Revista da SBEnBio - Número 7 - Outubro de 2014
V Enebio e II Erebio Regional 1
IMPLICAÇÕES DA VIVÊNCIA ESCOLAR E DA DIDÁTICA DOCENTE PARA A
APRENDIZAGEM DOS ALUNOS
Lílian Corrêa Costa Beber (Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio
Grande do Sul – Bolsista Pibic – Unijuí e voluntária PET-MEC/Sesu)
Marli DallagnolFrison (Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande
do Sul, docente e membro do Gipec)
Resumo: Este estudo tem como objetivo investigar e compreender quais as implicações da
vivência escolar e da didática docente na aprendizagem dos alunos. A pesquisa é qualitativa
e se insere na modalidade estudo de caso. Os dados foram coletados a partir de questionário
aplicado a alunos do Ensino Médio de escola do município de Ijuí. Os resultados apontam
para as implicações da didática escolar e interações alunos/professores e alunos/alunos na
motivação e aprendizagem da turma, e indicam que um bom professor é aquele que
desenvolve atividades diferentes, com calma, de modo a permitir que todos os alunos
compreendam, e revelam a importância das atividades grupais para a aprendizagem dos
conceitos, pois permitem que os alunos troquem informações e experiências de modo que uns
ensinem os outros.
Palavras-chave: Formação de professores; conhecimentos docentes; interações escolares.
INTRODUÇÃO
A vivência escolar e a didática docente são fatores determinantes na atração que a
escola desperta nos alunos. O contato com colegas e professores, as conversas e brincadeiras
que ocorrem nesse meio e a didática docente, têm especial importância para a vida dos
educandos, podendo motivá-los ou repeli-los da sala de aula e influenciar no seu aprendizado.
As interações no ambiente escolar são de suma importância para o desenvolvimento
do aluno enquanto indivíduo. Segundo Vygotsky (2000), o conhecimento só pode ser
construído mediante a interatividade. Na escola, os alunos se encontram e trocam informações
sobre o cotidiano e sobre os conteúdos escolares, de modo que aqueles que compreenderam
melhor auxiliam na aprendizagem dos demais. Na perspectiva de Mortimore (1988 apud
MORGADO, 2004, p. 87):
Quando alunos trabalham na mesma tarefa que outros alunos com níveis de
competência próximos, ou quando todos os alunos trabalham na mesma área
curricular mas em tarefas diferentes consoante ao seu próprio nível, o efeito parece
ser positivo. Quando se realizam situações em que todos os alunos realizam
exatamente a mesma tarefa, o efeito tende a ser negativo.
A interação entre os colegas auxilia no desenvolvimento individual de cada um, na
formação de opiniões sobre acontecimentos do cotidiano e também na aprendizagem.
Conforme afirma o autor, quando alunos trabalham em uma área e apresentam níveis de
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competência próximos é provável que o resultado seja satisfatório e que aprendam
trabalhando em conjunto. Nesse caso, as interações escolares direcionadas ao estudo se
referem indiretamente à maneira de os professores trabalharem suas aulas, a didática docente
e a sua dificuldade em construir o aprendizado discente. Nesse sentido, entende-se como
didática, “o estudo do processo de ensino-aprendizagem em sala de aula e de seus resultados”
(MASETTO, 2003, p. 32) de modo a melhorar a atividade educativa (HOUAISS; VILAR,
2001) por meio de ideais trazidos em práticas escolares (PENSIN; NIKOLAI, 2013).
Um professor que facilita a aprendizagem é aquele que permite interações entre alunos
e professores e possibilita que ambos sejam ativos neste processo. De acordo com Werner e
Bower (1984), educar deixa de ser “a arte de introduzir ideia na cabeça das pessoas, mas de
fazer brotar ideias”. As práticas docentes devem incentivar os alunos para que eles ousem na
procura por informações, produzam seus conhecimentos e não se satisfaçam com ideias
prontas.
Com base na importância das interações alunos/alunos, professores/alunos e da
didática adotada pelos professores para a aprendizagem discente, esta pesquisa traz
depoimentos de alunos de Ensino Médio, dados como resposta a um questionário aplicado
visando a responder a seguinte pergunta: Quais as implicações da vivência escolar e da
didática docente na aprendizagem dos alunos?
METODOLOGIA
A presente pesquisa é qualitativa e se insere na modalidade estudo de caso. Segundo
Yin (2005), “se trata de uma forma de fazer pesquisa investigativa de fenômenos atuais dentro
de seu contexto real, em situações em que as fronteiras entre o fenômeno e o contexto não
estão claramente estabelecidas.” O autor afirma que o estudo de caso corresponde a uma
metodologia de pesquisa que permite a análise do comportamento de sujeitos em um
contexto.
Foram aplicados dois questionários a alunos do Ensino Médio de escolas do município
de Ijuí (RS). A coleta de dados foi realizada por professores em formação inicial durante a
realização do componente curricular Estágio Curricular Supervisionado V: Ensino de
Química II.
Os dados foram organizados e analisados conforme a Análise Textual Discursiva
(MORAES; GALIAZZI, 2011) e utilizados na construção de categorias. Segundo os mesmos
autores, “a categorização corresponde a um processo de classificação das unidades de análise
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produzidas a partir do ‘corpus’. É com base nela que se constrói a estrutura de compreensão e
de explicação dos fenômenos investigados” (p. 116).
Nesse sentido, foi construído um foco temático denominado “Didática docente,
convivência escolar e suas influências na construção de conhecimentos pelos alunos.” A
partir desse foco foram elaboradas duas categorias: Didática docente como fator importante
para atrair ou repelir a atenção do aluno em relação à disciplina; e Vivência escolar e
convivência com colegas como determinantes para o bem-estar do aluno e para a sua
vontade de participar das aulas. Com base na primeira categoria, foi produzida a proposição
“A didática docente, assim como traços de personalidade dos professores,é capaz de atrair os
alunos e instigá-los a procurar informações, ou de repeli-los em razão da monotonia das
aulas.” A partir da segunda foram elaboradas duas proposições “A convivência com o meio
escolar e a interação entre alunos, professores e colegas influencia no comportamento de
ambos, atua como um centro de disseminação de informações e favorece o aprendizado
mútuo”;e “A convivência escolar entre os colegas é um incentivo para que os alunos
compareçam às aulas e participem de atividades grupais, contribuindo para a sua
aprendizagem”.
Para preservar a identidade dos envolvidos, foram adotados nomes fictícios com letra
inicial maiúscula A para os alunos do primeiro e segundo anos do Ensino Médio.
1. Didática docente, convivência escolar e suas influências na construção de
conhecimentos pelos alunos
Este foco temático foi construído com base na constatação de que a didática docente e
a convivência entre colegas influenciam demasiadamente na construção de conhecimentos
pelos alunos. A didática docente pode atrair ou repelir estudantes das aulas e pode facilitar ou
dificultar a aprendizagem dos mesmos. As interações entre os sujeitos da educação, por sua
vez, são saudáveis e propiciam momentos enriquecedores para o desenvolvimento de cada
um. Enquanto conversam, possibilitam a troca de experiências e de ideias acerca de
determinados assuntos, o que contribui para a apropriação de informações.
1.1.Didática docente como fator importante para atrair ou repelir a atenção do aluno em
relação à disciplina
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Essa categoria valoriza a importância da didática docente para a aprendizagem
discente, uma vez que aulas monótonas não despertam o empenho do aluno e dificultam a sua
aprendizagem, enquanto aulas inovadoras e interativas incentivam o aluno a se envolver e
procurar informações. Também enfatiza que o interesse do aluno pela disciplina auxilia na sua
aprendizagem, pois se sente estimulado a estudar os conteúdos contemplados por ela. A partir
dessas constatações foi possível construir a seguinte proposição ou afirmação:
1.1.1. A didática docente, assim como traços de personalidade dos professores,é capaz de
atrair os alunos e instigá-los a procurar informações, ou de repeli-los em razão da
monotonia das aulas
Essa proposição foi construída a partir da constatação de que a didática e a
personalidade dos professores são determinantes da atração ou repulsa que os alunos sentem
em relação às aulas. Nesse sentido, Angelina traz em seu depoimento que “um bom professor
é aquele que faz com que os alunos tenham vontade de entrar em sala de aula para estudar”, e
continua afirmando que “uma boa aula de Química é aquela em que não vemos o tempo
passar”.
A aluna alega que um professor facilitador da aprendizagem é aquele que apresenta
personalidade e humor que atraem os alunos para a sala de aula, incentiva que eles procurem
outras informações além daquelas trabalhadas e que proporciona uma aula agradável. De
acordo com Silva e Borba (2011), poucos professores têm essas características, e
muitos estão certamente atentos às inovações pedagógicas, sobretudo no referente à
tecnologia material de ensino, mas muitos outros mantém uma atitude conservadora.
Isto não significa que a generalidade dos professores negligencie a qualidade do
ensino a que são devotados, mas que, de modo geral, não tem incentivos para
desenvolver a sua capacidade pedagógica e que, muitas vezes, nem dispõe de
informação complementar necessária para a solução de problemas concretos,
estruturando racionalmente os conhecimentos que vai adquirindo, entrelaçando o
que lhe é transmitido com o que ele próprio procura. Com isto, o ensino passa a ser
mais do que a transmissão de conhecimento (p. 10).
A grande maioria dos professores é conservadora e ainda considera o ensino uma
transmissão de conhecimentos. Alguns, no entanto, estão sempre atentos às inovações
tecnológicas e pedagógicas, passíveis de serem contempladas em sala de aula. Esses
professores adequam os conhecimentos adquiridos na sua formação com aqueles construídos
durante o exercício da sua profissão, tornando o seu ensino mais que uma transmissão de
informações. Esses professores que adequam sua didática proporcionam aulas atraentes e
despertam o interesse dos alunos.
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Ainda nessa linha, Alice expressa o potencial que a didática do professor tem para
motivar os alunos, quando afirma: “eu tenho facilidade para aprender quando os professores
conversam com calma e não exigem demais de forma a pressionar. Eu aprenderia melhor se
houvesse mais diálogo e menos cobrança”.
O depoimento evidencia os sentimentos que os alunos têm em relação às diferentes
formas de o professor trabalhar suas aulas. Conforme o citado, os alunos têm mais facilidade
para compreender os conteúdos e para interagir com os docentes quando eles agem com
paciência e entendem que a turma tem dificuldade em aprender certas coisas.
Nesse sentido, Kourganoff (1972 apus SILVA; BORBA, 2011) destaca que a didática
docente melhora à medida que o professor desenvolve seu espírito investigativo. Isto permite
que ele reflita sobre quais os melhores métodos de facilitar a aprendizagem dos alunos.
Enquanto ele analisa suas atividades e as respostas da turma, produz aulas mais atraentes que
proporcionam um maior aprendizado.
Alyson expõe sua concepção de um bom professor quando assevera: “para mim um
bom professor é aquele que explica bem e explica várias vezes. Não gosto de professores que
ficam se achando”. No seu depoimento, o aluno refere-se à disposição que o professor deve
ter para explicar quantas vezes for necessário para proporcionar o aprendizado discente. Além
disso, ele também evidencia que um bom professor trata os alunos como iguais a ele,
motivando-os.
Nérici (1993, p. 75) destaca que a motivação corresponde ao “processo que se
desenvolve no interior do indivíduo e o impulsiona a agir, mental ou fisicamente, em função
de algo. O indivíduo motivado encontra-se disposto a despender esforços para alcançar seus
objetivos”. De acordo com o autor, a motivação é o processo que impulsiona o interesse e a
aprendizagem do aluno.
A maneira com que os conteúdos são tratados em sala de aula faz parte da didática de
cada professor. Cabe a cada um encontrar uma forma de contextualizar os conceitos
científicos de modo que eles tenham sentido para a vida dos alunos, possibilitando que eles se
sintam mais motivados a comparecer às aulas. Werneck (1987) acrescenta:
Creio que ensinamos demais e os alunos aprendem de menos e cadavez menos!
Aprendem menos porque os assuntos são a cada dia maisdesinteressantes, mais
desligados da realidade dos fatos e os objetivosmais distantes da realidade da vida
dos adolescentes (p. 13).
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Alguns professores agem como se a aula fosse apenas uma transmissão de
conhecimento, preocupando-se somente em passar os conteúdos e não com a aprendizagem
dos alunos. Esse fator torna os assuntos desinteressantes sob o ponto de vista da turma, pois
ela não compreende a utilidade desses conceitos para a sua vida.
Essa concepção do ensino como uma arte de transmitir ideias remete ao ensino
tradicional, necessário de ser substituído. Adriana lembra, então, que “um bom professor não
pode ser aquele professor antigo, que traz sempre coisas monótonas, velhas”. Ela sustenta que
um bom professor deve inovar para tornar suas aulas agradáveis. Ainda nessa direção, Silva e
Borba (2011) expõem“que a inovação remete (...) à produção de algo novo, à interrupção de
determinado comportamento ou padrão que se repete no tempo, à modificação das situações
tradicionais de sala de aula e de docência (...)”.
A inovação remete à ruptura com os ideais pedagógicos anteriores e à produção de
algo novo. É um dos fatores que auxiliam na melhoria das aulas e na aprendizagem dos
alunos, juntamente com a disposição dos professores em explicar o mesmo conteúdo quantas
vezes forem necessárias e com o bom humor docente, uma vez que a sua arrogância repele os
alunos, que passam a se sentir desconfortáveis em sua presença.
1.2. Vivência escolar e convivência com colegas como determinantes para o bem-estar do
aluno e para a sua vontade de participar das aulas
Esta categoria valoriza a importância da vivência escolar e da convivência com
colegas e professores como atrativos para os alunos comparecerem à escola e participarem das
aulas. Ela também dá especial enfoque às interações alunos/alunos e alunos/professores para a
discussão de assuntos do cotidiano e de informações trazidas em salas de aulas, atuando como
centros de disseminação de conhecimentos e de auxílio a alunos com mais dificuldade,
contribuindo para o aumento do aprendizado de todos. A seguinte proposição ou afirmação
foi possível ser defendida:
1.2.1. A convivência com o meio escolar e a interação entre alunos, professores e colegas
influencia no comportamento de ambos, atua como um centro de disseminação de
informações e favorece o aprendizado mútuo
Essa proposição foi construída com base na constatação de que as interações
alunos/alunos e alunos/professores, ocorridas no meio escolar, são de suma importância para
o desenvolvimento de ambos enquanto indivíduos. Além disso, influenciam no
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comportamento da turma, uma vez que professores extrovertidos atraem mais os alunos para
as suas aulas, e também auxiliam na procura por informações além das trabalhadas em sala de
aula, favorecendo a aprendizagem mútua.
Agatha registra em seu depoimento: “para mim um bom professor é aquele que faz
amizade com o aluno (...)”. De acordo com ela, um bom professor não é apenas um professor,
mas um amigo, com o qual a turma se sente à vontade para conversar e tirar dúvidas. Já
Aldair expressa que “uma boa aula de Química é descontraída (...)”. Ambos os depoimentos
evidenciam os sentimentos dos alunos em relação à pressão existente na maioria das salas de
aula. As constantes exigências, o excesso de provas e trabalhos, além de aulas pouco
didáticas, fazem com que os alunos hesitem em esclarecer suas dúvidas com o professor,
dificultando sua aprendizagem. Mourão (2004) defende a prescrição de trabalhos de casa,
afirmando que eles têm o objetivo de possibilitar que o aluno se envolva ativamente na
produção de seus conhecimentos a partir dos conteúdos tratados em sala de aula.
As potencialidades dos trabalhos de casa raramente são consideradas pelos
professores, que estão mais preocupados com os resultados obtidos do que com os processos
envolvidos. De acordo com Corno (1995), os alunos, quando entregues à própria sorte na
realização desses trabalhos, “facilmente vacilam”. Como consequência desse processo, os
alunos se sentem sobrecarregados de provas, trabalhos e deveres. Para eles, a cobrança é
muito grande e acabam não aproveitando todo o potencial dessas atividades e se distanciando
da escola.
É importante que os professores exponham as finalidades de cada atividade trabalhada
no ambiente intra ou extraescolar e que compreendam as limitações de tempo e de
conhecimento de cada aluno. Nesse sentido, Aline afirma: “eu acredito que não aprendi certos
conteúdos porque a professora fazia tudo correndo, não tinha tempo para fazer os exercícios,
não dava tempo nem para raciocinar”.
Os professores devem considerar que a sua disciplina não é exclusiva e que alguns
trabalham no turno inverso ou que apresentam problemas familiares que dificultam sua
concentração quando estão em casa. O corpo docente também deve ponderar que os alunos
têm distintos ritmos de aprendizagem e devem adotar maneiras diferentes para trabalhar os
conteúdos, de modo a não prejudicar ninguém.
Perrenoud (1997 apud SANTANA, 2000) explica que diferenciar os alunos é
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romper com a pedagogia magistral – a mesma lição e o mesmo exercício para todos
ao mesmo tempo – mas é, sobretudo, uma maneira de pôr em funcionamento uma
organização de trabalho que integre dispositivos didáticos, de forma a colocar cada
aluno perante a situação mais favorável ao seu processo de aprendizagem.
Conforme salienta o autor, o professor deve considerar os diferentes ritmos de
aprendizagem presentes em sala de aula, produzindo atividades diferenciadas que introduzam
cada aluno na situação mais favorável para a construção de conhecimento. Nesses casos, as
interações entre os sujeitos envolvidos são importantes, uma vez que permitem o aprendizado
mútuo por meio da crítica construtiva e possibilitam que um aluno com facilidade para
aprender ajude outro a compreender determinados conceitos trabalhados em sala de aula.
Amanda acrescenta que “uma boa aula de Química é quando TODOS se dedicam e
prestam atenção”. O depoimento mostra que todos devem interagir para a construção de
conhecimento em sala de aula; não somente os professores e os alunos, mas também os alunos
com os seus colegas. Silva e Borba (2011, p. 10) argumentam sobre a importância das
interações no ensino:
não é difícil constatar que o ensino torna-se mais eficaz quando os alunos de fato
participam. As aulas tornam-se mais vivas e interessantes quando são entrecortadas
com perguntas feitas aos alunos. Elas conduzem a rumos diferentes, conforme as
respostas dos alunos. Uma resposta suscita uma informação adicional que suscita
outra pergunta e, consequentemente, outra resposta. Dessa forma, as aulas passam
geralmente a requerer uma breve revisão, que é feita coloquialmente com a
participação dos alunos.
De acordo com o que expressam os autores, as interações entre alunos e professores
ocorridas no interior de uma sala de aula são benéficas para a aprendizagem de ambos.
Quando um aluno interrompe a explicação de um conteúdo para expor uma dúvida, ele
permite que novas informações sejam trazidas para a turma e que novas dúvidas surjam, em
um ciclo contínuo. As interações também possibilitam a exposição de críticas construtivas em
relação à aula, permitindo que o professor possa melhorar a sua didática. Diante dessas
constatações, a segunda proposição foi construída, a qual é apresentada a seguir:
1.2.2. A convivência escolar entre os colegas é um incentivo para que os alunos
compareçam às aulas e participem de atividades grupais, contribuindo para a sua
aprendizagem
Esta proposição foi construída com base na constatação de que a convivência dos
alunos com os seus colegas é um dos fatores motivadores para comparecer à escola e
participar das aulas. Além disso, os laços de afeto e desafeto que se formam no meio escolar
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estimulam o espírito competitivo durante as atividades grupais, o que possui um lado positivo
– a busca por querer sempre aprender mais.
Alice expõe suas preferências na escola quando afirma: “na escola eu gosto de estudar,
tirar minhas dúvidas e trocar ideias e não gosto de ficar separada dos meus melhores amigos”.
O depoimento evidencia a importância que a convivência entre os colegas tem para atrair os
alunos para a escola. Vasconcelos (2001) assevera que as relações entre professores e alunos
tendem a ser diferentes das do passado, uma vez que os próprios alunos de hoje são
diferentes.
A existência de interações entre alunos é benéfica para a aprendizagem (VYGOTSKY,
2000) e também atua como um atrativo a mais na escola. Ane, em seu depoimento, diz: “na
escola eu gosto de estudar, se divertir, conversar com os amigos(as) e não gosto de fazer
muita bagunça”. Conforme destaca a aluna, um dos atrativos da escola é a convivência entre
colegas. A comunicação entre colegas é de suma importância. Nesses meios de interação, eles
tratam de assuntos cotidianos e relacionados às aulas; há debates sobre a didática de
determinados professores e também explicações entre colegas, visando à aprendizagem
daqueles que têm dificuldade em compreender os conteúdos.
Morales (2000), Estrela (2002), Schabbel (2002) e Freire (2007) afirmam que a
comunicação é indispensável. Quando ela não é satisfatória, ou um não sabe ouvir o outro, os
relacionamentos se desintegram e surgem sentimentos indesejáveis. No meio escolar, as
interações entre os alunos permitem que eles se relacionem e criem laços de amizade, além de
possibilitar que ajam em conjunto na procura por informações.
Ana Luíza contribui:“o que mais gosto é das atividades que têm na escola como:
gincana, torneio, participação de dança, etc.” O depoimento desta aluna evidencia a
importância que o convívio entre amigos tem para atrair os alunos para a escola. Ela salienta
que gosta de atividades diferenciadas no meio escolar, como gincanas e torneios. São
atividades grupais que estimulam o espírito competitivo. Bento (2006, p. 14) concorda com o
potencial das atividades competitivas quando conclui: “goste-se ou não, a competição e a
concorrência são a alma e o grande motor do desporto e da vida”.
Assim, é evidente que as conversas entre amigos, as atividades grupais e as
competições, são motivadoras e potencializadoras da aprendizagem. Elas permitem que os
alunos interajam, conversando sobre assuntos cotidianos e relacionados a conteúdos em que
têm dificuldades. Nesse ponto, eles se organizam de modo a se auxiliar e facilitar a
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apropriação dos conceitos por aqueles que têm mais dificuldade. As competições também têm
seu lado positivo – o anseio por vencer impulsiona os alunos na procura por informações.
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Os depoimentos apontam para a influência da didática e personalidade dos professores
na aprendizagem da turma, uma vez que podem motivá-los ou repeli-los da sala de aula. Foi
constatado que os alunos se sentem acuados em contato com professores que não se mostram
disponíveis a explicar incansavelmente um conteúdo até que todos consigam compreender. Os
teóricos evidenciam o quanto é importante que os professores consigam propor atividades
diferenciadas para satisfazer as diversas capacidades de aprendizagem.
Os resultados também indicam que um bom professor atrai os alunos para as aulas,
promove atividades inovadoras, permite as interações e enriquece os momentos de
aprendizagem. Muitos alunos trouxeram, em seus depoimentos, que conseguem aprender
melhor quando realizam as atividades em conjunto. Quando o trabalho é realizado em grupo
aquele que tem mais facilidade auxilia o outro. Além disso, a oportunidade de conversar com
os amigos, por si só, age como um atrativo. Desse modo, permitir as interações em sala de
aula é como unir o útil da aprendizagem ao agradável da convivência escolar.
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