CAMILA LUZ FRADE ESTUDO COMPARATIVO DA PRESSÃO DE PERDA SOB ESFORÇO E DA PRESSÃO MÁXIMA DE FECHAMENTO URETRAL NO DIAGNÓSTICO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA Tese apresentada ao curso de Pós Graduação da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo para obtenção do Título de Mestre em Medicina SÃO PAULO 2009 Livros Grátis http://www.livrosgratis.com.br Milhares de livros grátis para download. CAMILA LUZ FRADE ESTUDO COMPARATIVO DA PRESSÃO DE PERDA SOB ESFORÇO E DA PRESSÃO MÁXIMA DE FECHAMENTO URETRAL NO DIAGNÓSTICO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA Tese apresentada ao curso de Pós Graduação da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo para obtenção do Título de Mestre em Medicina Área de concentração: Tocoginecologia Orientador: Prof. Dr. Antonio Pedro Flores Auge SÃO PAULO 2009 FICHA CATALOGRÁFICA Preparada pela Biblioteca Central da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo Frade, Camila Luz Estudo comparativo da pressão de perda sob esforço e da pressão máxima de fechamento uretral no diagnóstico da incontinência urinária./ Camila Luz Frade. São Paulo, 2009. Tese de Mestrado. Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo – Curso de Pós-Graduação em Medicina. Área de Concentração: Tocoginecologia Orientador: Antonio Pedro Flores Auge 1. Incontinência urinária por estresse/diagnóstico 2. Urodinâmica 3. Pressão 4. Estudo comparativo BC-FCMSCSP/08-09 Às mulheres que participaram do estudo. Sem elas nossa pesquisa seria inviável. Aos meus pais que nunca me deixaram desanimar. Às minhas irmãs, por tudo que passamos nestes três anos... Ao meu orientador pelo apoio e carinho. “Ando devagar porque já tive pressa E levo esse sorriso porque já chorei demais Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe Só levo a certeza de que muito pouco sei... Que nada sei...” Almir Sater e Renato Teixera AGRADECIMENTOS Agradecimentos a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa e São Paulo e a Irmandade da Santa Casa de São Paulo. Agradecimentos as instituições: CAPES, CNPq, FAPESP e FINEP. Ao Provedor da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo Ilustríssimo Kalil Rocha Abdalla. Ao Diretor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia Prof. Dr. Ttsutomo Aoki. Ao meu orientador Prof. Dr. Antônio Pedro Flores Auge pelo incentivo precoce e apoio na pós-graduação para realização da Tese de Mestrado. Papai que me criticou, atormentou, estressou... no intuito de me impulsionar para este momento. Mamãe que sempre me ajuda e incentiva sem pedir explicações e me orientou nas correções de português. Memel e Nana: irmãzinhas, finalmente cheguei ao fim! Meu sobrinho e afilhado que ficou triste toda vez que eu fiquei com a tese e não com ele. A equipe da Uroginecologia e Cirurgia Vaginal, pelo convívio, apoio e incentivo para a produção científica. Ao Dr. Ricardo que me auxiliou na avaliação estatística. A amiga e colega de equipe Dra. Thalita Russo Domenich que esteve ao meu lado em todos os bons e, principalmente, nos maus momentos, em que quase tudo deu errado. Aos amigos Thaïs, Fernanda, Carol, Fábio, Andrey, M. Carol, Claudio, Beth, Felipe, Priscila, Fabíola, Audrei, Virgínia, Solange, Elio... que me deram uma tremenda força no decorrer dos anos de tese. A todos os membros das bancas de qualificação e de defesa pública. E aqueles que me ajudaram e que nesse momento final de stress eu esqueci de agradecer. ABREVIATURAS EU: estudo urodinâmico IMC: índice de massa corpórea ICS: International Continence Society IU: incontinência urinária IUE: incontinência urinária de esforço IUM: incontinência urinária mista IUU: incontinência urinária de urgência PAPE: pressão abdominal de perda urinária sob esforço PMFU: pressão máxima de fechamento uretral SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................1 1.1 - ASPECTOS ANATÔMICOS......................................................................................... 5 1.2 - MECANISMOS DE MICÇÃO..................................................................................... 10 1.3 - ESTUDO URODINÂMICO......................................................................................... 13 2. OBJETIVOS .........................................................................................16 3. CASUÍSTICA E MÉTODO .......................................................................18 3.1 CASUÍSTICA................................................................................................................. 19 3.2 MÉTODO ....................................................................................................................... 20 4. RESULTADOS ......................................................................................23 5. DISCUSSÃO.........................................................................................29 6. CONCLUSÕES .....................................................................................37 7. ANEXOS ..............................................................................................39 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..........................................................45 FONTES CONSULTADAS..........................................................................50 RESUMO .................................................................................................52 ABSTRACT .............................................................................................54 1. INTRODUÇÃO 2 O custo para o sistema de saúde e o impacto na qualidade de vida tornam a Incontinência Urinária (IU) uma condição de grande importância e objeto de diversos estudos, mesmo não sendo causa direta de risco de vida (Martin et al, 2006). Além de problemas higiênicos e sociais, a perda urinária também afeta a função sexual feminina, conduz a dermatites, vaginites e cistites recorrentes, que podem ser acompanhadas de dispareunia (Zahariou et al, 2007). A IU tem prevalência de 10% a 25% na faixa etária de 15 a 64 anos (Diokno, 1995), com aumento gradual de acordo com a idade, chegando a cerca de 40% em torno dos 70 anos (Hannestad et al, 2000). Metanálises concluem que a prevalência geral de IU é de 30% na população feminina (Van Geelen, Hunskaar, 2005). A incidência aumenta na pós-menopausa que também é um fator de risco para IU. A média de idade para esse evento entre as mulheres ocidentais é 50 anos. No Brasil a média é semelhante, em torno de 51,2 anos (Pedro et al, 2003). Em mulheres brasileiras climatéricas há uma prevalência de 35% de IUE (Guarisi et al, 2001). Muitos estudos, como o de Van Geelen, Huskaar (2005), por meio da análise de exames e questionários de qualidade de vida, tentam determinar não só a prevalência da IU, mas também o aumento do grau de severidade da incontinência urinária com a idade (Fig. 1). 3 Severo Leve Moderado Desconhecido Prevalência (%) idade FIGURA 1: Prevalência da Incontinência Urinária segundo a faixa etária e o grau de severidade de acordo com a idade. (Van Geelen, Hunskaar, 2005) Quando a uretra não é capaz de suportar o aumento da pressão abdominal, que ocorre principalmente quando são realizados esforços como tosse, espirro, levantamento de peso, ou qualquer outra manobra, ocorre a perda urinária (Nager et al, 2001). Definida pela International Continence Society (ICS) como qualquer perda involuntária de urina, a IU é dividida em três tipos mais freqüentes: Incontinência Urinária de Esforço (IUE), Incontinência Urinária de Urgência (IUU) e Incontinência Urinária Mista (IUM), que reúne componentes das duas anteriores. A IUE é classificada em dois subtipos, permitindo definir dois mecanismos fisiopatológicos distintos. (Blaivas, Olsson, 1988). 1. Defeito no suporte anatômico da junção uretrovesical e uretra proximal. 2. Incontinência decorrente de alterações primordiais nos tecidos uretrais e peri-uretrais. 4 Assim, a IUE, que é a perda involuntária de urina durante esforço , exercício, espirro ou tosse (Abrams et al, 2002), advém da hipermobilidade do colo vesical ou da deficiência intrínseca do esfíncter uretral e resulta em perda involuntária de urina secundária a esforço físico, sem que haja contração do músculo detrusor (McGuire, Woodside, 1981). Na IUU há queixa de perda involuntária de urina, acompanhada ou imediatamente precedida de urgência (Abrams et al, 2002). A urgênncia é uma conseqüência da contração involuntária do músculo detrusor, decorrente da sua atividade contrátil, provocada por estímulos locais ou de forma espontânea (Kohli, Karram, 1998). A hipermobilidade do colo vesical é o tipo mais comum de IUE, e resulta da discrepância de pressões entre bexiga e uretra, superando a resistência do fechamento uretral, no momento em que ocorre o aumento da pressão abdominal. Na incontinência por defeito esfincteriano intrínseco, há maior associação com fatores de risco como idade avançada, deprivação estrogênica, mielopatias congênitas e adquiridas, cirurgias pélvicas oncológicas e radiação, além de cirurgias prévias para incontinência e prolapso (Bump et al, 1997).. Os principais procedimentos cirúrgicos utilizados para o tratamento da IUE são a colpossuspensão retropúbica (Burch) e as cirurgias de faixa sub-uretral – slings (Goutz, Blaivas, 2001). A operação de Burch é o procedimento mais estudado em longo prazo, apresentando recidivas ao redor de 40% após cinco anos (Marana et al, 1996; Dia et al, 2003). Os piores resultados desta correção cirúrgica ocorrem em pacientes com defeito esfincteriano intrínseco, pela maior severidade do quadro e, também, pela fonte do problema estar na coaptação uretral e não na sua mobilidade (Feldner et al, 2004).. 5 Os slings com material autólogo – aponeurose do músculo reto-abdominal – também apresentam recidivas de até 40% no mesmo prazo (Ayoub et al, 2004). Resultados melhores foram encontrados com a utilização de slings de material sintético, representados pelas faixas sub-uretrais livres de tensão, com 81,3% de cura após seis anos (Nilsson et al, 2004). 1.1 - ASPECTOS ANATÔMICOS Para a melhor compreensão da fisiopatologia da IU, assim como o mecanismo de micção e, consequentemente, o diagnóstico e o tratamento, o conhecimento da anatomia pélvica é de vital importância. Responsável pela sustentação e suporte dos órgãos pélvicos e outras estruturas como ligamentos e musculatura, o esqueleto da pelve é formado pelos quadris, ventral e lateralmente; pelo sacro e cóccix, dorsalmente (Fig. 2). O osso do quadril é constituído pela fusão de três ossos: o ílio, o ísquio e o púbis (Moore, Dalley, 2007). A relação dos ossos pélvicos com os ligamentos e fáscias de sustentação é fundamental para definir o eixo horizontal do suporte pélvico. 6 Vista sup do ileo sacro Ligamento sacro-espinhal Ligamento sacro-tuberoso Ramo do isquio Sinfise pubica FIGURA 2: Representação esquemática dos ossos pélvicos na posição ortostática. Drake RL et al, 2005 (Gray’s Anatomy for Students) O diafragma pélvico é constituído pelos músculos levantador do ânus (90%) e coccígeo (10%) e das fáscias que recobrem sua parte superior e inferior. O levantador do ânus é essencial no suporte dos órgãos pélvicos, sendo que sua contração e relaxamento promovem o equilíbrio da pelve e seus órgãos, além de prevenir danos nos tecidos conectivos (Fig. 3). O hiato do levantador, antigo hiato urogenital, é a denominação dada ao óstio de passagem do reto, vagina e uretra no músculo levantador do ânus (Wei, DeLancey, 2004). Didaticamente dividimos esse músculo em duas porções: pubococcígeo e íleococcígeo (anterior e posterior). A maior porção, o pubococcígeo, é subdividida de acordo com suas inserções: pubovaginal, puborretal e pubococcígeo. (Macéa, Macéa, 2005) 7 Pubococcígeo Íleococcígeo FIGURA 3: Diafragma pélvico: vista superior (adaptado de Netter F, 1999). O complexo ligamentar úterossacro-cardinal é composto por ligamentos flexíveis que são responsáveis pelo suporte superior do colo e terço superior da vagina. Os suportes horizontais médios são constituídos pela fáscia pubocervical e septo retovaginal. São tecidos mais densos, sustentando bexiga e reto. O suporte inferior é constituído de tecidos muito fortes que se fundem à fáscia parietal do músculo pubococcígeo e ao corpo perineal estabilizando uretra, terço inferior da vaginal e canal anal (Wei, DeLancey, 2004). Dois ligamentos muito importantes na sustentação da uretra devem ser considerados: o pubo-uretral e o uretropélvico. O primeiro une a superfície inferior do púbis à uretra proximal e média, sendo componente ativo de contração no esforço. O segundo é um espessamento da fáscia pélvica, com origem medial no arco tendíneo com inserção na uretra proximal, importante na mobilidade uretral, auxiliando o mecanismo de continência. (Klutke, Siegel, 1995). O ligamento pubo-uretral descrito originalmente por Zacharin em 1961 tem papel fundamental no mecanismo de continência e participa na oclusão uretral durante o esforço. Os estudos deste ligamento originaram as cirurgias de sling como 8 conhecemos hoje, pois, inicialmente, foram idealizadas de forma a mimetizá-lo (Petros, 1998). Este conjunto formado pela musculatura e ligamentos é recoberto e permeado pela fáscia pélvica, também conhecida como fáscia endopélvica, que sustenta mecanicamente as vísceras e também serve como conduto flexível e suporte físico da rede vascular, nervos e tecidos linfáticos. Esta é uma extensão da fáscia transversalis, formada por fibras de colágeno entrelaçadas com elastina, algumas fibras musculares finas e rede vascular delgada (Haderer et al, 2002). A inervação provém, principalmente, dos nervos espinhais e coccígeos e do sistema nervoso autônomo (parte pélvica). O plexo sacral, responsável por grande parte da inervação, geralmente é formado pelos ramos ventrais do quarto e quinto nervos lombares e dos primeiros quatro nervos sacrais (Moore, Dalley, 2007).. A URETRA Cerca de 60% da continência uretral é dada por seu efeito selante, dependente da mucosa, submucosa, tecido conjuntivo e vasos sanguíneos uretrais. Conjuntamente com o estado hormonal constituem o, mecanismo uretral intrínseco (McGuire, 1985). O coxim vascular formado pelo suporte sangüíneo da uretra pode ser responsável por até um terço da continência (Rud et al,1980). Em estudos com dopplerfluxometria, foi confirmada a importância desse mecanismo, através da quantidade de vasos e sua pulsatilidade, permitindo a formação de um coxim vascular dinâmico na uretra média. (Jármy-Di Bella et al, 2000). Segundo DeLancey (1988) o mecanismo extrínseco é constituído pelo músculo esfíncter estriado da uretra, mais espessado na uretra média (Fig. 4). As 9 fibras encontradas nessa região são do tipo I, ou seja, fibras de contração lenta, que mantém tônus constante e a luz uretral fechada. As fibras são mais numerosas nas regiões anterior e laterais (Haderer et al, 2002). A integração destes mecanismos faz com que a continência seja mantida. A pressão uretral mantém-se maior que a pressão intravesical, exceto durante a micção. Desta forma, a uretra apresenta duas funções principais: manutenção da continência na fase de enchimento e relaxamento na fase de micção, o que vai facilitar o esvaziamento vesical (Herrmann et al, 2004). Músculo liso circular Coxim vascular Músculo liso longitudinal Ligamento uretropélvico Músculo esfíncter estriado Ligigamento pubouretral FIGURA 4: Desenho esquemático de corte transversal da uretra Para completar o mecanismo de continência, temos uma rede de sustentação formada por fibras do levantador do ânus que envolvem a uretra proximal e vagina, fixando-se à fáscia pélvica bilateralmente, sendo um dos fatores mais importantes para a continência urinária (DeLancey, 1994). O enfraquecimento dos ligamentos da uretra, muda sua localização anatômica normal. O climatério e, consequentemente, o hipoestrogenismo prejudica a qualidade dos tecidos conectivos e diminuem o volume do músculo estriado. Estes fatores deterioram a capacidade funcional da uretra (Haderer et al, 2002). 10 1.2 - MECANISMOS DE MICÇÃO A micção depende do reflexo espinobulboespinal, centrado na região anterior do tronco encefálico, o centro pontino da micção (Rocha, 2001). A bexiga é distinguida de outras vísceras por apresentar uma característica única, o controle voluntário, que requer a participação do córtex central (Chai, Steers, 1997). A micção voluntária ocorre pela ativação do reflexo da micção e relaxamento do músculo estriado da uretra e do assoalho pélvico (Petros, 1998). A elasticidade vesical e as propriedades eletromecânicas dos músculos lisos da bexiga e da uretra são responsáveis pela baixa pressão vesical e ausência de contração involuntária do detrusor. O sistema parassimpático, que é uma divisão do sistema autônomo, é responsável pelo estímulo excitatório vesical; é originado nos núcleos sacrais S2-S4 (Fig. 5). Os neurônios pré-ganglionares colinérgicos na espinha ventral formam o nervo pélvico, que faz sinapse com o os nervos pós-ganglionares no plexo sacral, que têm contato com os gânglios vesicais (Rocha, 2001). bexiga S2-S4 medula espinhal Nervo pélvico Plexo pelvico FIGURA 5: Inervação parassimpática aferente e eferente da bexiga e da uretra. Chai, Steers, 1997 11 O sistema simpático inerva as vísceras pélvicas e tem origem na espinha tóraco-lombar de T11 a L2, no núcleo intercaloso (Fig. 6). São neurônios colinérgicos pré-ganglionares que saem da medula espinhal ventralmente, fazem sinapse em neurônios noradrenérgicos do plexo sacral e entre bexiga e uretra. Esse sistema modula a função do trato urinário inferior, inibe os efeitos do sistema parassimpático e de hiperatividade vesical (Chai, Steers, 1997). FIGURA 6 T11-L2 medula espinhal Sistema simpático Nervo pélvico Nervo hipogástrico Plexo pelvico FIGURA 6: Inervação simpática aferente e eferente da bexiga e da uretra. Chai, Steers, 1997 Impulsos aferentes são desencadeados durante a fase de enchimento vesical, via nervo pélvico até porção dorsal da medula sacral, ascendem até o córtex cerebral e promovem o controle inibitório da micção. A partir de um determinado volume, há estímulo de mecanorreceptores na parede vesical e via nervos esplâncnicos pélvicos fazem sinapse na medula sacral, ascendem até o centro pontino da micção e estimulam o sistema parassimpático, 12 dessa forma desencadeiam a contração do detrusor. Há inibição simultânea do sistema nervoso simpático com abertura do colo vesical e uretra proximal, juntamente com o estímulo do nervo pudendo, que promove o relaxamento do músculo estriado da uretra, desencadeando o início da micção (Fig. 7). Centro Cortical ponte S2-S4 medula espinhal Plexo pélvico Núcleo parassimpático S2-S4 medula espinhal FIGURA 7: Reflexo da micção. Chai, Steers, 1997 13 1.3 - ESTUDO URODINÂMICO Desde 1882 estudam-se meios de aperfeiçoar o diagnóstico da IU e suas diferentes causas, assim como a melhor conduta, por meio de estudos pressóricos do trato urinário (Susset et al, 1991). Em 1975, Asmussen, Ulmsten, por intermédio de microtransdutores e sistemas de gravação, conseguem captar e mensurar os valores das pressões vesical e uretral. A partir de 1981, com a utilização de cateteres de três vias idealizados por Woodside e McGuire, foi possível registrar a pressão uretral associada à medida da pressão vesical com infusão simultânea de líquido. Esses estudos permitiram a realização do estudo urodinâmico (EU) como é executado em nossos dias. Em revisão sistemática da literatura, o EU foi considerado padrão ouro no diagnóstico da IU, por apresentar maior acurácia do que outros métodos (Martin et al, 2006). O EU é o exame que melhor reproduz e avalia a função miccional. É realizado como rotina na avaliação pré-cirúrgica, podendo ser feito com a paciente em pé ou sentada (Frade et al, 2007). É difícil definir um consenso para o modo de execução, mas na boa prática do exame o volume infundido na cistometria, para realização das manobras de esforço, deve ser em torno de 200mL a 300mL de líquido (soro fisiológico ou água destilada), a temperatura corpórea. Todos os sintomas reportados pela paciente devem estar discriminados no exame. Para medida da pressão de perda urinária sob esforço (PPE), a manobra de escolha é a de Valsalva, podendo ser seguida de outros tipos 14 de manobra, se necessário. O exame deve ser realizado com padronização e por profissional experiente (Schäfer et al, 2002). A PPE representa a menor pressão intravesical na qual ocorre a perda urinária, conseqüente ao aumento da pressão abdominal na ausência de contração do detrusor, conseguidas atavés de manobras de esforço, representadas principalmente por Valsalva (Valsalva Leak point pressure -VLPP) e tosse (Cought Leak point pressure -CLPP(Sand, Dmochowski, 2002). Uma PPE menor que 60 cmH2O é indicativa de deficiência esfincteriana intrínseca. Quando maior que 90 cmH2O, hipermobilidade do colo vesical e valores entre 60 cmH2O e 90 cmH2O são considerados intermediários, ou seja, com componentes de hipermobilidade e deficiência esfincteriana (McGuire, 1995) A diferença entre as pressões uretral e vesical no início da micção é denominada pressão máxima de fechamento uretral (PMFU). Se menor que 20cm H2O, a PMFU é considerada marcador de severidade de IU, e se relaciona à deficiência esfincteriana intrínseca (Pajoncini et al, 2002). Pela dificuldade na escolha do melhor tratamento para IUE, têm-se aperfeiçoado o diagnóstico desta afecção, assim como se define a severidade da mesma. Em 1995, Sultana correlacionou a PMFU com a PPE, mostrando significância estatística. Outros autores demonstraram que a correlação é mais significativa entre PPE menor que 60 cm H2O e baixos valores de PMFU (Swift, Ostergard, 1995; Feldner et al, 2004). 15 Estudos mais recentes questionam se essa relação é realmente importante, demonstrando que a mesma é pequena e até mesmo sem significância estatística (Martan et al, 2005). O estudo da PMFU é importante na determinação da severidade da IUE (Nager et al, 2001), e mais um fator na determinação da deficiência esfincteriana intrínseca (Bump et al, 1997). Estes dois parâmetros são de difícil avaliação e sua correlação ainda ‘muito discutível, havendo trabalhos em que não há correlação entre os dois, além de não haver associação, nem quanto ao grau de severidade. A PMFU é mais relacionada ao grau de severidade e a PPE aos tipos de IUE, podendo, segundo Martan et al, 2007, não ter relação com o grau e severidade. No diagnóstico de deficiência esfincteriana, a PPE e a PMFU são as variáveis mais importantes (Pajoncini et al, 2003), e correlacionadas, são fortes indicadores de severidade da IUE (Pajoncini et al, 2002). Apesar de todos os estudos sobre a pressão uretral e sua função no mecanismo de continência, a International Continence Society ainda considera difícil distinguir a incompetência uretral de outras desordens assim como determinar o grau de comprometimento da mesma. Também questiona se realmente é possível prever taxas de sucesso pós-cirúrgico com os testes diagnósticos que possuímos atualmente (Salvatore et al, 2007). Sabemos que o diagnóstico adequado é fundamental para orientar a conduta terapêutica e responsável pelos melhores resultados na intervenção cirúrgica, por essa razão interessamo-nos em desenvolver o presente estudo. 16 2. OBJETIVOS 17 Comparar a Pressão de Perda urinária sob Esforço e a Pressão Máxima de Fechamento Uretral no diagnóstico da Incontinência urinária de esforço feminina. Também visamos determinar o impacto de ambos os parâmetros na severidade do quadro de IUE, melhorando, desta forma, o diagnóstico e o tratamento da Incontinência Urinaria em mulheres. 18 3. CASUÍSTICA E MÉTODO 19 3.1 CASUÍSTICA Foram selecionadas oitenta e duas mulheres com IUE entre trezentas atendidas no Ambulatório de Cirurgia Vaginal e Uroginecologia, do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia (DOGI) do Hospital Central da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, no período de outubro de 2006 a junho de 2008.. Consideraram-se como critérios de não inclusão: Infecção do Trato Urinário, quadros clínicos (doenças crônicas) descompensados (hipertensão, diabetes) e pacientes que apresentassem distopia genital acentuada (prolapsos graus III e IV pelo POP-Q), hiperatividade do detrusor, bexiga neurogênica e exame sem perda urinária ao estudo urodinâmico. Para todas as pacientes que participaram do estudo, foi aplicado o termo de consentimento livre e esclarecido, previamente ao exame e todas acordaram e assinaram o documento (Anexo1). 20 3.2 MÉTODO Estudo transversal, feito por meio da avaliação urodinâmica e do pefil pressórico uretral de dois parâmetros no diagnóstico de IUE. O Projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (Anexo2). Em todas as pacientes foram realizados: anamnese, exame físico geral nos quais também foram incluídas as medidas de peso e altura para cálculo do IMC (índice de massa corpórea) e exame ginecológico. Foram solicitados urina tipo I e urocultura para descartar infecção do trato urinário. O tratamento prévio e a terapia hormonal não foram incluídos como dados para análise no estudo. Realizado o estudo urodinâmico com determinação da PPE e, posteriormente, realizado o Perfil Pressórico Uretral com medida da PMFU. ESTUDO URODINÂMICO As pacientes foram cateterizadas, após assepsia a anti-sepsia adequadas, com sonda vesical de duas vias (uma para infusão de soro fisiológico de 8Fr e outra para as medidas de PPE e PMFU de 6Fr) e uma sonda retal com balão para a medida da pressão abdominal. 21 Com a paciente em posição sentada, foi iniciada a cistometria, com infusão de soro fisiológico a 0,9%, à temperatura corpórea, em velocidade de 40mL-50mL/min. Nesta fase, foram identificadas as pacientes com contrações involuntárias do detrusor, excluídas, então, do estudo. Naquelas que não apresentaram alterações na cistometria, foi procedida a medida da PPE. Uma vez atingido o volume intra-vesical entre 200mL e 300mL, foram iniciadas as manobras de esforço (Valsalva e/ou tosse) registrando-se, então, a menor pressão em que ocorreu a perda urinária, dividido as pacientes de acordo com estas pressões e também identificando-se os exames sem perda urinária, que foram excluídos do estudo. Após determinação da PPE, a avaliação urodinâmica foi concluída com enchimento vesical até capacidade vesical máxima. PERFIL PRESSÓRICO URETRAL As pacientes selecionadas permaneceram com sonda vesical 6Fr para realização do perfil pressórico uretral. Realizado enchimento contínuo da sonda, com cerca de 1mL-2mL/min de Soro fisiológico 0,9% para manutenção de pressão constante nesse cateter, além de impedir seu colabamento. Foi realizada a tração da sonda para registro do do perfil pressórico uretral e, desse modo, a determinação da PMFU de forma estática, ou seja, sem manobras de esforço durante a tração do cateter. Os exames foram encerrados com a retirada das sondas e orientações pertinentes a cada caso com encaminhamento para retorno ambulatorial e continuidade do seguimento e tratamento. 22 MÉTODO ESTATÍSTICO Fizemos a análise geral dos dados utilizando o teste de Kolmogorov-Smirnov (Siegel, 2006) de uma amostra para demonstrar a aderência à distribuição normal das variáveis: Idade, IMC, PPE e PMFU. Sendo assim para hipótese H0 considerase que os valores da amostra têm distribuição normal. Usamos o coeficiente de correlação de Pearson (Zar, 1984) entre os pares de variáveis: Idade x IMC; Idade x PPE; Idade x PMFU; IMC x PPE; IMC x PMFU e PPE x PMFU para o total da amostra. Comparamos as médias da PPE entre os grupos de cada variável acima, por meio do teste t (Sokal, 1969) para variáveis independentes, fixou-se risco α ≤ 0,05 ou 5% para a rejeição da hipótese de nulidade. Os valores significantes foram assinalados com um asterisco(*). 23 4. RESULTADOS 24 A, média de idade das mulheres do estudo foi de 52,3 (26 – 82) anos (Anexo3). A média do IMC foi de 28 (18,5 – 36).Todas realizaram o exame com medida de pressão máxima de fechamento uretral e pressão de perda urinária sob esforço. Na PPE, encontramos a média de 85 cmH2O e, nesses casos, para a análise estatística, as pacientes foram distribuídas de acordo com os valores da pressão em dois grupos: pressões menores que 60 cmH2O e maiores que 60 cmH2O. A média de PMFU foi de 24,8, e esse dado também foi dividido para nossa análise em valores menores que 20 cmH2O e maiores que 20cmH2O. A amostra apresentou uma distribuição normal pelo teste de KolmogorovSmirnov (Anexo 4). Foram feitas as correlações de Pearson entre os pares de variáveis: Idade x IMC; Idade x PPE; Idade x PMFU; IMC x PPE; IMC x PMFU e PPE x PMFU para o total da amostra. Somente as correlações que obtiveram significância estatística foram apresentadas por meio de tabelas, acompanhadas por gráficos. Somente os ajustes de curvas com maior coeficiente de explicação foram representados. As variáveis idade, IMC e PMFU foram divididas em grupos, sendo: 25 Idade: ≤ 50 anos > 50 anos IMC: < 30,0 Kg/m² ≥ 30 Kg/m² PMFU: < 20 cm H2O ≥ 20 cm H2O Na comparação entre essas três variáveis (ANEXO 5), o coeficiente de explicação de Pearson foi baixo em todas as equações. A variável IMC não apresentou correlação significante com as demais, não sendo relacionada na tabela. Correlacionando-se a idade com a PPE, houve significância estatística, mostrando uma diminuição na pressão de perda com o aumento da idade, no entanto, a explicação estatística não foi satisfatória, mostrando que a correlação não pode ser aplicada como regra (Fig. 8). Idade (anos) Idade x PAPE 90 y = 97,615 - 10,426 logx r2 = 0,176 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0 120,0 140,0 160,0 180,0 PAPE (cm H2O) FIGURA 8: Correlação entre as variáveis idade (anos) e PPE (cm H2O) com n=82. Clínica de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal do DOGI, Santa Casa 2008. O mesmo foi feito com a PMFU, apresentando correlação presente, porém, da mesma forma que ocorreu com a relação PPE X idade, insatisfatória (Fig. 9). 26 Idade (anos) Idade x PMFU 70,0 y = 38,912 - 0,270x r2 = 0,068 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 PMFU (cm H2O) FIGURA 9: Correlação entre as variáveis Idade (anos) e PMFU (cm H2O) com n=82. Clínica de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal do DOGI, Santa Casa 2008. Correlacionando-se as principais variáveis do estudo: PPE e PMFU, foi possível achar significância estatística, Como na análise dos outros dados, a PMFU (cm H 2O) correlação não foi perfeita (Fig. 10). PAPE x PMFU 70,0 y = 1,675x0,588 r2 = 0,256 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0 120,0 140,0 160,0 180,0 PAPE (cm H 2O) FIGURA 10: Correlação entre as variáveis PMFU (cm H2O) e PPE (cm H2O) com n=82. Clínica de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal do DOGI, Santa Casa, 2008. Apesar de encontrarmos correlações estatisticamente significantes entre os nossos dados, pudemos constatar que este não foi o teste estatístico mais adequado 27 para o nosso estudo. Prosseguindo nossa análise, fizemos comparações entre as médias da PPE e os grupos de cada variável. Na comparação entre PPE e idade, nota-se que em pacientes com idade maior que 50 anos a pressão de perda é menor, enquanto que nas pacientes abaixo dos 50 anos, os casos de IUE por hipermobilidade do colo vesical são os mais encontrados (Tab. 1). TABELA 1. Comparação de médias, por meio do teste t para amostras independentes, das variáveis PPE (cm H2O) e grupo idade (n=82). Clínica de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal do DOGI, Santa Casa 2008. PAPE (cmH2O) Média Mediana Desvio-padrão N Idade ≤ 50 anos > 50 anos 96,9 76,3 102,3 71,5 33,3 35,5 37 46 t = 2,705* p = 0,008 28 Comparando PPE com IMC, não houve diferença entre os grupos (Tab.2) TABELA 2: Comparação de médias, por meio do teste t para amostras independentes, das variáveis PPE (cm H2O) e grupo IMC das pacientes do setor de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal do DOGI, Santa Casa 2008. PAPE Média Mediana Desvio-padrão N IMC ≤ 30 Kg/m² > 30 Kg/m² 87,1 82,2 93,0 73,2 32,6 41,9 55 28 t = 0,580 p = 0,564 Entre PPE e PMFU o resultado encontrado foi significante, mostrando a associação presente entre PMFU menor que 20 cmH2O e PPE menor que 60cmH2O, assim como PMFU maior que20cmH2O se relaciona com PPE maior que 60 cmH2O (Tab.3). TABELA 3. Comparação de médias, por meio do teste t para amostras independentes, das variáveis PPE (cm H2O) e grupo PMFU (cm H2O) com n=82. Clínica de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal do DOGI, Santa Casa 2008. PAPE Média Mediana Desvio-padrão N PMFU < 20 cm H2O ≥ 20 cm H2O 66,3 97,5 54,5 97,0 33,9 31,8 32 51 t = 4,247* p < 0,001 29 5. DISCUSSÃO 30 A Incontinência Urinária de Esforço é alvo constante de estudos, tanto para a avaliação diagnóstica, quanto para a revisão e aprimoramento de técnicas cirúrgicas. Mesmo com todos os tratamentos já propostos, suas modificações e, atualmente as técnicas de sling, que vêm mostrando resultados promissores, ainda encontramos um grupo de pacientes cujo tratamento é um desafio, com altas taxas de recidiva. Na grande maioria dos casos reportamos tais falhas às disfunções uretrais, que são encontradas principalmente na IU por defeito esfincteriano. Muito se têm feito para predizer os resultados adversos de nossas falhas de tratamento. Tentar encontrar o melhor exame para definir esta condição ainda é um desafio. O estudo urodinâmico através da medida da PPE é o exame complementar mais utilizado para o diagnóstico por fornecer um resultado objetivo à nossa pergunta: qual é o tipo de IU neste caso? Mas este mesmo exame é capaz de nos mostrar a chance de sucesso no tratamento? Por este motivo, a pressão máxima de fechamento uretral também foi considerada no diagnóstico da IUE, uma vez que este parâmetro nos mostra a integridade uretral, podendo melhorar a avaliação do quadro. A PPE nos dá uma contribuição dinâmica, mostrando a integridade do mecanismo de suporte e fechamento uretral durante o esforço. A PMFU avalia o mecanismo passivo da continência. Uma mobilidade uretral diminuída é melhor 31 avaliada com a medida da PPE, já baixos valores de PMFU são mais relacionados com o comprometimento da função uretral. Pela diferença de avaliação, essas duas medidas nem sempre são comparáveis e, muitas vezes, se complementam (Pajoncini et al, 2002). Existe dificuldade na padronização das medidas da PPE e da PMFU. O estudo urodinâmico pode ser realizado em diversas posições, o volume total infundido também não é consensual. O mesmo ocorre na medida da PMFU, que pode ser realizada de forma estática ou dinâmica, com diferentes cateteres. Em ambos os casos o calibre dos cateteres utilizados não é padronizado. Esta gama de adversidades torna difícil a comparação entre os estudos sobre o assunto e a determinação exata sobre o real papel dessas medidas no diagnóstico da IUE. Nosso estudo objetivou o máximo de padronização, os mesmos métodos utilizados para todas as pacientes em ambas as medidas. Usamos o consenso nas medidas das pressões da PPE e da PMFU quanto ao valor de corte. Também foram avaliadas as variáveis idade e IMC, e o último, quando comparado às outras variáveis, não apresentou, com nenhuma delas, qualquer tipo de correlação ou associação. Mesmo a obesidade, sendo considerada um fator de risco para a IU, não mostrou, em nossos dados, qualquer tipo de interferência tanto nos valores de pressão de perda quanto nos de fechamento uretral. A idade, como já era esperado, influenciou nossos resultados, mostrando que o envelhecimento da mulher e o hipoestrogenismo que acompanha a pósmenopausa interferem no curso da IU. O grupo de mulheres mais jovens apresentou pressões de perda mais elevadas do que os encontrados no grupo de mulheres mais velhas, mostrando um valor decrescente na função uretral. As pacientes com idade maior que 50 anos têm quadros mais severos de incontinência urinária. 32 O objetivo principal do estudo foi a comparação entre a Pressão de Perda ao Esforço e a Pressão Máxima de Fechamento Uretral. Independentemente de nossos resultados, essas são as variáveis com significado mais importante no diagnóstico de IUE por defeito esfincteriano (Pajoncini et al, 2003). Confrontando os nossos dados com os da literatura, vimos que apesar de diferentes metodologias quanto à realização dos exames, o resultado foi semelhante aos encontrados pela maioria dos autores. A PMFU já foi considerada, de forma isolada, um valor para determinar o defeito esfincteriano; porém, a PPE se mostrou um dado mais fidedigno, praticamente substituindo a pressão máxima de fechamento uretral. Alguns estudos foram realizados pra confrontar e correlacionar os dois, mostrando a correlação presente entre eles (Sultana, 1995). Mas o que a literatura nos mostra é que na maioria dos trabalhos há uma correlação de pouca significância entre os valores da PPE e da PMFU (Swift, Ostergard, 1995; Nager et al, 2001; Feldner et al, 2004; Martan et al, 2005); também vemos que a associação é encontrada somente quando comparamos baixos valares de PMFU com baixos valores de PPE. Inicialmente, foi realizada a análise de todos os dados, e os valores de PMFU e PPE não foram subdivididos. No índice de correlação de Pearson os resultados foram estatisticamente significantes, mas, insuficientes para afirmar que a correlação entre as duas principais variáveis está sempre presente. Diferente do que esperávamos a relação decrescente dos dois valores não é uma regra. Uma explicação possível para tal resultado é o fato de que esses dois valores de pressão refletem aspectos diferentes da função uretral. Um deles mostra 33 a integridade do mecanismo esfincteriano no repouso (PMFU) e o outro, a habilidade do esfíncter suportar o aumento da pressão nele exercido (PPE). Estes dados corroboram os encontrados na literatura, mostrando que os dois parâmetros podem apresentar alguma correlação, mas não podemos afirmar que forneçam os mesmos dados, portanto, um não exclui o outro. A medida da PMFU muitas vezes não dá o diagnóstico de IUE por defeito esfincteriano intrínseco e sim, ajuda na sua avaliação (Martan et al, 2007). Seguindo as avaliações já realizadas sobre o assunto, também consideramos que a PMFU apresenta uma contribuição maior para avaliar os casos de IUE por defeito esfincteriano. Continuamos então nossa análise estatística baseada nos cortes pré-determinados das pressões, nos dois casos. Os grupos foram subdivididos e uma nova análise foi realizada com o test t para variáveis independentes. Utilizando a associação entre os grupos, pudemos encontrar resultados melhores e mais promissores na avaliação do comprometimento uretral na IUE. Os grupos com baixas pressões (PPE <60cmH2O e PMFU < 20cmH2O) apresentaram associação estatisticamente significante, assim como os grupos com maiores pressões (PPE≥ 60cmH2O e PMFU ≥ 20cmH2O). Então, pudemos assumir que os casos de mulheres com baixas pressões de perda, frequentemente estão associadas a quadros de menores pressões de fechamento uretral, mostrando que nesses casos realmente há uma disfunção nesta estrutura, podendo levar a quadros de maior gravidade e, conseqüentemente, maior impacto dessa comorbidade e um prejuízo maior na qualidade de vida. 34 Segundo Bump et al (1997) e Pajoncini et al (2002), os estudos da pressão de fechamento uretral contribuem, principalmente, na avaliação do grau de severidade da IUE esfincteriana e é nesse momento que encontramos a associação com a PPE. O valor de corte escolhido para a PMFU é aleatório, mesmo assim, parece o melhor valor para determinar a gravidade da disfunção uretral, uma vez que há associação maior com a PPE nos valores de PMFU abaixo de 20 cmH2O (Lose, Brostoms, 2002). Quando usamos a associação entre os nossos dados, obtivemos respostas mais objetivas do que os resultados obtidos com a correlação. O mesmo tipo de análise também foi utilizado na maior parte dos trabalhos que abordam o mesmo tema. Achar a correlação perfeita é muito difícil quando utilizada nesse tipo de pesquisa, não há uma fórmula exata para prever o mecanismo de funcionamento da micção. A PPE é o parâmetro mais utilizado para a classificação da IUE e a diferenciação entre defeito esfincteriano e hipermobilidade do colo vesical. Muitas vezes queremos usar uma ou outra pressão para classificar a IUE, mas como pudemos ver em nosso estudo e os da literatura atual, eles não devem ser utilizados de forma isolada, devem se complementar ajudando não só no tratamento, mas no prognóstico de evolução da incontinência. A PMFU não é uma medida tão boa para classificação, porém ela avalia a integridade da uretra e sua função. Quando encontramos pressões mais baixas dessa medida, podemos notar a associação existente com defeito esfincteriano, mostrando um quadro de pior prognóstico por um comprometimento maior da uretra. 35 Com o estudo observamos que para o diagnóstico mais objetivo, a medida da PPE é boa e, além disso, outras disfunções miccionais podem ser verificadas durante o exame, em conjunto com a avaliação da IUE Como o EU se tornou uma prática bastante difundida no meio de especialistas da área, encontramos muitos examinadores aptos na sua execução, mesmo com algumas nuances na realização do exame. Já o perfil pressórico uretral requer uma experiência maior do examinador, sendo, desse modo, mais suscetível a erros. Esse exame tem pouca ou nenhuma contribuição na avaliação de outros distúrbios (bexiga hiperativa, por exemplo) e, muitas vezes, não interfere no tratamento final escolhido. É um dado que tem maior validade para o prognóstico e acompanhamento das mulheres com IUE. Com nossos resultados pudemos ver que o decréscimo nos valores da PPE não vêm acompanhados com a baixa progressiva dos valores de PMFU. Podemos afirmar, sim, que nas pacientes com diagnóstico de defeito esfincteriano intrínseco, pela avaliação urodinâmica, frequentemente encontramos PMFU menores do que 20 cmH2O, estando relacionadas a disfunções uretrais maiores. A Pressão Máxima de Fechamento Uretral e a Pressão de Perda urinária ao Esforço não se excluem. Não devemos usar uma ou outra; esses valores se complementam. Quando houver a necessidade de uma avaliação mais detalhada da função uretral, principalmente para avaliar melhor seu comprometimento, podemos lançar mão da medida da PMFU. Deste modo, mesmo com todas as suas limitações, a PPE é o exame de escolha para avaliação da Incontinência Urinária de Esforço. A PMFU não se faz necessária para determinação do defeito esfincteriano, mas, pode melhorar a 36 avaliação da uretra se houver necessidade, De forma geral esta medida não é obrigatória na avaliação da IUE. Mesmo com todos os estudos sobre a pressão de fechamento uretral, a medida da pressão de perda se mostra mais objetiva para a avaliação da incontinência urinária. Ainda assim, não podemos abandonar os estudos de diferentes parâmetros para melhorar a avaliação da IUE, procurando sempre melhorar seu manejo. 37 6. CONCLUSÕES 38 A Pressão de Perda sob Esforço e a Pressão Máxima de Fechamento Uretral são parâmetros diferentes na avaliação da Incontinência Urinária, eles se complementam. A PMFU pode ser utilizada pra melhorar a avaliação da função uretral e não para fazer o diagnóstico da Incontinência Urinária de Esforço.. Valores menores de PPE estão freqüentemente associados a valores menores de PMFU, mostrando uma disfunção uretral maior quando as duas pressões são baixas. 39 7. ANEXOS 40 7.1 Anexo1 CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO IDENTIFICAÇÃO DA PACIENTE OU RESPONSÁVEL LEGAL PACIENTE.......................................................................................................... DOCUMENTO DE IDENTIDADE Nº ............................... SEXO ....................... DATA DE NASCIMENTO: ............./.............../.................. ENDEREÇO:....................................................................................................... BAIRRO: ...................................................................... CEP: ............................ CIDADE: ...................................... ESTADO: ................ TEL: ........................... DADOS SOBRE A PESQUISA CIENTÍFICA: TÍTULO DA PESQUISA: ESTUDO DA PRESSÃO DE PERDA SOB ESFORÇO E PRESSÃO MÁXIMA DE ABERTURA URETRAL NO DIAGNÓSTICO DE INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO. PESQUISADOR: CAMILA LUZ FRADE CRM 108855 Departamento: DOGI ISCMSP TEL: 64093247/82685089 AVALIAÇÃO DO RISCO DA PESQUISA: A incontinência urinária é um problema higiênico e social que traz para a mulher não somente incômodo, como também constrangimentos, restringindo sua vida social. Pela sua importância tem-se procurado cada vez mais melhorar o diagnóstico para se alcançar o melhor tratamento. Atualmente, o estudo urodinâmico, juntamente com a história e exame físico/ginecológico, desempenha papel importante no diagnóstico da incontinência, permitindo melhorar a escolha do tratamento. A senhora realizará este exame para planejar o melhor tipo de tratamento. A pesquisa que está sendo realizada utilizará somente os resultados do exame, portanto, não havendo nenhum risco adicional. As conclusões do trabalho poderão melhorar o diagnóstico e, conseqüentemente, o tratamento. GARANTIAS A senhora terá acesso, a qualquer momento, as informações sobre o seu exame, assim como poderá retirar quaisquer dúvidas. Também tem a liberdade de retirar seus dados da pesquisa a qualquer momento. Os resultados do seu exame serão utilizados dentro das normas do sigilo e da ética médica. CONSENTIMENTO Declaro que, após esclarecimentos sobre o estudo pelo pesquisador, tendo entendido tudo que foi explicado, consinto em participar da pesquisa. São Paulo ...... de ................................ de .......................... _________________________ Paciente ou responsável legal ____________________ Dra. Camila Luz Frade 41 7.3 Anexo 2 42 7.2 Anexo 3 NO NOME 1 MDSS 2 IS 3 XY 4 RCPS 5 MSG 6 GSFB 7 MZGC 8 JGBS 9 CCS 10 STB 11 LDCN 12 JRTS 13 MJF 14 MJS 15 SMS 16 SAMS 17 ISP 18 MHS 19 ARFS 20 JNA 21 RA 22 MAS 23 MFTP 24 MVS 25 ERS 26 BPA 27 OSM 28 MCCC 29 JAO 30 LS 31 ARM 32 MCML 33 IAG 34 AMGB 35 CVS 36 FGR 37 SEM 38 KLSS 39 PRSC 40 MJF 41 SRL 42 SC 43 QMF 44 KCS 45 SSS 46 ALM 47 MCSSM 48 LC IDADE 45 42 56 68 53 48 51 29 28 37 44 61 59 73 41 45 53 44 33 49 39 44 52 61 51 62 60 63 58 42 55 50 64 50 38 40 37 72 67 58 42 55 27 59 49 57 58 63 IMC 23,0 32,5 29,0 35,0 24,0 22,0 19,4 36,0 28,0 29,4 27,8 23,0 31,0 26,8 25,0 31,0 35,0 26,7 29,9 22,0 26,8 23,5 35,5 35,5 25,0 24,9 31,7 22,0 26,2 26,0 20,7 21,0 34,0 23,6 26,0 30,0 22,6 22,5 28,0 30,8 29,0 28,0 28,4 24,7 32,0 33,4 29,0 27,5 VLPP 96,0 124,0 51,0 44,0 30,0 54,0 46,0 160,0 111,0 81,0 152,0 91,0 142,0 55,0 93,0 100,0 141,0 120,0 142,0 107,0 45,0 114,0 115,0 160,0 71,0 96,0 150,0 136,0 110,0 58,0 252,0 144,0 86,0 90,0 120,0 110,0 99,0 32,0 56,0 77,0 112,0 101,0 115,0 54,0 55,0 89,0 93,0 72,0 PMFU 6,1 30,3 14,9 5,3 4,0 9,1 55,5 41,4 9,0 22,3 32,5 26,6 13,0 29,0 27,9 29,2 8,3 24,8 28,2 31,7 10,6 13,6 10,3 33,1 10,7 25,4 23,5 35,7 30,5 41,0 28,3 30,0 15,2 31,2 15,5 22,2 32,0 12,8 20,0 22,0 45,3 55,2 34,2 23,0 18,9 24,5 29,0 12,2 43 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 CRAM MLF FVS KSDF GMAM LS RGS ARD JSF RMLF LGP AR MJSS IRC KRC PMR TVQ MAS GMG FAG LFAM HE EMJ ET LPS CRL FRTSS AMP OSVS QTF DJT YCS ZS PRLS SM WLAF 41 69 71 53 56 62 46 58 80 39 48 53 49 55 26 77 69 48 39 59 47 41 60 46 51 43 82 51 44 57 63 58 52 55 49 67 28,6 32,0 31,0 28,0 18,5 28,0 29,6 31,6 34,0 22,5 24,0 19,0 25,3 29,0 28,0 31,0 27,1 24,6 25,0 27,7 33,0 30,0 32,4 27,6 28,2 35,2 23,1 31,4 27,4 31,0 22,5 28,0 29,9 31,7 30,2 35,0 109,0 66,0 43,0 51,0 96,0 76,0 132,0 97,0 23,0 120,0 56,0 108,0 77,0 42,0 123,0 56,0 82,0 30,5 94,0 72,0 78,0 56,5 52,0 111,0 89,5 24,0 39,3 67,0 102,3 48,7 48,0 134,0 50,3 23,8 69,4 45,5 33,0 29,0 16,5 14,8 22,0 28,4 57,2 43,2 9,0 46,7 18,6 27,1 19,0 13,2 40,0 21,0 18,5 11,4 25,0 18,2 36,0 29,8 13,0 47,0 39,6 11,9 20,0 17,4 46,9 22,4 18,0 44,5 19,0 10,3 21,3 20,4 44 7.3 Anexo 4 Resumo estatístico e teste de Kolmogorov-Smirnov de uma amostra para as variáveis: idade, IMC, VLPP e PMFU (n=82). Clínica de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal do DOGI, Santa Casa 2008. Média Desvio padrão 1º Quartil Mediana 3º Quartil Máximo Mínimo N D valor p Idade 52,301 11,883 44,0 52,0 59,5 82,0 26,0 83 0,390 0,998 Variáveis IMC PAPE PMFU 28,014 85,455 24,771 4,218 35,829 12,347 25,0 54,5 15,1 28,0 89,0 22,4 31,0 111,0 31,5 36,0 160,0 57,2 18,5 23,0 4,0 83 83 83 0,515 1,055 0,749 0,953 0,216 0,630 7.4 Anexo 5 Correlação entre as variáveis Idade (anos), PPE (cm H2O) e PMFU (cm H2O) para n=82. Clínica de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal do DOGI, Santa Casa 2008. Variáveis Ajuste de curva Idade x PAPE Idade x PMFU Logaritma Linear PAPE x PMFU Potencial Expressão y = 97,615 + 10,426 logx y = 38,912 - 2,270x 0,588 y = 1,675 x r² Fcalculado Significância de b 0,176 17,177* 0,068 5,883* p < 0,001 p = 0,018 0,256 21,300* p < 0,001 45 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 46 Abrams P, Cardozo L, Fall M, Griffiths D, Rosier P, Ulmsten U et al. 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Boston, Houghton Mifflin Company, 1991 Internet: <w.bireme.br> <WWW.icsoffice.org>; <www.iuga.org>; <www.google.com>; <www.pubmed.com>. 52 RESUMO 53 O objetivo do estudo foi comparar a Pressão Abdominal de Perda urinária ao Esforço (PPE) e a Pressão Máxima de Fechamento Uretral (PMFU) no diagnóstico da Incontinência Urinária de Esforço (IUE) e avaliar a importância de ambos os parâmetros para determinar a grau de severidade dessa condição. Entraram em nossa casuística oitenta e duas pacientes com Incontinência Urinária de Esforço (IUE), entre 26 e 82 anos, no Ambulatório de Uroginecologia e Cirurgia Vaginal do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Central da Irmandade de Misericórdia da Santa Casa de São Paulo, no período de outubro de 2006 a junho de 2008. Todas as pacientes realizaram Estudo Urodinâmico (EU) com medida da PPE e Perfil Pressórico Uretral (PPU) com medida da PMFU. Para avaliar nossos resultados foi realizada a análise de correlação de Pearson para todos os valores obtidos, houve significância estatística, porém, a mesma foi insuficiente. Já fazendo a associação entre a PPE e a PMFU, com teste t para variáveis independentes, com PPE menor que 60 cmH2O e PMFU menor que 20 cmH2O encontramos um resultado estatisticamente significante, mostrando que baixos valores de PPE estão freqüentemente associados a baixos valores de PMFU. Concluímos que a PPE e a PMFU são parâmetros diferentes na avaliação da Incontinência Urinária, eles se complementam. Valores menores de PPE estão freqüentemente associados a valores menores de PMFU, mostrando uma disfunção uretral maior quando as duas pressões são baixas. Frade CL. Estudo da Pressão Abdominal de Perda sob Esforço e da Pressão Máxima de Fechamento Uretral no Diagnóstico da Incontinência Urinária. Tese de Mestrado. São Paulo, 2008. 54 ABSTRACT 55 The aim of this study was compare Valsalva Leak Point Pressure (VLPP) and Maximum Urethral Closure Pressure (PMFU) for Stress Urinary Incontinence (SUI) diagnosis and evaluate their importance on severity of this condition. Research with eighty two patients with Stress Urinary incontinence (SUI), ages between 26-82 years old attended at Urogynecology and Pelvic Surgery Ambulatory of Obstetric and Gynecology Department of Santa Casa of São Paulo, since October 2006 until July 2008. All patients were performed with Urodynamic Investigation (UI), obtaining VLPP and Urethral Pressure Profile (UPP), obtaining MUCP. For our data analysis it was used correlation analysis of Pearson to all values, we found a significant statistical correlation, however, with mean results. The association between VLPP and MUCP wit t-test to independent values, with VLPP cut off less than 60 cmH2O and MUCP cut off less than 20 cmH2O, we found significant statistical results, therefore, mean values of VLPP are frequently in association with mean values of MUCP. In conclusion, VLPP and MUCP are different parameters to SUI evaluations, they complete themselves. Mean values of VLPP have more association with mean values of MUCP, showing a bigger urethral dysfunction when this two values have close association. Frade CL. Valsalva leak-point pressure and Maximum Urethral Closure Pressure study in Stress Urinary Incontinence diagnosis. Mastership Thesis. São Paulo, 2008 Livros Grátis ( http://www.livrosgratis.com.br ) Milhares de Livros para Download: Baixar livros de Administração Baixar livros de Agronomia Baixar livros de Arquitetura Baixar livros de Artes Baixar livros de Astronomia Baixar livros de Biologia Geral Baixar livros de Ciência da Computação Baixar livros de Ciência da Informação Baixar livros de Ciência Política Baixar livros de Ciências da Saúde Baixar livros de Comunicação Baixar livros do Conselho Nacional de Educação - CNE Baixar livros de Defesa civil Baixar livros de Direito Baixar livros de Direitos humanos Baixar livros de Economia Baixar livros de Economia Doméstica Baixar livros de Educação Baixar livros de Educação - Trânsito Baixar livros de Educação Física Baixar livros de Engenharia Aeroespacial Baixar livros de Farmácia Baixar livros de Filosofia Baixar livros de Física Baixar livros de Geociências Baixar livros de Geografia Baixar livros de História Baixar livros de Línguas Baixar livros de Literatura Baixar livros de Literatura de Cordel Baixar livros de Literatura Infantil Baixar livros de Matemática Baixar livros de Medicina Baixar livros de Medicina Veterinária Baixar livros de Meio Ambiente Baixar livros de Meteorologia Baixar Monografias e TCC Baixar livros Multidisciplinar Baixar livros de Música Baixar livros de Psicologia Baixar livros de Química Baixar livros de Saúde Coletiva Baixar livros de Serviço Social Baixar livros de Sociologia Baixar livros de Teologia Baixar livros de Trabalho Baixar livros de Turismo