VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém – PA – Brasil Auto-organização e gestão integrada dos recursos hídricos: o abastecimento público de água na Região Metropolitana de São Paulo Juliane Gaviolli(Faculdade de Saúde Pública - FSP/USP) Bióloga, especialista em gestão ambiental e mestranda do Departamento de Saúde Ambiental FSP/USP [email protected] Leandro Luiz Giatti(Faculdade de Saúde Pública - FSP/USP) Biólogo, Doutor em Saúde Pública e Professor Doutor da USP ([email protected]) Introdução A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) representa a maior concentração populacional e o maior polo econômico do país. Segundo o Censo 2010 (IBGE), são 39 municípios abrigando cerca de 19,7 milhões de habitantes distribuídos numa área de 8.047 km2 em menos de 1 milésimo da superfície nacional e pouco mais de 3% do território paulista. Historicamente, a configuração da RMSP ocorreu a partir, principalmente, da década de 50. O crescimento e o desenvolvimento de um núcleo urbano através do comércio e da prestação de serviços desencadearam um explosivo crescimento demográfico na região da cidade de São Paulo, estabelecendo uma economia dinâmica entre os municípios vizinhos e atraindo a população do campo e de outras regiões na expectativa de novas oportunidades de emprego. Existe uma enorme desigualdade dentro de uma mesma região metropolitana no que diz respeito ao planejamento, à gestão e à governança. Os problemas ambientais, sociais e econômicos causados pelo processo de crescimento das metrópoles desencadearam problemas crescentes de deteriorização da qualidade de vida urbana, agravados pela ausência de políticas públicas adequadas. A gestão integrada de recursos hídricos vem sendo considerada como uma abordagem multisetorial, fundamentada no uso sustentado do recurso. Embora os municípios da RMSP sejam autônomos em suas políticas públicas, são partes integrantes de uma metrópole, e é nesse âmbito que a demanda e seu atendimento vem se materializando. Portanto, discute-se a auto-organização do sistema de abastecimento público de água na RMSP vinculando às Políticas Públicas e à relação demanda-disponibilidade, abordando também a gestão integrada e auto-organizada do abastecimento público como uma abordagem multisetorial. VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém – PA – Brasil Objetivos Investigar a relação entre oferta e demanda por abastecimento público de água na RMSP e estudar a auto-organização e a gestão integrada deste sistema, considerando premissas do desenvolvimento sustentável. Metodologia Realizou-se um levantamento bibliográfico em bases de dados científicas e recorte dos conceitos sustentadores do arcabouço da pesquisa. Foram utilizados dados e indicadores de distintas naturezas, gerados e disponibilizados por instituições públicas de gestão e de pesquisa em recursos hídricos, capazes de demonstrar histórico, condições e tendências no tocante às demandas da RMSP por água de abastecimento público. Resultados esperados De fato, têm-se verificado um processo de implementação de ações no sentido de ampliar a produção e atender à crescente demanda, algo que vem se consolidando como uma resposta à histórica metropolização, sendo organizado regularmente sob forte pressão por escassez. Discussões e debates sobre a escassez progressiva, o uso intensivo de água e a poluição das represas abastecedoras tornaram-se essenciais para a tomada de decisões atuais levando-nos a assumir responsabilidades e compromissos com as gerações futuras. É necessário pensar como enfrentar a relação entre a oferta e a demanda de água na atualidade, garantindo qualidade e quantidade e suprindo a eventual iminência a sua falta. O Governo do Estado de São Paulo reconhece que esse é um grande obstáculo, pois uma fração da população pode não ter recursos financeiros suficientes para o pagamento dos serviços de saneamento. Portanto, é necessária a discussão de como deve proceder a regulação e o controle social e de que forma a universalização de abastecimento de água deve ser reproduzido nas políticas estaduais. Essas circunstâncias motivam a empreender uma análise diferenciada para o sistema metropolitano, enquanto um sistema que agrega características de ser aberto, composto por distintos níveis organizacionais e com determinada estrutura hierárquica entre suas unidades, compartilhando problemas socioambientais dentro de seu território. Reflexões Ao analisar as cidades de países desenvolvidos ou em desenvolvimento, é evidente a problemática das mudanças do ambiente físico afetando a qualidade da água e a crescente demanda por esse recurso. O acesso regular à água potável e segura não vem sendo estendido entre toda a população. Em alguns pontos da metrópole, como as áreas periurbanas, a falta de água é comum devido ao extenso e distante VI Encontro Nacional da Anppas 18 a 21 de setembro de 2012 Belém – PA – Brasil trajeto para ligação das moradias. Faltam redes de distribuição para atender a demanda populacional da Região Metropolitana, considerada um fator de risco para a saúde e para a economia por ser um fator limitante ao desenvolvimento. Entre os setores de infraestrutura brasileira, os serviços de abastecimento de água e o esgotamento sanitário são os que mais apresentam dificuldades econômicas e institucionais para serem implantados, universalmente e integralmente como direito de acesso aos serviços públicos. As principais dificuldades do setor são a baixa eficiência operacional, a ausência de regulação e de controle social e o déficit de atendimento causado pela fragmentação de políticas públicas e falta de integração entre as ações. O desafio para a universalização do serviço de abastecimento de água é um problema econômico, social, técnico e político, relacionado ao equacionamento dos recursos para os investimentos, operação e manutenção dos serviços. Porém, não se sabe quem pagará pelo serviço. Além disso, considera-se relevante a identificação de situações e elementos relevantes no processo de auto-organização, que possam se constituir em alternativas estratégicas para a gestão de problemas ambientais e de saúde pública em escala metropolitana. Referências bibliográficas GALVÃO JUNIOR, Alceu de Castro; NISHIO, Sandra Regina; BOUVIER, Beatriz Baraúna. TUROLLA, Frederico Araujo. Marcos regulatórios estaduais em saneamento básico no Brasil. Revista de Administração Pública – Rio de Janeiro 43(1): 207-227, janeiro/fevereiro, 2009. KAY, James J.; REGIER, Henry A.; BOYLE, Michelle; FRANCIS, George. An Ecosystem approach for sustainability: addressing the challenge of complexity. Futures 31:721-742. ROMÉRO, Marcelo de Andrade; BRUNA, Gilda Collet. Metrópoles e o desafio urbano frente ao meio ambiente. São Paulo: Blucher, 2010. SILVA, Ricardo Toledo; PORTO, Monica Ferreira do Amaral. Gestão urbana e gestão das águas: caminhos da integração. Revista Estudos Avançados, São Paulo, v.17, Abril 2003.