Macro Setorial
19 de junho de 2015
Bens de capital
Sem sinais de recuperação
• A demanda interna de bens de capital vem mostrando retração acentuada em 2015, refletindo a menor propensão a
investir dos empresários.
• A desvalorização do câmbio tende a diminuir o consumo desses bens, uma vez que torna as importações mais caras.
Por outro lado, a depreciação cambial tem potencial para impulsionar as exportações, que ainda permanecem em baixo
patamar.
• A menor procura por bens de capital vem ocasionando uma forte queda na produção. Indicadores antecedentes e
fundamentos econômicos sugerem continuidade desse processo nos próximos meses.
•O encolhimento da produção tem provocado queda do emprego e desaceleração dos salários no setor.
A partir de 2013, observamos uma tendência
declinante no consumo de bens de capital. Isso se
intensificou a partir do fim de 2014. Por exemplo, em
1
abril, o consumo aparente de bens de capital retraiu
30% ante o mesmo mês de 2014, atingindo o menor
nível desde 2007.
Consumo de bens de capital em queda
240
220
2
estimativas . Entre os tipos de bens de capital,
destacamos os veículos pesados (caminhões e
ônibus), cujas vendas tiveram queda de 39% no
acumulado do ano até maio. Elas também estão em
seu menor patamar desde 2007.
Bens de capital são um importante
componente da formação bruta de capital
fixo
índice com ajuste sazonal,
2002=100
10%
2%
200
38%
180
160
140
50%
120
100
Consumo aparente
de bens de capital
80
abr-03 abr-05 abr-07 abr-09 abr-11 abr-13 abr-15
Máquinas e Equipamentos
Construção
Produtos de propriedade intelectual
Outros Ativos Fixos
Fonte: Itaú
Fonte:IBGE, Itaú
Os bens de capital são um importante componente do
investimento, respondendo por cerca de 33% da
formação bruta de capital fixo, segundo nossas
1 Medido por nossa proxy, construída a partir dos dados de
produção industrial de bens de capital (IBGE) e de quantum de
exportação e importação (Funcex).
A decisão de investir é determinada pela confiança
dos empresários nos diversos setores produtivos. A
confiança sugere que a retração deve se aprofundar
no segundo trimestre. Adicionalmente, a demanda
2 A partir dos dados do Sistema de Contas Nacionais (IBGE), PIMPF (IBGE) e Funcex.
A última página deste relatório contém informações importantes sobre o seu conteúdo. Os investidores não
devem considerar este relatório como fator único ao tomarem suas decisões de investimento.
Macro Setorial – sexta-feira, 19 de junho de 2015
interna prevista (para os próximos três meses)
também corrobora essa tendência. Em particular, a
confiança do empresário no setor de bens de capital é
a menor entre as grandes categorias econômicas da
indústria. A retração este ano já atinge 24%. Os
estoques no setor também permanecem altos,
indicando que a contração na produção não é
suficiente para evitar o seu acúmulo. Em maio, a
proporção de empresas com estoques excessivos
superou a de estoques insuficientes em 35 pontos
percentuais, maior diferença desde 2003.
100%
35%
variação acumulada
em 12 meses
A desvalorização do câmbio também contribui para a
menor demanda interna desses bens, pois encarece
as importações. A depreciação recente aponta para
uma queda maior das importações de bens de capital,
que já recuaram 15% no acumulado do ano até abril
Depreciação cambial tende a diminuir
importações
Demanda interna de bens de capital segue
fraca
50%
faturamento anual de até R$ 90 milhões. Entretanto, o
efeito na demanda de bens de capital como um todo
deve ser limitado, uma vez que a representatividade
das máquinas agrícolas é relativamente baixa (cerca
de 7%).
25%
30%
-55%
variação anual
80%
-45%
60%
-35%
-25%
40%
15%
-15%
20%
10%
5%
-5%
0%
5%
-5%
-20%
-10%
15%
-40%
-15%
25%
-60%
-30%
Consumo aparente de bens de capital
Confiança do empresário industrial (t-1)
Demanda interna prevista (t-1) (dir.)
-50%
jun-05
jun-07
jun-09
jun-11
jun-13
-25%
-80%
35%
Importação Bens de Capital (Quantum)
Câmbio real (t-5) (dir., eixo invertido)
-100%
out-07
-35%
jun-15
out-09
out-11
out-13
45%
55%
out-15
Fonte: Funcex, Itaú
Fonte: FGV, Itaú
Adicionalmente, a alta taxa de juros torna menos
atraente o aumento do estoque de capital. Ademais, a
partir do início deste ano, houve restrições no
financiamento pelo Programa de Sustentação do
Investimento
(PSI).
O
Banco
Nacional
de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
aumentou as taxas de juros do programa de acordo
com o tipo de investimento. Os aumentos nos juros
anuais variam de 2,5 p.p. a 4,0 p.p. Além disso, houve
queda no percentual de financiamento. No caso de
ônibus e caminhões, anteriormente eram financiados
100% do bem. Com a mudança, o percentual passa a
ser de 70% para pequenas empresas e de 50%, para
grandes. Nas demais linhas, a mudança foi de 100%
para 70%.
Por fim, o anúncio do Plano Agrícola e Pecuário do
período 2015-2016 pode incentivar o segmento de
máquinas agrícolas. Os recursos previstos para
investimento são de R$ 38,2 bilhões, com taxa de
juros de 7% a 8,75% a.a. para empresas com
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As importações respondem por cerca de 18% da
oferta total de bens de capital. Na pauta de
importações destacam-se as máquinas para uso
industrial (26%) e máquinas e equipamentos de uso
geral (11%). Os bens são originários principalmente
da China (24% do total). A participação desse país na
pauta de importação dobrou nos últimos dez anos. Os
Estados Unidos (18%), Alemanha (9%) e Argentina
(8%) também possuem representatividade relevante.
Em 2014, as importações superaram as exportações
em R$ 16 bilhões, segundo os dados da Funcex.
Macro Setorial – sexta-feira, 19 de junho de 2015
Máquinas para uso industrial são destaque
na pauta de importação
Bens de transporte possuem alta
representatividade nas exportações
14%
15%
26%
32%
3%
6%
9%
11%
7%
11%
5%
8%
9%
35%
9%
Máquinas e equipamentos de uso industrial
Máquinas e equipamentos de uso geral
Equipamentos e material elétrico
Caminhões, ônibus e outros veículos
Embarcações, locomotivas e vagões ferroviários, aviões e aéreos
Máquinas rodoviárias
Tratores
Demais produtos
Máquinas e equipamentos de uso industrial
Máquinas e equipamentos de uso geral
Equipamentos e material elétrico
Caminhões, ônibus e outros veículos
Embarcações, locomotivas e vagões ferroviários, aviões e aéreos
Máquinas de processamento de dados
Outros
Fonte: Funcex, Itaú
Fonte: Funcex, Itaú
Importações superam exportações desde
2008
40
35
30
As exportações mostram alguma tendência de
aumento na margem. Ao longo do ano, esperamos
que um câmbio mais alto possa aumentar as
exportações. Ademais, a desvalorização pode
contribuir para maior exportação de commodities,
incentivando a compra de máquinas agrícolas.
Contudo, as exportações ainda seguem em patamar
cerca de 14% abaixo da média do ano passado.
bilhões de dólares
Importação
Exportação
25
20
Exportações em nível baixo
15
180
10
160
índice com ajuste sazonal,
2005=100
média móvel de 3 meses
5
Exportações
140
0
2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014
120
Fonte: Funcex Itaú
Relativamente às exportações, há uma grande
concentração em bens de transporte. Destaque para o
segmento aéreo, que representa 21% do total.
Máquinas e equipamentos industriais (15%),
embarcações e vagões ferroviários (14%) também
possuem grande representatividade. Os Estados
Unidos (23%) e a Argentina (10%) são os principais
destinos das nossas exportações de bens de capital.
100
80
60
abr-05
abr-07
abr-09
abr-11
abr-13
abr-15
Fonte: Funcex, Itaú
Com a fraqueza da demanda, a indústria de bens de
capital deve continuar desfavorável. Os indicadores
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Macro Setorial – sexta-feira, 19 de junho de 2015
antecedentes, como a produção prevista, indicam
queda na produção nos próximos meses.
Produção de bens de capital segue fraca
60%
variação anual,
média móvel de 3 meses
40%
20%
0%
-20%
-40%
Produção industrial
Produção prevista (t-2)
-60%
jul-05
jul-07
jul-09
jul-11
jul-13
emprego no setor. Os últimos dados mostram que a
destruição de empregos formais atingiu nível
semelhante ao da crise financeira. Nos últimos 12
meses terminados em abril, a destruição ultrapassou
52 mil vagas, uma queda de 5% no nível de emprego.
Os salários no setor também refletem a fraqueza da
atividade. Os salários de admissão crescem a um
ritmo próximo a 2% (mês ante mesmo mês do ano
anterior), bem abaixo de uma média de 8% no início
do ano passado. Os salários de demissão mostraram
aceleração nos últimos meses, atingindo 13% no
trimestre findo em abril ante o mesmo período do ano
anterior. Esse é o maior crescimento desde 2009. Isso
indica que os empresários do setor tendem a contratar
trabalhadores mais baratos, ao mesmo tempo em que
demitem os mais caros. O resultado indica uma
desaceleração do salário médio no setor.
Salários indicam ajustes no setor
jul-15
Fonte: IBGE, FGV, Itaú
25%
Observando-se os tipos de bens de capital, há uma
queda generalizada na produção. A média móvel de
três meses mostra uma difusão de 21% em abril,
menor patamar desde 2008.
20%
salário nominal
trimestre ante mesmo trimestre
do ano anterior
15%
10%
Queda disseminada na produção
5%
100%
variação anual, média
0%
80% móvel de 3 meses
60%
-5%
Salário de admissão
Salário de demissão
40%
-10%
abr-08 abr-09 abr-10 abr-11 abr-12 abr-13 abr-14 abr-15
20%
0%
Fonte: CAGED, Itaú
-20%
-40%
-80%
-100%
abr-05
Onde está a indústria de bens de capital no
Brasil?
Para Fins Industriais
Agrícolas
Para Construção
Para o Setor de Energia Elétrica
Equipamentos de Transporte
-60%
abr-07
abr-09
abr-11
abr-13
abr-15
Fonte: IBGE, Itaú
Destaque para os equipamentos para construção com
recuo de 28% no trimestre findo em abril ante o
mesmo período do ano anterior. Os equipamentos de
transporte (-27%) e agrícolas (-18%) também
apresentam contração acentuada.
A produção em queda e as perspectivas negativas dos
empresários têm provocado queda no nível de
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Segundo os dados da Relação Anual de Informações
Sociais (RAIS), observamos que o emprego nas
indústrias de bens de capital concentra-se nos
estados de Amazonas, São Paulo, Pernambuco e na
Região Sul. O mapa que se segue ilustra a proporção
do emprego no setor sobre o total do emprego em
cada Estado. Essa composição regional é similar
desde 1996, ainda que algum ganho de importância
em Pernambuco e na Região Centro-Oeste possa ser
observado. Uma distribuição semelhante é obtida
considerando-se o valor do produto (dados da
Pesquisa Industrial – Produto do IBGE).
Macro Setorial – sexta-feira, 19 de junho de 2015
Conclusão
O setor de bens de capital enfrenta uma situação de
baixa demanda interna e externa. No que tange à
demanda interna, a confiança em queda dos
empresários tende a postergar os investimentos em
capacidade produtiva. A demanda externa continua
em nível baixo, mas a depreciação cambial abre
espaço para a retomada das exportações.
Acima de 3,0%
1,0% a 3,0%
0,3% a 1,0%
0,1% a 0,3%
Até
0,1%
Rodrigo Miyamoto
Pesquisa Macroeconômica do Itaú
Ilan Goldfajn – Economista-chefe
Para acessar nossas publicações e projeções visite nosso site:
http://www.itau.com.br/itaubba-pt/analises-economicas/publicacoes/
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Informações Relevantes
1.
2.
3.
4.
Este relatório foi preparado e publicado pelo Departamento de Pesquisa Macroeconômica do Banco Itaú Unibanco S.A. (“Itaú Unibanco”). Este relatório não é um produto do Departamento de
Análise de Ações do Itaú Unibanco ou da Itaú Corretora de Valores S.A. e não deve ser considerado um relatório de análise para os fins do artigo 1º da Instrução CVM n.º 483, de 6 de Julho de
2010.
Este relatório tem como objetivo único fornecer informações macroêconomicas, e não constitui e nem deve ser interpretado como sendo uma oferta de compra ou venda ou como uma solicitação de
uma oferta de compra ou venda de qualquer instrumento financeiro, ou de participação em uma determinada estratégia de negócios em qualquer jurisdição. As informações contidas neste relatório
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seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações. Este relatório também não tem a intenção de ser uma relação completa ou resumida dos
mercados ou desdobramentos nele abordados. As opiniões, estimativas e projeções expressas neste relatório refletem a opinião atual do analista responsável pelo conteúdo deste relatório na data
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entre em contato com o seu gerente de relacionamento. Para mais informações acesse: www.itaubba.co.uk; (ii) EUA: A Itaú BBA USA Securities Inc., uma empresa membro da
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desejar reavaliar a solução apresentada, após a utilização destes canais, ligue para a Ouvidoria Corporativa Itaú, telefone nº. 0800 570 0011 (em dias úteis das 9h00 às 18h00), ou
entre em contato por meio da Caixa Postal 67.600, São Paulo-SP, CEP 03162-971.
* Custo de uma Chamada Local
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