UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO FACULDADE DE CIÊNCIAS DA ADMINISTRAÇÃO DE PERNAMBUCO MESTRADO EM GESTÃO DO DESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVEL IZABELE SOUSA BARROS PROPOSTA DO CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM GESTÃO DOS NEGÓCIOS DA MODA: POR UMA CADEIA SUSTENTÁVEL DE TÊXTEIS E CONFECÇÕES DE PERNAMBUCO RECIFE 2013 UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO FACULDADE DE CIÊNCIAS DA ADMINISTRAÇÃO DE PERNAMBUCO MESTRADO EM GESTÃO DO DESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVEL IZABELE SOUSA BARROS PROPOSTA DO CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM GESTÃO DOS NEGÓCIOS DA MODA: POR UMA CADEIA SUSTENTÁVEL DE TÊXTEIS E CONFECÇÕES DE PERNAMBUCO Dissertação apresentada à banca examinadora do Mestrado Profissional em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável (GDLS) da Faculdade de Ciências da Administração (FCAP) da Universidade de Pernambuco (UPE) como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável. Orientador: Prof. Dr. Fabio José de Araújo Pedrosa RECIFE 2013 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Universidade de Pernambuco - UPE Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco – FCAP Biblioteca Leucio Lemos B277p Barros, Izabele Sousa. Proposta do curso superior de tecnologia em gestão dos negócios da moda : por uma cadeia sustentável de têxteis e confecções em Pernambuco / Izabele Sousa Barros. – Recife, 2013. 241 f.: il. ; graf. , tab. Orientador: Fábio José de Araújo Pedrosa. Dissertação (Mestrado) - Universidade de Pernambuco, Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco, Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável, Recife, 2013. 1. Educação superior – Universidade de Pernambuco. 2. Ensino superior – Moda. 3. Moda - Sustentabilidade. 4. Projeto pedagógico – Ensino superior. 5. Moda – Indústria têxtil Pernambuco. I. Pedrosa, Fábio José de Araújo. II. Título. 378:502.131.1 CDU (2007) Emanuella Bezerra - CRB-4/1389 378.981 CDD FCAP-UPE 5-2013 IZABELE SOUSA BARROS PROPOSTA DO CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM GESTÃO DOS NEGÓCIOS DA MODA: POR UMA CADEIA SUSTENTÁVEL DE TÊXTEIS E CONFECÇÕES DE PERNAMBUCO Dissertação apresentada, em 27 de fevereiro de 2013, à banca examinadora do Mestrado Profissional em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável (GDLS) da Faculdade de Ciências da Administração (FCAP) da Universidade de Pernambuco (UPE) como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável. Banca examinadora: ___________________________________________________________________________ Prof.ª Dr.ª Maria Alice Vasconcelos Rocha Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) ___________________________________________________________________________ Prof.ª Dr.ª Maria Auxiliadora Diniz de Sá Faculdade Boa Viagem (FBV) ___________________________________________________________________________ Prof. Dr. José Luiz Alves Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco (FCAP/UPE) RECIFE 2013 Aos amores da minha vida: minha mãe, meu marido e filhos. AGRADECIMENTOS Primeiramente, a Deus, por iluminar e conduzir minhas ações, pensamentos e palavras todos os dias. À minha mãe, que sempre me deu muito amor e lutou para me dar o melhor. Ao grande amor da minha vida, Júnior, que sempre me ajudou a crescer na vida como pessoa, esposa, mãe e profissional, e que neste período de estudo teve muita compreensão e paciência! Ao meu pequeno grande filho, Pedro Nolasco, amoroso e dengoso. À minha filha, Maria Clara Nolasco, raio de luz que me ilumina e que perguntou mais de um milhão de vezes: “Acabou o seu trabalho?????????” Ao Professor Fábio Pedrosa, que me encanta com sua postura amigável e companheira, sempre me apoiando com gentileza, calma e sabedoria. Ao coordenador do Mestrado, Professor Ivo, pela sua sabedoria e inspiração e ao vicecoordenador do Mestrado, Prof. Gilson, pela organização e dedicação. Ao corpo docente do Mestrado, professores Andrea, Múcio, Auxiliadora, Fátima, Ivo, José Maria, Luís Marcio e Cristina, e à equipe da Secretaria do Mestrado: Celia, Lidiane e Angélica. À amiga e professora Jesus Pop, que sempre foi minha mestra. Às queridas professoras Araguaci e Walquiria Guedes, e aos meus colegas de Estilismo e Moda da UFC, minha graduação. À doce e querida Professora Maria Alice, que desde os tempos de estudante universitária me inspirou e que quando a conheci me incentivou, inspirou e gentilmente se dispôs a participar da minha banca de qualificação e de defesa desta dissertação. À afetuosa e amável Professora Maria Auxiliadora, que sempre me apoiou e acreditou em mim e também gentilmente se dispôs a participar da minha banca de qualificação e de defesa desta dissertação. À Professora Cristina Almeida, que prontamente se dispôs a participar da minha banca de qualificação. Ao Professor Zé Luiz Alves, que gentilmente se dispôs a participar da minha banca de qualificação e de defesa desta dissertação. A todos os colegas de Mestrado da Turma 5: Eberson, Suiane, Eugenio, Aldarosa, Andrea, Ana, Alexsandro e Paloma. A minha colega de profissão e amiga, Ana Peroba, por toda força e exemplo de lutadora que é. A Jeane Andrea e Maria por toda energia positiva emanada para mim. Aos meus alunos da UPE e aos bolsistas de extensão da Modateca UPE. Aos coordenadores das IES pela ajuda para esta pesquisa. A Verônica Ribeiro, do Projeto Marco da Moda/Secretária de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco, ao acreditar na proposta técnica a que desta dissertação. Enfim, agradeço a todos que direta ou indiretamente me incentivaram e foram minhas fontes de inspiração! Se são ideias instrumentos que movem as coisas, são os elaboradores de ideias os novos que nada sabem fazer senão pensar que fornecem os mais poderosos instrumentos para que o mundo seja feito, refeito ou transformado. Não há soluções senão quando houver problemas. Para formulá-los é necessário o pensamento. E é o pensamento que forja as opiniões e elabora os valores que comandam a ação daqueles que encontram as soluções ou tomam as decisões. Hilton Japiassu (1977) RESUMO O fortalecimento dos Cursos Superiores de Ensino voltados ao enfrentamento dos problemas relativos ao meio ambiente, sociedade e economia, por meio de propostas educacionais, é indispensável para a promoção do desenvolvimento sustentável, uma vez que o uso destas ferramentas acarreta melhores resultados no crescimento sustentável das sociedades. Esta dissertação, desenvolvida dentro da linha de pesquisa Formação de Pessoas para o Desenvolvimento Local Sustentável, do Mestrado em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável da Universidade de Pernambuco, elaborada em formato de projeto técnico, objetivou apresentar a proposta do Curso Superior de Tecnologia em Gestão dos Negócios da Moda a ser oferecido na Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco (FCAP) da Universidade de Pernambuco (UPE). Este curso proposto, por sua vez, tem em seu princípio uma abordagem voltada para a sustentabilidade. A pesquisa realizada, pautada por uma abordagem qualitativa, compreendeu um estudo bibliográfico acerca das seguintes temáticas centrais: moda e desenvolvimento sustentável, com intuito de consolidar um marco teórico para clarificar, melhor compreender os conceitos utilizados e para subsidiar a análise dos dados coletados com a efetivação da etapa empírica. Foi procedido um estudo de múltiplos casos, realizado nos meses de novembro e dezembro de 2012, em três Instituições de Ensino Superior que ofertam cursos ligados à área de moda no Estado de Pernambuco. Na investigação buscou-se verificar se a abordagem da sustentabilidade aparece no escopo do curso, nos eixos de pesquisa, ensino e extensão, além de investigar o nível de percepção e o conhecimento nos discentes acerca dos ensinamentos sobre sustentabilidade na moda como conceito, produção e consumo. Esses dados foram tratados a partir da análise de conteúdo das respostas, constatando-se que existe uma necessidade de trabalhar as questões socioambientais ligadas à cadeia produtiva da moda nos eixos do ensino, da pesquisa e da extensão no ambiente acadêmico de moda. Também se constatou que há uma fragmentação sobre o entendimento do conceito de moda sustentável, sendo que a análise dos resultados serviu de suporte para a elaboração da proposta do Curso Superior de Tecnologia em Gestão dos Negócios da Moda. Ao final do estudo é apresentada a proposta que foi elaborada em consonância tanto com a visão quanto com a missão da UPE e com as propostas pelo Plano Estratégico da Cadeia Têxtil e de Confecções de Pernambuco. O curso pretende qualificar gestores de negócios da moda visando cooperar com o crescimento sustentável da cadeia produtiva de moda, uma vez que a UPE se propõe a construir conhecimentos que visem a sustentabilidade e o desenvolvimento do Estado. Palavras chaves: Projeto Pedagógico, Moda, Sustentabilidade. ABSTRACT The strengthening of the Colleges of Education aimed at addressing the problems relating to the environment, society and economy through educational proposals is indispensable for the promotion of sustainable development since the use of these tools leads to better results in the growth of sustainable societies. This thesis, developed within the research line Training People for Sustainable Local Development of the Master in Management of Sustainable Local Development, University of Pernambuco, established format technical project aimed to present the Course of Technology in Business Management from Fashion being offered at the Faculty of Administrative Sciences of Pernambuco (FCAP) of University of Pernambuco (UPE). This proposed course, in turn, has in principle an approach focused on sustainability. The survey, based on a qualitative approach, realized a bibliographic study on the following central themes: fashion and sustainable development, aiming to consolidate a theoretical framework to clarify, better understand the concepts and used to help analyze the data collected with the consummation of the empirical stage. It was preceded a study of multiple cases, conducted in November and December 2012 at three higher education institutions that offer courses related to the field of fashion in the State of Pernambuco. In the investigation we sought to determine whether the approach of sustainability appears in the scope of the course, the axes of research, teaching and extension, and to investigate the level of awareness and knowledge in teaching students about sustainability in fashion as a concept, production and consumption . These data were processed from the content analysis of the responses, noting that there is a need to work on environmental issues related to supply chain axes in fashion education, research and extension in the academic fashion. It was also observed that there is a fragmentation on the understanding of the concept of sustainable fashion, and the analysis of results would support the drafting of the proposed Degree in Technology Management Business of Fashion. At the end of the study is submitted that this proposal has been prepared in line with the vision and mission of UPE and the proposals by the Strategic Plan of Textiles and Clothing Chain of Pernambuco. The course aims to qualify the fashion business managers seeking to cooperate with the sustainable growth of the productive chain of fashion since UPE aims to build knowledge aimed at sustainability and development of the State. Keywords: Educational Project, Fashion, Sustainability. LISTA DE QUADROS Quadro 1: O Mapa da Estratégia .............................................................................................. 28 Quadro 2: Objetivo Estratégico I .............................................................................................. 28 Quadro 3: Ações Propostas pelo Plano para Atender Metas do Objetivo Estratégico I ........... 29 Quadro 4: Quadro comparativo dos sistemas do vestuário e da moda ..................................... 43 Quadro 5: Levantamento de cursos ligados à área de moda no Brasil- 1987 a 2006 ............... 55 Quadro 6: Margem de erro em pesquisas de campo ................................................................. 62 Quadro 7: Tamanho de Amostras em Pesquisas de Campo ..................................................... 63 Quadro 8: Análise de Material Escrito/Questão 01 .................................................................. 66 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Mapa de abrangência do Polo de Confecções do Agreste (PCA) ............................. 26 Figura 2: Indumentária Egípcia da Realeza .............................................................................. 40 Figura 3: Vestido da Realeza Renascentista ............................................................................. 41 Figura 4: O Ciclo de Vida do Produto de Moda e seus Consumidores .................................... 45 Figura 5: Cronograma e metodologia do processo industrial do Sistema de Moda ................. 47 Figura 6: Fluxo da Cadeia Produtiva da Moda ......................................................................... 50 Figura 7: Raio X do Setor Têxtil .............................................................................................. 51 Figura 8: Resíduos têxteis ........................................................................................................ 52 Figura 9: Painel do ciclo de poluição dos resíduos das indústrias de confecção...................... 53 Figura 10: Fluxograma das Etapas da APB .............................................................................. 97 Figura 11: Diagrama da Pedagogia baseado em Morin............................................................ 98 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Percepção sobre a indústria têxtil quanto à sustentabilidade: comparação por IES – Questão 15 ................................................................................................................................ 68 Gráfico 2: Percepção sobre a indústria têxtil quanto à sustentabilidade: visão geral dos discentes ................................................................................................................................... 69 Gráfico 3: Contribuição pessoal com relação a práticas sustentáveis na cadeia produtiva de moda: comparação por IES /Questão 16 .................................................................................. 70 Gráfico 4: Contribuição pessoal com relação a práticas sustentáveis: visão geral dos discentes .................................................................................................................................................. 70 Gráfico 5: Postura coletiva sobre agir de forma sustentável: comparação por IES /Questão 2 71 Gráfico 6: Postura coletiva sobre agir de forma sustentável: visão geral dos discentes .......... 71 Gráfico 7: Percepção sobre ser consumidor consciente: comparação por IES /Questão 03 .... 72 Gráfico 8: Percepção sobre ser consumidor consciente: visão geral dos discentes.................. 72 Gráfico 9: Possui item do vestuário com valor sustentável: comparação por IES / Questão 04 .................................................................................................................................................. 73 Gráfico 10: Possui item do vestuário com valor sustentável: visão geral dos discentes .......... 73 Gráfico 11: Preferência por compra de produtos com valor sustentável: comparação por IES /Questão 05 ............................................................................................................................... 74 Gráfico 12: Preferência por compra de produtos com valor sustentável: visão geral dos discentes ................................................................................................................................... 74 Gráfico 13: Existência de público consumidor no mercado de moda de produtos do vestuário com valor sustentável: comparação por IES / Questão 06 ....................................................... 75 Gráfico 14: Existência de público consumidor no mercado de moda de produtos do vestuário com valor sustentável ............................................................................................................... 76 Gráfico 15: Importância pessoal de estudar relações entre moda e sustentabilidade no curso que estuda: comparação por IES / Questão 07 ......................................................................... 77 Gráfico 16: Importância pessoal de estudar relações entre moda e sustentabilidade no curso que estuda: visão geral dos discentes ....................................................................................... 77 Gráfico 17: Oferta de disciplina de Moda Sustentável/Ecodesign no curso que estuda: comparação por IES / Questão 08 ............................................................................................ 78 Gráfico 18: Priorização de trabalhos acadêmicos que realizam práticas sustentáveis no curso que estuda: comparação por IES / Questão 09 ......................................................................... 79 Gráfico 19: Existência no curso de projetos de extensão na área de moda e sustentabilidade: comparação por IES / Questão 10 ............................................................................................ 79 Gráfico 20: Existência no curso de projetos de pesquisa na área de moda e sustentabilidade: comparação por IES / Questão 11 ............................................................................................ 80 Gráfico 21: Percepção de desenvolvimento do conhecimento acadêmico na área de sustentabilidade: comparação por IES / Questão 12 ................................................................ 81 Gráfico 22: Possibilidade de colocar em prática o conhecimento teórico sobre sustentabilidade adquirido no curso em que estuda: comparação por IES /Questão 13 ..................................... 81 Gráfico 23: Possibilidade de colocar em prática o conhecimento teórico sobre sustentabilidade adquirido no curso em que estuda: visão geral dos discentes .................................................. 82 Gráfico 24: Fonte de informação sobre moda sustentável: comparação por IES /Questão 14 83 Gráfico 25: Fonte de Informação sobre moda sustentável: visão geral dos discentes ............. 83 RELAÇÃO DE SIGLAS ABIT – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção ABP – Aprendizagem Baseada em Problemas ABRAVEST – Associação Brasileira do Vestuário ABP – Aprendizagem Baseada em Problemas APL – Arranjo Produtivo Local CAPES- Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CEE/PE – Conselho Estadual de Educação de Pernambuco CES – Câmara de Educação Superior CNE – Conselho Nacional de Educação CSTs – Cursos Superiores de Tecnologia DS – Desenvolvimento Sustentável FADE – Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Universidade Federal de Pernambuco FADIRE – Faculdade de Desenvolvimento e Integração Regional FBV – Faculdade Boa Viagem FCAP – Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco GDLS – Gestão em Desenvolvimento Local Sustentável IES – Instituições de Ensino Superior ISO – International Organization for Standardization LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira MEC – Ministério da Educação NDE – Núcleo Docente Estruturante ONU – Organização das Nações Unidas PCA – Polo de Confecções do Agreste PEX – Projeto Experimental PP – Projeto Pedagógico PROGRAD – Pró-Reitoria de Graduação PRONEA – Programa Nacional de Educação Ambiental RMR – Região Metropolitana do Recife SDEC – Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial UFC – Universidade Federal do Ceará UFPE – Universidade Federal de Pernambuco UFRPE – Universidade Federal Rural de Pernambuco UICN – International Union for Conservation of Nature UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau UPE – Universidade de Pernambuco T&C – Cadeia Têxtil e de Confecções SUMÁRIO APRESENTAÇÃO................................................................................................................... 18 1. EMBASAMENTO JURÍDICO ........................................................................................ 22 1.1. Legislações que Regem os Cursos Superiores de Tecnologia ...................................... 22 2. NECESSIDADE E JUSTIFICATIVA DO CURSO ........................................................ 23 3. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL ..................................................................... 33 3.1. 4. Educação Ambiental ..................................................................................................... 37 MODA: ALGUMAS DEFINIÇÕES E REFLEXÕES PERTINENTES ......................... 40 4.1. O Sistema de moda: da simbologia ao consumo .......................................................... 42 4.2. Sistema produtivo do vestuário: da difusão à produção ............................................... 45 4.3. A moda no caminho da sustentabilidade ...................................................................... 51 4.4. O Estudo Acadêmico no Campo do Saber Moda ......................................................... 54 5. METODOLOGIA ............................................................................................................. 58 5.1. Delineamento e estratégia da pesquisa ......................................................................... 58 5.2. Objetivo geral ............................................................................................................... 59 5.3. Objetivos específicos .................................................................................................... 59 5.4. Lócus da pesquisa ......................................................................................................... 59 5.5. Coleta de dados ............................................................................................................. 60 6. ANÁLISE DOS DADOS E DISCUSSÃO ....................................................................... 64 6.1. Técnicas de análise de dados ........................................................................................ 64 6.2. Operacionalização da Pesquisa ..................................................................................... 64 6.3. Discussão ...................................................................................................................... 65 7. PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM GESTÃO EM NEGÓCIOS DA MODA ................................................................................................... 84 7.1. Concepções do curso .................................................................................................... 84 7.2. Finalidade do Curso ...................................................................................................... 84 7.3. Objetivo Geral do Curso ............................................................................................... 84 7.4. Objetivos Específicos do Curso.................................................................................... 85 7.5. Perfil profissional do egresso ....................................................................................... 85 7.5.1. Competências e habilidades gerais ........................................................................... 86 7.5.2. Competências e habilidades específicas ................................................................... 87 7.6. Público-alvo .................................................................................................................. 88 7.7. Regime escolar ............................................................................................................. 88 7.7.1. Denominação do curso ............................................................................................. 88 7.7.2. Local e funcionamento do curso ............................................................................... 88 7.7.3. Número de vagas ...................................................................................................... 88 7.7.4. Infra-estrutura disponível ......................................................................................... 89 7.7.5. Turno de funcionamento ........................................................................................... 89 7.7.6. Forma de ingresso ..................................................................................................... 89 7.7.7. Sistema de matrícula ................................................................................................. 89 7.7.8. Critérios de avaliação das disciplinas ....................................................................... 90 7.7.9. Critérios de avaliação do curso ................................................................................. 90 7.7.10. Tempo de integralização curricular .......................................................................... 90 7.7.11. Diplomas de conclusão ............................................................................................. 91 7.7.12. Aproveitamento de disciplinas ................................................................................. 91 7.8. Princípios norteadores do Projeto Pedagógico ............................................................. 91 7.9. Concepção do Projeto Pedagógico ............................................................................... 93 7.10. Corpo docente da malha curricular do curso .......................................................... 100 7.10.1. 1º Semestre ............................................................................................................. 100 7.10.2. 2º Semestre ............................................................................................................. 101 7.10.3. 3º Semestre ............................................................................................................. 102 7.10.4. 4º Semestre ............................................................................................................. 103 7.10.5. 5º Semestre ............................................................................................................. 104 7.11. Formato das práticas ............................................................................................... 105 7.11.1. Estruturas do estágio curricular supervisionado e equivalência de estágio ............ 106 7.11.1.1. Estrutura do plano de estágio obrigatório ........................................................... 106 7.11.1.2. Estrutura do relatório estágio obrigatório ........................................................... 107 7.11.2. Estrutura do relatório de equivalência de estágio obrigatório ................................ 109 7.12. Malha Curricular..................................................................................................... 110 7.13. Ementas – Malha curricular.................................................................................... 112 7.13.1. Ementas do 1º período ............................................................................................ 112 7.13.2. Ementas do 2º período ............................................................................................ 117 7.13.3. Ementas do 3º período ............................................................................................ 122 7.13.4. Ementas do 4º período ............................................................................................ 128 7.13.5. Ementas do 5º Período ............................................................................................ 134 8. CONCLUSÃO ................................................................................................................ 140 9. REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 143 APÊNDICE A – Instrumento de coleta de dados ................................................................... 149 ANEXO A – Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Diretrizes e Bases da Educação Nacional) ................................................................................................................................ 152 ANEXO B – Parecer CNE/CES 436/2001 (Cursos Superiores de Tecnologia – Formação de Tecnólogos) ............................................................................................................................ 189 ANEXO C – Resolução CNE/CP 3, de 18 de dezembro de 2002 (Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a organização e o funcionamento dos cursos superiores de tecnologia) ................................................................................................................................................ 210 ANEXO D – Portaria Nº 10, de 28 de julho de 2006 (Catálogo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia) ...................................................................................................... 214 ANEXO E – Parecer CNE/CES Nº: 277/2006 (Nova forma de organização da Educação Profissional e Tecnológica de graduação) .............................................................................. 224 ANEXO F – Resolução CEE/PE Nº 1, de 27 de dezembro de 2005 (Educação Profissional no âmbito do Sistema de Ensino do Estado de Pernambuco)...................................................... 234 18 APRESENTAÇÃO A Universidade de Pernambuco oferece, atendendo às necessidades da sociedade e por meio da Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco (FCAP), o Curso Superior de Tecnologia em Gestão dos Negócios da Moda. Dessa forma, a UPE assume seu caráter comunitário ao ofertar esse tipo de curso, caracterizando-se como uma instituição pública prestadora de serviços que aborda a realidade em suas múltiplas dimensões, transformando-se em meio potencializador e transformador da pessoa humana. O Mestrado em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável (GDLS) é um mestrado profissional e, segundo a CAPES (2012), o “Mestrado Profissional” é a designação do curso stricto sensu que enfatiza estudos e técnicas diretamente voltadas ao desempenho de um alto nível de qualificação profissional voltado para o mercado de trabalho. O aluno deve apresentar dissertação em forma de projeto ou estudo de caso para obtenção da titulação (UFC, 2012). Por sua vez, essa dissertação, realizada em forma de projeto técnico e apresentada como trabalho de conclusão do Mestrado em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável, foi realizada em conformidade com o artigo 26 do regimento dos cursos stricto sensu da UPE, que prevê para os mestrados profissionais variados formatos das dissertações, de acordo com o item III do Regimento Geral, parágrafo 3 do art. 7 da Portaria 17, de 28 de dezembro de 2009, do Ministério da Educação, com os formatos abaixo listados: Revisão sistemática e aprofundada da literatura; Patente de registro de propriedades intelectual; Projetos técnicos; Publicações tecnológicas; Desenvolvimento de aplicativos, de materiais didáticos e instrucionais, e de produtos, processos, técnicas; Produções de programa e mídias, editoria; Composições, concertos; Relatórios finais de pesquisa; Softwares; Estudos de caso; Relatório técnico com regras de sigilo; Manual de operação técnica; 19 Protocolo instrumental ou de aplicação em serviço; Proposta de intervenção, em procedimentos clínicos ou serviço pertinente; Projeto de aplicação ou adequação tecnológica; Protótipo para desenvolvimento ou produção de instrumentos, equipamentos e kits; Projetos artísticos. Neste sentido, o projeto do Curso Superior de Tecnologia em Gestão dos Negócios da Moda apresenta na sua proposta pedagógica uma ênfase em sustentabilidade, sendo o profissional formado capaz de atuar desenvolvendo e implementando projetos em negócios de moda e confecção, como a gestão de marcas de moda, o planejamento e a execução dos projetos dos produtos e dos serviços de moda, sempre com a abordagem da sustentabilidade. Terá também competência para investir em empreendimentos próprios, tornando-se imprescindível ao desenvolvimento regional e social na qual a linha condutora da proposta pedagógica conduzirá a uma pró-atividade e uma postura que leve em consideração os pressupostos do desenvolvimento local sustentável. Desde 2011 a UPE vem ampliando sua oferta de cursos superiores de graduação, chegando em 2012 a ofertar 52 cursos de Bacharelado. Nesta perspectiva, destaca-se a oferta de novos cursos no formato de Cursos Superiores de Tecnologia (CSTs), que visam atender às demandas de profissionais do mercado num tempo menor que os bacharelados. A partir de 2013 os CSTs serão ofertados no vestibular desta IES, daí a necessidade da proposição de novos projetos nesta modalidade que visem atender a uma demanda institucional da UPE. Os cursos de tecnologia são autorizados pelo Ministério da Educação (MEC) e, assim como os bacharelados e licenciaturas, conferem diplomas de graduação, possibilitando a continuidade dos estudos em especialização (lato sensu) e pós-graduação (stricto sensu), conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Art. 44, inciso III. Assim, vale salientar que o discente, depois de formado, se desejar, poderá concorrer a uma vaga no curso de Mestrado em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável, que também é oferecido na unidade de ensino FCAP, para aprofundar os estudos e desenvolver pesquisas. 20 Neste projeto, os fundamentos metodológicos adotados, a exemplo da Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) e a Problematização, foram escolhidos visando estimular a participação do aluno de maneira a fazê-lo protagonista da aprendizagem em consonância com os novos paradigmas educacionais. A associação de teoria e prática, uma das exigências de um mercado de trabalho extremamente competitivo em razão da internacionalização das economias e globalização dos mercados, mereceu especial atenção. A importância deste trabalho acadêmico aqui apresentado se dá pelo seu caráter contemporâneo, pois valoriza a interação homem-natureza, levando em consideração um tipo de desenvolvimento econômico que considera o equilíbrio entre os pressupostos ambientais, econômicos e sociais que compõem o tripé da sustentabilidade e que poderá fazer com que a educação superior na área de moda a torne um canal difusor destes pressupostos. Atualmente, a necessidade de profissionais competentes formados em Negócios da Moda é prioridade no desenvolvimento econômico e sustentável do Estado de Pernambuco. Esses profissionais que serão formados poderão atuar nos mais variados setores da atividade econômica da cadeia têxtil e de confecções (T&C), em empresas de portes diferenciados, bem como planejar, operar, implementar e atualizar os sistemas e processos de gestão dos negócios da moda, desenvolvendo de forma sustentável essa cadeia. A velocidade da instalação das novas tecnologias que vem ocorrendo no Estado exige novas estratégias para atualização, inovação e criação nos ambientes internos às empresas e na sociedade em geral. “Pernambuco está no ápice de um ciclo econômico”, afirma o governador Eduardo Campos no documento intitulado Plano Estratégico de Competitividade da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco 2009-2013, material resultante do grupo de trabalho do Fórum Estratégico de Competitividade da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco, que propôs um planejamento estratégico de competitividade para os setores envolvidos (PERNAMBUCO, 2009). Neste projeto técnico, a proposta pedagógica a ser apresentada no escopo desta dissertação utilizou do método da pesquisa baseado em estudos de múltiplos casos em três cursos superiores ligados à área de moda no Estado de Pernambuco: uma IES pública estadual (com o Curso de Bacharelado de Administração com ênfase em Marketing de Moda), uma IES pública federal (com o Curso de Bacharelado de Design) e uma IES particular (com o Curso Superior de Tecnologia em Design de Moda). Foi verificado o projeto pedagógico destes cursos como também foi pesquisada a percepção do discente, buscando entender como a sustentabilidade é percebida na aprendizagem das competências técnicas e como nessas instituições a abordagem da sustentabilidade vem sendo aplicada nos cursos ligados à moda, 21 já que essa competência é necessária para se preparar um profissional adequado à nova realidade sustentável que vem se desenhando no mercado da moda. Para a fundamentação teórica, fez-se uma revisão da literatura com assuntos relacionados ao desenvolvimento sustentável e à moda, que também serviu de suporte ao projeto apresentado no Capítulo 7. Ao longo do escopo deste estudo apresentar-se-á a proposta do Curso Superior de Tecnologia em Gestão dos Negócios da Moda, abrindo para o Estado a perspectiva de aprimoramento acadêmico e profissional, levando em conta as competências e as habilidades requeridas pelo mercado, em perfeita aderência com as diretrizes acadêmicas e as exigências do ambiente no qual será instalado – de que a preparação profissional não pode se limitar à preparação técnica e científica para o exercício da profissão, mas ir além, cuidando da formação humanística do aluno, de maneira que se forme consciente dos deveres e dos direitos decorrentes da sua cidadania e do compromisso social dela derivado, fazendo-o perceber a importância de usar as competências adquiridas em benefício do bem-estar coletivo e do desenvolvimento sustentável da sociedade. A primeira etapa deste trabalho é constituída por esta introdução, seguida pelo Capítulo 1, que apresenta o embasamento jurídico e as legislações que regem os cursos superiores e do Capítulo 2, que exibe a necessidade e justificativa do curso. Enquanto os Capítulos 3 e 4 tratam do embasamento teórico, o Capítulo 5 se refere à metodologia aplicada à pesquisa. No Capítulo 6 é feita a análise dos dados e a discussão. No Capítulo 7 é apresentada a proposta do Projeto Pedagógico do curso e finalmente, no Capítulo 8, temos a conclusão. 22 1. EMBASAMENTO JURÍDICO Os projetos pedagógicos dos cursos das Instituições de Ensino Superior (IES) em seu embasamento jurídico utilizam as leis de base dos fundamentos legais. Aqui citamos as leis que deram suporte ao projeto pedagógico a ser apresentado, observando-se a legislação vigente. 1.1. Legislações que Regem os Cursos Superiores de Tecnologia 1) Lei Federal, nº 9.394/96 (LDB), Art. 44º, Inciso I (Anexo A) 2) Parecer CES/CNE, nº 436, de 02/04/01 (Anexo B) 3) Resolução CNE, nº 03, de 18/12/02 (Anexo C) 4) Portaria MEC nº 10, de 28/07/06 – Catálogo de Cursos Superiores de Tecnologia (Anexo D) 5) Parecer CES/CNE 277, de 07/12/06 (Anexo E) 6) Resolução CEE/PE nº 01, de 27/12/05 – Art. 2º, Inciso III (Anexo F) 23 2. NECESSIDADE E JUSTIFICATIVA DO CURSO Na indústria de moda é importante que tudo seja cuidadosamente planejado. Neste sentido, evidencia-se a crescente necessidade das organizações do setor de moda de profissionalização visando aumentar a competitividade do setor. Desde os anos 2000 o governo brasileiro tem desenvolvido várias ações institucionais através de políticas públicas envolvendo diversos ministérios do governo, existindo também um crescimento exponencial de cursos superiores que visam contribuir para a qualificação da mão de obra para a cadeia de T&C do país. As tendências são o denominador comum em todo o mundo dos negócios de moda. Elas são o alicerce central do sistema de moda que se torna a cada dia mais complexo. “O trinômio tecnologia, moda e tendência é o principal eixo de sustentação da área e o ingresso na profissão pressupõe muito estudo para o desenvolvimento do domínio técnico e da capacidade criativa” (FEGHALI, 2001, p. 6). Logo, o mercado ligado à moda vestuário é caracterizado por mudanças cada vez mais rápidas e frequentes; pela diminuição do ciclo de vida dos produtos e pela intensa concorrência resultante da globalização, do avanço tecnológico, das desregulamentações de mercado e da busca de melhorias contínuas de formas de inovação. As empresas do setor, que continuam alcançando suas metas mesmo em tempos de recessão, são quase sempre aquelas que têm as ferramentas necessárias para planejar e oferecer um produto diferenciado e que seja atrativo aos olhos de um consumidor cada vez mais informado e exigente, já que mercado de moda caminha para um momento de implementação de um conjunto de ações norteadas pela sustentabilidade. Diante do exposto, relacionar as áreas de moda e a sustentabilidade parece, num primeiro momento, uma dicotomia: de um lado o produto de moda, efêmero, símbolo do consumismo, e do outro lado o desenvolvimento sustentável, que dissemina a ideia do consumo consciente e de cadeias produtivas menos impactantes. A preocupação com o meio social e ambiental no processo de desenvolvimento de produtos já faz parte do universo da moda enquanto produção: as indústrias têxteis e do vestuário sempre estiveram entre as indústrias que emitem uma alta carga de resíduos ambientais e que promovem também impactos sociais. As sobras de tecidos provenientes das atividades de corte, as águas residuais procedentes das atividades de lavagem e “estonagem” de tecidos e os resíduos dos processos químicos se constituem em agentes impactantes ao meio ambiente. Com relação à mão de obra, observa-se a existência de práticas da escravidão moderna: emigrantes trabalhando em porões, condições de segurança e trabalho altamente comprometidos, utilização de mão de 24 obra infantil e leis trabalhistas não cumpridas (BERLIM, 2012, p. 29). Já em relação ao consumo, a moda se afasta tangencialmente dos conceitos sustentáveis. Diante da perspectiva do surgimento de um planeta mais harmonioso, construído por meio dos conceitos de desenvolvimento sustentável, o sistema produtivo do vestuário moda vem buscando progressivamente uma adequação do seu sistema produtivo, comercial e conceitual ao desenvolver produtos sustentáveis para o vestuário das sociedades. Para Edwards (2005, p. 32), a educação é a primeira ferramenta de formação da consciência ambiental, a ser reforçada posteriormente pela formação e pela experiência profissional para promover o desenvolvimento sustentável: a conexão entre ideias, conceitos, abordagens e valores, no âmbito da educação para o desenvolvimento sustentável, gera uma aprendizagem que costuma estar baseada na concretização de projetos. Ainda segundo o mesmo autor, a educação, a legislação, a tributação, a eficiência da prática profissional e de benefícios empresariais são os principais fatores para se alcançar o desenvolvimento sustentável. No cenário dos cursos superiores de moda, o desafio para a academia é então estabelecer o conceito de sustentabilidade em seus currículos, tendo em vista a formação de profissionais mais conscientes para o novo cenário que vem se desenhando. A indústria do vestuário experimentou uma inovação: do modo de produção manual passou gradativamente para a confecção industrializada. Hoje o Brasil ocupa 21° no ranking internacional dos maiores exportadores de produtos têxteis, especialmente para América do Norte e para a Comunidade Econômica Europeia (67% das vendas). Tem como principais produtos: fios, tecidos e artigos em algodão (camisetas e tecidos felpudos). A maioria das empresas está situada nas Regiões Sudeste e Nordeste (devido aos incentivos fiscais e à mãode-obra barata). Dados da Associação Brasileira do Vestuário (ABRAVEST, 2006) confirmam que o setor T&C, ocupa o segundo lugar como empregador de mão-de-obra no país, ficando atrás somente do setor de construção civil. Os investimentos físicos dirigidos à modernização e reestruturação industriais na busca de maior eficiência produtiva, mais facilidade de exportação de artigos prontos, bem como para importação de matérias-primas e equipamentos são constantes (ABIT, 2006). 25 A pesquisa denominada “O mercado de moda no Brasil: vestuário, meias e acessórios têxteis” evidencia que o país gerou recursos de US$ 15,9 bilhões em vendas e 1,1 milhão de empregos em 2006 (PANORAMABRASIL, 2006). Este estudo ainda aponta que a moda feminina responde por 41% do mercado, enquanto o vestuário masculino representa 35 e a parcela restante corresponde à moda infantil e bebê (idem). Em 2007, a cadeia têxtil representava 6,3% da indústria de transformação nacional, somando cerca de US$ 41 bilhões em vendas (PERNAMBUCO, 2009). Voltando para a realidade da cadeia T&C de Pernambuco, existem duas regiões em destaque: a Região Metropolitana do Recife (RMR) e a Região do Agreste. Esta cadeia juntamente com a instalada no Ceará são as mais significativas do Nordeste. O jornal Diário de Pernambuco, de 28 de outubro de 2011, no caderno especial do domingo, faz um recorte do Polo de Confecções do Agreste (PCA), principal exponencial no Estado, e aponta que este conta com 13 municípios, 22 mil empreendimentos, totalizando 150 mil empregos diretos e 1 bilhão de peças produzidas por ano, com R$ 3,3 bilhões de faturamento anual. Estes dados demonstram a força econômica da cadeia T&C para o Estado. O setor de confecção, dentre as atividades de caráter industrial, é o mais difundido e, possivelmente, o mais heterogêneo, pois vai desde a produção artesanal até a produção industrial em larga escala. Grandes empresas convivem com pequenas e micros, em regime de competição ou pirataria, sendo a mercadoria comercializada desde feiras livres até em lojas especializadas. Os resultados de estudos realizados pela FADE/UFPE (2003), feitos para o SEBRAE, mostram que no PCA somente 8,1% dos empreendimentos são formais. O setor de confecções ocupa 28,7% da população acima de 10 anos de idade e utiliza 73,4 mil máquinas (costura, corte e outras). Revela também que 82,2% dos empresários consideram importante capacitar seus funcionários, mas na prática isto não se concretiza, visto que, segundo esta pesquisa, em 83,2% das empresas do PCA, nenhum dos funcionários recebeu treinamento específico. 26 Figura 1: Mapa de abrangência do Polo de Confecções do Agreste (PCA) Fonte: SEBRAE. Palestra “O desenvolvimento sustentável do PCA”. Nota de aula, 2012. Uma importante fonte de informação, que serviu de embasamento para a proposta do Curso Superior de Tecnologia em Gestão dos Negócios da Moda, foi o documento “Plano Estratégico da Cadeia de T&C em Pernambuco 2009/2013”, que por diversas vezes foi consultado e serviu como fonte de pesquisa norteadora para a elaboração deste curso de tecnólogo. Este plano mostra claramente as diretrizes e os esforços governamentais para o desenvolvimento da indústria da moda no Estado. O reconhecimento desta realidade e do papel fundamental que o poder público desempenha, não só como ator provedor de soluções, mas como um mecanismo constante de integração, levou, em abril de 2009, à criação de um grupo de trabalho denominado inicialmente de Fórum Estratégico de Competitividade da Cadeia T&C de Pernambuco. Este grupo propôs um conjunto de ações coordenadas e integradas visando nortear o desenvolvimento do Arranjo Produtivo Local de Confecções no Estado. 27 O decreto nº 33.339, de 24 de abril de 2009, instituiu e regulamentou no âmbito estadual, o Fórum Estratégico de Competitividade da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco, que teve as seguintes atribuições (PERNAMBUCO, 2009): I) Coordenar processo de planejamento estratégico participativo que oriente a proposição de políticas públicas e ações; II) Propor políticas públicas e ações voltadas ao desenvolvimento da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco; III) Identificar fontes de recursos para as ações propostas; IV) Acompanhar a implementação das políticas públicas e ações propostas; V) Elaborar o modelo conceitual e de gestão do Núcleo de Governança da Cadeia Têxtil e de Confecções. Este Fórum teve a duração de doze meses, findos os quais suas atribuições passaram a integrar a estrutura própria de governança da Cadeia Têxtil e de Confecções no Estado, que foi criada segundo o modelo conceitual e de gestão proposto: o Conselho de Desenvolvimento da Cadeia Têxtil e de Confecções que posteriormente foi chamado de Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções. A partir da integração de visões, missões e interesses, dos atores sociais deste grupo, quase sempre complementares, foi estruturada a rede de governança adequada ao monitoramento e coordenação do Plano Estratégico. O Plano Estratégico da Cadeia T&C é um documento vivo e dinâmico, que norteia uma série de ações voltadas para o APL de Confecções de PE desde 2009. A partir de uma série de reuniões, o Conselho de Desenvolvimento da Cadeia Têxtil e de Confecções gerou o mapa da estratégia, cujos objetivos estratégicos estão previstos para serem alcançados em 2013. A execução do plano prevê uma série de ações articuladas conjuntamente, descritas no Quadro 1, apontando que o Estado seja referência no cenário nacional: 28 Quadro 1: O Mapa da Estratégia VISÃO DE FUTURO Ser referência nacional em produtos de moda, pela criatividade, inovação e velocidade de atendimento aos diversos consumidores. Fatores Internos Fatores Estruturais Fatores Sistêmicos Gerar e otimizar Construir e consolidar a Prover infraestrutura conhecimentos e estratégias identidade de marca Diversificar e aumentar a Adequar política tributária Estruturar e manter integrada oferta local de insumos, estadual e de incentivos a governança equipamentos e serviços fiscais Aumentar a inserção de Aumentar a formalidade produtos nos mercados Fonte: PERNAMBUCO (2009). Dentre os objetivos do mapa da estratégia (vide Quadro 2), o primeiro numerado destaca que a lógica da intervenção está claramente relacionada à questão educacional como uma estratégia de fortalecimento da Cadeia de T&C do Estado, sendo a educação identificada como um elemento gerador de competência empresarial e técnica a que justamente se propõe o Curso Superior de Tecnologia em Gestão dos Negócios da Moda da UPE. Nos indicadores de impacto são apresentadas as consequências das ações que venham a beneficiar e impactar a cadeia produtiva local. Quadro 2: Objetivo Estratégico I Gerar e otimizar o conhecimento/competência empresarial e técnica aplicados em educação, ciência e tecnologia na Cadeia T&C no Estado Lógica da Intervenção 1. Ampliação do nível de escolaridade 2. Formação e qualificação profissional 3. Qualificação na gestão 4. Integração da academia ao setor produtivo 5. Acesso e ampliação do conjunto de informações de tecnologias e moda Indicadores de Impacto 1. Aumento do número de pessoas qualificadas 2. Aumento do preço médio do produto comercializado por segmento 3. Aumento no número de empresas de base tecnológica a serviço da cadeia. Fonte: Elaboração própria da autora baseado em Pernambuco (2009). 29 De acordo com o Quadro 2, a inserção de qualificação profissional em gestão na atividade da cadeia produtiva se desdobrará em uma melhoria nas habilidades de gestão administrativa, financeira, produtiva e comercial. Objetiva a inserção da produção científica à consolidação de uma cultura inovativa, diferenciada, de produtos e processos que vão impactar diretamente na cadeia produtiva. Através de diversas ações de formação, capacitação, pesquisa, desenvolvimento de produtos e processos, incubação de empresas e incorporação mais intensiva do conceito de moda. Quadro 3: Ações Propostas pelo Plano para Atender Metas do Objetivo Estratégico I Ação 1.1 Realizar diagnóstico do setor de confecções 1.2 Realizar diagnóstico do setor têxtil 1.3 Mapear oferta x demanda de cursos para a Cadeia T&C 1.4 Sistematizar dados e pesquisa de hábitos de consumo 1.5 Elaborar e executar plano de formação e capacitação em nível operacional, gerencial e técnico 1.6 Realizar programa de formação e capacitação em nível operacional, gerencial e técnico 1.7 Elaborar e realizar programa de ampliação do nível de escolaridade 1.8 Viabilizar a implantação de novas escolas de referência em municípios da cadeia 1.9 Realizar e apoiar consultorias de gestão, de produtos, de produção e de mercado 1.10 Implantar Centros de Referência da Moda 1.11 Conceber e realizar uma campanha de divulgação de “boas práticas de gestão” 1.12 Realizar Colóquio Nacional de Moda 1.13 Realizar um evento bienal de disseminação do conhecimento em moda em Recife 1.14 Realizar e apoiar a CONTEX para se tornar uma feira de reconhecimento nacional 1.15 Viabilizar linha de apoio próprio para pesquisa 1.16 Elaborar projeto de incubação de novos empreendimentos para a Cadeia T&C 1.17 Identificar e estimular a adequação de linhas de financiamento para agregação de conteúdo de moda 1.18 Conceber e implantar programa de modernização da indústria têxtil 1.19 Adequar o CTM do Agreste às demandas do plano estratégico da Cadeia T&C 1.20 Estimular a inserção de instituições da Cadeia em redes internacionais de conhecimento 1.21 Implantar centro de pesquisa em tecnologia têxtil Fonte: Elaboração própria da autora baseado em Pernambuco (2009). 30 Nos Quadros 2 e 3 foram identificadas e grifadas ações que estão relacionadas diretamente à contribuição da implantação do Curso Superior de Tecnologia em Gestão dos Negócios da Moda, já que a possibilidade de oferta deste curso corrobora diretamente com a ampliação do conhecimento e a qualificação profissional, bem como com a ampliação do nível de conhecimento para a cadeia de T&C de Pernambuco. O interesse de profissionalização da educação superior na busca do entendimento da área de moda no contexto educacional é, atualmente, fator que gera novos conhecimentos e que contribui para o desenvolvimento da cadeia têxtil, especificamente o setor de confecção. Sobre este crescimento Almeida (2003, p. 126) comenta: Por um lado, em especial, para as empresas que trabalham em grande escala, a produção de novos conhecimentos tem valor estratégico na confecção e comercialização de vestuário; por outro, a difusão social cada vez maior da moda intensifica o papel que as roupas têm na vida cotidiana, processo que as constitui como um recurso valioso para os estudos sobre organização, desenvolvimento e mudança de sociedades. A atualidade desses problemas para as nossas sociedades é patente. A importância econômica do setor de moda no Brasil e no mundo é hoje amplamente reconhecida, fato ainda mais relevante quando se considera a crise generalizada de crescimento em muitos países. Entre nós, os números fornecidos pelas principais associações – ABIT, ABRAVEST e outras – são sempre muito expressivos, senão impressionantes quando comparados a parâmetros internacionais. Como o processo de produção do vestuário, que ocorre ao longo dos elos da cadeia produtiva, está relacionado intimamente com as variáveis ambientais e sociais que geram altos impactos em vários elos desta cadeia, cabe também ao processo de formação voltado à moda promover uma mudança na formação de profissionais desta área (VEZZOLI, 2008). Neste sentido, a proposta de um Curso de Tecnologia em Gestão em Negócios da Moda apresenta em sua malha curricular uma ênfase na abordagem do caráter socioambiental, visando atender à necessidade de pensar o conceito de sustentabilidade na gestão dos negócios da moda. Berlim (2012, p. 72) afirma que a sustentabilidade na educação superior de moda deve expor nas disciplinas de seus programas os seguintes itens: História ambiental; estudo das manifestações de cultura em relação ao ambiente circundante na antiguidade e no processo de modernização. Relações e dicotomia entre a cultura de moda e a sociedade de consumo; identidade e expressão através do parecer e da necessidade de consumo. 31 Estudo aprofundado da sustentabilidade como macrotendência mundial e sua expressão na moda contemporânea; o termo desenvolvimento sustentável e seus conceitos fundamentais; como avaliar e monitorar e o que este tipo de desenvolvimento pode significar na indústria têxtil. Introdução à responsabilidade ambiental coorporativa; ISO26000; o custo humano da fast fashion e como entendê-lo e processá-lo segundo novos conceitos e realidade de mercado. Mercados alternativos; comércio justo; proposta ética e seus aspectos sociais. Introdução à ecologia, à biodiversidade nacional e aos recursos vegetais têxteis. Recursos usados na manufatura de fibras têxteis sintéticas e artificiais. Reciclagem, reuso, reforma e redução de materiais e recursos Gestão ambiental na indústria têxtil; conceitos de produção limpa; certificações de orgânico; a ISO 14001. Estudo do conceito de ecodesign, novos materiais, ciclo da cadeia têxtil e ciclo de vida dos produtos da indústria têxtil. Para a autora, a inserção destes assuntos nos conteúdos curriculares visa que os futuros gestores reformem as ferramentas do mercado, que são o marketing e o design, em prol de um desenvolvimento sustentável nas cadeias de T&C do país. Há muito tempo que as Instituições de Ensino Superior deixaram de ser apenas centros transmissores de conhecimento teórico para constituirem também elos de aperfeiçoamento profissional, num processo de transformação com a sociedade que as leva a receberem o aluno em consonância com as demandas do mercado. De acordo com PERNAMBUCO (2009): “...as instituições de apoio devotadas, sobretudo à qualificação profissional e gerenciar as instituições de ensino e pesquisa, também são desafiadas a acompanhar essa expansão e as necessidades prementes de melhoria de base já instalada.” Ao se apresentar neste projeto técnico a proposta de um Curso Superior de Tecnologia em Gestão em Negócios da Moda, a UPE se faz propositiva dentro de um cenário econômico e social no qual a indústria da moda do Estado necessita de profissionalização para um consequente desenvolvimento sustentável da Cadeia T&C. Portanto, de acordo com o depoimento do Governador de Pernambuco, Eduardo Campos: “...o comprometimento para o desenvolvimento deve ser de todos, com responsabilidades distribuídas por diversos atores... 32 quanto mais as empresas, os profissionais e os estudantes estiverem envolvidos na sua execução, tanto mais participação e controle social existir.” (PERNAMBUCO, 2009). Assim, a implantação desta proposta, que servirá ao propósito de enfrentar os desafios das novas demandas sociais por ensino superior através da implantação do Curso Superior de Tecnologia em Gestão dos Negócios da Moda, permitirá a futuros gestores a perspectiva de aprimoramento acadêmico e profissional, levando-se em conta competências e habilidades requeridas pelo mercado ligado à cadeia produtiva de moda do Estado de Pernambuco. 33 3. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL No Século 20 surgiu uma visão da natureza como “um grande todo harmonioso”, o que levou alguns cientistas a verem a Terra como um todo integrado (CAPRA, 1996). A natureza passou a ser vista como uma teia de relações que, de acordo com a visão sistêmica, reconhece que todos os conceitos e teorias são limitados e aproximados (VEZZOLI, 2008). O termo “desenvolvimento sustentável” foi utilizado pela primeira vez, segundo Zylbersztajn (2010), em 1983 por um organismo privado de pesquisa, a Aliança Mundial para a Natureza (UICN). Logo depois, em 1987, o conceito apareceu em uma comunicação realizada pela ex-ministra norueguesa, Gro Harlem Brundtland, para a Organização das Nações Unidas (ONU). Em 1988, foi lançado um documento intitulado “Nosso Futuro Comum”, que também ficou conhecido como “Relatório de Brundtland”. Este relatório fez com que o termo “desenvolvimento sustentável” viesse a ser mais popular. O relatório trouxe como definição que: “(...) aquele desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras, atendendo suas próprias necessidades”. Sugere um desenvolvimento duradouro quando responde às necessidades do presente sem colocar em perigo as capacidades das gerações futuras para fazer o mesmo. No Brasil, o termo tornou-se efetivamente conhecido com o evento Rio-92, onde também se iniciou a pensar na questão de qualidade nas empresas e seu papel no novo cenário que vinha se formando. Com isso um novo modelo de gestão e forma de consumo surgia no país. O desenvolvimento sustentável trabalha principalmente três focos: o social, o ambiental e o econômico, que são os pilares que incorporam todos os conceitos desta temática. Essa incorporação requer conhecimentos e habilidades de ação para a implantação de processos que sejam não somente viáveis do ponto de vista técnico, mas também eticamente desejáveis, podendo ser caracterizadas como os saberes e as habilidades para a perenização da vida (BARTHOLO, 2001, p. 319). 34 O conceito de Desenvolvimento Sustentável (DS) orienta que as pessoas e o ambiente devem se desenvolver de forma sustentável para garantir um futuro melhor. Muitos autores como Neves (2003, p. 319) destacam o desenvolvimento sustentável: [...] designa um enfoque normativo de planejamento e gestão estratégica integrada e participativa de desenvolvimento, buscando a satisfação das necessidades básicas das populações, a sua participação nos processos decisórios sobre as estratégias de desenvolvimento, a solidariedade com as gerações futuras e a prudência ecológica. Contemplando simultaneamente a justiça social, a autonomia política, a eficácia econômica e a prudência ecológica. Como se pode notar pelo destaque atual nos meios de comunicação, os temas relacionados ao DS são de grande abrangência e de interesse geral, a globalização impulsiona a informação e faz com que a comunicação aconteça com muita rapidez, implicando em um mundo cada vez mais dinâmico e informado. O assunto traz à tona aparentemente um questionamento: Como haver desenvolvimento econômico que impacte da menor forma possível o meio ambiente? Diante desta perspectiva outro autor colabora: O desenvolvimento econômico, que visa melhorar as condições de vida humana, implica em impacto sobre a natureza. Já a sustentabilidade se assenta em uma visão de equilíbrio e de conservação do meio ambiente. Existe, portanto, um conflito entre o equilíbrio ambiental e a ação do homem sobre o meio ambiente (KLABIN, 2010, p. 1). No Brasil, até meados dos anos 90, o valor econômico com interesses em curto prazo era superposto aos valores de sustentabilidade. A conscientização pública ocorreu com as mudanças climáticas e tudo aquilo que a crise ambiental causou e foi comunicado pela mídia. Com o novo paradigma que norteia toda sociedade, esta tenta adequar-se a esse momento de discussões ambientais e sociais buscando por soluções que visem o bem-estar atual e futuro, no qual a questão social deve ser analisada e remetida a um fator relevante no que diz respeito aos pilares do desenvolvimento sustentável. A responsabilidade social é o papel fundamental que cada um como cidadão desempenha frente ao que se coloca como bem-estar de toda sociedade. Rosemblum (2010) propõe como estratégia fazer a inter-relação entre acontecimentos, trazer alternativas, antecipar desafios, estimular o debate, questionar e monitorar as ações dos governos, das empresas e ajudar a sociedade a avaliar o impacto de suas opções. 35 O tema DS ganhou força, apontando a urgência de ações no sentido de conter esses impactos e repensar a forma de consumo. Ainda se tem visto na mídia, uma forma muito idealizada e romântica de pensar o que seja a sustentabilidade, mostrando ações isoladas e pontuais nos setores da economia. Dentro destes segmentos, apresenta-se um novo tipo de organização nas economias: as empresas sustentáveis. O papel das empresas é de suma importância para qualquer sociedade, são elas que movimentam todos os setores da economia. Sejam elas de qualquer porte, geram empregos, movimentam as finanças, criam tendências e promovem o desenvolvimento econômico. Abranches afirma que “empresas sustentáveis são aquelas que desenvolvem um conjunto de práticas que procuram demonstrar o seu respeito e a sua preocupação com as condições do ambiente e da sociedade em que estão inseridas ou aonde atuam” (2008, apud Zylbersztjan, 2010, p. 17). Negócios sustentáveis desenvolvem ações que visam desde a preocupação com o impacto ambiental até a responsabilidade de uma companhia perante funcionários, consumidores, fornecedores e investidores. Algumas dessas variáveis são mais (ou menos) críticas de acordo com o setor. Neste momento, faz-se necessário conhecer o conceito de desenvolvimento local. Para Franco (1999): O desenvolvimento local deve promover conquistas sustentáveis que levem o homem a participar de decisões, pois não basta apenas crescer economicamente, mas é preciso aumentar os graus de acesso das pessoas não só à renda, mas também à riqueza, ao conhecimento e ao poder ou à capacidade de influir nas decisões públicas, sendo o desenvolvimento local uma estratégia que facilita a conquista da sustentabilidade, pois leva à construção de comunidades humanas sustentáveis. Jesus (2003) colabora ao dizer que o desenvolvimento local significa um processo que mobiliza pessoas e instituições com vistas à transformação da economia e da sociedade local, na perspectiva de maiores oportunidades de trabalho e renda para as pessoas do local e das microrregiões. Este autor considera o desenvolvimento local como uma saída para a crise porque viabiliza mudanças que permitem ou contribuem com o desenvolvimento local, possibilitando um esforço localizado no território a que ele acrescenta a concentração entre lideranças, instituições, empresas, habitantes de um determinado lugar ativando as potencialidades e os recursos locais. Também nesta perspectiva temos Callou (2007) defendendo o desenvolvimento local como uma estratégia para resolver por meio de uma 36 dinâmica de “concertação” dos territórios, os problemas de exclusão social através de um esforço coletivo dos diversos atores sociais nestes territórios. As questões sociais, ambientais e econômicas não podem ser entendidas separadamente, não podem ser concorrentes, devem seguir praticadas com planejamento e ser executadas juntas para que o planeta seja menos impactado com a ação da humanidade: “Com a deterioração dos ecossistemas globais, em função das atividades humanas, os serviços ambientais prestados à humanidade durante milênios encontram-se sob risco” (LEMME, 2010, p. 38). Da mesma forma o impacto social é sentido ao longo dos tempos com os conflitos étnicos e a violência gerada pela desigualdade social. Essas questões devem ser revertidas em um tempo curto, já que os resultados são visíveis e devastadores. No tocante ao impacto ambiental, tem-se na Resolução 001/86 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (BRASIL, 2013) a definição de impacto ambiental: “considera-se impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam: I- a saúde, a segurança e o bem-estar da população; II- as atividades sociais e econômicas; III- a biota; IV- as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; V- a qualidade dos recursos ambientais.” Logo, administrar os efeitos ambientais das atividades econômicas de todos os segmentos no século XXI prescinde da adequação a essa nova realidade, constituída por diferentes valores e demandas em relação àqueles vigentes, até então, na sociedade. Em outras palavras, isso implica dizer que é necessário que se busque o rompimento de antiquadas atitudes reativas no manejo do meio ambiente para fomentar novas atitudes, fundamentadas nos princípios da educação ambiental, muito mais criativas e responsáveis no que tange à natureza, para assegurarem a sobrevivência e a ampliação de mercado dessas organizações em face de um cenário mais competitivo e exigente. Diante do contexto apresentado, a abordagem da educação ambiental, entendida também como uma forma de minimizar os impactos decorrentes das atividades econômicas, faz-se imperativa no enfretamento da crise ecológica mundial, fruto da exploração predatória dos recursos naturais pelo homem. 37 3.1. Educação Ambiental Definir Educação Ambiental é abordar a educação surge como o processo que considera as dimensões ambiental, social, econômica, política, cultural, ecológica e científica, na indução de novas formas de pensar, agir e viver o meio ambiente, baseadas em princípios éticos e responsáveis de conduta dos indivíduos e da sociedade em relação à natureza. Este novo enfoque busca a consciência crítica, que permite o entendimento e a intervenção de todos os setores da sociedade onde a preservação dos recursos naturais seja compatível com o bem estar econômico da população. Segundo Marcomin, Mendonça e Mazzuco (2008, p. 76), a educação ambiental: Deve contribuir para o resgate da essência do ‘ser humano’. Deve permitir o contribuir e reconstruir de cada indivíduo. Deve contemplar o comprometerse com o outro, com o entorno imediato ou não, favorecer o senso de responsabilidade, em ser referência de ética, conduta e de valores para outros. Reigota (1994, p.12) salienta que “a educação ambiental deve orientar-se para a comunidade. Deve procurar incentivar o indivíduo a participar ativamente da resolução dos problemas no seu contexto de realidades específicas”. Assim, a educação ambiental se apresenta como uma ferramenta propositiva, multidisciplinar e dialógica para a sociedade. Abaixo, são apresentados os principais marcos conceituais que são referências no fazer da Educação Ambiental no Brasil e no mundo (Leão & Silva, 2004): I Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental – Tibilisi, Geórgia (ex-URSS): A Educação Ambiental foi definida como uma dimensão dada ao conteúdo e à prática da Educação, orientada para a solução dos problemas concretos do meio ambiente, através de enfoques interdisciplinares e de uma participação ativa e responsável de cada individuo e da coletividade. CONAMA: A Educação Ambiental é um processo de formação e informação, orientado para o desenvolvimento da consciência crítica sobre as questões ambientais e das atividades que levem à participação das comunidades na preservação do equilíbrio ambiental. 38 ECO-92 – Comissão Interministerial na preparação da ECO-92: A Educação Ambiental se caracteriza por incorporar as dimensões socioeconômicas, política, cultural, histórica, não podendo se basear em pautas rígidas e de aplicação universal, devendo considerar as condições e estágios de cada país, região e comunidade, sob uma perspectiva histórica. Na comparação dos conceitos acima descritos percebe-se uma complementaridade das definições que reflete claramente a interdependência de diversos elementos. No ensino, as diretrizes apontadas pelo PRONEA (Programa Nacional de Educação Ambiental) afirmam que é necessário que se capacite o sistema de educação formal, supletivo e profissionalizante em seus diversos níveis e modalidades visando a formação da consciência, a adoção de atitudes e a difusão de conhecimento teórico e prático, voltados para a proteção do meio ambiente e a conservação dos recursos naturais (BRASIL, 1997, p. 18). As diretrizes metodológicas existentes em Educação Ambiental são muito diversificadas. Como este trabalho não tem a intenção de aprofundamento de conceitos, listarse-á de forma sintética as principais correntes e seus objetivos na Educação Ambiental apresentados por Sauvé (2005, p. 40): 1) Corrente naturista: reconstruir a ligação com a natureza. 2) Corrente conservacionista: adotar comportamentos de conservação e desenvolver habilidades relativas à gestão ambiental. 3) Corrente resolutista: desenvolver habilidades de resolução de problemas (do diagnóstico à ação). 4) Corrente sistêmica: análise e síntese para uma visão global. Compreender as realidades ambientais, tendo em vista decisões apropriadas. 5) Corrente científica: adquirir conhecimentos em ciências ambientais e desenvolver habilidades relativas à experiência científica. 6) Corrente humanista: conhecer seu meio de vida e conhecer-se melhor em relação a ele, desenvolver um sentimento de pertença. 7) Corrente ética: dar prova de ecocivismo, desenvolver um sistema ético. 8) Corrente holística: desenvolver as múltiplas dimensões de seu ser em interação com o conjunto de dimensões do meio ambiente. 9) Corrente biorregionalista: desenvolver competências em ecodesenvolvimento comunitário local e regional. 39 10) Corrente práxica: aprender em, para e pela ação, desenvolver competência de reflexão. 11) Corrente crítica: destruir realidades socioambientais visando transformar o que causa problema. 12) Corrente ecofeminista: integrar os valores feministas à relação com o meio ambiente. 13) Corrente etnográfica: reconhecer a estreita relação entre natureza e cultura. 14) Corrente da ecoeducação: experimentar o meio ambiente para experimentar-se e formar-se em e pelo meio ambiente. 15) Corrente de desenvolvimento sustentável: promover um desenvolvimento econômico respeitoso dos aspectos sociais e do meio ambiente. A partir da Educação Ambiental é possível colaborar para a construção de sujeitos ecológicos que se abrem a uma série de frentes de ação e de estilos existenciais para a formação de uma educação ambiental que constrói e multiplica esta realidade educativa aqui apresentada. Contudo, ainda resta o desafio de internalizar nos espaços acadêmicos a formação de uma sensibilidade e de uma postura propositiva em relação aos problemas socioambientais da modernidade. No contexto das sociedades atuais, pensar globalmente e agir localmente aparece como uma possibilidade real da aplicação da Educação Ambiental no viés da sustentabilidade, sendo possível uma nova forma de se educar. Ao olhar a sociedade contemporânea, verificase que muitas iniciativas neste sentido estão sendo tomadas, inclusive no modo de consumir e vestir. 40 4. MODA: ALGUMAS DEFINIÇÕES E REFLEXÕES PERTINENTES As antigas civilizações não possuíam moda, mas sim indumentária caracterizada como um conjunto de vestuário de um determinado povo, numa determinada época. Nas vestimentas destas civilizações existiam regras que deveriam ser rigorosamente seguidas, preservando assim a cultura e a herança de determinada civilização e seus antepassados. A forma dos trajes permanecia sem alteração, usados por várias gerações, não havendo mudança de estilos, formas e cores. As pequenas mudanças ocorridas no vestuário ocorriam em função das dominações de outros povos ou pelo simples acaso. Foi assim para egípcios (vide Figura 2), persas, mesopotâmios, fenícios, gregos, romanos e muitos outros povos. Figura 2: Indumentária Egípcia da Realeza Fonte: LAVER (1996). Os modelos de vestimentas sociais eram herdados e continuados, gerando imobilidade (LIPOVETSKY, 1989, p. 11). Foi o conservadorismo das sociedades que impediu o prematuro aparecimento da moda, já que a sua consequente frivolidade acabava por desfavorecer os valores pré-estabelecidos nos quais se baseava a sua legitimidade. 41 Tomando a análise desenvolvida pelo mesmo autor, a moda só aparece como uma forma de expressão a partir do Século 15, quando a busca pelo novo tornou-se referência comportamental daquela época. A Europa se destacou como berço das descobertas e dos avanços científicos, tornando-se também celeiro da moda por muito tempo. No final da Idade Média começa a surgir um fenômeno que acarretaria na mutabilidade da moda: a consolidação da individualidade. Consequentemente, a individualização da aparência começa a se manifestar (vide Figura 3). Figura 3: Vestido da Realeza Renascentista Fonte: JANSON (1982). Na metade do Século 16, a partir da febre pela novidade, começou a se formar o sistema da moda no formato como hoje é conhecido. A estabilidade foi trocada pela novidade, tornando-se então um forte valor na vida da elite. Com isso conclui-se que a moda estava intimamente ligada aos prazeres e aos valores da alta sociedade e sobre isto, Lipovetsky escreve: Não existe sistema de moda senão da conjunção de duas lógicas a do efêmero e a da fantasia estética. Essa combinação que define formalmente o dispositivo da moda só tomou corpo uma única vez na história, no limiar das sociedades modernas (1989, p.29). 42 Não se pode falar em sistema de moda sem mencionar a Revolução Industrial. Em meados do Século 18 a Europa já havia transitado de sua estrutura medieval e se desenvolvia por meio de um sistema capitalista, em plena expansão de mercado. O aumento populacional e os avanços tecnológicos também contribuíram para a formação de uma nova sociedade. A Inglaterra pode ser considerada como berço da Revolução Industrial, pois o país possuía infraestrutura de capitais e transportes avançados em relação ao resto do mundo. A produção de tecidos de algodão foi o principal elemento dessa Revolução, decorrendo num crescente lucro dos capitalistas. A diversificação têxtil e a sua abrangência favoreceram a incrementação da moda como forma de renovação visual e de comunicação, criando então novas linguagens culturais. Séculos depois, a Revolução Industrial torna a moda mais abrangente e acessível, abrindo espaço para um dos maiores alicerces: a alta costura do começo do Século 20. 4.1. O Sistema de moda: da simbologia ao consumo A noção de sistema social pensada por Parsons é constituída pelo conceito de interação de seres humanos entre si. Neste sentido o comportamento ou a ação é um modo de relação entre um organismo socialmente organizado e uma situação (1969, p. 49). Para este autor a concepção de interação social está ligada ao envolvimento de uma pluralidade de indivíduos que ao mesmo tempo interagem e são interdependentes, formando então um sistema social. Tomando como base este conceito definido pelo autor, pode-se interpretar e compreender melhor o sistema de moda, que se constitui de vários conceitos complementares, que interagem e padronizam valores formando então uma cultura de moda que justifica a expressão “sistema de moda”. Como um sistema plural, é complexo e multifacetado, espelhando os valores da sociedade – usos, hábitos e costumes. É multifacetado por permitir várias possibilidades de estudo: antropologia, história, sociologia, psicologia, economia, áreas interligadas e quase sempre interdependentes. Contudo, é no vestuário que a moda se manifesta mais nitidamente, definida, frequentemente, através de um sistema de produção de peças do vestuário e acessórios feitos com valor de moda. Sobre isto Berlim (2012) comenta: “podemos considerar que o vestir, após o surgimento da moda ganhou conotações comportamentais de busca de identidade”. Lipovetsky (2007) se aproxima deste pensamento: 43 “ Porque exibe os traços mais significativos do problema, o vestuário é por excelência a esfera mais apropriada para desfazer o mais exatamente possível a meada do sistema de moda. (...) A esfera do parecer é aquela em que a moda se exerceu com maior rumor e radicalidade, aquela que, durante séculos, representou a manifestação mais pura da organização do efêmero.” O sistema de moda é um processo muito mais abrangente, ligada a linguagem, forma e significados simbólicos que estabelecem códigos para a vestimenta. A complementação da dimensão material do vestuário (clothing) e da dimensão do simbólico (fashion) são para Gazzola (apud Kawamura, 2009) essenciais para a compreensão da moda enquanto fenômeno a partir do Século 21. O Quadro 4 apresenta uma comparação entre as dimensões Moda e Vestuário, deixando clara esta dualidade. Quadro 4: Quadro comparativo dos sistemas do vestuário e da moda Moda (fashion) Produção Simbólica Intangível Excesso Função de Distinção Encontra-se somente em sociedade onde está construída institucionalmente e difundida culturalmente Vestuário (clothing) Produção Material Tangível Necessidade Função de Utilidade Encontra-se em qualquer sociedade ou cultura que pessoas cubram os seus corpos Fonte: Gazzola (2009, p. 73) Rocha (2012) corrobora para esta concepção também ao afirmar que “o vestuário é tangível e a moda é intangível, impalpável, logo a indústria que faz roupa vende produto e a que vende moda vende significado”. Os conceitos de produção de roupa e consumo estão intrinsecamente ligados, pois a formação e o desenvolvimento do hábito de consumir é um requisito fundamental para se garantir a sobrevivência da sociedade de consumo. Sobre isto a autora Luci Pietrocolla comenta: “De um lado temos o mundo da produção selvagem e impessoal, dominado pela mágica da utilidade, de outro lado temos o mundo do consumo, que é pessoal e onde vigora o gosto, a beleza, e a qualidade”. Paralelamente, Lipovetsky se aproxima deste pensamento ao falar que “a sociedade de consumo é a programação do cotidiano: ela manipula e quadricula racionalmente a vida do individual e social em todos os seus interstícios; tudo se torna artifício e ilusão a serviço do lucro capitalista e das classes dominantes” (1989, p.125). É assim que se consolida a sociedade de consumo formada por um ciclo que envolve produzir, comunicar e vender, fruto da modernização do sistema capitalista ocidental. O consumismo passa a se relacionar com valores como o status e o prestígio social, então quanto 44 maior o número de bens que um indivíduo possui maior será o seu valor dentro da sociedade. Isto é o que justifica nas sociedades de consumo a criação de novas necessidades, do espírito de consumo, “desculpabilizando” a compra e causando uma sensação de falsa felicidade. O produto com valor de moda é compreendido como um produto que é útil enquanto estiver na “moda”, apresentando um ciclo de vida em espaços de tempo cada vez menores. Assim, “O ciclo de vida do produto de moda deve exercer no curto prazo um forte fascínio para atrair um maior número de consumidores à compra como forma de suprir rapidamente suas necessidades e seus desejos, desde os mais simples até os mais sofisticados” (COBRA, 2007, p. 26). O ciclo de vida destes produtos é compreendido por abordagens que presumem as etapas de produção: introdução, crescimento, desenvolvimento, maturidade e declínio, que por sua vez tem tipos específicos de consumidores que por sua vez têm características próprias: Inovadores: são os consumidores que usam o produto antes da grande maioria, estes também podem ser escolhidos por determinadas marcas para “lançar” uma tendência de certo produto de moda; Seguidores rápidos: são aqueles consumidores que de forma bem rápida passam a seguir as tendências lançadas pelos inovadores; Primeira maioria: são aqueles consumidores que esperam alguma referência ou sinal (neste caso pode ser também a mídia) para adotar um novo produto de moda; Maioria seguidora: são os consumidores que adotam os produtos que já estão bastante evidenciados, nos quais os canais de distribuição têm estoques dos produtos; Lentos: são os consumidores que adotam o produto em sua fase de declínio. 45 Figura 4: O Ciclo de Vida do Produto de Moda e seus Consumidores Fonte: Elaboração própria da autora baseada em Cobra (2007). Para esta contextualização, Rocha contribui ao afirmar que o “ciclo de consumo, quando concluído, gera satisfação ou insatisfação no consumidor e que este resultado influencia nos próximos ciclos de consumo num movimento contínuo de retroalimentação do sistema” (2012, p. 3). A autora apresenta então uma importante constatação: nas questões relativas ao consumo a moda se afasta da sustentabilidade, já que a moda vive de mudança por razões relacionadas ao curto ciclo de vida do produto e não no sentido do produto estar desgastado. O rápido consumo e o descarte de produtos do vestuário com valor moda são as principais engrenagens da indústria têxtil e de confecções, sendo neste cenário que melhor se percebe o consumo de moda como propulsora da compra de bens têxteis. 4.2. Sistema produtivo do vestuário: da difusão à produção Como visto na sessão que situa a moda historicamente é a partir do Século 19 que a moda passa a se organizar num sistema de produção e difusão desconhecida até este momento, desenvolvendo-se em torno de duas formas de produções novas: alta costura e a confecção industrial. A primeira se baseia na criação de peças de luxo e sob medida e a segunda numa produção de peças baratas e em série (prêt-à-porter). Segundo Lipovetsky (1989), durante cem anos (de 1860 a 1960) a moda seguiu um caminho: a Alta Costura lançava tendências e a indústria de massa inspirava-se nelas. Então, a moda moderna aparece como a primeira manifestação de um consumo de massa homogênea a nível mundial, sendo que o ritmo que conhecemos hoje, só começa no Século 20. 46 A difusão de informação das tendências (Figura 5) passou a funcionar regularmente a partir do meado dos anos 50, e segue um cronograma e uma metodologia própria do processo industrial têxtil. Pearson (1996, p. 2), o divide metodologicamente em sete estágios, a saber: 1. A base do sistema começa com 36 meses de antecedência, em uma etapa na qual empresas do setor de fibras e filamentos têxteis naturais, artificiais e sintéticos, associações, institutos, indústrias químicas e petroquímicas se reúnem para traçar metas estéticas e comerciais para seus produtos. 2. Definidos estes pontos, os elementos básicos previstos para a temporada são transmitidos a centros de moda (com 28 meses de antecedência), que manipulam os dados recebidos, de acordo com as condições socioeconômicas do mundo. 3. Essas centrais repassam aos “Bureaux de Style” (escritórios que criam os cadernos de tendências), com 26 meses de antecedência. O resultado dos novos estudos de moda é obtido com a participação de personalidades de vários níveis profissionais da moda. As cores da cartela de cada temporada são definidas com 24 meses de antecedência, renovando-se semestralmente, incluindo tonalidades promocionais, combinações cromáticas pré-determinadas, harmonia, casando cores neutras, frias e quentes, sem abrir mão do matizado clássico preferido por algumas empresas tradicionais. 4. Definida a cartela de cores, as fiações passam a desenvolver os produtos levando em consideração seus objetivos comerciais e as necessidades de seus clientes. Esse processo leva vários meses, porém não pode ultrapassar o cronograma de produção das tecelagens e malharias cujos, artigos devem estar à disposição dos seus clientes (confecções e atacadistas), com cerca de 18 meses de antecipação. 5. O produto vestuário (prêt-à-porter) começa a ser estudado um ano antes de ser visto circulando pelas ruas. As formas e os volumes das novas coleções são definidos conforme os tecidos que lhe dão corpo, 6 meses antes da estação. As empresas promovem lançamentos através de desfiles ou participando de feiras ou salões. 6. Os varejos de moda compostos por lojas de departamentos, magazines e butiques, recebem a mercadoria 3 ou 4 meses antes da temporada. Atualmente, porém, as reposições do estoque do varejo são feitas mensalmente, obrigando as confecções e as tecelagens a trabalharem em regime mais dinâmico. 7. Finalmente, o produto chega ao cliente, ou seja, ao consumidor final. 47 Figura 5: Cronograma e metodologia do processo industrial do Sistema de Moda Fonte: Pearson (1996, p. 2). Para Gazzola (apud Kawamura, 2006), o sistema de moda opera para converter o vestuário em moda. As instituições, organizações, grupos, produtores, eventos e práticas, contribuem para a moda “acontecer”, ou seja, são difusoras do aspecto simbólico da moda, o que é muito diferente de fazer somente roupa. Os subsistemas do sistema produtivo de moda é formado por vários tipos de profissionais e organizações criam significados simbólicos que são transferidos para os produtos culturais, que por sua vez viram tendências que são o denominador comum na moda (BARROS, 2005). 48 Existem dezenas de profissionais de moda ligadas à cadeia produtiva, a saber: Modelos; Maquiadores; Cabeleireiros; Stylist; Produtor de moda; Figurinista; Diretor de desfile; Diretor artístico; Produtor de casting; Agente de modelos; Coordenador de camarim; Relações públicas; Coordenador de produção e eventos; DJ; Assessor de imprensa; Jornalista de moda; Fotografo; Gestor de marca de moda (administrador); Modelista; Pilotista; Costureira; Designer. Entretanto, para Feghali e Dwyer (2001, p. 103), o grande destaque desses profissionais acima citados é o designer, definido por elas como segue: Designer de moda é o profissional que define a cara de uma coleção, independentemente do mercado a ser atingido. Pode ser empregado em uma empresa ou trabalhar como autônomo. [...] Durante o processo de criação, ele leva em conta não só os aspectos artísticos e sociais, mas também a necessidade de atender às tendências de marketing e aos avanços técnicos da indústria, uma vez que a cada estação, ocorrem mudanças no que se refere às cores, aperfeiçoamento de tecidos, linha de produção, capacidades e preços. 49 A cadeia produtiva de moda, formada pelos vários profissionais nos mais diversos elos da cadeia produtiva, aparece então como um grande negócio de gestão da demanda do produto de moda. Este, por sua vez, é impregnado de valor simbólico no qual o desejo, o comportamento e as necessidades do consumidor serão administradas pelo marketing. A definição de cadeia produtiva é dada pelo próprio Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e pode ser entendida como: “o conjunto de organizações (principalmente empresas), cujos processos, atividades, produtos e serviços são articulados entre si, como elos de uma mesma corrente, segundo uma sequência lógica progressiva ao longo de todo o ciclo produtivo de determinado produto ou serviço. Envolve todas as fases do ciclo produtivo, desde o fornecimento de insumos básicos até a chegada do produto ou serviço ao consumidor, cliente ou usuário final, bem como as respectivas organizações que pertencem e constituem os chamados segmentos produtivos da cadeia” (BRASIL, 2000). A cadeia produtiva de moda tem, em sua estrutura, particularidades e especificidades que englobam diversos setores, fazendo de suas funções algo complexo e de um elevado grau de envolvimento e comprometimento por todos os que dela fazem parte. Conforme as considerações de Feghali e Dwyer (2001), cada um desses segmentos tem seu próprio padrão de comportamento econômico, com especificidades relativas à matéria-prima, tecnologia e mercado. A indústria têxtil é uma cadeia com grande potencial de geração de renda e de emprego e pode ser dividida em três grandes segmentos industriais, cada um com níveis distintos de escala. São eles: Segmento de fibras; Manufatura têxtil; Segmento da confecção. A cadeia têxtil se inicia com o fornecedor de fibras e filamentos químicos que, junto com o de fibras naturais (setor agropecuário), produz matérias-primas básicas que alimentam as indústrias do setor de manufaturados têxteis (fios, tecidos e malhas) que, por sua vez, alimentam o segmento da confecção de bens acabados (vestuário, linha lar, etc) (IEMI, 2001, p. 46). A cadeia produtiva da moda tem um fluxograma próprio composto por vários elos, apresentados de forma ilustrativa na Figura 6. 50 Figura 6: Fluxo da Cadeia Produtiva da Moda Fonte: SINDITÊXTIL (2012). 51 No Brasil, a indústria têxtil nacional tem aproximadamente 200 anos e aparece como o quarto maior parque produtivo de confecção têxtil do mundo e o quinto maior produtor têxtil mundial (ABIT, 2011). Segundo a mesma fonte, o Brasil é o único país do mundo que possui uma cadeia têxtil completa, ou seja, passa por todas as etapas desde a produção de fibras até o varejo, sendo o faturamento desta cadeia de US$ 67 bilhões. A Figura 7 apresenta de forma sintética as um levantamento quantitativo das indústrias do setor têxtil. Figura 7: Raio X do Setor Têxtil Fonte: IEMI (2001). 4.3. A moda no caminho da sustentabilidade O uso indiscriminado de matéria-prima para produção, o ciclo produtivo ineficiente das fábricas, a falta de cuidado com o descarte de refugos e restos de produção, a falta de preocupação com o trabalhador e com o meio social no entorno das fábricas, atrelados a incentivos e diminuição do tempo de vida da empresa, são elementos preocupantes. Segundo Veiga (2006), “os fatores que podem levar a mudanças na composição e nas técnicas da produção podem ser suficientemente fortes para que os efeitos ambientalmente adversos do aumento da atividade econômica sejam evitados ou superados”. Nessa perspectiva, a recuperação ecológica se dará de forma inevitável, pois com o passar dos anos se tornará imprescindível. 52 Figura 8: Resíduos têxteis Fonte: http://lucianaduarte.files.wordpress.com/2012/07/img_0198.jpg (Acesso em: 15 fev. 2013) O sistema de produção de moda tem as indústrias que emitem carga de resíduos ambientais. Os resíduos de tecidos provenientes das atividades de corte, as águas residuais procedentes das atividades de beneficiamento de tecidos são agentes impactantes ao meio ambiente. Na Figura 9, tem-se o registro de como a indústria de confecção contribui para a poluição ambiental ao descartar de forma aleatória e sem controle refugos de seu principal insumo: o tecido. Desta forma, o processo de produção do vestuário que ocorre ao longo da cadeia produtiva está associado intimamente com as variáveis ambientais e pode gerar altos impactos ambientais em vários elos do fluxo produtivo. Neste sistema, muitas vezes também ocorre a exploração social, através do uso de mão de obra quase escrava e da utilização do trabalho infantil, que constantemente se noticia na mídia (BERLIM, 2012). 53 Figura 9: Painel do ciclo de poluição dos resíduos das indústrias de confecção Fonte: Acervo próprio da autora Diante deste contexto, surge uma nova preocupação para vários designers de moda: a fabricação de “produtos verdes”. Seguindo o conceito de empresas sustentáveis que estão de olho num novo tipo de consumidor: o consumidor com perfil consciente, disposto a pagar mais caro por produtos que agregam valores do desenvolvimento sustentável. Designers e empresas se destacam no mercado de moda por planejarem e oferecerem produtos diferenciados, baseados nos padrões da sustentabilidade, atrativos aos olhos de consumidores de produtos ecologicamente corretos, cada vez mais informados e exigentes. O maior desafio da moda sustentável está em provar que não se trata de um modismo, mas de uma necessidade para o futuro. Daí a necessidade de se formarem profissionais preparados para a sustentabilidade. Esta proposta não desconsidera o desenvolvimento econômico, confirma o desenvolvimento e a igualdade social e contrapõe-se à exploração ambiental, à exploração do exotismo de animais e à utilização de produtos químicos para tinturaria, lavanderia e acabamento de tecidos, que se tornam tão agressivos para o meio ambiente. Entende-se por ecodesign todo processo que contempla os aspectos ambientais em todos os estágios de desenvolvimento de um produto, colaborando para reduzir o impacto ambiental durante seu ciclo de vida. A definição de ecodesign proposta por Fiksel (1996) diz que o projeto para o meio ambiente é a consideração sistemática do desempenho do projeto, 54 com respeito aos objetivos ambientais, de saúde e segurança, ao longo de todo o ciclo de vida de um produto ou processo, tornando-os ecoeficientes, o que leva à produtividade e à lucratividade. O ecodesign leva a reflexões sobre questões ecológicas das práticas profissionais, no sentido do restabelecimento do equilíbrio dos sistemas ecológico, ambiental e antropológico-cultural. Diversas empresas de moda promovem coleções baseadas nos conceitos de ecodesign, onde o objetivo é fazer uma moda que respeite o meio ambiente. Palavras como repensar, reciclar, renovar e reutilizar tornam-se parte de todo um conceito abraçado por este tipo de marca e seu público. Assim, verifica-se que no sistema produtivo do vestuário existe uma maior aproximação no que diz respeito à sustentabilidade. 4.4. O Estudo Acadêmico no Campo do Saber Moda Historicamente, o Brasil se encontra muito atrás de países como a França, que no Século 16 já promovia o ensino do ofício de moda em quatro anos (PIRES apud FERRON, 1996, p. 130). Foi somente a partir da década de 80 que, no Brasil, o conhecimento deixa de ser exclusivamente autodidata para começar a ser profissionalizado através da instituição dos cursos superiores de moda pelas escolas. Sobre isto Gilbert fala: “(…) acorriam para preencher os quadros das lides têxteis e de moda profissionais das mais diferentes formações e com inúmeras e involuntárias deficiências (…) arquitetos, pedagogos, psicólogos, desenhistas industriais, economistas, artistas plásticos e advogados entre aqueles que desempenhavam essas funções e eram carentes de qualificação profissional específica para melhor exercê-las” (1993, p. 178). De acordo com Berlim (2012), existem atualmente no Brasil 122 cursos ligados à área de moda com reconhecimento no Ministério da Educação. Considerando que cada curso forme cerca de 30 alunos por ano, pode-se afirmar que no Brasil são formados anualmente mais de seis mil profissionais de moda. Foi apenas em 1988 que surgiu, em São Paulo, o primeiro curso superior de moda no país: o da Faculdade Santa Marcelina. O momento econômico com a abertura política de mercado favoreceu a expansão nas indústrias têxteis e de confecções, que por sua vez demandavam por profissionais qualificados neste ofício. Hoje, mais de uma centena de escolas ligadas à moda formam profissionais qualificados para o mercado. Criou-se uma nova visão empresarial numa área antes considerada menor pela academia. Um valor assegurado no 55 mercado veio conferir à moda, como produto, um amplo campo de trabalho, exigindo produção de qualidade, somente obtida com o ensino ofertado pelas universidades. (PIRES, 2002, p. 89). Sanches (2006), em sua dissertação de mestrado, fez um levantamento dos cursos de moda (vide Quadro 5), mostrando que os cursos estão geograficamente difusos em todo o país e revelam denominações e ênfases diversas para atender aos setores da indústria da moda. Quadro 5: Levantamento de cursos ligados à área de moda no Brasil- 1987 a 2006 56 Quadro 5: Levantamento de cursos ligados à área de moda no Brasil- 1987 a 2006 (continuação) Fonte: SANCHES, 2006. 57 Desde os anos 2000, o MEC (Ministério da Educação) aponta para mudanças de nomenclatura nos cursos de moda. Os mesmos devem, a partir de então, inserir em sua nomenclatura a palavra design para serem reconhecidos e autorizados. A reforma curricular propõe um ensino que mantenha um núcleo básico comum de conteúdos de design por área de conhecimento, seguido das habilitações de projeto de produto e gráfico, comunicação visual e programação visual; interface; moda e vestuário; interiores; paisagismo e outras que venham a surgir, bem como ênfases em função das vocações regionais e institucionais (PIRES, 2002). Os cursos hoje estão sendo avaliados e autorizados seguindo os critérios estabelecidos para a área do design e, na sua maioria, estão ligados à vocação da região. Com relação às características curriculares, os cursos na área de moda são organizados para atenderem às especificidades do fluxograma da cadeia têxtil. Como descrito por Sanches (2006), algumas categorias de cursos ocupam-se do estudo da primeira parte da cadeia (cultivo, produção e manufatura de fibras sintéticas, naturais e artificiais), da segunda parte da cadeia (fiação das fibras) e do terceiro elo (tecelagem de tecidos planos e malharias). De forma geral, as estruturas curriculares dos cursos de moda reproduzem os três últimos elos da cadeia têxtil, que compreendem o desenvolvimento do produto de confecção ou vestuário, a gestão e o marketing do produto. Também comportam tantos nichos (áreas de conhecimento específicas) ou disciplinas quantos forem necessários para reproduzir os fluxos do campo de produção e atender ao perfil de saída determinado no projeto de criação dos cursos. Ou seja, de acordo com o perfil delineado para o curso no momento de sua criação, é que são eleitas as áreas a serem abordadas por meio de disciplinas específicas. Esta condução curricular das instituições se dá de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), Lei 9.394/96, art. 53, item II, a qual diz que as instituições de ensino possuem a liberdade para fixar os currículos de seus cursos. Com relação à estrutura curricular dos cursos de moda, nesta revisão da literatura foi feita uma rápida análise das matrizes curriculares de alguns cursos, pois este não era o principal objetivo deste projeto técnico, e constatou-se que não há a definição mínima de conteúdos por parte do Ministério da Educação. Alguns conhecimentos são oferecidos em todos os cursos (criação, comunicação, história e outros) sendo que também há uma variação de acordo com o perfil do profissional/perfil da região. Por sua vez, mesmo com algumas lacunas a serem preenchidas, o espaço acadêmico no campo do saber moda, através das consolidações dos cursos superiores vem contribuindo para uma educação crítica e transformadora de realidades econômicas e sociais de várias regiões do país. 58 5. METODOLOGIA A seguir, faz-se necessário esclarecer como se deu metodologicamente o contexto da pesquisa que embasou a elaboração do projeto pedagógico do Curso Superior de Tecnologia em Gestão dos Negócios da Moda a ser apresentada no Capítulo 7. Sendo apresentados os procedimentos metodológicos utilizados para a execução deste estudo, procedendo-se com a abordagem e o tipo de pesquisa escolhidos (quanto aos fins e quanto aos meios), assim como o lócus da pesquisa e meios de coleta e tratamento dos dados e das informações levantadas. 5.1. Delineamento e estratégia da pesquisa Nesta pesquisa, a abordagem escolhida foi a qualitativa. A escolha da concepção qualitativa se deu pelo fato de este tipo de concepção responder a questões muito particulares, preocupando-se com um nível de realidade que não pode ser quantificada (MINAYO, 1994). Segundo Malhotra (2001, p. 155), “a pesquisa qualitativa proporciona uma melhor visão e compreensão do contexto do problema”. Quanto aos fins, foi exploratória descritiva. Para Gil (2010), as pesquisas exploratórias têm como propósito proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito e as pesquisas descritivas têm como objetivo a descrição de determinada população. Novamente Malhotra (2001) afirma que a pesquisa exploratória busca prover critérios e compreensão dos fenômenos estudados, através de um processo flexível. Neste sentido, o propósito exploratório buscou compreender melhor como a sustentabilidade está sendo abordada nos cursos ligados à área de moda em Pernambuco. Além disso, este estudo também possui uma finalidade propositiva, uma vez que objetiva elaborar um modelo de projeto pedagógico de um curso a ser oferecido pela Universidade de Pernambuco. Quanto aos meios, a pesquisa classifica-se como um estudo de múltiplos casos, que consiste no estudo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento, sendo um delineamento adequado para a investigação de um fenômeno contemporâneo dentro do seu contexto real (Gil, 2010, p. 37). Nesta pesquisa, essa opção se deu pela escolha do lócus da pesquisa, cursos superiores ligados à área de moda de três IES, que tiveram seus projetos pedagógicos verificados e os depoimentos e as respostas dos discentes com aplicação de questionário que permitiu uma análise comparativa dos resultados encontrados. As definições metodológicas empregadas consideraram uma coerência com o problema e os objetivos do estudo, as práticas de tempo, o custo e a disponibilidade de dados. 59 Para compreender a problemática pretendida neste estudo, foi necessário envolver diversos aspectos de unidade de análise, tais como o observacional, o desenvolvimento de inferências por meio de percepções de realidades. Também se realizou pesquisa bibliográfica, acerca das seguintes temáticas centrais: moda, desenvolvimento sustentável, com intuito de consolidar um marco teórico para clarificar, melhor compreender os conceitos utilizados e para subsidiar a análise dos dados coletados com a efetivação da etapa empírica. Outras fontes como internet, publicações, periódicos, documentos e materiais específicos sobre a cadeia produtiva têxtil e de confecções também foram utilizados. 5.2. Objetivo geral Elaborar a proposta do Curso Superior de Tecnologia em Gestão dos Negócios da Moda com ênfase na sustentabilidade a ser oferecido na FCAP/UPE. 5.3. Objetivos específicos Verificar em cursos ligados à área de moda no Estado de Pernambuco, a partir dos projetos pedagógicos e do discurso dos discentes, se a abordagem da sustentabilidade aparece no escopo do curso, nos eixos de pesquisa, ensino e extensão; Investigar o nível de percepção e o conhecimento dos discentes acerca dos ensinamentos sobre sustentabilidade na moda enquanto conceito, produção e consumo. 5.4. Lócus da pesquisa O campo de pesquisa neste estudo foram as IES ligadas à área de Moda no Estado de Pernambuco: IES Pública Estadual: Curso de Administração com ênfase em Marketing de Moda (Bacharelado), neste estudo denominada IES A; IES particular: Curso Design de Moda (Tecnólogo), neste estudo denominada IES B; IES Pública Federal: Curso de Design (Bacharelado), neste estudo denominada IES C. 60 Inicialmente, os critérios de escolha das IES foram baseados nas áreas de concentrações dos cursos ligados aos segmentos da moda (ênfases) no Estado de Pernambuco sendo identificados os sete cursos abaixo citados: IES Pública Estadual (Curso de Administração com ênfase em Marketing de Moda (Bacharelado) IES A; IES particular (Curso Design de Moda /Tecnólogo) IES B; IES Pública Federal (Curso Design/Bacharelado) IES C; IES Pública Federal Rural (Curso de Economia Doméstica/Bacharelado) IES D; IES Particular (Curso Design de Moda /Tecnólogo) IES E; IES Particular (Curso Design de Moda /Bacharelado) IES F; IES Particular (Curso Design de Moda /Tecnólogo) IES G. Entretanto, após contatos com as IES e na fase de campo com a aplicação dos instrumentos de coleta de dados, verificou-se uma inconsistência nos dados obtidos de quatro instituições (IES D, IES E, IES F e IES G) pela pequena quantidade de questionários e ou pela falta de retorno e disponibilidade junto às coordenações destes cursos. Assim, optou-se neste estudo de múltiplos casos por abranger apenas as IES que atendessem os seguintes critérios: IES nas áreas de concentrações dos cursos ligados aos segmentos da moda (ênfases) no Estado de Pernambuco; Disponibilidade das mesmas em colaborar com esta pesquisa; Quantidade mínima de questionários respondidos; Uma IES Pública Federal, uma Pública Estadual, uma IES Particular. 5.5. Coleta de dados Para alcançar os objetivos estabelecidos foi usado um questionário como instrumento de coleta de dados (vide Apêndice A). Este questionário foi elaborado e validado através de teste piloto e conteve perguntas de múltipla escolha e também uma pergunta aberta. Segundo Augras (1974), em sua organização, o questionário deve levar em conta o tipo, a ordem, os grupos de perguntas e a formulação das mesmas. Para Best (1972, apud MARCONI e LAKATOS, 2010, p. 179), os questionários surgem como um instrumento por excelência da investigação social. A opção escolhida para a amostra foi de amostras não aleatórias do tipo 61 julgamento (proposital, tipicidade), que é a escolha de um grupo, que tenha característica que represente a população (MARCONI & LAKATOS, 2010). Os questionários aplicados aos estudantes tiveram formato estruturado disfarçado, que visou através da tabulação e do cruzamento de informações descobrir a percepção de um assunto para a uma pessoa (MATTAR, 1996). Vale salientar que, neste trabalho, a proposta do questionário apresentado no Apêndice A passou por alterações devido à execução dos pré-testes, que foram aplicados para uma amostra reduzida do universo pesquisado. De acordo com Marconi & Lakatos (2010, p. 211), o pré-teste permite ao pesquisador a obtenção de uma estimativa sobre os futuros resultados. Os sujeitos desta pesquisa foram os estudantes das IES acima citadas que já tivessem cursado mais de 50% da carga horária total do curso, sendo este dado verificado no cabeçalho dos questionários que os mesmos responderam. Neste estudo, a pesquisa exploratória inicial identificou que existiam cerca de 1.500 alunos matriculados no ano de 2012 nas sete IES (100%). Baseando-se na tabela para determinar amplitude de uma amostra tirada de uma população finita com margens de erro de 1, 2, 3, 4, 5 e 10% (GIL, 2010, p.112), a amplitude da população foi de 316 alunos que estão matriculados nos 8 ou 9 semestres vigentes. Como nesta pesquisa foi determinado que os alunos pesquisados já deveriam ter cursado mais de 50% da carga horária total do curso, a população a ser pesquisada foi de 157 alunos, com margem de erro de 5% e coeficiente de confiança de 95,5%, distribuídos nas sete IES. 62 Quadro 6: Margem de erro em pesquisas de campo Fonte: Gil, Antônio Carlos apud Tagliacarne Gulielmo. Pesquisa de Mercado. São Paulo: Atlas, 1976. Por falta e/ou inconsistência dos dados, foram eliminadas quatro IES, sendo que os sujeitos se reduziram para 1.110 pessoas referentes às IES eleitas. Levando em consideração que o quantitativo de alunos que já tinham cursado mais de 50% da carga horária total do curso formou o quantitativo de 555 alunos. Diante desta nova configuração, optou-se por utilizar a Tabela Determinante do Tamanho da Amostra retirada do Curso Iniciando um Pequeno Grande Negócio (SEBRAE, s/d), pela qual, considerando um erro amostral de 10% e uma homogeneidade entre os entrevistados (“split” entre 50/50 a 80/20), foi possível constatar que, do total de 555 estudantes, seria preciso entrevistar no mínimo 55 sujeitos, sendo que nas IES em que foram aplicados questionários chegou-se ao total de 78 questionários respondidos por estudantes, buscando uma margem de segurança, sendo 26 respondentes da UPE, 26 da UFPE e 26 da Faculdade SENAC. 63 Quadro 7: Tamanho de Amostras em Pesquisas de Campo Tamanho da amostra para nível de confiança de 95% Erro Amostral Erro Amostral Erro Amostral +/- 3% +/- 5% +/- 10% Tamanho da População Split Split Split Split Split Split 50/50 80/20 50/50 80/20 50/50 80/20 100 92 87 80 71 49 38 250 203 183 152 124 70 49 500 341 289 217 165 81 55 750 441 358 254 185 85 57 1.000 516 406 278 198 88 58 2.500 748 537 333 224 93 60 5.000 880 601 357 234 94 61 10.000 964 639 370 240 95 61 25.000 1.023 665 378 243 96 61 50.000 1.045 674 381 245 96 61 100.000 1.056 678 383 245 96 61 1.000.000 1.066 682 384 246 96 61 100.000.000 1.067 683 384 246 96 61 Fonte: Curso Iniciando um Pequeno Grande Negócio. SEBRAE (s/d). Após a pesquisa de campo os dados foram tabulados, analisados, discutidos e apresentados no escopo deste projeto técnico em forma de gráfico. 64 6. ANÁLISE DOS DADOS E DISCUSSÃO Neste projeto técnico realizado entre os meses de novembro e dezembro, ao analisar a prática e a percepção da sustentabilidade pelos alunos nos cursos na área de moda no Estado, buscou-se identificar como acontece a abordagem do desenvolvimento sustentável nos cursos superiores de moda que diretamente vêm contribuindo para a profissionalização da cadeia produtiva de T&C do Estado. Neste momento, é importante salientar que os resultados alcançados serviram de fonte para a elaboração do projeto acadêmico do Curso Superior de Tecnologia em Gestão dos Negócios da Moda, que considera os pressupostos ambientais, sociais e econômicos dentro de um contexto de gestão de negócios da moda. 6.1. Técnicas de análise de dados Na fase do estudo de múltiplos casos, foram realizados os procedimentos de análise do depoimento e das respostas aos questionários pelos discentes, como também foram verificados os projetos pedagógicos dos 3 cursos eleitos como unidades de análise. Essas múltiplas técnicas foram utilizadas para garantir a profundidade necessária aos estudos de casos, conferindo maior credibilidade aos resultados como sugere Gil (2010, p. 119). A coleta de dados foi feita mediante a aplicação de questionários e a análise documental dos projetos pedagógicos. Com base em categorias de análise e variáveis determinadas no instrumento questionário, foram trabalhados e interpretados todos os dados obtidos nas questões abertas e fechadas à luz da fundamentação teórica já descrita neste estudo. Com relação à verificação dos projetos pedagógicos, os dados relevantes nos quais foram observados a estrutura, a organização, os objetivos e principalmente a malha curricular, foram confrontados com as respostas dos discentes respondentes e comentados na análise dos gráficos. 6.2. Operacionalização da Pesquisa O contato inicial com as IES se deu por telefone e, em seguida, por e-mail no qual as instituições foram convidadas através de seus coordenadores de cursos a participarem dos estudos de múltiplos casos. Durante o processo de contato, foram encontradas algumas dificuldades pelo fato de várias IES não responderem aos convites feitos. O contato com a IES A foi o que menos 65 apresentou dificuldades devido ao fato do vínculo profissional da pesquisadora com a instituição. O contato com a IES B foi um pouco mais difícil, mas após alguns contatos a mesma se disponibilizou a contribuir. Com a IES C também foi tranquilo, mas o fato de a coordenação do curso estar em transição implicou num processo de aceitação mais demorado, mas também positivo. Os contatos com as IES D, IES E, IES F, IES G foram os mais difíceis e não apresentaram resultados. À medida que se conseguiu o aceite das IES A, B e C, foi combinada a forma de aplicação do instrumento de coleta de dados. Nas IES A e B, a aplicação dos questionários para os discentes foi realizada dentro de sala de aula com a aplicação do instrumento feito por docentes das IES. Na IES C, os questionários dos discentes foram aplicados via e-mail devido ao fato do semestre letivo já estar concluído. Ambas as formas de aplicação foram bastante exitosas, não havendo dificuldade na receptividade de discentes ou docentes. Com relação à abordagem em sala de aula, foi feita uma breve explanação sobre os objetivos da pesquisa e, em seguida, foram entregues os questionários aos alunos que voluntariamente concordaram em participar do estudo. Já na abordagem por e-mail, foi feito um texto introdutório no qual também se explicava o objetivo do estudo, sendo enviado em anexo o questionário a ser respondido. Inesperadamente o retorno por email foi bastante satisfatório na IES C. 6.3. Discussão A análise dos dados foi dividida em três momentos: a verificação da abordagem da sustentabilidade no projeto pedagógico do curso principalmente na malha curricular dos cursos eleitos e a análise da questão aberta e das questões fechadas do questionário. Na análise das respostas da questão aberta (Apêndice A/Questão 1), optou-se pela análise de conteúdo e pela classificação do discurso dos discentes a partir de categorias analíticas. Nesta questão aberta, qual o conceito dos alunos para moda sustentável, ou seja, buscou-se entender como a sustentabilidade é compreendida no sistema da moda. De acordo com Bardin (1994, p. 9), a análise de conteúdo “é uma hermenêutica controlada, baseada na dedução: inferência. Enquanto esforços de interpretação, oscila entre dois polos: do rigor da objetividade e da fecundidade da subjetividade”. Ainda segundo esse autor (tomado como referência neste estudo), essa técnica leva o pesquisador a conceber indicadores, necessários para a realização dessas inferências sobre as mensagens analisadas. O autor sugere que, ao analisar os resultados de questões abertas, pode-se utilizar como 66 ferramenta a associação de palavras a fim de estudar os estereótipos, que para ele é “a ideia que temos de...” (2011, p. 57). A representação de um objeto (coisas, objetos, ideias) é partilhada pelos membros de um mesmo grupo social, neste caso os discentes dos cursos ligados à área de moda, estudados nesta pesquisa. Baseado no procedimento de sistema de categorias, teorizado por Bardin (2011), utilizou-se a classificação dos elementos de significação contidos nas respostas que levam em conta as relações simbólicas dos indivíduos questionados. Em suas falas, os entrevistados externaram opiniões diversas em relação ao que eles definiam como moda sustentável, o que se explica devido a este conceito ter uma definição complexa e que muitas vezes pode ser interpretado na dimensão da moda enquanto consumo e/ou como produção, como já descrito neste trabalho. Como o conceito de sustentabilidade se aplica às dimensões social, ambiental e econômica (tripé da sustentabilidade) houve uma diversidade de respostas. No Quadro 8, apresentado abaixo, a partir das unidades significativas em categorias, percebeu-se uma diversidade das respostas: Quadro 8: Análise de Material Escrito/Questão 01 Unidades significativas em categorias analíticas/unidade de dados A- Aproveita insumos, recicla, reutiliza matérias primas (Resposta restrita) B-É feita com matéria prima que impacta menos o meio ambiente (Resposta restrita) C-Aproveita insumos, recicla, reutiliza matérias primas e é feita com matéria prima que impacta menos o meio ambiente (Resposta restrita) D- Refere-se a consumo consciente (Resposta restrita) E- Refere-se à responsabilidade social (Resposta restrita) F-Não houve condição de interpretação (Resposta restrita) G-Enquanto sistema produtivo utiliza matérias primas menos impactantes ao meio ambiente (cadeia mais limpa), utiliza a tecnologia e inovação para a otimização dos processos leva em consideração o “local” o aspecto social e o ético. Não deixa de ser rentável. Enquanto consumo tem um público que consome de forma mais consciente. (Resposta ampla) UPE 26 Fac. SENAC 26 UFPE 26 Total 78 6 5 6 17 4 8 2 14 3 6 6 15 2 3 2 7 1 1 2 4 1 2 1 4 9 1 7 17 Fonte: Dados da pesquisa. 67 Para essa análise, foram consideradas as respostas (unidade de dados) com dois tipos de classificação: resposta ampla (categoria G), que tinham um maior nível de complexidade e entendimento sobre o assunto, e resposta restrita (categorias A, B, C, D, E) apenas com alguma parte das respostas de nível maior de complexidade e respostas sem condição de interpretação, na qual as ideias não eram conexas. Conforme se pode inferir da transcrição de suas unidades de fala de resposta ampla a seguir: “Moda sustentável é aquela que, além de aumentar o ciclo de vida do produto, utiliza refugos de produção e tecnologia e matérias menos impactantes ao ambiente. Surge como um novo fenômeno de consciência ambiental, social e cultural em todas as etapas da cadeia no qual o consumidor tem papel fundamental para uma adequação do mercado: o de consumidor consciente” (discente da IES C). Um aspecto bastante latente na análise das respostas dos entrevistados foi a maior incidência de categorias de respostas com resposta restrita. Ou seja, dos 78 questionários aplicados, 62 foram depoimentos desse tipo, com o conceito de moda sustentável fragmentado. Como exemplo, eis o registro de um discente: “Moda sustentável é aquela que não prejudica o meio ambiente e pode ser baseada na reciclagem, diminuindo a poluição” (discente da IES A). Ou ainda “É uma moda limpa, sem desperdícios de matérias” (discente da IES B). Nestes exemplos, fica nítido que o conceito de sustentabilidade é percebido através apenas da dimensão ambiental, no que se refere à preservação do meio ambiente no que tange a cadeia produtiva. Na maioria das falas não se percebe contextualização mais ampla dos conceitos de desenvolvimento sustentável, contemplando, além do meio ambiente, o social, o econômico e o equilíbrio entre eles. Na análise das respostas dos discentes, também se evidenciou o seu bom nível intelectual. Entretanto, como já mencionado, o conhecimento sobre o assunto aparece de maneira fragmentada na qual a reciclagem/reaproveitamento e a redução do impacto ambiental aparecem como resposta de maior frequência (46 vezes). Isto leva à constatação de que a definição de moda sustentável ainda precisa ser muito discutida no âmbito acadêmico, pois essa fragmentação do entendimento conceitual se opõe a um conceito mais amplo e em diferentes dimensões (consumo x produção) no sistema da moda. 68 As questões fechadas do questionário (Apêndice A/Questões 2 a 16) foram divididas em variáveis baseadas nos seguintes itens: Sustentabilidade x Produção: Questões 15 e16; Sustentabilidade x Consumo: Questões 2, 3, 4, 5 e 6; Educação em moda sustentável (como a abordagem da sustentabilidade entra no escopo do curso): Questões 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13 e 14. Metodologicamente, foi utilizada a técnica estatística descritiva nas variáveis dos dados que a seguir serão apresentados. Na questão 15 (Gráfico 1), buscou-se saber, dos discentes de cada instituição, a percepção no segmento específico da indústria têxtil dentro da investigação da subárea moda sustentável enquanto produção. Os resultados das IES A e C se aproximaram, mas a percepção foi de que a indústria têxtil não pensa seu produto através dos conceitos da sustentabilidade, seguido do entendimento que esta indústria está entre os segmentos que mais consomem recursos naturais. Na IES C, a opinião dos alunos foi de que a indústria têxtil produz fibras alternativas e que todas são sustentáveis. No Gráfico 2, percebe-se que a variedade desses resultados demonstra a falta de informações acerca deste segmento, já que gradativamente a indústria da moda vem pensando em produtos e processos para se adequar a um mercado sustentável. Além da pressão do consumidor, as leis que regulamentam o mercado acabam por impor essas mudanças. Gráfico 1: Percepção sobre a indústria têxtil quanto à sustentabilidade: comparação por IES – Questão 15 Fonte: Dados da pesquisa, 2012. 69 Gráfico 2: Percepção sobre a indústria têxtil quanto à sustentabilidade: visão geral dos discentes Fonte: Dados da pesquisa, 2012. Nos Gráficos 03 e 04, relativos à questão 16, verificou-se como o discente estaria contribuindo para seu futuro profissional quanto às práticas sustentáveis em negócios da cadeia produtiva de moda. Nas três IES, sobressaiu-se principalmente a resposta que afirma que a consciência sobre a sustentabilidade está na “moda”, na qual a comunicação, a criação e a divulgação de produtos sustentáveis façam parte do mercado de moda. Este aspecto destacou-se mais nas IES B e C. A segunda alternativa mais recorrente foi a que propôs a contribuição profissional através da criação de produtos sustentáveis e também rentáveis. Esta segunda opção demonstra que, para parte dos discentes, a dimensão econômica é importante dentre o tripé da sustentabilidade. Contribuiu para esta constatação o pensamento de Paul Dickson (apud MAZUR, 2010) que diz: “O interessante do mundo dos negócios é que ele não tem ideologia, exceto ganhar dinheiro. Se for possível demonstrar que se pode ganhar dinheiro salvando o mundo, as pessoas e empresas vão começar a salvar o mundo rapidinho”. 70 Gráfico 3: Contribuição pessoal com relação a práticas sustentáveis na cadeia produtiva de moda: comparação por IES /Questão 16 Fonte: Dados da pesquisa, 2012. Gráfico 4: Contribuição pessoal com relação a práticas sustentáveis: visão geral dos discentes Fonte: Dados da pesquisa, 2012. No Gráfico 5 buscou-se saber dos discentes de cada instituição se para eles era importante terem uma postura coletiva para agirem de forma sustentável. Ficou claro que em todos os discentes, independente da IES, esta atitude era extremamente importante, já que a concordância (total e parcialmente) foi predominante (Gráfico 6). Sobre esta postura, Trigueiro (2012) afirma que não há dúvida de que a sociedade caminha na direção da sustentabilidade e aqueles que não estiverem alinhados na mesma direção perderão oportunidades de negócios por não compreenderem as novas demandas do Século 21. Desta 71 forma, a sustentabilidade é, sim, percebida como algo essencial e positivo no convívio coletivo. Gráfico 5: Postura coletiva sobre agir de forma sustentável: comparação por IES /Questão 2 Fonte: Dados da pesquisa, 2012. Gráfico 6: Postura coletiva sobre agir de forma sustentável: visão geral dos discentes Fonte: Dados da pesquisa, 2012. Em sequência, verificou-se a variável relacionada ao consumo consciente. Nos Gráficos 07 e 08, foi constatado que nas três IES as respostas se aproximaram: a maioria considerou concordar parcialmente (43,58%) ou concordar totalmente (11,53%) em ser um consumidor consciente, sendo que também uma parte considerável (30,76%) respondeu que é indiferente à questão. 72 Este resultado demonstra que se faz necessária ainda uma disseminação dos valores do consumo consciente nas IES. Dados do Instituto AKATU mostram que apenas 28% dos brasileiros se revelam engajados ou conscientes e que, destes, quase metade cursou apenas o ensino fundamental. Comparando as duas fontes de dados, vê-se que o ambiente acadêmico aparece como um local de informação que pode levar a um nível menor de consumo, desde que esta concepção seja apresentada. Fletcher & Grose (2011, p. 158) consideram que os novos profissionais de moda podem comunicar, de uma nova maneira, uma visão de moda e sustentabilidade: fornecendo instrumentos, habilidades e linguagens para amplificar uma voz coletiva, a fim de que uma mudança profunda chegue mais depressa ao setor. Gráfico 7: Percepção sobre ser consumidor consciente: comparação por IES /Questão 03 Fonte: Dados da pesquisa, 2012. Gráfico 8: Percepção sobre ser consumidor consciente: visão geral dos discentes Fonte: Dados da pesquisa, 2012. 73 No resultado do Gráfico 9 foi verificado se os discentes possuíam itens do vestuário com valor sustentável. Nessa questão, levou-se em consideração que o vestuário representa uma parcela significativa do consumo das pessoas e que os produtos de valor sustentável tem o custo 20% maior. Nas IES públicas (IES A e IES C), a maioria não possuía nenhum item; enquanto na IES particular (IES B), a maioria possuía algum destes itens. Na visão geral da questão (Gráfico 10), os resultados distanciam-se dos Gráficos anteriores analisados, pois, apesar de os estudantes se considerarem na sua maioria consumidores conscientes, neste resultado 52,56% não possui itens do vestuário com valor sustentável. Vale salientar que nesse estudo não se buscou conhecer o perfil econômico dos pesquisados, logo não há como relacionar se o consumo de itens do vestuário de valor sustentável em maior quantidade na IES particular tem a ver com esta consideração. Gráfico 9: Possui item do vestuário com valor sustentável: comparação por IES / Questão 04 Fonte: Dados da pesquisa, 2012. Gráfico 10: Possui item do vestuário com valor sustentável: visão geral dos discentes Fonte: Dados da pesquisa, 2012. 74 A Questão 05 traz os resultados apresentados nos Gráficos 11 e 12, onde se verifica a preferência por compra de produtos com valor sustentável, sendo também o resultado entre as três IES foi equivalente para “discordo” e “indiferente”. Comparando com o resultado do Gráfico anterior, o fato de os alunos estarem ligados à área de moda demonstra que, para o item vestuário, há uma maior preocupação para os produtos com valor sustentável do que para os outros produtos em geral. Gráfico 11: Preferência por compra de produtos com valor sustentável: comparação por IES /Questão 05 Fonte: Dados da pesquisa, 2012. Gráfico 12: Preferência por compra de produtos com valor sustentável: visão geral dos discentes Fonte: Dados da pesquisa, 2012. Quando perguntado aos discentes se eles acreditavam na existência de um público consumidor de vestuário com valor sustentável no mercado de moda, nas três IES a maioria respondeu que concordava totalmente e parcialmente, sendo que estes são complementares. O Gráfico 13 traz o resultado comparado entre as IES, confirmando que os discentes acreditam na existência de um mercado sustentável, mostrando uma postura confiante e positiva. O 75 Gráfico 14 mostra a visão geral dos alunos, com 85,89% acreditando na existência do mercado de moda sustentável, o que corrobora com o pensamento de Berlim (2012), que afirma que o mesmo se encontra em um cenário em construção, através das possibilidades em vários cenários, a saber: Cenário 1: os consumidores comprariam roupa e compartilhariam com outras pessoas; Cenário 2: sistema de aluguel de roupas; Cenário 3: o consumidor participa da criação, produção e personalização das peças; Cenário 4: as empresas/lojas oferecem serviços de manutenção e restauração de roupas. Todos estes cenários propõem uma maior durabilidade do produto e uma maior identificação do consumidor com o produto. Gráfico 13: Existência de público consumidor no mercado de moda de produtos do vestuário com valor sustentável: comparação por IES / Questão 06 Fonte: Dados da pesquisa, 2012. 76 Gráfico 14: Existência de público consumidor no mercado de moda de produtos do vestuário com valor sustentável Fonte: Dados da pesquisa, 2012. A partir do Gráfico 15, apresenta-se o resultado sobre a variável da abordagem da sustentabilidade nos cursos que dos discentes. Primeiramente, investigou-se sobre a importância de se estudar sustentabilidade no ambiente acadêmico, verificando-se que todos os discentes da IES B concordaram total ou parcialmente. Os discentes da IES A também demonstraram um alto, embora menor, nível de concordância. Na IES C, mais da metade dos discentes escolheu também esta opção demonstrando que para eles este conhecimento é válido. Todavia, chamou atenção o fato de muitos alunos serem indiferentes a esta proposição educacional. O Gráfico 16 traz uma visão geral dos alunos, mostrando que 83,32% dos mesmos consideram importante o estudo da sustentabilidade. A difusão de informação na formação destes novos profissionais está diretamente relacionada à implantação de disciplinas de caráter socioambiental nos currículos de seus cursos. Para Berlim (2012), “na medida em que a preocupação com essas questões vem crescendo, aumenta também o número de jovens interessados no conhecimento científico necessário para lidar com os problemas e desafios atuais e que os ajude a pensar e se inserir no mercado contemporâneo.” 77 Gráfico 15: Importância pessoal de estudar relações entre moda e sustentabilidade no curso que estuda: comparação por IES / Questão 07 Fonte: Dados da pesquisa, 2012. Gráfico 16: Importância pessoal de estudar relações entre moda e sustentabilidade no curso que estuda: visão geral dos discentes Fonte: A autora Na sequência (Gráfico 17), verifica-se a existência de disciplinas de Moda Sustentável ou Ecodesign nas IES. Na IES A foi constatado que dos 25 dos 26 discentes respondentes reconheceram a oferta da disciplina, enquanto nas outras duas IES a maior parte dos discentes não reconheceu a existência destas disciplinas em seus cursos. O resultado foi comparado com a malha curricular dos cursos ligados à moda das três IES, confirmando que na IES A aparece a disciplina de Moda e Sustentabilidade (PEX 5), que aborda conteúdos socioambientais dentro do contexto da Cadeia T&C. Na IES C, apesar do alto índice de alunos que não reconheceram a existência de disciplinas, observou-se no projeto pedagógico 78 do Curso de Design a existência de três disciplinas que têm seus conteúdos indiretamente relacionados com sustentabilidade (Projeto de Produto com ênfase em Design Social; Design e Sustentabilidade; e Design e Reutilização de Materiais) e apenas uma que é diretamente relacionada à moda (Materiais Têxteis, Moda e Sustentabilidade). Vale salientar que todas as disciplinas da IES C citadas são de caráter optativo e não há periodicidade de oferta das mesmas. O fato de não haver obrigatoriedade do estudo desta temática no Curso de Design pode estar relacionado com os resultados da IES C no aspecto analisado. Os discentes da IES B externaram, na sua grande maioria, que não reconheciam a existência da disciplina de moda sustentável e, ao se consultar o PP do Curso de Design de Moda, comprovou-se a inexistência da mesma. Retomando o pensamento de Berlim (2012), o objetivo destas disciplinas não é apenas capacitar o futuro profissional num mercado diferenciado mais inspirá-lo a ser sustentável e agir de forma ética, daí a importância do estudo destes conteúdos nos cursos superiores ligados à moda. Gráfico 17: Oferta de disciplina de Moda Sustentável/Ecodesign no curso que estuda: comparação por IES / Questão 08 Fonte: Dados da pesquisa, 2012. O Gráfico 18 traz o resultado da Questão 09, que investigou se as IES priorizavam trabalhos que realizavam práticas sustentáveis. Os discentes da IES A foram unânimes em concordar com esta prática em sua IES, já que apenas poucos se mostraram indiferentes em relação à questão. Em menor proporção, os discentes da IES C também reconheceram a prática. Em oposição aos resultados das IES anteriores, os discentes da IES B discordam ou 79 são indiferentes quanto à priorização de trabalhos que realizam práticas sustentáveis na sua instituição. Gráfico 18: Priorização de trabalhos acadêmicos que realizam práticas sustentáveis no curso que estuda: comparação por IES / Questão 09 Fonte: Dados da pesquisa, 2012. Em seguida (Gráfico 19), buscou-se saber se existiam, nos cursos das IES investigadas, projetos de extensão na área de moda sustentável. Na IES A, a maioria dos discentes concordou parcial ou totalmente que existiam projetos de extensão, enquanto nas IES B e C cerca de metade dos discentes foram indiferentes ou discordaram. Vale salientar que, no projeto pedagógico do curso de Administração com ênfase em Marketing de Moda da IES A (2006), verificou-se a existência da proposta da integração entre extensão e graduação e que, na prática, esta ação se dá na disciplina Moda Sustentável (Projeto Experimental 5 /PEX 5), que é integrada ao projeto de extensão Modateca Ambiental. Gráfico 19: Existência no curso de projetos de extensão na área de moda e sustentabilidade: comparação por IES / Questão 10 80 Fonte: Dados da pesquisa, 2012. Investigando-se sobre a abordagem sustentável na produção acadêmica da IES (Gráfico 20), buscou-se saber se existiam, nos seus cursos, projetos de pesquisa na área de moda sustentável . Nas IES B e C, a maioria dos discentes discordou ou foi indiferente. Ou seja, os discentes não reconhecem que há projetos de pesquisa nesta área. Na IES A, houve uma maior concordância quanto à existência de projetos de pesquisa na área de moda sustentável. Ao se verificar a existência de grupos de pesquisa destas IES na Plataforma Lattes do CNPq, não foram identificados projetos de pesquisa dessa área em nenhuma das três IES. O que confirma a percepção dos alunos da IES B e da IES C, mas não a da IES A. Gráfico 20: Existência no curso de projetos de pesquisa na área de moda e sustentabilidade: comparação por IES / Questão 11 Fonte: Dados da pesquisa, 2012. Quando perguntados aos discentes se o curso deles permitia amplos conhecimentos das questões envolvendo a sustentabilidade (Gráfico 21), a maioria da IES A respondeu que concordava parcial e totalmente, sendo estas opções complementares. Fato este que demonstra que esta IES, ao ofertar disciplina e projetos acadêmicos nesta área, permite um amplo conhecimento da temática aos seus alunos. Na IES C, o conhecimento sobre sustentabilidade é feito de forma transversal, ainda que não fique clara a existência de projetos de pesquisa ou extensão, sendo a difusão do conhecimento na percepção sobre sustentabilidade disseminada na IES. Já na IES B, fica evidente que não há para os discentes um reconhecimento acerca da questão abordada. Logo, fica evidente que há um vazio desta temática na formação do estudante, o que deve ser melhorado e corrigido o mais rápidamente pela IES. 81 Gráfico 21: Percepção de desenvolvimento do conhecimento acadêmico na área de sustentabilidade: comparação por IES / Questão 12 Fonte: Dados da pesquisa, 2012. Nesta investigação buscou-se também saber se era possível, para os discentes, colocar em prática no mercado que eles irão atuar os conhecimentos teóricos sobre sustentabilidade adquiridos ao longo dos seus cursos. No Gráfico 22, as IES A e B se aproximaram nos resultados, o que significa que seus discentes se sentem otimistas na relação teoria vs. prática de seus conhecimentos socioambientais. A IES C também acompanhou esse resultado, mas ainda houve uma parcela de discentes que discordou desta afirmação. O Gráfico 23 apresenta a visão geral dos alunos e mostra uma postura confiante dos discentes em relação à questão perguntada. Como os conceitos da sustentabilidade são entendidos como pertencentes ao arcabouço cultural das pessoas e, nesta análise, percebeu-se um otimismo dos questionados é bem provável que, na futura atuação profissional, esses discentes apliquem os conhecimentos teóricos adquiridos. Gráfico 22: Possibilidade de colocar em prática o conhecimento teórico sobre sustentabilidade adquirido no curso em que estuda: comparação por IES /Questão 13 82 Fonte: Dados da pesquisa, 2012. Gráfico 23: Possibilidade de colocar em prática o conhecimento teórico sobre sustentabilidade adquirido no curso em que estuda: visão geral dos discentes Fonte: Dados da pesquisa, 2012. Com intuito de conhecer os meios de informação sobre sustentabilidade na área de moda dos alunos, foi perguntado aos discentes quais eram as principais fontes de informação sobre este assunto (Gráfico 24). Nas IES B e C, a maioria dos discentes citou que os sites, seguidos dos blogs, eram as suas principais fontes de informação. Por outro lado, os discentes da IES A afirmaram que a sala de aula era a sua principal fonte de informação, o que demonstra que esta IES vem fazendo um trabalho mais consolidado em relação ao papel da universidade na difusão de informação de caráter socioambiental. Ao analisar o resultado geral das três IES (Gráfico 25), percebe-se que a área acadêmica, base de formação de profissionais, ainda é tímida sobre esses novos cenários, estando num processo de reconhecimento de possibilidades e necessita da reciclagem sobre novos cenários e novos atores acerca da sustentabilidade e maior disseminação no ambiente acadêmico. 83 Gráfico 24: Fonte de informação sobre moda sustentável: comparação por IES /Questão 14 Fonte: Dados da pesquisa, 2012. Gráfico 25: Fonte de Informação sobre moda sustentável: visão geral dos discentes Fonte: Dados da pesquisa, 2012. Com base nessas categorias de análise e variáveis, foram trabalhados e interpretados todos os dados obtidos a partir das opiniões dos investigados e da fundamentação teórica descrita neste estudo. Por fim, inferiu-se, de forma geral e a partir da análise das falas e respostas dos 78 discentes respondentes nas três IES, que o complexo conceito sobre o que é moda sustentável é percebido de forma fragmentada e muitas vezes superficial, necessitando de uma ampla discussão nos cursos ligados à moda no Estado de Pernambuco. A disseminação das questões da sustentabilidade na gestão dos negócios da moda é de fundamental importância para o crescimento organizado e sustentável da cadeia produtiva de T&C de Pernambuco. Necessidade esta que será trabalhada intensamente na malha curricular e no conceito do Curso Superior de Tecnologia em Gestão em Negócios da Moda, considerando as definições, as etapas e as demais especificidades da estrutura projetual e conceitual do projeto pedagógico apresentado próximo tópico. 84 7. PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM GESTÃO EM NEGÓCIOS DA MODA A partir deste capítulo apresentar-se-á a proposta do projeto pedagógico do Superior de Tecnologia em Gestão em Negócios da Moda, construído segundo o entendimento da autora à luz da análise de conteúdo dos dados, tomando-se como referência o modelo padrão de projeto pedagógico de cursos recomendado pela Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) da Universidade de Pernambuco (UPE). 7.1. Concepções do curso A concepção básica do curso acima citado é formar profissionais, através do viés da sustentabilidade, habilitando-os ao exercício da função de gestor nos vários negócios que compõem a cadeia produtiva de têxteis e confecções, para atuar em sintonia com as demandas do mercado de trabalho. 7.2. Finalidade do Curso A finalidade básica do presente curso é formar gestores em negócios da moda com perfil voltado para a sustentabilidade empresarial, revestindo-os de qualificação superior de modo a torná-los profissionais habilitados, com embasamento técnico-científico nos demais segmentos que envolvem a Gestão de Negócios em Moda, tais como conhecimentos de administração, marketing, contabilidade, gestão de pessoas, gestão da qualidade, processos produtivo em indústrias de confecção, desenvolvimento sustentável, entre outras áreas, conforme estabelecido no currículo pleno. 7.3. Objetivo Geral do Curso Atender às necessidades de conhecimento em gestão de negócios da moda no Estado, onde está sendo implantado o curso, no qual o profissional integrante desta categoria tenha acesso à formação técnico-científica com ênfase nos conhecimentos sobre sustentabilidade. 85 7.4. Objetivos Específicos do Curso Capacitar profissionais para a área de gestão de negócios da moda, com formação superior específica, levando em conta os conhecimentos exigidos pelo mercado; Oferecer a este profissional ampliação e atualização dos seus conhecimentos e das aplicações dos conhecimentos técnicos e administrativos em gestão de moda através de um viés de sustentabilidade ambiental, social e econômico no ambiente tecnológico e empresarial da atualidade; Oportunizar vivência profissional através de atividades práticas e do Estágio Obrigatório. 7.5. Perfil profissional do egresso O Curso Superior de Tecnologia em Gestão de Negócios de Moda, no processo pedagógico (de seus profissionais), deverá desenvolver um conjunto de habilidades e competências a fim de viabilizar o domínio de conteúdos que se articulam para a formação de um determinado perfil profissional. Esse perfil, que o processo pedagógico deve garantir ao final do curso, envolve necessariamente: Responsabilidade social, justiça e ética profissional; Formação humanística e visão sistêmica, holística para compreender o meio onde está inserido e a tomar decisões em um mundo diversificado e interdependente; Formação técnica e científica para atuar no mercado e desenvolver atividades específicas da prática profissional em consonância com as práticas da sustentabilidade; Compreensão da necessidade do contínuo aperfeiçoamento profissional. Ao final do curso, o profissional terá constituído as competências necessárias para desenvolver e implementar projetos em negócios de moda, com base nos conceitos e nos princípios relacionados com gestão de marcas de moda, viabilização, acompanhamento e avaliação dos processos envolvidos; habilidades necessárias para o planejamento e a execução dos produtos e dos serviços de moda; e valores subjacentes ao desenvolvimento sustentável, garantindo que, na formação do perfil profissional desejado, o acadêmico do curso possa desenvolver as seguintes habilidades e competências: 86 Comunicar-se com desenvoltura e com capacidade argumentativa, expondo suas ideias com clareza; Lidar com modelos de gestão inovadores; Manter-se atualizado sobre inovações e mudanças da área, visando o incremento dos negócios, bem como sua constante renovação; Liderar equipes de trabalho, com respeito aos princípios de gestão de pessoas e de relações interpessoais no trabalho; Aplicar conceitos administrativos, mercadológicos e sustentáveis no ramo de negócios da moda; Interpretar a complexidade do mundo globalizado e os contextos sociopolíticos, econômicos e culturais, antevendo oportunidades de negócios na área da Moda e traçando planos de ação que colaborem para sua sustentabilidade; Compreender as políticas nacionais e regionais de moda e realizar seu trabalho na perspectiva de valorizá-las; Orientar suas ações pelos princípios da ética e da responsabilidade social, pautando-se em valores que sustentem o desenvolvimento econômico e social; Atuar com consciência crítica, capacidade de inovação e flexibilidade, visando ampliar perspectivas para o desenvolvimento da área da Moda e de seu próprio desenvolvimento profissional; Identificar problemas e propor soluções criativas, orientadas pelos princípios da ética, do empreendedorismo e da qualidade; 7.5.1. Competências e habilidades gerais A formação dos gestores em negócios de moda tem por objetivo dotar os profissionais dos conhecimentos requeridos para o exercício das seguintes competências e habilidades gerais: I- Comunicação: devem ser acessíveis e manter a confidencialidade das informações a eles confiadas, na interação com outros profissionais e o público em geral; II- Administração e gerenciamento: devem estar aptos a tomar iniciativas, fazer o gerenciamento e administração tanto da força de trabalho quanto dos recursos físicos e de informação, da mesma forma que devem estar aptos a ser empreendedores, gestores, empregadores ou líderes de equipe; 87 III- Moda: devem compreender a Moda com responsabilidade social por meio de uma estrutura curricular dinâmica, diversificada e interdisciplinar necessária para que a Moda seja compreendida como fenômeno social, cultural, econômico e comunicacional; IV- Sustentabilidade: devem estar aptos a implantar e gerenciar projetos sustentáveis, tendo iniciativa empreendedora referente ao Desenvolvimento Local Sustentável. 7.5.2. Competências e habilidades específicas A formação dos gestores em negócios da moda tem por objetivo dotar o profissional dos conhecimentos requeridos para o exercício das seguintes competências e habilidades específicas: Planejar e desenvolver plano de negócios na área de moda, levando em consideração tecnologias, tendências de moda, público consumidor, identidade da marca, materiais, equipamentos e outros elementos envolvidos no processo de criação, produção e comercialização da coleção; Interagir com designers, modelistas, costureiras, profissionais de comunicação e marketing e outros envolvidos no processo de gestão, reconhecendo os princípios da gestão da confecção para garantir a qualidade do produto final; Implementar estratégias de marketing e gestão, propondo alternativas viáveis de trabalho, tendo em conta as características e as necessidades específicas do mercado de moda; Empregar vocabulário técnico específico na comunicação com diferentes profissionais da área e com os clientes; Aplicar princípios, estratégias e alternativas de gestão no trabalho autônomo ou nas organizações empresariais; Gerir negócios de moda adequados às funções práticas e estéticas, promovendo a cultura regional e prevendo as consequências ecológicas, econômicas, sociais e políticas, garantindo os princípios de responsabilidade social e preservação do meio ambiente. 88 7.6. Público-alvo Pessoas que tenham escolaridade mínima do Ensino médio ou equivalente. 7.7. Regime escolar Nesta sessão, apresentar-se-á o conjunto de regras que definem a organização administrativa, didática e pedagógica do curso proposto. 7.7.1. Denominação do curso A denominação do presente curso será: Curso Superior de Tecnologia em Gestão dos Negócios da Moda 7.7.2. Local e funcionamento do curso As aulas teóricas serão ministradas na sede da FCAP/UPE, em Recife, no turno da noite. Os estágios serão desenvolvidos no turno do dia junto a empresas e IES conveniadas, como também no Marco Pernambucano da Moda, projeto do Governo do Estado e do Núcleo Gestor da Cadeia Produtiva de Têxteis e de Confecções do Estado de Pernambuco, gerido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (SDEC). Este é um projeto do Programa Pernambuco Criativo, executado a partir de convênio, no valor de R$ 1.956.293,85, firmado entre a SDEC e a Petroquímica Suape, e visa abrigar, em suas instalações, espaços para eventos e mostras, além de um programa de incubação de empresas, designers e estilistas. 7.7.3. Número de vagas 50 (cinquenta) vagas anuais. 89 7.7.4. Infra-estrutura disponível 01 (uma) sala com equipamento multimídia, ar condicionado, quadro branco e flip chart; 01 (uma) secretaria com infra-estrutura para atender o controle acadêmico. 01 (uma) biblioteca com acervo de 39.339 livros; 02 (dois) auditórios; 02 (dois) laboratórios. 7.7.5. Turno de funcionamento O curso realizar-se-á no turno da noite, de 2ª a 6ª feira das 18h30 às 22h25 e, ocasionalmente, aos sábados em horário a ser estipulado posteriormente. Os Estágios Obrigatórios II e III, de 30 h/cada, ocorrerão nos 4º e 5º semestres, no turno diurno, junto ao Marco Pernambucano da Moda, conforme os enfoques informados no currículo pleno do presente projeto. 7.7.6. Forma de ingresso O candidato à vaga será selecionado através de processo seletivo (vestibular) e de acordo com as normas da UPE. 7.7.7. Sistema de matrícula A matrícula será realizada semestralmente obedecendo aos requisitos da Malha Curricular. 90 7.7.8. Critérios de avaliação das disciplinas A verificação da aprendizagem será feita por disciplina, abrangendo assiduidade e aproveitamento: Assiduidade consiste na frequência de, no mínimo 75% da carga horária programada para cada disciplina, considerando-se reprovado o aluno que não atingir este percentual. Aproveitamento consiste nos resultados obtidos nos exercícios escolares (provas ou trabalhos) realizados no decorrer do período letivo. A avaliação do aproveitamento deverá considerar as notas correspondentes a 03 (três) provas ou trabalhos realizados durante o desenvolvimento das disciplinas e 01 (uma) nota final. Apesar da preocupação com o desenvolvimento do trabalho em equipe, ao menos 01 (uma) das avaliações deverá medir o desempenho individual do aluno. Para ser considerado aprovado o aluno devera obter nota igual ou superior a 6 (seis) na média das três avaliações correspondentes a cada matéria ou atividade mais a nota da prova final, aproveitando-se das três avaliações as 02 (duas) notas mais altas. Os alunos que obtiverem nota igual ou superior a 7 (sete), considerando 02 (duas) das 03 (três) avaliações, serão aprovados por média. Esses critérios poderão ser ajustados pelo Regimento Interno do Curso. 7.7.9. Critérios de avaliação do curso A avaliação dar-se-á de acordo com o Regimento Interno da Instituição. 7.7.10. Tempo de integralização curricular O curso poderá ser concluído no mínimo em 2,5 anos (dois anos e meio) e no máximo em 3 (três) anos, sendo que estes terão 400 (quatrocentos) dias letivos. 91 7.7.11. Diplomas de conclusão Os diplomas concedidos aos concluintes do Curso Superior de Tecnologia em Negócios da Moda conterão o campo de saber a que se referem os estudos feitos, a respectiva carga horária e a data de conclusão, além dos seguintes dizeres: Curso Superior de Tecnologia em Negócios da Moda. Os diplomas do curso serão registrados na forma da legislação em vigor. 7.7.12. Aproveitamento de disciplinas A FCAP/UPE poderá acatar requerimento do aluno, solicitando dispensa de disciplinas cursadas anteriormente em curso superior sequencial de formação específica ou de graduação, existindo equivalência de carga horária, e de programa das disciplinas cursadas com as ofertadas pelo curso. Quanto aos custos (caso ocorra o aproveitamento da disciplina, no curso, com disciplina cursada anteriormente em um curso superior), o aluno pagará à Instituição a importância proporcional ao número de disciplinas e créditos, que deverão ser cursados, ou seja, que não foram considerados equivalentes. Os alunos que tiverem dificuldades em alguma disciplina (exemplo: reprovação) serão tratados, nestes casos, como aluno especial, seguindo as normas da Instituição. 7.8. Princípios norteadores do Projeto Pedagógico Coerente com a Lei 9.394/96 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o projeto pedagógico do Curso tem como concepção filosófica a excelência das atividades acadêmicas e a pertinência e contextualização de suas práticas, que se expressam a partir dos seguintes princípios norteadores: Desenvolvimento de projetos interdisciplinares em que professores e alunos compartilham experiências, criam oportunidades de aprendizagem e estabelecem novas relações entre si; Ênfase em conteúdos significativos, marcados por sólida fundamentação teórica e estreita relação com a realidade de trabalho, através da aplicação da Problematização e do EBP; 92 Aplicação de metodologias inovadoras que propiciam a ampliação do conhecimento e o enriquecimento cultural, concebendo: o O aluno como responsável maior por seu aprendizado; o O currículo integrado e integrador, facilitando e estimulando o aprendizado em razão da visualização do todo e do sequenciamento das etapas da sua formação; o Oferta de oportunidades de aprendizagem, através de laboratórios, oficinas, vivências pedagógicas; o Conteúdos curriculares contextualizados e trabalhados, através da metodologia da aprendizagem baseada em problemas; o A avaliação voltada para o potencial cognitivo e o desenvolvimento de habilidades e competências tomando em conta a realidade local e global; o Estímulo ao trabalho em grupo e à cooperação interdisciplinar; o Aprendizagens significativas, resultado da problematização e solução de situações reais de trabalho; o A aquisição de habilidades e o desenvolvimento de competências necessárias ao desempenho profissional a partir da clara percepção do aluno quanto à utilidade do conteúdo de cada uma das disciplinas para a sua formação; o A formação ético-moral voltada para o pleno exercício da cidadania. Avaliações que consideram, também, a consciência e o comportamento do ser humano enquanto permanente estudante. A proposta curricular buscou possibilitar uma estreita relação com o meio em que se insere o curso, incluindo instituições, organizações, empresas e grupos comunitários através das ações de ensino, pesquisa e extensão universitária. Está estruturada para responder não somente o que sinaliza o mercado de trabalho, mas apontar alternativas de mudanças e inovações, considerando fatores sociais e econômicos, assim como as relações no tocante a gênero, etnia, cor, crenças, deficiências etc. 93 7.9. Concepção do Projeto Pedagógico Na atualidade, o ensino e a pesquisa acadêmica tendem a se aproximar dos interesses econômicos do mercado de moda já que o conhecimento surge como um fator tecnológico e mercadológico pertinente às exigências produtivas de um mercado global. Os cursos de formação de nível superior na área de moda e vestuário apresentam-se em duas categorias de formação: Bacharel e Tecnólogo. De acordo com as definições do MEC, os cursos de bacharelado formam para o exercício de uma profissão em nível superior. A maioria dos cursos possui duração de 4 (quatro) anos, com Estágio Obrigatório ou Trabalho de Conclusão de Curso para obtenção do grau de bacharel (BRASIL, 2012). Os cursos de graduação que formam os tecnólogos têm como base legal a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, e a Resolução CNE/CP3, do Conselho Nacional de Educação. São cursos de Educação Tecnológica ou Cursos Superiores de Tecnologia, os CSTs de curta duração, que variam de 2 (dois) a 3 (três) anos, e que têm a opção de oferecer certificações intermediárias a cada período, desde que estejam regulamentadas no projeto do curso. Nestes, o profissional é habilitado para o exercício da profissão a que o curso se propõe. A organização curricular dos Cursos de Tecnologia é voltada para a formação tecnológica (SANCHES, 2006). Segundo a edição da Revista Época, de 24 de outubro de 2011 (p. 116): “A carreira técnica está em alta no mercado de trabalho brasileiro. Principalmente nas áreas de tecnologia e infra-estrutura – justamente as que mais ficaram reprimidas durante a estagnação econômica das décadas de 1980 e 1990.” Ainda segundo a reportagem, entre os três tipos de profissionais mais disputados, pelo mercado aquecido, estão os tecnólogos. A partir da implantação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional promulgada em 1996, todas as instituições educativas passaram a ter o dever de elaborarem e executarem as suas propostas pedagógicas. O projeto pedagógico (PP) surge como um instrumento político, filosófico e teórico-metodológico que norteia as práticas da instituição e dos cursos e que leva em conta sua trajetória histórica, sua missão, visão de mundo, de homem e educação, objetivos gerais e específicos. Sobre os projetos pedagógicos dos cursos nas Instituições de Ensino Superior, ressalta-se o PP como instrumento de orientação para a gestão acadêmica e administrativa do Curso. 94 Assim, é importante que sua formulação, bem como sua implementação, esteja sob a responsabilidade do coletivo de cada curso (UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIÂNGULO MINEIRO, 2011). Enfim, o PP é a bússola que permite trabalhar com confiança, compromisso e responsabilidade. Para Veiga (2001), o PP se caracteriza por: a) ser processo participativo de decisões; b) preocupar-se em instaurar uma forma de organização de trabalho pedagógico que desvele os conflitos e as contradições; c) explicitar princípios baseados na autonomia da escola, na solidariedade entre os agentes educativos e no estímulo à participação de todos no projeto comum e coletivo; d) conter opções explícitas na direção de superar problemas no decorrer do trabalho educativo voltado para uma realidade específica; e) explicitar o compromisso com a formação do cidadão. Dessa forma, entende-se que o PP é um processo de gestão educacional democrático, coletivo, sistematizado, transparente, instrutivo e que reflete uma realidade específica. O mesmo deve ser considerado como um caminho, um ponto de partida e de chegada que determina aonde a universidade quer chegar. Em relação à estrutura curricular do curso aqui proposto, o mesmo abrange um referencial teórico/metodológico amplo, garantindo a integração teoria/prática, considerando a interdisciplinaridade como essencial para percepção global do conhecimento em gestão através de disciplinas das áreas científicas, tecnológicas e humanas, visando assegurar uma visão generalista e o preparo do aluno para atuação no mundo contemporâneo e no futuro. O curso propõe uma perspectiva interdisciplinar, com enfoque na interação e na comunicação entre os campos do saber, o que gerará a integração do conhecimento em áreas significativas. Semestralmente, as reuniões pedagógicas do corpo docente definirão as estratégias de integração das disciplinas. Em UAMT (2011), vamos encontrar a seguinte contribuição: “...comunidade escolar com o trabalho em torno dos grandes temas que podem ser particularizados ou especificados a partir do contexto do curso, dialogando com os conhecimentos indicados nas diretrizes, não de forma linear, mas que envolvam uma área as perspectivas interdisciplinar e transdisciplinar exigem o comprometimento de toda a mais ampla.” 95 A proposta didático-pedagógico que orienta a relação docente-discente é fundamentada em premissas filosófico-acadêmicas, considerando as linhas básicas de ensino, pesquisa e extensão, tripé da UPE. A seleção, o sequenciamento e a hierarquização dos conteúdos, disciplinas e atividades que levam à organização do currículo foram cuidadosamente trabalhados, sendo de fundamental importância para a sistematização da metodologia e dos procedimentos didáticos onde estão expressos princípios e valores legitimados pelo fazer pedagógico. A definição da ênfase em sustentabilidade como área de formação em graduação a ser assumida pela UPE no conjunto de ações criou dois desafios a serem superados para ajustar o projeto do curso a essas premissas, a saber: 1. Colocar o contexto socioeconômico de Pernambuco como ponto de partida e de chegada do curso, uma vez que é parte importante de uma ação articulada de apoio ao desenvolvimento socioeconômico e ambiental do Estado; 2. Sem prejuízo à formação de um gestor pleno e atendendo às novas diretrizes do MEC que extingue as habilitações em campos específicos da Administração, aprofundar as competências dos egressos do curso no campo do Desenvolvimento Sustentável. O que poderia parecer uma ameaça ao planejamento do projeto, rapidamente transformou-se em oportunidade de desenvolver uma proposta inovadora, na qual os desafios acima relacionados foram superados com a aplicação de princípios adequados ao seu planejamento e modelo de gestão. É sabido que o projeto pedagógico se caracteriza, na sua essência, como uma ação ordenada e coordenada em que se explicitam claramente propósito, atividades, recursos a serem aplicados, estratégias e métodos a serem empregados para que sejam alcançados objetivos e metas pré-definidas em determinados momentos no tempo. A visão clara dos objetivos serve para estabelecer a razão de cada atividade empreendida, facilitando a visualização e a avaliação da contribuição de cada uma delas para o resultado final, com reconhecido valor para o comprometimento e a motivação dos atores envolvidos. 96 No tocante ao gerenciamento, a direção, o controle e a avaliação ficam bastante facilitados pela possibilidade de definir antecipadamente (conformidade) e acompanhar as “entregas” (ou resultados) de cada atividade/ação em relação ao objetivo final pretendido. Em apoio a essas idéias, é oportuno lembrar as cinco funções da pedagogia de projeto propostas por Bru e Not (1987), qual sejam: 1. Motivação-projeto. A motivação supõe a razão de ser, o sentido do esforço, o prazer da recompensa pela realização das atividades que levam a um resultado antecipado, justificado e conscientemente assumido; 2. Didática-projeto. Os desafios do saber e do saber fazer são articulados na ação do projeto, de maneira que o que fazer e o como fazer se integram no processo educativo; 3. Custo-projeto. Não existe atividade sem custo correspondente. O projeto assume e gerencia os custos indispensáveis com pessoas, materiais e tempo para sua realização, avaliando permanentemente a relação custo benefício dos resultados; 4. Parceiros-projeto. Os autores ressaltam a exigência de mediação entre os parceiros, que denominam de função social do projeto, explicitando-a como um circuito de retroatividade envolvendo contexto – grupo educativo – atores; 5. Política-projeto. Mesmo quando não explicitada claramente, todo projeto educacional possui uma dimensão política. O nível previsto de participação ativa dos atores (em que se inclui a comunidade-meta) envolvidos no planejamento, na gestão e na avaliação, antecipa o nível de democratização idealizado. Considerando que a organização, no projeto, trata do desenho do suporte de apoio mais adequado à realização da ação pelos atores (pessoas), o planejamento do projeto foi iniciado pela identificação daqueles (atores) que estarão envolvidos na sua realização, quais sejam: Educandos, tomando-se em conta suas demandas individuais, familiares, grupais ou de classe. Integrantes do sistema formador, no caso a UPE, representados pelos docentes, funcionários e dirigentes. Integrantes do contexto econômico, político e social; sejam eles individuais ou coletivos. 97 O ponto de partida para o desenvolvimento da proposta do curso foi a aceitação da complexidade do fenômeno educativo através da apropriação da visão complexa defendida por Edgar Morin (1990). Partindo dessa visão, foi possível abandonar os olhares disciplinares e avançar no sentido de repensar os fatos, as dimensões e o processo educacional em sua natural complexidade, de maneira a buscar as soluções mais adequadas, alertados pelas palavras desse autor: (...) existe uma inadequação profunda, grave nas cabeças cheias, entre saberes em disjunção, em pedaços, compartimentalizado entre disciplinas e desarticulados da realidade e os problemas que são cada vez mais polidisciplinares, transdisciplinares, transversais, multidisciplinares, globais, planetários. A adoção deste pensamento no planejamento das disciplinas facilitou a definição dos objetivos, evidenciando a contribuição para a formação do perfil pretendido para o egresso através da definição das entradas, do processo e das saídas previstas. O uso da problematização levará alunos e professores a vivenciarem, em cada aula ou conjunto de aulas, seis momentos, a saber: problematização, aporte teórico, reflexão, pesquisa e experimentação e consolidação dos conhecimentos e habilidades trabalhados, atendendo aos requisitos da Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP), como segue na Figura 10: Figura 10: Fluxograma das Etapas da APB APRESENTAÇÃO DA ATIVIDADE IDENTIFICAÇÃO DOS PROBLEMAS - OBSERVAÇÃO DA REALIDADE -- PONTOS-CHAVES PARA SOLUÇÃO - VISÃO ORIENTADA - APORTE TEÓRICO - SUPORTE TEÓRICO PARA SOLUÇÕES AVALIAÇÃO HIPÓTESES DE SOLUÇÃO - ELABORAÇÃO DE SOLUÇÕES - CONFIRMAÇÃO DA SOLUÇÃO - ANALISE ORIENTADA DE RESULTADOS - APLICAÇÃO A REALIDADE - PRÁTICA - Fonte: UPE. Projeto Pedagógico do Curso de Administração com ênfase em Marketing de Moda. Campus Caruaru, 2006. 98 Como descrito por UPE (2006), é oportuno recordar que a pedagogia compreende três componentes básicos: o saber, o aluno e o professor. No raciocínio linear tradicional A>B>C somente uma relação poderá ser privilegiada, seja A>B, B>C ou A>C a cada momento. Com a adoção da visão complexa de Morin, os três elementos evidenciam sua circularidade ou recursividade, apresentando-se como partes de um mesmo triângulo (vide Figura 11), em que os ângulos representam: A, o professor; B, o aluno e C, o saber ou saber fazer. Assim, cada lado desse triângulo representa uma relação pedagógica, quais sejam: A-B a relação formativa; B-C a relação de aprendizagem; e C-A a relação de ensino. Tomando em conta esses pressupostos, foi possível definir um projeto que opere numa lógica dialógica entre os aspectos teóricos e práticos, a lógica individual e a lógica coletiva; e o tempo e o espaço considerando o contexto, o grupo educativo e os atores individuais e outros sujeitos, a partir de três fases (etapas) no seu planejamento: 1. Diagnóstico das situações empíricas, dos atores envolvidos, dos problemas a trabalhar, dos obstáculos, das incertezas, das fraquezas e da potencialidade; 2. Escolhas estratégicas de métodos e meios para tratar a situação identificada; 3. Normatização, ou seja, definição de valores e finalidades das ações. Figura 11: Diagrama da Pedagogia baseado em Morin Fonte: Elaboração própria da autora. 99 Como espaço privilegiado para a articulação da pesquisa e extensão no ensino esta proposta de curso serve tanto como diferenciador da formação do Gestor em Negócios de Moda em relação aos objetivos propostos (Desenvolvimento Sustentável) como da própria natureza da instituição (universidade pública estadual, comprometida com o desenvolvimento socioeconômico da região e do Estado) a partir da ênfase à pesquisa e à extensão ao fomentar que, nos componentes curriculares da malha, sejam trabalhados de forma integrada ao tripé universitário da UPE. No modelo proposto, a pesquisa surge como estratégia fundamental para a produção dos conhecimentos exigidos de modo a fundamentar as propostas de solução para os problemas apanhados na realidade local, conhecimentos esses que irão alimentar e renovar os próprios conteúdos do ensino. O acúmulo ou o avanço do conhecimento, para ser útil à população (objetivo finalístico do projeto), precisa ser disponibilizado através da extensão, sem a qual os recursos públicos investidos na sua produção não se justificam e legitimam. Também é parte importante deste projeto pedagógico o estímulo à iniciação científica, de maneira a desenvolver e ampliar a atitude investigativa do aluno, a criatividade e a análise crítica na construção de novos saberes em benefício do reconhecimento das dimensões do conhecimento e da complexidade da gestão das organizações. O mesmo se dará no campo da extensão universitária ao estimular nos componentes curriculares a articulação de conteúdos pedagógicos com projetos e programas extensionistas. A participação do aluno no encontro anual de Iniciação Científica e Pesquisa e Extensão da UPE será como elemento sujeito ativo e parte integrante desta proposta. 100 7.10. Corpo docente da malha curricular do curso O corpo docente do curso aqui proposto será composto por professores efetivos do quadro da UPE e por professores que ainda serão contratados. 7.10.1. 1º Semestre Nome: Arandi Maciel Campelo Disciplina a ministrar: Introdução à Administração Titulação: Doutor Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: Izabele Sousa Barros Disciplina a ministrar: Fundamentos da Moda I Titulação: Especialista Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: José Nivaldo Brayner Disciplina a ministrar: Comunicação Empresarial Titulação: Especialista Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: Fábio Pedrosa Disciplina a ministrar: Desenvolvimento Local Sustentável Titulação: Doutor Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: José Thomaz de Medeiros Correia Disciplina a ministrar: Introdução ao Marketing Titulação: Especialista Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 101 7.10.2. 2º Semestre Nome: Antônio Fernando Braga e Silva Disciplina a ministrar: Gestão Mercadológica Titulação: Especialista Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: Fábio Pedrosa Disciplina a ministrar: Gestão Ambiental Titulação: Doutor Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: Ana Rita Valverde Peroba Disciplina a ministrar: Fundamentos da Moda II Titulação: Mestre Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: Hermes Dorta Pessoa Filho Disciplina a ministrar: Liderança e Ética Titulação: Mestre Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: Arandi Maciel Campelo Disciplina a ministrar: Administração Geral Titulação: Doutor Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 102 7.10.3. 3º Semestre Nome: Joatas de Souza Lima Filho Disciplina a ministrar: Contabilidade Básica Titulação: Especialista Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: José Thomaz de Medeiros Correia Disciplina a ministrar: Marketing de Relacionamento Titulação: Especialista Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: Arandi Maciel Campelo Disciplina a ministrar: Comportamento Gerencial Titulação: Doutor Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: Izabele Sousa Barros Disciplina a ministrar: Moda e Sustentabilidade Titulação: Especialista Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: Ana Rita Valverde Peroba Disciplina a ministrar: Ciclo Produtivo da Moda Titulação: Mestre Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: a contratar Disciplina a ministrar: Estágio Supervisionado I Titulação: Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 103 7.10.4. 4º Semestre Nome: Arandi Maciel Campelo Disciplina a ministrar: Administração do Tempo Titulação: Doutor Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: Ana Rita Valverde Peroba Disciplina a ministrar: Moda e Consumo Titulação: Mestre Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: Antonio Fernando Braga e Silva Disciplina a ministrar: Comportamento do Consumidor Titulação: Especialista Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: a contratar Disciplina a ministrar: Gestão de Pessoas Titulação: Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: a contratar Disciplina a ministrar: Estágio Supervisionado II Titulação: Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 104 7.10.5. 5º Semestre Nome: José Luiz Alves Disciplina a ministrar: Realidade Sócio-Econômica Brasileira Titulação: Doutor Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: José Nivaldo Brayner Disciplina a ministrar: Promoção e Vendas Titulação: Especialista Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: a contratar Disciplina a ministrar: Técnicas de Negociação Titulação: Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: Ana Rita Valverde Peroba Disciplina a ministrar: Marketing de Moda Titulação: Mestre Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: Izabele Sousa Barros Disciplina a ministrar: Moda e Comunicação Titulação: Especialista Turno de funcionamento: 18h30 as 22h25 Nome: a contratar Disciplina a ministrar: Estágio Supervisionado III Titulação: Turno de Funcionamento: 18h30 as 22h25 105 7.11. Formato das práticas As práticas, como componentes curriculares, são estágios e equivalência de estágio obrigatório. Os Estágios Obrigatórios ocorrerão em três etapas (30 h/cada), sendo que os mesmos deverão abranger áreas específicas, distribuídos nas seguintes proporções. ESTÁGIO OBRIGATÓRIO I: Gestão de Negócios de Moda – ênfase em gestão de negócios de moda com aplicabilidade de métodos e técnicas. ESTÁGIO OBRIGATÓRIO II: Gestão de Negócios de Moda – ênfase em gestão de negócios de moda com aplicabilidade de métodos e técnicas. ESTÁGIO OBRIGATÓRIO III: Gestão de Negócios de Moda – ênfase na prática e na conclusão do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). O turno de realização dos estágios será diurno. A realização e a aprovação dos estágios e do TCC são pré-requisitos fundamentais para a conclusão do presente curso. Basicamente, os estágios obrigatórios do Curso Superior de Tecnologia em Gestão de Negócio de Moda objetivam: Propiciar ao aluno a oportunidade de desenvolver a atividade prática da profissão de gestor em empresas da área de moda; Incentivar o aperfeiçoamento profissional; Aperfeiçoar a formação profissional de acordo com abordagem teórica e as exigências do mercado de trabalho. Os estágios obrigatórios II e III serão realizados em empresas e IES conveniadas, além do Marco Pernambucano da Moda, nas modalidades: Gestão do projeto do Marco da Moda, Projetos Incubados, Projetos Parceiros. Esses serão definidos de acordo com a disponibilidade dos projetos e de acordo com perfil do aluno. O Marco da Moda é um projeto do Governo do Estado e do Núcleo Gestor da cadeia T&C do Estado de Pernambuco, gerido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (SDEC), tem como objetivo o fortalecimento da cadeia produtiva e visa integração da academia ao setor produtivo como também a experiência em incubação de projetos inovadores geridos por este programa. Ao término do curso, após aprovação em todas as disciplinas previstas no perfil do curso (incluindo a entrega do TCC), os novos profissionais estarão habilitados a atuarem como gestores em negócios da moda no mercado de trabalho. 106 A Equivalência de Estágio Obrigatório dar-se-á conforme o Parecer 550/81 do Conselho Federal de Educação e Resolução 003/90 do Conselho Departamental da Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco. 7.11.1. Estruturas do estágio curricular supervisionado e equivalência de estágio 7.11.1.1. Estrutura do plano de estágio obrigatório O PLANO DE ESTÁGIO deverá ser elaborado em três vias, assim distribuído: 1ª via: Centro de Estágio; 2ª via: Entidade Aceitante; 3ª via: Aluno-estagiário. Apresentação Breve histórico da entidade aceitante Objetivo do estágio 1. Identificação do estagiário Nome Matrícula na faculdade Período em que está cursando 2. Identificação do estágio Área de especialização Unidade da entidade aceitante Nome do supervisor da empresa aceitante Nome do professor orientador Duração do estágio (período/horário) 3. Atividades previstas Tarefas a serem exercidas na Entidade aceitante Tarefas ligadas à oficialização/acompanhamento do estágio pela Faculdade 4. Cronograma de execução física 5. Bibliografia preliminar Bibliografia que deverá ser utilizada pelo aluno-estagiário durante a realização do estágio supervisionado 107 Notas: O plano de estágio obrigatório deverá ser concebido, elaborado e assinado pelo supervisor da entidade aceitante e pelo aluno-estagiário, devendo ter todas as folhas rubricadas pelo primeiro (carimbo/empresa). O aluno-estagiário deverá enviar ao Centro de Estágio Obrigatório o Termo de Compromisso de Estágio (em três vias), num prazo máximo de 05 (cinco) dias úteis, bem como o Plano de Estágio, devidamente aprovado pelo Professor Orientador. O Termo de Compromisso de que trata este subitem, não é necessário quando o estágio for realizado na própria entidade onde o aluno já trabalhe. 7.11.1.2. Estrutura do relatório estágio obrigatório O RELATÓRIO FINAL DE ESTÁGIO OBRIGATÓRIO deverá ser elaborado em três vias, assim distribuído: 1ª. via: Centro de Estágio Obrigatório da Faculdade. 2ª. via: Entidade Aceitante. 3ª. via: Aluno-estagiário. Apresentação 1. Identificação do estagiário Nome Matricula na Faculdade Período que está cursando. 2. Identificação do estágio Área de especialização Unidade da Entidade Aceitante Nome do Professor Orientador Período de realização do Estágio (data e horário) 3. Objetivos do estágio 4. Atividades previstas Registrar sucintamente o que apresenta no Plano de Estágio 108 5. Atividades realizadas Citar as atividades que efetivamente realizou, detalhando metodologia adotada, recursos utilizados, produtos gerados e resultados obtidos. 6. Conclusões Avaliar o desenvolvimento do Estágio, citando os aspectos positivos e negativos ocorridos. 7. Cronograma de execução física 8. Anexos Cópias dos Produtos Gerados Especificados no Item 5. 9. Bibliografia Bibliografia efetivamente utilizada durante a realização do Estágio Supervisionado. Notas: O prazo máximo para entrega do Relatório Final ao Centro de Estágio Obrigatório da Faculdade, pelo aluno-estagiário, é de 30 (trinta) dias corridos, a partir da data de término do estágio. O desrespeito ao prazo determinado na nota anterior implicará na não aceitação do estágio para efeito de cumprimento curricular. O Relatório Final de Estágio Obrigatório deverá ser assinado pelo Supervisor da Entidade Aceitante e pelo aluno-estagiário, devendo ter todas as folhas rubricadas pelo primeiro (carimbo/empresa). 109 7.11.2. Estrutura do relatório de equivalência de estágio obrigatório 1. Introdução O presente relatório visa a solicitação da equivalência de estágio obrigatório conforme o Parecer 550/81 do Conselho Federal de Educação e a Resolução 003/90 do Conselho Departamental da Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco. As atividades nele descritas foram desenvolvidas na __________ (nome da empresa e breve histórico da mesma). 2. Identificação 2.1 Nome e período do requerente 2.2 Área a que se refere a equivalência de estágio 2.3 Empresa 2.4 Cargo e período de exercício. 3. Síntese das atividades exercidas no período considerado. 4. Descrição detalhada de cada atividade exercida. 5. Conclusão 6. Anexos Local/data Ass. do requerente Ass. do chefe imediato / sócio (carimbo/empresa) Obs.: Todas as folhas devem ser rubricadas pelo chefe 110 7.12. Malha Curricular Nesta sessão, será apresentado o Demonstrativo da Integralização Curricular do Curso Superior de Tecnologia em Gestão de Negócios da Moda. Disciplinas Específicas-Obrigatórias Carga Horária Teórica: 1.545h + 90 h de Estágio Curricular 1º Semestre DISCIPLINAS Introdução à Administração Fundamentos da Moda I Comunicação Empresarial Desenvolvimento Local Sustentável Introdução ao Marketing TOTAL C/H 60 60 60 60 60 300 Crédito 04 04 04 04 04 20 C/H 60 75 75 60 60 330 Crédito 04 05 05 04 04 22 C/H 60 60 60 60 60 30 345 Crédito 04 04 04 04 04 02 22 2º Semestre DISCIPLINAS Gestão Mercadológica Fundamentos da Moda II Gestão Ambiental Liderança e Ética Administração Geral TOTAL 3º Semestre DISCIPLINAS Contabilidade Básica Marketing de Relacionamento Comportamento Gerencial Moda e Sustentabilidade Ciclo Produtivo da Moda Estágio Obrigatório I TOTAL 111 4º Semestre DISCIPLINAS Administração do Tempo Moda e Consumo Empreendedorismo Comportamento do Consumidor Gestão de Pessoas Estágio Obigatório II TOTAL C/H 60 60 60 60 60 30 330 Crédito 04 04 04 04 04 02 22 C/H 60 60 60 60 60 30 330 Crédito 04 04 04 04 04 02 22 5º Semestre DISCIPLINAS Realidade Sócio-Econômica Brasileira Marketing de Moda Promoção de vendas Técnicas de Negociação Moda e Comunicação Estágio Obrigatório III TOTAL Carga horária total do curso N.º de créditos teóricos: 100 créditos. N.º de créditos de estágio: 06 créditos. Carga horária teórica: 1.545 horas. Carga horária de estágio: 90 horas. Carga horária total: 1.635 horas. Informamos que um crédito teórico corresponde a 15 horas e um crédito de estágio corresponde a 30 horas. Neste projeto pedagógico, existe a possibilidade da flexibilização curricular, na qual a participação em projetos de pesquisa e extensão pode ser revertida em créditos teóricos cujo detalhamento deverá constar em Regimento Interno do Curso. 112 7.13. Ementas – Malha curricular A organização da malha curricular para o Curso Tecnólogo Superior em Gestão de Negócios da Moda é composto pelos componentes curriculares obrigatórios e em modelo padronizado pela PROGRAD conforme descritos a seguir. 7.13.1. Ementas do 1º período Disciplina: DESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVEL Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 1º EMENTA Meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, com foco no sistema de social sob os enfoques ambiental e humano CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1. Introdução ao estudo de desenvolvimento local sustentável 2. Dimensão Social 3. Dimensão Econômica 4. Dimensão Ambiental METODOLOGIA Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA CAPRA, F. A Teia da Vida. São Paulo: Cultrix. 1996.256p. SOUZA, N.L. Desenvolvimento Econômico. 5. Edição. São Paulo: Atlas, 2005. VEIGA, Jose Eli. Desenvolvimento Sustentável. São Paulo: Garamond, 2005. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR CORSON, W. H. Manual Global de Ecologia. 2. ed. São Paulo: Augustus, 1996. 412p. DIAS, G. F. Pegada Ecológica. São Paulo: Gaia, 2002. EHRLICH, P. R. O Mecanismo da Natureza. Rio de Janeiro: Campus,1993. 328p. FISHER, T. Gestão do desenvolvimento e Poderes Locais: Marcos Teóricos e Avaliação. Salvador: Casa da Cidade, 2002. LEFF, H. Racionalidade Ambiental. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006 RICKLEFS, R. E. Economia da Natureza. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 1996. 470p. SEN, Amartya. Desenvolvimento como Liberdade. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2000. 113 Disciplina: INTRODUÇÃO À ADMINISTRAÇÃO Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 1º EMENTA Fundamentos da Administração. Planejamento Formal e Estratégico. Estratégias Empresariais. Desenvolvimento Gerencial e Liderança. Desenvolvimento de Pessoas e Equipes. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 5. Bases históricas para a evolução das teorias administrativas; 6. A Escola Clássica; 7. A abordagem sistêmica da administração 8. As funções administrativas de planejamento, organização, direção e controle. 9. O ambiente empresarial. 10. Conceitos de planejamento e estratégia. 11. A formulação e implementação da estratégia empresarial. 12. O processo de crescimento, expansão e diversificação. 13. As competências e habilidades necessárias à equipe gerencial. 14. Como identificar necessidades de desenvolvimento gerencial. 15. A carreira e a sucessão gerencial como condições de desenvolvimento gerencial. 16. Os métodos para promover o desenvolvimento gerencial. 17. As principais entidades que promovem o desenvolvimento gerencial. METODOLOGIA Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA BETEMAN, Thomas S.; SNELL, Scott. Administração. São Paulo: Atlas, 1998. CHIAVENATO, I. Teoria Geral da Administração. 4ª ed. vol. 1 e 2. São Paulo, McGrawHill, 1993. CHIAVENATO, I. Administração: Teoria, Processo e Prática. 3ª edição. São Paulo: Makron Books, 2000. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR DRUKER, Peter. Administrando em tempos de grande mudança. São Paulo: Pioneira, 1995. MAXIMIANO, Antônio César Amaru. Fundamentos de administração – manual compacto para cursos de formação tecnologia e sequenciais. São Paulo: Atlas, 2004. OLIVEIRA, Djalma Pinho Rebouças. Planejamento estratégico. São Paulo: Atlas, 1992. RICCA, Domingos. Da empresa familiar à empresa profissional. São Paulo: CL-A cultual, 1998. TAVARES, Mauro. Gestão estratégica. São Paulo: Atlas, 2000. 114 Disciplina: FUNDAMENTOS DA MODA I Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 1º EMENTA Moda como fenômeno histórico. Moda como fenômeno social. Moda como fenômeno econômico. Linguagem visual do vestuário. Tecnologia Têxtil. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1.1 Conceitos e definições/ Funções da roupa; 1.2 Perspectivas do estudo de Moda; 2. História da Indumentária; 2.1 Pré- história; 2.2 Egito; 2.3 Roma e Grécia; 2.4 Idade Media; 3.0 O nascimento da Moda: história da Moda 3.1 Renascimento Cultural; 3.2 Século XVII, XVIII e XIX; 3.3 Século XX e XXI; 4.0 Tecnologia Têxtil: fibras, fios e tecidos; 5.0 Introdução à responsabilidade ambiental coorporativa; ISO26000- o custo humano da fast fashion e como entende-lo e processá-lo segundo novos conceitos e realidade de mercado. METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA FEGHALI, Marta Kasznar; DWYER, Daniela. As engrenagens da moda. Rio de Janeiro: SENAC, 2001. LAVER, James A roupa e a moda: uma história concisa. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. PEZZOLO, Bueno. Tecidos: História, Tramas, Tipos e Usos. São Paulo: SENAC, 2007. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR GOMBRICH, E.H. Zahar. A História da arte. Rio de Janeiro HOLLANDER, Anne. O sexo e as roupas: a evolução do traje moderno. Rio de Janeiro: Rocco. KOHLER, Carl. História do vestuário. São Paulo: Martins Fontes, 1993 LURIE, Alison. A linguagem das roupas. Rio de Janeiro: Rocco, 1997. MOUTINHO, Maria Rita; VALENÇA, Máslova Teixeira. A moda no Século XX. Rio de Janeiro: SENAC, 2000. RIBEIRO, Luiz Gonzaga. Introdução à tecnologia têxtil. Rio de Janeiro: CETIC/SENAI, 1984. O’HARA, Georgina. Enciclopédia da moda. São Paulo: Companhia das Letras. 115 Disciplina: COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período: Indicado: 1º EMENTA Conceito e Tipos da Comunicação. Comunicação Empresarial. Texto: leitura e produção. O Texto Técnico. Resumo e Resenha. Revisão Gramatical e Oratória. Programação Neuro Lingüística. A Importância da Comunicação na Formação e Manutenção da Boa Imagem Corporativa e Individual. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1. Conceito e Tipos da Comunicação. 2. Comunicação Empresarial. Texto: leitura e produção. 3. O Texto Técnico. Resumo e Resenha. Revisão Gramatical e Oratória. 4. Programação Neuro Lingüística. 5. A Importância da Comunicação na Formação e Manutenção da Boa Imagem Corporativa e Individual. 6. Comunicação Integrada, Comunicação Corporativa e o Composto da Comunicação nas organizações; 7. Comunicação Institucional (Relações Públicas, Marketing Social e Cultural, Jornalismo, Editoração, Propaganda Institucional e Identidade Corporativa) METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA BELTRÃO, Odacir; BELTRÃO, Mariúsa. Correspondência – linguagem & comunicação. São Paulo: Atlas, 1998. FIGUEIREDO, Rubens & NASSAR, Paulo. O que é comunicação empresarial. Coleção Primeiros Passos. São Paulo: Brasiliense, 1995. NICOLA, José de; INFANTE, Ulisses. Gramática contemporânea da língua portuguesa. São Paulo: Scipione, 1997. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR BAHIA, B. Juarez. Introdução à comunicação empresarial. Rio de Janeiro: Murad, 1995. CORRADO, Frank M. A força da comunicação; quem não se comunica. São Paulo: Makron Books, 1994. MORGAN, Gareth. Imagens da organização. São Paulo: Atlas, 1996. SAMPAIO, Rafael. Propaganda de A a Z: como usar a propaganda para construir marcas e empresas de sucesso. Rio de Janeiro: Campus ABP, 1995. SANT'ANNA, Armando. Propaganda. Teoria, técnica e prática. 7ª ed. São Paulo: Pioneira, 1998. 116 Disciplina: INTRODUÇÃO AO MARKETING Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 1º EMENTA Marketing: conceitos e definições. Mercado e mercado consumidor. O composto de marketing (5 Ps). O ambiente de marketing. Sistema de informação de marketing. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1. Marketing, conceitos e interdisciplinaridade; 2. Conceitos Centrais de Marketing; 3. O ambiente de Marketing; Mix de Marketing; 4. Mercado e mercado consumidor; 5. Mercados Consumidores e Comportamento do Consumidor: processo de compra, segmentação e posicionamento; 6. Seleção de Mercados – Alvo e Posicionamento Competitivo; 7. O composto de marketing (5 Ps); 8. O ambiente de marketing; 9. Sistema de informação de marketing. METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA LAS CASAS, ALEXANDRE. Marketing de Serviços. São Paulo: Atlas, 1991. RICHERS, RAIMAR, O que é marketing, Editora Brasilense. SANDHUSEN, RICHARD L. Marketing Básico. São Paulo: Ed. Saraiva, 1998. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR COBRA, MARCOS. Marketing Competitivo. São Paulo: Atlas, 1993. KOTLER, PHILLIP. Administração de Marketing: Análise, Planejamento e Controle. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 1998. KOTLER, Philip. Marketing para o Século XXI. São Paulo: Editora Futura, 1999. SEMENIK & BAMOSSY. Princípios de Marketing: Uma Perspectiva Global. São Paulo: Makron Books, 1995. 117 7.13.2. Ementas do 2º período Disciplina: GESTÃO AMBIENTAL Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 2º EMENTA Estratégias de gestão social e ambiental. Terceiro setor. Modelos de gestão ambiental empresarial. Instrumentos de diagnóstico e gestão ambiental para micro e pequenas empresas. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1.Evolução da questão ambiental e social no mundo e no ambiente empresarial 2.História ambiental; estudo das manifestações de cultura em relação ao ambiente circundante na antiguidade e no processo de modernização. 3.Evolução da questão ambiental e social no mundo e no ambiente empresarial 4.A nova revolução industrial; 5.O meio ambiente como um problema (e oportunidade) de negócios; 6.Ecoeficiência e outros modelos de gestão ambiental empresarial; 7.Sistemas de gestão ambiental; 8.Instrumentos para gestão ambiental em pequenas e médias empresas – teoria e prática; 9.Atitudes e percepções das pequenas empresas quanto ao meio ambiente e a sustentabilidade; 10.Responsabilidade social empresarial; 11.Estratégias de gestão social e ambiental nas empresas; 12.Gestão de organizações do terceiro setor. 13.Gestão ambiental na indústria têxtil; conceitos de produção limpa; certificações de orgânico; a ISSO 14001. METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA ANDRADE, R. O. B.; TACHIZAWA, T.; CARVALHO, A. B. Gestão Ambiental. 2. ed. São Paulo: Pearson.2004. DONAIRE, D. Gestão Ambiental na Empresa. 2. ed. São Paulo: Atlas. 1999. TAKESHY, Tachizawa. Gestão ambiental e responsabilidade social corporativa. São Paulo: Atlas, 2002. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR CALLENBACH, E.; CAPRA, F.; GOLDMAN, L.; LUTZ, R.; MARBUG.,S. Gerenciamento ecológico. São Paulo: Cultrix.1993. HOLLIDAY, Charles. Cumprindo o prometido: casos de sucesso de desenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro: Campus, 2002. TAKESHY, Tachizawa. Organizações não governamentais e terceiro setor. São Paulo: Atlas, 2002. 118 Disciplina: GESTÃO MERCADOLÓGICA Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 2º Pré-Requisito: Introdução ao Marketing EMENTA O papel e o conceito de marketing. Responsabilidade social, ética nos negócios e o desenvolvimento auto-sustentado. Mercado consumidor e organizacional. Análise da concorrência. Segmentação do mercado e previsão de demanda. Administração de produtos. Canais de marketing. Sistema de informação de marketing (SIM). Administração da força de vendas. Marketing de serviços. Noções de análise de valor e qualidade percebida. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1. Conceitos de Marketing. Necessidades, desejos e demanda. 2. Responsabilidade social, ética nos negócios e o desenvolvimento auto-sustentado. Mercado consumidor e organizacional. 3. Análise da concorrência. Segmentação do mercado e previsão de demanda. 4. Administração de produtos. 5. Canais de marketing. 6. Sistema de informação de marketing (SIM). 7. Administração da força de vendas. 8. Marketing de serviços. 9. Seleção do mercado-alvo. 10. Posicionamento; Estratégias de posicionamento. 11. Noções de análise de valor e qualidade percebida. METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA KOTLER, Philip. Administração de marketing. 12.ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006. LAS CASAS, ALEXANDRE. Marketing de Serviços. São Paulo: Atlas, 1991. SANDHUSEN, RICHARD L. Marketing Básico. São Paulo: Ed. Saraiva, 1998. 119 Disciplina: LIDERANÇA E ÉTICA Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 2º EMENTA Definições sobre liderança. O significado relativo de liderança em diferentes sociedades. Liderança nos diferentes domínios da vida social (liderança política, comunitária, corporativa, religiosa, etc..). O papel do ambiente e dos seguidores na relação de liderança. Conceituação e introdução à Ética. A ética e as outras formas de comportamento humano. Fundamentação filosófica da ética. Ética e cidadania. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1. Definições sobre liderança. 2. O significado relativo de liderança em diferentes sociedades. 3. Liderança nos diferentes domínios da vida social (liderança política, comunitária, corporativa, religiosa, etc..). 4. O papel do ambiente e dos seguidores na relação de liderança. 5. Conceituação e introdução à Ética. 6. A ética e as outras formas de comportamento humano. 7. Fundamentação filosófica da ética. 8. Ética e cidadania. 9. O desafio ético atual. METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA BAUMAN, Zgymunt. Ética e Pós-Modernidade. São Paulo: Paulus, 1997. ROITMAN, Ari (org.). O Desafio Ético. Rio de Janeiro: Garamond, 2000. SENGER, Peter. Ética Prática. Jefferson Luís Camargo (Trad.). São Paulo: Martins Fontes, 1993. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR DUSSEL, Enrique. Ética da libertação – na idade da globalização e da exclusão. Petrópolis: Vozes, 2000. HESSELBEIN, FRANCES, GOLDSMITH, MARSHALL, BECKHARD, RICHARD. O líder do Futuro: visões, estratégias e práticas para uma nova era. 3ª. São Paulo: Futura, 1996, p. 193-202. MARCÍLIO, Maria Luiza e RAMOS, Ernesto Lopes (coord.). Ética na Virada do Século: busca do sentido da vida. São Paulo: LTr, 1997. LAJOLO, Marisa. Histórias sobre ética. São Paulo: Ática, 2000. SENGE, Peter; ROSS, Richard; SMITH, Bryan et al. A Quinta disciplina caderno de campo: estratégias e ferramentas para construir uma organização que aprende. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1997. 120 Disciplina: ADMINISTRAÇÃO GERAL Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 2º EMENTA Teorias Administrativas. As organizações estudadas sob a visão de sistemas sociais abertos. A organização formal: a organização burocrática; a abordagem mecanicista de administração; estruturas organizacionais (tradicionais e inovadoras). Abordagens recentes em administração. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1. Teorias Administrativas. 2. As organizações estudadas sob a visão de sistemas sociais abertos. 3. A organização formal: a organização burocrática; a abordagem mecanicista de administração; estruturas organizacionais (tradicionais e inovadoras). 4. Abordagens recentes em administração. METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA CHIAVENATO, Idalberto. Administração de empresas: Uma abordagem contingencial. Rio de Janeiro: Campus, 2000 MEGGINSON, Leon C.; Administração: conceitos e aplicações. São Paulo: Harbra, 1998. MORGAN, Gareth. Imagens da Organização. São Paulo: Atlas, 1998. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR BATERMAN, THOMAS. Administração: construindo vantagem competitiva. São Paulo: Atlas, 1998. CHIAVENATO, IDALBERTO. Administração novos tempos. São Paulo: Makron Books, 1999 MEGGINSON, LEON C. ET ALI. Administração: conceitos e aplicações. São Paulo: Harbra, 1998. MORGAN, GARETH. Imagens da Organização. São Paulo: Atlas, 1998. 121 Disciplina: FUNDAMENTOS DA MODA II Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 1º EMENTA Sistema de Moda: produção e distribuição. Mercado de moda. Cadeia têxtil. Mercado de Moda em Pernambuco. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1.Sistemas de Produção do Vestuário: Alta Costura e Prêt-à-Porter; 2. A Moda Como Negócio: 2.1o Sistema De Moda; 2.2 Da Cadeia Têxtil Ao Varejo; 2.3 Profissões do mercado de moda; 2.4 Segmentos do mercado de moda; 3. O mercado de Moda em Pernambuco: diagnóstico e perspectivas METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA BARTHES, Roland. O sistema de moda. São Paulo: Nacional, 1979. FEGHALI, Marta Kasznar; DWYER, Daniela. As engrenagens da moda. Rio de Janeiro: SENAC, 2001. JONES,Sue Jenkyn; Fashion Design: Manual do Estilista. São Paulo: COSAC NAIFY, 2005. VINCENT-RICARD, Françoise; As espirais da moda. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR DURAND, José Carlos. Moda, luxo e economia. São Paulo: Babel Cultural, 1998. DE CARL, Ana Mary Sehbe. O sensacional da moda. Caxias do Sul: EDUCS, 2008. SEBRAE. Cara brasileira nos negócios: um caminho para o “made in Brazil”. Brasília: SEBRAE. 122 7.13.3. Ementas do 3º período Disciplina: MODA E SUSTENTABILIDADE Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 3º Pré-Requisito: Fundamentos da Moda I, Fundamentos da Moda II EMENTA Moda Sustentável: sociedade ,economia e meio ambiente CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1.0 As interfaces entre moda, responsabilidade social e desenvolvimento sustentável e meio ambiente; 2.0 Impacto sócio ambiental na cadeia produtiva da indústria têxtil; 3.0 Conceito de Ecodesign, novos materiais, ciclo da cadeia têxtil e ciclo de vida dos produtos da indústria têxtil; 4.0 Gestão do Ecodesign: produtos e sistema produtivos; 5.0 Estudo aprofundado da sustentabilidade como macrotendência mundial e sua expressão na moda contemporânea; o termo desenvolvimento sustentável e seus conceitos fundamentais; como avaliar e monitorar e o que este tipo de desenvolvimento pode significa na indústria têxtil; 6.0 Reciclagem, reuso, reforma e redução de materiais/recursos; 7.0 Mercados alternativos; comércio justo; proposta ética e seus aspectos sociais. Introdução à ecologia, a biodiversidade nacional e aos recursos vegetais têxteis. METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA BERLIM, Lilian. Moda e Sustentabilidade: uma reflexão necessária. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2012. CARLI, E; VENZON. Moda, sustentabilidade e emergências. Caxias do Sul,RS: Educs, 2012. FLETCHER, Kate. Moda e Sustentabilidade: design para mudança. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2011. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR AVELAR, Suzana. Moda Globalização e Novas Tecnologias. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2009. BARBIERE, Carlos José. Responsabilidade social empresarial e empresa sustentável: da teoria á prática. São Paulo: 2009 BROWN, Sass. Eco Fashion: Moda com consciência ecológica y social. Barcelona: Blume, 2010. KAZAZIAN, Thierry. Design e desenvolvimento sustentável: haverá a idade das coisas leves. São Paulo: Editora SENAC, 2005. MANZINI, E; VEZZOLI, C. O desenvolvimento de produtos sustentáveis. Os requisitos ambientais dos produtos industriais. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2005 PIRES, Dorotéia. Design de Moda: diversos olhares. Barueri, SP: Estação das Letras e Cores Editora, 2008. VIANA, Taciana; MOTA, Dolores; MATOS Adriana; BARROS Izabele. Linhas da Moda: Pesquisa, Ensino, Empresa e Sociedade. Pernambuco: EDUPE, 2010. 123 Disciplina: CICLO PRODUTIVO DA MODA Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 3º Pré-Requisito: Fundamentos da Moda I, Fundamentos da Moda II EMENTA Gestão do design de moda. Processo produtivo da indústria da confecção. Gestão da marca de moda. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1.0 Gestão do design de moda: criação e desenvolvimento de coleção de Moda 1.1 Teoria do Planejamento e desenvolvimento de coleção de moda 2.0 Processos de produtivos na indústria de confecção 3.0 Gestão da marca de moda: montagem e gerenciamento de marca de moda 3.1 Empresas sustentáveis METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA MEADOWS, Toby. Como montar e gerenciar uma marca de moda. Porto Alegre: Bookman, 2010. MOSMANN, G. A atividade industrial: Guia para quem deseja empreender na indústria – checagem para quem já é industrial. Porto Alegre: Nova Prova. TREPTOW, Doris. Inventando moda. Planejamento de coleção. Brusque: 2003. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ABREU, Alice Rangel de Paiva . O avesso da moda. São Paulo: Hucitec, 1996. ALENCAR, Eunice Soriano de. A gerência da criatividade. São Paulo: Makron Book CALDAS, Dario. Universo da moda. São Paulo: Anhembi Morumbi. ________. Observatório de sinais: teoria e prática da pesquisa de tendências. Rio de Janeiro: SENAC, 2004. CHIAVANATTO, Idalberto. Vamos abrir um novo negócio? São Paulo: Makron Books, 1995. GOULARTI FILHO, Alcides F.; JENOVEVA, Roseli. A indústria do vestuário: economia estética e tecnologia. Florianópolis: Letras Contemporânea. MUNARI, Bruno, Das coisas nascem coisas. São Paulo: Martins Fontes, 1981. RECH, Sandra. Moda, por um fio de qualidade. Florianópolis: UDESC, 2002. 124 Disciplina: CONTABILIDADE BÁSICA Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 3º EMENTA Noções de Contabilidade. Operações Contábeis. Análise de Custos. Demonstrativo de Resultados do Exercício Contábil. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1. A Contabilidade: Conceito, Objetivos e Generalidades 2. Os Componentes Básicos da Contabilidade 3. O Sistema Contábil 4. O Balanço Patrimonial 5. A Demonstração do Resultado do Exercício 6. A Demonstração de Lucros (ou Prejuízos) Acumulados METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências. BIBLIOGRAFIA BÁSICA GOUVEIA, Nelson. Contabilidade básica. São Paulo: Harbra. 2001. MARION, JOSÉ CARLOS. Contabilidade Básica. Ed. Atlas, 2005. SILVA, César Augusto T. e TRISTÃO, Gilberto. Contabilidade básica. São Paulo: Atlas, 1999. NEVES, Silvério das. & VICECONTI, Paulo E. V. Contabilidade Básica. 6.ed. São Paulo: Frase, 1998. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR FIPECAFI. Manual de contabilidade das sociedades por ações: aplicável também às demais sociedades. 5.ed. São Paul: Atlas, 2001. HIGUCHI, Hiromi. Imposto de renda nas empresas. Interpretação e prática. 27 ed. São Paulo: Atlas, 2002. IUDÍCIBUS, Sérgio de & MARION, José Carlos. Introdução à teoria da contabilidade. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2002. 125 Disciplina: MARKETING DE RELACIONAMENTO Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 2º Pré-Requisito: Introdução ao Marketing EMENTA Definição de Marketing de Relacionamento. As pessoas envolvidas no Marketing de Relacionamento: clientes, funcionários, fornecedores, políticos, investidores. O marketing de relacionamento como estratégia de oportunidades. Customer Relationship Management (CRM). Estratégias de comunicação na busca pelo cliente. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1. Definição de Marketing de Relacionamento. 2. As pessoas envolvidas no Marketing de Relacionamento: clientes, funcionários, fornecedores, políticos, investidores 3. Os Oito Componentes do MKT de Relacionamento. 4. Customer Relationship Management (CRM) 5. Implementação do Marketing de Relacionamento. 6. Implementação de uma política de Marketing de Relacionamento – Vivência 7. Retenção de Clientes e fidelização 8. Estratégias de Comunicação 9. Os Meios Eletrônicos ao Serviço do Marketing de Relacionamento METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes BIBLIOGRAFIA BÁSICA BRETZKE, Miriam. Marketing de Relacionamento e Competição Em Tempo Real. São Paulo: Atlas, 2000 HIAM, Alexandre. Marketing – Série para Dummies. Rio de Janeiro: Campos, 1999 GORDON, Ian. Marketing de Relacionamento. São Paulo: Futura, 1998 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR CAHEN, Roger. Comunicação Empresarial. São Paulo: Editora Best Seller, 1990. COBRA, Marcos e RIBEIRO, Áurea. Marketing, Magia e Sedução. São Paulo: Cobra, 2000. McKENNA, Regis. Marketing de Relacionamento, Estratégias bem sucedidas para a era do cliente. Rio de Janeiro: Campos, 1993. STONE, Merlin e WOODCOCK, Neil. Marketing De Relacionamento. São Paulo: LiteraMundi, 1998. 126 Disciplina: COMPORTAMENTO GERENCIAL Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 3º Pré-Requisito: Psicologia das Relações Interpessoais EMENTA Desenvolvimento da personalidade. Percepção, inteligência e aprendizagem. Dinâmica e funcionamento do grupo. Motivação. Tomada de decisão. Liderança. Comportamento ambiental das empresas. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1. Conceitos e teorias do comportamento gerencial. 2. Desenvolvimento da personalidade. 3. Percepção, inteligência e aprendizagem. 4. Dinâmica e funcionamento do grupo. 5. Motivação. 6. Tomada de decisão. 7. Liderança. 8. Comportamento ambiental das empresas. METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA GOLEMAN, D. Inteligência emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995. LANE, S. e SAWAIA, B. (org.). Novas veredas da psicologia social. São Paulo: Brasiliense, 1995. PRETTE, Z. e PRETTE, A. Psicologia das habilidades sociais. Petrópolis: Vozes, 1999 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR MENDONÇA, H. e TAMAYO, A. Valores e retaliação organizacional. In: TAMAYO, A. e PORTO, J. B. (Ed.). Valores e comportamento nas organizações. Rio de Janeiro: Vozes, 2005. ROS, M. e GOUVEIA, V. V. Psicologia social dos valores humanos. Desenvolvimentos teóricos, metodológicos e aplicados. São Paulo: SENAC, 2006. TAMAYO, J. B.; TAMAYO, A. e PORTO, J. B. (Ed.). Valores e comportamento nas organizações. Rio de Janeiro: Vozes, 2005. 127 Disciplina: ESTÁGIO OBRIGATÓRIO I Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 30h Número de Créditos: 03 Período Indicado: 3º Pré-Requisito: Co-Requisito: EMENTA Conceituação e objetivo do setor de Estágio da FCAP/UPE, diretrizes Legais para a prática do Estágio Obrigatório, realidade do mercado, aplicabilidade de métodos e técnicas. BIBLIOGRAFIA BÁSICA BIANCHI, Anna Cecília de Moraes. Manual de orientação. 3ª Ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003. ROESCH, Sylvia Maria Azevedo. Projetos de estágio e de pesquisa em administração: guia prático para estágios, trabalhos de conclusão, dissertações e estudo de caso; 3ª Ed., 5ª reimpressão. São Paulo: 2008. Diretrizes do Estágio Obrigatório da FCAP/UPE. Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008. Parecer 550/81 do Conselho Federal de Educação. Resolução 003/90 do Conselho Departamental da Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR 1. Bibliografias utilizadas nas disciplinas do Curso. 2. Regulamento do Estágio Supervisionado. 128 7.13.4. Ementas do 4º período Disciplina: MODA E CONSUMO Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 4º Pré-Requisito: Moda e Sustentabilidade EMENTA Moda e consumo na sociedade contemporânea CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1.0 Semiótica: conceitos e definições; 2.0 Consumo Simbólico; 3.0 Moda consumada: motivação e sedução do consumo; 4.0 Consumo Consciente; 5.0 Relações e dicotomia entre a cultura de moda e a sociedade de consumo; identidade e expressão através do parecer e da necessidade de consumo. METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero. São Paulo: Cia das letras. PIETROCOLLA, Luci Gati. Sociedade de consumo. 2° ed. São Paulo: Global. SOLOMON, Michael R. O comportamento do consumidor: comprando, possuindo e sendo. Porto Alegre: Bookman. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR CASTILHO, Kathia e MARTINS Marcelo. Discurso da Moda: semiótica, design e corpo. São Paulo: Ed. Anhembi Morumbi, 2005. CIDREIRA, Renata Pitombo. Os sentidos da Moda: vestuário, comunicação e cultura. São Paulo: Annablume, 2005. EMBACHER, Airton. Moda e Identidade. São Paulo: Anhembi Morumbi. GARCIA, Carol e MIRANDA, Ana Paula. Moda é Comunicação. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2005 VILLAÇA, Nísia e CASTILHO, Káthia. O novo Luxo. São Paulo: Anhembi Morumbi. 129 Disciplina: ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 4º EMENTA Introdução e conceitos de administração de tempo. Desperdício de tempo. Causas. Priorização de atividades. Determinação de metas/objetivos para utilização do tempo. Administração eficaz do tempo. Métodos. Adequação do serviço aos prazos e horários. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1. Introdução e conceitos de administração de tempo. 2. Desperdício de tempo. 3. Causas. 4. Tabela do tempo e diagnóstico dos desperdiçadores 5. Priorização de atividades. 6. O tempo como uma dimensão da qualidade. 7. O que fazer para eliminar o desperdício do tempo. 8. Administração eficaz do tempo. 9. Métodos. 10. Adequação do serviço aos prazos e horários. METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA ALEXANDRE, Roy. Guia para a administração do tempo. Carlos A. C. de Moraes (Trad.). Rio de Janeiro: Campus, 1994. BARBOSA, Christian. A tríade do tempo: a revolução da produtividade pessoal. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. JUNQUEIRA, Luiz Augusto Costa. Curta Administração do Tempo. Rio de Janeiro: COP Editora, 1992. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR GLEESON, Kerry. O Programa de Eficiência Pessoal. São Paulo: Makron Books, 1996. HEMPHILL, Barbara. Taming the Paper Tiger. 4 ed. Washington: Kiplinger Washington Editors, 1997. JUNQUEIRA, Luiz Augusto C. Administração do Tempo - Um Programa de Autodesenvolvimento. 5a.ed. Rio de Janeiro: OPC/COP Editora, 1992. SILVER, Susan. Organized to be the Best! Los Angeles: Adams-Hall Publishing, 1995. SVENSSON, Sten. Eficácia Pessoal - Como Obter Resultados Positivos. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1996. 130 Disciplina: ESTÁGIO OBRIGATÓRIO II Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 30h Número de Créditos: 02 Período Indicado: 4º Pré-Requisito: Estágio Supervisionado I EMENTA Abordagem específica sobre o profissional de gestão de negócios de moda, área de atuação e profissionalização. OBJETIVOS 1. Pesquisar e analisar a dinâmica das áreas de atuação do profissional de gestão em negócios de moda e repercussões no desenvolvimento do perfil profissional. 2. Áreas de Atuação do Profissional. 3. Diretrizes do Estágio Supervisionado II. METODOLOGIA Aulas expositivas/dialogadas, pesquisa de campo e discussão em grupo. BIBLIOGRAFIA BÁSICA BIANCHI, Anna Cecília de Moraes e Alli. Manual de orientação: estágio supervisionado. São Paulo: Pioneira, 2010. ROESCH, Sylvia Maria Azevedo. Projetos de estágio e de pesquisa em administração: guia prático para estágios, trabalhos de conclusão, dissertações e estudo de caso. 3ª. Ed. - 5. reimpressão - São Paulo: Atlas, 2008. BUENO, J. Hamilton. Representação comercial & agente de distribuição. São Paulo: LTr, 2010. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR Bibliografias utilizadas nas disciplinas do Curso. Regulamento do Estágio Supervisionado. 131 Disciplina: EMPREENDEDORISMO Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 4º EMENTA Empreendedorismo e espírito empreendedor. Benefícios proporcionados pelo empreendedor à sociedade. Início e ciclo de vida de uma empresa. Oportunidades de negócios; identificação, seleção e definição do negócio. Elementos essenciais para iniciar um novo negócio: o plano de negócio. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1. Histórico e definições; 2. Abertura de negócio próprio: processo empreendedor; 3. Análise de oportunidades; 4. Tipos de negócios e introdução ao plano de negócios; 5. O empreendedor: características e perfis; 6. O planejamento de um projeto de negócios; 7. Desenvolvimento e implementação de negócios; 8. Gestão de projetos: técnicas eficazes. METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando idéias em negócios. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2005. DRUCKER, Peter Ferdinand. Inovação e espírito empreendedor (entrepreneurship): prática e princípios. São Paulo: Pioneira, 2005. SALIM, C.S.; HOCHMAN, N.; RAMAL, S.A. Construindo plano de negócios. Rio de Janeiro: Campus, 2001. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR DEGEN, Ronald. O Empreendedor. São Paulo: Makron, 1989. FARREL, Larry C. Entrepreneurship. São Paulo: Atlas, 1993. GERBER, Michael E. O Mito do Empreendedor. São Paulo: Saraiva, 1990. HALLORAN, James W. Por Que os Empreendedores Falham. São Paulo: Makron, 1994. MORRIS, M. J. Iniciando uma Pequena Empresa com Sucesso. São Paulo: Makron, 1991. 132 Disciplina: COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 4º EMENTA Principais fatores que influenciam o comportamento do consumidor: fatores culturais, sociais, pessoais e psicológicos. Arquétipos de Marketing. Papéis de compra. Comportamento de compra: complexo, variados, habitual e com dissonância reduzida. Estágios no processo de compra. Comportamento pós-compra. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1. Principais fatores que influenciam o comportamento do consumidor: fatores culturais, sociais, pessoais e psicológicos. 2. Arquétipos de Marketing. 3. Papéis de compra. 4. Comportamento de compra: complexo, variados, habitual e com dissonância reduzida. 5. Estágios no processo de compra. 6. Comportamento pós-compra. METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA MINIARD, PAUL; BLACKWELL, Roger D.; ENGEL, James F. Comportamento do Consumidor, 9. ed., São Paulo: Thomsom, 2005. SOLOMON, MICHAEL R. Comportamento do Consumidor, Porto Alegre: Bookman, 2002. SCHIFFMAN, LEON G.; KANUK, LESLIE L. Comportamento do Consumidor, Porto Alegre: Bookman, 2002. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR CHURCHILL Jr, Gilbert A. & Peter, J. Paul. Marketing. Criando valor para os clientes. São Paulo: Ed. Saraiva, 2000. HUTT, Michael D. & SPEH, Thomas W. - Business Marketing Managemen. Orlando: Dryden Press, 2000. KOTLER, Philip. Administração de Marketing. 10ª ed. - Ed. do Milênio. São Paulo: Prentice Hall. 2000. NICKELS, William G. & WOOD, Marian Burk. Marketing. Relacionamentos, qualidade, valor. Rio de Janeiro: LTC Editora, 1999. SHETH, Jagdish N.; MITTAL, Banwari & NEWMAN, Bruce I. Customer Behavior. Consumer Behavior and Beyond. EUA: The Dryden Press, 1999. 133 Disciplina: GESTÃO DE PESSOAS Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 06 Período Indicado: 4º EMENTA Estudo do homem como elemento principal das organizações. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1. Administração de Recursos Humanos no Brasil: evolução histórica. 2. Abordagem sistêmica de Recursos Humanos. 3. Planejamento de Recursos Humanos. 4. Recursos Humanos: vantagem competitiva, captação e retenção de talentos. 5. Recrutamento. 6. Seleção de Pessoal. 7. Qualidade de vida no trabalho. METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA CORADI, Carlos Daniel. O Comportamento Humano em Administração de Empresas. São Paulo: Pioneira, 1986. CHIAVENATO, Idalberto. Recursos Humanos. São Paulo: Atlas, 1983. FERREIRA, Paulo Pinto. Treinamento de Pessoal. São Paulo: Atlas, 1985. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR FONTES, Lauro Barreto. Manual de Seleção na Empresa Moderna. Rio de Janeiro: LTC. Livros Técnicos e Científicos, 1975. LOBOS, Júlio A. Sindicalismo e Negociação. Rio de Janeiro: José Olympio Ed., 1988. LOPES, Tomás Vilanova Monteiro. Problema de Pessoal na Empresa Moderna. Rio de Janeiro FGS, 1971. MOSCOVICI, Felá. Desenvolvimento Interpessoal: Leitura e exercício de treinamento de grupo. Rio de Janeiro: LTC, 1975. TIFFIN, J. e MCCOMMICK, Ernest J. Seleção e Avaliação de Pessoal. In. Psicologia Industrial. São Paulo: Herder, 1965. 134 7.13.5. Ementas do 5º Período Disciplina: MARKETING DE MODA Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 5º Pré-Requisito: EMENTA Marketing de Moda: conceitos e perspectivas mercadológicas na indústria de confecção CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1.0 Bases centrais do Marketing de Moda 2.0 Análise mercadológica da Moda; 3.0Prática do marketing na indústria da confecção 4.0 Megatendências em MKT de Moda e negócios de Moda METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA COBRA, MARCOS. Marketing Competitivo. São Paulo: Atlas, 1993. SARQUIS, Aléssio Bessa. Marketing para pequenas empresas: a indústria da confecção. São Paulo: Editora SENAC, 2003. SCHIMID, Érika. Marketing de moda: uma ênfase em médias empresas. Rio de Janeiro: Qualitymart, 2004. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR DORFLES, Gillis. A moda da moda. Lisboa: Edições 70 DUAIBILI, Roberto, SIMONSEN Jr., HARRY. Criatividade: formulação de alternativas em marketing. São Paulo: Mc Graw Hill. LIMA, Tânia. Marketing: o Glamour dos negócios da Moda. São Paulo: Ed. IMMKT- Tapic, 2008. THOMPSON, John B. A mídia e a modernidade. Petrópolis: Vozes, 1998. 135 Disciplina: MODA E COMUNICAÇÃO Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 5º Pré-Requisito: EMENTA Moda e mídia: a comunicação da moda CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1.0 Jornalismo de Moda; 2.0 Propaganda de Moda; 3.0 Novas mídias e tendências de mercado. METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA BARNARD, Malcon. Moda e Comunicação. São Paulo: Rocco, 2005. GARCIA, Carol e MIRANDA, Ana Paula. Moda é Comunicação. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2005. WAJNMAN, Solange; Almeida, Adilson José. Moda, Comunicação e Cultura: um olhar acadêmico. São Paulo: Arte e Ciência. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR CASTILHO, Kátia e GARCIA, Carol. Moda Brasil Fragmentos de um vestir. São Paulo: Anhembi Morumbi. GIACOMINI FILHO, Gino. Consumidor versus propaganda. São Paulo: Summus. 136 Disciplina: REALIDADE SÓCIO-ECONÔMICA BRASILEIRA Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 3º Pré-Requisito: EMENTA O movimento de 30: o 'redescobrimento' do Brasil. O Estado Novo: O autoritarismo e o nacionalismo. O desenvolvimento: a institucionalização do nacionalismo, o nacional-popular e o reformismo. O conceito de política e sua aplicação na compreensão da realidade brasileira do século XX. Noções de Comércio Internacional. Mercosul. Realidade socioeconômica e política do Brasil. Situação atual e perspectivas. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1. O movimento de 30: o 'redescobrimento' do Brasil. 2. O Estado Novo: O autoritarismo e o nacionalismo. 3. O desenvolvimento: a institucionalização do nacionalismo, o nacional-popular e o reformismo. 4. O conceito de política e sua aplicação na compreensão da realidade brasileira do século XX. 5. Noções de Comércio Internacional. 6. Mercosul. 7. Realidade socioeconômica e política do Brasil. 8. Situação atual e perspectivas METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA GREMAUD, A. P.; VASCONCELLOS, M. A. S. e TONETO Jr, R.. Economia Brasileira Contemporânea. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2004. HOLANDA, Sérgio Buarque. História Geral da Civilização Brasileira. Vol.11. Brasil: Bertrand, 1995 LAGO, B. M. Dinâmica Social: Como as Sociedades se Transformam. São Paulo: Vozes, 1995. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR BENEVIDES, M.V.M. de. O Governo Kubischek. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976. BRANCO, Samuel Murgel. O Meio Ambiente em Debates. São Paulo: Moderna, 1990. CHIAVENATO, Júlio José. O Massacre da Natureza. São Paulo: Moderna, 1990. SACHS, Ignacy, WILHEM Jorge, PINHEIRO, Paulo Sérgio (Orgs.) Brasil, um século de transformações. São Paulo: Cia das Letras, 2001. 137 Disciplina: PROMOÇÃO DE VENDAS Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 04 Período Indicado: 4º EMENTA Planejamento da campanha de promoção de vendas. Estudo das técnicas de comunicações. Marketing direto. Marketing boca a boca. Marketing promocional. Gerência de produtos e serviços. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1. Promoção de vendas: conceitos e aplicações. 2. Promoção de vendas X Propaganda. 3. Ferramentas de promoção de vendas. 4. Promoção para equipe de vendas: montagem de programas. 5. Premiações e divulgação da campanha. 6. Promoção em nível de revendedor: tipos e programas. 7. Planejamento do programa de promoção: propósitos, finalidades e metodologias. METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA BEIRÃO, ANA FILIPA – Impacto das Promoções de Vendas no Valor da Marca – Edições IPAM, 2004. COBRA, MARCOS. Administração de Marketing no Brasil. 2ª.edição 2006. São Paulo: Cobra Editora. D´ANGELO, ANDRÉ. Cultura e Consumo: Apanhado Teórico e Reflexões para o Ensino e para a Pesquisa de Marketing e Administração. ENANPAD 2003. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR BLESSA, REGINA. Merchandising no ponto-de-venda. São Paulo: Atlas, 2001 FREITAS, S.N. e NATALI, Marcos. Merchandising na prática. São Paulo: Ed. STS, 1995. LAS CASAS, Alexandre L. Marketing de Varejo. São Paulo: Ed. Atlas, 1989. ROBINSON, W. Marketing Promocional. São Paulo: Ed. Atlas, 1998. SILVA, J. C. da Silva. Merchandising no varejo de bens de consumo. São Paulo: Ed. Atlas, 1990. 138 Disciplina: TÉCNICAS DE NEGOCIAÇÃO Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 60h Número de Créditos: 06 Período Indicado: 5º EMENTA Estudo do homem como elemento principal das organizações. CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1. Administração de Recursos Humanos no Brasil: evolução histórica. 2. Abordagem sistêmica de Recursos Humanos. 3. Planejamento de Recursos Humanos. 4. Recursos Humanos: vantagem competitiva, captação e retenção de talentos. 5. Recrutamento. 6. Seleção de Pessoal. 7. Qualidade de vida no trabalho. METODOLOGIA Quadro branco; Retroprojetor de slides e transparências; Vídeos; Televisão; Filmes. BIBLIOGRAFIA BÁSICA CORADI, Carlos Daniel. O Comportamento Humano em Administração de Empresas. São Paulo: Pioneira, 1986. CHIAVENATO, Idalberto. Recursos Humanos. São Paulo: Atlas, 1983. FERREIRA, Paulo Pinto. Treinamento de Pessoal. São Paulo: Atlas, 1985. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR FONTES, Lauro Barreto. Manual de Seleção na Empresa Moderna. Rio de Janeiro: LTC. Livros Técnicos e Científicos, 1975. LOBOS, Júlio A. Sindicalismo e Negociação. Rio de Janeiro: José Olympio Ed., 1988. LOPES, Tomás Vilanova Monteiro. Problema de Pessoal na Empresa Rio de Janeiro: Moderna. FGS, 1971. MOSCOVICI, Felá. Desenvolvimento Interpessoal: Leitura e exercício de treinamento de grupo. Rio de Janeiro. LTC, 1975. TIFFIN, J. e MCCOMMICK, Ernest J. Seleção e Avaliação de Pessoal. In. Psicologia Industrial. São Paulo: Herder, 1965. 139 Disciplina: ESTÁGIO OBRIGATÓRIO III Código: Obrigatória: SIM Carga Horária Semestral: 30h Eletiva: Número de Créditos: 02 Período Indicado: 5º Pré-Requisito: Estágio Obrigatório I EMENTA O estágio obrigatório III tem sua ênfase na prática e no TCC. BIBLIOGRAFIA Estruturas do estágio curricular Supervisionado e Equivalência Parecer 550/81 do Conselho Federal de Educação. Resolução 003/90 do Conselho Departamental da Faculdade de Ciências da administração de Pernambuco. 140 8. CONCLUSÃO Considerando os argumentos apresentados nesta dissertação, fundamentados pelos conceitos e pensamentos de importantes teóricos das temáticas Desenvolvimento Local Sustentável e Moda, somados pelos resultados advindos do estudo de múltiplos casos realizado, demonstra-se a relevância de estudos que envolvam o campo do saber moda e sustentabilidade para os espaços acadêmicos. A Universidade de Pernambuco, futuramente, ao implantar o Curso Superior de Tecnologia em Gestão dos Negócios da Moda, se fará propositiva na construção de conhecimento, como instituição pública de ensino superior reconhecida pela sociedade, por sua contribuição para o desenvolvimento social e econômico de Pernambuco, em razão da qualidade no ensino, na pesquisa e na extensão, e através da formação de profissionais. O propósito maior desta dissertação foi alcançado com a apresentação de um projeto pedagógico do Curso Superior de Tecnologia em Gestão dos Negócios da Moda, capaz de formar gestores de negócios do campo da moda com uma abordagem sustentável e diferenciada, visando o fortalecimento da Cadeia de T&C. No decorrer da elaboração do projeto pedagógico, constatou-se que os cursos das IES A, B e C aqui pesquisadas precisam ampliar os conhecimentos sobre a sustentabilidade em suas abordagens educacionais. Ao consultar suas matrizes curriculares, fica evidenciado que, mesmo não havendo definição mínima no currículo sobre sustentabilidade para os cursos de moda por parte do Ministério da Educação, a IES A e a IES C apresentam de forma clara e definida o estudo da sustentabilidade nos seus currículos do Curso de Administração com ênfase em Marketing de Moda e do Curso de Design, respectivamente, o que reforça que nestas IES o espaço para a ampliação deste tipo de conhecimento. Na análise dos dados, verificou-se que no curso da IES A acima citado a abordagem da sustentabilidade não aparece no escopo nos eixos da pesquisa, mas sim nos eixos do ensino e da extensão, permitindo aos seus discentes amplos conhecimentos relacionados a essa temática. A análise ainda revelou que, na IES C, o Curso de Design também apresenta a abordagem da sustentabilidade no escopo do curso no eixo do ensino, observando -se o fato das disciplinas serem optativas; entretanto, não houve a mesma verificação nos eixos da pesquisa nem na extensão, sendo que, na opinião dos discentes, os conhecimentos sobre sustentabilidade são parcialmente difundidos. Já na IES B, os dados analisados mostraram que a abordagem da sustentabilidade não aparece em nenhum eixo do escopo do Curso de Design 141 de Moda. O que faz seus discentes não reconhecerem a disseminação deste conceito em sua IES, fato este que demanda mudanças desta instituição. Ao se verificar a percepção da sustentabilidade na moda enquanto consumo constatouse que os discentes se consideram consumidores conscientes, apesar de ter-se verificado, na mesma análise, que os mesmos não possuíam comportamento de consumidores conscientes. Já sobre a percepção da sustentabilidade no tocante à indústria produtiva de moda, os discentes foram coesos em afirmar que a mesma está entre as que mais consomem matériaprima e não fazem esforços para se adequarem à gestão da sustentabilidade nos seus processos. Com relação ao conceito do que é moda sustentável, na análise da fala dos discentes das três IES, confirmou-se que a sustentabilidade é percebida apenas através da dimensão ambiental, pois os pontos comuns mais evidentes entre as falas dos pesquisados remete ao menor impacto ambiental e à reutilização/reciclagem de materiais (no que tange à cadeia produtiva de moda). Este entendimento demonstra que a aprendizagem das competências técnicas relacionadas ao conceito de moda sustentável é compreendida pelos discentes de forma fragmentada e muitas vezes superficial, pois para os pesquisados não se há um entendimento da sustentabilidade enquanto um tripé que equilibra as dimensões ambiental, social e econômica, características do desenvolvimento local sustentável. Como este conhecimento é necessário para se preparar um profissional adequado à nova realidade sustentável que vem se desenhando no mercado da moda, à medida que as discussões sobre os problemas socioambientais aumentam, o conhecimento científico precisa acompanhar os cenários que se formam para a superação dos desafios contemporâneos, necessitando assim, de ampla discussão e direcionamento das matrizes curriculares nos cursos ligados à moda no estado de Pernambuco. O fato dos discentes das IES apresentarem uma postura confiante em relação ao mercado de moda sustentável demonstra que é possível aplicar na prática a teoria da sustentabilidade. Este postura positiva revela que há espaço para estudo na ênfase sustentável na proposta do curso aqui apresentado, já que o curso buscará, através da profissionalização da educação superior na área de moda, gerar novos conhecimentos que contribuirão para o desenvolvimento da cadeia têxtil de forma a gerar menos impacto ambiental e social em vários elos da cadeia produtiva. 142 Enfim, a proposta do Curso Superior de Tecnologia em Gestão dos Negócios da Moda, construído segundo o entendimento da autora à luz da análise de conteúdo dos dados, realizado em formato de projeto técnico (característico de Mestrado Profissional), assume perfeita aderência com as diretrizes acadêmicas e as exigências do ambiente que será instalado, no qual a qualificação profissional não pode se limitar à preparação técnica e científica para o exercício da profissão. Em consequência, ao inserir no cenário educacional do Estado um curso superior que se propõe a formar gestores de negócios da moda, os futuros profissionais irão cooperar para a qualificação desta cadeia produtiva, cumprindo assim seu papel social e contribuindo também para o alcance das metas propostas pelo Plano Estratégico da cadeia de T&C de Pernambuco, uma vez que a universidade se propõe a construir conhecimentos que visem a sustentabilidade do nosso desenvolvimento. Para finalizar, considera-se importante destacar que, quando aprovado, o projeto pedagógico aqui apresentado (como processo) deverá ser continuamente revisado, num ciclo de dois anos, sendo essa revisão coordenada pelo Núcleo Docente Estruturante (NDE) do Curso Superior de Tecnologia em Gestão dos Negócios da Moda. 143 9. REFERÊNCIAS _____. A felicidade paradoxal - Ensaio sobre a sociedade de hiperconsumo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. _____. Palestra Desenvolvimento Sustentável do PCA. Nota de aula. Power Point, 2012. _____. Perfil do Setor. Disponível em: www.abit.org.br/site. Acesso em: 18 set. 2012. ABRANCHES, Sérgio. Agenda climática, sustentabilidade e desafio competitivo. In: ZYLBERSZTAJN, David (Org.). Sustentabilidade e geração de valor: a transição para o século XXI. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. AKATU. Consumo consciente para um futuro sustentável. Disponível em http://www.akatu.org.br/. Acesso em: 01 dez. 2012. ALMEIDA, Adilson José. A pesquisa acadêmica de moda no Brasil. In: Fashion theory. A revista da moda, corpo e cultura. São Paulo, Anhembi Morumbi, Edição brasileira, v.2, n.2, jun. 2003. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA TÊXTIL E DE CONFECÇÃO (ABIT)/ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO VESTUÁRIO (ABRAVEST). Comércio exterior de produtos têxteis e de confecção. São Paulo, 2006. AUGRAS, Monique. Opinião pública: teoria e pesquisa. Petrópolis: Vozes, 1974. BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011. BARROS, Izabele S. 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II- Responda o questionário abaixo marcando com um X na coluna que mais condiz com a sua crença (A: Concordo totalmente, B: Concordo parcialmente, C: Indiferente, D: Não Concordo) nas questões numeradas de 2 a 13. III- Responda as questões 14 a 17 marcando um “X” na alternativa mais correta. Questão aberta 1.Para você, o que é moda sustentável? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 150 Questões fechadas A B C D 2. Você acredita que todos deveriam agir de forma sustentável. 3. Você se considera um consumidor consciente. 4. Você possui algum item de vestuário que tenha sido feito com base em valores sustentáveis. 5. Sempre você compra um produto que tenha sido feito com base em valores sustentáveis em vez de um produto normal. 6. Você acredita que o vestuário com valor sustentável tem um público consumidor no mercado de moda. 7. Estudar as relações entre sustentabilidade e moda no seu curso é importante para você. 8. O seu curso oferece disciplinas de moda sustentável ou ecodesign. 9. O seu curso prioriza trabalhos que realizam práticas sustentáveis. 10. O seu curso possui projetos de extensão na área de moda e sustentabilidade. 11. A O seu curso possui projetos de pesquisa na área de moda e sustentabilidade. 12. O curso que você faz permite um amplo conhecimento das questões que envolvem a sustentabilidade na moda. 13. É possível aplicar no mercado a teoria sobre sustentabilidade na moda estudada. 14. Qual dos itens abaixo é a sua principal fonte de informação sobre moda sustentável? (A) Periódicos (B) Blogs (C) Livros (D) Sites (E) Sala de aula 151 15. Na sua opinião a indústria têxtil: (A) Faz amplos esforços sustentáveis em seus métodos e processos. (B) Está entre as quatro que mais consomem recursos naturais na Terra. (C) Produz fibras alternativas e todas podem ser consideradas "produtos sustentáveis". (D) Facilmente faz mudanças nos insumos e nos próprios processos produtivos para incluir processos menos impactantes. (E) Não repensa seu próprio produto e nem trabalha a otimização de toda a cadeia produtiva. 16. Como você, profissional ligado à área de moda, poderá colaborar de forma sustentável para a cadeia produtiva de têxteis e confecções? (A) Montando uma grande marca e gerando mais empregos. (B) Criando produtos que sejam éticos, sustentáveis e acima de tudo “rentáveis”. (C) Trabalhando em projetos sociais e de filantropia. (D) Doando os retalhos, roupas e outros que sobrarem para instituições de caridades e ONGs. (E) Fazendo com que o conhecimento sobre sustentabilidade esteja sempre na “moda”, gerando e divulgando atitudes e informações a respeito e criando produtos sustentáveis. 152 ANEXO A – Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Diretrizes e Bases da Educação Nacional) 153 Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996. Vide Adin 3324-7, de 2005 Vide Decreto nº 3.860, de 2001 Vide Lei nº 12.061, de 2009 Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: TÍTULO I Da Educação Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. § 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias. § 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social. TÍTULO II Dos Princípios e Fins da Educação Nacional Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas; IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância; V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; 154 VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; VII - valorização do profissional da educação escolar; VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; IX - garantia de padrão de qualidade; X - valorização da experiência extra-escolar; XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais. TÍTULO III Do Direito à Educação e do Dever de Educar Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria; II - progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio; II - universalização do ensino médio gratuito; (Redação dada pela Lei nº 12.061, de 2009) III - atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino; IV - atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de zero a seis anos de idade; V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; VII - oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades, garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola; VIII - atendimento ao educando, no ensino fundamental público, por meio de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde; 155 IX - padrões mínimos de qualidade de ensino, definidos como a variedade e quantidade mínimas, por aluno, de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem. X – vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fundamental mais próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em que completar 4 (quatro) anos de idade. (Incluído pela Lei nº 11.700, de 2008). Art. 5º O acesso ao ensino fundamental é direito público subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída, e, ainda, o Ministério Público, acionar o Poder Público para exigi-lo. § 1º Compete aos Estados e aos Municípios, em regime de colaboração, e com a assistência da União: I - recensear a população em idade escolar para o ensino fundamental, e os jovens e adultos que a ele não tiveram acesso; II - fazer-lhes a chamada pública; III - zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela freqüência à escola. § 2º Em todas as esferas administrativas, o Poder Público assegurará em primeiro lugar o acesso ao ensino obrigatório, nos termos deste artigo, contemplando em seguida os demais níveis e modalidades de ensino, conforme as prioridades constitucionais e legais. § 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste artigo tem legitimidade para peticionar no Poder Judiciário, na hipótese do § 2º do art. 208 da Constituição Federal, sendo gratuita e de rito sumário a ação judicial correspondente. § 4º Comprovada a negligência da autoridade competente para garantir o oferecimento do ensino obrigatório, poderá ela ser imputada por crime de responsabilidade. § 5º Para garantir o cumprimento da obrigatoriedade de ensino, o Poder Público criará formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de ensino, independentemente da escolarização anterior. Art. 6º É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula dos menores, a partir dos sete anos de idade, no ensino fundamental. Art. 6o É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula dos menores, a partir dos seis anos de idade, no ensino fundamental. (Redação dada pela Lei nº 11.114, de 2005) Art. 7º O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes condições: 156 I - cumprimento das normas gerais da educação nacional e do respectivo sistema de ensino; II - autorização de funcionamento e avaliação de qualidade pelo Poder Público; III - capacidade de autofinanciamento, ressalvado o previsto no art. 213 da Constituição Federal. TÍTULO IV Da Organização da Educação Nacional Art. 8º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão, em regime de colaboração, os respectivos sistemas de ensino. § 1º Caberá à União a coordenação da política nacional de educação, articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa, redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais. § 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos desta Lei. Art. 9º A União incumbir-se-á de: (Regulamento) I - elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do sistema federal de ensino e o dos Territórios; III - prestar assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória, exercendo sua função redistributiva e supletiva; IV - estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, competências e diretrizes para a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum; V - coletar, analisar e disseminar informações sobre a educação; VI - assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental, médio e superior, em colaboração com os sistemas de ensino, objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino; VII - baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação; VIII - assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior, com a cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este nível de ensino; 157 IX - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, respectivamente, os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. § 1º Na estrutura educacional, haverá um Conselho Nacional de Educação, com funções normativas e de supervisão e atividade permanente, criado por lei. § 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX, a União terá acesso a todos os dados e informações necessários de todos os estabelecimentos e órgãos educacionais. § 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos Estados e ao Distrito Federal, desde que mantenham instituições de educação superior. Art. 10. Os Estados incumbir-se-ão de: I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino; II - definir, com os Municípios, formas de colaboração na oferta do ensino fundamental, as quais devem assegurar a distribuição proporcional das responsabilidades, de acordo com a população a ser atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do Poder Público; III - elaborar e executar políticas e planos educacionais, em consonância com as diretrizes e planos nacionais de educação, integrando e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios; IV - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, respectivamente, os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino; V - baixar normas complementares para o seu sistema de ensino; VI - assegurar o ensino fundamental e oferecer, com prioridade, o ensino médio. VI - assegurar o ensino fundamental e oferecer, com prioridade, o ensino médio a todos que o demandarem, respeitado o disposto no art. 38 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 12.061, de 2009) VII - assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual. (Incluído pela Lei nº 10.709, de 31.7.2003) Parágrafo único. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências referentes aos Estados e aos Municípios. Art. 11. Os Municípios incumbir-se-ão de: 158 I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino, integrando-os às políticas e planos educacionais da União e dos Estados; II - exercer ação redistributiva em relação às suas escolas; III - baixar normas complementares para o seu sistema de ensino; IV - autorizar, credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu sistema de ensino; V - oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas, e, com prioridade, o ensino fundamental, permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino. VI - assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal. (Incluído pela Lei nº 10.709, de 31.7.2003) Parágrafo único. Os Municípios poderão optar, ainda, por se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de educação básica. Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: I - elaborar e executar sua proposta pedagógica; II - administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros; III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas; IV - velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente; V - prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento; VI - articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola; VII - informar os pais e responsáveis sobre a freqüência e o rendimento dos alunos, bem como sobre a execução de sua proposta pedagógica. VII - informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se for o caso, os responsáveis legais, sobre a frequência e rendimento dos alunos, bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola; (Redação dada pela Lei nº 12.013, de 2009) VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público a relação dos alunos 159 que apresentem quantidade de faltas acima de cinqüenta por cento do percentual permitido em lei.(Incluído pela Lei nº 10.287, de 2001) Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de: I - participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino; II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino; III - zelar pela aprendizagem dos alunos; IV - estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento; V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional; VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade. Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I - participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II - participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. Art. 15. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público. Art. 16. O sistema federal de ensino compreende: I - as instituições de ensino mantidas pela União; II - as instituições de educação superior criadas e mantidas pela iniciativa privada; III - os órgãos federais de educação. Art. 17. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal compreendem: 160 I - as instituições de ensino mantidas, respectivamente, pelo Poder Público estadual e pelo Distrito Federal; II - as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Público municipal; III - as instituições de ensino fundamental e médio criadas e mantidas pela iniciativa privada; IV - os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal, respectivamente. Parágrafo único. No Distrito Federal, as instituições de educação infantil, criadas e mantidas pela iniciativa privada, integram seu sistema de ensino. Art. 18. Os sistemas municipais de ensino compreendem: I - as instituições do ensino fundamental, médio e de educação infantil mantidas pelo Poder Público municipal; II - as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada; III – os órgãos municipais de educação. Art. 19. As instituições de ensino dos diferentes níveis classificam-se nas seguintes categorias administrativas: (Regulamento) I - públicas, assim entendidas as criadas ou incorporadas, mantidas e administradas pelo Poder Público; II - privadas, assim entendidas as mantidas e administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. Art. 20. As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas seguintes categorias: (Regulamento) I - particulares em sentido estrito, assim entendidas as que são instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado que não apresentem as características dos incisos abaixo; II - comunitárias, assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas, inclusive cooperativas de professores e alunos que incluam na sua entidade mantenedora representantes da comunidade; II – comunitárias, assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas, inclusive cooperativas de pais, professores e alunos, que incluam em sua entidade mantenedora representantes da comunidade; (Redação dada pela Lei nº 11.183, de 2005) II - comunitárias, assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas, inclusive cooperativas 161 educacionais, sem fins lucrativos, que incluam na sua entidade mantenedora representantes da comunidade; (Redação dada pela Lei nº 12.020, de 2009) III - confessionais, assim entendidas as que são instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que atendem a orientação confessional e ideologia específicas e ao disposto no inciso anterior; IV - filantrópicas, na forma da lei. TÍTULO V Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino CAPÍTULO I Da Composição dos Níveis Escolares Art. 21. A educação escolar compõe-se de: I - educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II - educação superior. CAPÍTULO II DA EDUCAÇÃO BÁSICA Seção I Das Disposições Gerais Art. 22. A educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. Art. 23. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não-seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar. § 1º A escola poderá reclassificar os alunos, inclusive quando se tratar de transferências entre estabelecimentos situados no País e no exterior, tendo como base as normas curriculares gerais. § 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades locais, inclusive climáticas e econômicas, a critério do respectivo sistema de ensino, sem com isso reduzir o número de horas letivas previsto nesta Lei. 162 Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: I - a carga horária mínima anual será de oitocentas horas, distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver; II - a classificação em qualquer série ou etapa, exceto a primeira do ensino fundamental, pode ser feita: a) por promoção, para alunos que cursaram, com aproveitamento, a série ou fase anterior, na própria escola; b) por transferência, para candidatos procedentes de outras escolas; c) independentemente de escolarização anterior, mediante avaliação feita pela escola, que defina o grau de desenvolvimento e experiência do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada, conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino; III - nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por série, o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial, desde que preservada a seqüência do currículo, observadas as normas do respectivo sistema de ensino; IV - poderão organizar-se classes, ou turmas, com alunos de séries distintas, com níveis equivalentes de adiantamento na matéria, para o ensino de línguas estrangeiras, artes, ou outros componentes curriculares; V - a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais; b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar; c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado; d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito; e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos; VI - o controle de freqüência fica a cargo da escola, conforme o disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino, exigida a freqüência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação; 163 VII - cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares, declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de conclusão de cursos, com as especificações cabíveis. Art. 25. Será objetivo permanente das autoridades responsáveis alcançar relação adequada entre o número de alunos e o professor, a carga horária e as condições materiais do estabelecimento. Parágrafo único. Cabe ao respectivo sistema de ensino, à vista das condições disponíveis e das características regionais e locais, estabelecer parâmetro para atendimento do disposto neste artigo. Art. 26. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela. § 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger, obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa e da matemática, o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política, especialmente do Brasil. § 2º O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. § 2o O ensino da arte, especialmente em suas expressões regionais, constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos.(Redação dada pela Lei nº 12.287, de 2010) § 3º A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular da Educação Básica, ajustando-se às faixas etárias e às condições da população escolar, sendo facultativa nos cursos noturnos. § 3o A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular obrigatório da Educação Básica, ajustando-se às faixas etárias e às condições da população escolar, sendo facultativa nos cursos noturnos. (Redação dada pela Lei nº 10.328, de 12.12.2001) § 3o A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular obrigatório da educação básica, sendo sua prática facultativa ao aluno: (Redação dada pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003) I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003) II – maior de trinta anos de idade; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003) III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que, em situação similar, estiver obrigado à prática da educação física; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003) 164 IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1.044, de 21 de outubro de 1969; (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003) V – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003) VI – que tenha prole. (Incluído pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003) § 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especialmente das matrizes indígena, africana e européia. § 5º Na parte diversificada do currículo será incluído, obrigatoriamente, a partir da quinta série, o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna, cuja escolha ficará a cargo da comunidade escolar, dentro das possibilidades da instituição. § 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente curricular de que trata o § 2o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.769, de 2008) § 7o Os currículos do ensino fundamental e médio devem incluir os princípios da proteção e defesa civil e a educação ambiental de forma integrada aos conteúdos obrigatórios. (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura AfroBrasileira.(Incluído pela Lei nº 10.639, de 9.1.2003) § 1o O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.(Incluído pela Lei nº 10.639, de 9.1.2003) § 2o Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.(Incluído pela Lei nº 10.639, de 9.1.2003) § 3o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.639, de 9.1.2003) Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena. (Redação dada pela Lei nº 11.645, de 2008). § 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.645, de 2008). 165 § 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras. (Redação dada pela Lei nº 11.645, de 2008). Art. 27. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão, ainda, as seguintes diretrizes: I - a difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e deveres dos cidadãos, de respeito ao bem comum e à ordem democrática; II - consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada estabelecimento; III - orientação para o trabalho; IV - promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas nãoformais. Art. 28. Na oferta de educação básica para a população rural, os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região, especialmente: I - conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural; II - organização escolar própria, incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas; III - adequação à natureza do trabalho na zona rural. Seção II Da Educação Infantil Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Art. 30. A educação infantil será oferecida em: I - creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos de idade; II - pré-escolas, para as crianças de quatro a seis anos de idade. Art. 31. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental. 166 Seção III Do Ensino Fundamental Art. 32. O ensino fundamental, com duração mínima de oito anos, obrigatório e gratuito na escola pública, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante: Art. 32. O ensino fundamental, com duração mínima de oito anos, obrigatório e gratuito na escola pública a partir dos seis anos, terá por objetivo a formação básica do cidadão mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.114, de 2005) Art. 32. O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo; II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade; III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores; IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social. § 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fundamental em ciclos. § 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continuada, sem prejuízo da avaliação do processo de ensino-aprendizagem, observadas as normas do respectivo sistema de ensino. § 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. § 4º O ensino fundamental será presencial, sendo o ensino a distância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais. § 5o O currículo do ensino fundamental incluirá, obrigatoriamente, conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes, tendo como diretriz a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990, que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente, observada a produção e distribuição de material didático adequado. (Incluído pela Lei nº 11.525, de 2007). § 6º O estudo sobre os símbolos nacionais será incluído como tema transversal nos currículos do ensino fundamental. (Incluído pela Lei nº 12.472, de 2011). 167 Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, sendo oferecido, sem ônus para os cofres públicos, de acordo com as preferências manifestadas pelos alunos ou por seus responsáveis, em caráter: I - confessional, de acordo com a opção religiosa do aluno ou do seu responsável, ministrado por professores ou orientadores religiosos preparados e credenciados pelas respectivas igrejas ou entidades religiosas; ou II - interconfessional, resultante de acordo entre as diversas entidades religiosas, que se responsabilizarão pela elaboração do respectivo programa. Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo. (Redação dada pela Lei nº 9.475, de 22.7.1997) § 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos professores. § 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso." Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola. § 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas alternativas de organização autorizadas nesta Lei. § 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em tempo integral, a critério dos sistemas de ensino. Seção IV Do Ensino Médio Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração mínima de três anos, terá como finalidades: I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos; II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores; III - o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico; 168 IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina. Art. 36. O currículo do ensino médio observará o disposto na Seção I deste Capítulo e as seguintes diretrizes: I - destacará a educação tecnológica básica, a compreensão do significado da ciência, das letras e das artes; o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura; a língua portuguesa como instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento e exercício da cidadania; II - adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes; III - será incluída uma língua estrangeira moderna, como disciplina obrigatória, escolhida pela comunidade escolar, e uma segunda, em caráter optativo, dentro das disponibilidades da instituição. IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio. (Incluído pela Lei nº 11.684, de 2008) § 1º Os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: I - domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna; II - conhecimento das formas contemporâneas de linguagem; III - domínio dos conhecimentos de Filosofia e de Sociologia necessários ao exercício da cidadania. (Revogado pela Lei nº 11.684, de 2008) § 2º O ensino médio, atendida a formação geral do educando, poderá preparálo para o exercício de profissões técnicas. (Regulamento) (Revogado pela Lei nº 11.741, de 2008) § 3º Os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habilitarão ao prosseguimento de estudos. § 4º A preparação geral para o trabalho e, facultativamente, a habilitação profissional, poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional. (Revogado pela Lei nº 11.741, de 2008) Seção IV-A Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 169 Art. 36-A. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo, o ensino médio, atendida a formação geral do educando, poderá prepará-lo para o exercício de profissões técnicas. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Parágrafo único. A preparação geral para o trabalho e, facultativamente, a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 36-B. A educação profissional técnica de nível médio será desenvolvida nas seguintes formas: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I - articulada com o ensino médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II - subseqüente, em cursos destinados a quem já tenha concluído o ensino médio.(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Parágrafo único. A educação profissional técnica de nível médio deverá observar: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I - os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II - as normas complementares dos respectivos sistemas de ensino; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) III - as exigências de cada instituição de ensino, nos termos de seu projeto pedagógico. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 36-C. A educação profissional técnica de nível médio articulada, prevista no inciso I do caput do art. 36-B desta Lei, será desenvolvida de forma: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I - integrada, oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental, sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio, na mesma instituição de ensino, efetuando-se matrícula única para cada aluno; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II - concomitante, oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o esteja cursando, efetuando-se matrículas distintas para cada curso, e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) a) na mesma instituição de ensino, aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) b) em instituições de ensino distintas, aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) 170 c) em instituições de ensino distintas, mediante convênios de intercomplementaridade, visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 36-D. Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de nível médio, quando registrados, terão validade nacional e habilitarão ao prosseguimento de estudos na educação superior. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Parágrafo único. Os cursos de educação profissional técnica de nível médio, nas formas articulada concomitante e subseqüente, quando estruturados e organizados em etapas com terminalidade, possibilitarão a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão, com aproveitamento, de cada etapa que caracterize uma qualificação para o trabalho. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Seção V Da Educação de Jovens e Adultos Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. § 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos, que não puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames. § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola, mediante ações integradas e complementares entre si. § 3o A educação de jovens e adultos deverá articular-se, preferencialmente, com a educação profissional, na forma do regulamento. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 38. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. § 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: I - no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores de quinze anos; II - no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de dezoito anos. § 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames. CAPÍTULO III 171 DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL Da Educação Profissional e Tecnológica (Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 39. A educação profissional, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva.(Regulamento) Parágrafo único. O aluno matriculado ou egresso do ensino fundamental, médio e superior, bem como o trabalhador em geral, jovem ou adulto, contará com a possibilidade de acesso à educação profissional. Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia.(Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008) § 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos, possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos, observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) § 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II – de educação profissional técnica de nível médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) III – de educação profissional tecnológica graduação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) de graduação e pós- § 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pósgraduação organizar-se-ão, no que concerne a objetivos, características e duração, de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 40. A educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação continuada, em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho. (Regulamento) Art. 41. O conhecimento adquirido na educação profissional, inclusive no trabalho, poderá ser objeto de avaliação, reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos. (Regulamento) Art. 41. O conhecimento adquirido na educação profissional e tecnológica, inclusive no trabalho, poderá ser objeto de avaliação, reconhecimento e certificação 172 para prosseguimento ou conclusão de estudos.(Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008) Parágrafo único. Os diplomas de cursos de educação profissional de nível médio, quando registrados, terão validade nacional. (Revogado pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 42. As escolas técnicas e profissionais, além dos seus cursos regulares, oferecerão cursos especiais, abertos à comunidade, condicionada a matrícula à capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao nível de escolaridade. (Regulamento) Art. 42. As instituições de educação profissional e tecnológica, além dos seus cursos regulares, oferecerão cursos especiais, abertos à comunidade, condicionada a matrícula à capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao nível de escolaridade. (Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008) CAPÍTULO IV DA EDUCAÇÃO SUPERIOR Art. 43. A educação superior tem por finalidade: I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo; II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua; III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive; IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação; V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração; VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade; VII - promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição. 173 Art. 44. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas: (Regulamento) I - cursos seqüenciais por campo de saber, de diferentes níveis de abrangência, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino; I - cursos seqüenciais por campo de saber, de diferentes níveis de abrangência, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino, desde que tenham concluído o ensino médio ou equivalente; (Redação dada pela Lei nº 11.632, de 2007). II - de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo; III - de pós-graduação, compreendendo programas de mestrado e doutorado, cursos de especialização, aperfeiçoamento e outros, abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino; IV - de extensão, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. Parágrafo único. Os resultados do processo seletivo referido no inciso II do caput deste artigo serão tornados públicos pelas instituições de ensino superior, sendo obrigatória a divulgação da relação nominal dos classificados, a respectiva ordem de classificação, bem como do cronograma das chamadas para matrícula, de acordo com os critérios para preenchimento das vagas constantes do respectivo edital. (Incluído pela Lei nº 11.331, de 2006) Art. 45. A educação superior será ministrada em instituições de ensino superior, públicas ou privadas, com variados graus de abrangência ou especialização. (Regulamento) Art. 46. A autorização e o reconhecimento de cursos, bem como o credenciamento de instituições de educação superior, terão prazos limitados, sendo renovados, periodicamente, após processo regular de avaliação.(Regulamento) § 1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventualmente identificadas pela avaliação a que se refere este artigo, haverá reavaliação, que poderá resultar, conforme o caso, em desativação de cursos e habilitações, em intervenção na instituição, em suspensão temporária de prerrogativas da autonomia, ou em descredenciamento. (Regulamento) § 2º No caso de instituição pública, o Poder Executivo responsável por sua manutenção acompanhará o processo de saneamento e fornecerá recursos adicionais, se necessários, para a superação das deficiências. 174 Art. 47. Na educação superior, o ano letivo regular, independente do ano civil, tem, no mínimo, duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver. § 1º As instituições informarão aos interessados, antes de cada período letivo, os programas dos cursos e demais componentes curriculares, sua duração, requisitos, qualificação dos professores, recursos disponíveis e critérios de avaliação, obrigando-se a cumprir as respectivas condições. § 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos estudos, demonstrado por meio de provas e outros instrumentos de avaliação específicos, aplicados por banca examinadora especial, poderão ter abreviada a duração dos seus cursos, de acordo com as normas dos sistemas de ensino. § 3º É obrigatória a freqüência de alunos e professores, salvo nos programas de educação a distância. § 4º As instituições de educação superior oferecerão, no período noturno, cursos de graduação nos mesmos padrões de qualidade mantidos no período diurno, sendo obrigatória a oferta noturna nas instituições públicas, garantida a necessária previsão orçamentária. Art. 48. Os diplomas de cursos superiores reconhecidos, quando registrados, terão validade nacional como prova da formação recebida por seu titular. § 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas próprias registrados, e aqueles conferidos por instituições não-universitárias serão registrados em universidades indicadas pelo Conselho Nacional de Educação. § 2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades estrangeiras serão revalidados por universidades públicas que tenham curso do mesmo nível e área ou equivalente, respeitando-se os acordos internacionais de reciprocidade ou equiparação. § 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados, na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior. Art. 49. As instituições de educação superior aceitarão a transferência de alunos regulares, para cursos afins, na hipótese de existência de vagas, e mediante processo seletivo. Parágrafo único. As transferências ex officio dar-se-ão na forma da lei. (Regulamento) Art. 50. As instituições de educação superior, quando da ocorrência de vagas, abrirão matrícula nas disciplinas de seus cursos a alunos não regulares que demonstrarem capacidade de cursá-las com proveito, mediante processo seletivo prévio. 175 Art. 51. As instituições de educação superior credenciadas como universidades, ao deliberar sobre critérios e normas de seleção e admissão de estudantes, levarão em conta os efeitos desses critérios sobre a orientação do ensino médio, articulando-se com os órgãos normativos dos sistemas de ensino. Art. 52. As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo do saber humano, que se caracterizam por: (Regulamento) I - produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes, tanto do ponto de vista científico e cultural, quanto regional e nacional; II - um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado; III - um terço do corpo docente em regime de tempo integral. Parágrafo único. É facultada a criação de universidades especializadas por campo do saber. (Regulamento) Art. 53. No exercício de sua autonomia, são asseguradas às universidades, sem prejuízo de outras, as seguintes atribuições: I - criar, organizar e extinguir, em sua sede, cursos e programas de educação superior previstos nesta Lei, obedecendo às normas gerais da União e, quando for o caso, do respectivo sistema de ensino; (Regulamento) II - fixar os currículos dos seus cursos e programas, observadas as diretrizes gerais pertinentes; III - estabelecer planos, programas e projetos de pesquisa científica, produção artística e atividades de extensão; IV - fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institucional e as exigências do seu meio; V - elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em consonância com as normas gerais atinentes; VI - conferir graus, diplomas e outros títulos; VII - firmar contratos, acordos e convênios; VIII - aprovar e executar planos, programas e projetos de investimentos referentes a obras, serviços e aquisições em geral, bem como administrar rendimentos conforme dispositivos institucionais; IX - administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista no ato de constituição, nas leis e nos respectivos estatutos; 176 X - receber subvenções, doações, heranças, legados e cooperação financeira resultante de convênios com entidades públicas e privadas. Parágrafo único. Para garantir a autonomia didático-científica das universidades, caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa decidir, dentro dos recursos orçamentários disponíveis, sobre: I - criação, expansão, modificação e extinção de cursos; II - ampliação e diminuição de vagas; III - elaboração da programação dos cursos; IV - programação das pesquisas e das atividades de extensão; V - contratação e dispensa de professores; VI - planos de carreira docente. Art. 54. As universidades mantidas pelo Poder Público gozarão, na forma da lei, de estatuto jurídico especial para atender às peculiaridades de sua estrutura, organização e financiamento pelo Poder Público, assim como dos seus planos de carreira e do regime jurídico do seu pessoal. (Regulamento) § 1º No exercício da sua autonomia, além das atribuições asseguradas pelo artigo anterior, as universidades públicas poderão: I - propor o seu quadro de pessoal docente, técnico e administrativo, assim como um plano de cargos e salários, atendidas as normas gerais pertinentes e os recursos disponíveis; II - elaborar o regulamento de seu pessoal em conformidade com as normas gerais concernentes; III - aprovar e executar planos, programas e projetos de investimentos referentes a obras, serviços e aquisições em geral, de acordo com os recursos alocados pelo respectivo Poder mantenedor; IV - elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais; V - adotar regime financeiro e contábil que atenda às suas peculiaridades de organização e funcionamento; VI - realizar operações de crédito ou de financiamento, com aprovação do Poder competente, para aquisição de bens imóveis, instalações e equipamentos; VII - efetuar transferências, quitações e tomar outras providências de ordem orçamentária, financeira e patrimonial necessárias ao seu bom desempenho. 177 § 2º Atribuições de autonomia universitária poderão ser estendidas a instituições que comprovem alta qualificação para o ensino ou para a pesquisa, com base em avaliação realizada pelo Poder Público. Art. 55. Caberá à União assegurar, anualmente, em seu Orçamento Geral, recursos suficientes para manutenção e desenvolvimento das instituições de educação superior por ela mantidas. Art. 56. As instituições públicas de educação superior obedecerão ao princípio da gestão democrática, assegurada a existência de órgãos colegiados deliberativos, de que participarão os segmentos da comunidade institucional, local e regional. Parágrafo único. Em qualquer caso, os docentes ocuparão setenta por cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão, inclusive nos que tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimentais, bem como da escolha de dirigentes. Art. 57. Nas instituições públicas de educação superior, o professor ficará obrigado ao mínimo de oito horas semanais de aulas.(Regulamento) CAPÍTULO V DA EDUCAÇÃO ESPECIAL Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. § 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. § 2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. § 3º A oferta de educação especial, dever constitucional do Estado, tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil. Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades; II - terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados; 178 III - professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; IV - educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora; V - acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular. Art. 60. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos, especializadas e com atuação exclusiva em educação especial, para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público. Parágrafo único. O Poder Público adotará, como alternativa preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo. TÍTULO VI Dos Profissionais da Educação Art. 61. A formação de profissionais da educação, de modo a atender aos objetivos dos diferentes níveis e modalidades de ensino e às características de cada fase do desenvolvimento do educando, terá como fundamentos:(Regulamento) I - a associação entre teorias e práticas, inclusive mediante a capacitação em serviço; II - aproveitamento da formação e experiências anteriores em instituições de ensino e outras atividades. Art. 61. Consideram-se profissionais da educação escolar básica os que, nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos reconhecidos, são: (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009) I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio; (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009) II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia, com habilitação em administração, planejamento, supervisão, inspeção e orientação educacional, bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas; (Redação dada pela Lei nº 12.014, de 2009) III – trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim. (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) 179 Parágrafo único. A formação dos profissionais da educação, de modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades, bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica, terá como fundamentos: (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) I – a presença de sólida formação básica, que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho; (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) II – a associação entre teorias e práticas, mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço; (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores, em instituições de ensino e em outras atividades. (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009) Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal. (Regulamento) § 1º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios, em regime de colaboração, deverão promover a formação inicial, a continuada e a capacitação dos profissionais de magistério. (Incluído pela Lei nº 12.056, de 2009). § 2º A formação continuada e a capacitação dos profissionais de magistério poderão utilizar recursos e tecnologias de educação a distância. (Incluído pela Lei nº 12.056, de 2009). § 3º A formação inicial de profissionais de magistério dará preferência ao ensino presencial, subsidiariamente fazendo uso de recursos e tecnologias de educação a distância. (Incluído pela Lei nº 12.056, de 2009). Art. 63. Os institutos superiores de educação manterão: (Regulamento) I - cursos formadores de profissionais para a educação básica, inclusive o curso normal superior, destinado à formação de docentes para a educação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental; II - programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica; III - programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis. Art. 64. A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pósgraduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional. 180 Art. 65. A formação docente, exceto para a educação superior, incluirá prática de ensino de, no mínimo, trezentas horas. Art. 66. A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pós-graduação, prioritariamente em programas de mestrado e doutorado. Parágrafo único. O notório saber, reconhecido por universidade com curso de doutorado em área afim, poderá suprir a exigência de título acadêmico. Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais da educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e dos planos de carreira do magistério público: I - ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos; II - aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com licenciamento periódico remunerado para esse fim; III - piso salarial profissional; IV - progressão funcional baseada na titulação ou habilitação, e na avaliação do desempenho; V - período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluído na carga de trabalho; VI - condições adequadas de trabalho. § 1o A experiência docente é pré-requisito para o exercício profissional de quaisquer outras funções de magistério, nos termos das normas de cada sistema de ensino.(Renumerado pela Lei nº 11.301, de 2006) § 2o Para os efeitos do disposto no § 5º do art. 40 e no § 8o do art. 201 da Constituição Federal, são consideradas funções de magistério as exercidas por professores e especialistas em educação no desempenho de atividades educativas, quando exercidas em estabelecimento de educação básica em seus diversos níveis e modalidades, incluídas, além do exercício da docência, as de direção de unidade escolar e as de coordenação e assessoramento pedagógico. (Incluído pela Lei nº 11.301, de 2006) TÍTULO VII Dos Recursos financeiros Art. 68. Serão recursos públicos destinados à educação os originários de: I - receita de impostos próprios da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II - receita de transferências constitucionais e outras transferências; 181 III - receita do salário-educação e de outras contribuições sociais; IV - receita de incentivos fiscais; V - outros recursos previstos em lei. Art. 69. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, vinte e cinco por cento, ou o que consta nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas, da receita resultante de impostos, compreendidas as transferências constitucionais, na manutenção e desenvolvimento do ensino público. § 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos Municípios, não será considerada, para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo que a transferir. § 2º Serão consideradas excluídas das receitas de impostos mencionadas neste artigo as operações de crédito por antecipação de receita orçamentária de impostos. § 3º Para fixação inicial dos valores correspondentes aos mínimos estatuídos neste artigo, será considerada a receita estimada na lei do orçamento anual, ajustada, quando for o caso, por lei que autorizar a abertura de créditos adicionais, com base no eventual excesso de arrecadação. § 4º As diferenças entre a receita e a despesa previstas e as efetivamente realizadas, que resultem no não atendimento dos percentuais mínimos obrigatórios, serão apuradas e corrigidas a cada trimestre do exercício financeiro. § 5º O repasse dos valores referidos neste artigo do caixa da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios ocorrerá imediatamente ao órgão responsável pela educação, observados os seguintes prazos: I - recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de cada mês, até o vigésimo dia; II - recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigésimo dia de cada mês, até o trigésimo dia; III - recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao final de cada mês, até o décimo dia do mês subseqüente. § 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a correção monetária e à responsabilização civil e criminal das autoridades competentes. Art. 70. Considerar-se-ão como de manutenção e desenvolvimento do ensino as despesas realizadas com vistas à consecução dos objetivos básicos das instituições educacionais de todos os níveis, compreendendo as que se destinam a: 182 I - remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais profissionais da educação; II - aquisição, manutenção, construção e conservação de instalações e equipamentos necessários ao ensino; III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino; IV - levantamentos estatísticos, estudos e pesquisas visando precipuamente ao aprimoramento da qualidade e à expansão do ensino; V - realização de atividades-meio necessárias ao funcionamento dos sistemas de ensino; VI - concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas públicas e privadas; VII - amortização e custeio de operações de crédito destinadas a atender ao disposto nos incisos deste artigo; VIII - aquisição de material didático-escolar e manutenção de programas de transporte escolar. Art. 71. Não constituirão despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino aquelas realizadas com: I - pesquisa, quando não vinculada às instituições de ensino, ou, quando efetivada fora dos sistemas de ensino, que não vise, precipuamente, ao aprimoramento de sua qualidade ou à sua expansão; II - subvenção a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial, desportivo ou cultural; III - formação de quadros especiais para a administração pública, sejam militares ou civis, inclusive diplomáticos; IV - programas suplementares de alimentação, assistência médicoodontológica, farmacêutica e psicológica, e outras formas de assistência social; V - obras de infra-estrutura, ainda que realizadas para beneficiar direta ou indiretamente a rede escolar; VI - pessoal docente e demais trabalhadores da educação, quando em desvio de função ou em atividade alheia à manutenção e desenvolvimento do ensino. Art. 72. As receitas e despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino serão apuradas e publicadas nos balanços do Poder Público, assim como nos relatórios a que se refere o § 3º do art. 165 da Constituição Federal. Art. 73. Os órgãos fiscalizadores examinarão, prioritariamente, na prestação de contas de recursos públicos, o cumprimento do disposto no art. 212 da Constituição 183 Federal, no art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e na legislação concernente. Art. 74. A União, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, estabelecerá padrão mínimo de oportunidades educacionais para o ensino fundamental, baseado no cálculo do custo mínimo por aluno, capaz de assegurar ensino de qualidade. Parágrafo único. O custo mínimo de que trata este artigo será calculado pela União ao final de cada ano, com validade para o ano subseqüente, considerando variações regionais no custo dos insumos e as diversas modalidades de ensino. Art. 75. A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados será exercida de modo a corrigir, progressivamente, as disparidades de acesso e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino. § 1º A ação a que se refere este artigo obedecerá a fórmula de domínio público que inclua a capacidade de atendimento e a medida do esforço fiscal do respectivo Estado, do Distrito Federal ou do Município em favor da manutenção e do desenvolvimento do ensino. § 2º A capacidade de atendimento de cada governo será definida pela razão entre os recursos de uso constitucionalmente obrigatório na manutenção e desenvolvimento do ensino e o custo anual do aluno, relativo ao padrão mínimo de qualidade. § 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ 1º e 2º, a União poderá fazer a transferência direta de recursos a cada estabelecimento de ensino, considerado o número de alunos que efetivamente freqüentam a escola. § 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá ser exercida em favor do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios se estes oferecerem vagas, na área de ensino de sua responsabilidade, conforme o inciso VI do art. 10 e o inciso V do art. 11 desta Lei, em número inferior à sua capacidade de atendimento. Art. 76. A ação supletiva e redistributiva prevista no artigo anterior ficará condicionada ao efetivo cumprimento pelos Estados, Distrito Federal e Municípios do disposto nesta Lei, sem prejuízo de outras prescrições legais. Art. 77. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas que: I - comprovem finalidade não-lucrativa e não distribuam resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcela de seu patrimônio sob nenhuma forma ou pretexto; II - apliquem seus excedentes financeiros em educação; 184 III - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de suas atividades; IV - prestem contas ao Poder Público dos recursos recebidos. § 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a bolsas de estudo para a educação básica, na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares da rede pública de domicílio do educando, ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão da sua rede local. § 2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão receber apoio financeiro do Poder Público, inclusive mediante bolsas de estudo. TÍTULO VIII Das Disposições Gerais Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a colaboração das agências federais de fomento à cultura e de assistência aos índios, desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa, para oferta de educação escolar bilingüe e intercultural aos povos indígenas, com os seguintes objetivos: I - proporcionar aos índios, suas comunidades e povos, a recuperação de suas memórias históricas; a reafirmação de suas identidades étnicas; a valorização de suas línguas e ciências; II - garantir aos índios, suas comunidades e povos, o acesso às informações, conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não-índias. Art. 79. A União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de ensino no provimento da educação intercultural às comunidades indígenas, desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa. § 1º Os programas serão planejados com audiência das comunidades indígenas. § 2º Os programas a que se refere este artigo, incluídos nos Planos Nacionais de Educação, terão os seguintes objetivos: I - fortalecer as práticas sócio-culturais e a língua materna de cada comunidade indígena; II - manter programas de formação de pessoal especializado, destinado à educação escolar nas comunidades indígenas; III - desenvolver currículos e programas específicos, neles incluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades; 185 IV - elaborar e publicar sistematicamente material didático específico e diferenciado. § 3o No que se refere à educação superior, sem prejuízo de outras ações, o atendimento aos povos indígenas efetivar-se-á, nas universidades públicas e privadas, mediante a oferta de ensino e de assistência estudantil, assim como de estímulo à pesquisa e desenvolvimento de programas especiais. (Incluído pela Lei nº 12.416, de 2011) Art. 79-A. (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.639, de 9.1.2003) Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’.(Incluído pela Lei nº 10.639, de 9.1.2003) Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada. (Regulamento) § 1º A educação a distância, organizada com abertura e regime especiais, será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União. § 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância. § 3º As normas para produção, controle e avaliação de programas de educação a distância e a autorização para sua implementação, caberão aos respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e integração entre os diferentes sistemas. (Regulamento) § 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado, que incluirá: I - custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens; I - custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens e em outros meios de comunicação que sejam explorados mediante autorização, concessão ou permissão do poder público; (Redação dada pela Lei nº 12.603, de 2012) II - concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas; III - reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos concessionários de canais comerciais. Art. 81. É permitida a organização de cursos ou instituições de ensino experimentais, desde que obedecidas as disposições desta Lei. Art. 82. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas para realização dos estágios dos alunos regularmente matriculados no ensino médio ou superior em sua jurisdição. 186 Parágrafo único. O estágio realizado nas condições deste artigo não estabelecem vínculo empregatício, podendo o estagiário receber bolsa de estágio, estar segurado contra acidentes e ter a cobertura previdenciária prevista na legislação específica. (Revogado pela nº 11.788, de 2008) Art. 82. Os sistemas de ensino estabelecerão as normas de realização de estágio em sua jurisdição, observada a lei federal sobre a matéria. (Redação dada pela Lei nº 11.788, de 2008) Art. 83. O ensino militar é regulado em lei específica, admitida a equivalência de estudos, de acordo com as normas fixadas pelos sistemas de ensino. Art. 84. Os discentes da educação superior poderão ser aproveitados em tarefas de ensino e pesquisa pelas respectivas instituições, exercendo funções de monitoria, de acordo com seu rendimento e seu plano de estudos. Art. 85. Qualquer cidadão habilitado com a titulação própria poderá exigir a abertura de concurso público de provas e títulos para cargo de docente de instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado por professor não concursado, por mais de seis anos, ressalvados os direitos assegurados pelos arts. 41 da Constituição Federal e 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Art. 86. As instituições de educação superior constituídas como universidades integrar-se-ão, também, na sua condição de instituições de pesquisa, ao Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia, nos termos da legislação específica. TÍTULO IX Das Disposições Transitórias Art. 87. É instituída a Década da Educação, a iniciar-se um ano a partir da publicação desta Lei. § 1º A União, no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei, encaminhará, ao Congresso Nacional, o Plano Nacional de Educação, com diretrizes e metas para os dez anos seguintes, em sintonia com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos. § 2º O Poder Público deverá recensear os educandos no ensino fundamental, com especial atenção para os grupos de sete a quatorze e de quinze a dezesseis anos de idade. § 2o O poder público deverá recensear os educandos no ensino fundamental, com especial atenção para o grupo de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos de idade e de 15 (quinze) a 16 (dezesseis) anos de idade. (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) § 3º Cada Município e, supletivamente, o Estado e a União, deverá: I - matricular todos os educandos a partir dos sete anos de idade e, facultativamente, a partir dos seis anos, no ensino fundamental; 187 I – matricular todos os educandos a partir dos seis anos de idade, no ensino fundamental, atendidas as seguintes condições no âmbito de cada sistema de ensino: (Redação dada pela Lei nº 11.114, de 2005) a) plena observância das condições de oferta fixadas por esta Lei, no caso de todas as redes escolares; (Incluída pela Lei nº 11.114, de 2005) b) atingimento de taxa líquida de escolarização de pelo menos 95% (noventa e cinco por cento) da faixa etária de sete a catorze anos, no caso das redes escolares públicas; e (Incluída pela Lei nº 11.114, de 2005) c) não redução média de recursos por aluno do ensino fundamental na respectiva rede pública, resultante da incorporação dos alunos de seis anos de idade; (Incluída pela Lei nº 11.114, de 2005) § 3o O Distrito Federal, cada Estado e Município, e, supletivamente, a União, devem: (Redação dada pela Lei nº 11.330, de 2006) I – matricular todos os educandos a partir dos 6 (seis) anos de idade no ensino fundamental; (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) a) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) b) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) c) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) II - prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos insuficientemente escolarizados; III - realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício, utilizando também, para isto, os recursos da educação a distância; IV - integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental do seu território ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar. § 4º Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço. § 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão das redes escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o regime de escolas de tempo integral. § 6º A assistência financeira da União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, bem como a dos Estados aos seus Municípios, ficam condicionadas ao cumprimento do art. 212 da Constituição Federal e dispositivos legais pertinentes pelos governos beneficiados. Art. 88. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios adaptarão sua legislação educacional e de ensino às disposições desta Lei no prazo máximo de um ano, a partir da data de sua publicação. (Regulamento) 188 § 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos e regimentos aos dispositivos desta Lei e às normas dos respectivos sistemas de ensino, nos prazos por estes estabelecidos. § 2º O prazo para que as universidades cumpram o disposto nos incisos II e III do art. 52 é de oito anos. Art. 89. As creches e pré-escolas existentes ou que venham a ser criadas deverão, no prazo de três anos, a contar da publicação desta Lei, integrar-se ao respectivo sistema de ensino. Art. 90. As questões suscitadas na transição entre o regime anterior e o que se institui nesta Lei serão resolvidas pelo Conselho Nacional de Educação ou, mediante delegação deste, pelos órgãos normativos dos sistemas de ensino, preservada a autonomia universitária. Art. 91. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 92. Revogam-se as disposições das Leis nºs 4.024, de 20 de dezembro de 1961, e 5.540, de 28 de novembro de 1968, não alteradas pelas Leis nºs 9.131, de 24 de novembro de 1995 e 9.192, de 21 de dezembro de 1995 e, ainda, as Leis nºs 5.692, de 11 de agosto de 1971 e 7.044, de 18 de outubro de 1982, e as demais leis e decretos-lei que as modificaram e quaisquer outras disposições em contrário. Brasília, 20 de dezembro de 1996; 175º da Independência e 108º da República. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Paulo Renato Souza Este texto não substitui o publicado no DOU de 23.12.1996 189 ANEXO B – Parecer CNE/CES 436/2001 (Cursos Superiores de Tecnologia – Formação de Tecnólogos) 190 PARECER CNE/CES 436/2001 - HOMOLOGADO Despacho do Ministro em 5/4/2001, publicado no Diário Oficial da União de 6/4/2001, Seção 1E, p. 67. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO UF: DF INTERESSADO: Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Superior ASSUNTO: Cursos Superiores de Tecnologia – Formação de Tecnólogos RELATOR(A): Carlos Alberto Serpa de Oliveira, Antonio MacDowell de Figueiredo e Vilma de Mendonça Figueiredo PROCESSO(S) N.º(S): 23001.000106/2001-98 PARECER: COLEGIADO: APROVADO EM: CNE/CES 436/2001 CES 02/04/2001 I - RELATÓRIO: A Comissão instituída pela Câmara de Educação Superior para analisar os Cursos Superiores de Tecnologia que conduzem a diplomas de Tecnólogos integrada pelos Conselheiros Vilma de Mendonça Figueiredo (Presidente), Carlos Alberto Serpa de Oliveira (Relator) e Antonio MacDowel de Figueiredo, após sucessivas reuniões durante as quais ouviu o Senhor Secretário de Educação Média e Tecnológica do MEC, Ruy Leite Berger Filho e seus assessores Paulo de Tarso Costa Henriques e Vítor José Brum, apresenta à Câmara de Educação Superior as seguintes considerações: A educação para o trabalho não tem sido convenientemente tratada pela sociedade brasileira que, em sua tradição, não lhe vem conferindo caráter universal, colocando-a fora da ótica do direito à educação e ao trabalho. Até a década de 80, a formação profissional limitava-se ao treinamento para a produção em série e padronizada. A partir de então, as novas formas de organização e gestão modificaram estruturalmente o mundo do trabalho. Um novo cenário econômico e produtivo se estabeleceu com o desenvolvimento e emprego de tecnologias complexas agregadas à produção e à prestação de serviços e pela crescente internacionalização das relações econômicas. Passou-se, assim, a requerer sólida base de educação geral para todos os trabalhadores, educação profissional básica, qualificação profissional de técnicos e educação continuada para atualização, aperfeiçoamento, especialização e requalificação. Além disso, conforme indicam estudos referentes ao impacto das novas tecnologias cresce a exigência de profissionais polivalentes, capazes de interagir em situações novas e em constante mutação. Como resposta a este desafio, escolas e instituições de educação 191 profissional buscaram diversificar programas e cursos profissionais, atendendo a novas áreas e elevando os níveis de qualidade de oferta. A educação profissional passou, então, a ser concebida não mais como simples instrumento de política assistencialista ou linear ajustamento às demandas do mercado de trabalho, mas, sim, como importante estratégia para que os cidadãos tenham efetivo acesso às conquistas científicas e tecnológicas da sociedade. Impõe-se a superação do enfoque tradicional da formação profissional baseado apenas na preparação para a execução de um determinado conjunto de tarefas. A educação profissional requer, além do domínio operacional de um determinado fazer, a compreensão global do processo produtivo, com a apreensão do saber tecnológico, a valorização da cultura do trabalho e a mobilização dos valores necessários à tomada de decisões. A nova LDB – a Lei 9394/96, atenta a estas questões, trata, de maneira adequada, apropriada, moderna e inovadora, a questão da educação profissional. Assim a educação profissional é concebida como integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, conduzindo ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. (Art. 39 – LDB). Ela é acessível ao aluno matriculado ou egresso do ensino fundamental, médio e superior, bem como ao trabalhador em geral, jovem ou adulto. (Parágrafo único – Art.39 LDB), desenvolvendo-se em articulação com o ensino regular ou por diferentes formas de educação continuada, em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho. (Art. 40 – LDB). O conhecimento adquirido, inclusive no trabalho, poderá ser objeto de avaliação, reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos (Art. 41 – LDB). A legislação favorece e estimula ainda que o trabalhador, jovem ou adulto que, na idade própria não pode efetuar estudos, tenha oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as suas características, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames, inclusive os de caráter supletivo (Art. 37 e 38 da LDB). A regulamentação desses preceitos da Lei 9394/96, articulados com a Lei 8948/94, que dispõe sobre a instituição do Sistema de Ensino Nacional de Educação Tecnológica, tem sido feita por variada hierarquia de Leis, Decretos e Portarias Ministeriais. Entretanto, uma análise acurada dessas regulamentações revela incongruências que precisam ser superadas no mais breve prazo para que os avanços decorrentes da ação coordenadora e reguladora da União, no âmbito da educação superior, sejam assegurados. O Decreto nº 2208 de 17/4/97, a Lei 9394/96 regulamentam a educação profissional prevista nos artigos 39 a 42 da Lei 9394/96. O Decreto 2208/97 fixa os objetivos da educação profissional: promover a transição entre a escola e o mundo do trabalho, capacitando jovens e adultos com conhecimentos e habilidades gerais e específicas para o exercício das atividades produtivas; proporcionar a formação de profissionais aptos a exercerem atividades específicas no trabalho, com escolaridade correspondente aos níveis médio, superior e de pósgraduação; especializar, aperfeiçoar e atualizar o trabalhador em seus conhecimentos tecnológicos; 192 qualificar, reprofissionalizar e atualizar jovens e adultos trabalhadores, com qualquer nível de escolaridade, visando a sua inserção e melhor desempenho no exercício do trabalho. Vale, no entanto, ressaltar que todas as modalidades de cursos superiores previstos no Art. 44 da Lei 9394/96 podem ter características profissionalizantes. Não obstante, o Decreto 2208/97 prevê em seu Artigo 3º, educação profissional em nível tecnológico, correspondente a cursos de nível superior na área tecnológica, destinados a egressos do ensino médio e técnico. Tais cursos de nível superior, correspondentes à educação profissional de nível tecnológico, prevê ainda o Decreto, deverão ser estruturados para atender aos diversos setores da economia, abrangendo áreas de especializadas e conferirão diploma de Tecnólogo. (o grifo é nosso). O Decreto nº 2406 de 27/11/97, por sua vez, ao regulamentar a Lei no 8948/94 em consonância com o Art. 40 da Lei 9394/96, define que os Centros de Educação Tecnológica se constituem em modalidade de instituições especializadas de educação profissional nele previstas. Tais Centros têm por finalidade formar e qualificar profissionais nos vários níveis e modalidades de ensino, para os diversos setores da economia e realizar pesquisa e desenvolvimento tecnológico de novos processos, produtos e serviços, em estreita articulação com os setores produtivos e a sociedade, oferecendo mecanismos para a educação continuada. Suas características básicas são, conforme o artigo 3º: “I - oferta de educação profissional, levando em conta o avanço do conhecimento tecnológico e a incorporação crescente de novos métodos e processos de produção e distribuição de bens e serviços; II - atuação prioritária na área tecnológica, nos diversos setores da economia; III - conjugação, no ensino, da teoria com a prática; IV - integração efetiva da educação profissional aos diferentes níveis e modalidades de ensino, ao trabalho, à ciência e à tecnologia; V - utilização compartilhada dos laboratórios e dos recursos humanos pelos diferentes níveis e modalidades de ensino; VI - oferta de ensino superior tecnológico diferenciado das demais formas de ensino superior; VII - oferta de formação especializada, levando em consideração as tendências do setor produtivo e do desenvolvimento tecnológico; VIII - realização de pesquisas aplicadas e prestação de serviços; IX - desenvolvimento da atividade docente estruturada, integrando os diferentes níveis e modalidades de ensino, observada a qualificação exigida em cada caso; X - desenvolvimento do processo educacional que favoreça, de modo permanente, a transformação do conhecimento em bens e serviços, em beneficio da sociedade; XI - estrutura organizacional flexível, racional e adequada às suas peculiaridades e objetivos; 193 XII - integração das ações educacionais com as expectativas da sociedade e as tendências do setor produtivo.” Observadas estas características, os Centros de Educação Tecnológica, segundo o que prevê o artigo 4º, têm por objetivos: “I - ministrar cursos de qualificação, requalificação e reprofissionalização e outros de nível básico da educação profissional; II - ministrar ensino técnico, destinado a proporcionar habilitação profissional, para os diferentes setores da economia; III - ministrar ensino médio; IV - ministrar ensino superior, visando a formação de profissionais e especialistas na área tecnológica; V - oferecer educação continuada, por diferentes mecanismos, visando a atualização, o aperfeiçoamento e a especialização de profissionais na área tecnológica; VI - ministrar cursos de formação de professores e especialistas, bem como programas especiais de formação pedagógica, para as disciplinas de educação científica e tecnológica; VII - realizar pesquisa aplicada, estimulando o desenvolvimento de soluções tecnológicas, de forma criativa, e estendendo seus benefícios à comunidade.” (Decreto 2406 – Art. 4º). O Artigo 5º do Decreto 2406/97 fixou originalmente que a autorização e o reconhecimento de cursos das instituições pr ivadas constituídas como Centros de Educação Tecnológica far -se-iam segundo a legislação vigente para cada nível e modalidade de ensino. Assim é que, em primeiro lugar, dever-se-ia definir em qual modalidade de ensino superior se integravam os cursos de natureza tecnológica, nomeados como de Tecnólogos pelo Decreto 2208/97. Ocorre que a União, ao adotar o modelo previsto nos artigos 2º, 3º e 4º do Decreto 2406 (Art.6º – Decreto 2406), consolidou a Portaria Ministerial nº 647, de 14/05/97 e criou legislação específica que concede ao Ministro de Estado de Educação a competência para aprová-los, efetivando-se a implantação dos Centros de Educação Tecnológica mediante decreto individualizado para cada um. Assim é que as antigas Escolas Técnicas Federais, criadas pela Lei nº 3552, de 16/02/59 e pela Lei nº 8670, de 30/06/93, foram transformadas pela Lei nº 8948, de 08/12/94, em Centros Federais de Educação Tecnológica, cuja implantação, após aprovação de projeto institucional de cada antiga escola pelo Ministro de Estado, passou a se dar por Decreto Presidencial específico. Neste Decreto, o Art. 8º dispõe que os Centros Federais de Educação Tecnológica gozarão de autonomia para a criação de cursos e ampliação de vagas nos níveis básico, técnico e tecnológico da Educação Profissional, este último de nível superior, definidos no Decreto 2208/97. As demais modalidades de cursos superiores e de pós-graduação continuaram a depender de autorização específica, nos termos do Decreto nº 2306/97 . (os grifos são nossos). O Decreto nº 2406/97 autorizou ainda as Escolas Agrotécnicas Federais a também se transformarem em Centros Federais de Educação Tecnológica, nas condições nele fixadas. 194 O entendimento de que o nível tecnológico constitui curso de nível superior é reafirmado, em 13/12/97, pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, ao aprovar o Parecer nº 17/97, homologado em 14/01/98 pelo Senhor Ministro de Estado de Educação, quando escreve que a “educação profissional tecnológica, acessível aos egressos do ensino médio, integra-se à educação superior e regula-se pela legislação referente a esse nível de ensino.” Entretanto, em 19/12/97, a Portaria Ministerial 2267/97, que estabeleceu diretrizes para a elaboração do projeto institucional para implantação dos Centros Federais de Educação Tecnológica, ressalta novamente em seu Artigo 3º que “ os Centros Federais de Educação Tecnológica gozarão de autonomia para criação e ampliação de vagas nos cursos de nível básico, técnico e tecnológico, nos termos do decreto 2208/97.” (os grifos são nossos). Seu parágrafo único, no entanto, mantém o previsto no Decreto 2406/97, ao dizer que “a criação de cursos nos Centros Federais de Educação Tecnológica fica condicionada às condições previstas nos parágrafos 1º e 2º do Artigo 8º do Decreto nº 2406/97”. Em 27/05/98, é aprovada a Lei 9649 que altera, por acréscimo de novos parágrafos, o Artigo 3º da Lei 8948/94, regulando assim a criação de novas unidades de ensino por parte da União e revogando os Artigos 1º, 2º e 9º da Lei 8948/94. Em 25/11/99, o Ministro de Estado de Educação baixou a Portaria Ministerial 1647/99, que dispõe sobre o credenciamento de Centros de Educação Tecnológica e sobre autorização de cursos de nível tecnológico de educação profissional, considerando o disposto na Lei 9131/95, na Lei 9394/96 e no Decreto 2406/97. Esta Portaria determinou que as instituições interessadas em credenciar-se como Centros de Educação Tecnológica deverão dirigir sua solicitação, sob a forma de projeto, ao Ministro de Estado de Educação, onde deverá constar o elenco de cursos que pretendem implantar, bem como aqueles de educação profissional de nível técnico já autorizados pelos respectivos sistemas de ensino. O credenciamento dos Centros de Educação Tecnológica se dará com o ato de autorização de funcionamento dos cursos de educação profissional de nível tecnológico elencados e aprovados no projeto referido. (Art.1º § 2º) A Portaria define ainda os elementos que deverão constar obrigatoriamente da solicitação referente à ma ntenedora, pessoa física e jurídica, à instituição, de ensino mantida, ao projeto para cada curso proposto, cometendo à Secretaria de Educação Média e Tecnológica – SEMTEC/MEC a responsabilidade pela análise do projeto, descrevendo inclusive a maneira de realizá-la, cabendo ao Conselho Nacional de Educação a deliberação sobre o assunto que será submetido à homologação do Ministro de Estado de Educação. Após definir prazos e ritos para o reconhecimento dos cursos, a Portaria 1647/99, em seu Artigo 14, prevê que “as instituições credenciadas poderão abrir novos cursos de nível tecnológico de educação profissional, nas mesmas áreas profissionais daquelas já reconhecidas, independente de autorização prévia, devendo a instituição encaminhar, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, projeto para reconhecimento dos referidos cursos.” (os grifos são nossos). E acrescenta em dois parágrafos: 195 “ § 1º - A abertura de novos cursos de nível tecnológico de educação profissional, nas áreas em que a instituição ainda não tiver cursos reconhecidos, depende da autorização de funcionamento na forma desta Portaria. § 2º - Os Centros de Educação Tecnológica terão a prerrogativa de suspender ou reduzir a oferta de vagas em seus cursos de nível tecnológico de educação profissional de modo a adequá-la às necessidades do mercado de trabalho, formalizando tal ato por meio de comunicação à SEMTEC/MEC.” Esclarece ainda a Portaria 1647/99 que os cursos de que ela trata “serão autorizados a funcionar em um campus determinado especificado no projeto, e indicado expressamente no ato de autorização. ” (Art. 15) (os grifos são nossos). A Portaria 1647/99 quis assim estender também aos demais Centros de Educação Tecnológica, inclusive aos privados, alguma forma de autonomia, se bem que restrita às mesmas áreas de cursos tecnológicos que passaram por processo de reconhecimento, já concedida pelo Decreto 2406/97 aos Centros Federais de Educação Tecnológica. Já o Decreto 3462/00, de 17/05/2000, de certa forma retira esta condição, reformulando o artigo 8º do Decreto 2406/97, que passou a vigorar com a redação nos seguintes termos: “ Art. 8º - Os Centros Federais de Educação Tecnológica, transformados na forma do disposto no artigo 3º da Lei 8943 de 1994, gozarão de autonomia para a criação de cursos e ampliação de vagas nos níveis básico, técnico e tecnológico da Educação Profissional, bem como para implantação de cursos de formação de professores para as disciplinas científicas e tecnológicas do Ensino Médio e da Educação Profissional.” Mas o processo de reconhecimento dos cursos oferecidos continua a vigorar tanto que, em 12/01/2001, o Ministro de Estado de Educação baixou Portaria Ministerial 064/2001 que define os procedimentos para reconhecimento de cursos/habilitações de nível tecnológico da educação profissional (cursos superiores de tecnologia) e sua renovação, no sistema federal de ensino, cometendo à Secretaria de Educação Média e Tecnológica – SEMTEC/MEC a responsabilidade de análise das solicitações e estabelecendo normas operativas semelhantes as de reconhecimento dos cursos de graduação, a serem apreciadas pelo Conselho Nacional de Educação segundo as normas em vigor. Entretanto, em 31/12/2001, o Decreto Presidencial nº 3741/2001, infringe tanto a LDB como a Lei 9131/95, ao alterar a redação do Decreto 2406, de 27/11/97, que regulamenta a Lei 8948, de 08/12/94, determinando: “ Art. 1º - O art. 5º de Decreto 2406, de 27 de novembro de 1997, passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo único: “Parágrafo único – Os Centros de Educação Tecnológica privados, independentemente de qualquer autorização prévia, poderão oferecer novos cursos de nível tecnológico de educação profissional nas mesmas áreas profissionais daqueles já regularmente autorizados.” (os grifos são nossos). 196 Impõe-se, portanto, a revisão imediata da legislação em vigor de modo a dar-lhe a necessária coerência ao mesmo tempo em que estabelece mecanismos que assegurem o acompanhamento da melhoria da qualidade da formação oferecida II - VOTO DO (A) RELATOR (A): Os cursos superiores de tecnologia parecem ressurgir como uma das principais respostas do setor educacional às necessidades e demandas da sociedade brasileira. Os Centros de Educação Tecnológica parecem ser uma sólida e instigante estrutura institucional para abrigar e desenvolver a educação tecnológica, apresentando-se com características bastante interessantes para o ensino superior tecnológico, especialmente para os cursos que conduzem a diploma de Tecnólogo. Entretanto, cabe, certamente, à Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação definir em que modalidade de curso superior, entre os previstos no artigo 44 da LDB, melhor se enquadram os de cursos de formação de tecnólogos. Serão eles cursos de graduação ou cursos seqüenciais? São estas as questões que procuraremos responder, ao mesmo tempo em que nos permitiremos algumas considerações sobre a autorização e reconhecimento de tais cursos de formação de tecnólogos. Há também que se levantar algumas questões relativas aos Centros de Educação Tecnológica e à autonomia que se pretendeu a eles conceder. Achamos que com isso poderemos dar respostas às indagações e dúvidas das instituições, atender às necessidades operacionais da SEMTEC/MEC e dos Sistemas de ensino, orientando também aos que pretende rem ingressar em cursos superiores de educação tecnológica. Os cursos superiores de tecnologia, ainda que com outra nomenclatura, têm sua origem nos anos 60. Nasceram apoiados em necessidades do mercado e respaldados pela Lei 4024/61 e por legislação subseqüente. As primeiras experiências de cursos superiores de tecnologia (engenharias de operação e cursos de formação de tecnólogos, ambos com três anos de duração) surgiram, no âmbito do sistema federal de ensino e do setor privado e público, em São Paulo, no final dos anos 60 e início dos 70. Enquanto os cursos de formação de tecnólogos passaram por uma fase de crescimento durante os anos 70, os cursos de engenharia de operação foram extintos em 1977. Em 1980, os primeiros eram 138 (46% no secundário, 33% no terciário e 21% no setor primário), sendo o MEC responsável pela criação da grande maioria deles. Em 1979, o MEC mudou sua política de estímulo à criação de cursos de formação de tecnólogos nas instituições públicas federais, cursos estes que de viam primar pela sintonia com o mercado e o desenvolvimento tecnológico. A partir dos anos 80, muitos desses cursos foram extintos no setor público e o crescimento de sua oferta passou a ser feita através de instituições privadas, nem sempre por vocação, mas para aumentar o número de cursos superiores oferecidos, visando futura transformação em universidade. Em 1988, 53 instituições de ensino ofertavam cursos superiores de tecnologia (nova denominação a partir de 1980) sendo aproximadamente 60% pertencentes ao setor privado. Dos 108 cursos 197 ofertados então, 65% eram no setor secundário, 24%, no setor primário e os 11% restantes, no setor terciário. Em 1995, o país contava com 250 cursos superiores de tecnologia, na sua maioria ofertados pelo setor privado – mais da metade na área da computação. A educação profissional de nível tecnológico, onde estão alojados os cursos superiores de tecnologia, vem experimentando crescimento substancial desde então, apesar de representar apenas 5% das matrículas dos cursos de graduação (dados de 1998), o que é pouco se comparado com os EUA (quase 50%, em 2000). Neste ano, o Brasil dispunha de 554 cursos superiores de tecnologia, com 104 mil alunos (70% até 24 anos, 24% de 25 a 34 anos, 6% com 35 anos ou mais). Destes, 32% eram de Processamento de Dados; 14%, de Turismo; 11%, de Secretariado Executivo; 7%, de Análise de Sistemas; 5%, de Zootecnia e 31%, de outras modalidades. Existiam 70 modalidades diferentes sendo ofertadas em todas as áreas profissionais. Com o rápido crescimento do número de alunos cursando e concluindo o ensino médio e com as constantes mudanças verificadas no mundo do trabalho, aumenta a demanda pela oferta da educação pós-média superior ou não. O volume de processos nos quais é solicitada autorizaçã o para oferta de cursos superiores de tecnologia e os dados do censo do ensino superior indicam que há demanda substancial por oferta de cursos superiores de tecnologia. Os cursos superiores de tecnologia, sendo pós-médios, exigiriam apenas, a princípio, para o seu acesso a conclusão do ensino médio ou equivalente, podendo os seus egressos, portadores de diploma de Tecnólogo, dar prosseguimento de estudos em outros cursos e programas de educação superior, como os de graduação, pós-graduação e seqüenciais de destinação específica ou de complementação de estudos. O perfil deste curso superior de tecnologia, principalmente quando estruturado em módulos, abrange a todos os setores da economia (Anexo A) e destina-se a egressos do Ensino Médio, Ensino Técnico e de matriculados e egressos do ensino superior. Este profissional deve estar apto a desenvolver, de forma plena e inovadora atividades em uma determinada área profissional e deve ter formação específica para: a) aplicação, desenvolvimento, pesquisa aplicada e inovação tecnológica e a difusão de tecnologias; b) gestão de processos de produção de bens e serviços; e c) o desenvolvimento da capacidade empreendedora. Ao mesmo tempo, essa formação deverá manter as suas competências em sintonia com o mundo do trabalho e ser desenvolvida de modo a ser especializada em segmentos (modalidades) de uma determinada área profissional. Estas características somadas à possibilidade de terem duração mais reduzida das que os cursos de graduação, atendendo assim ao interesse da juventude em dispor de credencial para o mercado de trabalho, podem conferir a estes cursos uma grande atratividade, tornandose um potencial de sucesso. Tais características, particularmente a sua forma modular, de duração variável, de solidez da formação básica aliadas à rapidez no atendimento às mutações das necessidades do mercado e às possibilidades de verticalização, aprofundamento em áreas profissionais específicas, sintonizadas com o mundo do trabalho, podendo ser especializado em segmentos 198 de determinada área, aproximam mais os cursos de nível tecnológico aos cursos superiores seqüenciais. Com efeito, a possibilidade de obtenção de certificados após cada módulo ou conjunto de módulos favorecendo a diversificação ou aprofundamento da qualificação profissional multiplica as possibilidades de acesso ou continuidade no desenvolvimento de atividades no setor produtivo, ao mesmo tempo que abre novas possibilidades de formação em torno de eixos determinados, tal como já ocorre com os cursos seqüenciais de formação específica de destinação coletiva. Além disso, essa permanente ligação com o meio produtivo e com as necessidades da sociedade, colocam esses cursos em uma excelente perspectiva de atualização, renovação e auto-reestruturação, característica também inerente aos cursos seqüenciais, porém cada vez mais presentes nos cursos de graduação. Assim, a especialização não deve intimidar a interdisciplinariedade que o mundo moderno está a exigir e que, inerente a esse curso, também o aproximará dos cursos seqüenciais. Os indivíduos, como sabemos, devem atuar principalmente a esse nível de formação profissional, de maneira integrada, rompendo com a antiga e retrograda segmentação. Isto nos leva aos conceitos de áreas do saber mais amplas e mais condizentes que as áreas do conhecimento. Quanto à sua duração, os cursos de formação de tecnólogos ou cursos superiores de tecnologia poderão comportar variadas temporariedades, condicionadas ao perfil da conclusão que se pretenda, à metodologia utilizada, às competências constituídas no ensino médio, às competências adquiridas por outras formas, como nos Cursos Técnicos, nos Cursos Superiores e mesmo no Trabalho, ainda que o curso possa apontar para uma carga horária definida para cada modalidade, por área profissional. No Anexo A, identificamos, com auxílio da documentação da SEMTEC/MEC, as áreas profissionais e suas respectivas durações mínimas em horas. A critério das instituições ofertantes, poderá a duração ser estendida em até 50% da carga horária mínima. No caso do plano de curso prever a realização de estágio, a duração do mesmo não poderá ser contabilizada na duração mínima, mas terá de estar incluída na duração limite. Vale de novo destacar que a um dado conjunto articulado de competências, a critério da instituição ofertante, poderá corresponder um certificado intermediário, capacitando o estudante a desempenhar determinadas atividades específicas no mundo do trabalho. A conclusão do curso, isto é, a aquisição da totalidade das competências de uma dada modalidade, conferirá um diploma de Curso Superior de Tecnologia (Tecnólogo). Para a concessão de diploma poderia ser opcional a apresentação de trabalho de conclusão de curso, podendo ser desenvolvido sob a forma de Monografia, Projeto, Análise de Casos, Performance, Produção Artística, Desenvolvimento de Instrumentos, Equipamentos, Protótipos, entre outros, de acordo com a natureza da área profissional e os fins do curso. Estas considerações aqui desenvolvidas que deverão ser mais profundamente abordadas pela Comissão Mista de Conselheiros da Câmara de Educação Básica e da Câmara de Educação Superior, constituída no nível de Conselho Pleno, para dar parecer sobre a 199 proposta de diretrizes curriculares nacionais para a educação profissional de nível tecnológico, foram nomeadas neste parecer, por considerar este relator, serem idéias indispensáveis à classificação dos cursos superiores de tecnologia entre as modalidades dos cursos superiores previstos no Art. 44 da LDB. Por essas razões, somos de parecer que os Cursos Superiores de Tecnologia, por sua natureza e características, poderiam ser classificados tanto como Cursos Superiores Seqüenciais de Formação específica quanto como Cursos de Graduação. No entanto, a necessidade dos Cursos Superiores de Tecnologia conduzirem à aplicação, desenvolvimento, pesquisa aplicada e inovação tecnológica, à gestão de processos de produção de bens e serviços e ao desenvolvimento de capacidade empreendedora, além de extrema sintonia com o mundo do trabalho, certamente nos afasta da possibilidade de os considerarmos como cursos seqüenciais, pois tais características não são obrigatoriamente inerentes aos cursos superiores e as situam muito melhor como cursos de graduação. Por outro lado, a indispensável verticalização e aproveitamento de competências adquiridas até no trabalho e em formação de nível anterior, também nos conduz a considerálos como cursos de graduação. Parece-nos bastante claro que os Cursos Superiores de Tecnologia obedeçam a Diretrizes Curriculares Nacionais, aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação, o que obviamente também não se aplica aos Cursos Seqüenciais de Formação específica. Não nos parece, também, que os cursos superiores de tecnologia devam ter vinculação obrigatória a cursos de graduação pré-existentes na instituição e muito menos que a criação dos mesmos se subordine à existência de curso de graduação reconhecido anteriormente, o que à luz da legislação vigente, torna-os claramente distintos de cursos seqüenciais de formação específica e mais assemelhados aos cursos de graduação. Sua denominação seria a de Cursos Superiores de Tecnologia, conduzindo a diplomas de Tecnólogos, na forma da legislação em vigor. Trata-se portanto, a nosso ver, de um curso de graduação com características especiais, bem distinto dos tradicionais, cujo acesso se fará, no entanto, através de processo seletivo semelhante aos dos demais cursos de graduação. Somos, portanto, de parecer que, à luz do Art. 90 da LDB, consideremos os Cursos Superiores de Tecnologia como Cursos de Graduação, subordinados a Diretrizes Curriculares Nacionais a serem aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação, importando, no entanto, esta decisão em algumas premissas que os distingam dos demais cursos de graduação existentes, cuja legislação e processualística encontram-se consolidadas não se devendo abrir qualquer tipo de exceção. Isto implica, desde logo, a análise da questão dos Centros de Educação Tecnológica, sua autonomia e dos processos de autorização e reconhecimento dos Cursos Superiores de Tecnologia nele ministrados. Os cursos superiores de tecnologia podem ser ministrados por Universidades, Centros Universitários, Centros de Educação Tecnológica, Faculdades Integradas e Isoladas e 200 Institutos Superiores e serão objeto de processos de autorização e reconhecimento. As Universidades e Centros Universitários, no gozo das atribuições da autonomia, poderão criálos livremente. Aos Centros de Educação Tecnológica pretendeu-se estender algumas atribuições da autonomia, como a de livre criação de cursos superiores de tecnologia, o aumento e diminuição de suas vagas e, bem assim, a suspensão de seu funcionamento. Essa extensão está prevista no Parágrafo 2o do Art. 54 da Lei de Diretrizes e Bases que afirma que “atribuições de autonomia universitária poderão ser estendidas a instituições que comprovam alta qualificação para o ensino ou para pesquisa, com base em avaliação procedida pelo Poder Público”. (o grifo é nosso). Ora, o Decreto 2406/97, ao estender a autonomia para os Centros Federais de Educação Tecnológica, também estabeleceu que sua transformação se daria após avaliação de seu projeto institucional de transformação, a ser aprovado pelo Ministro de Estado de Educação, nos termos da Lei 8948/94, quando então sua implantação se daria por Decreto Presidencial específico. Conclui-se, então, que essa extensão foi legalmente concedida aos Centros Federais, abrangendo as atribuições de criação de cursos e ampliação de vagas no nível básico, técnico e tecnológico de Ensino Profissional, (o grifo é nosso) condicionando-as às condições previstas nos Parágrafos 1o e 2o do Art. 8o do mesmo Decreto 2406/97, como já vimos. Mais adiante a Portaria Ministerial 1647/99 dispõe sobre o credenciamento de Centros de Educação Tecnológica em geral, e, em seu Artigo 14, pretende também contemplar os Centros privados de Educação Tecnológica com atribuições de autonomia. Este artigo concede autonomia para abrir novos cursos de nível tecnológico de educação profissional, nas mesmas áreas profissionais daqueles já reconhecidos (e, portanto, já avaliados, como prevê o Art. 54 Parágrafo 2o da Lei de Diretrizes e Bases), independentemente de autorização prévia, devendo a instituição encaminhar, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, projeto para reconhecimento dos referidos cursos. A atribuição de suspensão e diminuição das vagas de cursos de nível tecnológico é concedida pelo Parágrafo 2o deste Artigo aos Centros de Educação Tecnológica. Isto implica em avaliação periódica dos cursos superiores de tecnologia com vista ao seu reconhecimento e, inclusive, à renovação do recredenciamento da instituição como Centro de Educação Tecnológica, pois julgamos que o credenciamento inicial dever ser por um prazo de 5 (cinco) anos. Todos os demais cursos de nível tecnológico dependerão de autorização (Parágrafo 1º do mesmo artigo). Esta extensão foi, a nosso ver, também legalmente concedida. Em 17/05/2000, o Decreto 3462, também, legalmente, estendeu aos Centros Federais de Educação Tecnológica a faculdade de implantar cursos de formação de professores para as disciplinas científicas e tecnológicas do Ensino Médio e da Educação Profissional. Ressalte -se, porém, que somos contrários ao credenciamento de faculdades ou institutos de nível superior que nasçam com a autorização de seu primeiro curso, quando este for curso superior de tecnologia. Imperioso é ainda destacar que, tendo a Lei no 9394/96 revogado, em nosso entender, o Decreto-Lei no 547 de 18/04/1969, que autorizava a organização e o funcionamento de cursos profissionais superiores de curta duração nas Escolas Técnicas Federais, não é possível 201 que escolas técnicas ministrem cursos superiores de tecnologia. As escolas técnicas e agrotécnicas federais não vinculadas a universidades que ainda ministrem cursos superiores de tecnologia devem, na forma da Portaria Ministerial no 2267/97, transformarem-se em Centros de Educação Tecnológica. O Decreto Presidencial 3741/2001, de 31/01/2001, modificando o Artigo 5o do Decreto 2406/97, acresceu o parágrafo único, concedendo aos Centros de Educação Tecnológica privados, independentemente de qualquer autorização prévia, a prerrogativa de criar novos cursos no nível tecnológico de educação profissional, nas mesmas áreas profissionais daqueles já regularmente autorizados. (o grifo é nosso). Salvo melhor juízo, cremos que o Decreto elaborou em equívoco, em flagrante oposição à Lei 9394/96, pois ao dispensar o reconhecimento, dispensou também qualquer avaliação prévia, como enuncia o Parágrafo 2o do Art. 54 da Lei de Diretrizes e Bases, razão pela qual achamos que deva ser recomendada sua revogação e adoção das normas da Portaria 1647/97 em nível de Decreto Presidencial, introduzindo-se, no entanto, algumas limitações à autonomia concedida. A prerrogativa de aumento de vagas, só poderá ser exercida, a nosso ver, após o reconhecimento dos cursos superiores de tecnologia, não podendo os Centros de Educação Tecnológica privados exercitá-la para os cursos apenas autorizados. As prerrogativas de suspensão e diminuição das vagas de cursos de educação tecnológica, podem ser exercitadas pelos Centros de Educação Tecnológica para todos os cursos de uma área profissional, desde que o primeiro deles já tenha tido o reconhecimento, bastando que a instituição comunique tal fato à SEMTEC/MEC. Todos os cursos superiores de tecnologia, quando autorizados, direta ou indiretamente, só o serão para funcionamento em um campus determinado, especificado no ato de sua autorização. As Faculdades isoladas, para oferecerem cursos superiores de Tecnologia, necessitarão sempre de autorização prévia, na forma da legislação consubstanciada nas Portarias Ministeriais 1647/99 e 064/2001. Cremos ainda que devam ser adotadas por este Colegiado as normas de credenciamento, dos Centros de Educação Tecnológica e de autorização e reconhecimento dos cursos superiores de tecnologia, previstos na Portaria Ministerial 1647/99 e na Portaria Ministerial 064/2001. Em suma, somos de parecer que: os Cursos Superiores de Tecnologia são cursos de graduação com características especiais, bem distintos dos tradicionais e cujo acesso se fará por processo seletivo, a juízo das instituições que os ministrem. Obedecerão a Diretrizes Curriculares Nacionais a serem a aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação; os Cursos Superiores de Tecnologia poderão ser ministrados por universidades, centros universitários, faculdades integradas, faculdades isoladas e institutos superiores. As universidades e centros universitários, no gozo das atribuições de 202 autonomia, podem criá-los livremente, aumentar e diminuir suas vagas ou ainda suspendê-las; os Cursos Superiores de Tecnologia poderão igualmente ser ministrados por Centros de Educação Tecnológica públicos e privados, com diferentes graus de abrangência de autonomia; os Cursos Superiores de Tecnologia serão autorizados para funcionar apenas em campus previsto no ato de sua autorização; os Centros Federais de Educação Tecnológica, criados a partir do disposto na Lei no 8948/94 e na regulamentação contida no Decreto no 2406/97, gozam de autonomia para criação de cursos e ampliação de vagas nos cursos superiores de tecnologia; os Centros de Educação Tecnológica privados gozam das prerrogativas da autonomia para autorizar novos cursos superiores de tecnologia, nas mesmas áreas profissionais daqueles já reconhecidos; os Centros de Educação Tecnológica privados que obtiverem esta autonomia, poderão suspender e diminuir livremente as vagas de seus cursos superiores de tecnologia, nas mesmas áreas profissionais daqueles já reconhecidos; os Centros de Educação Tecnológica privados que obtiverem autonomia só poderão aumentar vagas de seus cursos superiores de tecnologia, após o reconhecimento dos mesmos; o credenciamento como Centro de Educação Tecnológica se fará pelo pra zo de 3 (três) anos, após o qual a instituição solicitará seu recredenciamento, o qual será precedido por processo de avaliação; os Cursos Superiores de Tecnologia serão objeto de avaliações periódicas com vistas ao seu reconhecimento, que será concedido pelo prazo máximo de 3 (três) anos; não será permitido o credenciamento de faculdades ou institutos superiores que nasçam com autorização de seu primeiro curso, quando este for curso superior de tecnologia; as escolas técnicas e agrotécnicas federais não vinculadas a universidades que ministrem cursos superiores de tecnologia, devem, na forma da Portaria Ministerial no 2267/97, transformar-se em Centros de Educação Tecnológica; as faculdades integradas, faculdades isoladas e institutos superiores, necess itarão sempre de autorização prévia, na forma da legislação consubstanciadas nas Portarias 1647/99 e 064/2001; a Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação adota por este parecer as normas de credenciamento dos Centros de Educação Tecnológica e de autorização e reconhecimento dos Cursos Superiores de Tecnologia previstos nas Portarias Ministeriais 1647/99 e 064/2001. o Decreto Presidencial 3741/2001 de 31/01/2001, que modificou o artigo 5o do Decreto 2406/97, acrescendo parágrafo único, deve ser revogado, colocando-se o que dispõe o artigo 14 e seus parágrafos da Portaria 1647/99 em nível de novo Decreto Presidencial. 203 Este o nosso parecer. Brasília (DF), 02 de abril de 2001 Conselheiro Carlos Alberto Serpa de Oliveira – Relator Conselheira Vilma de Mendonça Figueiredo (Presidente) Conselheiro Antonio MacDowel de Figueiredo II – DECISÃO DA CÂMARA A Câmara de Educação Superior aprova por unanimidade o voto do(a) Relator(a). Sala das Sessões, em 02 de abril de 2001. Conselheiro Roberto Cláudio Frota Bezerra – Presidente Conselheiro Arthur Roquete de Macedo – Vice-Presidente 204 ANEXO A QUADRO DAS ÁREAS PROFISSIONAIS E CARGAS HORÁRIAS MÍNIMAS ÁREA PROFISSIONAL 1. Agropecuária 2. Artes 3. Comércio 4. Comunicação 5. Construção Civil 6. Design 7. Geomática 8. Gestão 9. Imagem pessoal 10. Indústria 11. Informática 12. Lazer e desenvolvimento social 13. Meio ambiente 14. Mineração 15. Química 16. Recursos pesqueiros 17 Saúde 18. Telecomunicações 19. Transportes 20. Turismo e hospitalidade CARGA HORÁRIA MÍNIMA DE CADA MODALIDADE 2.400 1.600 1.600 1.600 2.400 1.600 2.000 1.600 1.600 2.400 2.000 1.600 1.600 2.400 2.400 2.000 2.400 2.400 1.600 1.600 (Áreas e competências relativas aos cursos técnicos e extraído s da Resolução CED 04/99, como referência para discussão daquelas referentes aos cursos superiores de tecnologia. As cargas horárias já estão adequadas ao Tecnólogo). CARACTERIZAÇÃO DAS ÁREAS PROFISSIONAIS 1. ÁREA PROFISSIONAL: AGROPECUÁRIA Compreende atividades de produção animal, vegetal, paisagística e agro-industrial, estruturadas e aplicadas de forma sistemática para atender as necessidades de organização e produção dos diversos segmentos da cadeia produtiva do agronegócio, visando à qualidade e à sustentabilidade econômica, ambiental e social. 2. ÁREA PROFISSIONAL: ARTES Compreende atividades de criação, desenvolvimento, difusão e conservação de bens culturais, de idéias e de entretenimento. A produção artística caracteriza-se pela organização, formatação, criação de linguagens (sonora, cênica, plástica), bem como pela sua preservação, 205 interpretação e utilização eficaz e estética. Os processos de produção na área estão voltados para a geração de produtos visuais, sonoros, audiovisua is, impressos, verbais e não verbais. Destinam-se a informar e a promover a cultura e o lazer pelo teatro, música, dança, escultura, pintura, arquitetura, circo, cinema e outros. 3. ÁREA PROFISSIONAL: COMÉRCIO Compreende atividades de planejamento, de operação e de controle da comercialização (compra e venda) de bens e serviços. O planejamento inclui: estudos, projetos, operação e controle. A operação inclui: comunicação com o público, aquisição de bens ou serviços, armazenamento e distribuição física de mercadorias, venda, intermediação e atração de clientes, pós-venda em nível nacional e internacional. O controle consiste no acompanhamento das operações de venda, de armazenamento, de distribuição e de pós-venda. 4. ÁREA PROFISSIONAL: COMUNICAÇÃO Compreende atividades de produção, armazenamento e distribuição ou difusão, em multimeios ou multimídia, de informações, de idéias e de entretenimento, em trabalhos realizados em rádio, televisão, cinema, vídeo, fotografia, editoração e publicidade. A produção define -se pela organização e formatação de mensagens a partir da análise de suas características frente às do público a ser atingido, em diferentes propostas comunicativas, envolvendo a utilização eficaz e estética das linguagens sonora, imagética ou impressa, de forma isolada ou integrada. 5. ÁREA PROFISSIONAL: CONSTRUÇÃO CIVIL Compreende atividades de planejamento, projeto, acompanhamento e orientação técnica à execução e à manutenção de obras civis, como edifícios, aeroportos, rodovias, ferrovias, portos, usinas, barragens e vias navegáveis. Abrange a utilização de técnicas e processos construtivos em escritórios, execução de obras e prestação de serviços. 6. ÁREA PROFISSIONAL: DESIGN Compreende o desenvolvimento de projetos de produtos, de serviços, de ambientes internos e externos, de maneira criativa e inovadora, otimizando os aspectos estético, formal e funcional, adequando-os aos conceitos de informação e comunicação vigentes, e ajustando-os aos apelos mercadológicos e às necessidades do usuário. O desenvolvimento de projetos implica na criação (pesquisa de linguagem, estilos, ergonomia, materiais, processos e meios de representação visual); no planejamento (identificação da viabilidade técnica, econômica e funcional, com definição de espec ificidades e características) e na execução (confecção de desenhos, leiautes, maquetes e protótipos, embalagens, gestão da produção e implantação do projeto). 206 7. ÁREA PROFISSIONAL: GEOMÁTICA Compreende atividades de produção, aquisição, armazenagem, análise, disseminação e gerenciamento de informações espaciais relacionadas com o ambiente e com os recursos terrestres. Inclui atividades de levantamento e mapeamento, integrando elementos como topografia, cartografia, hidrografia, geodésia, fotogrametria, agrimensura, com as novas tecnologias e os novos campos de aplicação, como o sensoriamento remoto, o mapeamento digital, os sistemas de informações geográficas e os sistemas de posicionamento por satélite. Com dados coletados por sensores orbitais e aerotransportados, por instrumentos acoplados em embarcações ou instalados no solo, uma vez processados e manipulados com equipamentos e programas da tecnologia da informação, geram-se produtos que podem constituir mapas dos mais diversos tipos ou bases de dados de cadastros multifinalitários. 8. ÁREA PROFISSIONAL: GESTÃO Compreende atividades de administração e de suporte logístico à produção e à prestação de serviços em qualquer setor econômico e em todas as organizações, públicas ou privadas, de todos os portes e ramos de atuação. As atividades de gestão caracterizam-se pelo planejamento, operação, controle e avaliação dos processos que se referem aos recursos humanos, aos recursos materiais, ao patrimônio, à produção, aos sistemas de informações, aos tributos , às finanças e à contabilidade. 9. ÁREA PROFISSIONAL: IMAGEM PESSOAL Compreende a concepção, o planejamento, a execução e a gestão de serviços de embelezamento pessoal e de moda. No caso do embelezamento pessoal, inclui os serviços prestados por esteticistas, cabeleireiros, maquiadores, manicuros e pedicuros, em institutos ou em centros de beleza. No caso da moda, inclui a criação e execução de peças de vestuário e acessórios, a organização dos eventos da moda, a gestão e a comercialização de moda. 10. ÁREA PROFISSIONAL: INDÚSTRIA Compreende processos, contínuos ou discretos, de transformação de matérias primas na fabricação de bens de consumo ou de produção. Esses processos pressupõem uma infraestrutura de energia e de redes de comunicação. Os processos contínuos são automatizados e transformam materiais, substâncias ou objetos ininterruptamente podendo conter operações biofísicoquímicas durante o processo. Os discretos, não contínuos, que geralmente requerem a intervenção direta do profissional caracterizam-se por operações físicas de controle das formas dos produtos. Com a crescente automação, os processos discretos tendem a assemelhar-se aos processos contínuos, de modo que o profissional interfira de forma indireta por meio de sistemas microprocessados. A presença humana, contudo, é indispensável para o controle, em ambos os processos, demandando um profissional apto para desenvolver atividades de planejamento, instalação, operação, manutenção, qualidade e produtividade. As atividades industriais de maior destaque, excluídas as da indústria química, são as de mecânica, eletroeletrônica, automotiva, gráfica, metalurgia, siderurgia, calçados, vestuário, madeira e mobiliário e artefatos de plástico, borracha, cerâmica e tecidos, automação de sistemas, refrigeração e ar condicionado. 207 11. ÁREA PROFISSIONAL: INFORMÁTICA Compreende atividades de concepção, especificação, projeto, implementação, avaliação, suporte e manutenção de sistemas e de tecnologias de processamento e transmissão de dados e informações, incluindo hardware, software, aspectos organizacionais e humanos, visando a aplicações na produção de bens, serviços e conhecimentos. 12. ÁREA PROFISSIONAL: LAZER E DESENVOLVIMENTO SOCIAL Compreende atividades visando ao aproveitamento do tempo livre e ao desenvolvimento pessoal, grupal e comunitário. As atividades de lazer incluem, entre outras, as de esportes, recreação, entretenimento, folclore, arte e cultura. As de desenvolvimento social incluem as atividades voltadas para a reintegração e inclusão social, para a participação em grupos e na comunidade, e para a melhoria da qualidade de vida nas coletividades. A gestão de programas desta área é planejada, promovida e executada de forma participativa e mobilizadora, com enfoque educativo e solidário. Concretiza -se em torno de questões sociais estratégicas, como as de prática físico-desportiva, de fruição artístico-cultural, de recreação e entretenimento, de grupos de interesse, de saúde, de educação, de alimentação, de habitação, de qualidade da vida urbana, de educação ambiental, de infância e juventude, de terceira idade, de consumo e consumidor, de oferta de serviços públicos, de trabalho e profissionalização, de geração de emprego e renda, de formação de associações e de cooperativas, e de voluntariado. 13. ÁREA PROFISSIONAL: MEIO AMBIENTE Compreende ações de preservação dos recursos naturais, com controle e avaliação dos fatores que causam impacto nos ciclos de matéria e energia, diminuindo os efeitos causados na natureza (solo, água e ar). Compreende, igualmente, atividades de prevenção da poluição por meio da educação ambiental não escolar, da tecnologia ambiental e da gestão ambiental. 14. ÁREA PROFISSIONAL: MINERAÇÃO Compreende atividades de prospecção e avaliação técnica e econômica de depósitos minerais e minerais betuminosos, o planejamento das etapas de preparação de jazidas, a extração, o tratamento de minério, as operações auxiliares, o controle e mitigação dos impactos ambientais e a recuperação de áreas lavradas e degradadas. 15. ÁREA PROFISSIONAL: QUÍMICA Compreende processos físico-químicos nos quais as substâncias puras e os compostos são transformados em produtos. Engloba, também, atividades ligadas à biotecnologia, a laboratórios farmacêuticos, a centros de pesquisa, a laboratórios independentes de análise química e a comercialização de produtos químicos. Uma característica relevante da área é o alto grau de periculosidade e insalubridade envolvidos nos processos. Como conseqüência, a atuação na área requer conhecimento aprofundado do processo, incluindo operações de destilação, absorção, adsorção, extração, cristalização, fluidização etc. dos reatores químicos, 208 dos sistemas de transporte de fluidos, dos sistemas de utilidades industriais, dos sistemas de troca térmica e de controle de processos. Inclui, também, manutenção de equipamentos ou instrumentos e realização de análises químicas em analisadores de processos dispostos em linha ou em laboratórios de controle de qualidade do processo. As atividades de maior destaque são as de petroquímica, refino do petróleo, alimentos e bebidas, papel e celulose, cerâmica, fármacos, cosméticos, têxtil, pigmentos e tintas, vernizes, plásticos, PVC e borrachas, fibras, fertilizantes, cimento, reagentes, matéria prima para a indústria química de base, polímeros e compósitos. Destacam-se, também, as de tratamento de efluentes, processos eletroquímicos (galvanoplastia), análises para investigação, inclusive forenses, desenvolvimento de novos materiais para desenvolver novos produtos, para obtenção de matéria prima ou para obter produtos ambientalmente corretos. 16 – ÁREA PROFISSIONAL: RECURSOS PESQUEIROS Compreende atividades de extração e de cultivo de organismos que tenham como principal “habitat” a água, para seu aproveitamento integral na cadeia produtiva, com segurança de qualidade e sustentabilidade econômica, ambiental e social. 17 – ÁREA PROFISSIONAL: SAÚDE Compreende as ações integradas de proteção e prevenção, educação, recuperação e reabilitação referentes às necessidades individuais e coletivas, visando a promoção da saúde, com base em modelo que ultrapasse a ênfase na assistência médico-hospitalar. A atenção e a assistência à saúde abrangem todas as dimensões do ser humano – biológica, psicológica, social, espiritual, ecológica – e são desenvolvidas por meio de atividades diversificadas, dentre as quais biodiagnóstico, enfermagem, estética, farmácia, nutrição, radiologia e diagnóstico por imagem em saúde, reabilitação, saúde bucal, saúde e segurança no trabalho, saúde visual e vigilância sanitária. As ações integradas de saúde são realizadas em estabelecimentos específicos de assistência à saúde, tais como postos, centros, hospitais, laboratórios e consultórios profissionais, e em outros ambientes como domicílios, escolas, creches, centros comunitários, empresas e demais locais de trabalho. 18 – ÁREA PROFISSIONAL: TELECOMUNICAÇÕES Compreende atividades referentes a projetos, produção, comercialização, implantação, operação e manutenção de sistemas de telecomunicações – comunicação de dados digitais e analógicos, comutação, transmissão, recepção, redes e protocolos, telefonia. 209 19- ÁREA PROFISSIONAL: TRANSPORTES Compreende atividades nos serviços de transporte de pessoas e bens e nos serviços relacionados com o trânsito. Os se rviços de transporte de pessoas e bens são prestados por empresas públicas ou particulares, diretamente ou por concessão, e por autônomos realizados por qualquer tipos de veículos e meios transportadores, por terra, água, ar e dutos. Os serviços relacionados com o trânsito referem-se a movimentação de pessoas, e veículos, estacionamento nas vias públicas, monitoramento e intervenções no tráfego, fiscalização de veículos e educação não escolar para o trânsito. 20 – ÁREA PROFISSIONAL: TURISMO E HOSPITALIDADE Compreende atividades, interrelacionadas ou não, referentes à oferta de produtos e à prestação de serviços turísticos e de hospitalidade. Os serviços turísticos incluem o agenciamento e operação, o guiamento, a promoção do turismo, e a organização e realização de eventos de diferentes tipos e portes. Os serviços de hospitalidade incluem os de hospedagem e os de alimentação. Os de hospedagem são prestados em hotéis e outros meios, como colônias de férias, albergues, condomínios residenciais e de lazer, instituições esportivas, escolares, militares, de saúde, acampamentos, navios, coletividades, abrigos para grupos especiais. Os serviços de alimentação são prestados em restaurantes, bares e outros meios, como empresas, escolas, clubes, parques, aviões, navios, trens, ou ainda em serviços de bufês, “caterings”, entregas diretas, distribuição em pontos de venda. Estas atividades são desenvolvidas num processo que inclui o planejamento, a promoção e venda e o gerenciamento da execução. 210 ANEXO C – Resolução CNE/CP 3, de 18 de dezembro de 2002 (Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a organização e o funcionamento dos cursos superiores de tecnologia) 211 CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO CONSELHO PLENO RESOLUÇÃO CNE/CP 3, DE 18 DE DEZEMBRO DE 2002.(*) Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a organização e o funcionamento dos cursos superiores de tecnologia. O Presidente do Conselho Nacional de Educação, de conformidade com o disposto nas alíneas “b” e “d” do Artigo 7º, na alínea “c” do § 1º e na alínea “c” do § 2º do Artigo 9º da Lei 4.024/61, na redação dada pela Lei Federal 9.131, de 25 de novembro de 1995, nos Artigos 8º, § 1º, 9º, Inciso VII e § 1º, 39 a 57 da Lei 9.394, de 20 de novembro de 1996 (LDBEN), nos Decretos 2.208, de 17 de abril de 1997, e 3.860, de 9 de julho de 2001, e com fundamento no Parecer CNE/CES 436/2001 e no Parecer CNE/CP 29/2002, homologado pelo Senhor Ministro da Educação em 12 de dezembro de 2002, resolve: Art. 1º A educação profissional de nível tecnológico, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, objetiva garantir aos cidadãos o direito à aquisição de competências profissionais que os tornem aptos para a inserção em setores profissionais nos quais haja utilização de tecnologias. Art. 2º Os cursos de educação profissional de nível tecnológico serão designados como cursos superiores de tecnologia e deverão: I - incentivar o desenvolvimento da capacidade empreendedora e da compreensão do processo tecnológico, em suas causas e efeitos; II - incentivar a produção e a inovação científico-tecnológica, e suas respectivas aplicações no mundo do trabalho; III - desenvolver competências profissionais tecnológicas, gerais e específicas, para a gestão de processos e a produção de bens e serviços; IV - propiciar a compreensão e a avaliação dos impactos sociais, econômicos e ambientais resultantes da produção, gestão e incorporação de novas tecnologias; V - promover a capacidade de continuar aprendendo e de acompanhar as mudanças nas condições de trabalho, bem como propiciar o prosseguimento de estudos em cursos de pós-graduação; VI - adotar a flexibilidade, a interdisciplinaridade, a contextualização e a atualização permanente dos cursos e seus currículos; VII - garantir a identidade do perfil profissional de conclusão de curso e da respectiva organização curricular. Art. 3º São critérios para o planejamento e a organização dos cursos superiores de tecnologia: I - o atendimento às demandas dos cidadãos, do mercado de trabalho e da sociedade; II - a conciliação das demandas identificadas com a vocação da instituição de ensino e as suas reais condições de viabilização; III - a identificação de perfis profissionais próprios para cada curso, em função das demandas e em sintonia com as políticas de promoção do desenvolvimento sustentável do País. Art. 4º Os cursos superiores de tecnologia são cursos de graduação, com características especiais, e obedecerão às diretrizes contidas no Parecer CNE/CES 436/2001 e conduzirão à obtenção de diploma de tecnólogo. (*) Publicada no Diário Oficial da União de 23 de dezembro de 2002, Seção 1, p. 162. 212 § 1º O histórico escolar que acompanha o diploma de graduação deverá incluir as competências profissionais definidas no perfil profissional de conclusão do respectivo curso. § 2º A carga horária mínima dos cursos superiores de tecnologia será acrescida do tempo destinado a estágio profissional supervisionado, quando requerido pela natureza da atividade profissional, bem como de eventual tempo reservado para trabalho de conclusão de curso. § 3º A carga horária e os planos de realização de estágio profissional supervisionado e de trabalho de conclusão de curso deverão ser especificados nos respectivos projetos pedagógicos. Art. 5º Os cursos superiores de tecnologia poderão ser organizados por módulos que correspondam a qualificações profissionais identificáveis no mundo do trabalho. § 1º O concluinte de módulos correspondentes a qualificações profissionais fará jus ao respectivo Certificado de Qualificação Profissional de Nível Tecnológico. § 2º O histórico escolar que acompanha o Certificado de Qualificação Profissional de Nível Tecnológico deverá incluir as competências profissionais definidas no perfil de conclusão do respectivo módulo. Art. 6º A organização curricular dos cursos superiores de tecnologia deverá contemplar o desenvolvimento de competências profissionais e será formulada em consonância com o perfil profissional de conclusão do curso, o qual define a identidade do mesmo e caracteriza o compromisso ético da instituição com os seus alunos e a sociedade. § 1º A organização curricular compreenderá as competências profissionais tecnológicas, gerais e específicas, incluindo os fundamentos científicos e humanísticos necessários ao desempenho profissional do graduado em tecnologia. § 2º Quando o perfil profissional de conclusão e a organização curricular incluírem competências profissionais de distintas áreas, o curso deverá ser classificado na área profissional predominante. Art. 7º Entende-se por competência profissional a capacidade pessoal de mobilizar, articular e colocar em ação conhecimentos, habilidades, atitudes e valores necessários para o desempenho eficiente e eficaz de atividades requeridas pela natureza do trabalho e pelo desenvolvimento tecnológico. Art. 8º Os planos ou projetos pedagógicos dos cursos superiores de tecnologia a serem submetidos à devida aprovação dos órgãos competentes, nos termos da legislação em vigor, devem conter, pelo menos, os seguintes itens: I - justificativa e objetivos; II - requisitos de acesso; III - perfil profissional de conclusão, definindo claramente as competências profissionais a serem desenvolvidas; IV - organização curricular estruturada para o desenvolvimento das competências profissionais, com a indicação da carga horária adotada e dos planos de realização do estágio profissional supervisionado e de trabalho de conclusão de curso, se requeridos; V - critérios e procedimentos de avaliação da aprendizagem; VI - critérios de aproveitamento e procedimentos de avaliação de competências profissionais anteriormente desenvolvidas; VII - instalações, equipamentos, recursos tecnológicos e biblioteca; VIII - pessoal técnico e docente; IX - explicitação de diploma e certificados a serem expedidos. Art. 9º É facultado ao aluno o aproveitamento de competências profissionais anteriormente desenvolvidas, para fins de prosseguimento de estudos em cursos superiores de tecnologia. 213 § 1º As competências profissionais adquiridas em cursos regulares serão reconhecidas mediante análise detalhada dos programas desenvolvidos, à luz do perfil profissional de conclusão do curso. § 2º As competências profissionais adquiridas no trabalho serão reconhecidas através da avaliação individual do aluno. Art. 10. As instituições de ensino, ao elaborarem os seus planos ou projetos pedagógicos dos cursos superiores de tecnologia, sem prejuízo do respectivo perfil profissional de conclusão identificado, deverão considerar as atribuições privativas ou exclusivas das profissões regulamentadas por lei. Art. 11. Para subsidiar as instituições educacionais e os sistemas de ensino na organização curricular dos cursos superiores de tecnologia, o MEC divulgará referenciais curriculares, por áreas profissionais. Parágrafo único. Para a elaboração dos referidos subsídios, o MEC contará com a efetiva participação de docentes, de especialistas em educação profissional e de profissionais da área, trabalhadores e empregadores. Art. 12. Para o exercício do magistério nos cursos superiores de tecnologia, o docente deverá possuir a formação acadêmica exigida para a docência no nível superior, nos termos do Artigo 66 da Lei 9.394 e seu Parágrafo Único. Art. 13. Na ponderação da avaliação da qualidade do corpo docente das disciplinas da formação profissional, a competência e a experiência na área deverão ter equivalência com o requisito acadêmico, em face das características desta modalidade de ensino. Art. 14. Poderão ser implementados cursos e currículos experimentais, nos termos do Artigo 81 da LDBEN, desde que ajustados ao disposto nestas diretrizes e previamente aprovados pelos respectivos órgãos competentes. Art. 15. O CNE, no prazo de até dois anos, contados da data de vigência desta Resolução, promoverá a avaliação das políticas públicas de implantação dos cursos superiores de tecnologia. Art. 16. Para a solicitação de autorização de funcionamento de novos cursos superiores de tecnologia e aprovação de seus projetos pedagógicos, a partir da vigência desta resolução, será exigida a observância das presentes diretrizes curriculares nacionais gerais. Parágrafo único. Fica estabelecido o prazo de 6 (seis) meses, contados da data de cumprimento do prazo estabelecido no artigo anterior, para que as instituições de ensino procedam as devidas adequações de seus planos de curso ou projetos pedagógicos de curso às presentes diretrizes curriculares nacionais gerais, ressalvados os direitos dos alunos que já iniciaram os seus cursos. Art. 17. Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. JOSÉ CARLOS ALMEIDA DA SILVA Presidente do Conselho Nacional de Educação 214 ANEXO D – Portaria Nº 10, de 28 de julho de 2006 (Catálogo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia) 215 PORTARIA Nº 10, DE 28 DE JULHO DE 2006. Aprova em extrato o Catálogo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia O MINISTRO DE ESTADO DA EDUCAÇÃO, no uso de suas atribuições, tendo em vista o disposto nos arts. 39 e seguintes da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, nos art. 1º, III, 5º, 6º, e 7º, do Decreto nº 5.154, de 23 de julho de 2004, no art. 5º, § 3º, VI, do Decreto nº 5.773, de 9 de maio de 2006, e na Resolução CP/CNE nº 03, de 18 de dezembro de 2002, considerando a necessidade de estabelecer um referencial comum às denominações dos cursos superiores de tecnologia; considerando a necessidade de consolidação desses cursos pela afirmação de sua identidade e caracterização de sua alteridade em relação às demais ofertas educativas; considerando a necessidade de fomento à qualidade por meio da apresentação de infra-estrutura recomendável com o escopo de atender as especificidades dessas graduações tecnológicas, resolve: Art. 1º Aprovar, em extrato, o Catálogo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia, elaborado pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação, conforme disposto no art. 5º, § 3º, VI, do Decreto nº 5.773, de 9 de maio de 2006. Parágrafo único. O Catálogo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia estará disponível no sítio eletrônico oficial do Ministério da Educação. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. FERNANDO HADDAD 216 ANEXO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA Catálogo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia - EXTRATO Agropecuária - Recursos Pesqueiros 1. Agroindústria 2.400 horas 2 Agronegócio 2.400 horas 3. Aqüicultura 2.000 horas 4. Cafeicultura 2.400 horas 5. Horticultura 2.400 horas 6. Irrigação e drenagem 2.400 horas 7. Produção pesqueira 2.000 horas 8. Produção de grãos 2.400 horas 9. Silvicultura 2.400 horas Artes - Comunicação - Design 10. Comunicação assistiva 1.600 horas 11. Comunicação institucional 1.600 horas 12. Conservação e restauro 1.600 horas 13. Design de interiores 1.600 horas 14. Design de moda 1.600 horas 15. Design de produto 1.600 horas 16.Design gráfico 1.600 horas 17. Fotografia 1.600 horas 18. Produção audiovisual 1.600 horas 19. Produção cênica 1.600 horas 20. Produção fonográfica 1.600 horas 21. Produção multimídia 1.600 horas 22. Produção publicitária 1.600 horas Comércio - Gestão 23. Comércio exterior 1.600 horas 24. Gestão comercial 1.600 horas 25. Gestão da qualidade 1.600 horas 26. Gestão de cooperativas 1.600 horas 27. Gestão de recursos humanos 1.600 horas 217 28. Gestão de segurança privada 1.600 horas 29. Gestão financeira 1.600 horas 30. Gestão pública 1.600 horas 31.Logística 1.600 horas 32. Marketing 1.600 horas 33 Negócios imobiliários 1.600 horas 34.Processos gerenciais 1.600 horas 35. Secretariado 1.600 horas Construção Civil 36. Agrimensura 2.000 horas 37. Construção de edifícios 2.400 horas 38. Controle de obras 2.400 horas 39. Estradas 2.400 horas 40. Geoprocessamento 2.000 horas 41. Gestão portuária 1.600 horas 42. Materiais de construção 2.400 horas 43. Obras hidráulicas 2.400 horas 44. Pilotagem profissional de aeronaves 1.600 horas 45. Sistemas de navegação fluvial 1.600 horas 46. Transporte aéreo 1.600 horas 47. Transporte terrestre 1.600 horas Indústria - Química - Mineração 48.Alimentos 2.400 horas 49. Automação industrial 2.400 horas 50. Construção naval 2.400 horas 51. Eletrônica industrial 2.400 horas 52. Eletrotécnica industrial 2.400 horas 53. Fabricação mecânica 2.400 horas 54.Gestão da produção industrial 2.400 horas 55. Laticínios 2.400 horas 56. Manutenção de aeronaves 2.400 horas 57. Manutenção industrial 2.400 horas 58. Mecatrônica industrial 2.400 horas 59. Papel e celulose 2.400 horas 218 60. Petróleo e gás 2.400 horas 61. Polímeros 2.400 horas 62. Processamento de carnes 2.400 horas 63. Processos metalúrgicos 2.400 horas 64. Processos químicos 2.400 horas 65. Produção de cachaça 2.400 horas 66. Produção de vestuário 2.400 horas 67. Produção gráfica 2.400 horas 68. Produção joalheira 2.400 horas 69.Produção moveleira 2.400 horas 70. Produção sucroalcooleira 2.400 horas 71. Produção têxtil 2.400 horas 72. Rochas ornamentais 2.400 horas 73. Sistemas elétricos 2.400 horas 74. Viticultura e enologia 2.400 horas Informática - Telecomunicações 75.Análise e desenvolvimento de sistemas 2.000 horas 76. Banco de dados 2.000 horas 77. Gestão da tecnologia da informação 2.000 horas 78. Gestão de telecomunicações 2.400 horas 79. Jogos digitais 2.000 horas 80. Redes de computadores 2.000 horas 81. Redes de telecomunicações 2.400 horas 82. Segurança da informação 2.000 horas 83. Sistemas de telecomunicações 2.400 horas 84. Sistemas para Internet 2.000 horas 85. Telemática 2.400 horas Lazer e Desenvolvimento Social - Turismo e Hospitalidade 86. Eventos 1.600 horas 87. Gastronomia 1.600 horas 88. Gestão de turismo 1.600 horas 89. Gestão desportiva e de lazer 1.600 horas 90. Hotelaria 1.600 horas Meio Ambiente - Tecnologia da Saúde 219 91. Gestão ambiental 1.600 horas 92. Gestão hospitalar 2.400 horas 93. Radiologia 2.400 horas 94. Saneamento ambiental 1.600 horas 95. Segurança no trabalho 2.400 horas 96. Sistemas biomédicos 2.400 horas 224 ANEXO E – Parecer CNE/CES Nº: 277/2006 (Nova forma de organização da Educação Profissional e Tecnológica de graduação) 225 PARECER HOMOLOGADO(*) (*) Despacho do Ministro, publicado no Diário Oficial da União de 01/06/2007 (*) Despacho do Ministro, republicado no Diário Oficial da União de 11/06/2007 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO INTERESSADO: MEC/Gabinete do Ministro UF: DF ASSUNTO: Nova forma de organização da Educação Profissional e Tecnológica de graduação. RELATOR: Luiz Bevilacqua PROCESSO Nº: 23001.000137/2006-53 PARECER CNE/CES Nº: COLEGIADO: APROVADO EM: 277/2006 CES 7/12/2006 I – RELATÓRIO No Aviso nº 1.168 GAB/MEC, o senhor Ministro da Educação encaminha uma proposta de reorganização da educação profissional e tecnológica de graduação, segundo uma nova metodologia que reúne os cursos em grandes eixos temáticos. A partir das informações recebidas, passo a relatar. O contexto O acelerado progresso científico e tecnológico tem sua origem em dois grandes saltos: a introdução da computação em praticamente todas as áreas do conhecimento; a capacidade de observação em escalas macro (cósmicas) e em escalas nano (átomos e moléculas). Esses dois acontecimentos revolucionaram o avanço científico com os respectivos impactos no desenvolvimento tecnológico. Uma das principais conseqüências dessa nova conjuntura é traduzida na convergência interdisciplinar estimulada pelos novos desafios dos nossos tempos. Alguns temas importantes que se destacam hoje são: Biotecnologia e saúde Recursos naturais e meio ambiente Automação e controle de processos contínuos e discretos Geração, distribuição e armazenamento de energia Tecnologias ambientais e urbanas Nanomateriais e nanodispositivos Tecnologias aeroespaciais Comunicação e informação Para organizar a produção dentro desse novo conceito, convém estabelecer um conjunto compacto de eixos temáticos. A proposta encaminhada pelo MEC ajusta-se a essa 226 nova conjuntura, bem como às disposições do Parecer CNE/CP nº 29/2002, que determina atualização pelo CNE da organização dos Cursos Superiores de Tecnologia. A formação Os cursos a que se refere o processo encaminhado pelo MEC focalizam a educação profissional e tecnológica. Estão, portanto, dentro do contexto descrito acima e de uma necessária interação disciplinar. Entende-se que a clássica organização, constante do Anexo A do Parecer CNE/CES nº 436/2001 – áreas profissionais – encontra-se superada, devendo ser mantidas as cargas horárias mínimas constantes do Catálogo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia, implantado pelo Decreto nº 5.773, de 9 de maio de 2006. A reorganização de cursos em eixos mais compactos favorece a reestruturação disciplinar, evitando redundâncias, inflexibilidade curricular e modernizando a oferta de disciplinas. Uma das vantagens dessa nova organização é a possibilidade de transitar entre cursos semelhantes com mais facilidade. A política de desenvolvimento Uma vantagem dessa nova reorganização em poucos eixos temáticos é a abertura para se implementar políticas de desenvolvimento. Uma estrutura que divide a formação tecnológica em uma multidão de cursos torna muito complexa a implantação de uma política de desenvolvimento industrial. A organização em grandes eixos é o modo mais adequado para estimular o progresso industrial em linhas prioritárias de governo. A metodologia A proposta, segundo apresentada no documento anexo, foi elaborada cuidadosamente contando com a cooperação de “especialistas e pesquisadores, entidades representativas, instituições de ensino superior. A elaboração do projeto obedeceu a dois níveis hierárquicos de classificação: 1. Matriz dos eixos tecnológicos dividida em três categorias: Tecnologias Simbólicas, Tecnologias Físicas e Tecnologias Organizacionais. 2. Definição dos eixos tecnológicos: I. Ambiente, Saúde e Segurança II. Controle e Processos Industriais III. Gestão e Negócios IV. Hospitalidade e Lazer V. Informação e Comunicação VI. Infra-estrutura VII. Produção Alimentícia VIII. Produção Cultural e Design IX. Produção Industrial X. Recursos Naturais Embora a relação dos eixos propostos não seja única, e nem pode ser, atende à necessidade de agrupamento em grandes linhas temáticas dentro das quais se agrupam os cursos. A descrição detalhada encontra-se no texto anexo. Considero que a metodologia adotada é correta e a definição dos grandes eixos, satisfatória. 227 Para que essa política dê certo, entretanto, deve-se levar em consideração certas peculiaridades que de uma certa forma também requerem uma atitude diferente dos administradores e legisladores. Talvez a mais importante seja a necessidade de maior flexibilidade e de mais agilidade na implantação de correções de rumo para atender ao desenvolvimento tecnológico que se apresenta muito dinâmico nos tempos atuais. Assim, a legislação deve ser mais geral para evitar entraves indesejáveis que poderiam retardar o progresso na educação tecnológica. Dentro desse aspecto, cabe ao MEC, por meio de seus órgãos especializados, a tarefa de atualizar os conteúdos dos eixos à medida que as tecnologias evoluem, mantendo informado esse Conselho. Deve-se entender que a implantação da presente proposta deve levar em consideração que: 1. A evolução do conhecimento é muito rápida, portanto os eixos devem ser flexíveis, isto é, devem ser bastante amplos para abrigar temas semelhantes e eventualmente permitir uma reorganização futura dentro de linhas tão previsíveis quanto possível. 2. Por ser a tendência atual francamente interdisciplinar, o currículo de um curso pode contemplar características de dois ou mais eixos tecnológicos, dependendo da ênfase do curso, prevalecendo, para fins de cumprimento de carga horária mínima, as definições do Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia. 3. Devemos sempre estar receptíveis a uma revisão periódica da denominação dos eixos em função da evolução do conhecimento e da demanda por novas áreas. Esse procedimento, inclusive, é previsto e incentivado pelo Parecer CNE/CP nº 29/2002. Além disso, a revisão, quando necessária, deve ser desembaraçada de complexos procedimentos administrativos e legais. A contrapartida dessa maior flexibilidade que abre as portas para a interdisciplinaridade é o processo de avaliação que deve ser rigoroso e divulgado para conhecimento da sociedade e dos candidatos aos cursos. II – VOTO DO RELATOR A proposta encaminhada pelo MEC, de acordo com o artigo 15 da Resolução CNE/CP nº 3/2002, está adequadamente inserida no atual contexto de desenvolvimento educacional e tecnológico, facilita a reorganização dos Cursos Superiores de Tecnologia numa linha interdisciplinar e permite a implantação de políticas de desenvolvimento da educação profissional e tecnológica. Assim, voto pela aprovação da proposta nos termos do anexo deste Parecer, em substituição ao Anexo A do Parecer CNE/CES nº 436/2001, instituindo uma nova organização para agrupamento destes cursos e mantendo como cargas horárias mínimas as constantes do Catálogo Nacional dos Cursos Superiores de Tecnologia, instituído pelo Decreto nº 5.773/2006. A classificação dos cursos atualmente constantes do Catálogo, bem como suas futuras inserções deverá orientar-se pelos eixos tecnológicos em vigor. Recomendo que o MEC, sempre que necessário, reveja a denominação dos eixos tecnológicos de modo a atender a evolução do conhecimento científico e tecnológico. Deve ser instituído um processo periódico de avaliação, sendo os resultados divulgados para conhecimento da sociedade em geral e, particularmente, para orientação dos candidatos aos cursos. Brasília (DF), 7 de dezembro de 2006. 228 Conselheiro Luiz Bevilacqua – Relator III – DECISÃO DA CÂMARA A Câmara de Educação Superior aprova por unanimidade o voto do Relator. Sala das Sessões, em 7 de dezembro de 2006. Conselheiro Antônio Carlos Caruso Ronca – Presidente Conselheiro Paulo Monteiro Vieira Braga Barone – Vice-Presidente 229 ANEXO Eixos Tecnológicos Referenciada nos critérios estabelecidos, conforme matriz classificatória apresentada, a SETEC propõe os seguintes Eixos Tecnológicos para organizar a oferta de Cursos Superiores de Tecnologia, em substituição à tipologia das Áreas Profissionais até então adotada: 1. Ambiente, Saúde e Segurança; 2. Controle e Processos Industriais; 3. Gestão e Negócios; 4. Hospitalidade e Lazer; 5. Informação e Comunicação; 6. Infra-estrutura; 7. Produção Alimentícia; 8. Produção Cultural e Design; 9. Produção Industrial; 10. Recursos Naturais. 1. Eixo Tecnológico do Ambiente, Saúde e Segurança Compreende tecnologias associadas à melhoria da qualidade de vida, à preservação da natureza e à utilização, desenvolvimento e inovação do aparato tecnológico de suporte e atenção à saúde. Abrange ações de proteção e preservação dos seres vivos e dos recursos ambientais, da segurança de pessoas e comunidades, do controle e avaliação de risco, programas de educação ambiental. Tais ações vinculam-se ao suporte de sistemas, processos e métodos utilizados na análise, diagnóstico e gestão, provendo apoio aos profissionais da saúde nas intervenções no processo saúde-doença de indivíduos, bem como propondo e gerenciando soluções tecnológicas mitigadoras e de avaliação e controle da segurança e recursos naturais. Pesquisa e inovação tecnológica, constante atualização e capacitação, fundamentadas nas ciências da vida, nas tecnologias físicas e nos processos gerenciais são características comuns deste eixo. Cursos: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. Gestão ambiental Gestão da segurança privada Gestão hospitalar Radiologia Saneamento ambiental Segurança no trabalho Sistemas biomédicos 2. Controle e Processos Industriais Compreende tecnologias associadas aos processos mecânicos, eletro-eletrônicos e físico-químicos. Abrange ações de instalação, operação, manutenção, controle e otimização em processos, contínuos ou discretos, localizados predominantemente no segmento industrial, contudo alcançando também em seu campo de atuação instituições de pesquisa, segmento 230 ambiental e de serviços. A proposição, implantação, intervenção direta ou indireta em processos, além do controle e avaliação das múltiplas variáveis encontradas no segmento produtivo, identificam esse eixo. Traços marcantes, neste eixo, são a abordagem sistemática da gestão da qualidade e produtividade, questões éticas e ambientais, sustentabilidade e viabilidade técnico-econômica, além de permanente atualização e investigação tecnológica. Cursos: 1. Automação industrial 2. Eletrônica industrial 3. Eletrotécnica industrial 4. Gestão da produção industrial 5. Manutenção de aeronaves 6. Manutenção industrial 7. Mecatrônica industrial 8. Processos metalúrgicos 9. Processos químicos 10. Sistemas elétricos 3. Gestão e Negócios Compreende tecnologias associadas aos instrumentos, técnicas e estratégias utilizadas na busca da qualidade, produtividade e competitividade das organizações. Abrange ações de planejamento, avaliação e gerenciamento de pessoas e processos referentes a negócios e serviços presentes em organizações públicas ou privadas, de todos os portes e ramos de atuação. Esse eixo caracteriza-se pelas tecnologias organizacionais, viabilidade econômica, técnicas de comercialização, ferramentas de informática, estratégias de marketing, logística, finanças, relações interpessoais, legislação e ética. Cursos: 1. Comércio exterior 2. Gestão comercial 3. Gestão da qualidade 4. Gestão de cooperativas 5. Gestão de recursos humanos 6. Gestão financeira 7. Gestão pública 8. Logística 9. Marketing 10. Negócios imobiliários 11. Processos gerenciais 12. Secretariado 4. Hospitalidade e Lazer Compreende tecnologias relacionadas aos processos de recepção, entretenimento e interação. Abrange os processos tecnológicos de planejamento, organização, operação e avaliação de produtos e serviços inerentes à hospitalidade e ao lazer. As atividades compreendidas nesse eixo referem-se ao lazer, relações sociais, turismo, eventos e 231 gastronomia, integradas ao contexto das relações humanas em diferentes espaços geográficos e dimensões socioculturais, econômicas e ambientais. A pesquisa, disseminação e consolidação da cultura, ética, relações interpessoais, domínio de línguas estrangeiras, prospecção mercadológica, marketing e coordenação de equipes são elementos comuns desse eixo. Cursos: 1. 2. 3. 4. 5. Eventos Gastronomia Gestão de turismo Gestão desportiva e de lazer Hotelaria 5. Informação e Comunicação Compreende tecnologias relacionadas à comunicação e processamento de dados e informações. Abrange ações de concepção, desenvolvimento, implantação, operação, avaliação e manutenção de sistemas e tecnologias relacionadas à informática e telecomunicações. Especificação de componentes ou equipamentos, suporte técnico, procedimentos de instalação e configuração, realização de testes e medições, utilização de protocolos e arquitetura de redes, identificação de meios físicos e padrões de comunicação e, sobremaneira, a necessidade de constante atualização tecnológica, constituem, de forma comum, as características desse eixo. O desenvolvimento de sistemas informatizados desde a especificação de requisitos até os testes de implantação, bem como as tecnologias de comutação, transmissão, recepção de dados, podem constituir-se em especificidades desse eixo. Cursos: 1. Análise e desenvolvimento de sistemas 2. Banco de dados 3. Geoprocessamento 4. Gestão da tecnologia da informação 5. Gestão de telecomunicações 6. Jogos digitais 7. Redes de computadores 8. Redes de telecomunicações 9. Segurança da informação 10. Sistemas de telecomunicações 11. Sistemas para internet 12. Telemática 6. Infra-estrutura Compreende tecnologias relacionadas à construção civil e ao transporte. Contempla ações de planejamento, operação, manutenção, proposição e gerenciamento de soluções tecnológicas para infra-estrutura. Abrange obras civis, topografia, transporte de pessoas e bens, mobilizando – de forma articulada – saberes e tecnologias relacionadas ao controle de trânsito e tráfego, ensaios laboratoriais, cálculo e leitura de diagramas e mapas, normas 232 técnicas e legislação. Características comuns desse eixo são a abordagem sistemática da gestão da qualidade, ética e segurança, viabilidade técnico-econômica e sustentabilidade. Cursos: 1. Agrimensura 2. Construção de edifícios 3. Controle de obras 4. Estradas 5. Gestão portuária 6. Material de construção 7. Obras hidráulicas 8. Pilotagem profissional de aeronaves 9. Sistemas de navegação fluvial 10. Transporte aéreo 11. Transporte terrestre 7. Produção Alimentícia Compreende tecnologias relacionadas ao beneficiamento e industrialização de alimentos e bebidas. Abrange ações de planejamento, operação, implantação e gerenciamento, além da aplicação metodológica das normas de segurança e qualidade dos processos físicos, químicos e biológicos presentes nessa elaboração ou industrialização. Inclui atividades de aquisição e otimização de máquinas e implementos, análise sensorial, controle de insumos e produtos, controle fitossanitário, distribuição e comercialização relacionadas ao desenvolvimento permanente de soluções tecnológicas e produtos de origem vegetal e animal. Cursos: 1. 2. 3. 4. 5. 6. Agroindústria Alimentos Laticínios Processamento de carnes Produção de cachaça Viticultura e enologia 8. Produção Cultural e Design Compreende tecnologias relacionadas com representações, linguagens, códigos e projetos de produtos, mobilizadas de forma articulada às diferentes propostas comunicativas aplicadas. Abrange atividades de criação, desenvolvimento, produção, edição, difusão, conservação e gerenciamento de bens culturais e materiais, idéias e entretenimento, podendo configurar-se em multimeios, objetos artísticos, rádio, televisão, cinema, teatro, ateliês, editoras, vídeo, fotografia, publicidade e nos projetos de produtos industriais. Tais atividades exigem criatividade e inovação com critérios sócio-éticos, culturais e ambientais, otimizando os aspectos estético, formal, semântico e funcional, adequando-os aos conceitos de expressão, informação e comunicação, em sintonia com o mercado e as necessidades do usuário. 233 Cursos: 1. Comunicação assistiva 2. Comunicação institucional 3. Conservação e restauro 4. Design de interiores 5. Design de moda 6. Design de produto 7. Design gráfico 8. Fotografia 9. Produção audiovisual 10. Produção cênica 11. Produção fonográfica 12. Produção multimídia 13. Produção publicitária 9. Produção Industrial Compreende tecnologias relacionadas aos processos de transformação de matériaprima, substâncias puras ou compostas, integrantes de linhas de produção específicas. Abrange planejamento, instalação, operação, controle e gerenciamento dessas tecnologias no ambiente industrial. Contempla programação e controle da produção, operação do processo, gestão da qualidade, controle de insumos, métodos e rotinas. Característica desse eixo é a associação de competências da produção industrial àquelas relacionadas ao objeto da produção, na perspectiva de qualidade e produtividade, ética e meio ambiente, viabilidade técnico-econômica, além do permanente aprimoramento tecnológico. Cursos: 1. Construção naval 2. Fabricação mecânica 3. Papel e celulose 4. Petróleo e gás 5. Polímeros 6. Produção de vestuário 7. Produção gráfica 8. Produção joalheira 9. Produção moveleira 10. Produção sucroalcooleira 11. Produção têxtil 10. Recursos Naturais Compreende tecnologias relacionadas à produção animal, vegetal, mineral, aqüícola e pesqueira. Abrange ações de prospecção, avaliação técnica e econômica, planejamento, extração, cultivo e produção referente aos recursos naturais. Inclui, ainda, tecnologia de máquinas e implementos, estruturada e aplicada de forma sistemática para atender às necessidades de organização e produção dos diversos segmentos envolvidos, visando à qualidade e à sustentabilidade econômica, ambiental e social. 234 Cursos: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. Agronegócio Aqüicultura Cafeicultura Horticultura Irrigação e drenagem Produção de grãos Produção pesqueira Rochas ornamentais Silvicultura 234 ANEXO F – Resolução CEE/PE Nº 1, de 27 de dezembro de 2005 (Educação Profissional no âmbito do Sistema de Ensino do Estado de Pernambuco) 235 RESOLUÇÃO CEE/PE Nº 1, DE 27 DE DEZEMBRO DE 2005. Publicada no DOE/PE em 11/01/2006 p. 8 e 9 Homologada pela Portaria SEDUC nº 189 de 10/01/2006 p. 8. Dispõe sobre a Educação Profissional no âmbito do Sistema de Ensino do Estado de Pernambuco, regula o credenciamento e o recredenciamento de instituições, a autorização e a renovação de autorização de cursos e dá outras providências. O PRESIDENTE DO CONSELHO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DE PERNAMBUCO, no uso de suas atribuições, conferidas pelos incisos I, VII e VIII do art. 2º da Lei Estadual nº 11.913, de 27 de dezembro de 2000 e IV, VI, VII e VIII do art. 4º Decreto Estadual nº 26.294, de 8 de janeiro de 2004 e considerando a necessidade de adequar as normas que regulam a oferta da Educação Profissional, no âmbito do Sistema de Ensino do Estado de Pernambuco, ao disposto no Decreto Federal nº 5.154 de 23 de julho de 2004, que regulamenta o § 2º do art. 36 e os arts. 39 a 41 da Lei Federal nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 e às Resoluções CNE/CEB nº 4, de 8 de dezembro de 1999 e CNE/CEB nº 1, de 3 de fevereiro de 2005, que definem as diretrizes curriculares nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio, RESOLVE: Art. 1º Esta resolução regula o credenciamento e o recredenciamento de instituições de Educação Profissional integrantes do Sistema de Ensino do Estado de Pernambuco, a autorização de funcionamento de seus cursos e a renovação dessa autorização. Art. 2º A Educação Profissional, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva e social, podendo ser oferecida por meio de cursos e programas de: I - Formação Inicial e Continuada de Trabalhadores, destinada à qualificação, à especialização e à reprofissionalização, à atualização e ao aperfeiçoamento de trabalhadores, independente de escolaridade prévia; II - Educação Profissional Técnica de Nível Médio, destinada a proporcionar habilitação profissional a alunos matriculados ou a egressos do ensino médio; III - Educação Profissional Tecnológica, destinada a egressos do ensino de nível médio. Parágrafo Único. A oferta de Educação Profissional Tecnológica confere o grau de tecnólogo na área ou campo profissional através de diploma e se submete 236 às regras de acreditação de seus cursos e habilitações previstas para as instituições de educação superior. Art. 3º A Educação Profissional Técnica de Nível Médio abrange os cursos de habilitação profissional e os correspondentes cursos de qualificação e de especialização e dar-se-á de forma: I - integrada, oferecida a quem já tenha concluído o ensino fundamental, sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio, vivenciando matriz curricular única com formação geral e profissional na mesma instituição de ensino; II - concomitante, oferecida a quem já tenha concluído o ensino fundamental ou esteja cursando o ensino médio, na qual a complementaridade entre a educação profissional técnica de nível médio e o ensino médio pressupõe a existência de matrículas distintas para cada curso, podendo ocorrer: a) na mesma instituição, aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis; b) em instituições de ensino distintas, mediante convênios de intercomplementaridade, visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projetos pedagógicos unificados. III – Subseqüente, oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino médio. Art. 4º A Formação Inicial e Continuada de Trabalhadores é articulada preferencialmente com os cursos de Educação de Jovens e Adultos, reconhecendose ampla liberdade de sua organização à instituição de ensino que pretenda oferecêla, conferindo certificado de capacitação, de aperfeiçoamento ou atualização. Art. 5º Para assegurar o cumprimento das finalidades estabelecidas para a formação geral e as condições de preparação para o exercício de profissões técnicas, a instituição de ensino deverá, observados o inciso I do art. 24 da Lei nº 9.394/96 e as diretrizes curriculares nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio: a) ampliar a carga horária total dos cursos previstos na forma integrada, para os mínimos de 3.000, 3.100 e 3.200 horas, quando as habilitações profissionais exigirem os mínimos de 800, 1.000 e 1.200 horas, respectivamente; b) praticar a carga horária mínima, nas formas concomitante e subseqüente de modalidade regular e de Educação de Jovens e Adultos, de 800, 1.000 e 1.200 horas, conforme a área da respectiva habilitação profissional. Parágrafo único. Os cursos de educação profissional técnica de nível médio, quando realizados de forma integrada, na modalidade de educação de jovens e adultos, praticarão carga horária mínima de 1.200 horas de formação geral cumulativamente com a carga horária mínima da respectiva área profissional, desenvolvidas de acordo com plano de curso específico. Art. 6º Para os efeitos do art. 1º: I - credenciamento é ato administrativo constatador e permissivo de funcionamento de instituição de Educação Profissional integrante do Sistema de Ensino do Estado de Pernambuco, para a autorização de oferta de cursos técnicos, à vista de sua organização, de sua regularidade e de suas finalidades regimentais; 237 II - autorização é ato administrativo de delegação do serviço público educacional, para a oferta de cursos da Educação Profissional Técnica de Nível Médio. § 1º O credenciamento de instituição de educação profissional se dará por uma ou mais áreas profissionais e, quando inicial, ocorrerá simultaneamente ao pedido de autorização de curso nas áreas correspondentes ao credenciamento, integrando o mesmo processo e sendo objeto do mesmo parecer. § 2º Após o credenciamento na forma prevista no § 1º, o pedido de autorização de curso será formulado na área profissional requerida, não podendo constar do mesmo pedido mais de um curso de educação profissional. § 3º Os cursos de qualificação e de especialização de formação técnica só poderão ser oferecidos por instituições autorizadas à oferta de cursos de habilitação na área profissional do curso correspondente. § 4º Os cursos de qualificação e de especialização previstos no § 3º terão carga horária mínima de 20% (vinte por cento) da carga horária mínima da habilitação da área profissional correspondente. Art. 7º O pedido de credenciamento de instituição de educação profissional para a oferta de curso de Educação Profissional Técnica de Nível Médio será dirigido ao Conselho Estadual de Educação, instruído com: I - atos de criação da mantenedora e suas eventuais alterações; II - cópia do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica; III - certidões negativas de débitos para com a Seguridade Social e para com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; IV - indicação de eventuais cursos e programas em funcionamento; V - regimento da instituição, devidamente analisado pela Secretaria competente e a proposta pedagógica; VI - identificação dos dirigentes das instituições mantenedora e mantida, se houver; VII - política de remuneração e de qualificação de pessoal docente, técnico e administrativo da entidade; VIII - documento que comprove a ocupação legal do imóvel; IX - declaração e descrição pelo representante legal da instituição de satisfação das exigências de acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência aos espaços e ao processo educacional, nos termos da legislação específica; X - plantas das edificações e atestado de suas condições de habitabilidade e segurança, acompanhada da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica – ART emitida pelo CREA da região. § 1º Durante o período de credenciamento a instituição comunicará ao Conselho Estadual de Educação eventuais alterações ocorridas quanto aos documentos referidos nos incisos I, II, V, VI, VII, VIII e X. § 2º As alterações de endereço da instituição e do local de funcionamento de seus cursos, deverão ser comunicadas ao CEE e dependerão de parecer aprovado pelo Pleno e de portaria de homologação da Secretaria competente publicada no Diário Oficial do Estado. Art. 8º O pedido de autorização de curso de Educação Profissional Técnica de Nível Médio será dirigido ao Conselho Estadual de Educação e deverá estar instruído com os seguintes documentos: 238 I - cópia do ato de credenciamento, quando o pedido não for simultâneo ao de autorização; II – plano do curso, explicitando: a) denominação (habilitação/área profissional); b) justificativas; c) objetivos; d) requisitos de acesso; e) público-alvo; f) número de vagas por turma; g) competências e habilidades a serem construídas pelo aluno; h) perfil do profissional a ser formado; i) matriz curricular, carga horária, ementas, conteúdo programático e bibliografia básica das disciplinas; j) critérios de avaliação do processo ensino-aprendizagem e percentual de freqüência obrigatório; k) corpo docente para os dois primeiros módulos letivos e sua titulação; l) período de integralização curricular e terminalidade; m) coordenação de curso e sua habilitação; n) infra-estrutura descrevendo os ambientes de aprendizagem (salas de aula, laboratórios, equipamentos, materiais específicos) e especificando sua capacidade de utilização; o) biblioteca com acervo adequado, sua política de atualização e redes virtuais; p) formas de aproveitamento de competências e de estudos, de acordo com o regimento escolar e as diretrizes do Sistema Nacional de Certificação Profissional; q) realização da prática profissional e, quando necessário, o plano do estágio supervisionado. § 1º Em relação à alínea “q” do inciso II, devem ser observadas as seguintes diretrizes: I - a prática profissional estrutura e organiza a educação profissional, não se constituindo em disciplina, devendo estar incluída na carga horária da habilitação profissional; II - o estágio supervisionado e necessário em função da área de conhecimento ou do campo de saber técnico, da habilitação, da qualificação ou da especialização profissional, obedecerá ao previsto no art. 82 da Lei Federal nº 9.394, de 20.12.1996 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e na Res. CNE/CEB nº 1, de 3.2.2005; III - o estágio profissional supervisionado deverá ser realizado, preferencialmente, ao longo de cada etapa ou módulo, e sua carga horária deverá ser acrescida à carga horária mínima estabelecida para o respectivo curso. § 2º Quando a instituição não dispuser de biblioteca, poderá o Conselho Estadual de Educação permitir o uso de sala especial de leitura com acervo adequado, determinando prazos para que progressivamente seja cumprida a exigência prevista na letra “o” do inciso II do caput. Art. 9º O pedido de renovação de autorização de curso será dirigido ao Conselho Estadual de Educação acompanhado dos seguintes documentos: I - relatório de execução do plano de curso autorizado, evidenciando sua evolução e avaliação interna e eventuais alterações; 239 II - cópias do parecer do Conselho e da portaria de autorização emitida pela Secretaria competente; III - cópia dos documentos referidos nos incisos III e VII e, se alterados após os atos de autorização, dos documentos citados no § 1º do art. 7º. Art. 10. Os pedidos de credenciamento, recredenciamento, de autorização e de renovação de autorização serão formulados: I - com antecedência de quatro meses do início do funcionamento, nos casos de credenciamento de instituição concomitante com o de autorização de curso e nos de autorização de cursos posteriores; II - com antecedência de três meses, nos casos de recredenciamento de instituição e de renovação de autorização de curso. Art. 11. Recebidos os pedidos de credenciamento e recredenciamento de instituições e de autorização e renovação de autorização de cursos, verificada a regularidade do processo, o Conselheiro Relator: I - em relação ao pedido de credenciamento ou de recredenciamento, emitirá parecer à vista de sua organização, de sua regularidade, de sua proposta pedagógica, de seu regimento e de suas condições físicas e estruturais; II - em relação ao pedido de autorização, solicitará à Presidência do Conselho Estadual de Educação a designação de Comissão de Avaliação para a emissão de relatório sobre as condições de oferta e o plano do curso proposto; III - na hipótese de renovação de autorização, solicitará à Presidência do Conselho Estadual de Educação a designação de Comissão de Avaliação para a emissão de relatório sobre as condições de oferta, o cumprimento do projeto autorizado e sua evolução. Parágrafo único. A Comissão de Avaliação de que tratam os incisos II e III será composta por três membros, sendo um da área pedagógica, indicado pela Secretaria competente, um docente e um especialista, ambos da área profissional do curso pretendido pela instituição credenciada. Art. 12. Recebido o relatório da Comissão de Avaliação e ocorrendo a necessidade de esclarecimentos para a autorização ou para sua renovação, o Conselheiro Relator deverá solicitar à Comissão, quando pertinentes a esta, ou à instituição interessada, que no prazo de 30 dias contados da comunicação escrita deverá atender, sob pena de, não o fazendo, ser arquivado o processo. Parágrafo único. Constatada a regularidade do processo, o Conselheiro Relator emitirá seu parecer, que, além das exigências trazidas pelos arts. 7º e 8º, considerará: I - para o credenciamento e o recredenciamento, a constatação de condições de oferta de cursos da Educação Profissional Técnica de Nível Médio, nos termos do inciso I do art.10; II - para a autorização, a coerência do curso proposto, sua qualidade, sua viabilidade e suas condições de oferta; III - para a renovação da autorização, a coerência do curso proposto, sua qualidade, sua viabilidade, suas condições de oferta e o cumprimento do projeto autorizado. 240 Art. 13. Do parecer de credenciamento ou de recredenciamento deverá constar o local de funcionamento e o prazo de sua vigência, que não poderá ser superior a cinco anos. Art. 14. Do parecer de autorização de Curso de Educação Profissional Técnica de Nível Médio, deverão constar: I - matriz curricular; II - carga horária; III - número de alunos por turmas; IV - forma de integralização da matriz curricular e a terminalidade; V - turnos e local de funcionamento; VI - percentual de freqüência obrigatório; VII - plano de formação continuada para os docentes dos cursos; VIII - formas de realização das hipóteses da alínea “q“ do inciso II do art. 8º. Parágrafo único. A autorização de funcionamento de curso da Educação Profissional será dada por um prazo máximo de quatro anos. Art. 15. Os pareceres de credenciamento e recredenciamento de instituições ofertantes de Educação Profissional, de autorização e renovação da autorização de seus cursos, aprovados pelo Pleno do Conselho Estadual de Educação, nos termos dos incisos I, II e III do parágrafo único do art. 11 serão encaminhados à Secretaria competente para publicação da respectiva portaria. Parágrafo único. Para fins de validade nacional de diploma, a inserção, no Cadastro Nacional de Cursos Técnicos – CNCT, dos Cursos de Educação Profissional Técnica de Nível Médio autorizados, após a publicação da respectiva portaria, é de responsabilidade do Conselho Estadual de Educação. Art.16. Os especialistas da Comissão de Avaliação de que fala o Parágrafo único do art. 10 integrarão banco organizado por área e subárea de conhecimento pela Secretaria competente, nos termos de protocolo e ou de convênio a ser celebrado com o Conselho Estadual de Educação. Art. 17. O diploma de Curso de Educação Profissional Técnica de Nível Médio será expedido e registrado pela instituição de ensino, explicitando o título de técnico na respectiva habilitação profissional e a área à qual a mesma se vincula. § 1º A escola responsável pela última certificação de determinado itinerário de formação técnica expedirá o correspondente diploma, observado o requisito de conclusão do ensino médio. § 2º Os certificados de qualificação profissional e de especialização profissional deverão explicitar o título da ocupação certificada. § 3º A comprovação de conhecimentos e experiências anteriores aproveitados em curso de ensino profissional técnico serão mencionados nos respectivos certificado ou diploma. § 4º Os históricos escolares que acompanham os certificados e diplomas deverão explicitar, também, as competências estruturantes definidas no perfil profissional de conclusão do curso. § 5º Os modelos dos certificados e diplomas serão definidos por Instrução Normativa emitida pela Secretaria competente, observado o disposto neste artigo. § 6º O diploma de técnico de nível médio de curso de educação profissional na forma específica de educação integrada, prevista no inciso I do art. 3º, terá 241 validade tanto para fins de habilitação profissional, como para fins de continuidade de estudos na Educação Superior. Art. 18. A atuação docente na Educação Profissional Técnica de Nível Médio ocorrerá na seguinte ordem preferencial: I - por professores habilitados em cursos de licenciatura na respectiva área profissional de atuação; II - por graduados na respectiva área profissional de atuação, com formação pedagógica; III - por graduados em área diversa, mas com comprovada experiência profissional na área de atuação e com formação pedagógica; IV - por técnicos em nível médio na respectiva área de atuação, com comprovada experiência profissional e formação pedagógica; V - por profissionais de notória competência na área, devidamente comprovada. Art. 19. As instituições que ministram cursos de Educação Profissional deverão: I - disponibilizar e garantir o acesso de seus alunos, dos pais e responsáveis de alunos à cópia de seu regimento, de seu projeto pedagógico, do plano de curso e das cópias de portaria de credenciamento, recredenciamento, autorização e renovação de autorização; II - inserir nos documentos escolares os atos de credenciamento, recredenciamento, autorização e renovação de autorização. Art. 20. Não sendo renovada a autorização de curso da Educação Profissional, persiste a responsabilidade da instituição em ofertá-lo com o mesmo padrão de qualidade que norteou a autorização, até a regular conclusão dos alunos matriculados. Art. 21. É de responsabilidade da instituição credenciada comunicar oficialmente ao Conselho Estadual de Educação e à Secretaria competente, sua extinção e/ou encerramento de curso técnico autorizado, e de encaminhar o acervo documental à Gerência Regional de Educação ou à Secretaria Municipal de Educação de sua jurisdição, conforme o caso. § 1º A extinção de entidade e/ou encerramento de curso serão objeto de portaria da Secretaria competente, mediante comunicação do Conselho Estadual de Educação e de registro no Cadastro Nacional de Cursos Técnicos – CNCT. § 2º Após publicação de portaria de extinção da entidade e de encerramento de curso, a expedição de documentos escolares dos discentes será efetuada pela Gerência Regional de Educação – GERE ou Secretaria Municipal de Educação que receber os respectivos acervos documentais, observada a hipótese do § 3º. § 3º Quando a instituição de ensino credenciada encerrar curso técnico, continuando a oferta de outros cursos de educação profissional, o acervo documental ficará sob sua guarda, cabendo-lhe a expedição de documentos de vida escolar. Art. 22. Os casos omissos serão analisados e decididos pelo Conselho Estadual de Educação de Pernambuco. 242 Art. 23. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário, especialmente a Resolução CEE/PE de nº 03, de 26 de abril de 2004. Sala das Sessões Plenárias, em 27 de dezembro de 2005. ANTÔNIO INOCÊNCIO LIMA Presidente