - Rua Antônio Vitrúvio, 71
Poço da Panela, Recife, Pernambuco - Brasil CEP 52061-210
Telefone: 55 (81) 3266-8463
Prefeitura do Recife
João da Costa - Prefeito
Amparo Araújo - Sec. de Direitos Humanos e Segurança Cidadã
Cacilda Medeiros - Diretora de Segurança Cidadã
Impressão e encadernação - Gráfica Santa Marta
Todos os direitos reservados de acordo com as leis brasileiras,
panamericanas e leis internacionais e convenções de copyright.
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida,
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e por escrito dos proprietários dos direitos de copyright.
Copyright 2012 © AERPA Editora
Impresso no Brasil - Printed in Brazil
Sumário
Apresentação 6
O Recife 8
Rota Verde
10 - O Açúcar
Engenhos do Capibaribe 16
Engenho Magdalena 15
Engenho da Torre 16
Engenho do Cordeiro 17
Engenho Ambrósio Machado 17
Engenho Casa Forte 19
Poço da Panela 20
Museu do Homem do Nordeste 21
Engenho São Pantaleão do Monteiro 25
Engenho de Apipucos 26
Fundação Gilberto Freyre 27
Engenho Dois Irmãos 28
Engenho Brum-Brum 29
Engenho Poeta 29
A Várzea do Capibaribe 30
Engenho do Meio 30
Engenho de Santo Antônio 31
Instituto Ricardo Brennand 32
Engenho São João 33
Ateliê e Oficina Cerâmica Francisco Brennand 33
Museu do Estado de Pernambuco 34
Teatro de Santa Isabel 34
Faculdade de Direito do Recife 35
Parque 13 de Maio 35
Basílica e Convento do Carmo 35
Joaquim Nabuco 36
Porto do Recife - Cruz do Patrão 37
Rota Azul
38 - Os Holandeses
O Período Holandês 40
Forte do Brum 42
Quarteirão Franciscano 43
Forte Ernesto 43
Praça da República e Imperador 44
Maurício de Nassau 45
Rua do Bom Jesus 46
Palácio da Boa Vista 46
Forte das Cinco Pontas 47
A Insurreição Pernambucana 48
Praça Sérgio Loreto e Arredores 48
Os Quatro Heróis 49
A Batalha de Casa Forte 50
Arraial Velho do Bom Jesus - Sítio da Trindade 51
Nossa Senhora dos Prazeres do Monte Guararapes 52
Rota Amarela
54 - 1817 e 1824
Revolução de 1817 56
Forte do Brum 58
Campo da Honra 59
Ponte do Recife 60
Forte das Cinco Pontas 61
Matriz de Santo Antônio 61
Confederação do Equador - 1824 63
Monumento a Frei Caneca 63
Capelinha da Praça da Jaqueira 64
Cemitério dos Ingleses 65
Rota Vermelha
66 - Ditadura 64
Resistência ao Regime Militar 68
O Centro do Recife 69
Miguel Arraes 70
Palácio do Campo das Princesas 72
Gregório Bezerra 74
Casa da Cultura 76
O Dom - Igreja das Fronteiras 78
Padre Henrique - Cidade Universitária 82
Rua da Aurora 405 84
Vila Buriti - Macaxeira 86
Ruas da Vila Buriti 88
Colônia Penal do Bom Pastor 94
Monumento Contra a Tortura 96
Paulo Freire 98
Índice Geral do Mapa 101
Bibliografia 104
Apresentação
O presente livro é resultado de uma parceria entre a Prefeitura
da Cidade do Recife, através de sua Secretaria de Direitos
Humanos e Segurança Cidadã, e a Agência de Estudos e
Restauro do Patrimônio – AERPA, que, por meio de financiamento
pelo Ministério da Justiça, conseguiram produzir este Guia tão
importante para o Recife. Importante porque revisita fatos,
personalidades e locais da cidade onde ocorreram esses fatos,
buscando, de forma direta, desvendar um Recife escondido na
sua intensa agitação cotidiana de grande metrópole.
Para Gilberto Freyre, um dos grandes inspiradores desse livro,
o Recife é uma cidade a ser desvendada. “Tanto nos subúrbios
como no centro, o Recife é uma cidade recatada. Não se exibe.
Não se mostra. Retrai-se. Contrai-se. Esconde-se, até, dos olhos dos
estranhos. (...) O Recife é assim: cidade que antes se esconde dos
admiradores que se oferece à sua curiosidade.” Para os autores
da presente obra, desvendar o Recife é contar um pouco da sua
história, visitar lugares, perceber mudanças e, principalmente,
exercitar a curiosidade, já que muito das informações aqui
apresentadas são fruto de um conhecimento resultante da paixão
pela descoberta, da imensa vontade de saber mais sobre quem
somos, onde vivemos e que cidade é essa que nos acolhe e nos
deserta nos desvãos de seus caminhos e descaminhos.
Por isso, o formato de guia de visitação, com roteiros
selecionados para serem percorridos a pé, de carro ou mesmo
de bicicleta, nos moldes dos recentemente lançados Um Dia
no Recife e Um Dia em Olinda, ambos também pela AERPA
Editora. Esse formato, coadunado com as práticas saudáveis e
ecologicamente corretas do turismo urbano contemporâneo,
permite uma descoberta sem pressa, interativa e certamente
construtiva.
Quatro rotas compõem este guia: A Rota do Açúcar, que
explora os locais e as memórias remanescentes deixadas pelo
“ouro branco”, base de um época rica e faustosa da cidade e
6
Acima, arrecifes e molhe, Forte
do Pição.
À direita
na foto,
ilhaPhoto:
Downtown
Recife
at sunset
bairro de Santo Antônio visto do Paço Alfândega, Bairro do Recife.
profundamente enraizada na sua identidade cultural; a Rota dos
Holandeses, época decisiva para a formação do Recife e do ideal
de nacionalidade brasileira; a Rota das Revoluções de 1817 e 1824,
movimentos que refletem o desejo de se estabelecer uma república
no Brasil, confrontando os ideais reacionários da monarquia; e o
período do regime militar de 1964, ainda uma mancha recente e
de proporções indefinidas na democracia brasileira.
A pesquisa textual e iconográfica envolveu várias idas à
Fundação Joaquim Nabuco - Fundaj, onde sempre contamos
com a cortesia e a colaboração de seus funcionários;
buscas em publicações impressas e digitais especializadas;
e conversas com especialistas e curiosos na área, como o
escritor Paulo Santos de Oliveira, o que muito nos ajudou a
formatar o conteúdo abordado neste livro. A maioria das
imagens, no entanto, são de Plínio Santos-Filho, que descreve
através da lente fotográfica o trajeto visual das rotas.
É importante ressaltar que o presente trabalho não é de
forma alguma completo. Sabemos e avisamos de antemão
que assuntos, fatos, pessoas, datas e locais ficaram de fora
da publicação, não por ignorância, mas pelo tamanho e
abrangência do assunto, assim como não foi possível consultar
todas as fontes sobre os temas.
Gostaríamos de agradecer o empenho de Amparo Araújo,
Secretária de Direitos Humanos e Segurança Cidadã da
cidade do Recife; os parceiros de caminhadas dominicais,
Antônio Carlos Montenegro, Carla Andrade Reis, Fernando
Braga, Francisco Cunha, Fred Leal, Nelson Telles e Nilce Falcão,
sem os quais não seria possível a realização deste trabalho.
Desejamos a todos uma boa leitura e ótimas caminhadas!
Plínio Santos-Filho
Malthus Oliveira de Queiroz
Sidney Rocha
7
Recife Lugar de Memória
O Recife
O Recife é a capital do Estado de Pernambuco e uma das mais importantes capitais do Nordeste brasileiro. Por sua localização estratégica, a cidade é polo comercial e de serviços e porta de entrada
e saída para o comércio com a Europa e a América do Norte.
Originado de um pequeno povoado de pescadores, marinheiros
e mercadores, o Recife tem profunda ligação com o mar, simbolizada por seu porto natural de arrecifes, de onde surgiu o nome da
cidade, e pela famosa Praia de Boa Viagem, considerada uma
das mais aprazíveis praias urbanas do Brasil. O clima tropical, na
maior parte do tempo com sol, favorece as caminhadas no calçadão e os banhos de mar. Os rios Capibaribe e Beberibe, cortando a cidade, dão-lhe certo charme veneziano.
O Recife é marcado pela pluralidade. Sua identidade cultural
multifacetada abre espaço para variadas manifestações artísticas, que permeiam música, literatura, teatro, cinema, dança e
arquitetura. A boa estrutura para eventos possibilita a realização
de grandes festivais, segmento importante do calendário cultural
da cidade. Seu patrimônio histórico reminiscente, narrando constante e gratuitamente o passado glorioso e de lutas, se insere no
ambiente contemporâneo como uma importante atração.
A infraestrutura hoteleira do Recife é uma das melhores da região. A cidade oferece ao visitante muitas opções de hospedagem, com grande variedade de preços e serviços. O lazer fica
por conta de restaurantes, bares, teatros, shoppings, praças, mercados públicos, boates e shows, além de outras atividades que
podem ser programadas previamente.
O Recife, com sua brisa, mergulhado no azul do céu e no verde
do mar, é fonte de inspiração para artistas diversos. Descobri-lo e
redescobri-lo é sempre um grande prazer.
1537
Primeira referência sobre o Recife, feita por Duarte
Coelho no Foral de Olinda. Nessa época, o donatário o
descreve como um pequeno povoado junto ao porto, em
torno da ermida de São Frei Pedro Gonçalves. Esse porto
de Olinda foi durante muitos anos o de maior movimento
da América Portuguesa.
1561
Franceses invadem o Recife com o objetivo de dominar o
comércio do açúcar. São expulsos no mesmo ano.
1595
Invasão inglesa, que durou apenas 30 dias.
8
Acima, Forte das Cinco Pontas - Museu da Cidade do Recife
1630
14 de fevereiro – Holandeses, buscando dominar o comércio do
açúcar, invadem a cidade. Passando por Olinda, instalam logo
depois a capital do seu governo no Recife. Sob o comando de
Maurício de Nassau, promovem muitas inovações.
1636
Fundação da Sinagoga Kahal Zur Israel, a primeira sinagoga
das Américas.
1649
19 de fevereiro – Segunda Batalha dos Guararapes, travada nos
Montes Guararapes, na qual os holandeses foram derrotados.
1654
26 de janeiro – Expulsão dos holandeses do Recife, que em pouco tempo deixaria de ser um simples povoado para se tornar um
núcleo de progresso e abastança.
1709
10 de novembro – Carta régia eleva o Recife à condição de vila,
chamada Santo Antônio do Recife. Esse fato foi mais tarde um
dos motivos para a Guerra dos Mascates.
1709
1709 a 1714 – Guerra entre o Recife e Olinda, conhecida como
Guerra dos Mascates (assim eram chamados os comerciantes
recifenses). Nessa época, o Recife crescia economicamente e
reivindicava autonomia política. Com a autoridade ameaçada, os nobres olindenses utilizaram da força para sabotar as intenções dos recifenses.
1710
15 de fevereiro – Foi erguido o pelourinho na cidade do Recife,
indicando que a vila possuía governo próprio.
1801
O Recife expandiu seu território no séc. XIX. Foram feitos aterros em
áreas alagadas, e alguns bairros foram incorporados ao Recife.
1817
6 de março – Inspirada pelos ideais iluministas e republicanos,
é deflagrada a Revolução Pernambucana de 1817, primeiro
movimento brasileiro que buscava a formação de um governo
próprio, fora do domínio português.
1823
5 de dezembro – O Recife é elevado à categoria de cidade.
1824
Julho – Eclode a Confederação do Equador. Descontentes com
o Imperador D. Pedro I, o movimento tentava estabelecer um
estado independente dentro da Região Nordeste do Brasil.
1825
7 de novembro – Primeira edição do Diario de Pernambuco, jornal
mais antigo da América Latina, até hoje em circulação.
1827
15 de fevereiro – A cidade do Recife torna-se a capital do Estado de Pernambuco.
1848
Eclode a Revolução Praieira, movimento liberal que se opunha
à monarquia e pregava a instituição da República no Brasil. Foi
a última das revoluções provinciais.
1867
Janeiro – Inauguração da primeira linha de trem urbano da
América Latina, a Maxambomba.
1930
22 de maio – O Zeppelin pousa pela primeira vez no Brasil.
1930
26 de julho – Assassinato de João Pessoa na Rua Nova, em frente
à Confeitaria Glória. Esse fato foi um dos motivos da Revolução
de 1930.
1964
De 64 a 85 o Brasil fica sob o regime de Ditadura Militar.
2000
O Recife industrializa-se e se consolida como polo de serviços
(turismo, informática, medicina, entre outros), estruturando sua
base econômica atual.
9
Recife Lugar de Memória
10
Açúcar
12
14
34
37
O Açúcar
Engenhos do Capibaribe
Pontos de Interesse
Porto do Recife
1
Recife Lugar de Memória
1
O Açúcar
O açúcar e a exploração humana, por si só, requerem uma publicação volumosa e distinta. Aqui nesse guia, relacionamos alguns locais
que podem ser visitados e que guardam, mostram ou pertencem à
história do açúcar e da escravidão no Recife. Bairros, ruas e praças,
edifícios, instituições e museus locais possuem referências diretas à
escravidão e ao seu principal produto econômico, o Açúcar.
O açúcar é diretamente responsável pelo modo de ser e de viver no
Recife e em todo um Brasil. Gilberto Freyre escreveu em Casa Grande & Senzala (G. Freyre, CG&S, pg. 265, Global Editora, 2005):
“O escravocrata terrível, que só faltou transportar da África
para a América, em navios imundos, que de longe se adivinhavam pela inhaca, a população inteira de negros, foi,
por outro lado, o colonizador europeu que melhor confraternizou com as raças chamadas inferiores. O menos cruel
nas relações com os escravos. É verdade que, em grande
parte, pela impossibilidade de constituir-se em aristocracia
europeia nos trópicos: escasseava-lhe, para tanto, o capital, senão em homens, em mulheres brancas. Mas, independente da falta ou escassez de mulher branca, o português
sempre pendeu para o contato voluptuoso com mulher
exótica. Para o cruzamento e miscigenação. Tendência
que parece resultar da plasticidade social, maior no português que em qualquer outro colonizador europeu”.
12
P. 10: Painel de F. Brennand - Museu do Homem do Nordeste - MHN
Acima: Tapeçaria belga baseada em desenho de A. Echkout e F. Post - MHN
Rota do Açúcar
1
O Recife, como cenário da sua história de quase cinco séculos,
reflete a colonização a que foi submetido. A distribuição física e
geográfica da sua população, dos serviços e equipamentos urbanos reflete diretamente os efeitos da economia açucareira de
Pernambuco. O donatário Duarte Coelho veio pelo açúcar; os holandeses invadiram o Nordeste para dominar o açúcar; na Guerra dos Mascates, os donos de terras e engenhos em Olinda não
queriam pagar suas dívidas aos seus credores e comerciantes no
Recife; a Revolução Pernambucana de 1817 tinha por um lado um
Portugal (fugido no Rio de Janeiro) que tirava ouro do açúcar, e,
do outro, os donos de engenho, que queriam ficar com esse ouro.
Recentemente, passamos pela ditadura civil e militar de 1964, que
teve o apoio no latifúndio açucareiro regional contra os movimentos que pregavam a reforma agrária; e chegamos à contemporaneidade, onde uma boa parcela da economia de Pernambuco
depende dos mercados do açúcar e do álcool.
“No Brasil, a catedral ou a igreja mais poderosa que o próprio rei seria substituída pela casa-grande de engenho.”
(G. Freyre, CG&S, pg. 271, Global Editora, 2005)
E ainda é um tanto disso. Em Pernambuco e no Recife somos
cana e açúcar. A cana que adoça é a mesma que move veículos e nos embriaga. Nesse guia de memórias do Recife, vamos
visitar alguns dos locais onde essa nossa história está presente.
São locais onde a cana e o seu açúcar marcam com nomes e
objetos a paisagem e história da cidade.
Acima: Detalhe de tapeçaria belga baseada em desenho de A. Eckhout e F. Post
Presenteada por Maurício de Nassau a Luís XIV - MHN
13
Recife Lugar de Memória
1
Engenhos do Capibaribe
As margens do Rio Capibaribe, que junto com as do Rio Beberibe
formam a bacia hidrográfica responsável pelo cultivo da cana-de-açúcar no Recife, têm de um lado a Avenida Caxangá, que
da Madalena vai dar no Bairro da Várzea, extremo oeste da cidade, e do outro lado a “Volta ao Mundo”, que desde a Várzea leva
a Av. Dois Irmãos, Av. Apipucos e Av. 17 de Agosto, já nos bairros
de Casa Forte e Parnamirim. Essas terras foram ocupadas a partir
do século XVI por engenhos de cana, esses tornados arruados e
vilarejos que deram origem a muitos bairros do Recife.
Aqui, relacionamos os engenhos que ladeavam o Rio Capibaribe
e marcaram a memória da cidade. Uma grande rota circular de
visitação aos locais citados pode ser iniciada no bairro da Madalena, na direção oeste pela Avenida Caxangá, chegando após
sete quilômetros de linha reta ao norte do bairro da Várzea. Antes
da ponte e à esquerda, chegamos ao centro da Várzea. Cruzando a ponte sobre o Capibaribe e em frente, chegaremos a Camaragibe; e dobrando à direita iremos dar em Dois Irmãos, Apipucos,
Monteiro, Casa Forte, Torre e de volta ao bairro da Madalena. Nesse circuito, passamos por muitos dos locais onde a economia e história do Recife foram forjadas. Nessa proposta de Rota do Açúcar
no Recife, listamos a seguir os engenhos que nela existiram, subindo o Capibaribe e olhando para o que existiu às suas margens.
14
Acima: Gravura sobre trabalho no engenho de cana-de-açúcar - MHN
Rota do Açúcar
1
Engenho da Magdalena
Bairro da Madalena - Foi construído no século XVI por Pedro Afonso Duro, casado com Magdalena Gonçalves. A casa-grande era
onde hoje está o Museu da Abolição, no início da Av. Caxangá.
O Museu da Abolição é recoberto por azulejos portugueses. Este revestimento colonial melhorava a umidade dentro das edificações.
Perto do museu está o Mercado da Madalena que faz parte da área
da Praça da Madalena, que é um dos mais tradicionais mercados
públicos do Recife, com bares, comedorias e feira de pássaros.
15
Recife Lugar de Memória
1
Engenho da Torre
Bairro da Torre - Conhecido no séc. XVI como Engenho Marcos
André, rico colono português, foi chamado de Torre por causa da
torre original da capela da propriedade. O engenho era movido
a animais. Os holandeses tomaram o engenho e construíram uma
fortaleza capaz de atacar o Forte Real do Bom Jesus do outro lado
do rio. A praça tem brinquedos com formato modernista do escultor Abelardo da Hora. Uma agradável travessia de barco a remo
pelo Rio Capibaribe pode ser feita do Bairro da Torre para o Bairro
da Jaqueira. Os barqueiros também podem transportar até duas
bicicletas, facilitando as visitas com esse tipo de transporte.
16
Rota do Açúcar
1
Engenho do Cordeiro
Bairro do Cordeiro - Atualmente, o Cordeiro fica entre os bairros
do Zumbi e Iputinga. O engenho surgiu nas terras do rico colono português e senhor de engenho Ambrósio Machado, que
também foi governador da Capitania do Rio Grande do Norte.
O capitão João Cordeiro de Medanha, ajudante de ordens do
Governador João Fernandes Vieira, administrou o engenho e as
suas terras após a expulsão dos holandeses em 1654.
A Igreja do Cordeiro (acima) fica na Av. Caxangá. Essa avenida
foi revitalizada e teve colocado marcos (abaixo) nas suas paradas
de ônibus, registrando os antigos engenhos cujas terras ela corta.
Engenho Ambrósio Machado
Bairro do Zumbi - Foi confiscado pelos holandeses em 1635 e passou
a produzir açúcar para a Companhia das Índias Ocidentais dos
invasores holandeses. O Capitão João Cordeiro de Medanha também cuidou desse engenho, a mando de João Fernandes Vieira,
após a expulsão dos holandeses.
17
Recife Lugar de Memória
18
Rota do Açúcar
1
Engenho Casa Forte
Bairro do Poço da Panela - Foi fundado no século XVI por Diogo
Gonçalves em terras doadas por Duarte Coelho. A casa-grande
do engenho e capela eram onde hoje estão o Colégio da Congregação da Sagrada Família (acima esquerda) e a Igreja (acima
direita), na Praça de Casa Forte. Em 17 de agosto de 1645, houve
a Batalha de Casa Forte, que dá nome à avenida, no sítio onde
está a Praça e arredores, para libertar a proprietária Ana Paes dos
invasores holandeses.
A praça e suas edificações próximas ficam na comarca do
Poço da Panela, limite com o
bairro de Casa Forte. A Praça de
Casa Forte, construída em 1934,
foi projetada pelo paisagista recifence Roberto Burle Marx. A
calçada tem desenho modernista de ondas de Burle Marx,
inspirado no antigo calçadão
português da Avenida Atlântica
do Rio de Janeiro de 1906.
Página anterior: grilhões para prender escravos - MHN
19
Recife Lugar de Memória
1
Poço da Panela
O bairro do Poço da Panela é contíguo ao bairro de Casa Forte na margem esquerda do Rio Capibaribe. As terras são originárias do Engenho
Casa Forte. Muitas das suas edificações são preservadas. O centro histórico compreende a Igreja de Nossa Senhora da Saúde, o monumento ao Escravo Liberto e o busto de José Mariano Carneiro da Cunha,
o abolicionista, a casa de Dona Olegarina, esposa de J. Mariano (foto
acima), a venda de Seu Vital e outros casarões coloniais.
O local é um dos mais urbanizados, bucólicos e aprazíveis do Recife.
A Estrada Real do Poço é o seu principal acesso. No Poço, as casas
antigas de família ainda são habitadas e estão em bom estado de
conservação, conferindo ao local um ar dos tempos passados.
20
Fotos no sentido horário: Igreja de Nossa Senhora da Saúde,
Estrada Real do Poço, Venda de Seu Vital e casarões preservados
Rota do Açúcar
1
Museu do Homem do Nordeste
Visitação: Terça a Sexta de 9h às 17h - Sábado e domingo de 13h às 17h
O MHN é localizado na Av. 17 de Agosto, Poço da Panela, e foi
fundado em 1979 por Gilberto Freyre. O Museu faz parte da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte da Fundação Joaquim
Nabuco - Fundaj. Sua missão é pesquisar, documentar, preservar
e difundir o patrimônio cultural material e imaterial do Nordeste.
O Museu do Açúcar é hoje parte do Museu do Homem do Nordeste.
O seu edifício foi projeto do arquiteto Carlos Antônio Falcão Correia
Lima. Possui dois pavimentos e abriga o MHN. Seu acervo, representativo da formação histórica, étnica e social da atual Região Nordeste, possui cerca de 15 mil peças, herança cultural do índio, do
europeu e do africano na formação do povo brasileiro.
Compõem o acervo do museu materiais de construção dos séculos XVIII e XIX referentes aos mocambos; ex-votos e objetos de
cultos afro; peças e utensílios da agroindústria açucareira; instrumentos de suplício de escravos; bonecas de pano e brinquedos
populares; cerâmica regional de Vitalino, Nhô Caboclo, Zé Rodrigues, Porfírio Faustino e de outros notáveis e anônimos artistas do
povo; além das tecnologias do trabalho no açúcar e peças da
vida nas casas-grandes e senzalas. Esse acervo o torna um dos
mais importantes museus histórico-antropológicos do Brasil.
Acima: moenda de cana-de-açucar manual; Escrava ama de leite Mônica com
Augusto G. Leal - Coleção Cehibra - Fundaj - Foto de João Ferreira Vilella, 1860
21
Recife Lugar de Memória
22
Rota do Açúcar
1
Os folguedos populares, originados nos desejos de liberdade dos
escravos e sempre regados a cachaça, são parte importante da
cultura nordestina. O Bumba-meu-Boi e o Maracatu são espetáculos que misturam elementos de comédia, drama, sátira e tragédia demonstrando a força bruta e fragilidade humanas.
Página anterior: Cazumbá do Bumba-meu-Boi. Acima: Festa de N. S. do Rosário dos
Pretos, Caboclo de Lança e Boneca do Maracatu e Cachaça - acervo MHN - Fundaj
23
Recife Lugar de Memória
1
Índios e principalmente escravos trazidos da África foram a força
motriz na agricultura, engenhos de açúcar e mineração no Brasil.
A escravidão indígena foi abolida pelo Marquês do Pombal no final
do séc. XVII. Mas a escravidão só foi abolida com a Lei Áurea em 13
de maio de 1888. O Parque 13 de Maio comemora essa data.
24
Acima, grilhões de ferro para prender e torturar escravos
Acervo do Museu do Homem do Nordeste - MHN - Fundaj
Rota do Açúcar
1
Eng. São Pantaleão do Monteiro
Bairro do Monteiro - O engenho de São Pantaleão do Monteiro foi
fundado no século XVI por Manuel Vaz e sua mulher Maria Rodrigues. Seu proprietário no século XVII, Francisco Monteiro Bezerra,
deu o nome ao engenho e à localidade. Ficava entre o Engenho
Casa Forte e o Engenho Apipucos. Ainda existem um arruado colonial e algumas residências antigas preservadas. Há vestígios das
colunas da entrada de acesso à casa-grande da propriedade.
O Rio Capibaribe ainda encontra-se em um estado bastante
natural no Monteiro. Tem-se
acesso às vistas do rio por trás
de algumas propriedades e edifícios. A depender da maré, observa-se o Capibaribe subindo
ou descendo, pelo movimento
das baronesas (plantas aquáticas) sobre sua superfície.
25
Recife Lugar de Memória
1
Engenho de Apipucos
Bairro de Apipucos - O Engenho de Apipucos foi partilhado em
1577 das terras do Engenho São Pantaleão do Monteiro. Foi atacado em 1645 pelos holandeses, que destruíram a sua capela (onde
hoje está a Igreja de Apipucos). Tudo foi saqueado e levado para o
Engenho Casa Forte, onde Ana Paes, proprietária, era feita refém.
Apipucos (ape-puca, “caminho que bifurca” em Tupi) tem um belo
conjunto colonial de casas dos dois lados da Rua Apipucos, continuação da Av. 17 de Agosto. O Açude de Apipucos é uma das belas
vistas do Recife e deságua no Rio Capibaribe. A Fundação Gilberto
Freyre está logo em seguida à direita, na direção de Dois Irmãos.
26
Rota do Açúcar
1
Fundação Gilberto Freyre
Visitação: Segunda a Sexta de 9h às 17h - Rua Dois Irmãos, 320, Apipucos
A Casa de Gilberto Freyre foi transformada em Fundação no dia
11 de março de 1987. A Vivenda Santo Antônio de Apipucos, hoje
Casa-Museu Magdalena e Gilberto Freyre, está instalada no local
onde o escritor escolheu para morar, por mais de 40 anos. A sua
construção é reconhecida como casa-grande original do século
XIX. Foi reformada em 1881. Hoje abriga o conjunto de objetos colecionados, guardados e ordenados pela família Freyre.
Gilberto Freyre nasceu em 15
de março de 1900 e morreu em
18 de julho de 1987, no Recife.
Dedicou-se a interpretar o Brasil.
Foi sociólogo, antropólogo, historiador, jornalista, autor de ficção, poeta, pintor e fazedor de
licor de pitanga, dentre muitas
outras coisas. Entre os seus livros
que inspiram este guia estão
Casa-Grande & Senzala, 1933;
Sobrados e Mucambos, 1936; e
Assucar, 1939. Sua estátua está
no Largo de Apipucos.
Acima: painel cerâmico do artísta Francisco Brennand
com poema de João Cabral de Melo Neto (1920-1999)
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Recife Lugar de Memória
1
Engenho Dois Irmãos
Bairro de Dois Irmãos - O Engenho foi erguido nas terras do engenho Apipucos pelos irmãos Antônio e Tomás Lins Caldas no século
XIX. Por serem muito unidos, eles construíram duas casas idênticas,
lado a lado, e denominaram o engenho de Dois Irmãos. Na frente
das casas está a Praça de Dois Irmãos, projetada por Burle Marx.
Nos fundos da praça está o Parque Zoológico de Dois Irmãos.
O Açude do Prata, que fazia parte da propriedade, e que agora
está por trás do zoológico, foi usado pela antiga Companhia Beberibe de águas para abastecer o Recife. A água era bombeada para cima do morro de Dois Irmãos (agora reserva florestal de
Mata Atlântica) e por gravidade era distribuída para a cidade.
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Rota do Açúcar
1
Engenho Brum-Brum
Era localizado à margem esquerda do Capibaribe, com terras
que iam da povoação de Caxangá (final da Avenida Caxangá)
até a propriedade que é hoje o município de Camaragibe.
Acima, temos a casa-grande do Engenho Camaragibe (camara
é planta / gibe é rio, em tupi-guarani) sobre a colina que é a continuação geográfica natural da várzea do Capibaribe.
Engenho Poeta
Esse engenho ficava onde hoje é o final da avenida Caxangá.
Também pertenceu ao Governador da Capitania de Pernambuco João Fernandes Vieira e funcionou até 1942 como engenho
de açúcar. Um arruado histórico ainda existe na margem direita
do Capibaribe, arruado que teve sua origem nas atividades do
engenho. Suas terras foram vendidas ao Caxangá Golf & Country
Club, ainda em operação.
A beleza da várzea do Capibaribe pode ser vista na UFRPE, Campus Dois Irmãos
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Recife Lugar de Memória
1
A Várzea do Capibaribe
Muitos engenhos surgiram na Várzea do Capibaribe, engenhos esses que deram nomes e localidades para muitos bairros do Recife.
As terras de várzea, que eram ideais para o plantio da cana-de-açúcar, pertenceram ao Engenho do Meio, Engenho São João,
Engenho Santo Antônio e compreenderam o que hoje são os bairros
da Várzea, Brasilit, Cidade Universitária, Iputinga, Engenho do Meio
e Monsenhor Fabrício, chegando até o Cordeiro, Torre e Madalena.
Engenho do Meio
Bairros do Engenho do Meio e Cidade Universitária - Foi tomado
pelos holandeses no século XVII. Nas suas terras foi erguida a fortificação do Arraial Novo do Bom Jesus, com as suas ruínas hoje
localizadas na Av. do Forte, s/nº, Bairro do Torrões. Também, as
ruínas da fundação da casa-grande do Engenho do Meio ainda
podem ser vistas no canteiro central do Campus da Universidade
Federal de Pernambuco, quase em frente à Biblioteca Central.
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Rota do Açúcar
1
Engenho de Santo Antônio
Bairro da Várzea - Foi fundado por Diogo Gonçalves no século XVI
e deu origem a uma povoação que era cercada por 16 engenhos
de açúcar. Em 1630 o holandês Adriaen Verdonck escreveu que
na Várzea “está a melhor e mais bela moradia… e é de onde vem
o melhor e a maior parte do açúcar de Pernambuco”.
Em 1645, João Fernandes Vieira, por ser proprietário dos engenhos
São João, do Meio e Santo Antônio e ser o principal chefe da Insurreição Pernambucana, estabeleceu na Várzea do Capibaribe
resistência e o novo Governo da Capitania de Pernambuco, de
1645 até a expulsão dos holandeses, em 1654. A povoação e a
igreja são as origens do Bairro da Várzea.
Uma restauração arquitetônica recente e uma prospecção arqueológica expôs paredes e detalhes da construção da capela original.
Uma placa na igreja registra que ali foi sepultado “O Bravo Dom Antônio Felipe Camarão, governador de índios, que, com seus arcos e
flechas, defendeu a fé e a Pátria contra o batavo invasor”. Na sua
sacristia foi descoberto o cemitério dos mortos das duas batalhas da
guerra holandesa dos Montes Guararapes, em 1648 e 1649.
Foto no alto: Praça da Várzea, ponto central da povoação inicial
Foto acima: lateral da Igreja da Várzea com a construção original exposta
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Recife Lugar de Memória
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Instituto Ricardo Brennand
Aberto de terça a domingo das 13h às 17h, Bairro da Várzea
O Instituto Ricardo Brennand possui um rico acervo em peças medievais e a maior coleção privada de obras do pintor holandês
Frans Post, que veio com Nassau ao Recife. Fica à margem direita
do Capibaribe, nas terras do antigo Engenho de Santo Antônio.
No jardim estão dispostas esculturas e diversas obras de arte. A
torre de entrada é originária da França. O visitante pode encontrar também quadros de orientalistas, tapeçarias, vitrais, mobiliário
gótico e outras peças que remetem aos séculos XVI e XVII.
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Acima, uma cópia autorizada do David de Miguelangelo
faz parte do acervo do Instituto Ricardo Brennand
Rota do Açúcar
1
Engenho São João
Bairro da Várzea - Esse engenho também pertenceu a João Fernandes Vieira no século XVII. Na margem esquerda do Rio Capibaribe, fazia limite com o Engenho Camaragibe, hoje município.
Pertence à família Brennand desde o século XIX. Até 1945 nele funcionou a Cerâmica São João, que fabricava tijolos e telhas.
Ateliê e Oficina Cer âmica
Fr ancisco Brennand
Aberto de segunda a sexta das 8h às 16h, Bairro da Várzea
O artista plástico pernambucano Francisco Brennand reconstruiu
os galpões da fábrica cerâmica e desde 1971 tem o seu ateliê de
pintura, desenho e cerâmica no local.
Também merece destaque o verde da Mata Atlântica e o espaço,
que é ao mesmo tempo museu e ateliê de produção e possui capela, auditório e loja-café.
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Recife Lugar de Memória
1
Museu do Estado de Pernambuco
Aberto de terça a sexta, das 9h às 17h. Sábados e domingos, das 14h às 17h
O Museu do Estado foi criado em 1928 e funcionou até 1940 no
Palácio da Justiça, quando se transferiu para o atual endereço,
um luxuoso casarão do século XIX situado na Avenida Rui Barbosa, 960, Bairro das Graças. Seu acervo é bastante variado e conta
com estátuas de divindades greco-romanas, cerâmicas variadas,
mobiliário seiscentista, Frans-Post e Barléu, pinturas retratando pessoas importantes e a cidade em seus antigos tempos. O Museu
tem um anexo dedicado à arte moderna e contemporânea.
Teatro de Santa Isabel
Situado no Campo das Princesas, foi inaugurado em 1850 e tem formas neoclássicas. O projeto é de Louis Vauthier. Companhias internacionais se apresentavam nele antes de seguir para o sul do País.
Abrigou os debates que consolidaram a abolição da escravatura.
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Rota do Açúcar
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Faculdade de Direito
Aberta em horário comercial e de aulas.
A Faculdade de Direito do Recife é situada na Rua Princesa Isabel.
O prédio apresenta características ecléticas, com predomínio do
neoclassicismo. Nesta faculdade estudaram intelectuais e políticos, como Tobias Barreto e Joaquim Nabuco, que com discussões
sobre a abolição da escravatura e instalação da república chamavam a atenção da sociedade da época. Os jardins têm estátuas e entre elas um busto de Castro Alves. Uma jovem árvore baobá
está plantada à direita de quem olha para o prédio.
Parque 13 de M aio
O Parque 13 de Maio situa-se em frente à Faculdade de Direito.
Foi inaugurado em 1939 e homenageia a abolição da escravatura. Burle Marx participou do projeto paisagístico. O Parque
possui lago, pista de cooper e minizoológico.
Basílica e Convento do Carmo
Aberta de segunda a sexta das 6h
às 11h30 e das 14h às 17h
A praça em frente à Igreja do
Carmo recebeu em um poste, no dia 20 de novembro
de 1695, a cabeça degolada
e salgada de Zumbi, líder do
Quilombo dos Palmares. Ele
foi capturado em Alagoas e
trazido ao Recife. Foi morto e
decapitado. A data de 20 de
novembro é a Data Nacional
da Consciência Negra em
memória a Zumbi e sua causa.
Dom Helder Camara celebrou
a “Missa dos Quilombos” em
1981 na igreja, ligando o martírio de Zumbi aos dos perseguidos da Ditadura de 1964.
A Faculdade é projeto de José Antônio de Almeida Pernambuco e
Gustave Varin e data de 1880
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Recife Lugar de Memória
1
Joaquim Nabuco - Praça e Túmulo
A Praça Joaquim Nabuco tem uma estátua em bronze do
abolicionista de autoria de João Bereta de Carrara, sobre um
pedestal de argamassa calcária, esculpido por Pedro Mayol.
A inauguração foi no dia 28 de setembro de 1915. Um edifício
em frente à praça possui painel em cerâmica pintada do artista Abelardo da Hora.
O Cemitério de Santo Amaro é o maior cemitério público do Recife. Nele estão enterradas grandes personalidades pernambucanas, como Manuel Borba, ex-governador de Pernambuco; o pintor e poeta Vicente do Rego Monteiro; os abolicionistas Joaquim
Nabuco e José Mariano Carneiro da Cunha; o ex-governador
Miguel Arraes; os músicos Capiba; Chico Science; entre outros.
Merecem destaque os mausoléus, ornados com belíssimas
obras de arte, em bronze, ferro, mármore, granitos das mais diversas cores, como demonstra a foto acima e à direita, do túmulo de Joaquim Nabuco. Neste cemitério também está enterrada
a Menina-sem-nome, santa católica popular não canonizada.
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Fotos acima: mural em azulejo de Abelardo da Hora, estátua em bronze da Praça
e mausoléu em mármore de Carrara no Cemitério de Santo Amaro
Rota do Açúcar
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Porto do Recife - Cruz do Patrão
O Porto do Recife está ligado ao desenvolvimento socioeconômico e cultural do estado de Pernambuco e do Nordeste. Ele foi
o ponto de trocas de mercadorias e abastecimento das capitanias do nordeste durante a colonização. No século XVI aumenta
a importação, produção e exportação de açúcar. A cidade do
Recife surge da vizinhança do porto. Nele, imigrantes europeus
se estabeleceram para viver do comércio. O Rio Capibaribe
deságua no porto do Recife o açúcar dos engenhos das suas
margens, e as pessoas frequentavam as áreas da alfândega do
porto. Foram construídos armazéns, para estocar açúcar, sobrados, casarões, moradias populares e estabelecimentos comerciais, alguns ainda existentes.
Na descida da Ponte do Limoeiro, à esquerda, está a Cruz do
Patrão, edificada originalmente no século XVI, em madeira,
sendo reconstruída em 1814.
A Cruz se alinha ao cruzeiro da
Igreja de Santo Amaro das Salinas e orientava os navios que
manobravam no Porto do Recife. O nome refere-se a patrão-mor, mestre de barco.
Foto acima: a Cruz do Patrão está no imaginário popular como local sagrado às
religiões afro-brasileiras. Pensa-se que escravos tenham sido sacrificados nela
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Recife Lugar de Memória
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Os Holandeses
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O Período Holandês
Maurício de Nassau
A Insurreição Pernambucana
Monte dos Guararapes
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Recife Lugar de Memória
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O Período Holandês
A memória holandesa no Recife perdura em vários lugares. Uma
era de prosperidade financeira e social para a cidade. Entre 1580
e 1640, a União Ibérica, que era formada à época pelos atuais territórios da Espanha e de Portugal, proibiu o comércio de açúcar da
América com a Holanda. Mas os holandeses detinham grande volume de capital investido nessa atividade comercial e resolveram
enviar expedições militares para conquistar a região Nordeste brasileira, com o objetivo de restabelecer o seu comércio do açúcar.
Assim, pode-se dizer que o período holandês no Recife teve início na chamada Dinastia Filipina, que decorreu entre 1580 e 1640,
quando Portugal e as suas colônias estavam sob domínio da Coroa da Espanha.
Os holandeses chegaram ao Brasil em 9 de maio de 1624, aportando no Farol da Barra, na Bahia, onde ficava a então capital
da colônia, Salvador. A esquadra holandesa, composta de 3.400
homens, não demorarou a render o governador-geral. Mas a resistência foi forte. Em 27 de março de 1625, uma esquadra portuguesa, comandada pelo espanhol D. Fradique de Toledo Osório,
aportou nas terras baianas. Em 1º de maio os holandeses se renderam e logo foram expulsos.
Em fevereiro de 1630, uma nova expedição, com 64 navios e 3.800
homens, chegou a Pau Amarelo, próximo a Olinda. Os portugueses
armaram uma frágil resistência e foram derrotados às margens do
Rio Doce. Os holandeses marcharam para Olinda, onde ficaram por
um ano. Mas, para dominar o comércio do açúcar, foram para o
Recife, um subúrbio de Olinda com seu porto. Ao deixarem Olinda,
os holandeses atearam fogo às principais construções da cidade.
Os holandeses se estabeleceram no Recife, local estratégico para
o domínio do comércio do açúcar. Interessava-lhes principalmente
o porto do Recife, um dos principais pontos de escoamento e chegada de produtos provindos das mais diversas partes do mundo.
A situação, no entanto, era bastante árdua para os invasores holandeses. O Recife, à época apenas um povoado ao redor do porto,
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No alto, gravura de John Ogilby, “Ataque Holandês a Olinda”, 1671 - Londres
Rota Holandesa
2
com pouquíssimas casas e nenhuma infraestrutura, não era um lugar seguro, e as condições de vida eram quase inumanas.
Valendo-se disso, os portugueses, sob o comando de Matias de Albuquerque e então relegados aos arredores do Recife, organizaram a resistência, realizada na forma de emboscadas e investidas
pontuais contra o inimigo, episódio que ficou conhecido como
Guerra Brasilis. Depois, vários confrontos foram travados, culminando na Insurreição Pernambucana. Desse movimento, consta
a batalha derradeira, conhecida como Batalha dos Guararapes,
ocorrida nos Montes Guararapes.
Desse período consta a contribuição grandiosa dos holandeses
para o desenvolvimento do Recife: de pequeno povoado às margens do porto, o Recife, principalmente sob o comando do Conde
João Maurício de Nassau, tornou-se um centro urbano de grande
desenvolvimento, possuindo, ao fim do período holandês, um comércio e uma estrutura bastante desenvolvidos.
Da ocupação holandesa, muitos heróis, dos quais as guerras
tiraram a vida, ainda hoje persistem nas narrativas históricas
recifenses. Dos locais, ainda que poucos restem de pé, nascem as memórias de um tempo outro, que o passar das épocas não conseguiu apagar.
Acima: Mapa do Recife, Johannes Vingboons, 1665
Abaixo: Batalha dos Guararapes, Francisco Brennand, Rua das Flores, Recife
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Recife Lugar de Memória
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Forte do Brum
Aberto de terça a sexta das 9h às 16h; sábados e domingos das 14h às 16h
O Forte do Brum, iniciado em 1629, por ordem do então governador Matias de Albuquerque, foi tomado pelos neerlandeses logo
a seguir, quando ainda estava nos alicerces. De Forte Diogo Pais,
passou a ser chamado Forte Bruyne (e, por corruptela, Brum), em
honra ao conselheiro holandês Johan Bruyne.
De sua existência, escreve Gaspar Barléu, em História dos feitos
recentemente praticados durante oito anos no Brasil: “Não longe
do Forte de S. Jorge, avista-se o do Brum com quatro bastiões e
sete peças de bronze, fechado, demais, com a sua estacada”. Estacadas são as estacas de madeira, preenchidas com areia, da
construção original holandesa. A atual, em alvenaria, foi feita pelos
portugueses, concluída no século XVII. Nessa época, foi rebatizado
de Forte de São João Batista, acrescentado depois o nome Brum.
O Forte do Brum testemunhou a Revolução Pernambucana, a Confederação do Equador e a Revolução Praeira.
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Rota Holandesa
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Quarteir ão Fr anciscano
Os mapas holandeses constituem um valoroso registro da empreitada neerlandesa no Recife. Neles, pode-se ver o planejamento
urbano nos bairros de Antônio Vaz e da Boa Vista, o primeiro da
cidade. Desse planejamento, resta-nos o Quarteirão Franciscano, à direita na Rua do Imperador, em frente à Praça da República. O Convento Franciscano de Santo Antônio foi iniciado em
28 de outubro de 1606, pelos frades franciscanos de Olinda, nas
terras do senhor de engenho Marcos André. No período holandês
(século XVII), o lugar fez parte do Forte Ernesto.
No claustro, que é anterior ao barroco, encontram-se colunas esculpidas em um só bloco de pedra de arrecifes que sustentam arcos plenos. As colunas e os arcos formam um harmonioso conjunto
arquitetônico. A foto acima, à direita, mostra os azulejos holandeses do Convento, únicos exemplos remanescentes no Recife.
O conjunto franciscano ainda tem a Capela Dourada, finalizada
em 1724, a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, datada
de 1702, e o Hospital de São Francisco, também do século XVIII.
Forte Ernesto
Escreveu Barléu: “O forte de Ernesto ergue-se na ilha de Antônio
Vaz, ao ocidente do Recife. Tem três faces e é munido de um
fosso assaz largo, de paliçadas e bastiões. Com quatro bocas de
fogo, guarda ele o rio, as planícies da ilha e a vila de Antônio Vaz,
que aí nasceu”. Acredita-se que o Forte se localizava onde hoje
está situado o Quarteirão Franciscano e servia de proteção ao
Palácio de Friburgo, residência do Conde Maurício de Nassau.
Acima: Mapa do Recife, detalhe, Forte Ernesto, Johannes Vingboons, 1665
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Recife Lugar de Memória
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Pr aça da República e Imper ador
A Praça da República está situada onde antes havia o parque
zoobotânico no qual se inseria o Palácio de Friburgo, residência
de Nassau durante sua estadia no Recife. O Palácio de Friburgo
era também conhecido como Palácio das Torres, devido às suas
duas torres laterais que ajudavam na defesa e na orientação dos
navegantes. Nele, viviam espécies da fauna e flora local, hoje
substituídas pelas belas estátuas e pelo imenso baobá. A Praça é
considerada o primeiro espaço urbano projetado do Recife.
Seguindo pela Rua do Imperador, da Praça da República,
veem-se os resultados da urbanização de Nassau: na esquina
com a Rua 1º de Março, encontra-se uma construção antiga, de
dois pavimentos, onde havia o prédio que serviu de primeira residência a Nassau e onde funcionou o Primeiro Observatório Astronômico das Américas, construído por Marcgrave; observam-se
“sobrados magros” ao estilo de Amsterdã; e mais adiante a Igreja
do Espírito Santo, 1642, que originalmente era um templo calvinista, e única igreja erguida sob o domínio holandês.
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No alto, gravura de Frans Post do Palácio Frigurgo de 1642
Ao centro, baobá, Teatro de Santa Isabel e edificações na Rua do Imperador
Rota Holandesa
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Maurício de Nassau
O Conde João Maurício de Nassau-Siegen foi o eleito para comandar o governo holandês no Recife. De espírito renascentista,
Nassau empreendeu uma grandiosa reforma urbana na cidade,
dos quais restam ainda o quarteirão franciscano, ruas no bairro
da Boa Vista, a Praça da República e o Palácio do Governo, que,
se não é o original, traz consigo a proximidade arquitetônica e o
planejamento paisagístico do governador flamengo.
Em 1644, Nassau foi destituído
do cargo. Instala-se a crise:
revoltas ocorrem nos arredores, sendo a mais conhecida
a Insurreição Pernambucana,
da qual fazem parte a Batalha
das Tabocas e a fatídica Batalha dos Guararapes. Esta selou
o fim do período holandês no
Recife — pelo menos, o fim de
um período político, visto que
o imaginário coletivo da Cidade Maurícia, Mauriciópolis ou
Mauritsstad, ainda é habitado
por personagens flamengos.
Com Nassau, foram construídas duas fortalezas na Ilha
de Antônio Vaz (hoje bairro de Santo Antônio): o Forte Ernesto,
junto ao qual havia o Grande Alojamento, área fortificada que
mais tarde viria a ser a Praça da República, e o Forte Frederico
Henrique (Frederick Hendrick), hoje denominado Forte das Cinco
Pontas. Também dessa época constam a Ponte Maurício de Nassau, o Palácio de Friburgo, o zoológico e o palácio de Nassau,
também chamado de Palácio da Boa Vista, situado a leste da
Ilha, às margens do rio Capibaribe, sua residência de descanso.
Na comitiva de Nassau estavam artistas, cientistas, cartógrafos,
entre eles: Gaspar Barléu, Frans Post, Albert Eckhout e George
Marcgraf, que retrataram e inventaram um Recife holandês.
Acima, capa de “Historia Naturalis Brasiliae”, Guilherme Piso, 1648
Nassau, gravura de Willen Jacobz Delff, 1637, Museu do Estado de Pernambuco
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Recife Lugar de Memória
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Rua do Bom Jesus
Atualmente conhecida como Rua do Bom Jesus, a Rua dos Judeus tinha esse nome justamente por sediar a sinagoga. É considerada a rua mais antiga do Recife. Seu nome vem do Arco do
Bom Jesus, porta da cidade até 1850. É uma das mais importantes e belas ruas do Bairro do Recife.
Na Rua do Bom Jesus, está a Sinagoga Kahal Zur Israel, primeira sinagoga oficial das Américas, fundada por judeus que se
fixaram no Recife durante o governo holandês. O monumento
marca um período de tolerância religiosa, quando o Estado holandês permitiu aos judeus professarem sua fé no Novo Mundo.
Com a saída dos flamengos, os judeus foram expulsos, e um dos
navios que os conduzia de volta à Europa perdeu o rumo, indo
aportar em Nova York. Lá ajudaram a fundar a primeira comunidade judaica da cidade.
Palácio da Boa Vista
Às margens do Rio Capibaribe, signo cultural do Recife, localizava-se o Palácio da Boa Vista, construído por Maurício de Nassau
para seu descanso. Sua arquitetura apresentava telhado baixo, com quatro águas, e janelas pequenas. Na frente, Nassau
mandou construir a segunda ponte do Recife, hoje conhecida
como Seis de Março. Historiadores acreditam que o Palácio da
Boa Vista localizava-se onde hoje está o Convento do Carmo.
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Acima, abóbada da Basílica do Convento do Carmo na Av. Dantas Barreto
A cabeça de Zumbi foi exposta em estaca na praça em frente à Basílica em 1695
Rota Holandesa
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Forte das Cinco Pontas
Aberto de segunda a sexta das 9h
às 18h; sáb. e dom. das 13h às 17h
Localizado bem próximo ao Porto do Recife, o Forte de São Tiago
das Cinco Pontas foi erguido sob ordem do coronel Diederick van
Waerdenburch, comandante das tropas holandesas quando da
tomada de Olinda e do Recife. A fortificação tinha por objetivo
proteger o porto, na foz do rio dos Afogados, e as cacimbas de
água potável de Ambrósio Machado.
Foi projetado por Tobias Commersteyn, apresentando, em sua planta, um polígono pentagonal com baluartes nos vértices. Ainda em
obras, o Forte foi alvo de ataque dos portugueses em 1630, tendo
resistido bravamente. Foi o ponto final de resistência dos holandeses,
que ali concentraram suas últimas defesas. Foi nesse forte que, no
dia 28 de janeiro de 1654, o General Francisco Barreto de Menezes
entrou solenemente, pondo fim ao período holandês no Brasil.
Do lado esquerdo, existe um monumento em homenagem a Frei
Caneca, que marca o local onde ele foi arcabuzado em 1825.
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Recife Lugar de Memória
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A Insurreição Pernambucana
A Insurreição Pernambucana foi o movimento de resistência portuguesa à invasão holandesa no século XVII à capitania de Pernambuco. Culminou com a expulsão dos holandeses da região Nordeste
do Brasil e o retorno do governo português a Pernambuco.
A Holanda, com combates na Europa e bastante endividada,
resolveu cobrar os empréstimos dados aos produtores açucareiros, e aquele que não pagasse teria suas terras tomadas.
Vários confrontos ocorreram. Em 3 de agosto de 1645 houve
a primeira grande derrota dos holandeses no Monte das Tabocas, onde está a atual cidade de Vitória de Santo Antão.
Os que estavam contra os holandeses invadem o Recife e
fundam o Arraial Velho do Bom Jesus, onde hoje é o Sítio da
Trindade. Neste momento, João Fernandes Vieira é nomeado
Governador da Capitania. Os confrontos continuam, até que
insurretos e invasores lutam decisivamente nos Montes Guararapes, em 19 de abril de 1648 e 19 de fevereiro de 1649.
Pr aça Sérgio Loreto e Arredores
A Praça Sérgio Loreto se localiza no final da Avenida Dantas Barreto. Na Praça, encontra-se o monumento à Restauração Pernambucana, de Abelardo da Hora (fotos abaixo). Perto da praça, no
Forte das Cinco Pontas, os holandeses captulam em 1654.
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No alto, Batalha dos Guararapes, Igreja Conceição dos Militares, Recife
Rota Holandesa
Henrique Dias - Filho de escravos africanos, Henrique Dias
nasceu em Pernambuco. Liderou um grupo de africanos ao
lado e sob o comando de Matias de Albuquerque, líder militar da resistência lusitana.
Felipe Camarão - Antonio Felipe Camarão, indígena da tribo
potiguar. Convertido ao cristianismo, tomou parte na batalha portuguesa contra os holandeses.
João Fernandes Vieira - João Fernandes Vieira foi Senhor de
engenho de origem portuguesa, mulato, e teve parte nas
Batalhas dos Guararapes como mestre de campo. Foi aclamado Chefe Supremo da Resistência e Governador de Pernambuco após a expulsão dos holandeses.
André Vidal de Negreiros - Brasileiro, André Vidal de Negreiros lutou ao lado dos lusos nas Batalhas dos Guararapes. Noticiou o rei D. João IV sobre a expulsão dos holandeses. Foi
Governador e Capitão-Geral da Capitania do Maranhão, da
Capitania de Pernambuco e de Angola.
Os Quatro Heróis
Henrique Dias
Felipe Camarão
João Fernandes Vieira
André Vidal de Negreiros
Retratos dos Quatro Heróis por pintor desconhecido, séc. XVII, Wikimedia Commons
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Recife Lugar de Memória
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A Batalha de Casa Forte
Em memória a esse episódio, o bairro de Casa Forte dedica o nome
de sua principal avenida, a Avenida 17 de Agosto.
A batalha de Casa Forte ocorreu em 17 de agosto de 1645, logo
após a derrota holandesa no Monte das Tabocas. Ao marchar de
volta para o Recife, os holandeses saquearam o Engenho Apipucos e acamparam no Engenho Casa Forte, de propriedade de
Anna Paes.
Um dia antes do combate, o chefe dos holandeses, coronel Henrique Hous (van Haus), enviou um destacamento para prender
as mulheres de chefes revolucionários pernambucanos. Ao voltarem, com várias prisioneiras, entre elas Isabel de Góis, mulher de
Antônio Bezerra; Ana Bezerra, sogra de João Fernandes Vieira; e
Maria Luísa de Oliveira, mulher de Amaro Lopes, tornou-se o fato
de conhecimento do exército português, que se encontrava perto de Tejipió. João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros,
Henrique Dias e Felipe Camarão arregimentaram seus homens e
partiram em socorro das prisioneiras, chegaram ao local na manhã de 17 de agosto. As tropas pernambucanas surpreenderam
os holandeses, que puseram as mulheres à mostra na janela.
Interpretando o ato como a rendição dos flamengos, o chefe da
tropa pernambucana ordenou o cessar-fogo, e enviou um emissário para negociar os termos de rendição, sendo ele morto pelos
holandeses. Isso debelou um ataque feroz dos pernambucanos
que, sedentos de vingança, atearam fogo à casa. Sufocado pela
fumaça, o coronel Henrique Hous rendeu-se junto com sua tropa.
A derrota dos holandeses custou 37 mortos, mais de 300
prisioneiros e proporcionou
grande quantidade de armamento, cavalos e víveres aos
portugueses. A casa-grande
de Anna Paes era à esquerda
da igreja, onde agora existe o
Colégio Sagrada Família, na
Praça de Casa Forte
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No alto, Praça de Casa Forte, projeto de Burle Marx
Abaixo, locais da “casa-grande” e “capela” de Dona Anna Paes
Rota Holandesa
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Arr aial Velho do Bom Jesus
Sítio da Trindade
O Arraial Velho do Bom Jesus foi um dos principais pontos da resistência pernambucana à invasão holandesa no Recife. A edificação
foi erguida quando as defesas litorâneas já haviam capitulado, tendo sido construída em taipa de pilão e circundada por um fosso de
aproximadamente 4,5 m de profundidade. Foi idealizado por Matias
de Albuquerque para impedir o avanço das tropas flamengas em
direção aos engenhos de açúcar.
Após 1633, com a queda do Passo dos Afogados, posto avançado
que impedia o acesso dos holandeses ao interior pelo Rio Capibaribe, o Arraial foi cercado. Um ataque robusto pôs abaixo o Forte Real
do Bom Jesus. O ataque veio por terra e pela artilharia em ponto
elevado do hoje Morro da Conceição. Sem mantimentos e com os
soldados à míngua, o forte rendeu-se em 1635.
Mais tarde, em 1859, quando da visita de D. Pedro II a Pernambuco,
buscou-se, a mando do imperador, a localização de suas ruínas. Os
vestígios, no entanto, só foram encontrados recentemente, em 2009,
pela equipe do Arqueólogo Marcos Albuquerque, UFPE.
No alto, visada do Arraial, do ponto onde os holandeses tinham sua artilharia
pesada. Abaixo, vestígios do fosso encontrado no Sítio da Trindade em 2009
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Recife Lugar de Memória
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Nossa Senhor a dos Pr azeres
do Monte Guar ar apes
Aberta de terça a sábado das 7h às 12h e das 14h às 17h
A Igreja dos Guararapes foi erguida por João Fernandes Vieira
em honra à vitória portuguesa nas duas batalhas dos Guararapes. Sua fachada é em estilo barroco, com três portadas principais, galilé (espaço entre as portadas e porta de acesso à nave
central), óculo, frontão e torres sineiras com cúpula em obelisco.
A cantaria da Igreja é toda em pedra de arenito, incluindo sua
fachada, que apresenta, em algumas partes, cobertura de azulejos portugueses. A igreja tem obras de arte dos séculos 17 e
18, além dos restos mortais de André Vidal de Negreiros e João
Fernandes Vieira, heróis das batalhas nos Guararapes.
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Monte Guararapes: Município de Jaboatão dos Guararapes · PE
Rota Holandesa
2
As Batalhas dos Guararapes deixaram grandes heranças culturais
ao povo pernambucano e brasileiro. Para confirmar isso, basta
dizer que elas deram simbolicamente origem ao exército brasileiro, pois, pela primeira vez na história do Brasil as três raças que
simbolizam a heterogeneidade brasileira lutaram em torno de um
ideal comum de pátria e nação que não a portuguesa.
A área ao redor da Igreja é o Parque Histórico Nacional dos Montes Guararapes, protegido por lei. O parque tem construções modernistas do arquiteto pernambucano Armando Holanda.
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Recife Lugar de Memória
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1817 e 1824
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Revolução de 1817
Campo da Honra
Confederação do Equador
Capelinha da Jaqueira
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Recife Lugar de Memória
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Revolução de 1817
A chegada da Família Real Portuguesa, em 1808, ocasionou várias transformações nas estruturas econômicas do Brasil, sendo
a principal delas o apoio mais engajado às elites agroexportadoras do País e aos comerciantes portugueses. As regalias geradas por esse apoio, no entanto, acabaram por ocasionar, por
sua vez, o aumento dos impostos, que serviam para financiar os
conflitos do reinado de D. João VI.
Tal aumento de impostos, no entanto, interferiu sobremaneira nas
atividades açucareiras e algodoeiras, principalmente porque a
produção do açúcar atravessava um período de recessão, com
a flutuação do preço desses produtos nos mercados internacionais. Enfrentando dificuldades econômicas, os produtores açucareiros e grande parte da população encontraram dificuldades
em pagar os impostos, o que gerou uma grande insatisfação na
sociedade, já alimentada pelos ideais iluministas de igualdade e
liberdade, pregados por intelectuais à época.
Esse contexto social e ideológico acabou por insuflar alguns
proprietários de terra e uma parte da população formada por
brancos livres pobres, que, unidos em torno do ideal republicano,
fizeram eclodir um movimento revolucionário no estado de Pernambuco. Esse movimento foi chamado de Revolução de 1817.
A Revolução Pernambucana de 1817, também chamada de Revolução dos Padres, teve como marco inicial o dia 6 de março
desse ano, com a ocupação na cidade pelas tropas revoltosas.
No regimento de artilharia, estava o capitão José de Barros Lima,
conhecido como o Leão Coroado, que reagiu à voz de prisão e
matou a golpes de espada o comandante Barbosa de Castro.
Após isso, o Leão Coroado e sua tropa tomaram o quartel, montando trincheiras nas ruas vizinhas para impedir o avanço das tropas monarquistas. Cercado no Forte do Brum, onde se refugiou,
o governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro se rendeu
pouco depois.
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Selo postal comemorativo aos 100 anos da Revolução de 1817
emitido em 6.03.1917, durante a República Velha brasileira
P. 54: Praça Frei Caneca, perto do Forte das Cinco Pontas
Rota 1817 e 1824
3
Participaram do movimento Domingos José Martins, Antônio Carlos de Andrada e Silva e Frei Caneca. O movimento se apossou do
tesouro da província e instalou um governo republicano provisório.
Em 29 de março, uma assembleia constituinte foi convocada,
participando dela representantes eleitos em todas as comarcas.
Nessa ocasião, separaram-se os poderes Legislativo, Executivo e
Judiciário; foi instituída a liberdade de culto, com o catolicismo
permanecendo a religião oficial; e proclamada a liberdade de
imprensa, pela primeira vez no Brasil. Também alguns impostos
foram abolidos, embora a escravidão tenha sido mantida.
A derrocada do movimento ocorreu principalmente pela não
adesão das províncias vizinhas, o que facilitou o sufocamento da
revolução pelas forças do Império.
SONETO
Meus ternos pensamentos, que sagrados
Me fostes quazi à par da Liberdade;
Em vós não tem poder a Iniqüidade;
À esposa voai, narrai meos fados.
Dizei-lhe, que nos trances apertados,
Ao passar d’esta vida à Eternidade,
Ela d’alma reinava na ametade,
E com a Pátria partia-lhe os cuidados.
A Patria foi o meo Nunem primeiro,
A Espôza depois o mais querido
Objecto do disvelo verdadeiro.
E na morte entre ambas repartindo
Será de huma o suspiro derradeiro,
O da outra ha de ser final gemido.
(Domingos José Martins, nos cárceres da Bahia, em 1817)
Acima: Embarque de Dom João e toda a família Real para o Brasil no
cais de Belém - H. L’Èveque, 1815 - Biblioteca Nacional de Portugal
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Recife Lugar de Memória
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Forte do Brum
Aberto de terça a sexta das 9h às 16h; sábados e domingos das 14h às 16h
Um importante lugar de memória desse evento é o Forte do
Brum, onde o então governador Caetano Pinto de Miranda
Montenegro buscou refúgio quando cercado pelos revoltosos.
Nesse local, ele acabou se rendendo ao capitão José Barros de
Lima, o Leão Coroado.
José de Barros Lima nasceu no Recife. Serviu no Regimento de Artilharia. Foi diretor da aldeia de índios de Limoeiro entre 1794 e 1796 e
cursou matemática em Lisboa. Ele foi o responsável simbólico pelo
início da Revolução Pernambucana, após rejeitar uma ordem de
prisão e matar o brigadeiro Manoel Joaquim de Barbosa e Castro,
no dia 6 de março de 1817. Com a derrota do movimento, foi detido
em 6 de julho de 1817, sendo enforcado quatro dias depois. Teve a
cabeça cortada e fincada em um poste de Olinda; suas mãos foram
decepadas; e seu corpo foi arrastado a cavalo para sepultamento.
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Acima, detalhe do vitral de H. Moser, alegoria à Revolução de 1817
na escadaria principal do Palácio dos Campos das Princesas
Rota 1817 e 1824
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Campo da Honr a
Antigo Largo do Erário - hoje Praça da República
No extremo norte da Ilha de Santo Antônio, na qual o conde Maurício de Nassau mandara erguer um dos seus palácios e instalara
um zoológico e um jardim botânico, existia um descampado que
abrigava uma imensa praça pública. Nesta praça, também se
localizavam os restos do prédio holandês onde funcionava o Erário Público, de onde provém o nome Largo do Erário.
O nome de Campo da Honra veio após as tropas revolucionárias
de 1817 terem rendido a tropa monarquista, na tarde do dia 6 de
março. No prédio do Erário instalou-se o primeiro governo republicano da história do Brasil.
Duas das maiores celebrações revolucionárias ocorreram neste
local: o casamento de Domingos Martins e Maria Teodora, em 14
de março; e a bênção da bandeira republicana, hoje símbolo de
Pernambuco, em 2 de abril.
Acima, bênçao da bandeira de Pernambuco, que foi consagrada no Campo de Honra, em quadro a óleo de A. Parreiras, no
Arquivo Público do Recife, e retrato de Domingos José Martins,
comerciante e Chefe Imortal da Revolução Pernambucana de
1817, em óleo sobre tela de F. T. J, Lôbo, acervo do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano, na Rua do Hospício. Ele representou o comércio na Junta da Nova República.
No alto, monumento à Revolução de 1817 na Praça da República
Abaixo, imagens do Wikimedia Commons
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Recife Lugar de Memória
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Ponte do Recife
Atual Ponte Maurício de Nassau
A Ponte do Recife, onde atualmente se localiza a Ponte Maurício de Nassau, foi palco de um combate decisivo da Revolução
de 1817. Na tarde do dia seis de março, as forças revolucionárias
marchavam em direção ao bairro do Recife, que pretendiam
tomar, e lá encontraram a resistência monarquista. Os revoltosos saíram vitoriosos.
Antiga Cadeia Pública
Atual Arquivo Público do Recife
A cadeia pública funcionou onde hoje está o prédio do Arquivo Público da Cidade do Recife, na Rua do Imperador — esta,
inclusive, chamava-se a Rua da Cadeia. Para lá eram enviados
os prisioneiros civis que tomaram parte nas revoluções de 1817 e
1824. Os militares eram presos nos fortes.
Na rua do Imperador, foto à direita, saindo da Praça da República, está localizado o Quarteirão Franciscano, na esquina
à direita (onde foi o Forte Ernesto na época de Nassau). Mais
adiante, à esquerda, está o prédio da antiga Cadeia Pública.
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No alto, Ponte Maurício de Nassau, antiga Ponte do Recife
Rota 1817 e 1824
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Forte das Cinco Pontas
O Forte das Cinco Pontas marca o local onde Frei Caneca, líder
das Revoluções de 1817 e 1824, foi arcabuzado. Remanescente da
guerra contra os holandeses, o local também abrigou a sede do
Quartel General Militar.
Para lá foi mandado, preso, o capitão Domingos Teotônio, comandante militar dos patriotas pernambucanos, pouco antes
do movimento rebentar. Lá ficaram presos os oficiais portugueses durante o movimento, e, após sua queda, também serviu de
prisão aos derrotados.
O forte já possuiu subterrâneos, que serviam de prisão, mas eles
foram demolidos em 1822, pelo então governador da província
Gervásio Pires Ferreira. No forte, ficou preso, à época da Ditadura,
em 1935, o romancista Graciliano Ramos. O escritor retratou esse
período em seu livro Memórias do Cárcere.
Matriz de Santo Antônio
Aberta de seg. a sex. 8h às 12h e 14h às 18h; sáb. e dom. 8h às 12h
A Mat r i z d e Sa nto A ntô n i o
é u m d os m a rcos d a a rq u i tet u ra ba r roca d e Pe r n a m b uco. É s it ua d a n o co ra çã o d a ci d a d e d o Reci fe,
na esq u i na d a Rua N ova
co m a Aven i d a D a nta s Ba rreto. A i g rej a fo i ta m bém
pa r te d a h i s tó r i a d a Revo l uçã o d e 1817: n o l oca l, fo i
ce l eb ra d o u m s u nt uoso Te
Deu m, em h o n ra a o m ov i m ento, em 9 d e m a rço. Sua
co n s t r uçã o fo i i n i ci a d a em
175 3 e f i na l i za d a em 179 0,
a o l a d o d o l oca l o nd e h a v i a a Ca sa d e Pó l vo ra.
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Recife Lugar de Memória
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Rota 1817 e 1824
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Confeder ação do Equador 1824
A Confederação do Equador, ocorrida em 1824, foi outro dos
grandes movimentos revolucionários de Pernambuco ocorrido
no Recife. Tinha intenções emancipacionistas e republicanas,
simbolizando a principal reação contra o absolutismo e a política centralizadora do governo de D. Pedro I, que dissolveu a
Assembleia Constituinte em 1823.
Em 2 de julho de 1824, Manuel Carvalho Paes de Andrade, militar
e político pernambucano, proclamou a independência da província de Pernambuco e assumiu provisoriamente seu governo. Sua
intenção era formar, junto com Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte,
Alagoas, Sergipe e Paraíba, uma confederação independente, livre
do poder imperialista. O movimento obteve um êxito momentâneo,
sendo, porém, dilacerado pelas dissidências internas e pelas tropas
do Império. Alguns de seus líderes foram condenados à morte.
Monumento a Frei Caneca
Joaquim da Silva Rabelo, depois Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo, popularmente conhecido como Frei Caneca, nasceu e morreu
no Recife, participando de várias revoltas libertárias. Envolveu-se na
Revolução Pernambucana de 1817 e na Confederação do Equador. Exerceu a atividade de jornalista à frente do Typhis Pernambucano. Devido à sua participação na Confederação do Equador,
Frei Caneca foi morto em 13 de janeiro de 1825, junto ao Forte das
Cinco Pontas (acima). No local, uma placa rememora o fato.
Na Praça Abreu e Lima, junto ao Cemitério dos Inglêses,
grande painel de Abelardo da Hora em memória do martírio de Frei Caneca
Página anterior: Frei Caneca, óleo de Cícero Dias, 1982, Casa da Cultura
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Recife Lugar de Memória
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Capelinha da Pr aça da Jaqueir a
Aberta manhãs, tardes e noites durante a semana em horários diversos
A área da Praça da Jaqueira era, à época da Revolução de 1817,
um sítio de propriedade do português Bento da Costa, pai de Maria Teodora. Nessa capelinha, foi celebrado o casamento dela com
Domingos Martins, um dos líderes da Revolução, em 14 de março. A
celebração ocorreria publicamente no Campo da Honra.
Uma construção barroca de 1781, a Capelinha possui talhas douradas no altar-mor, painéis de azulejos portugueses no mesmo estilo dos azulejos dos conventos carmelitas e franciscanos e painéis
sacros a óleo sobre madeira do século XVIII. Na sacristia existe um
raro lavatório do século XVIII com uma longa torneira de bronze.
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Rota 1817 e 1824
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Cemitério dos Ingleses
General Abreu e Lima
José Inácio de Abreu e Lima nasceu no Recife, a 6 de abril de
1794. Foi militar, político, jornalista e escritor. Mesmo nascido
no Brasil, participou com forte destaque das guerras de independência da América espanhola, sendo um dos principais
líderes pela libertação dos países hispânicos da América do
Sul. Saiu do Brasil em 1818, após a morte do seu pai, o Padre
Roma, em 1817. Depois de residir no Rio de Janeiro, o General
retornou ao Estado de Pernambuco em 1844, mas foi preso
sob a acusação de envolvimento na Revolta Praieira (1848).
Um fato curioso sobre a sua destacada car reira é que, por
conta de suas opiniões de liberdade religiosa e devido ao
fato de ser maçom, o bispo Dom Francisco Cardoso Aires
acabou não autorizando o seu sepultamento no Cemitério
de Santo Amaro, no Recife em 1869. O General Abreu e Lima
teve que ser sepultado no Cemitério dos Ingleses.
O pai do General foi José Inácio de Abreu e Lima, também
conhecido como Padre Roma, defensor também dos ideais
republicanos. Foi um dos líderes da Revolução de 1817 e também considerado um dos heróis da libertação da Venezuela,
desfrutando de maior reco nhecimento nesse país do
que no próprio Brasil.
Foi preso e condenado à morte logo após o sufocamento
da Revolução. De sua memória, consta a Rua Padre Roma,
no bairro de Parnamirim.
O Cemitério dos Ingleses é de
1852 e marca a presença britânica em Permanbuco. A família Brotherhood, fundadora
dos times de futebol Náutico e
Sport, tem túmulo nele.
As fotos dessa página mostram o túmulo do
General Abreu e Lima no Cemitério dos Ingleses
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Ditadura 64
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Miguel Arraes
Gregório Bezerra
Dom Helder Camara
Padre Henrique
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Recife Lugar de Memória
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resistência ao regime militar
A resistência ao golpe militar continuou nas ruas numa passeata
de estudantes. Da Escola de Engenharia à Praça da Independência gritavam “Abaixo o golpe! Viva Miguel Arraes!” Soldados do Exército e da Polícia Militar responderam com balas ao
léu e tiros à queima roupa. Mataram os estudantes Jonas José
de Albuquerque Barros, de 17 anos, e Ivan Rocha Aguiar, de 22.
Jonas era poeta (“vejo casebres/ símbolo de miséria/ miséria
porém/ que até agora/ não passou”) e um dos fundadores da
Associação Literária Machado de Assis (Alma). Em sua memória, a irmã, Marisa, lançou o livro Jonas! Presente... Agora e Sempre!, em que também homenageia Ivan Rocha Aguiar, que militava no movimento estudantil:
vice-presidente da União dos
Estudantes de Palmares.
Gregório Bezerra, David Capistrano e outros quiseram uma
resistência armada, e muitos
até armaram como puderam,
mas não estavam organizados
o suficiente para isso.
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Ivan e Jonas foram mortos no cruzamento das
Avenidas Dantas Barreto e Marquês de Olinda, perto do Palácio do Governo
Rota Ditadura 64
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Uma frase de Gregório Bezerra resume bem a situação dos que
pensaram em resistir com força aos golpistas: “Em 35, a gente
tinha armas e não tinha massa; em 64, a gente tinha massa, mas
não tinha arma”. Com todas as armas disponíveis (não só as físicas), a resistência ao regime militar e a luta pela democracia
levou mais de vinte anos.
O Centro do Recife
A Avenida Guararapes foi por muito tempo “cartão postal do
Recife”. José Estelita (nome de um cais) e Domingos Ferreira
(nome de avenida) foram os engenheiros da obra, concluída
em 1937, no início do Estado Novo. Os prédios mais importantes,
na época, eram o cinema Trianon, hoje em ruínas, e os Correios.
Criada para resolver os problemas do trânsito da época, a Guararapes era um grande terminal de transporte coletivo.
Alguns endereços, com finalidades conhecidas, outras nem
tanto, “funcionavam” ali.
Av. Guararapes nº 131
Ali funcionou o IAPB (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos
Bancários). Na verdade foi, por algum tempo, o quartel da IV
Frota dos EUA. Ao lado do 131, havia o Café Nicola. O preferido
de Miguel Arraes.
Av. Guararapes nº 147
Edifício Sigismundo Cabral. Era o endereço do Bar Savoy (hoje,
filial de uma rede de farmácias). O Savoy era ponto de encontro
político-lírico e etílico durante os anos de chumbo.
Poetas, militantes, políticos, estudantes. Por isso no Bar Savoy,/
o refrão é sempre assim:/ São trinta copos de chopp,/ são trinta
homens sentados,/ trezentos desejos presos,/ trinta mil sonhos
frustrados”, dizem os versos do poeta Carlos Pena Filho.
Avenida Rio Branco nº 243
Edifício São Paulo. Ali funcionaram os serviços secretos da Usaid,
FBI e CIA nos anos da ditadura, no Recife.
Imagens dos jornais locais dessa Rota: Acervo e Biblioteca do MTNM-PE
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Miguel Arr aes
Palácio do Campo das Pincesas - Praça da República
Miguel Arraes de Alencar (1916-2005) só pode governar Pernambuco
por treze meses, de 1963 a 1964, embora tivesse sido eleito para um
mandato de quatro anos. No dia 1º. de abril, os militares cercaram o
Palácio do Governo. Antes de ser preso e afastado do cargo, Arraes fez
um pronunciamento pelo rádio denunciando as arbitrariedades que
estavam sendo cometidas no país e defendendo o seu mandato, legi-
timamente concedido pelo povo. Os golpistas trataram de materializar
juridicamente na Assembleia Legislativa o seu afastamento compulsório e forçado. O projeto de resolução 996 foi aprovado, em votação secreta. 63 deputados estavam presentes. 45 votaram a favor, 17 contra, e
houve um em branco. Na mesma noite, às 23h30, foi realizada a sessão
de posse de Paulo Guerra (o vice), que substituiu o governador deposto.
“Não!”
A resposta do governador
Miguel Arraes ao general Justino Alves Bastos, que levou
pronta uma carta de renúncia
para ele assinar, foi o primeiro
ato de rebeldia ao 1º. de abril
de 1964, no Recife, quando se
iniciou o regime militar. Depois,
os militares voltaram e o prenderam, conduzindo-o primeiro ao quartel do Exército em
Jaboatão e, em seguida, ao
presídio da Ilha de Fernando
de Noronha.
Página anterior: retorno de Miguel Arraes depois de anistiado,
Acima, militares cercam a região do Palácio. Abaixo, Arraes recebe voz de prisão.
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Recife Lugar de Memória
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Palácio do Campo das Princesas
1841. O Palácio do Governo
foi construído no tempo em
que era presidente da província (como se dizia na época)
Francisco do Rego Barros, o
conde da Boa Vista.
Serviu de paço imperial em
1859 para hospedar D. Pedro
II, que passou alguns meses
no Recife. Diz-se que data
desse momento o nome que
se popularizou: Palácio do
Campo das Princesas (pelo
fato de as filhas casal imperial
terem brincado no jardim).
No seu diário, o imperador comentou a estadia: “O palácio
está muito bem arranjado: ao pé da casa também me prepararam um banheiro no rio. Mas por cautela não vou tomar banho lá...” Ao longo do tempo, o palácio sofreu outras reconstruções, reformas, remodelações e modificações diversas, sendo
as maiores as de 1922. Não somente a arquitetura, o mobiliário
e as obras de arte (como um vitral em alegoria à Revolução
de 1817 no acesso ao primeiro andar) dão sentido à riqueza
cultural e histórica do palácio.
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Rota Ditadura 64
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Momentos políticos tensos, como a Revolução de 30, quando,
sem meios de resistir, tropas do Exército cercando o palácio, o
governador Estácio Coimbra, partiu para o exílio. Trinta e quatro anos depois era a vez de Miguel Arraes.
Gilberto Freyre (secretário particular de Estácio), quando a desgraça se abateu sobre o governador, lembrou-se do que diziam
velhos funcionários do Palácio: quando estavam para acontecer
desgraças aparecia antes um vulto escuro e alto no salão nobre.
Quando a desgraça se abateu sobre o governador um
funcionário do Palácio comentou: “Eu não lhe dizia
que o vulto do salão nobre
vinha anunciando desgraça?
Quando ele aparece é para
anunciar desgraça. Não
fal h a. A p a r e c e u a Zé B e zer ra que mo r reu logo de pois. Apa receu a Ba r bosa
a n t e s d o c o z i n h e i r o d e Zé
M a r i a n o e s p a l h a r ve n e n o n a f r i ta d a q u e q u a s e
m a ta m a i s d e c e m c a s a c u d o s d e u m a ve z .”
A Praça da República, em frente ao Palácio, também tem
uma história com muitas camadas sobrepostas de fatos, datas
e pessoas. Em 1945, durante um ato de protesto contra a Ditadura Vargas, o estudante de Direito e líder estudantil, Demócrito de Souza Filho, levou um tiro da polícia de Pernambuco
e morreu algumas horas depois. Além dele, também foi morto
o operário, que se encontrava no meio da multidão, Manoel
Elias dos Santos, conhecido como Manoel Carvoeiro. Esse fato
é visto por alguns historiadores como um marco no que viria a
ser o fim da Ditadura Vargas.
Arraes está enterrado em um túmulo simples, muito visitado, no Cemitério de Santo Amaro. Um chapéu de palha lhe faz companhia.
Acima: Praça da República em frente ao Palácio do Campo das Princesas
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Gregório Bezerr a
Gregório [Lourenço] Bezerra nasceu em Panelas, interior de Pernambuco, em 13 de março de 1900, e morreu em São Paulo, em 1983.
Mas sua história estaria mais
marcada ao Recife, para onde
veio aos quatro anos de idade.
Sem-teto. Sem-terra. Analfabeto até os 25 anos. Carregador de bagagens na estação.
Operário da construção civil.
Jornaleiro. Interessou-se por
política “de outiva”. Líder político, preso em 1935. Anistiado,
elegeu-se deputado em 1946.
Cassado em 1948. Preso após
o golpe de 1964. Preso. Preso.
Preso. Esta palavra iniciava
qualquer frase, quando se referia ao preso Gregório Bezerra.
“A solidariedade humana/como uma flor despontou/ no Largo
da Casa Forte/ onde o cortejo parou.”
Fotos de Gregório Bezerra dessa seção são cortesia de Jurandir Bezerra
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Recife Lugar de Memória
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Casa da Cultur a
Antiga Casa de Detenção
Os versos de Ferreira Gullar se referem ao ponto culminante de
uma cena que se perpetuou na memória política como uma das
mais explícitas ignomínias do regime militar: a tortura pública,
(Gregório foi torturado e arrastado pelas ruas de Casa Forte.
Uma corda no pescoço. Os pés em carne viva. Tudo isso exibido
pelas TVs da época do golpe militar).
Os versos do poeta definiram bem Gregório Bezerra como quem
“é bravo sem matar gente
mas não teme matador,
que gosta de sua gente
e que luta a seu favor,
como Gregório Bezerra,
feito de ferro e de flor.”
Comunista convicto, Gregório tentou arregimentar esforços contra o regime que se instalava e indo até ao Palácio do Governo
obter armas para, com os camponeses, promover a resistência no
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Fotos acima mostram Gregório Bezerra no período que esteve na Casa de Detenção.
Rota Ditadura 64
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campo. Não conseguiu. Foi preso. Mais uma vez. Dos 83 anos de
vida, 22 foram em prisões, por motivos exclusivamente políticos. Foi
enterrado no Cemitério de Santo Amaro, numa tarde de outubro.
Gregório Bezerra é nome de ponte que liga as zonas Oeste e Sul
do Recife. A rua Gregório Bezerra fica na Macaxeira. Uma tranquila rua, de casas e sobrados.
Até 1973 era Casa da Detenção. Uma obra do engenheiro José
Mamede Alves Ferreira,1855. Foi reformada e transformada em
Casa da Cultura, 1976. As celas passaram a se chamar “boxes”
e, no lugar dos prisioneiros, abrigam peças de artesanato. Lá
também funcionam as sedes dos Movimento Negro Unificado e
dos Anistiados Políticos. A passagem de alguns prisioneiros ilustres
é também parte da cultura e da história da antiga Detenção:
como João Dantas, que matou à queima-roupa João Pessoa,
em 1930, na Rua Nova, bem próxima dali, e serviu como pretexto
para deflagrar-se a Revolução de 30. O prisioneiro número 1122
da cela 35, do raio leste, de 1914 a 1937, foi Antônio Silvino. Gregório Bezerra que conviveu com ele na juventude (1917-1922), quando foram colegas de prisão, definiu-o como “o bandido mais famoso, mais popular e mais humano da história do cangaço”.
Na Casa há dois grandes painéis do pintor Cícero Dias que
homenageiam os revolucionários de 1817 e 1824. Em frente
aos painéis uma placa homenageia os ex-presos políticos
que lá ficaram detidos durante
o período da ditadura militar,
entre 1964 e 1974.
Foto acima mostra uma das paredes com desenhos feitos por presos.
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Recife Lugar de Memória
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Rota Ditadura 64
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O Dom - Igreja das Fronteir as
O nome assim um tanto simplificado pode levar a crer que apenas se refira à localização geográfica: entre a rua das Fronteiras
e a dom Bosco, no bairro da Boa Vista. Se dito completamente
– Igreja de Nossa Senhora Assunção das Fronteiras da Estância
de Henrique Dias – vai ficando claro porque, desde 1949, é patri-
mônio reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Serviu como a última estadia a Henrique
Dias, em 26 de setembro de 1656. Ele, como se sabe, foi um dos
grandes heróis da Restauração Pernambucana, ou seja, na luta
contra os invasores holandeses no século 17.
Imagens dos jornais locais dessa seção: Acervo e Biblioteca do MTNM-PE
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Recife Lugar de Memória
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Um pormenor na sua fachada é outra lembrança do que ela
expõe, mas está oculto talvez para a maioria: o emblema de
Imperial Capela concedido por Dom Pedro II, em 1823. Alguns
anos depois disso (1859), o imperador esteve ali, quando visitou
solenemente o Recife.
Mas a igreja é reconhecida principalmente por causa de outro
“dom”. Dom Helder Camara, arcebispo de Olinda e Recife, que
nas dependências anexas da sacristia residiu por 31 anos. Por
todo esse tempo, ele e a igreja estiveram abertos a receber todos
os que os procuravam. Sem fronteiras.
Dom Helder Camara é um dos principais símbolos da resistência
à ditadura militar que se instalou no Brasil em 1964. Poucas semanas antes do golpe, ele havia sido designado arcebispo de Olinda e Recife. Assim ficou até 2 de abril de 1985, coincidentemente
o ano em que o Brasil começa a retomar a normalidade democrática. Seu compromisso sempre foi com os direitos humanos,
contra o autoritarismo e acima de todas as ideologias políticas.
Por todos os meios disponíveis denunciou os atos arbitrários praticados durante o regime de exceção.
No endereço funciona o Memorial Dom Helder Camara, que faz
parte do Sistema Brasileiro de Museus. Inclui, além da igreja, a
casa-museu, o centro de documentação e o Espaço Dom José
Lamartine. O memorial abre de segunda a sexta-feira, das 14h
às 17h, e objetiva manter vivas e conhecidas as ideias do “Dom”.
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Recife Lugar de Memória
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Rota Ditadura 64
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Pe. Henrique - Cid. Universitária
Antônio Henrique Pereira da Silva Neto (1940-1969). Mais simples:
Padre Henrique. 28 anos de idade. Torturado e morto. Madrugada.
26/27 de maio de 1969. Entre a avenida perimetral e uma cerca de
arame que demarcava um canavial, na Cidade Universitária. O crime nunca foi totalmente esclarecido, mas houve sempre um consenso nos segmentos de esquerda – as motivações foram políticas.
Henrique, que atuava também na Pastoral da Juventude, era auxiliar direto de Dom Helder Camara e “persona non grata” dos segmentos mais radicais favoráveis ao regime militar que ele combatia.
A multidão que acompanhou o cortejo fúnebre, que saiu da Igreja
do Espinheiro, portou faixas de protesto, com dizeres como “A Ditadura Militar matou o Padre Henrique”, e cantou ao longo do percurso até o cemitério da Várzea: “Prova de amor maior não há que
doar a vida pelo Irmão.” A despeito de testemunhos e provas, ninguém foi condenado. A comoção popular atravessou as fronteiras
e alcançou os versos de Patativa do Assaré: “Prezado amigo leitor/
esta dor é minha e sua/ de ver morrer padre Henrique/ de morte
tirana e crua/ porém a Igreja dos pobres/ sua luta continua.”
Ao lado, mapa com seta indicando onde o corpo de Pe. Henrique foi encontrado.
Acima, fotos do local como é hoje e como era em 1969.
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Recife Lugar de Memória
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Rota Ditadura 64
4
Rua da Auror a 405
A Sorbonne da Rua da Aurora. Sede do DOPS - PE durante a Ditadura Militar
Palacete da Boa Vista, em estilo neoclássico, que foi projetado
pelo arquiteto francês Louis Léger Vauthier. Antiga residência de
Francisco do Rego Barros (o conde da Boa Vista), de 1842 a 1870.
Rua da Aurora, n. 405. Um dos endereços mais solenes do Recife.
No começo do século 20 lá funcionava o Senado Estadual.
A memória ali não está somente no charme arquitetônico e
histórico, mas como uma das mansões de horrores do Recife.
Notabilizou-se com o apelido de Sorbonne da Rua da Aurora
(que teria sido dado pelo jornalista Aníbal Fernandes) devido a
frequência com que intelectuais, escritores e professores eram
levados ao casarão para depoimentos aos policiais, a partir de
1931, quando passou a sede da Secretaria de Segurança Pública, a partir de 1931.
O primeiro chefe de polícia foi Jurandir de Bizarria Mamede,
militar baiano que, anos depois, conspiraria abertamente contra a posse de Juscelino Kubitschek (presidente) e João Goulart
(vice), eleitos em 3 de outubro de 1955.
As instalações da Delegacia
de Ordem Política e Social
(DOPS), durante a época do
regime militar estavam na
parte posterior do prédio, e
assim foi, por vários anos, sede
de prisões, interrogatórios e
torturas durante o regime militar. Lá teria sido assassinado o
estudante de agronomia Odijas Carvalho. O anexo, onde
hoje é estacionamento, foi
derrubado em 1986 durante
o governo de Miguel Arraes.
Uma placa no local honra os
que lá foram assassinados.
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Recife Lugar de Memória
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4
Vila Buriti - Macaxeir a
Acesso pela Avenida Norte, perto da BR 101
Da exuberância à decadência: antigo Engenho Apipucos.
Com açude e com afeto. Século 19 que se vê de longe, no alto.
Terra de filhos de algo, logo terras de alguéns. Ocupação. Assentamento. Autoconstrução. A vila é uma cidade. Que se renova. Centro Popular de Lazer. Escola Pernambucana de Circo.
Tecendo antigas e novas fábricas. Othon Bezerra de Mello. Arte
na praça. União dos Moradores e da Santa Maria Mãe de Deus.
Vila Buriti é o centro de um mundo: a cultura popular urbana do
Recife. Do Circo da Juventude aos afoxés. Zumbi dos Palmares.
Maracatu Linda Flor. O grande templo do padre Reginaldo Veloso. Do Movimento de Trabalhadores Cristãos. A vila operária
sobreviveu à fabrica, e tem sua própria indústria: de música,
poesia e sonho. Ali a vez não é da utopia, mas da realidade (ou
realização?), como o pão de cada dia. Tudo tão firme: como
falar de precário? Tudo tão centrado: como dizer de periferia?
Rua de povo casa cheia de alegria. Da Macaxeira para o mundo. Tudo é ressonância e tambor.
Página anterior: uma das entradas à Vila Buriti vindo pela Av. Norte
Foto acima: vegetação preservada na entrada da Vila Buriti
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Recife Lugar de Memória
Ruas da Vila Buriti - Macaxeir a
O bairro da Macaxeira guarda uma importante parte da memória
recifense, com relação à Ditadura Militar. O local está diretamente
ligado ao período do Golpe de 64, pois foi para lá que foram levados professores, artistas e políticos capturados durante o regime,
para serem torturados, com o objetivo de enfraquecer o movimento
intelectual, que era contra o autoritarismo. Muitas dessas pessoas
dão nome às ruas da localidade conhecida como Vila Buriti, uma
homenagem tardia mas necessária para a conservação da memória recente no Estado.
O nome Macaxeira deriva da antiga Fábrica de Tecidos de Apipucos, conhecida também como a Fábrica da Macaxeira, comprada
em 1924 pelo notável Othon Lynch Bezerra de Mello.
Rua Almir Custódio de Lima
Almir Custódio de Lima nasceu em 24 de maio de 1950, no Recife.
Filho de João Custódio de Lima e Maria de Lourdes de Lima, Almir foi
estudante secundarista da Escola Técnica Federal de Pernambuco
e trabalhou como operário metalúrgico no Rio de Janeiro.
Militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), foi
preso em circunstâncias até hoje desconhecidas, junto com outras
pessoas, e levado para a Praça da Sentinela, em Jacarepaguá, Rio
de Janeiro, onde foi carbonizado com mais 3 companheiros pela
polícia política no dia 27 de outubro de 1973.
Rua Amaro Luiz de Carvalho
Nascido em 4 de junho de 1931, Amaro Luiz de Carvalho iniciou sua
militância política no Partido Comunista Brasileiro (PCB), aos 15 anos
de idade. Apelidado de Capivara, trabalhou como operário da
indústria têxtil, período no qual liderou greves na zona canavieira,
ajudando a criar ligas camponesas e sindicatos. Desligou-se do PCB
em 1961, quando se aliou ao PCdoB, logo de desvinculando deste
também por motivos ideológicos. Em 1966, funda o Partido Comunista Revolucionário (PCR), junto com Manuel Lisboa, tendo forte participação política nas cidades de Jaboatão, São Lourenço da Mata,
Moreno, Vitória e Sirinhaém.
Permaneceu preso na Casa de Detenção do Recife, local onde hoje
funciona a Casa da Cultura, onde morreu envenenado às vésperas
de ser libertado, em 22 de agosto de 1971.
Rua Anatália Souza Alves de Melo
Anatália Souza Alves de Melo nasceu em 9 de julho de 1945, em
Mombassa, hoje município Frutuoso Gomes, Rio Grande do Norte.
Seus pais eram Nicácio Loia de Melo e Maria Pereira de Melo. Mudou-se para Mossoró para concluir o curso científico no Colégio Estadual de Mossoró, tendo trabalhado na Cooperativa de Consumo
Popular desta cidade até 1968. Em 1969, casa-se com Luiz Alves Neto
e muda-se para o Recife, onde passa a militar no PCBR.
Atuou na Zona da Mata (PE), local onde haviam se formado as Ligas
Camponesas. Viveu também em Campina Grande (PB), Palmeira
dos Índios (AL) e Gravatá (PE), local de sua prisão e do marido, em
17 de dezembro de 1972. Em 22 de janeiro de 1973, foi encontrada
morta nas dependências do DOPS/PE. A causa anunciada foi suicídio por enforcamento, tendo ainda ela supostamente ateado fogo
às suas partes genitais.
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Rota Ditadura 64
Rua Carlos Marighela
Estudante de Engenharia da Escola Politécnica da Bahia, Carlos
Marighela foi preso e torturado devido a sua luta contra a Ditadura
Vargas. Eleito deputado em 1945, época da redemocratização no
Brasil, elegeu-se deputado constituinte em 1946 pelo PCB, quando já
fazia parte do Comitê Central do Partido.
Logo tem seus direitos cassados, em 1948, ficando a partir de então
na clandestinidade. Rompe com o PCB em 1966 e funda a Ação
Libertadora Nacional (ALN), dando início à luta armada contra o
regime militar. Em 4 de novembro de 1969, às 20 horas, quando se
dirigia ao encontro de Frades Dominicanos, em São Paulo, é surpreendido por mais de 30 agentes da polícia política, entre soldados e
delegados. Estes fuzilaram seu veículo, tentando após forjar circunstâncias do crime.
Rua Eduardo Collier Filho
Nascido a 5 de dezembro de 1948, no Recife, Eduardo Collier Filho
estudou na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e militou na Ação
Popular Marxista-Leninista (APML). É um dos milhares que constam
como desaparecidos ou mortos políticos, tendo sido visto a última
vez em 22 de fevereiro de 1974.
Rua Manoel Lisbôa de Moura
Manoel Lisbôa de Moura foi membro da União Estadual de Estudantes Secundaristas de Alagoas (Uesa), tendo participado do
Movimento de Cultura Popular nesse estado, encenando peças de
teatro em praças públicas. Ingressou no curso de Medicina da Universidade Federal de Alagoas e participou da fundação do Partido
Comunista Revolucionário (PCR), tendo sido preso várias vezes.
Sua última prisão ocorreu na Praça Ian Fleming, no Recife, 16 de
agosto de 1973. Levado ao DOI-Codi do IV Exército, foi posteriormente enviado ao Dops de São Paulo, onde foi assassinado.
Rua Ranúsia Alves Rodrigues
Natural de Garanhuns (PE), Ranúsia Alves Rodrigues nasceu em 18
de junho de 1945. Estudante de Enfermagem da UFPE, militou no Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), tendo sido expulsa
da universidade por ter participado do XXX Congresso da UNE em
Ibiúna (SP), em outubro de 1968. Foi presa em 27 de outubro de 1973,
no Rio de Janeiro. Torturada e morta, foi enterrada como indigente,
apesar de sua morte ter sido reconhecida pelo I Exército. Uma placa
com seu nome pode ser vista no Monumento Tortura Nunca Mais.
Rua Odijas Carvalho de Souza
Odijas Carvalho de Souza nasceu em Atalaia, estado das Alagoas,
em 08 de fevereiro de 1971. Estudante de Agronomia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), foi líder estudantil e
militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), o
que lhe custou a prisão em Maria Farinha, em 30 de janeiro de 1971.
Torturado por quase 24 horas seguidas, deu entrada no dia 06 de
fevereiro de 1971 no Hospital da Polícia Militar de Pernambuco, onde
morreu dois dias depois. Odijas apresentava fraturas de ossos, ruptura de rins, baço e fígado, retenção urinária e embolia pulmonar.
Rua Luiz José da Cunha
Luiz José da Cunha nasceu no Recife a 02 de setembro de 1943.
Também conhecido como Crioulo, entrou para a militância no PCB
quando ainda estudava no Colégio Estadual Beberibe. Por sua atuação no partido, ingressou na escola de Konsomol - Juventude Comunista da URSS, onde estudou Filosofia, Economia Política, Ciência
Social e História do Movimento Operário.
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Recife Lugar de Memória
Retornou ao Brasil após o golpe de 1964, ficando residência no Rio
de Janeiro (era procurado no Recife). Depois de orientar o Comitê
Secundarista da Guanabara do PCB, desliga-se do partido em 1967,
devido a divergências políticas. Junta-se a Carlos Marighela para
formar a ALN, organização da qual se torna comandante.
Após sofrer uma emboscada em São Paulo, é preso e torturado, vindo a falecer no dia 13 de julho de 1973. Foi enterrado como indigente, em um cemitério clandestino.
Só depois de trinta anos, em 2006, sua viúva, Amparo Araújo, recebeu os restos mortais identificados pelo IML/SP.
Rua Stuart Edgar Angel Jones
Stuart Edgar Angel Jones, conhecido como Tuti, nasceu a 11 de janeiro de 1946, em Salvador, estado da Bahia. Foi estudante de Economia da UFRJ e participou ativamente do Movimento Estudantil.
Atuou pelo PCB e depois pelo Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), do qual foi um dos formadores e dirigente.
Stuart desapareceu em 14 de maio de 1971, data em que foi preso
em Vila Isabel-RJ. Denúncias relatam que ele teria sido arrastado por
um carro e obrigado a inalar os gases do escape do veículo, dentro
do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (Cisa).
Por ele possuir cidadania americana, o caso ganhou repercussão
internacional. Os Estados Unidos pediram explicações ao Estado
brasileiro sobre seu desaparecimento, pedido que não foi atendido,
limitando-se o Brasil a destituir do cargo o então Ministro da Aeronáutica, Brigadeiro João Paulo Penido Burnier, reformando-o.
Sua mãe, a célebre estilista Zuzu Angel, desde a data de seu desaparecimento, procurou pelo filho. Sua busca foi interrompida em 14
de abril de 1976, quando foi assassinada pela repressão.
Rua Pauline Reichstul
Nascida em 18 de Julho de 1947, em Praga, antiga Checoslováquia,
Pauline Reichstul viveu na França e no Brasil até 18 anos, quando
partiu para Israel, Dinamarca e, por fim, França, onde terminou seu
curso de Psicologia, em 1970. Conheceu vários exilados do Brasil na
Europa, tendo trabalhado com vários órgãos denunciando as violações dos direitos humanos no Brasil.
Nesse tempo, decide voltar e se engajar na luta armada e, em 1972,
se junta a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Em 8 de janeiro
de 1973, é detida no bairro de Boa Viagem, no Recife, junto com
Soledad Barret Viedma, e levada para a Chácara São Bento, onde
morre depois ser torturada.
Em sua homenagem, seu irmão Henri Philip Reichstul criou o Instituto
Pauline Reichstul de Educação Tecnológica, Direitos Humanos e Defesa do Meio Ambiente, em Belo Horizonte (MG).
Rua Manuel Aleixo da Silva
Conhecido como Ventania, Manuel Aleixo da Silva nasceu em São
Lourenço da Mata (PE), a 3 de setembro de 1973. Foi um dos organizadores das Ligas Camponesas, tendo atuado em São Lourenço
da Mata, Ribeirão, Cabo e toda região da Zona da Mata Sul. Foi um
dos principais responsáveis pelo trabalho rural do Partido Comunista
Revolucionário (PCR).
Seu assassinato se deu em 29 de agosto de 1973, depois de ter sido
sequestrado em sua própria casa e torturado. À época, no entanto,
os documentos oficiais registraram que sua morte havia se passado
em um tiroteio, o que depois se mostrou falso.
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Rota Ditadura 64
Rua Míriam Lopes Verbena
Míriam Lopes Verbena nasceu em Irituia-Guamá, estado do Pará,
em 10 de fevereiro de 1946, tendo chegado ao Recife em 1952.
Diplomou-se professora primária, após ter estudado em escolas do
município. Militou pelo Partido Comunista Brasileiro Revolucionário
(PCBR). Sua morte ocorreu em 08 de março de 1972, em um suposto
desastre de carro, no qual também morreu Luís Alberto Andrade de
Sá e Benevides, seu marido.
Rua Jarbas Pereira Marques
Nascido no Recife em 27 de agosto de 1948, Jarbas Pereira Marques
estudou no Colégio Porto Carreiro, no Recife, época em que ingressou no Movimento Estudantil Secundarista. Regressando ao Recife
no fim de 1971, depois de uma rápida passagem por São Paulo, trabalhou na Livraria Moderna, de onde, em 6 de janeiro de 1973, saiu
com “estranhos”, de pois de receber um telefonema.
Jarbas foi Militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Sua
morte teria ocorrido na Chácara São Bento, em suposto tiroteio. A
notícia de sua morte chegou a sua mãe no dia 11 de janeiro de 1973.
Rua Evaldo Luiz Ferreira de Souza
Evaldo Luiz Ferreira de Souza é natural de Pelotas (RS), tendo nascido
em 5 de junho de 1942. Formou-se ajustador-mecânico pelo Senai
e ainda jovem ingressou na Escola de Aprendizes de Marinheiros
de Santa Catarina. Dirigiu-se para o Rio de Janeiro, onde se formou
marinheiro, e conheceu Cabo Anselmo, que mais tarde se tornaria
agente policial infiltrado e delataria os seis mortos no massacre da
Chácara São Bento.
Evaldo tornou-se membro da Associação de Marinheiros e Fuzileiros
Navais e, após o golpe de 1964, foi expulso da Marinha, tendo ficado
nove meses preso. Quando saiu, engajou-se Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), retomando assim sua militância política.
Em 1966, ficou mais cinco anos preso, exilando-se logo após por oito
anos no exterior (cinco deles em Cuba). Retornando em 1973, entrou para a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Delatado por
Cabo Anselmo, Evaldo foi assassinado sob tortura na Chácara São
Bento, a 8 de janeiro de 1973.
Rua Ivan Rocha Aguiar
Ivan Rocha Aguiar nasceu em Triunfo (PE), em 24 de dezembro de
1941. Estudante secundarista, atuou como Secretário do Grêmio Estudantil Joaquim Nabuco e vice-presidente da União dos Estudantes de Palmares. Sua morte em 1º de abril de 1964, dia do golpe militar, quando, em uma manifestação estudantil na Av. Dantas Barreto
(no Centro do Recife/PE), ele foi alvejado por tiros dos soldados do IV
Exército. Além de Ivan, também morreu na ocasião o estudante secundarista Jonas José Albuquerque Barros, de apenas 17 anos, com
um tiro na mandíbula.
Rua Luiz Carlos Almeida
Com data e local de nascimento ignorados, Luiz Carlos Almeida graduou-se em Física pela Universidade de São Paulo (USP), lecionando
Física Experimental nesse mesmo lugar. Militante do Partido Operário Comunista (POC), teve mandado de prisão preventiva expedido,
o que o levou a exilar-se no Chile, onde ensinou Física. Sua prisão
ocorreu em 14 de setembro de 1973, em sua casa, três dias após o
golpe militar no Chile.
Luiz Carlos Almeida foi torturado e depois levado até as margens do
rio Mapocho, onde foi fuzilado. Com ele, estavam também um uruguaio e um jovem brasileiro, de nome parecido: Luiz Carlos Almeida
Vieira, que sobreviveu e denunciou o fato.
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Recife Lugar de Memória
Rua Hiram de Lima Pereira
Hiram de Lima Pereira nasceu em Caicó (RN), em 3 de outubro de
1913. Sua militância política teve início ainda cedo, em 1930. Foi
preso e ficou detido por um ano, época em que prestava serviço
ao exército na polícia do exército. Eleito Deputado Federal pelo Rio
Grande do Norte em 1946, com uma das maiores votações de sua
legenda, o PCB, foi cassado pouco tempo depois.
Transferiu-se para o Recife em 1949 e atuou na campanha de Miguel Arraes para prefeito, sendo convidado para exercer o cargo de
Secretário de Administração após a vitória de Arraes. Dirigente do
Partido Comunista Brasileiro (PCB) e redator do órgão de imprensa
deste partido, o jornal Folha do Povo, Hiram foi para o Rio de Janeiro
e depois para São Paulo logo após o golpe militar de 1964, passando
a viver na clandestinidade. O dia oficial de seu desaparecimento
é o mesmo dia em que sua esposa foi sequestrada pelo exército,
15 de janeiro de 1975. A data provável de sua morte é 28 de janeiro
de 1975.
Rua Gregório Bezerra
Nascido na cidade de Panelas, no estado de Pernambuco, Gregório Lourenço Bezerra começou cedo, com quatro anos de idade,
a trabalhar na lavoura de cana. Mudando-se para o Recife, após
sofrer a perda dos pais, trabalhou como jornaleiro e, apesar de não
saber ler os jornais que vendia, manifestou grande interesse pela realidade política brasileira.
Iniciou sua atuação política numa greve ocorrida em 1917, quando
lutou pela jornada de oito horas de trabalho e em favor da Revolução Bolchevique. Foi preso, acusado de perturbar a ordem pública,
e cumpriu 5 anos de prisão.
Atuou como líder do PCB em Pernambuco, sendo eleito como o Deputado Federal mais votado para a Constituinte, em 1945. Defendeu
o direito a greve e à autonomia sindical e o voto dos analfabetos
e dos militares, além de denunciar a exploração do trabalho, principalmente infantil. Também defendeu a Reforma Agrária Radical.
Com o Golpe Militar de 64, Gregório Bezerra foi perseguido e torturado, acusado de subversão. Foi um dos treze presos trocados pelo
Embaixador Americano, sequestrado em 1969. Foi enviado ao México, a Cuba e à antiga União Soviética, retornando ao Brasil em 1979,
com a anistia.
Gregório Bezerra morreu em 21 de outubro de 1983, em São Paulo.
Foi tranladado, e enterrado no Cemitério de Santo Amaro.
92
Rota Ditadura 64
Rua José Inocêncio Pereira
José Inocêncio Barreto, verdadeiro nome de José Inocêncio Pereira,
nasceu em Escada (PE), em 16 de outubro de 1940. Líder Camponês
e Sindical Rural, José Inocêncio participou da greve em exigência
ao pagamento das férias e 13° salário aos trabalhadores da Usina
Engenho Matapiruna de Baixo, ocasião em que houve confronto
entre grevistas e a polícia.
José Inocêncio Barreto foi assassinado a tiros por agentes da Delegacia de Ordem Política e Social (Dops) – PE, devido, devido a uma
greve feita
Rua Sônia Maria Lopes de Morais
Sônia Maria Lopes de Morais nasceu em 09 de novembro de 1946. Filha de militar, estudou na Faculdade de Economia e Administração
da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas não chegou a concluir o curso, pois sua militância política no Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) lhe custou o desligamento da instituição.
Sônia exilou-se na França, onde lecionava português e estudava na
Universidade de Vincenes, voltando ao Brasil por causa do desaparecimento do marido. Reassumindo a luta contra a ditadura, Sônia
ingressa na Aliança Libertadora Nacional em maio de 1973, sendo
presa em novembro do mesmo ano. Torturada cruelmente em uma
casa clandestina por 5 a 10 dias, morre alvejada por tiros neste mesmo mês. Após uma cansativa batalha judicial, sua família conseguiu
enterrar a filha em 12 de agosto de 1991.
Rua Iuri Xavier Pereira
Nascido em 02 de julho de 1948, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), foi
militante da Ação Libertadora Nacional (ALN) e do Partido Comunista Brasileiro (PCB).
Rua João Mendes Araújo
Nascido em 28 de julho de 1943, na cidade de Bom Jardim (PE), foi
agricultor e militante da Ação Libertadora Nacional (ALN).
Rua Joaquim Câmara Ferreira
Nascido em 5 de setembro de 1913, na cidade de São Paulo (SP),
foi militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), da Corrente Revolucionária de Minas Gerais e do Partido Comunista Brasileiro (PCB).
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Recife Lugar de Memória
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Colônia Penal do Bom Pastor
Colônia Penal do Bom Pastor é o nome do presídio de mulheres
no Recife. A razão do nome: era inicialmente dirigida por padres
e freiras da Congregação Nossa Srª da Caridade do Bom Pastor,
ainda na época do Estado Novo, em 1943, quando foi lançada a
pedra fundamental. Começou com o sentido mais de preparar,
educar ou reeducar, não de punir. O nome oficial é atualmente
Colônia Penal Feminina do Recife. Misto de presídio e penitenciária, a Colônia está localizada no bairro da Engenho do Meio
[outras fontes informam Iputinga]. Quase a totalidade das que
ali estão presas são pobres. Escolaridade: no máximo o nível médio (somente 10%). As demais ou são analfabetas ou não foram
além do ensino fundamental. Profissões: domésticas, cozinheiras, estudantes, vendedoras ambulantes, camareiras, doceiras,
manicures, professoras, comerciantes, faxineiras. Mas também
para lá foram levadas mulheres que militaram na política. Adalgisa Cavalcanti, comunista e primeira deputada estadual de
Pernambuco, foi uma delas, em 1936. Durante o regime militar
, várias militantes políticas foram mandadas para lá. Nomes e
codinomes que lutavam pelo PCB, VAR Palmares, PCBR, PCR,
Aliança Libertadora Nacional.
94
Próxima página: Igreja do Bom Pastor
Rota Ditadura 64
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Recife Lugar de Memória
Cais do Apolo alongside the Capibaribe river. A Modern building
by Acácio Borsói now houses the Porto Digital enterprise.
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Rota Ditadura 64
4
Monumento contr a a tortur a
A praça se chama Padre Henrique, aquele que foi torturado e
morto no auge do regime militar. Ali está o monumento Tortura
Nunca Mais, obra do escultor Demétrio Albuquerque, que venceu um concurso promovido pela prefeitura do Recife. Desde
1993, quem percorrer aquele trecho da Rua da Aurora vai se
deparar não com uma simples homenagem, comum aos monumentos, mas com uma denúncia em forma de escultura. Denúncia de violação do artigo 5 da Declaração Universal dos Direitos
do Homem, adotado em 1948, e sistematicamente desconsiderado durante todo o período que os militares governaram o Brasil a
partir de 1964. O monumento traz a representação de um homem
nu em posição chamada pau de arara, um dos mais frequentes
tipos de tortura empregados no Brasil.
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Recife Lugar de Memória
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Rota Ditadura 64
4
Paulo Freire
Estrada do Encanamento, 21, Casa Amarela, no ano de 1921.
Na casa (emprestada de um tio), localizada num dos bairros onde
vivem os mais pobres do Recife, nasceu um novo modelo de pedagogia, com nome e sobrenome: Paulo Freire. Como sempre
gostou de lembrar, o chão do quintal onde viveu a infância foi seu
primeiro quadro e gravetos o primeiro giz. Dessa pobreza real veio
a consciência social e o sentido da importância do contexto na
aprendizagem, pois, como ele mesmo disse, sua compreensão
da fome não era “dicionária” .Da experiência no magistério, no
ensino profissionalizante e o conhecimento de filosofia foram desenvolvendo e moldando um método original de alfabetização
que o mundo ganhou. No começo da década de 1960 extrapolou
toda a vivência acadêmica promovendo a educação popular,
por meio do Movimento de Cultura Popular (MCP), interrompido
pelo golpe militar. Ficou setenta dias detidos em celas diferentes
no Recife e em Olinda. No exílio escreveu alguns dos seus livros
mais conhecidos, como Pedagogia do oprimido e Educação
como prática de liberdade.
Foto no alto: Estrada do Encanamento n. 742, onde morou Paulo Freire
Foto abaixo: trabalhadores sendo alfabetizados pelo método Paulo Freire em 1963
Página anterior, acervo MTNM-PE
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Recife Lugar de Memória
4
Largo da Igreja de Nossa Senhora da Saúde, Poço da Panela, onde
o método pedagógico de Paulo Freire foi aplicado pela primeira
vez. A casa de Dona Olegarina (atrás das estátuas), esposa de
José Mariano, o abolicionista, foi o primeiro local onde Paulo Freire
testou as suas ideias. Uma placa no local marca essa memória.
100
Índice Ger al do Mapa
Ruas
A
Floriano Peixoto. R.
D2
Afrânio Peixoto, R. Dr
H8
Floriano, R. Pe.
E2
Águas Verdes, R. das
E2
Forte, R. do
D1
Alegria, R. da
B4
Forte, Tv. do
E1
Alfândega, R. da
G3
Forte, Tv. do
E2
Alfredo Lisboa, Av.
G3
Frei Caneca, R.
E3
Álvares de Cabral, R.
G4
Frei Henrique, R.
D1
Apolo, R. do
G4
Fundição, R. da
E6
Aragão, R. do
C4
G
Araripina, R.
E7
Gervásio Pires, Av.
C6
Arthur Lima Cavalcante, Av.
F8
Giriquiti, R. do
B5
B3
Assembleia, R. da
G3
Glória, R. da
Aurora, R. da
D4
Guararapes, Av.
E3
Gusmão, Tv. do
C1
B
Barão de Vitória, R.
D2
H
Barbosa Lima, Av.
G4
Hospício, R. do
Bernardo Vieira de Melo, R.
H6
I
Bione, R.
G5
Imp. Dom Pedro II, R. do
F4
Bom Jesus, R. do
G4
Imperatriz Tereza Cristina, R.
D4
Bom Jesus, Tv. do
G4
J
Brum, R. do
G5
João Lira, R.
Bulhões Marques, R.
C3
João Menezes, R. Dr.
E7
José Mariano, R. Dr.
D4
C
C4
D6
Cais da Alfândega
G3
L
Cais da Detenção, Tv.
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Lambari, R.
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Livramento, R. do
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Cais do Apolo
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Capitão Lima, R.
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Madre de Deus, R.
Carioca, R.
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Mamede Simões, R.
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Manoel Borba, Av.
B4
Coelho Leite, R.
D7
Mário Melo, Av.
Conceição, R. da
C4
Mariz e Barros, R.
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Concórdia, R. da
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Marquês de Olinda, Av.
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Conde da Boa Vista, Av.
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Marquês de Pombal, R.
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Coração de Maria, R.
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Marquês de Recife, R.
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Cruz Cabugá, Av.
D7
Marroquim, Bc. do
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Carlos Salazar, R.
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Martins de Barros. Av.
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Dantas Barreto, Av.
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Matias de Albuquerque, R.
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Dique, R. do
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Matriz, R. da
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Direita, R.
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Militar, Av.
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do Muniz, R.
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Moeda, R. da
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Dois de Julho, R.
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Moinho, R. do
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Duque de Caxias, R.
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Muniz, R. Pe.
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Edgar Werneck, R.
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Flores, R. das
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N. Sra do Carmo, Av.
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Nogueira, R. do
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Norte, Av.
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101
Índice Ger al do Mapa
Ruas
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Observatório, R. do
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Santa Cruz, R. da
Ocidente, R. do
G5
Santa Rita, R.
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São Geraldo, R.
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D2
P
Palma, R. da
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São João, R.
Palmares, R. do
B8
São Jorge, R. de
F5
Passo da Pátria, R.
D2
São José do Ribamar, R.
E1
Peixoto, R. do
C1
São Pedro, R.
E2
Pilar, R. do
G6
Saturnino de Brito, Av.
E1
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Saudade, R. da
D5
Ponte Buarque de Macedo
F4
Saudade, Av. da
D7
Ponte da Boa Vista
D3
Sete de Setembro, R.
D4
Ponte do Limoeiro
G7
Silvia Ferreira, R. Dra.
E7
Ponte Duarte Coelho
D4
Siqueira Campos, R.
E4
F3
Ponte 12 de Setembro
Sol, R. do
D3
Ponte Velha
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Sossego, R. do
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Porão, R. do
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Sul, Av.
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Parque 13 de Maio
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Parque das Esculturas
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Tiradentes, Tv.
Ponte Maurício de Nassau
G5
Tobias Barreto, R.
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Tomazina, R. da
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Treze de Maio, R.
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União, R. da
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Praça Joaquim Nabuco
D3
Velha, R.
C3
Praça Maciel Pinheiro
C4
Veras, Tv. do
C4
Pça. Manoel da Costa Leal
F3
Vidal de Negreiros, R.
D1
Praça Sérgio Loreto
C1
Vigário Tenório, R.
G3
Praça Tiradentes
G5
24 de Agosto, R.
E8
Praça Visc. de Mauá
D2
24 de Maio, R.
D2
Praia, R. da
F2
Visc. de Suassuna, Av.
B7
1º de Março, R.
F3
Princesa Isabel, R.
D5
Príncipe, R. do
B6
Projetada, R.
F8
R
Rangel, R. do
E2
Riachuelo, R. do
D4
Rio Branco, Av.
G4
Rio Capibaribe, Av.
D3
Roda, R. da
E4
Rosário da Boa Vista, R.
B4
102
Monumentos
G
A
Arquivo Público de PE
F3
Assembleia Legislativa
E5
B
Basílica da Penha
Gabinete Português
E4
de Leitura
E5
Ginásio Pernambucano
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Igreja Conceição dos Militares
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Casa da Cultura
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Igreja da Boa Vista
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Cemitério de Santo Amaro
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Igreja da Madre de Deus
G3
Cemitério dos Ingleses
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Igreja de Santa Cruz
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Convento do Carmo
E3
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Cruz do Patrão
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Estação Central
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Igreja do Espírito Santo
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Fábrica da Pilar
G6
Igreja do Livramento
Faculdade de Direito
D5
Igreja Rosário dos
Forte das Cinco Pontas
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Homens Pretos
Forte do Brum
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Liceu de Artes e Ofícios
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Marco Zero
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Matriz de Santo Antônio
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Mercado da Boa Vista
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Mercado de São José
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Museu a Céu Aberto
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Ordem Terceira do Carmo
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Paço Alfândega
Palácio da Justiça
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Palácio do Campo
das Princesas
Prefeitura do Recife
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Quarteirão Franciscano
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Sinagoga Kahal Zur Israel
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Teatro de Santa Isabel
E4
Teatros Apolo e Hermilo
G4
Torre Malakoff
G4
103
Bibliogr afia
CAVALCANTI, Carlos André Macedo; CUNHA, Francisco Carneiro da.
Pernambuco Afortunado: da Nova Lusitânia à Nova Economia. Recife: INTG, 2006.
LIMA, M. de Oliveira. Pernambuco Seu Desenvolvimento Histórico.
Prefácio de Gilberto Freyre. Recife: Cepe, 1975.
SILVA, Leonardo Dantas. Holandeses em Pernambuco. Recife:
L. Dantas Silva, 2005.
As ruas da Vila Buriti foram obtidas no site: https://maps.google.com.
br/maps/, com a colaboração: “Locais de Resistência, Lutas e Memória - Roteiro da consciência do Brasil” e também no site: http://
www.desaparecidospoliticos.org.br/
COSTA, Francisco Augusto Pereira da. Annais Pernambucanos: 1795 1817. V. viii. Recife: Arquivo Público Estadual, 1958. p. 505 – 506.
_____. Diccionario biographico de pernambucanos célebres. Recife: Typographia Universal, 1882. 804p.
GALVÃO, Sebastião de Vasconcellos. Diccionario chorographico, historico
e estatistico de Pernambuco. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1910.
MARTINS, Dias. Os martires pernambucanos: victimas da liberdade
nas duas revoluções ensaiadas em 1710 e 1817. [Recife]: Typ. de F. C.
de Lemos e Silva, 1853.
PERNAMBUCO (Estado). Decreto n. 459, 23 de fevereiro de 1917.
Adoptando como bandeira de Pernambuco dos revolucionarios republicanos de 1817. REVISTA do Instituto Archeologico Geographico
de Pernambuco, Recife, v.19, n.95 – 98. 1918, p – 168 – 170.
SANTOS, André Maranhão. Atividade tipográfica em Pernambuco e
a construção da Biblioteca Pública no século XIX. Cadernos Olinda.
Ano ii, n. 03, dezembro de 2006.
SONETO. [Recife]: Na Typ. de Cav. & C.a., [1817].
Textos extraídos das Peças Oficiais relativas às revoluções de Pernambuco,
1817 – 1824, pertencentes à Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco.
OLIVEIRA, Paulo Santos de - Comunicações particulares, 2012.
CAVALCANTI, Paulo. O caso eu conto como o caso foi, Recife; Cepe
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BLACK, Jan Knippers. A penetração do Brasil nos Estados Unidos.
Trad.: Sérgio de Queiroz Duarte. Recife; Massangana, 2009.
CORTAZAR, Julio. Último round, [Ler o conto “Turismo aconselhável” e
o conto “Apocalipse de Solentiname”]
ANDRADE, Manuel Correia de; FERNANDES, Eliane Moury. Vencedores e vencidos: O movimento de 1964 em Pernambuco. Recife;
Massangana, 2004.
http://www.fundaj.gov.br/index.php?
Gilberto Freyre
http://www.releituras.com/gilbertofreyre_bio.asp
http://www.fgf.org.br/instituicao/instituicao.html
SANTOS-FILHO, Plínio; CUNHA, Francisco Carneiro da.
Um Dia no Recife, AERPA Editora, 2008.
104
Informações Úteis
1
Açúcar
2
Holandeses
3
1817 e 1824
4
Ditadura 64
Dicas da Semana, Onde Ficar, Onde Comer, Locais de Interesse,
Itinerário, Casa de Câmbio e Bancos consulte a recepção do hotel ou site específico na internet.
Importante
Nos meses de chuva (abril a agosto) use guarda-chuvas. Nos meses de sol (setembro a março) procure caminhar das 8h às 11h e
das 15h às 18h. Use chapéu, bloqueador solar e óculos escuros.
Os roteiros do livro são seguros. Porém, como em qualquer outro
lugar do mundo, não é recomendada exposição de jóias,
celulares ou equipamento que chame a atenção.
Eventos
Alguns dos eventos comemorados na cidade do Recife.
09 de fevereiro – Dia do frevo
12 de março – Aniversário de fundação da cidade
24 de junho – São João
16 de julho – Nossa Senhora do Carmo, padroeira do Recife
20 de novembro – Dia da Consciência Negra
08 de dezembro – Nossa Senhora da Conceição
Delegacias
Delegacia do Turista
Dentro do Aeroporto Internacional Gilberto Freyre, Recife
Tel.: (81) 3322-4867
Delegacia de Defraudação e Repreensão ao Estelionato
Av. Montevidéu, 123 – Boa Vista
Recife – PE
Tels.: (81) 3182-5451
N
1
Rota Verde - O Açúcar
Engenhos do Capibaribe, Engenho Magdalena, Engenho da Torre, Engenho do Cordeiro,
Engenho Ambrósio Machado, Engenho Casa Forte, Poço da Panela, Museu do Homem
do Nordeste, Engenho São Pantaleão do Monteiro, Engenho de Apipucos, Fundação
Gilberto Freyre, Engenho Dois Irmãos, Engenho Brum-Brum, Engenho Poeta, A Várzea do
Capibaribe, Engenho do Meio, Engenho de Santo Antônio, Instituto Ricardo Brennand,
2
3
Rota Amarela - Revoluções de 1817 e 1824
Revolução de 1817, Forte do Brum, Campo da Honra, Ponte do Recife,
Engenho São João, Ateliê e Oficina Cerâmica Francisco Brennand, Museu do Estado de
Forte das Cinco Pontas, Matriz de Santo Antônio, Confederação do
Pernambuco, Teatro de Santa Isabel, Faculdade de Direito do Recife, Parque 13 de Maio,
Equador - 1824, Monumento a Frei Caneca, Capelinha da Praça da
Basílica e Convento do Carmo, Joaquim Nabuco, Porto do Recife e Cruz do Patrão
Jaqueira, Cemitério dos Ingleses
Rota Azul - Os Holandeses
O Período Holandês, Forte do Brum, Quarteirão Franciscano, Forte Ernesto, Praça da
4
Rota Vermelha - Ditadura 64
Resistência ao Regime Militar, O Centro do Recife, Miguel Arraes, Palácio
República e Rua do Imperador, Maurício de Nassau, Rua do Bom Jesus, Palácio da Boa
do Campo das Princesas, Gregório Bezerra, Casa da Cultura, O Dom -
Vista, Forte das Cinco Pontas, A Insurreição Pernambucana, Praça Sérgio Loreto e
Igreja das Fronteiras, Padre Henrique - Cidade Universitária, Rua da
Arredores, Os Quatro Heróis, A Batalha de Casa Forte, Arraial Velho do Bom Jesus - Sítio da
Aurora 405, Vila Buriti - Macaxeira, Ruas da Vila Buriti, Colônia Penal do
Trindade, Nossa Senhora dos Prazeres do Monte Guararapes
Bom Pastor, Monumento Contra a Tortura, Paulo Freire
Hospitais Públicos
Hosp. Agamenon Magalhães
Estrada do Arraial, 2723
Tamarineira – Recife – PE
Tel.: (81) 3184-1600
Hospital da Restauração
Av. Agamenon Magalhães, s/n
Derby – Recife – PE
Tel.: (81) 3181-5400
Hospital Getúlio Vargas
Av. Gal. San Martin, s/n
Cordeiro – Recife – PE
Tel.: (81) 3184-5600
Hospital das Clínicas
Av. Prof. Moraes Rêgo, s/n
Cid. Universitária – Recife – PE
Tel.: (81) 2126-3633
Outros Serviços
Caso você precise mandar fotos digitais, e-mails ou acessar a internet, o Recife possui lan houses em vários pontos da cidade,
além dos business centers dos hotéis.
Para usar os telefones públicos, é necessário comprar cartões
telefônicos, vendidos em quase todos os estabelecimentos comerciais da cidade. Fazendo uma ligação: insira o cartão no local indicado e digite o código do país (quando for o caso) + 0 +
código da operadora (os principais são 21, 31 e 51) + código da
cidade + número do telefone.
Existem várias linhas de ônibus que operam no Recife. Você pode
também pegar um táxi, que circula em grande quantidade nas ruas.
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