PARVOVIROSE SUÍNA: UMA REVISÃO DE LITERATURA
QUATRIN, Sophie Caroline1
PIASSA, Meiriele Monique Covatti2
RESUMO
O parvovírus suíno esta distribuído em todo o território mundial e o Brasil, por ter uma grande produção, esta fortemente ligado a doença. O vírus é
constituído de fita simples, o que demonstra resistência a temperaturas elevadas e alterações de pH, indicando sua forte distribuição pelo mundo. O
vírus tem preferência por células em fase mitótica, afetando principalmente gestações, gerando grande número de morte embrionária e conseqüências
de retorno de cio, mumificação e natimortalidade. Como o vírus tem propriedade hemaglutinante, o teste padrão é a inibição da hemaglutinação,
porém, outros testes sorológicos também podem ser utilizados. Não existe tratamento para a parvovirose e o controle da doença se baseia na
vacinação dos animais, pois a transmissão é feita por excreções e secreções, e o vírus é resistente a vassouras de aço e desinfecções. Outros controles
da doença são quarentena e vacinação de animais recém chegados, e descarte de fêmeas positivas, pois a transmissão principal é da mãe para o feto.
PALAVRAS-CHAVE: Vírus, resistente, gestações, tratamento, controle.
PARVOVIRUS SWINE: A REVIEW OF LITERATURE
ABSTRACT
The porcine parvovirus this distributed throughout the territory Brazil and worldfor having a big production, is strongly linked to disease. The virus
consists of simple tape, which shows resistant to high temperatures and pH changes, indicating its strong distribution worldwide. The virus have a
preference for cells in mitotic phase, mainly affecting gestations, generating large numbers of embryonic death and consequences of return of rutting,
mummification and natimortality. How the virus has owned hemagglutination, the test pattern is the hemagglutination inhibition, however other
serological tests can also be utilized. There is no treatment for parvovirus and disease control is based on the vaccination of animals, because the
transmission is made by excretions and secretions, and the virus is resistant steel brooms and disinfections. Others disease controls are quarantine and
vaccination of animals newcomers, and disposal of positive females because the main transmission is from mother to fetus.
KEYWORDS: Viruses, tough, gestations, treatment, control.
INTRODUÇÃO
A parvovírose suína esta presente em todos os continentes e é considerada uma das principais doenças
infecciosas que causa distúrbios reprodutivos (PESCADOR 2008). Está entre as doenças mais importantes geradoras de
natimortalidade, com taxas muito altas de mumificação fetal (SOUZA 2011).
O Brasil tem um grande número de produtores de suínos e acredita-se que poucos deles estejam livres da doença.
Pois o vírus, por ser simples, tem uma grande resistência á alterações de pH e temperatura, sobrevivendo por muito
tempo fora do hospedeiro (STRECK 2009).
Estudos não recentes no Paraná mostraram que animais criados em sistema extensivo, não possuíam presença de
anticorpos contra doenças infecciosas (FILIPPSEN 2001). A presença de anticorpos circulantes se mostra presente em
grandes quantidades em regiões de maior densidade populacional de suínos, enquanto regiões de menor densidade
foram identificadas uma quantidade mínima (RODRIGUEZ 2003, AGUIAR 2006).
Como o vírus tem uma grande afinidade com células em fase de mitose, ele se torna muito patogênico em fases
de gestações em que a fêmeas não possui anticorpos circulantes suficientes, ocasionando morte fetal e reabsorção, e na
maioria das vezes mumificação (WOLF 2008, SOUZA 2011). Os sinais clínicos são caracterizados pelo período de
infecção durante a gestação nas fêmeas, nos animais adultos podem passar despercebidos (PESCADOR 2008).
As transmissões podem ser horizontais e verticais, sendo a mais comum entre elas a oronal e da mãe para o feto.
Que ocorre pelas secreções e excreções, ou via linfática (STRECK 2009, SOUZA 2011).
Hoje existem diversos diagnósticos para identificar se o animal apresenta anticorpos contra a doença, ou
identificar o vírus nos retos de abortos, secreções e excreções (STRECK 2007, SOUZA 2011).
Não existem tratamentos específicos para a doença, mas o melhor controle nos dias de hoje é a prevenção com o
uso de vacina e o manejo correto (BARCELLOS 2007).
O objetivo deste trabalho foi mostrar a estrutura do agente etiológico que identifica o motivo da sua resistência.
Também avaliou como esta a situação, em relação ao vírus, em alguns estados do Brasil. Mostra como é a patogenia do
agente, em relação à época de contaminação, quais os sinais clínicos mais evidentes, e as vias de transmissão. Avaliou o
melhor método para se fazer o diagnóstico e qual a melhor maneira de controlar a doença em um plantel.
1
Acadêmica do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Assis Gurgacz.
Médica veterinária, docente das matérias produção de suínos, aves e introdução a medicina veterinária da Faculdade Assis Gurgacz, mestre em
ciência animal.
2
Anais do 11º Encontro Científico Cultural Interinstitucional - 2013
ISSN 1980-7406
273
REVISÃO DE LITERATURA
O parvovírus é um membro da família Parvoviridae, esta entre os menores vírus que afetam os animais e seu
DNA é constituído de fita simples, que dá resistência a alterações de pH e temperatura (STRECK 2009). Sua
morfologia é esférica, desprovida de envelope e simetria icosaédrica, possuem propriedade hemaglutinante com
capacidade de se ligar em hemácias de diferentes espécies, entre mamíferos e aves (WOLF 2008, SOUZA 2011).
A PVS está distribuída em todo o território mundial (PESCADOR 2008). Como o Brasil é um grande produtor
de suínos, o autor Streck (2009) acredita que poucas criações estejam livres da doença, isso porque o vírus pode
sobreviver em condições adversas fora do hospedeiro, com resistência à temperatura e muitos desinfetantes.
Estudos no estado do Pará mostraram que a disseminação é maior em regiões de alta produção de suínos que
possui intenso tráfico de animais (RODRIGUEZ 2003).
O estado do Paraná aumentou seu numero de pequenos e grandes produtores na área de suinocultura, e uma
parte deles investiu no sistema de produção extensivo. Porém, com o uso deste sistema de produção há certa dificuldade
em fazer o controle de doenças. Mas estudos feitos entre os anos de 1996 e 1999 mostraram que não houve incidência
de Parvovirose no sudeste do Paraná (FILIPPSEN 2001).
O vírus apresenta alta afinidade por células em fase de mitose, e está fortemente ligado a sua capacidade de
afetar a gestação em fêmeas. A passagem do vírus da mãe para o feto ainda esta incerto, pois a placenta dos suínos é
epitélio-corial e suas células são fortemente ligadas, o que impede a passagem de pequenas moléculas, como os
anticorpos, porém, o autor acredita que a passagem possa vir a ser pelo sistema linfático (STRECK 2009).
Se as fêmeas forem expostas ao vírus pela primeira vez até os 30 dias de gestação, provavelmente ocorrerá morte
embrionária, reabsorção e a fêmea terá retorno de cio. Se os fetos sobreviverem podem apresentar redução de tamanho e
baixo peso. Se a infecção ocorrer após os 30 dias de gestação, ocorrerá à morte do feto e como já ocorreu a deposição
de cálcio no feto, não ocorrerá à absorção e assim, resultando a mumificação. Nas infecções após 70 dias, os fetos já
estão com o sistema imune suficiente para sua proteção, porém serão fracos e positivos em exames, ou ocorrerá a
natimortalidade antes do parto. A patogenia pode variar de acordo com a cepa e as suas mutações. Nos animais adultos
a patogenia é baixa (WOLF 2008, SOUZA 2011).
A alteração macroscópica mais comum em fetos é a mumificação. As lesões microscópicas são caracterizadas
pela presença de células inflamatórias em órgãos afetados, devido os focos de necrose (PESCADOR 2008).
O vírus já foi encontrado em diversos órgãos, como intestino, fígado, timo, gônadas, cérebro, coração, rim, baço
e pulmão (SOUZA 2011).
Experimentos revelaram que a parvovirose pode acentuar o grau de infecção da circovirose, aumentando o
numero de lesões histopatológicas (FERNANDES 2006).
Os sinais estão relacionados com o período de infecção das fêmeas, entre eles estão o retorno de estro, aborto,
baixo numero de leitões nascidos, presença de leitões mumificados e de diferentes tamanhos. Na fêmea pode se
verificar diminuição do volume do abdômen, pela morte do feto e absorção do liquido amniótico. Animais adultos
geralmente são assintomáticos, mas transmitem o vírus (PESCADOR 2008, STRECK 2009).
A transmissão ocorre pelas secreções e excreções. A transmissão horizontal é considerada por ser transmitida
entre os adultos. Pode ser direta e ocorrer pelo contato oronasal, ou através do macho pela inoculação do sêmen
contaminado. Ou pode ser a indireta é com a ingestão ou inalação do vírus.
A transmissão vertical é da fêmea para o feto. A doença afeta principalmente fêmeas gestantes que possuem
baixo nível de anticorpos contra o vírus e pode afetar animais de todas as idades (STRECK 2009, SOUZA 2011).
Pode ser realizado a partir de fetos mumificados, restos de fetos, soro das fêmeas e dos leitões natimortos
(SOUZA 2011).
As técnicas de diagnóstico que possuem maior importância são as sorológicas. O teste padrão é a de inibição da
hemaglutinação HI, no qual os anticorpos do soro vão reagir com o antígeno e estes são capazes de aglutinar hemácias
de várias espécies, fáceis e rápidos de fazer. Outro teste muito utilizado é o ELISA de competição, que consiste na
ligação do anticorpo com o antígeno e após, adiciona-se um anti-anticorpo (conjugado) que, se houve a fixação entre
antígeno e anticorpo, este conjugado liga-se aos dois e fará uma mudança de coloração. A vantagem do ELISA é que
possui leitura automática e a venda pode ser feita em kits (STRECK 2007, STRECK 2009).
O isolamento do vírus também é uma técnica de diagnóstico, no qual se obtém o vírus e o mesmo pode ser
utilizado em estudos posteriores. Embora esta técnica seja difícil e demorada em relação às sorológicas (SOUZA 2011).
O diagnóstico em restos fetais não é muito recomendado, pelo fato de que detecta anticorpos totais e não
específicos (WOLF 2008).
Ainda não existem tratamentos específicos para parvovirose. Porém, medidas de um bom manejo podem
melhorar as condições sanitárias e descarte de fêmeas positivas é de extrema importância, por ser a principal fonte de
transmissão (STRECK 2009). O melhor método de se prevenir a doença é a utilização da vacina, que proporciona um
sistema imune eficaz contra a doença (SOUZA 2011).
274
Anais do 11º Encontro Científico Cultural Interinstitucional – 2013
ISSN 1980-7406
Existem hoje vacinas atenuadas e inativadas contra o Parvovírus, mas a mais utilizada é a inativada, pela maior
segurança. No Brasil, a única vacina disponível é a inativada (RODRIGUEZ 2003). Esta vacina inativada é criada a
partir de um cultivo celular, e após ser inativada ela é aplicada com um adjuvante (RACHED 2009).
A vacinação é a primeira medida a ser tomada na chegada de um suíno no plantel e deixado em quarentena. O
protocolo de vacinação é fazer a aplicação da primeira dose da vacina, que é combinada com leptospirose e erisipela,
entre os 170 e 200 dias, e a segunda dose deve ser feita 15 a 21 dias após. O ideal seria fazer a aplicação na chegada dos
animais e aguardar entre os 15 e 21 dias para a estimulação do sistema imune, mas na prática, o que mais se identifica é
a vacina sendo aplicada no rebanho de origem, o que não é recomendado, pois o animal pode sofrer estresse no
transporte e fazer depressão do sistema imune (BARCELLOS 2007).
A vacina também é feita em fêmeas 30 dias antes da cobertura e 10 a 15 dias após o parto. Os machos são
vacinados de cinco a seis semanas antes da primeira cobertura, com a segunda dose 10 a 15 dias após e reforço a cada
seis meses (STRECK 2009, SOUZA 2011).
Estudos feitos no Pará mostraram que animais que não foram vacinados, 90% possuíam anticorpos contra PVS
(RODRIGUEZ 2003). Já os estudos feitos em Rondônia, mostraram que apenas 7,7% dos suínos possuíam anticorpos,
justificando que a região tem baixa densidade de produção (AGUIAR 2006).
CONCLUSÃO
Embora alguns estudos demonstrem que algumas regiões possuem baixo nível de infecção, fazer o uso da vacina
continua sendo essencial. Na criação suína de algumas regiões do Paraná, que são criados em sistema extensivo, não foi
identificado à presença da doença, mas pelo fato de que os estudos não são recentes, devem-se fazer novos exames para
avaliar se os rebanhos continuam livres do vírus e os cuidados e manejo devem continuar, para que o mesmo continue
sem da doença.
REFERÊNCIAS
AGUIAR, D. M.; CAVALCANTE, G. T.; DIB, C. C.; VILLALOBOS, E. M. C.; CUNHA, E. M. S.; LARA, M. C. C.
S. H.; RODRIGUEZ, C. A. R.; VASCONCELLOS, S. A.; MORAES, Z. M.; LABRUNA, M. B.; CAMARGO, L. M.
A.; GENNARI, S. M. Anticorpos contra agentes bacterianos e virais em suínos de agricultura familiar do município de
Monte Negro, RO. Arq. Inst. Biol., São Paulo, v. 73, n. 4, p. 415-419, out./dez., 2006.
BARCELLOS, D. E. S. N.; ALMEIDA, M. N.; LIPPKE, R. T. Adaptação e quarentena de matrizes suínas: conceitos
tradicionais e o que está vindo por aí! Acta Scientiae veterinariae, Porto Alegre, v. 35, p. 9-15, 2007.
FERNANDES, L. T.; CIACCI-ZANELLA, J. R.; SOBESTIANSKY, J.; SCHIOCHET, M. F.; TROMBETTA, C.
Coinfecção experimental de circovírus suíno tipo 2 isolado no Brasil e parvovírus suíno em suínos SPF. Arq. Bras.
Med. Vet. Zootec., v.58, n.1, p.1-8, 2006.
FILIPPSEN, L. F..; LEITE, D. M. G..; SILVA A.; VARGAS, G. A. Prevalência de doenças infecciosas em rebanho de
suínos criados ao ar livre na região sudoeste do Paraná, Brasil. Ciência Rural, Santa Maria, v. 31, n. 2, p. 299-302,
2001.
PESCADOR, C. A. Causas infecciosas de abortos e natimortalidade em suínos no sul do Brasil. 2008. 96 f. Tese
(Doutorado em Ciências Veterinárias) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. 2008.
RACHED, R. Z. Caracterização de pequenas criações de suínos no estado de São Paulo. 2009. 149 f. Dissertação
(Mestrado em Sanidade, Segurança Alimentar e Ambiental no Agronegócio) – Instituto Biológico, São Paulo. 2009.
RODRIGUEZ, C. A. R.; HOMEM, V. S. F.; HEINEMANN, M. B.; FERREIRA, J. S. N.; RICHTZENHAIN, L. J.;
SOARES, R. M. Soroprevalência de anticorpos anti-parvovírus suíno em suínos do município de Uruará, estado do
Pará. Arq. Inst. Biol., São Paulo, v. 70, n. 4, p. 501-503, out./dez., 2003.
SOUZA, C. K. Diagnóstico de parvovírus e estudo de co-infecções por vírus de suínos. 2011. 102 f. Dissertação
(Mestrado em Ciências Veterinárias) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. 2011.
Anais do 11º Encontro Científico Cultural Interinstitucional - 2013
ISSN 1980-7406
275
STRECK, A. F. Detecção e caracterização de amostras de parvovírus suíno. 2009. 116 f. Dissertação (Mestrado em
Ciências Veterinárias) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. 2009.
STRECK, A. F.; GAVA, D.; RECH, H.; CANAL, C. W. Técnicas de diagnostico imunológico em suinocultura. Acta
Scientiae Veterinariae, Porto Alegre, v. 35, p. 125-130, 2007.
WOLF, V. H. G. Pesquisa da presença de parvovírus suíno (PVS) em tecidos de fetos de suínos. 2008. 99 f. Tese
(Doutorado em Genética e Biologia Molecular) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas. 2008.
276
Anais do 11º Encontro Científico Cultural Interinstitucional – 2013
ISSN 1980-7406
Download

parvovirose suína